quinta-feira, 9 de julho de 2026
De Sacerdote bêbado e mulherengo a Mártir
sexta-feira, 3 de julho de 2026
FSSPX responde ao Decreto de Excomunhão
“Entre vós, se um filho pedir pão ao pai, dar-lhe-á uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente em vez de um peixe? Ou, se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem?” (Lc XI, 11-13)
Santíssimo Padre,
Chegou até nós a notificação da decisão tomada pela Santa Sé a respeito da Fraternidade Sacerdototal de São Pio X, assinada por Sua Eminência o Cardeal Fernández, que é já do conhecimento público.
Parece-nos que esta decisão traz novamente à luz o contexto profundamente trágico em que a Igreja universal se encontra. O que a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X fez e continuará a fazer não é senão uma iniciativa extraordinária para a salvação das almas, no meio da confusão doutrinal e moral em que a Igreja se vê mergulhada. De modo nenhum pretendemos substituir-nos à Igreja, e não temos outra ambição senão a de permanecermos fiéis a Ela.
Em consciência, não julgámos poder esquivar-nos ao dever moral que devemos às almas, como já explicámos, tanto em privado como em público, a Vossa Santidade.
Pedimos pão, isto é, uma medida de compreensão para um caso sincero de consciência — um acto de paternidade dirigido não tanto à Sociedade São Pio X como às almas, prometendo-Vos formá-las em verdadeiros filhos da Igreja romana; infelizmente, recebemos uma pedra.
Pedimos um peixe, isto é, a possibilidade de obter temporariamente os meios necessários para continuar a formar bons sacerdotes, a fim de que possam prosseguir na sua missão de dar a conhecer Nosso Senhor às almas; infelizmente, recebemos uma serpente.
Pedimos um ovo, prometendo devolvê-lo assim que possível. Com efeito, a santa Tradição que preservamos nas almas pertence à Igreja, nossa Mãe — e não à Fraternidade São Pio X —, e estamos certos de que um dia um Papa desejará empregá-la para o bem da Igreja universal; infelizmente, recebemos um escorpião.
Pedimos que nos instruíssem e confirmassem na fé de todos os tempos; em vez disso, fomos declarados cismáticos pela segunda vez.
Apesar das sanções que contra nós foram decretadas, a Fraternidade de São Pio X renova sinceramente a promessa já expressa a Vossa Santidade. Permiti-me, a este respeito, reiterar livremente o que anteriormente afirmei:
«A Sociedade promete-Vos […] consagrar todas as suas energias à preservação da Tradição e a colocá-la ao serviço da Igreja. Ao fazê-lo, a Sociedade São Pio X não se limita a manter costumes antigos; fomenta e preserva vocações sacerdotais, vocações religiosas e famílias numerosas e profundamente cristãs — numa palavra, tudo o que manifesta a vitalidade da Igreja, da graça e da fé católica. A nossa intenção não é oferecer à Igreja um museu de antiguidades, mas sim o conjunto da Tradição: fecunda, fonte de vida espiritual, encarnada e vivida nas almas.
[…] Estou certo de que um dia Vós mesmo, ou um dos Vossos sucessores, poderá e quererá utilizar este serviço, cuja oferta, no seio da Igreja e para a Igreja, constitui a única razão de ser da Sociedade.» (Carta pessoal dirigida a Sua Santidade em 21 de Novembro de 2025)
Mas, sobretudo, a Sociedade São Pio X promete-Vos hoje que não acolherá estas novas sanções — objectivamente injustas e inválidas — com amargura ou revolta.
Estas recentes condenações, como as do passado, ferem o que mais caro nos é: o nosso apego à nossa Mãe, a Igreja romana. No entanto, mesmo nesta provação, todas as coisas devem concorrer para o bem das almas e da própria Igreja. Por isso, estas condenações obrigam-nos a amar ainda mais a Santa Igreja e a prover às suas necessidades com todas as nossas forças, agora mais do que nunca. É precisamente por esta razão que a Fraternidade de São Pio X oferece de bom grado o sofrimento causado por estas novas sanções pelo bem da Igreja universal e de Vossa Santidade.
