terça-feira, 5 de março de 2024

segunda-feira, 4 de março de 2024

Sugestões de Penitências para o resto da Quaresma

A Quaresma é um tempo de penitência para conversão pessoal e uma maior identificação com Jesus Cristo crucificado. Ficam aqui algumas ideias para que este importante tempo seja vivido com maiores frutos espirituais.

1) Penitências alimentares:

– Trocar a carne por peixe, ovos ou queijo;
– Comer menos arroz, feijão, pão, massa, para sair da mesa com um pouco de fome;
– Eliminar todos doces, refrigerantes, chocolate e demais guloseimas;
– Nas refeições, acrescentar algo que seja desagradável, como diminuir a quantidade de sal ou colocar um condimento que diminua um pouco o sabor da comida;
– Comer algum legume ou verdura que não se goste muito;
– Diminuir ou mesmo tirar as refeições intermediárias (como o lanche da tarde);
– Tomar café sem açúcar, ou água a uma temperatura menos agradável;
– Reservar algum dia para o jejum total ou parcial.

2) Penitências corporais:

(Apenas para ajudarem a não perdermos o sentido do sacrifício ao longo do dia, a não sermos relaxados, devendo ser pequenas e discretas)

– Dormir sem travesseiro;
– Sentar-se apenas em cadeiras duras;
– Rezar alguma oração mais prolongada de joelhos;
– Não usar elevadores ou escadas rolantes;
– Trabalhar sem se encostar na cadeira;
– Cuidar da postura corporal;
– Sair um pouco antes dos transportes públicos e fazer uma parte do caminho à pé;
– Deixar de usar o carro e usar um transporte público;

3) Penitências Morais

(São as mais importantes)

– Não reclamar das contrariedades do dia, mas agradecer e louvar a Deus;
– Sorrir, mesmo quando existe mau ambiente;
– Moderar a frequência às redes sociais, telefone e computador (reduzir a poucas vezes ao dia);
– Desligar as notificações do telefone;
– Fazer os serviços mais incómodos em casa e no trabalho, ajudando os outros;
– Acordar mais cedo para fazer oração;
– Não ouvir música no carro;
– Não ver televisão, mas dedicar este tempo à leitura;
– Não usar jogos de vídeo, caso seja viciado;
– Fazer algum trabalho voluntário;
– Rezar mais pelos outros do que por si mesmo;
– Reservar dinheiro para dar esmolas, mas sobretudo atenção aos mendigos;
– Falar bem das pessoas que se gostaria de criticar;
– Ouvir as pessoas incómodas sem as interromper;
– Dormir no horário previsto, mesmo sem vontade.

Padre José Eduardo


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domingo, 3 de março de 2024

A Igreja é intransigente porque crê mas tolerante porque ama

"A Igreja é intransigente em relação aos princípios porque crê, mas é tolerante na prática porque ama. Os inimigos da Igreja são tolerantes em relação aos princípios porque não crêem, mas intransigentes na prática porque não amam."

Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P.


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Missa, Exorcismo e Sacramentos em Latim esmagam a cabeça do Diabo

Os antigos Missais Católicos mostram-nos que o Cânone da Santa Missa em Latim se mantém praticamente inalterados desde o pontificado do Papa Gregório Magno (560-604). O Papa Pio V (1504-1572), modificou apenas ligeiramente este ancestral Missal Gregoriano, em conjunto com algumas das suas rubricas, mantendo no entanto inalterado o Cânone Romano. 

Após isto promulgou esta antiquíssima Missa Romana por todo o mundo cristão (exceptuando locais em que fosse feito uso de outro Rito com pelo menos 200 anos). Isto não incluiu os locais em que se fizesse uso do Rito Bizantino. Importa não esquecermos que a vastíssima maioria dos Católicos eram e são Católicos do Rito Romano.

Desde então foram feitas pequenas alterações, como a introdução de festas de novos Santos, mas em traços gerais o Missal Tridentino, ou Missal de de Pio V, tem sido usado por toda a Igreja do Rito Romano há mais de 400 anos.

Entretanto, em 1965, o Missal Tridentino foi traduzido para o vernáculo (no nosso caso, em Inglês) e desapareceu a obrigatoriedade de se celebrar a Missa apenas em latim. A Novus Ordo (nova missa), do Papa Paulo VI, foi promulgada em Dezembro de 1969 e passou a ser celebrada por todo o mundo Católico de Rito Romano. A partir desse momento a Missa Tridentina foi practicamente suprimida na Igreja (com a excepção de alguns locais específicos ou em paroquias em que os padres, já idosos, não a queriam celebrar ou não conseguiram aprender a nova Missa).

Exactamente na mesma altura em que o latim era erradicado dos Sacramentos da Igreja Católica, os portões do inferno abriram-se para o mundo. Muitos atribuem a desintegração da Fé e civilização Católica à revolução, caracterizada pelo trio “sexo, drogas e rock’n’roll”, ocorrida nos anos 60. Eu argumento que foi o diabo, e a sua companhia (os demónios) que despoletaram essa revolução.

Relembro que o diabo detesta o latim e em particular os antigos Sacramentos, Ritos e Orações da Igreja Católica em latim. Podemos constatar que foi precisamente na altura em que foi removido o latim da vida da Igreja (de 1965-1969), que os portões do infernos se abriram para o mundo.

Muitos perguntam o porquê do diabo odiar o latim e o porquê dessa língua ser aplicada nos exorcismos e exercer poder sobre o diabo. A resposta é que o Latim Eclesiástico foi reservado exclusivamente para o serviço da Igreja de Deus, nas suas orações e Sacramentos. (Paralelamente existe também o Latim Romano clássico, de Cícero, que ainda é estudado nos dias de hoje. Este tipo de latim difere significativamente do Latim Eclesiástico Sagrado)

A nossa língua profana é o inglês. A ela recorremos para insultar, praguejar, intrigar, mentir, enganar e corromper almas, a par com  as outras utilidades comuns de comunicação para as quais dela nos servimos.

Por sua vez, o Latim Eclesiástico é utilizado apenas para o sagrado, é uma língua morta que permanecerá inalterada e está consagrada, há séculos, em exclusivo para a oração (e em especial para a celebração da Missa em  Latim). E é por este motivo que o diabo odeia o latim.

