segunda-feira, 4 de julho de 2022

As inúmeras vítimas da Revolução Francesa

"A Revolução Francesa fez mais mortos em nome do ateísmo durante um mês do que a Inquisição em nome de Deus durante toda a Idade Média e em toda a Europa."

Pierre Chaunu, historiador francês (1923-2009)


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Casula usada por São João Bosco




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domingo, 3 de julho de 2022

Carta de J.R.R. Tolkien para o seu filho Michael sobre as dúvidas de Fé

1 de Novembro de 1963

Falas de Fé esmorecida. Em última análise, a fé é um acto de vontade inspirado pelo amor. O nosso amor pode estar esfriado e a nossa vontade corroída pelo espectáculo das deficiências, loucura e até pecados da Igreja e os seus ministros, mas não acho que alguém que tenha Fé volte atrás por essas razões (pelo menos alguém com algum conhecimento histórico). 

“Escândalo” no máximo é uma ocasião de tentação – como a indecência está para a luxúria, que não faz mas desperta. É conveniente porque tende a desviar os nossos olhos de nós mesmos e das nossas próprias falhas para encontrar um bode expiatório. Mas o acto da vontade da Fé não é um único momento de decisão final: é um acto/estado permanente e indefinidamente repetido que deve continuar – por isso rezamos por “perseverança final”. A tentação da “incredulidade” (que realmente significa rejeição de Nosso Senhor e dos Seus ensinamentos) está sempre presente dentro de nós. Parte de nós anseia encontrar uma desculpa para isso fora de nós. Quanto mais forte a tentação interior, mais prontamente e severamente seremos “escandalizados” pelos outros.

Acho que sou tão sensível quanto tu (ou qualquer outro cristão) aos “escândalos”, tanto do clero quanto dos leigos. Sofri terrivelmente durante a minha vida com padres estúpidos, cansados, esmorecidos e até maus. Mas eu sei o suficiente para saber que não devo deixar a Igreja (o que para mim significaria deixar a fidelidade de Nosso Senhor) por quaisquer dessas razões. Eu estaria a negar o Santíssimo Sacramento, isto é: chamar Nosso Senhor de fraude na Sua cara.

É preciso uma vontade fantástica de incredulidade para supor que Jesus nunca “aconteceu” e mais ainda para supor que Ele não disse as coisas que dizem que Ele disse – tão incapazes de serem “inventadas” por qualquer pessoa no mundo naquela época. Devemos, portanto, crer Nele, no que Ele disse e assumir as consequências; ou rejeitá-lo e assumir as consequências. Acho difícil acreditar que alguém que tenha recebido a Comunhão, ainda que só uma vez, pelo menos com a intenção correcta, possa rejeitá-Lo novamente sem culpa grave.

A única cura para o esmorecimento da Fé fraca é a Comunhão. Embora seja sempre Ele perfeito, completo e inviolável, o Santíssimo Sacramento não opera completamente e de uma vez por todas em nenhum de nós. Como o acto de Fé, deve ser contínuo e crescer pelo exercício. A frequência é da mais alta importância. 

Sete vezes por semana é mais nutritivo do que sete vezes com intervalos. Também posso recomendar isso como um exercício: comunga em circunstâncias que afectem o teu gosto. Escolhe um padre a fungar do nariz e tagarela ou um frade orgulhoso e vulgar; e uma igreja cheia da habitual multidão burguesa, crianças mal-comportadas – desde os que gritam até aos produtos das escolas católicas que no momento em que o tabernáculo é aberto se sentam e bocejam – jovens de pescoço sujo, mulheres de calças e muitas vezes com cabelos tanto desleixados quanto descobertos. Vai à comunhão com eles (e ora por eles). Será exactamente igual (ou melhor do que) a uma missa lindamente rezada por um homem visivelmente santo e compartilhada por algumas pessoas devotas e decorosas.

Estou convencido das afirmações petrinas; e parece haver pouca dúvida de qual é a Igreja Verdadeira, o templo do Espírito morrendo, mas vivo, corrupto, mas santo, auto-reformado e ressuscitado. Aquela Igreja da qual o Papa é o chefe reconhecido na Terra tem a principal reivindicação de que é aquela que sempre defendeu o Santíssimo Sacramento; e deu-Lhe a maior honra; e O colocou (como Cristo claramente pretendeu) no local privilegiado. “Apascenta as minhas ovelhas” foi o seu último encargo a São Pedro; e como as Suas palavras são para serem entendidas em primeiro lugar literalmente, suponho que elas se refiram principalmente ao Pão da Vida. 


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Os pais do Sacerdote depois da sua primeira Missa




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11 grandes citações do Papa Bento XVI sobre a Liturgia e a Missa

1. Sobre os reformadores litúrgicos a criar uma "fabricação", um "produto banal":
«A reforma litúrgica, na sua realização concreta, distanciou-se a si mesma ainda mais da sua origem. O resultado tem sido não uma reanimação, mas devastação. Em vez da liturgia, fruto dum desenvolvimento contínuo, puseram uma liturgia fabricada. Esvaziaram um processo vital de crescimento para o substituir por uma fabricação. Não quiseram continuar o desenvolvimento, a maturação orgânica de algo vivo através dos séculos, e substituíram-na, à maneira da produção técnica, por uma fabricação, um produto banal do momento.»
(Revue Theologisches, Vol. 20, Fev. 1990, pgs. 103-104)

