terça-feira, 11 de agosto de 2015

"Eu sou o pão vivo que desceu do Céu" (Jo 6, 51)




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Conversa entre dois bebés na barriga da Mãe

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebés. O primeiro pergunta ao segundo:

- Acreditas na vida depois do nascimento?

- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque precisamos preparar-nos para o que seremos mais tarde.

- Que disparate, não há vida após o nascimento. Como seria essa vida?

- Eu não sei exactamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical alimenta-nos. Eu digo apenas uma coisa: A vida após o nascimento está excluída, o cordão umbilical é muito curto.

- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exactamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a Mãe e ela cuidará de nós.

- Mãe? Acreditas na Mãe? E onde é que ela supostamente está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nós vivemos nela e através dela. Sem ela nada disto existiria.

- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma Mãe, por isso é claro que não existe nenhuma.

- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, podemos ouvi-la cantando, ou sentimos, como ela afaga o nosso mundo. Só então nos espera a vida real e agora apenas nos estamos preparando para ela...


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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A riqueza da Igreja

“Majestade, aqui estão os tesouros da Igreja. Pode levá-los. Aliás, Vossa Majestade encontra-os em todas as ruas de Roma, deitados nas calçadas.”

S. Lourenço ao Imperador Valeriano quando este lhe ordenou que entregasse os tesouros da Igreja e o santo lhe levou os pobres da comunidade cristã de Roma


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Trabalhar o casamento dia-a-dia

Emily Marcucci, de Massachusetts e licenciada em Harvard, está casada há 15 anos e é mãe de 8 filhos
Conte-nos um pouco sobre si e a sua família. A que se dedica, e em que trabalha o teu marido?
O meu marido, Michael Marcucci, é advogado e trabalha como sócio de Jones Day, uma firma internacional de advogados, na sede em Boston. Eu fico em casa com os nossos 8 filhos - Madeline, 14, John, 11, Theresa, 9, Josephine, 8, Anthony, 6, James, 4 e Thomas, 4, e Anne, 11 meses.

Quando começaram a sair juntos e a conhecer-se melhor, como abordaram o tema da família? Tinham planeado ter muitos filhos?

Mike e eu conhecemo-nos na Universidade de Harvard e só saímos juntos durante 6 meses antes de nos comprometermos. Mike propôs-me casamento muito pouco tempo depois de se formar e a mim ainda me faltava um ano. Este curto tempo de noivado e a pouca idade com que nos comprometemos, tornou-nos um pouco diferentes dos outros, especialmente na nossa Universidade. Quando saíamos e durante o período de noivado, falámos do nosso mútuo desejo de formar uma família grande. Eu cresci com 10 irmãos e sempre gostei do amor e carinho que recebi de cada um deles. Mike também cresceu numa família muito unida – ele, as irmãs e os pais são muito próximos - por isso, estávamos dispostos desde o princípio a que Deus nos enviasse os filhos que quisesse. Mas não quer dizer que tivéssemos planeado ter este número de filhos – foi parte do plano de Deus e estávamos abertos a ele.
Foi muito bom termos falado sobre a família que queríamos formar e a nossa grande confiança em Deus antes de começar o nosso casamento. Estreámos a nossa vida de casados com as mesmas ideias. No nosso caso, Deus não demorou muito a abençoar-nos com filhos! A Madeline nasceu antes do nosso primeiro aniversário de casamento e fiquei grávida do meu segundo filho quando ela tinha só 9 meses. Porém, o nosso filho Phillip nasceu morto, com 32 semanas. Ficámos desfeitos. Apesar da dor, o nosso casamento saiu fortalecido. Também nos ajudou a abrir um pouco os olhos. Demo-nos conta de que cada filho é um dom especial de Deus, e de que ninguém tem garantia do número de filhos que deseja ter. Os filhos são milagres que Deus faz, a seu tempo. Depois de perder o Phillip, Mike e eu ainda queríamos formar uma família grande, mas começámos a esperar de uma maneira especial por cada filho, do modo como ele ou ela viesse, e a ser agradecidos pelo milagre que cada um deles era e é. Exceto quando Deus nos enviou gémeos, e aí tivemos de pensar em dois ao mesmo tempo!
Mike, marido de Emily, com sete dos seus filhos
De acordo com a sua experiência, como descreve o papel dos pais?
O trabalho de um pai consiste em guiar os seus filhos para que se convertam em adultos responsáveis. Os pais são chamados a amar cada filho incondicionalmente e a ajudá-lo a alcançar o seu máximo potencial. O seu papel consiste em ensinar-lhes o que é bom e o que é mau, em suma, ajudá-los no seu caminho para o Céu.


Também devem amar e respeitar a liberdade dos filhos. Este equilíbrio entre mostrar-lhes o que é correcto e bom, e ao mesmo tempo deixar-lhes a possibilidade de cometerem erros, dá-lhes espaço para crescerem em virtudes e, em última instância, para aprenderem a ser felizes. E para ensinar bons hábitos, o melhor é o exemplo. Por isso, é responsabilidade dos pais trabalhar as suas próprias qualidades humanas. Neste sentido, tentamos mostrar-lhes que “obras são amores, e não boas razões”, como dizia S. Josemaria. Temos esse e outros lemas num quadro branco que serve para a família de “Lista de tarefas” (ver mais abaixo).


8 filhos é um número acima da média que costumam ter os casais hoje em dia. É difícil ser mãe de tantas crianças? Como organiza uma casa assim?
Ser pai ou mãe é difícil, tanto se se tem apenas um filho como 16! Mas, para responder à sua pergunta: - Sim, é muito difícil ser mãe de tantos filhos, mas preferia usar a palavra “desafio”. Claro que há desafios diferentes quando temos um número grande de filhos comparando com um número mais pequeno. Mas, ao mesmo tempo, também há outros benefícios: mais crianças significa mais gente que pode ajudar em casa.
Há alguns truques para organizar famílias grandes, que aprendi de outros pais, incluindo os meus, que têm 11 filhos. Primeiro, o espírito de serviço na família é fundamental, para que cada um saiba que tem um papel importante no cuidado da casa e de cada membro da família. As “listas de tarefas” ajudam a que cada um saiba qual é o seu papel. Temos um grande quadro branco na cozinha que mostra o horário de cada dia e a quem cabe cada coisa. Tentamos fazê-lo divertido, por que não? Durante o verão, as crianças revezam-se a cozinhar uma vez por semana. Os maiores encarregam-se dos mais pequenos. Sentem-se bem nesse papel, e eu também! Significa noite livre para mim!

