quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A confissão - Catecismo da Igreja Católica §§ 1455-1458

A confissão (a acusação) dos pecados, mesmo de um ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita nossa reconciliação com os outros. Pela confissão, o homem encara de frente os pecados de que se tornou culpado; assume a sua responsabilidade e, desse modo, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, para tornar possível um futuro diferente.

A confissão ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da Penitência: [...] «Quando os cristãos se esforçam para confessar todos os pecados de que se lembram, não se pode duvidar de que os apresentam todos ao perdão da misericórdia divina. Os que procedem de modo diverso, e conscientemente ocultam alguns, esses não apresentam à bondade divina nada que ela possa perdoar por intermédio do sacerdote. Porque, 'se o doente tem vergonha de descobrir a sua ferida ao médico, a medicina não pode curar o que ignora'» (Concílio de Trento; S. Jerónimo).

Segundo o mandamento da Igreja, «todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição, está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano». [...] Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas (pecados veniais) é contudo vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele (Lc 6,36): «[...] Quando começas a detestar o que fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más. O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à 1uz» (St. Agostinho; Jo 12,13).


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Frase do dia

"Ser santo não significa ser superior aos outros; antes, o santo pode ser muito débil, pode ter cometido tantos erros na sua vida. A santidade é este contacto profundo com Deus, fazer-se amigo de Deus: é deixar agir o Outro, o Único que realmente pode fazer com que o mundo seja bom e feliz." 

Cardeal Ratzinger (06/10/2002)


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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O astronauta e o Cristo

Neil Armstrong visitou Jerusalém em 1988, e pediu a Thomas Friedman que lhe mostrasse um lugar por onde tivesse caminhado Jesus. Quando o professor de arqueologia bíblica o levou aos restos das escadas do tempo de Herodes, o astronauta disse: “Significa mais para mim ter pisado estas escadas do que ter pisado a lua.


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domingo, 26 de agosto de 2012

De 5 em 5 minutos um cristão é morto por causa da sua fé




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Frase do dia

"A tolerância não é uma virtude cristã. Caridade, justiça, misericórdia, prudência, honestidade...essas são virtudes cristãs!" 

D. Charles Chaput, O.F.M.


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sábado, 25 de agosto de 2012

A soberba - S. Josemaria Escrivá

Ouvimos falar de soberba e talvez pensemos numa atitude despótica e avassaladora, com grande barulho de vozes que aclamam o triunfador que passa, como um imperador romano, debaixo dos altos arcos, inclinando a cabeça, pois teme que a sua fronte gloriosa toque o alvo mármore...

Sejamos realistas. Este tipo de soberba só tem lugar numa fantasia louca. Temos de lutar contra outras formas mais subtis, mais frequentes: o orgulho de preferir a própria excelência à do próximo; a vaidade nas conversas, nos pensamentos e nos gestos; uma susceptibilidade quase doentia, que se sente ofendida com palavras ou acções que não são de forma alguma um agravo... Tudo isto, sim, pode ser, é uma tentação corrente. O homem considera-se a si mesmo como o sol e o centro dos que estão ao seu redor. Tudo deve girar em torno dele. Por isso, não raramente acontece que ele recorre, com o seu afã mórbido, à própria simulação da dor, da tristeza e da doença: para que os outros se preocupem com ele e o mimem.

(...) A sua amargura é contínua e procura desassossegar os outros, porque não sabe ser humilde, porque não aprendeu a esquecer-se de si mesmo para se entregar, generosamente, ao serviço dos outros por amor de Deus. (Amigos de Deus, 101)


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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Frase do dia

"Domina o teu orgulho, a tua irritabilidade e a tua inveja." 

S. Pio de Pietrelcina


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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Angelus 19/08/2012 - Grande Papa Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs! O Evangelho deste domingo (cf. Jo 6, 51-58) é a parte final e principal do discurso feito por Jesus na sinagoga de Cafarnaum, depois de no dia anterior ter alimentado milhares de pessoas com apenas cinco pães e dois peixes. Jesus revela o significado deste milagre, ou seja, que o tempo das promessas foi cumprido: Deus Pai, que com o maná tinha alimentado os israelitas no deserto, agora o enviou, o Filho, como verdadeiro Pão de vida, e este pão é a sua carne, a sua vida, oferecida em sacrifício por nós. Trata-se, portanto, de acolhê-lo com fé, não escandalizando-se da sua humanidade; e trata-se de "comer a sua carne e beber o seu sangue" (cf. Jo 6, 54), para ter em si mesmos a plenitude da vida. É evidente que este discurso não teve a intenção de atrair consensos. Jesus sabe disso e pronuncia-o intencionalmente; e de facto aquele foi um momento crítico, uma reviravolta na sua missão pública. 

As pessoas, e os mesmos discípulos, estavam entusiasmados com Ele quando cumpria sinais prodigiosos; e também a multiplicação dos pães foi uma clara revelação de que Ele era o Messias, tanto que, logo após, a multidão quis elevar Jesus e fazê-lo rei de Israel. Mas essa não era a vontade de Jesus, que justamente com aquele longo discurso trava os entusiasmos e provoca muitas discordâncias. Ele, de facto, ao explicar a imagem do pão, diz ter sido enviado a oferecer a sua própria vida, e quem quiser segui-lo deve unir-se a Ele de modo pessoal e profundo, participando do seu sacrifício de amor. É por isso que Jesus vai instituir o Sacramento da Eucaristia: para que os seus discípulos possam ter em si mesmos a sua caridade - isto é crucial - e, como um único corpo unido a ele, estender no mundo o seu mistério de salvação. 

Ao ouvir este discurso, a multidão percebeu que Jesus não era um Messias como eles queriam, que aspirasse a um trono terreno. Ele não procurava aprovação para conquistar Jerusalém; na verdade, queria ir a Cidade Santa para compartilhar a sorte dos profetas: dar a vida por Deus e pelo povo. Aqueles pães, partidos para milhares de pessoas, não queriam provocar uma marcha triunfal, mas antecipar o anúncio do sacrifício da Cruz, no qual Jesus se torna Pão, corpo e sangue oferecidos em expiação. Jesus, então, deu aquele discurso para desiludir as multidões e, acima de tudo, para provocar uma decisão em seus discípulos. De facto, muitos destes, desde então, não o seguiram mais. 

Queridos amigos, deixemo-nos também surpreender pelas palavras de Cristo: Ele, grão de trigo lançado nos sulcos da história, é a primícia da humanidade nova, livre da corrupção do pecado e da morte. E voltemos a descobrir a beleza do Sacramento da Eucaristia, que expressa toda a humildade e a santidade de Deus: o seu fazer-se pequeno, Deus se faz pequeno, fragmento do universo para reconciliar todos no seu amor. Que a Virgem Maria, que deu ao mundo o Pão da vida, nos ensine a viver sempre em união profunda com Ele.


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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Os nossos irmãos na Síria

“No domingo celebrei a Missa para a pequena comunidade que se atreveu a aparecer. Foi a primeira vez na vida que celebrei em tais circunstâncias, com tiros e disparos como ruído de fundo. Foi muito difícil. Procurei que a celebração da Santa Missa nos desse fortaleza e rezámos intensamente pela paz. No final, os fiéis abraçaram-me emocionados. Continuavam a sentir temor e medo, mas agora tinham a força do Espírito.” 

De acordo com este sacerdote, a cidade viveu, nas últimas horas, uma calma fantasmagórica, depois dos tumultos e combates da semana passada. Sem pão e com carência de outros alimentos, sem electricidade nem gás e com um calor acima dos 43º, o quotidiano torna-se difícil. 

in Ajuda à Igreja que Sofre


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Frase do dia

"Quando Maria se aproxima, o diabo foge - tal como as trevas se dissipam quando o sol nasce. Onde Maria está presente, Satanás está ausente; onde brilha o sol, não existe escuridão." 

