domingo, 9 de dezembro de 2018

O amor às pequenas coisas na sacristia

O amito é a primeira veste sagrada que o sacerdote coloca quando se prepara para celebrar a Santa Missa. Os cordéis do amito permitem que se façam formas quando se preparam os paramentos. O mais comum é fazer um "M" de Maria. Mas uma irmã das Marian Sisters of Santa Rosa é uma verdadeira artista do amito; e o capelão do convento, Fr. Jeffrey Keyes, já encontrou todo o tipo de formas quando se dirigiu à sacristia para se paramentar. De tal maneira que resolveu publicar estas fotografias no seu blog: Omnia Christus est Nobis.












blogger

sábado, 8 de dezembro de 2018

Tota Pulchra es Maria: um dos mais bonitos cânticos a Nossa Senhora



blogger

Papa Bento descreve na perfeição a beleza da Imaculada Conceição

Se reflectirmos sinceramente sobre nós mesmos e sobre a nossa história, devemos dizer que com esta narração se descreve não só a história do princípio, mas a história de todos os tempos, e que todos trazemos dentro de nós próprios uma gota do veneno daquele modo de pensar explicado nas imagens do Livro da Génesis. A esta gota de veneno, chamamos pecado original. 

Precisamente na festa da Imaculada Conceição manifesta-se em nós a suspeita de que uma pessoa que não peque de modo algum, no fundo, seja tediosa; que falte algo na sua vida: a dimensão dramática do ser autónomo; que faça parte do verdadeiro ser homem, a liberdade de dizer não, o descer às trevas do pecado e o desejar realizar sozinho; que somente então seja possível desfrutar até ao fim toda a vastidão e a profundidade do nosso ser homens, do ser verdadeiramente nós mesmos; que devemos pôr à prova esta liberdade também contra Deus, para nos tornarmos realmente nós próprios. 

Em síntese, pensamos que o mal no fundo seja bem, que dele temos necessidade, pelo menos um pouco, para experimentar a plenitude do ser. Julgamos que Mefistófeles o tentador tem razão, quando diz que é a força "que deseja sempre o mal e realiza sempre o bem" (J.W. v. Goethe, Fausto I, 3). Pensamos que pactuar com o mal, reservando para nós mesmos um pouco de liberdade contra Deus, em última análise, seja um bem, talvez até necessário.

Contudo, quando olhamos para o mundo à nossa volta, podemos ver que não é assim, ou seja, que o mal envenena sempre, que não eleva o homem mas o rebaixa e humilha, que não o enobrece, não o torna mais puro nem mais rico, mas o prejudica e faz com que se torne menor. É sobretudo isto que devemos aprender no dia da Imaculada: o homem que se abandona totalmente nas mãos de Deus não se torna um fantoche de Deus, uma maçadora pessoa consencientemente; ele não perde a sua liberdade. Somente o homem que confia totalmente em Deus encontra a verdadeira liberdade, a grande e criativa vastidão da liberdade do bem. 

O homem que recorre a Deus não se torna menor, mas maior, porque graças a Deus e juntamente com Ele se torna grande, divino, verdadeiramente ele mesmo. O homem que se coloca nas mãos de Deus não se afasta dos outros, retirando-se na sua salvação particular; pelo contrário, só então o seu coração desperta verdadeiramente e ele torna-se uma pessoa sensível e por isso benévola e aberta.

Quanto mais próximo de Deus o homem está, tanto mais próximo está dos homens. Vemo-lo em Maria. O facto de Ela estar totalmente junto de Deus é a razão pela qual se encontra também próxima dos homens. Por isso, pode ser a Mãe de toda a consolação e de toda a ajuda, uma Mãe à qual, em qualquer necessidade, todos podem dirigir-se na própria debilidade e no próprio pecado, porque Ela tudo compreende e para todos constitui a força aberta da bondade criativa. 

É nela que Deus imprime a sua própria imagem, a imagem daquela que vai à procura da ovelha perdida, até às montanhas e até ao meio dos espinhos e das sarças dos pecados deste mundo, deixando-se ferir pela coroa de espinhos destes pecados, para salvar a ovelha e para a reconduzir a casa. Como Mãe que se compadece, Maria é a figura antecipada e o retrato permanente do Filho. E assim vemos que também a imagem da Virgem das Dores, da Mãe que compartilha o sofrimento e o amor, é uma verdadeira imagem da Imaculada. Mediante o ser e o sentir juntamente com Deus, o seu coração alargou-se. 

Nela a bondade de Deus aproximou-se e aproxima-se muito de nós. Assim, Maria está diante de nós como sinal de consolação, de encorajamento e de esperança. Ela dirige-se a nós, dizendo: "Tem a coragem de ousar com Deus! Tenta! Não tenhas medo d'Ele! Tem a coragem de arriscar com a fé! Tem a coragem de arriscar com a bondade!

Tem a coragem de arriscar com o coração puro! Compromete-te com Deus, e então verás que precisamente assim a tua vida se há-de tornar ampla e iluminada, não tediosa, mas repleta de surpresas infinitas, porque a bondade infinita de Deus jamais se esgota!".

Neste dia de festa, queremos agradecer ao Senhor o grande sinal da sua bondade, que nos concedeu em Maria, sua Mãe e Mãe da Igreja. Queremos pedir-lhe que ponha Maria no nosso caminho, como luz que nos ajuda a tornar-nos também nós luz e a levar esta luz pelas noites da história. Amém!

