sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Humor e Idolatria

Parece incompreensível ou, pelo menos, estranho que nem nas traduções bíblicas actuais, nem nas palestras, nem nas pregações se refira à Paixão de Jesus Cristo como um episódio ou programa humorístico. De facto, as narrações dos Evangelhos são tão claras a esse respeito que ecoam enormes gargalhadas acompanhando os gracejos e pilhérias dos assistentes: se é o Messias que desça da cruz, quis salvar os outros, mas nem se salva a si mesmo, etc. As nossas traduções falam de zombarias e escarnecimentos porque são mais sofisticadas no vocabulário, mas o significado é o mesmo.

Num tempo de mentalidades nominalistas, decide-se que as coisas são o nome que lhes dermos (este macho é uma fêmea, eu sou Napoleão, o sacrilégio e a profanação são humor). Este delírio irracional é fruto de um conceito de liberdade insubmissa à razão que encontra o seu fundamento numa rebeldia da vontade contra a Ordem da Criação. Contrariamente ao que muitos pensam, a existência de Deus Criador não é uma verdade de Fé, pois a razão pode reconhecê-Lo pelas Suas obras.

No século IV (304), em Abitina (na actual Tunísia), foram torturados e mortos 49 cristãos, por terem recusado a proibição romana de celebrarem a Eucaristia, declarando que não podiam viver sem ela: “Sem o Senhor (Jesus Cristo presente na Eucaristia, na Comunhão), não podemos viver”. Ora, como é óbvio, ninguém dá a vida por uma gargalhada, por gracejos que, como sementes implantadas na memória e na imaginação, germinarão em crescendo apoucando e banalizando o Sagrado e as virtudes teologais.

O humor não é a realidade última e absoluta, que se possa endeusar e exigir que tudo e todos se lhe submetam e adorem. Se tem essa pretensão, então não passará de um ídolo, de um déspota totalitário.

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Dia de Santa Teresa de Ávila

Era mística, levitava muitas vezes em oração e foi atacada pelo demónio. É uma das poucas doutoras da Igreja, o que demonstra o seu contributo para a teologia.

Além disto tudo foi uma notável poetisa, como se pode ver:

Vossa sou, para Vós nasci,
Que quereis fazer de mim?

Soberana Majestade,
Eterna Sabedoria,
Bondade tão boa para a minha alma,
Vós, Deus, Alteza, Ser Único, Bondade,
Olhai para a minha baixeza,
Para mim que hoje Vos canto o meu amor.
Que quereis fazer de mim?

Vossa sou, pois me criastes,
Vossa, pois me resgatastes,
Vossa, pois me suportais,
Vossa, pois me chamastes,
Vossa, pois me esperais,
Vossa pois não estou perdida,
Que quereis fazer de mim?

Que quereis então, Senhor tão bom,
que faça tão vil servidor?
Que missão destes
a este escravo pecador?
Eis-me aqui, meu doce amor,
Meu doce amor, eis-me aqui.
Que quereis fazer de mim?

Eis o meu coração,
que coloco em Vossas mãos,
com o meu corpo, minha vida,
minha alma, minhas entranhas
e todo o meu amor.

Doce Esposo, meu Redentor,
para ser Vossa, me ofereci,
que quereis fazer de mim?
Dai-me a morte, dai-me a vida,
a saúde ou a doença
dai-me honra ou desonra
a guerra, ou a maior paz,
a fraqueza ou a paz plena,
a tudo isso, digo sim:

Que quereis fazer de mim?
Vossa sou, para Vós nasci,
Que quereis fazer de mim?


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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Exortação de S. Francisco de Assis a Bruno Nogueira

Um pseudo-humorista português, chamado Bruno Nogueira, resolveu fazer um vídeo de "humor" (sem graça) a ridicularizar o Santíssimo Sacramento. Isto aconteceu na RTP, canal do Estado, que é pago com o dinheiro dos impostos dos portugueses. Fica aqui uma lição para os autores e cúmplices dessa blasfémia:

S. Francisco tinha uma Fé firmíssima e viva na Presença verdadeira, real e substancial de Jesus Cristo na Eucaristia. A sua primeira Exortação, intitulada “Do Corpo de Cristo”, sublinha-o com uma clareza meridiana: “Ó filhos dos homens, até quando haveis de ser de coração duro? Por que não reconheceis a verdade, e acreditais no Filho de Deus? Eis que Ele Se humilha cada dia, como quando Se baixou do Seu trono real, a tomar carne no seio da Virgem; cada dia vem até nós em aparências de humildade; cada dia desce do seio do Pai, sobre o altar, para as mãos do Sacerdote. 

E assim como aos Santos Apóstolos Se mostrou em carne verdadeira, assim agora Se mostra a nós no pão sacramentado. Os Apóstolos, com os seus olhos de carne, só viam a Sua carne; mas contemplando-O com os olhos do espírito acreditavam que Ele era Deus. De igual modo, os nossos olhos de carne só ali vêem pão e vinho; mas saiba a nossa Fé firmemente acreditar que ali está, vivo e verdadeiro, o Seu Santíssimo Corpo e Sangue.”

Extasiado com este Mistério prorrompe arrebatado: “Que o homem todo se espante, que o mundo todo trema, que o Céu exulte, quando sobre o altar, nas mãos do Sacerdote, está Cristo, o Filho de Deus vivo! Ó grandeza admirável, ó bondade assombrosa, ó humildade sublime, ó sublimidade humilde, que o Senhor de todas as coisas, Deus e Filho de Deus, se humilhe a ponto de Se esconder, para nossa salvação, nas aparências de um bocado de pão. 

Vede irmãos a humildade de Deus e derramai diante d’Ele os vossos corações, humilhai-vos também vós para que Ele vos exalte. Nada de vós mesmos retenhais para vós, a fim de que totalmente vos possua Aquele que totalmente a vós Se dá”.

