terça-feira, 11 de agosto de 2026

A incrível história de Santa Filomena

Santa Filomena foi uma mártir do séc. III, conhecida mundialmente pelos seus muitos milagres. Muitos santos tinham-lhe grande devoção, como São Pio X, São João Maria Vianney, São Bartolomeu Longo ou São Pio de Pietrelcina, o Padre Pio.

Segue-se a descrição da vida de Santa Filomena extraída do relato oficial do Padre Francesco di Lucia, intitulado 'Relazione Istorici di Santa Filomena', e subsequentes actualizações, a partir das locuções recebidas pela irmã Luísa de Jesus em Agosto de 1833; relatos estes que receberam autorização oficial do então Santo Ofício (hoje a Congregação para a Doutrina da Fé) a 21 de Dezembro de 1833:

«Minha querida irmã, sou a filha de um Príncipe que governava uma pequena cidade-estado na Grécia. A minha mãe era também de sangue real. Os meus pais não tinham filhos. Eles eram idólatras; continuamente ofereciam sacrifícios e orações aos falsos deuses. Um doutor proveniente de Roma, chamado Publius, vivia no palácio ao serviço de meu pai. Este doutor professava o Cristianismo. Vendo a aflição dos meus pais, pelo impulso do Espírito Santo, falou-lhes do Cristianismo, e prometeu rezar por eles se eles consentissem em receber o Baptismo.

A Graça que acompanhava as suas palavras iluminou-lhes a razão e triunfou sobre as suas vontades. Eles tornaram-se cristãos e obtiveram a tão desejada felicidade que Publius lhes havia assegurado, como recompensa da sua conversão. No momento de meu nascimento, eles deram-me o nome de 'Lumena', uma alusão à luz da Fé da qual eu tinha sido. No dia de meu Baptismo, eles chamaram-me 'Filomena', ou 'Filha da Luz', porque naquele dia eu nascera para a Fé.

A afeição que os meus pais tinham por mim era tanta que eles me tinham sempre consigo. Foi por conta disto que me levaram a Roma numa viagem que meu pai foi obrigado a fazer por ocasião de uma guerra injusta com a qual ele foi ameaçado pelo arrogante Imperador Diocleciano. Eu tinha então 13 anos. Fomos conduzimos ao palácio do Imperador e recebidos numa audiência.

Tão logo Diocleciano me viu, os seus olhos fixaram-se sobre mim. Ele aparentava estar perturbado a este respeito durante todo o tempo em que meu pai estava a falar com sentimentos animados tudo o que pudesse servir para sua defesa. Tão logo o meu pai cessou de falar, o Imperador disse-lhe que não mais ficasse preocupado, que banisse todo o medo, que pensasse apenas em viver em felicidade.

Estas foram as palavras do Imperador, “Eu colocarei à sua disposição toda a força do Império. Eu peço apenas uma coisa, que é a mão da sua filha”.

Meu pai, ofuscado com uma honra que lhe era distante de ser esperada, livre e instantaneamente aderiu à proposta do imperador. Quando retornamos a nossa casa, os meus pais fizeram de tudo que podiam para induzir-me a sucumbir às vontades de Diocleciano e deles mesmos.

Eu chorei, e disse: “Desejam que, pelo amor de um homem, eu quebre a promessa que fiz a Jesus Cristo? A minha virgindade pertence-Lhe. Eu não mais posso dispor dela.”

“Mas tu eras jovem, demasiadamente jovem para ter formado tal compromisso”, respondeu o meu pai. Ele juntou as mais terríveis ameaças à ordem que havia me dado de aceitar a mão de Diocleciano. A Graça do meu Deus tornou-me invencível, e o meu pai, não sendo capaz de dissuadir o Imperador, de forma a libertar-se da promessa que fizera, foi obrigado por Diocleciano a levar-me à presença do Imperador.

Tive que resistir por algum tempo diante da fúria do meu pai. A minha mãe, unindo os seus esforços aos dele, decidiu fazer qualquer coisa de forma a conquistar minha determinação. Carinhos, ameaças, tudo foi empregue de forma a reduzir-me à submissão. Cheguei a vê-los ambos caírem aos meus joelhos e dizer-me com lágrimas nos olhos: “Minha criança, tem piedade do teu pai, da tua mãe, do teu país, do nosso país, das nossas pessoas.”
“Não! Não”, respondi. “A minha virgindade, que eu consagrei a Deus, vem antes de tudo, antes de vocês, antes do meu país. O meu reino é o Céu.”

As minhas palavras mergulharam-nos em desespero, e eles levaram-me diante do Imperador, que da sua parte fez de tudo para me vencer. Contudo, as suas promessas, as suas seduções, as suas ameaças foram igualmente inúteis. Foi tomado por uma súbita ira e, influenciado pelo Demónio, lançou-me numa das prisões do palácio, onde me manteve aprisionada com correntes. 

Pensando que a dor e a vergonha me iriam enfraquecer a coragem com que o meu Divino Esposo me tinha inspirado, ele vinha ver-me todos os dias. Depois de vários dias, o Imperador deu ordem para que as minhas correntes fossem afrouxadas, para que eu pudesse tomar uma pequena porção de pão e água.

Ele renovou os seus ataques, alguns dos quais teriam sido fatais à pureza não fosse pela Graça de Deus. As derrotas que ele experimentava eram também prelúdio de novas torturas para mim. A oração era o meu sustento. Eu não cessava de me recomendar a Jesus e à sua mais pura Mãe. O meu cárcere havia já durado 37 dias, quando, no meio de uma luz celestial, eu vi Maria que segurava o Divino Filho nos seus braços.

“Minha filha”, disse, “mais três dias de prisão e depois de 40 dias deixarás este estado de dor.” Esta boa notícia fez com que o meu coração pulasse de alegria. Mas a Rainha dos Anjos acrescentou que eu iria sair da minha prisão, para sustentar, em tormentos amedrontadores, um combate muito mais terrível que aqueles precedentes. Caí instantaneamente da alegria para a mais cruel angústia; pensei que isto iria matar-me.

“Tenha coragem, minha criança”, disse Nossa Senhora, “não estás ciente do predilecto amor que guardo por ti? O nome que recebeste no baptismo é a tua segurança, pela semelhança com o nome do meu Filho e com o meu. Chamas-te 'Lumena', como o teu Esposo é chamado por Luz, Estrela, Sol, como eu mesma sou chamada por Aurora, Estrela, a Lua no esplendor do seu brilho, e Sol. Não tenhas medo, ajudar-te-ei. A natureza, que agora te humilha, assevera as suas leis. No momento do combate, a Graça virá emprestar-te a sua força. O teu Anjo, que também foi meu, Gabriel, cujo nome expressa fortaleza, virá em teu auxílio. Eu recomendar-te-ei especialmente ao seu cuidado, como a bem amada dos meus filhinhos.”