Papa Bento XVI in 'Homilia da Santa Missa da Imaculada Conceição' (Vaticano, 8 de Dezembro de 2005)


blogger

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Documento da Santa Sé rejeita seminaristas "homossexuais"

A 'Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis', documento publicado pela Congregação para o Clero, visa legislar e ordenar o modo como é dirigida a preparação para o sacerdócio, nomeadamente nos seminários. O documento, que tem a aprovação do Papa Francisco, e é bastante explícito em relação à impossibilidade de ordenar sacerdote ou até manter no seminário alguém com atracção por pessoas do mesmo sexo.

As pessoas com tendências homossexuais

199. Em relação às pessoas com tendências homossexuais que se aproximam dos Seminários, ou que descobrem tal situação no decurso da formação, em coerência com o próprio Magistério, «a Igreja, embora respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e às Ordens Sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay. Estas pessoas encontram-se, de facto, numa situação que constitui um grave obstáculo a um correto relacionamento com homens e mulheres. De modo algum, se hão de descuidar as consequências negativas que podem derivar da Ordenação de pessoas com tendências homossexuais profundamente radicadas».

200. «[...] no caso de se tratar de tendências homossexuais que sejam apenas expressão de um problema transitório como, por exemplo, o de uma adolescência ainda não completada, elas devem estar claramente superadas, pelo menos três anos antes da Ordenação diaconal».

Além disso, deve recordar-se que, numa relação de diálogo sincero e de recíproca confiança, o seminarista é chamado a manifestar aos formadores – ao Bispo, ao Reitor, ao Director Espiritual e aos outros educadores – eventuais dúvidas ou dificuldades neste âmbito.

Em tal contexto, «se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas, o seu director espiritual, bem como o seu confessor, têm o dever, em consciência, de o dissuadir de prosseguir para a Ordenação». 

Em todo caso, «seria gravemente desonesto que um candidato ocultasse a própria homossexualidade para aceder, não obstante tudo, à Ordenação. Um procedimento tão inautêntico não corresponde ao espírito de verdade, de lealdade e de disponibilidade que deve caracterizar a personalidade daquele que se sente chamado a servir Cristo e a sua Igreja no ministério sacerdotal».


blogger

Igreja em saída




blogger

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Sondagem sobre a Missa Tradicional no Brasil mostra resultados surpreendentes

I – O país de D. António de Castro Mayer

A seguir ao Concílio Vaticano II, apenas um bispo residencial em todo o mundo recusou terminantemente os livros litúrgicos promulgados por Paulo VI: D. António de Castro Mayer, bispo de Campos, uma pequena diocese do Norte do Estado do Rio de Janeiro (houve pelo menos outro, Mons. Laise, consagrado em 1971 em San Luís, na Argentina, que deixou tal liberdade à Missa Tradicional, que, também aí, não se andava longe da rejeição dos novos livros). 

Esta recusa foi posta pelo “leão de Campos” não para si só, mas para toda a diocese. Por isso, até à sua resignação, em 1981, o missal de São Gregório Magno, de São Pio V e de São João XXIII permaneceu, efectiva e legalmente, como o missal a ser usado pelos sacerdotes e pelos fiéis da diocese. Da resistência de D. António de Castro Mayer – que, mais tarde, em 1988, viria a participar da consagração de quatro bispos desprovida de mandato pontifício, em Écône, junto a Mons. Lefebvre – nascerá depois a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, reconhecida por Roma em 2001, e cuja jurisdição se confina ao território da diocese de Campos.

O Brasil é também a terra de Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Partindo de uma oposição solidamente fundada à nova liturgia (*), desde a morte do seu fundador, a TFP conheceu diversas cisões das quais nasceram novas associações que, à imagem da associação Montfort, frequentemente conservaram a liturgia tridentina e constituem, hoje em dia, âmbitos leigos dedicados à sua preservação e transmissão.

No Brasil, pode também encontrar-se uma fundação do Baroux, o mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo: depois de se ter separado do Barroux, em 1988, o seu superior acabou depois por seguir Mons. Williamson, que o consagrou bispo em 2016.

De facto, pode dizer-se que há analogias entre o Brasil e a França sob muitos aspectos: tanto num país como no outro a amplitude dos desvios doutrinais, pastorais e litúrgicos deu lugar a múltiplos focos de resistência em defesa da ortodoxia doutrinal e da tradição litúrgica. A proximidade dos intelectuais brasileiros de antanho com a cultura francesa, especialmente os católicos, mas também o inverso – pensamos, por exemplo, num George Bernanos que, no Brasil, procurava aquele perfume de uma jovem terra cristã que já não revia numa França definhada –, vieram favorecer que se gerasse uma certa semelhança nos respectivos percursos. Assim, é seguramente à personalidade de Gustave Corçao (1896-1978), um dos mestres da escola católica conservadora e colaborador habitual da revista Itinéraires de Jean Madiran, que se ficou a dever a fundação do novo mosteiro por Dom Gérard, em Nova Friburgo.

Por tudo isso, levantar no Brasil a questão relativa à forma extraordinária pareceu-nos algo natural a seguir aos nossos inquéritos europeus.

II – Os resultados

Sondagem realizada pela empresa Conecta entre 2 e 14 de Junho de 2017, segundo a técnica dos painéis em linha, sobre uma amostra de 1032 católicos de entre 3259 internautas brasileiros. (1)

1: Assiste à Missa? 

Aos domingos e dias de festa: 33 %
Todos os meses: 20 %
Nas festas solenes: 9 %
Às vezes: 38 %

2: O Papa Bento XVI, há dez anos, lembrou que a missa podia ser celebrada tanto na forma moderna dita “ordinária” ou “de Paulo VI” – em português, com o sacerdote voltado para os fiéis e a comunhão a ser recebida de pé – como na forma antiga dita “extraordinária” ou “de João XXIII” – em latim, com o sacerdote voltado para o altar e a comunhão a ser recebida de joelhos. Sabia disso? 

