segunda-feira, 8 de abril de 2013

Destruir Portugal - João César das Neves

Somos a geração que está a destruir Portugal. Daqui a décadas, aqueles que viverem nos escombros do que foi Portugal olharão para trás e culpar-nos-ão da sua situação. Apesar do nosso hábito pedante de condenar épocas antigas por males que lhes assacamos, as acusações que um dia ouviremos nunca as pudemos atribuir aos antigos.

Na sua amargura, os futuros terão dificuldade em acreditar que, apesar do desvario, tivéssemos momentos de lucidez e vislumbre da futura destruição. Hoje, no meio da crise, muitos dizem que Portugal está destruído. Só que, até admitindo o mal, a tacanhez que arruína o País está activa e distorce a compreensão. Os disparates que acompanham queixas e acusações manifestam, nelas próprias, o terrível vício que destrói Portugal.

Aqueles que agora contemplam a desgraça que cairá sobre nós começam logo por se considerar totalmente inocentes. São sempre outros os culpados. Como se um punhado de vilões, mesmo em posição de poder, conseguisse uma devastação destas. Muitos até dizem identificar os bandidos, lançando-se afanosamente em intensa e mesquinha campanha de denúncia e insulto. Assim manifestam a mesma desgraçada grosseria.

Pior é que o diagnóstico da situação, os males considerados e as curas recomendadas são tão laterais, incipientes e tolas que, em si mesmas, manifestam o vício que destrói Portugal. A razão por que tantos bramam que se arruína o País tem a ver com... dinheiros. É espantoso, mas muitos estão mesmo convencidos de que a recessão será irremediável e as dificuldades económicas fatais. O nosso problema é, afinal, falência de lojas e restaurantes, desemprego alto, dívida pública.

Isto permite compreender a desgraçada atitude que arrasa um povo. Pondo a nossa esperança a esse nível, colocando a nossa ânsia nesses temas, tendo a razão de ser em coisas dessas, não admira que se devaste uma nação. "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6,21)

De facto, a destruição de Portugal não tem nada a ver com isso. Esta crise estará esquecida dentro de anos, como tantas para trás, a maioria bastante pior. Aquilo que o tempo não pode apagar, aquilo que chega para aniquilar o País é a destruição da família e a extinção da natalidade. Com a taxa de fertilidade mais baixa da Europa Ocidental e das mais baixas do mundo, o casamento em vias de extinção, o divórcio em níveis nunca vistos e a educação na quinta década sucessiva de crise, não admira que as próximas gerações acusem este tempo dos seus males.

Em 2010, último ano com dados para a amostra completa, éramos o terceiro país dos 15 da Europa com mais divórcios e o quarto com menos casamentos. Com apenas mais 1.3 casamentos do que divórcios por mil habitantes, o nosso País mostra uma precariedade familiar que é difícil de replicar na história do mundo, e raramente se encontra fora de situações de calamidade nacional. Não podemos ter dúvidas de que estamos a destruir Portugal.

Nos cinco anos desde 2007 já houve mais de 80 mil abortos, cerca de dez vezes os soldados portugueses mortos nos 14 anos de Guerra Colonial. Muitos se queixaram das cicatrizes que esse conflito deixou na geração que a suportou. Mas ninguém ouve sequer a voz da geração que hoje é sacrificada a "razões socioeconómicas" e à "opção da mulher". E o genocídio não demora apenas 14 anos. Sem fim à vista, continua galopante.

Entretanto, muita gente acha Portugal perdido pela concorrência chinesa, reforma do Estado ou participação no euro. O disparate chega para revelar a infantilidade. Quando souberem que pensamos assim, os futuros habitantes desta terra perceberão a mesquinhez da nossa atitude. Os nossos poucos descendentes e todos aqueles que vierem de longe tapar o buraco populacional que deixámos vão entender como foi possível que fizéssemos esta desgraça.

Afinal, a atitude egoísta e interesseira que endividou o País, trazendo-o à crise, é a mesma que hoje motiva as lamúrias e os insultos e que promove o divórcio, despreza a fertilidade e prefere o aborto. Sem filhos não há futuro.


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domingo, 7 de abril de 2013

Homilia do Papa na tomada de posse da Cátedra do Bispo de Roma

Amados irmãos e irmãs!

Com alegria, celebro pela primeira vez a Eucaristia nesta Basílica Lateranense, a Catedral do Bispo de Roma. Saúdo a todos vós com grande afecto: o Cardeal Vigário, os Bispos Auxiliares, o Presbitério diocesano, os Diáconos, as Religiosas e os Religiosos e todos os fiéis leigos. Caminhamos juntos na luz do Senhor Ressuscitado.

1.Hoje celebramos o Segundo Domingo de Páscoa, designado também «Domingo da Divina Misericórdia». A misericórdia de Deus: como é bela esta realidade da fé para a nossa vida! Como é grande e profundo o amor de Deus por nós! É um amor que não falha, que sempre agarra a nossa mão, nos sustenta, levanta e guia.

