quarta-feira, 5 de outubro de 2011

República Portuguesa ou Portugal? - P.Gonçalo Portocarrero

Proposta de uma designação mais popular e apolítica da identidade nacional

No Verão passado, alguns jovens portuenses encontraram-se numa capital europeia com um grupo de rapazes norte-americanos, que ignoravam a existência e a localização de Portugal. Alguns ainda alvitraram ser um Estado da América Central, ou do Sul, ou até mesmo uma nação africana. Ou seja, em qualquer caso - com perdão! - uma república das bananas.

A ignorância dos outros não afecta a nossa dignidade nacional, mas a verdade é que, por muito que doa ao nosso patriotismo, talvez os yankees tenham razão. Sim, provavelmente Portugal, em termos legais, não exista.

Salvo melhor opinião, o país que ocupa a faixa ocidental da Península Ibérica e as ilhas adjacentes chama-se, oficialmente, República portuguesa. O chefe de Estado não é o presidente de Portugal, mas apenas da República portuguesa. O Parlamento nacional é tão-só, na terminologia oficial, a Assembleia da República, que nominalmente nem portuguesa é.

A própria lei fundamental, que deveria ser o texto constitucional da nação e não apenas do sistema político vigente é, em termos literais, a Constituição da República portuguesa, muito embora Portugal seja referido em alguns dos seus artigos, como o 1º, o 5º e o 7º. Outro tanto se diga da Procuradoria-Geral da República e de muitas outras entidades oficiais, que são em geral republicanas, mas não nacionais.

No Bilhete de Identidade também não consta o nome de Portugal, mas sim o da República portuguesa. Quer isto dizer que os respectivos titulares são, legalmente, republicanos-portugueses, como os cidadãos da Coreia do Sul são sul-coreanos e não apenas coreanos?! Nesse caso, os que só sejam portugueses, ou não sejam republicanos, são, em termos legais, apátridas, como qualquer coreano que não seja do Norte nem do Sul. Ou, pelo contrário, se o Bilhete de Identidade credencia o seu portador como português e não republicano-português, dever-se-á então concluir que o Estado correspondente não é a República portuguesa, mas Portugal?

Para a nomenclatura oficial, a implantação da República significou, gramaticalmente, o fim de Portugal substantivo, porque antes o país não era a monarquia portuguesa, mas Portugal, ou o Reino de Portugal. Com o 5 de Outubro de 1910, o nome da pátria passou a adjectivo, perdeu a maiúscula e ficou reduzido à minúscula condição de uma secundária circunstância, um apodo da organização estatal.

A República, ao sobrevalorizar o regime em detrimento da nação, eclipsou a expressão histórica da identidade de um dos mais antigos países da Europa que, por este motivo, ficou conotada com o anterior regime. Mas a denominação nacional, que remonta à fundação da nacionalidade e persiste na língua e na cultura popular, na filatelia, nas selecções desportivas, etc., não é propriedade exclusiva de nenhum sistema ou partido político.

No país vizinho não há aldeia em que não exista uma praça de Espanha, como entre nós todos os lugarejos têm uma avenida da República. Por que razão? Porque o que é óbvio não carece de explicitação, mas sim o que o não é. Os espanhóis não precisam de afirmar a sua forma de Estado, que é comum a quase toda a sua história, mas sim a sua recente e ainda polémica unidade nacional. Ao invés, a nacionalidade portuguesa está firmemente consolidada por oito séculos de pacífica unidade, mas não a República que, por este motivo, precisou de se afirmar através de uma nomenclatura oficial e artificial.

Sem anacrónicos saudosismos do Estado Novo ou da Assembleia Nacional, nem tomar partido sobre a questão do regime, talvez não fosse descabido, agora que de novo se fala de uma revisão constitucional e se questiona a pertinência do hino e da bandeira republicana, propor uma fórmula mais plural e popular da nossa identidade colectiva.

Mais de um século volvido sobre a implantação da República, é hora de que a nação se desprenda de uma aparentemente obsoleta terminologia ideológica e adopte, oficialmente, na sua Constituição, nos seus órgãos de soberania e nas suas entidades oficiais, uma designação menos facciosa e mais consensual. É algo, aliás, que já acontece nas nossas missões diplomáticas, que são denominadas embaixadas de Portugal e não da República portuguesa. Nada obsta, portanto, a que o chefe de Estado, a lei fundamental ou o parlamento o sejam também, apenas e só, de Portugal.

A igreja não deve intrometer-se em questões partidárias, nem manifestar simpatia ou aversão por qualquer regime político mas, como força de coesão social, pode e deve favorecer a reconciliação nacional, como sempre o fez, antes e depois de 1910. O nosso país, como pátria comum a todos os cidadãos, sejam republicanos ou monárquicos, de esquerda ou de direita, cristãos ou pagãos, talvez favorecesse a concórdia nacional e o seu prestígio internacional se adoptasse, oficialmente, o nome que melhor expressa a sua gloriosa e multissecular identidade: Portugal.


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Mundo a mais - Aura Miguel

A Igreja tem mundo a mais e conversão a menos.

A frase caiu que nem uma bomba, durante a visita do Papa à Alemanha: com o passar dos anos, a fé dá lugar à rotina, a estrutura esmaga o espírito, uma certa “fachada cristã” bloqueia o acesso à bondade de Deus, os critérios mundanos tomam conta do coração, os fardos do poder e das coisas materiais distorcem as verdadeiras prioridades... E, assim, gradualmente, a Igreja cai na tentação de se achar auto-suficiente. Mas a Igreja sem Deus não existe. Por isso, precisa de se converter.

Só que, como o próprio Bento XVI também alertou, a Igreja não é só o Papa, os bispos e os pastores. A Igreja somos todos nós. Por isso, somos todos nós que temos mundo a mais e conversão a menos!


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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Experimentemos convencer sem esmagar - Juan Manuel Mora

Quem quer comunicar a experiência cristã precisa de conhecer a fé que deseja transmitir, e precisa de conhecer também as regras de jogo da comunicação pública. Há princípios a seguir. Sobre a mensagem que se quer difundir; sobre a pessoa que comunica; e sobre o modo de transmitir.

M e n s a g e m
PRIMEIRO: a mensagem deve ser positiva. Os públicos recebem informações muito variadas, e prestam atenção aos protestos e às críticas. Mas, acima de tudo, aderem a projectos, propostas e causas positivas.

SEGUNDO: a mensagem deve ser relevante, com significado para quem ouve, e não apenas para quem fala.

TERCEIRO: a mensagem deve ser clara. A comunicação não é principalmente o que o emissor diz, mas o que o destinatário ouve. Para comunicar é preciso evitar os argumentos complexos e as palavras obscuras.

P e s s o a
PRIMEIRO: o destinatário aceita a mensagem que vem de uma pessoa ou organização que mereça credibilidade. A credibilidade apoia-se na veracidade e na integridade moral. Por isso, a mentira e a suspeita anulam a comunicação.