2. Sobre aqueles que apreciam a [antiga] Missa em Latim serem tratados erradamente como "leprosos":
«Para promover uma verdadeira consciência em matérias litúrgicas, é também muito importante que a proibição contra a forma da liturgia em uso válido até 1970 (a antiga Missa em Latim) seja levantada. Qualquer pessoa que hoje em dia defenda a existência contínua desta liturgia ou que participe nela é tratada como um leproso; toda a tolerância acaba aqui. Nunca houve nada como isto na história; ao fazer isto estamos a desprezar e a proibir o passado inteiro da Igreja. Como é que uma pessoa pode confiar nela no presente se as coisas são assim?»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, 2000)

3. Sobre a degeneração da liturgia e os "fabricantes litúrgicos":
«Temos uma liturgia que degenerou a ponto de se tornar num espectáculo que, com sucesso momentâneo para o grupo de fabricantes litúrgicos, se esforça para tornar a religião interessante na sequência das frivolidades da moda e das máximas sedutoras da moral. Consequentemente, a tendência é a cada vez maior diminuição do mercado daqueles que não procuram a liturgia para um espectáculo espiritual mas para um encontro com o Deus vivo diante do Qual todo o 'fazer' se torna insignificante, visto que apenas este encontro é capaz de nos garantir acesso à verdadeira riqueza do ser.»
(Prefácio do Cardeal Ratzinger à tradução francesa de Reform of the Roman Liturgy por Monsignor Klaus Gamber, 1992).

4. Sobre a "desintegração da liturgia":
«Estou convencido que a crise que a Igreja está a experimentar hoje é, em grande parte, devida à desintegração da liturgia.»
(Autobiografia)

5. Contra a "liturgia caseira":
«Também vale a pena observar aqui que a 'criatividade' envolvida nas liturgias fabricadas tem um alcance muito restrito. É pobre em comparação com a riqueza da liturgia recebida nas centenas e milhares de anos de história. Infelizmente, os autores das liturgias caseiras são mais lentos a aperceber-se disto do que os seus participantes...» 
(The Feast of Faith, p. 67-68)

6. Sobre a [antiga] Missa em Latim como  a "mais Santa e Elevada posse":
«Sou da opinião, para ser sincero, que o Rito Antigo devia ser concedido muito mais generosamente a todos aqueles que o desejam. É impossível ver o que poderia ser perigoso ou inaceitável nisso. Uma comunidade está a pôr o seu próprio ser em questão quando subitamente declara aquilo que até era a sua mais santa e elevada posse como estritamente proibida, e quando declara os desejos por ela absolutamente indecentes.»
(Sal da Terra, 1997)

7. Sobre o perigo dos criativos que "presidem" à Missa:
«Na realidade o que se passou foi que uma clericalização sem precedentes entrou em cena. Agora o sacerdote - o que 'preside', como agora o preferem chamar - torna-se o verdadeiro ponto de referência para toda a Liturgia. Tudo depende dele. Temos que o ver a ele, responder-lhe a ele, estar envolvidos naquilo que ele está a fazer. A sua criatividade sustém a coisa toda.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

8. Sobre o perigo do "planeamento criativo da liturgia":
«De forma não surpreendente, as pessoas tentam reduzir este novo papel criado ao atribuir todos os tipos de funções litúrgicas a indivíduos diferentes e confiando o planeamento 'criativo' da Liturgia a grupos de pessoas que gostam de o fazer, e que devem 'dar a sua própria opinião'. Cada vez menos e menos Deus é o centro. Cada vez é mais e mais importante o que é feito pelos seres humanos que se encontram aqui e não gostam de se sujeitar a um padrão pré-determinado.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

9. Sobre porque é que o sacerdote não devia estar voltado para o povo durante a Missa:
«O facto de o sacerdote se ter virado para o povo tornou a comunidade num círculo fechado sobre si próprio. Na sua forma exterior já não se abre ao que está à frente e por cima, mas está fechado para si mesmo. O comum voltar-se para Oriente não era uma celebração virada para a parede; não significava que o sacerdote tinha as suas costas voltadas para o povo: o próprio sacerdote não era visto como tão importante. Porque tal como a assembleia na sinagoga olhava junta para Jerusalém, também na liturgia cristã a assembleia olhava junta para o Senhor.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

10. Sobre o sacerdote e o povo voltados para a mesma direcção:
«Por outro lado, o comum voltar-se para o Oriente durante a Oração Eucarística continua a ser essencial. Isto não é uma questão de acidentes mas de essências. Olhar para o sacerdote não tem importância nenhuma. O que importa é olhar juntos para o Senhor.» 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

11. Sobre o "fenómeno absurdo" de substituir o crucifixo pelo sacerdote:
«Mover a cruz do centro do altar para o lado do altar, para dar uma visão sem obstáculos do sacerdote é algo que eu vejo como um dos fenómenos mais absurdos das décadas recentes. A cruz é um obstáculo durante a Missa? O sacerdote é mais importante que Nosso Senhor?» 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Taylor Marshall


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sábado, 2 de julho de 2022

Os 4 dogmas sobre Nossa Senhora

Os dogmas de Maria (verdades de fé declaradas por um Concílio ou por um Papa, nas quais o fiel deve crer) foram enunciados em momentos importantes para a história da Igreja e tocam em pontos sensíveis relativos à doutrina.

