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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Ex-Mestre de Yoga garante que não há Yoga cristão

“Não há Yoga cristão mas sim cristãos que praticam o Yoga” – esta é a voz de quem foi mestre desta disciplina que, conforme diz o próprio, é um caminho de vida. Hoje, o belga Joseph Marie Verlinde é sacerdote e Prior de um mosteiro em França. A sua reflexão, sustentada pela experiência, questiona os argumentos que apresentam o yoga como simples e bom, como um exercício de bem-estar físico e psíquico.

No seu livro “A Experiência Proibida”, resumo de passagens de uma entrevista emitida pelo “Net For God Productions” e do qual apresentaremos alguns extractos, transparece a verdade e a paixão pela sua resposta fiel a Deus, Aquele que, finalmente, conquistou a sua alma.

Apenas com vinte anos, era já um reconhecido cientista no Fundo Nacional de Investigação Científica da Bélgica, e tomou parte na grande revolução cultural de 1968. “Era investigador de Química Nuclear, e os meios científicos e de investigação encontravam-se em plena efervescência. Nesse momento, deixei-me levar por essa onda. Focalizei-me nas experiências do Oriente, que invadiam o horizonte da cultura ocidental.”

A Revolução das estruturas e da consciência

Nem a sua sólida educação cristã, nem a apurada qualificação crítica do seu ser científico impediram que o movimento de estruturas na sociedade e na sua época lhe causassem impacto. Num certo dia, (Joseph Marie Verlinde) ficou absorto perante um anúncio publicitário que convidava à prática da Meditação Transcendental. Como refere, aquilo de ser um “caminho simples, fácil e eficaz” para chegar a estados superiores de consciência e uma auto-realização plena, era irresistível. “Entreguei-me completamente a esta prática – pormenoriza- chegando ao ponto de me ver completamente egocêntrico, como se estivesse fora da realidade e incapaz de assumir o meu trabalho no laboratório onde trabalhava."

O “guru” e a sedução do Yoga

É então que (o agora sacerdote e Prior) conhece um afamado seguidor de Yoga chamado Maharishi Mahesh Yogi. “Como dedicava uma especial atenção aos homens da ciência, recebeu-me cordialmente. Começou por me levar à prática de uma técnica ainda mais intensa, pois, segundo ele, as dificuldades por que passava deviam-se à falta de um relaxamento de tensões profundas. Após esse tempo de purificação, propôs-me tornar-me eu mesmo um mestre de meditação, e formou-me para o fazer.

Durante quase três anos (Joseph Marie) explorou os afamados efeitos benéficos do Yoga, permanecendo numa comunidade espiritual (Ashram), na Índia. Desde cedo foi treinado, ali mesmo, na prática do Yoga, descobrindo assim, como o refere, que aquela prática era “uma grande liturgia. Enquanto que os ocidentais faziam e fazem Yoga como exercício de relaxamento. Numa viagem à Alemanha comentei com o guru que os europeus praticavam Yoga como exercício de relaxamento e ele teve um ataque de riso. Reflectiu em breves momentos e disse que “isso não impediria que o Yoga fizesse os seus efeitos.” (O Autor) Continuou preso a este problema e reflectiu-o no seu livro “A Experiência proibida” e recorda que, apesar de ter experimentado a beleza, a harmonia e a serenidade, durante as suas práticas, “toda a minha natureza poderia exultar com uma sobriedade indiscritível, excepto mais fina parte da minha alam que continuava insatisfeita, desejando o Amado.”

Joseph Marie assinala nos eu livro que o Yoga é-nos um caminho estranho que conduz à Fé. No horizonte cristão, afirma (o autor) que é “a elevação de que se ouve falar, é uma saída de si mesmo rumo a Deus e aos outros, numa entrega caritativa aos mesmos.” Acrescenta, no entanto, que isto não é o horizonte do Yoga que em si mesmo é “uma imersão em nós próprios, para desfrutarmos da forma narcisista do próprio acto de ser, num estado solitário (…) o que pratica o Yoga põe-se a caminho da sua própria realidade absoluta, a qual quer gozar sem nenhuma companhia”, termina (o autor.) 

