terça-feira, 6 de outubro de 2026

São Bruno abandonou o Mundo para fundar a Cartuxa

Nasceu em 1035 no seio duma nobre família da Colónia (Renânia). Desde a infância trazia Bruno o cunho de uma alma eleita, o que se lhe manifestava na aversão a tudo que era leviano, na prudência, modéstia e predilecção para tudo que era de Deus e do seu santo serviço.

Tendo a idade própria, frequentou a escola de São Cuniberto, na qual fez tão brilhantes progressos que o Arcebispo de Colónia, Santo Hano, não hesitou em recebê-lo entre os clérigos e mais tarde lhe oferecer um canonicato. Morto o Arcebispo, Bruno aceitou um canonicato em Rheims, e é provável que tenha lá ocupado o lugar de instrutor do clero.

Vendo-se perseguido pelo arcebispo simoníaco Manassés, e profundamente aborrecido das vaidades e prazeres do mundo, resolveu abandonar tudo que ao mundo o ligava e procurar a solidão.

Seis amigos acompanharam-no: Landuíno, Estêvam de Lonry, Estêvam de Die, cónegos de São Rufo do Dauphiné, Hugo (sacerdote já idoso) e mais dois leigos, André e Gerin. Bruno, entretanto, fez-lhes ver que pouco adiantaria meterem-se na solidão, se não tivessem um guia ilustrado, competente, mestre da oração e da santidade.

Formaram conselho e resolveram dirigir-se a Hugo, Bispo de Grenoble, homem reconhecidamente santo, em cuja vasta diocese também existiam muitos lugares próprios para se fundar uma ermida.

Hugo recebeu os sete homens, que lhe eram desconhecidos, e, vendo-os, lembrou-se de um curioso sonho que tivera na noite antecedente. Parecia-lhe ver Deus em pessoa, num lugar deserto da Diocese, erigir um templo, chamado Cartuxo; e da terra se elevarem sete estrelas que, formando um círculo, tomaram a dianteira, para lhe indicar o caminho para aquele lugar.

Bastou Bruno e os companheiros falaram-lhe do plano e neles reconheceu os mensageiros divinos, preconizados pelas sete estrelas vistas em sonho. Animou-os a executar o projecto heróico; mais: indicou-lhes o lugar da futura residência e prometeu-lhes todo o apoio. Para que não se embalassem em vãs esperanças e os pusesse ao abrigo contra duras decepções, fez-lhes uma descrição minuciosa daquele lugar, que, além de deserto, era inóspito e pavoroso. Era precisamente o que procuravam: um lugar de acesso difícil, para ficarem livres de relações com o mundo.

Hugo, encantado com o espírito de sacrifício daqueles homens, hospedou-os em casa, até que os raios do sol da primavera tornassem mais viajáveis os caminhos. Ele mesmo queria acompanhá-los e entregar-lhes o sítio da futura residência. Chegados ao lugar escolhido, Bruno e os companheiros começaram a construir uma casa, de oração e pequenas celas, uma regularmente distanciada da outra. Foi esta a origem dos Cartuxos, no ano de 1084.

Difícil tarefa é dar uma descrição minuciosa da vida daqueles santos homens naquela solidão. Obrigaram-se a observar absoluto e permanente silêncio, para tanto mais poder estar em oração com Deus. Grande parte do dia dedicavam à recitação dos salmos. O corpo parecia não ter outro destino que não sofrer mortificação. A ocupação principal e predilecta era copiar bons e piedosos livros, para assim ganhar o sustento.

Em Bruno, iniciador da obra, viam o Superior. Não só era o mais ilustrado, como também na prática das virtudes era o primeiro. Foram estes os motivos também porque Hugo o escolheu para conselheiro particular, a quem visitava diversas vezes por ano, desprezando as fadigas e sacrifícios inerentes à penosíssima viagem.

Inesperadamente recebeu Bruno ordem do Papa Urbano II para se apresentar em Roma. Bruno não era um desconhecido da Santa Sé, pois Urbano tinha sido seu discípulo, e era a veneração ao mestre, a admiração do seu saber e das suas virtudes, que inspiraram ao Papa mostrar-se grato ao benfeitor e, ao mesmo tempo lhe pedir conselhos de que necessitava.

A ordem do Papa causou tanta tristeza na pequena comunidade, que chegou ao completo desânimo. Não podiam os companheiros de Bruno conformar-se com a ida do mestre, e assim resolveram acompanhá-lo na viagem a Roma, para a qual Hugo lhe deu a bênção.

A recepção em Roma não podia ser mais cordial e fidalga. Bruno teve que ficar ao lado do Papa, e os companheiros foram hospedados na cidade, onde continuaram a sua vida de religiosos. Breve, porém, experimentaram a grande diferença entre a cidade e a solidão na Cartuxa. Não foi possível obter do Papa o regresso de Bruno. Para a obra não correr perigo de dissolver-se, nomeou Prior a Landuíno, o qual com os demais companheiros voltou para a França.

Embora separado do rebanho, conservou-se Bruno sempre em contacto com os filhos espirituais, por meio de uma correspondência ininterrupta, ficando assim sempre a par dos acontecimentos, não faltando o conselho e a assistência espiritual aos religiosos, sempre que assim o reclamavam.

A obra de Bruno e dos companheiros era muito santa, para não experimentar as ciladas do inimigo, que servindo-se de homens maus e invejosos, tudo fez para esmorecer o espírito dos santos homens, insinuando-lhes a inutilidade e contraproducência de uma vida tão austera, a inutilidade e desvantagem de tantos sacrifícios acima das forças da natureza e outras coisas mais. Não pequena foi a perplexidade dos religiosos que não cedeu enquanto Deus não lhes mostrasse numa celeste revelação, a futilidade das objecções diabólicas. Assim ficaram consolados e reanimaram-se a seguir fielmente a Regra até a morte.

À instância de muitos pedidos, obteve Bruno licença para voltar e retomar o lugar na comunidade; mas, nova complicação impossibilitou-lhe o regresso. Os habitantes de Régio, na Calábria, tendo perdido o Arcebispo, ofereceram a Bruno a Mitra, e o Papa deu-lhe a entender que seria muito de seu gosto, se a aceitasse. Bruno, porém, opôs-se às proposições do episcopado, para poder voltar à Ordem. Nesse tempo, resolveu o Papa fazer uma viagem à França e Bruno, receando ficar novamente preso com negócios da Santa Sé, desistiu do seu plano primitivo e, com outros companheiros que ganhou em Roma, fundou uma nova casa da Ordem no deserto de La Torre, na Diocese de Squillace.

