quinta-feira, 19 de março de 2026

A vida de São José

São José é descendente da casa real de David. É o esposo da Virgem Maria e pai adoptivo de Jesus Cristo. Nos Evangelhos, aparece durante a infância de Jesus. Pode-se ver as citações no Evangelho de São Mateus, capítulos 1 e 2, e em São Lucas, capítulos 1 e 2. Na Bíblia, São José é apresentado como um homem justo. 

São José na História da Salvação

São José estava noivo de Maria e, ao saber que ela estava grávida, decidiu abandoná-la, pois o filho não era dele. Ele pensa em abandoná-la em segredo para que ela não fosse punida com a morte por apedrejamento

Mas ele teve um sonho com um Anjo que lhe disse que Maria ficou grávida pela acção do Espírito Santo, e que o menino que iria nascer era Filho de Deus. Depois disso, São José aceitou Maria como esposa. Perto do tempo previsto do nascimento de Jesus, devido a um decreto romano, foram para Belém fazer o recenseamento. Lá, Nossa Senhora deu à luz ao Menino Jesus e José estava presente no nascimento.

O Anjo aviso novamente José em sonhos: disse-lhe que Herodes queria matar o Menino Jesus e mandou-o que fugisse com Menino e sua Mãe para o Egipto José obedeceu. A sagrada família foi para o Egipto e viveu lá durante 4 anos. Após este tempo, o Anjo avisou novamente José, em sonhos, dizendo que eles poderiam voltar para Nazaré porque Herodes tinha morrido. José obedeceu e levou a Sagrada Família para Nazaré.

Vida Simples

São José dedicou a sua vida aos cuidados de Jesus e Maria. Vivendo do trabalho das suas mãos, como carpinteiro, sustentou a sua família com dignidade e exemplo. A profissão de carpinteiro propiciava dignidade à família. São José consagrou o menino Jesus no Templo, assim que nasceu. Este acto só era praticado, naquela época, por judeus piedosos. 

São José levava a sua família regularmente às peregrinações do seu povo a Jerusalém, como, por exemplo, na Páscoa. Foi numa dessas peregrinações quando, na volta para Nazaré, o Menino Jesus ficou em Jerusalém em conversa com os doutores da lei. Jesus tinha então 12 anos. José e Maria, aflitos, voltaram ao Templo e encontram o Jesus em pleno com os doutores da lei. Jesus diz-lhes que “Tinha de cuidar das coisas do seu Pai”. Esta é a última vez que José é mencionado nas Sagradas Escrituras. Todos os indícios levam a crer que José faleceu antes de Jesus começar a sua vida pública. Caso contrário, certamente teria sido mencionado pelos evangelistas, como foi Maria.

Influência de José na formação da personalidade de Jesus

São José teve papel importantíssimo na formação da personalidade de Jesus enquanto pessoa humana. Claro que Jesus é o Filho de Deus, mas também é homem. E se analisarmos o comportamento de Jesus do ponto de vista humano, veremos que Jesus foi um menino e um homem que teve um pai presente, piedoso e influente. Um pai que ensinou ao filho o caminho da justiça, da verdade, do amor e do conhecimento da Palavra de Deus. Não é à toa que São José é chamado “Justo” desde os Evangelhos. Por isso, São José é um dos maiores santos de todos os tempos.

Devoção a São José

São José foi inserido no calendário litúrgico Romano em 1479. A sua festa é celebrada no dia 19 de Março. São Francisco de Assis e, mais tarde, Santa Teresa d’Ávila, foram grandes santos que  ajudaram a divulgar a devoção a São José. No ano de 1870, São José foi declarado oficialmente como o Patrono Universal da Igreja. O autor desta declaração foi o Papa Pio IX. No ano de 1889, o Papa Leão XIII, num dos seus grandes documentos, exaltou as virtudes de São José. O Papa Bento XV declarou São José como o patrono da justiça social. Para ressaltar a grande qualidade e poder de intercessão de São José como “trabalhador”, o Papa Pio XII instituiu uma segunda festa em homenagem a ele, a festa de "São José artesão", que acontece no dia 1 de Maio.

São José é invocado também como o padroeiro dos carpinteiros. Na arte cristã é representado tendo um lírio na mão, representando a vitória dos santos. Algumas vezes aparece também com o Menino Jesus: tanto nos braços como ensinando-Lhe a profissão de carpinteiro.

Revelações sobre o poder de intercessão de São José

São José é, sem dúvida, um dos santos mais importantes da Igreja. É invocado como o santo que intercede a Deus por todas as nossas necessidades. São José tem, diante de Deus, privilégios únicos. Esta é uma das revelações que foram dadas a Santa Águeda:“Por sua intercessão alcançamos a virtude da castidade e a vitória sobre as tentações contra pureza; alcançamos o poderoso auxílio da graça para sair do pecado e voltar à amizade com Deus; alcançamos a benevolência da Santíssima Virgem Maria e a verdadeira devoção a ela; alcançamos a graça de uma boa morte e a especial protecção contra o demónio nesta hora.” A Igreja afirma que os espíritos do mal estremecem quando ouvem o nome de São José ser invocado. Pela intercessão de São José, podemos alcançar a saúde e a ajuda nas dificuldades. Através dele, as famílias podem alcançar a bênção de uma vida digna.

Nossa Senhora também revelou a Santa Águeda: "Os homens ignoram os privilégios que o Senhor concedeu a São José, e quanto pode a sua intercessão junto de Deus. Apenas no dia do Juízo os homens conhecerão a sua excelsa santidade e chorarão amargamente por não terem aproveitado esse meio tão poderoso e eficaz para a salvação e alcançar as graças que se necessitavam".