Sim: 41 %
Não: 59 %

3: Acharia normal ou não normal que as duas formas litúrgicas – aquela moderna, dita “ordinária”, em português, e aquela tradicional, dita “extraordinária”, em latim e com gregoriano – fossem celebradas na SUA paróquia? 

Normal: 49 %
Não normal: 35 %
Não se pronunciam: 16 %

4: Se a Missa na forma extraordinária fosse celebrada na SUA paróquia, sem que substituísse a missa na forma ordinária, assistiria?

Todas as semanas: 27 %
Todos os meses: 22 %
Nas festas solenes: 13 %
Às vezes (casamentos, baptismos...): 29 %
Nunca: 9 %

(1) As pessoas inquiridas pertencem àquela parte da população brasileira que tem acesso à internet, o que corresponde a 62% da população.

III – Uma abertura extraordinária

Neste país que é o berço da teologia da libertação, onde o grau de ideologização do catolicismo é sem dúvida comparável ao do catolicismo alemão, seria de esperar uma oposição marcada à liturgia latina e gregoriana: nada disso! Como acontece sempre, a ideologização pertence mais às elites do que ao povo dos fiéis. Se 6 católicos brasileiros em cada 10 ainda não ouviram falar do motu proprio de Bento XVI, já 1 em cada 2 acha normal a coexistência das duas formas do rito romano na sua paróquia, e apenas 1 em cada 10 em caso algum pensa vir a assistir.

O pormenor dos resultados, por grupo etário, categoria social e região de origem, revela-se homogéneo, e entre 21% (da classe social A, isto é, a elite económica do país) e 31% (dos católicos compreendidos entre os 35 e os 54 anos) dos católicos dizem-se dispostos a fazer da forma extraordinária da missa a sua forma litúrgica semanal de preferência. No total, 49% do conjunto dos católicos assistiriam pelo menos uma vez por mês à forma extraordinária, se a mesma fosse celebrada na respectiva paróquia.

IV – Comentário na especialidade

1) 35 % de católicos ?

A sondagem indica 35% de católicos, apesar de o recenseamento de 2010 indicar a cifra de 64%. Como nos foi explicado pela encarregada de estudos do instituto de sondagens, a percentagem de católicos praticantes medida em linha é inferior à da população global em virtude da especificidade daqueles (sobretudo citadinos, mais instruídos, mais abastados). Uma tal cifra não deixa, porém, de ser um sinal de que a grande agressividade das seitas protestantes continua a arrebatar sempre mais fiéis ao catolicismo.

Em todo o caso, isso em nada estorva o nosso propósito, na medida em que a grande homogeneidade das respostas presente nos resultados específicos por grupo etário, região e classe social, permite inferir que o resultado de um inquérito “fora de linha” não teria divergido do que se obteve. 

2) Um catolicismo em busca do sagrado

O jornal francês La Croix eccrevia o seguinte, por ocasião das JMJ do Rio, em 2013: «Numerosos católicos vão à casa dos católicos para comer e à dos evangélicos para rezar.» Esta frase resume dramaticamente a falência do catolicismo no país da teologia da libertação e das comunidades eclesiais de base.

De acordo com os recenseamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil contava em 1970 com 92 % de católicos, 84 % em 1991, 74 % em 2000, e acima de 64 % em 2010. Tendo presente que os católicos no país eram 99 % em 1872, data do primeiro recenseamento nacional, isto significa que a proporção dos fiéis se manteve estável ao longo de um século, até começar a desabar depois de uma data que coincide precisamente com o advento da reforma litúrgica e dos erros pós-conciliares. No entanto, com mais de 270 dioceses e mais de 300 bispos, o Brasil ergue-se ainda como uma praça forte do catolicismo mundial.

O que a nossa sondagem ilustra é que o que resta do catolicismo neste país se mostra aberto ao enriquecimento litúrgico permitido e desejado por Bento XVI. Depois de os católicos mais socialistas se terem passado para o campo político e sindical, os mais emotivos apostataram numa ou noutra das numerosas seitas evangélicas que pululam pelo país e os mais superficiais mergulharam na indiferença relativista. Os que ainda subsistem continuam a procurar no seio da Igreja um modo de saciar as necessidades das suas almas. E como em todos os lados no mundo inteiro, esta demanda identitária passa por um regresso ao sagrado, ao silêncio, à adoração.

3) Os católicos brasileiros, como todos os demais católicos no mundo inteiro...

… são, pois, favoráveis a um alargamento do acesso à liturgia latina e gregoriana. A metade dos praticantes acharia normal que esta missa fosse celebrada na respectiva paróquia. E se isso viesse a acontecer, 27 % assistiria à missa tradicional todas as semanas, o que coloca o Brasil entre a Alemanha (25 % em 2010) e a Espanha (27,4 % em 2011). No Brasil, como em todos os lados no mundo inteiro, cinquenta anos após a reforma litúrgica, a grande procura da forma extraordinária marca o fracasso da nova liturgia.

(*) Vide Arnaldo Xavier da Silveira, Considerações sobre o Ordo Missæ de Paulo VI.

