quarta-feira, 17 de junho de 2015

Procissão de Corpus Christi no Patriarcado de Lisboa - Junho 2015

A procissão de Corpus Christi tornou-se um dos momentos mais marcantes na vida da Igreja Católica. Desde que esta festa foi instaurada, no século XIII, inúmeras conversões têm acontecido. Corações afastados da vida sobrenatural que, diante do povo de Deus ajoelhado perante o seu Senhor na Sagrada Hóstia, ficam dóceis e convertem-se.

Lembro, por exemplo, o Beato Nicolau Steno, famoso anatomista dinamarquês que se converteu ao Catolicismo em Florença, no século XVII, durante uma procissão de Corpus Christi. Steno é também o fundador da geologia moderna. Ou também Louis de Wohl, conhecido escritor alemão que se converte em Roma, na procissão de Corpus Christi com o Papa Pio XII, já em pleno século XX. Tornou-se um grande romancista de vidas de Santos.

Para além das conversões que ficaram escritas muitas outras foram acontecendo no silêncio, se calhar bem mais perto do que pensamos. O Patriarcado de Lisboa não deve ser excepção e a verdade é que Procissão pela Baixa de Lisboa mantém há anos o seu esplendor.

As imagens falam por si mesmas:
Fotografias tiradas do Departamento de Comunicação do Patriarcado de Lisboa (Flickr)


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terça-feira, 16 de junho de 2015

A única religião verdadeira está na Igreja Católica - Vaticano II

"Em primeiro lugar, afirma o sagrado Concílio que o próprio Deus deu a conhecer ao género humano o caminho pelo qual, servindo-O, os homens se podem salvar e alcançar a felicidade em Cristo.

Acreditamos que esta única religião verdadeira se encontra na Igreja católica e apostólica, à qual o Senhor Jesus confiou o encargo de a levar a todos os homens, dizendo aos Apóstolos: «Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações, baptizando os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos prescrevi» (Mt. 28, 19-20).

Por sua parte, todos os homens têm o dever de buscar a verdade, sobretudo no que diz respeito a Deus e à sua Igreja e, uma vez conhecida, de a abraçar e guardar."

Concílio Vaticano II, Dignitatis Humanæ, 1.


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Grandes oradores no Convénio Summorum Pontificum em Roma

Nos passados dias 13 e 14 de Junho, o Angelicum, Universidade de S. Tomás de Aquino em Roma, acolheu o IV convénio sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI.

Foi organizado por "Amicizia Sacerdotale Summorum Pontificum e Giovani e Tradizione", tendo como responsável o Pe. Vincenzo M. Nuara O.P, presidente honorário da Associação "Giovani e Tradizione".

O evento começou com uma Missa na forma extraordinária do Rito Romano, celebrada pelo Cardeal Burke, no dia de Santo António. Poucos minutos depois começaram os trabalhos, com a presença de Nossa Senhora de Fátima:
S.E.R. Card. Raymond Leo Burke, Patrono da Ordem Soberana e Militar de Malta 
"A Tradição como fundamento da liturgia católica"

S. Paulo manteve uma forte luta contra os abusos litúrgicos, quando corrige os que iam à Eucaristia para comer e beber, como se não tivessem comida em casa; e também quando faz um aviso sério aos que comungam sem estarem preparados. 

A lei de rezar vem antes da lei do agir. Deus tem o direito a ser reconhecido como o Senhor da História. O culto é-Lhe devido por justiça. O beato Paulo VI, Papa, no comentário à constituição Sacrossantum Concilium, explica que a liturgia vem em primeiro lugar.

As mudanças e abusos litúrgicos não foram feitos por motivos pastorais, mas por outros motivos. Respeitar a liturgia é um acto profundo de amor para com Nosso Senhor.

Prof. Dom. Cassian Folsom, O.S.B. (Ateneo Pontificio Ateneo Sant’Anselmo- Roma)
"Lex orandi-lex credendi no Motu proprio Summorum Pontificum"

É possível um duplo usus do mesmo rito. O essencial é a unidade litúrgica, não uniformidade. O rito é uma dada liturgia particular. Usus é uma variação da tradição local à volta de um rito. 

A fé reflecte-se na liturgia, que por sua vez se reflecte na fé que vem da liturgia. O Missal de 1970 evita a palavra jejum e fala da penitência de forma genérica; enquanto que o Missal anterior falava bastante de jejum. São duas espiritualidade diversas, mas unidas. Neste momento no rito romano temos duas leges orandi e duas leges credendi, em sentido lato. Mas em sentido estreito temos apenas uma porque é a mesma fé que une os dois usus do rito.

Prof. Giovanni Turco (Università degli Studi- Udine)
"Justiça, religião, verdadeiro culto: a perspectiva de São Tomás de Aquino"

S. Tomás diz que a ordem é a recta disposição das coisas ao seu fim. Ordem é vista como expressão da racionalidade. A ordem pressupõe a coisa (res) e a sua inteligibilidade. É próprio dos sábios ordenar. 

Não se pode procurar a saúde sem combater a doença, não se pode servir a verdade sem combater a mentira. 

Os falsos profetas são os que defendem erros apresentando-os como verdade divina. São normalmente teses cómodas de serem ditas. Semeiam dúvidas e abalam certezas. Semear uma dúvida e não resolvê-la é o mesmo que apoiá-la. 