Papa Pio XII  (08/12/1953)


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terça-feira, 21 de agosto de 2012

domingo, 19 de agosto de 2012

O sentido trágico do amor - José Luís Nunes Martins

Todo o homem tende naturalmente para o amor. Acontece que o conceito comum de amor corresponde de forma quase universal a uma ideia genérica, ambivalente e, tantas vezes, errada, porque tão irreal. Amar é dar-se. Entregar a própria essência a um outro, lutando em favor dele. De forma pura e gratuita, sem esperar outra recompensa senão a de saber que se conseguirá ser o que se é. Amar, ao contrário do que julgam muitos, não é uma fonte de satisfação... Amar é algo sério, arrebatador e tremendamente desagradável. Quem ama sabe que isso mais se parece com uma espécie de maldição do que com narrativas infantis de final invariavelmente feliz...

Cavaleiros valentes e princesas encantadas são, no entanto, excelentes metáforas que pretendem passar a ideia da coragem e da nobreza de carácter essenciais a quem ama. Ama-se quando se é capaz de se ser quem é, verdadeiramente. Esta luta heróica pelo valor da essência do outro não está ao alcance de todos. A maior parte das pessoas são egocêntricas, alegram-se a entrançar os seus egoísmos em figuras improvisadas de resultado sempre disforme a que teimam chamar amor. Talvez porque assim consigam disfarçar o vazio que é a prova de quão frustrante, frívola e inútil é a sua passagem por este mundo.

Quando alguém ama verdadeiramente, perde-se. A busca por uma felicidade própria não faz sentido. Sem tempo nem espaço para pousar a cabeça, aquele que ama oferece-se generosamente ao outro num caminho por onde quase nunca é de manhã. O sofrimento aparece como a ponte por onde se deve entrar num mundo onde a felicidade não tem nada em comum com os amores daqui. Amar é cumprir uma vida com força, sentido e valor. A paz que serve de base ao amor nasce e alimenta-se da certeza que a vida que vivemos não é nossa, foi-nos oferecida com a condição e o propósito de amarmos.

Quando se ama, caminha-se por cima do nada. Mas se, a qualquer instante, se deixa de acreditar e se busca a firmeza de um chão, cai-se imediatamente no abismo por cima do qual antes se voava, num milagre que a inteligência não consegue nem conceber nem abarcar. O amor não é racional, não é humano. É a verdade pura que não se apreende com a inteligência comum. As palavras pouco dizem, pouco ensinam, entretém quem não quer viver... é preciso uma grande humildade para se compreender que nem tudo pode ser compreendido. Acreditar no amor, com o coração, é sentir a força de uma mão intangível, que nos traz, nos leva e, por vezes, nos alenta... outras nos testa pela dor profunda.

Amar é escolher um caminho por entre infinitas encruzilhadas. A eleição de um é a renúncia de todos e de cada um dos demais, através de uma fé que é substância da esperança e tem forma do sonho. Amar é escolher um caminho e fazê-lo... a partir do nada. Só pela angústia do amor é que o espírito humano se torna digno de se assenhorear de si mesmo. A raiz do mal está na inércia dos espíritos que tentam bastar-se a si mesmos... na preguiça – que é o maior de todos os pecados, porque faz com que o homem se contente com o que tem, deixando de querer ser o que é. Amar é dar a própria vida. De braços estendidos. Numa atitude perante o mundo semelhante à de um mendigo que estende a sua mão à caridade do estranho que passa... a solidão profunda de quem sente a terra tremer-lhe por baixo da alma que lhe segura os pés.
Eis a maior de todas as riquezas: Ser-se pobre por se ter dado tudo. Amar apesar da vontade de ser feliz.


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Já chega de rebaldaria!




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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A pobreza de Jesus - Santo Afonso-Maria de Ligório

Jesus Cristo nasceu pobre, e pobre viveu toda a Sua vida; e não pobre, apenas, mas indigente, mendigo, para usarmos a expressão de São Paulo (2Co 8,9). [...] Em Nazaré, Jesus vive de forma pobre: «uma casa pobre, com uns móveis pobres, assim é o alojamento que o Criador do mundo escolheu». Ali vive de maneira humilde, ganhando o pão com o suor do Seu rosto, trabalhando arduamente, como todos os operários e filhos de operários. Ainda assim, não é verdade que os judeus não acreditavam n'Ele, e que lhe chamavam «o filho do carpinteiro»? (Mc 6,3; Mt 13,55). Depois, aparece em público para pregar o Evangelho. Durante esses três últimos anos da Sua vida, longe de melhorar a Sua forma de subsistência, pratica uma pobreza ainda mais rigorosa, e sobrevive de esmolas. 

A um homem que O queria seguir na esperança de passar a viver com maiores comodidades, responde: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» Homem, quer Ele dizer, se, por Me seguires, pensas que vais conseguir ter uma vida mais abastada, enganas-te, porque eu vim à Terra ensinar a pobreza. Nesse propósito, tornei-Me mais pobre do que as raposas e os pássaros, que pelo menos têm abrigos; neste mundo, não tenho de Meu a mais ínfima parcela de terra onde possa repousar, e quero que os Meus discípulos sejam como Eu. [...] «Um servo de Jesus Cristo possui a Jesus Cristo e nada mais», afirma São Jerónimo. Nem sequer deseja possuir o que quer que seja, mas apenas a Jesus. Em suma, Jesus viveu sempre pobre, e pobre morreu: pois não teve de ser José de Arimateia a dar-Lhe o túmulo, e outros ainda a fazerem-Lhe a esmola de uma mortalha para o corpo?


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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

A Assunção da Virgem, Peter Paul Rubens (1625)

Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles
que têm recorrido à vossa protecção,
implorado a vossa assistência,
e reclamado o vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança,
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro,
de Vós me valho e,
gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos Vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas,
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai-Vos
de as ouvir propícia
e de me alcançar o que Vos rogo. Amen.


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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Desporto por desporto - João César das Neves

A sociedade moderna, cortando as relações com o transcendente, teve de arranjar mitologias, cultos, teologias para se inspirar. O desporto, como a ciência, música e heroísmo, é um elemento central dessa espiritualidade. Os atletas alegadamente mostram o melhor do ser humano, esquecendo misérias, desgraças e maldades, promovendo a auto-superação, camaradagem, colaboração e paz. Os Jogos Olímpicos são a grande celebração mundial da mística, proclamando bem alto este evangelho.

Mas existe um abismo entre desporto e a alta competição dos certames mundiais que bate recordes. Aí a situação aproxima-se do que a sociedade moderna mais se orgulha de erradicar: a escravatura. O facto de ser voluntária e rodeada de fama não a redime. Torna-a paradoxal.

A vida dos atletas manifesta bem este paralelo. Treinos, dietas, disciplina, lesões, exaustão e sofrimento são coisas que, se fossem impostos a alguém, seriam consideradas campo de concentração. Além disso, há a rivalidade, obsessão pelas marcas, pressão psicológica, humilhações, violência moral, isolamento, exclusividade que são brutais. Até o mandamento central desta fé, levar-se a si próprio ao extremo, é vicioso, pois a virtude está no equilíbrio e moderação. A vida de atleta é, realmente, bastante miserável, destruindo a humanidade, em vez de a ampliar, como garante a mística.