Estas palavras da Rainha das Virgens deu-me coragem novamente, e a visão desapareceu, deixando a prisão repleta de um perfume celestial. Experimentei uma alegria fora deste mundo. Algo indefinível. Aquilo para o qual a Rainha dos Anjos me preparou foi logo experimentado. Diocleciano, desesperado em dobrar-me, decidiu pôr um castigo público que ofendesse a minha virtude. Ele condenou-me a ser despida e açoitada como o Esposo que eu preferi. Estas foram as suas horrificantes palavras: 

“Dado que ela não está envergonhada de preferir a um Imperador como eu um malfeitor condenado a uma morte infame pela sua própria gente, ela merece que a minha justiça a trate como ele foi tratado”.

Os guardas da prisão hesitaram em despir-me inteiramente, mas eles ataram-me a uma coluna na presença de um grande homem da corte. Chicotearam-me com violência, até que eu estivesse banhada em sangue.O meu corpo inteiro parecia uma única ferida aberta, mas não sucumbi. O tirano arrastou-me de volta ao cárcere, aguardando que eu morresse. Eu esperava juntar-me ao meu Divino Esposo. Dois anjos, resplandecentes de luz, apareceram na escuridão. Eles vertiam um confortante bálsamo nas minhas feridas, garantindo-me um vigor que eu não possuía antes da tortura. Quando o imperador foi informado da mudança que se operou em mim, mandou chamar-me

Ele olhou para mim e ficou estupefacto. Tentou persuadir-me de que eu devesse a minha cura e vigor renovado a Júpiter, um outro deus, que ele, o Imperador, me tinha enviado. Ele tentou impressionar-me com a sua crença de que Júpiter me desejava para ser a Imperatriz de Roma. Juntando a estas palavras sedutoras promessas de grandes honrarias, incluindo as mais bajuladoras palavras, Diocleciano tentou acariciar-me. Amigavelmente, tentou completar o trabalho do Inferno que ele havia iniciado. O Divino Espírito, a Quem eu sou devedora pela constância em preservar minha pureza, parecia encher-me com luz e conhecimento. A nenhuma das provas que lhes dei a respeito da solidez da nossa Fé, nem Diocleciano nem os seus cortesãos puderam encontrar qualquer resposta. 

Então, a sua insanidade de Imperador voltou, ordenando a um guarda que me prendesse a uma âncora em volta de meu pescoço e enterrar-me nas águas do rio Tibre. A ordem foi executada. Fui lançada dentro d’água, mas Deus enviou-me dois anjos que me desamarraram da âncora. Os anjos transportaram-me gentilmente à vista da multidão até o leito do rio. Voltei ilesa, depois de ser imersa juntamente com a pesada âncora. Este milagre felizmente produziu efeitos sobre uma grande número dos espectadores, e eles converteram-se à fé. Mas Diocleciano atribuiu a minha preservação a uma mágica secreta.

Então, o Imperador fez com que eu fosse arrastada pelas ruas de Roma e que fosse alvejada por uma saraivada de flechas. O meu sangue verteu, mas não desanimei. Diocleciano pensou que eu estava para morrer e ordenou aos guardas que me conduzissem de volta ao cárcere. 

Novamente ali, o Céu honrou-me com mais um novo favor. Caí num doce sono, e encontrei-me perfeitamente curada quando acordei. Diocleciano sabendo disto: “Bem, então,” ele gritou com veemência, “deixemo-la ser transpassada com flechas pontiagudas uma segunda vez, e deixemo-la morrer durante a tortura.” 

Novamente, os arqueiros curvaram os seus arcos. Eles acumularam toda a sua força, mas as flechas recusaram-se a seguir as suas intenções. O Imperador estava presente. Transtornado, chamou-me de bruxa. Pensando que a acção do fogo pudesse destruir o encanto, ordenou que as flechas fossem tornadas incandescentes numa fornalha e apontados para o meu coração.

Foi obedecido mas estas flechas, depois de terem percorrido uma parte da distância devida para me atingir, tomaram a direcção contrária e retornaram para atingir aqueles pelos quais haviam sido arremessadas. Seis dos arqueiros foram mortos por elas. Muitos deles renunciaram ao paganismo, e o povo começou a render testemunho público ao poder de Deus que me protegera. 

Estes murmúrios e aclamações enfureceram o tirano. Ele determinou que apressassem a minha morte ordenando que eu fosse decapitada. A minha alma alçou vôo em direcção de meu celestial Esposo, que me colocou, com a coroa da virgindade e a palma do martírio, num lugar distinto entre os eleitos.

O dia que foi tão feliz para mim e me viu entrar na glória foi uma Sexta-Feira, e a hora da minha morte foi a terceira hora depois do meio dia, ou seja, a mesma hora que viu o meu Divino Mestre expirar.»


blogger

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Quando o Papa nomeia, a sabendas, lobos predadores para Pastores

1. O Papa, já se sabe, goza em determinadas circunstâncias, do carisma da infabilidade Doutrinal, e também do governo universal e imediato da Igreja militante. Porém nunca houve uma Doutrina da Bíblia ou da Igreja que afirmasse que os Papas fossem impecáveis ou que não pudessem errar. Enganar e pecar mortalmente. Os exemplos históricos são abundantes, como, para dar só dois exemplos a excomunhão e condenação à fogueira de Savonarola pelo Papa Alexandre VI, que mais tarde reconheceu ter sido injusto; e a excomunhão, pelo Papa Libério, de St. Atanásio de Alexandria, que foi o principal salvador da heresia Ariana (isto para não falar do papa sodomita e de outro tarado sexual que foi expulso de Roma pelos seus cidadãos).

A Infabilidade Papa também tem os seus limites, pois tem de respeitar os Dogmas de Fé já declarados, as doutrinas sobre Fé e Moral infalíveis e irreformáveis, ensinadas ao longo dos séculos em virtude da inerrância da Igreja, aceites e acolhidas pelos Doutores da Igreja e de todos os Santos.

Quando se escolhem e nomeiam Bispos que advogam publicamente as causas do alfabeto lgbtq+etc., está-se agressivamente subvertendo, desprezando e de novo crucificando Jesus Cristo e a Sua Igreja. A escolha pode ser cooperação formal, ser esse o motivo, pelo qual são consagrados, ou por outro motivo, sendo então uma cooperação material grave. De qualquer constitui pecado mortal, não só pelo escândalo (no sentido teológico e moral do termo), mas também pelos ensinamentos aos sacerdotes, aos seminaristas e ao povo em geral, desviando-os do caminho salvação e do Céu.

Não me parece possível conceber um mais monstruoso ódio maléfico para desviar e perverter assim as pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. Ainda para mais podendo-se remediar tal estado.

Dizia Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, que os diabos induziam tais tentações, mas que quando percebiam que se cedia a tais tentações achavam aquilo tão repugnante que se retiravam de imediato para não assistirem a tão execrandas javardices.