Ser pai de qualquer número de filhos é um desafio porque (como todos nós) são projetos em curso, alguns mais do que outros. É fácil sentir-se frustrado, de vez em quando, com os filhos. Com mais filhos, há mais oportunidades de sentir esta frustração pela diferença entre o que são hoje e o que tentamos que sejam. Por isso, é muito importante ter espírito de mortificação e paciência na organização da casa. Tirando o filme “Música no Coração (The Sound of music)”, há poucas casas de família grande em que se vive todo o tempo com precisão militar. Uma ajuda grande é conservar o sentido de humor, especialmente nos momentos mais difíceis.


Um último conselho para qualquer mãe, que me indicou uma amiga. Disse-me que aprendeu a “adiantar-se aos seus filhos”. Isto significa que acorda antes de todos, toma uma chávena de café, reza e planeia o seu dia. Penso que este ritual de cada manhã, cedo, ajuda a pôr tudo em perspectiva. Algumas vezes é difícil acordar antes dos filhos, mas este esforço extra pode tornar o dia melhor.
A organização familiar no “quadro de tarefas”

O Papa Francisco está a pedir atualmente muitas orações pela família e pelo casamento. Qual pensa ser hoje o maior desafio para a família?
Um dos grandes desafíos da familia de hoje, pelo menos nos Estados Unidos, é um estilo de vida com muitas ocupações que deixa pouco tempo para a reflexão. Corremos de uma atividade para outra, muitas vezes à custa do jantar em família, e sentar-se a comer em família é um momento especial para consolidar o lar. Uma vez mais, exige muito esforço coordenar os horários de todos, mas estar todos juntos à mesa dá-nos oportunidade de disfrutar da companhia de cada um e de aprender alguns bons modos. Por vezes, jogamos durante o jantar a um jogo chamado “Altos e baixos”. Um por um vamos partilhando os pontos altos e baixos do dia. Até os mais pequenos da família podem participar. A mais nova, Anne, fica sempre muito contente quando estamos todos juntos, e a sua alegria é contagiosa.


Como ajuda os seus filhos a abraçar a fé, a aprender a rezar, a desenvolver hábitos cristãos, etc.?
Tentamos incorporar hábitos de fé na nossa rotina de cada dia. Ensinamos os nossos filhos a oferecer o dia todas as manhãs, a dar graças antes de comer e a rezar antes de dormir. Vamos à Missa ao domingo em família e tentamos participar na Adoração Eucarística mensal na nossa paróquia. Quando é possível, levo os pequenos à Missa comigo durante a semana. Celebramos a festa dos santos dos seus nomes. Também os animamos a ler um pouco sobre os nossos santos favoritos. Entre aniversários e dias festivos sempre há alguma coisa a comemorar! Durante o Advento e a Quaresma temos alguns costumes que ajudam cada um a preparar o seu coração durante esse tempo litúrgico. Finalmente, temos uma lista das pessoas por quem rezamos como família, por exemplo se um parente está doente, ou alguém está à espera de bebé. Todos estes pequenos hábitos de oração ajudam, e são frequentemente grandes momentos em que podemos explicar-lhes a fé num determinado contexto. O objetivo é que isto seja parte natural da nossa vida de cada dia, e não algo que só se faz ao domingo ou que está separado do resto das coisas que fazemos.


Tem algum conselho para os recém-casados?
Sim, digo-lhes que nunca deixem de trabalhar para que o seu casamento seja melhor e mais forte, cada dia, cada ano! O casamento exige uma entrega total, mas também tempo e esforço – por vezes mais do que pensamos - para descobrir a melhor maneira de se dar a si próprio generosamente ao seu cônjuge. Isto pode mudar à medida que os filhos crescem, mas acho que deve ser uma preocupação diária. 

Depois de estarmos casados há 10 anos, o Mike e eu assistimos a uma aula sobre o matrimónio chamada “Amor matrimonial”. Através dela, conhecemos outros pais que também estavam empenhados em construir casamentos sólidos. Um casal ensinou-nos um conceito que ilustra o que quero dizer sobre trabalhar o casamento dia-a-dia. Eles chamavam-lhe “DDA”: “Decisão de Amar” o outro todos os dias em coisas pequenas. Não nos enamoramos sem a nossa vontade e o nosso entendimento. Escolhemos amar uma pessoa e podemos renovar esta decisão todos os dias, escolhendo fazer pequenos actos de serviço. Por exemplo, se é preciso levar o lixo, um marido pode fazer uma “DDA”, levando-o. A mulher pode fazer uma “DDA” e arranjar a cabeça do chuveiro sem pedir ao marido que o faça. É muito divertido mostrar as tuas “DDA” diárias ao teu marido. Ou pedir-lhe gentilmente: Podes fazer uma “DDA” e trazer-me um copo de água fresca?

in opusdei.pt


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domingo, 9 de agosto de 2015

Por que levaste o Padre Ricardo, Senhor?

Não posso dizer que conhecesse pessoalmente bem o P. Ricardo Neves. Encontrámo-nos poucas vezes. Mas creio poder dizer que o topei bem através dos muitos testemunhos de tantas pessoas por quem ele passou como um benigníssimo furacão apostólico. Era incansável e poderoso pregador, confessor, amigo paternal.

Admirando profundamente a sua acção evangelizadora não pude deixar de meditar sobre a razão por que Deus o terá chamado a Si tão novo, pois só tinha 42 anos, permitindo que padecesse uma enfermidade brutal.