Oração a São José

A vós, S. José, recorremos na nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio da Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder. 

Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do Céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no Céu a eterna bem-aventurança. Amém.

in Cruz Terra Santa


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terça-feira, 17 de março de 2026

Processo contra Cardeal Becciu declarado nulo por erros processuais no Vaticano

O tribunal de apelo do Vaticano declarou nulo o julgamento do Cardeal Angelo Becciu, anulando a condenação de 2023 e ordenando um novo julgamento completo, a iniciar‑se a 22 de Junho.

Num acórdão de 16 páginas, o tribunal manifestou erros processuais cometidos tanto pelos promotores como pelo Papa Francisco. Não se pronunciou sobre a culpa ou inocência do cardeal Becciu, mas concluiu que o processo original estava viciado.

A acusação foi anulada por duas razões principais. Em primeiro lugar, Francisco expediu quatro decretos secretos concedendo aos promotores poderes alargados, incluindo vigilância. Esses decretos nunca foram publicados e só foram comunicados à defesa pouco antes do julgamento. O tribunal considerou que pelo menos um desses decretos funcionava na prática como lei e, por não ter sido tornado público, era juridicamente nulo.

Em segundo lugar, verificou‑se que os promotores ocultaram e ocultaram partes de provas essenciais, incluindo registos telefónicos e mensagens. O tribunal afirmou que isso violou o direito dos réus a um julgamento justo.

A decisão é histórica, porque levanta questões sobre o exercício da autoridade papal dentro do sistema jurídico do Vaticano.

O caso centra‑se num negócio imobiliário de 350 milhões de euros em Londres que resultou em perdas significativas para o Vaticano, bem como no desvio de fundos por parte de Becciu a favor de amigos e familiares. O Cardeal Becciu foi condenado a cinco anos e meio de prisão, mas tem negado insistentemente qualquer irregularidade.

in gloria.tv



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sábado, 14 de março de 2026

Nossa Senhora e os Apóstolos viviam a Quaresma?

Uma das referências mais antigas à Quaresma está nos sermões do Papa Leão Magno (+461) do século V. O Papa São Leão Magno dizia que os quarenta dias de Quaresma foram instituídos pelos Apóstolos: “ut apostolica institutio quadraginta dierum jejuniis impleatur” (Patrologia Latina 54, 633).

“Que a instituição Apostólica dos quarenta dias seja cumprida pelo jejum.”

S. Jerónimos (+420) e Sócrates (+ 433), historiador da Igreja,  também assumiram a instituição apostólica dos quarenta dias de jejum antes da celebração da ressureição de Cristo. Actualmente, os historiadores modernos têm dúvidas sobre a prática da Quaresma no primeiro século.

Os escritos de Eusébio são citados muitas vezes como prova de que a Igreja inicialmente não conhecia aquilo a que nós chamamos Quaresma. Eusébio, na História da Igreja (5, 24), relacionou a epístola de Santo Ireneu ao Papa São Víctor (reinou de 189 a 199) com a controvérisa pascal (da Páscoa) do século II. Não só havia confusão sobre a data da Páscoa (ou o 14º Nisan [nome do mês sírio] ou o Domingo depois do 14º Nisah), mas os cristãos também debatiam sobre se o jejum antecedente devia ser um dia, dois dias ou quarenta horas. Parece que nem os Cristãos romanos nem os Cristãos orientais conheciam o jejum de "40 dias" antes da Páscoa.

No entanto, por volta dos século IV, os "quarenta dias" de jejum antes da Páscoa pareciam ser universalmente cumpridos. A carta de Páscoa de S. Atanásio, no ano 331, conta que todos os cristãos de Alexandria (Egipto) mantinham um jejum de "quarenta dias" antes da Páscoa. Na carta pascal, do ano 339, menciona como os "quarenta dias" de jejum antes da Páscoa são universalmente mantidos por todas as igrejas: "até ao fim em que todo o mundo está a jejuar, nós que estamos no Egipto não nos devíamos tornar nuns foliões como as únicas pessoas que não jejuam mas têm prazer nesses dias."

O quinto ponto do Concílio de Niceia, ano 325, também confirma que os "quarenta dias" são guardados como dias de penitência antes da Páscoa.

Parece-me que a Santíssima Virgem Maria e os Apóstolos cumpriam mesmo os quarenta dias de Quaresma, tal como defendiam S. Jerónimo e o Papa S. Leão Magno. "Mas então e aquela maldita citação de Eusébio?!"

Primeiro, S. Jerónimo e S. Leão saberiam dessa citação. O relato histórico de Eusébio era bem conhecido. Isso não os impediu de afirmar que os primeiros cristãos viviam um tempo de quarenta dias de jejum antes da Páscoa.

Os Apóstolos instituiram um jejum estricto para ser guardado "no dia em que o Esposo lhes será tirado" (Lc 5, 35) - o dia a que chamamos Sexta-feira Santa. A tradição de "quarenta horas" mencionada por S. Ireneu refere-se, provavelmente, ao tempo estimado que Cristo esteve no túmulo (15h de Sexta até à madrugada de Domingo). Consequentemente, o jejum apostólico começou naquilo a que chamamos Sexta-Feira Santa e acabou na Páscoa. Eusébio aqui está a falar sobre o "jejum estricto" antes da Páscoa - e não na época de preparação de 40 dias. Não devemos confundir os dois.

