quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Frase do dia

"A pureza é o único ambiente em que é possível a paixão." 

G. K. Chesterton


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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

The wonders of abortion, by Planned Parenthood (thank you Obama)




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Os dez mandamentos em África - Pe.Ermanno Battisti

A primeira contribuição ao desenvolvimento do homem africano, que nós, missionários, trazemos a África, é a difusão do conhecimento dos dez mandamentos, que expressam a vontade de Deus para a vida de cada homem e que são o seu fundamento.

A religião tradicional africana, pelo menos na Guiné-Bissau, que eu conheço bem, não dá essa base moral, porque não tem uma moral. A moral é definida caso a caso pelos anciãos da aldeia, de acordo com o que foi feito no passado e é útil hoje para a aldeia. Eles julgam o bem e o mal de acordo com a tradição e com a conveniência do momento. Por exemplo, roubar é mau, mas se o homem de uma tribo rouba os animais de outra etnia e consegue escapar, então eles dizem que ele é corajoso e esperto. Outro exemplo: se uma criança nasce com alguma deformidade, é mau deixá-la na aldeia, porque é um espírito maligno que depois vai fazer mal a todos. Então eles é abandonada na praia ou levam-na para a selva, para deixá-la morrer.

Vou contar uma história que se passou: Uma menina nasceu prematura e a parteira declarou o seguinte, porque a menininha era muito pequena: "Esta aqui não é uma menina, é um espírito". O pai foi falar com o feiticeiro para saber o que fazer. E o feiticeiro, depois de consultar uns pedaços de madeira, disse que era preciso devolver a menina ao mundo dos espíritos da água, de onde ela tinha escapado para vir à terra fazer mal à aldeia. O homem pegou a criança, enrolou-a num pano e a levou até uma espécie de encarregado oficial da aldeia para fazer esse tipo de ritos. Ele esperou a maré baixar e deixou a criança abandonada no ponto mais baixo da praia, para que a maré a levasse embora quando voltasse a subir.

Mas à noite, quando o pai voltou para casa, ele encontrou a menina em cima da cama, ao lado da mãe. O cão da família tinha ido procurar a criança e levou-a de volta para a mãe, carregando-a pela boca, com pano e tudo. O homem ficou assustado e correu de novo até o feiticeiro, que olhou para os pedaços de lenha e respondeu que tinha acontecido um erro: a menina não era um espírito da água, mas um espírito da floresta, e que era na floresta que ele tinha que abandoná-la. A mãe chorou, porque queria salvar a filha, mas o homem a pegou de novo e a entregou ao intermediário, que desta vez a abandonou na selva. Mas os planos de Deus eram diferentes. Mais uma vez, o incrível aconteceu: o cão encontrou-a novamente e levou-a para casa.

Ao rever a filha, o homem se apavorou tanto com aquela suposta perseguição dos espíritos que largou tudo e fugiu de casa. Mas a mãe interpretou que era uma intervenção directa de Deus e ficou com a menina, que cresceu e ficou mais forte a cada dia, como todas as crianças normais.

Passaram os anos e não se soube mais nada do pai, até que um dia, com 20 anos de idade, a jovem encontra um idoso desconhecido. Ele conta-lhe tudo e pede que ela cuide dele. Joana aceita com alegria e fica sempre perto do pai até o dia em que ele morre, nos seus braços, convencido de que ela não era um espírito, mas simplesmente a sua filha.

A Joana é uma senhora muito activa numa paróquia em Bissau. É uma mulher maravilhosa, uma das grandes cristãs do país, não apenas como mãe, mas como cidadã instruída capaz de difundir o Evangelho. in Zenit


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O surf de Deus - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

Não sei se o facto do meu ministério pastoral me obrigar a percorrer, com frequência, a estrada entre o Dafundo e o Estoril, à beira-mar, faz de mim um padre na linha … ou, pelo contrário, um marginal! 

