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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Liège: Jesuítas desistem de apostolado com mais de 450 anos

Após mais de 450 anos, os jesuítas preparam-se para deixar a cidade belga de Liège, pondo fim a uma das mais antigas tradições educativas católicas da região.

A Diocese de Liège encara a partida «com tristeza, mas também com profundo agradecimento».

Os primeiros jesuítas chegaram a Liège pouco tempo depois da fundação da Companhia de Jesus, em 1540. Durante o século XVI, estabeleceram importantes colégios na cidade e ajudaram a moldar a sua vida religiosa e intelectual durante séculos.

No século XIX, os jesuítas assumiram o Collège Saint-Servais, na Rue Saint-Gilles, que se tornou o centro do seu trabalho em Liège.

A comunidade jesuíta da Rue Saint-Gilles encerrará oficialmente no fim do ano lectivo. Uma Eucaristia de acção de graças será celebrada a 13 de Junho para assinalar o fim da longa presença dos jesuítas em Liège.

in gloria.tv


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sábado, 27 de setembro de 2025

Há 485 anos, Paulo III aprovava a fundação dos Jesuítas

No dia 27 de Setembro de 1540, o Papa Paulo III publicou a bula Regimini militantis Ecclesiae, aprovando a Constituição da Companhia de Jesus. A finalidade dessa empresa está resumida na Fórmula do Instituto da Companhia de Jesus:

«Todo aquele que pretender alistar-se sob a bandeira da cruz, na nossa Companhia, que desejamos se assinale com o nome de Jesus, para combater por Deus e servir somente ao Senhor e à Sua esposa a Igreja, sob a direcção do Romano Pontífice, Vigário de Cristo na terra, depois dos votos solenes de perpétua castidade, pobreza e obediência, persuada-se que é membro da Companhia.

Esta foi instituída principalmente para a defesa e a propagação da fé e o aperfeiçoamento das almas na vida e na doutrina cristãs, por meio de pregações públicas, lições e qualquer outro ministério da palavra de Deus, Exercícios Espirituais, formação cristã das crianças e dos rudes, e Confissões e administração dos outros Sacramentos, buscando principalmente a consolação espiritual dos fiéis cristãos.»


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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

80 anos do milagre em Hiroshima na Festa da Transfiguração

A 6 de Agosto de 1945, Festa da Transfiguração de Cristo, um bombardeiro americano largou uma bomba atómica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão. A explosão incandescente matou cerca de 60 mil homens, mulheres e crianças.

Mas no meio de toda aquela catástrofe aconteceu um milagre de que poucos ouviram falar. A cerca de 1000 metros do "ground zero" um edifício ficou praticamente intacto, enquanto edifícios até 3 vezes mais longe ficaram completamente destruídos. Tratava-se de uma igreja onde viviam 8 missionários, sacerdotes jesuítas. 

Conhecidos desde aí como "os oito de Hiroshima", estes Padres saíram praticamente ilesos quando a explosão matou instantaneamente 86% das pessoas que se encontravam naquele raio de 1000 metros. Muitos outros morreram com os efeitos da radiação. Esses oito homens escaparam à explosão atómica e viveram até uma idade avançada, sem contaminação radioactiva. Ao longo dos anos foram submetidos a mais de 200 testes para tentar encontrar efeitos da radiação e todos deram negativo.

O padre Jesuíta Hubert Schiffer, um dos sobreviventes, tinha 30 anos na altura da explosão de Hiroshima em 1945. Depois de celebrar o Santo Sacrifício da Missa, da festa da Transfiguração, sentou-se para o pequeno-almoço quando todas as janelas brilharam com luz em todas as direcções.

Aqui está a descrição do Padre Schiffer sobre o que aconteceu: “Uma explosão assustadora encheu o ar com um violento choque como um trovão. Uma força invisível levantou-me da minha cadeira, arremessou-me através do ar, agitou-me, bateu-me, e arrastou-me a rodar e a rodar.

Ele teve algumas lesões menores, e os médicos do Exército Americano ainda confirmaram que ele e os seus sete companheiros não sofreram nem lesões graves nem danos de radiação.

Quando lhe perguntaram porque é que ele e os seus companheiros jesuítas saíram sem problemas enquanto que todas as outras pessoas àquela distância do "ground zero" tinha morrido, o Padre Schiffer respondeu: “Nós sobrevivemos porque estávamos a viver a mensagem de Fátima. Nós vivíamos e rezávamos o Terço diariamente em casa.”

Nagasaki, casa de dois terços dos Católicos japoneses, sofreu a segunda bomba atómica a 9 de Agosto de 1945. Este cidade, que se tinha tornado a “capital japonesa do Catolicismo” foi obliterada. No entanto, o mosteiro dos franciscanos estabelecido por São Maximiliano Maria Kolbe em Nagasaki permaneceu sem danos. 

São Maximiliano tinha anteriormente decidido ir contra um conselho que lhe tinham dado para construir o seu mosteiro numa localização mais perto da cidade. Em vez disso, São Maximiliano escolheu uma localização atrás de uma montanha. Quando a bomba atómica explodiu, o mosteiro mariano foi protegido e preservado.


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quinta-feira, 31 de julho de 2025

Santo Inácio de Loyola

Hoje é dia do grande Santo Inácio de Loyola. A essência originária dos jesuítas está patente no texto dos Votos da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio, em 1534:

«Que os membros consagrarão suas vidas ao constante serviço de Cristo e do Papa, lutarão sob a bandeira da Cruz e servirão ao Senhor Pontífice romano como o vigário de Deus na Terra, de tal forma que executarão imediatamente e sem vacilação ou escusa tudo o que o Pontífice reinante ou seus sucessores puderem ordenar-lhes para proveito das almas ou para propagação da fé, e assim agirão em toda província aonde forem enviados, entre turcos ou quaisquer outros infiéis, na Índia distante, assim como em região de hereges, cismáticos ou indivíduos de qualquer tipo.»