Carta 84 de 'Paix Liturgique'


blogger

Facebook censura imagem de Pai Natal ajoelhado diante do Menino Jesus

O Facebook decidiu censurar esta imagem do Pai Natal ajoelhado diante do Menino Jesus deitado na manjedoura. Segundo a rede social, trata-se de conteúdo violento ou explícito. No entanto, não é claro o que é que esta imagem tem de violento ou explícito, nada disso parece evidente. Além do mais, a imagem vinha acompanhada desta oração, que explica a cena: 

Meu querido precioso Jesus, eu não quis tomar o teu lugar,
Eu só trago brinquedos e coisas e tu trazes amor e graça.
As pessoas dão-me listas de desejos e esperam que eles se realizem;
Mas tu ouves as orações do coração e prometes a vontade de o fazer.
As crianças tentam ser boas e não chorar quando eu vou a caminho;
Mas tu amas incondicionalmente e esse amor será sempre abundante.
Deixo apenas um saco de brinquedos e alegria temporária durante uma época;
Mas tu deixas um coração de amor, cheio de sentido e razões.
Eu tenho muitos que acreditam em mim e o que se pode chamar fama;
Mas eu nunca curei o cego ou tentei ajudar o coxo.
Tenho bochechas rosadas e uma voz cheia de riso;
Mas nenhum cravo, mãos com cicatrizes ou uma promessa do há-de vir.
Podes encontrar vários como eu na cidade ou no centro comercial;
Mas há apenas um único Omnipotente para responder à chamada de um pecador.
E assim, meu querido precioso Jesus, ajoelho-me aqui para orar;
Para adorar e adorar-Te neste teu santo aniversário.


blogger

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

“Em nome de Deus, eu não tirarei as minhas roupas” - A história de uma mártir dos nossos dias

No passado dia 19 de Novembro, a meio da tarde, tudo parecia calmo na filial da Manchester Road do principal fornecedor de artigos religiosos de St. Louis, a Catholic Supply. Um homem corpulento de meia-idade entrou e reparou que estavam apenas três pessoas na loja - todas mulheres. Duas eram funcionárias, uma na casa dos cinquenta, e outra na casa dos vinte anos, e a terceira era uma cliente que acabara de entrar. 

Depois de trocar algumas palavras com uma funcionária, o homem disse que iria ao carro para buscar um cartão de crédito e de voltaria para fazer uma compra. Mas quando voltou, não tinha nas mãos um cartão mas um revólver. Em seguida, levou as três mulheres aterrorizadas para um canto isolado da loja, e insistiu que elas se submetessem a actos de abuso sexual.

Duas das mulheres obedeceram e submeteram-se ao criminoso armado. Depois disso ele chegou até à sua terceira vítima, que, de acordo com amigos, provavelmente teria ido comprar alguns materiais para o seu apostolado do Rosário. Era Jamie Schmidt, 53 anos, uma mãe de três filhos que trabalhava como assistente de secretariado no St. Louis Community College, e ajudava na sua igreja paroquial, Santo António. Não havia nada de extraordinário em relação àquela essa senhora. Mas ela fez algo muito extraordinário. 

Tendo acabado de ser forçada a testemunhar com horror o assalto sexual às duas mulheres ao seu lado, a Sra. Schmidt foi obrigada a submeter-se a abusos semelhantes. Mas a Sra. Schmidt - chocada, indefesa e com o cano de uma arma apontada para a cabeça - disse apenas: não.

Encarando a morte de frente, Jamie recusou-se a permitir que a sua pureza, a sua dignidade pessoal e o seu casamento fossem ultrajados. Ela olhou-o directamente nos olhos e disse: “Em nome de Deus, eu não tirarei minhas roupas.” Enfurecido por esta inesperada rejeição às suas exigências, o agressor respondeu com um tiro à queima-roupa na cabeça de da vítima.  

Uma das sobreviventes, que deu este testemunho, acrescentou que, quando Jamie ficou gravemente ferida, ouviu-a sussurrando as palavras do Pai Nosso. A corajosa mãe de família foi declarada morta umas horas depois.

adaptado de Life Site News


blogger

Terço e Reparação ao Imaculado Coração de Maria

Qual é a importância de rezar o Terço com a intenção de fazer Reparação ao Imaculado Coração de Maria?

A primeira vez que a palavra Reparação foi mencionada na Mensagem de Fátima, foi pelo Anjo de Portugal, aos Três Pastorinhos, na sua 2ª aparição, no Verão de 1916. Então, o Anjo de Portugal dá a entender que a Paz em Portugal depende dos nossos sacrifícios oferecidos em acto de Reparação pelos pecados com que Deus é ofendido e de súplica pela conversação dos pecadores. Na sua primeira Aparição aos Pastorinhos, na Primavera de 1916, este Anjo chamara-se a si próprio o Anjo da Paz.

Mas hoje nós ainda precisamos de Paz?

Santo Agostinho define a Paz como a ‘tranquilidade na ordem’. E tranquilidade é o que mais falta nos nossos dias... vive-se num contínuo alvoroço, numa constante correria, sem tranquilidade nenhuma sobre o nosso presente e o nosso futuro e os dos nossos filhos, em muitos âmbitos da vida...

O Anjo de Portugal e da Paz insiste na sua 3ª aparição, em fins de Setembro de 1916:
“Santíssima Trindade, (...), ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido (…).”

E continua mais à frente:
- “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.”

Maravilhoso o fato de Deus querer precisar de cada um de nós para O consolar, fazendo Reparação pelos pecados, indiferenças e crimes cometidos contra Ele pelos homens, incluindo por nós próprios, com certeza. Grande mistério! Deus que não precisa de nada, vem mendigar por Amor o nosso amor reparador! Agradeçamos por Ele querer incluir-nos no Seu plano salvador da humanidade!
E querer ser consolado por nós, fazendo desse o meio de o Seu Santíssimo Coração ficar ’reparado’ das ‘feridas’ que os espinhos dos pecados Lhe cravam. 

Quando Deus quis enviar no ano seguinte, 1917, a Sua Santíssima Mãe à Cova da Iria, transferiu o pedido de Reparação para o Coração de Maria. A Lúcia descreve o que se passou no final da aparição de 13 de Junho: “À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.”

Em 1917, Deus põe frases muito fortes na boca de Nossa Senhora, que nos mostram que Deus quer ser agora amado e consolado, através do amor e consolação que expressarmos ao Coração de Sua Mãe Querida, Fiel, Imaculada.