Mas, a verdade é que não me canso daquele trajecto que, apesar de conhecido como a palma da mão, é sempre de uma surpreendente beleza. Mais do que as pequenas fortalezas costeiras, a contrastar com a imponência do Forte de São Julião da Barra, ou o Bugio, ou ainda os cruzeiros que, de manhã cedo, entram pelo rio e, ao crepúsculo, desaparecem no horizonte, entusiasma-me o espectáculo dos surfistas que, durante todo o ano, se podem ver nalgumas praias.

Ao volante e sempre apressado, quase nunca tenho o tempo que desejaria para uma observação mais prolongada, excepto quando o trânsito está mais lento ou o semáforo me concede alguns segundos de distracção. É então que contemplo, com alguma inveja, aquelas pranchas à tona da água, em velozes ziguezagues entre as ondas, aproveitando a força da maré, em jogos de equilíbrio que parecem danças guerreiras, ou um estranho ballet. 


O mar, esse espelho de água em que o azul do céu se reflecte, está por vezes calmo mas, em geral, o vento suscita uma considerável ondulação que, nas marés vivas, chega a ser furiosa, ouvindo-se então um bramido assustador, que recorda o mítico Adamastor. À fragilidade do nauta, sem outra defesa que a sua destreza sobre a instável plataforma, assiste apenas o seu saber de experiência feito e, se a tiver, a sua fé. Foi essa a ciência e essa a luz sobrenatural – Lumen fidei, como recorda a primeira encíclica do Papa Francisco – que guiou os navegantes lusíadas que, aventurando-se por rotas desconhecidas, deram novos mundos ao mundo e dilataram a fé.

Neste Ano da Fé e já na iminência de mais umas Jornadas Mundiais da Juventude, quero crer que muitos jovens cristãos sulcarão as marés adversas, com a determinação e a alegria da fé. Para um cristão, esta apaixonante prática desportiva não pode ser apenas uma mera diversão, nem uma exibição egoísta, nem muito menos uma agressiva competição, mas uma escola de vida cristã. Deve ser – porque não? – experiência de Deus na comunhão da natureza, ou seja, oração. E testemunho de fé na vivência da caridade com todos os irmãos.

Quando passo pela praia e vejo o «cardume» de jovens desportistas a surfar, não posso deixar de sorrir e de rezar por quantos navegam pelas tumultuosas águas do mundo, pedindo a Deus que nos conceda a graça de poder ver, um dia, sobre os altares, alguns dos que agora vejo sobre as pranchas. Com quanta alegria e devoção eu rezaria a um santo surfista!


Oração do surfista (para rezar antes e depois de ir ao mar)

Obrigado, Deus-Pai, pela beleza do mar
E pela grandeza do vento e da maré!
Fazei que sempre vos saibamos amar
E aumentai em nós o dom da vossa fé!

Jesus, que andastes sobre as águas do mar,
Dizei-nos o que outrora mandastes a Simão
Para que sobre as ondas saibamos caminhar
E se o pé faltar, não nos falte a vossa mão!

Espírito Santo, que sois fogo e vento,
Acendei em nós o lume da caridade
Para que aos náufragos demos alento
E ajuda a quem tenha necessidade!

Oh Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe,
Estrela do Mar: sede sempre o nosso norte
Porque quem na vida a seu lado vos tem,
É feliz agora e na hora da sua morte!

Anjos da Guarda, doce companhia,
E vós, bem-aventurados Santos e Santas:
Socorrei-nos e salvai-nos, noite e dia,
Guiai nossas almas e as nossas pranchas!

in Voz da Verdade


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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Frase do dia


"A oração não é um desperdício de tempo, não é roubar espaço de outras actividades, nem mesmo das actividades apostólicas. É exatamente o contrário: somente se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante, confiante, o próprio Deus nos dará a força e a capacidade para vivermos felizes e em paz, para superarmos as dificuldades e testemunhá-lo com coragem."  

Papa Bento XVI


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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Missa do Papa

Certamente ainda se vai escrever muito sobre a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. As alocuções do Santo Padre, seus gestos, etc... Peço licença para falar dum ponto que muito vem me impressionando: a Missa do Papa. Participando da Jornada, pude constatar com meus olhos o que eu já vinha observando desde o dia seguinte à eleição do Papa Francisco: como ele celebra.

