terça-feira, 7 de junho de 2011

Pais decidem deixar a criança "escolher" o seu sexo

Storm com o irmão Jazz
Um casal canadiano decidiu deixar o género do filho recém-nascido em segredo para que no futuro ele mesmo decida de que sexo é que quer ser.

"Nós decidimos não revelar o seu sexo por agora - um tributo à liberdade de escolha em vez da limitação, um desafio do que mundo poderia tornar-se na sua vida", disse o casal aos amigos, segundo o "Daily Mail".

O bebé, de nome Storm, tem quatro meses e apenas os seus pais, os dois irmãos e as duas parteiras conhecem o seu sexo. Este particular movimento, levado a cabo por Kathy Witterick, de 38 anos, e David Stocker, de 39 anos, tem sido alvo de inúmeras polémicas e debates.

De acordo com o jornal "The Toronto Star", o casal tem recebido diversas críticas por imporem a sua própria ideologia ao bebé mas, apesar disso, Kathy e David mantêm a sua posição acreditando que estão a libertar Storm das restrições que a sociedade impõe nos homens e nas mulheres, alegando que as crianças podem tomar decisões significativas para si, a partir de uma idade muito jovem.

Também os seus outros dois filhos, Jazz e Kio, desde os 18 meses que decidem como cortam o cabelo e se compram na secção feminina ou masculina, afirma o "Daily Mail". in JN


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Hoje à tarde tirei folga



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O pensamento político de Bento XVI - João Caetano

Foi como filósofo político e teólogo filosófico que Joseph Ratzinger, no período anterior à sua eleição como Papa, reflectiu sobre os conceitos políticos mais importantes do mundo ocidental: democracia, liberdade, governo e Estado, entre outros. Fê-lo em múltiplas obras e intervenções, durante dezenas de anos, revelando uma coerência notável, que se reflecte na sua actuação como Papa, sobretudo na Carta Encíclica “Deus é Amor”, de 2005.

Não é contudo correcto classificar o percurso do actual Papa como político, porque ele nunca formulou um programa de acção política nem agiu politicamente. Foi como homem de fé e de pensamento que procurou determinar o significado da política e da democracia, e, por essa via, do direito, circunscrevendo a sua reflexão aos fundamentos da convivência humana.

À semelhança de João Paulo II, o actual Papa vê a democracia como a forma mais adequada de organizar a política, mas assinala-lhe contradições e limitações graves no tempo presente, provocadas pela falta de conhecimento e observação, pelos agentes políticos, de fundamentos morais sólidos, que ele identifica como os valores absolutos do cristianismo. Segundo ele, tanto a organização como a actividade política devem fundamentar-se nos valores cristãos, porque foram eles que permitiram criar os laços sociais das sociedades ocidentais.

A sua reflexão é actual e pertinente, não se afastando, no domínio dos factos, do que é aceite pela maioria dos filósofos políticos contemporâneos. Mas Ratzinger acrescenta um elemento, que decorre da sua condição de homem de fé, embora sempre numa atitude filosófica. A moralidade social tem como postulado, desde Kant, a existência de Deus, e este é um elemento que não pode ser ignorado.

As democracias puramente formais vigentes, baseadas na regra da maioria e da minoria, criam “um direito governado pela estatística”. Mas a maioria não tem o direito de, só porque é maioria, definir o que é verdadeiro e justo, de acordo com os valores do momento e muito menos contra o sentimento verdadeiro das pessoas. Mas é isso que acontece realmente, e por isso denuncia aquilo a que chama “idolatria da democracia”, em que a legitimidade invocada pelos agentes políticos para as suas decisões é apenas a da maioria, sem qualquer vínculo externo ou conteúdo moral.

Bento XVI perspectiva a relação entre a democracia e o cristianismo do seguinte modo: não existe verdadeira democracia sem fundamentos morais consensuais que permitam uma determinação livre da vontade das pessoas. Os fundamentos morais do cristianismo são, no plano racional, o que possibilita a harmonia social, pois são absolutos, pelo que devem ser assumidos explicitamente pelos ordenamentos político-jurídicos. De resto, a política é o reino do relativo, justificando-se a existência de diversidade de opiniões sobre a maior parte das matérias.

Bento XVI duvida da existência de uma efectiva liberdade de escolha nos Estados democráticos contemporâneos, porque, segundo ele, a vontade dos eleitores é manipulada através da propaganda veiculada pela comunicação social, que faz parte de uma oligarquia que determina o que é moderno e progressista, o que devem pensar as pessoas. Essa oligarquia engloba a comunicação social, assim como grandes empresas e associações de interesses – os poderes fácticos da sociedade –, cujas actividades, ao contrário do que aconteceu em séculos precedentes, não são controladas pelas pessoas e põem em causa a representação democrática.

Diante dos interesses organizados, o bem comum é hoje uma miragem, o que leva Ratzinger, hoje Papa, a perguntar se o sistema da maioria e da minoria será verdadeiramente um sistema de liberdade. A democracia funda-se na liberdade, que não é no entanto o direito de fazer o que se deseja mas o pressuposto de uma racional auto-determinação da vontade. O Papa é contra a “tirania da irracionalidade”, ao mesmo tempo que nega que o homem saiba sempre o que quer. O que vale para a liberdade vale, segundo ele, também para a democracia. Não existe democracia sem uma sentida e compreendida relação de interdependência entre os membros da colectividade política, o que explica o conceito de autoridade e lhe confere conteúdo, por exemplo em matéria social.

Segundo o Papa, não é conforme à natureza humana uma acção ou decisão fundada no egoísmo e que separa o indivíduo, nas suas relações, da vontade dos outros. O homem em sociedade quer mais do que pode e nem sempre quer bem. Sob pena de se autodestruir, o homem deve aprender a harmonizar a sua vontade com a sua natureza racional. Ora a vontade da maioria não expressa sempre a vontade individual, por força da referida manipulação das consciências e das modas ou da própria pressão do mercado, sofrendo o homem contemporâneo que se julga livre “a influência da multidão”. “A subtil voz da consciência – escreveu Ratzinger quando era cardeal – é sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito humano conferem força ao mal”. Existe uma “ditadura da aparência”, que se manifesta na actividade política, “na qual em muitos casos o que realmente conta é o que “aparece” dos factos – aquilo que é afirmado, escrito, mostrado –, mais do que os factos em si mesmos”. Não existe hoje uma transferência do poder das pessoas para as instituições políticas, que não passam de “um poder indeterminado e sem rosto”. Diante da dissolução dos laços consolidados nas sociedades políticas, ao longo de milénios, por influência do cristianismo, as democracias são hoje “grandes sistemas anónimos” que capturaram a liberdade de auto-determinação das pessoas. A democracia baseada na maioria é uma “forma de relativismo moral”, que desemboca “na anarquia ou no totalitarismo”, se não houver uma sólida formação da consciência moral das pessoas.