2.No Evangelho de hoje, o apóstolo Tomé experimenta precisamente a misericórdia de Deus, que tem um rosto concreto: o de Jesus, de Jesus Ressuscitado. Tomé não se fia nos demais Apóstolos, quando lhe dizem: «Vimos o Senhor»; para ele, não é suficiente a promessa de Jesus que preanunciara: ao terceiro dia ressuscitarei. Tomé quer ver, quer meter a sua mão no sinal dos cravos e no peito. E qual é a reacção de Jesus? A paciência: Jesus não abandona Tomé relutante na sua incredulidade; dá-lhe uma semana de tempo, não fecha a porta, espera. E Tomé acaba por reconhecer a sua própria pobreza, a sua pouca fé. «Meu Senhor e meu Deus»: com esta invocação simples mas cheia de fé, responde à paciência de Jesus. Deixa-se envolver pela misericórdia divina, vê-a à sua frente, nas feridas das mãos e dos pés, no peito aberto, e readquire a confiança: é um homem novo, já não incrédulo mas crente.

Recordemos também o caso de Pedro: por três vezes renega Jesus, precisamente quando Lhe devia estar mais unido; e, quando toca o fundo, encontra o olhar de Jesus que, com paciência e sem palavras, lhe diz: «Pedro, não tenhas medo da tua fraqueza, confia em Mim». E Pedro compreende, sente o olhar amoroso de Jesus e chora... Como é belo este olhar de Jesus! Quanta ternura! Irmãos e irmãs, não percamos jamais a confiança na paciente misericórdia de Deus!

Pensemos nos dois discípulos de Emaús: o rosto triste, passos vazios, sem esperança. Mas Jesus não os abandona: percorre juntamente com eles a estrada. E não só; com paciência, explica as Escrituras que a Si se referiam e pára em casa deles partilhando a refeição. Este é o estilo de Deus: não é impaciente como nós, que muitas vezes queremos tudo e imediatamente, mesmo quando se trata de pessoas. Deus é paciente connosco, porque nos ama; e quem ama compreende, espera, dá confiança, não abandona, não corta as pontes, sabe perdoar. Recordemo-lo na nossa vida de cristãos: Deus sempre espera por nós, mesmo quando nos afastamos! Ele nunca está longe e, se voltarmos para Ele, está pronto a abraçar-nos.

Sempre me causa grande impressão a leitura da parábola do Pai misericordioso; impressiona-me pela grande esperança que sempre me dá. Pensai naquele filho mais novo, que estava na casa do Pai, era amado; e todavia pretende a sua parte de herança; abandona a casa, gasta tudo, chega ao nível mais baixo, mais distante do Pai; e, quando tocou o fundo, sente saudades do calor da casa paterna e regressa. E o Pai? Teria ele esquecido o filho? Não, nunca! Está lá, avista-o ao longe, tinha esperado por ele todos os dias, todos os momentos: sempre esteve no seu coração como filho, apesar de o ter deixado e malbaratado todo o património, isto é, a sua liberdade; com paciência e amor, com esperança e misericórdia, o Pai não tinha cessado um instante sequer de pensar nele, e logo que o vê, ainda longe, corre ao seu encontro e abraça-o com ternura – a ternura de Deus –, sem uma palavra de censura: voltou! Deus sempre espera por nós, não se cansa. Jesus mostra-nos esta paciência misericordiosa de Deus, para sempre reencontrarmos confiança, esperança! Romano Guardini dizia que Deus responde à nossa fraqueza com a sua paciência e isto é o motivo da nossa confiança, da nossa esperança (cf. Glabenserkenntnis, Wurzburg 1949, p. 28).

3.Gostava de sublinhar outro elemento: a paciência de Deus deve encontrar em nós a coragem de regressar a Ele, qualquer que seja o erro, qualquer que seja o pecado na nossa vida. Jesus convida Tomé a meter a mão nas suas chagas das mãos e dos pés e na ferida do peito. Também nós podemos entrar nas chagas de Jesus, podemos tocá-Lo realmente; isto acontece todas as vezes que recebemos, com fé, os Sacramentos. São Bernardo diz numa bela Homilia: «Por estas feridas [de Jesus], posso saborear o mel dos rochedos e o azeite da rocha duríssima (cf. Dt 32, 13), isto é, posso saborear e ver como o Senhor é bom» (Sobre o Cântico dos Cânticos 61, 4). 

É precisamente nas chagas de Jesus que vivemos seguros, nelas se manifesta o amor imenso do seu coração. Tomé compreendera-o. São Bernardo interroga-se: Com que poderei contar? Com os meus méritos? Mas «o meu mérito está na misericórdia do Senhor. Nunca serei pobre de méritos, enquanto Ele for rico de misericórdia: se são abundantes as misericórdias do Senhor, também são muitos os meus méritos» (ibid., 5). Importante é a coragem de me entregar à misericórdia de Jesus, confiar na sua paciência, refugiar-me sempre nas feridas do seu amor. São Bernardo chega a afirmar: «E se tenho consciência de muitos pecados? “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20)» (ibid., 5). Talvez alguém possa pensar: o meu pecado é tão grande, o meu afastamento de Deus é como o do filho mais novo da parábola, a minha incredulidade é como a de Tomé; não tenho coragem para voltar, para pensar que Deus me possa acolher e esteja à espera precisamente de mim. Mas é precisamente por ti que Deus espera! Só te pede a coragem de ires ter com Ele. Quantas vezes, no meu ministério pastoral, ouvi repetir: «Padre, tenho muitos pecados»; e o convite que sempre fazia era este: «Não temas, vai ter com Ele, que está a tua espera; Ele resolverá tudo». Ouvimos tantas propostas do mundo ao nosso redor; mas deixemo-nos conquistar pela proposta de Deus: a proposta d’Ele é uma carícia de amor. 