Quando ele está no papamóvel, ou nos diversos encontros com o povo, ele acena, brinca, gesticula, sorri, abraça, etc. Mas quando ele vai celebrar a Santa Missa, a impressão é que é outra pessoa. Olhos baixos ou fechados, recolhimento, tom de voz mais grave, orações pausadas, etc... 


Creio que é mais um gesto de Francisco que precisamos imitar. Devemos saber distinguir os diversos momentos e o que convém a cada um.

Ao meu ver, houve até momentos na Jornada (no Glória da Missa de envio, por exemplo), em que faltou “sintonia”, digamos assim, entre o modo de celebrar, entre a atitude do Papa e o modo de cantar de alguns componentes do coral. Os olhos baixos e recolhidos do Papa, sua atitude de oração não combinavam com alguns do coral que batiam palmas, ou balançavam as mãos ou sorriam para as câmeras. Isso, a meu ver...

Há uma oração que parece ter um valor especial para o Papa, pois ele a reza de um modo diferente, mais pausado ainda: é a oração antes da paz: “Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos...” Na forma extraordinária do Rito Romano, esta oração é a primeira das três que antecedem a comunhão e a rubrica determina que o celebrante deve rezá-la, bem como as outras duas, olhando para a hóstia consagrada. Pois, é assim que o Santo Padre a reza, chegando a interrompê-la um pouquinho para contemplar o Senhor Sacramentado.

Um último ponto, é como o Papa termina sua Missa sempre voltando-se para nossa Senhora. Sempre que há uma imagem da Virgem Maria no altar, ele se dirige até ela, oscula, põe a mão e faz o sinal da Cruz.

Que possamos imitar os muitos gestos de Francisco, de modo especial seu “modus celebrandi”, seu modo de celebrar. No que depende de cada um de nós, procuremos superar as faltas de sintonia entre celebrante, coral e povo. Que no altar, no coral e na assembleia, todos realmente estejam “una voce”, ou seja a uma só voz, com os mesmos sentimentos e as mesmas atitudes.


Pe. Gaspar Pelegrini


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Ver as caras das pessoas do lado de lá e imaginar as do lado de cá




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domingo, 4 de agosto de 2013

"It's the moon, stupid!" - Edward Feser

When the finger points at the moon, the idiot looks at the finger. The material world points beyond itself to God; but the secularist sees only the material world. The material side of human nature points beyond itself to an immaterial and immortal soul; the secularist sees only the brain and body. The sexual act points beyond itself to marriage and family; the secularist sees only the sexual act. And so on, and on and on. What else can one say? It's the moon, stupid!  

in The Last Superstition


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sábado, 3 de agosto de 2013

One big happy family




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Frase do dia

"Um sorriso custa pouco e conquista muito!" 

S. Pio de Pietrelcina


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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Cristo veio ao meu encontro... - Rui Corrêa d'Oliveira

Calar a maior descoberta da minha vida
seria uma traição à exigência de verdade do meu coração.
Cristo veio ao meu encontro...
e eu reconheci-O.

Não sendo um instante datado no tempo da minha história,

não deixa de ser um facto
e os factos não se apagam,
tornam-se páginas reais de um vida concreta.

Assim aconteceu comigo e continua acontecer

porque este reconhecimento,
este ser capaz de dizer - És Tu -
é um desafio de todos os dias.

Quando me dei conta desta Presença de Cristo na minha vida

vi-me literalmente invadido,
percebendo que Ele toca em todos os recantos,
nada Lhe escapa.

Não consigo esconder esta experiência,

que é coisa diferente de uma simples ideia.
Ela vai-se manifestando,
por entre os claros-escuros da minha fidelidade.

Foi assim que Cristo quis ser conhecido:

transparecendo em fugazes reflexos,
apesar das minhas muitas hesitações e contradições.

Não sou digno nem capaz de tanto.

Tudo o que de bom eu possa reflectir
é graça e misericórdia.


