Beatíssimo Padre,
Estou profundamente agradecido pela carta que gentilmente Vos dignastes dirigir-me. Fiquei profundamente tocado pela Vossa solicitude paternal.
Há muito tempo desejava ter a ocasião de Vos encontrar a fim de Vos exprimir pessoalmente o nosso desejo sincero de servir a Igreja. Infelizmente, essa oportunidade não se apresentou. Peço-Vos simplesmente que queirais considerar a autenticidade desta intenção, que nada tem de fictício.
Paradoxalmente, no contexto actual, parece-nos ser precisamente o nosso dever fazer tudo o possível para recoser a túnica de Cristo, rasgada por forças e pressões incompatíveis com um espírito autenticamente católico. Peço-Vos apenas que considereis a autenticidade desta intenção, antes de tomardes uma decisão a respeito da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Não é tarde demais.
Longe de nós a ideia de nos separarmos da Igreja romana; pelo contrário, desejamos servi-la por meios extraordinários, como se vai em auxílio de uma mãe em dificuldade, que precisa de um socorro particular, ainda que este não seja compreendido por todos. Mas estou certo de que o Santo Padre o poderá compreender.
A Santa Sé já mostrou que podia compreender situações muito complexas e tomar o tempo necessário. Permito-me, pois, pedir-Vos filialmente que tomeis o tempo que este discernimento exige.
Se as minhas palavras não bastassem, pedir-Vos-ia que reflectísseis sobre dois factos muito simples. Em primeiro lugar, a Fraternidade já foi declarada cismática em 1988, por razões e em circunstâncias absolutamente análogas às de hoje; e, no entanto, depois de tantos anos, falamo-nos como um pai com o seu filho. Vossa Santidade exorta-me paternalmente a evitar um cisma que, teoricamente, já teria ocorrido. Não pensais que esta mesma atitude, de que aprecio profundamente a solicitude, constitui precisamente a prova de que a Fraternidade não é nem cismática nem hostil à Igreja?
Em segundo lugar, há alguns anos, a Santa Sé confiou a dois bispos da Igreja a missão de dialogar com a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X: D. Vitus Huonder, então bispo de Coira, hoje falecido, e D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana. Ambos, depois de terem tomado o tempo necessário ao discernimento, reconheceram o espírito profundamente católico da Fraternidade e disso deram público testemunho.
Mas sobretudo, permito-me dirigir-me a Vossa Santidade em nome dos milhares de almas que reencontraram a fé católica e a prática religiosa graças ao apostolado da Fraternidade. É um facto de que os Vossos predecessores tomaram conhecimento. Estas almas não têm senão um único desejo: chegar à salvação por este instrumento que a Providência pôs à sua disposição. Elas sofreram e são sinceras. Estou certo de que o Vosso coração paternal de Pastor universal será sensível a esta situação tão particular.
Um dia, todas as dificuldades entre a Santa Sé e a Fraternidade serão resolvidas. Um gesto de compreensão da Vossa parte, longe de prejudicar a unidade, não poderia se não manifestar aos olhos do mundo e de todos os cristãos a Vossa solicitude pela unidade e a Vossa bondade de pai.
Deixo tudo isto à Vossa benevolente consideração. Renovo a minha oração por Vossa Santidade.
Há muito tempo, mesmo antes da Vossa eleição, rezo a Santa Rita pela situação presente. Vi na eleição de um Papa agostiniano um sinal de esperança. Estou certo de que a santa intercederá. Nunca é tarde demais.
Peço-Vos que Vos digneis dar-nos a Vossa bênção.
E aproveito esta ocasião para Vos renovar a expressão da minha profunda devoção no Senhor.
Don Davide Pagliarani, Superior-Geral da Fraternidade de São Pio X
Estou profundamente agradecido pela carta que gentilmente Vos dignastes dirigir-me. Fiquei profundamente tocado pela Vossa solicitude paternal.
Há muito tempo desejava ter a ocasião de Vos encontrar a fim de Vos exprimir pessoalmente o nosso desejo sincero de servir a Igreja. Infelizmente, essa oportunidade não se apresentou. Peço-Vos simplesmente que queirais considerar a autenticidade desta intenção, que nada tem de fictício.
Paradoxalmente, no contexto actual, parece-nos ser precisamente o nosso dever fazer tudo o possível para recoser a túnica de Cristo, rasgada por forças e pressões incompatíveis com um espírito autenticamente católico. Peço-Vos apenas que considereis a autenticidade desta intenção, antes de tomardes uma decisão a respeito da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Não é tarde demais.
Longe de nós a ideia de nos separarmos da Igreja romana; pelo contrário, desejamos servi-la por meios extraordinários, como se vai em auxílio de uma mãe em dificuldade, que precisa de um socorro particular, ainda que este não seja compreendido por todos. Mas estou certo de que o Santo Padre o poderá compreender.
A Santa Sé já mostrou que podia compreender situações muito complexas e tomar o tempo necessário. Permito-me, pois, pedir-Vos filialmente que tomeis o tempo que este discernimento exige.
Se as minhas palavras não bastassem, pedir-Vos-ia que reflectísseis sobre dois factos muito simples. Em primeiro lugar, a Fraternidade já foi declarada cismática em 1988, por razões e em circunstâncias absolutamente análogas às de hoje; e, no entanto, depois de tantos anos, falamo-nos como um pai com o seu filho. Vossa Santidade exorta-me paternalmente a evitar um cisma que, teoricamente, já teria ocorrido. Não pensais que esta mesma atitude, de que aprecio profundamente a solicitude, constitui precisamente a prova de que a Fraternidade não é nem cismática nem hostil à Igreja?
Em segundo lugar, há alguns anos, a Santa Sé confiou a dois bispos da Igreja a missão de dialogar com a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X: D. Vitus Huonder, então bispo de Coira, hoje falecido, e D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana. Ambos, depois de terem tomado o tempo necessário ao discernimento, reconheceram o espírito profundamente católico da Fraternidade e disso deram público testemunho.
Mas sobretudo, permito-me dirigir-me a Vossa Santidade em nome dos milhares de almas que reencontraram a fé católica e a prática religiosa graças ao apostolado da Fraternidade. É um facto de que os Vossos predecessores tomaram conhecimento. Estas almas não têm senão um único desejo: chegar à salvação por este instrumento que a Providência pôs à sua disposição. Elas sofreram e são sinceras. Estou certo de que o Vosso coração paternal de Pastor universal será sensível a esta situação tão particular.
Um dia, todas as dificuldades entre a Santa Sé e a Fraternidade serão resolvidas. Um gesto de compreensão da Vossa parte, longe de prejudicar a unidade, não poderia se não manifestar aos olhos do mundo e de todos os cristãos a Vossa solicitude pela unidade e a Vossa bondade de pai.
Deixo tudo isto à Vossa benevolente consideração. Renovo a minha oração por Vossa Santidade.
Há muito tempo, mesmo antes da Vossa eleição, rezo a Santa Rita pela situação presente. Vi na eleição de um Papa agostiniano um sinal de esperança. Estou certo de que a santa intercederá. Nunca é tarde demais.
Peço-Vos que Vos digneis dar-nos a Vossa bênção.
E aproveito esta ocasião para Vos renovar a expressão da minha profunda devoção no Senhor.
Don Davide Pagliarani, Superior-Geral da Fraternidade de São Pio X