Em 13 de Junho, Nossa Senhora diz à Lúcia: “Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.”

Como não querer ser uma dessas flores postas por Nossa Senhora a adornar o trono de Deus?!

Por isso, abraçamos com todo o Amor a devoção que Jesus nos pede ao Coração de Maria, concretizada em dois dos pedidos mais insistentes e fortes da Mensagem: a oração do terço diário e a reparação ao Imaculado Coração de Maria.

Assim, vale a pena agarrar com todas as forças esta iniciativa do Terço Reparador por Portugal. E rezá-lo unidos ao Anjo da nossa Pátria, que é o Anjo da Paz...

Terço Reparador por Portugalhttps://tporportugal.wixsite.com/website


blogger

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

São Francisco Xavier explica os riscos e recompensas de ser missionário

Relicário com o braço direito de São Francisco Xavier - Chiesa del Gesù (Roma)
Este país é muito perigoso, porque os seus habitantes, cheios de perfídia, misturam muitas vezes veneno na comida e na bebida. É por isso que não há ninguém disposto a ir para lá cuidar dos cristãos. Mas estes têm necessidade de ensinamentos espirituais e de alguém que os baptize para lhes salvar a alma; é por isso que eu sinto a obrigação de perder a minha vida corporal para ir socorrer a vida espiritual do próximo. 

Coloco a minha esperança e a minha confiança em Deus Nosso Senhor, com o desejo de me conformar, segundo os meus pobres meios, à palavra de Cristo, nosso Redentor e Senhor: «Quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; quem a perder por minha causa há de salvá-la».

É fácil, evidentemente, compreender os termos e o sentido geral destas palavras do Senhor; mas, quando a pessoa quer levá-la à prática e dispor-se a perder a própria vida por Deus, a fim de a reencontrar nele, quando a pessoa se expõe aos perigos nos quais pressente a possibilidade de deixar a vida, tudo se torna tão obscuro, que as palavras, não deixando de ser perfeitamente claras, acabam também por se obscurecer. 

Nesses casos, parece-me, só consegue compreendê-las aquele - por muito sábio que seja - a quem Deus Nosso Senhor, na sua infinita misericórdia, Se digna explicar-lhas nas suas circunstâncias específicas. É então que conhecemos a condição da nossa carne, isto é, que somos fracos e enfermos.

São Francisco Xavier in 'Carta de 10 de Maio de 1546' (escrita aos seus companheiros europeus desde a ilha de Amboina, Arquipélago das Molucas)


blogger

Quem foi São Francisco Xavier?

André Reinoso, 'S. Francisco Xavier prega em a Goa', cerca de 1619, Santa Casa de Misericórdia, Lisboa
São Francisco Xavier: um dos fundadores da Companhia de Jesus, junto com Santo Inácio de Loyola. A sua família fazia parte da nobreza de Navarra, território hoje pertencente à Espanha. Foi enviado pelo Rei de Portugal, D. João III, para realizar trabalho missionário nas Índias. Viajou pela África, Índia, Macau, Japão e Ilhas Molucas, na actual Indonésia. É o santo padroeiro dos missionários e da diocese de Macau, na República Popular da China.  

A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os Apóstolos que se espalharam pelo mundo após a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Durante o período do Descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o Cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os Jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China.

Francisco Xavier, nascido Francisco de Jasso Azpilcueta Atondo y Aznáres, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu em Xavier, no Reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projectado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com 18 anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu mas sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e leccionava na mesma Universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho, e de ideias objectivas, e tudo mudou. Tratava-se do futuro Santo Inácio de Loyola, fundador dos Jesuítas.

Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do Cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projectadas em si pela sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?" (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, N. S. Jesus Cristo.

Os papéis inverteram-se, e Inácio passou a ser mestre do seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Xavier, por fim, retirou-se durante quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou a sua primeira Missa com trinta e um anos, e tornou-se co-fundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos leprosos, segregados pela Sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de tocar.

Foi então que D. João III, Rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu, e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio com 900 passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa.

Viagens de São Francisco Xavier

Desde aí, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, baptizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro Sacerdote continuar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região.  

Acabou por sair das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. Numa delas, na Ilha de Sanchoão, adoeceu e uma febre persistente debilitou-o, levando-o à morte, no dia 3 de Dezembro de 1552, com apenas 46 de idade. Está sepultado na Basílica do Bom Jesus, em Goa Velha, Índia.  

Foi beatificado pelo Papa Paulo V a 25 de Outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, a 12 de Março de 1622, em simultâneo com Inácio de Loyola. Celebrado no dia da sua morte, como exemplo do missionário moderno, São Francisco Xavier foi, com toda a justiça, proclamado pela Igreja Patrono das Missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de São Paulo do Oriente ou Apóstolo do Oriente.  

in Pale Ideas


blogger

O que é a genuflexão e quantos modos existem de genuflectir?


Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica


blogger

domingo, 2 de dezembro de 2018

Começa a aventura do Advento

Hoje inicia-se o tempo do Advento, portanto preparemo-nos para mais uma vez celebrar o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. E a melhor maneira de fazê-lo é dirigir-se a Mãe do Menino que está prestar a nascer. Caminhemos com Ela e São José de Nazaré a Belém, façamos companhia ao Santo Casal e meditemos quais seriam as cogitações de Maria e as preocupações de José.

O mundo está no caos e numa imoralidade assustadora; as almas fieis devem permanecer junto a Eles e procurar compensar as tristezas que Eles sentem ao ver a Humanidade em tal abismo. Rezemos e roguemos pelo momento em que Deus voltará a ser o centro de todos os corações, de todas as famílias e de todas as nações.
  