Deus deu-lhe um grande amigo e benfeitor na pessoa do Duque Rogério, da Sicília e Calábria, o qual lhe doou terreno e meios para fazer um convento e uma igreja dupla, dedicada à Santíssima Virgem e a Santo Estêvão. Tendo assim garantida a subsistência da Ordem, trabalhou para sua maior organização e solidificação espiritual.

Em 1101, Bruno adoeceu gravemente. Na presença da morte, por assim dizer, diante dos Irmãos da Ordem, fez uma confissão pública de toda a vida. À confissão seguiu-se a profissão de fé, na qual frisou bem o dogma da Santíssima Eucaristia, contra as ideias erradas de Berengário de Tours e acrescentou: “Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica; em particular creio que o pão e o vinho consagrados na santa Missa são o Corpo verdadeiro de Jesus Cristo e o Seu verdadeiro Sangue”.

No dia 6 de Outubro entregou o espírito a Deus. O corpo, enterrado no cemitério de La Torre, em 1515 foi encontrado intacto.

A Ordem dos Cartuchos, além de ser a mais austera de todas as Ordens da Igreja, tem a fama de nunca se ter afastado do espírito primitivo das suas Constituições e nunca precisou de uma reforma. Leão X aprovou, para uso da Ordem, o Ofício do Fundador, e Gregório XV estendeu-o para o uso da Igreja toda.

Reflexões 

A vida de São Bruno recomenda-nos à prática de uma virtude raras vezes encontrada no mundo, e no entanto tão necessária aos que querem salvar a alma: o amor à solidão. Bem poucos poderão, como Bruno, procurar o ermo e lá passar grande parte da vida, em completo retiro do mundo. Mas o que todos podem e devem fazer é, de vez em quando, recolher-se espiritualmente, procurar a solidão do coração, exercer uma vigilância mais rigorosa sobre os sentidos e os movimentos do espírito, “Vigiai e orai” – é a ordem que Nosso Senhor deu, não só aos Apóstolos, como a todos os fiéis. Onde não há vigilância, há dissipação; faltando a oração, seca a fonte das graças. 

Numa vida, como a nossa, tão cheia de perigos e abrolhos, a vigilância e a oração são indispensáveis. Se não conseguirmos domar as nossas paixões, elas nos escravizarão; se não fugirmos do mundo, ele nos absorverá; se não resistirmos ao demónio, ele chegará a nos subjugar. Demónio, mundo e nossa carne, estes três terríveis inimigos são reduzidos à impotência, pelo retiro espiritual, pela vigilância e pela oração.

in filhosdapaixao.org.br


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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

5 de Outubro: Portugal reconhecido como Reino independente no Tratado de Zamora

Em Zamora, a 5 de Outubro do ano de 1143, os monarcas do território lusitano e leonês, segundo a vontade do Papa Celestino II (nomeado um mês antes), conciliaram-se e firmaram tratado de paz (Tratado de Zamora). D. Guido de Vico estava ali como legado Papal. D. Afonso Henriques passou a ser oficialmente reconhecido como primeiro Rei de Portugal, e D. Alfonso VII de Leão passou a não ver mais como terras leonesas a grande parte da antiga Lusitânia (que já deveriam ter sido devolvida com a reconquista). 

Dá-se aqui o início do cumprimento da visão em que Nosso Senhor, quando apareceu a D. Afonso Henriques em vésperas da batalha de Ourique, determinou a missão do Reino e deu indicações para o brasão português.

D. Afonso Henriques colocou a si e ao reino nas mãos da Santa Sé. Portugal desde o berço é vassalo da Santa Sé.

Portugal tem o nome de "Terras de Santa Maria".

O Rei colocou também o reino sob protecção vitalícia da Mãe de Deus (naquele tempo mais designada por Santa Maria) e fez o seguinte voto: 

"Ordeno que eu, meu reino, minha gente, meus sucessores, fiquemos debaixo da tutela e protecção, defesa e amparo da bem-aventurada Virgem Maria de Claraval..." (o documento é posse do Mosteiro de Alcobaça). Mandou então edificar a igreja de Santa Maria de Alcobaça, aquando da conquista de Santarém aos mouros. Muitas outras igrejas e capelas dedicadas a Nossa Senhora foram erigidas ou dedicadas por sua iniciativa, tal como a Sé do Porto e a importantíssima Sé de Braga que tinha funcionado como centro de unificação lusitana lado a lado com o outro, o de Compostela.

Este nosso primeiro Rei teve uma vida de verdadeiro cavaleiro e não descuidava os fins legítimos bélicos , nem os da devoção. Foi terciário, e vestia ele e a Rainha esse habito religioso. Teve fama de virtudes heróicas e tinha como apoio espiritual o primeiro santo de Portugal-reino: S. Teotónio, co-fundador do Mosteiro da Ordem de Santa Cruz em Coimbra que, após um ano do seu nascimento para a eternidade, foi elevado aos altares pela grande santidade e abundantes milagres.



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domingo, 4 de outubro de 2026

800 anos de São Francisco no Céu

Hoje comemoramos 800 do trânsito de São Francisco de Assis, i.e. o dia em que foi para o Céu. Este Pai Seráfico renunciou a todas as algemas mundanas, vivendo só e apenas para Jesus Cristo, seu Mestre e Senhor.

Louco (de amor), como são os santos, andava pelos campos a gritar: "O Amor não é amado, o Amor não é amado!", denunciando o quão mal-tratado era Deus, já naquela altura (séc. XIII). Imaginem o que diria se visse o quão podre está a nossa sociedade.

Como era um homem corajoso e viril, ao contrário de tantos quadros que lhe pintaram nas últimas décadas, foi até ao Egipto para se encontrar com o Sultão Malek al-Kamil. Para isso teve de ultrapassar linhas inimigas e só por milagre não foi morto pelos soldados sarracenos.

Cara-a-cara com Malek al-Kamil disse-lhe: "Foi Deus que me enviou a vós para vos mostrar o caminho da salvação." Depois destas palavras, o missionário exortou o Sultão a abraçar o Evangelho.

Está visto que São Francisco não acreditava que todas as religiões fossem um caminho para Deus.

São Francisco de Assis, rogai por nós.


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sábado, 3 de outubro de 2026

O elevador que me há-de elevar até ao Céu - Santa Teresinha do Menino Jesus

Estamos num século de invenções. Agora já não se tem a maçada de subir os degraus de uma escada; em casa dos ricos o ascensor substitui-a vantajosamente. Eu queria também encontrar um ascensor que me elevasse até Jesus, porque sou demasiado pequena para subir a rude escada da perfeição. Então, procurei nos Livros Sagrados a indicação do ascensor — objecto do meu desejo —, e li as estas palavras saídas da boca da Sabedoria eterna: Se alguém for pequenino, venha a mim. 