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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

JMJ Rio, segundo um morador de Copacabana


Moro em Copacabana. Fiquei praticamente 4 dias em prisão domiciliar. Grande parte do comércio estava fechado e o que funcionava tinha fila que não acabava. Era difícil sair de carro e era impossível correr ou caminhar na praia. Nem academia funcionou. Vi 5 filmes em 3 dias (a última vez que fiz isso devia ter uns 15 anos). 

Simplesmente ficou mais cheio do que no réveillon e por mais dias. Mas não escrevo para criticar, pelo contrário. Essa JMJ poderia repetir todo ano aqui em Copacabana. Nesses dias, não vislumbrei desrespeito, sujeira, sedução barata ou mesmo uso de substâncias ilícitas e abuso de álcool. Simplesmente, eu observava as filas e ninguém furava. Carros que eventualmente passavam não eram socados.

Não vislumbrei agressões. Também não vi lata ou sujeira no chão. Não tinha gritos e sim cantorias. Peregrinos com as suas bandeiras. Ficou muito cheio, é verdade. Os sanitários disponibilizados eram poucos. Mas, independentemente da fé pessoal de cada um, o que eu vi foram jovens e adultos em uma celebração saudável. E vão embora daqui felizes. E deixaram muitos aqui felizes. Eu curti essa meninada.


Rodolfo Kronemberg Hartmann (Professor e Juiz Federal)


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quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Missa Tradicional e os Franciscanos da Imaculada - Taylor Marshall

stefano manelli leftO Papa Francisco impediu que os Franciscanos da Imaculada (FI) possam celebrar a Forma Extraordinária do Rito Romano. Acabou a Missa Tradicional para os FI's, sem autorização superior.

Sou um membro associado do MIM [N.T.: Missão da Imaculada Medianeira]. Sou um fã dos Franciscanos da Imaculada desde há algum tempo. O que é que se está então a passar?

O fundador da ordem é o Padre Stefano Manelli, um homem conhecido pela sua santidade. Recebeu a primeira Sagrada Comunhão do Padre Pio em 1938. É também o autor de um dos meus livros preferidos sobre Maria: Devoção a Nossa Senhora. Costumo oferecer exemplares deste livro. Com o passar do tempo, o padre Manelli tem dado preferência à Missa Tradicional de 1962, ao Breviário Tradicional de 1961 e à leitura do Vaticano II de Brunero Gherardini.

Eis a minha interpretação dos factos, subjectiva e não autoritário e de uma pessoa de fora:

1. O Pe. Manelli tem estado a usar a sua autoridade moral como fundador da ordem para privilegiar o Missal Tradicional de 1962 e o Breviário Tradicional. Os FI's italianos no geral seguiram a liderança do seu fundador.

2. Algumas vozes dos FI (especialmente nos Estados Unidos) discordam deste caminho tradicional. Dizem que a ordem foi fundada com o Novus Ordo. Segundo eles, é irresponsável ter frades e irmãs religiosos formados no Novus Ordo e na Liturgia das Horas vernacular e depois ser-lhes pedido para se mudarem para os textos latinos.


3. O padre Angelo Mary Geiger dos FI's nos Estados Unidos expressou a sua preocupação de que os FI's estejam a beber da fonte fria do tradicionalismo radical. No caso de não saberem o que é, eis uma imagem rápida:

a) a negação do holocausto judaico
b) a negação total do Vaticano 2 como um concílio válido
c) estilo retórico do blog Rorate Caeli
d) a aceitação da sub-cultura isolada do Catolicismo ou "Catolicismo Amish” [N.T.: ver aqui]
e) a negação dos dons carismáticos do movimento carismático
f) a simpatia pelo estilo tradicionalista do Bispo Williamson
g) o desprezo pelo Papa João Paulo II e pelo Papa Francisco
h) a crença de que os de Missal Tradicional são a "Equipa A" e os Novus Ordo são a "Equipa B"
i) Eclesiologia gnóstica – de que os "tradicionalistas" foram a única verdadeira Igreja Católica

Eis alguns conselhos para ter em mente, antes de se passarem, desesperarem e comentarem que o Papa Francisco está a "perseguir" as pessoas.

