sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Porque é que a Teologia do Corpo interessa tanto aos jovens?

A maior parte dos Cristãos em Portugal já ouviu falar de Teologia do Corpo, mas a maior parte não sabe bem o que é.
Isto é normal, dado que é um tema muito recente.

A Teologia do Corpo começou a ganhar fama com as catequeses dadas nos primeiros anos do pontificado de S. João Paulo II pelo próprio Santo Padre, em Roma. As catequeses são de tal maneira profundas e complexas que nos anos que se seguiram vários teólogos, especialmente americanos, mas não só, se dedicaram a explicá-las de uma forma acessível a toda a gente - Católicos e não Católicos.

Interessa a todos porque veio revelar que o corpo humano, o nosso, de cada um, tem um significado muito mais profundo do que parece. Os nossos gestos e actos físicos têm algo de divino. A Teologia do Corpo vem recordar o ponto que atrai tantos homens ao Cristianismo, mesmo sem o perceberem explicitamente - o Cristianismo é bom porque através da nossa humanidade, aquilo que é mais normal em nós, podemos chegar a Deus e chegar a conhecê-l'O. A verdade é que o próprio Deus decidiu ter um corpo.

Além disso, a Teologia do Corpo explica porque é que um dos actos humanos mais falados em toda a nossa sociedade - as relações sexuais - é assim tão falado: há qualquer coisas de Misterioso neste gesto. Mais ainda, a Teologia do Corpo fecha o assunto e explica que as relações sexuais não têm nada a ver com um acto animal - porque são muito humanas, quando vividas em plenitude.

Isto é tão importante e interessante que por todo o mundo têm aparecido pessoas a explicar Teologia do Corpo, a dar conferências e a escrever livros, e a organizar grupos de estudo. Os jovens especialmente têm estado interessados nisto. A proposta que a Igreja faz ao nosso corpo, quer seja no namoro/casamento, quer no celibato é muito exigente - e é isso que atrai. Ao estudá-la veremos que é a única que nos conduz a uma verdadeira felicidade.

Em Portugal têm também aparecido pessoas a formar-se neste tema e a divulgá-lo.
Neste site poderão encontrar alguns dos grupos que mais tem feito isso em Portugal:

No entanto, ao contrário de outros países, ainda há muito pouco material português capaz de um livro. Felizmente já há bons livros traduzidos e já temos as catequeses do Papa editadas em livro, assim como um recente e óptimo livro do Pe. (Mons.) Duarte da Cunha, mas ainda falta produção original nossa totalmente dedicada à teologia do Corpo.

Mas as coisas podem estar a mudar em breve. Fiquem atentos.

Por fim, fica aqui um pequeno filme do famoso Jason Evertt que mostra o interesse da Teologia do Corpo para os jovens:



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O Silêncio Culpado



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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

4 mitos sobre as Cruzadas

MITO 1: “As cruzadas foram um ataque gratuito dos cristãos ocidentais contra os muçulmanos”.

Uma revisão cronológica honesta derruba esta mentira. Até o ano 632, o Egipto, a Palestina, a Síria, a Ásia Menor, o Norte da África, a Espanha, a França, a Itália e as ilhas da Sicília, da Sardenha e da Córsega eram todos territórios cristãos. Dentro das fronteiras do Império Romano, que ainda existia no Mediterrâneo oriental, o cristianismo ortodoxo era a religião oficial e esmagadoramente maioritária. Fora daquelas fronteiras, havia ainda outras grandes comunidades cristãs, não necessariamente ortodoxas e católicas, mas, ainda assim, cristãs: a maioria da população cristã da Pérsia, por exemplo, era nestoriana. Também havia várias comunidades cristãs espalhadas pela Arábia.

Apenas um século mais tarde, em 732, os cristãos já tinham perdido o Egipto, a Palestina, a Síria, o Norte da África, a Espanha, a maior parte da Ásia Menor e o sul da França. A Itália e as suas ilhas associadas também estavam sob ameaça; tanto que as ilhas acabariam sob o domínio islâmico no século seguinte. Logo após o ano de 633, as comunidades cristãs da Arábia foram inteiramente destruídas. Tanto os judeus quanto os cristãos foram expulsos da península arábica. Os da Pérsia estavam sob forte pressão. Dois terços do antigo mundo cristão romano viam-se agora governados pelos muçulmanos.