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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Santa Margarida foi mensageira entre Jesus e São Cláudio La Colombière

Desde as visões de Jesus a Santa Maria Margarida Alacoque a devoção ao Sagrado Coração de Jesus começou a crescer na Igreja. Mas houve outra personagem na História, um santo sacerdote jesuíta, que também teve o seu papel a cumprir. Disse Jesus a Santa Margarida:

"O carisma do Padre La Colombière [SJ] consiste em conduzir as almas a Deus. Por isso os demónios o hão-de obstaculizar de todas as maneiras. Mesmo pessoas consagradas a Deus o vão fazer sofrer, e não hão de aprovar aquilo que ele dirá nas suas pregações para as conduzir ao Senhor. Mas que a bondade de Deus seja o seu apoio nas suas cruzes na medida da confiança que ele puser n’Ele…" 

"Dirige-te ao meu servo (Cláudio La Colombiere) e diz-lhe da minha parte para fazer o possível para implantar esta devoção e assim dar esta alegria ao meu Coração. Acrescenta também que não se desencoraje por causa das dificuldades que encontrará nesta empresa, porque não faltarão certamente. Deve saber, porém, que é omnipotente aquele que desconfia completamente de si mesmo e se fia unicamente em Mim…"

São Claude La Colombière foi confessor de Santa Maria Margarida Alacoque até à sua morte, no dia 15 de Fevereiro de 1682.


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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Dia de São Francisco de Borja

Glória da nobreza espanhola e da Companhia de Jesus. Grande de Espanha, Marquês de Lombay, Duque de Gândia, Vice-rei da Catalunha, Geral da Companhia de Jesus, iluminou a sua época com invulgar sabedoria política e altas virtudes.

O pequeno Ducado de Gândia, pertencente ao Reino de Valência, era governado no início do século XVI por Dom João de Borja. A sua mãe, viúva pela segunda vez aos 18 anos, logo que o filho pôde administrar o Ducado, retirou-se aos 33 anos de idade para o mosteiro de las Descalzas, como vulgarmente são denominadas em Espanha as monjas clarissas. Lá já se encontrava a sua filha Isabel, que edificava por causa da sua virtude.

Dom João era casado com Dona Joana de Aragão, neta, por um ramo bastardo, do Rei Fernando de Aragão, esposo de Isabel, a Católica. Expulsando os mouros de Granada, no mesmo ano em que promoviam a descoberta da América, esses soberanos puseram fim a oito séculos de dominação moura em Espanha.

Francisco, primogénito dos Duques de Gândia, nascido a 28 de Outubro de 1510, deveu à mãe a sua precoce piedade. Dona Joana tinha especial predilecção por ele, devido ao seu bom temperamento e natural inclinação à virtude. Não descuidando em que recebesse formação própria ao seu ilustre sangue, escolheu para ele dois preceptores de conhecida erudição e comprovada virtude.

Modelo de virtude na luxuosa Corte

Aos 10 anos Dom Francisco perdeu a mãe. Devido a este falecimento, o menino deixou o convívio do pai e dos sete irmãozinhos, pois a sua educação foi confiada ao tio materno, Arcebispo de Saragoça. Com ele passou alguns anos.

Como o costume exigia então, os filhos dos Grandes de Espanha passavam a juventude como pajens na Corte. Assim, ao cumprir 16 anos, Francisco foi enviado à de Carlos V, jovem rei da Espanha e Imperador do Sacro Império. Este logo se afeiçoou ao adolescente pela nobreza de sangue, seriedade, diligência e piedade.

A Imperatriz Isabel, filha do Rei de Portugal e esposa de Carlos V, tinha tal dilecção por Dom Francisco que, atingindo ele os 20 anos, deu-lhe por esposa Dona Leonor de Castro, a sua melhor dama de companhia, então com 17 anos, em cujas veias corria o mais ilustre sangue luso. Como presente de bodas, o Imperador Carlos V concedeu a Dom Francisco, além do título de Marquês de Lombay, a nomeação como Montero-Mor da sua Casa. E a Imperatriz acrescentou-lhe o de seu Cavalariço-Mor, e à Marquesa, esposa de Francisco, o de sua Camareira-Mor.

A Imperatriz quis ser a madrinha do primeiro filho do casal, que recebeu o nome de Carlos, em honra do Imperador. E também dispôs que seu filho Felipe — o futuro Felipe II — fosse o padrinho.

No meio a todas essas distinções, sendo dos poucos a ter entrada livre na câmara real e vivendo em faustosa Corte, o jovem Marquês de Lombay mostrava-se sempre simples e recatado, impressionando a todos por sua rara virtude. Esta era fruto do hábito salutar que adquirira de domar sempre suas paixões e más inclinações. Para isso, utilizava os métodos mais eficazes, como a oração, confissão e comunhão frequentes, além de penitências voluntárias. Dona Leonor procurava seguir a mesma trilha.

Deus abençoou-os concedendo-lhes cinco filhos e três filhas, uma das quais seguiria a senda da bisavó, entrando também para las Descalzas de Gândia. Após o nascimento do oitavo filho, os Marqueses, de comum acordo, decidiram viver em estado de continência, embora não tivessem atingido ainda os 30 anos de idade…

O ano de 1529 marcou profundamente a vida do Marquês. A Imperatriz Isabel faleceu, após breve doença, no auge do poder e da sua extraordinária beleza. Como prova de estima pelo casal, o Imperador dispôs que apenas a Marquesa amortalhasse a sua esposa e que fosse o Marquês quem acompanhasse os restos mortais dela até ao Panteón Real, em Granada.

Quando, após 15 dias de trasladado, sob um sol abrasador, o Marquês teve que reconhecer ante os notários aquele corpo já em adiantado estado de corrupção, constatou novamente, de maneira pungente, a fragilidade das glórias deste mundo. E renovou seu propósito de, se sobrevivesse à esposa, dedicar-se somente à vida que não tem fim, numa Ordem Religiosa.

