sexta-feira, 15 de maio de 2026

São João Baptista de la Salle, um génio na arte de educar

Este santo, padroeiro dos professores e dos educadores, foi um instrumento da Providência Divina para a fundação das primeiras escolas profissionais e das mais antigas escolas normais. Génio na arte de educar, é um exemplo para nossos dias em que a educação se secularizou e procura abstrair de Deus, como se nem Ele nem a Eternidade existissem.

João Baptista de La Salle nasceu na histórica cidade francesa de Reims em 30 de Abril de 1651, em pleno reinado de Luís XIV, o Rei Sol. Foi o mais velho dos dez filhos de Luís de La Salle, magistrado e conselheiro do rei, e Nicola de Moet de Brouillet, de nobre e abastada família. Dos dez filhos do casal, quatro morreram cedo, e somente seis atingiram a idade adulta.

A infância de João Baptista foi pura e inocente. As primeiras palavras que conseguiu pronunciar claramente foram os nomes adoráveis de Jesus e Maria. Os seus pais tinham um empenho solícito na educação dos filhos, especialmente no que se refere ao seu desenvolvimento religioso, moral e intelectual. Formando-nos à maneira antiga, eram muito exigentes em matéria de obediência, e muito sérios na condução do lar. Esmeraram-se sobretudo na formação de seu primogénito.

A avó paterna, que morava com a família, lia para o pequeno João Baptista a Vida dos Santos; e o avô rezava com ele o Breviário. Nisso consistia a maior distração do menino.

Os seus estudos foram feitos na casa paterna, numa escola local, e depois no Colégio des Bons Enfants, da Universidade de Reims. Ao terminar seu curso de filosofia, graduou-se em 10 de Julho de 1669 como Mestre de Artes. Tendo completado os estudos clássicos, literários e filosóficos, João Baptista quis fazer seu doutorado na Universidade de Paris, e depois seguir o curso de Teologia na não menos célebre Universidade da Sorbonne, considerada a melhor do mundo.

Entretanto, os planos dos homens nem sempre são os de Deus. A 19 de Julho de 1671, apenas nove meses depois de sua chegada a Paris, faleceu-lhe a mãe. Menos de um ano depois, em 9 de Abril de 1672, também seu pai deixou este mundo, o que obrigou João Baptista a voltar para casa a fim de cuidar dos seis irmãos menores que lhe restavam. Com vinte e um anos de idade era agora o chefe da família, tendo a seus cuidados terminar a educação dos irmãos.

João Baptista entregou-se a essa tarefa com suma discrição e prudência. No tempo livre que lhe sobrava depois e dos seus estudos teológicos, João Baptista entregava-se às boas obras, visitando pobres e doentes, e distribuindo muitas esmolas. Aos 27 anos de idade, quando os irmãos já podiam cuidar de si mesmos, o Santo teve que ceder à ordem de seu diretor espiritual, e receber a ordenação sacerdotal no dia 9 de Abril de 1678, com a idade de 27 anos.

Pode-se dizer que, se não houvesse Providência, São João Baptista fundou a sua obra quase que por acaso. Pois ocorreu que um dia o seu director espiritual, Cônego Nicolau Roland, ficando doente à morte, pediu ao seu dirigido que cuidasse de um instituto religioso que ele fundara havia pouco, a Congregação das Filhas do Menino Jesus para a instrução de meninas, sobretudo órfãs.

Acresce-se a isso que, em 1679, para atender ao pedido de uma benfeitora, a Senhora Maillefer, ele auxiliou o professor Adriano Niel a abrir uma escola gratuita em Reims. Pouco depois, foi-lhe confiada uma outra escola. Desse modo São João Baptista de La Salle foi encaminhado lentamente para o campo de acção que seria o de toda sua vida: o das escolas cristãs.

Baptista de la Salle reuniu então um grupo de professores para atender a todos esses pedidos, e começou a ser insensivelmente atraído por essa obra. Ele visitava-os diariamente para encorajá-los, ou para sugerir-lhes métodos mais práticos para a consecução do seu fim. Esse convívio, e o ter-se tornado de algum modo responsável pelos professores, conduzia o Cónego La Salle, cada dia mais, a uma visão do mundo e a uma vida muito distante da que ele tinha levado até então.

Foi então que, no ano de 1684, ele reuniu os seus doze principais discípulos para deliberar sobre as constituições que deviam seguir. Como eles eram todos celibatários, pensaram então em constituir-se numa Ordem religiosa. Para isso, adotaram um hábito religioso e o nome de “Irmãos das Escolas Cristãs”. 

Os doze queriam fazer votos perpétuos de obediência, pobreza e castidade; mas o Fundador, mais prudente, sugeriu que eles fossem feitos apenas por um período de três anos, sujeitos a renovação. São João Baptista de La Salle estabeleceu para si e para os Irmãos, como fundamento de vida, o espírito de fé, que consiste em ver, julgar, amar, e obrar sempre à luz do Evangelho; ou seja, seguir a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A confiança de João Baptista na misericórdia de Deus era plena. No dia 3 de Abril o pároco local visitou-o e, ao encontrá-lo muito doente, extenuado e alquebrado, mas sereno e feliz, advertiu-o: “Saiba, senhor, que ides morrer logo, e comparecer diante do tribunal de Deus”. Ao que respondeu o Santo: “Sei muito bem, e estou plenamente submisso à Sua vontade; a minha sorte está entre as Suas mãos”. Foram estas as suas palavras finais. Às quatro horas da madrugada de 7 de Abril de 1719, João Baptista de la Salle entregou a sua bela alma a Deus aos sessenta e oito anos de idade.