O que é que tinha acontecido? Cada uma dessas regiões listadas acima foi tomada pelos muçulmanos no espaço de apenas cem anos. Cada uma delas foi arrancada do controle cristão por meio da violência, em campanhas militares deliberadamente concebidas para expandir o território do Islão. E o programa de conquistas do Islão não terminou por aí. Carlos Magno bloqueou o avanço muçulmano rumo à Europa ocidental por volta do ano 800, mas as forças islâmicas simplesmente mudaram o seu foco para a Itália e para a costa francesa, atacando a Itália continental em 837. Uma luta confusa pelo controle do sul e do centro da Itália prosseguiu durante o resto do século IX e continuou no século X. O próprio interior italiano chegou a ser atacado. Com a urgência de proteger as vítimas cristãs, os Papas do século X e do início do século XI envolveram-se directamente na defesa do território. Os bizantinos levaram muito tempo para reunir as forças necessárias para a reacção armada. Em meados do século IX, eles montaram um contra-ataque. Mas os muçulmanos responderam com novas e ainda mais afiadas investidas.

Em 1009, um governante muçulmano mentalmente perturbado destruiu a igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, e lançou grandes perseguições contra cristãos e judeus. As peregrinações à Terra Santa tornavam-se cada vez mais difíceis e perigosas. Os peregrinos ocidentais começaram a unir-se e a portar armas para se protegerem quando tentavam visitar os lugares mais sagrados do cristianismo na Palestina.

Desesperados, os bizantinos apelaram pela ajuda do Ocidente, direcionando os seus pedidos de socorro principalmente à pessoa que eles viam como a maior autoridade ocidental: o Papa, que, como vimos, já tinha organizado a resistência cristã aos ataques muçulmanos na Itália. Finalmente, em 1095, o papa Urbano II atendeu ao desejo do papa Gregório VII. Começou a Primeira Cruzada.

Longe de serem “gratuitas” e de não terem sido provocadas de fora, as Cruzadas representam o primeiro grande contra-ataque cristão ocidental em defesa própria diante dos ataques muçulmanos ocorridos continuamente durante mais de 400 anos, desde o início do Islão, no século VII, até o final do século XI, e que ainda continuariam depois também. Três das cinco principais sedes episcopais do cristianismo (Jerusalém, Antioquia e Alexandria) tinham sido capturadas já no século VII; as outras duas (Roma e Constantinopla) tinham sido atacadas ao longo dos séculos anteriores às Cruzadas. Constantinopla seria tomada em 1453, deixando em mãos cristãs apenas uma das cinco (Roma). E Roma foi novamente ameaçada no século XVI. Isto é ausência de provocação ou é uma ameaça mortal e persistente que exigia uma defesa vigorosa, caso os cristãos quisessem exercer o seu direito de sobreviver?

É difícil subestimar as perdas sofridas pela Igreja nas várias ondas de conquistas muçulmanas. Todo o Norte da África, antigamente repleto de cristãos, foi conquistado. Chegou a haver 500 bispos cristãos no Norte da África. Hoje, as ruínas da Igreja estão enterradas na areia. Há bispos titulares, mas não residentes. Toda a Ásia Menor, tão amorosamente evangelizada por São Paulo, foi perdida. Grande parte do sul da Europa esteve a ponto de ser tomado também. É mesmo possível afirmar categoricamente que os cristãos deviam assistir impávidos ao próprio extermínio sem se defender?

MITO 2: “Os cristãos do Ocidente foram às Cruzadas por ganância, para saquear os muçulmanos e enriquecer”.

Poucos cruzados tinham dinheiro suficiente para pagar as próprias obrigações em casa e, em paralelo, sustentar-se decentemente durante uma cruzada. Desde o início, as considerações financeiras tiveram papel muito importante no planeamento dos contra-ataques. Os primeiros cruzados venderam tantos bens para financiar as suas expedições que provocaram inflação generalizada na Europa. Os cruzados posteriores levaram este facto em conta e começaram a poupar dinheiro muito antes de partirem, mas os custos ainda eram quase proibitivos.

