segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Novena pelas Almas do Purgatório

Orações iniciais para todos os dias da novena:

Acto de Contrição

Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Criador e Redentor meu, em quem firmemente creio e espero e a Quem amo mais que a mim mesmo, mais do que todas as coisas; pesa-me, Senhor, de todo o meu coração por vos ter ofendido. Por serdes Vós quem sois tão bom, santo, amável e adorável; pesa-me também, porque com os meus pecados tenho merecido as penas do Purgatório, e, quem sabe, se também os tormentos eternos do Inferno. Proponho, ajudado com a Vossa graça, nunca mais pecar, fugir de todas as ocasiões de ofender-Vos, confessar-me, corrigir e emendar os meus erros e perseverar até à morte na Vossa amizade. Peço-vos, meu Deus, esta graça, pelo amor que tendes às benditas Almas do Purgatório, pelos méritos da Vossa paixão e pelas dores da Vossa aflictíssima Mãe. Ámen.

Oração inicial

Ó Pai Eterno, amoroso e misericordioso, que impelido pela Vossa infinita misericórdia, tanto amastes o Mundo, a ponto de lhe dardes o vosso Filho Unigénito, para que aqueles que n’Ele crerem não pereçam, mas vivam eternamente. Permitireis acaso, ó Senhor, que sofram ainda por muito tempo no Purgatório essas Almas queridas, filhas Vossas e esposas de Jesus Cristo, que as comprou com o preço infinito do Seu Sangue? Tende piedade dessas aflitas prisioneiras e livrai-as das suas penas e tormentos. Tende também compaixão da minha pobre Alma, livrando-a do abismo do pecado. E se a Vossa justiça, não satisfeita ainda, exige maior reparação pelas faltas que cometeram, ofereço-vos os actos de virtudes que praticar durante esta novena. Nada, ou muito pouco, valem todos eles, é verdade; mas eu vo-los ofereço unidos aos merecimentos de Jesus Cristo, às dores de Sua Mãe Santíssima e às virtudes heróicas de todas as Almas justas que até hoje têm vivido no Mundo. Compadecei-vos dos vivos e dos defuntos e concedei-nos a todos a graça de cantarmos um dia no Céu os triunfos da Vossa misericórdia. Ámen.

Meditar o dia da novena e depois fazer as orações finais.

Primeiro dia

Consideração: São muitas as penas que sofrem as benditas Almas do Purgatório; mas a maior de todas é o pensamento de que foram elas próprias a causa dos seus sofrimentos pelos pecados que cometeram em vida.

Oração:
Ó Jesus, Salvador meu! Eu, que tantas vezes tenho merecido o Inferno, que pena não experimentaria agora, se me visse condenado, ao pensar que eu próprio fora a causa da minha condenação? Dou-Vos infinitas graças pela paciência que tendes tido em me suportar.
Amo-vos, meu Deus, sobre todas as coisas, porque sois a Bondade Infinita; arrependo-me de todo o meu coração de vos ter ofendido e antes quero morrer, do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da perseverança; tende piedade de mim e das benditas Almas que sofrem no ardente fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com as vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formar a generosa resolução de rezar todos os dias da novena em sufrágio das benditas Almas.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Segundo dia

Consideração: A pena que em segundo lugar atormenta excessivamente as benditas Almas é a recordação do tempo que perderam durante a sua vida, durante o qual teriam podido adquirir maiores méritos para o Céu; e a lembrança de que esta perda é para sempre irreparável, pois que com a vida termina o tempo de merecer.

Oração:
Infeliz de mim, Senhor! Que, por espaço de tanto anos, tenho vivido sobre a Terra, durante os quais só tenho merecido os castigos do Inferno.
Dou-vos infinitas graças por me concederdes ainda tempo para remediar o mal que tenho feito. Arrependo-me, meu Deus, de vos ter ofendido, a Vós que sois infinitamente bom. Auxiliai-me para que, daqui até ao fim da minha vida, empregue todos os momentos unicamente em servir-vos e amar-vos. Tende piedade de mim e dessas Almas benditas que sofrem no Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com as vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Assistir pela manhã, e sempre que se possa, ao Santo Sacrifício da Missa, em sufrágio das Almas do Purgatório.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Terceiro dia

Consideração: Outra pena das maiores, que afligem as benditas Almas do Purgatório, é a consideração dos pecados que estão expiados. Na vida presente não se conhece bem a fealdade dos pecados, mas compreende-se claramente na outra, e esta é uma das mais vivas dores que sofrem as Almas no Purgatório.

Oração:
Ó meu Deus! Amo-vos sobre todas as coisas porque sois a Bondade Infinita; pesa-me de todo o meu coração de vos ter ofendido; antes quero morrer que tornar a ofender-vos; concedei-me a graça da santa perseverança; tende piedade de mim e das Almas santas que estão ainda a purificar-se naquele fogo abrasador.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas, e rogai também por nós, que estamos ainda em perigo de nos condenarmos. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Pela manhã procuraremos sofrer com paciência os trabalhos que Deus nos enviar e as ofensas do nosso próximo, em sufrágio das benditas Almas.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Quarto dia

Consideração: Uma outra pena que muito aflige no Purgatório as Almas, esposas de Jesus Cristo, é o pensamento de que, durante a vida, desgostaram com suas culpas aquele Deus a quem tanto amam. Têm-se visto penitentes morrer de dor, ao meditar que ofenderam um Deus tão bom. Muito melhor que nós, conhecem as Almas do Purgatório quão amável é Deus, e por conseguinte amam-No com todas as forças do seu coração, e, ao meditar que o desgostaram nesta vida, experimentam uma dor superior a qualquer outra.