Este é o desafio que Bento XVI, como Papa que pensa, de modo inovador, a organização política, nos deixa para já, esperando-se mais desenvolvimentos no futuro.


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segunda-feira, 6 de junho de 2011

A bela e o monstro - P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Quando estava a responder a algumas mensagens informáticas – vulgo, «emails» – fui interpelado, no «chat» de uma rede social, por uma desconhecida.

Como a não identificava pelo nome, nem pela respectiva imagem, recorri à informação do seu perfil, onde li esta confissão: «sou simpática, adoro ser famosa (sem vírgula) não percebo porque que (sic) ninguém me pede amizade (sem vírgula) mas eu juro por tudo que sou a verdadeira x x (o seu nome próprio e apelido, sem maiúsculas, nem seguido de ponto) beijos para os meus fãs».

Já elucidado pela significativa apresentação e correspondentes erros gramaticais, soube depois, já à fala com a própria, que contracenava nos “Morangos com açúcar” e que daí lhe advinha a fama e a pena de ter tão poucos fãs. Poucos para os muitos que esperava ter, sobretudo depois de jurar, «por tudo», que é a autêntica actriz e não uma qualquer homónima impostora.

Confesso que fiquei atordoado com a inesperada e famosa diva, perante a qual me arrependi da minha crassa ignorância televisiva. A bem dizer, também me penitencio por aceitar, indiscriminadamente, qualquer pessoa que solicite a minha «amizade virtual». De facto, tenho tantos «amigos virtuais» que, diga-se de passagem, até conheço alguns! Mas não era esse, manifestamente, o caso da famosa jovem mediática.

Foi também por essa altura que deu brado um sórdido crime ocorrido em Nova Iorque, que envolveu dois portugueses que, não obstante a enorme diferença de idades, mantinham uma ambígua relação, por sinal encetada na mesma rede social. O caso resultava tanto mais chocante quanto o protagonista do homicídio era um jovem sem antecedentes criminais, nem quaisquer circunstâncias que pudessem prever um acto daquela natureza.

Apesar de ter lido “Os Lusíadas”, o “Dom Quixote” e a “Divina Comédia”, nunca tive tempo, nem paciência, para ver nenhum episódio dos “Morangos com açúcar”, o que me absolve da culpa de não ter ficado imediatamente deslumbrado com a intervenção da minha famosa correspondente internética. Mas pergunto-me se uma programação televisiva que faz tão rapidamente mulheres famosas, não será também responsável por fazer, com a mesma rapidez, homens criminosos. E a questão parece tanto mais pertinente quanto o infeliz presumível assassino, enquanto modelo, era também ele próprio, segundo os mesmos padrões, famoso.

Enquanto os clássicos exaltam o valor, elogiam a virtude provada, premeiam o sacrifício esforçado e enaltecem os mártires e os heróis, os produtos televisivos de consumo juvenil privilegiam o amoralismo existencial, o elogio do facilitismo profissional e a irresponsabilidade emocional, na fútil expressão de «misses» e «modelos» de muita aparência e nenhuma substância. Quando se retiram os crucifixos das salas de aula e as referências da juventude já não são os homens e mulheres que fizeram a História de Portugal, mas uma qualquer «socialite» que é capa de revista, ou um riquíssimo futebolista que, para além de exibir inúmeras companheiras, é também patrocinador de roupa interior, certamente, como diria Hamlet, há algo de podre no reino da Dinamarca.

Dois protagonistas de duas histórias – uma comédia e um drama – uma imaginária e a outra real, mas talvez ambas unidas por um mesmo vazio cultural: a absoluta carência de valores e de princípios morais, que é incutida, por activa e por passiva, nos jovens consumidores de certas séries e programas televisivos. A bela e o monstro não serão, afinal, o verso e o reverso de uma mesma moeda, as duas faces da geração “Morangos com açúcar”?


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Novos direitos

-És pobre e estás grávida? Tens o direito de matar a criança, antes que ela nasça.
-Estás doente e a sofrer? Tens o direito de pedir que te matem.
-Tens um familiar irreversivelmente doente, incapacitado e sem comunicar? Tens o direito de pedir que o  matem.


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domingo, 5 de junho de 2011

Gémeos franciscanos vão para casa do Pai no mesmo dia

Adrian e Julian Riester nasceram com poucos segundos de diferença.

Adrian e Julian Riester andaram na escola juntos.

Adrian e Julian Riester entraram juntos na ordem franciscana.

Adrian e Julian Riester passaram grande parte da sua vida juntos na Universidade de S.Boaventura, em NY.

Adrian e Julian Riester morreram dia 3 de Junho, com poucas horas de diferença, aos 92 anos de idade.


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Porque é que as pessoas não vão à igreja?



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sábado, 4 de junho de 2011

Milagre da beata Maria Clara

Foi educada em colégios religiosos e, aos 83 anos, diz que nunca casou porque "não se proporcionou". Georgina Troncoso Monteagudo é a mulher a quem se deve a beatificação da portuguesa Maria Clara do Menino Jesus - que hoje se celebra no Estádio do Restelo. A espanhola garante que foi curada, em 2003, de um pioderma gangrenoso de que sofria há mais de 30 anos, graças à intercessão da freira portuguesa.

Georgina viveu sempre com as irmãs - uma delas é religiosa - em Baiona, nos arredores de Pontevedra, em Espanha. Era tecedeira, trabalhava em casa e costumava visitar uma comunidade da congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC), fundada por Maria Clara. Tinha 34 anos quando lhe apareceu "um pequeno hematoma" no braço direito. Dias depois tornou-se uma ferida que se espalhou pelo braço inteiro e parte do peito. "Aconteceu de repente, sem aviso ou explicação, fui sujeita a dezenas de testes e exames", recorda Georgina ao i. O diagnóstico não era animador: sofria de pioderma gangrenoso, num nível que, segundo os médicos que consultou em Vigo, não teria cura. Mesmo assim, a espanhola pediu uma segunda opinião a outro médico, em Santiago de Compostela, que lhe recomendou um especialista de Madrid. Ignacio do Carmo era um médico reputado e confirmou o diagnóstico inicial: Georgina não poderia ser curada. "Quanto muito, poderia fazer enxertos, para tentar melhorar." Mas, ao longo dos anos, as úlceras foram alastrando, até perder por completo a mobilidade no braço. "Cheguei a pedir que me amputassem, porque não aguentava a dor."