1) Estamos a lidar com Franciscanos. Guerras interiores, substituir o fundador (o próprio S. Francisco!) e intervenções papais são quase parte essencial do carisma perene dos Franciscanos. A história ainda não acabou. Isto pode levar algumas décadas.

2) Antes de deitarem tudo cá para fora, vão rezar o Terço e beber um cerveja fresca no vosso jardim. Isto não é o fim da Summorum Pontificum. Relaxem.

3) Daquilo que eu sei, a Missa Tradicional é uma peça de xadrez simbólica na guerra civil dos FI - para ambos os lados. O Papa tirou esta peça do tabuleiro de jogo. Isto pode ser temporário até as coisas acalmarem

4) O FI's podem voltar à Missa Tradicional. Nesta nova regra, eles podem ainda pedir permissão às autoridades competentes por razões pastorais. Não tenho dúvida de que o farão. Vejamos o que acontece. Desconfio que a Santa Sé tenha medo que o gosto à Missa Tradicional esteja a ser posicionado como fidelidade ao Fundador dos FIs'. Assim que esta associação estiver dissolvida, os FI's livres outra vez para celebrarem a Missa Tradicional como dantes.

5) Se gostam da Missa Tradicional, lembrem-se que as PESSOAS da Missa Tradicional são os maiores inimigos do movimento da Missa Tradicional. Eu gosto imenso da Missa Tradicional. No entanto, se eu fosse o Papa Francisco e lesse os comentários no Rorate Caeli, seria tentado a acabar com tudo isso. Parecem pecaminosos e repugnantes vistos de fora. Tenham uma fechadura nos vossos lábios. Mantenham-se fora dos blogs e fóruns traddies online. Rezem mais. Queixem-se menos.

Lembrem-se das palavras de São Paulo:
“ Fazei, pois, todas as coisas sem murmuração nem contestações, a fim de serdes irrepreensíveis e simples, filhos de Deus, sem mancha, no meio de uma geração despravada e corrompida, onde brilhais como astro do mundo.” (Fil 2:14-15)

Rezem pelos FIs. Imagino que muitos deles estejam a precisar da nossa amizade e apoio.


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Uma das primeiras cópias da Missa de S.Inácio de Loyola




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A primeira entrevista do Papa Francisco




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terça-feira, 30 de julho de 2013

Papa Francisco na Vigília de oração com os jovens - JMJ Rio 2013

Queridos jovens,

Contemplando vocês que hoje estão aqui presentes, me vem à mente a história de São Francisco de Assis. Diante do Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: «Francisco, vai e repara a minha casa». E o jovem Francisco responde, com prontidão e generosidade, a esta chamada do Senhor para reparar sua casa. Mas qual casa? Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para a vida da Igreja; era colocar-se ao serviço da Igreja, amando-a e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a Face de Cristo.

Também hoje o Senhor continua precisando de vocês, jovens, para a sua Igreja. Queridos jovens, o Senhor precisa de vocês! Ele também hoje chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja e ser missionário. Hoje, queridos jovens, o Senhor lhes chama! Não em magote, mas um a um… a cada um. Escutem no coração aquilo que lhes diz. Penso que podemos aprender algo daquilo que sucedeu nestes dias: por causa do mau tempo, tivemos de suspender a realização desta Vigília no Campus Fidei , em Guaratiba. Não quererá porventura o Senhor dizer-nos que o verdadeiro Campus Fidei, o verdadeiro Campo da Fé não é um lugar geográfico, mas somos nós mesmos? Sim, é verdade! Cada um de nós, cada um de vocês, eu, todos. E ser discípulo missionário significa saber que somos o Campo da Fé de Deus. Ora, partindo da denominação Campo da Fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira imagem, o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.

1. Primeiro: o campo como lugar onde se semeia. Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo lançando sementes; algumas caem à beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto (cf. Mt 13,1-9). Jesus mesmo explica o sentido da parábola: a semente é a Palavra de Deus que é lançada nos nossos corações (cf. Mt 13,18-23). 