É claro, não podemos voltar atrás no tempo com uma câmera de filmar e descobrir com certeza. No entanto, temos o testemunho de grandes santos que estavam perto dos acontecimentos (Atanásio, Jerónimo, Concílio de Niceia, Gregório Magno). Tal como deve acontecer para a maior parte dos Católicos, quando em dúvida, sigam os Padres da Igreja!

Para os interessados, tanto Maria de Agreda como Ana Catarina Emmerich descrevem a Santíssima Virgem Maria a viver um jejum de quarenta dias.

Taylor Marshall


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quinta-feira, 12 de março de 2026

Aparição de São Miguel Arcanjo a São Gregório Magno

As epidemias sempre foram consideradas, na História, flagelos divinos e a Igreja lutava contra elas com a oração e a penitência. Isso aconteceu em Roma no ano de 590, quando Gregório, da família senatorial da gens Anicia, foi eleito Papa com o nome de Gregório I (540-604).

A Itália foi esmagada por doenças, fome, agitação social e a onda devastadora dos lombardos. Entre 589 e 590, uma violenta epidemia de peste, a terrível luesinguinaria, depois de devastar o território bizantino no leste e o dos francos no oeste, semeou a morte e o terror na península e atingiu a cidade de Roma. Os cidadãos romanos interpretaram essa epidemia como um castigo divino pela corrupção da cidade. 

A primeira vítima colhida em Roma pela peste foi o Papa Pelágio II, que morreu a 5 de Fevereiro de 590 e foi enterrado em São Pedro. O clero e o senado romanos elegeram Gregório como seu sucessor, que, depois de ser o praefectus urbis, morava na sua cela monástica no monte Célio. Depois de ser consagrado a 3 de Outubro de 590, o novo Papa imediatamente enfrentou o flagelo da peste. 

Gregório de Tours (538-594), que foi contemporâneo e cronista desses eventos, diz que num sermão memorável proferido na igreja de Santa Sabina, o Papa Gregório convidou os romanos a seguir, contritos e penitentes, o exemplo dos habitantes de Nínive: «Olhai em volta: aqui está a espada da ira de Deus brandindo sobre todo o povo. A morte súbita arrebata-nos do mundo, quase sem nos dar um minuto de tempo. Neste exacto momento, oh quantos são levados pelo mal, aqui à nossa volta, sem sequer pensar em penitência.»

O Papa, portanto, pediu que se olhasse para Deus, que permite tais tremendos castigos para corrigir os seus filhos e, para apaziguar a ira divina, ordenou uma "ladainha septiforme", ou seja, uma procissão de toda a população romana, dividida em sete cortejos, de acordo com sexo, idade e condição. A procissão movida desde várias igrejas de Roma até à Basílica do Vaticano, foi acompanhada com o canto das ladainhas. Essa é a origem das chamadas "ladainhas maiores" da Igreja, ou rogações, com as quais oramos a Deus que nos defenda das adversidades. 

Os sete cortejos movimentaram pelos edifícios da Roma antiga, num ritmo lento, com os pés descalços e a cabeça coberta de cinzas. Enquanto a multidão viajava pela cidade, imersa em silêncio sepulcral, a praga chegou ao ponto de raiva que, no curto espaço de uma hora, oitenta pessoas caíram no chão mortas. Porém, Gregório não parou nem por um instante de instar o povo a continuar orando e queria que a imagem da Virgem preservada em Santa Maria Maior e pintada pelo evangelista São Lucas fosse levada antes da procissão (Gregório de Tours, Historiae Francorum, liber X, 1, em Opera omnia, ed. JP Migne, Paris 1849, p. 528).

A lenda dourada, de Jacopo da Varazze, que é um compêndio das tradições transmitidas desde os primeiros séculos da era cristã, conta que, à medida que a imagem sagrada progredia, o ar tornava-se mais saudável e claro e os miasmas da praga se dissolviam, como se não pudessem suportar a sua presença. Quando chegaram à ponte que liga a cidade ao mausoléu de Adriano, conhecida na Idade Média como Castellum Crescentii, de repente um coro de anjos cantava: «Regina Coeli, laetare, Alleluja - Quia quem meruisti portare, Alleluja - Resurrexit sicut dixit, Aleluia.» O Papa Gregório respondeu em voz alta: "Ora pro nobis rogamus, Aleluja!" Assim nasceu a Regina Coeli, a antífona com a qual na Páscoa a Igreja saúda Maria Rainha pela ressurreição do Salvador. 

Depois da música, os Anjos organizaram-se em círculo ao redor da imagem de Nossa Senhora e o Papa, olhando para cima, viu no topo do Castelo um Anjo que, depois de secar a espada que pingava sangue, colocou-a na bainha, como um sinal da cessação da punição: «Tunc Gregorius vid super Castrum Crescentii angelum Domini gludium cruentatum detergens in vagina revocabat: intellexit que Gregorius quod pestisilla cessasset et sic factum est. Unde et castrum illud castrum Angels deinceps vocatum est." Gregório entendeu que a praga havia terminado e assim aconteceu: e esse castelo passou a ser chamado de Castelo do Santo Anjo (Iacopo da Varazze, lenda dourada, ed. crítica editada por Giovanni Paolo Maggioni, Sismel-Edizioni del Galluzzo, Florença 1998, p. 90).

