domingo, 15 de março de 2015

Papa Francisco mobiliza os sem-abrigo de Roma

Não têm nada para fazer?! O Papa Francisco pôs uma centena de sem-abrigo a distribuir um pequeno livro de 32 páginas, oferta do Papa, intitulado «Guarda o coração». Não recebem salário, mas no final há sanduíches.

O pequeno livro é o novo instrumento papal de ataque aos peregrinos. Na primeira página avisa «Devemos passar a ser cristãos corajosos» e, prevenido o leitor, para começar a ter medo, segue-se o resumo do catecismo, um apelo a ler regularmente a Bíblia e um exame de consciência, para fazer diariamente.

A parte doutrinal contém o Credo, apresenta os principais mistérios da fé, os 7 Sacramentos, os dons e os frutos do Espírito Santo, os 10 Mandamentos, as obras de misericórdia corporais e espirituais, as virtudes teologais, as virtudes cardeais e os pecados capitais, as Bem-Aventuranças. Cada ponto é acompanhado por uma explicação breve e remete para o «Catecismo da Igreja Católica».

A parte mais exigente é o exame de consciência, destinado a preparar a Confissão. O Papa insiste em cada ponto: «Para quê confessar-se?», «Como confessar-se?», «O que devemos confessar?». As 34 perguntas do exame não deixam pedra por levantar. Com Deus, não se brinca, insiste o Papa.
O exame de consciência e a Confissão são o caminho para guardar o coração, para que Deus Se instale. Daí o título, «Guarda o coração». O Espírito Santo quer instalar-Se e portanto é preciso guardar o coração, «para que não entrem os outros espíritos»: «guardá-lo à chave, como se guarda uma casa».

Há poucos dias, comentando o Evangelho, explicava: «Jesus diz ainda uma outra coisa um pouco estranha – não é? –: “Quem não recolhe coMigo, dispersa”. Usa a palavra “recolher”. Ter um coração recolhido (...), fazendo aquela prática tão antiga na Igreja, e tão boa: o exame de consciência. Quais de nós é que, à noite, ao terminar o dia, ficamos sozinhos e perguntamos: que aconteceu hoje no meu coração? Que coisas passaram pelo meu coração? Se não fazemos isto, não sabemos vigiar bem, nem guardar bem».

A campanha da Confissão está no auge. Nesta sexta-feira, 13 de Março, aniversário da eleição do Papa Francisco, 60 confessionários funcionaram ininterruptamente na basílica de S. Pedro, durante 24 horas. As outras basílicas de Roma também foram mobilizadas para estarem abertas 24 horas seguidas, com muitos confessores disponíveis, mas com uma diferença: em S. Pedro, o próprio Papa esteve a ajudar nas Confissões.

O Papa tem dedicado muito tempo à catequese da Confissão. Uma das suas mensagens é: «Antes de mais, Deus perdoa sempre! Não Se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de pedir perdão. Mas Ele nunca Se cansa de perdoar. Quando Pedro pergunta a Jesus “devo perdoar quantas vezes? Sete vezes?” – “Não sete vezes: setenta vezes sete”: Isto é, sempre. Assim perdoa Deus: sempre. Se tu tiveste uma vida de imensos pecados, de tantas coisas más, e no final, um pouco arrependido, pedes perdão, perdoa-te imediatamente! Ele perdoa sempre».

Outra chave desta catequese é o tema da alegria. A Confissão não é um «juízo», mas um «encontro», um abraço em que Deus nos surpreende com uma alegria que não esperávamos. Não há desculpas para atrasar a Confissão: «Não há pecado que Ele não perdoe. Ele perdoa tudo. “Mas, Padre, não me vou confessar porque fiz tantas coisas horríveis, tantas, destas que não têm perdão...”. Não. Não é verdade. Perdoa tudo. Se tu vais arrependido, perdoa tudo. Tu vais ...e muitas vezes nem te deixa falar! Tu começas a pedir perdão e Ele faz-te sentir aquela alegria do perdão antes de teres acabado de contar tudo». 

A Confissão é «o encontro com o Senhor que reconcilia, que te abraça e celebra uma festa. E este é o nosso Deus, tão bom. Também temos de ensinar os outros. As nossas crianças, os nossos rapazes, têm de aprender a confessar-se bem, porque confessar-se não é ir à tinturaria, tirar uma nódoa. Não! É encontrar-se com o Pai, que reconcilia, que perdoa e dá uma festa!».

O Papa avisou que quer «24 horas para o Senhor» em todas as paróquias do mundo, com confissões e adoração eucarística durante 24 horas. (Pelo menos uma vez, para começar).

José Maria C.S. André in «Correio dos Açores»,  «Verdadeiro Olhar»,  «ABC Portuguese Canadian Newspaper», 15-III-2015


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sábado, 14 de março de 2015

Sejamos compassivos uns com os outros

«Levai os fardos uns dos outros de outros; assim cumprireis a lei de Cristo»; «Suportai-vos uns aos outros com amor» (Gal 6,2; Ef 4,2): é esta a lei de Cristo. 

Quando vejo no meu irmão alguma coisa incorrigível, como resultado de dificuldades ou de enfermidades físicas ou morais, por que não suportá-lo com paciência, por que não consolá-lo com todo o coração, segundo a palavra da Escritura: «Os seus filhos serão levados ao colo e consolados sobre os joelhos» (Is 66,12)? 

Faltar-me-á essa caridade que tudo suporta, que é paciente para apoiar, indulgente para amar (cf 1Cor 13,7)? De qualquer maneira, esta é a lei de Cristo: na sua Paixão, Ele realmente «tomou sobre Si as nossas enfermidades» e, na sua misericórdia, «carregou com as nossas dores» (Is 53,4), amando aqueles que carregava, carregando aqueles que amava. 

Quem, ao contrário, é agressivo para com o irmão em dificuldades, quem o atormenta pelas suas fraquezas, sejam elas quais forem, submete-se obviamente à lei do diabo e executa-a.

Sejamos pois compassivos uns com os outros e cheios de amor fraternal; suportemos as fraquezas e lutemos contra os vícios. E qualquer tipo de vida que permita entregar-se com mais sinceridade ao amor de Deus e, por Ele, ao amor ao próximo – seja na vida religiosa ou na vida laica – é verdadeiramente agradável a Deus.