SEGUNDO: empatia. A comunicação é uma relação entre pessoas, com pontos de vista, sentimentos e emoções. Falar de modo frio aumenta a distância. A empatia não é renunciar às convicções pessoais, mas imaginar-se na pele do outro.

TERCEIRO: cortesia. Se não respeitarmos as formas, corremos o risco de que a proposta cristã seja vista como mais uma das posições radicais que andam por aí. A clareza não é incompatível com a amabilidade. Com amabilidade é possível conversar; sem amabilidade o fracasso fica garantido.

M o d o d e c o m u n i c a r
PRIMEIRO: profissionalismo. Cada campo do saber tem a sua metodologia; cada actividade, as suas regras; e cada profissão, a sua lógica. Isto aplica-se às acções de comunicação.

SEGUNDO: transversalidade. O profissionalismo é imprescindível quando um debate afecta as convicções religiosas. A transversalidade é imprescindível quando um debate afecta as convicções políticas.

TERCEIRO: gradualidade. As tendências sociais nascem, crescem, desenvolvem-se, alteram-se e morrem. Em consequência, a comunicação de ideias tem muito a ver com a "agricultura": semear, regar, podar, limpar, esperar, antes de colher.

O fenómeno da secularização consolidou-se ao longo dos últimos séculos. Processos de longa gestação não se resolvem em anos, meses ou semanas. O Cardeal Ratzinger dizia que a nossa visão do mundo costuma seguir um paradigma "masculino", onde o importante é a acção, a eficácia, a programação e a rapidez. E concluía que convém dar mais espaço a um paradigma "feminino", porque a mulher sabe que tudo o que tem a ver com a vida requer espera, paciência.

A estes 9 princípios junta-se um outro, que afecta a todos eles. O princípio da caridade. A caridade é o conteúdo, o método e o estilo da comunicação da fé. A caridade dá credibilidade, empatia, e amabilidade às pessoas que comunicam. E é a força que permite agir de forma paciente, integradora e aberta. Porque o mundo em que vivemos é também com excessiva frequência um mundo duro e frio, onde muitas pessoas se sentem excluídas e maltratadas, e sonham por um pouco de luz e calor. Neste mundo, o grande argumento dos católicos é a caridade.


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domingo, 2 de outubro de 2011

Faz hoje 83 anos

"Em Madrid, no dia 2 de Outubro de 1928, Deus faz ver a Josemaria o que espera dele, e funda o Opus Dei."


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Frase do dia

"Ânimo e paciência contigo mesmo nas tuas recaídas!" 

S. Pio de Pietrelcina


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sábado, 1 de outubro de 2011

A razão do bom combate - P. Gonçalo Portocarrero de Almada

No dia 29 de Agosto passado publiquei um artigo que questionava o actual regime legal de alteração de sexo. A 4 de Setembro seguinte, o mesmo jornal publicou uma contundente resposta àquela pacífica crónica.

Por essa altura, o director de um semanário, que escrevera um inofensivo texto de opinião sobre os «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo, sofreu, por esse motivo, uma impiedosa campanha de ataques pessoais. Estes casos obrigam a questionar: está em causa a liberdade de pensamento e de expressão em Portugal?

A «igualdade de género» e os casamentos ditos homossexuais são teses aguerridamente defendidas por poderosas organizações nacionais, com a cobertura de instituições internacionais. Estes lóbis têm uma grande influência política e, em geral, gozam de um complacente acolhimento por parte dos meios de comunicação social.

Os defensores destas teses, tidas por avançadas e mesmo progressistas, advogam, na prática, uma unicidade cultural. É razoável que se lhes reconheça a liberdade de divulgação das suas opiniões, mas não a sua pretensão de silenciar as vozes discordantes. Este seu propósito não consta formalmente, é certo, mas resulta da sua estratégia de depreciação pessoal e de intimidação sobre quem se atreva a questionar o seu ideário político e social.

Um dos princípios da democracia é, precisamente, a liberdade de pensamento e de expressão. Mas esta liberdade não subsiste senão no respeito por todos os cidadãos, quaisquer que sejam as suas opiniões, desde que as mesmas não tipifiquem um delito de injúrias que, obviamente, de verificar-se, deve ser punido.

Mas o incondicional respeito pelas pessoas, pela sua dignidade e pelos seus direitos fundamentais, não tem por que traduzir-se pela adesão às suas opções. É recorrente pressupor, por exemplo, que os que defendem o matrimónio natural são contra as pessoas com tendências homossexuais, convertendo-se assim, abusivamente, uma legítima divergência conceptual numa inadmissível ofensa pessoal. Deste jeito logra-se, através da falaciosa vitimização das pessoas, a injusta condenação da tese que se pretende contraditar.

Com a mesma lógica, ou falta dela, os regimes totalitários entendem que são anti-patriotas todos os dissidentes quando, na realidade, estes apenas defendem um outro modo de servir a pátria, que seguramente não amam menos nem servem pior do que os seus opositores.

Todas as pessoas, sejam quais forem e como forem, merecem respeito, mas as suas circunstâncias – sejam elas opções de vida, ideias, teorias, gostos, doenças ou taras – nem sempre são igualmente respeitáveis. É legítima a liga contra o cancro, mas não o seria uma liga contra os doentes de cancro, por exemplo.

Mas a questão fundamental não é, contudo, a da identidade de género ou a da natureza do matrimónio. O que realmente está em causa é mais do que isso: é o modelo de sociedade que se pretende para o nosso país, para a Europa e para o mundo.

Contra a intolerância e o totalitarismo dos que pretendem impor critérios contrários à ordem natural, há que recordar as exigências da natureza humana, fundamento dos direitos fundamentais. Contra a ideologia contrária aos princípios da doutrina social da Igreja, há que defender o direito de opinião e de intervenção cívica dos fiéis, que não são menos cidadãos do que os não-cristãos. Não se trata de impor à sociedade os dogmas da fé católica, mas fazer respeitar o direito de cidadania da mundividência cristã, sem excluir as outras religiões e filosofias sociais.

Defender a liberdade de pensamento e de expressão é, entre outras, missão da Igreja a que me orgulho de pertencer e que modestamente sirvo. Esta é, como cristão e como cidadão, a razão da minha luta. Não tenho a veleidade de vencer, nem de convencer, mas não me demito do meu dever de travar o bom combate da fé.


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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Frase do dia

"Livra-te de ficares tranquilo com o que rezas e cuida que, enquanto a tua língua fala bem perante Deus, a tua vida não fale mal à Sua frente. Toma cuidado e não vivas mal enquanto falas bem." 

Santo Agostinho


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Agricultor manda Rihanna vestir-se

"Achei que não era apropriado. Pedi para que parassem e eles fizeram-no. Ela escutou-me e no final demos um aperto de mão", relatou Alan Graham à BBC News, admitindo que não saber quem era Rihanna quando lhe pediram autorização para gravar nas suas terras.

O agricultor explicou, ainda, que as poses e falta de roupa da cantora vão contra as suas crenças. "Do meu ponto de vista, a terra é minha, eu tenho as minhas crenças e senti que aquilo não era apropriado. Não desejo mal nenhum a Rihanna, nem aos seus amigos, mas talvez eles pudessem descobrir um Deus maior".