São João de Ávila, a quem então abriu a sua alma, aprovou-lhe a decisão.

Vice-rei da Catalunha – “Exílio” em Gândia

Apenas voltou de Granada, Carlos V nomeou-o Vice-rei da Catalunha, cargo de grande confiança e responsabilidade, anteriormente concedido somente a pessoas mais idosas e já experimentadas em funções semelhantes. O Imperador reconhecia assim, naquele vassalo fiel de 30 anos incompletos, a maturidade e prudência necessárias para tal cargo.

Nos três anos do seu vice-reinado, Dom Francisco acabou com o banditismo que infestava a região, robusteceu a fronteira com a França, implementou a marinha e, em tudo, mostrou-se hábil político e grande administrador. Quando, em 1542, ia começar o seu segundo triénio, o Marquês recebeu a notícia do falecimento de seu pai. Pediu então licença ao Imperador para ir pôr as coisas em ordem no Ducado que herdara.

Esta foi-lhe concedida, mas Carlos V já o havia nomeado Mordomo-Mor da Princesa da Espanha, Presidente de seu Conselho e Superintendente de seu Erário. À Duquesa, sua esposa, o Imperador nomeara Camareira-Mor; e às suas duas filhas maiores, damas de honra. Todos entenderam que, nomeando a Dom Francisco Mordomo-Mor de seu filho Felipe, Carlos V tencionava designar assim o primeiro-ministro do próximo reinado.

Entretanto… Deus queria para Dom Francisco não a vida na Corte, mas o governo do pequeno Ducado, a fim de melhor prepará-lo para a grandíssima missão que lhe destinava. E assim sucedeu que, quando Carlos V comunicou à Família Real portuguesa qual a Casa e Servidores que, com diligência, havia escolhido para a futura rainha da Espanha, os soberanos portugueses, por motivos ignorados, rejeitaram o Duque de Gândia.

Dom Francisco, nos sete anos seguintes, dedicou-se inteiramente ao seu novo Estado e à vida de família. Fundou um Colégio da Companhia de Jesus, depois elevado a Universidade, para dar formação verdadeiramente católica não só aos filhos dos seus vassalos, mas principalmente aos dos mouriscos residentes no ducado, que mal aprendiam a verdadeira Religião.

Já se afeiçoara à nova milícia fundada por Inácio de Loyola, devido à amizade que mantinha com Pedro Fabro, Pe. Araoz e um dos jovens jesuítas que foram para o Colégio de Gândia, o futuro São Luís Beltrão, Apóstolo da Colômbia.

Membro da Companhia de Jesus

Em 1546, o Duque teve a dor de ver morrer a sua piedosa esposa. Se, por um lado, com apenas 36 anos, ele se via livre para realizar o seu projecto de consagrar-se a Deus, de outro prendia-o ao mundo a sua numerosa prole, ainda quase toda na infância.

O seu desejo de pertencer à Companhia de Jesus levou-o a enviar a Inácio de Loyola uma carta pedindo-lhe humildemente que o aceitasse entre os seus filhos e expondo-lhe os obstáculos que se antepunham a tal desejo: a saber, a sua condição de pai e Duque. Enquanto isso, fez voto de castidade e obediência ao superior dos jesuítas de Gândia.

A carta de Dom Francisco chegou ao Geral da Companhia de Jesus num momento de grande dor, pois este acabara de perder o seu primeiro e muito amado discípulo, Pedro Fabro, consumido por seu extraordinário zelo. Santo Inácio, que por revelação divina já soubera que o Duque entraria para Companhia, por nova luz sobrenatural teve conhecimento de que ele seria digno substituto do filho perdido.

E, realmente, o fundador da Companhia tinha o Duque em tão alta conta, que passou a consultá-lo sobre problemas que ele enfrentava na Espanha, recomendando ao seu Provincial que fizesse o mesmo.

Certa vez, tratando-se de uma fundação em Sevilha, à qual Santo Inácio não estava muito inclinado, enviou-lhe, a Gândia, uma folha em branco com a sua assinatura e deixando ao Duque o poder de decisão.

Do papel que passou a ter Dom Francisco nos destinos da Companhia, dá prova o Cardeal Cienfuegos ao afirmar que “todas as empresas e dificuldades da Companhia na Espanha e mesmo na Europa passavam por Gandia, buscando a direcção e o juízo de Borja, amparo da sua grandeza e abrigo na sua sombra”.

Profissão secreta na Companhia de Jesus

Carlos V, que nunca esquecia o Duque, pensou em nomeá-lo Presidente do Conselho do novo reinado. Ao convocar as Cortes Gerais do Reino de Aragão, em 1547, escolheu as pessoas que haviam de acompanhar o seu filho Felipe, figurando na cabeça da lista o Duque de Gândia. Nomeou-o também Tratador (um dos quatro intermediários entre o Príncipe regente e os seus Estados). Dom Felipe insistiu então com o Duque para que aceitasse definitivamente o cargo de Mordomo-Mor.

Dom Francisco recorreu a Santo Inácio. Este foi imediatamente ao Vaticano, suplicando ao Santo Padre uma dispensa extraordinária para que um nobre pudesse fazer a profissão solene na Companhia, conservando-a entretanto em segredo, mantendo as aparências de secular, pelo decurso de três anos, a fim de colocar os seus filhos. Assim, esse nobre (cujo nome foi ocultado) ficaria livre de todos os assaltos exteriores.

Obtida a dispensa, o fundador da Companhia enviou-a ao Duque, recomendando-lhe que não se aproximasse de Roma, pois era desejo do Papa conceder-lhe o barrete cardinalício.

O novo professo da Companhia continuou intervindo na reforma dos conventos relaxados. E quando os inimigos da Companhia lançaram uma campanha de calúnias contra seu fundador e os Exercícios Espirituais, por ele redigidos, Santo Inácio escreveu ao Papa pedindo um exame rigoroso dos mesmos, com uma consequente sentença pontifícia. Esta veio mediante o breve Pastoralis officii cura, uma aprovação explícita e honrosa da obra, concedendo indulgências a quem dela se aproveitasse. Isso fez calar e estremecer os seus caluniadores. 