Hoje – todos os dias, mas de forma especial hoje – Jesus semeia. Quando aceitamos a Palavra de Deus, então somos o Campo da Fé! Por favor, deixem que Cristo e a sua Palavra entrem na vida de vocês, deixem entrar a semente da Palavra de Deus, deixem que germine, deixem que cresça. Deus faz tudo, mas vocês deixem-no agir, deixem que Ele trabalhe neste crescimento!

Jesus diz-nos que as sementes, que caíram à beira do caminho, no meio das pedras e no meio dos espinhos não deram fruto. Creio que podemos, com honestidade, perguntar-nos: Que tipo de terreno somos, que tipo de terreno queremos ser? Quem sabe se, às vezes, somos como o caminho: escutamos o Senhor, mas na nossa vida não muda nada, pois nos deixamos aturdir por tantos apelos superficiais que escutamos. Eu pergunto-lhes, mas agora não respondam, cada um responde no seu coração: Sou uma jovem, um jovem aturdido? Ou somos como o terreno pedregoso: acolhemos Jesus com entusiasmo, mas somos inconstantes;  diante das dificuldades, não temos a coragem de ir contra a corrente. 

Cada um de nós responda no seu coração: Tenho coragem ou sou um cobarde? Ou somos como o terreno com os espinhos: as coisas, as paixões negativas sufocam em nós as palavras do Senhor (cf. Mt 13, 18-22). No meu coração, tenho o hábito de jogar em dois papeis: fazer bela figura com Deus e fazer bela figura com o diabo? O hábito de querer receber a semente de Jesus e, ao mesmo tempo, irrigar os espinhos e as ervas daninhas que nascem no meu coração? Hoje, porém, eu tenho a certeza que a semente pode cair em terra boa. 

Nos testemunhos, ouvimos como a semente caiu em terra boa. «Não, Padre, eu não sou terra boa! Sou uma calamidade, estou cheio de pedras, de espinhos, de tudo». Sim, pode suceder que à superfície seja assim, mas você liberte um pedacinho, um bocado de terra boa e deixe que caia lá a semente e verá como vai germinar. Eu sei que vocês querem ser terreno bom, cristãos de verdade; e não cristãos pela metade, nem cristãos “engomadinhos”, cujo cheiro os denuncia pois parecem cristãos mas no fundo, no fundo não fazem nada; nem cristãos de fachada, cristãos que são “pura aparência”, mas sim cristãos autênticos. Sei que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade inconsistente que se deixa arrastar pelas modas e as conveniências do momento. Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que deem pleno sentido. 

É assim ou estou enganado? É assim? Bem; se é assim, façamos uma coisa: todos, em silêncio, fixemos o olhar no coração e cada um diga a Jesus que quer receber a semente. Digam a Jesus: Vê, Jesus, as pedras que tem, vê os espinhos, vê as ervas daninhas, mas vê este pedacinho de terra que te ofereço para que entre a semente. Em silêncio, deixemos entrar a semente de Jesus. Lembrem-se deste momento, cada um sabe o nome da semente que entrou. Deixem-na crescer, e Deus cuidará dela.

2. O campo...O campo, para além de ser um lugar de sementeira, é lugar de treinamento. Jesus nos pede que o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que “joguemos no seu time”. A maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é paixão nacional. Sim ou não? Ora bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim a nossa vida de discípulos do Senhor. 

Descrevendo os cristãos, São Paulo nos diz: «Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!» (1Co9, 25). Jesus nos oferece algo superior à Copa do Mundo! Algo superior à Copa do Mundo! Jesus oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda, de uma vida feliz e nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim, na vida eterna. 

É o que nos oferece Jesus, mas pede para pagarmos a entrada; e a entrada é que treinemos para estar “em forma”, para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, testemunhando a nossa fé. Através do diálogo com Ele: a oração. Padre, agora vai pôr-nos todos a rezar? Porque não? Pergunto-lhes… mas respondam no seu coração, não em voz alta mas no silêncio: Eu rezo? Cada um responda. Eu falo com Jesus ou tenho medo do silêncio? Deixo que o Espírito Santo fale no meu coração? Eu pergunto a Jesus: Que queres que eu faça, que queres da minha vida? Isto é treinar-se. 