Para Deus, não somos números; somos importantes, antes, somos o que Ele tem de mais importante; apesar de pecadores, somos aquilo que Lhe está mais a peito.Depois do pecado, Adão sente vergonha, sente-se nu, sente remorso por aquilo que fez; e todavia Deus não o abandona: se naquele momento começa o exílio longe de Deus, com o pecado, também já existe a promessa do regresso, a possibilidade de regressar a Ele. Imediatamente Deus pergunta: «Adão, onde estás?» Deus procura-o. Jesus ficou nu por nós, tomou sobre Si a vergonha de Adão, da nudez do seu pecado, para lavar o nosso pecado: pelas suas chagas, fomos curados. Recordai-vos do que diz São Paulo: De que poderei eu gloriar-me senão da minha fraqueza, da minha pobreza? É precisamente sentindo o meu pecado, olhando o meu pecado que posso ver e encontrar a misericórdia de Deus, o seu amor, e ir até Ele para receber o seu perdão.

Na minha vida pessoal, vi muitas vezes o rosto misericordioso de Deus, a sua paciência; vi também em muitas pessoas a coragem de entrar nas chagas de Jesus, dizendo-Lhe: Senhor, aqui estou, aceita a minha pobreza, esconde nas tuas chagas o meu pecado, lava-o com o teu sangue. E sempre vi que Deus o fez: Deus acolheu, consolou, lavou e amou.Amados irmãos e irmãs, deixemo-nos envolver pela misericórdia de Deus; confiemos na sua paciência, que sempre nos dá tempo; tenhamos a coragem de voltar para sua casa, habitar nas feridas do seu amor deixando-nos amar por Ele, encontrar a sua misericórdia nos Sacramentos. Sentiremos a sua ternura, sentiremos o seu abraço, e ficaremos nós também mais capazes de misericórdia, paciência, perdão e amor.


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Domingo da Divina Misericórdia

“O Meu Coração está repleto de grande Misericórdia para com as almas, especialmente para com os pobres pecadores. Quero que saibam que Eu sou para eles o melhor Pai, e que por eles jorrou do Meu Coração o Sangue e a Água como de uma fonte transbordante de Misericórdia. Por eles resido no Sacrário e, como Rei de Misericórdia, desejo conceder graças às almas. 

Como é grande a indiferença das almas diante de tanta bondade, de tantas provas de amor! Para tudo têm tempo, apenas não têm tempo para vir buscar as Minhas Graças!” 


in Diário de Santa Faustina, 367


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sábado, 6 de abril de 2013

Algumas estatísticas sobre a Igreja Católica

1. Número de católicos no mundo 
A 31 de Dezembro de 2010 havia 1.195.671.000 de católicos no mundo, acima dos 1.114.966.000 que havia em 2005. Quer dizer que entre 2005 e 2010 o número de baptizados na Igreja católica cresceu 80 milhões de pessoas, com um aumento constante de entre 15 a 19 milhões por ano. Na lista de países por número de habitantes, 80 milhões de pessoas equivaleriam ao 17º lugar do planeta, ligeiramente abaixo da Alemanha. Em percentagem, em 2005, 17,25% da população mundial era católica; em 2010 era 17,46%.

Se a Igreja na América era a que mais crescia em 2005, a partir de 2007 desponta a África; mas o número de católicos aumentou em todos os continentes. Os motivos podem ser muito variados conforme os países; a actividade missionária, a migração de população, o aumento natural da população já católica, o baptismo ou a profissão de fé de adultos, etc.

2. Católicos por continentes
- Europa: aumenta, revertendo dados negativos de anos anteriores, em 1.906.000 pessoas (2005), 1.466.000 (2006), 1.132.000 (2007), 193.000 (2008) e 894.000 (2010): 5.591.000 católicos mais no total.

- Ásia: cresce em 3.083.000 católicos (2005), 1.894.00 (2006), 2.428.000 (2007), 3.152.000 (2008) e 3.801.00 (2010): no total, 14.358.000 novos católicos.

- África: aumenta 4.653.000 católicos (2005), 4.843.000 (2006), 6.612.000 (2007), 8.025.000 (2008) e 6.140.000 (2010): no total, 30.273.000 católicos mais.

- América: cresce em 6.828.000 pessoas (2005), 7.451.00 (2006), 5.535.000 (2007), 7.579.000 (2008) e 3.986.000 (2010): no total, 31.379.000 católicos mais.

- Oceânia: com números mais modestos, porque a população total também é mais pequena, aumenta também o número de batizados: 130.000 (2005), 130.000 (2006), 199.000 (2007), 109.000 (2008) e 185.000 (2010): no total, 753.000 católicos mais.

3. Forte Fixação da Igreja
 Este incremento no número de fiéis manifesta-se indirectamente noutros dados de organização eclesiástica (circunscrições, Bispos e pontos de missão). 

