terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Igreja está ao serviço de um Outro: não serve a si mesma - Papa Bento XVI

Uma Igreja que procurasse sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está ao serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. 

Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que ele trouxe à humanidade. A força do amor, neste momento ouve-se, aceita-se. 

in Entrevista do Papa Bento XVI durante o vôo rumo ao Reino Unido (16/IX/2010)







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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Espadas dos Guardas Suíços... em Latim

OMNIA POSSVM IN EO QUI ME CONFORTAT
Tudo posso nAquele que me conforta (Fil 4 13)

in orbiscatholicussecundus.blogspot.com



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domingo, 16 de novembro de 2014

Um sacerdote que tem no coração a paz litúrgica

Entrevista concedida pelo pároco de uma paróquia de Oklahoma, o Pe. Timothy Davison, a Alberto Carosa, o correspondente em Roma de Catholic World Report. O Pe. Tim, que celebra a forma extraordinária do Rito Romano há menos de dois anos, participou na peregrinação “Summorum Pontificum”, levando consigo um grupo de peregrinos.


1) Pe. Davison, por que motivo decidiu juntar-se à terceira peregrinação do povo Summorum Pontificum a Roma?
Pe. Tim: Não é há muito tempo, não chega a um ano e meio, que celebro a missa tradicional e, quando me convidaram para participar na peregrinação como capelão de um grupo de fiéis, tive de reflectir bastante sobre o assunto. Tenho a meu cargo uma paróquia e uma escola e isso representa muito trabalho. Por fim, acabei por decidir que tinha necessidade de ir, que precisava de me encontrar com outras pessoas que fazem a experiência desta liturgia e das suas riquezas. Era já há muito tempo que a liturgia tradicional me atraía e vi que a peregrinação podia ser uma ocasião para partilhar com outras pessoas este acontecimento da vida da Igreja.

Numa palavra: decidi participar para me sentir apoiado e poder apoiar todos os que celebram a liturgia tradicional.

2) O que é que o levou a celebrar a missa tradicional?

Pe. Tim: Durante algum tempo tive como director espiritual um sacerdote beneditino, o Pe. Mark Kirby, conhecido pelo seu livro “Abuse Of The Holy Eucharist Is A Cancer At The Heart Of The Church!” (“O abuso da Santíssima Eucaristia é um cancro no coração da Igreja!”). Ele teve uma grande influência no meu interesse pela liturgia e pela sua história, em particular a liturgia tradicional. Foi através desta influência e da dos monges de um mosteiro da nossa diocese que me veio o desejo de aprender essa liturgia e de a celebrar. Ainda mais porque a minha mãe, que tem 94 anos, me pediu para ter o rito tradicional no seu enterro.

Por tudo isso, acabei pedindo à Fraternidade de São Pedro, que está presente na nossa Diocese, para que me formasse. E foi o que fizeram, e quanto mais aprendia a celebrar, mais me sentia feliz por poder compreender melhor a nossa liturgia católica e a sua tradição. Coisa que não tinha acontecido com o Novus Ordo, que havia celebrado durante os meus primeiros sete anos de sacerdócio.

A descoberta da liturgia tradicional permitiu-me aprofundar a minha compreensão do mistério da Eucaristia e do respeito, da veneração e dos gestos que a devem acompanhar.

3) Que influência teve na via da sua paróquia, a sua escolha de celebrar in utroque usu, isto é, numa como noutra forma do rito romano?

Pe. Tim: Na minha paróquia, há três grupos distintos:

– os anglófonos, para quem se celebra o Novus Ordo em inglês. Trata-se de fiéis sobretudo mais velhos, poucos jovens, e pouco interessados na missa tradicional;

– os hispânicos, que são a maior parte da população da paróquia, mas não se interessam mais do que aqueles pela missa tradicional; 

– e, por fim, os fiéis ligados à forma extraordinária, um grupo vindo de um outro lugar de missa e que já tinha acólitos e uma schola, que era tudo o que me fazia falta para a missa solene que celebramos domingo, às 13 horas.

Por agora, estes grupos quase não se misturam. Alguns fiéis anglófonos e hispânicos já vieram à missa tradicional, mas não se tornaram fixos.

4) O aparecimento da missa tradicional foi ocasião de divisão? Pergunto, porque esse é um argumento que frequentemente se levanta contra a aplicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum".

Pe. Tim: De modo algum. Está tudo muito tranquilo e não há qualquer problema. A única dificuldade é para mim, que tenho de me multiplicar para conseguir dedicar-me às três comunidades. Devo dizer que a forma extraordinária, que se celebra às segundas, sextas e domingos, toma-me muitas energias e tempo, pois pede-me mais trabalho para poder celebrar bem e para me habituar ao calendário, que é diferente do ordinário.

5) O o que diz o seu bispo?

Pe. Tim: O nosso bispo, Mons. Edward Slattery, é muito tradicional e, pelo que sei, é um dos raros bispos a celebrar a forma ordinária ad orientem. Mas também celebra com muito agrado a forma extraordinária. É aberto e acolhedor.. No dia 24 de Abril de 2010, ele celebrou uma missa pontifical solene no santuário nacional da Imaculada Conceição, em Washington, por ocasião do quinto aniversário da eleição de Bento XVI para a Cátedra de São Pedro. Foi a primeira missa pontifical solene a ser aí celebrada desde há mais de 40 anos, diante de 3500 pessoas, entre as quais o Cardeal Baum e uma centena de sacerdotes e seminaristas. Além disso, foi Mons. Slattery quem trouxe a Fraternidade de São Pedro para a Diocese. Eles têm a seu cargo a paróquia do Preciosíssimo Sangue, que antes se chamava de São Pedro.

6) É, com efeito, uma graça poder ter um bispo assim: poderia contar-nos algo mais sobre a sua personalidade?

