segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A devoção do Papa Bento a S.Celestino assinalou a sua resignação



Papa Bento venerando S. Celestino, o único Papa Santo que resignou

Quando ouvi o anúncio do Papa Bento esta manhã, de que  se ia retirar da Cadeira de S. Pedro no fim de Fevereiro 2013, fiquei triste mas não inteiramente surpreendido. De facto, aqui no blog, temos seguido a devoção do Papa Bento ao Papa São Celestino por mais de dois anos, e pensado se o nosso amado Santo Padre estaria a contemplar esta decisão. São Celestino, como devem saber, foi o último Papa a resignar... e é um santo canonizado. A visita do Papa Bento ao túmulo de São Celestino revelam que Sua Santidade estava a contemplar estar decisão.


Neste artigo, Mr. Moynihan detalhou a crescente devoção do Papa Bento por São Celestino. Sendo alguém que conhece pessoalmente bem o Papa, Moynihanespeculou que o Papa Bento possa estar subtilmente a mostrar os seus planos. O crescente amor amor do Santo Padre pelo santo que resignou do papado pode indicar a decisão rezada do seu próprio coração.

Pensem nisto por um momento. Se fossem um Papa e completamente sobrecarregados e a sentir-se inadequado, para quem se haviam de voltar? Quem é que poderia perceber melhor as pressões do Papado? Quem podia guiar-vos nesta difícil decisão? A resposta simples é: ninguém na Terra. Por isso, em vez disso, o Santo Padre voltou-se para São Celestino - o único santo no Céu que passou pelo que o Papa Bento está a passar.

Acho lindo que a Igreja Católica até tenha um santo patrono de Papas que resignam. Rezemos pelo nosso Santo Padre. Mais ainda, procuremos a intercessão de Santo Celestino nos dias que aí vêm.

Sagrado Coração de Jesus, tende misericórdia de nós.
Coração Imaculado de Maria, rogai por nós.
São Celestino, rogai por nós.
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O Papa dos Senzas resignou. Bento XVI, aqui nos tens!

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. 

Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI


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domingo, 10 de fevereiro de 2013

A conversão da cantora Elba Ramalho



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O Leccionário da Santa Missa: Um ano ou três anos?


De uma leitora do Canterbury Tales chamada Keri:
Eu tenho uma questão para si com respeito à Missa em Latim [a antiga]. Uma vez um sacerdote disse-me numa cadeira de sacramentos de nível universitário que as leituras da Escritura na Missa em Latim apenas cobrem 17% ou parecido do Novo Testamento, ao contrário das leituras do Novus Ordo que cobrem cerca de 90% do Novo Testamento e muito mais do Antigo Testamento do que se cobria na Missa em Latim.

Isto é verdade? Ou as leituras da Missa em Latim também foram "actualizadas"? Ou é uma confusão?
Keri, esta é uma boa pergunta. Sim, são lidos mais versículos da Bíblia no novo (Novus Ordo) leccionários do que no antigo. Muitos assumem que dado que o novo leccionário tem mais versículos da Bíblia, é melhor. Eu costumava concordar com isto e usava-o como um ponto de vantagem para a Nova Missa.

Espero que não me achem grosseiro, mas já não penso que "quanto mais Bíblia melhor é a Missa" seja um argumento satisfatório. Por exemplo, será que os Católicos em 2012 conhecem melhor a Bíblia que os Católicos de 1912? Eu argumento que os Católicos de 1912 conheciam melhor a Bíblia - mesmo com o seu pequeno leccionário de leituras.

Devemos perguntar, qual é o propósito do Santo Sacrifício da Missa? As leituras deviam enaltecer algo para o dia, especialmente se é uma festa especial ou um dia de um santo.

O Santo Sacrifício da Missa contém Escritura, mas não é na sua essência um estudo da Bíblia e a Igreja nunca disse que a Missa era a altura onde se devia percorrer a Bíblia inteira. Originalmente, era o Ofício Divino que servia este propósito. O que vimos foi uma expansão de leituras da Bíblia na Santa Missa e a diminuição das leituras da Bíblia na Liturgia das Horas/Ofício Divino. O debate sobre o leccionário devia ter sempre em conta a liturgia pública completa... que inclui o ciclo do Ofício Divino.

Estas são apenas algumas ideias. Estejam à vontade para discordar de mim. Eu leio a Bíblia por mim (100%) e aprecio os textos mais breves mas especialmente seleccionados para os dias de festa do rito antigo. Mais uma vez, são apenas as minhas preferências, mas eu submeto-me alegremente ao que quer que a Santa Mãe Igreja me diga para fazer. Ela é a arca da salvação e o Papa é o Vigário de Cristo. O meu dever é ouvir humildemente e esperar pelo Céu. Obrigado pela grande questão. by Taylor Marshall

Ps: Espero escrever um post sobre o aspecto de oblação das leituras da Missa no futuro. As leituras são, em certo sentido, lidas de volta para Deus. Isto soa estranho aos ouvidos modernos, mas é certamente algo assumido no rito antigo.