O dogma oculta a verdade com um truque. Não nega a violência e angústia, mas, centrando a atenção nos vencedores, garante que tudo vale a pena perante a alegria do sucesso e a glória da vitória. Mas, ao contrário dos filmes de aventuras, os adversários vencidos não são vilões malvados. São outros atletas, que também pagaram os custos altíssimos, também forçaram e esfrangalharam a sua humanidade, tendo como única recompensa vergonha e fiasco.

A isto junta-se extrema injustiça e impiedade, oculta debaixo do rigor dos resultados. Com os níveis a que chegaram os recordes, o fracasso acontece por milésimos de segundo, centímetros, queda na pirueta, pequeno deslize, ligeira indisposição. Esse nada deita a perder anos de trabalho brutal, que valem zero. E o injustiçado, que se escravizou voluntariamente, nem sequer pode protestar contra o cronómetro, a fita métrica e evidência dos árbitros. Só tem de desaparecer e tentar outra vez, se ainda tiver idade.

Isto aponta outra evidente falha da mística: desporto é para jovens saudáveis. Uma fé que apenas dá sentido à vida a alguns durante uns anos, não presta. Os apóstolos defendem-se dizendo que desporto é para toda a vida, sendo a alta competição apenas dos mestres, como os mosteiros e eremitérios na religião. Mas no desporto, ao contrário da religião, vitória e fama fazem parte da mística. A falsidade da tese vê-se na vida posterior dos grandes atletas.

Tirando o pequeno punhado de superestrelas que vive da celebridade, à esmagadora maioria dos desportistas, mesmo grandes campeões, espera-os anos de nostalgia, anonimato, até miséria, pois muitos desperdiçaram a juventude sem aprender uma profissão útil. A mística tenta esconder a verdade, celebrando glórias passadas, mas ela por vezes emerge, como no filme Belarmino (Fernando Lopes, 1964) ou nas notícias recorrentes de ex-campeões que vendem as medalhas para comer.

É verdade que estes são precisamente os pontos em que toca o espírito olímpico. Ao contrário dos campeonatos, os Jogos dirigem-se a amadores, pessoas que praticam desporto por desporto, não por obrigação. Participar é mais importante do que vencer ou bater recordes. Esta é a teoria, muito longe da realidade. Repetidamente se ouvem os sumo sacerdotes lamentar a perda do espírito olímpico. Em grande medida, os Jogos são apenas mais um campeonato, para os mesmos profissionais que batem o circuito. Mas o mal estava na origem: se apenas interessa a prática, porquê criar medalhas e podium?

O desporto é uma excelente actividade humana, como a arte ou ciência, mas, como elas, não suporta ser erigida em finalidade de vida. O desporto só é desporto se for praticado por desporto.


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Frase do dia

"Ofereça a Nossa Senhora o seu sofrimento, sem se lamentar." 

S. Pio de Pietrelcina


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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Prato do Papa Bento XVI (twitter do Cardeal Gianfranco Ravasi)




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Santidade e humildade - Beata Teresa de Calcutá

Para nos tornarmos santos, precisamos de humildade e oração. Jesus ensinou-nos a rezar e também nos disse para aprendermos, seguindo o Seu exemplo, a ser mansos e humildes de coração. Só alcançaremos uma e outra coisa se soubermos o que é o silêncio. Tanto a humildade como a oração provêm de um ouvido, de uma inteligência e de uma língua que provaram o silêncio junto de Deus, pois Deus fala no silêncio do coração. Esforcemo-nos verdadeiramente por aprender a lição de santidade de Jesus, cujo coração era manso e humilde. 

A primeira lição dada por este coração é a de examinarmos a nossa consciência, sendo que o resto – amar, servir – surge logo a seguir. Este exame não é exclusivamente da nossa competência, mas releva de uma colaboração entre nós e Jesus. 

Não vale a pena perder tempo a contemplar inutilmente as nossas misérias; trata-se, isso sim, de elevar o coração a Deus e deixar que a Sua luz nos ilumine. Se fores humilde, nada te afectará, nem a lisonja, nem a desgraça, pois saberás o que és. Se te repreenderem, não te sentirás desencorajado; e se alguém te disser que és santo, não te colocarás num pedestal. Se fores santo, agradece a Deus; se fores pecador, não te fiques por aí. Cristo diz-te para aspirares muito alto: não para seres como Abraão ou David, ou como qualquer outro santo, mas como o nosso Pai celeste (Mt 5,48). «Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi» (Jo 15,16).


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domingo, 12 de agosto de 2012

A Catholic Joke

The children were lined up in the cafeteria of a Catholic elementary school for lunch. At the head of the table was a large pile of apples. The nun made a note, and posted on the apple tray: "Take only ONE. God is watching."

Moving further along the lunch line, at the other end of the table was a large pile of chocolate chip cookies. A child had written a note, "Take all you want.
God is watching the apples."


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O bem que me foi dado - Rui Corrêa de Oliveira

Deus criou o homem à Sua imagem e destinado para o bem. A experiência do mal, nos pequenos e grandes problemas da vida, levam-me a esquecer como fui feito para o bem e para a felicidade. Mais ainda, fui feito por Deus «à imagem da Sua própria natureza». Este desígnio de Deus sobre mim, quando dele tomo consciência, deixa-me extasiado pela dignidade de que sou portador. Em vez de fixar o meu coração nesta certeza, vivo mais tempo vergado pelo peso dos meus problemas do que alegre e agradecido por tão grande dom. 

É injusto que eu viva assim, esquecido daquilo para que fui feito, e de quanto bem me foi dado, porque Deus que fez todas as coisas, viu que tudo era bom. Em tempos como os que vivemos, objectivamente dramáticos, é preciso que eu faça memória desta bondade original em que fui criado e no bem que está em tudo o que vejo e me rodeia. 

 Ajuda-me Senhor a libertar-me de um viver resignado, e a abrir o meu coração a todo bem que a vida traz, ainda que manchado por dor ou sofrimento. Porque, mesmo assim, tudo concorre para o meu bem e salvação.


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sábado, 11 de agosto de 2012

Dia de Santa Clara de Assis




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A autenticidade não é um valor em si - José Luís Nunes Martins

De entre as virtudes da vida quotidiana, uma das que vai sendo cada vez mais difícil de encontrar é a autenticidade. Trata-se da capacidade de uma pessoa ser quem é; uma rectidão no sentir, pensar e agir que não é condicionada por qualquer outro factor senão pela essência da pessoa em questão. Infelizmente, hoje são cada vez mais as pessoas que consideram ter o direito de mentir. Uma espécie de medo de si mesmas que as leva a não ser o que são, tentando ser quem não são, numa mentira da qual são as principais vítimas...

Este mal enraíza-se na ideia errada de que se é pobre. Mas a verdadeira riqueza não consiste em ser uma multiplicidade de pessoas, mas em ser-se senhor da única que se é e respeitá-la.

A verdade é sempre dura. Aceitá-la é o melhor dos primeiros passos de um caminho para a conseguir alterar. A autenticidade reconhece a humildade e, por isso mesmo, aceita a verdade. Parte daí e segue adiante, numa lógica de continuidade e mudança sustentadas. Sem artifícios, mentiras ou escapes. É certo que se espera que cada um de nós se adapte a cada situação, mas isso é bem diferente de se estar disponível para recomeçar sempre tudo do zero, sem história nem lógica.

No mundo hoje, há quem defenda que se pode agir de forma incorreta se deste modo se conseguir corrigir as injustiças de que se é vítima. Defende-se até que se trata de uma mera questão de sobrevivência... chamam qualidade a esta capacidade de plasticamente se adaptarem a qualquer circunstância, mas que incapacita qualquer homem da verticalidade de, mesmo tendo os pés na lama, conseguir erguer-se, levantando-se e elevando a cabeça até bem perto das nuvens. Respeitando-se.