2. É tempo de pôr travão a estes vulcões de lama imunda! Todos os leigos, avós, pais, tios, professores e restantes familiares e responsáveis tendes de defender os vossos netos, filhos, sobrinhos e alunos, por palavras e obras, juntamente com o clero católico ortodoxo, bem como os religiosos e religiosas fiéis e demais pessoas de boa-vontade. Não é possível calar mais tempo, até porque teremos de responder perante Deus Omnipotente e Justíssimo e severo Juiz. Estamos em tempos em que contam muito mais os pecados de omissão (Mt. 25 ss.).

3. Não se propõem aqui, de modo nenhum, uma revolta contra a Igreja nem contra o Papado, mas em comunhão com a Igreja (militante, purgante e santificante) seguir os reformadores que contribuíram de forma decisiva e santa para a purificação e reforma da Igreja militante.

4. Tenho pleno consciência de que não sou ninguém, que nada valho. Mas mesmo assim desafio-vos a todos a aceitarem que nos reunamos, para trocarmos ideias e estratégias sobre como combater esta peste. Não terei que ser eu que ajunte e coordene, mas sei que seguramente encontrareis alguém qualificado para o fazer. Quietos e passivos é que não podemos permanecer. À Honra e Glória de Cristo. Ámem.

Padre Nuno Serras Pereira


blogger

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Marta e Maria vistas por Santa Teresinha do Menino Jesus

Uma alma abrasada de amor não pode ficar inactiva. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a sua palavra doce e inflamada. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse. Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir. 

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica. Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores génios? 

Houve um sábio que disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.» O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderosos deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca a oração, que abrasa com fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

Santa Teresa de Lisieux in Manuscrito autobiográfico C, 36 r° - v°


blogger

terça-feira, 28 de julho de 2026

Como os Estados Unidos espiam o Vaticano

Ken Klippenstein, jornalista de investigação, escreveu sobre a verdade óbvia de que os Estados Unidos mantêm, há muito, uma vasta vigilância de inteligência e de segurança sobre o Vaticano. 

As agências utilizadas são a CIA, a NSA, o FBI e o Departamento de Estado. A CIA está representada na Embaixada dos Estados Unidos junto do Vaticano e a Agência tem penetrado o governo e o corpo diplomático do Vaticano há anos. Tem espiões a trabalhar no interior da burocracia da Santa Sé.

A NSA intercepta as comunicações, os correios electrónicos e as mensagens de texto do Vaticano, trabalhando de forma independente e através de um «Serviço de Recolha Especial» conjunto da NSA/CIA.

O FBI investiga os crimes cometidos contra e pelo Vaticano. Fornece também regularmente informações sobre ameaças ao Papa durante as suas viagens. Documentos do FBI mostram que a primeira administração Trump procurou reforçar a sua coordenação com as agências de inteligência italianas e com os responsáveis do Vaticano em matérias como a cibersegurança, o crime de colarinho branco, o tráfico de seres humanos, o roubo de arte e outras questões.

O Departamento de Estado segue de perto os meandros da diplomacia e da política papal. Mantém um resumo diário de notícias centrado no Vaticano, que é distribuído aos diplomatas de todo o mundo. O Bureau de Inteligência e Investigação do departamento tem analistas dedicados a produzir avaliações classificadas sobre os assuntos do Vaticano.

Todas estas agências mantêm ligações com os próprios organismos de política externa, de inteligência e de aplicação da lei do Vaticano.

in gloria.tv



blogger

quinta-feira, 23 de julho de 2026

O castigo dos pecados do Padre

Pecando, o padre perde a luz e cai nas trevas. Mais lhes valera, assegura S. Pedro, não ter conhecido o caminho da justiça, do que voltar atrás depois de o haver conhecido. Ó, sem dúvida, mais valia para um padre que peca ser antes um camponês ignorante, que nunca tivesse estudado coisa alguma; porque depois de tantos conhecimentos adquiridos, — pelos livros que leu, pelos oradores sagrados que ouviu, pelos diretores que teve — depois de tantas luzes recebidas de Deus, o desgraçado calca aos pés todas as graças, pecando, e merece que as luzes recebidas só sirvam para o tornar mais cego e impenitente. A maior ciência, diz S. Crisóstomo, dá lugar a mais severo castigo; se o pastor cometer os mesmos pecados que as suas ovelhas, não receberá o mesmo castigo, mas uma pena muito mais dura. Um padre cometerá o mesmo pecado que os seculares; mas sofrerá um castigo muito maior, permanecerá mais profundamente cego que todos os outros; será punido conforme o anúncio do Profeta: Que vendo não vejam, e ouvindo não compreendam.

É o que a experiência deixa ver, diz o autor da Obra imperfeita: Um secular, depois de pecar, facilmente se arrepende. Se assiste a uma missão, se ouve um sermão enérgico sobre alguma verdade eterna, — malícia do pecado, certeza da morte, rigor do juízo de Deus, penas do inferno, entra facilmente em si e volta-se para Deus; porque estas verdades, como coisas novas, tocam-no e penetram-no de temor. Mas quando um padre há calcado aos pés a graça de Deus, com todas as luzes e conhecimentos recebidos, — que impressão podem fazer ainda nele as verdades eternas e as ameaças das divinas Escrituras? Tudo quanto encerra a Escritura, continua o mesmo autor, é para ele uma coisa sediça de pouco valor; porque as coisas mais terríveis que lá se encontram, por muito lidas, já lhe não fazem impressão. Donde conclui que nada mais impossível que a emenda de quem sabe tudo e peca.

Quanto maior é a dignidade dos padres, diz S. Jerónimo, tanto maior é a sua ruína, se num tal estado chegam a abandonar a Deus. Quanto mais alto é o posto em que Deus os colocou, diz S. Bernardo, tanto mais funesta será a sua queda. Quando se cai em plano, diz S. Ambrósio, raro se experimenta grande mal; mas cair de alto não é só cair, é precipitar-se, e a queda será mortal.

Nós os padres regozijamo-nos, diz S. Jerónimo, por nos vermos erguidos a tão alta dignidade; mas seja igual o nosso temor de cair. Parece que é aos padres que Deus fala, quando diz pela boca de Ezequiel: Coloquei-vos sobre o monte santo de Deus… e vós pecastes; e eu vos expulsei do monte de Deus, e vos entreguei à ruína. Vós que sois padres, diz o Senhor, eu vos estabeleci sobre a montanha santa, para serdes os faróis do universo: Sois vós a luz do mundo. Uma cidade assente no cimo duma montanha não pode estar escondida.

Tem pois razão S. Lourenço Justiniano em dizer que quanto maior é graça concedida por Deus aos padres, tanto mais digno de castigo é o seu pecado, e quanto mais alto o seu estado, mais mortal a sua queda. Quem cai num rio, diz Pedro de Blois, mergulha tanto mais fundo, quanto de mais alto tiver caído.

Compreende bem, ó padre: Deus, elevando-te ao sacerdócio, ergueu-te até ao Céu, e fez de ti, já não um homem da terra, mas um homem celeste, pensa pois quanto te será funesta uma queda, segundo o aviso de S. Pedro Crisólogo. A tua queda, diz S. Bernardo, será semelhante à do raio que se precipita com impetuosidade. Quer dizer que a tua perda será irreparável. Assim, ó desgraçado, cairá sobre ti a ameaça que o Senhor lançou sobre Cafarnaum: E tu, ó Cafarnaum, erguida até ao Céu, serás abatida até ao inferno.