Por que é que não me terá levado a mim, praticamente 20 anos mais velho e tão incapaz no meu apostolado sacerdotal? Os Mistérios de Deus são insondáveis... Mas pode ser que a razão tenha sido a de o achar digno de participar na Paixão de Seu Filho, morto ainda mais novo, alcançando assim uma fecundidade apostólica ainda maior do que toda aquela, e foi muito grande, que semeou durante a sua breve vida Sacerdotal. Deus escolhe - para esta obra de completar na própria carne o que falta (na sua aplicação) à Paixão de Jesus Cristo -, os Seus predilectos.

Se assim foi, como o creio, podemos contar agora não só com o exemplo que nos deixou mas também com a sua intercessão diligente que a todos nos auxiliará.

Deste modo, aquilo que à primeira vista nos pode parecer uma injustiça, se nos revela como um cumprimento maravilhoso, sobrenatural, da Justiça (Justificação) Divina em nosso favor. Podemos pois, não obstante a tristeza da separação física, bendizer a Deus e entoar aleluias pela obra admirável realizada por Ele no Seu servo P. Ricardo Neves.

Padre Nuno Serras Pereira


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sábado, 8 de agosto de 2015

Cultura Católica nas Basílicas Romanas

Nas Igrejas de Roma vão reparar que frequentemente há um altar lateral com um grande crucifixo.

Estes eram altares onde as Missas normalmente eram oferecidas pelos defuntos.

Fotografia foi tirada na Basílica Patriarcal de Sta. Maria Maior.

in orbiscatholicussecundus.blogspot.com



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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Casais não excomungados: O que é que o Papa disse?

A catequese do Papa Francisco na passada Quarta-feira (5 de Agosto de 2015) foi referida por todos os jornais do mundo e não foi só porque falou dos divorciados recasados. O que chamou a atenção dos meios de comunicação social foi que o Papa disse que estas pessoas não estão excomungadas:

"Na realidade, nestes decénios a Igreja não foi nem insensível nem indolente. Graças ao aprofundamento realizado pelos Pastores, guiado e confirmado pelos meus Predecessores, aumentou muito a consciência de que é necessário um acolhimento fraterno e atento, no amor e na verdade, em relação aos baptizados que estabeleceram uma nova convivência depois da falência do matrimónio sacramental: não estão excomungados; com efeito, estas pessoas não devem absolutamente ser tratadas como tais: elas fazem parte da Igreja."

Ao contrário do que muitos jornalistas disseram, isto não é novidade nenhuma. Quem conhece os escritos dos Papas e a Fé da Igreja sabe que os divorciados não estão excomungados, sempre pertenceram à Igreja e podem comungar assim que estiverem em estado de graça, como qualquer fiel. Prova disso é o Papa citar os seus dois antecessores nesta mesma catequese para o confirmar.

Mas será que foi esta a grande novidade da catequese? Na verdade, há um ponto que ninguém está a reparar e que tem que ser falado, porque revela muito mais aquilo que o Papa estava a querer dizer.

No segundo parágrafo da catequese, o Papa Francisco citou o ponto 84 da encíclica Familiaris Consortio de S. João Paulo II. Isto é inédito pois, desde o Sínodo do ano passado, o Santo Padre quase nunca referiu esta encíclica sobre a família. Agora está não só a mencioná-la mas a referir o ponto em que S. João Paulo II esclarece a doutrina Católica sobre os divorciados recasados:

"A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e actuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio.

A reconciliação pelo sacramento da penitência - que abriria o caminho ao sacramento eucarístico - pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios - quais, por exemplo, a educação dos filhos - não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges»". Familiaris Consortio, 84.

Ao citar este ponto da Familiaris Consortio, ainda que não integralmente, o Papa dá a entender que as suas intenções para o próximo Sínodo da Família não implicam uma mudança na doutrina Católica. Em princípio não vamos ver a Igreja permitir divorciados recasados aproximarem-se da Comunhão. Será que isto significa que não vai acontecer nada? Claro que não - vão haver mudanças, especialmente sobre como acolher estas pessoas, que são tantas, e como formá-las. E todos podemos ajudar enquanto esperamos, rezando pelo Papa e pelos Bispos e pelo próximo Sínodo, como o próprio Papa tanto o pediu.


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Fé e Ciência nos CTT: Gregor Mendel estampado em novos selos


Em 1865, um monge agostiniano determinava pela primeira vez as leis da hereditariedade. Gregor Johann Mendel tornava-se o “pai da genética” ao comunicar os resultados das suas experiências com ervilhas (Pisum sativum). Os CTT- Correios de Portugal celebram os 150 anos das leis de Mendel com a emissão de dois selos.

Gregor Mendel nasceu em 1822 em Hyncice, na actual República Checa, numa família de agricultores. Encorajado pelo seu professor de física do Instituto de Filosofia de Olomouc, onde estudou matemática, física, filosofia e ética, entrou para o Mosteiro de São Tomás, na actual Brno, e aí recebeu o nome Gregor com 21 anos, tornando-se monge agostiniano. Foi nesse mosteiro da ordem de Santo Agostinho que Mendel construiu uma estufa e se dedicou a experiências, durante cerca de dez anos, de cruzamento de ervilheiras para estudar a transmissão hereditária de determinadas características.

Numa época em que a existência do gene era ainda desconhecida, Mendel foi capaz de perceber como determinadas características eram transmitidas e elaborar duas leis da hereditariedade. Mas o trabalho desafiava as leis da paciência: o jovem monge controlou a fecundação das cerca de 28.000 plantas que usou em experiências e, entre estas, observou cuidadosamente 12.835 plantas.

Além dos estudos desenvolvidos na genética (que ainda não existia como tal), o monge agostiniano interessou-se ainda por áreas como a meteorologia, tendo fundado a Associação Meteorológica austríaca, e a astronomia. Ao tornar-se o abade do Mosteiro de São Tomás em 1868, a actividade científica de Mendel diminuiu para fazer face às novas responsabilidades administrativas.