Ao fim de quase três anos, conseguiu o Duque casar os seus filhos maiores. Transferira alguns dos seus privilégios para o seu segundo filho, e encarregara o mais velho de proteger e educar os três menores. Tudo parecia pronto quando, casando-se novamente o Príncipe Felipe, pensou outra vez no Duque para seu Mordomo-Mor.

Encontro de dois Santos

Dom Francisco escreveu a Santo Inácio pedindo-lhe licença para refugiar-se em Roma, uma vez que Paulo III havia falecido e o “perigo” do barrete cardinalício estava momentaneamente afastado. O Geral da Companhia recebeu de braços abertos aquele filho, que conhecia só sobrenaturalmente. Quando o Duque se ajoelhou para pedir-lhe a bênção, Santo Inácio fez o mesmo e reuniram-se os dois santos num longo abraço.

Mas não tardou que o novo Papa, Júlio III, conhecendo melhor o Duque, desejasse cumulá-lo de honras, inclusive a concessão do barrete cardinalício. Santo Inácio mandou-o então afastar-se de Roma e voltar para a Espanha. Aí, recebeu finalmente, como Grande de Espanha que era, a permissão de Carlos V para fazer-se religioso. Já podia deixar os trajes seculares, usar batina e receber a ordenação sacerdotal. Tinha então quarenta anos de idade.

Pode-se imaginar que repercussão tal acontecimento provocou na devota Espanha! De todos os lados choveram pedidos para sermões, visitas e exercícios espirituais. Santo Inácio nomeou o ex-Duque de Gândia, apesar da sua recente ordenação, Comissário Geral da Companhia para toda a Espanha.

Certo dia, ao visitar nessa qualidade os jesuítas de Ávila, estes referiram-se a uma freira, cuja vida estava pontilhada de eventos extraordinários e que era muito perseguida e caluniada. Assim encontraram-se São Francisco de Borja e Santa Teresa de Jesus. O primeiro confirmou que esta era guiada pelo espírito divino, e transformou-se em seu ardente protector.

Mas, novamente, o demónio e seus sequazes humanos recomeçaram a campanha de calúnias contra a Companhia de Jesus. O próprio Arcebispo de Saragoça, tio do Pe. Francisco, pregava contra os jesuítas. Em alguns lugares foram estes apedrejados.

Carlos V, vendo a tempestade que se formara, mandou chamar seu antigo protegido. Em uma conversa de três horas, comprovou toda a santidade do antigo Duque e a malícia dos caluniadores. A protecção do Imperador salvou novamente a Companhia. Pouco depois, Carlos V renunciava ao trono e retirava-se para o mosteiro de Yuste, onde três anos depois terminaria os seus dias, mencionando no seu testamento o Pe. Francisco.

Superior Geral da Companhia de Jesus e glorificação post-mortem

Ao falecer Santo Inácio, o novo Geral, Pe. Laynes, devendo ausentar-se de Roma para participar do Concílio de Trento com o Pe. Salmeron, na qualidade de teólogos do Papa, chamou à Cidade Eterna o Pe. Francisco, nomeando-o Vigário Geral da Companhia. Isso lhe preparava o sucessor, pois, realmente, quando faleceu o Pe. Laynes, Francisco de Borja foi eleito por unanimidade terceiro Geral da Companhia.

No seu governo, enviou os seus filhos ao Novo Continente, inaugurou o noviciado da Ordem, recebendo nele o futuro Santo Estanislau Kostka e muitos outros que morreriam mártires em terras de infiéis.

O Papa São Pio V, preparando a sua cruzada contra os turcos, pediu ao Geral da Companhia, devido ao seu sangue real e grande prestígio que gozava na Corte da Espanha, que fosse pessoalmente tratar com o rei Felipe II sobre a sua ajuda.

Ao voltar para Roma, alquebrado e com a saúde muito abalada, Francisco de Borja entregou a sua alma ao Criador, na noite de 30 de Setembro de 1572. Não só o povo, mas também Bispos e Cardeais acorreram à casa da Companhia para oscular os restos mortais daquele que já consideravam Santo.

Em 1671, Clemente XI canonizou-o solenemente. Toda a Espanha vibrou, especialmente a nobreza, que o nomeou seu patrono, obtendo ainda o traslado dos seus restos mortais para Madrid.

in lepanto.com.br

Fontes de referência:

Adro Xavier, EL DUQUE DE GANDÍA, El Noble Santo del Primer Imperio – Apuntes históricos, Editora Espasa-Calpe, S. A., Madrid, 1950.
Santos de Cada Dia, tomo III, 3 de Outubro, São Francisco de Borja, Organizado pelo Pe. José Leite, S. J., Editorial A.O., Braga, Portugal, 1987.
Marcelle Auclair, Santa Teresa de Ávila, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1959.



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quarta-feira, 31 de julho de 2024

Dia de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas

Santo Inácio foi uma conversão tardia, como acontece hoje a tantas pessoas, mas entregou o resto da sua vida pela Igreja. Podemos ver algumas das exortações que fazia frequentemente aos outros jesuítas nesta carta de 1555:

Parece-me que deveríeis decidir-vos a fazer calmamente o que podeis. Não vos inquieteis com o resto, mas deixai nas mãos da divina Providência o que não podeis cumprir por vós mesmos. São agradáveis a Deus a solicitude e o cuidado que, com razoabilidade, pomos nas tarefas que nos competem, para conseguirmos concretizá-las da melhor maneira. 

Não Lhe são agradáveis a ansiedade e a inquietação do espírito: o Senhor quer que os nossos limites e fraquezas encontrem apoio na sua fortaleza e omnipotência, quer que tenhamos confiança em que a sua bondade suprirá a imperfeição dos nossos meios. 