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sábado, 9 de fevereiro de 2013

O amor é o contra-egoísmo - José Luís Nunes Martins

Cada vez mais pessoas estão preocupadas consigo mesmas. Cuidam de si de uma forma tão dedicada que se poderia supor que estão a construir algo de verdadeiramente belo e forte; mas não... os resultados são normalmente fracos e frágeis. Gente manipulável que se deixa abater por uma simples brisa... cultivam o eu como a um deus, mas são facilmente derrubados pela mínima contrariedade.

Tendo a originalidade por moda não será paradoxal que a sociedade esteja a tornar-se cada vez mais uniforme? Como a multidão tende sempre a nivelar-se por baixo, estamos a tornar-nos cada vez piores.

Hoje parece não haver tempo nem espaço para um cuidado mais fundo com a nossa essência – são poucos os que hoje têm amigos verdadeiros com quem aprendem, a quem se dão e de quem recebem valores essenciais.

Por medo da solidão quer-se conhecer gente, cada vez mais gente. Talvez o facto de se buscar uma quantidade de amizades mais do que a qualidade das mesmas explique por que, afinal, há cada vez mais solidão... sempre que prefiro partir em busca do novo, escolho abandonar aquele(s) com quem estava.

O sucesso das redes virtuais é hoje um sintoma, um resultado, do mal estar fundo de quem se sente só, de quem busca o encontro com o outro, mas não quer ir até à sua presença; de quem busca palavras de apoio, mas não está disposto a abrir-lhes o seu coração e a escutá-las intimamente... perdem-se horas, dias e anos assim. Parece um exército de eremitas narcisos. Se precisam tanto do outro, porque se deixam ficar atrás do teclado? Longe do braço e do abraço do amor do outro?

A vaidade não eleva o sujeito, afoga-o. Sucumbe porque lhe falta a ligação vital ao outro, essa humildade que engrandece, essa pobreza que nos faz ricos através do sorriso do outro.

O amor é uma espécie de compromisso com a felicidade do outro. A vontade e o empenho real pelo bem do próximo. Um contra-egoísmo. Esqueça-se a auto-estima, o amor próprio ou a auto-ajuda... amar é esquecer-se de si. Deixar-se para trás. Mais adiante, virá a lúcida consciência de que é só quando me dou genuína e gratuitamente que me encontro. Que preciso de sair de mim para, através do outro, ver como sou. Ali, paradoxalmente, longe do espelho. Onde as palavras importantes se escutam com os ouvidos e os sorrisos verdadeiros são dados olhos nos olhos.

A sociedade está progressivamente mais pobre, com gente que, ao invés de ter uma interioridade autónoma capaz de sonhar e de lutar por um caminho seu, tem por alma uma mera caixa de reação aos contextos, previsível, estável... triste. Muito.

Só uma revolução das vontades fundas, uma tomada do poder individual das dimensões mais livres e criativas do homem, poderá inverter esta tendência de degradação essencial da alma humana.
Ninguém se encontra na solidão. Ninguém pode sequer sonhar de forma verdadeira se não tem com quem partilhar os seus desejos íntimos. Ninguém chegará sequer perto da felicidade se não viver abraçado a alguém. Ninguém se completa a si mesmo. Ninguém se basta.

O egoísta e o vaidoso não percebem que a nossa felicidade não passa por cuidarmos de nós mesmos, mas dos outros. Que só esquecendo-nos de nós e entregando o melhor de nós mesmos conseguiremos permanecer para sempre naqueles a quem assim amámos. Ser é amar, e amar é dar-se.

É urgente cuidar da dimensão mais funda da nossa existência, fazendo prevalecer o amor sobre todas as vaidades, com a felicidade por fim e a verdade por regra... depois, no mundo, entregarmo-nos bondosamente ao outro, iluminando as trevas, pois que o Amor é a luz do mundo.


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Viva os noivos! 88 anos depois, lá tiraram as fotografias




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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carta aos Hebreus 13,1-8

Irmãos: Que permaneça a caridade fraterna. Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos. Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, porque também vós tendes um corpo. 

Seja o matrimónio honrado por todos e imaculado o leito conjugal, pois Deus julgará os impuros e os adúlteros. Vivei sem avareza, contentando-vos com o que possuís, porque o próprio Deus disse: Não te deixarei nem te abandonarei. Assim, podemos dizer confiadamente:O Senhor é o meu auxílio;não temerei; que poderá fazer-me um homem? 

Recordai-vos dos vossos guias, que vos pregaram a palavra de Deus; observai o êxito da sua conduta e imitai a sua fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e pelos séculos.


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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Alocução "Vi ringrazio" (aos Padres) - São Pio X

Distraídos com muitas ocupações, é fácil esquecer as coisas que levam à perfeição na vida sacerdotal; é fácil [para o padre] iludir-se a si mesmo e acreditar que, ocupando-se com a salvação das almas de outros, ele trabalha consequentemente para a sua própria santificação. Infelizmente, não deixem esta ilusão levar-vos ao erro, porque nemo dat quod nemo habet [ninguém dá aquilo que não tem]; e, em ordem a santificar os outros, é necessário não negligenciar nenhum dos caminhos propostos para a própria santificação.