Maternidade divina 

Jesus Cristo é uma pessoa divina (que assumiu a natureza humana) e Maria é a Sua mãe. Foi declarado no Concílio de Éfeso, em 431. Na época a Igreja vivia uma profunda polémica interna causada pelos nestorianos, corrente muito popular entre as comunidades cristãs do Oriente. Segundo eles, Jesus tinha duas naturezas, uma humana e outra divina, mas pouco ligadas. Maria seria mãe apenas de Cristo. Para combater esse pensamento, a Igreja outorgou-lhe o título de Theotokos, expressão grega que significa Mãe de Deus

Virgindade perpétua 

Maria foi virgem antes, durante e depois do parto. Foi declarado no segundo Concílio de Constantinopla, em 553. A virgindade de Maria é uma ideia tradicional, que remonta às origens do cristianismo, mas gerou bastante polémica ao longo da história da Igreja. Foi questionada pelos pagãos, que não compreendiam como uma virgem poderia dar à luz. Já as tendências gnósticas dentro do cristianismo achavam que Jesus era filho de José

Imaculada Conceição

Maria foi durante a sua vida isenta de pecado. Todo o resto da Humanidade está ligado ao pecado original, daí a necessidade da Salvação. Proclamado pelo papa Pio IX, teve como pano de fundo a luta que na época a Igreja travava contra o racionalismo. A corrente negava a possibilidade de forças sobrenaturais agirem no mundo. Este dogma realça justamente a intervenção directa de Deus no mundo, ao excluir Maria do pecado

Assunção 

Após a morte, Maria subiu ao Céu em corpo e alma. Depois de Cristo, foi a única criatura que teve esta distinção. Foi declarado por Pio XII no pós-guerra, em 1950. Após a maciça mortantade da Segunda Guerra, o dogma fala da santidade da vida e da dignidade dos corpos humanos, ao lembrar que eles também estão destinados à Ressurreição. 



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sexta-feira, 1 de julho de 2022

Preciosíssimo Sangue de Jesus na Terra Santa

Segundo a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição, Jesus suou sangue durante a agonia no Horto da Oliveiras, em Jerusalém. Isto aconteceu na Quinta-Feira Santa, após a Última Ceia e antes de ser entregue aos judeus pelo traidor Judas. Nesse local foi construída a Basílica da Agonia. 

No dia do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, dia 1 de Julho, são largadas pétalas de rosa nessa Basílica, exactamente no local onde o próprio Jesus, enquanto rezava de alma e coração, transpirou gotas de sangue, tal era a Sua agonia. As pétalas simbolizam essas gotas do preciosíssimo Sangue de Jesus que ali caíram naquela noite. 

Os muitos fiéis que se deslocam até ali ajoelham-se e beijam o chão, a rocha onde as pétalas se encontram. Ali ajoelhados, como Jesus um dia esteve, unem a sua oração à do Seu Salvador, que ali começou a derramar o Seu Sangue por toda a Humanidade.

João Silveira 


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Solenidade do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

Julho é o mês dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. O dia 1 de Julho é o dia da Solenidade do Sangue de Cristo. 

No decurso dos séculos, a piedade cristã para com Nosso Senhor Jesus Cristo tem-se manifestado através de três devoções aprovadas pela Igreja intimamente ligadas entre si: ao Seu Santo Nome, ao Seu Coração Sagrado e ao Seu Preciosíssimo Sangue, derramado para a remissão dos pecados de todo o género humano, por ocasião da Paixão e Morte de Jesus e atravessando a História até hoje com a Sua presença real no Sacramento da Eucaristia. 

Foi no XIX, que São Gaspar Del Búfalo empreendeu grande campanha na propagação dessa devoção, cujo reconhecimento pela Sé Apostólica permitiu a composição da Missa e ofício próprio por ordem do Papa Bento XIV. Posteriormente, por decreto do Papa Pio IX, a devoção foi estendida à toda Igreja. Por isso, até hoje São Gaspar é reconhecido pela Igreja Católica como o "Apóstolo do Preciosíssimo Sangue". 

Em 1848, o Papa Pio IX foi expulso de Roma pelas forças revolucionárias. No ano seguinte, os exércitos franceses permitiram-lhe voltar à Cidade Eterna a 1 de Julho. Invocando e dando graças pelo sangue derramado por Jesus por amor aos homens de todos os tempos, o Sumo Pontífice criou esta festa, situando-a no dia em que lhe foi possível voltar a Roma. São Pio X alargou a festa à Igreja Universal. Nos nossos dias é celebrada solenemente em algumas congregações religiosas. 

A devoção ao Preciosíssimo Sangue pode e deve manifestar-se: 

1- Venerando-O no Santíssimo Sacramento, principalmente no momento da Elevação do Sagrado Cálice, na Santa Missa. 

2- Recebendo-O na Sagrada Comunhão, mesmo só sob as espécies de pão, pois, o Sangue divino está indissoluvelmente unido ao Corpo de Cristo no Sacramento da Eucaristia. Desta maneira, os fiéis que dele se aproximarem dignamente receberão os mais abundantes frutos da redenção, da ressurreição e da vida eterna que o Sangue derramado por Cristo, sob o impulso do Espírito Santo, por todo o género humano. 

3- Honrando-O com especiais orações e com a Ladainha, principalmente durante o mês de Julho.

in Pale Ideas


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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Detém-te! O Coração de Jesus está comigo

Conhecido como 'Detém-te', trata-se de um pequeno emblema que pode ser usado sobre o peito, em volta do pescoço ou preso ao casaco, embora o ideal fosse levá-lo à altura do coração, como um lembrete das palavras de São Paulo “Tende em vossos corações os mesmos sentimentos que teve Jesus Cristo no seu” (Filipenses 2,5).

O 'Detém-te' tem uma imagem do Sagrado Coração, que, normalmente, está circundada da seguinte frase: “Detém-te! (ou Alto!) O Sagrado Coração de Jesus está comigo”.