Oração:
Ó meu Deus! Porque sois a infinita bondade, arrependo-me de todo o meu coração de vos ter ofendido, antes quero morrer do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança; tende piedade de mim e daquelas santas Almas que sofrem ainda no fogo do Purgatório e que vos amam de todo o seu coração.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Ave-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formemos o propósito de beijar pela manhã três vezes a terra, em sufrágio das benditas Almas, e em satisfação das palavras altivas que dissermos; e, se quisermos humilhar-nos mais, poderemos fazer com a língua uma pequena Cruz no chão.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Quinto dia

Consideração: Outra pena que tortura horrivelmente as benditas Almas do Purgatório é o terem de sofrer os ardores de um fogo abrasador sem saber quando terão fim os seus tormentos. É verdade que têm certeza de ver-se um dia livres deles; mas é um tormento gravíssimo para elas a incerteza do tempo em que hão de acabar.

Oração:
Ó Senhor! Que grande desgraça seria a minha, se me tivésseis precipitado no Inferno, nesse lugar de tormentos donde com certeza nunca mais tornaria a sair! Amo-vos sobre todas as coisas, Bondade Infinita, e arrependo-me de vos ter ofendido; antes quero morrer que tornar a ofender-vos.
Concedei-me a graça por intermédio das santas Almas que estão ainda a acabar de purificar-se no fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Não comer nada fora das horas costumadas, ou fazer alguma mortificação corporal em sufrágio das Almas do Purgatório.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Sexto dia

Consideração: Quanto maior é a consolação que as benditas Almas do Purgatório sentem, proporcionada pela recordação da Paixão de Jesus Cristo, por cujos méritos se salvaram, e do Santíssimo Sacramento do Altar, que tantas graças lhes dispensou e dispensa ainda, por meio de Missas e comunhões por elas aplicadas, tanto mais as atormenta o pensamento de não terem correspondido durante a vida a estes dois grandes benefícios do amor de Jesus Cristo.

Oração:
Ó meu Senhor Jesus Cristo! Vós morrestes também por mim e tendes vos dado muitas vezes a mim na Sagrada Comunhão; e eu sempre vos tenho correspondido com negra ingratidão; mas agora amo-vos sobre todas as coisas meu sumo Bem. Arrependo-me de todo o coração de vos ter ofendido e prefiro antes a morte que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança e tende piedade de mim e das Almas que ainda sofrem no Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Aplicar em sufrágio das Almas do Purgatório uma indulgência parcial que se pode lucrar por cada vez que se disser devotamente: “Jesus, Maria e José, eu vos dou meu coração e minha alma”.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Sétimo dia

Consideração: Aumenta também o sofrimento das benditas Almas do Purgatório a lembrança dos benefícios particulares que receberam de Deus, como o ter nascido em país católico, ter recebido o Batismo e haver Deus esperado que fizessem penitência de seus pecados para conseguirem o perdão dos mesmos; porque todos estes favores lhes fazem conhecer agora melhor a ingratidão com que corresponderam a Deus.

Oração:
Ó meu Deus! Quem tem sido, mais ingrato do que eu? Vós tendes me esperado com tanta paciência, tendes-me tantas vezes e com tanto amor perdoado os meus crimes, e eu, depois de tantas promessas, tenho voltado a ofender-vos novamente. Oh! Não me precipiteis no Inferno. Ó Bondade Infinita! Arrependo-me sinceramente de vos ter ofendido e antes quero morrer, do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança e compadecei-vos de mim e das Almas que gemem ainda no fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Dar uma esmola em sufrágio das Almas do Purgatório.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Oitavo dia

Consideração: Outra pena que muito tortura as benditas Almas do Purgatório, é o pensamento de que, durante a sua vida, Deus usou para com elas de muitas misericórdias especiais que não dispensou a muitas outras; e a lembrança também de que com os seus pecados O obrigaram muitas vezes a retirar-lhes a sua amizade e a condená-las ao Inferno, posto que depois lhes haja concedido o perdão e a graça da salvação.

Oração:
Senhor, eu sou um desses ingratos que, depois de ter recebido de Vós tantas graças, tenho desprezado o vosso amor e vos obriguei a condenar-me ao Inferno. Mas agora, ó Bondade Infinita, prometo que vos amarei sempre sobre todas as coisas; arrependo-me, de toda a minha Alma, de vos ter ofendido e antes quero morrer, que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança, e tende piedade de mim e das Almas do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Ave-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: O maior sufrágio que de nós reclama as benditas Almas, e o mais importante para nós e agradável a Deus, é fazermos por elas uma boa confissão, não calando pecado algum, e com verdadeira dor e arrependimento.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Nono dia

Consideração: São grandes todas as penas que sofrem as Almas no Purgatório; o fogo, o tédio, a escuridão, a incerteza do tempo em que hão de ver-se livres de todos estes tormentos; mas a maior de todas é o verem-se separadas do seu divino Esposo e privadas dos prazeres da sua companhia.