Recuperando o sentido

Algum tempo depois, sentido uma permanente, ainda que vaga, nostalgia de Deus, Joseph Marie recebeu a visita de um médico naturista que o marcaria. Refere: «os nossos corpos estavam algo maltratados, por causa do exercício que realizávamos, e aquele naturista era cristão. E eu, como era uma espécie de secretário pessoal do guru, recebi-o. Conversámos e, durante essa conversa, perguntou-me: “É cristão? É Baptizado?” e eu respondi-lhe: “Claro”. Ele devolveu-me uma nova questão: “Quem é Jesus para si?” É difícil de expressar, mas naquele momento percebi que Jesus me dizia: “Meu Filho! Quanto tempo me farás esperar?” Ali apercebi-me do quão era amado incondicionalmente, que não havia nenhuma sombra de juízo no olhar, não havia penitência, mas sim compaixão. Uma ternura infinita, um mar de misericórdia que se derramava sobre mim e eu chorava, chorava toas as lágrimas do meu arrependimento…» Não passou muito tempo para que Joseph Marie se visse revestido com a força necessária para abandonar Ashram e as práticas de guru. 

Um recomeço atribulado

(O Prior) Tomou um avião de regresso à Bélgica. Com muito pouco chegou a Bruxelas. No entanto, sentindo-se cheio de temor e confuso, em vez de buscar ajuda em pessoas da Igreja, recorreu a algumas pessoas que lhe pareciam ser mais idóneas, para lhe esclarecerem as suas inquietações. “Estavam adaptados à corrente das tradições transmitidas pelo hinduísmo, mas tinham também como referência os Evangelhos. Depositei a minha confiança neste grupo, que se dizia cristão, mas na verdade misturavam energia e reencarnação. E não me apercebi, mas entrei numa escola esotérica.”

Começou a naufragar nesse ambiente e cedo experimentou uma reviravolta radical naquela comunidade. «Voltei ao ocultismo. Vi-me envolvido em práticas ocultistas, no âmbito do que hoje se designa de “Terapias energéticas”. Isto é, manipular as energias ocultas com objectivo de obter curas. Tornei-me amigo de um naturista e ele admirou-se das minhas “habilidades” como médium, usando as forças ocultas sem dificuldade, para penetrar a mente dos outros. Estas sessões de cura ocupavam todo o meu tempo livre. Mas, na realidade, o que acontecia era um surgir de sintomas e não a cura.»

Diz o autor: “Ainda assim, comecei a participar na Eucaristia, apesar de que não conseguia confiar nos representantes da igreja e prolongava os meus tempos de oração com o Santo Rosário. Paulatinamente tomei consciência da alienação subtil que padecia a raiz do trabalho com estas entidades. Sobretudo, quando um dia se manifestarem.”

Honesto, Joseph Marie, confidencia que, no seu trabalho, escutou vozes estranhas. «Tinha um grupo de manipulações a que designávamos “colectividade magnética”. E, num profundo silêncio, ouvia alguém que dizia alguma coisa, mas na realidade, nada me chamava. Estava muito preocupado, pois isto repetia-se com frequência. Então, comentei-o com os dirigentes do grupo, que se rirem e me disseram: “Isso não é nada! Não to dissemos, mas é evidente que exerces os teus poderes sem a ajuda dos espíritos. São anjos curandeiros!” 

Porém, continuou escravo por estes “anjos curandeiros”, chegando ao extremo de, numa viagem a Paris, enquanto participava na Eucaristia do meio-dia, no momento da consagração «quando o sacerdote disse “por Cristo, com Cristo e em Cristo” ouvi estes seres blasfemar vergonhosamente de Cristo. Fiquei petrificado. Nesse instante compreendi que tinha sido enganado e abusado. No fim da celebração, procurei o sacerdote e contei-lhe a minha história. Respondeu-me: “Isso não me admira. Sou o exorcista da Diocese.” Após este primeiro encontro de libertação – este detalhe é bastante importante – passou a ir todos os dias à missa e não acontecia nada, os espíritos ou entidades desapareciam. Sabiam que era melhor ficarem quietos. A autoridade do sacerdote, porém, obrigou-os a revelarem-se para se proceder à grande purificação. E, finalmente, através de orações intensas, vi-me liberto.» - confidencia.