Dele diz o Martirológio Romano: “Em Ruão, o natalício [para o Céu] de São João Baptista de la Salle, presbítero e confessor; habilíssimo na instrução dos jovens, principalmente os pobres; benemérito da Religião e da sociedade civil. Fundou o Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. O Sumo Pontífice Pio XII constituiu-o principal padroeiro celeste, junto a Deus, de todos os mestres que se dedicam à instrução de meninos e adolescentes”.

in ipco.org.br


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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Quinta-Feira da Ascensão - Cante Alentejano

Moda alentejana dedicada a esta Quinta-Feira em que a Igreja sempre celebrou a Ascensão de Nosso Senhor aos Céus, 40 dias depois da Páscoa e 10 dias antes do Pentecostes.
Venho-lhe dar um raminho
Colhido da própria planta
Para me dares amêndoas
Quando for Sexta-Feira Santa

Quinta-Feira da Ascensão
Saem as moças pro campo
De vestido cor-de-rosa
No chapéu um laço branco

No chapéu um laço branco
Com um raminho na mão
Vêm as moças do campo
Quinta-Feira da Ascensão

Oliveira à luz divina
O trigo simboliza o pão
Alecrim: saúde e força
Paz e amor no coração

Quinta-Feira da Ascensão
Saem as moças pro campo
De vestido cor-de-rosa
No chapéu um laço branco

No chapéu um laço branco
Com um raminho na mão
Vêm as moças do campo
Quinta-Feira da Ascensão


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quarta-feira, 13 de maio de 2026

45 anos do atentado ao Papa João Paulo II

A 13 de Maio de 1981, em plena Praça de São Pedro, o Papa João Paulo II foi alvejado três vezes por um turco, Ali Agca. O Papa caiu nos braços dos Gendarmes e foi levado com toda a urgência para o hospital, onde foi operado durante seis horas. Ter sobrevivido àquele ataque foi considerado um milagre:

«Mas, inexplicavelmente, o projéctil fez um desvio a poucos milímetros da aorta, não tendo atingido outros centros vitais, como a artéria ilíaca e o uréter, nem quaisquer plexos nervosos.

De facto, ainda hoje o terrorista Ali Agca não percebe porque falhou o tiro mortal, disparado na direcção do abdómen do Papa, apenas a uma distância de três metros do local onde se encontrava na Praça de São Pedro.

Se o projéctil tivesse percorrido o seu trajecto normal, João Paulo II teria morrido poucos minutos depois esvaído em sangue. “Uma mão disparou e outra guiou a bala”, confidenciaria, por sua vez, o Papa a André Frossard, certo de que a partir daquele instante se iniciara uma nova fase na sua vida, para sempre inseparável de Fátima.» (no livro ‘O Segredo que Conduz o Papa’)


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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Ladainhas Menores nos 3 dias que antecedem a Ascensão

As "rogações", do latim, rogatio (pedido, petição), são as orações de petição que uma comunidade faz em determinados tempos ou por algumas intenções especiais, muitas vezes em forma de procissão e com o canto das Ladainhas dos Santos. As rogações – dando graças a Deus, pedindo a chuva, uma boa colheita, o fim de uma epidemia ou a libertação de algum outro mal que ameaça toda a comunidade – relacionam-se sobretudo com as Quatro Têmporas do ano.

HISTÓRIA

Em consequência das calamidades naturais e um terramoto que, no século V, destruiu casas e colheitas, na Diocese de Vienne (ou Viena), no Delfinado - actual Isère (França) - o Santo Bispo Marmeto, um dos Santos de Gelo, organizou, em 474, três dias antes da Ascensão, uma procissão solene de penitência nos três dias que precedem imediatamente a Ascensão. Mais tarde, em 511, o Primeiro Concílio de Orleans (combate ao arianismo; regulamentação das relações entre o poder real e a Igreja; estabelecido o direito de asilo) estendeu este costume a toda França; e o Papa Leão III, em 816, adoptou-o em Roma, donde passou a toda Igreja.

Ladainha de todos os Santos, os salmos e as orações são uma oração de súplica, recebendo por este motivo o nome de “rogações”. Têm por fim afastar os flagelos da Justiça Divina e atrair as bênçãos e a misericórdia de Deus. As ladainhas são um modelo admirável de oração; pequenas jaculatórias dialogadas, brevíssimas, e a ressumar sentido e piedade.  


Essas são as Rogações Menores. As Rogações Maiores, ao invés disso, não são obras de São Mamerto, e, ainda que tenham tido a bênção de diversos Papas, têm origens pré-cristãs. São celebradas no dia 25 de abril, data em que antigamente se praticavam os 
ritos de Ambarvalia (eram ritos de fertilidade agrícola romanos em honra de Ceres): procissões propiciatórias para obter boas colheitas. 

O Papa Libério (no século IV) cristianizou-as; e, sucessivamente, o Papa Bento XIV (século XVIII), estabeleceu que fossem "orações próprias para defender a vida dos homens da ira de Deus que nos amedronta em todo lugar", com o objetivo de "afastar os flagelos da justiça de Deus e de atrair as bênçãos da sua misericórdia sobre os frutos da Terra". Ambarvalia vem do latim "ambire arva" significando "volta ao redor do campo".

Seja como for, por ocasião das Rogações Menores repetiam-se essas procissões nos campos, com itinerários diferentes, durante os três dias. Desde a manhã até a noite, campo por campo, o Sacerdote repetia, dirigindo-se aos quatro pontos cardeais, as frases do rito: "A fulgore et tempestate, A flagello terremotus, A peste fame et bello". Frases às quais os fiéis respondiam: "Libera nos Domine".  