O orgulho está na raíz do desprezo pelo culto, é o pecado da impiedade. Deus tem direito a ser adorado, é uma relação de justiça. Sem verdade não há justiça. A virtude da religião é a mais alta de todas as virtudes morais.

A virtude da piedade consiste em agradecer aos pais, pátria e Deus, a quem estamos em dívida de gratidão. Essa virtude torna mais fácil render culto a Deus como filho de Deus. 

O culto passa por actos externos que exprimem actos internos. O culto é como cultivar, cuidar. Para S. Tomás o problema do culto é de verdade, não de praxis.

Don Marino Neri (Università degli Studi - Pavia)
"O culto em espírito e verdade: liturgia e simbolismo"

Santo Agostinho explica que os sinais chamam a atenção para outra realidade. Existem sinais naturais, como por exemplo o fumo, e sinais intencionais, convencionados pelo Homem. O sinal exprime/comunica a coisa (res)...revela e esconde. 

O sinal tem que ser: 1 – diferente da coisa; 2 – ter uma relação com a coisa; 3 – ser mais acessível do que a coisa.

Cardeal Ratzinger queixou-se que na liturgia hoje em dia parece que Deus foi esquecido, no centro está o Homem. 

S.E.R. Card. Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei
“A Tradição como princípio próprio da teologia católica"

Citando Santo Agostinho: Não importa a quantidade de bispos mas a qualidade da sua doutrina.

Prof. Mons. Stefan Heid (Pontificio Istituto di Archeologia cristiana – Roma)
"Onde o céu se abre: o altar paleocristão na liturgia e arte"

Desde a Antiguidade, onde há um altar há um sacrifício. O sacerdote, mesmo entre os pagãos, era apresentado muitas vezes com as mãos para cima, em posição orante. 

O sacerdote, juntamente com a assembleia, olhava para o alto. Deus olhava para o povo. Toda a acção era dirigida ao Céu, por isso em muitas absides de igrejas antigas pode ver-se a Cruz, Jesus ressuscitado ou algo que parece o Céu. 

Os Padres da Igreja referem que os anjos estão à volta do altar na Missa. Em muitas imagens podem ser vistos a servir, anjos diáconos.

Mons. Marco Agostini (Secretaria de Estado - Cidade do Vaticano)
"O permanecer de Deus entre os homens: o altar e os seus tesouros"

Os altar cristãos começaram, nos primeiros séculos, a ser construídos sobre o túmulo de santos. A veneração de santos vem desde o princípio do cristianismo. No séc. VI não existem altares sem relíquias de santos. No séc. VII aparecem também relíquias em cima do altar. A partir do séc. IV o culto é realizado em direcção ao Oriente, ad orientem.

No séc. XII começam a aparecer os sacrários, por causa da heresia de Berengario de Tours. Antes disso as espécies eram escondidas, estavam em cima do altar ou na parede, como se fosse um sepulcro. 

A balaustrada sempre foi considerada um prolongamento do altar, daí que se utilizem toalhas para a tapar durante a distribuição da Comunhão. 

Antigamente quando se entrava numa igreja percebia-se imediatamente onde estava o seu centro, e fazia-se o acto de adoração. Isso não acontece em muitas das igrejas novas, que mais parecem auditórios ou ginásios.

S.E.R. Mons. Athanasius Schneider (Bispo auxiliar da diocese da Santíssima Mãe de Deus em Astana)
"O tesouro do altar: a inefável majestade da Sagrada Comunhão"

A majestade divina encontra-Se escondida no mistério eucarístico. Devemos crer na palavra de Jesus, que Se encontra ali verdadeiramente, contra tudo o que parece evidente. 

O nosso tempo é marcado por uma inédita crise eucarística e litúrgica. Parece que já não existe relação entre a Missa e a cruz. 

Tudo numa igreja deveria conduzir e apontar para o tabernáculo, onde Se encontra presente o próprio Deus.

Durante a Missa não deve estar uma cruz entre o sacerdote e o povo, mas os olhos de todos devem estar dirigidos para a cruz. 

É importante reintroduzir a comunhão na balaustrada. Este acto tão especial deve ser revestido de humildade corporal e visível.
No dia 14 de Junho, às 11 horas, S.E.R. Card. Velasio de Paolis celebrou uma Missa Pontifical na Capela do Santíssimo Sacramento - Basílica de São Pedro, Vaticano


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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Conclusões da conferência "Compreender a homossexualidade"

Jornada de reflexão orientada pelo psicoterapeuta americano Richard Cohen

As questões relacionadas com a orientação sexual são hoje temas que merecem uma cuidada análise e por isso o nosso empenho em aproveitar a vinda a Portugal do Richard Cohen, fundador da International Healing Foundation, para ouvir a experiência dele nesta área. Tratou-se de uma proposta de reflexão e diálogo em conjunto que pensamos ter contribuído para a aprendizagem de uma perspectiva alternativa sobre o tema e de algumas ferramentas de intervenção úteis para estas situações.

A este propósito gostaríamos de partilhar as nossas impressões e também o feedback que nos foram dando as pessoas que assistiram a esta jornada de 27 de Abril de 2015. A perspetiva do Richard Cohen resulta da experiência pessoal de um processo de re-orientação sexual e de 25 anos de intervenção com pessoas com atracção pelo mesmo sexo (AMS). Humana e terapeuticamente revelou um percurso rico, de procura verdadeira, com um conhecimento abrangente e ecléctico de estratégias de intervenção aplicáveis em casos de AMS indesejada.