De Nazaré a Belém

César Augusto ordenou a realização de um recenseamento em todo o Império Romano, devendo cada um alistar-se na sua cidade. Partiram pois São José e a Santíssima Virgem da cidade de Nazaré, na Galileia, rumo a Belém de Judá, a cidade de David, a cuja Casa real pertenciam. Tiveram que enfrentar uma caminhada de cerca de 120 k durante 8-10 dias, o que deve ter sido bastante penoso para Nossa Senhora, que estava prestes a dar à luz o Messias.

Hoje, quem visita a região encontra vilarejos rurais, olivais, belas paisagens e pessoas hospitaleiras. É a chamada Rota da Natividade, que entretanto não se inicia em Nazaré devido as dificuldades de movimentação em parte da região em conflito. São muitos os visitantes que procuram refazer o provável caminho seguido por Maria e José.

Revelações particulares contam interessantes pormenores da viagem de Nazaré a Belém realizada pelo Santo Casal. Seguindo em direcção a Jerusalém, Nossa Senhora e São José atravessaram vales frios, cobertos de geada. Às vezes paravam em lugares convenientes e descansavam. Antes da viagem um Anjo aparecera a São José ordenando-lhe que levasse, além do jumento que serviria de montaria à Virgem, uma jumentinha que os precederia, indicando o caminho.

São José partira animado, certo da boa acolhida que teria em Belém. Porém, antes mesmo de chegar à cidade dos seus pais, começaram as decepções. A dez léguas de Jerusalém foi tratado grosseiramente por um homem que lhe negou hospedagem. Pouco adiante a jumentinha aguardava-os junto a um rancho onde passaram a noite. Em outras ocasiões foram recebidos asperamente, tornando ainda mais penosa a viagem para a Santíssima Virgem.

A Beata Ana Catarina Emmerich, mística alemã do século XIX, conta que, ao chegar a Belém, São José e Maria Santíssima não entraram imediatamente na cidade. Já caia a noite e pernoitaram afastados do caminho, sob uma árvore. No dia seguinte, São José dirigiu-se a um grande edifício, a alguns minutos do caminho, fora de Belém. Era o antigo solar de David, Profeta e Rei, e casa paterna de São José, mas que servia então de recebedoria de impostos do Império Romano. Os funcionários verificaram a genealogia de José e Maria, notando que ambos descendiam de David em linha recta. Só depois estes entraram na cidade, procurando pousada.

Verificou-se então a pungente rejeição da cidade ao Santo Casal, conforme registaram os Evangelhos. E São José passou pela dura prova da recusa dos amigos, que não o quiseram reconhecer. Caminhando de rua em rua, batendo de porta em porta, recebia sempre a invariável resposta negativa.
     
Estava assim simbolizado o repúdio do povo judeu ao Messias: "Veio para o que era seu, e os seus não O receberam"(Jo 1, 11). Partiram, pois, José e a sua Esposa. Nas proximidades da gruta onde se abrigariam, veio-lhes ao encontro, em alegres saltos, a jumentinha que haviam deixado fora de Belém.

in heroinasdacristandade.blogspot.com


blogger

sábado, 1 de dezembro de 2018

Tradição é passar aos outros o que nos foi entregue



blogger

Professor de Oxford: "Quanto mais compreendo a ciência mais creio em Deus"

Os ateus querem fazer-nos crer que não somos mais do que uma colecção aleatória de moléculas, um produto final de um processo sem uma orientação. Se esta concepção fosse verdadeira, colocaria em causa a racionalidade de que necessitamos para fazer ciência. Se o cérebro fosse, na realidade, apenas o resultado de um processo sem orientação, então não existiriam razões para acreditar na sua capacidade de nos revelar a verdade.

Para mim, a beleza das leis científicas só reforça a minha fé de uma maneira inteligente. Quanto mais compreendo a ciência, mais creio em Deus pela maravilha da sua amplitude, sofisticação e integridade da Sua criação. Longe de estar em desacordo com a ciência, a fé cristã tem um sentido científico perfeito. 

John Lennox, matemático e filósofo das ciências na Universidade de Oxford


blogger

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cardeal Müller estabelece uma relação estreita entre abusos sexuais e homossexualidade no clero

A entrevista que se segue é de leitura obrigatória porque vem esclarecer muita coisa que esteve escondida nas últimas décadas. Entrevista do Cardeal Gerhard L. Müller, 71 anos, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 a 2017, ao 'LifeSite News'.

Entrevistador - Uma parte importante da discussão durante a assembleia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos foi dedicada ao escândalo do Cardeal McCarrick e como foi possível que alguém como McCarrick pudesse subir até os graus mais altos da Igreja Católica. Qual é a sua opinião sobre o caso McCarrick e o que a Igreja deve aprender com a existência desta rede de silêncio que cercou um homem que, praticando a homossexualidade, seduzindo seminaristas que dependiam da sua autoridade, levando-os para o pecado, e abusando de menores levou uma vida constantemente oposta às leis da Igreja?