Isaac da Estrela in Sermão 31


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quarta-feira, 11 de março de 2015

Frase do dia

"Quando um marido oferece à sua esposa um anel, deseja que ela o ame no anel. Se a esposa ama o anel sem referência ao marido, o seu amor torna-se adúltero. 

Assim também, quando Deus nos dá as coisas deste mundo, quer que O amemos nelas. Mas se as amamos, se amamos o mundo, sem referência a Deus, o nosso amor torna-se num amor adúltero."

Santo Agostinho


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terça-feira, 10 de março de 2015

Um Pai fala das mentiras contra a Igreja ensinadas nas escolas

Na semana passada, o meu filho adolescente abordou-me com o texto da sua prova simulada nas mãos. Ele estuda numa escola católica, ressalte-se, o que não torna necessariamente mais fácil a luta para que ele não perca a fé diante da forma como as disciplinas de história, literatura e ciências são muitas vezes apresentadas pelos professores. 

No caso concreto, era uma questão de história:

“Enquanto as civilizações sarracena e bizantina desenvolveram amplos estudos de física, matemática, astronomia e medicina, as ciências, na sociedade europeia, não avançaram muito, devido à repressão da Igreja Católica a qualquer estudo que colocasse em risco a sua doutrina religiosa.”

Devido às conversas que temos em casa sobre questões históricas relacionadas com a Igreja, ele respondeu na prova que a frase estava errada. Lembrou-se de como eu lhe comentara o incidente com Galileu Galilei, ou de como eu lhe mencionara o excelente livro “O que a Civilização Ocidental deve à Igreja Católica”, de Thomas Woods, ou mesmo a importância da recta razão na compreensão da fé, como ressaltado já por sábios como São Justino, do século II, pelos Padres Alexandrinos do século II e III, por homens como Santo Agostinho (século IV), Boécio (século V), Alcuíno (séc. VIII), Abelardo (séc. XII), Santo Anselmo (Séc. XIII), para não mencionar Erasmo e Thomas Hume (séc. XVI), todos numa impressionante defesa da razão humana, reiterada em diversos concílios como o IV de Latrão (1215) e os Concílios Vaticano I (1870) e Vaticano II (1965), além da encíclica Fides et Ratio, de João Paulo II, a cujo respeito eu também eventualmente comentara com ele.

É uma impressionante cadeia de homens sábios e documentos em defesa da razão e da ciência produzidos numa única instituição, a Igreja Católica. Não se conhece outra instituição com uma história assim. Mas, uma vez divulgado o gabarito pela escola, para sua surpresa (e a minha) a resposta correta, para a escola, é que a frase estava certa. O que fez com que meu filho me questionasse com uma certa agressividade na voz, e não sem um certo ar de decepção na confiança da formação que eu lhe tinha dado. 

Resolvi entrar em contacto com a direcção da escola, por e-mail, e fi-lo assim: 

“Prezado director, 

Sou pai de um aluno do ensino médio, e fiquei com uma dúvida grave sobre a prova simulada feita por vós. Ele mostrou-me a prova, e a questão 64 é manifestamente falsa. Mas pelo gabarito publicado, ela estaria verdadeira para a escola. 

A questão afirma que a Igreja Católica manteve o Ocidente na ignorância científica, repelindo as pesquisas e os avanços científicos, com medo de que o avanço da ciência ameaçasse a fé, que entretanto eram alcançados por sarracenos (muçulmanos) e bizantinos. Isto é manifestamente falso: basta olhar um noticiário de TV para perceber qual das duas esferas do mundo desenvolveu a tecnologia, se o ocidente católico ou o oriente bizantino e muçulmano. 

Não é à toa que o renascimento Carolíngeo se deu no século IX no ocidente, mesmo sob a crise das invasões bárbaras, e já no século XII o sistema europeu de universidades estava firmemente estabelecido pela Igreja Católica, sem igual no mundo inteiro. Enquanto os muçulmanos degolavam os seus desafectos e os bizantinos mantinham o seu império sob um tacão de autoritarismo político. 

Também não é à toa que o ocidente deu ao mundo, no século XIII, um Santo Alberto Magno, doutor em ciências, e que os monges inventaram os arreios de cavalo eficazes que renovaram a face da Europa durante a baixa idade média. Não é à toa que Galileu Galilei escrito o que escreveu porque era um professor de universidades católicas no século XVI, e que baseou o seu estudo nas teorias de Copérnico, um padre católico. Há uma série de imbecilidades escritas sobre Galileu, inclusive a de que ele teria sido queimado na fogueira, e repetidas por professores de história de formação anti-religiosa. É uma lenda negra. Galileu morreu de velho, no seu leito, cercado por suas cinco ou seis filhas freiras, confessou-se, recebeu a comunhão e a unção dos enfermos e está enterrado numa igreja católica. 

Note-se que a cientista Marie Curie era uma devota católica, e que o seu trabalho repercutiu-se no Brasil com o padre Roberto Landell de Moura, que foi a primeira pessoa no mundo a transmitir voz por rádio, em 1903, e que o seu professor marxista de história não deve conhecer, é claro, apesar das inúmeras patentes que este padre tem no Brasil e nos EUA. 

Mesmo a Wikipedia, que muitas vezes não é confiável nas suas informações, faz um interessante reconhecimento da importância da Igreja no fomento da razão através da história: 

"Muitos clérigos da Igreja Católica ao longo da história fizeram contribuições significativas para a ciência. Dentre esses clérigos-cientistas estão nomes ilustres tais como Nicolau Copérnico, Gregor Mendel, Alberto Magno, Roger Bacon, Pierre Gassendi, Ruđer Bošković, Marin Mersenne, Francesco Maria Grimaldi, Nicole Oresme, Jean Buridan, Robert Grosseteste, Christopher Clavius, Nicolas Steno, Athanasius Kircher, Giovanni Battista Riccioli, William de Ockham, e muitos outros. Centenas de outros nomes têm feito contribuições importantes para a ciência desde a Idade Média até os dias atuais. 