O Papa Gregório I foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja, e entrou na história com o apelido de "Grande". Após a sua morte, os romanos começaram a chamar ao edifício de Adriano "Castel Sant'Angelo" e, em memória do prodígio, colocaram no alto do castelo a estátua de São Miguel, chefe das milícias celestes, no processo de embainhar a espada. Ainda hoje, no Museu Capitolino, há uma pedra circular com as pegadas que, segundo a tradição, teriam sido deixadas pelo Arcanjo quando ele parou para anunciar o fim da praga. Também o cardeal Cesare Baronio (1538-1697), considerado por o rigor de sua pesquisa, um dos maiores historiadores da Igreja, confirma a aparição do anjo no topo do castelo (Odorico Ranaldi, anais eclesiásticos retirados do cardeal Baronio, ano 590, Appresso Vitale Mascardi, Roma 1643, pp. 175 -176).

Observamos apenas que, se o anjo, graças ao apelo de São Gregório, embainhou a espada, significa que antes a havia desembainhado para punir os pecados do povo romano. Os Anjos são de facto os executores dos castigos divinos dos povos, como nos lembra a visão dramática do Terceiro Segredo de Fátima, exortando-nos ao arrependimento: «Um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda. Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas, apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a Terra, com voz forte dizia: - Penitência, penitência, penitência!»

Professor Roberto de Mattei in Corrispondenza Romana


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terça-feira, 10 de março de 2026

Novena a São José, Padroeiro da Igreja Universal

— 1º dia —
S. José, Pai Nutrício de Jesus

Amabilíssimo São José, que tivestes a honra de alimentar, educar e abraçar o Messias, a Quem tantos profetas e reis desejaram ver e não viram: obtende-me, com o perdão das minhas culpas, a graça da oração humilde e confiante que tudo alcança de Deus. Acolhei com bondade paternal os pedidos que vos faço nesta Novena e apresentai-os a Jesus que se dignou de obedecer-vos na Terra. Ámen.

Rogai por nós, São José, Pai Nutrício de Jesus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Para todos os dias:

Oremos! Ó Deus que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima: concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como Protector, mereçamos tê-lo no Céu por nosso Intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Ámen.

— 2º dia —
S. José, Esposo da Mãe de Deus

São José, castíssimo Esposo da Mãe de Deus e Guarda fiel da sua virgindade: obtende-me por Maria a pureza do corpo e da alma e a vitória em todas as tentações e dificuldades. Recomendo–vos também os esposos cristãos para que unidos com sincero amor e fortalecidos pela graça se amparem mutuamente nos sofrimentos e tribulações da vida. Ámen.

Rogai por nós São José, Esposo da Mãe de Deus:
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo! 

Oremos! ...
— 3º dia —
S. José, Chefe da Sagrada Família

Glorioso São José, que gozastes durante tantos anos da presença e filial afeição de Jesus, a Quem tivestes a dita de alimentar e vestir, juntamente com vossa Santíssima Esposa: eu vos suplico me alcanceis o dom inefável de sempre viver em união com Deus pela graça santificante. Obtende também para os pais cristãos a graça do fiel cumprimento dos seus graves deveres de educadores e, aos filhos o respeito e a obediência segundo o exemplo do Menino Jesus. Ámen.

Rogai por nós, São José Chefe da Sagrada Família
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos! ...
— 4º dia —
S. José, Exemplo de Fidelidade

Fidelíssimo São José, que nos destes tão belo exemplo no fiel cumprimento de vossos deveres de Protector da Santíssima Virgem e de Pai Nutrício do Redentor: rogo-vos me obtenhais a graça de imitar o vosso exemplo na fidelidade a todos os deveres do meu estado de vida. Ajudai-me a ser fiel nas coisas pequenas para o ser também nas grandes. Alcançai essa mesma graça para todos os que me são caros nesta vida, a fim de chegarmos a gozar no Céu o prémio prometido aos que forem fiéis até a morte. Ámen.

Rogai por nós, São José, Exemplo de Fidelidade;
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos! ...
— 5º dia —
S. José, Espelho de Paciência

Bondoso São José que suportastes com heróica paciência as provações e adversidades na viagem a Belém, na fuga para o Egipto e durante a vida oculta em Nazaré e me destes o exemplo de admirável conformidade com a vontade de Deus: obtende-me a virtude da paciência nas dificuldades de cada dia. Alcançai também invencível paciência a todos que suportam pesadas cruzes, a fim de que se unam sempre mais a Jesus, divino modelo de mansidão e paciência. Ámen.

Rogai por nós São José, Espelho de Paciência:
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos! ...
— 6º dia —
S. José, Modelo dos Operários

Humilde São José, que, vivendo em pobreza. dignificastes a vossa profissão pelo trabalho constante e vos sentistes feliz em servir a Jesus e Maria com o fruto de vossos suores: alcançai-me amor ao trabalho, que me foi imposto como dever de estado, procurando cumprir nisto sempre a vontade de Deus. Protegei os lares dos trabalhadores contra as influências nefastas dos inimigos de Cristo e da Santa Igreja. Obtende-lhes a graça de santificarem o seu trabalho pela recta intenção em tudo conformados com os desígnios da Divina Providência. Ámen.

Rogai por nós, São José, Modelo dos Operários;
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos! ...
— 7º dia —
S. José, Protector da Santa Igreja

Glorioso Patriarca São José, Protector e Padroeiro da Igreja Universal : obtende-me a graça de amar a Igreja como Mãe e de a honrar como verdadeiro discípulo de Cristo. Rogo-vos que veleis sobre o Seu Corpo Místico, como outrora velastes sobre Jesus e Maria. Protegei o Santo Padre e os Bispos, os Sacerdotes e os Religiosos. Alcançai-lhes santidade de vida e eficácia no apostolado. Guardai a inocência da infância a castidade da juventude a honestidade do lar, o ordem e paz da Sociedade. Ámen.