Nos dias das Rogações Menores faziam-se também previsões para as futuras colheitas: na segunda-feira, fazia-se o prognóstico para a colheita dos hortifruti e da uva; na terça, para o trigo, e na quarta para o feno. Se naqueles dias o tempo fosse inclemente, assim seria a colheita, ao contrário: com o tempo ensolarado, as colheitas abundantes. 

in Pale Ideas


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domingo, 10 de maio de 2026

Os 'Pastores Sinodais' atacam as Ovelhas

A Igreja Católica está habituada a ataques contra o seu ensino. A história da heresia ao longo dos séculos revela os esforços incessantes daqueles que procuram substituir a doutrina católica por diversos erros. O que a Igreja só recentemente se habituou foi a ataques contra o seu ensino vindos de alguns dos seus pastores, especialmente das proclamações sem fim provenientes do gabinete do Sínodo dos Bispos.

A mais recente imposição do Sínodo é o pleno endosso do estilo de vida homossexual recentemente publicado no Relatório Final do Grupo de Estudo Número 9 «Critérios Teológicos e Metodologias Sinodais para o Discernimento Compartilhado de Questões Doutrinais, Pastorais e Éticas Emergentes».

Este relatório tenta descartar o ensino católico sobre a imoralidade inerente dos actos homossexuais – e a natureza desordenada da inclinação homossexual – estigmatizando esse ensino como a expressão de um «paradigma» obsoleto que já não pode ser invocado para comunicar a vontade de Deus ao Seu povo.

O Merriam-Webster define paradigma como «um quadro filosófico e teórico de uma escola ou disciplina científica no interior do qual são formuladas teorias, leis, generalizações e as experiências realizadas em seu apoio». Descrever o ensino católico através da analogia de um quadro sobre o qual se dispõem teorias e experiências é rebaixá-lo do domínio da verdade para apenas uma possível abordagem de apresentação da revelação de Deus. Jesus disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.» (João 14,6) Será isso um paradigma que precisa de melhoria?

O relatório inclui dois anexos, que são testemunhos na forma de entrevista. Dois homens católicos (o primeiro português, o segundo americano), cada um descrevendo-se orgulhosamente como casado com um homem, embora a Igreja Católica ensine que tal coisa é impossível. Porque publicaria o Sínodo dos Bispos entrevistas com homens que rejeitam o ensino católico sobre a natureza do matrimónio, inspirado como é pelo Espírito Santo, como parte do seu esforço para discernir as acções do Espírito Santo na Igreja de hoje?

O Relatório Número 9 dá-nos a resposta – o Sínodo considera o chamado matrimónio homossexual uma questão em aberto:
«Finalmente, ao escutar a Palavra de Deus vivida na Igreja, é necessário abordar com parresia a questão actualmente recorrente de se se pode falar de "matrimónio "em relação a pessoas com atracções do mesmo sexo, equiparando a sua relação à união conjugal heterossexual sem reconhecer as diferenças. Estas incluem, principalmente, a evidente impossibilidade de procriação em si ligada à diferença sexual, a respeito da qual as técnicas de procriação medicamente assistida colocam dificuldades adicionais.»

Mesmo pior, o Relatório Número 9 considera todo o ensino católico como sujeito a mudança:
«A missão da Igreja não é proclamar abstractamente e aplicar dedutivamente princípios expostos de modo imutável e rígido, mas fomentar um encontro vivo com a pessoa do Senhor Jesus ressuscitado, empenhando-se na experiência vivida da fé do Povo de Deus na sua relevância pessoal e social, em relação às diversas situações da vida e aos muitos contextos culturais. Só a tensão fecunda entre o que foi estabelecido na doutrina da Igreja e a sua prática pastoral e as práticas da vida em que o que foi estabelecido se verifica, no exercício da vida pessoal e comunitária à luz do Evangelho, exprime o dinamismo gerador da Tradição: contra a tentação da ossificação estéril e regressiva de princípios e afirmações, de normas e regras, independentemente da experiência dos indivíduos e das comunidades.»

A «experiência vivida da fé do Povo de Deus» pode prevalecer sobre a doutrina da Fé? Bem-vindos ao abraço eclesiástico da «modernidade líquida» na qual o realismo metafísico é posto de lado, e a ditadura do relativismo e do subjectivismo submete tudo a redefinição.

O que está em causa, como se compreende claramente, é a superação do modelo teórico que deriva a práxis de uma doutrina «pré-fabricada», «aplicando» princípios gerais e abstractos às situações concretas e pessoais da vida. A tarefa é, portanto, redescobrir uma circularidade fecunda entre teoria e práxis, entre pensamento e experiência, reconhecendo que a própria reflexão teológica procede das experiências de «bem» inscritas no sensus fidei fidelium.

O Sínodo tornou-se o agente oficialmente patrocinado pela Santa Sé de destruição da doutrina católica, que é menosprezada e descartada como princípios dedutivos expostos de modo imutável e rígido – afirmações estéreis, regressivas e ossificadas, como doutrinas «pré-fabricadas», que são meras abstracções e teorias.

Em vez disso, é preciso escutar as «situações concretas e pessoais da vida» porque «a própria reflexão teológica procede das experiências de “bem” inscritas no sensus fidei fidelium (sentido da fé dos fiéis)».