Oração:
Ó meu Deus! Como tenho eu podido viver tantos anos longe de Vós e privado de vossa graça? Ó Bondade Infinita, amo-vos sobre todas as coisas; arrependo-me, de todo o meu coração, de vos ter ofendido e antes quero morrer do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança, e não permitais que torne a cair outra vez no vosso desagrado. Peço-vos que tenhais compaixão das santas Almas do Purgatório, as alivieis nos seus tormentos e abrevieis o tempo do seu desterro, admitindo-as o mais depressa possível à graça de vos amarem para sempre no Céu.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas, e rogai também por nós, que estamos ainda em perigo de nos condenarmos. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formemos uma firme resolução de oferecer todas as nossas obras satisfatórias em sufrágio das necessitadas Almas do Purgatório.

Orações finais

Encomendamos agora a Jesus Cristo e à sua Santíssima Mãe todas as Almas do Purgatório e, em especial, as dos nossos parentes, benfeitores, amigos e inimigos e, sobretudo, as daqueles por quem temos obrigação de pedir. 

Súplicas a Nosso Senhor Jesus Cristo, para que, pelas dores da sua Paixão, Se compadeça das Almas do Purgatório:

Ó dulcíssimo Jesus, pelo suor de sangue que derramastes no Horto de Getsémani, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa crudelíssima flagelação, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa coroação de espinhos, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes levando a Cruz, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pela imensa dor que sofrestes ao separar-se a Vossa Alma do Vosso sacratíssimo Corpo, tende piedade das Almas do Purgatório.

Encomendemo-nos a todas as Almas do Purgatório, dizendo:

Ó Almas benditas, já que pedimos a Deus por vós, que tão amadas sois do Senhor, e tendes a certeza de nunca mais O perder, pedi-lhe por nós também, que estamos ainda em perigo de condenar-nos e perder a Deus para sempre. Ámen.

V. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.
R. Entre os esplendores da luz perpétua.
V. Descansem em paz.
R. Ámen.
V. Senhor, ouvi a minha súplica.
R. E eleve-se até Vós o meu clamor.

Oremos
Ó Deus, Criador e Redentor de todos os homens, concedei às Almas de vossos servos e servas (e, em especial, à Alma de [nome]…) a remissão de todos os seus pecados, a fim de que, por nossas humildes súplicas, obtenham da Vossa misericórdia o perdão que sempre desejaram. Vós, que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Ámen.


Oração às benditas Almas, livres do Purgatório pelos nossos sufrágios (Para o último dia da novena)

Ó felizes e bem-aventuradas Almas, que tivestes a graça de entrar na pátria celestial! Felicitamo-vos com toda a efusão do nosso coração e em nome de toda a Igreja vos damos mil felicitações. Alegramo-nos convosco; unimos nossa alegria à dos Santos e Bem-aventurados; juntamos nossos louvores aos que vós rendeis ao Criador por tão imenso favor. Sim, Almas ditosas, regozijai-vos. 

Já não há para vós tristezas nem angústias; acabaram-se já os perigos e as tentações. Agora tendes a paz, a felicidade, a alegria, o gozo, a consolação e o eterno descanso dos bem-aventurados. Que glória pra vós se com os nossos sufrágios antecipamos a vossa eterna felicidade! Triunfai, pois, reinai e gozai do Céu, mas não esqueçais de nós, que ainda combatemos sobre a Terra; olhai-nos com compaixão, porque estamos rodeados de numerosos e terríveis inimigos. 

Já que sois tão poderosas perante Deus, rogai pelos vossos devotos, para que sejamos fiéis e constantes no serviço de Deus e possamos também louvá-Lo e bendizê-Lo um dia convosco eternamente na glória celeste. Ámen.

Santo Afonso Maria de Ligório


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A feliz morte de São Martinho de Tours

São Martinho, convertido de pagão a cristão, foi Bispo de Tours (França). Lemos aqui a sua gloriosa entrada no Céu.

Martinho soube com muita antecedência o dia da sua morte e comunicou aos seus irmãos que a separação do seu corpo estava iminente. Entretanto, viu-se obrigado a visitar a diocese de Candes. Tinham surgido, com efeito, desavenças entre os clérigos desta igreja e Martinho desejava restaurar a paz. Apesar de não ignorar o fim próximo dos seus dias, não recusou partir perante motivo desta natureza, por considerar como bom termo da sua actividade deixar a paz restabelecida nessa igreja. Permaneceu algum tempo nessa povoação ou comunidade para onde se dirigia. 