É uma tristeza profunda quando um católico afirma odiar a Missa em Latim. Exprimem literalmente que não gostam ou, em alguns casos, até afirmam que a odeiam, única e exclusivamente por ser em latim. Afirmam  também não querer assistir por não entenderem o que é dito. Eu digo-lhes: Por favor, Deus sustenta-vos a semana inteira, 24 horas por dia 7 dias por semana, e não conseguem oferecer a Deus uma hora de oração sagrada, da maneira que Lhe aprouver? Porque odeiam o mesmo que o diabo odeia? Porque não amar o que Deus ama?

Perguntam, a prova do amor de Deus pela Missa em Latim, é o facto de ter sido por Sua vontade Sua que a Igreja, no mundo do Rito Romano, a tenha celebrado nessa língua durante os últimos 1800 anos? E a única resposta que conseguem encontrar é a de que Deus e a Sua Igreja andaram em erro todos estes anos mas agora, finalmente, nós conseguimos acertar? Que absurdo!

Proponho a teoria de que no momento em que os papas removeram o Latim da Igreja Católica Romana e suprimirem o Rito Tridentino, permitiram a abertura dos portões do inferno sobre a terra. Compete-nos voltar à Missa Tridentina ou a outros Ritos e Orações em Latim para combater o diabo.

Falei apenas do Rito Romano e da Igreja Católica Romana porque o Latim é a nossa língua sagrada. Outros ritos usam outras línguas sagradas como o Grego, Russo e Aramaico. A Maioria desses Ritos não viram alterações Às suas Divinas Liturgias com o advento do Concilio Vaticano II, e mantêm quase intacta a sua forma original.

Cumpramos todos o nosso papel na erradicação das manchas infernais sobre este mundo através do regresso à missa em latim, bem como todos os Sacramentos e Exorcismos em Latim. É uma enormíssima bênção ser defensor da Tradição e poder ter ao nosso alcance estas verdadeiras armas nucleares no combate contra o maligno.

Father Carota in http://www.traditionalcatholicpriest.com
Tradução: Miguel Sottomayor


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sábado, 2 de março de 2024

85 anos da eleição de Pio XII

No dia 2 de Março de 1939, o Cardeal Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli foi eleito Papa: Pio XII.

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22 documentos da Igreja que todos os católicos deveriam ler

Os católicos, em geral, ignoram a grande maioria dos textos do Magistério que foram escritos antes do Concílio Vaticano II. Como a verdade é perene, e por isso não muda, estes textos mantêm-se actuais em tudo o que se relaciona com a Fé e Moral. Deixamos aqui uma lista, não exaustiva, de textos que nos podem ajudar a amar mais a Deus e aos outros. Para abrir o texto, em português, basta clicar no nome de cada um dos documentos:

1. Unam sanctam - Bula do Papa Bonifácio VIII;

2. Mirari vos - Carta encíclica do Papa Gregório XVI;

3. Quanta cura - Carta encíclica do Papa Pio IX;

4. Syllabus errorum - Apêndice da encíclica Quanta cura do Papa Pio IX; 

5. Dei Filius - Constituição Dogmática do Concílio Vaticano I;

6. Pastor aeternus - Constituição Dogmática do Concílio Vaticano I;

7. Satis cognitum - Carta encíclica do Papa Leão XIII; 

8. Testem benevolentiae nostrae - Carta do Papa Leão XIII; 

9. Humanum genus - Carta encíclica do Papa Leão XIII;

10. Libertas praestantissimum - Carta encíclica do Papa Leão XIII;

11. Aeterni patris - Carta encíclica do Papa Leão XIII; 

12. Pascendi Dominici gregis - Carta encíclica do Papa Pio X; 

13. Lamentabili - Decreto do Papa Pio X; 

14. Juramento contra o modernismo - Incluído no Motu proprio Sacrorum antistitum do Papa Pio X;

15. Haerent animo - Exortação ao clero do Papa Pio X; 

16. Doctoris angelici - Motu proprio do Papa Pio X; 

17. Quas primas - Carta encíclica do Papa Pio XI; 

18. Casti connubii - Carta encíclica do Papa Pio XI;

19. Sacra virginitas - Carta encíclica do Papa Pio XII; 

20. Humani generis - Carta encíclica do Papa Pio XII;

21. Mediator Dei - Carta encíclica do Papa Pio XII; 

22. Veritatis splendor - Carta encíclica do Papa João Paulo II.


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sexta-feira, 1 de março de 2024

Stat Crux dum volvitur Orbis

A Cruz permanece enquanto o Mundo dá voltas
(Lema da Ordem Cartuxa)


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Como lucrar Indulgências Plenárias na Quaresma

A doutrina Católica das indulgências do século XVI, durante a revolta de Lutero, é exactamente igual à doutrina das indulgências do século XXI. Ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1471) que:

"A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos"

Ou seja, toda a ofensa cometida por alguém tem duas componentes que devem ser tidas em conta:

1. É preciso pedir desculpa à pessoa ofendida e
2. É preciso saldar a dívida com essa mesma pessoa, isto é, reparar o mal que se fez.

Basta pensar no caso simples em que se rouba dinheiro a alguém: não basta pedir desculpa, é preciso também devolver o dinheiro roubado, especialmente se for uma quantia bem grande.

Ora, nesta vida, todo o mal que se faz é, em última análise, uma ofensa a Deus - e, como em todas as ofensas, para voltar a estar em perfeita relação com Deus, tem que se cumprir os dois pontos acima.

O problema, claro, é que Deus é um ser simples, não tem partes, logo uma ofensa a Deus ofende-o em toda a sua medida, que é uma medida infinita. O homem, sendo finito, nunca consegue reparar os seus pecados. A verdade é que devolver 1 milhão de euros a alguém já é complicado, mas infinitos euros é impossível.

Felizmente a história que o Cristianismo nos ensina nos Evangelhos é uma história que acaba bem. Surgiu um Homem que conseguiu reparar na medida infinita de Deus, precisamente por também ser Deus. Com a Sua Paixão, Jesus permitiu a cada homem saldar a dívida que tem para com Deus, por muito grande que ela fosse!

Como em tudo na vida, a vontade pessoal tem um papel preponderante e, portanto, é preciso dizer a Deus que sim, que queremos usar mesmo essas graças conquistadas por Cristo.

A maneira de fazer isto é, claro, indo aos sacramentos, mas também ganhando méritos com obras - obras de caridade, de piedade, ... - que permitem ganhar indulgências. Rezar uma Ave Maria, por exemplo, dá-nos uma indulgência parcial.

As indulgências podem ser parciais ou plenárias e, como o próprio nome indica, as parciais reparam parte da dívida que temos para com Deus e as plenárias reparam totalmente essa dívida.