O testemunho do homem católico homossexual americano (Jason Steidl, autor de LGBTQ Catholic Ministry, Past and Present, cuja fotografia apareceu na primeira página do The New York Times com o seu «marido», sendo abençoado pelo Pe. James Martin, S.J., no dia seguinte à publicação de Fiducia supplicans) dá uma ideia clara de onde o Sínodo pensa que a reflexão teológica baseada na experiência pessoal levará a Igreja:
«A minha sexualidade não é uma perversão, desordem ou cruz; é um dom de Deus. Tenho um matrimónio feliz e saudável e floresço como católico gay assumido. Foram precisos anos de oração, terapia e comunidade afirmativa para chegar aqui, mas agradeço a Deus pela minha sexualidade e pela minha condição de vida. […] Ser católico LGBTQ não é fácil, e muitos dias lamento o mal que a Igreja causou. Mas também tenho esperança. Testemunhei conversão durante o pontificado do Papa Francisco nos níveis local e universal da Igreja, e aguardo com expectativa ajudar a construir o corpo de Cristo que reflecte o ministério de cura e inclusão de Jesus.»

O gabinete do Sínodo decidiu publicar a afirmação de um lobista do estilo de vida homossexual de que «conheço muitos sacerdotes que têm sido atacados por causa do seu apoio a pessoas LGBTQ […] são atingidos pelas flechas odiosas da homofobia». Será esta afirmação um exemplo do «sentido da fé dos fiéis»? Ou uma repudiação da Fé de Cristo em nome da imoralidade?

Esta subversão destrutiva patrocinada pelo Vaticano tem de acabar agora. As almas estão em perigo pelo escândalo dos falsos ensinamentos que estão a ser propagados pelo Sínodo. O Papa Leão XIV precisa de fortalecer os irmãos na Fé, pondo fim a esta traição venenosa da verdade de Deus.

Father Gerald Murray in 'The Catholic Thing'


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sábado, 9 de maio de 2026

Nossa Senhora que corre na praça em Sulmona (Itália)

De longe, a Virgem reconhece o Filho Ressuscitado. Num ápice, o manto negro e o lenço caem, deixando ver um esplêndido vestido verde, revestido d'ouro e uma rosa encarnada, enquanto se levantam 12 pombas no ar. Ao meio-dia em ponto, Nossa Senhora começa assim o seu percurso, entre os aplausos das pessoas.

Quando Nossa Senhora chega junto do seu Filho, os irmãos da confraternidade abraçam-se, muitas vezes derramando lágrimas de comoção. É uma tradição que se renova há muitos anos graças à Confraternidade de Santa Maria do Loreto em Sulmona.


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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Aparição de São Miguel no Monte Gargano

Hoje é a festa litúrgica da aparição de São Miguel Arcanjo no Monte Gargano. Nos fins do século V (490), sendo Papa São Gelásio, um pastor que apascentava uma manada de vacas no alto do Monte Gargano, província da Apúlia (Itália), querendo obrigar um novilho a sair de uma caverna onde se refugiara, desferiu lá dentro uma flecha, a qual voltou com a mesma velocidade, ferindo quem a lançara. Isto causou admiração nos que presenciaram o acontecimento, e a notícia correu longe e chegou também aos ouvidos do Bispo de Siponto, cidade que ficava no sopé da montanha.

O Bispo, julgando tratar-se de algum misterioso sinal da parte de Deus, ordenou um jejum de três dias em toda a Diocese, pedindo ao Senhor se dignasse revelar do que se tratava. Deus escutou as orações do Prelado e, passados três dias, apareceu-lhe o Arcanjo São Miguel, Anjo tutelar da Igreja, revelando-lhe o que Senhor queria que se edificasse naquela caverna, onde se manifestou o prodígio, uma igreja em sua honra, para reavivar a fé e a devoção dos fiéis no seu amor e protecção, como Anjo custódio da Igreja Católica. O Arcanjo apareceu-lhe diversas vezes. Estas foram as primeiras aparições do Arcanjo Miguel na Europa Ocidental. 

Tendo o Bispo comunicado ao povo a visão que tivera e o que lhe fora pedido, foi ele próprio, com muita gente, observar o local. Encontraram uma caverna espaçosa em forma de templo, cavada na rocha, com uma fenda natural na abóbada, de onde jorrava a luz que a iluminava. Nada mais era preciso que pôr um altar-mor para celebrar os Divinos Mistérios. Levantado o altar, o Bispo consagrou-o. Todos os povos vizinhos acudiram para a cerimónia cheios de alegria e a festa durou vários dias. 

Nunca mais até hoje se deixou de celebrar ali a Santa Missa, como também os outros ofícios litúrgicos. Deus consagra este lugar através dos séculos, com graças e milagres de toda a espécie, em favor dos que lá acorrem, doentes de corpo e alma, mostrando quanto Lhe é grata a devoção em honra do glorioso Arcanjo São Miguel, o qual defendeu, quando da revolta de Lúcifer, a fidelidade ao Deus Uno e Trino, soltando este grito: "QUEM É COMO DEUS?" De onde vem o seu nome: Miguel. 

O Santuário do glorioso São Miguel Arcanjo na gruta do Monte Gargano é considerado um dos mais antigos, célebres e devotos de todo o mundo. A Igreja, para atestar este acontecimento, marcou no Calendário Litúrgico Universal a festa comemorativa desta Aparição no dia 8 de Maio. 

O Monte Gargano fica perto do convento de Nossa Senhora da Graça, onde viveu e morreu o célebre estigmatizado Padre Pio de Pietrelcina.

in Pale ideas


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quinta-feira, 7 de maio de 2026

A proibição da Missa Tradicional é um abuso de poder

A liturgia romana tradicional da Missa foi a liturgia dos nossos antepassados. Foi a forma da Missa com que a maioria das nações europeias (excepto alguns países da Europa de Leste e os ritos ambrosiano e moçárabe), todas as nações americanas e a maioria das nações africanas, asiáticas e oceânicas foram evangelizadas.

«O que as gerações anteriores consideraram sagrado, permanece sagrado e grande para nós também» (Papa Bento XVI).

