“Com 93 anos, já não
tenho tempo suficiente para limpar o meu nome de todas as mentiras sujas que me
atiraram na praça pública, mas tenho sempre tempo para defender a honra da
Igreja que Jesus Cristo fundou e os seus Sacramentos, e assim o farei até ao final
da minha vida.”
O Padre Manuel Fernando
Sousa e Silva, antigo Vigário Judicial, mais conhecido como Cónego Fernando, é
um Sacerdote da Arquidiocese de Braga que nos últimos anos tem estado na
ribalta mediática devido a queixas de supostos abusos sexuais que remontam há
mais de 50 anos. A mais recente notícia sobre o caso surge do Grupo Vita,
coordenado por Rute Agulhas, defensora das teorias de identidade
género, que irá reunir-se esta semana em
Roma com Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores (Tutela Minorum) para pôr em causa o justo
arquivamento do processo do Cónego Fernando.
As acusações remontam a 2019
à paróquia de Joane, relacionadas com supostos toques impróprios e questões de
teor sexual durante o Sacramento da Confissão, tendo sido feitas várias
notícias e reportagens em órgãos de comunicação social, o que levou ao
Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, a impôr ao sacerdote a obrigação de
celebrar em casa e proibi-lo de confessar na Igreja de Joane, para além de
indicação para não se pronunciar publicamente.
Em 2022, surgiram novas
reportagens em canais televisivos, com os detractores com cara oculta e voz
distorcida, e o recém-eleito Arcebispo D.
José Cordeiro imediatamente deslocou-se à Paróquia de Joane pedir perdão ao povo pelos pecados supostamente
cometidos. Não possibilitou o contraditório do Sacerdote acusado, assumindo a
sua culpa, apesar de ninguém ter aparecido para
dar testemunho na Comissão Arquidiocesana para a Proteção de Menores e Pessoas
Vulneráveis, que esteve aberta de propósito no dia 8 de Outubro de 2022 para
“ouvir em exclusivo” as supostas vítimas do Padre.
O Padre explica no direito de resposta que o problema começou com um
desentendimento de um homem com o seu irmão já falecido, também Sacerdote na
paróquia: “Confessei milhares de pessoas, homens, mulheres e crianças, em
vários pontos do país, mas o único sítio onde existiram queixas contra mim foi
na terra onde um homem se incompatibilizou com o meu falecido irmão. Será
coincidência?”.
O processo foi enviado para
Roma para o Dicastério da Doutrina da Fé, que justamente o arquivou em 2023,
mas a Arquidiocese demorou três anos para o noticiar publicamente, mantendo
nesse tempo o Padre suspenso das suas funções, impedido de se defender,
garantindo que a nuvem de acusações que pairavam perdurasse sem qualquer motivo
aparente durante esse anos.
Apenas a 8 de Abril deste
ano, foi divulgado o comunicado da Arquidiocese que deploravelmente mantém a suspeita sobre o
Padre apesar do arquivamento pelo Dicastério e da falta de provas dos abusos
supostamente cometidos : “uma
eventual imprudência no exercício da função de confessor”.
A 21 de Maio, nova
reportagem no programa da “Linha da Frente”, na RTP, reproduz os mesmos ataques
ao Cónego Fernando, aparecendo duas pessoas em anonimato, e um terceiro chamado
Manuel Nel Cunha, militante do Bloco de Esquerda que
foi candidato pelo partido em listas locais, apresentado na reportagem
simplesmente como “habitante de Joane”, que replica testemunhos de terceiros
que teriam acontecido há mais de 50 anos.
A 8 de Junho, o Padre,
depois de anos de silêncio forçado, respondeu à reportagem com um Direito de
Resposta enviado à RTP e publicado no seu perfil de Facebook, desmontando ponto por ponto as
alegações, questionando a “malevolência” da comunicação social que sempre
assumiu a sua culpa, acusando a acção “destructiva” da Comissão Diocesana e a
Arquidiocese que “desgraçadamente” apenas “colocou mais gasolina para a
fogueira” com o comunicado de Abril.
Rematou o direito de
resposta com a informação de que irá colocar “um processo-crime de difamação
agravada contra os intervenientes” na reportagem.
Segue na íntegra o
texto do direito de resposta do Padre:
Direito de Resposta
do Cónego Fernando Sousa e Silva
No passado dia 21 de
Maio de 2026, a RTP publicou uma reportagem no programa “Linha da Frente” onde
fui incessantemente difamado, directa e indirectamente, com falsas alegações de
“pedofilia”, “abuso sexual”, “abuso” da “inocência” de crianças, de gestos
sexuais durante o Sacramento da Confissão, descrevendo-me caluniosamente como
um “homem que mete a cabeça dos miúdos debaixo da batina”, “o padre a
passar-nos as mãos nas pernas e a arfar”, “a gente entrava, ele punha logo a
mão atrás das costas e puxava-nos para ele, bem juntinho a ele, colava a
carinha junto à nossa” e que as crianças “não conseguiam respirar, vinham com
falta de ar de estar ali tanto tempo debaixo de um saiote com a cabeça metida
no meio das pernas.”
Estas falsas
acusações foram proferidas por três pessoas durante a reportagem, duas delas
mantendo-se no anonimato, a outra falando em nome de supostos terceiros e de
alegados testemunhos com mais de cinquenta anos.