A sua morte a 6 de Janeiro de 1884 deixou adormecidos os seus estudos até ao início do século XX, quando foram redescobertos por um grupo de botânicos. “Seria preciso esperar até ao início do século XX, para que os botânicos Hugo de Vries, Carl Correns e Erich von Tschermak lhe atribuíssem o crédito devido pela descoberta das leis da hereditariedade”, diz Francisco Malta Romeiras, do Centro de História das Ciências da Universidade de Lisboa, na pagela que acompanha a edição dos 150 anos das Leis da Hereditariedade.

adaptado de publico.pt


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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

10 livros para ler nestas férias - Verão 2015

As férias são um momento óptimo de descanso onde, acima de tudo, as pessoas têm mais tempo livre. Muito tempo livre! Para descansar, fazer desporto, estar com a família, ir ao cinema, ir à praia, ... no fundo tudo isso é descanso. Para um Cristão descansar não é não fazer nada, mas mudar de actividade.

Ora, uma das melhores actividades para se aproveitar o tempo no Verão é ler. Os livros contêm o que há de melhor na humanidade desde há milénios. Se forem bem escolhidos os livros podem fazer um bem enorme a quem os ler.

E este é um tópico muito importante: os livros têm que ser bem escolhidos. Na sua recente viagem à Croácia, o Papa Francisco disse que era preciso saber distinguir os bons dos maus livros: "Como se fazia na minha época 'da lousa': quando um livro era bom, lia-se; quando um livro fazia mal, deitava-se fora"."

As escolhas para nos formarmos culturalmente são vastíssimas, com romances, livros de ensaios, livros de história ou mesmo livros informativos e de divulgação. Para tal lista, recomendo esta disponibilizada pelo blog Espectadores. Há editoras que no geral também têm muito bons livros nas livrarias portuguesas, como a Alêtheia, a Principia ou mesmo a Relógio de Água ou a Assírio e Alvim.

Outro género de livros são livros de espiritualidade ou relacionados com temas Católicos. Santo Inácio de Loyola, por exemplo, converteu-se a ler livros destes. E não só Santo Inácio, mas muitos homens e mulheres na história da Igreja. Por isso, uma recomendação boa para as férias é, a par dos livros normais de cultura ou de romance, ler um (ou mais) livros que sejam bons para a nossa Fé.

Apresentamos, por isso, uma lista de 10 livros para ler este ano no Verão (e em qualquer altura do ano, na verdade!). Os livros nesta lista não são melhores que qualquer outro livro que não esteja nesta lista.

O ano passado publicámos uma lista diferente e muito parecida com esta. Não vou incluir na lista a nova encíclica do Santo Padre, Laudato Si', pois é outro contexto. De qualquer forma é muito bom lê-la, dado ser um documento escrito e divulgado pelo Papa. 

1. Francisco, o Grande Reformador: Os Caminhos de um Papa Radical, Austen Ivereigh (Vogais)

Começamos a lista com uma grande biografia do Papa Francisco. Infelizmente nos dias de hoje é preciso ter cuidado com os livros que há nas livrarias sobre o Papa, porque muitos usam a pessoa do Papa para promover as suas próprias ideias sobre a Igreja e não as verdadeiras ideias do Papa. Ora este livro é um exemplo seguro para conhecer com verdade a vida do Cardeal Jorge Mario Bergoglio e quem é hoje o Papa Francisco.

O autor, Austen Ivereigh, é um inglês que viveu muitos anos na Argentina. Ou seja, para além de ter vivido muitos anos no país do Santo Padre tem o olhar pragmático da cultura anglo-saxónica. Austen Ivereigh tornou-se famoso por ser um dos fundadores do fenómeno Católico inglês (e já internacional) na comunicação social - Catholic Voices.

Austen Ivereigh esteve há um mês a apresentar o livro em Lisboa, numa conferência organizada pelas Catholic Voices Portugal. O livro tem um Prefácio da Aura Miguel - uma marca de qualidade para qualquer Católico português que segue os seus comentários às viagens do Santo Padre.

2. Imperador Carlos da Áustria, Teodoro de Faria (Aletheia)

Continuando na onda das biografias, vale muito a pena ler esta pequena biografia do Imperador Carlos I da Áustria, o último Rei da casa dos Habsburgo e o último Imperador do império Austro-Húngaro. É uma personalidade importantísssima do início do século XX. É, portanto, um óptimo livro de história.

Mas não é só isso. O Imperador Carlos I foi um homem exemplar que viveu as virtudes de uma forma heróica, ao ponto de ter sido beatificado pelo Papa João Paulo II. Muitas vezes suspiramos por não termos bons governantes, mas neste livro podemos ler a vida de uma pessoa dessas.

É também um livro de um santo que se casou e teve uma família, muito pertinente para estes meses que antecedem o Sínodo da Família, já no próximo mês de Outubro.

O livro é escrito por D. Teodoro de Faria, Bispo Emérito do Funchal, cidade onde morreu  Carlos I da Áustria, no exílio.


3. Saxum: Uma biografia de Álvaro del Portillo, John Coverdale (Lucerna/Principia)

Pouco depois do Papa Francisco declarar Álvaro del Portillo beato, há menos de um ano, saiu nas livrarias uma nova biografia de D. Álvaro. Não é a única. Em português existem outras duas, uma escrita pelo Msgr. Hugo de Azedo (muito boa) e outra por Salvador Bernal. O que é que esta tem então de especial?

Para além de ser a mais recente, esta biografia é escrita por John Coverdale, um grande historiador americano especialista na guerra civil espanhola e amigo do próprio D. Álvaro. Além disso, a forma americana de contar a história é sempre muito entusiasmante, como em Hollywood. Um livro a não perder, com uma óptima edição.


4. Tiologias - Os sobrinhos de Deus e outros textos, Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada (Aletheia)

Este livro, facílimo de ler, é bom para ler na praia ou em qualquer esplanada. É um conjunto de textos escritos pelo Pe. Gonçalo Portocarrero para vários contextos, como o jornal i ou outros meios de comunicação social.

Fala-se em vários assuntos da actualidade através de uma óptica Cristã e, sempre sempre, com muito humor. É um livro excelente para oferecer a amigos mais afastados da Fé pois, além de os fazer rir, o Pe. Gonçalo tem um jeito enorme para explicar a doutrina Católica de uma forma muito simples e terra-a-terra.