Então, aproximei-me, adivinhando que tinha encontrado o que procurava, e querendo saber, ó meu Deus!, o que faríeis ao pequenino que respondesse ao vosso apelo. Continuei as minhas buscas, e eis o que encontrei: — Como uma mãe acaricia o seu filho, assim eu vos consolarei; levar-vos-ei ao colo e embalar-vos-ei nos meus joelhos! Ah!, nunca palavras tão ternas e tão melodiosas me vieram alegrar a alma.

O ascensor que me há-de elevar até ao Céu, são os vossos braços, ó Jesus! Para isso não tenho necessidade de crescer; pelo contrário, é preciso que eu permaneça pequena, e que me torne cada vez mais pequena. Ó meu Deus! excedestes a minha esperança, e eu quero cantar as vossas misericórdias."

in História de uma Alma


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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Quem são os Anjos da Guarda?

Tenho um Anjo da Guarda?
Sim, qualquer ser humano tem um Anjo da Guarda.
 
Quando é que recebi o meu Anjo da Guarda? 
No momento da concepção. O vosso Anjo foi-vos dado mesmo antes das graças do baptismo! Isto é porque os Anjos são dados aos seres humanos em virtude da nossa razão e não da nossa graça baptismal.
 
O meu Anjo foi Anjo da Guarda de alguém antes de mim?
Provavelmente não. Cada ser humano recebe um Anjo. No entanto, é teoricamente possível (apesar de muito improvável) que um Anjo possa ser reposicionado se o seu primeiro humano for condenado ao inferno.
 
O meu Anjo da Guarda vai estar comigo na próxima vida?
Se forem para o Céu, o vosso Anjo estará convosco na glória como companheiro e amigo eterno. Se forem para o inferno, o Anjo vai deixar-vos e, em vez dele, receberão um demónio que vos vai atormentar para sempre.
 
O meu Anjo da Guarda já me conhecia antes de nascer?
Sim. Não só pelo conhecimento natural dos Anjos, mas também por um conhecimento especial dado por Deus - o vosso Anjo conheceu-vos desde o momento da sua entrada no Céu, depois da sua criação.
 
O meu Anjo da Guarda é um Arcanjo?
Quase de certeza que não. Parece que os Anjos da Guarda são todos escolhidos do coro mais baixo de Anjos, que se chama "Anjos". Os Arcanjos estão sobre este coro e não parecem ter a função dos Anjos da Guarda. É possível que um Anjo da Guarda possa receber ajuda e conselhos dos Arcanjos, ou mesmo de um Serafim.
 
O meu Anjo está sempre comigo?
Sim, o vosso Anjo vigia-vos sempre porque Deus vos guia sempre com a Sua providência. Um Anjo está localmente presente quando actua como causa completa e imediata num corpo; assim, o Anjo até pode estar localmente presente ao pé de vocês. Em qualquer dos casos, o vosso Anjo está espiritualmente presente na vossa alma; a não ser que sejam condenados ao inferno depois da morte.
 
Os meus pecados fazem o meu Anjo ficar triste?
Nem por isso. O vosso Anjo goza da visão perfeita de Deus e, portanto, não pode estar triste, pois todos aqueles que vêem Deus estão felizes com perfeição. Tal como Deus permite que pequem, também o vosso Anjo permite que caiam - isso não o faz ficar triste, porque ele tem sempre alegria ao olhar para o plano de Deus. Ainda assim, é provável que o vosso Anjo experimente um desgosto geral com os vossos pecados.
 
O meu Anjo da Guarda luta contra demónios em meu nome?
Claro! Lembrem-se do livro de Tobias, o Arcanjo Rafael salvou Tobias dos demónios que atormentavam Sara.
 
O meu Anjo da Guarda pode trabalhar com outros Anjos da Guarda para conseguir algo bom?
Sim, de facto. O Padre Pio enviava regularmente o seu Anjo da Guarda para trabalhar com outros Anjos. Os Anjos regozijam-se em trabalhar juntos para o nosso maior bem.
 
O meu Anjo da Guarda discute com outros Anjos da Guarda?
Sim, num certo sentido. Os vários Anjos da Guarda trabalham a um nível mais imediato quando guiam a espécie humana. Assim, apesar de todos os Anjos da Guarda estarem totalmente dedicados ao plano de Deus, é possível que existam movimentos contrários parciais ou temporários na forma como este plano é concretizado. S. Tomás usa isto como uma interpretação da divisão entre Gabriel e o Anjo da Pérsia no livro de Daniel. Como diz o Doutor Angélico, "Diz-se que os Anjos se resistem uns aos outros; não que as suas vontades estejam em oposição, visto que são uma só mente no que toca ao cumprimento dos decretos Divinos, mas sim que as coisas sobre as quais procuram conhecimento estão em oposição" (ST I, q.113, a.8)
 
O meu Anjo da Guarda pode afectar a realidade física à minha volta?
Sim. Santa Gemma Galgani pedia regularmente ao seu Anjo da Guarda para enviar cartas por ela - muitas cartas foram e vieram para o seu director espiritual, enquanto ele estava em Roma.
 
Posso dar um nome ao meu Anjo da Guarda?
Talvez, mas temos que ter em conta que normalmente compete é ao superior nomear o inferior. Assim, não parece próprio que um ser humano possa dar nome a um Anjo.
 
O meu Anjo tem um nome?
Quase de certeza, Deus nomeou todos os seus Anjos - ou talvez os Anjos superiores deram nomes aos inferiores.
 
Como é que eu descubro o nome do meu Anjo da Guarda?
Podem experimentar perguntar. Mas também é possível que não vos seja revelado imediatamente. Penso que no Céu todos saberemos os nomes dos Anjos da Guarda.
 
É possível ter uma devoção exagerada ao nosso Anjo?
Desde que tenham em mente que o vosso Anjo é uma expressão do amor e da providência de Deus (e não um ser para ser considerado sozinho), não há perigo deter uma devoção demasiado forte ao vosso Anjo da Guarda.
 
Jesus tinha um Anjo da Guarda?
Sim, como qualquer outro ser humano, Cristo tinha um Anjo da Guarda. É provável que o seu Anjo da Guarda fosse o maior de todos os Anjos do coro inferior de Anjos. 
 
O anti-Cristo vai ter um Anjo da Guarda?
Se for um ser humano vai ter um Anjo da Guarda. Mesmo que ele venha a ser um grande inimigo de Deus, o Senhor vai continuar a amá-lo - a expressão deste amor é o dom de um Anjo da Guarda.
 