Pe. Tim: Tem toda a razão. Mons. Slattery tem 74 anos e por isso, está a chegar ao fim do seu mandato. É originário da Diocese de Chicago e não é por acaso que esta cidade desempenhou e continua a desempenhar um papel essencial na difusão da forma extraordinária do rito romano. É aí que está a paróquia de São João Câncio, dirigida pelo Cónego Frank Phillips, que fundo dos cónegos de São João Câncio em 1998, uma comunidade religiosa masculina votada à restauração do sentido do sagrado no quadro do ministério paroquial.

7) Ainda?

Pe. Tim: A missão desta comunidade aparece bem definida na sua divisa: Instaurare Sacra. Os cónegos de São João Câncio têm por particular missão, por exemplo, a formação de sacerdotes desejosos de aprender a celebrar a forma extraordinária. Na minha paróquia, temos um sacerdote mexicano que assim que viu que eu celebrava a forma extraordinária, logo me pediu se também podia aprender. Enviei-o a Chicago e foi o milésimo sacerdote a ser formado por eles. Se pensarmos que a Fraternidade de São Pedro também terá formado outros mil, já vamos em 2000 sacerdotes que dizem a missa tradicional nos Estados Unidos. 

8) A celebração da forma extraordinária exerce alguma influência sobre o modo como celebra a forma ordinária?

Pe. Tim: Sem dúvida. A influência maior consiste na espiritualidade, no silêncio, na reverência, na extrema atenção presente em cada gesto que agora faço – por exemplo, o assegurar-se de que nenhum fragmento de hóstia caia por terra ou fique agarrado aos dedos do celebrante. Nesta matéria, penso que não seria uma má ideia que o novo rito recuperasse um pouco da disciplina tradicional, uma disciplina que infunde temor e reverência diante do que temos o privilégio de realizar aqui nesta terra. Numa palavra: do princípio ao fim, a liturgia tradicional mergulha-nos no mistério transcendente de Deus.

in Paix Liturgique


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Papa Francisco rejeita aborto, eutanásia e células estaminais

Cidade do Vaticano, 15 Nov 2014 (Ecclesia) – O Papa disse hoje no Vaticano que o aborto, a eutanásia e a “produção” de filhos mostram uma “falsa compaixão” que põe em causa a dignidade da pessoa, pedindo que nenhum ser humano seja uma “cobaia”.
“O pensamento dominante propõe, por vezes, uma falsa compaixão, a que considera como ajuda à mulher favorecer o aborto, como um ato de dignidade procurar a eutanásia ou como conquista científica ‘produzir’ um filho”, disse, num discurso proferido durante a audiência que concedeu à Associação de Médicos Católicos Italianos.
Francisco criticou também a utilização de vidas humanas “como cobaias de laboratório para, supostamente, salvar outras”.
O Papa explicou que desde os tempos de sacerdote ouviu várias objeções sobre o aborto, considerando que não se está diante de um “problema religioso” ou “muito menos filosófico”.
É um problema científico, porque ali está uma vida humana e não é lícito deixar fora uma vida humana para resolver um problema. ‘Mas não, o pensamento moderno…’ Ouçam, no pensamento antigo, no pensamento moderno, a palavra matar significa o mesmo”, assinalou, num tom coloquial.
Segundo Francisco, o mesmo princípio se aplica à eutanásia, incluindo a “eutanásia “escondida” que se dirige aos idosos.
“Também existe a outra [eutanásia], não? Isso é dizer a Deus: ‘Não, o fim da vida sou eu que decido, como eu quiser. É um pecado contra Deus criador: pensai bem nisso”, advertiu.
O Papa observou que para muitos a qualidade de vida está ligada, sobretudo, “às posses económicas, ao bem-estar, à beleza e ao gozo da vida física, esquecendo outras dimensões mais profundas da existência”.
Francisco sublinhou que à luz da fé e da razão “a vida humana é sempre sagrada” e tem sempre “qualidade”.
A intervenção encorajou a acção dos médicos católicos, em “fidelidade ao Evangelho da vida” e ao seu respeito “como dom de Deus”, o que exige por vezes “escolhas contracorrente e corajosas” que podem chegar à “objeção de consciência”.
Falando de improviso, o Papa alertou para o perigo de “experimentar com a vida”, de “fazer filhos em vez de os acolher como dom”, de “jogar com a vida”.
“Estai atentos, porque isto é um pecado contra o Criador: contra Deus Criador, que criou as coisas assim”, prosseguiu.
in Agência Ecclesia


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sábado, 15 de novembro de 2014

Pais presos porque os filhos não vão às aulas de educação sexual

A polícia alemã bateu à porta de Eugen y Luise Martens para dar ordem de prisão à mãe de 9 filhos. O motivo? Uma das filhas, por vontade própria, tinha deixado de ir às aulas de educação sexual onde ensinam às crianças os “benefícios” de toda a prática sexual, incluindo sexo oral, sexo anal, etc…

Eugen também tinha sido preso por este motivo, no dia 13 de Agosto de 2013, mas Luise fora poupada por estar grávida.

Desta vez, a mulher de 37 anos, não foi levada “à força, como deveria” por estar ainda a amamentar o seu filho mais novo.

O agente da autoridade disse que irá voltar para aplicar a pena de prisão, conforme o juiz decidiu:

A insanidade ligada à des(educação) sexual que tem por objectivo fazer com que as crianças tenham relações sexuais cada vez mais cedo – uma porta aberta para a legalização da pedofilia – está a atingir a liberdade pessoal de quem ousou ter filhos.

Urge pôr o Estado totalitarista na ordem e mostrar que, por direito natural, quem deve educar os filhos são os pais.