Partilhamos convosco, de forma breve, algumas ideias que Richard Cohen nos deixou, na esperança de que juntos, continuemos a refletir sobre este tema.

As ideias centrais sobre as quais o autor se baseia: 

1. Não há provas conclusivas de que alguém nasça com Atracção pelo Mesmo Sexo (AMS); 

2. Ninguém decide ter AMS; 

3. É possível ter esperança num processo de re-orientação sexual.

Segundo o autor, as causas da AMS podem criar predisposição ou preferência pela Atracção pelo Mesmo Sexo, mas não predeterminação. Todavia, reforçou que a motivação é indispensável para a mudança.

Richard Cohen fala a partir de uma perspetiva de possibilidade de mudança, em casos de AMS indesejada:

1. A AMS é um sintoma, é necessário descobrir as causas que estão na sua raíz;

2. A AMS é, na sua essência, uma condição baseada em aspectos emocionais/relacionais;

3. A AMS é uma condição de género não-identificado.

Deixou-nos a referência de algumas investigações em linha com a sua perspectiva, com o repto urgente de investigarmos sobre este tema:

- 200 participantes relatam uma mudança de orientação homossexual para heterossexual - “Como a maioria dos psiquiatras, eu acreditava que a conduta homossexual só podia ser combatida e que nada podia realmente mudar a orientação sexual. Agora eu acredito que isso é falso; algumas pessoas podem mudar e mudam de facto.” Robert L. Spitzer, M.D., Columbia University. Archives of Sexual Behavior, October 2003, 32(5), 403 417.

- “A evidência empírica demonstra que a orientação homossexual pode de facto ser alterada através de terapia, em clientes motivados e nos quais a terapia de reorientação não produza dano emocional.” J.S. Maxmen, M.D. et al. (2009). Essential Psychopathology and Its Treatment, 3rd Edition, New York: Norton and Co.

A APSIC tem todo o interesse em formar um grupo de trabalho sobre o tema, com o intuito de promover a continuidade do estudo aprofundado sobre as questões da Orientação Sexual. Quem estiver interessado envie um e-mail para apsic2006@gmail.com.

Só assim poderemos ajudar melhor quem nos procura!

Comunicado da APSIC, Associação de Psicólogos Católicos


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domingo, 14 de junho de 2015

Pedem apenas que rezem por eles - D. Nuno Brás

O último número da revista católica italiana “Tracce” era em grande parte dedicado aos mártires contemporâneos, desde os que vivem em países ocupados pelo chamado “Estado Islâmico”, ao Quénia, Paquistão e vários outros lugares do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição.

Um dos testemunhos mais tocantes era o do Padre Douglas Bazi. Em 2006, este sacerdote caldeu era pároco em Bagdad. Foi raptado e torturado, durante 9 dias. Desde Julho de 2013 está em Erbil, no Kurdistão iraquiano, com os refugiados de Mosul e Qaraqosh: 150 mil famílias que escaparam aos horrores do Isis, depois que Mosul foi ocupada em 6 de Junho de 2014.

Ao entrevistador que lhe dizia: “esta gente perdeu tudo”, não hesitou em responder: “Em 6 de Junho, Deus salvou-nos a vida”. E acrescentava o seu testemunho: “Dispararam sobre mim, fizeram explodir a minha igreja, sobrevivi a diversos atentados, fui raptado. E, no entanto, desejo sempre um futuro sem ódio porque sou cristão”. E mais à frente: “Não sou um herói. Sou apenas um cristão. A minha tarefa é cuidar da comunidade, da nossa Igreja”.

Ou, então, o testemunho do missionário italiano Bernardo Cervellera que visitou o mesmo campo de refugiados e se deparou com professores, empresários, arquitetos que tinham escapado de Mosul para poderem viver a fé: “É impressionante: pedem-te apenas que rezes por eles. Vi uma fé que dá sentido à vida, a toda a vida, mesmo aos desastres”. E contrastava com o modo “burguês” em que vivemos: “Logo que sucede qualquer coisa, pensamos que Deus nos abandonou. Para eles, Deus é a fonte que os mantém na vida”. E continuava: “O martírio não é uma coisa do passado ou uma possibilidade remota: é uma dimensão contínua da sua fé. E não apenas o martírio de sangue derramado uma vez por todas, mas o martírio quotidiano”.

Talvez também para nós não seja difícil responder aos apelos destes mártires do nosso tempo, e todos os dias rezarmos por eles.

D. Nuno Brás in Voz da Verdade (14.06.2015)


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sábado, 13 de junho de 2015

Imagem da Virgem Maria recebida com júbilo na Síria

Uma imagem de Nossa Senhora foi recebida com grande alegria em Malula, uma cidade a 55 quilómetros de Damasco, a capital da Síria. Em Dezembro de 2013, o Estado Islâmico (ISIS) tinha atacado a cidade, destruindo várias igrejas e uma imagem da Virgem Maria que era muito querida à população. 

A devoção destes cristãos perseguidos, que é demonstrada na alegria com que foi recebida esta imagem, serve-nos de exemplo para aumentarmos a devoção à Mãe de Deus e nossa Mãe.



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sexta-feira, 12 de junho de 2015

É preciso um esforço para a paz - Papa Francisco a Putin

O Papa Francisco recebeu há dois dias (10 Jun) o presidente da Rússia no Vaticano.