«O problema do novo Missal está em ter sido abandonada uma história sempre contínua, antes e depois de São Pio V, e na criação de um livro totalmente novo (embora compilado a partir de material antigo)» (Cardeal Joseph Ratzinger).

A «publicação [do novo Missal] foi acompanhada por uma espécie de proibição de tudo o que a precedeu, o que é inédito na história da liturgia e do direito eclesiásticos» (Cardeal Joseph Ratzinger).

«Posso afirmar com certeza, com base no meu conhecimento dos debates conciliares e da minha leitura repetida dos discursos dos Padres Conciliares, que isto [ou seja, a reforma tal como está agora no novo Missal] não corresponde às intenções do Concílio Vaticano II» (Cardeal Joseph Ratzinger).

A liturgia romana tradicional da Missa foi a liturgia de todos os Santos do rito latino que conhecemos pelo menos durante todo o último milénio; daí a sua antiguidade milenar. Embora comumente chamada Missa «Tridentina», a forma exacta da Missa já estava em uso vários séculos antes do Concílio de Trento, e esse Concílio pediu apenas que se canonizasse essa forma venerável e doutrinalmente segura da liturgia da Igreja Romana.

A liturgia romana tradicional da Missa tem a maior afinidade com os ritos orientais ao dar testemunho da lei litúrgica universal e ininterrupta da Igreja: «No Missal Romano de São Pio V, como em várias liturgias orientais, há orações muito belas através das quais o sacerdote expressa o mais profundo sentido de humildade e reverência perante os Mistérios Sagrados: elas revelam a própria substância da Liturgia» (Papa João Paulo II).

O Papa e os Bispos não têm, portanto, autoridade para proibir ou limitar tal forma venerável da Santa Missa, oferecida pelos Santos durante mais de mil anos, da mesma forma que o Papa ou os Bispos não teriam autoridade para proibir ou reformar significativamente a forma venerável do Credo Apostólico ou Niceno-Constantinopolitano, precisamente por causa do seu uso venerável, contínuo e milenar.

Cumprir a proibição abusiva dessa forma venerável da Missa dos Santos, emitida infelizmente por eclesiásticos, neste tempo de crise eclesial sem precedentes, constituiria uma falsa obediência.

O incumprimento das proibições da Missa Tradicional não torna, por esse facto, alguém cismático, desde que se continue a reconhecer o Papa e os Bispos, a respeitá-los e a rezar por eles.

Ao desobedecer formalmente a tal proibição inédita de um património inalienável da Igreja Romana, obedece-se de facto à Igreja Católica de todos os tempos e a todos os Papas que celebraram diligentemente e ordenaram a preservação dessa forma venerável e canonizada da Missa.

A proibição actual do rito tradicional da Missa é um fenómeno temporário e cessará. A Igreja Romana vive hoje uma espécie de exílio litúrgico, i. é., a Missa Tradicional foi exilada de Roma; no entanto, o exílio terminará, com certeza, um dia.

Como a Missa Tradicional tem sido usada de forma ininterrupta há mais de um milénio, santificada pela recepção universal ao longo do tempo, pelos Santos e pelos Pontífices Romanos, pertence ao património inalienável da Igreja Romana. Consequentemente, no futuro, os Pontífices Romanos reconhecerão sem dúvida uma vez mais e restabelecerão o uso dessa liturgia tradicional da Missa.

Os futuros Papas agradecerão a todos os sacerdotes e fiéis que, em tempos difíceis, apesar de todas as pressões e falsas acusações de desobediência, e num espírito de sincero amor pela Igreja e pela honra da Santa Sé, mantiveram e transmitiram o grande tesouro litúrgico da Missa tradicional às gerações futuras.

D. Athanasius Schneider in One Peter Five


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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Suplício de São João na Porta Latina

São João foi o único dos Apóstolos a morrer de morte natural (em Éfeso). Ainda assim, sofreu um grave atentado contra a sua vida, ao qual sobreviveu apenas por milagre. Escapou ileso a um banho de azeite a ferver. A festa desse dia é celebrada hoje, dia 6 de Maio: São João diante da Porta Latina.

A permanência de João em Éfeso, onde escreve o Evangelho (segundo o mesmo Irineu afirma), é interrompida, como as fontes antigas nos dizem, pela perseguição sofrida sob Domiciano (imperador de 81 a 96), provavelmente por volta do ano de 95. É nesse ponto que se insere a tradição, registrada por muitos autores antigos, de sua viagem a Roma e da sua condenação à morte numa caldeira de argila cheia de óleo fervente, da qual saiu ileso por milagre. 

A fonte mais antiga a falar do martírio é Tertuliano, por volta do ano 200: “Se fores a Itália, encontrarás Roma, de onde podemos beber nós também a autoridade dos apóstolos. Como é feliz essa Igreja, à qual os apóstolos ofereceram a doutrina por completo, acrescentando-lhe o seu sangue, onde Pedro se identifica com o Senhor na paixão, onde Paulo é coroado com a mesma morte de João Baptista, onde o apóstolo João, mergulhado sem se ferir em óleo fervente, é condenado ao exílio numa ilha” (A prescrição contra os hereges, 36). 

Outro testemunho é o de Jerónimo, que escreve no final do século IV: “João terminou sua vida com uma morte natural. Mas, se lermos as histórias eclesiásticas, aprenderemos que ele também foi posto, em razão do seu testemunho, numa caldeira de óleo fervente, da qual saiu, como atleta, para receber a coroa de Cristo, e que logo depois foi relegado à ilha de Patmos. Veremos ainda que não lhe faltou a coragem do martírio e que ele bebeu o cálice do testemunho, idêntico ao que beberam os três jovens na fornalha de fogo, embora o perseguidor não tenha derramado seu sangue” (Comentário ao Evangelho segundo Mateus, 20, 22). 