Rogai por nós, São José, Protector da Santa Igreja; 
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos! ...
— 8º dia —
S. José, Esperança dos Enfermos

Compassivo São José, esperança dos doentes e necessitados: valei me em todas as enfermidades e tribulações alcançando-me plena conformidade com os admiráveis desígnios de Deus. Obtende-me também para mim e para todos, pelos quais rezo nesta Novena, a cura das enfermidades espirituais que são as paixões desordenadas, fraquezas, faltas e pecados e protegei-nos contra as tentações do inimigo da nossa salvação. Ámen.

Rogai por nós, São José, Esperança dos Enfermos; 
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos! ...
— 9º dia —
S. José, Padroeiro dos Moribundos

Ditoso São José que, morrendo nos braços de Jesus e Maria, partistes deste mundo ornado de Virtudes e enriquecido de méritos: Assisti-me na hora suprema e decisiva da minha vida contra os ataques do poder infernal. Obtende-me a graça de morrer confortado com os santos Sacramentos, necessários para a minha salvação. Tendo compaixão de todos os agonizantes. alcançando-lhes a graça da salvação por intermédio de Maria, vossa Santíssima Esposa. Ámen.

Rogai por nós, São José, Padroeiro dos Moribundos
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos! ...

Pode acrescentar-se todos os dias:

Glorioso São José, que fostes exaltado pelo Eterno Pai, obedecido pelo Verbo Encarnado favorecido pelo Espírito Santo e amado pela Virgem Maria: Louvo e bendigo a Santíssima Trindade pelos privilégios e méritos com que vos enriqueceu. Sois poderosíssimo e jamais se ouviu dizer que alguém tenha recorrido a vós e fosse por vós desamparado. Sois o Consolador dos aflitos, o amparo dos míseros e o advogado dos pecadores. Acolhei, pois, com bondade paternal a quem vos invoca com filial confiança e alcançai-me as graças que vos peço nesta Novena (fazer o pedido).   

Eu escolho-vos como meu especial Protector. Sêde, depois de Jesus e Maria, a minha consolação nesta Terra, meu refúgio nas desgraças, meu guia nas incertezas, meu conforto nas tribulações, meu pai solícito em todas as necessidades. Obtende-me finalmente como coroa dos vossos favores, uma boa e santa morte, na graça de Nosso Senhor. Ámen.


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segunda-feira, 9 de março de 2026

O Inferno visto por Santa Francisca Romana

Deus consolou Santa Francisca Romana com revelações e comunicações místicas sobre a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e Maria Santíssima. Tornou-se célebre pelos seus milagres e dons de cura. Restituiu a vista aos cegos, a palavra aos mudos, a saúde aos doentes, e libertou muitos possessos do demónio.

Santa Francisca teve o pressentimento da sua morte e preveniu os seus amigos. Pedia a Deus que a levasse desta vida, pois não queria ver as novas crises que já começavam a assaltar a Santa Igreja. Caiu enferma, vindo a falecer em 1440.

Na vida dessa mística italiana, as visões ocupam um lugar saliente. A propósito do que a Santa viu sobre o inferno, o célebre escritor católico francês Ernest Hello apresenta um apanhado sucinto e sugestivo na sua obra “Physionomie des Saints”, o qual exporemos abaixo.

Inúmeros suplícios, tão variados quanto os crimes, foram mostrados à Santa em detalhes. Por exemplo, viu ela o ouro e a prata serem derretidos e derramados na boca dos avarentos. A hierarquia dos demónios, as suas funções, os seus tormentos, os diversos crimes aos quais presidem, foram-lhe apresentados. Viu Lúcifer, chefe e general dos orgulhosos, rei de todos os demónios e proscritos, rei muito mais infeliz do que os próprios súbditos.

O inferno é dividido em três partes: o superior, o do meio e o inferior. Lúcifer encontra-se no fundo do inferno inferior. A Lúcifer, chefe universal, subordinam-se três outros demónios, os quais exercem império sobre os demais:

1) Asmodeu, que preside os pecados da carne, e era antes da queda um Querubim;

2) Mamon, que preside os pecados da avareza, era um Trono. O dinheiro fornece ele sozinho.

3) Belzebu preside aos pecados de idolatria. Tudo que tem algo a ver com magia, espiritismo, é inspirado por Belzebu. Ele é, de um modo especial, o príncipe das trevas, e mediante as trevas ele é atormentado e atormenta as suas vítimas.

Uma parte dos demónios permanece no inferno, a outra no ar, e uma terceira atcua entre os homens, procurando desviá-los do caminho certo. Os que ficam no inferno dão ordens e enviam os seus embaixadores; os que residem no ar agem fisicamente sobre as mudanças atmosféricas e telúricas, lançando por toda parte as suas más influências, empestando o ar, física e moralmente. O seu objectivo é debilitar a alma. Quando os demónios encarregados da Terra vêem uma alma enfraquecida pelos demónios do ar, eles atacam-na no seu ponto fraco, para vencê-la mais facilmente. É o momento em que a alma não confia na Providência. Essa falta de confiança, inspirada pelos demónios do ar, prepara a alma para a queda solicitada pelos demónios da Terra.