Inautêntico é todo aquele que encara o mundo e os outros com má fé. Furta-se a todos os tipos de responsabilidade. Tem listas enormes de culpados que garantem álibis para cada um dos mais pequenos erros eventual e realmente relacionados consigo próprio. Pessoas autênticas são raras, a sociedade enquanto entidade tende a aniquilar as diferenças, principalmente as que põe a nu os aspectos mais nauseabundos da maioria. A rectidão de uns revela de forma inequívoca a indigência moral dos outros.
Os autênticos reconhecem-se, mas são poucos. Muito poucos. A autenticidade é elogiada por todos mas encontra-se quase sempre a morrer de frio... sem um abraço sequer.

Ser recto é ser autêntico. É respeitar a sua essência, assumindo-a de forma simples, na sua maior pura. Conduzir a vida de acordo com os sonhos, lutando a cada passo com lodo que tenta prender os pés. Cair e levantar-se, cair e levantar-se, cair e levantar-se... Esta determinação simples não é uma pobreza. Bem pelo contrário. A pureza é sempre simples.

Devemos pois reconhecer que cada um de nós é alguém que se determina a si mesmo; que não podemos nunca deixar de tomar decisões, não podemos escolher não escolher e, porque cada gesto nosso é resultado de uma eleição íntima, somos sempre responsáveis pelos nossos gestos. Mesmo quando se decide não fazer nada, será também algo pelo qual seremos chamados a responder... pela nossa consciência, se ainda a conseguirmos escutar. Infelizmente, há muitos que parece já terem conseguido inativar este mecanismo inteligente que detecta as diferenças entre o que é e o que devia ser e nos avisa... nos teima em manter numa linha onde seremos mais quem somos, e bem melhores... Vivendo sempre de acordo com a nossa identidade e os sonhos que implica.

Em qualquer caso, mesmo o mais pobre dos homens não está isento do dever de ser recto. Afinal, quem não é recto, ainda que tenha tudo o mais em abundância, é um verdadeiro miserável. Nada é. Autenticamente.


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Catecismo da Igreja Católica §§ 830-835

A Igreja é católica: a palavra «católica» significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade» ou «segundo a integralidade» «A Igreja é católica em duplo sentido: é católica porque nela Cristo está presente. 'Onde está Cristo Jesus, está a Igreja católica'.» (Santo Inácio de Antioquia); nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça (Ef 1,22-23). Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e sê-lo-á sempre, até o dia da Parusia. Ela é católica porque é enviada em missão por Cristo à universalidade do género humano (Mt 28,19). «Todos os homens são chamados a pertencer ao novo Povo de Deus. 

Por isso este Povo, permanecendo uno e único, deve estender-se a todo o mundo e por todos os tempos, para que se cumpra o desígnio da vontade de Deus, que no início formou uma natureza humana e finalmente decretou congregar os Seus filhos que estavam dispersos». (Vaticano II, LG 13). Cada igreja particular é católica. Essas Igrejas particulares «são formadas à imagem da Igreja universal; é nelas e a partir delas que existe a Igreja católica una e única» (LG 23). As Igrejas particulares são plenamente católicas pela comunhão com uma delas: a Igreja de Roma, «que preside à caridade» (Santo Inácio de Antioquia). «Pois com esta Igreja, em razão da sua origem mais excelente, deve necessariamente concordar cada Igreja, isto é, os fiéis de toda a parte» (Santo Ireneu). A rica variedade de disciplinas eclesiásticas, de ritos litúrgicos, de patrimónios teológicos e espirituais próprios das Igrejas locais «mostra mais luminosamente a catolicidade da Igreja indivisa, devido à sua convergência na unidade» (LG 23).


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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Férias de Deus? Não, obrigado!



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Frase do dia

"Na noite da Última Ceia, os Apóstolos estavam a discutir qual deles teria o primeiro lugar. Nessa altura Nosso Senhor ajoelhou-se, lavou os pés deles e secou-os com uma toalha. Quão poucos há a lutar pela toalha." 

Venerável Fulton Sheen


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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ilyas Khan: Um muçulmano que abraçou a Igreja

Existem muitos muçulmanos que gostariam de renunciar ao islão para abraçar o cristianismo. No entanto, na maioria dos casos, o medo da perseguição impede-os de o fazer. Mesmo assim, existem aqueles que têm a coragem de fazer tomar essa decisão, não só na intimidade do coração, mas afirmando-a publicamente no site do jornal National Catholic Register.

É o caso de Ilyas Khan, filantropo britânico, nascido de pais muçulmanos, crescido na Grã-Bretanha, banqueiro de formação, dono do clube de futebol Accrington Stanley e presidente do Leonard Cheshire Disability, a maior organização mundial de assistência às pessoas com necessidades especiais.

"A minha fé conta com a grande contribuição da educação que eu recebi até os meus 4 anos", revela Ilyas ao entrevistador, que lhe pergunta o que o levou à fé católica. "A minha mãe estava muito doente. Quem me criou naqueles primeiros anos foi a minha avó, que era profundamente católica. Eu não tinha como não me considerar cristão". Dos 4 aos 17 anos, porém, Ilyas foi criado e educado como muçulmano. Ele conta: "Na faculdade, a divina providência interveio novamente. Fui morar na Netherhall House, que é uma casa de estudantes do Opus Dei".

O tempo que passou naquela casa de estudantes aproximou-o da espiritualidade e da fé católica. Ele mesmo afirma: "Eu não posso dizer que fui induzido à fé inconscientemente, pelo contrário, lá pelos 18 ou 19 anos, descobri pessoas como Hans Urs von Balthasar, e comecei a ler muito os textos da biblioteca. Fiquei interessado na teologia, em Santo Agostinho e Orígenes".

Essas leituras provocaram no jovem Ilyas um movimento interior que já então o empurrava a proclamar as próprias crenças abertamente, mas o medo de causar uma dor profunda nos pais, ainda vivos, sufocava-o.
A virada decisiva, lembra Khan, foi um "grau maior de consciência de toda a minha vida e das minhas bases morais". "O desejo de abandonar o islão  era profundo, mas foi o impulso de Cristo que me levou à decisão". A contribuição fundamental veio da rotina de "viver a vida da Igreja" durante uma estadia em Hong Kong, aos 25 anos. A igreja chinesa de São José "foi o lugar onde eu descobri o catolicismo tradicional. Dos 25 anos em diante, não tive mais nenhuma dúvida: eu era católico".

Mas houve um momento em particular que marcou indelevelmente a fé de Ilyas: uma "visão" durante uma visita à basílica de São Pedro. "Eu estava a caminhar pela basílica e lembro-me de ter sido ‘arrebatado’ ao ver a Pietá de Michelangelo. Vieram-me mil perguntas enquanto olhava para aquele rosto de Maria que contempla o seu Filho. E eu disse para mim mesmo: 'Este é Deus! Não pode não ser Deus'. Para o islão, dizer que Deus se fez homem é uma heresia. Foi ali que me caíram por terra todas as dúvidas.

O testemunho de Ilyas Khan, por um lado, serve como estímulo para todos aqueles que ainda têm dúvidas ou medos quanto às próprias crenças. Por outro lado, a sua conversão despertou reacções negativas, traduzidas em demonstrações de ódio e em ameaças de morte.