Diz-se que, em 1870, uma cidadã de Roma, depois de consagrar ao Sagrado Coração e à Santíssima Virgem o seu filho que estava de partida para a guerra da unificação da Itália, alistado com os Zuavos Pontifícios[1], lhe entregou um 'Detém-te' que ela mesma desenhou sobre um pedaço de pano vermelho, dizendo: “Ele te trará são e salvo.” O jovem saiu ileso da guerra, dizendo que uma bala atingiu o seu peito, onde tinha o 'Detém-te', e parou sem causar qualquer dano. A Mãe contou isto ao Santo Padre.

O Papa concedeu a aprovação definitiva a essa devoção e disse: “Isso, senhora, é uma inspiração do Céu.” E, em seguida, acrescentou. “Abençoo este Coração e quero que todos aqueles que forem feitos segundo este modelo recebam esta mesma bênção, sem ser necessário que um Padre a renove. Ademais, quero que de modo algum Satanás possa causar dano àqueles que levem consigo o Escudo, símbolo do Coração adorável de Jesus”.

Em seguida, o próprio Papa Pio IX ditou a seguinte oração: 

Abri-me o vosso Sagrado Coração, ó Jesus!...
Mostrai-me os seus encantos,
uni-me a Ele para sempre.  

Que todos os movimentos e palpitações do meu coração,
mesmo durante o sono,
Vos sejam um testemunho do meu amor
e Vos digam sem cessar:
Sim, Senhor Jesus, eu Vos adoro... 

Aceitai o pouco bem que faço e
fazei-me a mercê de reparar o mal cometido,
para que Vos louve no tempo
e Vos bendiga por toda a eternidade. Amém.

Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Vós. 
(Repita três vezes este última jaculatória)

Para incentivar a prática deste Santo Escapulário, o Papa Pio IX concedeu, em 1872, 100 dias de indulgência a todos os que o levarem e rezarem um Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.

Em alguns 'Detém-te', como os que empregaram os contra-revolucionários franceses, desenharam um Sagrado Coração, coroado por uma cruz e com as palavras “Le Roi” (“O Rei”), reconhecendo a Cristo como o verdadeiro Rei de França e o Rei de todos os corações.

O 'Detém-te' foi usado no México pelos Cristeros, que pegaram em armas contra o governo anticristão, entre 1926-1929, e que trazia a legenda “Detém-te, inimigo mau, o coração de Jesus está comigo”. Recorreram também ao 'Detém-te' os católicos cubanos que combateram contra o regime castrista, pois tinham uma especial devoção ao Sagrado Coração de Jesus e usaram um 'Detém-te' no qual dizia: “Detém-te, bala inimiga, que o Coração de Jesus está comigo”.

Ao recitar a jaculatória do 'Detém-te', renegamos as obras do mundo, do diabo e da carne, e ao mesmo tempo é uma forma de solicitar a protecção d'Aquele que nos amou sem poupar esforços para conseguir o amor dos homens (Palavras literais de Nosso Senhor a Santa Margarida Alacoque).

Que melhor maneira de recordar o Amor do Sacratíssimo Coração que levando sobre o nosso peito um 'Detém-te'? Já dizia o Papa Pio XII, sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que considerava esta prática como “a mais completa profissão da Religião Cristã” (Encíclica Haurietis Aquas, 15.V.1956).

adaptado de Pale Ideas

[1] “Zuavos Pontifícios” eram um regimento militar do Estado Pontifício. Criado a 1 de Janeiro de 1861, à semelhança dos Zuavos do exército francês, era constituído por voluntários, na maioria franceses, belgas e holandeses, que haviam chegado ao Estado Pontifício para defendê-lo de ataques militares por parte do Reino da Itália que desejava tomar Roma, para completar a unidade da península. 

A sua história identifica-se com o último decénio de vida do Estado da Igreja (1860-1870). O regimento foi licenciado a 21 de Setembro de 1870, depois da tomada de Roma. O seu valor e seu heroísmo eram devidos principalmente aos princípios que os animaram. Significativo é o que disse deles o estudioso Lorenzo Innocenti: “(...) foram o “baluarte do Trono e do Altar, contribuíram de maneira determinante com o seu voluntariado místico - contraposto à fé laica dos garibaldinos [tropa de Garibaldi] e à fé monárquica das tropas do exército piemontês – para retardar em alguns anos a anexação do Estado da Igreja ao resto da Itália”. 

O texto do juramento prestado pelos soldados é bastante representativo das motivações que os animavam: “Eu juro a Deus Omnipotente ser obediente e fiel ao meu soberano, o Pontífice romano, nosso Santo Padre, o Papa Pio IX, e aos seus legítimos sucessores. Juro servi-lo com honra e fidelidade e de sacrificar a minha vida pela defesa da sua augusta e sacra pessoa, pela defesa da sua soberania e pela defesa dos seus direitos.”



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Cátedra de São Pedro, Basílica de São Pedro (Vaticano)




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quarta-feira, 29 de junho de 2022

Festa de São Pedro e São Paulo

Hoje é Dia de São Pedro e de São Paulo. É uma festa celebrada pela Igreja em honra do martírio, em Roma, dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.  A celebração tem origem muito antiga e dá-se no dia 29 de Junho pois é a data do aniversário da morte e da transladação das relíquias dos santos.

A solenidade dos apóstolos romanos já era celebrada pela Depositio Martyrum do ano 354, quando São Paulo era festejado no seu túmulo na via Ostiense; e São Pedro na catacumba da via Ápia (porque a Basílica vaticana estava em construção).