Um padre que peca merece tal castigo, por causa da sua ingratidão para com Deus, a quem deve um reconhecimento tanto maior quanto recebeu dele os maiores benefícios, como nota S. Gregório. Merece o ingrato ser privado de todos os bens que recebera, como observa um sábio autor. Jesus Cristo disse: Ao que já possui, dar-se-á, e ele estará na abundância; mas o que nada possui, ver-se-á despojado até do que parecia ter. Quem é grato para com Deus obterá maior abundância de graças; mas um padre que, depois de tantas luzes, depois de tantas comunhões, volta as costas a Deus, e desprezando todos os favores recebidos, renuncia à sua graça, — este padre será com justiça privado de tudo. É o Senhor liberal com todas as suas criaturas, mas nunca com os ingratos. A ingratidão, diz S. Bernardo, faz estancar a fonte da bondade divina.

Por isso S. Jerónimo pôde dizer: Nenhuma besta há no mundo mais feroz que um mau padre, porque esse não se quer deixar corrigir. E o autor da Obra imperfeita: Os leigos facilmente se emendam, mas um mau eclesiástico é incorrigível. Segundo S. Damião, é de preferência aos padres pecadores que se aplicam estas palavras do Apóstolo: Porque os que foram alumiados, os que saborearam o dom celeste, e receberam o Espírito Santo… depois caíram, é impossível que se renovem pela penitência. 

Com efeito, quem mais que o padre recebeu de Deus graças abundantes? Quem mais do que ele gozou dos favores do Céu e participou dos dons do Espírito Santo? Segundo S. Tomás, permaneceram obstinados no pecado os anjos rebeldes, porque pecaram em face da luz; é assim, escreve S. Bernardo, que o padre será tratado por Deus: tornado anjo do Senhor, ou há de ser eleito como anjo, ou réprobo como o anjo. Eis o que o Senhor revelou a S. Brígida: Olho os pagãos e os judeus, mas não vejo ninguém pior que os padres: o seu pecado é como o que precipitou Lúcifer. E notemos aqui o que diz Inocêncio III: Muitas coisas que nos leigos são pecados veniais, nos eclesiásticos são mortais.

É ainda aos padres que se aplicam estas palavras de S. Paulo: Uma terra, que, depois de muito regada pelas chuvas, só produz espinhos e silvas, está reprovada e sujeita a maldição: acabará por ser entregue ao fogo. Que chuva de graças não recebe de Deus continuamente o padre? E contudo, em vez de frutos, só produz silvas e espinhos: Desgraçado! Está prestes a ser reprovado e a receber a maldição final, para ir, depois de tantas graças, que Deus lhe prodigalizou, arder no fogo do inferno! — Mas, que temor pode ter ainda do fogo do inferno um padre, que voltou as costas a Deus? 

Os padres que pecam perdem a luz, como levamos dito, e perdem também o temor de Deus. É o Senhor quem no-lo declara: Se eu sou o Senhor, onde está o meu temor, vos diz o Senhor, a vós, ó padres, que desprezais o meu nome?. Segundo S. Bernardo, os sacerdotes, caindo da altura a que se acham elevados, de tal modo se afundam na malícia, que perdem a lembrança de Deus, e tornam-se surdos a todas as ameaças da justiça divina, a tal ponto que nem o perigo da sua condenação os espanta.

Mas que haverá nisso de admirável? O padre, pecando, cai no fundo do abismo, onde fica privada da luz e despreza tudo. Acontece então o que diz o Sábio: Caído no fundo do abismo do pecado, o ímpio despreza. Este ímpio é o padre que peca por malícia; um só pecado mortal o precipita no fundo das misérias, em que cegamente permanece mergulhado. Nesse estado despreza tudo: castigos, advertências, presença de Jesus Cristo, a quem toca no altar. Não córa de se tornar pior que o traidor Judas, como o próprio Senhor um dia disse a S. Brígida: Tais padres já não são sacerdotes meus, mas verdadeiros traidores. Sim, tais padres são verdadeiros traidores, porque abusam da celebração da Missa, para ultrajarem mais cruelmente a Jesus Cristo pelo sacrílego .

E qual será, depois de tudo, o triste fim do padre mau? Ei-lo: Praticou a iniquidade na terra dos santos, não verá a glória do Senhor. Será, numa palavra, o abandono de Deus, e depois o inferno. — Mas, dirá alguém, essa linguagem é demasiado aterradora: quereis lançar-nos da desesperação? — Respondo com S. Agostinho: Se vos espanto, “é que eu próprio estou espantado”. — Assim, dirá um padre, que tiver tido a desgraça de ofender a Deus no sacerdócio, não haverá para mim esperança de perdão? — Ó, não posso afirmar isso; haverá esperanças, desde que haja arrependimento do mal cometido. 

Que esse padre seja pois extremamente reconhecido para com o Senhor, se ainda se vê ajudado da graça; mas é preciso que se apresse a dar-se a Deus, enquanto o chama, conforme o aviso de S. Agostinho: “Abramos os ouvidos à voz de Deus, enquanto nos chama, com receio de que se recuse a ouvir-nos, quando estiver prestes a julgar-nos”.

Santo Afonso Maria de Ligório


blogger

terça-feira, 21 de julho de 2026

A vida fabulosa de São Lourenço, que nasceu para o Céu em Lisboa

São Lourenço de Brindisi (1559–1619), Doutor da Igreja, é um dos santos mais fascinantes do período da Contra-Reforma. Frade capuchinho, pregador genial, poliglota, diplomata, pacificador e homem de profunda piedade, ele combinava erudição extraordinária com uma vida de radical pobreza franciscana.

Nasceu em 22 de Julho de 1559 em Brindisi (Itália), com o nome de Giulio Cesare Russo. Ficou órfão de pai muito cedo. Aos 14 anos, foi para Veneza com um tio. Aos 16 anos entrou para os Capuchinhos em Verona, recebendo o nome de Lourenço.

Desde criança mostrou dons extraordinários: com apenas 4–6 anos já memorizava longos textos e os recitava com perfeição. Estudou em Pádua e tornou-se um dos maiores linguistas da Igreja: dominava italiano, latim, grego, hebraico, aramaico, siríaco, alemão, francês, espanhol e outros. Conhecia a Bíblia quase de cor, de tal maneira que suas obras contêm mais de 50 mil citações bíblicas.

Ordenado sacerdote em 1582 (aos 23 anos), destacou-se imediatamente como pregador. Pregava em italiano, alemão, hebraico (para converter judeus) e latim. Foi professor de teologia, mestre de noviços e superior provincial.

A sua obra mais famosa é o Mariale, onde defende, com mais de 4 mil citações da Escritura, os dogmas marianos, especialmente a Imaculada Conceição. Foi um grande defensor da devoção a Nossa Senhora.