Os que se ocupam com muitos assuntos, mesmo que o façam com boas intenções, devem resolver-se a fazer apenas o que está ao seu alcance. Se tivermos de deixar de lado certas coisas, há que ter paciência, e não pensar que Deus espera de nós o que não podemos fazer. 

Ele não quer que o homem se atormente com as próprias limitações; não é preciso cansarmo-nos excessivamente. Quando de facto nos esforçámos por dar o melhor de nós, podemos deixar o resto nas mãos daquele que tem o poder de realizar tudo o que quer. 

Que a bondade divina nos comunique sempre a luz da sabedoria, para que possamos ver com clareza e realizar a sua vontade com profunda convicção, em nós e nos outros […], para que das suas mãos aceitemos o que nos envia, considerando o que é de maior importância: a paciência, a humildade, a obediência e a caridade.

Carta de 17/11/1555


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quarta-feira, 17 de julho de 2024

A história de Inácio de Azevedo SJ e companheiros mártires

A 17 de Julho de 1570, há 454 anos, Inácio de Azevedo, recém-eleito Provincial dos jesuítas no Brasil foi martirizado, juntamente com 40 missionários

Português de nobre linhagem, Inácio de Azevedo entrou na Companhia de Jesus, na qual ocupou cargos importantes. As suas insignes virtudes atraíram-lhe as atenções do Provincial S. Francisco de Broja, que o mandou ao Brasil como visitador geral. Dois anos depois voltava à Pátria, para daí a pouco voltar como superior duma leva de missionários.

Atacados no alto mar por corsários franceses, foram imediatamente condenados à morte. O primeiro foi o superior, que se tinha ido colocar diante dos hereges ostentando uma imagem da Ssma. Virgem que recebera das mãos do Papa S. Pio V. A sua mansidão era uma exprobração para a impiedade dos hereges. Trespassado por uma lança e degolado, entregou a alma a Deus.

Do mesmo modo 39 dos seus companheiros foram atormentados com atrozes suplícios, e os seus corpos lançados ao mar. Apenas foi poupado um irmão cozinheiro, de cujos serviços os piratas contavam servir-se. Mas o seu lugar foi logo tomado por um generoso adolescente, sobrinho do capitão do navio, que tinha solicitado a sua admissão na Companhia.

As suas almas foram vistas subir ao Céu por Santa Teresa de Ávila.

in Missal Quotidiano e Vesperal, Desclée de Brouwer & CIE, Bruges (Bélgica), 1957


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sexta-feira, 21 de junho de 2024

São Luís Gonzaga, o santo da santa pureza

Luís Gonzaga foi um santo jesuíta que morreu aos 23 anos, com a mesma doença dos que ele caridosamente ajudava. Provinha duma das famílias mais nobres do Sacro Império Romano, mas deixou tudo para se entregar totalmente a Deus e ao serviço dos mais necessitados.

O seu confessor, Padre Fernando Paterno, testemunhou que nunca lhe encontrou um único pecado mortal. O segredo da sua pureza era a sua intensa vida de oração e as penitências que fazia por amor a Deus.

Vale a pena rezar esta oração a S. Luís para pedir a santa pureza:

Ó Luiz Santo, adornado de angélicos costumes, eu, vosso indigníssimo devoto, vos recomendo singularmente a castidade da minha alma e do meu corpo.

Rogo-vos por vossa angélica pureza, que intercedais por mim ante ao Cordeiro Imaculado, Cristo Jesus e à sua santíssima Mãe, a Virgens das virgens, e me preserveis de todo o pecado.

Não permitais que eu seja manchado com a mínima nódoa de impureza; mas quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai do meu coração todos os pensamentos e afectos impuros e, despertando em mim a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado, imprime profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus e inflamai-me no amor divino, para que, imitando-vos cá na Terra, mereça gozar a Deus convosco lá no Céu. Ámen.



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segunda-feira, 27 de maio de 2024

Jesuítas em "profundo declínio"

Os jesuítas estão em "profundo declínio", escreve o Padre Julio Fernández Techera SJ, 57 anos, reitor da Universidade Católica do Uruguai, num estudo de onze páginas. Os pontos principais:

- O declínio nas admissões para os Jesuítas no Ocidente está a piorar todos os anos.

- Muitos membros estão a abandonar a ordem.

- Um amigo disse a Fernández que na sua província houve 72 noviços nos últimos dez anos, enquanto que no mesmo período 71 jesuítas deixaram a Companhia.

- 314 noviços juntaram-se aos jesuítas em 2023, enquanto 319 jesuítas morreram.

- Existem actualmente 13995 Jesuítas, mas dentro de alguns anos a Companhia de Jesus terá desaparecido de vários países europeus e será insignificante noutros na Europa, América e Oceânia.

- África é o único continente onde os jesuítas estão a crescer.

- Desde 2013, os jesuítas perderam mais de 3000 membros.

- "O problema não é apenas que muitos membros da ordem estão a morrer e poucos estão a entrar, mas também que não sabemos como manter muitos dos que entram".

- O padre Fernández rejeita o mito de que "a sociedade secularizada, a mudança dos tempos e mil outras desculpas" são a razão da falta de vocações [a razão é a secularização dos jesuítas].

- A visão do Relatório Geral 2023 dos jesuítas "poderia muito bem ser a visão do mundo de um 'think tank' secular com ligações a um partido político de esquerda".

- Não há nenhuma perspectiva sobrenatural ou transcendente no Relatório Geral que se esperaria de uma ordem religiosa, apostólica e sacerdotal.

- Em todo o Relatório Geral de mais de 24000 palavras, a palavra 'sacerdote' nunca aparece, e 'sacerdócio' apenas duas vezes, e só para distinguir entre o sacerdócio na Sociedade e o sacerdócio diocesano".

- "Há muitos sinais na vida actual dos ministérios jesuítas, nos documentos que são publicados e nas orientações que são dadas, que dão a impressão de que estamos numa ONG e não numa ordem religiosa."