O Papa é o guardião dos dogmas e da moral; ele é o custódio dos princípios que fazem boas famílias, grandes nações e almas santas; ele é o conselheiro dos princípes e dos povos; ele é a cabeça sob a qual ninguém se sente tiranizado porque ele representa o Próprio Deus; ele é o pai supremo que une em si tudo o que existe e que é amoroso, carinhoso e divino.

Parece incrível, e mesmo doloroso, que existam padres para quem esta recomendação tenha que ser feita, mas infelizmente estamos na nossa era, nesta situação infeliz e difícil, de ter que dizer aos padres: amem o Papa!

E como é que o Papa deve ser amado? Non verbo neque lingua, sed opere et veritate. [Não em palavras, nem na língua, mas em obras e em verdade (1Jo 3,18)] Quando alguém ama uma pessoa, tenta aderir em tudo aos seus pensamentos, fazer a sua vontade, satisfazer os seus desejos. E se Nosso Senhor Jesus Cristo disse de si mesmo, "si quis diligit me, sermonem meum servabit", [se alguém me ama guardará a minha palavra (Jo 14,23)] então, em ordem a demonstrar o nosso amor pelo Papa, é necessário obedecer-lhe.

Assim, quando amamos o Papa, não discutimos relativamente ao que ele ordena ou pede, ou até que ponto a nossa obediência deve ir, e em que coisas é que ele deve ser obedecido; quando amamos o Papa, não dizemos que ele não foi suficientemente claro, quase como se ele fosse obrigado a repetir ao ouvido de cada um a vontade claramente expressa tantas vezes não só pessoalmente, mas com cartas e outros documentos públicos; não colocamos as suas ordem em questão, acrescentando o falso pretexto daqueles que não querem obedecer - de que não é o Papa que governa, mas aqueles que o rodeiam; não limitamos o campo em que ele deve e tem que exercer a sua autoridade; não colocamos por cima da autoridade do Papa a de outras pessoas que divergem do Papa, por muito inteligentes que sejam, e que, mesmo que inteligentes, não são santos, porque quem é santo não pode divergir do Papa.

Este é o grito de um coração cheio de dor, que com profunda tristeza eu exprimo, não por vocês, queridos irmãos, mas para lamentar, convosco, a conduta de muitos padres, que não só se permitem a debater e a criticar os desejos do Papa, mas que não se embaraçam de chegar a uma desobediência descarada e sem vergonha, com tanto escandâlo para o bem e tanto mal para as almas.


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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Uma vida com potencial, não uma "vida em potencial"




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Os pobres e os ricos - Beato Charles de Foucauld

Como sois divinamente bom, meu Deus! Se tivésseis chamado os ricos em primeiro lugar, os pobres não teriam ousado aproximar-se de Vós; pensariam que estavam obrigados a manter-se à distância por causa da sua pobreza; ter-Vos-iam olhado de longe, deixando que os ricos Vos rodeassem. Mas haveis chamado para junto de Vós toda a gente, toda a gente: os pobres, uma vez que assim lhes mostrais, até ao fim dos séculos, que eles são os primeiros a ser chamados, os favoritos, os privilegiados; os ricos porque, por um lado, não são tímidos e por outro, depende deles tornarem-se tão pobres como os pastores. Num minuto, se o quiserem, se tiverem o desejo de se assemelhar a Vós, se temerem que as riquezas os afastem de Vós, podem tornar-se perfeitamente pobres.

Como sois bom! Como agistes da melhor forma para chamar ao mesmo tempo, para o vosso redor, todos os Vossos filhos, sem nenhuma excepção! E que bálsamo colocastes, até ao fim dos tempos, no coração dos pobres, dos pequenos, dos desdenhados deste mundo, mostrando-lhes, desde o Vosso nascimento, que eles são os Vossos privilegiados, os Vossos favoritos, os primeiros a ser chamados — os sempre chamados para junto de Vós, que quisestes ser um dos seus e estar, desde o Vosso nascimento e toda a vossa vida, rodeado por eles.


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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Missionários: os heróis dos nossos dias



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Frase do dia

"A educação moderna significa impor os costumes da minoria e desenraizar os costumes da maioria." 

G.K. Chesterton


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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Resumo da vida de Santo Inácio de Loyola



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Frase do dia

"Ides a Deus? Procurai não chegar lá sozinhos. Aquele que no seu coração já ouviu o apelo do Amor divino, procure tirar daí uma palavra de encorajamento para o seu próximo. 

Talvez não tenhais pão para dar a um mendigo; mas o que tem uma língua pode dar melhor do que pão, porque alimentar com a Palavra uma alma destinada a viver eternamente vale mais que saciar do pão terrestre um corpo que um dia tem de morrer. Tomai por isso cuidado para não privardes o vosso próximo da esmola da palavra." 

S. Gregório Magno


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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Festa da Apresentação do Senhor no Templo




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Querido “Diário de Notícias” - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

Obrigado por me fazeres sentir a alegria de ser discípulo de Cristo, na sua Igreja e nesta obra de Deus, que tem a glória humana de não ter como Jesus, nenhuma glória humana

Que sina a minha: mal nasci, saí no jornal! Não tive culpa. Só que me aconteceu o insólito facto de ser o primeiro de três gémeos portugueses, dados à luz em Haia, a capital dos Países Baixos.