Padre Nuno Serras Pereira


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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Mística paraplégica levantava-se para sofrer a Paixão de Cristo

ALEXANDRINA MARIA DA COSTA nasceu em Balasar, Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga, no dia 30 de Março de 1904, e foi baptizada no dia 2 de Abril, Sábado Santo. Foi educada cristãmente pela mãe, junto com a irmã Deolinda. Alexandrina viveu em casa até aos 7 anos. Depois foi para uma pensão dum marceneiro na Póvoa de Varzim a fim de frequentar a escola primária que não existia em Balasar. Fez a primeira comunhão na sua terra natal em 1911 e no ano seguinte recebeu o sacramento da Crisma pelo Bispo do Porto.

Passados 18 meses, voltou a Balasar e foi morar com a mãe e a irmã na localidade do “Calvário”, onde irá permanecer até à morte.

Robusta de constituição física, começou a trabalhar nos campos, equiparando-se aos homens e a ganhar o mesmo que eles. A sua infância foi muito viva: dotada de temperamento feliz e comunicativo, era muito querida pelas colegas. Aos 12 anos, porém, adoeceu: uma grave infecção (uma febre tifóide, talvez) colocou-a quase à morte. Superou a doença, mas a sua saúde ficou abalada para sempre.

Aos 14 anos aconteceu um facto que seria decisivo para a sua vida.

Era Sábado Santo de 1918. Nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma mocinha aprendiz, estavam a trabalhar de costura, quando perceberam que três homens tentavam a entrar na sala onde se encontravam. Embora estivessem fechadas, os três homens forçaram as portas e conseguiram entrar. Alexandrina, para salvar a sua pureza ameaçada, não hesitou em atirar-se pela janela, de uma altura de quatro metros. As consequências foram terríveis, embora não imediatas. De facto, as várias visitas médicas a que foi sucessivamente submetida diagnosticaram, cada vez com maior clareza, um facto irreversível.

Até aos 19 anos pôde ainda arrastar-se até a igreja, onde gostava de ficar recolhida, com grande admiração das pessoas. A paralisia foi avançando cada vez mais, até que as dores se tornaram insuportáveis; as articulações perderam qualquer movimento; e ela ficou completamente paralisada. Era o dia 14 de abril de 1925 quando Alexandrina ficou definitivamente de cama. Ali haveria de passar os restantes 30 anos de sua vida.

Até 1928 não deixou de pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura, prometendo que se sarasse partiria para as missões. Depois compreendeu que a sua vocação era o sofrimento. Abraçou-a prontamente. Dizia: “Nossa Senhora concedeu-me uma graça ainda maior. Depois da resignação deu-me a conformidade completa à vontade de Deus e, por fim, o desejo de sofrer”.

São desse período os primeiros fenómenos místicos: Alexandrina iniciou uma vida de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. 

Um dia em que estava só, veio-lhe improvisamente este pensamento: “Jesus, tu és prisioneiro no Tabernáculo. E eu por tua vontade prisioneira na minha cama. Far-nos-emos companhia”. Desde então começou a primeira missão: ser como a lâmpada do Tabernáculo. Passava as noites como em peregrinação de Tabernáculo em Tabernáculo. Em cada Missa oferecia-se ao Eterno Pai como vítima pelos pecadores, junto com Jesus e segundo as suas intenções.

Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima tanto mais crescia nela o amor ao sofrimento. Comprometeu-se com voto a fazer sempre o que fosse mais perfeito.

De sexta-feira, 3 de Outubro de 1938 a 24 de Março de 1942, ou seja por 182 vezes, viveu, em todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão: Alexandrina, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da Via Crucis.

“Amar, sofrer, reparar” foi o programa que o Senhor lhe indicou. Desde 1934, a convite do padre jesuíta Mariano Pinho, que a dirigiu espiritualmente até 1941, Alexandrina punha por escrito tudo quanto, vez por vez, lhe dizia Jesus.

Em 1936, por ordem de Jesus, pediu ao Santo Padre, através do P. Pinho, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Este pedido foi renovado várias vezes até 1941, pelo que a Santa Sé interrogou três vezes o Arcebispo de Braga a respeito de Alexandrina. No dia 31 de Outubro de 1942, Pio XII consagrou o mundo ao Coração Imaculado de Maria com uma mensagem transmitida de Fátima em língua portuguesa. Este acto foi repetido em Roma na Basílica de São Pedro no dia 8 de Dezembro do mesmo ano de 1942.

Depois de 27 de Março de 1942, Alexandrina deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da Eucaristia. Em 1943, por quarenta dias e quarenta noites, foram rigorosamente controlados por médicos o jejum absoluto e a anúria, no hospital da Foz do Douro, no Porto.

Em 1944, o novo director espiritual, P. Umberto Pasquale, salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a continuar a ditar o seu diário; fê-lo com espírito de obediência até à morte. No mesmo ano de 1944 Alexandrina inscreveu-se na União dos Cooperadores Salesianos. E quis pôr o seu diploma de Cooperadora «em lugar bem visível a fim de o ter sempre debaixo dos olhos» e colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo juvenis. Rezou e sofreu pela santificação dos Cooperadores Salesianos de todo o mundo.

Apesar dos sofrimentos, continuava a dedicar-se aos problemas dos pobres, do bem espiritual dos paroquianos e de muitas outras pessoas que a ela recorriam. Promoveu em sua paróquia tríduos e horas de adoração.

Especialmente nos últimos anos de vida, muitas pessoas, vindas de longe, atraídas pela fama de santidade, visitavam-na; muitas atribuíam a própria conversão aos seus conselhos.

Em 1950, Alexandrina festejou o 25º ano de sua imobilidade. E em 7 de Janeiro de 1955 foi-lhe preanunciado que aquele seria o ano da sua morte. De facto, dia 12 de Outubro quis receber a unção dos enfermos. E dia 13, aniversário da última aparição de N. Sra. de Fátima, ouviram-na exclamar: “Sou feliz porque vou para o céu”. Às 19h30 expirou.