Perguntem a Jesus, falem com Jesus. E se cometerem um erro na vida, se tiverem uma escorregadela, se fizerem qualquer coisa de mal, não tenham medo. Jesus, vê o que eu fiz! Que devo fazer agora? Mas falem sempre com Jesus, no bem e no mal, quando fazem uma coisa boa e quando fazem uma coisa má. Não tenham medo d’Ele! Esta é a oração. E assim treinam no diálogo com Jesus, neste discipulado missionário! Através dos sacramentos, que fazem crescer em nós a sua presença. Através do amor fraterno, do saber escutar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém. Queridos jovens, que vocês sejam verdadeiros “atletas de Cristo”!

3. E terceiro: o campo como canteiro de obras. Aqui mesmo vimos como se pôde construir uma igreja: indo e vindo, os jovens e as jovens deram o melhor de si e construíram a Igreja. Quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a Palavra de Deus, quando “se sua a camisa” procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja. Esses jovens, essas jovens não estavam sós, mas, juntos, fizeram um caminho e construíram a Igreja; juntos, realizaram o que fez São Francisco: construir, reparar a Igreja. 

Eu pergunto-vos: Querem construir a Igreja? [Sim…] Se animam uns aos outros a fazê-lo? [Sim…] E amanhã terão esquecido este «sim» que disseram? [Não…] Assim gosto! Somos parte da Igreja; mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história. Jovens, por favor, não se ponham na «cauda» da história. Sejam protagonistas. Joguem ao ataque! Chutem para diante, construam um mundo melhor, um mundo de irmãos, um mundo de justiça, de amor, de paz, de fraternidade, de solidariedade. Jogai sempre ao ataque! São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5). 

E, olhando para este palco, vemos a miniatura de uma igreja, construída com pedras vivas. Na Igreja de Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; cada um de nós é uma pedra viva, é um pedacinho da construção e, quando vem a chuva, se faltar aquele pedacinho, temos infiltrações e entra a água na casa. E não construam uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas. Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos! Ele diz a mim, a você, a cada um: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações»! 

Nesta noite, respondamos-lhe: Sim, Senhor! Também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus! Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Atrevem-se a repetir isto? Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Digam agora… [os jovens repetem]. Depois devem se lembrar que o disseram juntos.

O vosso coração, coração jovem, quer construir um mundo melhor. Acompanho as notícias do mundo e vejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, saíram pelas estradas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas estradas; são jovens que querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixem para outros o ser protagonistas da mudança! Vocês são aqueles que tem o futuro! Vocês… Através de vocês, entra o futuro no mundo. 

Também vos peço para serem protagonistas desta mudança. Continuem a vencer a apatia, dando uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas que estão surgindo em várias partes do mundo. Peço-lhes para serem construtores do mundo, trabalharem por um mundo melhor. Queridos jovens, por favor, não «olhem da sacada» a vida, entrem nela. Jesus não ficou na sacada, mergulhou… «Não olhem da sacada» a vida, mergulhem nela, como fez Jesus.

Resta, porém, uma pergunta: Por onde começamos? A quem pedimos para iniciar isso? Por onde começamos? Uma vez perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que devia mudar na Igreja; queremos começar, mas por qual parede? Por onde – perguntaram a Madre Teresa – é preciso começar? Por ti e por mim: respondeu ela. Tinha vigor aquela mulher! Sabia por onde começar. Hoje eu roubo a palavra a Madre Teresa e digo também a você: Começamos? Por onde? Por ti e por mim! Cada um, de novo em silêncio, se interrogue: se devo começar por mim, por onde principio? Cada um abra o seu coração, para que Jesus lhe diga por onde começar.

Queridos amigos, não se esqueçam: Vocês são o Campo da Fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela ajuda-nos a seguir Jesus, dá-nos o exemplo com o seu “sim” a Deus: «Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra» (Lc 1,38). Também nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra. Assim seja!


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Na Consagração até o praticante de Stand Up Paddle se ajoelha




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segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Papa Francisco e os gays

Dizem hoje os jornais, e muita opinião pública, que o Papa apoia as relações entre pessoas do mesmo sexo, por ter dito isto: "Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?"