Às antigas fontes cristãs sobre o martírio de João em Roma, podemos hoje acrescentar com boa dose de credibilidade (graças a um estudo de Ilaria Ramelli) a alusão do pagão Juvenal (inícios do século II), que, na Sátira IV, critica Domiciano contando o episódio da convocação do Senado para decidir o que fazer com um enorme peixe, vindo de longe e trazido ao imperador, que é destinado a ser cozido numa panela muito funda. Em Roma, no lugar que a tradição aponta como do martírio, perto da Porta Latina, no interior do cinturão dos Muros Aurelianos, encontra-se o templo octogonal de São João em Óleo, cujas estruturas actuais remontam a 1509, mas que seguramente deve ter estado ali presente (não sabemos se na forma atual, nem se originariamente dedicado ao culto pagão de Diana) desde época anterior à construção da vizinha igreja de São João em Porta Latina, que vem da época do Papa Gelásio I (492-496).

Eusébio diz-nos que, por Domiciano, João “foi condenado ao confinamento na ilha de Patmos em razão do testemunho que deu do Verbo divino” (História eclesiástica, III, 18, 1), e toma essa notícia das palavras do próprio João no Apocalipse, em que o apóstolo diz de si mesmo que foi deportado “em razão da palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Ap 1, 9). Lá, nessa ilha das Espórades a cerca de setenta quilómetros de Éfeso, João escreve o Apocalipse.

Lorenzo Bianchi


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terça-feira, 5 de maio de 2026

São Pio V contra a Sodomia

Esse horrendo crime, pelo qual cidades corruptas e obscenas foram queimadas pela condenação divina, nos enche de amarga dor e nos estimula veementemente a reprimi-lo com o máximo zelo possível.

Com toda razão o Quinto Concílio de Latrão estabelece que todo membro do clero apanhado na prática do vício contra a natureza, pelo qual a cólera de Deus caiu sobre os filhos da iniquidade, seja despojado das ordens clericais ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro.

Para que o contágio de tão grande flagelo não se propague com maior audácia valendo-se da impunidade, que é o maior incentivo ao pecado, e para punir mais severamente os sacerdotes culpados desse nefando crime que não estejam aterrorizados com a morte da alma, determinamos que eles sejam entregues à severidade da autoridade civil, que faz cumprir a lei.

Portanto, desejando adoptar com maior rigor o que decretamos desde o início de nosso pontificado, estabelecemos que todo sacerdote ou membro do clero, seja secular ou regular, de qualquer grau ou dignidade, que cometa esse horrendo crime, por força da presente lei seja privado de qualquer privilégio clerical, de qualquer ofício, dignidade e benefício eclesiástico; e que, uma vez degradado pelo juiz eclesiástico, seja entregue imediatamente à autoridade civil para receber a mesma punição que a lei reserva aos leigos que se lançaram nesse abismo.

Papa Pio V in 'Horrendum Illud Scelus' (30/VIII/1568)


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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Comédias no Vaticano

“Em Cristo já somos um só, em virtude do Baptismo”.  Sendo assim, reverendíssima “Arcebispa” considerada, surrealisticamente, primaz da Comunidade Anglicana, embora nenhum dos seus ministérios seja (validamente) sacramental, não só pela sua condição feminina, mas também em virtude da ausência da sucessão Apostólica, a que se deveu reunirmo-nos nessa ecuménica comédia circense porque “anunciamos o mesmo Cristo”, independentemente das diferenças, que presumindo exprimir de um modo único e exemplar uma fantasiosa união singular, num imaginário dualismo, de um único Cristo, encarnado varão e mulher com a pretensão demoníaca delirante de sedutoramente persuadir uma existência real de uma identidade mono-alteridade crística deduzindo uma falsíssima compenetração complementar desmentida pala Revelação que afirma claramente a inimizade e incompatibilidade radical entre Cristo e o Anticristo.
 
Mas, uma vez que são um só, pelo Baptismo, vossa reverendíssima advoga alucinatoriamente que essa igualdade baptismal permite ou admite um cristo favorável e incentivador do aborto provocado, das autodenomidadas uniões corporalmente afecto-efectivas do mesmo sexo, e muitas outras coisas malignas. 

A Igreja Católica, isto é, a Religião Verdadeira, impelida pelas Palavras de Cristo, Seus milagres, curas de enfermos, exorcismos, ensinamentos, enfim, toda a Sua vida, morte, ressurreição e ascensão aos céus, não se atreve a corromper nem contrariar a Sua Revelação Salvífica e salutar. 

De modo que também parece extremamente excessivo dar uma falsa bênção com a cooperação de um bispo (Cardeal?) que, inclinando a cabeça devotamente, se persignou.

Padre Nuno Serras Pereira


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domingo, 3 de maio de 2026

1700 anos da Invenção da Santa Cruz

3 de Maio, Festa da Invenção da Santa Cruz. Há exactamente 1700 anos, Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, depois de ter tido um sonho profético, foi de propósito a Jerusalém para descobrir a cruz onde Nosso Senhor tinha sido crucificado e encontra-a.

Como tivessem dúvidas de entre 3 cruzes qual seria a verdadeira, colocaram uma pessoa moribunda em contacto com cada uma delas e ficou curada de um momento para o outro quando esta cruz lhe tocou. Isto aconteceu no dia 3 de Maio do ano 326.

Santa Helena levou a cruz para a Roma, de onde saíram depois milhares de relíquias que estão hoje espalhadas pelo Mundo. Levou também os cravos e a placa que dizia INRI. Grande parte destas preciosas relíquias encontram-se na igreja de 'Santa Cruz em Jerusalém' (em Roma, perto da Basílica de São João de Latrão).