Sobre a sua campa podem ler-se estas palavras por ela tão desejadas:
“Pecadores, se as cinzas do meu corpo puderem ser úteis para a vossa salvação, aproximai-vos: passai todos por cima delas, pisai-as até desaparecerem, mas não pequeis mais! Não ofendais mais o nosso Jesus! Pecadores, queria dizer-vos tantas coisas. Não bastaria este grande cemitério para escrevê-las todas! Convertei-vos! Não queirais perder a Jesus por toda a eternidade! Ele é tão bom!... Amai-O! Amai-O! Basta de pecar!”.

É a síntese da sua vida gasta exclusivamente para salvar as almas. No Porto, na tarde do dia 15 de Outubro, os vendedores de flores viram-se sem nenhuma flor branca: todas tinham sido vendidas para a homenagem floral a Alexandrina, que tinha sido a rosa branca de Jesus. 

in vatican.va


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sábado, 10 de outubro de 2026

Humanamente falando, D. Athanasius não vê Leão XIV a inverter o rumo de Francisco

A celebração da Missa Pontifical no fim de Outubro, na Basílica de Santa Maria Maior - em vez da Basílica de São Pedro - pode ser descrita como um «prémio de consolação», disse D. Athanasius Schneider à Gloria.tv.

É «triste», afirmou, que a estes católicos não seja permitido celebrar a Missa em São Pedro.

Ao mesmo tempo, Santa Maria Maior é a igreja mariana mais importante da Cristandade. Tanto Pio V - que codificou a Missa tradicional para sempre - como Francisco - que a restringiu - estão ali sepultados.

D. Athanasius tenciona rezar com os fiéis pela paz litúrgica e para que a Missa tradicional volte a ser celebrada sem restrições.

Quando lhe foi perguntado se o Papa Leão XIV poderia inverter o rumo de Francisco, Mons. Schneider respondeu: «Humanamente falando, não creio. Mas ainda há Deus.» A peregrinação rezará por Leão XIV, pedindo a Deus que lhe conceda muitas graças.

D. Athanasius chama à supressão da Missa tradicional uma «grande injustiça». Identifica a confusão na fé e a anarquia litúrgica como outras aflições da Igreja.

Quanto à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX), Mons. Schneider disse ter a impressão de que Roma não estava genuinamente interessada em encontrar uma solução. O Superior-Geral, Padre Davide Pagliarani, escreveu várias cartas a Leão XIV sem receber uma única resposta. Schneider descreveu as cartas como muito respeitosas e reverentes.

Na reunião de Fevereiro com o Cardeal Fernández, Roma apresentou o que D. Athanasius Schneider chama «exigências máximas»: a aceitação do Concílio Vaticano II no seu conjunto e da bondade da Missa Nova. «São dois pontos-chave que a FSSPX não pode aceitar, porque comprometeriam a integridade da fé.»

Em contraste, disse Mons. Schneider, no acordo do Vaticano com a China comunista a Santa Sé foi a extremos para acomodar o governo, inclusivamente nas nomeações episcopais, a fim de evitar um cisma. Este arranjo é «contrário ao direito divino», porque a Igreja não é nacional e não pode, em última análise, ser governada pelo Partido Comunista.

Mons. Schneider vê uma razão ideológica por detrás da severidade pastoral para com a FSSPX: um esforço para estabelecer a ideologia do Modernismo no interior da Igreja. Descreve os diálogos ecuménicos e inter-religiosos como um abalo à pureza da fé. Mesmo quando o Novus Ordo é celebrado correctamente, diz ele, os seus textos continuam problemáticos e, no mínimo, doutrinalmente muito ambíguos. No seu entender, o Vaticano quer que todos aceitem este programa.

D. Athanasius Schneider descreve a FSSPX como a última realidade que resta na Igreja a resistir categoricamente a tais ambiguidades. Crê que se pretende silenciar esta voz e alinhá-la com o rumo geral.

Depois das consagrações episcopais de 1 de Julho, Mons. Schneider visitou vários apostolados da FSSPX e ficou com uma impressão muito positiva, tanto do clero como dos leigos. Continuam a rezar pelo Santo Padre e procuram contacto com os bispos locais: «É um bom sinal de que há um genuíno espírito católico.»

in gloria.tv


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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O comovente funeral do Papa Pio XII

A 9 de Outubro de 1958 morria o Papa Pio XII, com 82 anos de idade. Roma e o Mundo pararam para prestar homenagem ao Papa Pacelli.

"A salvação de muitos depende das orações e dos sacrifícios voluntários, feitos com esta intenção, pelos membros do corpo místico de Jesus Cristo, e da colaboração que pastores e fiéis, sobretudo os pais e mães de família, devem prestar ao divino Salvador." 

Papa Pio XII in Carta Encíclica 'Mystici Corporis'



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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Roma: Cardeais Burke e Müller afirmam que Nossa Senhora é Co-Redentora e Medianeira de Todas as Graças

Na conferência "De Maria numquam satis", realizada no Augustinianum, em Roma, a 7 e 8 de Outubro de 2026, os Cardeais Raymond Leo Burke e Gerhard Ludwig Müller voltaram a afirmar, em público, a doutrina tradicional sobre o lugar de Nossa Senhora na obra da salvação precisamente o ponto que a nota Mater Populi fidelis, assinada pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández, procurou restringir.

O Cardeal Burke abriu os trabalhos. Disse que a Bem-aventurada Virgem Maria participou de modo único no mistério da Encarnação redentora e que «é justamente chamada Corredentora». Recordou que o título é usado há mais de quinhentos anos para exprimir que Maria, criatura dependente de Cristo, secundária e subordinada a Ele, se uniu ao Filho e O ofereceu ao Pai, no Calvário, pela nossa salvação. 

Quanto ao Concílio, afirmou que a Lumen Gentium ensina a colaboração activa de Maria na Redenção, embora tenha evitado a palavra Corredentora por receio de mal-entendido entre os não-católicos. E ligou expressamente os dois títulos: a mediação das graças decorre do seu papel de Corredentora. O termo Medianera figura na Lumen Gentium, n.º 62, com a ressalva de que nada tira nem acrescenta a Cristo, único Medianeiro. Maria é Medianeira com o Filho. Burke chegou a falar do seu papel de Corredentora e de Medianeira de todas as graças como pertencente à sua maternidade espiritual.