Ilyas não tem medo de expressar a sua fé nem de proclamar publicamente a sua beleza. Ele é considerado hoje, na Grã-Bretanha, como "o mais importante neo-converso ao catolicismo". in Zenit


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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Frase do dia

"Guardar o coração significa amar com pureza e paixão aqueles a quem devemos amor, e excluir ao mesmo tempo os ciúmes, as invejas e inquietações, que são causas certas de desordem no amor. A guarda do coração significa sempre a ordem no amor. A guarda do coração ensina o cristão a penetrar na profundidade de alma, para descobrir os seus movimentos e tendências." 

Salvatore Canals in Ascética Meditada


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Cristo-Rei e as duas torres




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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Frase do dia

"Caminha com alegria e com o coração aberto e sincero. E quando não conseguires manter esta santa alegria, ao menos nunca percas a confiança em Deus." 

S. Pio de Pietrelcina


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Livres à Força? - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

A propósito de uma sentença do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos

Há quem esteja tão empenhado na defesa dos direitos fundamentais que até os queira impor … à força! Parece ser o caso do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, na sua sentença de 31 de Janeiro passado, contra a Roménia. Ao arrepio do mais elementar sentido comum e desrespeitando mais de dois mil anos de tradição cristã, esse Tribunal entendeu legítima, em virtude do artigo 11º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a pretensão de alguns sacerdotes ortodoxos romenos e seus colaboradores pastorais de se constituírem em sindicato.

É muito de saudar o empenho pela aplicação universal dos direitos humanos, exigência em que a Doutrina Social da Igreja foi precursora, mas em que a revolução francesa e outros movimentos cívicos também colaboraram. Contudo, o reconhecimento formal e efectivo dessas prerrogativas, decorrentes da irrenunciável dignidade humana, não pode ultrapassar certos limites, em cujo caso a sua aplicação seria contrária ao mais essencial dos direitos fundamentais: a liberdade responsável das pessoas e instituições. 

Reconheça-se, com empenho, o direito à sindicalização dos trabalhadores, mas não se imponha autoritariamente a todos o exercício desse direito, a que alguns devem, em virtude de uma razão maior, renunciar. De igual modo, a todos compete o direito ao matrimónio, mas o seu exercício a ninguém deve ser, como é óbvio, imposto. E quem opte, consciente e voluntariamente, por uma entrega pessoal que exclua o matrimónio, não se lhe permita que o invoque, para efeitos de uma improcedente reivindicação.

Poder-se-ia questionar se o ordenamento jurídico pode aceitar, como válida e eficaz, uma renúncia a um direito fundamental, como o prescrito no artigo 11º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. Decerto, não seriam nunca aceitáveis, por absurdas hipóteses, contratos de venda da própria pessoa, ou de aluguer do seu corpo, que seriam necessariamente aberrantes e inválidos. Mas é tolerável e até meritório que alguns cidadãos optem por dar à sua vida uma dimensão de serviço à comunidade, através da sua consagração religiosa, que pressupõe a livre e legítima abdicação de algumas prerrogativas pessoais. 

A determinação, expressa pelos votos religiosos, ou por um compromisso análogo, de não possuir bens materiais, de obedecer ao seu superior, mais além do que seria exigível numa relação laboral, ou de permanecer célibe, não só não ofende a condição humana como a dignifica: não há maior amor do que dar a própria vida pelos outros. Portanto, aos que se comprometem liberrimamente com a sua Igreja, mediante um vínculo de voluntária e consciente obediência, a respectiva entidade religiosa, paternal mas não paternalista, pode e deve exigir uma coerência responsável. O Estado, por sua vez, deve respeitar a sacralidade desse vínculo, bem como a especificidade do ministério eclesial, o que não se verificaria se reduzisse esse munus a uma simples relação laboral. Também não seria pertinente que o jugo matrimonial fosse equiparado a uma mera prestação de serviços domésticos, ou a um sui generis arrendamento da habitação familiar.  

Foi no dia 17 de Julho de 1794 que foram guilhotinadas, em Paris, dezasseis carmelitas do convento de Compiègne. O seu crime não era apenas a sua fé em Deus, mas também e principalmente a ousadia da sua liberdade. Foram mártires não só porque eram religiosas num país oficialmente ateu mas, sobretudo, porque eram livres sob um jugo totalitário, que se dizia defensor da «liberdade, igualdade e fraternidade».   

Em nome de todos os Carmelos franceses, a prioresa de Grenelle enviara um Memorial à Assembleia Nacional revolucionária, nos seguintes termos: «As riquezas das Carmelitas nunca foram objecto de cobiça. A nossa fortuna consiste nessa pobreza evangélica que, mesmo depois de saldadas todas as dívidas para com a sociedade, ainda tem meios para ajudar os necessitados e socorrer a pátria e, em todas as circunstâncias, nos torna felizes com as privações que passamos. A liberdade mais completa preside aos nossos votos; a igualdade mais perfeita reina nas nossas casas; entre nós, não há ricas nem nobres […]. No mundo comprazem-se em publicar que os mosteiros só encerram vítimas que se vão consumindo lentamente pelos seus sofrimentos; mas nós declaramos diante de Deus que, se há na terra autêntica felicidade, nós a temos […]. Depois de terdes proclamado com tanta solenidade que o homem é livre, querereis obrigar-nos a pensar que já não o somos?».

Conta a história que as mártires de Compiègne morreram cantando o Te Deum e a Salvé Rainha. Madame Roland, fervorosa revolucionária que, não obstante, também foi guilhotinada, não teve a dita de uma tão excelsa inspiração à hora da morte, mas não lhe faltou razão quando, a caminho do cadafalso, afirmou: «Ó liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!».


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domingo, 5 de agosto de 2012

Frase do dia

"Se a fé está em perigo iminente, os prelados devem ser acusados pelos seus súbditos, mesmo em público." 

S. Tomás de Aquino


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A Santa Missa - Mistério da Fé



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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ovo de crocodilo - João César das Neves

Ficamos sempre impressionados ao considerar a incapacidade de sociedades antigas em antecipar o que mais as afectaria. Parece incrível que pessoas inteligentes se tenham deixado cair em horrores para nós tão evidentes. Pensando assim vamos, como eles, dirigindo-nos inconscientemente para as próximas catástrofes.

Não é preciso recuar à queda do império romano ou ao fim de Constantinopla. Um dos mistérios da história é a inépcia da brilhante sociedade iluminista em precaver os horrores seguintes, com a sangrenta Revolução Francesa e o cruel império napoleónico. Porque foram tão cegos alguns dos mais profundos espíritos da nossa civilização? Também é sumamente incongruente que a sofisticada Alemanha do início do século XX falhasse no pressentimento da barbaridade nazi que germinava no seu seio. Em 1977, Ingmar Bergman usou a comparação de O Ovo da Serpente para manifestar este espanto. Como não viram, através da casca translúcida, o réptil em formação?

A conclusão desta meditação não deve ser que algo falhava nessa elevação intelectual ou que os movimentos da História escapam até aos génios. Isso deve motivar-nos a procurar as múltiplas sementes de abominação que brotam hoje, como sempre. Que tendências nos podem conduzir ao horror? As histórias revelam que tais venenos raramente estão entre aqueles que a sociedade identifica.

Dizer que a nossa época se encaminha para o cataclismo não é propriamente grande novidade. Não temos a complacência do Trianon ou Weimar. Desde a bomba atómica que a humanidade encara a extinção, e a recente crise financeira levou ao paroxismo a sensação de fim de regime. Mas também aqui as nossas preocupações escondem-nos a verdadeira ameaça. Não é a falência do Lehman Brothers ou o programa nuclear iraniano que nos arruinarão. O mal não está nas exigências de Angela Merkel ou na concorrência com a China. Apesar de graves, esses são detalhes laterais como o Caso do Colar de 1785. A serpente está noutro ovo, que teimamos em não olhar à transparência.