Uma das principais razões para o fracasso da Quarta Cruzada e do seu desvio para Constantinopla foi justamente a falta de dinheiro antes mesmo do início das batalhas. A Sétima Cruzada, de Luís IX, em meados do século XIII, custou mais de seis vezes a receita anual da coroa.

Os Papas recorreram a manobras cada vez mais desesperadas para levantar fundos, desde instituir o primeiro imposto de renda, no começo do século XIII, até implantar uma série de ajustes na maneira de se concederem as indulgências (o que acabou gerando os gritantes abusos condenados por Martinho Lutero).

Em suma: as Cruzadas levaram à falência muito mais evidentemente do que à riqueza. Os cruzados estavam bastante cientes disso e não viam nas Cruzadas uma forma de melhorar a sua situação, e sim uma escolha entre lutar assumindo o risco de perder tudo e não lutar e ter a certeza de ser destruídos.

Crawford confirma que as pilhagens eram de facto permitidas ou toleradas quando os exércitos cristãos venciam. Os saques, infelizmente, eram comuns nos tempos antigos e medievais, mas é relevante observar que não eram exclusividade dos cruzados. Uma guerra dificilmente se mantém ordenada, já que os motivos de cada soldado individual não podem ser perfeitamente controlados.

MITO 3: “Os cruzados eram cínicos que não acreditavam na própria propaganda religiosa: eles tinham segundas intenções e motivações materialistas”.

Esta é uma afirmação muito popular, pelo menos a partir de Voltaire, e parece convincente para a modernidade e a contemporaneidade, mergulhadas em visões de mundo materialistas. Não há dúvida de que havia cínicos e hipócritas na Idade Média, assim como os há em qualquer época.

No entanto, mito é mito e é preciso esclarecer as coisas.

Os riscos das Cruzadas eram muito altos. Muitos cruzados, se não a maioria, nem sequer voltava das batalhas. Um historiador militar estimou que os índices de baixas na Primeira Cruzada foram uns espantosos 75%.

Além disso, a participação nas Cruzadas era voluntária: os participantes precisavam ser persuadidos a ir, e por sua conta. O principal meio de persuasão eram os sermões, repletos de advertências de que as Cruzadas implicavam privações, sofrimentos e, muitas vezes, a morte; as Cruzadas afectariam gravemente as vidas dos seus participantes, provavelmente os empobreceriam e mutilariam e certamente provocariam grandes inconvenientes para as suas famílias.

E como é que um discurso desses funcionou? Funcionou precisamente porque empreender uma cruzada em defesa da própria fé e do próprio povo era entendido como uma penitência valiosa para a alma e uma forma de purificação, além de um acto de amor desinteressado que levava a dar a vida pelos amigos.

As evidências disponíveis sugerem que a maioria dos cruzados foi motivada pelo desejo de defender o nome de Deus, colocar a própria vida a serviço da proteção dos cristãos ameaçados e expiar os pecados pessoais.

São conceitos difíceis para os ocidentais de hoje, tão laicos e tão cépticos diante de motivos espirituais. Acontece que, entre o nosso actual Ocidente e a Idade Média, existe uma grande divisão cartesiana, com o seu reducionismo materialista. São outros contextos, nos quais os parâmetros são muito diferentes. Naquela época, a vida na terra era curta e brutal; era "um vale de lágrimas" a ser suportado como tempo de purificação para o encontro com Deus. Os princípios espirituais exerciam uma influência quase incompreensível para as mentes imediatistas de hoje.

MITO 4: “Foram as Cruzadas que ensinaram os muçulmanos a odiar e atacar os cristãos”.

Os muçulmanos já vinham atacando os cristãos continuamente fazia mais de 450 anos quando o papa Urbano reagiu declarando a Primeira Cruzada. Os muçulmanos não precisavam de “incentivo” algum para atacar a cristandade. De qualquer forma, a resposta para este mito é complexa.