O Cardeal Müller encerrou o encontro no mesmo sentido. Declarou que o título de Corredentora não é «uma atribuição enganadora nem um exagero entusiástico», mas «uma verdade objectivamente contida na revelação». Acrescentou que não deve ser silenciado por causa da rejeição protestante, e criticou a ideia de justificação que exclui a livre cooperação do homem na redenção. Deus, disse, não nos exclui da obra redentora: inclui-nos nela. Rejeitou ainda a objecção de que o título só teria surgido na Baixa Idade Média: uma verdade contida na Revelação não se confunde com a data da sua formulação.

Isto afirma o exactamente o que foi rejeitado na nota do Cardeal "Tucho" Fernández, de 4 de Novembro de 2025, aprovada por Leão XIV. Aí o título de Corredentora é dado como «sempre inadequado», e o de Medianeira de todas as graças é apresentado como tendo limites que não favorecem a recta compreensão do lugar de Maria. A nota chega a dizer que nenhuma pessoa humana, nem a Virgem, pode actuar como dispensadora universal da graça. Ambos os Cardeais, sem nomear Fernández, reafirmaram o contrário: a cooperação única de Maria na Redenção é doutrina da Igreja, e dela decorre a sua mediação de todas as graças, sempre subordinada a Cristo e dependente d'Ele.


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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Há 455 anos Nossa Senhora do Rosário salvou a Europa Cristã

No dia 7 de Outubro de 1571, há 455 anos, Nossa Senhora do Rosário teve uma influência decisiva na Batalha de Lepanto. Apenas as 200 galeras lideradas por D. João d'Áustria se interpunham entre as tropas muçulmanas e a invasão da Europa. Os cristãos lutaram bravamente, não por ódio ao que tinham à sua frente mas por amor ao que tinham atrás de si.

No entanto, perante o maior número de navios inimigos, essa bravura não se estava a mostrar suficiente. Mas, inesperadamente, tudo mudou de um momento para o outro e os cristãos venceram facilmente. Mais tarde, interrogando vários mouros feitos prisioneiros, estes testemunharam que apareceu no céu uma brilhante e majestosa Senhora, que os ameaçou e logo começaram a fugir.

Ciente da importância da Batalha de Lepanto, o Papa São Pio V tinha pedido insistentemente aos fiéis que rezassem o Rosário para que a Europa não viesse a ser muçulmana, com todas as consequências nefastas que isso comportaria.
 
Nossa Senhora, sempre atenta às preces dos seus filhos, interveio pessoalmente para que a Europa continuasse a ser cristã. Por isso é que hoje é dia de Nossa Senhora do Rosário.


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terça-feira, 6 de outubro de 2026

São Bruno abandonou o Mundo para fundar a Cartuxa

Nasceu em 1035 no seio duma nobre família da Colónia (Renânia). Desde a infância trazia Bruno o cunho de uma alma eleita, o que se lhe manifestava na aversão a tudo que era leviano, na prudência, modéstia e predilecção para tudo que era de Deus e do seu santo serviço.

Tendo a idade própria, frequentou a escola de São Cuniberto, na qual fez tão brilhantes progressos que o Arcebispo de Colónia, Santo Hano, não hesitou em recebê-lo entre os clérigos e mais tarde lhe oferecer um canonicato. Morto o Arcebispo, Bruno aceitou um canonicato em Rheims, e é provável que tenha lá ocupado o lugar de instrutor do clero.

Vendo-se perseguido pelo arcebispo simoníaco Manassés, e profundamente aborrecido das vaidades e prazeres do mundo, resolveu abandonar tudo que ao mundo o ligava e procurar a solidão.

Seis amigos acompanharam-no: Landuíno, Estêvam de Lonry, Estêvam de Die, cónegos de São Rufo do Dauphiné, Hugo (sacerdote já idoso) e mais dois leigos, André e Gerin. Bruno, entretanto, fez-lhes ver que pouco adiantaria meterem-se na solidão, se não tivessem um guia ilustrado, competente, mestre da oração e da santidade.

Formaram conselho e resolveram dirigir-se a Hugo, Bispo de Grenoble, homem reconhecidamente santo, em cuja vasta diocese também existiam muitos lugares próprios para se fundar uma ermida.

Hugo recebeu os sete homens, que lhe eram desconhecidos, e, vendo-os, lembrou-se de um curioso sonho que tivera na noite antecedente. Parecia-lhe ver Deus em pessoa, num lugar deserto da Diocese, erigir um templo, chamado Cartuxo; e da terra se elevarem sete estrelas que, formando um círculo, tomaram a dianteira, para lhe indicar o caminho para aquele lugar.

Bastou Bruno e os companheiros falaram-lhe do plano e neles reconheceu os mensageiros divinos, preconizados pelas sete estrelas vistas em sonho. Animou-os a executar o projecto heróico; mais: indicou-lhes o lugar da futura residência e prometeu-lhes todo o apoio. Para que não se embalassem em vãs esperanças e os pusesse ao abrigo contra duras decepções, fez-lhes uma descrição minuciosa daquele lugar, que, além de deserto, era inóspito e pavoroso. Era precisamente o que procuravam: um lugar de acesso difícil, para ficarem livres de relações com o mundo.

Hugo, encantado com o espírito de sacrifício daqueles homens, hospedou-os em casa, até que os raios do sol da primavera tornassem mais viajáveis os caminhos. Ele mesmo queria acompanhá-los e entregar-lhes o sítio da futura residência. Chegados ao lugar escolhido, Bruno e os companheiros começaram a construir uma casa, de oração e pequenas celas, uma regularmente distanciada da outra. Foi esta a origem dos Cartuxos, no ano de 1084.

Difícil tarefa é dar uma descrição minuciosa da vida daqueles santos homens naquela solidão. Obrigaram-se a observar absoluto e permanente silêncio, para tanto mais poder estar em oração com Deus. Grande parte do dia dedicavam à recitação dos salmos. O corpo parecia não ter outro destino que não sofrer mortificação. A ocupação principal e predilecta era copiar bons e piedosos livros, para assim ganhar o sustento.