Até que um dia as freiras lhe deram uma pagela da madre Maria Clara. Disseram- -lhe que rezasse. "Desde esse dia, rezei todos, todos os dias", conta Georgina. E fazia mais do que isso: sempre que vinha do hospital, onde fazia curativos diários, desenrolava as ligaduras e colocava a pagela no interior. "Tirava-a sempre antes de ir às consultas, porque não queria que o médico soubesse." Um dia esqueceu-se e Ignacio do Carmo encontrou-lhe a pagela. "Quem é esta freira que aqui trazes?", perguntou-lhe. E Georgina contou-lhe, a medo, que era uma freira portuguesa que estava em processo de beatificação. O médico ficou em silêncio e depois disse-lhe: "Nestas coisas, todas as intercessões podem ser válidas." A partir desse dia, sempre que o médico fazia o curativo, colocava- -lhe, ele próprio, a pagela. Em 2002, um dia depois de ter estado no consultório, Georgina recebeu um telefonema da mulher do médico. Tinha-lhe sido diagnosticado um tumor no cérebro e, 15 dias depois, Ignacio morreu. No hospital, garantiram--lhe que lhe arranjariam um novo especialista, mas Georgina recusou. A partir de então havia de se curar "somente com a ajuda de Maria Clara". Passou a fazer os curativos em casa. "E rezava."

A 11 de Novembro de 2003, Georgina teve de ir a Vigo e lembra-se de chegar "tardíssimo" a casa. Tão tarde que resolveu não fazer o curativo. Quando acordou, na manhã do dia 12, as ligaduras caíram--lhe aos pés, secas. As feridas tinham desaparecido e a pele "parecia a de um bebé". Chorou e foi ter com as freiras. "Tive a certeza que era milagre", conta. Dois dias depois foi ao médico. "E ele viu-se obrigado a admitir que só podia ser uma coisa sobrenatural." Recuperou também a mobilidade do braço e voltou a trabalhar. Pelo meio, ainda teve de ultrapassar a morte do irmão, que, durante anos, documentou, em fotografias, a evolução da doença. O dossiê, muito completo, veio a revelar-se útil na beatificação. O processo do milagre foi entregue ao então prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, D. Saraiva Martins, em 2005. Depois de analisado pelos médicos e teólogos do Vaticano, teve parecer positivo o ano passado. Georgina diz que não se sente especial: "Todas as pessoas podem conseguir um milagre, basta acreditar." in ionline


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Novena de Adoração Eucarística por Portugal

Hoje há Missa às 22h30, seguida de vigília até às 5 da manhã 
(com ceia incluída)



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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mau demais - Manuela Moura Guedes

O desemprego é o maior dos últimos 90 anos. Sócrates duplicou-o (prometia mais 150 mil empregos). 250 mil desempregados nem subsídio recebem.

Temos 13 740 institutos públicos cheios de ‘boys’ e a maior dívida de há 160 anos, mesmo sem os 60 mil milhões das parcerias PP que alimentam os empreiteiros do regime. Tudo para pagar, como seriam os megalómanos TGV, aeroporto e terceira ponte. Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos, 230% do PIB. Os portugueses emigram como nos anos sessenta. Agora fogem os mais qualificados.

O salário médio é 777 €, em Espanha 1538 €, na Grécia 1200 €. E o mínimo é o mais baixo da Europa dos 15. Compramos os remédios mais caros com as pensões mais baixas. 30% da despesa com a saúde já é privada. 40% das crianças vivem na pobreza. Há a Face Oculta, o Freeport, a Cova da Beira, o Vale da Rosa, um curso manhoso, casas manhosas, amigos na vara e na PT...silêncios impostos e escutas silenciadas...fraudes, truques e mentiras. Se os portugueses quiserem dizer sim a tudo isto, merecem morrer de fome! E vão mesmo!


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A remodelação da Europa começa pela Hungria?

Uma andorinha não faz a primavera, mas um Estado Europeu, e não dos menores, cuja constituição é “eurocompatível” e respeita a Carta Europeia dos Direitos Fundamentais e a Declaração Universal dos Direitos do Homem, é um exemplo a ser seguido.

No último 18 de abril, cumprindo-se um compromisso assumido pelo primeiro ministro Viktor Orban, que em abril de 2010 venceu esmagadoramente as eleições com 2/3 da câmara dos deputados, foi modificada a constituição húngara no espírito e na letra. O texto de 1990, adotado logo depois da queda do Muro de Berlim, era considerado liberal demais e ainda influenciado por resquícios comunistas.

O poder foi repartido entre os três partidos principais: O Fidesz, partido de centro-direita, cujos representantes no Parlamento Europeu fazem parte do Partido Popular Europeu; os Socialistas, completamente desacreditados depois da desastrosa gestão do primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany, que mentiu sobre as proporções do déficit das contas do Estado, o que o obrigou a pedir ao Fundo Monetário Internacional uma ajuda de 20 bilhões de euros para salvar o país da falência; e o partido Jobbik, de extrema-direita, que tem como objetivo a defesa dos valores e a identidade da Hungria.

A nova constituição proposta pelo primeiro-ministro e pelo Fidesz foi aprovada com 262 votos contra 44 e uma abstenção. O texto foi ratificado pelo Presidente da República Húngara, Pal Schmitt, no último 25 de abril, e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2012. Durante o debate, a oposição não fez nenhuma intervenção, o que não a impediu, até agora, de apoiar os opositores desta nova lei fundamental.

As mudanças da constituição:

1- A primeira tem a ver com a referência às raízes cristãs da Hungria. O preâmbulo diz que “a constituição é inscrita na continuidade da Santa Coroa” e recorda “o papel do cristianismo” na “sua história milenar”.

Surpreendem as reações negativas a esse texto, já que, na redação do Tratado Constitucional da União Europeia, todos os países membros aprovaram a referência “à nossa herança cristã”, exceto a França. O pedido europeu, promovido pela Fondation de Service Politique com algum deputado europeu, tinha obtido 1,4 milhão de assinaturas em 2004, sendo apoiado por cerca de 60 associações que representavam 50 milhões de associados. Um recorde na história europeia. Este pedido foi recebido na Comissão sobre Pedidos, mas a Comissão Europeia não lhe deu continuidade, como ocorre quando os pedidos são acolhidos.