Quantos Anjos existem e poderiam ser potenciais Guardas?
Existem incomparavelmente mais Anjos que seres humanos. Assim, apesar de os Anjos da Guarda só serem escolhidos do coro mais baixo dos Anjos, é provável que o coro tenha bem mais Anjos que o número de humanos que já existiram, existem e vão existir. O único limite ao número de Anjos da Guarda é o número de humanos e não o número de Anjos.
 
Todos os santos Anjos da Guarda, roguem por nós!
 
in New Theological Movement


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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

"Ao entardecer da vida serás examinado no amor"

São João da Cruz, confessor e doutor da Igreja, foi o responsável pela reforma da Ordem Carmelita, juntamente com S. Teresa de Ávila e é considerado um dos maiores místicos de sempre. A Igreja diz que o seu zelo e o sucesso dos seus esforços causaram-lhe provações humilhantes, que lhe ensinaram a subir, dentro da “noite escura”, até à experiência mística do “nada” do homem diante da Majestade Divina.

Algumas frases da sua autoria:


"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida na sua liberdade e contemplação."


"O mais leve movimento duma alma animada de puro amor é mais proveitoso à Igreja do que todas as demais obras reunidas."


"O demónio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus."


"O afecto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do amor tornar aquele que ama semelhante ao amado."


"O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo amado."


"A pessoa que caminha para Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina as suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta acima."


"A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente."


in São João da Cruz, Obras


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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Jesus ordena ao demónio: "Vai com os porcos"

Vede a que ponto a alma do homem é preciosa. O que contraria os que pensam que os homens e os animais têm uma alma idêntica e que somos animados pelo mesmo espírito. Noutra altura, o demónio foi expulso de um só homem e foi enviado para dois mil porcos (cf Mt 8,32). 

Aquilo que era precioso foi salvo, e o que era vil, perdido: «Sai do homem, vai para os porcos. Vai para onde quiseres, vai para os abismos. Deixa o homem que é Minha propriedade. Não te vou deixar possuir o homem pois seria para Mim um ultraje instalares-te nele em Meu lugar. Assumi um corpo humano, vivo no homem: essa carne que possuis faz parte da Minha carne: sai deste homem!»

São Jerónimo in Homilias sobre o Evangelho de São Marcos, nº2


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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Exorcismo de São Miguel Arcanjo escrito pelo Papa Leão XIII

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Ó gloriosíssimo Príncipe da milícia celeste, Arcanjo S. Miguel, defendei-nos na nossa luta e nosso combate contra os principados e as potestades, contra os governantes deste mundo tenebroso, contra a perversidade espiritual em lugares elevados.

Vinde em auxilio do homem, que Deus criou imortal, à sua imagem e semelhança, e resgatou por grande preço da tirania do diabo. Combatei neste dia a batalha do Senhor, junto com os santos anjos, como já haveis combatido o líder dos anjos orgulhosos, Lúcifer, e o seu exército apóstata, que não tinham poder para vos resistir, nem tinham mais lugar no Céu. Mas aquela antiga e cruel serpente, chamada de demónio ou Satanás, que seduz todo a orbe, foi mandada para o abismo com todos os seus anjos.

Eis que o primordial inimigo e assassino do homem se ergueu veementemente. Transformado em anjo da luz, ele vagueia com toda a multitude de espíritos malignos, invadindo a terra em ordem a extirpar dela o nome de Deus e do Seu Cristo, para, deleitando-se, matar e atirar para a perdição eterna as almas destinadas à coroa da eterna glória.

Este malvado dragão derrama, como torrente imunda, o veneno da sua malícia sobre o homem de mente depravada e coração corrompido; o espirito da mentira, da impiedade e da blasfémia; o odor pestilento da luxúria e de todo o vício e iniquidade.

Estes astutos inimigos encheram e inebriaram com ódio e amargura a Igreja, a esposa do Cordeiro Imaculado, e deitaram as suas mãos impiedosas sobre as suas posses mais sagradas. Onde se encontra a Sede do Santo Apóstolo Pedro e Cátedra da Verdade para ser luz do mundo, eles elevaram um trono da sua abominável impiedade, com o desígnio iníquo de que quando o Pastor é abatido, as ovelhas se dispersam.

Erguei-vos então, ó General invencível, auxiliai o povo de Deus contra os ataques que irrompem dos espíritos perdidos e trazei-nos a vitória.

A Santa Igreja venera-vos como protector e patrono; glorifica-vos como a sua defesa contra os poderes malignos deste mundo e do inferno; a vós Deus confiou as almas do homem para serem estabelecidas na beatitude celeste. Intercedei junto do Deus da paz para que Ele esmague Satanás sob os nossos pés, tão conquistado que não consiga mais prender os homens em cativeiro e magoar a Igreja.

Oferecei as nossas orações à vista do Altíssimo, para que elas possam rapidamente alcançar-nos as misericórdias do Senhor; e derrubando o dragão, a antiga serpente, que é o demónio e Satanás, tornai-o novamente cativo no abismo, para que ele não possa mais seduzir as gentes. Ámen


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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo

Esta devoção foi ensinada e pedida pelo próprio Arcanjo à serva Antónia de Astónaco, em Portugal. A devoção passou para outros países, foi aprovada por muitos bispos e até pelo Santo Papa Pio IX, que a enriqueceu de indulgências, a 8 de Agosto de 1851. 

Método para rezar:

DEUS vinde em nosso auxílio. 
SENHOR socorrei-nos e salvai-nos. 
Glória ao Pai, ao Filhos e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. 
Ámen.

Primeira Saudação
Pela intercessão de SÃO MIGUEL e do coro celeste dos SERAFINS, fazei-nos SENHOR dignos do fogo da perfeita Caridade. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Segunda Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos QUERUBINS, pedimos SENHOR a graça de trilharmos a estrada da perfeição cristã. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ...

Terceira Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos TRONOS, pedimos SENHOR que nos deis o espírito da verdadeira humildade. 
Um PAI Nossa ... Três Ave Marias ... 

Quarta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das DOMINAÇÕES, pedimos SENHOR nos concedais a graça de dominar os nossos sentidos e de nos corrigir das nossas más paixões. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Quinta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das POTESTADES, pedimos SENHOR que vos digneis proteger as nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e dos demónios. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Sexta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das VIRTUDES, pedimos SENHOR a graça de sairmos vencedores no perigoso combate das tentações. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Sétima Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos PRINCIPADOS, pedimos SENHOR que nos deis o espírito de uma verdadeira e sincera obediência a Vós. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ...

Oitava Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ARCANJOS, pedimos SENHOR que nos concedeis o dom da perseverança na Fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso. 
UM PAI NOSSO ... Três Ave Marias ... 