Em Bruno, iniciador da obra, viam o Superior. Não só era o mais ilustrado, como também na prática das virtudes era o primeiro. Foram estes os motivos também porque Hugo o escolheu para conselheiro particular, a quem visitava diversas vezes por ano, desprezando as fadigas e sacrifícios inerentes à penosíssima viagem.

Inesperadamente recebeu Bruno ordem do Papa Urbano II para se apresentar em Roma. Bruno não era um desconhecido da Santa Sé, pois Urbano tinha sido seu discípulo, e era a veneração ao mestre, a admiração do seu saber e das suas virtudes, que inspiraram ao Papa mostrar-se grato ao benfeitor e, ao mesmo tempo lhe pedir conselhos de que necessitava.

A ordem do Papa causou tanta tristeza na pequena comunidade, que chegou ao completo desânimo. Não podiam os companheiros de Bruno conformar-se com a ida do mestre, e assim resolveram acompanhá-lo na viagem a Roma, para a qual Hugo lhe deu a bênção.

A recepção em Roma não podia ser mais cordial e fidalga. Bruno teve que ficar ao lado do Papa, e os companheiros foram hospedados na cidade, onde continuaram a sua vida de religiosos. Breve, porém, experimentaram a grande diferença entre a cidade e a solidão na Cartuxa. Não foi possível obter do Papa o regresso de Bruno. Para a obra não correr perigo de dissolver-se, nomeou Prior a Landuíno, o qual com os demais companheiros voltou para a França.

Embora separado do rebanho, conservou-se Bruno sempre em contacto com os filhos espirituais, por meio de uma correspondência ininterrupta, ficando assim sempre a par dos acontecimentos, não faltando o conselho e a assistência espiritual aos religiosos, sempre que assim o reclamavam.

A obra de Bruno e dos companheiros era muito santa, para não experimentar as ciladas do inimigo, que servindo-se de homens maus e invejosos, tudo fez para esmorecer o espírito dos santos homens, insinuando-lhes a inutilidade e contraproducência de uma vida tão austera, a inutilidade e desvantagem de tantos sacrifícios acima das forças da natureza e outras coisas mais. Não pequena foi a perplexidade dos religiosos que não cedeu enquanto Deus não lhes mostrasse numa celeste revelação, a futilidade das objecções diabólicas. Assim ficaram consolados e reanimaram-se a seguir fielmente a Regra até a morte.

À instância de muitos pedidos, obteve Bruno licença para voltar e retomar o lugar na comunidade; mas, nova complicação impossibilitou-lhe o regresso. Os habitantes de Régio, na Calábria, tendo perdido o Arcebispo, ofereceram a Bruno a Mitra, e o Papa deu-lhe a entender que seria muito de seu gosto, se a aceitasse. Bruno, porém, opôs-se às proposições do episcopado, para poder voltar à Ordem. Nesse tempo, resolveu o Papa fazer uma viagem à França e Bruno, receando ficar novamente preso com negócios da Santa Sé, desistiu do seu plano primitivo e, com outros companheiros que ganhou em Roma, fundou uma nova casa da Ordem no deserto de La Torre, na Diocese de Squillace.

Deus deu-lhe um grande amigo e benfeitor na pessoa do Duque Rogério, da Sicília e Calábria, o qual lhe doou terreno e meios para fazer um convento e uma igreja dupla, dedicada à Santíssima Virgem e a Santo Estêvão. Tendo assim garantida a subsistência da Ordem, trabalhou para sua maior organização e solidificação espiritual.

Em 1101, Bruno adoeceu gravemente. Na presença da morte, por assim dizer, diante dos Irmãos da Ordem, fez uma confissão pública de toda a vida. À confissão seguiu-se a profissão de fé, na qual frisou bem o dogma da Santíssima Eucaristia, contra as ideias erradas de Berengário de Tours e acrescentou: “Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica; em particular creio que o pão e o vinho consagrados na santa Missa são o Corpo verdadeiro de Jesus Cristo e o Seu verdadeiro Sangue”.

No dia 6 de Outubro entregou o espírito a Deus. O corpo, enterrado no cemitério de La Torre, em 1515 foi encontrado intacto.

A Ordem dos Cartuchos, além de ser a mais austera de todas as Ordens da Igreja, tem a fama de nunca se ter afastado do espírito primitivo das suas Constituições e nunca precisou de uma reforma. Leão X aprovou, para uso da Ordem, o Ofício do Fundador, e Gregório XV estendeu-o para o uso da Igreja toda.

Reflexões 

A vida de São Bruno recomenda-nos à prática de uma virtude raras vezes encontrada no mundo, e no entanto tão necessária aos que querem salvar a alma: o amor à solidão. Bem poucos poderão, como Bruno, procurar o ermo e lá passar grande parte da vida, em completo retiro do mundo. Mas o que todos podem e devem fazer é, de vez em quando, recolher-se espiritualmente, procurar a solidão do coração, exercer uma vigilância mais rigorosa sobre os sentidos e os movimentos do espírito, “Vigiai e orai” – é a ordem que Nosso Senhor deu, não só aos Apóstolos, como a todos os fiéis. Onde não há vigilância, há dissipação; faltando a oração, seca a fonte das graças. 

Numa vida, como a nossa, tão cheia de perigos e abrolhos, a vigilância e a oração são indispensáveis. Se não conseguirmos domar as nossas paixões, elas nos escravizarão; se não fugirmos do mundo, ele nos absorverá; se não resistirmos ao demónio, ele chegará a nos subjugar. Demónio, mundo e nossa carne, estes três terríveis inimigos são reduzidos à impotência, pelo retiro espiritual, pela vigilância e pela oração.

in filhosdapaixao.org.br


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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

5 de Outubro: Portugal reconhecido como Reino independente no Tratado de Zamora

Em Zamora, a 5 de Outubro do ano de 1143, os monarcas do território lusitano e leonês, segundo a vontade do Papa Celestino II (nomeado um mês antes), conciliaram-se e firmaram tratado de paz (Tratado de Zamora). D. Guido de Vico estava ali como legado Papal. D. Afonso Henriques passou a ser oficialmente reconhecido como primeiro Rei de Portugal, e D. Alfonso VII de Leão passou a não ver mais como terras leonesas a grande parte da antiga Lusitânia (que já deveriam ter sido devolvida com a reconquista). 