Após este incidente, a equipa de produção terá de procurar um outro local para gravar o video que vai suportar o lançamento do primeiro single no novo álbum da cantora. in DN


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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Os efeitos negativos da secularização - Papa Bento XVI

É preciso reconhecer que um dos efeitos mais graves da secularização, há pouco mencionada, é ter relegado a fé cristã para a margem da existência, como se fosse inútil para a realização concreta da vida dos homens; a falência desta maneira de viver «como se Deus não existisse» está agora patente a todos. 

Hoje torna-se necessário redescobrir que É preciso reconhecer que um dos efeitos mais graves da secularização, há pouco mencionada, é ter relegado a fé cristã para a margem da existência, como se fosse inútil para a realização concreta da vida dos homens; a falência desta maneira de viver «como se Deus não existisse» está agora patente a todos. Hoje torna-se necessário redescobrir que Jesus Cristo não é uma simples convicção privada ou uma doutrina abstracta, mas uma Pessoa real cuja inserção na história é capaz de renovar a vida de todos.

in Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 77


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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No comments

Papa Bento discursa no aeroporto de Lahr, na despedida da viagem apostólica à Alemanha



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Um erro no calendário

Partilho mais um artigo de opinião dum site católico polaco sobre o Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto, que pelos vistos parece que se comemora hoje...

Desde manhã que ouço nos media que 28 de Setembro é o Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto. Celebrar o dia do direito à morte? Não é horrível?

Aqueles, cujas mães lutaram pelo "direito de matar", já morreram. Quantos são? Podem fazer-se estatísticas. Mas nenhuma delas inclui o horror relacionado com a morte destes pequenos e inocentes seres. Cada bebé não-nascido e morto é o início de uma grande tragédia na sua família e na família humana em geral. Um mundo cujos habitantes exigem o direito de matar as crianças concebidas é um mundo perdido. 

E não serve de nada anestesiar-se com palavras-chave como as proclamadas pelas senhoras da Federação para a Mulher e Planeamento Familiar, pela boca da sua directora Wanda Nowicka: "Todos queremos que cada criança que nasça na Polónia seja uma criança querida, amada e esperada. E que possamos garantir-lhe o melhor. Apenas um acesso total à contracepção pode limitar de maneira real os números do aborto. A proibição do aborto não influi no número de interrupções, apenas na sua segurança.

Parece que isto é o mais importante para o conforto da mulher e das eventuais crianças por elas seleccionadas. E o que é que pode garantir isto? A contracepção, o aborto! Tão simples que até dói. Contracepção segura, aborto seguro... Como é insegura a vida num mundo onde as mães desta forma se protegem contra a chegada dos seus filhos! Contra esta chegada que é melhor chamar acidente.

Por ocasião do Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto, esta Federação criou um jogo de tabuleiro chamado "Erro". Este mostra as possibilidades que uma mulher ou rapariga têm quando surge uma gravidez inesperada. "Nele encontram-se ainda os obstáculos com que nos podemos deparar na nossa realidade, como por exemplo um médico que não quer passar uma receita recorrendo-se da cláusula de consciência", disse Wanda Nowicka. 

Felizmente existem ainda estes obstáculos. Nestes "obstáculos" por parte de médicos, mães ou, ainda melhor, toda a sociedade, é que temos a esperança. Tenho esta esperança porque acredito nas pessoas, que qualquer dia o Dia Internacional de Luta pelo Direito ao Aborto vai ser apenas um erro no calendário. E que eu viva para vê-lo.
Barbara Gruszka-Zych


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terça-feira, 27 de setembro de 2011

A perda do perdão - João César das Neves

Nos últimos 500 anos o Ocidente viveu o maior ataque cultural da história. Seguindo o magno processo contra a cultura cristã, nas suas três fases, entende-se a situação actual. Primeiro atacou-se a Igreja em nome de Deus. Depois descartou-se a divindade mantendo a moral cristã. Hoje desmantela-se a ética. A primeira fase seguiu dois passos. Primeiro, com Lutero, Calvino e outros reformadores, agrediu-se a estrutura eclesial conservando o Cristianismo. A fé em Cristo era preciosa, apesar dos perversos eclesiásticos. Depois, através de Hume, Voltaire e outros teístas, o cientifismo deísta rejeitou a doutrina e ritos, acenando à divindade longínqua e apática d'"O Grande Arquitecto" e distorcendo a História para apagar o papel da Igreja.

A segunda fase do ataque dirigiu--se ao transcendente. Recusava-se Deus e a eternidade, pretendendo conservar as regras cristãs de comportamento social. O primeiro passo, de Feuerbach, Comte e outros ateus, quis demonstrar filosoficamente a inexistência formal de Deus na sociedade humanista ideal. O falhanço dos esforços teóricos levou Thomas Huxley, Bertand Russell e outros agnósticos ao ateísmo prático simplesmente desinteressado da questão religiosa. A fase actual é de ataque frontal à moral cristã. Primeiro, com Saint-Simon, Marx e outros revolucionários, visou-se uma moral exclusivamente humana. Mas, como Nietzsche e Sartre tinham explicado, eliminando a referência metafísica, vivemos "Para lá do Bem e do Mal". Para compreender os traços essenciais da atitude moral dominante é preciso lembrar o elemento novo e original que o Cristianismo trouxe à civilização há 2000 anos. Aí se situa o núcleo da luta moral da nossa era.

Quando Cristo nasceu, a sociedade ocidental já possuía uma estrutura ética sofisticada. Homero, Zoroastro, Sócrates, Zenão, Epicuro e tantos outros tinham estabelecido um sistema complexo de virtudes, regras e comportamentos. No campo estrito da ética, a revelação cristã trouxe apenas um contributo: a misericórdia. Para Aristóteles e seus contemporâneos, o perdão era uma injustiça inaceitável. A visão cristã do mundo tornou-o indispensável: "todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Sem o merecerem, todos são justificados pela Sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus" (Rm 3, 23-24).

Aquilo que a moral de hoje perdeu é a misericórdia. Em jornais, novelas, televisão e cinema encontramos valores e atitudes elevados. Mantêm-se virtudes, guardam-se mandamentos, pululam os exemplos honestos, sensatos, equilibrados. Tolera-se tudo. Só se despreza a caridade cristã. Existem duas formas de destruir a misericórdia: eliminando o pecado e eliminando o perdão. Estas são precisamente as duas atitudes mais comuns nos dias que correm. Numa enorme quantidade de situações não se vê nada de mal. Naquelas em que se vê, não há desculpa possível. As acções do próximo ou são indiferentes ou intoleráveis. O que nunca são é censuradas e perdoadas. O que nunca se faz é combinar o repúdio do pecado com a compaixão pelo pecador. O resultado está à vista. A moral oficial, em filmes, romances, séries e telejornais, é uma amálgama de regras, princípios e procedimentos, sem fundamento, coerência ou justificação. Do libertarismo mais acéfalo salta-se ao moralismo totalitário sem lógica ou razão. Aborto e adultério tornavam-se de crimes em direitos, enquanto tabaco e touradas passaram de hábitos a infâmias. Os enredos da moda exaltam os valores pagãos, mágicos, bárbaros, orientais, ocultistas, libertinos, vampiros. Todos, menos cristãos.