Nona Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ANJOS, pedimos SENHOR que estes espíritos bem-aventurados nos guardem sempre, e principalmente na hora da nossa morte e nos conduzam à glória do Paraíso. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

No final reza-se:

Um PAI Nosso ... (em honra de São Miguel Arcanjo) 
Um PAI Nosso ... (em honra de São Gabriel) 
Um PAI Nosso ... (em honra de São Rafael) 
Um PAI Nosso ... (em honra do nosso Anjo da Guarda) 

Termina-se rezando:

Antífona: Glorioso São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de DEUS, nosso admirável guia depois de Cristo e Maria; vós cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, a nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei, pela vossa incomparável protecção, que adiantemos, cada dia mais, na fidelidade em servir a DEUS. Ámen.

Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de CRISTO. 
Para que sejamos dignos das Suas promessas. 

Oração: DEUS, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhestes para príncipe da vossa Igreja o gloriosíssimo Arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós Vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de JESUS CRISTO, Nosso Senhor. Ámen.


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domingo, 27 de setembro de 2026

A Igreja em crise...e como não a devemos salvar

Doze questões verdades incómodas e um caminho católico para a frente

Tenho boas notícias e más notícias. A má notícia é que a Igreja católica se encontra em crise. A boa notícia é que isso já lhe aconteceu muitas vezes. Mais ainda: quem conhece um pouco a história da Igreja chega por vezes a ter a impressão de que a crise é uma das poucas tradições católicas verdadeiramente duradouras. Tivemos papas corruptos, bispos mundanos, heresias, cismas, revoluções, perseguições e comissões litúrgicas. E, no entanto, ainda existimos.

Isto último parece-me sobretudo uma prova da origem divina da Igreja. Uma organização meramente humana que tivesse sido administrada como a Igreja o foi por vezes provavelmente teria falido por volta do século IV. Mas, ainda assim, a situação é grave. Não porque a Igreja seja pouco popular. Não porque a sua quota de mercado diminua. Não porque não se ajuste suficientemente ao consumidor moderno.

A crise é grave porque dentro da Igreja existe incerteza precisamente acerca daquelas coisas sobre as quais ela deveria oferecer certeza: Que é a verdade? Que é o pecado? Que é o matrimónio? Que é o sacerdócio? Que é a liturgia? Que é a obediência? Que significa a misericórdia? Que foi, afinal, que Cristo confiou à sua Igreja? E, talvez ainda mais fundamentalmente: Cremos nós ainda de verdade que a Igreja recebeu de Cristo algo que ela própria não pode alterar? Aí está o cerne.

1. A primeira reforma necessária: deixar de fingir que tudo tem de ser reformado

Vivemos numa cultura em que a mudança é considerada quase automaticamente uma melhoria. Um telefone de 2019 é velho. Um computador de 2012 é antigo. E por isso pensamos inconscientemente, por vezes, que uma doutrina da fé do ano 325 precisa urgentemente de uma actualização de software. Mas a revelação não é um iPhone. O cristianismo não é um produto do qual deve aparecer todos os anos um modelo novo. A missão da Igreja não é produzir continuamente uma religião nova. A sua missão é: receber, guardar, aprofundar e anunciar o que recebeu de Cristo.

Isso não significa que nada possa mudar. Os métodos pastorais podem mudar. As disciplinas canónicas podem mudar. As formas de governo podem mudar. As disciplinas litúrgicas podem mudar. Mas a verdade não pode ser verdadeira hoje e falsa amanhã.

Um bispo deveria, em cada renovação eclesial, fazer-se uma pergunta simples: Isto ajuda as minhas pessoas a tornarem-se mais santas? Não: «Isto é inovador?» Não: «Está formulado de modo inclusivo?» Não: «Podemos criar um grupo de trabalho para isto?» Mas: Isto aproxima as pessoas de Cristo, dos sacramentos e da vida eterna? Isso poderia encurtar bastante algumas reuniões. E isso talvez já seja, em si, uma pequena reforma eclesial.

2. Sinodalidade: instrumento útil, má encenação

Não há nada de não católico nos sínodos. A Igreja conheceu-os durante séculos. O que se torna arriscado é quando a sinodalidade passa de método a um ideal teológico quase autónomo. O cristianismo, na verdade, não começou com: «Onde dois ou três estiverem reunidos em conversa em círculo, aí surge por si a verdade.» Os apóstolos receberam uma fé que lhes foi confiada. Depois puderam deliberar sobre ela. Essa ordem é importante.

Ouvir é excelente, mas os católicos devem por vezes ter a coragem de fazer a pergunta descortês: Ouvir a quem? À cultura? Aos inquéritos de opinião? Aos grupos de interesse? A nós próprios? Ou a Cristo? Porque quando o resultado de um processo eclesial de escuta se torna previsivelmente idêntico aos desejos da cultura secular moderna, pode pelo menos perguntar-se se ouvimos verdadeiramente o Espírito Santo ou talvez sobretudo o espírito do tempo.

O Espírito Santo tem, de facto, uma propriedade curiosa: fala com surpreendente frequência em continuidade com o que disse nos vinte séculos anteriores. Uma simples sugestão para os meus irmãos bispos: Usem a sinodalidade, mas sejam bispos. Um bispo não foi escolhido para ser permanentemente facilitador de processos de grupo. É sucessor dos apóstolos. Isso significa: ensinar, santificar, governar, e por vezes também dizer: «Não. Isto não podemos alterar.» A palavra «não» tem hoje má reputação. Mas os pais sabem: quem nunca diz não não ama mais os filhos.

3. Restaure-se a distinção entre misericórdia e confirmação

Ninguém precisa de uma Igreja dura de coração. Mas também ninguém precisa de uma Igreja que só ainda ousa nomear o pecado em documentos históricos. Cristo foi infinitamente misericordioso. Mas a sua misericórdia nunca consistiu em fingir que a conversão era supérflua. Ao pecador diz Cristo: «Vem.» Mas também: «Segue-Me.» E seguir significa necessariamente que não continuamos exactamente no mesmo sítio onde estávamos.

Isso parece simples. Mas hoje é revolucionário. A tentação pastoral soa por vezes assim: Não queremos ferir ninguém, por isso preferimos já não falar de pecado. O problema é que então também o perdão se torna sem sentido. Quem nunca está doente não precisa de médico. Quem nunca peca não precisa de Redentor. E de repente descobrimos por que motivo Cristo, num sistema teológico destes, tem cada vez menos que fazer.

Uma simples sugestão para os meus irmãos sacerdotes. Preguem outra vez sobre: pecado, graça, céu, inferno, confissão, virtude, castidade, oração, sacrifício, conversão. Não tudo ao mesmo tempo todos os domingos. Os fiéis também têm de chegar a tempo à sopa. Mas deixem as pessoas saber que o cristianismo trata realmente de alguma coisa.