Dá-se aqui o início do cumprimento da visão em que Nosso Senhor, quando apareceu a D. Afonso Henriques em vésperas da batalha de Ourique, determinou a missão do Reino e deu indicações para o brasão português.

D. Afonso Henriques colocou a si e ao reino nas mãos da Santa Sé. Portugal desde o berço é vassalo da Santa Sé.

Portugal tem o nome de "Terras de Santa Maria".

O Rei colocou também o reino sob protecção vitalícia da Mãe de Deus (naquele tempo mais designada por Santa Maria) e fez o seguinte voto: 

"Ordeno que eu, meu reino, minha gente, meus sucessores, fiquemos debaixo da tutela e protecção, defesa e amparo da bem-aventurada Virgem Maria de Claraval..." (o documento é posse do Mosteiro de Alcobaça). Mandou então edificar a igreja de Santa Maria de Alcobaça, aquando da conquista de Santarém aos mouros. Muitas outras igrejas e capelas dedicadas a Nossa Senhora foram erigidas ou dedicadas por sua iniciativa, tal como a Sé do Porto e a importantíssima Sé de Braga que tinha funcionado como centro de unificação lusitana lado a lado com o outro, o de Compostela.

Este nosso primeiro Rei teve uma vida de verdadeiro cavaleiro e não descuidava os fins legítimos bélicos , nem os da devoção. Foi terciário, e vestia ele e a Rainha esse habito religioso. Teve fama de virtudes heróicas e tinha como apoio espiritual o primeiro santo de Portugal-reino: S. Teotónio, co-fundador do Mosteiro da Ordem de Santa Cruz em Coimbra que, após um ano do seu nascimento para a eternidade, foi elevado aos altares pela grande santidade e abundantes milagres.



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domingo, 4 de outubro de 2026

800 anos de São Francisco no Céu

Hoje comemoramos 800 do trânsito de São Francisco de Assis, i.e. o dia em que foi para o Céu. Este Pai Seráfico renunciou a todas as algemas mundanas, vivendo só e apenas para Jesus Cristo, seu Mestre e Senhor.

Louco (de amor), como são os santos, andava pelos campos a gritar: "O Amor não é amado, o Amor não é amado!", denunciando o quão mal-tratado era Deus, já naquela altura (séc. XIII). Imaginem o que diria se visse o quão podre está a nossa sociedade.

Como era um homem corajoso e viril, ao contrário de tantos quadros que lhe pintaram nas últimas décadas, foi até ao Egipto para se encontrar com o Sultão Malek al-Kamil. Para isso teve de ultrapassar linhas inimigas e só por milagre não foi morto pelos soldados sarracenos.

Cara-a-cara com Malek al-Kamil disse-lhe: "Foi Deus que me enviou a vós para vos mostrar o caminho da salvação." Depois destas palavras, o missionário exortou o Sultão a abraçar o Evangelho.

Está visto que São Francisco não acreditava que todas as religiões fossem um caminho para Deus.

São Francisco de Assis, rogai por nós.


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sábado, 3 de outubro de 2026

O elevador que me há-de elevar até ao Céu - Santa Teresinha do Menino Jesus

Estamos num século de invenções. Agora já não se tem a maçada de subir os degraus de uma escada; em casa dos ricos o ascensor substitui-a vantajosamente. Eu queria também encontrar um ascensor que me elevasse até Jesus, porque sou demasiado pequena para subir a rude escada da perfeição. Então, procurei nos Livros Sagrados a indicação do ascensor — objecto do meu desejo —, e li as estas palavras saídas da boca da Sabedoria eterna: Se alguém for pequenino, venha a mim. 

Então, aproximei-me, adivinhando que tinha encontrado o que procurava, e querendo saber, ó meu Deus!, o que faríeis ao pequenino que respondesse ao vosso apelo. Continuei as minhas buscas, e eis o que encontrei: — Como uma mãe acaricia o seu filho, assim eu vos consolarei; levar-vos-ei ao colo e embalar-vos-ei nos meus joelhos! Ah!, nunca palavras tão ternas e tão melodiosas me vieram alegrar a alma.

O ascensor que me há-de elevar até ao Céu, são os vossos braços, ó Jesus! Para isso não tenho necessidade de crescer; pelo contrário, é preciso que eu permaneça pequena, e que me torne cada vez mais pequena. Ó meu Deus! excedestes a minha esperança, e eu quero cantar as vossas misericórdias."

in História de uma Alma


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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Quem são os Anjos da Guarda?

Tenho um Anjo da Guarda?
Sim, qualquer ser humano tem um Anjo da Guarda.
 
Quando é que recebi o meu Anjo da Guarda? 
No momento da concepção. O vosso Anjo foi-vos dado mesmo antes das graças do baptismo! Isto é porque os Anjos são dados aos seres humanos em virtude da nossa razão e não da nossa graça baptismal.
 
O meu Anjo foi Anjo da Guarda de alguém antes de mim?
Provavelmente não. Cada ser humano recebe um Anjo. No entanto, é teoricamente possível (apesar de muito improvável) que um Anjo possa ser reposicionado se o seu primeiro humano for condenado ao inferno.
 
O meu Anjo da Guarda vai estar comigo na próxima vida?
Se forem para o Céu, o vosso Anjo estará convosco na glória como companheiro e amigo eterno. Se forem para o inferno, o Anjo vai deixar-vos e, em vez dele, receberão um demónio que vos vai atormentar para sempre.
 
O meu Anjo da Guarda já me conhecia antes de nascer?
Sim. Não só pelo conhecimento natural dos Anjos, mas também por um conhecimento especial dado por Deus - o vosso Anjo conheceu-vos desde o momento da sua entrada no Céu, depois da sua criação.
 