Aquilo que os nossos descendentes não conseguirão compreender é a nossa inacreditável ligeireza e inoperância perante factos devastadores, que subjazem a tudo o mais: "No primeiro semestre deste ano, nasceram menos quatro mil bebés do que no mesmo período de 2011. Se a tendência de decréscimo se mantiver, 2012 poderá ficar para a história como o ano em que os nascimentos não chegaram aos 90 mil, algo que nunca aconteceu desde que há registos" (DN, 5/Julho). Sem portugueses não há economia, consumo, emprego, ensino, justiça, país. Com a atenção centrada no défice, desemprego, ou pior, nas tricas do momento, Portugal resvala para a decadência perante a apatia generalizada.

Somos um dos países do mundo com menor taxa de fertilidade, muito inferior à dos nossos parceiros, aliás também entre os mais estéreis. Essas sociedades desenvolvidas há muito identificaram o problema e criaram políticas resolutas para o enfrentar, com sucessos muito díspares. Em Portugal a medida recente neste campo é o subsidiação do aborto, que aliás é a única área da Saúde onde os cortes financeiros não têm efeito.

Pior, neste tema, ao contrário dos casos históricos, estamos em violação aberta dos mais elementares princípios da civilização. Luís XVI ou Von Hindenburg podiam dizer que a sua boçalidade seguia os cânones recebidos. Nós, ao apregoarmos o aborto como direito, contrariamos séculos de civilização. Que a atrocidade de arrancar o embrião do seio da sua mãe, prática recusada por toda as sociedades cultas, seja por nós promovida pelo Estado será incompreensível aos nossos poucos descendentes.

Nos raros casos em que o tema surge nas conversas, atribui-se a redução da natalidade à crise e ao desemprego, sem notar a incongruência de serem os pobres os mais férteis. Insiste-se na muralha de falácias que tenta esconder a multidão de pequenos cadáveres. Após novo gole de café, o debate regressa às intrigas da semana. É perfeito o paralelo com Versalhes em 1789. Porque o ovo de crocodilo é opaco.


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terça-feira, 31 de julho de 2012

Dia de Santo Inácio de Loyola




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Frase do dia

"Não é suficiente que eu sirva a Deus só por mim: tenho que ajudar os corações de todos a amá-lo e as línguas de todos a louvá-lo." 

Santo Inácio de Loyola


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segunda-feira, 30 de julho de 2012

domingo, 29 de julho de 2012

Evitar o escândalo - São João Bosco

A palavra escândalo quer dizer tropeço e chama-se escândalo aquele que com palavras ou obras dá a outrem ocasião de ofender a Deus. O escândalo é um pecado enorme, porque rouba a Deus as almas que Ele criou para o Céu e que foram resgatadas com o sangue precioso de Jesus Cristo, e as rouba para entregá-las ao demônio, que as conduzirá ao inferno.

Dessa maneira, o escandaloso pode ser chamado um verdadeiro ministro de Satanás. Quando o demónio com os seus artifícios não consegue de outra forma apoderar-se de algum jovem, costuma servir-se dos escandalosos. De que enormes pecados sobrecarregam sua consciência aqueles jovens que na igreja, nas ruas, nas escolas ou em outros lugares dão escândalos!

Quanto mais numerosas são as pessoas que os vêem, tanto mais grave é a sua culpa aos olhos de Deus. E que deveremos dizer dos que chegam até a ensinar a malícia aos que são ainda inocentes? Ouçam esses infelizes o que lhes diz o Salvador.

Tendo tomado um dia uma criança pela mão, voltou-se para as turbas que o escutavam e disse: “Ai de quem der escândalo a um deste pequeninos que crêem em mim; infelizmente há escândalos no mundo, mas ai de quem der escândalo: melhor lhe fora que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o atirassem ao fundo do mar”.

Se fosse possível tirar os escândalos do mundo, quantas almas iriam ao Paraíso, as quais, pelo contrário perdem-se eternamente no inferno! Guardai-vos pois desta raça de criminosos: fugi deles como do mesmo demónio. Uma menina de poucos anos, ao ouvir uma conversa escandalosa, disse a quem falava: “Foge daqui, ó demónio maldito”.

Se vós, meus caros, quereis ser verdadeiros amigos de Jesus e de Maria, deveis não somente fugir dos escandalosos, mas empenhar-vos em reparar com o vosso bom exemplo o grande mal que eles causam ás almas. Por isso, as vossas conversas sejam boas e modestas; sede devotos na igreja, obedientes e respeitadores para com vossos superiores.

Oh! quantas almas então imitando-vos trilharão o caminho do Céu! E vós tereis a certeza de para lá ir em sua companhia, pois, como diz Santo Agostinho, o que alcança a salvação de uma alma pode fundadamente esperar que há de salvar a sua: Animam salvásti, animam praedestinásti.

São estas as principais coisas das quais vós, meus caros jovens, deveis fugir no mundo, se quiserdes seguir uma norma de vida virtuosa e cristã. 

in O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos


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sábado, 28 de julho de 2012

The Credible Hulk




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Frase do dia

"The worst moment for the atheist is when he is really thankful, and has nobody to thank.

G.K. Chesterton


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O apocalipse do sentido - José Luís Nunes Martins

Existe hoje um problema que atinge as fundações da sociedade em que vivemos que cresce de forma quase irrevogável, como uma espécie de tumor, e que muito em breve destruirá um dos mais importantes pilares da nossa essência colectiva: falta de fertilidade.

No mundo de hoje há cada vez menos tempo, espaço e, principalmente, vontade de criar o novo. De construir sentidos para a vida. Consomem-se de forma capitalista os poucos sentidos pré--fabricados à disposição. As pessoas são muito parecidas... cinzentas – cada vez mais do mesmo tom de cinza –, cor do que já se consumiu, do que se desfez, daquilo que já não está aqui. A morte não é negra: é cinza.
A degeneração da capacidade criativa do homem de hoje, quando se trata de construir novos e bons caminhos para a sua vida, afecta a base do que (não) somos hoje enquanto grupo.

Esta decadência terá começado nos anos 60 do século passado, quando toda uma geração começou a imaginar um mundo em que ninguém faz nada e onde tudo é agradável. Este sonho gerou e alimentou a ideia de que a felicidade nascerá da inércia preguiçosa e infantil de quem quer um mundo melhor, mas que tudo o que está disposto a fazer por isso é reclamar... birras à espera do bem bom. Queriam um mundo melhor, mas não o criaram. Ergueram cartazes e sentaram-se à espera; no tempo que passou, evadiram-se daqui das mais variadas formas... alienaram-se, tornaram-se estranhos a este mundo. Diziam que eram sonhadores...

Esta absurdidade alastrou a um ritmo assustador e fará com que, dentro de poucos anos, não haja quem dê valor a uma obra de arte. A bondade do único, a singularidade, será vista como uma anormalidade e, enquanto tal, um crime hediondo contra a massa. Um atentado contra a tirânica reprodução do igual.
O mundo é hoje como um mar de preguiçosos conformados e orgulhosos das suas frustrações. Definhando ao estonteante ritmo do zapping entre canais de várias formas de anúncios que prometem felicidades instantâneas. Sempre fugas.

A falência do indivíduo, enquanto unidade original e de valor absoluto, é uma condição do sistema. Os mercados só sabem gerir massas. Um homem livre é, neste enquadramento, um terrorista. São cada vez menos aqueles que, contra a esmagadora maioria, se distinguem através da sua capacidade de dar sentido e significado à vida. Estes criadores não reprodutores desafiam a multidão com as suas obras subversivas, fogem a normas e a modas, parecem voar, porque flutuam bem acima do lodo onde os outros, como mortos, vivem.