Assim, enfraquecidos pela desconfiança, os demónios inspiram na alma o orgulho, em que ela cai tanto mais facilmente quanto mais fraca se encontra. Quando o orgulho aumentou a sua fraqueza, vêm os demónios da carne que atacam o seu espírito.

Quando os demónios da carne aumentam mais ainda a fraqueza da alma, vêm os demónios que insuflam os crimes do dinheiro. E quando estes diminuíram ainda mais os recursos de sua resistência, chegam os demónios da idolatria, os quais completam e concluem o que os outros começaram. Todos se articulam para o mal, sendo esta a lei da queda: todo o pecado cometido, e do qual a alma não se arrependeu, prepara-a para outro pecado. Assim, a idolatria, a magia, o espiritismo esperam no fundo do abismo aqueles que foram escorregando de precipício em precipício. Todas as coisas da hierarquia celeste são parodiadas na hierarquia infernal. Nenhum demónio pode tentar uma alma sem a permissão de Lúcifer.

Os demónios que estão no inferno sofrem a pena do fogo. Os que estão no ar ou na terra não sofrem actualmente tais penas, mas padecem outros suplícios terríveis, e particularmente a visão do bem que praticam os santos. O homem que faz o bem inflige aos demónios um tormento indescritível. Quando Santa Francisca era tentada, sabia, pela natureza e violência da tentação, de que altura tinha caído o anjo tentador e a que hierarquia pertencera.

Quando uma alma cai no inferno, o seu demónio tentador é felicitado pelos demais. Mas quando a alma se salva, o demónio tentador recebe insultos dos outros, que o levam para Lúcifer e este lhe inflige um castigo a mais, além das torturas que já padece. Este demónio entra às vezes no corpo de animais ou homens. Ele finge ser a alma de um morto. Quando um demónio consegue perder certa alma, após a condenação desta transforma-se em tentador de outro homem, mas torna-se mais hábil do que foi a primeira vez. Aproveita-se da experiência que a vitória lhe deu, tornando-se mais forte para perder o homem.

Santa Francisca observava um demónio em cima de alguém que estivesse em estado de pecado mortal. Confessado o pecado, via ela o mesmo demónio ao lado da pessoa. Após uma excelente confissão, o anjo mau ficava enfraquecido e a tentação já não tinha a mesma energia.

Ao ser pronunciado santamente o nome de Jesus, Santa Francisca via os demónios do ar, da terra e do inferno inclinarem-se com sofrimentos espantosos, tanto maiores quanto mais santamente o nome de Jesus fora pronunciado. Se o nome de Deus é pronunciado em meio a blasfémias, os demónios ainda assim são obrigados a inclinar-se, mas um certo prazer é misturado com a dor causada pela homenagem que são obrigados a render.

Se o nome de Deus é blasfemado por um homem, os anjos do Céu inclinam-se também, testemunhando um respeito imenso. Assim, os lábios humanos, que se movem tão facilmente e pronunciam tão levianamente o nome terrível, produzem em todos os mundos efeitos extraordinários e ecos, dos quais o homem não é capaz de compreender nem a intensidade nem a grandeza.

in oracoesemilagresmedievais.blogspot.com


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domingo, 8 de março de 2026

10 razões para o véu estar de volta às igrejas

Até há não muito tempo, as mulheres católicas cobriam as suas cabeças na igreja e agora muitas estão a optar por voltar a fazê-lo. Quais são as razões que fundamentam esta decisão?

1) Está no Novo Testamento!

«Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo. Felicito-vos porque em tudo vos lembrais de mim e guardais as tradições, conforme eu vo-las transmiti. Mas quero que saibais que a cabeça de todo o homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça de Cristo é Deus.

Todo o homem que reza ou profetiza, de cabeça coberta, desonra a sua cabeça. Mas toda a mulher que reza ou profetiza, de cabeça descoberta, desonra a sua cabeça; é como se estivesse com a cabeça rapada. Se a mulher não usa véu, mande cortar os cabelos! Mas se é vergonhoso para uma mulher cortar os cabelos ou rapar a cabeça, então cubra-se com um véu.

O homem não deve cobrir a cabeça, porque é imagem e glória de Deus; mas a mulher é glória do homem. Pois não foi o homem que foi tirado da mulher, mas a mulher do homem. E o homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem. Por isso, a mulher deve trazer sobre a cabeça o sinal da autoridade, por causa dos anjos. Todavia, nem a mulher é separável do homem, nem o homem da mulher, diante do Senhor. Pois, se a mulher foi tirada do homem, o homem nasce da mulher, e tudo provém de Deus.

Julgai por vós mesmos: será decoroso que a mulher reze a Deus de cabeça descoberta? E não é a própria natureza que vos ensina que é uma desonra para o homem trazer cabelos compridos, ao passo que, para a mulher, deixá-los crescer é uma glória, porque a cabeleira lhe foi dada como um véu? Mas, se alguém quiser contestar, nós não temos esse costume, nem tão-pouco as igrejas de Deus.» (Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 11, 1-16)

2) A Igreja cobre com um véu as coisas que são sagradas 

O tabernáculo é coberto com um véu. O cálice é coberto com um véu. O altar é coberto com um véu. Moisés cobriu o rosto depois de ter visto Deus. Uma mulher que se cobre com um véu mostra reverência a Deus, simbolizando a noiva de Cristo, que é a Igreja; mas também honra a si mesma como mulher diante de Deus.

3) Homens e mulheres são diferentes 

Homens representam Cristo, o noivo, e é por isto que temos o sacerdócio masculino. As mulheres representam a Igreja, a noiva. 