No século VII, a solenidade, que no tempo de Santo Ambrósio era repartida nas três estações com uma Missa de vigília, dividiu-se em Roma em dois dias, porque a comemoração de São Paulo fora deslocada para o dia seguinte (30 de Junho). Permanecendo, ainda assim, incluída nas Missas de 29 de Junho. Esta festa dupla difundiu-se tanto no Ocidente como no Oriente.

Segundo o testemunho mais antigo de Tertuliano (século II): Pedro de Betsaida (povoação próxima do lago de Genezaré), cujo nome judaico era Simeão, depois chamado Cefas (pedra), morreu crucificado; e, segundo Orígenes, de cabeça para baixo (conforme o uso romano de crucificar os escravos). As recentes escavações confirmam que o chefe dos apóstolos foi martirizado (cerca do ano 67) na colina do Vaticano, onde foi construída a Basílica constantiniana.

Paulo de Tarso (povoação na Cilícia), cujo nome era Saulo, fariseu convertido (cerca do ano 31/32), depois da segunda prisão em Roma, foi decapitado por volta do ano 67 (como atesta ainda Tertuliano, segundo uma tradição constante). Isto aconteceu na via Ostiense (Ad Aquas Salvias, “Perto das Águas Sálvias”, a 5 km de Roma), não muito distante da grande basílica construída no lugar da primeira transladação (e confiada aos monges já no século VI).

in Pale Ideas


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terça-feira, 28 de junho de 2022

Fátima e a acção libertadora da Confissão

No Jardim das Oliveiras, Jesus fez o exame de consciência da humanidade. Todos os pecados dos homens de todos os tempos, toda a fealdade, a vergonha, os horrores e os sofrimentos, as dores e as tristezas, para pagar pelos crimes da humanidade: este foi o exame de consciência do género humano, sofrido por Jesus com tamanha angústia mortal que o fez suar sangue até banhar-lhe o corpo e a terra.

Contemplando Jesus a suar sangue no Jardim das Oliveiras, deveríamos abrir os nossos olhos para a realidade do pecado, para nos horrorizarmos e chorar lágrimas de sangue, como as que chorava São Francisco de Assis.

Recordemos o clamor materno de Nossa Senhora em Fátima: "Não ofendam mais o Senhor nosso Deus!". O pecado é o sofrimento de Jesus. Os seus tormentos e as suas gotas de sangue são todos os nossos pecados. Se pensássemos seriamente sobre isto, não ficaríamos tão indiferentes nem nos tornaríamos tão facilmente escravos do pecado.

Uma vez, olhando para um crucifixo, a pequena Jacinta de Fátima perguntou a Lúcia:
- Porque é que Nosso Senhor está assim, pregado numa cruz?
- Porque ele morreu por nós.
- Então conta-me como foi.

E Lúcia contou a Jacinta toda a Paixão e Morte de Jesus. “Ao ouvir narrar os sofrimentos do Senhor, a pequenina comoveu-se e chorou... Chorou amargamente e dizia: ‘Pobre Jesus! Eu não vou cometer nenhum pecado! Eu não quero que ele sofra mais!’”.

A dor e o propósito de Jacinta são o fruto de um verdadeiro exame de consciência. A dor sincera leva a não cometer mais pecados para não ferir Jesus e não o fazer sofrer.

Por outro lado, o pecado é também a causa de muitos castigos e problemas que afligem a humanidade. Lembremo-nos do que Jesus disse ao paralítico depois de curá-lo: "Vai e não peques mais, para que não te suceda coisa pior" (Jo 5,14).

Na segunda aparição, Lúcia pediu a Maria pela cura de uma pessoa doente, e Nossa Senhora disse: "Se ela se converter, ficará curada ainda este ano". Faltas e pecados são a causa dos nossos males e castigos. Na terceira aparição, Nossa Senhora também disse: "Se os homens não pararem de ofender a Deus, explodirá uma nova e mais terrível guerra... Deus... punirá o mundo pelos seus crimes com a guerra, com a fome, com a perseguição contra a Igreja e contra o Santo Padre".

Os pecados são a perdição do mundo. Se amamos a humanidade, paremos de pecar. Nós temos que lutar contra todo o pecado, em especial através da penitência, e da penitência sacramental, isto é, a confissão.

A confissão é o sacramento do perdão, que destrói os nossos pecados. Quem odeia o pecado, ama a confissão, porque bem sabe que a confissão apaga a própria sombra do pecado na alma. Mais: sabe que a confissão torna a alma pura e resplandecente e muito querida a Jesus.

Na vida de Santo António de Pádua, lemos que um dia foi até ele um grande pecador que se queria confessar. O arrependimento sincero, no entanto, fazia chorar o pecador tão irrefreavelmente que ele nem sequer podia contar os seus pecados. O santo disse-lhe então: "Veja: vá escrever os seus pecados e volte para os ler". O penitente obedeceu e foi escrever os seus pecados numa folha de papel. Voltou até ao santo, ajoelhou-se aos seus pés e começou a ler a lista de pecados. E qual não foi a sua surpresa ao perceber que, terminada a leitura e recebida a absolvição sacramental, a folha em que tinha escrito os pecados tinha-se tornado toda branca!

Este é o resultado da confissão sincera dos pecados: a alma é lavada pelo Sangue divino de Jesus e fica iluminada pela graça. Por esta razão, São Francisco de Assis confessava-se três vezes por semana, e muitos outros santos se confessavam até diariamente.

Nós, além da confissão no primeiro Sábado de cada mês, não nos devemos esquecer da confissão todas as semanas, de acordo com a mais sadia e sábia norma da verdadeira vida cristã. Sem a confissão frequente, semanal, nunca amadurecerá em nós a dor do pecado e o crescimento do amor puro diante do sofrimento de Jesus e do Coração Imaculado de Maria circundado de espinhos.