- Circunscrições eclesiásticas (dioceses, vicariatos, prelaturas...): passam de 2.915 em 2005 para 2.966 em 2010. Em África passam de 502 para 525; na América, de 1.066 para 1.914; na Ásia, de 693 para 758; na Europa, de 1.560 para 1.606; na Oceânia, de 126 para 129.

- Bispos: de 4.841 (3.650 diocesanos e 1.191 religiosos) em 2005, para 5.104 (3.871 diocesanos e 1.233 religiosos) em 2010. Por continentes, em África passam de 630 para 697; na América, de 1.832 para 1.914; na Ásia, de 693 para 758; na Europa, de 1.560 para 1.606; na Oceânia, de 126 para 129.

- Estações missionárias: em 2010, havia 133.682 missões sem sacerdote: 74.380 em África (67.960 em 2005), 18.445 na América (12.440 em 2005), 39.856 na Ásia (40.807 em 2005), 158 na Europa (89 em 2005) e 843 na Oceânia (576 em 2005).

4. Sacerdotes e seminaristas
 Os sacerdotes passaram de 406.411 em 2005 para 412.236 em 2010. Em 2010, 277.009 sacerdotes eram diocesanos e 135.227 eram religiosos.

A variação no número de sacerdotes é muito diferente nos vários continentes. Enquanto na Europa diminuem de forma constante, em África e na Ásia aumentaram significativamente. Em geral, aumentam os diocesanos e diminuem os religiosos.

- Na Europa: 2005, -1.699 sacerdotes; 2006, -1.626; 2007, -2.260; 2008, -1.664; 2010, -905. A variação acumulada é de menos 8.154 sacerdotes.

- Na Ásia: 2005, +1.831 sacerdotes; 2006, +1.228; 2007, +1.521; 2008, +1.120; 2010, +1.695. No total, mais 7.395 sacerdotes.

- Em África: 2005, +1.111 sacerdotes; 2006, +1.108; 2007, +1.180; 2008, +953; 2010, +761. A variação é de mais 5.113 sacerdotes.

- Na América: 2005, -639 sacerdotes; 2006, +124; 2007, +376; 2008, +659; 2010, +40. O balanço é de mais 560 sacerdotes.

- Na Oceânia: 2005, -84 sacerdotes; 2006, +17; 2007, -55; 2008, +74; 2010, +52. Em resumo, mais 4 sacerdotes.

Outro dado orientador é o estado dos seminários e as vocações sacerdotais. Tendo em conta somente os seminários maiores, em 2010, os seminaristas diocesanos eram 71.974 (mais 755 em relação ao ano anterior) e os religiosos, 47.016 (mais 257). Os dados por continente são os que se indicam:

- Europa: 2005, -443; 2006: -340; 2007, -457; 2008, -950; 2010, -282. No total, menos 2.472 seminaristas.

- Ásia: 2005, +846; 2006, +636; 2007, +595; 2008, +1.380; 2010, +513. No total, mais 3.970 seminaristas.

- África: 2005, +789; 2006, +454; 2007, +659; 2008, +878; 2010, +752. No total, mais 3.532 seminaristas.

- América: 2005, +210; 2006, +259; 2007, -381; 2008, -267; 2010, +29. No total, 150 novos seminaristas.

- Oceânia: 2005, -7; 2006, +32; 2007, +5; 2008, +64; 2010: sem variações. No total, mais 94 seminaristas.

5. Trabalho assistencial da Igreja
 A Igreja leva a cabo o exercício da caridade não somente na sua tarefa pastoral corrente, mas também através de múltiplas instituições, especialmente no âmbito da educação, da saúde e da assistência. As necessidades variam entre continentes, mas como resumo global entre 2005 e 2010, a evolução foi a seguinte:

 - Escolas infantis: de 64.279 (6.166.000 alunos) para 70.544 (6.478.000 alunos)
 - Escolas de ensino básico: de 91.480 (28.084.000 alunos) para 92.847 (31.151.000 alunos)
- Escolas de ensino secundário: de 39.096 (16.232.000 alunos) para 43.591 (17.793.000 alunos)
- Escolas superiores: de 1.813.000 alunos para 2.304.000 alunos
- Universidades: 2.789.000 alunos para 3.338.000 alunos
- Hospitais: de 5.246 para 5.305 (sobretudo na América)
- Dispensários: de 17.530 para 18.179 (em África e na América em maior número)
- Leprosarias: de 577 para 547 (sobretudo na Ásia)
- Casas para idosos, doentes e deficientes: de 15.208 para 17.233 (sobretudo na Europa)
- Orfanatos: de 9.616 para 9.882 (sobretudo na Ásia)
- Jardins de infância: de 10.939 para 11.379 (na América e Ásia sobretudo)
- Centros de consulta matrimonial: de 13.485 para 15.327 (na América e na Europa sobretudo)
- Centros de educação ou reeducação social: de 31.312 para 34.331 (sobretudo na Europa e na América)
- Não especificados: de 10.825 para 9.391

6. Alguns casos concretos
 Nos Estados Unidos, no ano passado, houve 43.692 baptismos de adultos e 76.588 pessoas recebidas na plena comunhão com a Igreja, semelhante a 2011, com 43.335 baptismos e 72.859 profissões de fé. Não se contaram os baptismos de crianças.