Acusações estas que
surgiram originalmente de um homem que se incompatibilizou com o meu falecido
irmão, também Sacerdote da paróquia, e continuou a campanha de difamação contra
mim, mobilizando três pessoas de Joane que, desde 2022, aparecem sob cara oculta
e voz distorcida em meios de comunicação a repetir as mesmas mentiras.
As difamações foram
sabiamente escolhidas para dificultar a minha defesa, pois a grande parte das
acusações refere-se a supostas perguntas e frases que proferi durante o
Sacramento da Confissão, Sacramento esse, sobre o qual todos os Sacerdotes têm
a obrigação de sigilo absoluto.
Sobre os alegados
gestos e toques que me indiciam durante a Confissão, essa acusação só pode
surgir de alguém desconhecedor da realidade Católica da altura, pois, como era
recomendado, sempre atendi as pessoas do sexo feminino de qualquer idade num
confessionário fechado de todos os lados e com porta, comunicando através do
crivo do confessionário, o que torna impossível qualquer toque, muito menos de
carácter sexual e a maior parte das vezes não sabia sequer quem estava a
atender, nem as pessoas sabiam quem era o confessor. Confessionário esse,
situado na nave da Igreja, à frente, no lado direito, de fácil visibilidade,
onde ali perto esperavam mães pelos filhos e outras pessoas para se
confessarem.
Ao longo da minha
vida sacerdotal, que iniciei em 1956, fui reitor da Igreja dos Congregados em
Braga, Director Espiritual do Seminário de Filosofia, Vigário Judicial da
Arquidiocese de Braga, Director Espiritual da Legião de Maria, Secretário do
Conselho Presbiteral de Braga, Vigário Episcopal dos Leigos, Secretário
Diocesano da Pastoral, para além de orientar vários retiros de sacerdotes em
Braga, Bragança-Miranda, Viana do Castelo, Lamego, Fátima, etc. Confessei
milhares de pessoas, homens, mulheres e crianças, em vários pontos do país, mas
o único sítio onde existiram queixas contra mim foi na terra onde um homem se
incompatibilizou com o meu falecido irmão. Será coincidência?
A esta ignomínia
acresce a comunicação social sedenta de visualizações e cliques, que, sem
respeito pela mais básica ética jornalística, sem procurar genuinamente o
contraditório, reproduz como verdadeiras as alegações feitas em anonimato,
colaborando e sendo cúmplices na difamação do meu nome e dignidade, juntando e
misturando imoralmente na mesma reportagem um testemunho de violação noutra
diocese com um caso de supostas palavras e gestos incorrectos na confissão.
Será malevolência?
Infelizmente, a
Comissão Diocesana para protecção de menores e pessoas vulneráveis da
Arquidiocese de Braga conseguiu o feito de ser mais destructiva do que os
proclamados inimigos da Igreja, pois durante o tempo deste martírio nunca me
foi dada a oportunidade de me defender, tendo sido automaticamente assumido
como culpado e impedido de exercer as minhas funções sacerdotais na igreja
paroquial de Joane, durante a investigação, tal como a ordem, muitas vezes
repetida, para me manter em silêncio, impedindo a minha defesa na praça pública
e na comunicação social. Será prepotência?
Veio o justo
desfecho e subsequente arquivamento da investigação pelo Dicastério para a
Doutrina da Fé (Roma) em Junho de 2023 e a Arquidiocese demorou 3 anos (!) para
noticiar publicamente este arquivamento, por não provada a acusação, e
libertar-me deste peso de infâmia. Desgraçadamente, o comunicado da
Arquidiocese apenas colocou mais gasolina para a fogueira ao dizer que possa
ter existido “uma eventual imprudência no exercício da função de confessor”,
não me defendendo e, pelo contrário, incendiando de novo o escândalo na
comunicação social. Será subserviência?
Com 93 anos, já não
tenho tempo suficiente para limpar o meu nome de todas as mentiras sujas que me
atiraram na praça pública, mas tenho sempre tempo para defender a honra da
Igreja que Jesus Cristo fundou e os seus Sacramentos, e assim o farei até ao
final da minha vida.
Informa-se assim
que, para não haver dúvidas da falsidade das acusações, irei colocar um
processo-crime de difamação agravada contra os intervenientes nesta peça
jornalística e quaisquer outros que repitam as mesmas mentiras publicamente.
AMDG
Joane, 8 de Junho de
2026
Festa da Beata Maria
do Divino Coração
Padre Manuel
Fernando Sousa e Silva
1 comentário:
Nao se riam da minha desgraca os meus inimigos mentirosos, nem troquem olhares de escarnio os que me odeiam sem motivo...Tu, Senhor, tambem viste. Nao fiques calado! Senhor, nao te afastes de mim. Desperta e levanta-te para me defenderes, meu Deus e meu Senhor = Sal. 36
Ja estamos naqueles tempos de que o Senhor nos fala e nos falou em que os perseguidos em Seu nome serao abencoados. Bem haja, querido sacerdote, e confie no Senhor e bem haja Pd. Silveira por nos trazer estas coisas de que nao nos falam e que conspiram pelo silencio...
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