Ave Crux, Spes Unica!

(Pintura: Gandolfi Ubaldo, 1775 - Catedral de Vercelli)


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sábado, 2 de maio de 2026

Santo Atanásio: "Eles possuem os templos, vós a tradição da Fé apostólica"

No tempo da heresia ariana, Santo Atanásio de Alexandria, bispo, Padre da Igreja famoso por lutar quase sozinho contra esta heresia espalhada pelo mundo, escreveu uma carta aos católicos fiéis que perduravam, consolando-os.

Que Deus vos console. Sei ainda que não apenas vos entristece o meu exílio, mas também o facto de que enquanto eles [os arianos] obtiveram as igrejas através da violência, nesse entretanto vós fostes expulsos de vossos lugares. Eles então possuem os templos; vós, em troca, a tradição da Fé apostólica. É bem verdade que eles estão nas igrejas, mas fora da verdadeira Fé; enquanto vós estais fora dos edifícios, sem dúvida, mas a Fé está dentro de vós. Consideremos o que é maior, o edifício ou a Fé? Claramente a Fé verdadeira. Quem então perdeu mais, ou quem possui mais? Aquele que detém o edifício ou aquele que detém a Fé? Sem dúvida o edifício é bom, se a Fé Apostólica é pregada lá. Ele é santo se o Santo habita lá.

Porém, benditos são aqueles que pela fé estão na Igreja, habitam sobre os fundamentos da Fé e têm plena satisfação. Mesmo o grau mais elevado da fé, que entre vós permanece inabalável. Porque ela vos chegou da Tradição Apostólica, e frequentemente a execrável inveja desejou destruí-la, mas não foi capaz. Pelo contrário, eles é que se alijaram [da Fé] ao tentar destruí-la. Por isso é que foi escrito: "Vós sois o Filho do Deus vivo", Pedro confessou isso por revelação do Pai, e ouviu, "Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus."

Portanto, ninguém jamais prevalecerá contra a vossa Fé, meus queridíssimos irmãos. Porque se algum dia Deus vos devolver as igrejas (e pensamos que Ele o fará) ainda sem essa restauração das igrejas a Fé vos basta. E, falando sem as Escrituras, devo falar com muita veemência, é bom trazê-los para o testemunho das Escrituras, lembrem-se de que o Templo sem dúvida estava em Jerusalém; o Templo não estava deserto, forasteiros o invadiram, daí também o Templo estando em Jerusalém, aqueles exilados desceram para a Babilónia por decisão de Deus, que os provava, ou melhor, corrigia; enquanto lhes manifestava, em sua ignorância, punição [através] de inimigos sanguinários. 

E os forasteiros sem dúvida tinham a posse do Templo, mas não conheciam o senhor do Templo, ao passo que Ele não respondeu nem falou; eles foram abandonados pela verdade. E precisamente uma Fé tão viva supre para vós, por agora, a falta dos templos. Que proveito, então, tiraram eles do Templo?

Pois vejam que aqueles que detêm o Templo são acusados pelos que amam a Deus de torná-lo um covil de ladrões, e de transformar loucamente o Lugar Santo numa casa de comércio e numa casa de negócios judiciais para si mesmos, a quem era ilegal adentrá-lo. São essas coisas e outras piores ainda que ouvirmos daqueles que vieram de lá, caríssimos. Entretanto, realmente, eles crêem possuir a igreja, mas estão fora dela. E eles julgam-se na verdade, mas estão exilados e cativos e não obtêm vantagem da igreja. Porque a verdade das coisas é julgada…

Carta de Santo Atanásio aos fiéis perseguidos pelos arianos (356 d.C.)


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sexta-feira, 1 de maio de 2026

A Sagrada Comunhão foi dada a cães

Três indivíduos partilharam porções das suas Hóstias consagradas com os seus cães durante uma Eucaristia no dia 4 de Outubro de 2025, na Paróquia do Bom Pastor, em Zurique, Suíça.
O sacrilégio ocorreu durante uma bênção de animais que havia sido combinada com uma Eucaristia.
A Diocese de Chur investigou o incidente e concluiu a 17 de Abril que os indivíduos não actuaram com intenção sacrílega.
Apesar de não ter aplicado quaisquer penas canónicas, a diocese descreveu o incidente como «altamente lamentável».
in gloria.tv


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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Jovens Argentinos queixam-se ao Bispo pela actuação do DJ Padre Guilherme

Excelência Reverendíssima:

Ante os factos públicos do passado 18 de Abril na Praça de Maio, por ocasião do aniversário do falecimento do Papa Francisco, por cuja alma oramos, decidimos exprimir-nos nesta carta com toda a sinceridade (CIC 212 § 2 e 3).

Como jovens católicos, dirigimo-nos a Vossa Excelência a fim de manifestar a nossa repulsa a um espectáculo tão desonroso como o ocorrido, pois deixou-nos gravemente escandalizados. Como se isso não bastasse, o facto de o nosso bispo julgar este acto vergonhoso como “espectáculo sério” para “chegar à juventude” deixa-nos dolorosamente perplexos. Lamentamos profundamente que se subestime desta maneira a juventude, que se creia que aquilo que nos “chega” são as festas rave com música e um ambiente que propicia o desenfreio, o consumo de substâncias e o descuido pelos lugares públicos. 