 Na Coreia do Sul, no ano de 2000, havia 4.071.560 católicos; em 2005, 4.667.283; em 2010, 5.205.589: um aumento de mais de um milhão de pessoas numa população de 50 milhões. Nesta década, o país passou de 25 bispos para 32  e de 3.025 sacerdotes (200 estrangeiros) para 4.490 (100 estrangeiros). Manteve uma média de 1.400 seminaristas e de 140.000 baptismos anuais.

A Nigéria tem mais de 11.000 seminaristas. Um exemplo: o seminário da Província Eclesiástica de Onitsha, Bigard Memorial Seminary, é o maior do mundo. Começou em 1922 com 5 seminaristas. A partir de 1975, o número de seminaristas cresceu de tal modo que foi necessário criar novos seminários: em 1976 começou uma nova sede em Ikot-Ekpene, em 1984 outra em Owerri (com mais de 500 seminaristas actualmente) e em 1997 mais uma em Awka (com mais de 200 seminaristas). Agora, com uma sede em Enugu e três campus, trabalham em Bigard Memorial Seminary 85 professores e residem 1.255 estudantes. Daí saíram 3 cardeais, 10 arcebispos e 26 bispos.

Nos países da península arábica, a população de estrangeiros que se mudaram por motivos de trabalho provocou uma presença de católicos inexistente anteriormente. Embora não haja dados oficiais, o Vicariato Apostólico da Arábia do Norte calcula que há um milhão de católicos na Arábia Saudita, 350.000 no Kuwait, 80.000 no Bahrein e mais de 200.000 no Qatar. O Vicariato Apostólico da Arábia do Sul cobre Oman, os Emiratos Árabes Unidos e o Iémen e calcula-se que tem no mínimo 1.300.000 fiéis.

Resumo de alguns dados estadísticos sobre a Igreja Católica no período 2005-2010. Fonte: Anuário Estatístico da Igreja (www.fides.org)


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Ciência e Religião




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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sacerdote brutalmente assassinado na Índia

No dia depois do Domingo de Páscoa, a cristianofobia voltou a atacar na Índia. O assassinato do padre K.J. Thomas, de 65 anos, reitor do seminário em Bangalore, no sul do país, ocorreu nesta Segunda-Feira, provavelmente entre as 2h30 e as 3h da madrugada, momento em que se escutaram gritos pavorosos.

Os assassinos, terão entrado no seminário, aproveitando-se da chuva, e desferido ao sacerdote algumas pancadas de tijolo na cabeça.


Quem descobriu o corpo sem vida do Padre Thomas, foi a irmã do reitor, uma religiosa, que o esperava no aeroporto. Não tendo recebido nenhuma resposta dos seus telefonemas, a irmã foi pessoalmente ao seminário, encontrando assim o corpo martirizado do irmão, em cima da mesa da estrutura diocesana.


O crime foi descrito como "brutal, terrível e sem sentido" pelo Arcebispo de Bangalore, monsenhor Bernard Moras. Questionado pela agência Asia News, o prelado descreveu o padre K.J. Thomas como “um sacerdote pio e calmo, cuja morte representa uma grave perda para todos nós e para o seminário especialmente”.


Por sua parte, o cardeal Oswald Gracias, presidente da Conferência Episcopal Indiana, expressou as suas  condolências à família do padre Thomas, aos alunos e aos funcionários do seminário. O reitor assassinado "era um amigo querido e um sacerdote humilde, compassivo, decente e de bom coração, amado por todos", disse o Cardeal Gracias. in Zenit


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As sandálias do pescador - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

Disse-se que Bento XVI calçava Prada, o que a muitos escandalizou. Não faltou quem comparasse o sapato pontifício aos pés descalços dos indigentes, para retirar conclusões que eram mesmo, valha a expressão, de se lhes dar com os pés.

O Papa Francisco, fazendo jus ao nome, fez questão de aparecer em público com sapatos pretos, por sinal já velhos e cambados. Também agora houve clamores de indignação ante a aparente pobretice de um sumo pontífice que parece não compreender as exigências da sua nova condição. Vozes de burro que, como se costuma dizer, não chegam ao céu.

Esta prosaica questão tem antecedentes clássicos, porque já Aquiles tinha problemas com o calcanhar. Não consta se o usava ao léu, revestido de púrpura ou dentro de velhas botas de guerreiro. Mas, para sua desgraça, foi a debilidade do seu calcanhar que passou à história, e não a sua lendária bravura de herói homérico.

Jesus, que certamente trajava modestamente, usava, contudo, uma túnica que não tinha costura, toda tecida de alto a baixo, que foi sorteada pelos soldados que O crucificaram – o que não teria ocorrido se fosse um farrapo. 

Não me escandalizam, portanto, as boas vestes, nem os ricos paramentos e alfaias litúrgicas que Francisco de Assis queria para o culto divino, nem os trajes ou calçados mais simples, como os que ele e os seus frades usavam. Mas incomoda-me a hipocrisia dos que, em vez de atentarem no essencial, se perdem em considerações mesquinhas. Porque, qualquer que seja a sandália do pescador, são sempre “formosos os pés dos que anunciam o Evangelho”! (Rm 10, 15). in jornal i


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terça-feira, 2 de abril de 2013

Para matar saudades (são 8 anos e não 6)




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Há 8 anos no Céu




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Frase do dia

"A blasfémia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — seja ele qual for — e recusa por isso mesmo a redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou." 