O piedoso uso do véu vai contra uma sociedade que nos diz que homens e mulheres são iguais, que existem muitos géneros, e que o “género” não é importante quando as pessoas querem casar. O uso do véu denuncia em alta voz a modernidade e as suas mentiras. Uma mulher que escolhe ser submissa como esposa, como mulher, ao marido é contra tudo o que a nossa sociedade nos diz a respeito do homem e da mulher. São Paulo comenta sobre a submissão das mulheres aos seus maridos e sobre a submissão da Igreja à Cristo. E também do amor de Cristo pela Igreja a ponto de sofrer por ela até a morte e, portanto, os maridos devem amar as suas esposas da mesma maneira. 

4) Homens e mulheres são iguais 

O Cristianismo defende que homens e mulheres têm a mesma dignidade em Deus; e São Paulo o di-lo bem na passagem em que diz às mulheres para cobrirem as suas cabeças. O uso do véu pelas mulheres não deve ser considerado como algo que as diminua em relação aos homens. 

5) Um véu acentua a beleza natural de uma mulher 

São Tomás de Aquino explica no seu comentário sobre o uso do véu que os seres humanos, em geral, aumentam a sua beleza natural com o que vestem. As mulheres, naturalmente, possuem belos cabelos e o véu ornamenta e acentua esta beleza. Geralmente, queremos trazer o melhor de nós mesmos para a liturgia e o uso do véu é uma maneira de fazê-lo. 

6) Faz parte da Tradição dos Apóstolos 

São Paulo escreve que deseja que os coríntios conservem as tradições tais como ele as transmitiu. São Paulo está a transmitir a tradição das mulheres cobrirem as suas cabeças e dos homens não o fazerem. Esta tradição veio dos Apóstolos e foi mantida até aos anos 1970, quando tantas tradições litúrgicas caíram em desuso. 

O Código de Direito Canónico de 1917 requeria que as mulheres cobrissem as suas cabeças e proibia que os homens fizessem o mesmo. O Código de Direito Canónico de 1983 omitiu a passagem sobre as mulheres terem que cobrir as suas cabeças, mas manteve a proibição dos homens. 

7) Algumas mulheres rezam melhor assim 

Algumas escolhem não apenas usar o véu na igreja, mas em qualquer momento de oração, seja privada ou pública. É algo que as ajuda concentrar-se. 

Uma oração para se rezar ao colocar o véu e entrar numa igreja é: “Felizes os convidados para o banquete nupcial do Cordeiro”. 

8) Usando um véu a mulher está imediatamente vestida para a igreja 

Seja num dia durante a semana ou ao Domingo, quando uma mulher põe um véu na igreja diz a si mesma e aos outros que está vestida para a igreja. Uma mulher, que vai à Missa depois do trabalho, pode mentalmente distinguir o “vestir-se para o trabalho” do “vestir-se para a igreja” ao usar um véu. Uma mulher que fica em casa com os filhos enquanto usa “roupas de mãe” o dia todo pode estar instantaneamente vestida para a igreja ao colocar um véu. 

9) Um belo véu na presença de Deus faz com que a mulher se sinta bem 

O uso do véu faz as mulheres se sentirem bonitas e muitos maridos as consideram “atraentes”. A beleza do véu é algo que honra a Deus da mesma forma que belas arquitecturas e belos paramentos o fazem. Os véus contribuem para dar a Deus o culto que é devido a Ele. 

10) Por causa dos Anjos 

São Tomás de Aquino explica isto referindo que os Anjos estão presentes no Santo Sacrifício da Missa. Também por isso, os homens devem mostrar reverência, assim como as mulheres. As mulheres mostram reverência cobrindo as suas cabeças e os homens não as cobrindo. 

Susanna Spencer in ChurchPop


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sábado, 7 de março de 2026

Os 12 degraus da Humildade

S. Tomás de Aquino, na Suma Teológica (II-IIae, q.161, a.6), resume os 12 degraus de humildade que se encontram na Regra de S. Bento, o pai do monaquismo ocidental:

1) Ter os olhos sempre baixos, manifestando humildade interior e exterior; 
2) Falar pouco e sensatamente, em voz baixa;
3) Não ser de riso pronto e fácil;
4) Manter-se calado, enquanto não for interrogado;

5) Observar o que prescreve a regra comum do mosteiro;
6) Reconhecer-se e mostrar-se o mais indigno de todos;
7) Julgar-se, sinceramente, indigno e inútil em tudo;
8) Confessar os próprios pecados;

9) Por obediência suportar, pacientemente, o que é duro e difícil;
10) Submeter-se, obedientemente, aos superiores;
11) Não se comprazer na vontade própria;
12) Temer a Deus e ter presente tudo o que ele mandou.

A humildade está, essencialmente, no apetite, na medida em que alguém refreia os impulsos do seu ânimo, para que não busque, desordenamente, as coisas grandes. Mas a regra da humildade está no conhecimento que impede que alguém se julgue melhor do que é. E o princípio e raiz dessas duas atitudes é a reverência que se presta a Deus. 

Por outro lado, da disposição interior do homem procedem alguns sinais exteriores de palavras, actos e gestos, que revelam o que está oculto no íntimo, como também ocorre com as outras virtudes, pois, "pelo semblante se reconhece o homem; pelo aspecto do rosto, a pessoa sensata". (Ecl. 19, 26), diz a Escritura. 

Por isso, nos alegados graus de humildade figura um que pertence à raiz dela, a saber, o 12º: "temer a Deus e ter presente tudo o que nos mandou". 