4. Salvem a liturgia tanto da experiência como da ideologia

A liturgia é uma das questões mais sensíveis dentro da Igreja. Isso é compreensível. Lex orandi, lex credendi. Como rezamos, assim aprendemos a crer. Por isso a luta pela liturgia nunca é apenas estética. Trata-se, em última análise, de Deus.

Uma Missa católica não é primariamente uma reunião em que a comunidade celebra a sua união. É o sacrifício de Cristo tornado sacramentalmente presente. Não é uma celebração de refeição sob a forma de sacrifício, mas um sacrifício sob a forma de refeição. Isso muda tudo. Quando isso é verdadeiramente crido, segue-se naturalmente: respeito, genuflexão, silêncio, beleza, cuidado, música sagrada, e um sacerdote que não pensa que a liturgia melhora quando improvisa espontaneamente uma historieta engraçada. O Espírito Santo tem muitos talentos. O teatro de improvisação no altar, que eu saiba, não pertence aos sete dons.

Uma simples sugestão para os meus irmãos bispos. Não considerem automaticamente o apego à liturgia tradicional um problema psiquiátrico. Nem todo o jovem católico que gosta de latim é um agente secreto de 1957. Quando os jovens são atraídos por: canto gregoriano, silêncio, incenso, genuflexão, ad orientem, espiritualidade clássica, não perguntem imediatamente: «O que é que aqui correu mal?» Perguntem talvez: «Que procuram aqui que não encontram noutro lado?»

Para os católicos tradicionais. E também eles têm de nos deixar dizer alguma coisa. A liturgia tradicional pode santificar alguém. Mas um rito antigo não torna automaticamente alguém santo. Pode-se assistir à Missa mais respeitosa e depois, no parque de estacionamento, amaldiçoar os três bispos e o Vaticano inteiro. Isso é liturgicamente talvez tradicional, mas espiritualmente menos recomendável. Tradição sem amor torna-se arqueologia com temperamento.

5. Deixem de tratar os jovens fiéis como se fossem porcelana religiosa

Os jovens, segundo alguns modelos pastorais, precisariam sobretudo de: limiares baixos, poucas exigências, celebrações curtas, textos compreensíveis, muita participação, e sobretudo nada que soe a obrigação. Só que há um problema. Esse modelo não parece funcionar muito bem. Muitos jovens que descobrem a fé procuram precisamente outra coisa: verdade, ordem, ascese, identidade, confissão, adoração, sacramentos, profundidade intelectual, e uma comunidade que lhes peça alguma coisa.

Subestimámos os jovens. Oferecemos-lhes sumo enquanto eles procuravam vinho. Demos-lhes slogans enquanto eles queriam ler São Tomás de Aquino. Pensámos que o gregoriano os afastaria. Alguns deles entretanto descarregam-no voluntariamente no Spotify.

Uma sugestão para os meus irmãos sacerdotes: Ousem tratar os jovens como adultos. Ensinem-lhes o Catecismo. Ensinem-lhes a rezar. Ensinem-lhes a jejuar. Ensinem-lhes por que razão a Igreja ensina o que ensina. Não ofereçam um cristianismo diluído. Ninguém jamais foi martirizado por um vago sentimento de pertença.

6. Vocações: quem ainda pede um sacrifício?

Falamos muito da falta de sacerdotes. Compreensível. Mas a discussão passa depois com notável rapidez para: fusões, modelos de gestão, dirigentes leigos, reestruturação, e naturalmente o celibato. Tudo assuntos discutíveis. Mas talvez devamos primeiro perguntar algo mais simples: Por que haveria um jovem de querer ser sacerdote?

Quando ouve: vais ser administrador de oito paróquias, a agenda está cheia de reuniões, sobretudo não podes ofender ninguém, e ao fim de vinte anos talvez recebas um plano estratégico sobre património sustentável, é espantoso que ainda apareça alguém. Mas digam-lhe: Entrega a tua vida a Cristo. Celebra diariamente o sacrifício da Missa. Perdoa pecados. Baptiza crianças. Está junto dos moribundos. Anuncia o Evangelho. Sê pai espiritual. Conduz almas à eternidade. Isso de repente soa diferente.

Uma simples sugestão para os meus irmãos bispos. Não procurem candidatos que sejam sobretudo bons em gestão. Procurem homens que rezem. Um administrador medíocre pode ser ajudado por um bom economista. Um sacerdote que não reza não é salvo por nenhum curso de gestão.

7. O bispo tem de voltar a ser pai

Um bispo moderno pode facilmente transformar-se numa espécie de director-geral de prestação de serviços religiosos. Tem: reuniões, juristas, assessores de comunicação, problemas de património, perguntas da imprensa, recursos humanos, protocolos, comissões. Tudo necessário. Mas quando os seus sacerdotes quase não o conhecem e os fiéis só o vêem num postal de Natal, algo está mal.

Um bispo é primariamente pai e pastor. Deve pois conhecer os seus sacerdotes. Conhecer os seminaristas. Visitar as paróquias. Vigiar o ensino da religião. Proteger a liturgia. Combater os abusos. Anunciar a doutrina da fé. E de vez em quando dizer em público alguma coisa de que todos compreendem imediatamente: Ah sim. Este homem acredita de verdade que a fé católica é verdadeira. Isso seria refrescante.

Atrevo-me a oferecer uma sugestão concreta. Cada bispo poderia reservar anualmente um número considerável de dias em que não assiste a reuniões, mas: visita o seminário, fala individualmente com sacerdotes, encontra catecúmenos, visita escolas, ouve confissões, encontra jovens e visita paróquias. Isso dá visão do que a sua diocese realmente precisa.

8. Sacerdotes: sejam sacerdotes, não apresentadores

Um sacerdote não precisa de ser o homem mais popular da paróquia. Ainda bem. Caso contrário a Igreja católica teria graves problemas de pessoal. Também não precisa de ser continuamente «relevante». A sua relevância não procede da sua personalidade. Procede de Cristo. Quando um sacerdote unge os doentes, é relevante. Quando absolve, é relevante. Quando celebra a Eucaristia, é relevante. Quando assiste um moribundo, é mais relevante do que todos os programas de conversa que essa noite se transmitem.

Prioridades concretas para sacerdotes são fáceis de imaginar. Rezem diariamente com fidelidade o breviário. Reservem diariamente tempo de oração silenciosa. Celebrem a Missa dignamente. Ofereçam com generosidade ocasião de confissão. Estejam disponíveis para os doentes. Deem verdadeira catequese. Preguem com conteúdo. Evitem a criatividade litúrgica. Leiam regularmente teologia. Vivam com simplicidade. E sejam paternais. Isto último é importante. O sacerdote não é apenas funcionário dos sacramentos. É pai espiritual.