Após 500 anos de ataques à Igreja, este é o estado do Ocidente. Qual a situação da fé, com cinco séculos de agressões? Está igual a si mesma. A moral cristã perdura, 100 anos depois de Nietzsche. A fé em Cristo mantém-se, 250 anos depois de Hume. A Igreja Católica permanece, cinco séculos após Lutero. O último meio milénio não foi mais duro para os discípulos de Cristo que os anteriores. Desde o Calvário, a Igreja é atacada. Ressuscitando ao terceiro dia.


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Frase do dia

“A humanidade irá preferir renunciar a todas as questões filosóficas – no Marxismo ou positivismo de todas as cores – a aceitar uma filosofia que encontre a sua única resposta final na revelação de Cristo. Cristo enviou os seus discípulos como ovelhas no meio de lobos. Deveríamos meditar sobre esta comparação, antes de fazermos um pacto com o mundo.” 

Cardeal Urs von Balthasar


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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O mistério da vida de S.Pio de Pietrelcina (Padre Pio)



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Nonsense




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Serenidade. – Por que te zangas? - S.Josemaria Escrivá

Serenidade. – Por que te zangas, se zangando-te ofendes a Deus, incomodas os outros, passas tu mesmo um mau bocado... e por fim tens de te acalmar? (Caminho, 8)

Isso mesmo que disseste, di-lo noutro tom, sem ira, e ganhará força o teu raciocínio e, sobretudo não ofenderás a Deus. (Caminho, 9)

Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afectuosa, do que ralhando três horas. – Modera o teu génio. (Caminho, 10)

Quando realmente te abandonares no Senhor, aprenderás a contentar-te com o que suceder, e a não perder a serenidade, se as tarefas – apesar de teres posto todo o teu empenho e empregado os meios convenientes – não saem a teu gosto... Porque terão "saído" como convém a Deus que saiam. (Sulco, 860)

Sendo para bem do próximo, não te cales, mas fala de modo amável, sem destemperança nem aborrecimento. (Forja, 960)


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domingo, 25 de setembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

Encontrar algo que corresponda à nossa espera - Pe.Julián Carrón

Quando penso num jovem de hoje que se está abrindo à vida, invade-me uma ternura infinita: como se orientará nesta babel cheia de oportunidades e de desafios em que lhe toca viver? Basta ver a televisão, ou passar por uma banca de revistas ou uma livraria, para ver a variedade de opções que tem diante de si. Acertar é tarefa árdua. Mas se é comovedor pensar num jovem perante semelhante desafio, assombra-me ainda mais que quem nos colocou na realidade não tenha tido qualquer escrúpulo em correr semelhante risco. A ponto de escandalizar aqueles que gostariam de poupá-lo a si mesmos e aos outros, sejam estes filhos,  amigos, ou alunos.

O Mistério, porém, não nos lançou na aventura da vida sem nos fornecer uma bússola para nos podermos orientar. Esta bússola é o coração. Na nossa época o coração é reduzido a um sentimento, a um estado de ânimo. Mas todos podemos reconhecer na experiência que o coração não se deixa reduzir, não se conforma com qualquer coisa. “O homem é verdadeiramente criado para aquilo que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa é insuficiente”, diz o Papa na sua Mensagem. Nós bem o sabemos.

Por isso, quem toma a sério o seu coração, feito para aquilo que é grande, começa a ter um critério para se compreender a si próprio e à vida, para julgar a verdade ou falsidade de qualquer proposta que assome no horizonte da sua vida. “São-vos apresentadas continuamente propostas mais fáceis, mas vós mesmos vos apercebeis que se revelam enganadoras, que não vos dão serenidade e alegria”. Existirá algo que esteja à altura das nossas exigências mais profundas, que possa responder ao nosso anseio, grande como o infinito? Muitos responderão que tal coisa não existe, vista a decepção que em tantas ocasiões experimentaram  quando depositaram a sua esperança no que estava fadado a desiludi-los. Mas nenhum de nós pode evitar esperar. Será irracional esta expectativa? Então, por que esperamos? Porque é a coisa mais racional: nenhum de nós pode garantir que não existe.

Mas só descobriremos que existe se tivermos a oportunidade de encontrar algo que corresponda verdadeiramente à nossa espera. Como os primeiros que encontraram Jesus: “nunca vimos coisa igual!”. Desde que este acontecimento entrou na história, ninguém que tenha tido notícia dele pôde ou poderá estar tranquilo. Todo o cepticismo do mundo não o poderá eliminar da face da terra. Estará ali, no horizonte da sua vida, como uma promessa que constitui o maior desafio que teve de enfrentar. “Quem me segue receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna”. Só quem tiver a audácia de comprovar na vida a promessa que o anúncio cristão contém poderá descobrir a sua capacidade de responder à sua espera. Sem esta verificação não poderá existir uma fé à altura da natureza racional do homem, quer dizer, capaz de o continuar a interessar.


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Casamento e relações



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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dia de S.Pio de Pietrelcina

"Que Jesus e Maria sejam sempre louvados! Jesus disse-nos no Evangelho que o prémio é destinado não a quem começa bem, nem a quem continua no caminho do bem por um certo tempo, mas a quem persevera até o fim. Portanto, quem começou, procure perseverar sempre melhor. 

Quem está prosseguindo, procure chegar até o fim. E, quem desgraçadamente não começou ainda, ponha-se no caminho correto. Esforcemo-nos todos em perseverar. Sei que é uma tarefa bastante difícil. Porém, com o exemplo dos santos e com o auxílio da Virgem Santíssima, a graça de Deus, que está sempre pronta para quem a procura, nunca nos faltará. 

Por isso, revistamo-nos de constância, de paciência e de perseverança. E, então, se verificará em nós aquilo que o próprio Jesus nos disse no Evangelho: “Aquele que persevera até o fim, esse se salvará!” Desejo a todos uma boa noite, cheia de graças e de bênçãos. E uma benção muito especial não somente a vocês, mas a todos aqueles que estão nos seus corações; especialmente às suas famílias e as pessoas a quem vocês querem bem. 

Mas, de modo especial, uma benção aos pobres doentes e aos sofredores. Que o Senhor infunda neles coragem e perseverança, e lhes dê saúde. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Que Jesus e Maria sejam sempre louvados!"