O meu Anjo da Guarda é um Arcanjo?
Quase de certeza que não. Parece que os Anjos da Guarda são todos escolhidos do coro mais baixo de Anjos, que se chama "Anjos". Os Arcanjos estão sobre este coro e não parecem ter a função dos Anjos da Guarda. É possível que um Anjo da Guarda possa receber ajuda e conselhos dos Arcanjos, ou mesmo de um Serafim.
 
O meu Anjo está sempre comigo?
Sim, o vosso Anjo vigia-vos sempre porque Deus vos guia sempre com a Sua providência. Um Anjo está localmente presente quando actua como causa completa e imediata num corpo; assim, o Anjo até pode estar localmente presente ao pé de vocês. Em qualquer dos casos, o vosso Anjo está espiritualmente presente na vossa alma; a não ser que sejam condenados ao inferno depois da morte.
 
Os meus pecados fazem o meu Anjo ficar triste?
Nem por isso. O vosso Anjo goza da visão perfeita de Deus e, portanto, não pode estar triste, pois todos aqueles que vêem Deus estão felizes com perfeição. Tal como Deus permite que pequem, também o vosso Anjo permite que caiam - isso não o faz ficar triste, porque ele tem sempre alegria ao olhar para o plano de Deus. Ainda assim, é provável que o vosso Anjo experimente um desgosto geral com os vossos pecados.
 
O meu Anjo da Guarda luta contra demónios em meu nome?
Claro! Lembrem-se do livro de Tobias, o Arcanjo Rafael salvou Tobias dos demónios que atormentavam Sara.
 
O meu Anjo da Guarda pode trabalhar com outros Anjos da Guarda para conseguir algo bom?
Sim, de facto. O Padre Pio enviava regularmente o seu Anjo da Guarda para trabalhar com outros Anjos. Os Anjos regozijam-se em trabalhar juntos para o nosso maior bem.
 
O meu Anjo da Guarda discute com outros Anjos da Guarda?
Sim, num certo sentido. Os vários Anjos da Guarda trabalham a um nível mais imediato quando guiam a espécie humana. Assim, apesar de todos os Anjos da Guarda estarem totalmente dedicados ao plano de Deus, é possível que existam movimentos contrários parciais ou temporários na forma como este plano é concretizado. S. Tomás usa isto como uma interpretação da divisão entre Gabriel e o Anjo da Pérsia no livro de Daniel. Como diz o Doutor Angélico, "Diz-se que os Anjos se resistem uns aos outros; não que as suas vontades estejam em oposição, visto que são uma só mente no que toca ao cumprimento dos decretos Divinos, mas sim que as coisas sobre as quais procuram conhecimento estão em oposição" (ST I, q.113, a.8)
 
O meu Anjo da Guarda pode afectar a realidade física à minha volta?
Sim. Santa Gemma Galgani pedia regularmente ao seu Anjo da Guarda para enviar cartas por ela - muitas cartas foram e vieram para o seu director espiritual, enquanto ele estava em Roma.
 
Posso dar um nome ao meu Anjo da Guarda?
Talvez, mas temos que ter em conta que normalmente compete é ao superior nomear o inferior. Assim, não parece próprio que um ser humano possa dar nome a um Anjo.
 
O meu Anjo tem um nome?
Quase de certeza, Deus nomeou todos os seus Anjos - ou talvez os Anjos superiores deram nomes aos inferiores.
 
Como é que eu descubro o nome do meu Anjo da Guarda?
Podem experimentar perguntar. Mas também é possível que não vos seja revelado imediatamente. Penso que no Céu todos saberemos os nomes dos Anjos da Guarda.
 
É possível ter uma devoção exagerada ao nosso Anjo?
Desde que tenham em mente que o vosso Anjo é uma expressão do amor e da providência de Deus (e não um ser para ser considerado sozinho), não há perigo deter uma devoção demasiado forte ao vosso Anjo da Guarda.
 
Jesus tinha um Anjo da Guarda?
Sim, como qualquer outro ser humano, Cristo tinha um Anjo da Guarda. É provável que o seu Anjo da Guarda fosse o maior de todos os Anjos do coro inferior de Anjos. 
 
O anti-Cristo vai ter um Anjo da Guarda?
Se for um ser humano vai ter um Anjo da Guarda. Mesmo que ele venha a ser um grande inimigo de Deus, o Senhor vai continuar a amá-lo - a expressão deste amor é o dom de um Anjo da Guarda.
 
Quantos Anjos existem e poderiam ser potenciais Guardas?
Existem incomparavelmente mais Anjos que seres humanos. Assim, apesar de os Anjos da Guarda só serem escolhidos do coro mais baixo dos Anjos, é provável que o coro tenha bem mais Anjos que o número de humanos que já existiram, existem e vão existir. O único limite ao número de Anjos da Guarda é o número de humanos e não o número de Anjos.
 
Todos os santos Anjos da Guarda, roguem por nós!
 
in New Theological Movement


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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

"Ao entardecer da vida serás examinado no amor"

São João da Cruz, confessor e doutor da Igreja, foi o responsável pela reforma da Ordem Carmelita, juntamente com S. Teresa de Ávila e é considerado um dos maiores místicos de sempre. A Igreja diz que o seu zelo e o sucesso dos seus esforços causaram-lhe provações humilhantes, que lhe ensinaram a subir, dentro da “noite escura”, até à experiência mística do “nada” do homem diante da Majestade Divina.

Algumas frases da sua autoria:


"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida na sua liberdade e contemplação."


"O mais leve movimento duma alma animada de puro amor é mais proveitoso à Igreja do que todas as demais obras reunidas."


"O demónio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus."


"O afecto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do amor tornar aquele que ama semelhante ao amado."


"O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo amado."


"A pessoa que caminha para Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina as suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta acima."


"A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente."


in São João da Cruz, Obras


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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Jesus ordena ao demónio: "Vai com os porcos"

Vede a que ponto a alma do homem é preciosa. O que contraria os que pensam que os homens e os animais têm uma alma idêntica e que somos animados pelo mesmo espírito. Noutra altura, o demónio foi expulso de um só homem e foi enviado para dois mil porcos (cf Mt 8,32). 