Um grupo de pais alemães criou uma organização (Besorgte Eltern) e durante uma manifestação pacífica contra a educação sexual obrigatória nas escolas, e contra o seu conteúdo, foi atacada por activistas LGBT, como se pode ver no vídeo:
adaptado de tempi.it


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Madre Teresa de Calcutá e a Divina Providência - Um caso de fome

[Este episódio passa-se em 1946. As Missionárias da Caridade ainda não tinham sido fundadas e a Madre Teresa pertencia às freiras do Loreto e tinha sob a sua responsabilidade um colégio de muitas alunas em Calcutá]

Na sua prontidão para corresponder a qualquer manifestação da vontade de Deus com um ansioso "Sim", a Madre Teresa aventurava-se por vezes a situações muito perigosas. Em Agosto de 1946, irrompeu em Calcutá o conflito hindu-muçulmano, acompanhado de uma impressionante violência. No final do "Dia da Grande Matança", como veio a ser conhecido, havia cinco mil pessoas mortas nas ruas, e pelo menos dez vezes mais feridas. Todas as actividades da cidade, incluindo a provisão de alimentos, foram suspensas. Incitada pelas necessidades das suas pupilas, a Madre Teresa decidiu abandonar a segurança dos muros do convento para ir à procura de comida.
"Saí de St. Mary's, Entally. Tinha trezentas raparigas no internato e não tínhamos que comer Não se podia sair à rua, mas eu saí. Foi então que comecei a ver os corpos abandonados nas ruas, esfaqueados, espancados, jazendo em estranhas posições, mergulhados no sangue ue deles havia jorrado, já seco. Nós tínhamos estado protegidas pelos muros do convento. Sabíamos que tinha havidao distúrbios. Algumas pessoas tinham saltado o muro para dentro do convento, primeiro um hindu, depois um muçulmano.  [...] Tínhamo-los recebido e ajudado a fugir e a evitar o perigo. Só quando eu saí para as ruas é que vi a morte que os perseguia. Uma carrinha cheia de soldados mandou-me parar e disse-me que eu não devia andar nas ruas. Que ninguém devia andar nas ruas, disseram eles. Eu respondi-lhes que tinha precisado de sair, de correr esse risco, porque tinha comigo trezentas estudantes que não tinham nada que comer. Os soldados tinham arroz, de maneira que me levaram de carro para a escola e descarregaram sacos de arroz."
in Madre Teresa, Vem, Sê a Minha Luz (p. 55)



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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Santa Sé responde se divorciados recasados podem confessar e comungar

A Congregação para a Doutrina da Fé publicou uma resposta oficial («responsum») a um padre francês que perguntou se podia conceder a absolvição sacramental [perdão dos pecados na confissão] a um fiel que se tinha divorciado e voltado a casar.

Mons. Luís Ladaria SJ, arcebispo e secretário da congregação, afirma que não se pode dar a absolvição se não houver a certeza de uma verdadeira contrição, que consiste numa "intensa dor e detestação pelo pecado cometido, com o propósito de não pecar daí em diante».

O documento de 22-10-2014, afirma que não se deve excluir a priori um processo penitencial dos fiéis divorciados recasados que lhes permita o acesso aos sacramentos da confissão e da eucaristia nos termos da Familiaris Consortio de São João Paulo II:

A reconciliação pelo sacramento da penitência - que abriria o caminho ao sacramento eucarístico - pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio.

Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios - quais, por exemplo, a educação dos filhos - não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges»(180)

Assim a Congregação para a Doutrina da Fé recomenda tomar em consideração os pontos seguintes:

Verificar a validade do matrimónio religioso respeitando a verdade, evitando dar a impressão de que se dá uma espécie de «divórcio católico» 
  • Ver se eventualmente é possível a essas pessoas, com a ajuda da graça, desligar-se das novas uniões, e reconciliar-se com quem casaram e de quem se tinham separado.
  • Convidar as pessoas que recasaram e que, por razões sérias (por exemplo, pelos filhos), não podem separar-se da pessoa a quem se uniram civilmente, a viver como «irmão e irmã»
Além dessas recomendações, Mons. Luís Ladaria recorda o magistério do Concílio de Trento sobre as condições do sacramento da penitência e lembra que os divorciados que recasaram civilmente  devem ter o firme propósito de não pecar para receber a absolvição.

in infocatolica via É o Carteiro!


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Frase do dia

"Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias."

S. Josemaria Escrivá in Caminho, 198


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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Papa Francisco reza pelos Papas - Fotografias inéditas

Ainda no mês de Novembro, um mês especial para se rezar pelos fiéis defuntos, deixamos aqui algumas imagens do Papa Francisco a rezar pelos Papa que já morreram e que estão sepultados na Basílica de S. Pedro, em Roma.

É uma cerimónia que poucos conhecem e que costuma acontecer no dia 2 de Novembro (o próprio dia dos fiéis defuntos).

Fotografias do Papa nas "Grutas Vaticanas" a rezar pelas almas dos seus antecessores


No túmulo do Papa Pio XII, que está mesmo atrás do túmulo de S. Pedro.

No túmulo do Beato Paulo VI.

No túmulo do Papa João Paulo I.

No túmulo do Papa Bento XV.


O blog Senza agradece à Summer Vining a sua gentileza ao ceder-nos estas imagens.


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terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Opus Dei é conservador? - Prelado da Obra responde

Se se utilizam os termos "conservador" ou "progressista" em sentido político, não posso responder à pergunta, porque essa forma de ver as coisas não serve quando se fala da Igreja. Se emprega a palavra "conservador" fora desse contexto político, poder-se-ia dizer que toda a Igreja é "conservadora", porque conserva e transmite o Evangelho de Cristo, os sacramentos, o tesouro da vida dos santos, as suas obras de caridade. Por razões análogas, toda a Igreja é progressista, porque olha para o futuro, acredita nos jovens, não procura privilégios, está perto dos pobres e dos necessitados. Ou seja, o Opus Dei é conservador e progressista como é toda a Igreja, nem mais nem menos.
D. Javier Echevarria in opusdei.es


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Frase do dia

"Quando se desperdiça o tempo com coisas inúteis, despreza-se um grande dom de Deus."