A primeira história muçulmana sobre as Cruzadas só apareceu em 1899. O mundo muçulmano estava na época redescobrindo as Cruzadas, mas com um “toque” de modernidade ocidental. No período moderno, havia duas principais linhas europeias de pensamento sobre as Cruzadas. Uma delas, simbolizada por pessoas como Voltaire, Gibbon e Sir Walter Scott, além de Sir Steven Runciman no século XX, via os cruzados como bárbaros gananciosos e agressivos que atacavam os muçulmanos civilizados e amantes da paz. A outra linha via as Cruzadas como um episódio glorioso da longa batalha em que os cavaleiros cristãos detiveram o avanço das hordas muçulmanas.

Não foram as Cruzadas que ensinaram o Islão a odiar e atacar os cristãos. Foi o Ocidente laico que ensinou o islã a odiar uma visão parcial e manipulada das Cruzadas.

Aliás, esta é uma estranha tendência do nosso Ocidente moribundo: abastecer os nossos detractores com amplos motivos, inclusive falsos ou no mínimo parciais, para nos odiar...

Não acho necessário defender com veemência as Cruzadas, até porque há nelas muitas coisas profundamente lamentáveis, sem dúvida alguma. Mas o justo é o justo: também há nas Cruzadas muitos elementos que a agenda anti-católica não apenas não quer admitir, mas até procura esconder.

Aos laicistas e ateus que gostam de exclamar "Olhem quantos morreram em nome das guerras e da violência religiosa!", eu respondo: "Olhem também quantas pessoas foram assassinadas no século XX em nome de ideologias laicas e ateias". O historiador britânico Paul Johnson, em seu livro “Modern Times”, estima este número em nada menos que 100 milhões.

E por acaso isso justifica que uma única pessoa morra em decorrência de uma guerra religiosa? Não. É claro que não. Mas a violência, a guerra, a conquista e as disputas territoriais são problemas humanos, não necessariamente religiosos e não apenas religiosos.

(O artigo de Paulo Crawford pode ser lido na íntegra aqui: Four Myths about the Crusades)

in Aleteia


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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Papa Francisco, os jovens e os Bispos de Portugal

Os bispos portugueses estão neste momento em Roma para a visita ad limina apostolorum, isto é, aos túmulos dos Apóstolos.

É uma viagem que os bispos de todo o mundo fazem regularmente a Roma, especialmente para falarem com o Papa sobre as suas dioceses e receber dele os conselhos oportunos, mas também para visitarem os vários dicastérios da Cúria Romana.

No dia 7 de Setembro, foi o encontro dos Bispos com o Santo Padre. 

No discurso que o Papa fez aos Bispos portugueses foram ditas várias coisas. Mas é notável a sua insistência na relação da Igreja com os jovens em Portugal, que o Papa compreendeu que pode ser muito melhorada. Diz o Papa Francisco:
"A Igreja em Portugal precisa de jovens capazes de dar resposta a Deus que os chama, para voltar a haver famílias cristãs estáveis e fecundas, para voltar a haver consagrados e consagradas que trocam tudo pelo tesouro do Reino de Deus, para voltar a haver sacerdotes imolados com Cristo pelos seus irmãos e irmãs. Temos tantos jovens desocupados e o Reino dos Céus à míngua de operários e servidores… Deus não pode querer isto. Que se passa então? «É que ninguém nos contratou» (Mt 20, 7)."
Mas será que a Igreja em Portugal não tem pessoas que lidem com os jovens? O ponto é que tem, mas então qual é o problema? O Papa explica antes:
"Infelizmente o pensamento dominante actual, que vê o ser humano como aprendiz-criador de si mesmo e totalmente embriagado de liberdade, tem dificuldade em aceitar o conceito de vocação, no sentido alto de um chamamento que chega à pessoa vindo do Criador do seu próprio ser e vida. (...) Ao catequista e à comunidade inteira é pedido para passar do modelo escolar ao catecumenal: não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde."
No fundo é preciso que as pessoas que fazem apostolado (que devem ser todos os Cristãos), tenham um encontro pessoal com Jesus. Se a pessoa que fala de Cristo nem sequer O conhece, como pode apresentá-l'O aos outros?