Na verdade, pode-se perguntar por que é que a ciência se desenvolveu num ambiente maioritariamente católico. Esta questão é levantada pelo padre Stanley Jaki no seu livro “The Savior of Science”. Jaki mostra que a tradição cristã identifica Deus como racional e ordenado. Ele identifica os escolásticos da Alta Idade Média pela sua despersonalização da natureza.” 

O artigo da Wikipedia, que é um tanto longo, não deixa de ressaltar a importância dos jesuítas para a ciência moderna, e inclusive o facto de que nada menos do que trinta e cinco crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas. Isto parece deixar bem claro qual é a posição institucional da Igreja sobre a ciência, bem diferente daquela maldosamente exposta na referida afirmação da prova. É muito fácil para um jovem adolescente perder a fé, muitas vezes ocorre sem motivo, e certamente é muito mais fácil quando há uma colaboração externa deste tipo. 

Gostaria de esclarecer esta dúvida, tendo acesso à fonte da qual o professor que elaborou a questão retirou a informação, que, das coisas que conheço, é manifestamente falsa e agressiva à fé católica, à qual a escola alega pertencer. 

Mas não se trata de questão de fé, trata-se da necessidade de expor um erro académico grave, que não consigo acreditar ter sido intencional. Não vejo nenhum problema em que se exponha publicamente os erros que historicamente os filhos da Igreja Católica cometeram, mas acho que, no ambiente académico, existe o direito de saber o fundamento de uma afirmação tão grave, tão contrária à boa evidência histórica, e que parece apenas ser a repetição leviana, em meio académico, de uma hostilidade propagada em meios anticlericais para minar a confiança na Igreja.” 

A escola deu-me uma resposta burocrática, através de uma assessora, que prometeu rever o assunto com a professora, mas ainda não fez nenhuma crítica sobre estas afirmações. Não posso evitar a sensação de ser minoria, mesmo dentro de uma escola católica. Mas é hora de não ter constrangimentos em lutar pela verdade, mormente quando a mentira propagada constitui, além de tudo, um ataque à fé. 

Paulo Vasconcelos Jacobina in Zenit


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segunda-feira, 9 de março de 2015

"Insensato! Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida"

"Havia um homem rico, a quem as terras deram uma grande colheita. E pôs-se a discorrer, dizendo consigo: ‘Que hei-de fazer, uma vez que não tenho onde guardar a minha colheita?’ Depois continuou: ‘Já sei o que vou fazer: deito abaixo os meus celeiros, construo uns maiores e guardarei lá o meu trigo e todos os meus bens. Depois, direi a mim mesmo: Tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.’ Deus, porém, disse-lhe: ‘Insensato! Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida; e o que acumulaste para quem será?’ Assim acontecerá ao que amontoa para si, e não é rico em relação a Deus." 
(Lc 12, 16-21)
«Insensato! Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida; e o que acumulaste, para quem será?» A conduta deste homem é tanto mais ridícula, quanto o castigo eterno será rigoroso. Com efeito, que projectos abriga no seu espírito esse homem que em breve vai partir deste mundo? «Deito abaixo os meus celeiros e construo uns maiores.» 

Quanto a mim, dir-lhe-ia de bom grado: fazes bem, e assim são demolidos com justa causa os celeiros da injustiça, pois que destróis com as tuas próprias mãos, de alto a baixo, o que construíste de maneira desonesta. Deita por terra as reservas desse trigo que nunca saciou ninguém e lança a razia sobre os silos que guardam a tua avareza. Arranca-lhes os tectos, derruba-lhes as paredes e expõe à luz do sol esse trigo cheio de mofo até saírem de sua prisão as riquezas até então cativas. 

«Deito abaixo os meus celeiros e construo uns maiores». E uma vez que os tenhas voltado a atafulhar, qual será a tua decisão? Demoli-los-ás para construir outros ainda maiores? Haverá maior insensatez do que atormentar-se sem fim, construindo obstinadamente para depois demolir? Se quiseres, os teus celeiros podem ser as casas dos pobres: «acumulai tesouros no céu», e tudo o que neles for armazenado «a traça e a ferrugem não corroem e os ladrões não arrombam nem furtam» (Mt 6,20).

 S. Basílio in Homilia 6, sobre as riquezas 


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sábado, 7 de março de 2015

Frase do dia

"Ai daqueles que querem esconder do Senhor seus desígnios, que fazem intrigas nas trevas e dizem: Quem nos vê e quem nos conhece?

Que perversidade a vossa! Pode-se tratar como barro o oleiro? Pode a obra dizer do artífice: Ele nada me fez? Pode o pote dizer do oleiro: Ele nada entende disso?"

Isaías 29, 15-16


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sexta-feira, 6 de março de 2015

Frequentas as redes sociais? Este texto é para ti

Olha bem para ti. Nasceste perto de um século onde a velocidade da evolução tecnológica é maior que aquela que as tuas pernas conseguem comportar. Não acompanhas, corres atrás e de tudo fazes para parecer mais. O mais “in”, o mais “cool”, o mais tudo. Aparentas e aparentas. Mas, na realidade, o que és?

Admite-o. És um subordinado bem comportado da ditadura dos ecrãs. Deslocas-te a um ritmo supersónico, com a dose certa de sofreguidão, na direcção de um telefone, de um computador ou de qualquer outra coisa que te ligue a uma rede que nada mais é que uma ilusão. Perdeste a capacidade de olhar o horizonte – a não ser que uma fotografia do mar te faça parecer o ser mais profundo da tua comunidade. Já mal sabes o que é a beleza da paisagem porque a corcunda te impede de contemplar a distância daqui até ao vazio.

Tens pressa. Estugas-te a caminho sabe-se lá de quê. Nos teus ouvidos, há música ultra- produzida cuspida de um equipamento caro que compraste há dias. Na rua, há quem dedilhe uma guitarra. Mas não tens tempo para ouvir coisas genuínas, por isso deitas ao artista um ar sobranceiro pelo canto do olho, como se fosses tu o dono dos teus comandos.