Virtudes a praticar: a dor do pecado.

Pe. Stefano Manelli

O Pe. Stefano Manelli, fundador da ordem religiosa dos Frades Franciscanos da Imaculada, é um dos autores católicos que mais livros venderam. Os seus escritos foram impressos em milhões de cópias, e vários foram traduzidos para diversos idiomas. Entre os de maior circulação, "A devoção a Nossa Senhora", "Jesus Eucarístico Amor" e "Maio, Mês de Maria".

in Zenit



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A humildade do Verbo de Deus - Santo Ireneu

O Verbo de Deus se fez homem. O Filho de Deus tornou-se Filho do homem para que o homem, unido ao Verbo de Deus, recebesse a adopção e se tornasse filho de Deus.

Nunca poderíamos obter a incorrupção e a imortalidade a não ser unindo-nos à incorrupção e à imortalidade. Mas como poderíamos realizar esta união sem que antes a incorrupção e a imortalidade se tornassem aquilo que somos, a fim de que o corruptível fosse absorvido pela incorrupção e o mortal pela imortalidade e, deste modo, pudéssemos receber a adopção de filhos?

O Filho de Deus, nosso Senhor, Verbo do Pai, tornou-se Filho do homem. Filho do Homem porque pertencia ao género humano, tendo nascido de Maria, que era filha de pais humanos e ela mesma uma criatura humana.

O próprio Senhor nos deu um sinal que se estende do mais profundo da terra ao mais alto dos céus. Um sinal que não foi pedido pelo homem, pois nem sequer ele poderia pensar que uma virgem, permanecendo virgem, pudesse conceber e dar à luz um filho. Nem mesmo supor que este filho, Deus-connosco, descesse ao mais baixo da terra, em busca da ovelha perdida – que ele próprio criara – e subisse às alturas para oferecer ao Pai aquele mesmo homem que viera encontrar, realizando, deste modo, em si próprio, as primícias de ressurreição do homem. 

De facto, assim como a cabeça ressuscitou dos mortos, assim todo o corpo (dos homens que participam de sua vida, passado o tempo do castigo da desobediência) ressuscitará, unido pelas suas junturas e articulações, firme no crescimento em Deus, possuindo cada membro sua posição adequada. São muitas as mansões na casa do Pai porque muitos são os membros do corpo.

Tendo falhado o homem, Deus foi magnânimo, pois previu a vitória que pelo Verbo lhe seria restituída. Porque a força se perfez na fraqueza, revelou-se então a benignidade de Deus e o seu esplêndido poder.

in Tratado contra as Heresias


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segunda-feira, 27 de junho de 2022

Fogos do Sagrado Coração no Tirol

Os Fogos do Sagrado Coração de Jesus estão ligados a uma tradição que nasceu em 1796 e ainda hoje, todos os anos, iluminam as montanhas do Trentino em meados de Junho.

Em 1796, Napoleão Bonaparte conduzia a sua campanha em Itália. Tendo derrotado o Reino de Piemonte, o Armistício de Cherasco abriu as portas da Lombardia, na época sob o domínio dos Habsburgos. Depois de Milão, o seguinte objetivo era o Principado de Trento e o condado do Tirol, que também eram possessões dos Habsburgos.

A Dieta do Tirol reuniu-se em Bolzano, de 30 de Maio a 3 de Junho de 1796, para encontrar uma possível solução para uma situação complicada para Trentino. O tiroleses, um exército de camponeses com pouca experiência e ferramentas agrícolas como armas, iria enfrentar o poderoso exército de Napoleão.

A conselho do Abade de Stams, Sebastian Stöckl, imploraram a ajuda de Deus, confiando o Tirol ao Sagrado Coração de Jesus, jurando que todos os anos acenderiam fogueiras em honra do Senhor se Ele os ajudasse naquele momento de grave perigo.

A promessa foi mantida por Andreas Hofer, lembrado como o campeão da liberdade tirolesa, em 1809, quando, tendo vencido a batalha de Berg-Isel contra as tropas franco-bavaras, organizou uma grande festa para agradecer a ajuda divina.

A ignição dos Fogos do Sagrado Coração de Jesus, também conhecido como Herz-Jesu-Feuer, tornou-se numa verdadeira tradição, como se fosse um aniversário religioso.

Todos os anos, no primeiro ou segundo Domingo após a festa de Corpus Domini, em meados de Junho, as montanhas de Trentino acendem-se com fogo em forma de coração ou recriam o sagrado nome de Jesus: INRI ou IHS.

Enquanto isso, as janelas são iluminadas por lanternas e imagens luminosas, alumiando a escuridão da noite.


Flaminia la Malga in Vaghis


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Educação sexual nas escolas: Carta aberta aos pais portugueses

William Coulson é investigador em Etnopsicologia. Durante 17 anos foi consultor para as questões das Dimensões Humanas do Programa de Educação Médica da Universidade de Georgetown, nos EUA. Com doutoramentos em Filosofia e em Aconselhamento Psicológico, Coulson foi investigador associado de Carl Rogers. 

Em conjunto escreveram 17 volumes sobre psicologia e educação humanística. Neste artigo, Coulson conta que as suas teorias e de Rogers ganharam adeptos entre os técnicos de educação da SIECUS, um grupo que desenvolve os currículos de educação sexual enviados às delegações nacionais da IPPF (órgão internacional que reúne as associações de planeamento para a família).