Cardeal Müller - Eu não o conheço e por isso prefiro abster-me de julgar. Espero que em breve haja um processo canónico na Congregação para a Doutrina da Fé que traga luz sobre os crimes sexuais cometidos com jovens seminaristas. Quando eu era Prefeito da Congregação (2012-2017) nunca ninguém me disse nada sobre esse caso, provavelmente por causa do medo de uma reacção excessivamente "rígida" da minha parte. O facto de que McCarrick, junto com o seu círculo e uma rede homossexual, ter sido capaz de trazer estragos na Igreja com métodos semelhantes aos da máfia está ligado à subestimação do grau de depravação moral dos actos homossexuais entre os adultos. Se alguém em Roma tivesse ouvido algum rumor de acusações teria que investigar e verificar a veracidade dessas acusações, evitando que McCarrick fosse promovido ao episcopado de uma importante diocese como Washington, e também evitando que fosse nomeado cardeal da Santa Igreja Romana. E já que foram pagas indemnizações por baixo da mesa - com isso admitindo a responsabilidade por crimes sexuais com homens jovens - qualquer pessoa razoável pergunta como tal pessoa pode ter sido conselheira do Papa nas nomeações de bispos. Não sei se isso corresponde à verdade, certamente seria necessário esclarecer. Que um mercenário ajude a procurar bons pastores para o rebanho de Deus é algo incompreensível para qualquer um. Nesse caso, deve haver uma explicação pública sobre factos semelhantes e os vínculos entre as pessoas envolvidas, assim como o quanto é que as autoridades da Igreja envolvidas sabiam sobre cada nível da história.

Entrevistador - Durante os últimos 5 anos ouviu falar de casos em que o então Cardeal McCarrick recebeu ampla confiança, e lhe foram confiadas missões específicas pelo Papa ou pela Santa Sé?

Cardeal Müller - Como eu disse, não fui informado de nada. Dizia-se que a Congregação para a Doutrina da Fé era responsável apenas pelo abuso sexual de menores, não de adultos, como se as ofensas sexuais cometidas por um padre com outra pessoa consagrada ou com um leigo não fossem também uma violação grave da fé e da santidade dos sacramentos. Tenho repetidamente insistido que mesmo os actos homossexuais realizados pelos sacerdotes nunca foram tolerados e que a moralidade sexual da Igreja não foi relativizada pela ampla aceitação secular da homossexualidade. Também é necessário distinguir entre conduta pecaminosa em um caso isolado e uma vida passada em estado contínuo de pecado.

Entrevistador - Um dos aspectos problemáticos do caso McCarrick é que já em 2005 e 2007 houve acordos legais com algumas das suas vítimas, mas a Arquidiocese de Newark - então sob o arcebispo John J. Myers - não informou o público sobre isso e nem mesmo os seus próprios sacerdotes. Reteve, portanto, informações essenciais para aqueles que ainda trabalhavam com McCarrick e confiavam nele. O cardeal Joseph Tobin fez o mesmo quando, em 2017, se tornou arcebispo de Newark. Tanto quanto sei, nem Myers nem Tobin se desculparam por essas omissões e por traírem a confiança dos seus padres. Acha que a arquidiocese deveria ter tornado público esses acordos legais, especialmente depois que o "Acordo de Dallas" exigiu maior transparência em 2002?

Cardeal Müller - Noutras ocasiões acreditava-se que poderíamos resolver esses casos difíceis de maneira discreta e silenciosa. Mas desta forma o culpado foi colocado em posição de continuar a abusar da confiança do seu bispo. Na situação de hoje, os católicos e o público em geral têm o direito moral de conhecer esses factos. Não se trata de acusar alguém, mas de aprender com esses erros.

Entrevistador - Pode um problema moral desta magnitude ser resolvido adoptando novas directrizes ou uma profunda conversão de corações é necessária na Igreja?

Cardeal Müller - A origem de toda esta crise deve ser identificada na secularização da Igreja e na redução do padre ao papel de oficial. Em última análise, é o ateísmo que se espalhou para a Igreja. Esse espírito maligno diz que o Revelação (de Deus) sobre a fé e a moral deve ser adaptada ao mundo, independentemente de Deus, de modo que Ele não possa mais interferir numa vida conduzida por seus próprios desejos e necessidades. Apenas 5% dos perpetradores foram avaliados como pedófilos patológicos. A grande parte deles, por outro lado, deliberadamente espezinhou o sexto mandamento por causa de sua própria imoralidade, desafiando a santa vontade de Deus de maneira blasfema.

Entrevistador - O que lhe parece a ideia de instituir novas normas canónicas que prevejam a excomunhão de padres que sejam culpados de abuso?

Cardeal Müller - A excomunhão é uma sanção coerciva que é removida assim que o gerente se arrepende. Mas, no caso de sérios abusos e ofensas à fé e à unidade da Igreja, deve ser imposta a renúncia permanente do estado sacerdotal, isto é, a proibição permanente de agirem como sacerdotes.

Entrevistador - O antigo código de direito canónico de 1917 previa sentenças claras contra os padres envolvidos em abusos e até mesmo padres homossexuais activos. Essas sanções precisas foram amplamente removidas no código de 1983, que é mais vago e nem sequer menciona explicitamente os actos homossexuais. À luz da grave crise de abuso, acha que a Igreja deveria voltar a um sistema mais rigoroso de penalidades para tais casos?

Cardeal Müller - Foi um erro desastroso. As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo contradizem completamente e directamente o significado e propósito da sexualidade estabelecido desde a criação. Eles são a expressão de instintos e desejos desordenados, da relação fragmentada entre o homem e o seu Criador, depois da queda do pecado original. O sacerdote celibatário, e o sacerdote casado no rito oriental devem ser modelos para o rebanho e, ao mesmo tempo, devem mostrar pelo seu exemplo como a redenção envolve o corpo e as paixões físicas. A doação física e espiritual, em "ágape", em relação à pessoa do sexo oposto, e não o desejo selvagem de satisfação, é esse o significado e propósito da sexualidade. Isso conduz a responsabilidades para com a família e filhos que Deus nos dá.

Entrevistador - Durante a recente assembleia de Baltimore, o cardeal Blase Cupich disse que é necessário "diferenciar" entre actos sexuais entre adultos consensuais e abuso infantil, implicando assim que as relações homossexuais de um padre com outros adultos não seriam um problema importante. O que esse tipo de configuração responde?