Espiolhas chorrilhos de fotografias, vives vidas que não são a tua e acabas por perder o domínio que deverias possuir sobre os teus dias. Afogas-te em informação. Lês todo o lixo desconexo que te aparece pela frente, tornas-te desconfiado e idólatra em igual medida, com puro recurso às indicações da intuição. 

Os factos de pouco valem, és (ou estás) descrente do sistema. Mas acreditas no que bem te apetece, sem critério. Por causa do que os telejornais te dizem até já perdeste a inocência de brincar com crianças que não conheces, não vá alguém entregar o teu gesto caridoso a um polícia qualquer.

Nas redes sociais, tens medo que se esqueçam de ti. Por isso mostras o que não tem relevância, partilhas clichés vazios que nunca foram teus e deixas-te seguir na corrente como peixe que nunca soube nadar.

És contraditório. Deixas-te levar pela imagem de um pobre cachorro abandonado mas cedes sempre à vergonha de estender a mão ao desconhecido que chora, ao teu lado. Estás embrutecido pela azáfama dos teus próprios dias, esquecendo-te num registo perene de que, à tua volta, há carne igual à tua, sangue igual ao teu. 

E, mesmo assim, entregas-te demasiado aos corpos distantes porque temes apaixonar-te pelos espíritos que te querem ser próximos. Até ao dia em que, eventualmente, o online te oferece alguma coisa que realmente querias para a tua vida fora dos ecrãs, seja uma conversa improvável num café ou uns olhos verdes que nunca antes havias conhecido.

Neste espirro da História em que tiveste a pouca sorte de nascer, olha para ti. Olha para nós. Virtualmente felizes, realmente desorientados.

Nelson Nunes in p3


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quinta-feira, 5 de março de 2015

A Igreja Católica alguma vez foi racista?




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"Quem fala mal a um pobre injuria a Cristo" - S. Francisco de Assis

Francisco, pobrezinho e pai dos pobres, queria viver em tudo como pobre; sofria quando encontrava alguém mais pobre que ele, não por vaidade mas por causa da terna compaixão que os pobres lhe causavam. Só queria uma túnica de tecido grosseiro e muito comum; ainda assim acontecia-lhe bastantes vezes partilhá-la com algum infeliz. 

No entanto, era um pobre muito rico pois, movido pela sua grande caridade a socorrer os pobres sempre que podia, quando estava muito frio, ia ter com os ricos deste mundo e pedia-lhes que lhe emprestassem um sobretudo ou um casaco. Traziam-lhos mais depressa do que a pressa que ele se tinha dado em fazer o pedido. Ele então dizia: «Aceito com a condição de não esperarem que vo-los devolva.» E, com o coração em festa, Francisco oferecia o que acabava de receber ao primeiro pobre que encontrava. 

Nada lhe causava mais pena do que ver insultar um pobre ou que dissessem mal de qualquer criatura. Um dia, um irmão deixou escapar umas palavras que magoaram um pobre que pedia esmola: «Não serás por acaso um rico a fingir de pobre?» Estas palavras caíram muito mal a Francisco, o pai dos pobres, que infligiu ao delinquente uma terrível reprimenda e lhe ordenou que se despojasse das suas vestes na presença do pobre e lhe beijasse os pés, pedindo-lhe perdão. «Quem fala mal a um pobre, dizia, injuria a Cristo, de quem o pobre é o mais nobre símbolo neste mundo, uma vez que Cristo por nós Se fez pobre neste mundo» (cf 2Cor 8,9).

Tomás de Celano, biógrafo de S. Francisco in 'Vita prima' de S. Francisco, §76 


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terça-feira, 3 de março de 2015

Via-Sacra conduzida por universitários: Lisboa, 6 de Março



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É muito mais difícil ser engenheiro do que ser santo

Não possuímos as virtudes, não por ser difícil, mas porque não queremos. Não temos paciência porque não queremos. Não temos temperança porque não queremos. Não temos castidade pela mesma razão. Se quiséssemos, seríamos santos, e é muito mais difícil ser engenheiro do que ser santo. Se tivéssemos fé!

Vida interior, vida espiritual, vida de oração: meu Deus, que difícil que isso deve ser! De modo nenhum. Afasta do teu coração o que o perturba, e encontrarás Deus. Com isso, o trabalho está feito. Muitas vezes buscamos o que não existe e, pelo contrário, passamos ao lado de um tesouro que não vemos. É a mesma coisa com Deus, a quem procuramos num emaranhado de coisas, que quanto mais complicado, melhor nos parece. No entanto, levamos Deus dentro de nós, e não O procuramos aí! Recolhe-te dentro de ti mesmo; olha para o teu nada; olha para o nada do mundo; põe-te ao pé de uma cruz e, se fores simples, verás Deus.

Se Deus não está na nossa alma, é porque não queremos. Temos uma tal acumulação de cuidados, de distracções, de tendências, de desejos, de vaidades, de presunções, temos tantas pessoas dentro nós, que Deus Se afasta. Assim que o quisermos, Deus enche-nos a alma de tal modo, que é preciso sermos cegos para não O vermos. Uma alma quer viver de acordo com Deus? Afaste tudo o que não é Ele, e está feito. É relativamente fácil. Se o quiséssemos, se o pedíssemos a Deus com simplicidade, faríamos um grande progresso na vida espiritual. Se quiséssemos, seríamos santos, mas somos tão tolos que não queremos; preferimos perder tempo em vaidades estúpidas.

S. Rafael Arnaiz Barón in Escritos espirituais, 25/I/1937 


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segunda-feira, 2 de março de 2015

Oração pelos cristãos perseguidos




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O importante é ser popular aos olhos de Deus

É indiferente ser popular ou impopular. A intenção de qualquer membro do clero deveria ser, em primeiro lugar, a popularidade aos olhos de Deus e não aos olhos do mundo ou dos poderosos do mundo. Jesus deixou um aviso: "Ai de vós quando todos disserem bem de vós!"

A popularidade é um engano. Os grandes santos da Igreja, como S. Tomás Moro e S. João Fisher, rejeitaram a popularidade. Aqueles que hoje em dia se preocupam com a popularidade dos meios de comunicação social e da opinião pública serão recordados como cobardes e não como heróis da Fé.