9. Leigos: deixem de esperar que Roma resolva tudo

Os católicos têm por vezes um hábito curioso. Queixamo-nos de que a hierarquia tem demasiado poder. E depois esperamos que a hierarquia resolva tudo. Isso não combina. Quando a cultura tem de ser novamente evangelizada, isso acontece em grande parte pelos leigos. Nas famílias, escolas, universidades, empresas, meios de comunicação, artes, política, ciência, comunidades de bairro. Pelo menos, esse seria o quadro ideal. Os primeiros cristãos não tinham uma conferência episcopal com um gabinete profissional de comunicação. E no entanto evangelizaram o Império Romano. Isso põe as nossas desculpas um pouco em perspectiva.

O principal programa de catequese continua a ser a família. Daí algumas sugestões para os pais. Rezem com os vossos filhos. Levem-nos à Missa. Confessem-se vós mesmos. Falem em casa da fé. Façam-nos conhecer os santos. Ensinem-lhes que o Domingo é verdadeiramente Domingo. E não se surpreendam quando uma criança não se torna católica depois de ter visto durante dezoito anos que ser católico quase não fazia diferença para os pais.

Aos intelectuais católicos gosto de deixar isto. Escrevam. Ensinem. Debatam. Fundem. Organizem. Estejam presentes na cultura. A ortodoxia católica não pode tornar-se um passatempo para intelectuais que falam exclusivamente uns com os outros. São Tomás de Aquino não escreveu para um grupo fechado de WhatsApp.

10. Combata-se a luta cultural sem nos tornarmos nós mesmos guerreiros culturais

Existem conflitos reais entre a moral católica e a cultura moderna. Isso não devemos negar. Mas os católicos tradicionais correm por vezes um perigo próprio: que a luta contra o erro se torne lentamente mais importante do que o amor à verdade. Essa diferença é subtil mas crucial. Pode-se acabar por gastar tanto tempo a combater o modernismo que Cristo quase se torna acessório. Pode-se ler diariamente tudo o que corre mal em Roma e quase não abrir o Evangelho. Pode-se receber no Facebook, em dez minutos, a última catástrofe num dicastério e não saber que santo está hoje no calendário.

Isso não é uma vitória da tradição. É distracção espiritual. Uma regra prática: Leiam mais Santo Agostinho do que o Twitter eclesiástico. Leiam mais Bento XVI do que blogues irados. Rezem mais tempo pelo vosso bispo do que o tempo que passam a queixar-se dele. Isto último é particularmente difícil. Por isso é provavelmente bom para a alma.

11. Abusos: zero romantismo acerca da reputação eclesial

Aqui cabe pouco humor. Os abusos e a cultura de encobrimento em torno deles causaram danos enormes. O católico tradicional nunca deve pensar que defender a Igreja significa que a reputação institucional tem prioridade sobre a verdade e a justiça. Precisamente a ortodoxia católica exige: justiça, amor à verdade, protecção dos vulneráveis e responsabilidade dos que exercem autoridade. Um bispo que protege um abusador para «evitar o escândalo» causa precisamente o escândalo. A Igreja não se defende escondendo o pecado. A Igreja defende-se combatendo o pecado.

Ou seja: protejam primeiro as vítimas. Investiguem a sério. Cooperem legitimamente com as autoridades civis. Sejam transparentes onde isso for responsável. E compreendam: a reputação da Igreja pertence, em última análise, a Cristo. Ele aguenta melhor a verdade do que uma mentira.

12. Deixem o eterno complexo de inferioridade perante o mundo moderno

Há algumas décadas, uma parte do establishment eclesial parece por vezes mortalmente receosa de que o mundo moderno nos ache antiquados. Mas quanto a isso podemos estar descansados. O mundo moderno de facto nos acha antiquados. O cristianismo ensina, afinal: que a castidade é uma virtude, que o matrimónio tem um significado objectivo, que as crianças são dons, que a verdade existe, que o sofrimento pode adquirir sentido, que a propriedade cria obrigações, que o perdão é mais importante do que a vingança, que a humildade é boa, que o homem não é o seu próprio criador, e que Deus é, em última análise, mais importante do que a autonomia. E sim, também mais importante do que a economia.

Isso nunca se tornará completamente moda. E também não precisa. O cristianismo não sobreviveu dois mil anos porque reescreveu a sua mensagem de vinte em vinte anos. Sobreviveu porque a mensagem se revelou maior do que qualquer moda.

Que deve acontecer concretamente? Permita-se-me concluir com um programa simples. Não com mais uma comissão nova, mas para nós próprios.

Aos bispos: 

- Anunciem com clareza a doutrina da fé. Não só quando não há controvérsia. Precisamente quando ela é impopular.

- Formem bons sacerdotes. Intelectualmente ortodoxos. Espiritualmente profundos. Humanamente maduros. Liturgicamente formados.

- Deem prioridade a seminários ortodoxos. Uma diocese sem vocações não deve perguntar apenas por que os jovens não vêm. Deve também perguntar o que os jovens encontram quando vêm.

- Restaurem a paz litúrgica. Não tratem os fiéis fiéis que desejam a liturgia tradicional como casos problemáticos.

- Promovam a confissão e a adoração. A renovação da Igreja não começa pela gestão.

- Protejam o ensino católico. Uma escola que se chama católica mas já não ousa ensinar a visão católica do homem tem principalmente um logótipo histórico.
Sejam visíveis como pastores. Vão ao encontro das vossas pessoas.

Aos sacerdotes:

- Rezem. Isso soa quase ofensivamente simples. Mas muitas crises começam exactamente aí.

- Celebrem diariamente a Eucaristia. Celebrem com respeito. O fiel não precisa de encontrar na Missa a personalidade do sacerdote. Vem encontrar Cristo.

- Preguem a verdade plena. Com amor. Com inteligência. Com humor onde isso for útil, mas sem vergonha.

- Ouçam confissões. Proporcionem ampla ocasião de confessar. Não, tocar à campainha da residência paroquial não conta.

- Procurem os jovens. Não para serem modernos com eles. Isso é uma causa perdida. Um sacerdote de sessenta anos que tenta falar como alguém de dezasseis é um dos argumentos mais fortes a favor de um voto monástico de silêncio. Sejam pais. Isso basta.

- Mantenham a fraternidade sacerdotal. Um sacerdote isolado torna-se vulnerável.
Amem as vossas pessoas. Também quando são difíceis. Sobretudo então.

Aos leigos:

- Tornem-se vós mesmos santos. Isso é mais difícil do que zangar-se com Roma, mas no fim muito mais eficaz.