A Igreja Católica, no seu poder e função de santificar o povo de Deus, permite-nos ganhar indulgências plenárias com determinados actos de piedade. Alguns deles estão descritos aqui.

A Quaresma, culminando no Tríduo Pascal, é também um tempo rico para se ganhar indulgências plenárias e ficarmos Santos. Aqui ficam as indulgências plenárias que se podem ganhar só na Quaresma:
  • Todas as 6ªs-feiras:  Rezar a oração En ego, o bone et dulcissime Iesu (Ó bom e dulcíssimo Jesus) depois de receber a Sagrada Comunhão, diante de uma imagem de Jesus crucificado.
  • Via-Sacra: Rezar as 14 estações da Via Sacra diante de estações legitimamente erigidas, meditando na Paixão de Jesus em cada uma delas;
  • 5ª-feira Santa: Rezar o Tantum Ergo (Veneremos Adoremos) depois da Santa Missa da Ceia do Senhor;
  • 6ª-feira Santa: Participar na celebração da Paixão, com a veneração da Cruz do Senhor;
  • Sábado Santo: Renovar os votos do Baptismo na Santa Missa da Vigília Pascal (também há indulgência plenária a quem o faz no aniversário do próprio Baptismo);
  • Domingo de Páscoa: Receber a benção que o Papa dá na Basílica de S. Pedro às 12h00m (GMT+1), ao vivo ou pelos meios de comunicação social, desde que seja em directo.
É importante lembrar que a indulgência não é o perdão dos pecados, mas apenas a reparação das penas que vêm dos pecados. Aliás, isso mesmo está explícito nas condições para se receber uma indulgência plenária. Para se a indulgência plenária ter efeito é preciso:

1. Ter uma disposição interior de afastamento total de todo o pecado, mesmo do pecado venial;
2. Estar confessado;
3. Receber a Sagrada Comunhão;
4. Rezar pelas orações do Santo Padre (pode ser qualquer uma, mas a Santa Sé recomenda um "Pai Nosso" e uma "Ave Maria).

A Santa Sé também diz que é preferível que a Confissão e a Comunhão relativas à indulgência aconteçam no dia em que se pede a indulgência, mas pode ser antes ou depois (num intervalo máximo de 20 dias).

As indulgências plenárias só se podem receber uma vez por dia e só se podem aplicar ou à própria pessoa ou a alguém que já tenha morrido mas que ainda tenha penas para reparar, ou seja, que ainda esteja no Purgatório. Mais informações detalhadas pela Santa Sé podem ser encontradas aqui.

É importante reforçar que a Confissão é necessária para se receber a indulgência!

Nuno CB


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Cardeal Africano sobre o Ocidente: "Desejamos-lhes tudo de bom no seu desaparecimento!"

Durante uma reunião do movimento da Família Cristã em Kinshasa, a 16 de Janeiro, o Cardeal Fridolin Ambongo, 64 anos, Arcebispo local, não se limitou a condenar a peça de propaganda 'homossexual' de "Sodoma supplicans", mas também teve algo a dizer sobre a decadência do Ocidente. Neste contexto, fez um desejo que provocou risos na audiência.

- O Ocidente não gosta de crianças, por isso ataca a família, que é a célula básica da Humanidade.

- "Destruam a família e destroem a sociedade".

- Não amam as crianças, mas para que a economia funcione, têm de procurar pessoas no estrangeiro: pouco a pouco, vão desaparecer. Desejamos-lhes felicidades no seu desaparecimento!"

- É uma cultura decadente, é a decadência cultural e moral de uma sociedade. Querem impor-nos isso".

- "Hoje, o sistema da ONU está a empurrar a ideologia 'homossexual' através das agências da ONU, especialmente a Unicef, a OMS e outras."

- Desta forma, impõem-nos a sua cultura através do financiamento: se não a aceitarmos, cortam-nos o dinheiro. Mas a nossa cultura em África não é assim".

- "Foi por isso que, a 18 de Dezembro quando recebemos o documento 'Fiducia supplicans' da Santa Sé, assinado pelo prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé e rubricado por Sua Santidade o Papa Francisco, houve uma revolta em África."

- "Se abençoamos um homossexual, fazemo-lo também para dizer: a tua tendência sexual não está de acordo com a vontade de Deus, e esperamos que a bênção te ajude a mudar, porque não podemos ser promotores de desvios sexuais."

in gloria tv


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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Nada se pode fazer de melhor do que ouvir com piedade a Santa Missa

"Fica sabendo, ó cristão, que a Missa é o acto mais santo da Religião: tu não poderias fazer nada de mais glorioso em honra de Deus, e nada de mais vantajoso para a tua alma do que ouvir piedosamente a Santa Missa, e quanto mais vezes te for possível."

São Pedro Julião Eymard


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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

4 anos depois: o adeus de Bento XVI



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Dia de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores

Gabriel de Nossa Senhora das Dores, a quem Leão XIII chamava o “São Luiz Gonzaga dos nossos dias”, nasceu em Assis (Itália), a 1 de Março de 1838, filho de Sante Possenti de Terni e Inês Frisciotti. No mesmo dia em que viu a luz do mundo, recebeu a graça do Baptismo, na mesma pia em que foi baptizado o grande Patriarca S. Francisco, na igreja de São Rufino.

O pai, já aos vinte e dois anos, era Governador da cidade de Urbânia, cargo que sucessivamente veio a ocupar em S. Ginésio, Corinaldo, Cingoli e Assis. Como um dos magistrados dos Estados Pontifícios, gozava de grande estima por parte de Papa Pio IX, e Leão XIII honrava-o com a sua sincera amizade. A mãe era de uma nobre família de Civitanova d’Ancona. Estes dois cônjuges eram modelos de esposos cristãos, vivendo no santo temor de Deus, unidos no vínculo de respeito e amor fidelíssimo, que só a morte era capaz de solver. Deus abençoou esta santa união com treze filhos, dos quais Gabriel era o undécimo. Este, no Baptismo recebeu nome de Francisco, em homenagem ao seu avô e ao Seráfico de Assis.

Dando testemunho da educação que recebiam na família, no Processo da beatificação do Servo de Deus, os seus irmãos declararam: “Nós fomos educados com o máximo cuidado no que diz respeito à piedade e à instrução. A nossa mãe era piedosíssima e educou-nos segundo as máximas da nossa santa Religião”.

Nos braços, sobre os joelhos de uma mãe profundamente religiosa, o pequeno Francisco aprendeu os rudimentos da vida cristã e a pronunciar os santos nomes de Jesus Maria.