5. Que fazes aí fechada?, Filipe D'Avillez (Aletheia)

Este é outro livro muito fácil de ler e que pode ser lido em qualquer contexto. Já agora, ler estes livros em locais públicos (praia, etc.), que no Verão estão sempre cheios, é já uma forma de apostolado, pois muitas pessoas vêem as capas dos livros e só isso já faz as pessoas lembrarem-se de Deus.

Este livro contém várias entrevistas que o jornalista (e nosso amigo) Filipe D'Avillez fez a oito freiras do nosso país. Num mundo que remeteu o sagrado para a esfera privada e que o tenta esconder a todo o custo, não deixa de ser surpreendente que uma rapariga dê a sua vida para se fechar num convento a rezar e a trabalhar em serviço dos outros.

Fazem-nos falta testemunhos destes. Se já é raríssimo ver irmãs a passear nas ruas das nossas cidades, porque se as há já nem andam identificadas, podemos aproveitar muito bem este livro que nos mostra a existência, o valor e a grande ousadia destas vocações.

Também é um bom presente para oferecer a pessoas interessadas na Igreja Católica mas que ainda não são praticantes. E é um livro deste ano.

6. Bem-Aventurados, Madalena Fontoura (Editora Rei dos Livros)

Este pequeno livro é muito difícil de encontrar nas lojas, mas é tão bom que decidi incluí-lo nesta lista. Estamos a menos de dois anos do centenário de Fátima, e é nesse contexto que o recomendo.

É certo que não faltam livros sobre Fátima, mas este livro é muito mais do que um relato das aparições ou uma biografia dos Pastorinhos. A forma como a autora fala da vida dos Pastorinhos faz-nos querer ser como eles, porque faz-nos acreditar que é possível ser como eles - mostrando ser esse um dos pontos principais da mensagem de Fátima.

É um livro que reconta uma história de uma maneira como nunca ninguém a contou. Se alguém envolvido no mundo das editoras estiver a ler este post, recomendo que contactem a autora e tentem republicar o livro. 

7. O Concílio Vaticano II: 50 Anos Depois, Teodoro de Faria (Lucerna/Principia)

Se há tema que se fala quase todos os dias nas universidades Católicas pelo mundo fora é o Concílio Vaticano II. Mas o mais estranho é que muitos teólogos parecem dizer coisas opostas quando falam do Concílio. 

Porque razão é assim? O que é que aconteceu naqueles anos em Roma e o que é que está mesmo naqueles textos? Qual foi o seu impacto na vida da Igreja? E qual o seu papel numa Igreja com 2000 anos de história? 

D. Teodoro de Faria, Bispo emérito do Funchal, responde a estas e outras perguntas sobre o Concílio Vaticano II. É um óptimo e pequeno livro de história mas também de explicação do que foi o Concílio para a vida espiritual da Igreja e de todos os Cristãos.

D. Teodoro ficou conhecido por ter sido o primeiro Bispo português a celebrar publicamente a Missa na Forma Extraordinária.

8. Ciência, Prestígio e Devoção, Os Jesuítas e a Ciência em Portugal (séculos XIX e XX), Francisco Romeiras (Lucerna/Principia)

Este é um livro mais técnico mas tem que ser incluído nesta lista. Estamos fartos da discussão entre fé e ciência. Os ingleses e os americanos já perceberam há muito tempo que a incompatibilidade entre fé e ciência não passa de um mito. Quase todos os anos sai um livro novo em inglês mostrando isto. Em Portugal não havia quase nada e por isso este livro do historiador (e nosso amigo) Francisco Romeiras vem abrir um novo capítulo na literatura portuguesa sobre história da ciência.

O livro está cheio de factos sobre como a Igreja Católica e, em particular, a Companhia de Jesus, foram dos maiores impulsionadores da ciência no nosso país, muitas vezes remando contra a maré. Para quem gosta de história ou de ciência este livro é imperdível.

Também é nostálgico ver que alguns dos edifícios construídos pela Companhia para os seus colégios, onde tinham laboratórios e salas de aula, são hoje conhecidos de muitos de nós. Lembro-me por exemplo do Colégio de Campolide que é hoje  a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

9. Sonhai e ficareis aquém, Pedro Casciaro (Quadrante)

Para último deixei dois livros que não são publicados em Portugal e portanto só se consegue obter através de uma encomenda. Nos dias de hoje encomendar livros online é muito fácil e .... rápido!

Quis incuir o livro de Pedro Casciaro na lista porque lê-lo está a fascinar-me como nunca pensei. Sempre gostei de ler livros de aventuras e de fantasias. E este livro é um dos melhores e mais empolgantes livros de aventuras que já li. Só que tem uma particularidade: foi tudo real.

Pedro Casciaro foi um dos primeiros membros numerários do Opus Dei e conta como conheceu S. Josemaria e os anos que se seguiram. Entre esses anos, absolutamente incríveis, está a fuga de Madrid, durante a Guerra Civil de Espanha, pelo meio dos Pirinéus - uma viagem completamente surpreendente e mortalmente perigosa.

10. Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church, edited by Roberto Dodaro (IgnatiusPress)

Por fim, este era obrigatório ser recomendado, apesar de ainda não ter sido traduzido para português. Escrito por cinco Cardeais com altas funções na Cúria Romana, todos muitíssimo inteligentes e desejosos de ser Santos, este livro são textos seus sobre a recente polémica da Comunhão às pessoas recasadas. 

Há meses que se ouvem vozes na Igreja de que vai ser possível dar a comunhão a pessoas que deixaram o seu casamento para começar outro. Essas vozes não podiam estar mais enganadas. Não só dar a comunhão a pessoas recasadas seria uma falta de verdade, como não ajudaria a pessoa em nada, antes pelo contrário.

Neste livro eminentes Cardeais muito próximos do Santo Padre, como o Cardeal Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, explicam porque é que a doutrina não irá mudar nesse ponto específico da comunhão. Pode-se ler mais sobre o assunto do Sínodo numa página que lhe temos dedicada.

Nuno CB


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domingo, 2 de agosto de 2015

A importância de se chamar Cecil

Cecil era um leão que vivia numa área protegida no Zimbabué. Os seus passos eram seguidos por investigadores de Oxford, era um animal considerado sociável e particularmente fotogénico – as suas fotografias pela internet são mais que muitas. Era um leão conhecido na região, e no mundo, de uma grande beleza, e do qual gostavam todos quantos o conheciam.