- A Companhia de Jesus "está em profundo declínio", mas não quer sabê-lo: "Quer acreditar que esta é a situação de todas as outras realidades da Igreja que a rodeiam e que, por isso, é assim que deve ser".

- "Os superiores preferem manter a ficção de que as coisas estão a correr bem, em vez de se arriscarem a reconhecer o declínio religioso e apostólico da sociedade".

in gloria.tv


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domingo, 3 de dezembro de 2023

Quem foi São Francisco Xavier?

André Reinoso, 'S. Francisco Xavier prega em a Goa', cerca de 1619, Santa Casa de Misericórdia, Lisboa
São Francisco Xavier: um dos fundadores da Companhia de Jesus, junto com Santo Inácio de Loyola. A sua família fazia parte da nobreza de Navarra, território hoje pertencente à Espanha. Foi enviado pelo Rei de Portugal, D. João III, para realizar trabalho missionário nas Índias. Viajou pela África, Índia, Macau, Japão e Ilhas Molucas, na actual Indonésia. É o santo padroeiro dos missionários e da diocese de Macau, na República Popular da China.  

A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os Apóstolos que se espalharam pelo mundo após a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Durante o período do Descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o Cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os Jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China.

Francisco Xavier, nascido Francisco de Jasso Azpilcueta Atondo y Aznáres, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu em Xavier, no Reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projectado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com 18 anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu mas sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e leccionava na mesma Universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho, e de ideias objectivas, e tudo mudou. Tratava-se do futuro Santo Inácio de Loyola, fundador dos Jesuítas.

Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do Cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projectadas em si pela sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?" (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, N. S. Jesus Cristo.

Os papéis inverteram-se, e Inácio passou a ser mestre do seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Xavier, por fim, retirou-se durante quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou a sua primeira Missa com trinta e um anos, e tornou-se co-fundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos leprosos, segregados pela Sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de tocar.

Foi então que D. João III, Rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu, e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio com 900 passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa.

Viagens de São Francisco Xavier

Desde aí, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, baptizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro Sacerdote continuar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região.  

Acabou por sair das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Numa delas, na Ilha de Sanchoão, adoeceu e uma febre persistente debilitou-o, levando-o à morte, no dia 3 de Dezembro de 1552, com apenas 46 de idade. Está sepultado na Basílica do Bom Jesus, em Goa Velha, Índia.  

Foi beatificado pelo Papa Paulo V a 25 de Outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, a 12 de Março de 1622, em simultâneo com Inácio de Loyola. Celebrado no dia da sua morte, como exemplo do missionário moderno, São Francisco Xavier foi, com toda a justiça, proclamado pela Igreja Patrono das Missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de São Paulo do Oriente ou Apóstolo do Oriente.  

in Pale Ideas


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quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Escola Jesuíta Católica na Florida

A 'Jesuit High School' (JHS), só para rapazes, em Tampa (Florida) é Católica e dirigida por jesuítas:

- A JHS incentiva os alunos a partilharem a sua Fé com os colegas.

- Um total de 104 alunos foram baptizados desde 2010.

- Para o Padre Richard Hermes, SJ, presidente do JHS, "nada" é mais importante do que promover a fé e conduzir os jovens a Deus.

- Os retiros são uma parte importante do ministério da escola.

- Um factor-chave na "cultura dinâmica, ortodoxa e autenticamente católica" do campus é a disponibilidade dos sacramentos.

- Há Missa diária, adoração eucarística regular, confissões.

- A joia da coroa da JHS é a Capela de Santa Cruz, um edifício românico multimilionário dedicado em 2018.

- A JHS valoriza "liturgias belas, nobres e dignas", fazendo com que as Missas e outras liturgias sejam "tão dignas e solenes quanto possível".

- Grupos de oito a dez alunos reúnem-se regularmente à hora do almoço para falar sobre a Fé.

- A escola tem um "departamento de teologia sólido como uma rocha" que oferece a verdade combinada com um amor "sem desculpas e sem transigências".

in gloria tv


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terça-feira, 10 de outubro de 2023

São Francisco de Borja, Padroeiro de Portugal contra os terremotos

Hoje a Igreja celebra a memória de São Francisco de Borja, o Duque Santo.

Desde pequeno era muito piedoso e desejou tornar-se monge, a sua família porém enviou-o à corte do imperador Carlos V. Ali se destacaria acompanhando o imperador em suas campanhas e casando-se com uma nobre portuguesa: Eleonor de Castro Melo e Menezes, com a qual teve oito filhos: Carlos, Isabel, João, Álvaro, Fernando, Afonso, Joana e Doroteia.

Nobre e considerado "grande de Espanha", em 1539 escoltou o corpo da imperatriz Isabel de Portugal ao seu túmulo em Granada. Quando viu o efeito da morte sobre o corpo daquela que tinha sido uma bela imperatriz decidiu "não mais servirei a uma beleza que me possa morrer". Ainda jovem foi nomeado vice-rei da Catalunha, província que administrou com grande eficiência. Quando o seu pai morreu, recebeu por herança o título de Duque de Gandía, então retirou-se para a sua terra natal e aí levaria, com a sua família, uma vida entregue puramente à religião.

Tocado pela graça a propósito daquela cena chocante, Francisco compreendeu a vaida­de de toda a glória mundana, e decidiu que se algum dia enviuvasse, se consagraria inteiramen­te a Deus. Assim de facto aconte­ceu: enviuvou aos 40 anos de idade, renunciou a todos os seus títu­los e bens (em favor de seu primogénito, Carlos) e ingressou na Compa­nhia de Jesus como filho espiritu­al de Santo Inácio de Loyola, che­gando a ser superior geral daque­la família religiosa.

Imediatamente, se lhe foi oferecido o título de cardeal. Recusou, preferindo a vida de um pregador itinerante. Seus amigos conseguiram convencê-lo a aceitar o título para aquilo que a natureza e as circunstâncias o haviam predestinado: em 1554, converteu-se no Comissário Geral dos Jesuítas na Espanha, e em 1565, em Superior Geral de toda a Ordem.