Mons. Athanasius Schneider in catholicherald


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domingo, 1 de março de 2015

Do Budismo para o Opus Dei em Harvard

Jenny Driver, MD, é professora de Medicina na Harvard Medical School e numerária do Opus Dei.

"Sou médica, e não uma especialista em teologia ou filosofia e nunca conheci S. Josemaria pessoalmente. Considero-me, no entanto, uma especialista numa coisa: stress. Como muitas das minhas colegas, sou uma perita em stress...

A 1 de Julho, primeiro dia de estágio, as únicas pessoas em hospitais universitários que estão mais nervosas que os novos estagiários são os pacientes, que sabem que estão a ser tratados por recrutas ainda bem verdes, fresquinhos da universidade.... Nós (estagiários) ajudávamo-nos uns aos outros através de experiências como ter que contar a uma jovem mãe que está cheia de cancro ou ao cometer um erro que pode levar à morte de um paciente. O stress emocional, físico e existencial teve os seus efeitos em nós... Cada uma de nós enfrentava as questões, "Porque é que estou a fazer isto? Qual é o sentido do sofrimento do meu paciente? Qual o valor do meu trabalho?"

Mas não havia tempo para pensar ou responder a todas essas perguntas. Fruto de uma sociedade contemplativamente mudada, com poucas raízes espirituais, a maioria de nós continuava a trabalhar e seguia em frente, à espera que a angústia que o trabalho nos trazia passasse com o tempo. O meu local trabalho estava desesperadamente a precisar de um sentido espiritual. Para mim, essa necessidade foi preenchida pelos ensinamentos de S. Josemaria sobre a possibildade de contemplação no meio de uma vida frenética de trabalho, que me ajudou a transformar o meu trabalho de uma experiência de enorme stress para um sítio onde posso encontrar Deus.

A minha experiência de contemplação e de uma vida interior começou num pico Himalaia no norte da Índia, cercada por bandeiras de oração tibetanas, pequenos bocados de tecido a chicotear no vento, como se ecoassem as orações dos peregrinos diante de mim, que tinham subido a montanha à procura de paz e ajuda espiritual. Eu acrescentei as minhas bandeiras coloridas às cinzentas e esfarrapadas.

Tinha deixado a minha casa, a minha cultura e a minha religião para trás e estava a passar o meu terceiro ano na Índia. Um exemplo típico da Geração X [1], tinha sido baptizada como Católica mas afastei-me da Igreja na infância, apesar do exemplo de uma mãe muito piedosa e de uma educação Católica. Desliguei-me do que chamava a "corrupção de uma religião organizada" e do materialismo da minha sociedade.

Quando fui para a universidade tinha um desejo espiritual profundo. Especializei-me nos -ismos e em estudos indianos e desejava "escapar" do mundo e do dia-a-dia. Na cadeira de introdução ao existencialismo fiquei intrigada pelo conceito de "existência autêntica" de Martin Heidegger, um estado de "consciência plena do ser" em oposição ao "esquecimento do ser" onde uma pessoa se rende ao mundo do dia-a-dia e se perde nas suas preocupações. Vivia uma vida dupla: os meus interesses espirituais eram a minha missão privada e não se integravam com a realidade da minha vida social e académica.

Subi a montanha porque lá, bem longe das preocupações e stresses do mundo, sentia-me em paz. Era capaz de esquecer as contradições e inconsistências da minha vida. Era fácil ter uma espiritualidade que não exigisse nada de mim, nada que eu não quisesse dar. Sentia que tinha escapado do "mundo" e das coisas materiais, com todas as suas influências negativas sobre mim.

Tive momentos de luz e inspiração. Uma vez, quando estava a viver em Dharamsala, no norte da Índia, onde o Dalai Lama vivia no exílio, reparei nos sinos que tocavam a tempos estranhos. Perguntava-me o que significariam. Fui ter com uma idosa mulher tibetana e perguntei-lhe para que serviam os sinos. Ela sorriu e riu-se: "Servem para te lembrar que é agora." Na altura não percebi o significado das suas palavras. Foi só mais tarde, muito mais tarde, através das palavras de S. Josemaria, que cheguei a percebê-las.

Logo que regressei da Índia, as minhas ideias Budistas desapareceram. Ao discutir com os meus irmãos e cheia de queixas, desejava muito a minha montanha. Não tinha maneira de integrar a minha "espiritualidade" com a realidade de cada dia. Foi mais ou menos nessa altura que a minha mãe me apresentou a algumas raparigas do Opus Dei.

Fiquei imediatamente fascinada pelo seu ideal de ser contemplativas no meio do mundo, algo que eu pensava ser uma contradição. Comovi-me pelo seu amor óbvio por Deus, pela sua intimidade com Deus, que para elas era uma pessoa, alguém que amava e compreendia. Estas mulheres eram profissionais ocupadas e entregavam-se ao seu trabalho, mas de alguma maneira tinham profundidade e paz, que as ajudava a absorver os obstáculos do caminho que me punham fora de forma.

Através das minhas amigas no Opus Dei e da vida e ensinamentos de S. Josemaria, ganhei uma compreensão mais profunda da fé Católica. Comecei a rezar e regressei aos sacramentos. Já não precisava de uma montanha retirada para me sentir perto de Deus. Tinha-O descoberto dentro da minha alma..."

Excerto do livro Women of Opus Dei In Their Own Words
in opusdeiblogs.org

[1] NT: Geração X é o que se chama à geração de pessoas nascidas nas décadas seguintes à II Guerra Mundial, até praticamente aos anos 80. Ver mais aqui.


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Permaneçamos vazios para que Deus possa preencher-nos

As riquezas, quer sejam materiais ou espirituais, podem asfixiar-nos se não fizermos delas uma utilização adequada. Porque nem o próprio Deus consegue colocar coisa alguma num coração que já está cheio. Mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, reaparece o apetite pelo dinheiro e a avidez por tudo o que o dinheiro pode proporcionar – a procura do supérfluo, do luxo na comida, no vestuário e no entretenimento. 

As necessidades começam a aumentar, uma coisa atrai a outra. Mas no fim fica-se com um sentimento incontrolável de insatisfação. Permaneçamos tão vazios quanto possível para que Deus possa preencher-nos. 