Um dos episódios mais conhecidos e impressionantes foi o seu heroísmo na Batalha contra os Turcos. Em 1601, o Império Otomano ameaçava invadir a Europa Central. O Imperador Rodolfo II e o Papa Clemente VIII pediram ajuda a Lourenço. Apesar de ser um frade franzino, foi nomeado capelão militar do exército cristão.

Com um crucifixo na mão, montado a cavalo, Lourenço liderou as tropas na batalha de Székesfehérvár (Hungria) contra um exército turco muito superior (cerca de 80 mil homens). Percorria as fileiras gritando encorajamentos, prometendo o Céu aos que morressem pela Fé. A vitória foi esmagadora: os cristãos perderam apenas cerca de 30 homens. Todos atribuíram o milagre às orações e à coragem de Frei Lourenço.

São Lourenço tinha o dom das lágrimas, tinha uma tão grande compunção que chorava copiosamente durante a Missa. Empapava vários lenços em cada celebração. Os fiéis guardavam esses lenços como relíquias e muitos doentes foram curados ao serem tocados por eles.

No processo de canonização foram registrados 97 milagres operados pelo santo ainda em vida. Um exemplo: curou um menino que estava cego há mais de um ano.

Mesmo sendo Superior-Geral dos Capuchinhos (1602–1605) e embaixador papal, dormia no chão ou em tábuas duras, alimentava-se apenas de pão, água e verduras; flagelava-se e levantava-se à noite para rezar os salmos.

Foi enviado várias vezes como diplomata do Papa para resolver conflitos entre príncipes católicos. Tinha grande habilidade para reconciliar inimigos.

Era conhecido como “Padre Santo”. As pessoas corriam atrás dele para receber bênçãos e alívio para males do corpo e da alma.

Morreu a 22 de Julho de 1619, exactamente no dia do seu 60º aniversário, em Lisboa (Portugal), durante uma missão diplomática. Foi canonizado em 1881 por Leão XIII e declarado Doutor da Igreja em 1959 por João XXIII, com o título de ‘Doctor ‘.

São Lourenço costumava dizer que a verdadeira sabedoria não vem apenas dos livros, mas da cruz de Cristo e da oração humilde. Foi um exemplo perfeito de que santidade e inteligência não se opõem: quanto mais unido a Deus, mais luminoso se torna o intelecto.

“Ó São Lourenço de Brindisi, Doutor Apostólico, intercedei por nós para que, como vós, amemos a Palavra de Deus, defendamos a fé e vivamos em radical pobreza evangélica. Amém.”


blogger

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Cardeal Sarah defende plena liberdade para a Missa Antiga

Em entrevista à vaticanista Diane Montagna, o Cardeal Robert Sarah defendeu a plena liberdade para a Missa em Rito Romano Tradicional:

Diane Montagna: Há um ano, revelou-se que um inquérito aos bispos, realizado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, contradizia a justificação apresentada para a Traditionis Custodes, pois demonstrava que a maioria dos bispos desejava manter o rumo traçado pelo Summorum Pontificum do Papa Bento XVI.
Em Março de 2026, o Papa Leão enviou uma carta aos bispos franceses, convidando-os a uma maior abertura em relação ao Vetus Ordo. O que pensa que os bispos franceses — e, de um modo mais geral, os bispos do rito romano — devem fazer neste momento? E o que poderia fazer o Santo Padre para promover a paz litúrgica?

Cardeal Sarah: Parece-me que o Santo Padre fez bem em escrever aos bispos franceses, encorajando-os a ser mais abertos ao antigo rito, à Missa tradicional, pois é uma Missa que celebrámos durante séculos. E o Papa Bento disse que o que foi sagrado no passado permanece sagrado hoje. Não podemos simplesmente apagá-lo. Além disso, esta Missa foi celebrada pelos Santos e produziu tantos Santos. Por que não é possível hoje?

Assim, penso que devemos encorajar todos os bispos a serem mais paternos e mais abertos, porque mesmo dentro da Igreja Católica temos muitos ritos: o rito moçárabe e outros, bem como o rito ambrosiano. Por isso, não vejo por que devamos ser tão radicais a ponto de o suprimir, isto é, de o impedir. Não sei que autoridade temos para impedir uma liturgia que se celebra há séculos.

Penso, portanto, que o que foi escrito aos bispos franceses deve aplicar-se a todos os bispos: ser mais abertos, para não criar divisão sem motivo. Além disso, esta liturgia tridentina tem mil e seiscentos anos. Não podemos dizer que o que se fez durante mil e seiscentos anos já não é válido agora.

Diane Montagna: Alguns bispos dirão que a Traditionis Custodes não lhes permite autorizar a celebração do Vetus Ordo nas igrejas paroquiais. O que se pode fazer para que o clero diocesano possa celebrar mais amplamente a Missa tradicional e administrar os outros sacramentos segundo o Rito Antigo?

Cardeal Sarah: Bem, em qualquer caso, este raciocínio é lastimável, porque antes existia o Summorum Pontificum do Papa Bento, que permitia tudo. Depois veio o Papa Francisco, e agora o Papa Leão encoraja a abertura. Por isso, devemos seguir o que diz o Papa Leão, isto é, não ser tão avessos a algo santo, algo belo, algo propício ao recolhimento. Esta Missa favorece mais recolhimento e mais silêncio. E depois, muitos jovens assistem a ela porque encontram algo de positivo nela.

Diria, pois, que o que o Papa Leão escreveu aos bispos franceses deve aplicar-se a todos os bispos do mundo: sejam abertos. Por quê criar divisão pela liturgia? Isto não agrada ao Senhor, porque o Senhor quer uma família. Ele rezou pela unidade da Igreja. A oração final de Jesus foi que todos sejam um. Por isso, não devemos fazer Cristo sofrer através da divisão litúrgica. Devemos encontrar a paz, porque não podemos verdadeiramente orar com eficácia em meio à divisão e ao ódio mútuo. Sigamos, portanto, a orientação do Papa Leão, que encoraja uma maior abertura.



blogger

domingo, 19 de julho de 2026

8 anos de traição aos Católicos Chineses


Há poucos dias celebrou‑se o oitavo aniversário do acordo secreto provisório entre a Santa Sé e o Partido Comunista Chinês (PCC) relativo à Associação Patriótica Católica Chinesa (APCC). Concebido pelo Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, em 2018, com a bênção do Papa Francisco, o acordo reconhece a autoridade suprema do PCC para nomear bispos e suprimir e/ou estabelecer dioceses na China — o Bispo de Roma limita‑se a aprovar. Segundo se diz, pouco após a eleição do Papa Francisco, o novo pontífice encarregou o desonrado predador sexual Cardeal Theodore McCarrick de visitar a China com a tarefa de retomar as negociações com o PCC — após o Papa Bento XVI ter deixado de as promover — sobre a nomeação de bispos na China comunista. McCarrick fez, pelo menos, oito viagens à China e prestou informações sobre as suas negociações com o PCC tanto ao Papa Francisco como ao Cardeal Parolin.