Na sua liderança os Colégios prosperaram: de 50 em 1556 passaram a 163 em 1574. Borja promulgou a primeira Ratio Studiorum em 1569. Iniciou-se a remodelação da Igreja de Jesus, em Roma. O Superior Geral seguiu de muito perto a evolução da Contra-reforma na Alemanha. Muitas fundações jesuítas serviram para reforçar a causa católica.

Deu grande impulso às missões. Uma expedição missionária enviada por ele ao Brasil foi exterminada pelos protestantes em alto-mar (Inácio de Azevedo e seus companheiros mártires, em 5 de Junho de 1570).

Quando elogiado retorquia: "Procurei um lugar para mim na Bíblia e vi que o único que me atreveria a ocupar seria aos pés de Judas, o traidor. Mas não o pude ocupar, porque já lá estava Jesus lavando-lhe os pés." ou "Sou tão pecador que a única coisa que mereço é o inferno."

Morreu, aclamado como o duque santo, em 1572 e foi canonizado em 1671.

PF


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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Jesuítas em Espanha


21 representantes do jesuítas espanhóis reuniram-se, no Porto de Santa Maria, para definir que passos deve a Província espanhola seguir. Em 1965, quando acabou o Concílio Vaticano II, havia 3358 jesuítas em Espanha. Hoje há menos de 700, com idade média de 73 anos.

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segunda-feira, 31 de julho de 2023

Dia de Santo Inácio de Loyola

Este grande santo, fundador Companhia de Jesus, era um valoroso militar, até que se converteu. Ordenado sacerdote, a sua militância passou a ser pela glória de Deus e salvação das almas. Tarde encontrou Jesus Cristo, tal como Santo Agostinho, mas agarrou-se a Ele com todas as forças e nunca mais d'Ele se separou. Entregou a vida toda, lutou incansavelmente pela propagação da Fé e pelo crescimento da Igreja Católica.
 
No Princípio e Fundamento dos Exercícios Espirituais deixou-nos um resumo esplêndido do que estamos aqui a fazer:

«O homem foi criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isto, salvar a sua alma;

E as outras coisas sobre a face da terra foram criadas para o homem, para que o ajudem a conseguir o fim para o qual foi criado.

Donde se segue que o homem tanto há-de usar delas quanto o ajudam para o seu fim, e tanto deve deixar-se delas, quanto disso o impedem;

Por isso, é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é concedido à liberdade do nosso livre arbítrio, e não lhe está proibido; de tal maneira que, da nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida curta, e consequentemente em tudo o mais; mas somente desejemos e escolhamos o que mais nos conduz para o fim para que somos criados.»


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quarta-feira, 21 de junho de 2023

A boa vida e a boa morte de São Luís Gonzaga

A primeira coisa que aconteceu quando ele se tornou um Jesuíta foi que lhe disseram para dormir mais; disseram-lhe para comer mais. Uma das primeiras cartas que recebi do provincial dizia: "Ouvi dizer que andas a dormir menos do que precisas...dorme seis horas", portanto tenho tentado ser obediente desde então.

Depois de acabar o seu noviciado, Luís foi enviado para Milão. Foi em Milão que, ainda estudante, num dia durante as orações da manhã, ele teve uma revelação de que não iria viver muito e a sua alegria foi imensa. Com alguns artifícios, ninguém sabe como é que ele fez, conseguiu ter o pior quarto da casa. Entrava frequentemente em êxtase nas alturas mais inconvenientes - à mesa, na sala de aula e até mesmo no recreio. As suas meditações, disseram mais tarde os seus contemporâneos, eram quase sempre sobre os atributos de Deus. Por outras palavras, ele meditava na bondade, na sabedoria, na beleza de Deus e, a partir destas meditações dos atributos de Deus, ele ganhava uma alegria extraordinária.

Depois, em 1591, uma praga terrível chegou a Roma durante a qual os Jesuítas, incluindo o Padre Geral, saíram para as ruas para tratar dos feridos pela peste -- a doença é muito infecciosa, o Padre Geral levou os Jesuítas nesta obra de misericórdia. Luís, apesar da sua má saúde, conseguiu ter permissão para ir ajudar. Tomava conta dos doentes, encorajava-os, guiava-os nas suas orações, preparava-os para a morte. Escolhia as tarefas mais servis e menos apetecíveis.

Ele apanhou a doença. Durante a doença pediu o viático; ele achava que estava a morrer, mais tarde confessou que estava muito impaciente à espera da morte. Recuperou desta doença, mas depois ficou arrasado por uma febre que teve durante três meses. Sempre que conseguia levantava-se da cama à noite e rezava de joelhos diante do crucifixo.

Durante a sua doença mortal, o Pe. Berllarmino, um homem já de idade avançada na altura, ficava horas com o seu penitente e Luís pedia-lhe, "é possível ir logo para o Céu sem nenhum purgatório?", 'Sim, dizia Bellarmino, é possível'. "Bem, posso pedir essa graça?" 'Claro que podes.' Por isso ele pediu a graça de ir directamente para o Céu sem passar no purgatório.

Na noite antes de morrer, esteve em êxtase toda a noite. Com os membros da comunidade à sua volta, ele falava com o reitor que estava de pé junto da sua cama, "nós vamos, padre, nós vamos". O reitor disse, 'vamos onde?' "Vamos para o Céu". Por isso o reitor dizia com sentido de humor, "Iam achar que ele ia para Frascati' (essa era, já agora, uma Vila Jesuíta fora de Roma). Mesmo antes de morrer, ele pronunciou as palavras, "nas Vossas mãos" e morreu.