Depois de feita a paz entre os clérigos, pensou em regressar ao mosteiro. Mas de repente sentiu que lhe faltavam as forças do corpo. Reuniu os irmãos e participou-lhes que ia morrer. Então começou o pranto, a consternação e o lamento unânime de todos: «Pai, porque nos abandonas? A quem nos confias na nossa orfandade? Lobos ferozes assaltam o teu rebanho; quem nos defenderá das suas mordeduras, se nos falta o pastor? Sabemos sem dúvida que suspiras por Cristo, mas a tua recompensa está assegurada e não será diminuída se for adiada. Antes de mais, compadece te de nós, que nos deixas abandonados».

Então, comovido por estes lamentos e transbordando da terna compaixão que sempre sentia no Senhor, diz se que Martinho se associou ao seu pranto e, voltando se para o Senhor, assim falou diante daqueles que choravam: «Senhor, se ainda sou necessário ao vosso povo, não me recuso a trabalhar; seja feita a vossa vontade».

Oh homem extraordinário, que não fora vencido pelo trabalho nem o haveria de ser pela morte e que, igualmente disposto a uma ou outra coisa, nem teve medo de morrer nem se furtou a viver! Entretanto, com as mãos e os olhos sempre elevados para o céu, o seu espírito invencível não abandonava a oração. 

Quando os presbíteros, que se tinham reunido à sua volta, lhe pediram para aliviar o seu pobre corpo mudando de posição, disse: «Deixai-me, irmãos, deixai-me olhar antes para o Céu do que para a terra, para que a minha alma, ao iniciar a sua marcha para Deus, siga bem o seu caminho». Ao dizer isto, reparou que o diabo se encontrava perto. «Porque estás aqui, disse, besta sanguinária? Nada encontrarás em mim, maldito; o seio de Abraão me recebe».

Depois de pronunciar estas palavras, entregou o seu espírito ao Céu. Martinho, cheio de alegria, foi acolhido no seio de Abraão. Martinho, pobre e humilde, entrou rico no Céu. 

in Cartas de Sulpício Severo (séc.V)


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domingo, 10 de novembro de 2019

Amas a Deus? Vê se passas este teste

Amar a Deus de todo o coração é nada amar tanto como Deus, nada amar senão com os olhos em Deus por Deus; é estar habitualmente disposto a fazer e tudo sofrer para agradar a Deus; é não ter no coração inclinação senão para o que conduz a Deus, aversão senão pelo que desvia de Deus.

Amar a Deus com toda a alma é estar pronto a dar a vida por Deus, a tudo perder antes que perder a graça de Deus; é desterrar da alma todas as impressões que possam desagradar a Deus ou impedir a união íntima com Ele.

Amar a Deus com todas as forças é não nos pouparmos a trabalhos nem sofrimentos para buscar a glória de Deus; é consagrar-lhe o nosso tempo, os nossos talentos o nosso corpo, a nossa saúde, o nosso repouso, toda energia da nossa alma e todo o vigor do nosso corpo.

Amar a Deus com todo o nosso espírito é aplicarmo-nos constantemente a conhecer cada vez melhor as infinitas perfeições de Deus, a vontade e o beneplácito de Deus; é não estudar as ciências profanas senão para nos tornarmos mais úteis ao serviço de Deus.

Vejamos, segundo estes dados, qual o grau de ama que já atingimos.

Pe. Bruno Vercruysse, S.J. in 'Meditações práticas para todos os dias do ano'


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sábado, 9 de novembro de 2019

Basílica de São João de Latrão: Mãe e Cabeça de todas as Igrejas

9 de Novembro: dia da Dedicação da Basílica de São João de Latrão.

Basílica oficial do Papa. A Catedral de Roma.

 
Sacra Igreja Lateranense, Igreja Mãe e Cabeça de todas as Igrejas da cidade e do mundo.


O topo do altar principal tem as cabeças de S. Pedro e S. Paulo, de acordo com a tradição.
Restituiu e instaurou a forma antiga para o esplendor do culto

Ex cathedra.
A Cátedra do Santo Padre.
É aqui que todos os dogmas são proclamados para toda a Igreja. 

Largo à frente dos palácios lateranenses, do Papa, anexos à Igreja.
Pela vitória da Cruz, Constantino, baptizado aqui por Silvestre, propagou a glória da Cruz.
Após a conversão do Império Romano, Constantino ofereceu os palácios lateranenses ao Papa Silvestre I, que o baptizou.


O primeiro Papa do século XX.
Túmulo do Papa Leão XIII. 


Túmulo do Senhor Cardeal António de Portugal (+ 1447),
o Cardeal português sepultado na Basílica do Papa.


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Fraternidade São Pedro destaca aumento de seminaristas portugueses

Chegou em 2017 o nosso primeiro seminarista português, que está agora no 3º ano do seminário. No ano passado juntaram-se quatro compatriotas, que receberam a batina no passado dia 19 de Outubro. Com a entrada de mais 4 jovens portugueses (este ano), a nossa "secção lusófona" progrediu de maneira espectacular!

Vemos nesta fotografia os 9 seminaristas portugueses acompanhados pelo Padre Fernando António, que já começou a incorporação na Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, servindo no nosso apostolado em Pau (França).

Juntos, eles formam o nosso "pequeno exército de Nossa Senhora de Fátima", que confiamos à Rainha do Clero e às vossas orações.