A grande felicidade que na infância reinava experimentou um grande abalo quando, inesperadamente, o Anjo da Morte veio visitar aquele lar e arrebatar-lhes a mãe. D. Inês, sentindo que se aproximava a última, na compreensão do seu dever de mãe cristã, reuniu todos os filhos à cabeceira do leito mortal, estreitou-os, um por um, ao seu coração, selou a sua fronte com o último beijo, deu-lhes a bênção, distinguindo com mais carinho os de tenra idade, entre estes, Francisco; munida de todos os Sacramentos, confortada pela graça de Deus, aos 38 anos de idade deixou este mundo, para, na Eternidade, perto de Deus, receber o prémio das suas raras virtudes.

Do pai, o próprio Francisco deu o seguinte testemunho ao seu director espiritual:  

“Meu pai”, declarou, “tinha por costume levantar-se bem cedo. Dedicava uma hora à oração e meditação; se neste tempo alguém desejava falar-lhe, havia de esperar pelo fim das práticas religiosas. Terminadas estas, ia à igreja assistir a Santa Missa e costumava levar consigo dos filhos os que não fossem impedidos. Finda a Santa Missa metia-se ao trabalho. À noite, reunia os seus filhos e dava-lhes sábios conselhos e úteis exortações. Falava-lhes dos deveres para com Deus, do respeito devido à autoridade paternal e do perigo das más companhias”. “Os maus companheiros”, dizia ele, “são os assassinos da juventude, os satélites de Lúcifer, traidores escondidos e, por isso, era para temê-los e deles ter cuidado”.

Os biógrafos de Francisco fazem ressaltar, em primeiro lugar, a extraordinária bondade de coração do menino, principalmente para com os pobres. Muitas vezes ficou ele sem a merenda, por tê-la dado aos pobres. Entre os seus irmãos, era ele o anjo da paz, sempre pronto para desculpar e para defendê-los, quando acusados injustamente. Não suportava a injúria, fosse ela atirada a si ou a um dos seus. Com a maior facilidade, se desfazia de objectos de certo valor, com que tinha sido homenageado. Assim, presenteou a um de seus irmãos uma bela corrente de prata que tinha recebido de um parente. Estes bons traços no caráter de Francisco não afastam certas sombras que nele subsistiam também. Os que o conheciam meigo, bondoso, compassivo, sabiam-no também ser nervoso, impaciente, irascível.

Por felicidade sua, o senhor Sante, seu pai, não era daqueles que desculpam os caprichos dos seus filhos, sob o pretexto de “serem crianças”, sem pensar que mais tarde terão de pagar bem caro esta condescendência e fraqueza. O verdadeiro amor cristão fê-lo combater sem tréguas todos os defeitos. Francisco era obediente e tinha grande respeito ao pai, o que, aliás, não impedia que diante de uma severa repreensão desse largas ao seu génio impulsivo, com palavras e gestos demonstrando o seu descontentamento, a sua raiva. Mas tudo isto era fogo fátuo. Logo, voltava às boas; a sua boa índole não permitia que estas revoltas interiores durassem muito tempo. Era encantador ver, momentos depois, o menino desfeito em pranto, procurar o pai e, por seus modos ingénuos e infantis, assegurar-se do perdão e do amor do Sr. Sante. Este, fingindo não dar crédito a estas demonstrações, retrucava bruscamente: “Nada de carícias; quero ver factos”. Então, o menino atirava-se ao colo do pai, beijava-o e sentia-se feliz, em ter voltado à paz, com o perdão paterno. Nesta escola de sábia pedagogia, Francisco cedo aprendeu combater e vencer os seus defeitos.

Durante algum tempo, Francisco ficou entregue aos cuidados de um mestre; depois frequentou o colégio dos “Irmãos das Escolas Cristãs”, onde fez rápidos progressos, figurando sempre entre os melhores alunos. Com sete anos fez a sua primeira confissão. Um ano depois, em Junho de 1846, recebeu o sacramento da confirmação. Tudo isto prova que o menino já se achava bem instruído nas Verdades da nossa Fé, graças ao sólido ensino que lhe dispensavam os beneméritos “Irmãos Sallistas”.

Nesse mesmo tempo, caiu também a data da sua primeira comunhão, para a qual se preparou com todo o esmero. Testemunha de vista desse grandioso acto diz:  

“O fervor com que o vi chegar-se da sagrada mesa, o espírito de fé que se estampava no seu semblante, o vigor dos seus afectos foram tais que se chegava a crer ser ele levado por um Serafim”.  
 
Esses sentimentos de fé e de piedade, aquelas chamas de amor ao SS. Sacramento não mais se separaram do coração de Francisco nos anos de sua mocidade, nem no meio de uma vida dissipada, de certo modo mundana. Não menos certo é que a frequente recepção da santa comunhão preservou-o de graves desvios no meio das tentações do mundo.

Terminados os estudos elementares, o pai pensou em procurar para Francisco uma educação mais elevada, de acordo com a sua posição social, e confiou o seu filho aos “Padres Jesuítas” que, na cidade de Spoleto, dirigiram um colégio. Neste educandário, passou Francisco os anos todos de sua mocidade no mundo e chegou a cursar os quatro semestres de estudos filosóficos. Estudante inteligente e cumpridor exacto do seu dever, deixou boa memória naquele colégio e formavam-se as mais belas esperanças a seu respeito. Ano não passava que não ganhasse um prémio; e no fim dos seus estudos foi distinguido com uma medalha de ouro. Mestres e colegas também o estimavam. 

Tudo nele encantava: os seus modos delicados e gentis, a modéstia no falar, o sorriso benévolo que lhe aflorava os lábios, o garbo com que se sabia ver em circunstâncias mais solenes, os sentimentos nobres que dominam em todo o seu proceder. Aos seus mestres devotava sempre a máxima estima e profunda gratidão. Das práticas de piedade era rígido observador e com regularidade frequentava os santos Sacramentos. Não há dúvida que, dada a ocasião, o seu génio impetuoso e quente o levava a transportes de veemência e de cólera. Mas estes excessos eram sempre seguidos de lágrimas de arrependimento e de penitência.

Desde a sua infância mostrou devoção particular a Nossa Senhora das Dores, uma imagem da qual se conservava em sua família; e cabia-lhe a ele adorná-la de flores e manter acesa uma lâmpada diante da estátua. Afirma um dos seus irmãos, Eurique Possenti, que viu Francisco, no último ano que passou em casa, usar de cilício de couro com pontinhas de ferro. Outro testemunho, da família Parenzi, declara: 

“A sua conduta religiosa e moral tem sido irrepreensível; dada a grande vigilância deosmeus pais, não teria sido admitido em nossa família, se não fosse realmente virtuoso”. 
 