Foi canonizado em 1726 e as suas relíquias, onde eu já rezei muitas vezes, estão na Igreja de Santo Inácio em Roma. Ele escreveu muitas cartas que se guardaram e valem a pena ler. A 'Melhor Vida de Santo Inácio' foi escrita pelo mesmo Pe. Brodrick. Mas a 'Melhor Vida de S. Luís Gonzaga' é do Pe. Martindale. A vida que o Pe. Martindale escreveu de Luís tem imensas partes das suas cartas... dão boas meditações.

Fr. Hardon SJ in therealpresence.org


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sábado, 3 de dezembro de 2022

São Francisco Xavier explica os riscos e recompensas de ser missionário

Este país é muito perigoso, porque os seus habitantes, cheios de perfídia, misturam muitas vezes veneno na comida e na bebida. É por isso que não há ninguém disposto a ir para lá cuidar dos cristãos. Mas estes têm necessidade de ensinamentos espirituais e de alguém que os baptize para lhes salvar a alma; é por isso que eu sinto a obrigação de perder a minha vida corporal para ir socorrer a vida espiritual do próximo. 

Coloco a minha esperança e a minha confiança em Deus Nosso Senhor, com o desejo de me conformar, segundo os meus pobres meios, à palavra de Cristo, nosso Redentor e Senhor: «Quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; quem a perder por minha causa há de salvá-la».

É fácil, evidentemente, compreender os termos e o sentido geral destas palavras do Senhor; mas, quando a pessoa quer levá-la à prática e dispor-se a perder a própria vida por Deus, a fim de a reencontrar nele, quando a pessoa se expõe aos perigos nos quais pressente a possibilidade de deixar a vida, tudo se torna tão obscuro, que as palavras, não deixando de ser perfeitamente claras, acabam também por se obscurecer. 

Nesses casos, parece-me, só consegue compreendê-las aquele - por muito sábio que seja - a quem Deus Nosso Senhor, na sua infinita misericórdia, Se digna explicar-lhas nas suas circunstâncias específicas. É então que conhecemos a condição da nossa carne, isto é, que somos fracos e enfermos.

São Francisco Xavier in 'Carta de 10 de Maio de 1546' (escrita aos seus companheiros europeus desde a ilha de Amboina, Arquipélago das Molucas)


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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Carta de Santo Inácio a São Francisco de Borja sobre mortificação

São Francisco foi o 3º Superior Geral da Companhia de Jesus. Uns anos antes disso, Santo Inácio de Loyola  escreveu uma carta a São Francisco de Borja, IV Duque de Gândia, a propósito das mortificações que ele andava a fazer:

«A vossa maneira de proceder relativamente às coisas espirituais e corporais para o progresso da vossa alma deu-me uma boa razão para me regozijar em Nosso Senhor e dar-Lhe graças para sempre… Mas sentindo-me como me sinto no mesmo Senhor que os exercícios espirituais e corporais, bons para a nossa salvação em algumas circunstâncias e nem por isso noutras, devo dizer a vossa Senhoria as minhas opiniões sobre a matéria, visto que me pediu.

Primeiro de tudo, quanto ao tempo dedicado aos exercícios exteriores, eu cortá-los-ia em metade… Pelo que sei de vossa Senhoria, penso que seria melhor dedicar a outra metade ao estudo, ao governo das vossas terras e a conversas espirituais, sempre procurando manter a vossa alma calma, em paz, e disposta para o que quer que Nosso Senhor deseje trazer para ela. É, sem dúvida nenhuma, uma virtude e graça maior ser capaz de gozar do vosso Senhor em várias ocupações e lugares do que em apenas um.

Segundo, no que toca ao jejum e abstinência, aconselhar-lhe-ia, por amor de Deus, a cuidar e a fortificar o vosso estômago e os outros órgãos naturais, em vez de os enfraquecer. Quando um homem está de tal forma disposto [para Deus] que escolheria morrer do que cometer sequer a menor ofensa contra a Divina Majestade e quando, mais ainda, não está perturbado por nenhum ataque especial do demónio, do mundo ou da carne, como eu julgo ser o caso de vossa Senhoria, então, e este é um ponto que eu gostaria particularmente de lhe passar, visto que tanto o corpo e a alma pertencem ao seu Criador e Senhor, que vai exigir contas deles, não podeis deixar os vossos poderes naturais enfraquecerem-se. 

Se o corpo estiver doente, a alma não consegue funcionar como devia. Devemos amar e defender o corpo ao ponto de ele ser obediente e cooperador da alma, porque, com tal obediência e ajuda, a alma consegue dispor-se melhor para servir e louvar o nosso Criador e Senhor.

Terceiro, em relação ao castigo do corpo, eu evitaria de uma só vez qualquer forma de castigo que causasse o aparecimento de uma única gota de sangue. Em vez de procurar derramar o nosso sangue, é muito melhor procurar directamente o Senhor de todos nós e os Seus santos dons, tais como as lágrimas pelos nossos pecados, uma intensificação da nossa fé, esperança e caridade, a alegria em Deus e a paz espiritual, tudo com humildade e reverência à nossa santa Mãe, a Igreja, e aos seus líderes escolhidos. 

Cada um destes santos dons devia ser muito preferido a todas as acções corporais, que são boas só quando tendem a obter esses dons para nós. Não estou a dizer que eles [esses dons] deviam  ser procurados pelo contentamento que nos trazem. Mas, visto que sabemos que sem eles todos os nossos pensamentos, palavras e obras são confusos, frios e incómodos, desejamo-los para que essas coisas se tornem ardentes, lúcidas e rectas para o maior serviço de Deus.»

Esta carta foi escrita quando Santo Inácio, sempre vigilante, soube que São Francisco andava com práticas de mortificação muito austeras, que tinha aprendido com alguns amigos em Espanha, também Jesuítas. Só para termos ideia, o tipo de austeridade que São Francisco levava até receber a carta de Santo Inácio era qualquer coisa como acordar à meia-noite e ficar sete horas a rezar, querer sair um mês por ano para fazer retiro, rezar três Missas por dia, ...

Nuno CB


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