Mas caros amigos, isto é a doutrina católica desde sempre. O sentir atracção por pessoas do mesmo sexo nunca poderia fazer com que a pessoa fosse culpada porque não depende duma decisão. O pecado é a própria relação, esta sim voluntária, que ofende a Deus e prejudica os que nela estão envolvidos. 


Isto só é novidade para quem não conhece o Catecismo da Igreja Católica:

2358Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

2359As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.


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sábado, 27 de julho de 2013

O Papa - Padre Gonçalo Portocarrero de Almada


Porquê este entusiasmo das multidões pelo Papa? Porquê o fervor das gentes pela pessoa humana do representante de Cristo? Que há, na sua pessoa, que explique esta atracção? Que tem o bispo de Roma - o actual, ou os seus antecessores - que tanto fascina homens e mulheres de todas as idades e condições?

Não será exagerada esta exaltação do ser humano que ocupa a cátedra de Pedro? Não é afinal um simples mortal? Quando à sua pessoa se atribuem poderes mágicos, não se estará a incorrer porventura em superstição? Onde termina o culto da sua personalidade, em princípio aceitável, e começa uma inadmissível idolatria?

Os muçulmanos não veneram o seu profeta, Maomé, nem permitem qualquer representação de Alá. Os judeus não se consideravam sequer dignos de pronunciar o santo nome de Iavé. Até os evangélicos baniram dos seus templos as imagens sagradas e proíbem a devoção aos santos.

O Papa, seja ele quem for, é o máximo representante da comunidade eclesial: o primeiro na honra e no serviço - o servo dos servos de Deus - de uma Igreja muito humana e muito divina, porque é mistério de comunhão no mistério uno e trino que Deus é. O Ser absolutamente transcendente fez-se visível no rosto de Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Por isso a religião cristã, mais do que uma doutrina ou uma moral, é Alguém que eleva o homem a Deus e leva Deus ao homem. É na humanidade de Cristo que o próprio Deus se revela e é também através da humanidade do Papa e da Igreja que Cristo se faz presente em cada momento histórico. Pedro é afinal, aqui e agora, a expressão visível em que, para o mundo, se reflecte o olhar vivo, humano e divino, de Cristo, o rosto de Deus.


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World Youth Day - Pope Francis meets with brazilian inmates

- Pope spent half an hour with 8 young prisoners (6 boys and 2 girls), who had been brought to archbishop's residence.

- Prisoners sat in a circle around pope. Archbishop, a priest, a judge and a lay person who ministers to prisoners were also present.

- Judge said that some of the prisoners would have "good news" next week

- The younger girl prisoner was very talkative and emotional with pope

- Young prisoners asked pope to bless objects and autograph a photo

- The younger girl sang a song of her own composition in honor of pope and read him a long letter written on behalf of fellow prisoners

- Pope made no speech but asked each young prisoner to pray for him



in CNS twitter


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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Visita do Papa à favela - Discurso à comunidade de Varginha



Queridos irmãos e irmãs,

Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um "cafezinho", falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós... Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil. 

Como é bom ser bem ac olhido, com amor, generosidade, alegria! Basta ver como vocês decoraram as ruas da Comunidade; isso é também um sinal do carinho que nasce do coração de vocês, do coração dos brasileiros, que está em festa! Muito obrigado a cada um de vocês pela linda acolhida! Agradeço a Dom Orani Tempeste ao casal Rangler e Joana pelas suas belas palavras. 

1. Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vocês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo - não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração!

E o povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura da solidariedade; ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão.

Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira te m feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria. Nenhum esforço de “pacificação” será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma. Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

2. Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e económicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um acto de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. 

Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustenta m uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral , que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde , que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano. 

3. Queria dizer uma última coisa. Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10).

Hoje a todos vocês, especialmente aos moradores dessa Comunidade de Varginha, quero dizer: Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o Papa está com vocês. Levo a cada um no meu coração e faço minhas as intenções que vocês carregam no seu íntimo: os agradecimentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de consolação nos momentos de tristeza e sofrimento. Tudo isso confio à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com grande carinho concedo-lhes a minha Bênção.


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