"Em Portugal se conservará sempre o Dogma da Fé" (Nossa Senhora de Fátima, 13 de Julho de 1917)


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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

4 cristãos recusaram esculpir estátuas pagãs e foram martirizados

Hoje a Igreja comemora os Quatro Santos Coroados (Santi Quattro Coronati): Castório, Cláudio, Nicóstrato e Sinfrónio. Estes eram quatro irmãos, escultores em Sirmium (hoje na Sérvia). O seu trabalho era notável e ganhou fama em todo o Império Romano. De tal maneira que o próprio Imperador, Dioclesiano, encomendou-lhe uma obra. Deveriam esculpir uma estátua do deus da Medicina, Esculápio (Aesculapius).

Os afamados escultores, sendo cristãos, recusaram-se a produzir uma estátua de um deus pagão. Tendo sido irredutíveis nesta recusa mostraram-se disponíveis para a pagar com a vida. E por isso foram martirizados na província romana da Panónia, por se terem recusado a colaborar na idolatria, pecado contra o Primeiro Mandamento da Lei de Deus.

Foram considerados mártires, dignos de veneração e coroados com todo o género de honras por parte da Igreja. Têm uma Basílica com o seu nome em Roma, no Monte Célio, entre o Coliseu e a Basílica de São João de Latrão.

Que grande diferença para os nossos dias, nos quais estátuas de deuses pagãos - estátuas como a da 'Pachamama' - recebem veneração e honras em várias igrejas de Roma, e até no Vaticano, durante o Sínodo da Amazónia. Outrora os cristãos preferiam ser mortos a esculpir uma estátua de um ídolo, hoje são os próprios membros da hierarquia da Igreja que as levam para dentro das igrejas, promovendo a idolatria, um grave pecado contra a mais importante das Leis Divinas.

É urgente organizar actos de desagravo pelas graves ofensas que foram feitos contra Nosso Senhor, especialmente nas últimas semanas em Roma.

João Silveira 


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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

D. Athanasius Schneider escreve oração de reparação por idolatria durante Sínodo da Amazónia


Oração de reparação pelos actos idolátricos praticados por ocasião do recente Sínodo para a Amazónia

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, recebei do nosso coração contrito, pelas mãos da Imaculada Mãe de Deus, a sempre-Virgem Maria, este sincero ato de reparação pelos actos de veneração de ídolos e símbolos de madeira que ocorreram em Roma, Cidade Eterna e coração do mundo católico. Derramai o Vosso Espírito no coração do nosso Santo Padre, o Papa Francisco, dos Cardeais, dos Bispos, dos sacerdotes e dos fiéis leigos; possa Ele expulsar as trevas das mentes, para que assim reconheçam a impiedade de tais actos, que ofenderam a Vossa divina majestade, e Vos ofereçam enfim actos públicos e privados de reparação.

Derramai em todos os membros da Igreja a luz da plenitude e da beleza da fé católica. Acendei neles o ardente zelo de levar a fé de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, único Salvador, a todos os homens, especialmente às pessoas da região amazónica que ainda são escravizadas pelo serviço a fracas e perecíveis coisas materiais, como o são os surdos e mudos símbolos e ídolos da “mãe terra”. Acendei a luz da fé naquelas pessoas, sobretudo nas pessoas das tribos da Amazónia, que ainda não têm a liberdade dos filhos de Deus e que não têm a felicidade indescritível de conhecer Jesus Cristo e participar por Ele na vida da Vossa natureza Divina.

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, Vós sois o único verdadeiro Deus, e além de Vós não há outro deus ou salvação, tende piedade da Vossa Igreja. Olhai especialmente para as lágrimas e os suspiros contritos e humildes dos pequeninos na Igreja. Olhai para as lágrimas e súplicas das crianças, dos jovens, dos pais e mães de família, e ainda as dos verdadeiros heróis cristãos, que movidos pelo zelo da Vossa glória e pelo amor da Santa Madre Igreja, arrojaram na água os símbolos da abominação que a poluíam. Tende piedade Poupai-nos, Senhor, parce Domine, parce Domine! Tende piedade de nós: Kyrie eleison! Amém.


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Oração para ser rezada todos os dias de Novembro pelas Almas do Purgatório

Novembro é o mês das Almas 

Ó Pai de misericórdia, Deus de infinita bondade, humildemente vos rogamos tenhais piedade das almas santas que estão penando no purgatório, especialmente das dos nossos parentes e benfeitores. Lançai um olhar propício sobre elas e chamai-as para a posse da pátria celestial. Lembrai-vos que elas são obras de vossas mãos e o preço do sangue preciosíssimo de vosso divino Filho Jesus.

Dignai-vos, pois, usar para com elas a vossa infinita misericórdia. Ouvi, Senhor, o pedido que vos fazemos com toda confiança, em vista dos merecimentos da paixão e morte de Jesus, e fazei que elas fiquem consoladas, indo gozar sem demora aquela glória imortal que tendes preparado para os vossos eleitos.

V. Misericordioso Senhor.
R. Tende piedade das benditas almas do purgatório.
V. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.
R. E entre os resplendores da luz perpétua fazei que descansem em paz. Ámen.