S. Pio de Pietrelcina




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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Crianças criadas por pares homossexuais: testemunho de sofrimento

“É estranho, mas sinto a falta dele. Falta-me este homem que nunca conhecerei”, afirma menina criada por lésbicas 

“Não foi o tabu da homossexualidade a fazer-me sofrer, mas ter 'pais' do mesmo sexo”. Estas são as palavras dramáticas de Jean-Dominique Bunel, publicadas no site italiano Tempi.it. O francês de 66 anos cresceu com duas mulheres lésbicas e opôs-se publicamente à lei do governo holandês sobre o casamento e adopção por pares homossexuais, porque viveu esta experiência. “Esta lei, com a sua suposta luta contra as desigualdades e as discriminações, retira da criança um dos seus direitos (…), crescer com uma mãe e um pai”.

O dele é apenas um dos tantos testemunhos recolhidos, ou publicados no blog de Robert Oscar Lopez, o professor americano criado por duas lésbicas que gira o mundo para contar o sofrimento vivido.

Gostaria de ter tido um pai


Entre os testemunhos recolhidos no blog existem alguns verdadeiramente dramáticos: adolescentes que ainda vivem com os pais homossexuais. Uma menina, anónima, que mora com duas lésbicas, conta: “Fico a maior parte do tempo na casa da minha melhor amiga. Estou com o seu pai porque nunca tive um e ele é fantástico”.

Depois o desabafo, as perguntas, os sentimentos de culpa: “Alguém precisa dizer, porque eu não sinto que deveria dizer, os pais gays são egoístas em certo sentido. Não pensam no que significa para mim viver no mundo deles. Sou a única que se sente assim? Sou uma filha má porque gostaria de ter um pai? Há alguém que tem duas mães ou dois pais que se pergunta como teria sido se tivesse nascido em uma família normal? Existe alguém capaz de usar a palavra normal sem ter aulas daquilo que é normal? Não conheço o meu pai e nunca o conhecerei. É estranho, mas sinto a falta dele. Falta-me este homem que nunca conhecerei”.

Gostaria de ter tido uma mãe

Um outro jovem anónimo, “filho de um pai gay e de uma mãe substituta”, descreve a sua vida “com dois pais. A minha mãe biológica (que deu o seu óvulo a meu pai), vem continuamente à minha casa. Ela tem 38 anos, quero chamá-la de mãe, mas os meus pais ficam loucos quando tento. Não pensam que é normal odiar os "meus pais"? Mas tenho que ser o filho bom porque eles me quiseram ter? Eu não odeio os gays, mas gostaria que os meus pais fossem heterossexuais. Sou uma pessoa má por me sentir assim? Todos querem que eu aceite aquilo que não posso e não quero”.

in Aleteia


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domingo, 9 de novembro de 2014

Obrigado Cardeal Burke

Este senhor é o Cardeal Raymond Burke e foi, até ontem, o Prefeito (o chefe) do Tribunal da Assinatura Apostólica (o tribunal maior da Santa Sé, onde vão parar os últimos recursos). É um grande canonista e o seu trabalho à frente desse Tribunal foi impecável ao longo destes anos.

O Cardeal vai agora deixar o Vaticano para passar a ser o patrono da Ordem de Malta, um cargo honorífico normalmente reservado a cardeais em fim de carreira. Burke ainda é novo, tem “apenas” 66 anos.

No dia seguinte à canonização do Papa João Paulo II fui ao seu escritório, com mais 20 jovens portugueses, e é indescritível a gentileza com que nos recebeu, a riqueza das palavras que nos dirigiu e a paciência com que respondeu às inúmeras perguntas daquela gente toda.

Há duas semanas vi-o a atravessar a Praça de São Pedro. Era acompanhado por um círculo gigante de pessoas que o rodeava para lhe contar coisas, talvez problemas das suas vidas, para lhe fazer perguntas ou simplesmente para tirar fotografias com ele. E o Cardeal, com perseverança e um sorriso, a todos atendia.

Em Roma existe uma Marcha pela Vida todos os anos em Maio. É preparada com bastante antecedência, começa a ser publicitada em Novembro do ano anterior, e já todos sabem quando é. Obviamente, sendo em Roma, são convidados todos os prelados que se encontram por cá.

Apesar da marcha ser sempre num Domingo de manhã - quando supostamente ninguém trabalha - dos inúmeros cardeais e bispos que vivem nesta cidade, o Cardeal Burke foi o ÚNICO que estava na marcha para defender a vida dos bebés inocentes que são abortados.

Não sei o que é que isto diz da nossa Igreja mas sei muito bem o que diz deste grande Cardeal (como lhe chamou há poucos dias o Papa Bento XVI).

João Silveira

Aqui fica uma petição para quem quiser agradecer o seu trabalho na Cúria: Obrigado Cardeal Burke


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Diferenças M&F - José Maria André

Os exames na universidade oferecem uma oportunidade curiosa de comprovar até que ponto os rapazes são diferentes das raparigas. Não é só a óbvia complementaridade sexual. Nem só a força do cabelo, a consistência da pele, o tom da voz. É tudo! Os arqueólogos pegam num fragmento de osso com milhares de anos e identificam imediatamente se se trata de um homem ou de uma mulher, porque a constituição dos ossos, dos músculos, das glândulas... tudo é diferente, até ao pormenor.


À primeira vista, a reprodução não explicaria tanta diferença. Por exemplo, porque é que a voz das mulheres é mais aguda que a dos homens?

Os exames da universidade tornam patentes algumas destas diferenças, difíceis de explicar. A maneira de os alunos abordarem um problema é tipicamente distinta e, mesmo antes de começarmos a ler o que escreveram, salta à vista se a letra é feminina ou masculina. Porquê? Hoje em dia, a maior parte dos alunos aprende a escrever em turmas mistas, com os mesmos professores. Por que é que, educados da mesma maneira, não escrevem com a mesma caligrafia?