Na passada semana, numa caçada, Cecil acabou decapitado e sem pele. O seu perpetrador, Walter Palmer, cidadão norte-americano, médico dentista, pelos vistos, caminha para o mesmo destino.

Para além das ameaças de morte, do Pólo Norte ao Pólo Sul, manifestações de revolta, insultos e pedidos de extradição, a administração de Obama decidiu também abrir um inquérito ao que terá ocorrido, a fim de se apurarem as devidas responsabilidades, e de que a punição seja exemplar.

Palmas.

Pela mesma altura foi divulgado um vídeo que mostra a directora da Planned Parenthood, uma associação americana que promove e colabora na prática de abortos nos Estados Unidos da América, a vender órgãos de bebés em troca de somas avultadas de dinheiro e outros gozos materiais, tais como, por exemplo, um Lamborghini. 

A seguir ao vídeo, outro, e outro.... Tráfico de órgãos de bebés. Bebés que são mortos e desmembrados. A troco de dinheiro, muito dinheiro. Sob a máscara de “saúde sexual e reprodutiva”. Seguido do choque inicial, que levou a que muitas empresas, como a Coca-Cola, Xerox ou a Ford, se desvinculassem da Planned Parenthood, a reacção do Partido do mesmo Obama: outro inquérito. Mas desta feita não para apurar responsabilidades, não para punir exemplarmente, mas para silenciar, para compactuar, para fingir que este horror não existe. Um inquérito para averiguar, pasme-se, a legalidade das imagens obtidas. 

E agora, o silêncio.

O sepulcral silêncio dos media, das televisões, das rádios, das redes sociais. O silêncio que esconde o sangue dos inocentes. Onde estão as manifestações, as petições à Casa Branca, o choro, a indignação, a revolta, a vontade de fazer desaparecer esta gente da face da Terra? Onde estão os corações inflamados de justiça e de compaixão? A coragem de fazer frente, de proteger quem não pode ser protegido, de gritar por quem não consegue falar, de garantir a liberdade e defender a dignidade de quem tem a mesma Natureza? Onde está a identidade, a consciência de cada um?

Para onde caminhas tu, ó Homem, para onde caminhamos nós, nesta selva em que um rugido de um leão é mais importante que um choro silenciado de uma criança?

Catarina Nicolau Campos


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sábado, 1 de agosto de 2015

Arte por S. Cristóvão

"A Igreja de S. Cristóvão, construída no século XVII, sobreviveu ao terramoto de 1755, mas poderá não sobreviver ao século XXI."


  Neste momento, está a decorrer uma campanha de crowdfunding para o restauro da tela do altar-mor. Podem fazer um donativo na página de crowdfundingSe são sensíveis à arte e à importância da preservação do patrimómio, não podem ficar indiferentes a esta campanha.

A 5 dias do fim da campanha, já só faltam 20% do objectivo. Com a contribuição de todos, conseguimos o dinheiro necessário.

Video sobre a Igreja de S. Cristóvão.


Ajudem S. Cristóvão, sff!



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Papa Bento XVI sobre a questão dos "recasados"

É mais que justificada a atenção pastoral que o Sínodo reservou às dolorosas situações em que se encontram não poucos fiéis que, depois de ter celebrado o sacramento do Matrimónio, se divorciaram e contraíram novas núpcias. Trata-se dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos. 

Os pastores, por amor da verdade, são obrigados a discernir bem as diferentes situações, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados. O Sínodo dos Bispos confirmou a prática da Igreja, fundada na Sagrada Escritura (Mc 10, 2-12), de não admitir aos sacramentos os divorciados "recasados", porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja que é significada e realizada na Eucaristia. 

Todavia os divorciados "recasados", não obstante a sua situação, continuam a pertencer à Igreja, que os acompanha com especial solicitude na esperança de que cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação na Santa Missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos.

in Sacramentum Caritatis, 29


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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Confessionário na Sé Velha de Coimbra





Antigo confessionário à entrada da Sé Velha de Coimbra.

Hoje usado como armazém de folhetos.

Fiat misericordia tua, Domine, super nos.     Faça-se em nós, Senhor, a tua misericórdia.

Quorum remiseritis peccata remituntur eis. Aqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados.


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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Por que é que os Católicos dissidentes fazem da justiça social o seu maior objectivo?

Uma pessoa falou-me uma vez sobre o seu irmão que se tinha tornado um padre Católico. Este irmão, antes de ser ordenado, admitiu que tinha deixado de acreditar nas doutrinas do Credo dos Apóstolos - que já não acreditava na Fé Católica - que era uma colecção de mitos. Ainda assim, o irmão foi em frente e ordenou-se padre Católico.

Porquê? Ele disse que sendo um padre Católico o ajudaria a ter uma plataforma melhor para a justiça social do que se simplesmente continuasse um membro normal da comunidade local. Vejam, ele não acreditava na Fé Católica. Em vez disso, confiava na justiça social como o bem último para a humanidade.

De todos os padres, religiosos e leigos Católicos que eu conheci, aqueles que divergiram das doutrinas reveladas por Cristo e pelos Apóstolos, dadas à Igreja, também falavam como se a justiça social ou o trabalho social fosse o maior bem do Cristão e que devia ser o objectivo principal da Igreja Católica.

Por exemplo, uma pessoa podia ter negado a transubstanciação, a existência do Inferno, as condições para pecado mortal e/ou a salvação unicamente através de Cristo, mas estava sempre convencida da vocação da Igreja à justiça social. De facto, se ouvirem com cuidado, eles subscrevem uma espécie de comunismo religioso - aquilo que é conhecido como teologia da libertação. Porque é que isto acontece?

São Tomás de Aquino dá-nos a resposta. Os bens espirituais podem ser partilhados igualmente por todos porque Deus é tudo em todos. A visão beatífica não é reduzida por outra pessoa a partilhar. Da mesma forma, a graça santificante não se reduz quando outro pecador recebe graça. Pelo contrário, a graça aumenta quando é partilhada. Este é um princípio fundamental da teologia Católica.