Mas nesses graus há também algo que pertence ao apetite, como o não buscar, desordenadamente, a própria superioridade, o que se dá de três modos. Primeiro, não seguindo a própria vontade (11º); depois, regulando-a pelo juízo do superior (10º) e, em terceiro lugar, não desistindo em face de situações duras e difíceis (9º).

Aparecem também graus relativos à estima em que alguém deve ter ao reconhecer os próprios defeitos. E isso de três modos: primeiro, reconhecendo e confessando os próprios defeitos (8º). Depois, em vista desses defeitos, julgando-se indigno de coisas maiores (7º). Em terceiro lugar, considerando os outros, sob esse aspecto, superiores a si (6º).

Finalmente, nessa enumeração já também graus relativos à manifestação externa. Um deles, quanto às acções, de modo que, em suas obras, não se afaste do caminho comum (5º). Outros dois referem-se às palavras, quer dizer, que não se fale fora do tempo (4º), nem se exceda no falar (2º). 

Por fim, há os graus ligados aos gestos exteriores, como, por exemplo, reprimir o olhar sobranceiro (1º) e coibir risadas e outras manifestações impróprias de alegria (3º).


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sexta-feira, 6 de março de 2026

O corajoso testemunho de Santa Perpétua antes do martírio

Prenderam alguns jovens catecúmenos: Revocato e Felicidade, ambos escravos, Saturnino e Secundino, e com eles encontrava-se Víbia Perpétua. Esta era nobre de nascimento, tivera uma educação esmerada e fizera um bom casamento. Perpétua tinha ainda pai e mãe, dois irmãos – um dos quais catecúmeno, também – e uma criança ainda de peito. Tinha cerca de vinte e dois anos. Ela própria relatou a história completa do seu martírio. Ei-la, escrita por seu punho, com base nas suas impressões: 

«Estávamos ainda com os guardas, mas o meu pai já estava a tentar convencer-me. Na sua ternura, tudo fazia para me enfraquecer a fé. 

- Pai, disse-lhe eu, estás a ver esse vaso caído no chão, a bilha e aquela coisa ali?
- Estou, disse o meu pai.
- Podemos designá-las por outro nome que não seja o seu?, pergunto-lhe eu.
- Não, respondeu.
- Pois bem, também eu não posso ter outro nome que não seja o meu, mas apenas o meu nome verdadeiro: sou cristã.

O meu pai ficou exasperado com tais palavras, e avançou para dar cabo de mim. Limitou-se a agarrar-me e abanar-me com força e foi-se embora, com os argumentos do demónio, vencido. Durante alguns dias não voltei a ver o meu pai; dei graças a Deus por isso, essa ausência foi para mim um alívio. Foi precisamente durante esse curto lapso de tempo que fomos baptizados. O Espírito Santo inspirou-me a nada pedir à santa água a não ser força para resistir fisicamente.

Alguns dias mais tarde, fomos transferidos para a prisão de Cartago. Fiquei espantada com esta prisão: nunca me vira em trevas tais. A inquietação devorava-me, por causa do meu filho. Acalmava o meu irmão, pedindo-lhe que tomasse conta do meu filho. Sofria muito por ver a minha família sofrer por causa de mim. Durante longos dias, estas inquietações torturaram-me. Acabei por conseguir que o meu filho viesse ficar comigo na prisão. Recuperou as forças sem demora. De repente, a prisão transformou-se-me num palácio, e e eu sentia-me ali melhor do que em qualquer outro lugar.»

in Paixão das Santas Felicidade e Perpétua (início do século III), §§ 2-3


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quinta-feira, 5 de março de 2026

Bispo Strickland sobre o Silêncio do Vaticano e a FSSPX

O Bispo Joseph Strickland publicou dois textos no site PillarsOfFaith.net sobre as sagrações episcopais da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX). Frases principais:

Primeira Declaração: O Silêncio do Vaticano é uma Decisão

- A situação actual envolvendo a FSSPX revelou uma vez mais uma realidade grave e não resolvida dentro da Igreja – uma realidade que não pode ser descartada, adiada indefinidamente, ou respondida com silêncio.

- Sem novos bispos, a continuidade dessa formação sacerdotal e da vida sacramental não pode ser sustentada.

- Quando tais preocupações são apresentadas com calma, respeito e repetidamente – e são recebidas não com clareza mas com silêncio – o próprio atraso torna-se uma decisão.

- A unidade na Igreja não se preserva pela ambiguidade.

Segunda Declaração: A Continuidade Não é Rebelião

- O Arcebispo Marcel Lefebvre acreditava que elementos fundamentais da vida católica – a formação sacerdotal tradicional, a teologia sacramental clara e a antiga liturgia romana – estavam a ser postos de lado.

- É historicamente inegável que a liturgia tradicional e a formação sacerdotal foram preservadas em grande parte porque ele e outros não quiseram permitir que desaparecessem completamente.

- As tensões de 1988 não surgiram do nada.

- Surgiram de uma ampla confusão doutrinária, experimentação litúrgica e instabilidade pastoral.

- O desejo de continuidade não é rebelião; é um instinto de fé.

- A Igreja é hierárquica por instituição divina. As consagrações episcopais não são actos privados, mas expressões visíveis de comunhão com o Sucessor de Pedro. Esta estrutura não é opcional. A unidade pertence à própria natureza da Igreja.

- Contudo, a unidade não pode ser sustentada pela ambiguidade. A autoridade não é concedida apenas para governar, mas para salvaguardar o que foi transmitido.

in gloria.tv


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