Para completar a imagem do jovem estudante, e assim melhor poder compreender a mudança que nele mais tarde se efectuou, há que ter em conta a descrição da solene distribuição de prêmios, da última em que Francisco tomou parte no colégio dos Jesuítas em Spoleto, em setembro de 1856. Os melhores alunos tinham sido escolhidos para abrilhantar a cerimónia com discursos e declamações poéticas. Entre eles, Francisco ocupava o primeiro lugar. Ninguém se lhe igualava em elegância exterior, no garbo de representar, na graça de declamar, na graciosidade da gesticulação, no timbre encantador da voz. Podendo representar no palco, parecia estar no seu elemento e fazia-o com toda a naturalidade e perfeição. 

A sua aparência não deixava nada a desejar: tudo obedecia às exigências da última moda: o cabelo esmeradamente penteado, o traje elegante e ricamente adornado, as luvas brancas, gravata de seda, sapatos luzidios e artisticamente acabados, a tudo isso Francisco ligava máxima importância. Em certa ocasião, recitou com tanto ardor e tamanho foi o entusiasmo que excitou no auditório, que o delegado apostólico Mons. Guadalupe, que presente se achava, disse ao pai de Francisco que ao seu lado se achava: “se vosso filho aqui presente estivesse, abraçava-o em vosso lugar”.

As raras qualidades morais que o adornavam, a figura simpática e atraente na flor da mocidade, a extrema vivacidade que nele se observava, não deixaram de emprestar-lhe um leve sombreado de vaidade, que de algum modo chegou a dominá-lo. Esta vaidade se lhe patenteava na exigência que fazia no modo de se trajar, sempre na última moda, de perfumar o cabelo e este sempre tratado com cuidado, de se aborrecer com uma nódoa por mais insignificante que fosse no fato (roupa), no amor que tinha a divertimentos alegres e aos desportos mundanos.

O inimigo das almas tirou proveito dessas fraquezas. Se não conseguiu roubar-lhe a inocência, não foi porque não lhe poupasse contínuos assaltos, bem sucedidos. A paixão pelo teatro, a verdadeira mania por bailes, o amor à leitura de romances eram tantos escolhos, tantos perigos, que é de admirar que o jovem Francisco não caísse presa das ciladas diabólicas. Tão pronunciada era a sua paixão às danças, que lhe importou a alcunha de “bailarino”. Assim um dos seus mestres, Pe. Pinceli, Jesuíta, quando soube da inesperada fuga de Possenti do mundo para o convento, disse: “O bailarino fez isto? Quem esperava uma tal coisa! Deixar tudo e fazer-se religioso no noviciado dos Padres Passionistas!”.

Francisco bem conhecia o perigo em que nadava, e não faltava quem lhe chamasse a atenção, o lembrasse da necessidade da oração, da vigilância, da mortificação, da devoção a Jesus e Maria, de não perder de vista a Eternidade etc. Numa carta que lhe escreveu o Pe. Fedeschini, S.J., há todos estes avisos; o conselho de fugir das más companhias, de dar desprezo à vaidade no vestir e falar, de largar o respeito humano, de fazer meditação diária e receber os Sacramentos.

Com todas as leviandades e as suas perigosas tendências para o mundo, Francisco não deixava de ser um bom e piedoso jovem, a quem homens sábios e virtuosos não pudessem escrever com confiança, benevolência e estima e cujas palavras não fossem aceitas com respeito e gratidão.

“Muitas vezes” – diz quem bem o conhecia – “Possenti sentiu o chamado de Deus, de deixar a vida no mundo e trocá-la com o estado religioso”.

O seu director, Pe. Norberto, Passionista, declara:  

“A vocação, se bem que descuidada e sufocada, estava nele havia muito tempo, e ele a sentiu desde os mais tenros anos. Muitas vezes o servo de Deus disse-me isto, lastimando a sua ingratidão e indiferença”.

O mesmo sacerdote relata:  

“A sua vocação manifestou-se do seguinte modo: Não sei em que ano foi, sentiu-se ele acometido de um mal que o fez pensar na morte. Teve, então, a inspiração de prometer a Deus entrar numa Ordem religiosa, caso recuperasse a saúde. A promessa foi aceite, pois melhorou prontamente e em pouco tempo se achou restabelecido. Mas a promessa ficou como se não fosse feita. O jovem tornou a dar o seu afecto ao mundo e entregou-se à dissipação como antes. 

Não tardou que Deus lhe mandasse outra enfermidade, uma inflamação interna e externa da garganta, tão grave que parecia a morte iminente já na primeira noite, tornando-se-lhe dificílima à respiração. Novamente o enfermo recorreu a Deus e invocando Santo André Bobola, aplicou ao lugar dolorido uma estampa do mesmo Santo e renovou a promessa de abraçar o estado religioso. As melhoras surgiram quase instantaneamente, e teve o enfermo uma noite tranquila e não mais voltaram as angústias da dispneia. Deste extraordinário favor, o jovem lembrou-se sempre com muita gratidão. Manteve também por algum tempo o propósito de fazer-se religioso, mas diferindo-lhe a execução, o amor ao mundo voltou, e no mundo continuou a viver". 
 
Das paixões de Francisco, uma das mais fortes foi a da caça. A esta paixão ele pagava tributos bem pesados, e seu director espiritual não hesitou em atribuir a este desporto a cruel moléstia que o ceifou na flor da idade. Certa vez, ao pular uma cerca, chegou a cair e com tanta infelicidade que quebrou-lhe um osso do nariz. O fuzil disparou e o projétil passou-lhe rentinho pela testa, pouco faltando que lhe rebentasse o crânio. Francisco reconhecendo logo a providência deste aviso, renovou a sua promessa. Ficou com as cicatrizes, mas deixou-se ficar no mundo.

A graça divina também não se deu por vencida. Rejeitada três vezes, tentou um quarto golpe, mais doloroso ainda. De todos de sua família, Francisco dedicava terníssima amizade a sua irmã Maria Luzia, nove anos mais velha que ele, e esta amizade era correspondida com todo afecto. Em 1855 irrompeu em Spoleto a cólera, e Maria Luiza foi a primeira vítima da terrível epidemia. Foi no dia de “Corpus Christi”, e a notícia alcançou Francisco quando, na procissão, levava a cruz. A morte da irmã feriu profundamente o coração do jovem e mergulhou sua alma em trevas nunca antes experimentadas. Perdeu o gosto de tudo e se entregou a uma tristeza inconsolável. Parecia que com este golpe a graça divina tivesse removido o último obstáculo de a promessa se cumprir. 