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O caminho e a estalagem - Pe.Tolentino Mendonça

Chega Setembro e damos por nós a conjugar regressos. Há duas maneiras de encarar este reencontro com o nosso quadro habitual de vida. Podemos entendê-lo como um retomar simples de um percurso que a pausa estival interrompeu. Voltamos aos mesmos lugares, ao mesmo ritmo, aos mesmos tiques rotineiros, como se a vida fosse um contínuo inalterado. Ou podemos voltar, tendo ganho uma distância crítica e criativa, em relação ao modo como habitamos o real que nos cabe. Sentimos então, como naquele verso de Rainer Maria Rilke, que temos de chegar ao que conhecemos e arriscar olhá-lo como se fosse a primeira vez. De facto, a vida, nas suas várias expressões (laborais, familiares, afetivas…) precisa de recomeços que o sejam verdadeiramente. 

Não nos podemos instalar simplesmente nas vitórias de ontem, nos saberes adquiridos de um dia, nas experiências de uma determinada etapa. O recomeço supõe uma abertura esperançada em relação ao hoje, encarando-o com a pobreza e a ousadia de quem aceita, depois de ter percorrido já uma estrada, considerar que está novamente, e que estará até ao fim, a viver sucessivos pontos de partida.

Neste sentido, precisamos de jogar a vida no aberto, mantendo uma plasticidade interior que é um grande investimento de confiança no modo como Deus se vai manifestando a cada momento. Talvez precisemos todos escutar mais profundamente a vida para captar essa novidade que nos chega por dentro, esse refazer das disposições interiores, essa rejuvenescida vontade de nos pormos à estrada, quando a tentação que nos sobrevém, a dada altura, é a de nos arrumarmos num canto qualquer.

Há aquela frase exigente e fantástica que o D.Quixote repetia: “vale mais o caminho do que a estalagem”. Setembro abeira-se de nós assim, desafiando-nos não a um regresso à estalagem, à zona de conforto, à vida tornada mais ao menos maquinal, mas a expormo-nos aos reinícios autênticos, ao refazer humilde e apaixonado do nosso labor, às aprendizagens que nos avizinham silenciosamente do definitivo escondido no provisório que tateamos.


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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Meio milhão de abelhas no Vaticano

A Associação de agricultores italianos Coldiretti ofereceu a Bento XVI oito colmeias, com mais de 500 mil abelhas, revelou o serviço de informação do Vaticano. O presente assinala o dia da Protecção da Criação, criado pelo Vaticano para realçar as preocupações ambientais. A população mundial de abelhas tem vindo a diminuir nos últimos anos, algo que poderá ter sérias repercussões a nível do ecosistema. Segundo a organização Colidretti um terço da produção de comida no mundo depende da polinização feita por insectos, 80% dos quais são abelhas.

As abelhas papais vão ficar nos terrenos da residência pontifícia de Castelgandolfo, arredores de Roma, onde o Papa passa os meses de verão. Serão a mais recente adição a uma quinta que já conta com 25 vacas leiteiras, 300 galinhas, 60 galos e um olival que produz três mil litros de azeite por ano. Há ainda um pomar de pessegueiros e uma estufa de flores ornamentais. Estima-se que a produção de mel deste lote de 500 mil abelhas possa chegar aos 280 quilos por ano. 

Para além de todos os seus benefícios ambientais, a abelha é também um antigo símbolo cristão. Com base na crença antiga de que as abelhas se reproduziam de forma assexuada, o que levou à sua adopção como representação da virgindade. A abelha é o símbolo de, entre outros, Santo Ambrósio. Uma lenda indica que quando era bebé abelhas entravam e saíam da sua boca sem o incomodar, o que indicava que seria um grande defensor da virgindade e que as suas palavras seriam suaves como o mel. Recorde-se ainda que o símbolo heráldico de Bento XVI é um urso, animal cuja gosto por mel é universalmente conhecido. 
Filipe d'Avillez


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Farmacêuticas omitem que a pílula "normal" é abortiva



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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Não às acólitas: A decisão da catedral de Phoenix abre debate

O reitor da Catedral de São Simão e São Judas em Phoenix (Arizona, Estados Unidos), Pe. John Lankeit, anunciou que não mais permitiria que as meninas actuassem como acólitas. Não é uma decisão pioneira, pois uma medida semelhante já havia sido tomada em dioceses americanas como as de Lincoln (Nebraska) e Ann Harbor (Michigan), mas desta vez a repercussão da notícia foi se estendendo até adquirir primeiro ressonância nacional, e depois mundial. E não pelo seu alcance, muito limitado, pois nem sequer toda a diocese de Phoenix a fez sua, apesar da importância do templo catedralício. E ainda, vários párocos apressaram-se em declarar que não iriam seguir este exemplo. O que deu lugar a polémica noutros lugares é a razão aduzida por Lankeit, que tem sim valor universal e provocou um debate fora das fronteiras de sua paróquia.

Prejudica as vocações? Segundo a nota publicada pelo reitor, e que se acha no site da diocese, trata-se de animar os meninos e meninas a servir a Deus de forma diferenciada e complementar, eles como acólitos, elas como sacristãs, porque diversas experiências levam a concluir que o acesso das meninas à condição de acólitas está a diminuir as vocações sacerdotais…e também as vocações religiosas femininas. De facto, e é o exemplo seguido por Lankeit, as duas dioceses que o precederam experimentaram um incremento de vocações de ambos os tipos depois de proibir as acólitas. Por quê? Segundo o reitor da Catedral de Phoenix, a condição de acólito tem sido tradicionalmente uma sementeira de sacerdotes, e inclusive antes da existência dos seminários, tal como os conhecemos hoje, em alguns casos era o caminho ordinário para a primeira formação dos presbíteros. Entre 80% e 95% dos sacerdotes foram acólitos alguma vez durante a sua infância.

Ser acólita não é um direito. Mas ao converter-se numa função que meninos e meninas indistintamente podem desempenhar, a sua vinculação com a vocação sacerdotal, exclusivamente masculina, atenua-se fortemente. “Posso entender que as pessoas se irritem, se focam a questão do ponto de vista emocional, porque a convertem numa questão de direitos, e parece que se está a negar os direitos a alguém”, antecipa-se Lankeit à crítica. “Mas, nem eu como católico tinha direito ao sacerdócio, nem tampouco o tinha quando era seminarista, pois estava a provar a minha vocação e era à Igreja a quem competia discerni-la”. Com maior razão não se pode falar de um direito a ser acólita…ou “uma” acólita.

A presença de mulheres no serviço do altar começou a introduzir-se nos Estados Unidos em meados dos anos oitenta como abuso. A Igreja não aceitou tal introdução oficialmente até 1994 ao afrontar a questão logo ela atravessou o Atlântico, recorda William Oddie, influente colunista do Catholic Herald britânico. Paulo VI e João Paulo II eram contrários a esta prática, mas em meados dos anos noventa a Igreja Católica sofria uma campanha mediática muito forte pela negação do sacerdócio feminino, e cedeu neste ponto como excepção, ainda que mantivesse que a norma era animar os meninos a assumir esta função. Mas, internacionalizando o debate, Oddie acrescenta mais uma opinião: a do hoje cardeal de Paris, André Vingt-Trois. Deu-a privadamente ao mesmo Oddie no final dos anos noventa, quando Dom Vingt-Trois era arcebispo de Tours. 