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Oração Mental

"Não é outra coisa a oração mental senão relacionar-se em amizade, estando muitas vezes e a sós com Quem sabemos que nos ama."

Santa Teresa d'Ávila in Livro da Vida 8, 5


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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Quem foi São Nuno de Santa Maria?

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. 

Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria —a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.

As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.

O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009. 

in vatican.va


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terça-feira, 5 de novembro de 2019

A visão do Inferno - Santa Francisca Romana



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O poder imenso da vida contemplativa

Dez mil hereges, no dizer de uma revelação respeitável, foram convertidos por uma só oração inflamada da seráfica santa Teresa, cuja alma ardendo em amor de Cristo não podia compreender uma vida contemplativa, uma vida interior que se desinteressasse das solicitudes apaixonadas do Salvador pela redenção das almas. 

'Aceitaria o purgatório, diz ela, até ao juízo final, para livrar uma só dessas almas. E que me importaria a duração dos meus sofrimentos, se assim pudesse livrar uma só alma e sobretudo muitas para maior glória de Deus!' E, dirigindo-se às suas religiosas: 'Dirigi para este fim inteiramente apostólico, minhas filhas, vossas orações, vossas disciplinas, vossos jejuns, vossos desejos'.


Tal é, com efeito, a obra das Carmelitas, das Trapistas, das Clarissas. Vede-as seguir a marcha dos apóstolos, alimentá-los com a superabundância de suas orações e de suas penitências. Suas súplicas precipitam-se do alto, num espaço tão dilatado como a marcha da cruz e o brilho do Evangelho, sobre as almas, essas presas divinas! Ou antes, é seu amor oculto, mas activo, que excita por toda parte, no mundo dos pecadores, as vozes de misericórdia.

Ninguém conhece neste mundo o porquê dessas conversões longínquas de pagãos, da paciência heróica desses cristãos perseguidos, da alegria celeste desses missionários martirizados. Tudo isso está invisivelmente ligado à oração de alguma humilde freira. Com os dedos sobre o teclado dos perdões divinos e das luzes eternas, sua alma silenciosa e solitária preside à salvação das almas e às conquistas da Igreja.

Dom J. B. Chautard in 'A alma de todo apostolado' (Edit. Colecção, São Paulo, 1962, pp., 53-54)


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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Como receber Indulgências Plenárias na primeira semana de Novembro

Ao fiel que visitar um cemitério, e rezar pelos defuntos, concedem-se indulgências aplicáveis a si próprio ou a alma de alguém que já tenha morrido. A Indulgência será Plenária (apaga todas penas dos pecados veniais e penas temporais) a cada dia da semana de 1 a 8 de Novembro (só se pode receber uma indulgência por dia); nos outros dias do mês de Novembro será parcial (apaga uma parte das penas mas não totalmente).

Que devo fazer para receber essa Indulgência Plenária, de modo a poder aplicá-la ao perdão das minhas penas ou pelas almas do Purgatório?

Para conseguir a Indulgência Plenária é preciso ir ao cemitério, rezar devotamente pelos defuntos e cumprir estas 4 condições:

1) Confissão Sacramental – cada confissão vale para as indulgências obtidas até 15 dias antes e para as que serão obtidas até 15 dias depois de se ter confessado;
2) Comunhão Eucarística – é necessária uma comunhão para cada indulgência;
3) Oração pelas intenções do Papa – rezar para cada indulgência;
4) Exclusão de qualquer apego ao pecado, mesmo venial.

Tenho de me confessar, comungar e rezar pelo Papa no mesmo dia?

As 4 condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita (neste caso visitar o cemitério e rezar pelas almas dos mortos); mas a comunhão, a oração pelas intenções do Santo Padre e o desapego ao pecado têm que ser feitos nesse mesmo dia. 

Quais as orações devo fazer pelas intenções do Santo Padre?

A condição da oração nas intenções do Sumo Pontífice pode ser plenamente cumprida rezando um Pai-Nosso e Avé-Maria; mas é facultado a todos os fiéis que recitarem qualquer outra oração conforme a sua piedade e devoção para com o Pontífice Romano.

É muito importante sublinhar que, para lucrar qualquer indulgência plenária, é imprescindível que não tenhamos nenhum apego ao pecado, mesmo pecados veniais. Portanto, qualquer pessoa que se continue a cometer pecados com certa frequência, como vícios e outro tipo de pecados que se repetem, mesmo que sejam veniais, sem nem sequer lutar para se afastar deles, não conseguirá lucrar uma indulgência plenária, apenas parcial.

Não fui ao cemitério, nem rezei pelos defuntos, ou pelas intenções do Papa, nem me confessei e não comunguei no Dia de Finados. E agora, posso ainda conseguir as indulgências para as almas do Purgatório?

Sim. Para aqueles que não foram ao cemitério no Dia de Finados, não se confessaram, não comungaram e/ou não rezaram pelo Papa ainda o poderão fazer em qualquer do dia (ou dias) até ao dia 8 de Novembro, e assim observarem todas as condições de modo a obterem a indulgência plenária.

adaptado de comosercristacatolica.blogspot.com


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Oração de São Carlos Borromeu ao Anjo da Guarda

Meu bom Anjo da Guarda, não sei quando e de que modo irei morrer. É possível que eu seja levado de repente ou que, antes do meu último suspiro, eu me veja privado das minhas capacidades mentais. E há tantas coisas que eu quereria dizer a Deus, no limiar da Eternidade...