Beato João Paulo II


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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Santo Agostinho comenta o evangelho de hoje

"Tendo-se eles reunido com os anciãos, depois de tomarem conselho, deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: «Dizei: Os Seus discípulos vieram de noite e, enquanto nós estávamos a dormir, roubaram-n’O.»” (Mt 28, 13) 

“Enquanto estávamos a dormir, roubaram-n’O”: Astúcia miserável!, apresentas como testemunhas adormecidas? Verdadeiramente estás a dormir tu mesmo ao imaginar semelhante explicação.


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Mentira e verdade

No Dia Internacional da Mentira, 1 de Abril, professamos a maior verdade de todos os tempos: a ressurreição de Jesus Cristo, a Páscoa. Um modernismo destruidor, baseado no agnosticismo, propugna uma visão de mundo sem Deus. A partir desta falácia mentirosa, ou “segunda realidade”, para empregar uma expressão a gosto de alguns filósofos cristãos, tudo o mais na vida se baseia na mentira ou nas meias-verdades, que também são mentiras. 

Jesus é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Temos de acatar obsequiosamente a  doutrina de Jesus tal como ela é, sem a impregnar de inverdades. Assim, a partir da mentira da salvação fora da Igreja Católica, temos de reiterar a verdade de que fora da Igreja, ou sem alguma relação com ela, não há salvação; da mentira das heresias, temos de reforçar a verdade da verdadeira fé, salvaguardada principalmente pelo Papa; da mentira da inexistência do diabo, temos de alertar para a actuação maléfica dos demónios no mundo; da mentira da relação homossexual, temos de apresentar a verdade do amor heterossexual, entre um homem e uma mulher; da mentira do direito da mulher grávida a dispor do seu corpo, temos de inculcar a verdade da autonomia biológica e existencial do nascituro; da mentira do prazer pornográfico, temos de reintroduzir a verdade de que o sexo deve ser praticado apenas no matrimónio; por fim, da mentira do relativismo, temos de expor a verdade clarividente do evangelho de nosso Salvador.

Talvez cada dia 1 de Abril seja mesmo uma oportunidade para identificarmos as mentiras ao nosso redor e mudá-las pelas verdades que, por vezes doem, mas libertam, conforme nos ensinou Jesus: “A verdade vos libertará” (Jo 8,32). 

Edson Sampel in Zenit


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domingo, 31 de março de 2013

Domingo da Ressurreição: Jesus venceu

Passado o Sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram perfumes para irem embalsamar Jesus. Partindo no primeiro dia da semana, de manhã cedo, chegaram ao sepulcro quando o sol já era nascido. Assim começa São Marcos a narração do sucedido naquela madrugada de há dois mil anos, na primeira Páscoa cristã. 

Jesus tinha sido sepultado. Aos olhos dos homens, a Sua vida e a Sua mensagem tinham terminado com o mais rotundo fracasso. Os Seus discípulos, confusos e atemorizados, tinham-se dispersado. As próprias mulheres que vão fazer um gesto piedoso, perguntam umas às outras:quem nos tirará a pedra da entrada do sepulcro? "No entanto, faz notar São Josemaria, continuam... Tu e eu, como andamos de vacilações? Temos esta decisão santa, ou temos de confessar que sentimos vergonha ao contemplar a decisão, a intrepidez, a audácia destas mulheres?". 


Cumprir a Vontade de Deus, ser fiéis à lei de Cristo, viver coerentemente a nossa fé, pode parecer às vezes muito difícil. Apresentam-se obstáculos que parecem insuperáveis. No entanto, não é assim. Deus vence sempre. 


A epopeia de Jesus de Nazaré não termina com a Sua morte ignominiosa na Cruz. A última palavra é a da Ressurreição gloriosa. E os cristãos, no Baptismo, morremos e ressuscitamos com Cristo; mortos para o pecado e vivos para Deus. «Oh Cristo! — dizemos com o Santo Padre João Paulo II — como não Lhe agradecer pelo dom inefável que nos ofereces esta noite! O mistério da Tua Morte e Ressurreição infunde-se na água baptismal que acolhe o homem velho e carnal e o torna puro com a própria juventude divina» (Homilia, 15-IV-2001). 


Hoje a Igreja, cheia de alegria, exclama: este é o dia que o Senhor fez: alegremo-nos e rejubilemos! Grito de júbilo que se prolongará durante cinquenta dias, ao longo do tempo pascal, como um eco das palavras de São Paulo: posto que ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus. Ponde todo o coração nos bens do céu, não nos da terra; porque morreram e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus


É lógico pensar — e assim o considera a Tradição da Igreja — que Jesus Cristo, uma vez ressuscitado, apareceu em primeiro lugar à Sua Santíssima Mãe. O facto de que não apareça nos relatos evangélicos, com as outras mulheres, é — como assinala João Pulo II — um indício de que Nossa Senhora já se tinha encontrado com Jesus.  