Nosso Senhor é um exemplo vivo disto: logo no primeiro dia da sua existência humana, conheceu uma pobreza que nenhum ser humano alguma vez conhecerá porque, «sendo rico, tornou-Se pobre» (2Cor 8,9). Cristo esvaziou-Se de toda a sua riqueza. É aqui que surge a contradição: se eu quiser ser pobre como Cristo, que Se tornou pobre embora fosse rico, que devo fazer? Seria uma vergonha para nós sermos mais ricos do que Jesus que, por nossa causa, suportou a pobreza. 

Na cruz, Cristo foi privado de tudo. A própria cruz fora-Lhe dada por Pilatos; os pregos e a coroa, pelos soldados. Estava nu. Quando morreu, despojaram-no da cruz, retiraram-Lhe os pregos e a coroa. Foi envolto num pedaço de tecido dado por uma alma caridosa e foi enterrado num túmulo que não Lhe pertencia. E isto quando poderia ter morrido como um rei ou mesmo poupar-Se à morte. Mas Ele escolheu a pobreza porque sabia que ela é o verdadeiro meio de possuir Deus e de trazer o seu amor para a Terra.

Beata Teresa de Calcutá in No Greater Love 


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sábado, 28 de fevereiro de 2015

“Quero que TU sejas feliz!": Uma nova perspectiva sobre o aborto

Quanto mais leio artigos ou oiço debates sobre a legalização do aborto em Portugal mais me fica a sensação de abstracção com que se fala das mulheres: “humilhação da mulher”, “mulher estigmatizada”, “dignidade da mulher”, “o direito da mulher”, etc. É a exaltação exacerbada da mulher, uma mulher que está no centro de tudo, mas que é entendida abstractamente, esquecendo-se o concreto da sua pessoa. Não estaremos a falar da mulher dentro de uma lógica de interesses? Uma vítima escolhida pelos jogos humanos do poder? O que significa “a mulher” se esquecemos “esta mulher”, a sua pessoa, a sua humanidade, o seu desejo de ser feliz?

Parece-me que todos concordamos em não existir “a mulher” em geral, mas sim um “tu”, um tu presente, real, que está grávida e que não sabe muitas vezes que decisão tomar. Está a sofrer e deseja a todo o custo afastar esse sofrimento. Para não sofrer estará disposta a abortar como estaria disposta a arrancar um dente se este lhe doesse. Mas se o estomatologista lhe sugerisse tirar-lhe a dor sem arrancar o dente, certamente aceitaria conservar o dente. Porque o problema não é uma má vontade em relação ao dente, mas em relação à dor. 

O mesmo se passa com esse bebé que, inesperada e indesejadamente, está no seu ventre. Ele perturba os planos pré-definidos, os compromissos assumidos, os sonhos idealizados e por isso faz sofrer. Faz sofrer o seu “eu”. Põe em causa os seus cálculos (ou os do seu parceiro). Faz desabar os seus projetos. E a via mais fácil é acabar com essa dor. Mas o problema não ficará resolvido, a dor permanecerá, talvez durante algum tempo anestesiada, encapotada, mas voltará para lhe recordar que não resolveu o âmago da questão: é que a felicidade não se constrói com base num projecto autodefinido. A exigência que há em cada uma de nós de ser feliz não é uma imagem criada por nós, pela nossa fantasia, mas uma abertura às circunstâncias que nos são dadas viver, justamente no ser capaz de descobrir uma positividade no embate com a realidade.

Ao abortar, a mulher não interrompe uma gravidez, como se fosse possível retomá-la mais tarde. Ela acaba com essa vida. E esse acto vai contra si própria, contra a verdade de si mesma e contra a sua natureza mais profunda. Cada uma de nós foi feita para amar e ser amada, foi feita para se dar e ser correspondida, para descobrir na sua vida, tal como ela é, a possibilidade de ser feliz. Bem sabemos que só se é feliz na carreira, nos bens materiais, no amor humano, no relacionamento com os outros, se não esquecermos a grandeza do nosso coração. O somatório dos nossos desejos e sonhos não preenchem a nossa sede de felicidade. “Há sempre um porto novo por achar”, como afirmava Fernando Pessoa.

Por isso não podemos parcelar a nossa vida. É preciso agarrá-la na totalidade. Sim! Porque o que queremos é ser felizes, cada uma de nós. Então porque não irmos ao fundo da questão? Por que não desprendermo-nos dos nossos cálculos e acreditarmos que esse bebé que está em nós (talvez não “planeado” por nós), possa ser resposta ao nosso desejo de amar e ser amada? Esse bebé, que de nós depende para ser feliz, pode ajudar-nos a descobrir como ser feliz. Esse bebé, que precisa de nós para afirmar o seu ser, pode ser a resposta àquilo que nós precisamos. Confiemos mais e calculemos menos!

Em cada gravidez vejo a grandeza de uma promessa: duas vidas que existem para serem felizes juntas, dois seres tão diferentes, que não se escolheram mas se foram dados, que ainda não se abraçaram mas já se comunicam. E se a mãe não consegue dizer ao seu bebé que o deseja, não impeçamos o bebé de poder ser ele a repetir à sua mãe: “eu quero que tu sejas feliz, feliz comigo”.

Filipa Ribeiro da Cunha, Mulher e Mãe (11 Fev.2015)


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A pergunta do momento



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Ascese? O que é isso?

Ascese é uma palavra que provém do termo grego áskesis, que significa exercício. Especialmente o treino do atleta para competir nas Olimpíadas ou do soldado convocado para a guerra.

Ora, os cristãos adoptaram essa palavra para designar os exercícios ou práticas de auto-domínio a fim de estarem “em forma” nas horas de combate contra as provações que nos atacam quotidianamente. Essa ascese pode ser activa (subdividida em negativa e positiva) ou passiva, conforme veremos neste artigo.

É activa quando o cristão faz, por vontade própria, o seu exercício movido pela graça de Deus. Será positiva sempre que o fiel se dedicar a um trabalho complexo como visitar doentes incuráveis ou portadores de doenças contagiosas, menores de idade detidos, visitar presos etc. Será negativa sempre que a pessoa ascética deixa de fazer algo que muito lhe agrada, tal como tomar um delicioso gelado, assistir a um filme, fazer uma viagem etc.