Menino e moço, recordo que em casa se lia o “Diário de Notícias”, sobretudo a sua necrologia, uma parte indiscutivelmente verídica do órgão oficioso do regime que, por isso, só podia ser objectivo na medida em que a censura o permitisse.


Depois do 25 de Abril, o mesmo diário, para se redimir do seu passado colaboracionista, entregou-se com fervor ao novo poder. Foi por estas alturas o consulado do Nobel literato que, em pleno PREC, alinhou pelas “boas práticas” da ditadura do proletariado.


Em casa, claro, continuava-se a receber o jornal, cujo obituário merecia a melhor atenção dos mais velhos da família, que aí encontravam sempre pessoas das suas relações. Para as outras verdades, as do país e do mundo, era preciso ir ao “Le Monde”, à “Time”, à BBC ou à “Deutsche Welle”.


Lembrei-me de tudo isto agora, que o “Diário de Notícias” se lembrou de devassar uma pacata obra de Deus – logo por azar a instituição eclesial em que sirvo há já alguns anos – atribuindo-lhe estranhas gestas, para além de secretos mundos e muitos fundos. Fá--lo com meias verdades, repetindo velhos tópicos, mas sem nenhuma especial originalidade.


Nada de novo, portanto. Contudo, surpreendi-me: afinal, é tão fácil fabricar um escândalo! Quer-se acusar de opulência a diocese de Lisboa? Basta recordar que as igrejas da Baixa valem muitos milhões e, portanto, o patriarcado é, na realidade, multimilionário. Pretende-se denegrir as carmelitas descalças?

Escandalizem-se os leitores com a sua obrigatória reclusão e as suas arrepiantes autoflagelações. Precisa-se de caricaturar as missionárias da caridade? É dizer que as desgraçadas não têm televisão, não leram, nem podem ler, O Memorial do Convento. Interessa difamar a Companhia de Jesus? Reedite- -se o que dela disseram os que, em 1910, a expulsaram do país, sob a acusação dos jesuítas envenenarem as águas dos fontanários públicos…


A bem dizer, não há pessoa ou instituição, por mais santa que seja, que resista a uma “grande investigação sobre o seu lado secreto”. Nem mesmo o próprio Cristo. Bastaria dizer, por exemplo, que, com trinta anos, não tinha residência fixa e vivia apenas com homens, um dos quais, por certo, ladrão. Que se deixava tocar por prostitutas e, enquanto havia quem morresse de fome, aceitava ser perfumado com bálsamos caríssimos. Que pregou o amor, mas chicoteou os seus semelhantes. Que chamava a si as criancinhas e tinha, como seu amigo predilecto, um jovem adolescente, que se reclinou sobre o seu peito… Tudo verdades, a concluir numa sacrílega mentira, a que o incauto leitor seria induzido por um inquérito “rigoroso” e “objectivo”.


É lógico que seja assim. É lógico que o poder laico não possa tolerar uma Igreja livre. É lógico que os discípulos do Mestre crucificado sejam objecto do escárnio e da maledicência dos seguidores do príncipe deste mundo. É lógico que uma entidade indiscutivelmente fiel à Igreja e unida ao Papa e aos bispos, seja maltratada onde recentemente se negou o dogma católico da virgindade de Maria e se criticou o último livro de Bento XVI. É lógico que a viúva do Nobel, erigida – sabe--se lá porquê!? – em alta autoridade para os fenómenos eclesiais, seja fiel à memória anticristã do seu defunto marido que, segundo a própria, “detestava profundamente as religiões”. É lógico. Aliás, como o mundo, também o inferno deve estar cheio de gente com carradas de razão… Mas sem amor.


Querido “Diário de Notícias” da minha vida: obrigado por esta companhia, desde o meu nascimento e, presumivelmente, até à minha morte. Obrigado por me fazeres sentir a alegria de ser discípulo de Cristo, na sua Igreja e nesta obra de Deus, que tem a glória humana de não ter, nem querer ter, como Jesus, nenhuma glória humana.


Não te peço que deixes de ser o que sempre foste e, seguramente, continuarás a ser, por muitos e bons anos. Mas, se noticiares a minha morte na tua infalível necrologia, por favor, diz apenas que morreu alguém profundamente feliz.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Como é que os Padres devem andar vestidos - Pe. Fernando António SJ

Começo por mim…no meu caso, que sou sacerdote da Companhia de Jesus, basta seguir o que S.Inácio determinou na Fórmula do Instituto:

«No que se refere […] ao vestuário […] sigam o uso comum e aprovado dos sacerdotes honestos». 
(Santo Inácio de Loyola, Fórmula do Instituto)

Embora a batina tradicionalmente usada pelos jesuítas seja ligeiramente diferente da batina hoje em uso pelo clero secular, a origem, significado e função é a mesma. Sublinho que S.Inácio fala do uso comum e aprovado.

Ora, para saber qual é o uso comum e aprovado vai-se ao Direito Canónico, a outros documentos da Santa Sé, e aos documentos promulgados e pelas Conferências Episcopais. É muito claro. Basta ler e obedecer com alegria e muito proveito para o povo de Deus e para o próprio sacerdote.