Cardeal Müller - É possível diferenciar qualquer coisa - até para considerar a si mesmo um grande intelectual - mas não um pecado grave que exclui uma pessoa do Reino de Deus, pelo menos não um bispo que tem como dever defender a verdade do Evangelho e não limitar-se a saborear o espírito do tempo. Parece ser chegada a hora "que não suportarão a sã doutrina, mas tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores para atender os seus próprios desejos, recusando-se a ouvir a verdade e voltando às fábulas." (2 Tim 4, 3ss)

Entrevistador - No seu trabalho como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a oportunidade de ver numerosos casos de abuso por parte dos sacerdotes examinados pela congregação. É verdade que a maioria das vítimas desses casos eram adolescentes do sexo masculino?

Cardeal Müller - Mais de 80% das vítimas desses abusadores sexuais são adolescentes do sexo masculino. No entanto, não se pode concluir que a maioria dos sacerdotes são propensas a prostituição homossexual, mas sim que a maioria dos abusadores procuraram, segundo a desordem profunda das suas paixões, vítimas masculinas. A partir das estatísticas abrangentes do crime, sabemos que a maioria dos autores de abuso sexual são parentes das vítimas e até pais com os seus filhos. Mas a partir disso, não podemos inferir que a maioria dos pais é propensa a tais crimes. Devemos sempre ter cuidado para não fazer generalizações a partir de casos concretos, para não cair em slogans e preconceitos anticlericais.

Entrevistador - Se esta é a situação - e o estudo do abuso sexual conduzido pelos bispos alemães ou o Relatório John Jay dão números semelhantes - a Igreja não deveria abordar directamente o problema da presença de padres homossexuais?

Cardeal Müller - Na minha opinião não há homens homossexuais ou padres. Deus criou o homem e a mulher seres humanos. Mas pode haver homens e mulheres com paixões desordenadas. A união sexual tem o seu lugar apenas no casamento entre um homem e uma mulher. Fora disso só há fornicação e abuso da sexualidade, tanto com pessoas do sexo oposto quanto com o agravamento anti-natural do pecado com pessoas do mesmo sexo. Apenas aqueles que aprenderam a controlar-se satisfazem as condições prévias para receber a ordenação ao sacerdócio (cf. 1 Tm 3, 1-7).

Entrevistador - No momento, parece haver uma situação na Igreja em que não há consenso em reconhecer que os padres homossexualmente activos têm uma grande parcela de responsabilidade na crise do abuso. Mesmo alguns documentos do Vaticano falam de "pedofilia" ou "clericalismo" como problemas principais. O jornalista italiano Andrea Tornielli chegou a argumentar que McCarrick não tinha relações homossexuais, mas exercia o seu poder sobre os outros. Ao mesmo tempo, há aqueles, como o jesuíta James Martin, que viaja pelo mundo (mesmo convidado para o encontro mundial de famílias na Irlanda) para promover a ideia de "católicos LGBT" e até afirma que alguns santos eram provavelmente homossexuais. . Isso quer dizer que hoje há uma forte tendência na Igreja que leva à minimização do carácter pecaminoso das relações entre pessoas do mesmo sexo. Acha que é assim? E se sim, como poderia - e deveria - remediar?

Cardeal Müller - É parte da crise que não querer ver as causas reais e escondê-las com a ajuda das frases de propaganda do lobby homossexual. A fornicação com adolescentes e adultos é um pecado mortal e nenhum poder na Terra pode declarar isso moralmente neutro. É a obra do diabo - contra a qual o Papa Francisco frequentemente adverte - declarar que o pecado é bom. De facto é absurdo que, de repente, as autoridades eclesiásticas considerem slogans anticlericais, nazistas e comunistas anticlericais contra os padres sacramentalmente ordenados. 

Os sacerdotes estão investidos da autoridade para proclamar o Evangelho e administrar os sacramentos da graça. Se alguém abusa da sua jurisdição para alcançar objectivos egoístas ele não é clericalista, mas sim anti-clerical, porque nega que Cristo quer trabalhar através dele. O abuso sexual pelo clero deve, portanto, ser chamado de anticlerical no mais alto grau. Mas é óbvio - e poderia ser negado apenas por aqueles que querem ser cegos - que o pecado contra o sexto mandamento do Decálogo têm origem em inclinações desordenadas e por isso são pecados de fornicação que excluem do Reino de Deus, pelo menos até que haja arrependimento e expiação, e intenção firme de evitar tais pecados no futuro. Essa tentativa de ofuscar as coisas é um mau sinal de secularização da Igreja. Isso é pensar como o mundo, não de acordo com a vontade de Deus.

Entrevistador - Rumores do mesmo teor poderiam ser ouvidos no recente Sínodo sobre os jovens em Roma. O documento de trabalho utilizados pela primeira vez a fórmula "LGBT", enquanto o documento final enfatizou a necessidade de boas-vindas nos homossexuais da Igreja, rejeitando "todas as formas de discriminação" contra eles. Não seria esse tipo de afirmação realmente prejudicial à prática constante da Igreja de não empregar homossexuais activos, por exemplo, como professores em escolas católicas?

Cardeal Müller - A ideologia LGBT é baseada em uma falsa antropologia que nega a Deus como Criador. Como é essencialmente ateu ou, pelo menos, coloca o conceito cristão de Deus à margem, não pode ter lugar nos documentos da Igreja. Este é um exemplo da influência insidiosa do ateísmo na Igreja, responsável por mais de meio século da crise da Igreja. Infelizmente, essa ideologia está presente mente de alguns pastores que, na sua ingénua convicção de serem modernos, não percebem o veneno que bebem todos os dias e acabam por o dar de beber aos outros.

Tradução Senza Pagare



blogger