Porque é que a letra de uma estudante de Lisboa é mais parecida com a de uma colega que vem de Trás-os-Montes ou dos Açores, do que com a de um rapaz que estudou na mesma escola primária que ela e fez o secundário na mesma turma?

O assombro é ainda maior se repararmos nos alunos estrangeiros. No Técnico há cada vez mais alunos estrangeiros, algumas cadeiras têm até mais alunos estrangeiros que portugueses e uma das cadeiras que lecciono só tem tradicionalmente alunos estrangeiros, de modo que esta base estatística permite tirar conclusões interessantes a nível internacional. Ora, verifico que as alunas – venham do Canadá, da Suécia, da Itália, ou de qualquer outro país – têm «letra de rapariga» e que os alunos, seja de que país for, têm «letra de rapaz».

Já sei que é moda que as raparigas e os rapazes se arranjem de maneira distinta (por exemplo, nunca vi um rapaz de saias), mas desconheço qualquer razão desse tipo para explicar o modo de abordarem os problemas de engenharia, ou terem determinado estilo caligráfico. Por que é que os rapazes escrevem – sistematicamente – de maneira diferente das raparigas, constroem as frases de maneira diferente, resolvem os problemas de maneira diferente?

Um amigo meu, conhecido na área da Física das Partículas, defende que isto é assim porque Deus quis que fôssemos diferentes. Segundo ele, a humanidade ficou mais rica com esta complementaridade e a família torna-se uma imagem mais expressiva da relação entre Jesus Cristo e a Igreja. A explicação surpreende, mas quando se pensa melhor vê-se que é absolutamente brilhante. E diz muito acerca de Deus e da Igreja. Pesquisando no «Google», percebi que o meu amigo andou a ler uns textos do Papa Francisco e, investigando um pouco melhor, descobri que o Papa Francisco foi buscar estas ideias à Bíblia, em particular às epístolas de S. Paulo. 
Lamento bastante que seja assim, porque gostava de ter sido eu a inventar uma explicação tão interessante para um problema que toca tão profundamente a humanidade. Se ninguém tivesse apresentado as coisas desta maneira, neste momento eu estaria a escrever uma carta para Estocolmo: «Ex.mos Senhores, sabendo que me querem entregar os prémios Nobel da literatura, da medicina, da física e de todas as outras áreas, informo desde já que as minhas disponibilidades de agenda para receber todos esses prémios são os dias tal e tal...».

José Maria C. S. André in «Correio dos Açores», «Verdadeiro Olhar», 9-XI-2014


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sábado, 8 de novembro de 2014

Arcebispo iraquiano chora em entrevista (vídeo impressionante)

Mons. Nicodemus Daoud Sharaf, Arcebispo de Mossul (Iraque), chorou amargamente por causa da perseguição que o Estado Islâmico (ISIS) está a fazer ao seu povo. 

Isto aconteceu durante entrevista, enquanto o Arcebispo explicava que aquele era um dia de grande festa na sua diocese, e que tinha sido celebrado numa determinada igreja durante 1500 anos, nomeando os vários Impérios que ali estiveram presentes durante todo este tempo. Pela primeira vez em 15 séculos, graças aos animais fanáticos do ISIS, os cristãos de Mossul, que foram expulsos das suas casas e vivem em campos de refugiados, não a puderam celebrar.

Mons. Nicodemus acusa ainda os que se dizem defensores dos "Direito Humanos" por nada fazerem para proteger o seu povo. Apesar dos reiterados apelos, os ditos senhores ficaram impávidos e serenos enquanto o seu povo era massacrado e os sobreviventes têm que passar o rigoroso Inverno em tendas no Curdistão.

Rezemos pelos nossos irmãos que sofrem o martírio e aproveitemos o seu exemplo para deixarmos de ser cristãos mornos


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Judas Iscariotes e os católicos a 95% - Pe. Gonçalo Portocarrero

Era uma vez um empresário de sucesso, que se gabava de ser 95% católico. Quando alguém lhe perguntou a razão dessa percentagem, explicou:

– É que é com os restantes 5% que me governo!

A história, como diriam os italianos, si non è vera, è bene trovata. De facto, retrata quem, dizendo-se cristão, não vive, na sua actividade profissional, as exigências éticas da fé em Cristo. São, talvez, praticantes de alguns ritos, certamente necessários para uma coerente vida cristã, mas não de certos princípios morais, que são essenciais para um católico. São até capazes de dar à Igreja, uma vez por outra, uma esmola avultada, mas esquecem que a sua principal contribuição deveria ser o testemunho da sua integridade moral.

Toda a gente reconhece, com razão, que não faz sentido que um católico não vá à missa dominical, mas nem todos detectam a incoerência de quem reduz a vivência da sua fé à participação semanal na eucaristia e não honra, na sua vida pessoal, profissional e social, as implicações morais da religião que diz professar. É uma falácia afirmar que é preferível não ir à igreja e viver a caridade, do que ir à missa e não cumprir o mandamento novo, porque é óbvio que uma falta não se pode justificar com um acto virtuoso, por mais leve que aquela seja, ou mais santo que este possa ser, ou parecer. Mas pode-se dizer, sem exagero, que uma crença, mais do que para celebrar religiosamente uma vez por semana, é para viver todos os dias.

Um fiel que seja um professor incompetente, um fiscal corrupto, um empresário desonesto, um marceneiro negligente, ou um estudante cábula, não é, apenas, um mau profissional, mas também e sobretudo um mau cristão. A qualidade do trabalho é condição necessária para a realização humana e espiritual do trabalhador e, consoante a perfeição técnica e ética da sua obra, assim é quem a realiza. Como dizia Etienne Gilson, foi a fé e a geometria que elevaram as sés da Idade Média. Sem religião, não haveria catedrais, mas sem trabalho também não. Só um labor de excelência pode ser, efectivamente, um acto de louvor a Deus e uma obra de arte.