É passiva quando a pessoa não procura a penitência ou a cruz, mas esta vem até ela pelas circunstâncias diversas da vida e é aceite com resignação, sem, no entanto, deixar, se for o caso, de buscar os meios legítimos para se livrar do revés (doença, questões judiciais, perseguições no emprego etc.).

Como enunciamos, contudo, a ascese activa subdivide-se em negativa e positiva. A negativa leva o fiel a esforçar-se para remover todos os obstáculos que o impeçam de rumar à perfeição e ao crescimento do amor a Deus e ao próximo. Com esses exercícios levados a sério, a pessoa é capaz de dizer “sim” ou “não” de modo livre e decidido quando as circunstâncias o exigirem, independentemente do que a maioria acha. Aqui entram o jejum de alimentos que dêem prazer, a aceitação voluntária da perseguição sofrida, a humilhação injusta dos superiores ou encarregados etc.

Já a ascese positiva consiste em exercer actividades que levem ao crescimento do amor a Deus e ao próximo e à prática das demais virtudes dando especial atenção àquela virtude que a pessoa mais precisa (se é grosseira ou ríspida, pedirá a mansidão; se orgulhosa, suplicará a humildade; se negligente, rezará para obter a diligência etc.). Mesmo o esforço por rezar continuamente e sem distracções pode ser um grande exercício de ascese para quem tem dificuldade com algo metódico que leve ao conhecimento de Deus como é a Missa, o terço, a via-sacra, por exemplo.

Óbvio é que a ascese positiva complementa a negativa, visto que a vida cristã não é feita apenas do “não”, ainda que este seja necessário, mas do “sim” dado a Deus rumo à santidade. Daí a abstinência (de carne, de programas de TV, de leituras etc.) não ter a última palavra na vida cristã. Ela deve ser, antes de tudo, a preparação para se libertar das amarras deste mundo a fim de se obter maior intimidade com o Pai do Céu.

Por outras palavras: na medida em que nos penitenciamos, vamos fazendo morrer em nós o homem velho, Adão, a fim de que possa viver o homem novo, Cristo, cuja plena estatura somos chamados a atingir (cf. Ef 4,13).

Por fim, resta entender uma importante verdade: se é lícito (e é) lutar pela conquista de troféus nas competições deste mundo, muito mais importante é a batalha pelos bens eternos, conforme nos assegura o grande Apóstolo São Paulo: “Os atletas abstêm-se de tudo; eles, para ganhar uma coroa perecível; nós, porém, para ganhar uma coroa imperecível” (1Cor 9,25).

Possam as reflexões acima levar-nos ao reforço da prática da ascese na vida do dia a dia, com a graça de Deus.

in Zenit


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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pax Domini sit semper nobiscum



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Guarda Suíça: Estamos prontos para defender o Papa do ISIS

O comandante da Guarda Suíça Pontifícia diz que o grupo de soldados encarregues de proteger o Papa está em alerta máximo e pronto para actuar se alguma ameaça do ISIS se concretizar.

"Estamos prontos a intervir. O nosso trabalho é a segurança e, como gendarmes, estamos bem organizados. Estamos prontos se acontecer alguma coisa," disse Christoph Graf.

Com 54 anos, Graf é casado e tem dois filhos. Ainda assim, ele e outros membros da Guarda Suíça estão dispostos a dar as suas vidas para proteger o Santo Padre.

Numa entrevista com o jornal italiano Il Giornale, publicada a 18 de Fev., Graf responde às ameaças dos militantes do ISIS, que disseram num vídeo recente, "Vamos conquistar Roma."

"Dissemos aos guardas para estarem em alerta máximo, para observarem como se movem as pessoas. Não podemos fazer mais que isso," disse Graf.

Ele também falou na importância da informação para evitar potenciais ataques. Mencionou o massacre de 7 de Jan. na sede do jornal francês que tinha publicado imagens ofensivas do Profeta Maomé.

"O que aconteceu em Paris podia ter acontecido aqui e não se pode evitar sem dados baseados em informação precisa," disse ele.

Reflectindo sobre a sua própria nomeação como comandante da Guarda Suíça, disse Graf, "O Papa pediu-me se eu estava disposto e eu podia ter dito 'não'. Mas eu acho que isto é uma missão e respondi 'sim', porque vejo isto como a obra do Senhor. Eu sei que há várias cruzes para carregar, mas eu confio na ajuda de Deus."

Questionado sobre se o Santo Padre tem medo, ele respondeu, "Não penso que o Papa tenha medo de alguma coisa... Tudo pode acontecer mas consegue-se ver que ele não está com medo."

Comentando sobre o futuro da Guarda Suíça, o comandante disse que talvez possa haver dificuldades em recrutar novos membros, mas que em última análise "depende da situação da Igreja e da fé, e da questão da baixa taxa de natalidade."

A Guarda Suíça foi instaurada pelo Papa Júlio II em 1506.

O seu primeiro teste real foi no dia 6 de Maio de 1527, durante o saque de Roma, quando 147 Guardas Suíços morreram a combater as tropas do Imperador Carlos V, para permitirem que o Papa Clemente escapasse. As poucas dúzias de guardas que sobreviveram escoltaram o Papa em segurança.

Em memória desse dia, os novos Guardas Suíços juram no dia 6 de Maio de cada ano, fazendo um voto para defender o Romano Pontífice com as suas próprias vidas.
in Catholic News Agency


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Meditações sobre a Evangelii Gaudium do Papa Francisco

Meditações de meia-hora para rapazes universitários


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Criança cristã sobre o ISIS: "Só peço a Deus que os perdoe"

O Estado Islâmico (ISIS) tem vindo a dizimar os cristãos que viviam - há muitos séculos - pacificamente no Médio Oriente. A indiferença da Comunidade Internacional perante este genocídio tem obrigado os sobreviventes a fugir e viver como refugiados.

Esta foi uma reportagem feita com crianças naturais da cidade de Qaraqosh, que era a cidade com mais cristãos do Iraque. Elas explicam como é o dia-a-dia no campo de refugiados onde vivem, en Erbil.