Aquilo que era precioso foi salvo, e o que era vil, perdido: «Sai do homem, vai para os porcos. Vai para onde quiseres, vai para os abismos. Deixa o homem que é Minha propriedade. Não te vou deixar possuir o homem pois seria para Mim um ultraje instalares-te nele em Meu lugar. Assumi um corpo humano, vivo no homem: essa carne que possuis faz parte da Minha carne: sai deste homem!»

São Jerónimo in Homilias sobre o Evangelho de São Marcos, nº2


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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Exorcismo de São Miguel Arcanjo escrito pelo Papa Leão XIII

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Ó gloriosíssimo Príncipe da milícia celeste, Arcanjo S. Miguel, defendei-nos na nossa luta e nosso combate contra os principados e as potestades, contra os governantes deste mundo tenebroso, contra a perversidade espiritual em lugares elevados.

Vinde em auxilio do homem, que Deus criou imortal, à sua imagem e semelhança, e resgatou por grande preço da tirania do diabo. Combatei neste dia a batalha do Senhor, junto com os santos anjos, como já haveis combatido o líder dos anjos orgulhosos, Lúcifer, e o seu exército apóstata, que não tinham poder para vos resistir, nem tinham mais lugar no Céu. Mas aquela antiga e cruel serpente, chamada de demónio ou Satanás, que seduz todo a orbe, foi mandada para o abismo com todos os seus anjos.

Eis que o primordial inimigo e assassino do homem se ergueu veementemente. Transformado em anjo da luz, ele vagueia com toda a multitude de espíritos malignos, invadindo a terra em ordem a extirpar dela o nome de Deus e do Seu Cristo, para, deleitando-se, matar e atirar para a perdição eterna as almas destinadas à coroa da eterna glória.

Este malvado dragão derrama, como torrente imunda, o veneno da sua malícia sobre o homem de mente depravada e coração corrompido; o espirito da mentira, da impiedade e da blasfémia; o odor pestilento da luxúria e de todo o vício e iniquidade.

Estes astutos inimigos encheram e inebriaram com ódio e amargura a Igreja, a esposa do Cordeiro Imaculado, e deitaram as suas mãos impiedosas sobre as suas posses mais sagradas. Onde se encontra a Sede do Santo Apóstolo Pedro e Cátedra da Verdade para ser luz do mundo, eles elevaram um trono da sua abominável impiedade, com o desígnio iníquo de que quando o Pastor é abatido, as ovelhas se dispersam.

Erguei-vos então, ó General invencível, auxiliai o povo de Deus contra os ataques que irrompem dos espíritos perdidos e trazei-nos a vitória.

A Santa Igreja venera-vos como protector e patrono; glorifica-vos como a sua defesa contra os poderes malignos deste mundo e do inferno; a vós Deus confiou as almas do homem para serem estabelecidas na beatitude celeste. Intercedei junto do Deus da paz para que Ele esmague Satanás sob os nossos pés, tão conquistado que não consiga mais prender os homens em cativeiro e magoar a Igreja.

Oferecei as nossas orações à vista do Altíssimo, para que elas possam rapidamente alcançar-nos as misericórdias do Senhor; e derrubando o dragão, a antiga serpente, que é o demónio e Satanás, tornai-o novamente cativo no abismo, para que ele não possa mais seduzir as gentes. Ámen


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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo

Esta devoção foi ensinada e pedida pelo próprio Arcanjo à serva Antónia de Astónaco, em Portugal. A devoção passou para outros países, foi aprovada por muitos bispos e até pelo Santo Papa Pio IX, que a enriqueceu de indulgências, a 8 de Agosto de 1851. 

Método para rezar:

DEUS vinde em nosso auxílio. 
SENHOR socorrei-nos e salvai-nos. 
Glória ao Pai, ao Filhos e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. 
Ámen.

Primeira Saudação
Pela intercessão de SÃO MIGUEL e do coro celeste dos SERAFINS, fazei-nos SENHOR dignos do fogo da perfeita Caridade. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Segunda Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos QUERUBINS, pedimos SENHOR a graça de trilharmos a estrada da perfeição cristã. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ...

Terceira Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos TRONOS, pedimos SENHOR que nos deis o espírito da verdadeira humildade. 
Um PAI Nossa ... Três Ave Marias ... 

Quarta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das DOMINAÇÕES, pedimos SENHOR nos concedais a graça de dominar os nossos sentidos e de nos corrigir das nossas más paixões. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Quinta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das POTESTADES, pedimos SENHOR que vos digneis proteger as nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e dos demónios. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Sexta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das VIRTUDES, pedimos SENHOR a graça de sairmos vencedores no perigoso combate das tentações. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Sétima Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos PRINCIPADOS, pedimos SENHOR que nos deis o espírito de uma verdadeira e sincera obediência a Vós. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ...

Oitava Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ARCANJOS, pedimos SENHOR que nos concedeis o dom da perseverança na Fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso. 
UM PAI NOSSO ... Três Ave Marias ... 

Nona Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ANJOS, pedimos SENHOR que estes espíritos bem-aventurados nos guardem sempre, e principalmente na hora da nossa morte e nos conduzam à glória do Paraíso. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

No final reza-se:

Um PAI Nosso ... (em honra de São Miguel Arcanjo) 
Um PAI Nosso ... (em honra de São Gabriel) 
Um PAI Nosso ... (em honra de São Rafael) 
Um PAI Nosso ... (em honra do nosso Anjo da Guarda) 

Termina-se rezando:

Antífona: Glorioso São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de DEUS, nosso admirável guia depois de Cristo e Maria; vós cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, a nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei, pela vossa incomparável protecção, que adiantemos, cada dia mais, na fidelidade em servir a DEUS. Ámen.

Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de CRISTO. 
Para que sejamos dignos das Suas promessas. 

Oração: DEUS, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhestes para príncipe da vossa Igreja o gloriosíssimo Arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós Vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de JESUS CRISTO, Nosso Senhor. Ámen.


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