Assim ainda não foi. Todo acabrunhado, Francisco manifestou ao pai sua resolução de entrar para o convento chegando a dizer que para ele tudo se tinha acabado nesta vida. Possenti, receando perder o seu filho a quem muito amava, não recebeu bem a comunicação e pediu-lhe nunca mais tocasse neste assunto. Aconselhou-o a se distrair, a afastar os pensamentos tristes, a procurar a sociedade, frequentar o teatro; chegou a insinuar-lhe a ideia de procurar a amizade de uma donzela distinta, de família igualmente conceituada, na esperança de, nos entendimentos inocentes, ela conseguir fazê-lo esquecer-se dos seus intentos religiosos. 

Na igreja metropolitana de Spoleto, gozava de uma veneração singular uma imagem de Nossa Senhora; a esta imagem chamava simplesmente “a Ícone”. Na oitava do dia 15 de Agosto, esta imagem era levada em solene procissão por dentro da igreja, e não havia quem não se ajoelhasse à sua passagem. Em 1856, Francisco Possenti achava-se no meio dos fiéis e, todo tomado de amor por Maria Santíssima, os seus olhos fixavam-se na venerada imagem como que esperando por uma bênção especial. Pois, quando a “Ícone” vinha aproximando-se do jovem, parecia que Ela lhe atirava um olhar todo especial e lhe dizer: “Francisco, o mundo não é para ti; a vida no convento espera-te”. Esta palavra, qual uma seta de fogo, cravou-lhe no coração; assim, saiu da igreja desfeito em lágrimas. Estava resolvido a realizar desta vez o plano de alguns anos. Tratou, porém, de não dar, por enquanto, nenhuma demonstração do seu intento.

Embora certo da sua vocação, mas desconfiando da sua fraqueza, e para não ser vítima de uma ilusão, procurou o seu mestre no liceu e director espiritual Pe. Bompiani, Jesuíta, e a ele abriu-se inteiramente, fazendo do conselho deste depender a sua resolução definitiva.

O exame foi feito com toda sinceridade, e tendo tomado em consideração todos os factores influentes no passado da vida do jovem, o Pe. Bompiani não duvidou de se tratar de uma vocação verdadeira e animou o jovem a segui-la. Consultas que fez com mais dois sacerdotes da sua inteira confiança tiveram o mesmo resultado. Francisco resolveu então a pedir a sua admissão na “Congregação dos Passionistas”.

Comunicar ao pai a resolução tomada, não foi fácil. Mas desta vez o Sr. Sante, homem consciencioso, vendo a aflição e a firmeza do seu filho, não mais se opôs; tomado, porém, de espanto quando soube que a Congregação por Francisco escolhida, a dos Passionistas, era de todas a mais austera. Se bem que não se opusesse à vontade do filho, tratou de procrastinar a execução do seu plano e impor condições. 

Francisco, porém, ficou firme. Tomou, ainda e pela última vez, parte na solenidade da distribuição dos prémios no colégio dos Jesuítas, fez como sempre um papel brilhante no palco, despediu-se dos seus professores, dos seus amigos e, em companhia de seu irmão Luiz, da Ordem Dominicana, por ordem de seu pai, fez uma visita ao seu tio Cesare, cónego da Basílica de Loreto, e a um parente de seu pai, Frei João Baptista da Civitanova, guardião de um convento dos capuchinhos, levando para ambos carta de Sante Possenti em que este pedia examinassem a vocação do jovem. Tanto o cónego como o capuchinho carregaram bastante as cores da vida austera na Congregação dos Passionistas, que absolutamente não lhe conviria, a ele, moço de dezoito anos, acostumado a seguir as suas vontades, sem restrição de comodidades.  

Quando da visita à Santa Casa, em Loreto, Francisco aproveitou largamente para recomendar-se a Nossa Senhora. Não mais arredou do caminho encetado. De Loreto foi para Convento Morrovale, dos Passionistas, onde em 21 de Setembro de 1856 recebeu o hábito com o nome de Gabriele dell’Adolorata (Gabriel de Nossa Senhora das Dores). Admitido no noviciado, escreveu ao pai e aos irmãos comunicando-lhes o fato. Ao pai, pede perdão; aos irmãos recomenda amor filial e boa conduta. A carta, embora de simplicidade encantadora, é um documento admirável de sentimento filial e católico. Aos companheiros seus de estudo, dirigiu cartas também. Despede-se, pede perdão de maus exemplos que julgava ter dado; aconselha-os a fugir das más companhias, do teatro, das más leituras e das conversas inúteis.

Convencidíssimo da sua vocação religiosa, longe do mundo, da sociedade e da família, não mais teve outro ideal que subir às culminâncias da perfeição.

Inconfundível era sua personalidade no meio dos seus companheiros do noviciado. Sem perder as notas características do seu carácter, a jovialidade, a alegria de espírito, a amenidade de trato, era ele inexcedível não só na exatidão do cumprimento dos exercícios regulares, como também na prática das virtudes cristãs e monásticas. E, se perscrutarmos as causas profundas desta mudança radical na vida de Gabriel, duas conseguiremos encontrar, aliás suficientes e esclarecedoras: o ardente amor a Jesus Crucificado e à Santa Eucaristia, a sua devoção singular à Mãe de Deus (em particular a Nossa Senhora das Dores) e a sua inalterada mortificação, por meio da qual deu morte aos seus desordenados apetites, um por um.

Tendo corrido o ano de provação, Gabriel foi admitido à profissão e mandado para várias casas da Congregação, com o fim de completar os seus estudos de Teologia. Durante os anos de preparação para o sacerdócio, superiores e companheiros viram no santo jovem o modelo mais perfeito de todas as virtudes, e cumpridor exatíssimo dos seus deveres.