No apocalipse do sentido da vida que se pressente há, felizmente, este pequeno número de homens que não se rendem, poetas da existência: são aqueles que dão luz e cores ao mundo, que fertilizam a humanidade através dos seus trabalhos. Vão estendendo a mão a quem respira podridão, sem muitos sucessos, quase nenhuns... Mas a obra-prima destes artistas é inspirarem outros a serem absolutamente originais. Longe do êxodo das gentes para o nada. Afinal, a mais sublime das obras de arte é a criação de um artista.

Estes fundadores navegam, sem raízes, em pequenos barcos sem âncora, flutuando neste mar cinzento, entregando-se à missão de garantir que haverá vida humana depois da morte desta humanidade. Contam apenas com a sua arte e com a generosidade do senhor dos ventos. Rumo a um futuro puro, onde cada homem sabe que deve criar o sentido da sua própria vida. A fim de que cada um de nós seja, nessa altura, uma obra de arte original. Uma criatura criadora. Uma bondade generosa. Uma fonte de vida. Uma criação.
Deus ajude e inspire quem Lhe segue o exemplo.


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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Fugir da realidade - Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Alguém me dizia, recentemente, que os livros mais “consumidos” pela juventude hodierna são aqueles que ajudam a fugir da realidade. Em concreto, os livros cujo público-alvo são as adolescentes possuem uma receita que não falha: transportá-las para mundos imaginários que as ajudem a “emitir” frequentes suspiros cor-de-rosa. E finalizava essa pessoa dizendo: «Basta ajudá-las a refugiarem-se na sua imaginação e elas sentem-se felizes. E, mais importante ainda, recomendam o livro às amigas».

É necessário reconhecer, em abono da verdade, que cada um de nós necessita da sua imaginação para viver de um modo humano. Se não fosse assim, Deus não no-la teria dado. Sem imaginação, não haveria projectos na nossa vida. E, sem projectos, a vida tornar-se-ia maçuda, monótona e insonsa. Sem imaginação, faltar-nos-ia criatividade. E, sem criatividade, seria deveras difícil encarar o nosso trabalho quotidiano com um salutar entusiasmo.

A imaginação ajuda-nos a expandir o nosso mundo interior e a transcendê-lo. Torna-nos maiores do que aquilo que somos. E é por isso que temos a sensação de que ela nos dá vida e nos anima a viver. Dá-nos asas, faz-nos voar ― e liberta-nos da excessiva monotonia do dia-a-dia.

No entanto, a imaginação descontrolada converte-se num mecanismo de evasão. Soltar a imaginação sem nenhum tipo de controlo é uma autêntica droga. É verdade que proporciona uma alegria e um alívio passageiros, mas também é verdade que acaba por submergir as pessoas numa triste dependência, como é próprio dos estupefacientes.

Evadir-se em sonhos proporciona um certo bálsamo de refrigério interior. Mergulhar num mundo imaginário ― em que somos sempre heróis, sem defeitos nem limitações ― é fácil, entusiasmante e acessível a qualquer um. Faz-nos sentir uma completa “liberdade”: ninguém, excepto nós próprios, consegue pôr obstáculos à nossa imaginação.

Mas, não nos enganemos, é uma liberdade fictícia. Só existe numa vida que não é real ― falsa por definição! Fugir da realidade não nos pode proporcionar a verdadeira felicidade. Pode ser ― como o canto de uma sereia ― entusiasmante, deslumbrante e sedutor. Basta pensar no êxito da “second life” no mundo informático. No entanto, bem vistas as coisas, nunca é libertador. Porque procede de uma vida falsificada. E a liberdade e a felicidade só são possíveis na realidade. Nunca na mentira, nem no imaginário que afasta da realidade.

Fugir da realidade também não é libertador porque na vida imaginária não há esforço. E, sem esforço, as pessoas tornam-se passivas e inactivas ― escravas de uma vontade adormecida. Essa fuga da realidade não dá a paz que tanto se procura. A paz autêntica também é fruto do esforço por pôr ordem na nossa imaginação e não nos deixarmos enganar ou anestesiar por ela.


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Problemas de visão




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Frases do dia

S.Pedro: “A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!” (Jo 6 68)

S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20)


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quarta-feira, 25 de julho de 2012

São Tiago Maior, rogai por nós




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Frase do dia

"Quando eu era criança, não estava ainda divulgada a prática da comunhão frequente. Recordo-me de como se preparavam as pessoas para comungar. Cuidavam com esmero a boa preparação da alma e até do corpo. Punham a melhor roupa, a cabeça bem penteada, o corpo fisicamente limpo e talvez mesmo um pouco de perfume... Eram delicadezas próprias de quem estava apaixonado, de almas finas e rectas, que sabem pagar o Amor com amor." 

S. Josemaria Escrivá


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A opção por um matrimónio civil indissolúvel - Pe. Gonçalo Portocarrero

Alguns Estados e instituições europeias, à conta de um laicismo que pretende relegar a fé cristã para a intimidade das consciências, ou os esconsos das sacristias, não aceitam que alguém possa, livre e responsavelmente, assumir compromissos definitivos, uma vez que uma tal opção parece contrariar o sacrossanto princípio da liberdade. É o caso dos esposos cristãos, que contraem canonicamente um matrimónio indissolúvel que, no entanto, o ordenamento jurídico positivo não admite como tal, na medida em que qualquer casamento é legalmente passível de rescisão, até mesmo contra a vontade do cônjuge inocente. Promova-se, com empenho, o direito à liberdade de todos os cidadãos. Contudo, o reconhecimento formal e efectivo desta exigência decorrente da comum e universal dignidade humana, não deve ficar circunscrito ao volúvel capricho do legislador, ou da moda do politicamente correcto, mas contemplar todas as legítimas modalidades do seu responsável exercício. 

Ora um compromisso conjugal definitivo não só não é uma excepção a essa irrenunciável prerrogativa da condição humana, como uma sua excelente e muito meritória realização. Compete ao Estado garantir que a todos sejam dadas todas as condições necessárias para que as suas opções sejam verdadeiramente livres, mas não lhe cabe impedir aquelas escolhas que, mesmo não devendo ser exigidas a todos, podem legitimamente ser queridas por alguns. Um ordenamento jurídico que proíbe qualquer compromisso sério, como é o que pressupõe uma entrega definitiva, com o pretexto de assim salvaguardar a autonomia dos cidadãos, não é apenas uma lei paternalista, mas uma norma que não respeita a liberdade dos indivíduos e que, neste sentido, é potencialmente totalitária. Poder-se-ia eventualmente objectar que nada impede que uma pessoa celebre um casamento religioso indissolúvel, mas uma tal observação não colhe porque, para poder fazê-lo, teria que professar alguma religião, o que nem sempre acontece. 

Com efeito, o sacramento do matrimónio é apenas acessível aos cristãos, pelo que o indivíduo que o não é seria, por este motivo, descriminado pela sua não crença, o que parece ser manifestamente injusto e talvez até anticonstitucional. Por outro lado, não basta que a lei admita essa possibilidade teórica, mas importa que reconheça, de facto, a sua efectividade jurídica, ou seja, que garanta que o regime conjugal livremente escolhido será depois responsavelmente observado. É justo que o Estado a ninguém obrigue a casar e é tolerável que admita, no contexto de uma sociedade secularizada, que alguns o possam fazer em regime precário, porque até a Bíblia admitia o repúdio, que Cristo revogou. Mas não é razoável que o ordenamento jurídico não contemple a possibilidade de um matrimónio civil indissolúvel. Portanto, a existência legal de uma união conjugal para sempre deveria ser garantida a todos os cidadãos, quer tenham ou não qualquer filiação religiosa, até porque mesmo os cristãos casados canonicamente carecem do reconhecimento civil da indissolubilidade do seu vínculo conjugal, a que têm direito em nome do princípio da liberdade. É certo que o próprio não se divorciará se não quiser, mas também é verdade que, só se a lei reconhecer eficácia jurídica à indissolubilidade assumida no pacto nupcial, poder-se-á opor eficazmente ao divórcio pretendido pelo cônjuge. 