A referência às raízes cristãs não é uma questão de opinião, mas uma verdade histórica. É necessário recordar que a nação húngara se organizou a partir do batismo de Santo Estêvão, coroado rei da Hungria. Este é o motivo de a Coroa de Santo Estêvão estar hoje no Parlamento húngaro, porque lhe dá legitimidade para fazer as leis.

2- A segunda modificação tem a ver com a união entre duas pessoas: “A Coroa protege o matrimônio, considerado como a união natural entre um homem e uma mulher e como fundamento da família”.

Esta referência retoma, em seu espírito, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que, apesar das pressões para introduzir a união entre duas pessoas do mesmo sexo, é um texto de referência para todos os Estados. A nova constituição húngara não questiona a união entre duas pessoas do mesmo sexo, mas não a considera equivalente ao matrimônio.

3- A terceira modificação tem a ver com a vida de todos os seres humanos antes do nascimento: “Desde o momento da concepção, a vida merece proteção como um direito humano fundamental” e “a vida e a dignidade são invioláveis”, retomando em certo modo o primeiro artigo da Carta Europeia de Direitos Fundamentais: “A dignidade humana é inviolável. Deve ser respeitada e protegida”.

Houve pessoas indignadas com esta volta à ordem moral. Devemos deduzir que a ordem humana é uma ordem amoral? A nova constituição húngara é “euroincompatível”? Os opositores se questionam. Se não fosse, então quer dizer que todos os textos de referência são letra morta, considerando que a União Europeia se ergueu a partir do respeito aos direitos do homem, cuja universalidade é expressa na Declaração dos Direitos do Homem de 1948, reconhecida como patrimônio comum da humanidade, e não sobre direitos abstratos e subjetivos reivindicados sem referência a um patrimônio comum.

É verdade que a decisão pertence aos legisladores. Mas eles votam em nosso nome. Calar seria uma irresponsabilidade da nossa parte. As leis afetam a todos. É nosso dever reunir os nossos deputados e senadores para lhes dizer que respeitamos os nossos princípios fundamentais. in Zenit


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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Bem-comum - Padre Duarte Sousa Lara



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Voluntários para a Comunidade Vida e Paz - Urgente!

Estamos a precisar com urgência de voluntários para a Equipa das Sandes, que prepara diariamente as ceias que distribuímos à noite pelas pessoas sem-abrigo. Horário: de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h; Sábados das 9h às 13h.
Se quer ajudar-nos a rechear as nossas sandes com amor e solidariedade, contacte a gestora de voluntariado Isabel Oliveira, com indicação da sua disponibilidade, para: voluntariado@cvidaepaz.pt
Muito obrigado!


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quarta-feira, 1 de junho de 2011

A caminho do comício do PS - os tão necessários figurantes



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No dia da criança a resposta mantém-se

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" NÃO!


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Comentários ao filme Encontrarás Dragões




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"Votei sim no referendo ao aborto" - Pedro Passos Coelho

Defendeu que era preciso avaliar a lei do aborto. O que se pode mudar?

Disse que era preciso reavaliar a execução dessa lei. Não disse que a lei deveria ser reavaliada. ...

Foi mal interpretado?

Houve uma interpretação abusiva porque houve quem tivesse dito que eu tinha proposto que se fizesse um referendo sobre o aborto. E eu não propus isso. Propus que, se alguém quisesse alterar a lei - e como é público existem cidadãos que fazem petições ao parlamento nesse sentido -, defendo que não se faça sem primeiro estudar o impacto das alterações que foram trazidas. Espanta-me que todos aqueles que andam com a democracia na boca se mostrassem tão ofendidos por eu não ter fechado a porta a que um dia o parlamento decidisse uma reavaliação dessa situação ou eventualmente um novo referendo se houver quem o peça. Não será o PSD a pedi-lo.

Mas vai contra a posição pró-liberalização, que revelou no passado.

Tenho uma visão bastante aberta e liberal sobre essa matéria. Posso dizer que nesse referendo que teve lugar sobre o aborto eu defendi o sim e votei pelo sim.

Esta posição de agora não o encosta demasiado à direita?

A posição de que preciso avaliar as nossas leis? Isso não é um problema de esquerda nem de direita é uma questão de bom senso.

Com o grande número de indecisos a votarem ao centro, acha que, com esta posição, irá buscar votos à direita?

Acha que eu devo fazer um cálculo eleitoral quando respondo aos jornalistas?...in ionline


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terça-feira, 31 de maio de 2011

Acto de contrição

Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e, com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender; peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amen.


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Até que enfim um bispo que fala do aborto: D. Manuel Clemente

O bispo do Porto considera que o tema do aborto não está encerrado na sociedade portuguesa e apela a um debate profundo sobre o tema, e sobre a vida, antes de qualquer mudança legislativa.

"Há uma questão que temos que debater, que não é meramente confessional, é uma questão básica do que é a vida e da contemplação legal que deve ter", defende D. Manuel Clemente, adiantando que o "importante é consolidar ideias sobre a vida e o que ela é biologicamente".

"Não é uma questão encerrada. A vida humana é um processo", diz D. Manuel Clemente
"Há uma discrepância entre o que cientificamente vamos sabendo do que é a vida humana e o que é a sua contemplação legal", considera.

"Hoje, não temos dúvidas de que a vida humana é um processo, que começa na concepção, tem uma fase uterina e depois se prolonga nos anos que tivermos neste mundo. Se a vida é este processo, é um tanto arbitrário dizermos que esse processo está legalmente protegido a partir de tantos meses", sustenta, em declarações à agência Lusa, nos Açores.