Código de Direito Canónico  
(Decreto da Conferência Episcopal Portuguesa de 18 de Dezembro de 1984)

Cân. 284 – Os clérigos usem trajo eclesiástico conveniente, segundo as normas estabelecidas pela Conferência episcopal, e segundo os legítimos costumes dos lugares.
Conferência Episcopal Portuguesa

Em conformidade com o cân.284, a Conferência Episcopal Portuguesa determina:
1. Usem os sacerdotes um trajo digno e simples de acordo com a sua missão.
2. Esse trajo deve identifica-los sempre como sacerdotes, permanecendo disponíveis para o serviço do povo de Deus.
3. Esta identificação far-se-á, normalmente, pelo uso:
a) da batina;
b) ou do fato preto ou de cor discreta com cabeção.

Congregação para o clero, Directório para o ministério e a vida dos presbíteros
(Sua Santidade o Papa João Paulo II, dia 31 de Janeiro de 1994 aprovou o presente Directório e autorizou a sua publicação)

66. Obrigação do hábito eclesiástico
 
Numa sociedade secularizada e de tendência materialista, onde também os sinais externos das realidades sagradas e sobrenaturais tendem a desaparecer, sente-se particularmente a necessidade de que o presbítero — homem de Deus, dispensador dos seus mistérios — seja reconhecível pela comunidade, também pelo hábito que traz, como sinal inequívoco da sua dedicação e da sua identidade de detentor dum ministério público. O presbítero deve ser reconhecido antes de tudo pelo seu comportamento, mas também pelo vestir de maneira a ser imediatamente perceptível por cada fiel, melhor ainda por cada homem, a sua identidade e pertença a Deus e à Igreja.

Por este motivo, o clérigo deve trazer um hábito eclesiástico decoroso, segundo as normas emanadas pela Conferência Episcopal e segundo os legítimos costumes locais. Isto significa que tal hábito, quando não è o talar, deve ser diverso da maneira de vestir dos leigos e conforme à dignidade e à sacralidade do ministério. O feitio e a cor devem ser estabelecidos pela Conferência dos Bispos, sempre de harmonia com as disposições do direito universal.

Pela sua incoerência com o espírito de tal disciplina, as praxes contrárias não se podem considerar legítimas e devem ser removidas pela autoridade eclesiástica competente.
Salvas excepções completamente excepcionais, o não uso do hábito eclesiástico por parte do clérigo pode manifestar uma consciência débil da sua identidade de pastor inteiramente dedicado ao serviço da Igreja.
(Fim de citação)

O não uso da batina ou do cabeção é claramente um acto público de desobediência. Por isso, no melhor uso da caridade cristã, e no exercício das obras de misericórdia (corrigir os ignorantes), no caso dos padres desobedientes, os fiéis têm o direito e dever de exigir que os seus padres andem vestidos e identificados como a Igreja determina. Não existem padres camuflados ou por conta própria: os padres entregaram toda a sua vida e todo o seu tempo ao serviço da Igreja. 

Para além disso, pode ser a possibilidade para um primeiro encontro… para uma primeira conversa com quem nem sequer é cristão. 

Eu tenho já imensas experiências que comprovam o valor de andar identificado segundo as normas da Igreja: conversas inesperadas, aproximação à Igreja de quem andava afastado, confissões nos lugares mais improváveis, e até já tive quem me tivesse confessado ter iniciado um caminho de discernimento vocacional para o sacerdócio, simplesmente por me ter encontrado na rua vestido segundo as normas da Igreja, e de, por isso, ter tido a oportunidade de falar com um padre, o que nunca aconteceria se eu não andasse identificado…

Existem mil razões para que os fiéis exijam que os seus sacerdotes andem identificados, mas bastaria uma: a obediência. Isto é fundamental, é a chave. Não nos esqueçamos que o que move à desobediência é a soberba ou orgulho, a via larga que é na verdade a autoestrada do inferno.

Basta seguir as normas da Igreja com amor e fidelidade, para o bem do povo de Deus.
A obediência não é um peso que temos que carregar, é o dom mais precioso que Deus nos dá para acertarmos o caminho…http://www.santidade.net/folhetos/Habito_eclesiastico.pdf


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Ataques de orgulho - S. Pio de Pietrelcina

A humildade é a verdade, e a verdade é que eu sou somente nada. Portanto, tudo o que é bom em mim vem de Deus. Ora, acontece muitas vezes que desperdiçamos o que Deus pôs de bom em nós. Quando as pessoas me perguntam qualquer coisa, acontece-me não pensar no que posso dar-lhes, mas no que não sou capaz de dar, e consequentemente, tantas almas permanecem na sua sede, porque eu não tenho sabido transmitir o dom de Deus.

A ideia de que, em cada dia, o Senhor vem a nós e nos dá tudo deveria tornar-nos humildes. Ora, é o oposto que acontece, porque o demónio faz brotar dentro de nós ataques de orgulho. Isso em nada nos honra. Temos de lutar contra o nosso orgulho. Quando não pudermos mais, paremos um instante e façamos um acto de humildade; então Deus, que ama os corações humildes, virá ao nosso encontro.