Criada em 1957 sob a autoridade de Mao Zedong e gerida pelo Departamento do Trabalho da Frente Unida do PCC, a intenção era alinhar o catolicismo com a ideologia comunista. No início de 1958, Pequim designou ilicitamente o primeiro grupo de bispos sem consultar a Santa Sé. Em Junho desse mesmo ano, o Papa Pio XII publicou a sua encíclica Ad Apostolorum Principis, na qual denunciou a “igreja paralela” chinesa, recusando reconhecer quaisquer consagrações episcopais feitas pela APCC sem prévia aprovação do Vaticano.

Os católicos que permaneceram fiéis a Roma foram forçados a agir na clandestinidade. A partir desse momento, os fiéis de Roma passaram a actuar secretamente. Uma figura notável dessa época foi o finado Bispo católico romano de Xangai e Administrador Apostólico de Suzhou e Nankin, o Cardeal Ignatius Kung Pin‑Mei. Até ao presente mantêm‑se como uma Igreja “subterrânea”, a qual o Vaticano deixou de apoiar por causa do acordo provisório. Muitos padres, freiras e leigos continuam a sofrer prisão, tortura e, em alguns casos, mesmo execução pela recusa em conformar‑se com a igreja institucional do PCC.

Quando o Papa Leão XIV se dirigiu ao público, no dia 25 de Maio do ano passado, poucas semanas depois da sua eleição papal, recordou o Dia de Oração pela Igreja na China durante a sua alocução do Regina Caeli. Esse dia coincidia com o momento, em 2007, em que o Papa Bento XVI escreveu uma carta aos católicos chineses, reconhecendo a sua “fidelidade a Cristo Senhor e à Igreja — uma fidelidade que [eles] têm manifestado por vezes ao preço de graves sofrimentos.” Esperava‑se que isto sinalizasse uma espécie de renascimento para os católicos “subterrâneos” que se recusam a alinhar‑se com a Igreja Patriótica controlada pelo PCC.

O contrário sucedeu, quando o Vaticano anunciou, a 10 de Setembro, que o Papa Leão XIV, a pedido do Presidente chinês Xi Jinping, havia suprimido as duas históricas dioceses de Xiwanzi e Xuanhua — ambas criadas em 1946 pelo Papa Pio XII. Substituiu‑as por uma nova diocese católica na província setentrional de Hebei, com o mesmo nome — Zhangjiakou — de uma que fora criada décadas antes por Pequim sem aprovação do Vaticano. Foi nomeado Padre Joseph Wang Zhengui como Bispo de Zhangjiakou a pedido do PCC, tendo recebido a consagração episcopal no mesmo dia em que a nova diocese foi anunciada.

Presentemente, dois bispos subterrâneos, Augustine Cui Tai e Thaddeus Ma Daqin, encontram‑se detidos e em prisão domiciliária, com as suas funções ministeriais cerceadas por bispos nomeados pelo governo. O Bispo James Su Zhimin, com 94 anos, não é visto desde 2003. O Bispo Xin Wenzhi, de 63 anos, permanece desaparecido forçosamente. Além disso, os Bispos Vincent Guo Xijin e Peter Shao Zhumin, que se recusaram a registar‑se na APCC, estão em prisão domiciliária há mais de um ano. Padres que recusam juntar‑se à Igreja Patriótica continuam a ser presos e torturados, e os libertados da detenção suportam assédio contínuo, incluindo a perda das contas bancárias, passaportes e cartões SIM, o que lhes retira os meios de subsistência.

É bastante presunçoso que a Santa Sé tenha imposto a excomunhão aos bispos da SSPX apenas pelo seu desejo de continuar a administrar os Sacramentos da Confirmação e das Ordens Sagradas — depois de terem sido negadas em várias ocasiões audiências com o Papa Leão XIV para exporem a sua situação — porém o sucessor de São Pedro conforma‑se com um déspota ateu que lidera uma igreja paralela apoiada pelo comunismo.

O comunismo é fundamentalmente malévolo. Para além da sua defesa de uma doutrina ateísta, os regimes comunistas foram responsáveis por alguns dos acontecimentos mais mortíferos da história moderna, com estimativas que sugerem que cerca de 100 milhões de pessoas perderam a vida sob governos comunistas durante o século XX. Além disso, o legado da ideologia caracteriza‑se por estagnação económica, repressão sistemática de liberdades essenciais, catástrofes ambientais e a hipocrisia de uma elite governante que subverte os próprios princípios de uma sociedade sem classes.

Estas falhas não são eventos isolados ou simples erros de implementação. São observáveis em todos os continentes onde o comunismo foi tentado — desde a antiga União Soviética, à China, a Cuba, à Coreia do Norte, os regimes comunistas não se limitam a restringir a liberdade, mas consideram a autonomia individual uma ameaça à sobrevivência do sistema e procuram activamente eliminá‑la.

As liberdades de expressão, imprensa, reunião, movimento, religião e até o pensamento pessoal foram todas sujeitas ao controlo do Estado comunista. A justificação mantém‑se inalterada: o bem colectivo sobrepõe‑se a quaisquer direitos individuais. Na prática, “o bem colectivo” é definido pelo que o partido no poder decide que signifique.

A erradicação da propriedade privada, por exemplo, é um dos princípios fundamentais da ideologia comunista em vez de um mero resultado eventual. Os regimes iniciaram a apreensão de bens quase imediatamente após as respectivas revoluções, abolindo o direito de possuir terra em áreas urbanas e apropriando‑se de edifícios que excediam certos valores modestos. Karl Marx descreveu explicitamente o comunismo como “a expressão positiva da propriedade privada anulada”, indicando que tal não era uma táctica temporária de guerra, mas antes o objectivo último da ideologia.

Contudo, o actual papado aparentemente mantém que alguns resultados benéficos e favoráveis poderão advir do referido acordo provisório. Esta posição contrasta fortemente com as acções do Papa Santo João Paulo II. Eleito em 1978, denunciou a duplicidade dos regimes do Pacto de Varsóvia confrontando‑os directamente. Com o apoio do Presidente dos EUA Ronald Reagan, o Papa polaco apoiou financeiramente organizações anticomunistas, mais notavelmente a Solidariedade, que não só derrubou o regime comunista na Polónia em 1989 como também desencadeou uma reacção em cadeia que conduziu ao colapso de outros governos comunistas, incluindo a U.R.S.S.

No século XX, os regimes comunistas infiltraram‑se eficazmente na Igreja para a destruir a partir de dentro. É difícil acreditar que a China comunista tenha mudado de coração e deixe de se envolver em acções semelhantes. Como disse o Arcebispo Emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen, no início do pacto secreto com a China: “Estão a entregar o rebanho à boca dos lobos. É uma traição incrível."

Fr. Mario Alexis Portella in 'Crisis Magazine'


blogger

sábado, 18 de julho de 2026

O humilde São Camilo de Lellis, padroeiro dos doentes

São Camilo de Lellis foi um religioso italiano. Fundou a Ordem São Camilo. É o padroeiro dos enfermos e dos hospitais. Foi declarado santo no dia 29 de Junho de 1746, pelo Papa Bento XIV. 