«Esta dedução ficaria confirmada também — acrescenta o Papa — pelo dado de que as primeiras testemunhas da ressurreição, por vontade de Jesus, foram as mulheres, as que permaneceram fiéis ao pé da Cruz e, portanto, mais firmes na fé» (Audiência, 21-V-1997). Só Maria tinha conservado plenamente a fé, durante as horas amargas da Paixão; por isso é natural que o Senhor Lhe aparecesse em primeiro lugar. 


Temos que permanecer sempre junto da Virgem, mas mais ainda no tempo de Páscoa, e aprender d’Ela. Com que ânsias tinha esperado a Ressurreição! Sabia que Jesus tinha vindo salvar o mundo e que, portanto, devia padecer e morrer; mas sabia também que não podia ficar sujeito à morte, porque Ele é a Vida. 


Uma boa forma de viver a Páscoa consiste em esforçarmo-nos por fazer os outros participantes da vida de Cristo, cumprindo com primor o mandamento novo da caridade, que o Senhor nos deu na véspera da Sua Paixão: nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Cristo ressuscitado repete-no-lo agora a cada um. Diz-nos: amai-vos de verdade uns aos outros, esforçai-vos todos os dias por servir os outros, estai pendentes dos mais pequenos pormenores, para fazer a vida agradável aos que convivem convosco. 


Mas voltemos ao encontro de Jesus com a Sua Santíssima Mãe. Que contente estaria a Virgem, ao contemplar aquela Humanidade Santíssima — carne da Sua carne e vida da Sua vida — plenamente glorificada! Peçamos-Lhe que nos ensine a sacrificarmo-nos pelos outros sem o fazermos notar, sem esperar sequer que nos agradeçam; que tenhamos fome de passar inadvertidos, para assim possuir a vida de Deus e comunicá-la a outros. Hoje dirigimos-Lhe o Regina Caeli, saudação própria do tempo pascal. Rainha do céu alegrai-vos, aleluia. / Porque Aquele que mereceste trazer em vosso ventre, aleluia. / Ressuscitou como disse, aleluia. / Rogai por nós a Deus, aleluia. / Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, aleluia. / Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia.
D.Javier Echevarría


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O misterioso caso do sepulcro vazio - Pe. Gonçalo Portocarrero

Hércule Poirot alisou o bigode e fez cara de caso e, valha a redundância, o caso não era para menos. Sentados à sua volta estavam, entre outros, os melhores detectives de todos os tempos: Sherlock Holmes, na companhia do indefectível Dr. Watson, Miss Marple, Arsène Lupin e ainda – pasme-se! – o Padre Brown. Poirot levantou-se, pigarreou e disse:

- Madame, messieurs. Estamos aqui para resolver o maior enigma da história da humanidade. O único caso que nenhum detective, até hoje, conseguiu resolver pela razão e que só as célulazinhas cinzentas de todos nós poderão solucionar: o misterioso caso do sepulcro vazio!

Feita esta introdução, naquele tom cerimonioso e um pouco pedante que era próprio do detective belga, o inspector Japp deu a conhecer o caso: um homem, de pouco mais de trinta anos, fora morto e sepultado, tendo sido depois colocados guardas à entrada do sepulcro. Ao terceiro dia, sem que ninguém tivesse violado a sepultura, o corpo desaparecera misteriosamente.

Sherlock Holmes, que não se separava nunca da sua lupa, garantiu aos presentes que ninguém tinha entrado no sepulcro, durante o tempo decorrido entre a morte e o desaparecimento do cadáver, porque não havia quaisquer pegadas. O Dr. Watson, por sua vez, asseverou que a certidão de óbito era clara e conclusiva quanto à morte, provocada por colapso cardíaco fulminante, depois de longa agonia.

Teria o corpo sido roubado pelos familiares ou amigos do defunto? – alvitrou Arsène Lupin. Mas a hipótese não tinha cabimento, uma vez que foram eles próprios que descobriram a sua ausência. Outros seus amigos estavam tão confiantes de que lá estava o cadáver, que tinham regressado à sua terra de origem, supondo tudo definitivamente acabado. Mesmo que alguns quisessem roubar o corpo, não teriam podido faze-lo, dada a existência de guardas armados, impedindo o acesso.

E se tivessem sido os próprios soldados a retirar o corpo? Arriscavam a própria vida e não ganhavam nada com isso – acrescentou o Capitão Hastings, o fiel colaborador de Poirot. Aliás, foram os próprios guardas que, para não serem responsabilizados pelo desaparecimento, puseram a correr o rumor de que, enquanto dormiam, tinham sido os amigos do morto que tinham roubado o cadáver. O que, como é óbvio, não podiam saber se, efectivamente, estavam a dormir!

- Elementar, meu caro Hastings! – disse Sherlock Holmes.

- E a senhora, Miss Marple, que tem a dizer? – perguntou Hércule Poirot.

- Bem, há um aspecto que ainda não foi referido mas que não escapou à minha intuição feminina. No sepulcro, depois de desaparecido o cadáver, encontrou-se no chão a mortalha, que estava vazia, por assim dizer. Parecia como se o corpo dela se tivesse libertado, sem que ninguém o tivesse tirado de lá! Estranho, não é?!