Em seu entender, é "muito mais importante" criar condições para que, quando surgem os problemas que levam ao aborto, a sociedade possa dizer que "vai ajudar a resolver o problema". in RR


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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Descubra as diferenças entre o video e as notícias

- Jornal de Notícias: "No dia em que teve mais ouvidos para o escutar - a "arruada" em Barcelos, a meio da tarde, foi a mais longa e concorrida até agora, e o comício da noite, em Coimbra, também teve uma enchente"
- Jornal i: "A aparição de Alegre em Coimbra foi bastante aplaudida por um pavilhão cheio de apoiantes."
- Expresso: "Num comício, ontem à noite, em Coimbra, o ex-candidato presidencial fez levantar o pavilhão da Académica por várias vezes."
- Sol: "no 'mini-estádio' montado dentro do Pavilhão da Académica, falando perante mais de mil pessoas." (noutro local lê-se que o "estádio-portátil" tem 700 lugares sentados; 8 autocarros cheios são cerca de 500 pessoas)
- Público: "Dentro do pavilhão, que estava lotado de apoiantes"
- Diário de Notícias: "Num pavilhão cheio (embora diminuído pelo cenário montado pela máquina de campanha)"
- SIC: "Foi até ao momento o maior comício dos socialistas nesta campanha; Coimbra dá ao PS o maior comício dos últimos dias"
- TVI24: "o histórico socialista insuflou de energia o Pavilhão da Académica, que esteve lotado"


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Frase do dia

“Ninguém pode, em matérias abertas à discussão livre, pretender falar 'oficialmente' em nome de todos os leigos ou de todos os católicos. Mas também é verdade que cada católico está chamado a agir com consciência purificada e com coração generoso para promover de maneira decidida aqueles valores que definiram sempre como não-negociáveis.” 

Papa Bento XVI


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Os cinco defeitos de Jesus - Cardeal Van Thuan

PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA
No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não te vou esquecer, mas os teus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “...hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.
Semelhante atitude teve Jesus com a pecadora que banhou os seus pés com perfume... Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Os seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7,47)...A memória de Jesus não é igual à minha...

SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA
Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado... “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma extravia-se. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a aos ombros e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7).
Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? A Sua misericórdia se estende de geração em geração...

TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA
Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa... procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma... (Lc 15,8-10)... de facto, não tem lógica fazer festa por uma dracma... O coração tem motivações que a razão desconhece... Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte...” (Lc 15,10).

QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO
Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projectos, planos cuidadosamente elaborados... Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objectivos, estratégias...Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, o seu projecto está destinado ao fracasso.
Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-Lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)...
Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua... Vai que este aventureiro tem razão...? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da História será a verdadeira...! “A quem iremos?”...

QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA
Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? ...
Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida... Em que medida? Infinita.
Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.


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sábado, 28 de maio de 2011

Frase do dia

"Os países civilizados condenaram médicos alemães em Nuremberga por terem feito abortos. Na altura isso foi considerado um crime contra a Humanidade." 

Julgamento de Nuremberga, USGPO, Vol. IV, p.610


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O Papa no espaço - Aura Miguel

Novidade absoluta. Bento XVI dialogou, directamente, com um grupo de astronautas em órbita.

Do lado de cá, estava o Papa, sentado na sua biblioteca, com um ecrã à sua frente. Do lado de lá, no espaço, um grupo bem-disposto de onze homens e uma mulher, cujos cabelos mais pareciam uma juba, por causa da falta de gravidade, circunstância, aliás, que fez sorrir o Papa.

Por várias vezes: por exemplo, quando lhe mostraram uma moeda e ela ficou parada à frente deles sem cair e, também, ao despedirem-se, quando um dos astronautas começou a levitar e tiveram de o puxar por um pé.

A conversa durou 20 minutos. Bento XVI fez perguntas sobre a grandeza do Universo, sobre Deus, sobre o Ambiente, sobre o futuro da Humanidade, mas também se interessou pelo estado de saúde da mulher de um dos comandantes e perguntou a outro, a quem morreu a mãe, como viveu esses momentos de dor.

Perguntas tão pessoais que, aparentemente, contrastavam com aquele momento histórico, mas que revelam, afinal, a profunda humanidade do Papa, pois, ainda mais importante do que o protagonismo técnico, é a capacidade de olhar para cada ser humano no seu todo.


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quinta-feira, 26 de maio de 2011

A minha conversão ao catolicismo - Paul Claudel

Nasci em 6 de Agosto de 1868. A minha conversão ocorreu a 25 de Dezembro de 1886. Eu tinha, portanto, dezoito anos. Mas o desenvolvimento de meu caráter, nesse momento, já estava muito avançado. Fui educado, ou melhor, instruído, primeiramente, por um professor livre, em colégios (leigos) de província, e por fim no Liceu Louis-le-Grand.

Desde meu ingresso nesse estabelecimento, tinha perdido a fé, que me parecia irreconciliável com a pluralidade dos mundos. A leitura de um livro de Renan, forneceu novos pretextos a esta mudança de convicções que, aliás, tudo que havia em torno de mim facilitava ou encorajava.

Todos os pretensos grandes homens deste século em ocaso se tinham distinguido por sua hostilidade à Igreja. Renan imperava.

Aos dezoito anos, portanto, eu acreditava no que cria a maioria das pessoas cultivaddas desse tempo. Este mundo seria um encadeamento rígido de efeitos e causas, que a ciência depois de amanhã iria desvendar perfeitamente.

Aliás, eu vivia na imoralidade e, pouco a pouco, eu cai num estado de desespero. Este era o infeliz menino que, no dia 25 de dezembro de 1886, foi a Notre-Dame de Paris, para acompanhar os ofícios natalinos. Eu começava, então, a escrever, e me parecia que, nas cerimónias católicas, consideradas com um diletantismo superior, eu encontraria um excitante apropriado e matéria para alguns exercícios decadentes. Foi nessas disposições que, acotovelado e empurrado pela multidão, eu assistia à missa solene.

Depois, não tendo nada de melhor para fazer, voltei à recitação das Vésperas. Os meninos da matriz nos seus trajes brancos, e os alunos do pequeno seminário de Saint-Nocolas-du-Chardonnet que os assistiam, cantavam o que mais tarde soube ser o Magnificat. Eu estava de pé dentro da multidão, perto da segunda coluna, à entrada do coro, à direita do lado da sacristia. E então ocorreu o acontecimento que domina toda a minha vida.

Num instante, o meu coração foi tocado, e eu acreditei. Acreditei, com tal força de adesão, com tal elevação de todo o meu ser, com uma convicção tão possante, com tal certeza que não deixava espaço para nenhuma espécie de dúvida que, depois, nenhum livro, nenhum raciocínio, nenhum acaso de uma vida agitada puderam abalar minha fé, nem, a bem dizer, tocar nela. Tive de repente o sentimento dilacerante da inocência, da eterna infância de Deus. Uma revelação inefável.