A um funcionário público, a um advogado, ou a um comerciante cristão pede-se, em primeiro lugar, que seja honesto, sério, competente. Não basta que realize o seu trabalho com amor, porque também os ladrões amam … sobretudo os bens alheios!
Há já alguns anos, um jornalista estrangeiro foi a Varsóvia, onde ficou espantado com a devoção dos polacos. Quando o disse ao Cardeal Glemp, a quem também comentou que lhe tinham roubado a carteira, o então arcebispo de Varsóvia fez-lhe notar que a religiosidade cristã de um povo não se mede apenas pela sua participação em actos de culto, mas também e principalmente pela sua prestação ética: é este o critério que permite distinguir a verdadeira fé cristã dos seus sucedâneos, a religião genuína da mera beatice de sacristia. Caso contrário, poder-se-ia incorrer na hipocrisia do assaltante que, na quaresma, não fumava … mas roubava, claro!

Há erros de gestão que, certamente, revelam falta de competência, mas também má formação moral. A inépcia técnica não se pode desculpar sem se ser cúmplice das suas consequências éticas. Quem, por incúria, leva uma empresa à falência, é moralmente responsável pelas gravosas consequências sociais desse fracasso. Não se trata apenas de um infortúnio dos negócios, mas de uma grave irresponsabilidade moral, que não pode, nem deve, ficar impune.

Também de Judas Iscariotes se poderia dizer que era 95% cristão: deixou tudo para seguir o Mestre, ouviu os seus sermões, participou nas suas orações, assistiu aos seus milagres, etc. Mas, à margem da sua vida de apóstolo, São João esclarece que roubava e não se importava com os pobres. Porque era avarento e ladrão, vendeu Cristo por trinta dinheiros. O pouco que lhe faltou para ser verdadeiramente cristão – os tais 5%! – chegou e sobrou para trair Jesus e cair na desesperação.

in Observador


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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Cardeal Burke diz que está ao serviço do Papa Francisco

O Cardeal Raymond Burke diz que está ao serviço do Papa Francisco, não tem nenhuma animosidade pessoal contra o Papa, e aqueles que afirmam que o cardeal norte-americano é um adversário do Sumo Pontífice querem desacreditá-lo.

O chefe do mais importante tribunal do Vaticano também disse à Breitbart na terça-feira que a Igreja Católica corre o risco de dissidência se os bispos forem vistos a “contrariar” os dogmas estabelecidos e imutáveis da Igreja, nos próximos meses. 

O prelado do Vaticano falou em Viena, durante o lançamento da tradução alemã de “Permanecer na Verdade de Cristo”, livro para o qual contribuiu. A obra é uma resposta à proposta do Cardeal Walter Kasper, querendo permitir que alguns divorciados recasados tenham acesso à Comunhão. A Igreja Católica sempre excluiu tal possibilidade, com base no ensinamento de Cristo que "recasar" após um divórcio constitui adultério.

Certos meios de comunicação social querem simplesmente retratar-me a viver uma vida de oposição ao Papa Francisco”, disse o Cardeal Burke. “Não é de todo o caso. Tenho servido o Santo Padre na Assinatura Apostólica e continuo a servi-lo de outras formas.

O prelado, nascido em Wisconsin, respondeu a comentários feitos por si durante uma entrevista dada à revista seminal Vida Nueva, a semana passada. O artigo deu a entendê-lo como crítico do Papa, apesar de ter salientado na entrevista que não estava em desacordo com Francisco.

O Cardeal contou à publicação espanhola que há um “forte sentimento” de que a Igreja é como um “barco sem leme, seja a razão qual for.” Contudo, deixou claro que a entrevista não servia para “falar contra” o Pontífice. Disse que o Papa tem razão em chamar os Católicos “para as periferias”, mas acrescentou que “não podemos sair para as periferias de mãos vazias”.

Eu não disse que essa era a ideia do Santo Padre,” explicou, “mas tenho visto outros a usar as suas palavras para justificar um certo tipo de ‘comodismo’ da fé à cultura, algo que nunca poderá acontecer.

O Cardeal Burke disse que a sua intenção é “apresentar o ensinamento da Igreja, em relação ao qual tem havido uma grande confusão.” Apontou para o Sínodo da Família, no mês passado, como parcialmente responsável, e afirmou que aqueles que se identificam com a chamada "agenda reformista do Papa Francisco" estão agora a tentar “desacreditar o que eu disse ao atribuí-lo a uma animosidade pessoal contra o Santo Padre, o que não está correcto.

Questionado em relação aos recentes elogios do cantor Elton John, enaltecendo o Papa Francisco como herói dos direitos homossexuais, Burke disse que a Igreja tem de ser “diligente” ao explicar “com muito cuidado” os seus ensinamentos, distinguindo bem entre o pecador e o pecado. Também reafirmou a preocupação do Papa pelas pessoas com atracção pelo mesmo sexo, “entendendo que apesar de terem esta atracção, é uma atracção a actos desordenados,” e que têm de procurar a “cura e graça” de Deus para lidar com o seu “muito profundo sofrimento.”

Burke tem sido um dos oponentes mais declarados contra a proposta de Kasper, apontando que não é católica, ameaça a indissolubilidade do casamento, e que é por isso inaceitável. “A Igreja deve fazer tudo o que pode quando, mais uma vez, a integridade do matrimónio está sob ataque” disse ao público vienense. 