Durante um jantar comentaram o facto de que, na maioria das paróquias de Paris, não somente as leituras eram feitas majoritariamente por mulheres, como também eram as meninas que quase exclusivamente serviam ao altar. “O arcebispo Vingt-Trois disse que talvez o sacerdote não tivesse escolhido que todos os seus acólitos fossem meninas. ‘Quando chegam as meninas’, disse, ‘os meninos desaparecem’. E foi muito categórico ao afirmar que, ainda que houvesse outras causas, um dos fatores que contribuíam para a redução das vocações era este”. Um testemunho de uma década, e do influente presidente da conferência episcopal francesa, parece pois corroborar os argumentos do reitor Lankeit em Phoenix, onde o debate, agora internacionalizado, continua. 

in Religión en Libertad


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Vinde e ouvi!



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Um testemunho emocionado das JMJ - P.Luis Miguel Hernández

O momento mais impressionante da semana passada em Madrid por ocasião das JMJ foi para mim a vigília do Sábado à noite. A chuva e a trovoada contrastaram com o severo Sol espanhol, que nos acompanhou durante os dias passados na cidade. Mas, sobretudo, viu-se a verdade deste evento de maneira exemplar.

Cheguei ao aerodromo de Cuatro Vientos por volta das 16 horas, acompanhando um grupo de mil e duzentos universitários do Movimento de Comunhão e Libertação [uns 100 portugueses; uma dúzia de Alverca]. Já o nosso primeiro impacto ao chegar foi desarmante: o rio contínuo de jovens era mais do esperado e, na planície, ao tentar alcançar o sector E6 que nos tinha sido assignado, apercebemo-nos de que teria sido impossível entrar nele. A pesar de cada sector estar preparado para acolher umas 40 mil pessoas, e a distância ao palco ser já notável, parecia infinita a multidão de colchonetes e sacos-cama, mochilas e pessoas que os carregavam. Tivemos de nos instalar sobre uma pista de aterragem, próximos duma das saídas do campo militar, onde (acho eu) já não estava previsto alojar peregrinos. E os voluntários diziam-nos que ainda havia muita gente que esperava para entrar nas portas.

Uma vez encontrado o lugar para passar a noite, donde víamos de longe um écran grande como uma unha e ouvíamos pouco (se não fosse pelos rádios), ficámos a descontrair procurando os amigos, preparando os nossos mais ou menos sofisticados leitos e jantando alguma coisa antes da vigília com o Santo Padre. Sem saber o que se estava a aproximar, alegrámo-nos quando algumas nuvens cobriram o riguroso Sol madrileno. Os bombeiros, divertidos a banhar com as mangueiras os peregrinos mais acalorados, tiveram de ir embora.
Pelos altifalantes e pelo rádio anunciam que está a chegar Bento XVI. Percebe-se também pelos gritos de longe: «Esta é a juventude do Papa», canta-se, uma espécie de hino que nos acompanhou em cada encontro. Começam também outros gritos: são as primeiras pessoas a quem o vento está a levar os bonés, o lixo amontoado ou até o saco-cama. De facto, chegam algumas inesperadas lufadas de vento, que nos apanham por surpresa.

Enquanto o Santo Padre dà umas voltas pelos diferentes sectores e se aproxima do palco principal, ajudamo-nos a recolher todas as nossas coisas em pequenos montes, que os mais expertos e generosos cubrem com plásticos ou com lona e depois, não se sabe como chegou até cá, com uma vedação de metal.
Vivemos o momento com grande entusiasmo: enquanto que nos dias anteriores assistimos nas ruas à cerimónia de chegada e à via sacra, sabemos todos que o momento central das Jornadas é esta vigília e a Missa dominical. Esperamos do Papa palavras de conforto, de encorajamento, de fé. Já nos convidou a escutar a voz de Cristo, não como uma voz entre muitas, mas enraízando a nossa existência na busca da verdade. Sugeriu-nos que Deus nos quer responsáveis, inteligentes e livres, para poder falar com Ele e amá-Lo. Mas ainda aguardamos alguma sugestão, como fazer num mundo em que todos e tudo dizem o contrário.

Alguns trouxeram um impermeável ou um polar, mas eu não tenho nada para me cubrir. Sento-me com um chapéu-de-chuva numa mão e com um megafone na outra. Assim poderei traduzir do espanhol para aqueles que não têm rádio ou não conseguem ouvir. Terei à minha volta três ou quatro centenas de pessoas. Os rostos, cinzentos como o céu, olham para mim desejosos de ouvir. Por enquanto, não posso reproduzir os belíssimos cantos que escuto, e que durante a semana nos acompanharam numa liturgia sempre essencial, mas muito bem cuidada. Também ouvimos no fundo o hino desta JMJ: «Firmes en la fé, caminamos en Cristo».

O Papa é recebido segundo o protocolo, cumprimenta as autoridades e agora escuta cinco perguntas colocadas por jovens de todo o mundo: enquanto vou repetindo pelo megafone, a chuva cresce de intensidade de vez em quando, mas aumenta também a tensão para ouvir: são perguntas muito profundas. Um rapaz inglês, convertido, pergunta como ser fiel na procura da verdade; um jovem noivo fala do seu iminente casamento, e de como a moral da Igreja parece por vezes difícil de se viver; uma rapariga pede uma ajuda para permanecer fiel aos ideais que lhe fazem trabalhar em projectos de desenvolvimento, nos quais não vê frutos...

Acabadas as perguntas, a ventania chega também ao palco e ao próprio Santo Padre. Voam os papéis dele, e vemos pelo écran como é coberto por dois ou três chapéus-de-chuva. Aproximam-se dele os secretários e contaram-nos que disse: «Se os jovens ficam, eu também». Que grandeza humana! Alguns grupos de jovens cantam de novo, outros batem palmas; outros permanecem numa espera silenciosa. E Sérgio, sentado ao pé de mim, diz: «Rezemos juntos». Assim pomo-nos a rezar o terço. Era tão grande a minha impotência, que me pareceu uma voz providencial que me apelava à verdade do momento: «Santo Padre, estamos nas tuas mãos... Santa Maria, rogai por nós pecadores... Senhor, somos teus».
No rádio, informam que caiu a estructura duma das entradas ao aeródromo, um dos écrans gigantes e que talvez também o som já não funcionasse. A polícia está espantadíssima, porque não se produz o caos e ninguém sai do seu lugar (ao passo que num festival ou estádio qualquer, uma trovoada destas teria causado mortos, asseguram).

Depois de três dezenas, parece que o Papa retome a falar: «Caros amigos, obrigado pela vossa alegria e pela vossa resistência! O Senhor, com a chuva, mandou-nos muitas bênçãos...». Descontrai e toda a gente ri. Mas, num repente, salta as respostas às perguntas anteriores e começa as orações que dão lugar à adoração eucarística. O discurso estava preparado, mas não vai fazê-lo. Quer passar directamente ao tempo de silêncio perante o Sacramento, ao qual convida a todos. E quase dois milhões de jovens, os mesmos que tinham gritado, cantado, feito festa e invadido a cidade de Madrid, agora ficam em silêncio absoluto.