Tentando - como o fiz frequentemente – reconstituir os minutos que se seguiram a este instante extraordinário, encontro os elementos seguintes que, entretanto, formavam um só raio, uma única arma de que a Providência divina se servia para atingir, por fim abrir, o coração de uma pobre criança desesperada: «Como são felizes as pessoas que crêem! Mas, e se fosse verdadeiro? É verdadeiro! Deus existe, Ele está lá. É como eu sou, é um ser tão pessoal como eu! Ele me Ama! Ele me chama.» As lágrimas e os soluços tinham vindo e o cântico tão tenro do «Adeste Fideles» aumentava ainda a minha emoção.


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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Resistir à tentação não é fácil



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Curiosidade do dia

A estátua de um soldado montado num cavalo com as duas patas no ar significa que ele morreu em combate. Se o cavalo tiver somente uma pata no ar significa que ele morreu em decorrência de ferimentos após o combate. Mas, se estiver com as quatro patas apoiadas, significa que ele morreu de causas naturais.


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domingo, 22 de maio de 2011

O escândalo da cruz - P.Gonçalo Portocarrero de Almada

Colin Atkinson está a passar as passas do Algarve em terras da sua graciosa majestade britânica. Com efeito, foi-lhe instaurado um processo disciplinar pela Wakefield and District Housing, de que é, desde 2006, funcionário. O motivo é insólito, porque este electricista não falta ao trabalho, não é incompetente, não desrespeita os patrões, não implica com os colegas, não é indelicado com os clientes. O crime de Atkinson é ser cristão e ter o atrevimento de usar uma singela cruz no parabrisas do carro de serviço. Se fosse uma figa, uma ferradura ou um peluche, ninguém se incomodaria, mas uma cruz é, pelos vistos, intolerável e, por isso, Colin Atkinson corre sérios riscos de ser posto na rua, mas desta vez sem a viatura.

É da praxe, em certos veículos pesados, a exibição de «posters» de muito mau gosto, mas ninguém fica perturbado pelo facto, nem é razão para uma sanção laboral. Que uma pessoa ande escandalosamente trajada na via pública – seja uma mulher de barriga ao léu, ou um rapaz de cuecas à mostra – não é tido por indecente. Mas se um crente usar um discreto símbolo religioso, é logo acusado de agredir o próximo, nomeadamente quantos não professam a sua religião. Para a responsável Jayne O’Connell, a pequena cruz que Colin Atkinson usa no seu carro poderia ofender as pessoas e é política da Wakefield and District Housing «ser respeitosos com todas as confissões e pontos de vista». Menos o cristão, claro. 

Diga-se de passagem que tem o seu quê de absurdo este dogma laicista. Porque carga de água uma cruz há-de ser insultuosa para os não cristãos, se nenhum cristão se sente ultrajado por um crescente, ou por uma estrela de David? E porque não entender que um amuleto é também ofensivo, não apenas para a fé, mas também para a razão? E as orquestras, não serão acintosas para os surdos? E os museus, não são também, vistos por esse prisma, desrespeitosos para com os invisuais? Será que as fotografias dos familiares do anfitrião são indelicadas para os seus convidados, só porque não são os parentes deles? Ou seria desejável que o dono da casa retirasse todos os retratos de família, cada vez que recebe alguém?

No Restelo, há uma escultura de Mohandas K. Gandhi, por onde passo com frequência e confesso que nunca me senti ofendido por aquela estátua. Agrada-me esta merecida homenagem ao insigne apóstolo da paz, embora não siga a sua espiritualidade, não partilhe a sua opção vegetariana, nem concorde com algumas das suas atitudes morais. Não creio que a ninguém lhe cause incómodo a efígie do Mahatma na via pública, a não ser que a singeleza do seu trajar provoque, em pleno inverno, alguns arrepios aos transeuntes mais friorentos. Mas isso não quer dizer que a sua imagem seja agressiva para os amantes de mais tépidas temperaturas, como também o facto de não ser cristão o não faz insolente para quantos o somos, graças a Deus.

A ideia de que qualquer opção cultural, religiosa ou não, que não seja politicamente correcta, deve ser ocultada e suprimida é, na sua essência, totalitária. A proibição de manifestações externas de culto, mais do que um ataque às religiões, é um atentado à liberdade. Não é por acaso que os inimigos da liberdade o são também da presença pública de símbolos religiosos. Por isso, Estaline arrasou inúmeras igrejas e Salazar não permitiu que a sinagoga de Lisboa fosse visível da via pública.
Há menos de um século, um tresloucado líder político europeu propôs-se erradicar da face da terra a raça judaica. Chamava-se Hitler, Adolf Hitler. Temo que os modernos inimigos do divino crucificado, também ele judeu, sejam uma nova modalidade do mesmo ódio. Depois de proibirem todas as manifestações públicas da fé cristã, é provável que se proponham também exterminar o povo que tem, por seu Senhor e Mestre, a Jesus de Nazaré e, por bandeira, a sua santa cruz.


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sábado, 21 de maio de 2011

Habemus beatam - Maria Clara do Menino Jesus



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Frase do dia

“The answer to anyone who talks about the surplus population is to ask him, whether he is part of the surplus population; or if not, how he knows he is not.” 

Chesterton


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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Carta ao Director do Metro por causa da edição feita pela Lady Gaga

Caro Sr.Diogo Torgal Ferreira, (dtorgal@metroportugal.com)

Espero que este e-mail o encontre de boa saúde. Escrevo para mostrar a minha indignação pela edição do Jornal Metro, do passado dia 17 de Maio. Numa época em que o nosso país atravessa a maior crise dos últimos 100 anos da sua história, os senhores decidiram dedicar apenas meia página a mini-notícias sobre Portugal. Quase a totalidade do jornal está inundado de lugares-comuns e de ideias ocas, com grande destaque para a capa “Que a tua identidade seja a tua religião”. Palavras como: “preconceito” e “discriminação” são usadas e abusadas, e o apelo a uma falsa liberdade é a mensagem subliminar mais presente. Na prática, grande parte do jornal é dedicada à propaganda gay.

Parece-me estranho que uma publicação jornalística independente, dedique quase toda uma edição a um tema tão fracturante. O mais grave é que o faz normalizando um comportamento que não é de forma nenhuma natural, nem sequer saudável para quem o pratique, basta ver os estudos que mostram que os homens com comportamentos sodomitas têm uma esperança de vida 10 a 20 anos menor do que os outros.

O Jornal Metro não fez uma investigação jornalística séria, antes se dedicou a fazer doutrina, e a vender como verdadeira a tese que todos os comportamentos são bons para a pessoa. Nós sabemos que isso não é verdade, e que qualquer pessoa tem o direito a ser avisada em relação aos perigos das escolhas que faz, só assim podendo decidir em verdadeira liberdade. Nesta edição, venderam gato por lebre, e quem ficou a perder foi quem pôs a confiança no que leu, julgando ser a verdade.