Coulson dedica hoje o seu tempo a falar a católicos e protestantes sobre os efeitos nefastos das suas teorias. Esteve em Portugal em Novembro de 2004, alertando para os materiais 
portugueses de educação sexual  que diz serem baseados nas filosofias que agora rejeita.

O meu nome é William Coulson. Doutorei-me em Psicologia e Filosofia e, nos anos 60 e 70, fui colaborador muito próximo de Carl Rogers, o psicólogo americano de fama mundial. É conhecido que nós os dois coordenámos a edição de uma série de 17 livros promovendo uma nova técnica da psicologia chamada «Clarificação de Valores». O nosso objectivo era aumentar o bem-estar e a auto-estima das crianças, mas o que realmente aconteceu foi algo completamente diferente. A dada altura, desenvolvemos um currículo de educação sexual baseado nos jogos de clarificação de valores, o que incluía actividades em que as crianças eram convidadas a falar abertamente sobre sentimentos e desejos de natureza sexual.

Experimentámos esta nova técnica nas escolas dirigidas pela ordem do Imaculado Coração, na Califórnia. No início da experiência, a ordem tinha 58 escolas e 600 freiras. Em 2002, a BBC exibiu um documentário sobre a nossa experiência e o balanço que fazia era este: «O efeito da experiência foi um verdadeiro cataclismo. Em menos de um ano, 300 freiras - metade do convento - pediram ao Vaticano para serem dispensadas dos seus votos e, seis meses depois, o convento fechou as portas. Tudo o que restou foi um pequeno grupo de freiras… que se tornaram lésbicas radicais».

Se o efeito sobre adultos é este, qualquer pessoa pode imaginar qual o efeito sobre crianças. Eu poderia dar-lhes muitos dados e contar-lhes muitas histórias. A título de exemplo, conto a história da Carolyn (não é o seu verdadeiro nome), uma aluna que no sexto ano seguiu um programa de clarificação de valores. Carolyn aprendeu a tomar decisões autónomas sobre todo o tipo de coisas, incluindo algumas matérias sobre as quais ela não devia sequer pensar e muito menos ter a possibilidade de experimentar. 


Tal como os outros alunos dos programas de clarificação de valores, ela aprendeu a fazer escolhas autónomas e sinceras no seu quadro próprio de valores. Como disse um dos seus colegas no funeral, Carolyn acabou por se convencer que só poderia estar segura de que as suas decisões eram autónomas caso fizesse aquilo que os adultos lhe diziam para não fazer. Acabou por achar que o maior prazer da vida era fazer o que as pessoas proíbem. Como resultado disso, num certo dia de Março, saiu da escola num intervalo com um colega e o seu tio passador de droga. Nas margens de um rio, tomou droga, foi violada e depois lançada ao rio. O corpo da criança encantadora e inteligente (ela era a chefe de turma) só apareceu três semanas depois.

Para nós, desde a experiência nas escolas das freiras, era evidente que a nossa técnica psicológica não era boa nem para as crianças nem para os adultos. Ficou claro que tínhamos desenvolvido um instrumento perigoso para a saúde dos jovens, que em vez de os enriquecer os destruía. Essa não era a nossa intenção, mas foi o que aconteceu. Infelizme
nte, as nossas teorias (ou uma versão delas, ainda mais extrema, promovida por Louis Raths) tornaram-se muito populares entre os técnicos de educação sexual da SIECUS, um grupo americano que desenvolve currículos de educação sexual que depois são espalhados pelo mundo inteiro pelas delegações nacionais de uma organização chamada IPPF.

Em 1983, num dos seus livros, Carl Rogers descreveu as nossas experiências como um «padrão de fracasso». Contudo, depois da sua morte, o editor (que publica livros para professores e alunos de ciências da educação) reeditou o livro removendo todas as referências ao «padrão de fracasso».

Parte deste padrão é o muro de silêncio que se constrói em torno dos seus resultados trágicos. Ainda assim, tanto hoje como então (embora não tão frequentemente quanto deveria), a realidade por vezes vem à tona. Em 1998, o «The New York Times» publicou um artigo intitulado «EUA acordam para uma epidemia de doenças sexuais». Nesse artigo, a dr.ª Judith Wasserheit, especialista em doenças sexualmente transmissíveis (DST) e ex-directora da Divisão de Prevenção de DST do US Center for Disease Control, disse ao «Times» que aquilo que se está a passar nos EUA é um «desastre nacional». Disse ainda que «a maioria dos americanos nem sequer tem consciência de que está perante uma epidemia».

Na realidade, lentamente vai crescendo a consciência relativamente a esse facto. E talvez, bem mais cedo do que podem pensar, os portugueses descubram que algo de semelhante se está a passar com os seus filhos. 

Em Novembro de 2004, estive em Portugal a estudar os materiais de educação sexual enviados para as escolas em 2000. Fiquei aterrado. Talvez não haja em todo o mundo um currículo mais influenciado pelas ideias que eu e Carl Rogers testámos nos anos 60. 

Escrevo, pois, esta carta como um apelo. Eu sei o que vai acontecer às crianças de Portugal caso se apliquem nas escolas actividades baseadas nos jogos de clarificação de valores. Estou certo de que vocês gostam muito dos vossos filhos. Por isso (e se me é permitido falar com emoção): retirem das escolas esse modelo de educação sexual. Amanhã será tarde demais. Eu ajudei a criar o monstro. Por favor, ajudem-me a matá-lo.