São Camilo, nasceu em Bacchianico, cidade do Reino de Nápoles, Itália, no dia 25 de Maio de 1550. Com 6 anos de idade perdeu o pai, oficial do exército. Mal sabia ler e escrever, alistou-se no exército e, com apenas 18 anos, tomou parte numa campanha contra os turcos.

Gravemente doente, voltou a Roma, onde foi internado no hospital dos incuráveis. A paixão pelo jogo fez com que tivesse sido expulso de lá. Posto na rua, doente e pobre, procurou serviço como servente de pedreiro, trabalhando em seguida numa casa que os capuchinhos estavam construindo. Uma conversa que teve com o guardião do convento abriu-lhe os olhos. Largou o jogo, fez penitência e invocou a misericórdia de Deus. Camilo tinha então 25 anos.

Entrou na Ordem dos Capuchinhos, onde fez o noviciado e passou depois para os Franciscanos. Estes, não lhe consentiram a permanência na Ordem, por causa de uma úlcera que tinha no pé, que fora declarada incurável pelos médicos. Dirigiu-se ao Hospital Santiago, em Roma, onde foi internado e, como não tivesse dinheiro, ofereceu-se para trabalhar como servente e enfermeiro. Dedicou-se exclusivamente ao serviço dos enfermos.

Tenho verificado que os pobres doentes sofriam muitas privações, Camilo, em 1582, começou a procurar pessoas que aceitassem socorrer os pobres e doentes e criou uma Irmandade, que teve o apoio do Papa Sisto V. Os primeiros irmãos eram leigos, mas em seguida alguns sacerdotes se juntaram à Irmandade. Adquiriram uma casa, onde moravam em comunidade. A Irmandade cresceu tanto que, em pouco tempo, Camilo teve que abrir novos Institutos na Itália, Sicília e outras partes da Europa. Seguindo ainda o conselho de São Filipe Néri e o exemplo de Santo Inácio, apesar dos seus 32 anos, voltou ao estudo e foi ordenado Sacerdote.

Por causa da peste em Roma, embora doente e sofrendo dores horríveis no pé, ia de casa em casa, procurando socorrer e consolar os pobres doentes. Numerosos foram os casos, em que foi visto levando nas costas os doentes ao hospital, onde os tratava com a maior dedicação. Quando a peste chegou a Milão e Nola, Camilo acompanhou-a levando consigo a caridade e o zelo apostólico. Muitos doentes recuperaram a saúde só pela palavra e oração do Sacerdote. 

Em 1591, o Papa Gregório XIV reconheceu a Irmandade como uma Ordem Religiosa. Camilo era humilde e, por causa da humildade era muito querido em Roma. Chorando sempre os pecados da mocidade, dizia-se indigno de morar entre os homens e ser merecedor do Inferno. Os elogios entristeciam e irritavam o sacerdote. Não permitia que o chamassem fundador de uma Ordem. Camilo era caridoso para com os outros e severo para consigo.

Muito doente e desenganado pelos médicos, Camilo recebeu o Santo Viático das mãos do Cardeal Ginnasi, protector da Irmandade. Vendo a Sagrada Hóstia disse, com as lágrimas nos olhos: "Alegro-me por me terem dito que entrarei na casa do Senhor. Reconheço, Senhor, que sou de todos os pecadores o mais indigno de receber a Vossa Graça".

Camilo de Lellis faleceu, em Roma, no dia 14 de Julho de 1614, no Convento da Madalena. Enquanto os médicos preparavam o seu corpo para ser sepultado, perceberam que a úlcera do seu pé havia desaparecido. O seu coração foi trasladado para Bacchianico. 

in ebiografia.com


blogger

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Como receber e usar o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

No dia 16 de Julho de 1251, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e disse:

"Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma protecção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno."

Qualquer pessoa pode usar o Escapulário, reduzido a um pequeno pedaço de pano. Deve, no entanto, rezar diariamente orações marianas, como por exemplo 3 Avé Marias antes de dormir, pela santa pureza.

Como receber e usar o Escapulário

1 - Qualquer padre tem poder para benzer e impor na pessoa o Escapulário.

2 - Essa bênção e imposição valem para toda a vida, portanto, basta recebê-lo uma vez.

3 - Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.

4 - Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não é necessária outra bênção.

5 - Uma vez recebido, ele deve ser usado sempre, de preferência no pescoço, em todas as ocasiões, mesmo enquanto a pessoa dorme.

6 - Em casos de necessidade extrema, como doentes em hospitais, se o Escapulário lhe for retirado, o fiel não perde os benefícios da promessa de Nossa Senhora.

7 - Em casos de perigo de morte, mesmo um leigo pode impor o Escapulário. Basta recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote.

Em 1910, São Pio X concedeu a permissão para se usar uma medalha de metal, devendo ter em uma das faces o Sagrado Coração e na outra a Santíssima Virgem. Deve ser levada ao pescoço ou de outra maneira conveniente, ganhando-se com o seu uso quase todas as indulgências e privilégios concedidos aos pequenos escapulários. O Santo Papa desse modo quis atender aos apelos dos missionários de zonas tórridas em favor dos nativos, porquanto os pedaços de lã dos escapulários ficavam logo em condições intoleráveis devido ao intenso calor, às vezes sendo ninho de vermes. 

Porém, para se gozar todos os privilégios, é necessário que se tenha recebido a bênção e a imposição do escapulário de lã. Ao contrário do que se dá com o escapulário de lã, no qual basta só o primeiro ser bento, cada medalha-escapulário que se troca precisa ser benta. A recepção deve ser feita com o escapulário de tecido. 

O Papa Pio XI, por decreto (1925), aprovou o escapulário protegido por plástico ou outro material qualquer; mas o escapulário tem que ser de lã.

in Pale Ideas


blogger

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Aparição de Nossa Senhora do Carmo: 16 de Julho de 1251

Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior-Geral. 

Em 1245, foi ele [Stock] eleito para desempenhar este cargo. Encontrou dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que os contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma a sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, aos 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pediu a protecção de Maria. Rezava na sua cela quando viu um clarão, na noite de 16 de Julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridíssimo, este Escapulário da tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”.

John Haffert, no seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. E o maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o anglicano Launoy, dizendo ser uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O Papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só alguém que despreza a Religião poderia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado, e as dúvidas persistiram.

Foi devido a tais ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro denominado “Viridarium”, escrito em 1398 pelo Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela actividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com São Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é Simão Stock, o sexto Superior Geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a Aparição, a 16 de Julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordéus, na França, quando visitava a Província de Vascónia em 1261. Assim registra sobre a Aparição:

“Simão Stock suplicava a Virgem gloriosa, Mãe de Deus, patrona da Ordem, de dotar de algum privilégio os Frades que levavam o Seu nome. E um dia, enquanto recitava devotamente uma oração, a gloriosa Virgem Maria Mãe de Deus apareceu, acompanhada por uma multidão de anjos, e, trazendo na mão o escapulário da Ordem, disse: 'Eis o privilégio que concedo a ti e a todos os filhos do Carmelo. Quem morrer revestido deste hábito será salvo'.”