Sou contra qualquer forma de discriminação, ou ataque a qualquer tipo de pessoas pelo que são, como acontece por exemplo nos ataques racistas. Mas defendo com todas as forças o direito a criticar, e a censurar, o comportamento de alguém (ou de um grupo), em primeiro lugar por amor ao bem-comum, e depois por amor a essa pessoa, que poderá estar a caminhar para a infelicidade, mesmo que esse caminho seja voluntário. O que é imoral nunca deve ser ensinado como moral, correndo o risco de, se tal acontecer, já não se conseguir distinguir o bem do mal, com todas as consequências que isso tem para a sociedade. Não é nenhuma coincidência que o governo que mais medidas imorais aprovou, como o aborto, o divórcio-expresso ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, seja o mesmo governo que destruiu a economia portuguesa, e continue a agir como se a culpa fosse dos outros.

Agradecendo pelo tempo despendido, despeço-me com os melhores cumprimentos,
João Silveira


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terça-feira, 17 de maio de 2011

O sucesso do Governo - João César das Neves

Já tudo se disse sobre o memorando de entendimento entre Portugal e as organizações internacionais. Temos aí um plano, exigente mas equilibrado, para regressar à solidez financeira e crescimento económico. Basta que o próximo governo o assuma como prioridade e vença os grupos de pressão, aqueles que nos trouxeram a esta situação e ainda estão vivos e activos para se protegerem dos cortes.

O mais espantoso neste processo é que, na miríade de comentários, mal se tenha falado do pior problema estrutural do país que, apesar de compreensivelmente alheio ao memorando, está por baixo de boa parte das dificuldades actuais: a decadência demográfica. Portugal tem a taxa de fertilidade mais baixa da Europa ocidental, quase metade do nível de reposição das gerações. Somos um país em via de extinção.

A crise torna essa queda mais patente com o refluxo da imigração, que mascarou a situação, agravado pela retoma da emigração. A ausência de crianças e jovens, que afecta o sistema educativo há anos, sente-se já em múltiplas outras áreas. Falta de produtividade, envelhecimento da população, problemas de segurança social, saúde, assistência, etc., são crescentes. Até a solução da dívida, poupar mais e trabalhar melhor, fica difícil num país com percentagem crescente de idosos. Temos a atenção centrada na solução das futuras condições socioeconómicas, sem haver sequer a certeza de existir um futuro.

Nos últimos anos, o Governo teve uma posição clara e empenhada neste assunto, com decisões fortes e incisivas. Facilitou o divórcio, subsidiou o aborto, promoveu o casamento homossexual, criando assim a mais maciça campanha de ataque e desmantelamento da família da nossa história. Dados os resultados, pode dizer-se que, pelo menos aqui, a política governamental foi um grande sucesso e o Executivo pode orgulhar-se. Deu mesmo cabo do País!

Até no meio da crise financeira, esta campanha ideológica continua imparável. Um exemplo um pouco tonto mostra-o bem. Nas últimas semanas, as ruas foram invadidas por um cartaz, assinado pela Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida e pelo Ministério da Saúde, com uma única mensagem: "Uso preservativo sempre."


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O inverno demográfico e o declínio do ocidente



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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Esta conferência vale a pena - um judeu a defender os crucifixos




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Carta ao apóstolo Paulo - Charles Phinney

Encontrei esta carta e gostei dela porque traduz fielmente a mentalidade de muitos católicos que querem ser politicamente correctos, e separar a caridade da verdade.

Caro Paulo,
Recentemente recebemos uma cópia de sua carta aos gálatas. O comitê me orientou a informá-lo de várias coisas que nos preocupam profundamente:
Inicialmente, consideramos sua linguagem um tanto desequilibrada. Na carta, após a breve saudação aos gálatas, você imediatamente ataca seus oponentes afirmando que eles “querem perverter o evangelho de Cristo”. Então diz que esses homens deveriam ser considerados “malditos”; e, em outro lugar, você faz referência a “falsos irmãos”. Não seria mais caridoso lhes dar o benefício da dúvida — pelo menos até a Assembléia Geral ter investigado e julgado o assunto? Para piorar a situação, você ainda diz: “Quanto a esses que os perturbam, quem dera que se castrassem!” (5:12, NVI). Essa declaração é apropriada para um ministro cristão? A observação parece muito áspera e desamorosa.

Paulo, temos realmente sentido a necessidade de preveni-lo sobre o tom de suas epístolas. Você confronta as pessoas de maneira áspera. Em algumas cartas você chegou até a mencionar nomes; essa prática tem, sem dúvida, angustiado os amigos de Himeneu, Alexandre e de outros. Afinal, muitas pessoas foram apresentadas à fé cristã pelo ministério desses homens. Embora alguns dos nossos missionários tenham manifestado lamentáveis deficiências, quando você fala desses homens de forma depreciativa só pode provocar sentimentos ruins.
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Em outras palavras, Paulo, creio que você deveria se esforçar para ter uma postura mais moderada em seu ministério. Você não deveria tentar ganhar os que estão no erro demonstrando um espírito brando? Neste momento é provável que você tenha alienado os judaizantes a ponto deles não mais o ouvirem.
Por causa de sua sinceridade exagerada no falar, você também diminuiu suas oportunidades de influenciar futuramente a igreja como um todo. Se tivesse atuado de forma menos franca, sua presença poderia ser solicitada para integrar um comitê do presbitério para estudar a questão. Você poderia, então, ter contribuído com suas percepções, ajudando a delinear uma boa recomendação do comitê a respeito da posição teológica dos judaizantes, sem ter que resistir a personalidades em disputa .

Além disso, Paulo, precisamos manter a união entre os que professam a fé em Cristo. Os judaizantes, pelo menos, permanecem conosco na confrontação do paganismo e do humanismo à nossa volta e prevalecente na cultura do Império Romano atual. Os judaizantes são nossos aliados na luta contra o aborto, a homossexualidade, a tirania no governo etc. Não podemos permitir que diferenças sobre minúcias doutrinárias obscureçam esse fator importante.
Também devo mencionar que o conteúdo de suas cartas tem sido questionado, bem como seu estilo. O comitê questiona a propriedade da estrutura doutrinária de sua carta. É sábio importunar jovens cristãos, como os gálatas, com questões teológicas tão pesadas? Por exemplo, em vários lugares, você alude à doutrina da eleição. Você também entra numa longa discussão a respeito da lei. Talvez você poderia ter provado seu caso de outra forma, sem mencionar esses pontos complexos e controversos do cristianismo. Sua carta é excessivamente doutrinária, e provavelmente servirá apenas para polarizar as diferentes facções nas igrejas. Novamente, precisamos enfatizar a unidade, em vez de assuntos controvertidos, que acentuarão as divisões entre nós .