- Construam famílias católicas.

- Deem aos vossos filhos verdadeira catequese.

- Apoiem os bons sacerdotes. Não pondo-os num pedestal, mas ajudando-os a continuar a ser sacerdotes.

- Fundem iniciativas católicas, escolas, editoras, grupos de estudantes, grupos de oração, instituições culturais, bons meios de comunicação.

- Conheçam a vossa fé. Um católico que não conhece o Catecismo mas discute diariamente política eclesial parece um pouco um analista de futebol que não sabe se a bola tem ar ou areia.

- Sejam alegres. Isto é talvez mais importante do que pensamos. O amargor não converte ninguém.

- Deixe-me também dizer algo que para um público tradicional talvez seja menos agradável. A tradição pode ela própria tornar-se uma ideologia. Pode-se ficar tão convencido de que se defende a verdade que se esquece que a verdade é uma Pessoa. 

Podemos: ter razão e ser sem amor, ser ortodoxos e soberbos, liturgicamente correctos e espiritualmente frios, teologicamente agudos e humanamente insuportáveis. Isso seria uma vitória bastante estranha.

O movimento tradicional será verdadeiramente fecundo quando for reconhecível por: santidade, famílias numerosas, vocações, vida intelectual, beleza, caridade, alegria e força missionária. Não exclusivamente pela crítica. Uma árvore reconhece-se, em última análise, pelos frutos. Não pela agudeza dos seus tweets.

Onde começa a verdadeira reforma?

Talvez não em Roma. Talvez não num sínodo. Talvez não numa conferência episcopal. Talvez comece amanhã de manhã. Quando um sacerdote reza meia hora a mais antes do pequeno-almoço. Quando um pai reza o terço com os filhos. Quando um jovem volta a confessar-se depois de dez anos. Quando um bispo decide explicar com calma uma verdade impopular. Quando um seminarista escolhe a santidade acima da carreira. Quando uma paróquia recomeça a adoração eucarística. Quando um professor católico recusa reduzir a sua fé a um humanismo vago. Quando um casal vive verdadeiramente o matrimónio como vocação. Assim a Igreja sempre se renovou. Não em primeiro lugar por programas, mas por santos.

E portanto: sem pânico. Podemos levar a crise a sério. Não precisamos de a tornar mais dramática do que é. Porque o futuro da Igreja não depende, em última análise, da competência da sua burocracia. Graças a Deus. Essa é talvez a doutrina mais consoladora desta Peper.

Cristo não disse: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei o meu plano estratégico plurianual.» Disse: «Edificarei a minha Igreja.» Isso não suprime a nossa responsabilidade. Põe-na no seu lugar. Não precisamos de reinventar a Igreja. Também não precisamos de a salvar como se Cristo, depois da Ascensão, se tivesse esquecido de como funciona a sua própria Igreja. Temos de fazer algo mais simples: Guardar a fé. Dizer a verdade. Receber os sacramentos. Educar os nossos filhos. Servir os pobres. Formar sacerdotes. Promover vocações. Celebrar dignamente a liturgia. Amar os inimigos. E amar Cristo mais do que o nosso próprio partido eclesial. Isto último pode ainda ser o mais difícil. Porque, no fim, não existem santos tradicionais e santos progressistas. Existem apenas santos.

E talvez seja exactamente essa a reforma de que a Igreja precisa agora. Não mais um novo programa católico. Mas de novo católicos que levem o Evangelho tão a sério que outras pessoas comecem a perguntar-se: «Que encontraram eles que nós não temos?» Quando essa pergunta voltar a ser feita, começa de verdade a nova evangelização. E talvez a Igreja descubra então algo que nos seus melhores momentos sempre soube: que o mundo não se converte porque nos tornamos cada vez mais parecidos com ele. Mas porque vê em nós algo de Cristo.

Bispo Robert Mutsaerts


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sábado, 26 de setembro de 2026

Católicos tradicionais franceses entregaram uma carta ao Papa

Ontem à noite, à margem da vigília no Stade de France, realizou-se uma vigília de oração alternativa em frente à Nunciatura Apostólica, pedindo ao Papa Leão XIV que permitisse um maior acesso aos sacramentos e à Missa no rito tradicional.

Segundo o BVoltaire.fr, os católicos saudaram o Papa Leão XIV à sua chegada à Nunciatura em Paris e entregaram-lhe uma carta.

Um católico disse: «Queremos fazer saber ao Papa que existe em França uma grande comunidade tradicional, muito dinâmica.» Outro acrescentou: «Gostaríamos de ter mais igrejas e recursos para celebrar a Missa tradicional.»

in gloria.tv


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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Estado e Igreja são como corpo e alma

A Igreja não pode alcançar convenientemente os seus fins espirituais sem a cooperação dos poderes civis. É verdade que a Igreja tem a fortaleza de Cristo e é capaz de subsistir ainda no meio de reinos não cristãos. Mas a Igreja sem a Cidade é a Igreja dos mártires, porque os poderes civis não baptizados pela Igreja caem inevitavelmente sob o domínio de Satanás e tornam-se perseguidores da Igreja. E são muito poucas as almas com espírito de mártires, capazes de resistir à violência, senão física, ao menos moral das leis e costumes contrários à lei de Cristo.

Para compreender o que dissemos não é necessário, por desgraça, imaginar os primeiros séculos de cristianismo; hoje já vivemos numa sociedade apóstata cada vez mais anticristã, e as exigências espirituais para salvar-se vão sendo cada vez maiores.

Não é necessário ter vivido muito para perceber que a grande maioria dos homens segue a lei e o costume social: se é costume ir à Missa, então as pessoas vão, e se há lei de divórcio, as pessoas divorciam-se. Por isso, quando a Igreja está na Cidade – como a alma no corpo – a maioria das pessoas salva-se, mas quando não está, só se salvam almas de excepção.

O Estado não pode alcançar de nenhum modo os seus fins se não estiver na Igreja – como a parte no todo. A Cidade sem Cristo é só um cadáver de cidade, alimento dos demónios carronheiros. Ao ter ficado a natureza humana ferida pelo pecado, os homens ficaram impossibilitados de se ordenar ao bem comum, o que só pode ser feito pela graça; e o poder político transformou-se em tirania dos poderosos sobre os demais.

Ainda que o homem não perca toda a bondade natural e possam os Reis procurar certos bens temporais, ao merecer pelo pecado ficar sob o domínio de Satanás, a carne e o mundo serão irremediavelmente instrumentalizados pelos demónios para ruína temporal e eterna do género humano.

Pe. Álvaro Calderón in 'A subordinação da ordem temporal à espiritual segundo São Tomás'


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