Estamos certos de que um dia Vós mesmo, ou um dos Vossos sucessores, desejará adoptar o programa de São Pio X: «Restaurar todas as coisas em Cristo», Instaurare omnia in Christo. Nesse dia, o Santo Padre descobrirá na Sociedade São Pio X não um ninho de serpentes e escorpiões, mas um pequeno exército de filhos leais, prontos a tudo para O sustentar na restauração de todas as coisas em Nosso Senhor e para reivindicar perante toda a humanidade os direitos imprescriptíveis de Cristo Rei sobre todas as almas e sobre todas as nações.
Nesse dia, o Santo Padre descobrirá, com grande alegria e profundo consolo, almas autenticamente católicas cujo vínculo com a Igreja nunca se fundou sobre as areias movediças de um diálogo ambíguo, mas sobre a rocha da fé de Pedro.
Pedimos à Santíssima Virgem Maria que apresse o despontar desse dia e rezamos, sobretudo, para que Vossa Santidade possa experimentar esta alegria e este consolo o mais brevemente possível.
Entretanto, se puderdes, apesar da Vossa recente decisão, abençoai-nos como Vossos filhos. Para nós, nada mudou e nada mudará jamais.
Confiante na Divina Providência, de quem nada se esconde e que lê no mais profundo do coração de cada homem,
Permaneço, Santíssimo Padre, o vosso devotadíssimo filho no Senhor.
Padre Davide Pagliarani
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Santa Sé excomunga todos os envolvidos com a FSSPX
Nota Explicativa do Dicastério para a Doutrina da Fé – 2 de Julho de 2026
Prot. n.º 99/2009
Desde a época de São Paulo VI até aos últimos colóquios, que se realizaram recentemente junto deste Dicastério, as numerosas tentativas visando reconduzir à plena comunhão com a Igreja Católica os membros do movimento iniciado por D. Marcel Lefebvre revelaram-se vãs. Esta situação agravou-se ainda mais na sequência das recentes consagrações episcopais celebradas sem mandato pontifício, contra a vontade do Santo Padre, em violação manifesta do direito canónico. É por isso que este Dicastério, no fiel exercício das funções que lhe são confiadas, considera necessário constatar que este acto constituiu o delito de cisma, com as consequências canónicas que daí decorrem para os ministros sagrados e para os fiéis leigos envolvidos. Com efeito, como já havia sido declarado em 1988, «esta desobediência, que comporta em si mesma uma recusa prática da primazia romana, constitui um acto cismático» (cf. João Paulo II, Carta Apostólica Ecclesia Dei, n.º 3).
A este respeito, doravante:
- Os ministros sagrados pertencentes à Fraternidade Sacerdotal São Pio X estão em cisma e devem, por conseguinte, ser considerados cismáticos (cf. Ecclesia Dei, n.º 5 c; Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, Nota Explicativa sobre a excomunhão por cisma incorrida pelos aderentes ao movimento de D. Marcel Lefebvre, 24 de Agosto de 1996, n.os 5-6). Estão portanto sujeitos à excomunhão prevista pelo direito (cân. 1364 § 1 do Código de Direito Canónico).
- No que respeita aos fiéis leigos, devem ser considerados cismáticos e excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, segundo as condições estabelecidas pela Nota Explicativa do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos de 1996 (cf. ibid., n.º 7), ainda em vigor e que este Dicastério faz sua.
- Finalmente, o santo Povo de Deus é advertido de que os ministros sagrados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X administram ilicitamente os sacramentos e que o sacramento da penitência que eles administram, bem como os casamentos a que eles assistem, são inválidos.
A Igreja, como uma mãe cheia de solicitude, acolherá com afecto sincero e viva benevolência todos aqueles que desejarem regressar à plena comunhão. Os Núncios Apostólicos colocarão à disposição dos Ordinários os procedimentos que poderão utilizar segundo os diferentes casos.
Por fim, todos os fiéis são exortados a permanecer firmes na comunhão com o Pontífice Romano, com os bispos em comunhão com ele e com toda a Igreja (cf. Lumen gentium, n.º 22; cân. 751 do Código de Direito Canónico), e a absterem-se de participar nas celebrações e nas actividades organizadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Do Palácio do Dicastério, 2 de Julho de 2026.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
FSSPX consagrou quatro Bispos
terça-feira, 30 de junho de 2026
Superior-Geral da FSSPX responde à carta do Papa Leão
Estou profundamente agradecido pela carta que gentilmente Vos dignastes dirigir-me. Fiquei profundamente tocado pela Vossa solicitude paternal.