Quando chegou à idade de vinte e três anos, anunciaram-se os primeiros sintomas da moléstia que no prazo de um ano havia de levá-lo ao túmulo: a tuberculose pulmonar. O longo tempo da sua enfermagem, Gabriel aproveitou-o para ainda mais se aprofundar na sua devoção predileta à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo e a Maria Santíssima, Mãe das dores

Em Fevereiro de 1862, ainda pôde andar e receber a santa Comunhão na igreja, junto com os seus companheiros. Inesperadamente o mal se agravou; foi preciso avisá-lo para receber os últimos sacramentos. A notícia assustou-o por um momento só; mas imediatamente recuperou a habitual calma, que logo se transformou numa alegria antes nunca experimentada. O modo de receber o santo Viático comoveu e edificou a todos que assistiram. Não mais largava a imagem do Crucificado, que cobria de beijos, e ao seu alcance tinha a estátua de Nossa Senhora das Dores, que frequentemente apertava ao seu peito, proferindo afetuosas jaculatórias, como estas:

“Minha mãe, faze depressa!”
“Jesus, Maria, José, expire eu em paz em vossa companhia!”
“Maria, mãe da graça, mãe da misericórdia, do inimigo nos protegei, e na hora da morte nos recebei”.

Poucos momentos antes do desenlace, o agonizante, que parecia dormir, de repente, todo a sorrir, virou o rosto para esquerda, fixando olhar para um determinado ponto. Como que tomado de uma grande comoção diante de uma visão impressionante, deu um profundo suspiro de afecto e nesta atitude, sempre sorridente, com as mãos apertando as imagens do Crucifixo e da Mater Dolorosa, passou desta vida para a outra.

Assim morreu o santo jovem na idade de vinte e quatro anos, na manhã de 27 de Fevereiro de 1862. Foi sepultado na igreja da Congregação, em Isola Del Gran Sasso. Trinta anos depois fez-se o reconhecimento do seu corpo. Nesta ocasião, com o simples contacto de suas relíquias verificou-se a cura prodigiosa de uma jovem que a tuberculose pulmonar tinha reduzido ao último estado. Reproduziram-se aos milhares os prodígios que foram constatados à invocação do Santo.

Em 1908 o Papa Pio X inscreveu o nome de Gabriel da Virgem Dolorosa (ou de Nossa Senhora das Dores) no catálogo dos Beatos, e, em 1920, Bento XV decretou-lhe as solenes honras da Canonização. Pio XI estendeu a sua festa a toda a Igreja, em 1932.


ORAÇÃO

Ó Deus, que ensinastes a São Gabriel a honrar com assiduidade as dores de vossa Mãe dulcíssima, e por Ela o elevaste à glória da Santidade e dos milagres, concedei-nos, pela sua intercessão e seus exemplos, a graça de partilharmos tão intimamente as dores de Vossa Mãe Santíssima e que, por sua maternal proteção, consigamos a salvação eterna.


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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Igreja das Catacumbas




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A Penitência pedida pelo Céu, que é odiada pelo Mundo

Se há um conceito radicalmente estranho à mentalidade contemporânea, é o de penitência.
 
O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos a nós mesmos para expiar culpas próprias ou de outros e para nos unirmos aos méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo moderno rejeita o conceito de penitência porque está imerso no hedonismo e porque professa o relativismo, que é a negação de qualquer bem pelo qual valha a pena sacrificar-se, a menos que não seja a procura do prazer.
 
Só isso pode explicar episódios como o furioso ataque mediático em curso contra os Franciscanos da Imaculada, cujos conventos são retratados como locais de sevícias, apenas porque neles se pratica uma vida austera e penitente. Usar o cilício ou imprimir sobre o próprio peito o monograma do nome de Jesus é considerado uma barbaridade, enquanto praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o próprio corpo é, hoje, considerado um direito inalienável da pessoa.
  
Os inimigos da Igreja repetem, com toda a força de que os media são capazes, as acusações dos anticlericais de todos os tempos. O que é novo é a atitude daquelas autoridades eclesiásticas que, em vez de tomarem a defesa das religiosas difamadas, as abandonam, com secreta satisfação, ao carrasco mediático. A complacência surge da incompatibilidade que existe entre as regras a que estas religiosas insistem em conformar-se e as novas normas impostas pelo “catolicismo adulto”.
 
O espírito de penitência pertence, desde o início, à Igreja Católica, como nos recordam as figuras de São João Baptista e Santa Maria Madalena, mas, hoje, também para muitos homens da Igreja qualquer referência a antigas práticas ascéticas é considerada intolerável. No entanto, não há doutrina mais razoável do que aquela que estabelece a necessidade da mortificação da carne. Se o corpo está em revolta contra o espírito (Gl 5, 16-25), não é razoável e prudente castigá-lo?
 
Nenhum homem está livre do pecado, nem sequer os “cristãos adultos”. Portanto, quem expia os próprios pecados com a penitência não age de acordo com um princípio que é tão lógico quanto salutar? As penitências mortificam o ego, dobram a natureza rebelde, reparam e expiam os pecados próprios e de outros. Se, depois, consideramos as almas amantes de Deus, que procuram a semelhança com o Crucifixo, então a penitência torna-se uma necessidade do amor. São célebres as páginas do De Laude flagellorum, de São Pedro Damião, o grande reformador do século XI, cujo mosteiro de Fonte Avellana era caracterizado por uma extrema austeridade nas regras. «Desejaria sofrer o martírio por Cristo – escreveu –, mas não tenho oportunidade; mas, submetendo-me aos golpes, manifesto, pelo menos, a vontade da minha alma ardente».
 
Na história da Igreja, cada reforma ocorreu com o intuito de reparar, com as austeridades e as penitências, os males da época. Nos séculos XVI e XVII, os Mínimos, de São Francisco de Paula, praticam um voto de vida quaresmal que lhes impõe a abstenção perpétua não só de carne, mas de ovos, leite e todos os seus derivados; os Recolectos consomem a própria refeição no chão, misturam cinzas na comida, estendem-se, diante da porta do Refeitório, debaixo dos pés dos Religiosos que entram; os Irmãs de São João Deus preveem, nas suas constituições, «comer no chão, beijar os pés dos irmãos, sofrer repreensões públicas e acusar-se publicamente».
 
Análogas são as Regras dos Barnabitas, dos Escolápios, do Oratório de São Filipe de Néri, dos Teatinos. Não há instituto religioso que não preveja, nas suas constituições, a prática do capítulo das culpas, a disciplina várias vezes na semana, os jejuns, a diminuição das horas de sono e de descanso.
 