- Sem dúvida! A propósito do sudário – acrescentou Poirot – é curioso que nele tenha ficado gravada uma imagem, apenas esboçada, da vítima.

- Não foi pintada – acrescentou Japp – mas impressa, como se um objecto incandescente tivesse atravessado o pano. Dir-se-ia uma explosão de luz e de energia extraordinária …

No canto da sala, o Padre Brown parecia alheado da discussão. Desgranara já as contas do rosário, que levava sempre no bolso da sotaina puída. A bem dizer, não sabia porque estava ali, entre os maiores detectives mundiais, ele que era apenas um pobre pároco de aldeia. Passara nesse dia várias horas a confessar e, por isso, estava cansado. Distraidamente abriu o velho breviário, recheado de pagelas, e leu, como que num murmúrio: «Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo?» (Lc 24, 5). E um raio de alegria e de esperança iluminou o mundo. Santa Páscoa! in jornal i


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Aleluia! Cristo ressuscitou!

A morte foi vencida! Fomos salvos pelo Amor! Aleluia!


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sábado, 30 de março de 2013

Esta é a noite

Exsúltet iam angélica turba cælórum:
exsúltent divína mystéria:
et pro tanti Regis victória tuba ínsonet salutáris.

Gáudeat et tellus, tantis irradiáta fulgóribus:
et ætérni Regis splendóre illustráta,
tótius orbis se séntiat amisísse calíginem.

Lætétur et mater Ecclésia,
tanti lúminis adornáta fulgóribus:
et magnis populórum vócibus hæc aula resúltet.

[Quaprópter astántes vos, fratres caríssimi,
ad tam miram huius sancti lúminis claritátem,
una mecum, quæso,
Dei omnipoténtis misericórdiam invocáte.
Ut, qui me non meis méritis
intra Levitárum númerum dignátus est aggregáre,
lúminis sui claritátem infúndens,
cérei huius laudem implére perfíciat.]
[V/ Dóminus vobíscum.
R/ Et cum spíritu tuo.]
V/ Sursum corda.
R/ Habémus ad Dóminum.
V/ Grátias agámus Dómino Deo nostro.
R/ Dignum et iustum est.
Vere dignum et iustum est,
invisíbilem Deum Patrem omnipoténtem
Filiúmque eius unigénitum,
Dóminum nostrum Iesum Christum,
toto cordis ac mentis afféctu et vocis ministério personáre.
Qui pro nobis ætérno Patri Adæ débitum solvit,
et véteris piáculi cautiónem pio cruóre detérsit.
Hæc sunt enim festa paschália,
in quibus verus ille Agnus occíditur,
cuius sánguine postes fidélium consecrántur.
Hæc nox est,
in qua primum patres nostros, fílios Israel
edúctos de Ægypto,
Mare Rubrum sicco vestígio transíre fecísti.
Hæc ígitur nox est,
quæ peccatórum ténebras colúmnæ illuminatióne purgávit.
Hæc nox est,
quæ hódie per univérsum mundum in Christo credéntes,
a vítiis sæculi et calígine peccatórum segregátos,
reddit grátiæ, sóciat sanctitáti.
Hæc nox est,
in qua, destrúctis vínculis mortis,
Christus ab ínferis victor ascéndit.
Nihil enim nobis nasci prófuit,
nisi rédimi profuísset.
O mira circa nos tuæ pietátis dignátio!
O inæstimábilis diléctio caritátis:
ut servum redímeres, Fílium tradidísti!
O certe necessárium Adæ peccátum,
quod Christi morte delétum est!
O felix culpa,
quæ talem ac tantum méruit habére Redemptórem!
O vere beáta nox,
quæ sola méruit scire tempus et horam,
in qua Christus ab ínferis resurréxit!
Hæc nox est, de qua scriptum est:
Et nox sicut dies illuminábitur:
et nox illuminátio mea in delíciis meis.
Huius ígitur sanctificátio noctis fugat scélera, culpas lavat:
et reddit innocéntiam lapsis
et mæstis lætítiam.
Fugat ódia, concórdiam parat
et curvat impéria.
In huius ígitur noctis grátia, súscipe, sancte Pater,
laudis huius sacrifícium vespertínum,
quod tibi in hac cérei oblatióne solémni,
per ministrórum manus
de opéribus apum, sacrosáncta reddit Ecclésia.
Sed iam colúmnæ huius præcónia nóvimus,
quam in honórem Dei rútilans ignis accéndit.
Qui, lícet sit divísus in partes,
mutuáti tamen lúminis detrimenta non novit.
Alitur enim liquántibus ceris,
quas in substántiam pretiósæ huius lámpadis
apis mater edúxit.
O vere beáta nox,
in qua terrénis cæléstia, humánis divína iungúntur!
Orámus ergo te, Dómine,
ut céreus iste in honórem tui nóminis consecrátus,
ad noctis huius calíginem destruéndam,
indefíciens persevéret.
Et in odórem suavitátis accéptus,
supérnis lumináribus misceátur.
Flammas eius lúcifer matutínus invéniat:
ille, inquam, lúcifer, qui nescit occásum.
Christus Fílius tuus,
qui, regréssus ab ínferis, humáno géneri serénus illúxit,
et vivit et regnat in sæcula sæculórum.
R/ Amen.


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