Há muito tempo desejava ter a ocasião de Vos encontrar a fim de Vos exprimir pessoalmente o nosso desejo sincero de servir a Igreja. Infelizmente, essa oportunidade não se apresentou. Peço-Vos simplesmente que queirais considerar a autenticidade desta intenção, que nada tem de fictício.
Paradoxalmente, no contexto actual, parece-nos ser precisamente o nosso dever fazer tudo o possível para recoser a túnica de Cristo, rasgada por forças e pressões incompatíveis com um espírito autenticamente católico. Peço-Vos apenas que considereis a autenticidade desta intenção, antes de tomardes uma decisão a respeito da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Não é tarde demais.
Longe de nós a ideia de nos separarmos da Igreja romana; pelo contrário, desejamos servi-la por meios extraordinários, como se vai em auxílio de uma mãe em dificuldade, que precisa de um socorro particular, ainda que este não seja compreendido por todos. Mas estou certo de que o Santo Padre o poderá compreender.
A Santa Sé já mostrou que podia compreender situações muito complexas e tomar o tempo necessário. Permito-me, pois, pedir-Vos filialmente que tomeis o tempo que este discernimento exige.
Se as minhas palavras não bastassem, pedir-Vos-ia que reflectísseis sobre dois factos muito simples. Em primeiro lugar, a Fraternidade já foi declarada cismática em 1988, por razões e em circunstâncias absolutamente análogas às de hoje; e, no entanto, depois de tantos anos, falamo-nos como um pai com o seu filho. Vossa Santidade exorta-me paternalmente a evitar um cisma que, teoricamente, já teria ocorrido. Não pensais que esta mesma atitude, de que aprecio profundamente a solicitude, constitui precisamente a prova de que a Fraternidade não é nem cismática nem hostil à Igreja?
Em segundo lugar, há alguns anos, a Santa Sé confiou a dois bispos da Igreja a missão de dialogar com a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X: D. Vitus Huonder, então bispo de Coira, hoje falecido, e D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana. Ambos, depois de terem tomado o tempo necessário ao discernimento, reconheceram o espírito profundamente católico da Fraternidade e disso deram público testemunho.
Mas sobretudo, permito-me dirigir-me a Vossa Santidade em nome dos milhares de almas que reencontraram a fé católica e a prática religiosa graças ao apostolado da Fraternidade. É um facto de que os Vossos predecessores tomaram conhecimento. Estas almas não têm senão um único desejo: chegar à salvação por este instrumento que a Providência pôs à sua disposição. Elas sofreram e são sinceras. Estou certo de que o Vosso coração paternal de Pastor universal será sensível a esta situação tão particular.
Um dia, todas as dificuldades entre a Santa Sé e a Fraternidade serão resolvidas. Um gesto de compreensão da Vossa parte, longe de prejudicar a unidade, não poderia se não manifestar aos olhos do mundo e de todos os cristãos a Vossa solicitude pela unidade e a Vossa bondade de pai.
Deixo tudo isto à Vossa benevolente consideração. Renovo a minha oração por Vossa Santidade.
Há muito tempo, mesmo antes da Vossa eleição, rezo a Santa Rita pela situação presente. Vi na eleição de um Papa agostiniano um sinal de esperança. Estou certo de que a santa intercederá. Nunca é tarde demais.
Peço-Vos que Vos digneis dar-nos a Vossa bênção.
E aproveito esta ocasião para Vos renovar a expressão da minha profunda devoção no Senhor.
Don Davide Pagliarani, Superior-Geral da Fraternidade de São Pio X
Papa Leão escreve carta ao Superior da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X
sábado, 27 de junho de 2026
Sobre a malícia do Pecado Mortal
Sumário. Para nos induzir ao pecado, o demónio deixa-nos ver o pecado somente à metade, mostrando-nos o deleite que nos traz e não o mal que encerra. Consideremos, porém, que esta malícia, pela injúria que faz a Deus, é tão grande que, se todos os homens e anjos se oferecessem a morrerem ou mesmo a aniquilarem-se, não poderiam satisfazer por um só pecado. Um verme da terra revolta-se contra a Majestade infinita. Ah, Senhor! Pelo amor de Jesus Cristo, iluminai-me para compreender a malícia do pecado.
2. Is. 40, 15.
3. Is. 40, 17.
4. S. theol. 3, q. 2, c. 2 ad 2.
5. Ps. 30, 1.