O chamamento ao sacerdócio ia amadurecendo-se no coração de Joseph – Marie, desde que regressara da Índia. “Desta vez- assinala- decidi entregar-me à Igreja, fazendo uso do tempo necessário para compreender a minha história à luz do Evangelho.” Foi assim que após dez anos de formação, foi ordenado sacerdote em 1983, integrando-se na Comunidade Monástica de São José, na qual é Prior de um Mosteiro, em França. 

in religionenlibertad


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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Um cristão pode utilizar o eneagrama? Pe. Duarte Sousa Lara responde

Um cristão pode utilizar o eneagrama? É melhor não. O eneagrama é um modelo de estudo da personalidade que agrupa os diferentes caráteres em nove (εννέα) tipos. Do ponto de vista científico, ainda não existe nenhum consenso acerca da sua validade entre os vários estudiosos. 

Do ponto de vista da fé, apresenta-se como uma prática que induz ao gnosticismo, ou seja, a procurar a salvação no conhecimento, e nesta linha foi criticado abertamente num documento do Pontifício Conselho para a Cultura, em que se afirmava que: 

"[A] gnose nunca se retirou completamente do terreno do cristianismo, mas sempre conviveu com este, às vezes sob a forma de corrente filosófica, mais frequentemente com modalidades religiosas ou pararreligiosas, em convicto, se não mesmo em declarado, contraste com aquilo que é essencialmente cristão. Pode ver-se um exemplo disto no eneagrama, o instrumento para a análise do caráter segundo nove tipos, o qual, quando vem utilizado como meio de crescimento espiritual, introduz ambiguidade na doutrina e na vida da fé cristã." (1)

Padre Duarte Sousa Lara in 'Demónio, exorcismo e oração de libertação em 40 questões'

(1) O documento do Pontifício Conselho para a Cultura pode ser lido aqui (em inglês): Uma reflexão cristã sobre o 'New Age'


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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Uma armadilha por detrás dum sorriso - Carlo Climati

O drama da supremacia do mais forte sobre o mais fraco é a fonte da maioria dos problemas da História da humanidade: guerras, injustiças, desigualdade social, fome e pobreza. É o mesmo mecanismo que caracteriza um dos fenómenos mais inquietantes dos últimos tempos: o aumento do interesse pelo esoterismo e pela superstição. O que é o esoterismo? 

Com esta palavra, engloba-se tudo o que é reservado apenas ao conhecimento de um pequeno círculo de pessoas. Por exemplo, um particular tipo de magia ou as técnicas para a leitura da mão ou das cartas. O esoterismo é algo misterioso, secreto, oculto. Por isso, pode também se tornar uma forma de exercer poder sobre quem está a passar por um momento de fraqueza ou de dificuldade.

Uma das formas mais perigosas do esoterismo é o espiritismo, que hoje se manifesta sob várias máscaras: desde as clássicas sessões de "comunicação" com os mortos até os fenómenos da "psicografia", através do qual os mortos ditam palavras ou frases. Há também quem afirme livrar as casas de "espíritos" e quem garanta gravar as "vozes" dos mortos ou tirar "instantâneas" de "entidades" misteriosas. E não faltam, naturalmente, os jovens que se divertem improvisando sessões espíritas “por brincadeira”, com base naquilo que vêem nos filmes.



O mais grave neste fenómeno é a exploração da dor. Certos espíritas, à procura de dinheiro fácil, aproveitam-se dos momentos de fragilidade das pessoas que sofrem a perda de um ente querido. Eles propõem um caminho que, à primeira vista, parece dar alívio. Mas, com o tempo, tornar-se uma forma de escravidão e conduz à dependência e alienação.

Historicamente, o esoterismo sempre esteve em desacordo com o cristianismo. Jesus é o anti-esotérico por excelência. É o homem que combate os rituais vazios, os comerciantes do sagrado e o desperdício de palavras. É um Deus que simplifica tudo e que se declara presente onde quer que haja pessoas reunidas em seu nome.

É na simplicidade da mensagem do Evangelho que podemos encontrar as respostas para as questões da vida. Não na fuga oferecida por certos espíritas. Observemos com atenção o rosto sorridente e amigável de quem finge aliviar a dor das pessoas: podem ser rostos de lobos disfarçados de cordeiros. in Zenit


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