Tampouco nos atraem os sacerdotes que procuram adaptar-se aos critérios do mundo, nem a banalização da nossa fé, pela qual tantos mártires derramaram e continuam a derramar o seu sangue. Procurando velar pela honra da dignidade episcopal, pela honra da fé e pelo bem das almas, perante este grave escândalo e grandíssima confusão, queremos aproveitar a ocasião para exprimir aquilo que sim nos “chega” e que pedimos publicamente aos nossos pastores: 

Que nos transmitam integralmente a doutrina da Igreja, pois é um direito dos fiéis recebê-la sem recortes (CIC 747-755). Estamos fartos de que nos digam que “o Inferno não existe ou está vazio”, que “Deus aceita cada um como é”, que “isso dizia a Igreja antes”. 

Que abandonem os critérios politicamente correctos. Queremos que nos preguem com clareza a necessidade de viver a pureza. Como é possível que não se diga forte e claro que as relações sexuais pre-matrimoniais são pecado e, em vez disso, até se justifiquem sob um falso conceito de “amor”? Como é possível que se nos diga que «a masturbação não é pecado»? (sexto mandamento da lei de Deus, Catecismo 2352-2353). 

Que não nos comuniquem uma mensagem confusa sobre a homossexualidade. Pedimos declarações que não deixem lugar a dúvidas: “os actos homossexuais são intrinsecamente desordenados” (Catecismo 2357). Como é possível que, de um organismo sob a responsabilidade de Mons. Colombo, actual presidente da CEA, se tenha aderido à marcha LGBT de 1/2/2025? Como é possível que se omita a necessidade de conversão e até se justifiquem os casais do mesmo sexo? 

Que nos ensinem explicitamente que fora da Igreja Católica não há salvação (Lumen Gentium 14). Enche-nos de dor e indignação ouvir sacerdotes dizer que todas as religiões conduzem a Deus, desafiando a Cristo que ensina categoricamente o contrário: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14,6).
 
Que ponham fim aos abusos litúrgicos. Queremos que a Santa Missa seja celebrada de maneira solene, digna e reverente, livre de aplausos, guitarras, danças e/ou canções dos anos 70. 

Horroriza-nos a Eucaristia distribuída como se fosse uma bolacha e os maus-tratos a quem deseja comungar de joelhos. A Missa não é uma atracção nem pode estar sujeita às ocorrências do celebrante: é a renovação do sacrifício de Cristo na cruz (CIC 846 §1, 214). 

Que nos ensinem que, para receber a Cristo na sagrada comunhão, devemos encontrar-nos em estado de graça (cf. 1 Cor 11,27; CIC 915; Catecismo 1415). É um sacrilégio que clama ao Céu dar a comunhão a pessoas que vivem em concubinato ou que, após divorciarem-se, convivem maritalmente com quem não é o seu cônjuge. Do mesmo modo, causa espanto que se admita ao sacramento personalidades públicas que abertamente obram contra a doutrina e a moral da Igreja. 

Que se nos pregue o perigo dos três inimigos da alma: o demónio, o mundo e a carne. Que não nos ocultem que existe um combate espiritual do qual depende o nosso destino eterno (cf. Ef 6,11-12; 1 Pe 5,8; 1 Jo 2,15-16; Ga 5,17). 

Que se nos exorte às obras de misericórdia, a velar pelos mais necessitados sem se dobrarem às agendas do mundo. Para nos preocuparmos com o próximo não precisamos de "namoriscar" com ideologias nem venerar sacerdotes vindos do terceiro mundo.

Basta-nos ser católicos e que se nos exorte a viver a caridade cristã como o pediu o Papa Leão XIII, de quem toma nome o actual Pontífice, no ponto 41 da Rerum Novarum. Estamos conscientes de que há muitos jovens afastados da Igreja, a quem talvez choquem estes oito pontos. Nós somos os primeiros a viver essa situação lacerante.

Não se os atrai dando-lhes aquilo que já têm porque, “se o sal perder o seu sabor, com que será salgado?” (Mt 5,13). Não se atraem os que estão afastados recortando a verdade precisamente porque, como diz o mesmo Evangelho, tendo o sal perdido o sabor, não serve senão para ser pisado pelos homens. Recortar a verdade faz com que não tomem a sério a nossa religião e faz com que ignorem aquilo para que se os quer atrair. 

O que sim “chega” é a radicalidade cristã que Jesus nos pede: a renúncia ao próprio eu e a aceitação amorosa e valente da cruz (cf. Mt 16,24). Não crê Vossa Excelência que, se a juventude não se sente atraída, é por aquilo de Jo 10,5: “Mas a um mercenário não seguirão, antes fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos”? Não crê que, se as ovelhas se dispersam e não entram no redil, é pela intrusão de salteadores, ladrões, mercenários e assalariados (cf. Jo 10, 8-12) que se apascentam a si mesmos, deixando o rebanho à mercê das feras (cf. Ez 34, 1-10)? 

A unidade do rebanho e a busca da ovelha perdida só podem dar-se na caridade, e a caridade só pode dar-se na verdade. A unidade não é o ajuntamento, o ajuntamento da quantidade: é o seguimento da voz do Bom Pastor.

Suplicamos a Vossa Excelência, e a todos os bispos e presbíteros que tenham recebido esta mensagem, que procurem com todas as forças remediar esta grande tragédia. Cumpram a missão para a qual foram consagrados: pregar a verdade, celebrar dignamente os sacramentos e conduzir-nos à santidade. 

Queremos que se nos convide ao heroísmo e que se nos recorde que a graça divina torna possível o impossível (cf. Lc 18,27). Queremos que se nos exorte à imitação de Cristo, à perfeição (cf. Mt 5,48), e não que se bendiga a nossa maneira errada de viver. Queremos ser sal da terra e luz do mundo para a glória do Pai Celestial. Esse é o “barulho” que, em todo o caso, queremos fazer.

Atentamente em Cristo.
Ezequiel Gorrosttietta,
em nome dos 'Jóvenes Católicos Argentinos'.


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