É especialmente tocante o testemunho da pequena Myriam, quando o repórter lhe pergunta o que faria aos membros do ISIS e ela responde: "Não lhe faria nada, só peço a Deus que os perdoe".


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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Bispos da Ucrânia visitaram o Papa Bento XVI



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A Confissão segundo o Catecismo da Igreja Católica

Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial do seu ministério exprime-se, nomeadamente, na palavra solene de Cristo a Simão Pedro: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado nos céus» (Mt 16,19). «Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro, foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça (Mt 18,18; 28,16-20)» (Vat II, LG22). 

A fórmula de absolvição em uso na Igreja latina exprime os elementos essenciais deste sacramento: o Pai das misericórdias é a fonte de todo o perdão. Ele realiza a reconciliação dos pecadores pela Páscoa do seu Filho e pelo dom do seu Espírito, através da oração e do ministério da Igreja: «Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.» 

Cristo age em cada um dos sacramentos. Ele dirige-Se pessoalmente a cada um dos pecadores: «Meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Mc 2,5); Ele é o médico que Se inclina sobre cada um dos doentes com necessidade dele para os curar (cf Mc 2,17): alivia-os e reintegra-os na comunhão fraterna. A confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa da reconciliação com Deus e com a Igreja.

§§ 1444, 1449, 1484 


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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Primeiro Sábado (dia 3) dos 40 dias pela Vida

Lembram-se dos 3 bebés salvos ontem?

Não consegui saber ainda muitos pormenores, mas sei que duas das mães já foram ontem ao nosso médico viram os seus bebés na ecografia e estão felizes, uma delas a procurar emprego.

Quanto ao terceiro bebé a sua mãe tem consulta marcada para o nosso médico para a semana.

 Quanto a hoje uma história bonita:

Uma rapariga evangélica, com um filho de dois anos, está agora grávida do segundo, de um companheiro novo e está numa situação complicada.
Disse a quem a abordou que estava a pedir a Deus uma luz, e quando a pessoa das Mãos erguidas lhe falou percebeu que ela era a Luz que Deus lhe tinha enviado. "Só precisava desta força" disse ," para salvar o meu outro filho deixei os meus estudos, mas nunca nos faltou nada. Deus nunca me falhou" E foi-se embora satisfeita, agradecida e aliviada com a sua decisão.

Todos os turnos preenchidos, uns com missionários das Mãos Erguidas, outros também com voluntários dos 40 dias, e tivemos ainda a sorte de ter duas Irmãs da Arca de Maria, vindas de vila Viçosa a rezar connosco.

Sff inscrevam-se em www.40diaspelavida.org, em 934040409, ou 40diaspelavida.portugal@gmail.com

Plataforma 40 dias pela Vida
Para saber as histórias dos primeiros dias e dos próximos, consultem aqui.


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sábado, 21 de fevereiro de 2015

D. Óscar Romero, novo mártir e futuro Beato da Igreja

O Santo Padre Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto relativo ao martírio do servo de Deus Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, juntamente com outros futuros beatos. D. Óscar Romero (El Salvador, 1917-1980) foi Arcebispo de São Salvador, assassinado por ódio à fé no dia 24 de marco de 1980, enquanto celebrava a Santa Missa.

"Os mártires interpelam-nos a todos, crentes e não crentes, mas são sobretudo um farol luminoso para os que têm a sua esperança posta em Deus. Estou certo de que D. Óscar Romero vai ser um Santo muito querido."

"Conheci D. Óscar Romero – explica o Prelado do Opus Dei – por ocasião de alguma das visitas que fez a S. Josemaria, em Roma, em 1970. Era um homem piedoso, desprendido de si mesmo e entregue ao seu povo. Notava-se que lutava pela santidade. D. Óscar Romero foi um dos primeiros Bispos que, após a morte de S. Josemaria em 1975, escreveu ao Beato Paulo VI para pedir a abertura da sua causa de canonização. Estou certo de que agora, do Céu, continuará a interceder com o seu amigo S. Josemaria por esta porção do povo de Deus".

S. Josemaria e D. Óscar Arnulfo Romero conheciam-se desde 1955. O Arcebispo de São Salvador estimou o espírito do Opus Dei e manteve contactos frequentes com o trabalho apostólico dos fiéis da Prelatura em El Salvador. Em 1970 foi a Roma e teve várias conversas com S. Josmaria. Como relata o sacerdote Antonio Rodríguez Pedrezuela no seu livro "Um mar sem margens", o fundador do Opus Dei conseguiu que D. Óscar Romero descansasse durante aqueles dias romanos, porque conhecia bem a situação de tensão que se vivia em El Salvador.

O carinho era mútuo e, ao falecer o fundador do Opus Dei, D. Óscar Romero,na carta postulatória para a causa de canonização de S. Josmaria, expressava o seu agradecimento por ter recebido "alento e fortaleza de São Josemaría Escrivá para ser fiel à doutrina inalterável de Cristo e para servir com afã apostólico a Santa Igreja Romana".
Na mesma carta escreveu: "Soube unir na sua vida um diálogo contínuo com o Senhor e uma grande humanidade: notava-se que era um homem de Deus e o seu trato estava cheio de delicadeza, carinho e bom humor. São muitíssimas as pessoas que desde o momento da sua morte, lhe estão a pedir privadamente pelas suas necessidades". Como manifesta uma carta que lhe dirigiu o Beato Álvaro del Portillo meses antes da sua morte, esse afeto continuou depois do falecimento do fundador do Opus Dei.
Unia-o uma profunda amizade a Mons. Fernando Sáenz, que foi vigário do Opus Dei no país e, mais tarde, sucessor de D. Óscar Romero como Arcebispo de São Salvador. Esta amizade durou até ao próprio dia do seu assassinato, no dia 24 de março de 1980. Precisamente, nesse duro dia, D. Óscar Romero tinha participado, como noutras ocasiões, num convívio para sacerdotes organizado por sacerdotes do Opus Dei. Anos mais tarde, D. Fernando Sáenz relatou neste artigo como tinha sido o último dia do futuro Beato.
in opusdei.pt


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