Infelizmente, a biblioteca de Bordeaux foi queimada um século depois da Aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Para completar, Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e fundar a seita anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas.

Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “Chronica de multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da Aparição de Nossa Senhora. Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados.

Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino.

Enfim, já centenário, chegando a Bordéus (França), quando se dirigia a Tolouse para o Capítulo Geral da Ordem, entregou a sua alma a Deus, a 16 de Maio de 1265. Do seu túmulo saíram raios de luz durante 15 dias depois de sepultado, o que levou os religiosos a comunicarem o portento ao Bispo. Este chegou ao túmulo, acompanhado do clero e de muito povo. Tendo constatado o fenómeno, mandou que se abrisse o sepulcro, aparecendo o corpo do santo emitindo raios de luz e exalando delicada fragrância. Por volta do ano 1276, o culto a Simão Stock foi confirmado para o convento de Bordeaux, pela autoridade da Santa Sé, e mais tarde para os de toda a Ordem carmelitana.

Um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora, o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas.

Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, foi sepultado em Arezzo, a 10 de Janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830, quando foi exumado o seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha por Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História.

Em 1820, numa Assembleia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em Julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo.

Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a Aparição da Santíssima Virgem a Simão Stock é, historicamente, certíssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da Aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

Houve vários Papas que eram devotos do Escapulário, tais como Inocêncio IV, João XXII, Alexandre V, Bento XIV, Pio VI, Clemente VII, Urbano VII, Nicolau V, Xisto IV, Clemente VII, Paulo III, São Pio V, Leão XI, Alexandre VII, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, o Pio XI e Pio XII. Além de usarem o Escapulário, estes Papas estimularam e aconselharam os católicos a usá-lo e premiaram esta devoção, aprovando os seus privilégios e cumulando de favores as Confrarias do Carmo.

A devoção dos Papas: Bento XV o pontífice da paz, chamou o Escapulário de a “arma dos cristãos” e aconselhava aos seminaristas que o usassem. Pio IX gravou no seu cálice a seguinte inscrição: “Pio IX, confrade Carmelita”. Leão XIII, pouco antes de morrer, disse aos que o cercavam: “Façamos agora a Novena da Virgem do Carmo e depois morreremos”. Pio XI escrevia, em 1262, ao Geral dos Carmelitas: “Aprendi a conhecer e a amar a Virgem do Carmo nos braços de minha mãe, nos primeiros dias de minha infância”. Pio XII afirmava: “É certamente o Sagrado Escapulário do Carmo, como veste Mariana, sinal e garantia da proteção e salvação ao Escapulário com que estavam revestidos. Quantos, nos perigos do corpo e da alma, sentiram a proteção Materna de Maria”.

Houve também inúmeros santos que usaram o Escapulário, como, por exemplo, Santo Afonso de Ligório, São Pedro Claver, São Carlos Borromeu, São Francisco de Sales, São João Maria Baptista Vianney, Beato Baptista Mantovano, São Pompílio Pirrotti, São João Bosco, Santa Teresa de Ávila, Santa Terezinha do Menino Jesus, São João da Cruz, Santa Maria de Jesus e Santa Teresa Benedita da Cruz, entre muitos.

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!


blogger

quarta-feira, 15 de julho de 2026

A história de Inácio de Azevedo SJ e companheiros mártires

A 17 de Julho de 1570, há 456 anos, Inácio de Azevedo, recém-eleito Provincial dos jesuítas no Brasil foi martirizado, juntamente com 40 missionários

Português de nobre linhagem, Inácio de Azevedo entrou na Companhia de Jesus, na qual ocupou cargos importantes. As suas insignes virtudes atraíram-lhe as atenções do Provincial S. Francisco de Broja, que o mandou ao Brasil como visitador geral. Dois anos depois voltava à Pátria, para daí a pouco voltar como superior duma leva de missionários.

Atacados no alto mar por corsários franceses, foram imediatamente condenados à morte. O primeiro foi o superior, que se tinha ido colocar diante dos hereges ostentando uma imagem da Ssma. Virgem que recebera das mãos do Papa S. Pio V. A sua mansidão era uma exprobração para a impiedade dos hereges. Trespassado por uma lança e degolado, entregou a alma a Deus.

Do mesmo modo 39 dos seus companheiros foram atormentados com atrozes suplícios, e os seus corpos lançados ao mar. Apenas foi poupado um irmão cozinheiro, de cujos serviços os piratas contavam servir-se. Mas o seu lugar foi logo tomado por um generoso adolescente, sobrinho do capitão do navio, que tinha solicitado a sua admissão na Companhia.

As suas almas foram vistas subir ao Céu por Santa Teresa de Ávila.

in Missal Quotidiano e Vesperal, Desclée de Brouwer & CIE, Bruges (Bélgica), 1957


blogger

terça-feira, 14 de julho de 2026

França desviou-se do seu caminho

Basílica do Sagrado Coração de Jesus - Paris

Eis a que havia chegado a nação franceza tão nobre e generosa; essa velha raça dos francos que fizera com Jesus Christo tão bella aliança, cujos monarchas se honravam com o título de filhos primogenitos da Igreja, que tendo recebido do Céu dons incomparaveis, magnifica em sua gratidão, dera à religião de Christo a maior glória humana, que ella jamais recebeu de povo algum. 

Ei-la caindo primeiramente d'estas alturas em um meio amor, pouco depois, como quase sempre sucede, d'este meio amor na sua total extincção, até que enfim, odiando-se a si mesma e a Deus, viam-na rasgar as entranhas e expulsa-lo com furibundos gritos. Memoravel exemplo d'uma nação que se devia do recto caminho e desconhece a sua missão!

Padre Émile Bougaud (1823-1888) in Origem da Devoção ao Coração de Jesus


blogger

segunda-feira, 13 de julho de 2026

FSSPX apresenta recurso contra a decisão da Santa Sé

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X anuncia que, em resposta ao decreto emitido a 2 de Julho de 2026 pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, apresentou a 11 de Julho um recurso preliminar ao mesmo Dicastério, em conformidade com os cânones 1734 e seguintes do Código de Direito Canónico.

Este pedido, que constitui a etapa preliminar obrigatória antes da eventual introdução de um recurso hierárquico, tem o efeito de suspender a execução do decreto, em conformidade com o cânone 1353 do Código de Direito Canónico.

Com este recurso, a Fraternidade pretende exercer o direito que a Igreja reconhece a qualquer pessoa que se considere lesada por um acto administrativo, a fim de solicitar a sua correção, num espírito de respeito pela autoridade eclesial e de fiel apego à justiça, à verdade e ao bem da Igreja.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X confia este pedido às autoridades competentes e recomenda esta iniciativa às orações de todos os fiéis.

Menzingen, 13 de Julho de 2026


blogger