Disse que “ouviu frequentemente” prelados durante o Sínodo da Família em Roma, no mês passado, dizer que como a cultura mudou “tão radicalmente”, a Igreja “já não pode ensinar o mesmo que ensinava no passado.” Burke respondeu dizendo que tal visão revela uma “perda de esperança em Jesus Cristo, que é a única salvação do mundo.” Reconhece que a cultura está “muito corrupta” mas acrescentou que isso não significa que “tenhamos de a seguir, mas trazer para a cultura aquilo que a vai salvar e encher de esperança.”

Os rumores sobre um possível cisma têm aumentado na Igreja Católica depois do recente Sínodo parecer levar a Igreja numa direcção mais “progressiva” no que toca a questões morais. O controverso documento emitido a meio do encontro (ao qual Burke chamou de “desastre total”) apontava mudanças radicais na área da homossexualidade, divórcio, e segundos casamentos, entre outras coisas, mas as propostas foram amplamente atenuadas, e não alcançaram um consenso no relatório final.

Questionado em relação à existência de um risco genuíno na divisão da Igreja, Burke disse que se na fase precedente ao segundo Sínodo da Família, em Outubro do próximo ano, os bispos forem vistos a “contrariar os ensinamentos e práticas constantes da Igreja, há um risco, pois estas são verdades imutáveis.” Também realçou que o chefe do Sínodo dos Bispos, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, “se identificou fortemente” com a tese de Kasper e que “se subscreve a essa escola”.

Avisando que esta batalha vai continuar, pediu aos Católicos que “se façam ouvir”.

in Breitbart


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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O exército de Portugal sob a liderança de S. Nuno: uma bandeira

Nun’Álvares não quebrava.

Era audácia e ímpeto mas sobretudo uma grande liberdade de falar a todos, mesmo ao mais poderoso, ao rei. (…)

Era um falar e agir firme, mas também sereno, sem crispação, perante os poderosos deste mundo.

E leve e alegre, com aquela segurança dos que eram ou se sabiam mensageiros de um Senhor justo e todo-poderoso. 

Jaime Nogueira Pinto in Nuno Álvares Pereira (Esfera dos Livros, 2009)




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Frase do dia

“Os vários grupos islâmicos radicais, como o ISIS, proclamaram parte da Síria e do Iraque como um Estado Islâmico. Controlam vários poços de petróleo e estão bem consolidados. Como foi possível os países ocidentais terem permitido isto? Como é que os países democráticos podem permitir que estes grupos radicais degolem pessoas inocentes diante dos media e violem as mulheres no Iraque e na Síria?”

Mons. Issam Darwish, arcebispo libanês


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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Patriarca de Lisboa conta como foi o Sínodo da Família

Este fim-de-semana, no dia de todos os Santos, o Sr. Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, foi falar ao Oratório de S. Josemaria sobre o recente Sínodo da Família, que aconteceu em Roma. (O Senza, como sabem, tem uma secção só sobre o Sínodo da família 2014.)


A sala, com capacidade para mais de 300 pessoas, estava cheiíssima, com pessoas sentadas no chão e até no palco, atrás do Sr. Patriarca. Na verdade, quem olhava do fundo da sala para dentro do auditório via o D. Manuel a falar rodeado de jovens sentados no chão do palco onde ele também estava. De facto, foi uma tarde muito bem passada e o Sr. Patriarca conseguiu entreter-nos com mais de uma hora sempre cheia de interesse pelos conteúdos e pelo humor com que os ia completando.

A conferência foi muito boa para desmistificar uma série de coisas sobre o Sínodo da família, cujas notícias correram o mundo e, ao passarem por todos os jornais possíveis, sofreram muitas distorções.

O Sr. Patriarca explicou que, quando se fala em "Sínodo dos Bispos", estamos a falar de um orgão permanente da Igreja, que serve para aconselhar o Santo Padre. Isto é assim desde que o Sínodo dos Bispos foi criado pelo Beato Paulo VI. Para exemplificar, D. Manuel explicou que até já tinha havido um sínodo pela família no tempo de S. João Paulo II, cujas conclusões estão espelhadas na Exortação Apostólica (Pós-Sinodal) Familiaris Consortio.

D. Manuel Clemente disse que esta exortação ainda é hoje o documento base para se tratar de temas da família na Igreja. É um sinal muito bom que o nosso Patriarca diga isto em público, dado ser precisamente nesta exortação que se afirma que pessoas recasadas não se podem aproximar da Sagrada Comunhão. No entanto, confesso que também seria estranho não dar a este documento a importância que ele merece, dado ser uma carta escrita por um Papa, ainda por cima Santo.


Entre todas as notícias que foram publicadas sobre o Sínodo, é óbvio que algumas foram boas. No entanto, D. Manuel conseguiu dar-nos ainda mais novidades. Por exemplo, eu não sabia, mas havia momentos no Sínodo em que todos os Bispos tinham que falar para todos. Ora, como sabemos, há imensos Bispos a participar, por isso o discurso de cada um tinha que ser muito moderado no tempo. Para tal, cada um tinha um microfone no seu lugar do auditório que, ao fim de 4 minutos de discurso, desligava-se automaticamente. Isto é um sinal de que o uso da tecnologia para as coisas mais banais também já chegou ao Vaticano: parece que a Igreja não é assim tão antiga como a querem pintar, nem no que toca a microfones.

D. Manuel, que já esteve presente noutros Sínodos para além deste, falou de algumas das diferenças mais notórias entre este Sínodo e os outros anteriores. A mais impressionante de todas foi a presença do Santo Padre no Sínodo.

Nos Sínodos anteriores o Papa Bento, para além dos discursos inicial e final, costumava pregar umas meditações em alguns dos dias do Sínodo. Além disso, também aplaudia sempre todos os Bispos quando eles falavam. O Sr. Patriarca até explicou que era normal os Bispos estarem atentos a quem é que o Papa batia mais palmas (ainda que se calhar não desse para ver a diferença nas palmas). Ora, o Papa Francisco permaneceu em silêncio o Sínodo inteiro e, apesar de ser muito afável no contacto pessoal, ele esteve sempre muito sério durante todo o Sínodo. Era impossível concluir o que quer que fosse da sua expressão, pelo que os Bispos apenas o viam tirar notas e a prestar atenção a todos os discursos.