Foi incrível: tinha todos prontos a ouvi-lo, e nãon pronunciou o seu discurso para nos dizer quem é o verdadeiro protagonista das JMJ, quem é o verdadeiro centro da vida do Papa e a quem dirigir-nos não só hoje, mas sempre. Bento XVI, transparente da Presença bondosa de Deus.
Não houve um só coma etílico em toda a semana, diziam estupefactos os serviços de emergência da sanidade de Madrid. Porque, diante da verdade e da beleza destes dias, ninguém queria esquecer nem sequer um instante.


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Mulher canadiana presa por evangelizar em clínicas de aborto

Mary Wagner es una católica canadiense de 36 años que se dedica al apostolado pro-vida aun al precio de su libertad y ya no recuerda cuántas veces ha estado en prisión por defender la vida.

Esta semana, Mary –soltera, sin hijos y de escasos recursos económicos– comenzó a cumplir una nueva condena a 40 días de cárcel. Su delito es ingresar pacíficamente a un centro abortista y regalar rosas blancas con mensajes pro-vida a las mujeres que buscan abortar.

Según informa el sitio web ReligionenLibertad.com (ReL), Mary Wagner es "interna asidua de las cárceles de mujeres de Toronto y Columbia Británica", "devota del Rosario y la Madre Teresa, pequeña y frágil, dulce, nada amenazadora". "Su crimen es ofrecer apoyo y alternativas a las mujeres que se acercan a centros abortistas. Cuando la encierran, aprovecha para evangelizar a las internas", explica la nota.
Mary "ya ha perdido la cuenta de las veces que ha sido arrestada desde la primera, el 1 de febrero de 1999. Pero a ella no le importa: en la cárcel de mujeres ya la conocen, y aprovecha esas estancias para evangelizar. Y para consolar a las presas que han abortado".

Esta tenaz mujer creció en el seno de una familia numerosa y católica, sus padres fueron activistas pro-vida. Sin embargo, fue en la Jornada Mundial de la Juventud 1993 de Denver (EEUU), donde experimentó un despertar espiritual.

"En Denver pasó algo. Vio aquellos jóvenes incontables y su alegría especial. Con 19 años, Mary entendió ‘cómo Dios nos mira y nos ama a cada uno de nosotros de una forma cercana y personal’. Siempre había sabido que Dios ama, pero ahora entendía su protección y amor inagotable. Y eso, declaraba ya en una entrevista en el año 2000, ‘me hace sentir feliz, llena de gozo y puedo vivir como Cristo nos enseñó’", recoge ReL.

"En noviembre de 1999 la arrestaron por primera vez por violar el ‘área de seguridad’ de un centro abortista. Fueron sus primeras navidades en la cárcel".

"Su crimen es entrar en clínicas abortistas, en la sala de espera, o en el jardín ante la puerta de entrada, y repartir rosas blancas con una tarjeta a las mujeres que hay allí. En ella se puede leer: ‘Fuiste hecha para amar y ser amada. Tu bondad es más grande que las dificultades. Las circunstancias en la vida cambian. Una nueva vida, aunque sea diminuta, promete un gozo irrepetible. ¡Hay esperanza!’".

Esta semana, un juez de Toronto la declaró culpable de "uso y disfrute ilegal" de las instalaciones de la clínica abortista de Bloor West, cerca de Toronto, así como de "retrasar el desarrollo del negocio".

Los testigos afirmaron que "Mary había sido amable, tranquila, pacífica en su trato con las mujeres de la clínica, pero al juez le dio igual".

Mary aprovecha su encarcelamiento para evangelizar. "En la cárcel de mujeres reparte folletos sobre la Biblia y la Iglesia. Escucha a las mujeres que han abortado (el 90% de las presas), llora con ellas, reza con ellas".

"Para cuando salgan, les recomienda centros que ayudan a la mujer a superar el trauma post-aborto. Recibe visitas y cartas. La gente pro-vida le visita, como hacían los primeros cristianos con sus presos encarcelados por el César. Mary reza mucho: ¿dónde la quiere enviar Dios la próxima vez?"
Mary Wagner puede recibir cartas de apoyo en prisión, a través de la dirección:
Vanier Centre for Women
665 Martin St
Milton, Ontario
L9T 5E6
CANADA

in aciprensa


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terça-feira, 20 de setembro de 2011

A santa vergonha - João César das Neves

Um dos fenómenos culturais mais interessantes da actualidade é a atitude de muitos católicos perante a história da sua Igreja. Numerosos fiéis, sem deixarem de ser devotos e dedicados, costumam alinhar com a sociedade num coro de censuras à própria instituição a que pertencem, o que constitui sem dúvida um facto insólito. Nenhuma comunidade é tão autocriticada quanto a eclesial.

Basta alguém referir as realizações cristãs no mundo para isso suscitar irritação da parte dos adversários da Igreja, o que é normal, mas também de muitas pessoas que fazem questão de se afirmar católicos praticantes, mas incapazes de ouvir esses elogios sem alegar críticas. O cânone da irritação é bem conhecido: Inquisição, Cruzadas, poder temporal do Papado, agora pedofilia, etc. O problema desta atitude não está na verdade do que afirma, que é indiscutível, mas que não se dê conta de como é descabida e injusta.

Imagine alguém que, ouvindo outrem admirar-se dos extraordinários avanços da Medicina em curas espantosas, discordasse referindo as atrocidades dos antigos cirurgiões-barbeiros e tropelias de curandeiros e charlatães. Ninguém disputa a veracidade desses casos, mas eles são totalmente irrelevantes para a discussão. O facto de se terem cometido múltiplos erros médicos ao longo dos séculos, aliás inevitáveis, e ainda hoje muitos abusarem da condição terapêutica, nada tem a ver com a justa admiração pelas ciências da saúde. Suponha que, falando-se do papel decisivo da Alemanha no combate à actual crise europeia, alguém se indignasse pelos horrores cometidos pelos nazis ou cavaleiros teutónicos. Essas barbaridades são indubitáveis, mas invocá-las a este propósito seria justamente considerado preconceito e xenofobia.

Ora essas atitudes, inadmissíveis na consideração da história de qualquer profissão, ciência, comunidade ou povo, acontecem a cada passo quando se fala da Igreja, sem que ninguém note o evidente despropósito. Pior que isso, uma avaliação justa e serena de tais críticas mostra-as também sumamente injustas.

A Igreja acumulou ao longo dos séculos inúmeros erros, abusos, conflitos, violências e injustiças. Isso é inaceitável, mas infelizmente comum a todas as instituições humanas. Só que, além disso, ela tem algo que é muito difícil de encontrar nos outros: uma incomparável história de santidade, caridade, fraternidade e heroicidade, junto com inúmeras realizações sociais, intelectuais e artísticas, sem par em instituições comparáveis. É impossível enumerar os contributos que a Igreja deu à civilização, educação, saúde, assistência e equilíbrio social, um pouco por todo o lado e em todos os séculos. Além disso gerou efeitos únicos, como a conservação da cultura clássica nos mosteiros, a criação das universidades e de múltiplas formas de arte sacra e profana, inúmeros campos da filosofia, ciência, junto com contributos na economia, diplomacia, progresso social e muito mais. A Igreja é realmente única em termos históricos.