Apesar de ser a segunda vez que Putin se desloca à Santa Sé para se encontrar com o Santo Padre, não deixa de ser impressionante o facto de ser o líder russo a ir a Itália e não o contrário.

É verdade que Putin chegou mais de uma hora atrasado, mas o Papa Francisco manteve a serenidade ao longo de todo o encontro, dizendo tudo o que tinha para dizer.

O encontro foi praticamente dedicado ao conflito com a Ucrânia e à situação no Médio Oriente.

Segundo o Pe. Federico Lombardi, director de comunicação da Santa Sé, o Santo Padre disse a Putin que "é necessário um esforço grande e sincero para chegar à paz" e que era "importante reestabelecer um clima de diálogo, que todos os partidos se devem esforçar para avançar com os Acordos de Minsk".

No final do encontro o Santo Padre ofereceu a Putin uma medalha com uma pequena referência à Ucrânica e a outros conflitos.
De acordo com o Pe. Federico Lombardi, o Papa Francisco disse a Putin que a medalha representa o anjo da paz, que "destrói todas as guerras e fala da solidariedade entre os povos."

Os meios de comunicação social dizem que o Papa pede a paz mas nunca refere o nome da Rússia, mas a verdade é que disse tudo à frente do presidente russo.




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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Como é frágil o nosso coração

Como é frágil o nosso coração 
que mesmo quando procura ser humilde 


corre o risco de esperar reconhecimento.

Quando penso em humildade,
fixo a minha atenção quase sempre em gestos e palavras
e procuro a contenção, a discrição e não poucas vezes o silêncio,
isto é, não dar nas vistas.

Embora nem sempre me seja fácil
é um caminho razoavelmente viável
e, quando assim faço, vivo por momentos a ilusão da humildade.

Mas um exame de consciência sério que me leve mais fundo

até aos claros-escuros da minha consciência
depressa me desfaz aquele conforto passageiro.

A raiz do problema não está na discrição da aparência.

Onde tropeço mesmo, é na atitude do meu coração
que se arroga presumir certezas e verdades
que se apressa a julgar e a condenar
que resiste ao conselho e à obediência.

A humildade quando aí acontece
não há olhos do mundo que a exaltem.

E por ser tão funda e íntima,
protege-me de reconhecimentos e vanglorias.

Mas ainda assim, permanece o risco de fazer de mim
autor de pretensos passos de perfeição
e juiz de mim próprio,
acabando peregrino solitário de um mundo adverso.

Não foi em vão que o Senhor me quis membro de um Povo
onde encontro quem me corrige e me conduz,
quem me perdoa e estende o braço.

A Igreja é esse lugar concreto onde, assim se aprende
o significado verdadeiro do que é ser amado.

Rui Corrêa d'Oliveira


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A Fé não se pode adaptar aos estilos de vida - Cardeal Müller

O Cardeal Gerhard Müller falou firmemente contra tentar adaptar os ensinamentos da Igreja aos estilos de vida dos dias de hoje, muitas vezes pagãos, dizendo que essa tentativa introduziria subjectivismo e arbitrariedade.

Numa entrevista ao jornal Católico Die Tagespost no dia 6 de Junho, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé avisou que colocar "qualquer forma de vida" ao mesmo nível das escrituras e da tradição "não é mais do que a introdução do subjectivismo e arbitrariedade embrulhados numa terminologia religiosa sentimental."

Os comentários do cardeal foram em parte vistos como uma crítica ao recente "concílio sombra" em que bispos e especialistas da Alemanha, França e Suíça se encontraram em Roma, a 25 de Maio, para discutir como a Igreja poderia adaptar a sua pastoral às experiências de vida dos dias de hoje, especialmente no que toca à ética sexual.

O Bispo Fraz-Josef Bode de Osnabrück, participante nesse encontro e um dos representantes do episcopado alemão no próximo Sínodo da Família, falou à imprensa dizendo que as "formas de vida" das pessoas deviam ser uma fonte de informação para as verdades dogmáticas e morais, como disse o site austríaco Kath.net.

Mas o Cardeal Müller explicou que estas "formas de vida" podem muitas vezes ser altamente pagãs e que a fé não pode ser resultado de um acordo entre ideias Cristãs, princípios abstractos e a prática de experiências de vida pagãs. Ele acrescentou que Roma vai apoiar a liberdade e responsabilidade dos bispos, mas que isto vai ser ameaçado por "nostalgias de igrejas nacionais e regateamendos sobre aceitar aspectos sociais."

O cardeal alemão também disse que o Papa convidou cada bispo no Sínodo de Outubro como "testemunha e mestre da fé revelada."

Referindo-se ao recente encontro privado em Roma, o Cardeal Müller disse que está certo trocar informações sobre qualquer ponto ou assunto importante. Mas acrescentou que não se pode controlar a verdade. Se este princípio fosse adopatado e considerado verdade pela Igreja, levando-a a tomar decisões com base na opinião pública, a Igreja seria "abanada até às suas fundações", disse ele.

A Igreja Católica é a mãe e mestra de todas as igrejas, disse ele, é quem ensina e não quem é ensinada. "Ela não precisa que alguém - por mais superior ou adaptado aos tempos de hoje - para lhe ensinar a noção de fé verdadeira, porque é nela que a tradição apostólica tem estado fielmente guardada e onde será sempre preservada."