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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Encontros para Casais: O Amor não cansa nem se cansa




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O que é a verdade? - Rui Corrêa d'Oliveira

«O que é a verdade?»
Foi esta a reacção de Pilatos no curto diálogo que manteve com Jesus
em resposta à Sua surpreendente afirmação de que
«Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

Por estranho que pareça, 
a pergunta de Pilatos é a mesma que eu faço todos os dias.
Sei bem que a resposta total tem um só nome: Cristo!

Mas a questão permanece no quotidiano da minha vida:
bem no concreto de cada instante,
em cada desafio, em cada decisão, em cada juízo.
O que é a verdade? Em que é que consiste?
Como é que eu a descubro no correr dos meus dias?

A vida não é feita a preto e branco, mas cheia de matizes
e de mentiras disfarçadas de verdade.
Posso sempre encontrar perspectivas e argumentos contraditórios
sobre a mesma realidade.

Mas Deus não me deixou só neste dilema.
Deu-me critérios na Palavra ensinada,
deu-me Pastores a quem seguir,
e deu-me a Igreja como morada,
onde a verdade brilha para todos os que a procuram de coração sincero.

Pilatos tinha a verdade diante de si e não A reconheceu?
E eu…?


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um belíssimo texto de Teófilo de Antioquia

Deus é visível para aqueles que são capazes de O ver, porque têm abertos os olhos da alma. Todos têm olhos; mas alguns têm-nos velados e não vêem a luz do sol. Se os cegos não vêem, nem por isso se conclui que não brilha a luz do sol; a si mesmos e a seus olhos devem atribuir a falta de visão. É o que se passa contigo: tens os olhos da alma velados pelos teus pecados e acções perversas. 

A alma do homem deve ser pura como um espelho resplandecente. Quando um espelho está baço, não pode o homem contemplar nele o seu rosto; do mesmo modo, quando há pecado no homem, não lhe é possível ver a Deus. Mas se quiseres, podes curar-te: entregar-te nas mãos do médico, e ele tratará os olhos da tua alma e do teu coração. Quem é este médico? É Deus, que pelo seu Verbo e Sabedoria dá vida e saúde a todas as coisas.

Se compreenderes tudo isto, ó homem, se a tua vida for santa, pura e piedosa, poderás ver a Deus; se deres preferência no teu coração à fé e ao temor de Deus, então compreenderás.


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O Ateísmo é uma escolha racional?

A pergunta que colocamos aqui deve ser bem entendida: não perguntamos se os ateus são racionais, coisa que seria absurda; nem mesmo perguntamos se os ateus são inferiores aos teístas, ou se a crença em Deus “não necessariamente torna uma pessoa melhor”, como apareceu numa recente pesquisa no Brasil. O que questionamos agora é se o ateísmo, enquanto sistema de pensamento seja coerente. Mais precisamente, perguntamos se é sensato afirmar a não existência de Deus e o relativismo. Poderá ser verdade que não exista nenhuma verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que Deus não exista?

Talvez haja quem pense que a questão aqui proposta seja absurda. E pode vir à mente do leitor a recordação do jovem Ivan, personagem de Irmãos Karamázov, que defendia que se Deus e as religiões não existissem, tudo passaria a estar permitido. Aquela personagem manifestava assim o desejo de uma liberação: ao livrar-se da crença em Deus, o homem ficaria livre de todo dogmatismo, tanto teórico, quanto moral. A negação de Deus traria o fim da “lei natural” e do dever de amar o mundo e ao próximo. 

A mesma libertação quis experimentar F. Nietzsche ao declarar a morte de Deus, ou melhor, ao dizer que os homens o haviam assassinado. De modo que para eles a negação ou “morte” de Deus não estaria fundamentada no relativismo, mas seria a origem do relativismo. A afirmação da não existência de Deus seria uma escolha, algo indiscutível e impossível de ser demonstrado a partir de verdades anteriores. E aceitá-lo seria assumir a crença num novo dogma que faria desmoronar todos os demais dogmas. O ateísmo fundaria assim o relativismo na moral e no conhecimento humano. 

Embora isto seja claro, é comum pensar que o relativismo funda o ateísmo; que as pessoas que não aceitam Deus, fazem-no porque não querem aceitar a existência da verdade, à qual deveriam submeter-se. Isso é um absurdo. O ateísmo parte de uma afirmação que tem valor de verdade absoluta: Deus não existe. Se essa afirmação não fosse tomada pelos ateus como verdade, eles simplesmente deixariam de ser ateus. O relativismo para eles se dá somente nas “verdades” inferiores e todos deveriam submeter-se ao imperativo único da nova moral: é proibido estabelecer regras morais. 

O interessante é que F. Nietzsche e outros conhecidos filósofos ateus reconheceram que afirmar o relativismo cognoscitivo e o ateísmo é em si mesmo contraditório. O motivo seria que o relativismo implica a afirmação da não existência de verdades absolutas; mas isso baseia-se, por sua vez, numa verdade absoluta: a não existência de Deus. Sendo assim, a afirmação da não existência de Deus implica a afirmação da sua existência. 

Outros pensadores ateus que perceberam bem as contradições do ateísmo contemporâneo foram M. Horkheimer e Th. Adorno. De facto, diziam numa obra conjunta, A Dialética do Iluminismo, citando a Nietzsche: «Percebemos “que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”. Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo». 