Em outro lugar, você escreveu: “Ouçam bem o que eu , Paulo, lhes digo: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá” (5:2, NVI). Paulo, você tem a tendência de descrever as coisas estritamente em termos de preto-e-branco, como se não houvesse áreas acinzentadas. Você precisa usar expressões mais equilibradas, para não se tornar exclusivista. De outra forma, seu ponto de vista afastará muitas pessoas, e fará com que os visitantes não se sintam bem-vindos. O crescimento da igreja não é promovido tomando-se essa linha dura e permanecendo inflexível.

Lembre-se, Paulo, não existe uma igreja perfeita. Precisamos tolerar muitas imperfeições na igreja, porque não podemos esperar ter todas as coisas ao mesmo tempo. Se você simplesmente pensar sobre sua experiência, você se lembrará de quanto fez mal à igreja no tempo da ignorância. Ao refletir sobre seu passado, você pode tomar uma atitude mais simpática para com os judaizantes. Seja paciente, e lhes dê algum tempo para chegar a um entendimento melhor. Enquanto isso, regozije-se pelo fato de todos compartilharmos a profissão de fé em Cristo, pois todos fomos batizados no nome dele.


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domingo, 15 de maio de 2011

Hoje faço 6 anos de Crisma - Vinde Espírito Santo

E dai-nos o Dom da Sabedoria
Para que possamos avaliar todas as coisas à luz do Evangelho
E ler nos acontecimentos da vida os projectos de amor do Pai

Dai-nos o Entendimento
Uma compreensão mais profunda da verdade
A fim de anunciar a salvação com maior firmeza e convicção

Dai-nos o Dom do Conselho
Que ilumina a nossa vida
E orientai a nossa acção segundo vossa Divina Providência

Dai-nos o Dom da Fortaleza
Sustentai-nos no meio de tantas dificuldades
Com vossa coragem para que possamos anunciar o Evangelho

Dai-nos o Dom da Ciência
Para distinguir o Único Necessário
Das coisas meramente importantes

Dai-nos Piedade
Para reanimar sempre mais nossa íntima comunhão convosco

E, finalmente, dai-nos vosso santo Temor
Para que, conscientes de nossas fragilidades,
Reconhecermos a força da vossa graça.

Vinde Espírito Santo, e dai-nos um novo coração. Amén


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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Encontrarás Dragões - dia 19, num cinema perto de ti!




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Faz hoje 1 ano - Papa Bento XVI em Portugal




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Frase do dia

"O amor é inseparável da imitação. Todo aquele que ama quer imitar: é o segredo da minha vida. Imitemos, pois, Jesus por amor, contemplemos Jesus por amor, procedamos em tudo por amor a Jesus." 

Beato Carlos de Foucauld



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Senhores Padres, por favor voltem a confessar




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terça-feira, 10 de maio de 2011

O sentimentalismo - Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Na maneira de actuar, o seu exemplo era admirável. Dava-se bem com todos. Fazia-o de tal modo que, à primeira vista, parecia o mais fácil e natural deste mundo. Parecia ser muito feliz — notava-se no optimismo à prova de fogo — e era evidente que não procurava essa felicidade no estreito mundo do egoísmo. Todos — sem excepção — pareciam cair-lhe bem e ele, sem grande esforço, era estimado por quase toda a gente.

Um dia, um amigo perguntou-lhe como era possível que gostasse com tanta facilidade de todas as pessoas que tinha à sua volta. Isso não parecia muito “normal” nem era, nos dias que correm, uma atitude comum. Como era possível que ninguém o irritasse de vez em quando. Como era possível que não cedesse, alguma vez, ao espírito crítico — espírito que nos acompanha sempre: desde o momento em que tomamos consciência de quem somos até ao último dia da nossa vida.

A sua resposta deixou o amigo pensativo. «Como te deixas levar pelo simplório erro de pensar que eu sempre me sinto bem com toda a gente? Claro que não. No entanto, a estima pelos outros não é uma questão de sentimentos. A caridade genuína não se sente: põe-se em prática».

E então, como quem sabe aquilo que diz porque o vive, acrescentou com simplicidade: «Actuar é sempre a melhor forma de querer as pessoas como são. Se ajudamos os outros de verdade — sem interesses ocultos ou segundas intenções — acabamos de facto por gostar deles. Apercebemo-nos da grandeza do seu modo de ser que, em todo o ser humano, é sempre único e irrepetível».

Esta sábia resposta faz-nos chegar a uma natural conclusão: não é possível gostarmos de verdade dos outros se nos deixamos levar somente pelos sentimentos. Porque o vento dos sentimentos é muito instável: ora sopra para um lado, ora sopra para o outro, ora não sopra; ora é impetuoso, ora é ameno; ora é uma brisa, ora é uma tempestade.

É verdade que o amor autêntico possui, muitas vezes, manifestações sentimentais. Nunca gostaremos verdadeiramente de ninguém se cultivamos um modo de ser frio e distante — um modo de ser egoísta. São infelizes aquelas pessoas que parecem não ter coração. Mais tarde, descobrimos que possuem um coração raquítico que ficou assim por estar centrado somente neles próprios. O caminho do egoísmo pode apresentar-se, na aparência, como uma estrada ampla e confortável. Contudo, não nos enganemos nem nos deixemos ludibriar: o egoísmo termina sempre num beco sem saída.

No entanto, também é verdade que seria um erro funesto confundir o amor com o sentimento. A essa confusão, comum hoje em dia, chama-se sentimentalismo. O sentimentalismo é uma deformação do amor bastante perigosa. Leva uma pessoa a pôr o emocional por cima do racional; a pensar com o coração em vez de pensar com a cabeça.

Algumas vezes, os sentimentos posicionam-se contra o verdadeiro amor — e mentem com quantos dentes têm na boca: e têm muitos. O amor genuíno nunca mente; os sentimentos, sim, podem mentir. Nesse caso, amar de verdade significa não nos deixarmos conduzir por esses sentimentos desordenadas do nosso coração.


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