Edward Pentin in National Catholic Reporter


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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Papa Francisco mais uma vez contra a ideologia de género

"Permitam-me chamar a vossa atenção para o valor e a beleza do matrimónio. A complementaridade do homem e da mulher, vértice da criação divina, está sendo questionada pela chamada 'ideologia de género', em nome de uma sociedade mais livre e mais justa.  

As diferenças entre homem e mulher não são para contraposição ou subordinação, mas para a comunhão e a geração, como 'imagem e semelhança' de Deus. Sem a entrega mútua nenhum dos dois se poderia compreender em profundidade (cf. Audiência Geral, 15 Abril 2015). O sacramento do matrimónio é o sinal do amor de Deus pela Humanidade e da entrega de Cristo à sua Esposa, a Igreja."

Discurso do Papa Francisco aos Bispos da Conferência Episcopal de Porto Rico em visita ad limina
Casa de Santa Marta, 8 de Junho de 2015


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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Presidente polaco apanha do chão uma Hóstia consagrada

Andrzej Duda, presidente da Polónia, esteve presente na Missa do dia de Acção de Graças celebrada pelo Cardeal Kazimierz Nycz, arcebispo de Varsóvia. Durante a distribuição da Comunhão, o vento forte fez com que uma Hóstia consagrada voasse do altar e fosse parar ao chão. Nesse momento, o presidente polaco levantou-se, genuflectiu e apanhou a Hóstia.
De todas as autoridades presentes nos primeiros bancos, o presidente polaco foi o único a reagir. Os seus guarda-costas, que no princípio não entenderam o que se passava, aproximaram-se para ver o que fazia o presidente.


Além de apanhar a Hóstia do chão, tapou-a com as mãos e entregou-a ao Cardeal Nycz, que A recebeu com a reverência devida a Jesus sacramentado.
Aos 42 anos de idade, Andrzej Duda acabou de ganhar as eleições na Polónia, defendendo uma política de apoio à família e à natalidade, através de medidas sociais. Isto enquanto declara guerra aos contraceptivos, ao aborto e à fecundação in vitro.

in infocatolica


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Leibniz, o Opus Dei e o Hospital de Santa Maria

Foi há dias. Um estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos propôs-se analisar o funcionamento de seis instituições. Na parte dedicada ao Hospital de Santa Maria, entre trinta entrevistas pessoais anónimas, três entrevistados, com queixas várias sobre o funcionamento do hospital, apontam um dedo vago a influências exteriores, entre outras, "da Opus Dei". O estudo não lhes pediu explicações ou demonstrações. Contentou-se com a alusão e aventurou-se a afirmar que «a Maçonaria, a Opus Dei e a ligação a partidos políticos ainda são três realidades externas que intersectam a esfera do HSM».

Não sei se estamos diante de métodos científicos inovadores que apostam na credulidade, o que sei é que, compreensivelmente, em três tempos os media reduziram as 345 páginas do trabalho a meia dúzia de linhas.

O tópico não é novo. É novo, sim, termos um estudo científico a dar acriticamente valor a afirmações que costumamos ver em caixas de comentários de sites e blogues.

Por isso o Opus Dei, que nunca foi abordado durante a elaboração do estudo, veio publicamente desmentir a insinuação e convidar a que, havendo dúvidas sobre o que é e o que faz, as autoridades competentes investiguem o que haja a investigar.

Porque há dois bens maiores a conseguir: libertar as instituições públicas de toda a intromissão ilícita; e defender as pessoas, singulares e colectivas, contra o abuso grave das insinuações caluniosas.

Ora, o ponto não é saber se há ou não católicos em determinadas funções – independentemente a que instituição da Igreja possam pertencer –, pois são cidadãos com plenos direitos.

O ponto é o "pacote de insinuações" que aquelas afirmações ditas para o ar têm dentro: que esses católicos estariam condicionados, submetidos a uma qualquer obediência e ao serviço de agendas espúrias às instituições.

E sobre isso não pode haver dúvidas: o Opus Dei dá uma formação católica que respeita escrupulosamente, e potencia, a autonomia profissional das pessoas e que enfatiza que é muito grave o dever de cada qual proteger o sigilo profissional. Não permite qualquer tipo de interferência exterior. Rejeita explicitamente o favorecimento profissional a outras pessoas só pelo facto de estarem relacionadas com o Opus Dei. Nas matérias profissionais as pessoas do Opus Dei só devem obediência aos superiores profissionais e à própria consciência.

Esse é o ponto importante. Diante dele é pouco relevante saber se há ou não pessoas do Opus Dei. Coisa que é possível saber, pois a pertença ao Opus Dei e a participação na sua formação religiosa não têm carácter secreto e estão abertas a todos: cada pessoa fala quando quiser e com quem quiser sobre o que quiser. Bastaria abordar os interessados.

E talvez não tenha dito o óbvio: as pessoas do Opus Dei acreditam em Deus. E tentam passar aquela boa notícia que o Papa Francisco aponta como a mais central de todas: «Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar». Deus, afinal, é terno e bondoso, muito melhor do que pensávamos. Pode soar "kitsch" mas não se perde nada em dizer.

Então e o Leibniz? Pois é, alguém o meteu numa história que não lhe diz respeito. Onde é que eu já vi isto?