No entanto, os bens materiais NÃO funcionam assim. Se muitas pessoas partilharem a pizza significa que cada pessoa recebe menos pizza. O mesmo acontece para a propriedade, água, dinheiro, carvão ou qualquer outro recurso natural. Deus é infinito. A matéria é finita.

Aqueles que negam o nosso fim e bem sobrenatural, que é a visão beatífica, têm então que pegar no princípio sobrenatural (que a visão beatífica de Deus não é divisível) e aplicá-lo aos bens terrestres. Sobrenaturalizam os bens materiais como o bem último do homem. Sim, devemos providenciar justiça social e sofrer dificuldades pelo bem estar dos outros. A riqueza deve ser espalhada pelos outros. No entanto, Nosso Senhor disse, "Buscai, pois, em PRIMEIRO LUGAR, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas (materiais) vos serão dadas por acréscimo."

Não devemos nunca esquecer que a salvação das almas através da pregação apropriada, da direcção espiritual e da santificação é a uma prioridade superior que a justiça social.

Dito isto, a justiça social é a vontade de Deus. Mas não é um fim em si mesma. É um meio para dar às nossas almas e às almas de outros a graça santificante de Deus e finalmente a visão beatífica de Deus. Deus ama a justiça e ouve as orações dos pobres, dos viúvos, dos orfãos. Como Católicos devemos ter um amor pelos pobre e pela pobreza em si mesma, visto que este foi o estado de Cristo, de Sua Mãe, de S. José e dos Seus Santos Apóstolos. A justiça social é parte integrante da identidade Cristã e da ortodoxia Cristã - simplesmente não é o maior bem de todos.

Concluindo, está visto que os que são dedicados à ortodoxia Católica, a uma vida de penitência e à aquisição de graça são os que servem os pobres e proclamam a justiça.

Muitos dos maiores santos da Igreja e mesmo doutores são bem conhecidos pelo seu amor aos pobres e pela sua vontade de aliviar o sofrimento do próximo. Alguns até se tornaram escravos devido a outros. E, ainda assim, estes mesmos homens e mulheres foram pilares de ortodoxia, amantes dos sacramentos, fiéis à Igreja e bem avançados na vida mística.

"O homem, ao substituir o ideal superior que abandonou, pode, por exemplo, colocar a sua religião na ciência ou no culto da justiça social ou nalgum ideal humano, que ele acaba por ver de um modo religioso ou mesmo místico. Assim, ele afasta-se da realidade suprema e começa a surgir um grande número de problemas que só serão resolvidos se ele regressar ao problema fundamental das relações íntimas da alma com Deus." Pe. Reginald Garrigou-Lagrange

Taylor Marshall


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terça-feira, 28 de julho de 2015

Meditar é ver a alma ao espelho

"Aquele que não medita na Palavra de Deus é como a pessoa que sai de casa sem antes se olhar ao espelho." 

S. Pio de Pietrelcina


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O que fazer com o barulho das crianças na Missa?

A criança no banco da frente

Havia uma criança no banco da frente, e a pequena não parava quieta um instante sequer! Era Missa; e a frutuosa participação no Sacrifício de Cristo exige algumas disposições interiores de ordinário avessas à distração inevitavelmente provocada por uma criança irrequieta. Em poucas palavras, a gente precisa se concentrar pra rezar direito, e é difícil concentrar-se com uma criança chamando a sua atenção o tempo todo…

Lembrei-me de que “o problema” das crianças na Missa já fora abordado de um sem-número de maneiras. Há quem defenda que elas sejam simplesmente deixadas em casa. Há quem pugne pelo oferecimento de uma estrutura paroquial – uma salinha separada, a “acolhida das crianças” – para “tomar conta” dos pequenos enquanto os seus pais assistem à Missa. Há quem diga que os pais devem se impôr mesmo e fazer as crianças ficarem quietas, retirando-as do recinto sagrado se necessário for. Domingo, havia uma criança no banco da frente, e eu me peguei a pensar no assunto. E, curiosamente, a solução a que cheguei foi esta: é preciso deixar as crianças serem crianças. E deixar os pais serem pais.

A menina – era já um pouco grandinha, não sei, três anos… – olhava para tudo ao redor, com aquela curiosidade própria de quem tem um mundo inteiro a desbravar. Subia no banco. Descia do banco. Abraçava o pai. Segurava a mãe. Tinha uma voz estridente, de cujo volume as convenções sociais ainda não tivera tempo de aprender. Pegava o papel. Derrubava o papel. Ia de um lado para outro, para o braço de um e de outro. Olhava, sorria. Desinteressava-se. Falava. Ensaiava um choro. Um momento houve até em que, em pé no banco, começou a pisar forte e ritmadamente – com o insofismável fito de fazer barulho. (Neste instante, aliás, o pai a pegou no braço. E ela não fez escândalo. Em momento algum ela fez escândalo.)

Pela descrição, parece até que a igreja estava a ponto de vir abaixo; dir-se-ia um verdadeiro pandemônio instaurado no templo santo de Deus. Houve até um momento em que eu próprio olhei para a criança e me perguntei se não haveria algum fenômeno preternatural a explicar aquele incansável empenho infantil em roubar do Altar a atenção dos fiéis. Mas, na verdade, a impressão agora é ilusória, como o fora no decorrer da Missa. A criança não atrapalhava a celebração mais do que outras coisas com as quais a Igreja sempre conviveu – e é bom que conviva.

Li, há anos, em não me lembro agora qual historiador, uma descrição de uma provável Missa celebrada em um típico vilarejo medieval. Não havia os bancos que hoje nos acostumamos a encontrar, a fim de organizar os fiéis que se reúnem para a assistência do Santo Sacrifício; o espaço aberto da nave ocupava-se de maneira natural, orgânica, à medida que os católicos fossem chegando e na proporção do seu fervor religioso na ocasião. O povo também não se pejava de adentrar o templo do modo como se encontrasse; às vezes carregando um saco de frutas a vender na feira, ou dois patos adquiridos no caminho e que iriam servir de alimento à família. O ápice da Missa era – como ainda é – a Consagração; assim, no instante em que o sacerdote elevava a Hóstia Consagrada por cima de sua cabeça, todos se acotovelavam para, acima dos ombros uns dos outros, vislumbrar – por um instante fugaz que fosse – o Santíssimo Sacramento. E, imaginando as penas voando, o grasnar dos patos, a melancia espatifando-se no chão e um monte de gente se empurrando para ver melhor (que os outros) o altar… aquela criança no banco da frente da Missa de domingo passado parecia-me transmitir uma quietude elísia.