William Coulson in Expresso, 28 de Maio de 2005


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domingo, 26 de junho de 2022

Nem os Demónios aguentam o pecado da Sodomia

Segundo revelação de Nosso Senhor a Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, nem os demónios suportam o depravado vício contrário à natureza, de tão hediondo que é:

"Desagrada-me esse último pecado, pois sou a pureza eterna. Esse pecado é-me tão abominável que por sua causa dele fiz desaparecer cinco cidades (cfr. Sab. 10, 6). A minha justiça não consegue mais suportá-lo.

Esse pecado, aliás, não desagrada somente a mim. É insuportável aos próprios demónios, que são tidos como patrões por aqueles infelizes ministros. Os demónios não toleram esse pecado. Não porque desejem a virtude; mas por causa da sua origem angélica recusam-se a ver tão hediondo vício. Eles atiram as flechas envenenadas de concupiscência, mas voltam-se no momento em que o pecado é cometido."

in 'O Diálogo' (Edições Paulinas, 1984, pp. 259-260)


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O que significa o Altar e como deve ser construído?

ALTAR é a mesa sobre a qual se faz o sacrifício da Missa. Pode ser fixo ou portátil. É fixo, se a mesa é uma só pedra, embora o suporte seja de alvenaria; é portátil, se sobre a mesa de alvenaria ou de madeira é colocada uma pedra chamada pedra d’ara, que é consagrada pelo Bispo e contém relíquias dum Santo Mártir numa cavidade coberta e cimentada. 

Para a celebração da Missa o altar há de estar coberto com três toalhas de linho, devendo a toalha superior tocar com as extremidades laterais no chão; há de ter um crucifixo bem visível no meio, com duas velas de cera em castiçais aos lados. Sobre o altar não se deve pôr coisa alguma que não seja precisa para o Sacrifício da Missa, ou que não sirva para ornato do mesmo altar. 

É uso colocar sobre a parte posterior do altar um degrau ou banqueta, na qual se põem os castiçais, o crucifixo e as flores; embora estas sejam permitidas como ornamento, não se deve esquecer que o melhor ornamento do altar é a limpeza, o asseio. 

O altar deve ter um supedâneo, isto é, deve haver junto ao altar um estrado do comprimento do mesmo, e bastante largo para o celebrante da Missa poder fazer a genuflexão sem pôr o pé fora. 

O altar em que se conserva o Santíssimo deve ser o mais ornamentado de todos, para que o mesmo, desta forma, excite a devoção e piedade dos fiéis (C. 1268). Não pode o crucifixo ser colocado diante da porta do sacrário, nem sobre o trono em que se costuma expor o Santíssimo na custódia (S. C. R.). É proibido colocar sobre o altar outro lume que não seja o de cera (S. C. R.)

Com consentimento do Bispo, pode colocar-se a imagem do Coração de Jesus por detrás do sacrário (S. C. R.), mas é preferível que fique ao lado, podendo ser. Sem licença do Bispo, não é permitido colocar de novo, na igreja, quaisquer altares, imagens de Santos, ou transferir de lugar, uns e outros, nem abrir nichos nas paredes, destinados a imagens de Santos (C. P.).

Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica


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sábado, 25 de junho de 2022

Roe vs Wade: quase meio século de uma mentira

No dia 22 de Janeiro de 1973, há 49 anos, fez-se jurisprudência quando o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que uma mulher tinha direito a abortar apenas e só por sua vontade. O julgamento opôs uma jovem, de seu nome Norma McCorvey, a quem foi dado o pseudónimo Jane Roe, ao Estado do Texas. Norma McCorvey dizia que tinha ficado grávida depois de ter sido violada e exigia o direito a abortar.

O julgamento foi longo e Norma acabou por ter uma filha, que deu para adopção. Depois de vários recursos o Supremo Tribunal decidiu-se pelo direito à privacidade, por conseguinte qualquer mulher poderia abortar sem ter que justificar-se, até à viabilidade do feto, ou seja até conseguir sobreviver fora do ventre materno. Esta decisão alterou todas as leis federais nos Estados Unidos e viria a influenciar a forma como o mundo começou a olhar para o "direito ao aborto".

Em 1987, Norma McConey admitiu que foi persuadida pela sua advogada a dizer que tinha sido violada e que precisava de abortar. Sarah Weddington, a advogada, confirmou que tinha mentido e explicou-se desta forma: "A minha conduta pode não ter sido totalmente ética. Mas eu agi desta forma porque pensei que havia boas razões para o fazer.” Norma McConey percebeu que o aborto implica a morte de uma criança inocente e passou o resto dos seus dias na Terra, até ao dia 18 de Fevereiro de 2017, a lutar contra o aborto.

Nestes 49 anos foram feitos mais de 71 milhões de abortos nos Estados Unidos, o que corresponde mais de 71 milhões de bebés mortos. Tudo com base num julgamento que foi uma mentira. Esta mentira, foi finalmente, revogada pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos a 22 de Junho de 2022, dia do Sagrado Coração de Jesus.

João Silveira


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Nascimento João Baptista descrito maravilhosamente por Santo Agostinho

A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: isto tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem.

O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará melhor. Nele pensais com amor filial, a ele recebestes no coração, dele vos tornastes templos.

João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A lei e os profetas até João Batista (Lucas 16, 16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é declarado profeta ainda estando nas entranhas da mãe. Na verdade, antes mesmo de nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. 

Tudo isto são coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e solta-se a língua do pai. Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes fatos.

Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto, fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se claro. 

O facto de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: “Quem és tu?” (João 1,19). E ele respondeu: “Eu sou a voz do que clama no deserto” (João 1,23). João é a voz; o Senhor, porém, no princípio era a Palavra (João 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.

Santo Agostinho in Sermão 293, 1


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