Finalmente, mesmo considerando o cânone da injúria, a realidade mostra-se muito diferente da imagem. A grande maioria das pessoas que enche a boca com a Inquisição, Cruzadas e afins, pouco sabe sobre elas, para lá de vulgarizações distorcidas de autores anticatólicos. A historiografia séria, sem negar as terríveis atrocidades, aliás comuns na época, mostra por exemplo que os tribunais da Inquisição se distinguiam, face aos juízes de então, pela benevolência e absolvição e que o Papado e hierarquia frequentemente procuraram controlar os seus abusos, motivados por interesse de reis. As Cruzadas foram, não uma agressão, mas reacção ao expansionismo turco, aplaudida pelos árabes do tempo, oprimidos pelos invasores orientais.

O magno ataque dos últimos séculos contra o Cristianismo mudou a face cultural do Ocidente, mas a Igreja sobreviveu e encontrou novas formas de existir e se exprimir. Numa dimensão, no entanto, o ataque foi largamente vitorioso: conseguiu que muitos católicos se envergonhem hoje da gloriosa história da sua fé.


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Os protestantes e a Bíblia



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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Frase do dia

"A amargura da provação sempre é adocicada pelo bálsamo da divina misericórdia." 

S. Pio de Pietrelcina


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A paz no meio da guerra

A freira peregrina e os manifestantes anti-papa em Madrid


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domingo, 18 de setembro de 2011

Quatro passos a dar quando alguém nos ofende ou faz mal

Em Castelgandolfo, o Papa dirigiu algumas palavras
muito práticas sobre: a correcção fraterna.

Bento XVI recorda que "os dez mandamentos
e todos os outros preceitos se resumem neste:
Amarás ao próximo como a ti mesmo'", e que
por sua vez "o amor fraterno implica um
sentido de responsabilidade mútua".

Esta é a base da correcção fraterna: "Se um irmão
cometer uma falta contra mim, devo usar de
caridade para com ele".

Mas como? Bento XVI, seguindo os Evangelhos
e S. Paulo, descobre quatro passos.

"Primeiro, falar-lhe pessoalmente, fazendo-lhe
ver que o que disse ou fez não é bom.
Esta forma de agir chama-se correcção fraterna
e não é uma reacção à ofensa sofrida, antes se
deve ao amor pelo irmão", diz o Papa Ratzinger,
e cita Santo Agostinho: "Quem te ofendeu, ao ofender-te 
casou a si mesmo uma grave ferida. Como é que te
poderias despreocupar com a ferida de um teu irmão?
Deves esquecer a ofensa que recebeste,
mas não a ferida do teu irmão".

Segundo passo: e se o meu irmão não me ouvir?
"Voltar a falar com ele diante de duas ou três
pessoas, para o ajudar melhor a tomar consciência
do que fez".

Se, apesar disso, "ele rejeitar a observação"...
o terceiro passo é: "Dizê-lo à comunidade".

Em quarto e último lugar, "se nem sequer escutar 
a comunidade, deverá ser advertido do afastamento
que ele mesmo causou, separando-se da comunhão da Igreja".

Tudo isto, conclui o Papa depois de relembrar a importância
da oração comum, porque "existe uma corresponsabilidade
no caminho da vida cristã, e todos, conscientes dos próprios
limites e defeitos, estão chamados a aceitar a correcção fraterna
e a ajudar os outros com este singular serviço", que exige
"muita humildade e simplicidade de coração".


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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Capelão militar ostenta insólita coleção de solidéus papais

O jornal Catholic Herald difundiu a curiosa história do sacerdote Kevin Peek, um capelão militar que ostenta uma colecção de solidéus papais obtidas graças a uma pouco conhecida tradição eclesiástica.

"Há uma tradição muito antiga segundo a qual, se você compra um solidéu branco na alfaiataria do Papa e o sustenta durante uma audiência papal, a Guarda a Suíça se encarregará de o trocar por aquele que o Papa leva nesse momento", relatou o sacerdote.

O solidéu é o barretinho liso e em forma de calota com que o Papa, os bispos e outros dignitários eclesiásticos cobrem a parte superior da cabeça.

A alfaiataria Gammarelli, estabelecida em 1798, já serviu a cinco Papas. Ela conta com uma ampla variedade de vestes religiosas, entre elas casulas e mitras, além disso do solidéu papal que vale 50 dólares. O Padre Peek, sacerdote da Arquidiocese de Atlanta e que recentemente iniciou o serviço de capelão do exército no Afeganistão, pôde obter nos últimos 16 anos obteve três solidéus usados por três Papas diferentes, os quais conserva em uma urna de cristal.

O primeiro obteve-o sendo ainda seminarista em Dezembro de 1996. Sua classe viajou a Roma e pôde estar numa Missa com o Beato João Paulo II. Enquanto seus companheiros passeavam por Roma, o Padre Peek comprou um solidéu na Gammarelli. Durante a Missa na capela privada do Papa, esteve sentado na parte de trás para ser um dos últimos em sair da capela e terminar na parte dianteira da linha dos seminaristas à espera de reunir-se com o Papa. Depois que o Papa o saudou e lhe deu um terço, o Padre Kevin tirou o solidéu e o mostrou ao secretário do agora Beato.

O secretário pensou por momentos que todos os seminaristas tinham levado um solidéu, mas lembrou-se da tradição e realizou-se o intercâmbio. No final da audiência, o secretário pediu que devolvesse o solidéu e entregou-lhe o que tinha comprado. Para o Padre Kevin é um tesouro ter um solidéu que o Beato João Paulo II usou por 40 minutos.

Dez anos mais tarde, o Padre quis repetir a façanha com o Papa Bento XVI. Esta vez durante uma audiência geral das quartas-feiras no Vaticano. O sacerdote fez todo o possível para que a Guarda Suíça percebesse que levava um solidéu novo, mas não perceberam. Vendo que estava a perder a sua oportunidade, o sacerdote ousou saltar as grades que separam o público da área onde o Papa Bento XVI se reunia com um pequeno grupo e conseguiu chamar a atenção do Pontífice. O próprio Papa Bento XVI, que "ama este tipo de tradições", aproximou-se do Padre Peek, tomou o solidéu novo e entregou-lhe o que estava usando. A multidão que o rodeava ficou atónita, e todos queriam saber o que tinha acontecido.

O terceiro solidéu papal do Padre Peek chegou por uma rota diferente. Um sacerdote já ancião da arquidiocese de Atlanta tinha um solidéu usado pelo Papa Pio XII e se preocupava de que, uma vez morto, ninguém gostaria o suficiente da sua valiosa posse para cuidar dela. Quando ouviu a história do Padre Peek, o sacerdote enviou-lhe o solidéu por correio. in ACI


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