Bento XIV, que era um Papa manso e equilibrado, confiou a preparação do Jubileu de 1750 a dois grandes penitentes, São Leonardo de Porto Maurício e São Paulo da Cruz. Frei Diogo de Florença deixou-nos um diário da missão realizada, na Praça Navona, de 13 a 25 de Julho de 1759, por São Leonardo de Porto Maurício, que, com uma pesada corrente ao pescoço e uma coroa de espinhos na cabeça, se flagelava diante da multidão, gritando: “Ou penitência ou inferno”. São Paulo da Cruz terminava a sua pregação infligindo-se golpes tão violentos que, muitas vezes, algum fiel não resistia mais ao espectáculo e saltava para o palco, correndo o risco de ser atingido, para lhe parar o braço.
 
A penitência foi ininterruptamente praticada, durante dois mil anos, por santos (canonizados e não) que, com a sua vida, contribuíram para escrever a história da Igreja, de Santa Joana de Chantal e Santa Verónica Giuliani, que gravaram o Cristograma, com ferro incandescente, no seu peito, a Santa Teresa do Menino Jesus, que escreveu o Credo, com o seu sangue, no fim do livrinho dos Santos Evangelhos que trazia sempre no coração. Essa generosidade não caracteriza apenas as monjas contemplativas.
 
No século XX, dois santos diplomatas iluminaram a Cúria Romana: o Cardeal Rafael Merry del Val, Secretário de Estado de São Pio X, e o Servo de Deus Mons. Giuseppe Canovai, representante da Santa Sé na Argentina e no Chile. O primeiro vestia, sob a púrpura cardinalícia, uma camisa de crina entrelaçada com pequenos ganchos de ferro. Do segundo, autor de uma oração escrita com o sangue, o Cardeal Siri escreve: «As correntes, os cilícios, os horríveis flagelos à base de lâmina da barba, as feridas, as cicatrizes perseguidas por supervenientes feridas não são o começo, mas o termo de um fogo interior; não a causa, mas a eloquente e reveladora explosão desse. Tratava-se da clareza pela qual, em si mesma e em cada coisa, via um valor para amar a Deus e pela qual via a sinceridade de qualquer outra renúncia interior assegurada no excruciante sacrifício do sangue».
 
Foi na década de 1950 que as práticas ascéticas e espirituais da Igreja começaram a declinar. O P. Giovanni Battista Janssens, Geral da Companhia de Jesus, interveio, mais de uma vez, para chamar os próprios irmãos de volta ao espírito de Santo Inácio. Em 1952, enviou-lhes uma carta sobre a «contínua mortificação», na qual se opunha às posições da nouvelle théologie, que tendiam a excluir a penitência reparadora e a impetratória, e escrevia que jejuns, flagelos, cilícios e outras asperezas devem permanecer escondidas dos homens, segundo a norma de Cristo (Mt 6, 16-8), mas devem ser ensinadas e inculcadas aos jovens jesuítas até ao terceiro ano de provação. As formas de penitência podem mudar ao longo dos séculos, mas o espírito, sempre oposto ao do mundo, não pode mudar.
 
Prevendo a apostasia espiritual do século XX, a própria Nossa Senhora, em Fátima, recordou a necessidade da penitência. A penitência nada mais é do que a rejeição das falsas palavras do mundo, o combate contra os poderes das trevas, que lutam, com os poderes angélicos, pelo domínio das almas e a mortificação contínua da sensualidade e do orgulho enraizados no mais profundo do nosso ser. Apenas aceitando este combate contra o mundo, o diabo e a carne (Ef 6, 10-12) poderemos compreender o significado da visão de que, dentro de um ano [em 2017, n.d.r.], celebraremos o centésimo aniversário.
 
Os pastorinhos de Fátima viram, «ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia que iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que, da mão direita, expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte, disse: Penitência, Penitência, Penitência!».
 
Roberto de Mattei in Radici Cristiane, traduzido para português e publicado por Dies Irae 



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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Servir à Missa é uma escola de vocações




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Dia de São Matias, o Apóstolo escolhido à "sorte"

Os Actos dos Apóstolos referem que São Matias foi eleito pelos Apóstolos para substituir o traidor Judas Iscariotes, e esta eleição se fez nos dias depois da gloriosa Ascensão de Jesus Cristo e antes da vinda do Espírito Santo.

Da vida anterior do Apóstolo, do seu lugar de origem, nada sabemos. Os martirológios gregos afirmam que Matias pregou o Evangelho na Judeia, em Jerusalém, depois na Etiópia, onde fundou um bispado e terminou a vida na cruz. Outras fontes históricas confirmam a comunicação do martirológio grego e acrescentam que Matias morreu em Sebastópolis, onde foi sepultado perto do templo do sol.

Há outros historiadores que discordam radicalmente das fontes citadas, nada dizendo do martírio do Apóstolo, mas afirmam que Matias morreu em Jerusalém e lá foi sepultado. Há ainda uma outra versão, segundo a qual Matias teria sido apedrejado pelos Judeus e decapitado.

A História deixa-nos, portanto, por completo, na ignorância relativamente ao tempo e ao lugar da morte ou Martírio de São Matias.

A mãe de Constantino, o Grande, Santa Helena, trouxe as relíquias de São Matias para Roma. Uma parte destas relíquias é venerada na Igreja antiquíssima de São Matias em Tréves (Alemanha) e outra na Basílica de Santa Maria Maggiore em Roma. 

Reflexões:

É muito eficaz invocar São Matias nos momentos de sérias contendas, discussões acaloradas, ou agressões mútuas que possam culminar em séria discórdia ou tragédia. Nestes momentos, ele intercede mesmo, dissipando em segundos a ira e restabelecendo a paz.

São Clemente de Alexandria afirma que São Matias recomendava aos neófitos as práticas da mortificação: “Quem quer ser discípulo de Cristo, deve mortificar-se, castigar o corpo, levar a cruz e resistir aos apetites da carne...”.

Nos nossos dias, inventam-se inúmeras desculpas que nos tentam afastar da prática da mortificação. Há muitas pessoas que se sacrificam e mortificam-se com os fardos que o dia-a-dia impõe, mas passam a vida inteira em murmúrios e lamentações.

Saibamos, portanto, aproveitar todas as nossas dores, desde as mais subtis até as provações mais pesadas, oferecendo-as como sacrifícios pessoais em honra à Santíssima Trindade, em desagravo dos pecados cometidos pela Humanidade, pelas almas do Purgatório e por tantas outras intenções! Fazendo assim, caminhamos no Mundo honrando e glorificando a Deus, bem como aliviando e libertando muitas almas do cárcere purgativo.

Lembremo-nos, de oferecer todos os sacrifícios diários a cada manhã, certos que proporcionaremos ao Céu e ao Purgatório muitas alegrias com as nossas amarguras presentes.

in Pagina Oriente


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