Esses autores, ateus e relativistas, que se reconhecem como “não conhecedores e antimetafísicos” alimentam a verdade de sua fé ateia naquela cristã, já presente em Platão: a fé na existência da verdade divina. De modo que só pode afirmar a não existência de Deus, quem aceita que há uma verdade absoluta, divina. Em outras palavras, só pode negar a Deus quem previamente o afirma. Por isso, o ateísmo, ao negar a Deus e a verdade das coisas (que é sempre relativa ao sujeito que a conhece e é progressiva), reinvindica para si mesmo o caráter absoluto, próprio do mesmo Deus, estabelecendo assim um novo dogmatismo. Portanto, o ateísmo não existe; nada mais é do que uma espécie de idolatria que consiste no colocar-se a si mesmo e as próprias convicções pessoais, por mais contraditórias que possam ser, no lugar de Deus, o único que garante toda a verdade.

Pe. Anderson Alves in Zenit


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domingo, 27 de janeiro de 2013

Tempo comum: sinal verde para a Santidade




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Que grandeza é a Sua? - Santo Agostinho

Cristo tinha de vir na nossa carne: não um outro, anjo ou embaixador, era Cristo Quem tinha de vir, em pessoa, para nos salvar (Is 35,4). Teve de nascer em carne mortal: eis pois um menino, deitado numa manjedoura, envolto em panos, alimentado ao peito, que havia de crescer com os anos e, por fim, de morrer cruelmente. Tantos testemunhos de profunda humildade. Quem nos dá tais exemplos de humildade? O Altíssimo.

Que grandeza é a Sua? Não a procures na terra, sobe à altura dos astros. Quando chegares às legiões dos anjos, ouvirás dizer: «Sobe mais alto, acima de onde estamos». Quando tiveres subido até aos Tronos, Dominações, Principados e Potestades (Col 1,16), ouvi-los-ás ainda dizer: «Sobe mais alto, que nós próprios somos ainda criaturas», «por Ele é que tudo começou a existir» (Jo 1,3). Eleva-te pois acima de todas as criaturas, de tudo o que foi formado, de tudo o que recebeu existência, de todos os seres que mudam, corporais ou incorporais, numa palavra, acima de tudo. A tua vista não alcança ainda tais alturas; é pela fé que tens de te elevar até lá, é a fé que te deve conduzir ao Criador. Lá, contemplarás o Verbo, que era no princípio. 

Ora esse Verbo que estava em Deus, esse Verbo que era Deus, por Quem todas as coisas foram feitas, sem Quem nada teria sido feito, e em Quem estava a vida, desceu até nós. Que éramos nós? Mereceríamos que Ele descesse até nós? Não, nós éramos indignos de que Ele tivesse compaixão de nós, mas Ele era digno de ter piedade de nós.


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O Dress Code para o Vaticano: Devia ser universal?


O dress code de modéstia obrigatório para entrar na Basílica de S. Pedro proíbe:

  • chapéus para leigos dentro da basílica
  • calções/saias acima dos joelhos
  • camisas/camisolas sem mangas
  • camisas/camisolas que expõem o umbigo
  • camisas/camisolas para as mulheres que apresentem relevo
  • camisas/camisolas com coisas profanas
  • excesso de jóias
  • o uso de telemóveis também é proibido, assim como fumar.
Na minha humilde opinião de leigo, este mesmo dress code devia ser impresso e afixado na porta de todas a Igrejas Católicas na Terra... O vestuário imodesto que se vê  aos Domingos passa o limite.

O pior é que as pessoas (especialmente as mães) costumavam ter um sentido culto de decência. Hoje em dia isto perdeu-se de tal modo que os homens e mulheres crescidos não vêem nada de mal em entrar numa igreja meio vestidos. A solução não é julgar e envergonhar os outros, mas trazer uma reeducação sobre o que é modesto e apropriado.

PS: Palavras de Nossa Senhora de Fátima em 1917: "Certos estilos e modas estão a ser introduzidos que ofendem gravemente o Meu Divino Filho." by Taylor Marshall


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O trabalho da Congregação para a Doutrina da Fé

A Congregação para a Doutrina da Fé é um dicastério da cúria romana, ou seja, um organismo eclesiástico que assiste o papa no governo da Igreja. A incolumidade da fé cristã é um bem imensurável. Salvaguardar a doutrina de Jesus, pregada há mais de dois mil anos, é uma das principais obrigações da Igreja católica. Afinal de contas, é a guardiã do depositum fidei. O que adianta ouvirmos discursos aparentemente bonitos, mas que veiculam teses carcomidas e impuras? É a mesma história do sepulcro caiado... Precisamos da verdade; alimentamo-nos dela.

Entre os misteres da Congregação para a Doutrina da Fé, destaca-se a análise de livros sob suspeita. No passado não muito remoto, houve casos em que livros com heresias chegaram a circular na forma de manuais em seminários e institutos de teologia. Que desgraça! Vicissitude assaz triste, pois conspurcou-se a sagrada palavra de nosso Senhor Jesus Cristo, deixando abstrusas as mentes dos jovens estudantes.