O quadro, dirão, é “pouco piedoso”. Ora, mas é claro que é pouco piedoso; é um quadro que retrata todas as mazelas e defeitos dos seres humanos de carne e osso para cuja salvação existe a Igreja! Mas não se trata sempre de pouco zelo; às vezes, há circunstâncias pessoais bem razoáveis a justificar certos comportamentos dos fiéis. E para as encontrar não é preciso retroceder a nenhum obscuro vilarejo medieval; basta pensar, por exemplo, nas missas celebradas em campanha. Ou alguém acha que em Iwo Jima não havia soldados fazendo a guarda, olhares apreensivos para todos os lados, tiroteios e ribombos de canhões ao fundo, essas coisas que costumam acontecer nas guerras?

Tampouco é preciso ir à guerra; vá-se a uma festa popular de maior monta. Aqui, em Recife, fui recentemente (como o disse) à de Nossa Senhora no Carmo. E havia crianças comendo, e gente mexendo no celular, e empurra-empurra na nave central (da qual, em talvez involuntária homenagem ao vilarejo medieval que referi acima, haviam retirado os bancos), e guardas-chuvas e capas pingando (sim, chovia lá fora), e pessoas chegando e saindo o tempo inteiro. Perto disso, repita-se mais uma vez, a criança no banco da frente da Missa de domingo passado transparecia a placidez de um mosteiro cartuxo.

O ponto, em suma, é o seguinte: não nos deve surpreender que a assistência à Missa revista-se dos elementos naturais da vida social. Mais até: quanto mais fortes forem esses elementos, mais isso significa que a religião está entranhada no dia-a-dia das pessoas, mais as pessoas a vêem com familiaridade. Atenção, que não se está aqui falando nada de Liturgia! A Liturgia é para ser sempre impecável, é evidente, como convém ser o culto prestado ao Deus Todo-Poderoso. Mas a forma como as pessoas assistem a este culto pode, sim, adquirir os rasgos de espontaneidade não-institucional que sejam socialmente aceitáveis e razoavelmente justificáveis. E é até bonito que assim se faça; chega a ser um testemunho da vitalidade do Evangelho, ao qual se curvam as necessidades sociais. Falo, por exemplo, de pessoas entrando e saindo da igreja durante a Missa, aproveitando o intervalo do horário de trabalho para assistir, se não a celebração inteira, ao menos o pedaço que conseguem. Falo de militares de serviço assistindo à missa de farda camuflada, quepe às costas. Falo de doentes tossindo. E, claro, falo de mães embalando seus filhos, ou retirando-se para lhes trocar as fraldas, e falo de crianças correndo e gritando.

Dir-me-ão que essas coisas são muito diferentes, e que nada tem a ver uma guerra com um feirante, ou com um pedreiro sujo de cimento, ou com uma criança mal-comportada. Eu digo que todas essas coisas têm muito mais em comum entre si do que parece à primeira vista: são, todas elas, exemplos de seres humanos tentando conciliar os seus deveres de estado com a prática religiosa. Assim como o soldado deve combater, e isso talvez lhe exija prestar atenção nos arredores do acampamento mesmo durante a celebração da Missa, assim o trabalhador deve prover ao sustento da sua família – e isso talvez lhe exija levar à igreja os seus instrumentos de trabalho. Isto é um sinal de que a sociedade anda sadia e está ordenada; é um indício de que, apesar de tudo, as coisas estão indo bem.

Mas um soldado não é a sua patente e, um feirante ou pedreiro, não é o seu comércio ou sua construção civil.Uma mãe, contudo, é indissociável da sua maternidade. O soldado tem o seu dia de folga, onde ele não exerce o serviço de militar; um pai, contudo, não dispõe de um instante sequer onde esteja dispensado de seus serviços paternos. Nem aos domingos. Nem na igreja.

Uma família com crianças é uma campanha militar permanente. E se deixamos sem maiores olhares de censura os soldados (ou os policiais, ou os médicos, ou os bombeiros) assistirem às nossas missas, mesmo que estejam fardados, mesmo que o rádio que levam à cintura possa eventualmente tocar, mesmo que precisem sair às pressas da celebração; se os deixamos e, ainda, sentimo-nos gratos porque eles protegem as pessoas, salvam vidas, cuidam de nós, e é bom tê-los por perto; se, até mesmo!, olhamos com admiração para essas pessoas que, no meio do serviço, fazem malabarismos para conciliar os seus deveres com algum tempo de oração e de agradecimento a Deus; por qual razão censuraríamos as famílias que vão à missa fardadas com bolsas e fraudas, e carrinhos de bebê, e mamadeiras?, e por qual motivo não agradeceríamos àqueles que, mesmo durante a Missa, não descuidam do cuidado dos seus filhos, que outra coisa não é que o cuidado com o nosso futuro?, e por quê, em suma, não olhamos com admiração e reconhecimento para estas pessoas que, sem descuidar de seus deveres, mesmo a serviço, desdobram-se para dedicar um pouco de tempo à vida de oração e aos seus deveres públicos para com Deus?

A menina no banco da frente da Igreja era uma criança. E isso significava três coisas: primeiro, que ainda há crianças no mundo, graças a Deus; segundo, que os seus pais não as deixam de lado para estar na Igreja; e, terceiro, que eles tampouco deixavam a Igreja para cuidar de suas crianças. Foi o que eu percebi no domingo passado; e, perto disso, qualquer distração que a sua presença pudesse provocar era de pouca monta. Que Deus nos conceda igrejas repletas de crianças! Conviver com elas, afinal de contas, é um excelente sinal de que as coisas – graças a Deus! – ainda andam bem no mundo.

in Deus lo vult!


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