Pedro Gil in Semanário Sol, 5 de Junho de 2015 (p.24)
(imagens acrescentadas pelo blog Senza)
Papa Francisco com o Prelado do Opus Dei, 1.Out.2014


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domingo, 7 de junho de 2015

Procissão do Corpus Christi em Roma






Igreja da Santissima Trinità dei Pellegrini (Roma)


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sábado, 6 de junho de 2015

Os convidados para a Ceia do Senhor

Os convidados desculpam-se, embora o Reino não esteja fechado a ninguém que não se exclua a si próprio pela sua própria palavra. Na sua bondade, o Senhor convida todos; é a nossa covardia ou a nossa loucura que nos afasta. 

Aqueles que preferem comprar uma fazenda não têm lugar no Reino: no tempo de Noé, compradores e vendedores foram engolidos pelo dilúvio (Lc 17,26-28). O mesmo acontecerá àquele que se desculpa porque acabou de se casar, pois está escrito: «Se alguém vem ter comigo e não Me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo» (Lc 14,26).

Assim, depois do desprezo arrogante dos ricos, Cristo virou-Se para os gentios, e foi buscar bons e maus, para fazer crescer os bons e melhorar as disposições dos ímpios. Ele convida os pobres, os aleijados e os cegos, o que nos mostra que a deficiência física não exclui ninguém do Reino, e que a imperfeição do pecado é curada pela misericórdia do Senhor. 

Ele manda procurar nas encruzilhadas dos caminhos, porque «a Sabedoria clama nas esquinas» (Prov 1,20). Ele envia às praças, para dizer aos pecadores que deixem o caminho largo para alcançarem o caminho estreito que conduz à vida (Mt 7,13). Ele envia às ruas e ao longo das cercas, porque os que avançam para os bens que hão-de vir, sem serem retidos pelos bens do presente, comprometidos no caminho da boa vontade, são capazes de alcançar o Reino dos Céus; e também os que sabem distinguir o mal do bem, tal como os campos são delimitados por uma sebe, quer dizer, os que opõem o baluarte da fé às tentações do pecado.

S. Ambrósio in Comentário ao Evangelho de Lucas, 7, 200-203


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Padre Luís Nolasco nomeado Prior da Cartuxa Porta Coeli

O Pe. Luís Nolasco, monge cartuxo, foi nomeado Prior da Cartuxa de Santa Maria Porta Coeliem Valência (Espanha). O Pe. Luís foi ordenado em Lisboa, e já como sacerdote do Patriarcado de Lisboa sentiu a vocação à vida contemplativa, tendo posteriormente entrado na Cartuxa de Burgos.

Rezemos pelo Pe. Luís e por todas as vocações contemplativas. 


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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Oração, um caminho de intimidade

A vida de oração tem de fundamentar-se, além disso, em pequenos espaços de tempo, dedicados exclusivamente a estar com Deus. São momentos de colóquio sem ruído de palavras, junto ao Sacrário sempre que possível, para agradecer ao Senhor essa espera – tão só! – desde há vinte séculos. A oração mental é diálogo com Deus, de coração a coração, em que intervém a alma toda: a inteligência e a imaginação, a memória e a vontade. Uma meditação que contribui a dar valor sobrenatural à nossa pobre vida humana, à nossa vida corrente e diária.

Graças a esses tempos de meditação, às orações vocais, às jaculatórias, saberemos converter a nossa jornada, com naturalidade e sem espectáculo, num contínuo louvor a Deus. Manter-nos-emos na sua presença, como os que estão enamorados dirigem continuamente o seu pensamento à pessoa que amam, e todas as nossas acções – inclusivamente as mais pequenas – encher-se-ão de eficácia espiritual.

Por isso, quando um cristão se lança por este caminho de intimidade ininterrupta com o Senhor – e é um caminho para todos, não uma senda para privilegiados – a vida interior cresce, segura e firme; e o homem empenha-se nessa luta, amável e exigente ao mesmo tempo, por realizar até ao fim a vontade de Deus. 

S. Josemaria Escrivá in Cristo que passa, 119


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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Conselhos do Cardeal Van Thuan aos jovens

No final do seu livro dedicado aos jovens Cristãos, para os fortalecer através do seu testemunho de vida nas prisões do Vietname, o Cardeal Van Thuan deixa uma série de pequenas mensagens.

Esta mensagens, diz ele, servem para os jovens as meditarem pelo menos todas as semanas e assim manterem vivo o fogo da santidade.

Aqui ficam algumas:

  • Atém-te firmemente a um único princípio orientador: a oração. Ninguém é mais forte do que a pessoa que reza, porque o Senhor  prometeu que concederia tudo àqueles que rezam. Quando estais unidos em oração, o Senhor está presente no meio de vós (Mt. 18, 20). Aconselho-te do fundo do coração: além do tempo da oração 'oficial', retira-te todos os dias uma hora, ou melhor ainda, duas, se puderes, para a tua oração pessoal. Garanto-te que não será tempo perdido. Na minha experiência, em todos esses anos, pude comprovar as palavras de Santa Teresa de Ávila: "Quem não reza não precisa que o demónio o desvie do caminho: lançar-se-á por si mesmo no inferno."
  • Segue lealmente um único chefe: Jesus Cristo e os seus representantes: o Santo Padre, os bispos, sucessores dos Apóstolos (Jo 20, 22-23). Vive e morre pela Igreja, como fez Cristo. Não penses que é só o morrer pela Igreja que exige sacrifício: também o viver pela Igreja o requer em alto grau.
  • Cultiva um amor especial por Maria. São João Maria Vianney confessava: "Depois de Jesus, o meu primeiro amor é Maria." Se a escutares, não te desviarás do caminho; tudo o que empreenderes em seu nome não fracassará. Honra-a e ganharás a vida eterna.
  • A tua única sabedoria será a ciência da cruz (1 Cor 2, 2). Olha para a cruz e encontrarás a solução para todos os problemas que te assaltam. Se a cruz é o critério sobre o qual baseias as tuas escolhas e as tuas decisões, a tua alma estará em paz.
  • Há um único mal que tu deves temer: o pecado. Quando a corte do imperador do Oriente se reuniu para discutir a punição a ser infligida a São João Crisóstomo pela franca denúncia dirigida à imperatriz, foram sugeridas as seguintes possibilidades:
    • a) metê-lo na prisão; "mas - diziam - ali terá a oportunidade de rezar e de sofrer pelo Senhor, como sempre desejou;
    • b) exilá-lo; "mas, para ele, não há lugar onde o Senhor não esteja."
    • c) condená-lo à morte; "mas assim tornar-se-á um mártir e satisfará a sua aspiração de ir ter com o Senhor."
"Nenhuma dessas possibilidades constitui para ele uma pena; ao contrário, aceitá-las-á com alegria."
    • d) há uma única coisa que ele teme muito e que odeia com todo o seu ser: o pecado; "mas seria impossível forçá-lo a cometer um único pecado!"
Se temes apenas o pecado, a tua força será incomparável.

Cardeal Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, Cinco pães e dois peixes


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terça-feira, 2 de junho de 2015

A Polónia elegeu um Presidente Católico

A Polónia elegeu um novo Presidente, Andrzej Duda. O seu primeiro acto enquanto Presidente foi visitar o Mosteiro de Jasna Gora para venerar o ícone de Nossa Senhora de Częstochowa, Rainha e Padroeira da Polónia.

A Europa precisa de mais políticos assim.


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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Carta de um Pai para a sua Filha

Minha querida filha,

Enquanto escrevo isto, estou sentado no corredor de um supermercado onde estão os artigos de cosmética e maquilhagem. Um amigo meu escreveu-me recentemente de um local também com esses artigos e disse-me que se sentia num dos lugares mais opressivos do mundo. Eu quis descobrir o que ele queria dizer com isso, e,  agora que estou sentado aqui, começo a concordar com ele. As palavras têm poder, e as palavras neste corredor tem um poder especial. Palavras e frases como:

Formidável e acessível,
Infalível,
Acabamento impecável,
Força brilhante,
Energia fluida,
Vá nua,
Desafie a idade,
Volte no tempo num instante,
Escolha o seu sonho,
Quase nua,
Beleza natural.

Quando se tem uma filha, começa-se a perceber que ela é tão forte como qualquer outra pessoa da casa - uma força a ser reconhecida, uma alma ardente com a mesma vida, os mesmos dons e as mesmas paixões de qualquer homem. Mas, sentado neste corredor da loja, também começo  perceber que a maioria das pessoas não a vai ver dessa forma. Eles vão vê-la como um rosto bonito e um corpo para desfrutar. E vão dizer que ela precisa de ter uma certa aparência para ter algum valor ou influência.

Mas as palavras têm poder e talvez, apenas talvez, as palavras de um pai possam começar a competir com as palavras do mundo. Talvez as palavras de um pai possam passar à sua filha este desafio de vergonha institucionalizada e de um sentido profundo, inabalável de sua própria dignidade e beleza.

As palavras de um pai não são palavras diferentes, mas são palavras com um significado radicalmente diferente:

Força brilhante: Que a tua força não esteja nas tuas unhas mas no teu coração. Que consigas discernir no teu interior quem és, e que assim possas viver no mundo com temor mas com firmeza.

Escolhe o teu sonho: Mas não de uma prateleira de uma loja. Encontra dentro de ti um lugar sossegado. Um sonho real foi “plantado” lá. Descobre o que queres fazer no mundo. E quando tiveres escolhido, espero que persigas fielmente, com integridade e esperança esse sonho.

Vai nua: O mundo quer que tires a roupa. Por favor não tires. Em vez disso, "tira as luvas". "Não poupes os murros", não cries máscaras. Diz o que te vai no coração. Sê vulnerável. Arrisca. Ama um mundo que mal sabe o que é amar. Isso sim podes fazer "nua". Abertamente. Com abandono.

Infalível: Espero que estejas constantemente, infalivelmente ciente de que a infalibilidade não existe. É uma ilusão criada por pessoas interessadas no teu dinheiro. Se tentares procurar a perfeição, que seja uma graça infalível - para ti e para todos ao teu redor.

Desafia a idade: A tua pele vai ganhar rugas e a tua juventude vai desaparecer, mas a tua alma não tem idade. Ela vai sempre saber como agir e ser testemunha nesta vida que nos foi dada. Espero que saibas sempre resistir ao envelhecimento do teu espírito.

Acabamento impecável: Como será o final da tua vida não tem nada a ver com a aparência do teu rosto mas sim com modo como vais ver a tua vida no último dia. Que os teus anos sejam uma preparação para esse dia. Espero que envelheças com a graça, que cresças em sabedoria, e que o teu amor possa tornar-se grande o suficiente para abraçar todas as pessoas. Que a tua despedida seja um abraço pacificador do fim e do desconhecido que se segue, e que possa dessa forma ser um presente para todos que te amam.