Por isso hoje, com a plena liberdade da minha vontade, venho pedir, Anjo da minha guarda, que faleis por mim nesse temível momento. Direis, então, ao Senhor:

- Que quero morrer na Santa Igreja Católica, Apostólica Romana, no seio da qual morreram todos os santos, depois de Jesus Cristo, e fora da qual não há salvação;

- Que peço a graça de participar nos méritos infinitos do meu Redentor e que desejo morrer pousando os meus lábios na Cruz que foi banhada com o Seu Sangue;

- Que aborreço e detesto os meus pecados que ofenderam a Jesus e que, por amor a Ele, perdoo os meus inimigos, como eu próprio desejo ser perdoado; 

- Que aceito a minha morte como sendo da vontade de Deus e que, com toda a confiança, me entrego ao Seu amável e Sacratíssimo Coração, esperando em toda a sua misericórdia; 

- Que, no meu inexprimível desejo de ir para o Céu, me disponho a sofrer tudo quanto a Sua soberana Justiça haja por bem infligir-me. 

Não recuseis, ó Santo Anjo da minha guarda, ser o meu intérprete junto de Deus e expor diante d'Ele que estes são os meus sentimentos e a minha vontade. Ámen.


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domingo, 3 de novembro de 2019

Tomás responde: A mentira é sempre pecado?

Parece que nem toda mentira é pecado:

1. Com efeito, é evidente que os evangelistas não pecaram ao escrever o Evangelho. Ora, eles parecem ter dito algo falso, porque as palavras de Cristo, e até mesmo de outros personagens, são registradas de maneira diferente por eles. E daí se pode concluir que um deles há de ter dito uma coisa falsa. Logo, nem toda mentira é pecado.

2. Além disso, ninguém é recompensado por Deus pelo pecado. Ora, as parteiras do Egipto foram recompensadas por Deus, por terem mentido, pois a escritura diz que Deus lhes concedeu uma posteridade. Logo, a mentira nem sempre é pecado.

3. Ademais, a Sagrada Escritura narra os feitos dos santos para a edificação da vida humana. Ora, de alguns grandes santos se diz que mentiram. No Génesis se lê que Abraão disse que sua esposa era sua irmã. Jacob mentiu dizendo que era Esaú, e, apesar disso recebeu a bênção. E Judith, que mentiu para Holofernes, até hoje recebe louvor. Logo, nem toda mentira é pecado.

4. Ademais, às vezes convém escolher um mal menor para evitar um mal maior; é o caso do médico que se vê obrigado a cortar um membro para evitar a infecção do corpo inteiro. Ora, causa menor dano ao próximo quem lhe comunica uma informação falsa do que assassinar ou ser assassinado. Logo, pode ser lícito mentir para impedir alguém de cometer homicídio para preservar alguém da morte.

5. Ademais, quem não cumpre uma promessa, mente. Ora, nem todas as promessas devem ser cumpridas, pois Isidoro diz: se prometeste algo mau, rompe teu compromisso. Logo, nem toda mentira é pecado.

6. Ademais, a mentira é considerada pecado porque a pessoa engana o próximo; o que faz Agostinho dizer: “Quem imagina que pode haver um género de mentira sem pecado, está torpemente equivocado ao se estimar como honesto enganador dos outros”. Ora, nem toda mentira é causa de engodo porque a mentira jocosa não engana ninguém. Na realidade, ninguém conta estas mentiras para que sejam cridas, mas simplesmente para a diversão. E assim de vez em quando se encontram locuções hiperbólicas na Sagrada Escritura. Logo, nem toda mentira é pecado.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, o livro do Eclesiástico diz: Recusa-te a proferir qualquer mentira (7, 14).

tomas_respondo Aquilo que é mau por sua própria natureza não pode de maneira nenhuma ser bom ou lícito; porque, para algo ser bom, é preciso que todos os seus elementos o sejam. De onde a célebre sentença de Dionísio: o bem resulta da perfeição total da causa, enquanto que o mal resulta de qualquer defeito. Ora, a mentira é um mal por sua própria natureza porque é um acto cuja matéria

não é o que devia ser, pois como as palavras são sinais naturais do pensamento, é contra a natureza, e ilegítimo que se faça a palavra significar uma coisa que não se tem na mente. E é por isso que Aristóteles diz que “a mentira é por si própria uma depravação a ser evitada, enquanto que a verdade é boa e louvável”. Por conseguinte, toda mentira é pecado, como afirma também Agostinho.

Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. Não é permitido dizer que o Evangelho, ou qualquer outro livro canónico da Sagrada Escritura afirmam qualquer coisa de falso, ou que algum de seus autores tenha mentido, pois isto destruiria a certeza da fé que repousa sobre a autoridade dos Livros Sagrados. O fato de as palavras de certos personagens serem registradas de maneiras diversas no Evangelho, ou em outros livros, não constitui mentira. Como diz Agostinho: “Esta questão não deve de nenhuma maneira embaraçar aquele que julga com sabedoria que estes relatos são necessários para o conhecimento da verdade, quaisquer que sejam as expressões empregadas para os transmitir”. E ele acrescenta que “não temos o direito de taxar de mentira a ninguém se fatos que ficaram na lembrança de muitos que os viram ou deles tiveram notícia, nem sempre vêm registrados da mesma maneira ou nos mesmos termos”.

2. As parteiras não receberam a recompensa em razão da mentira delas, mas em razão do temor de Deus e da boa vontade que as levaram a mentir. É o que está dito expressamente no livro do Êxodo: “porque haviam demonstrado temor a Deus, Deus lhes concedeu uma posteridade”. Quanto à mentira que se seguiu, ela não foi meritório.

3. Deve-se dizer com Agostinho que a Sagrada Escritura refere certos feitos que são como que exemplos da perfeita virtude: e não se pode crer que os autores de tais feitos tenham sido mentirosos. E se nas palavras dos protagonistas destes feitos se descobrir alguma coisa que parece mentira, é preciso entender o que há nelas de profético e figurativo. e, em outra passagem Agostinho afirma que “esses homens que se revestiram de autoridade e desempenharam um papel considerável nos tempos proféticos, disseram e fizeram profeticamente tudo o que a Sagrada Escritura lhes atribui”. E Agostinho continua dizendo que, quando Abraão quis fazer passar Sara como sendo irmã dele, quis simplesmente ocultar a verdade, e não propriamente proferir uma mentira: disse que era sua irmã porque era filha do irmão dele. Por isso, o próprio Abraão declarou: “Ela é de fato minha irmã, porque é filha de meu pai, e não de minha mãe”. Ou seja: era sua irmã apenas por parte de pai. Por outra parte, quando Jacob declarou que era Esaú, o filho primogénito de Isaac, ele falou figurativamente, porque os direitos de primogenitura lhe pertenciam legitimamente. Ao fazer esta declaração ele foi inspirado pelo espírito profético, para exprimir o mistério: um povo posterior, a saber, os gentios, haveria de ocupar o lugar do primogénito, ou seja, dos judeus. A Sagrada Escritura faz o elogio de certas figuras não porque essas pessoas tenham sido modelos de perfeitas virtudes, mas por causa dos bons sentimentos que demonstraram possuir e que as levaram a cometer alguns actos indevidos. Neste sentido, Judith é reverenciada não por ter mentido a Holofernes, mas pelo desejo ardente de salvar seu povo que a levou a enfrentar graves perigos. E se pode dizer ainda que as palavras delas contêm uma verdade em sentido místico.

4. A mentira é pecado, por sua própria natureza, não apenas por causa do dano que causa ao próximo, mas ainda por causa da desordem que está contida nela, como foi dito. Não é permitido a ninguém recorrer a um meio desordenado e ilícito, para impedir um dano ou faltas dos outros; assim, por exemplo, não é permitido furtar para dar esmolas (salvo talvez em caso de extrema necessidade, em que todos os bens são comuns a todos). Por conseguinte, não é lícito proferir uma mentira para livrar alguém de algum perigo, qualquer que seja. Embora, como diz Agostinho, seja permitido ocultar a verdade com prudência, recorrendo a alguma dissimulação.

5. Quem promete alguma coisa com a intenção de cumprir o prometido, não mente, porque não fala contra aquilo que tem em sua mente. Se, no entanto, não cumprir o que prometeu, então estará agindo como infiel à promessa porquanto muda de projecto. Ainda assim ele pode ser desculpado, em dois casos, a saber: 1º se tiver prometido algo manifestamente ilícito; neste caso ele terá cometido um pecado ao fazer tal promessa mas age muito bem quando muda de propósito. 2º Se tiver havido uma mudança nas condições de pessoas ou de negócios. Como diz Séneca, para alguém ser obrigado a uma promessa é necessário que todas as circunstâncias permaneçam inalteradas; do contrário, quem fez a promessa não mentiu quando prometeu, porque prometeu o que tinha de fato em mente, subentendidas as condições devidas; e tampouco terá sido infiel ao não cumprir a promessa, pois não subsistem as mesmas condições. Desta forma Paulo não mentiu quando deixou de ir a Corinto, como havia prometido, porque sobrevieram obstáculos imprevistos.

6. Uma acção pode ser considerada tanto em si mesma quanto com referência a quem age. A mentira jocosa é, por sua própria natureza, feita para enganar, mas quem a profere não o faz com o intuito de enganar, e, pela maneira de dizer, não engana ninguém. Mas o mesmo não acontece com algumas locuções hiperbólicas ou figurativas que se encontram nas Sagradas Escrituras. Como diz Agostinho: “o que se diz em sentido figurado nunca é mentira. Toda enunciação se refere ao que é enunciado. Ora, tudo o que é feito ou dito no modo figurativo exprime o que realmente significa para aqueles que o devem entender”.

São Tomás de Aquino in Suma Teológica II-II, q.110, a.3


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