O Papa Francisco apenas falou no início e no final do Sínodo e foi sempre com o mesmo objectivo: o de apelar à franqueza e sinceridade dos Bispos. Na verdade, D. Manuel explicou que o Papa chegou mesmo ao ponto de dar a entender aos Bispos para não se preocuparem com a ortodoxia, dado que estava lá Pedro. O Papa Francisco explicava assim que, ao estar lá presente, assegurava a continuidade da tradição e da doutrina, pois os Bispos estariam a discutir cum Petro e sub Petro. A verdade é que o Papa Francisco fez um discurso assombroso e com uma fidelidade implacável ao Magistério da Igreja no seu discurso final do Sínodo, um texto que só ele merece um outro artigo.

D. Manuel Clemente disse que o Papa tinha uma preocupação que não lhe saía do coração, ao explicar que este Sínodo extraordinário foi convocado com o objectivo de que todas as pessoas na Igreja percebam que há problemas inéditos na vida da Igreja e que têm que ser tratados de uma forma como nunca foram antes. Estes problemas são principalmente as situações dos Católicos divorciados e a ideologia homossexual, mas não só. É importante não esquecer que este Sínodo não foi mais do que a preparação do Sínodo que vai acontecer em 2015.

Segundo o Patriarca de Lisboa, nos dias de hoje já não faz sentido continuarmos a achar que, com os mesmos métodos de sempre para resolver problemas da família, vai ser possível ajudar as pessoas recasadas ou com tendências homossexuais. É preciso admitir que nos dias de hoje há mesmo imensas famílias destruídas pelos divórcios e demasiadas pessoas a sofrer com problemas de homossexualidade - a Igreja tem que saber como ajudá-las.

Noto que em nada do que se disse até agora foram implicadas mudanças na doutrina da Igreja. Na verdade, quem tem fé na infalibilidade da Igreja (sim, é uma questão de Fé, como dizemos todos os Domingos no Credo: "Creio na Igreja....") sabe que a doutrina não pode mesmo mudar. No entanto, devemos ter ferramentas para ajudar as pessoas que têm estas dificuldades específicas, e fazer com que queiram lutar para ser santas.

E, tal como S. João XXIII não quis decidir nada sozinho, também o Papa Francisco conta com estes Sínodos pela família para ter luzes sobre como tomar decisões sobre estes assuntos para a Igreja. O Papa quer sentir-se acompanhado nas decisões que tomar.

Mesmo antes de acabar a conferência, foi feita uma pergunta muito pertinente a D. Manuel (os meus parabéns a quem a fez!). A pergunta lembrava que o Papa Francisco tinha decidido beatificar o Papa Paulo VI no final do Sínodo pela família, certamente com algum significado. Na homilia da beatificação, o Papa Francisco referiu a solidão com que Paulo VI viveu os seus últimos anos de pontificado (basta lembrarmo-nos do caso Humanæ Vitæ). Será que o Papa Francisco, um Papa que gosta muito de estar acompanhado, também está a sentir esta solidão? Se sim, como é que nós, em particular as famílias, devemos fazer para ajudar e apoiar o Papa durante este ano até ao próximo Sínodo?

D. Manuel Clemente deu-nos então sugestões muitíssimo boas e pertinentes, que vou colocar pela ordem de importância e eficácia.

Papa Bento XVI a rezar no túmulo da Jacinta.
Primeiro, podemos e devemos rezar pelo Papa. D. Manuel reforçou ainda mais esta ideia comentando que estamos a aproximar-nos do centenário de Fátima e que a Jacinta é um exemplo para todos nós no seu amor ao Santo Padre e na forma como rezava pelo Papa. Além disso, não devemos nunca esquecer como nos Actos dos Apóstolos se comenta que, quando S. Pedro estava preso, a "Igreja orava incessantemente por ele", o que fez com que ele conseguisse libertar-se.

Em segundo lugar, não devemos hesitar em escrever cartas ao Papa, pois ele é muito sensível a isso. Ainda que não responda a todas, o Papa interessa-se muito pelo que as pessoas lhe escrevem e por isso devemos enviar-lhe cartas entusiasmando-o e até dizendo o que temos achado sobre o que se tem passado no Sínodo ou o que quer que queiramos. Isto é um conselho do nosso Patriarca de Lisboa que não devíamos esquecer... quantos Santos não escreveram cartas ao Santo Padre?

Por último, também nós próprios podemos contribuir para o debate! Um dos objectivos do Papa era fazer com que se falasse mais nestes assuntos e que eles fossem estudados mais a sério e com profundidade, por isso é que D. Manuel até recomendou que escrevêssemos livros! Aproveito para lembrar um bom livro sobre este assunto escrito por cinco cardeais (um deles o Prefeito para a Doutrina da Fé) e publicado em inglês pela Ignatius Press: Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church.

Para concluir, não seria justo acabar este texto sem referir uma das ideias mais importantes (e mais bonitas) que o D. Manuel nos disse. Explicou o Patriarca de Lisboa que o Papa Francisco, com estes Sínodos, mostrou acima de tudo uma coisa - que a família tem que deixar de ser considerada como uma das parte da vida da Igreja, para passar a ser vista como o próprio eixo central da vida da Igreja.

Esta é uma ideia que não devemos deixar passar levemente, pois não só mostra a importância da família para a Igreja mas também para a vida de cada um em particular. Que loucura pensar que sendo um pai ou mãe de família podemos vir a ser tão Santos, ter a alma tão perto de Deus, como a mística Santa Teresa de Ávila, por exemplo... Pois sim, é possível.

Nuno CB


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