Minha pequenina, sei que gostas de tudo cor-de-rosa e com folhos e irei certamente perceber se um dia a maquilhagem for importante para ti. Mas rezo para que três palavras permaneçam mais importantes ainda; as três últimas palavras que dizes todas as noites, quando eu te pergunto: “Onde és mais bonita?” Três palavras tão brilhantes que nenhuma camuflagem pode cobri-las.

Onde és mais bonita? “Dentro de mim”

Do meu coração para o teu,
Pai

Kenny Flanagan


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sábado, 30 de maio de 2015

Mons. Marini na preparação da visita do Papa à América do Sul




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Coisas do diabo - Pe. Gonçalo Portocarrero

Os demónios existem e actuam, mesmo que neles não se acredite. Seja ele um Charlie mexicano, ou francês, o melhor é não lhe dar troco. É “assassino desde o princípio”, alguém em quem “não há verdade".

O princípio do mal é um absurdo, porque o mal absoluto é o nada e o nada não é. O príncipe do mal, pelo contrário, existe e – espantem-se! – é bom. De todos os modos, o melhor é mesmo não acreditar nele …


Que o demónio existe, não é pacífico. Muitas pessoas o negam, remetendo a sua existência para o imaginário de antigas fábulas ou de inverosímeis mitos religiosos. Aliás, ele próprio, o maligno, também afirma o mesmo, ou seja, que não existe, por uma razão que, segundo Jesus Cristo, lhe é muito própria: ele é, por definição, “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44).

Uma coisa é o princípio do mal e outra, muito distinta em termos filosóficos, o príncipe do mal. O mal, como entidade, é uma contradição, porque a realidade do mal é a do não-ser, pelo que o mal absoluto seria o nada e o nada, como diria La Palice, não é. O maniqueísmo afirmava a existência de um princípio do mal, oposto dialecticamente ao princípio do bem, uma tese filosófica a que Agostinho de Hipona aderiu e que depois abandonou, como contrária à razão e, portanto, à religião verdadeira, o Cristianismo.

Outra coisa é o príncipe do mal, ou demónio. Esse sim, existe e – espantem-se! – é bom. Tudo o que existe é bom, ou seja, tem a bondade inerente à sua realidade. Deus não cria coisas más, logo todas a criaturas são ontologicamente boas (Catecismo da Igreja Católica, nº 391). A bondade do diabo, que foi criado anjo bom, é uma evidência metafísica, que só poderia ser negada pela hipótese de um Deus mau, o que seria, mais uma vez, uma evidente contradição.

Que o demónio tenha essa bondade original não impede, contudo, que faça o mal. De modo análogo, todos os seres humanos são bons, mas não assim todas as suas acções. A maldade do diabo, como a dos homens, reside portanto no mal que fazem e não decorre de um erro na sua criação, nem de uma sua perversão essencial.

Negar a bondade do demónio só poderia fazer sentido para quem não reconhecesse a bondade de Deus e a de todas as suas obras, porque também os espíritos malignos são criaturas. Negar a maldade das acções diabólicas não faz sentido, porque implicaria negar também a realidade do mal no mundo.

Os Evangelhos referem, com frequência, o demónio e a sua acção. Cristo foi tentado e libertou muitos possessos, mas evitando sempre o sensacionalismo, que contradiz a deontologia do ministério pastoral. Por isso, também a Igreja católica fez, desde a sua fundação, e continua a fazer, com a necessária descrição, exorcismos, sempre de modo absolutamente gratuito e recorrendo apenas a meios sobrenaturais.

Tanto a ciência médica como a teologia moral distinguem, claramente, o que é do âmbito psiquiátrico e o que é do foro espiritual. “Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata de uma presença diabólica e não duma doença” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1673). Nenhuma causa psíquica pode explicar que uma pessoa, que não sabe latim, se expresse nessa língua, ou que revele dados da consciência de alguém que só o próprio, Deus e, pelos vistos, o demónio conhecem.

Se é verdade a existência do maligno e a sua acção, mais importante é, contudo, afirmar a bondade de Deus e o seu amor por todas as criaturas. O Evangelho é a boa nova e a vida cristã uma experiência felicíssima de amor a Deus e ao próximo. Um cristão coerente não pode negar a existência do diabo, mas também não pode ceder à tentação do temor, porque até essa tenebrosa realidade é razão de alegria e de esperança.

Com efeito, a existência do príncipe do mal é também uma boa notícia: Chesterton ficou muito aliviado quando soube que as ‘suas’ tentações, afinal, não eram dele, mas do diabo. São Paulo, que se sentia por vezes esbofeteado por um anjo de Satanás (cf. 2Cor 12, 7), alegrava-se nas suas fraquezas, porque sabia que nada, nem ninguém, nos pode separar do amor que Deus nos revelou em Cristo (cf. Rom 8, 28-39).

Alguém dizia que não acreditava em bruxas mas … que as há, há! O mesmo se diga dos demónios, que existem e actuam, mesmo que neles não se acredite. Seja ele um Charlie mexicano, ou francês, o melhor é não lhe dar troco, porque é “assassino desde o princípio”, alguém em quem “não há verdade” (Jo 8, 44).

in Observador


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