Quando o Estado e as instituições internacionais, que aceitam e até impõem o reconhecimento legal das mais abstrusas e instáveis uniões, não permitem a possibilidade jurídica de um matrimónio civil indissolúvel, não só potenciam a falência da família e da sociedade, como também incorrem na mais insanável contradição porque, em nome da liberdade, combatem uma das suas mais nobres e altruístas expressões.


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terça-feira, 24 de julho de 2012

Constituição Dogmática Lumen Gentium - ponto 25

25. Entre os principais encargos dos Bispos ocupa lugar preeminente a pregação do Evangelho (75). Os Bispos são os arautos da fé que para Deus conduzem novos discípulos. Dotados da autoridade de Cristo, são doutores autênticos, que pregam ao povo a eles confiado a fé que se deve crer e aplicar na vida prática; ilustrando-a sob a luz do Espírito Santo e tirando do tesoiro da revelação coisas novas e antigas (cfr. Mt. 13,52), fazem-no frutificar e solicitamente afastam os erros que ameaçam o seu rebanho (cfr. 2 Tim. 4, 1-4). Ensinando em comunhão com o Romano Pontífice, devem por todos ser venerados como testemunhas da verdade divina e católica. E os fiéis devem conformar-se ao parecer que o seu Bispo emite em nome de Cristo sobre matéria de fé ou costumes, aderindo a ele com religioso acatamento. Esta religiosa submissão da vontade e do entendimento é por especial razão devida ao magistério autêntico do Romano Pontífice, mesmo quando não fala ex cathedra; de maneira que o seu supremo magistério seja reverentemente reconhecido, se preste sincera adesão aos ensinamentos que dele emanam, segundo o seu sentir e vontade; estes manifestam-se sobretudo quer pela índole dos documentos, quer pelas frequentes repetições da mesma doutrina, quer pelo modo de falar.

Embora os Bispos, individualmente, não gozem da prerrogativa da infalibilidade, anunciam, porém, infalivelmente a doutrina de Cristo sempre que, embora dispersos pelo mundo mas unidos entre si e com o sucessor de Pedro, ensinam autenticamente matéria de fé ou costumes concordando em que uma doutrina deve ser tida por definida (76). O que se verifica ainda mais manifestamente quando, reunidos em Concílio Ecuménico, são doutores e juízes da fé e dos costumes para toda a Igreja, devendo-se aderir com fé às suas definições (77).

Mas esta infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a Sua igreja, na definição de doutrinas de fé ou costumes, estende-se tanto quanto se estende o depósito da divina Revelação, o qual se deve religiosamente guardar e fielmente expor. Desta mesma infalibilidade goza o Romano Pontífice em razão do seu ofício de cabeça do colégio episcopal, sempre que, como supremo pastor dos fiéis cristãos, que deve confirmar na fé os seus irmãos (cfr. Lc. 22,32), define alguma doutrina em matéria de fé ou costumes (78). As suas definições com razão se dizem irreformáveis por si mesmas e não pelo consenso da Igreja, pois foram pronunciadas sob a assistência do Espírito Santo, que lhe foi prometida na pessoa de S. Pedro. Não precisam, por isso, de qualquer alheia aprovação, nem são susceptíveis de apelação a outro juízo. Pois, nesse caso, o Romano Pontífice não fala como pessoa privada, mas expõe ou defende a doutrina da fé católica como mestre supremo da Igreja universal, no qual reside de modo singular o carisma da infalibilidade da mesma Igreja (79). A infalibilidade prometida à Igreja reside também no colégio episcopal, quando este exerce o supremo magistério em união com o sucessor de Pedro. A estas definições nunca pode faltar o assentimento da Igreja, graças à acção do Espírito Santo, que conserva e faz progredir na unidade da fé todo o rebanho de Cristo (80).

Porém, quando o Romano Pontífice, ou o corpo episcopal com ele, define alguma verdade, propõe-na segundo a Revelação, à qual todos se devem conformar. Esta transmite-se integralmente, por escrito ou por tradição, através da legítima sucessão dos Bispos e, antes de mais, graças à solicitude do mesmo Romano Pontífice; e, sob a iluminação do Espírito de verdade, é santamente conservada e fielmente exposta na Igreja (81). Para a investigar como convém e enunciar aptamente, o Romano Pontífice e os Bispos, segundo o próprio ofício e a gravidade do assunto, trabalham diligentemente, recorrendo aos meios adequados (82); não recebem, porém, nenhuma nova revelação pública que pertença ao depósito divino da fé (83).


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Frase do dia

"A única coisa que deve assustar-nos é o pecado porque ofende a Deus e desonra-nos."

S. Pio de Pietrelcina


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Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano na Canção Nova



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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pedagogia do silêncio - D. Nuno Brás

No meio do reboliço das nossas vidas, dos barulhos e chamadas de atenção que nos empenham o espírito, é essencial criarmos espaços de silêncio, onde nos possamos escutar e, mais importante que isso, escutar Aquele que dá sentido ao nosso existir.

É certo que Deus não se encontra ausente das multidões, da festa, do mundo agitado em que vivemos. Mas é igualmente certo que não O conseguiremos nunca perceber aí, se em nós não existirem momentos de silêncio acolhedor – aquele silêncio interior e exterior de quem se encontra disponível para escutar a Palavra de Deus sem pressas, e deixar-se confrontar por ela.

Muitas das nossas igrejas constituem, é verdade, esses espaços de silêncio – muitas vezes quase vazias e (pelo menos as mais antigas) a convidar à oração e ao repouso em Deus.

Não deixa, contudo, de ser lamentável que apenas as igrejas vazias sejam esse espaço, e que a comunidade que reza não possa, não seja capaz, não lhe permitam apreciar esse dom inestimável do silêncio exterior e interior. Mas não. Antes e depois das celebrações (e mesmo durante elas) as nossas igrejas são invadidas pelo falar, gritar, cantar de quantos lá estão, bem pouco preocupados com Deus e com aquilo que Ele tem para nos dizer, transformando até aquele espaço em casa de encontro de familiares e amigos que não se viam há muito, ou (pior ainda) de oportunidades para a “foto do ano”.

Não se trata de esquecer o mundo, trata-se de poder escutar Deus. Nem se trata de sujeitar o ser humano a uma qualquer regra sem sentido: trata-se antes de perceber que, sem o silêncio, é impossível, de facto, vivermos como cristãos.

As igrejas, os espaços sagrados que elas constituem, não podem ser tratados como lugares iguais aos outros. Mesmo quando a arquitectura é pobre, ou quando as imagens são de fraco gosto e, longe de nos convidarem a elevar o espírito, nos conduzem antes a fechar os olhos, a presença de Deus ultrapassa tudo isso.

E uma comunidade nunca será uma “comunidade orante” enquanto não perceber o silêncio em que Deus lhe fala. Torna-se urgente, em todos e para todos, o início de uma “pedagogia do silêncio” que nos deixe tomar consciência de que o Senhor nos quer, verdadeiramente, encontrar. E, se for necessário, tome-se a sério a regra que há muito nos ensinaram: numa igreja, não se fala!


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