O povo de Deus não está interessado na quimera e “originalidade” de certas teorias. Com efeito, ele anela pela sã doutrina, que efectivamente o libertará do jugo opressor do relativismo.  No fundo, os católicos sempre quiseram saber apenas o que o magistério infalível ensina. Por este motivo, determinadas obras literárias que comunicam a posição do autor, em detrimento da ortodoxia, são denunciadas pela Congregação. É imprescindível defender sobretudo o crente simples e vulnerável, que não dispõe de conhecimentos teológicos para separar o joio do trigo, vale dizer, para diferençar um ensinamento cristão autêntico de um reles parecer arbitrário.  

Temos de ponderar que realmente não é agradável assumir a tarefa de chamar a atenção dos teólogos, professores e escritores que desbordam do catolicismo e, às vezes, puni-los com medidas canonicas medicinais. Todavia, como se costuma dizer: alguém tem de fazer o serviço! E é um serviço que não há de ser adiado, sob pena de ocorrerem grandes estragos na cabeça das pessoas incautas.

De quando em quando, é salutar darmos uma olhada no site da Congregação (www.doctrinafidei.va), com o intuito de verificar se existem novas notas doutrinais ou disciplinares  a respeito de livros que destoem do magistério eclesial.

   
Rezemos, pois, pelos membros da Congregação para a Doutrina da Fé, de modo especial pelo atual prefeito, dom Gerhard Ludwig Muller, impetrando a Deus que este dicastério continue impávido na missão de auxiliar o sucessor de são Pedro a confirmar os cristãos na verdadeira e inconcussa fé.

Edson Sampel in Zenit


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Graças à conversão de São Paulo temos este belo hino (1Cor 13)

1Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou como um bronze que soa
ou um címbalo que retine.
2Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas,
se não tiver amor, nada sou.
3Ainda que eu distribua todos os meus bens
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor, de nada me aproveita.
4O amor é paciente,
o amor é prestável,
não é invejoso,
não é arrogante nem orgulhoso,
5nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita nem guarda ressentimento.
6Não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
7Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
8O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
9Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
10Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
11Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.
12Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.
13Agora permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor;
mas a maior de todas é o amor.


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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Hoje em dia é preciso dizer o óbvio




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Os mais Infelizes e Miseráveis - Pe. Nuno Serras Pereira

O povo na sua rudeza diz verdades como punhos embora, não poucas vezes, de um modo desajeitado. É o caso, por exemplo, quando sentencia: se a vida eterna não existe, Deus para que é que serve? Literalmente esta interrogação poderá parecer um disparate ou uma blasfémia. Mas se atentarmos bem, o que ela significa é que se Deus não é eterno então não é Deus; e se não é Deus é então um ídolo vão que podemos e devemos repudiar. Porém, se Deus existe, então não só é eterno como nos pode fazer participantes dessa Sua vida. Não só livrando-nos da mortalidade definitiva, mas redimindo-nos da morte segunda, isto é, da condenação, ou perdição, eterna. Esse resgate que o mundo antigo ansiava com ardor aconteceu de um modo que superou qualitativamente tudo quanto os povos e os sábios poderiam esperar. Esse acontecimento impensável deu-Se quando o Imenso, o Omnipotente, o Infinito, Se fez um de nós, minúsculo, mínimo, no seio de uma Virgem, para, uma vez Dela nascido, passar fazendo o bem, combatendo os demónios, e finalmente, carregando com os nossos pecados e misérias, dar a Sua vida, passando para nós a sua Inocência, numa Cruz, ser sepultado e Ressuscitar ao terceiro dia.

Isto que todo o cristão teoricamente sabe, de facto, na vida prática parece ignorá-lo inteiramente. Sinais eloquentes desta necedade consistem, a meu ver, numa profusão de documentos episcopais cuja atenção sistemática parece concentrar-se nos problemas político-sociais da vida presente, à margem de considerações, de fundo, de ordem teológico-espirituais, que tenham em conta as consequências eternas das atitudes e decisões, conscientes e livres, dos cristãos a quem se dirigem. Dá a impressão que muitos membros da Igreja vêem a sua missão como meramente política e social, esquecendo ou relegando para segundo plano, a Evangelização explícita de Jesus Cristo Redentor, o Ressuscitado, que morrendo aniquilou a morte e ressuscitando restaurou a vida.

Fruto venenoso desta mentalidade meramente mundana é claramente a indiferença e a culpabilidade com que se distribui a Sagrada Comunhão a políticos e outros personagens públicos que manifestamente vivem em pecado grave. Estes sacrilégios consentidos se não mesmo promovidos são fruto de um calculismo e de uma negociação, ainda que implícita, em vista de proveitos eclesiais de índole temporal. Mas chegados aqui importa perguntar: que aproveita à Igreja ganhar o mundo inteiro se vier perder-se a si mesma? Ou então lembrar o que afirma S. Paulo: Se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. 

Enquanto, todos nós, pensarmos que a nossa Fé não é mais do que uma sabedoria para viver neste mundo em vista de um maior bem-estar estaremos a atraiçoá-la e a cavar a nossa infelicidade e miséria.

Importa, pois, viver permanentemente à luz da eternidade que nos espera, para não sermos contados entre os mais infelizes e miseráveis. Todos os que fomos justificados pela Fé seremos julgados pelo Amor verdadeiro e efectivo que praticámos.


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