E não chega conhecer a doutrina, como diz o Papa, é preciso vivê-la. Como pode um monitor de campos de férias que não vive a castidade no namoro falar aos rapazes que acompanha de liberdade de coração para amar a Deus?

Ou como se pode convencer os jovens a ir à Missa quando o comportamento da própria pessoa na celebração eucarística parece dar a entender que é tudo uma brincadeira? Se não há recolhimento e amor à liturgia bem celebrada, de acordo com as regras da Igreja, como vai algum jovem sequer perceber que naquele altar está o próprio Deus? Isto é verdade para os leigos como para os próprios sacerdotes:
"(...) alguns sacerdotes que, tentados pelo activismo pastoral, não cultivam a oração e a profundidade espiritual, essenciais para a evangelização; (...)"
A doutrina Católica só se percebe a fundo vivendo, não há outra maneira de saber o Catecismo. E isso exige uma exigência de vida. Como se tem visto por todo o mundo, são os grupos mais obedientes à Fé Católica e a toda a tradição da Igreja que têm atraído mais jovens. Um olhar atento verá que aí é que nascem as vocações.

Disse o Papa sobre os jovens:
"O seu Amigo de então, Jesus, também cresceu. (...)" 
"A proposta de Jesus tinha-os convencido; hoje a nossa proposta de Jesus não convence. (...)"
No entanto o Santo Padre disse que Portugal tem tudo para levar para a frente esta tarefa de evangelização:
"Não vos falta, amados Irmãos, zelo apostólico nem espírito de iniciativa para alcançardes este objectivo, com o emprego do esforço humano ligado à eficácia do auxílio divino. Jesus disse: «Quem crê em Mim também fará as obras que Eu realizo» (Jo 14, 12), (...)"
E, no fim, enviou a bênção para todos os portugueses:
"Depois desta visita ad Limina, retomai com empenho renovado o vosso caminho, levando a todos a certeza da minha fraterna solidariedade e empatia. (...) E não vos esqueçais de rezar por mim. Confirmo-vos o meu afecto fraterno e dou-vos a Bênção Apostólica, com a qual pretendo abraçar também os fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais."


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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Avé Maria

“A 'Avé Maria' é uma oração que jamais cansa.” S. João Maria Vianney, o Cura d'Ars

Avé Maria, cheia de graça, 
o Senhor é convosco, 
bendita sois vós entre as mulheres 
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. 
Santa Maria, Mãe de Deus, 
rogai por nós pecadores, 
agora e na hora da nossa morte. Ámen


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Nascimento da Mãe de Deus

Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina. Dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde. 
Perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios. 
Perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo. 
Perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação. 
Perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres. 
Perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. 
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz. 
Os discordes: para Senhora da Paz.
Os desencaminhados: para Senhora da Guia. 
Os cativos: para Senhora do Livramento. 
Os cercados: para Senhora da Vitória. 
Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho. 
Os navegantes: para Senhora da Boa Viagem. 
Os temerosos da sua fortuna: para Senhora do Bom Sucesso. 
Os desconfiados da vida: para Senhora da Boa Morte.
Os pecadores todos: para Senhora da Graça.
E todos os seus devotos: para Senhora da Glória. 
E se todas estas vozes se unirem numa só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus. 

Pe. António Vieira in Sermão do Nascimento da Mãe de Deus



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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quem defende a doutrina é visto como adversário do Papa

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, deu uma entrevista ao Die Tagespost na qual explicou que a doutrina católica acerca do casamento não pode mudar. O Cardeal Müller denunciou ainda o movimento que existe para rebaixar as Verdades reveladas a simples critérios humanos e a tentativa de associar o Papa Francisco a esse grave erro:

"Não podemos enganar as pessoas acerca da sacramentalidade do matrimónio, da sua indissolubilidade, da sua abertura aos filhos e da complementaridade fundamental entre ambos os sexos. A ajuda pastoral não deve perder de vista a salvação eterna."

"Tenta-se por todos os meios - exegese, história, dogmática, psicologia e sociologia - desconstruir e relativizar a doutrina católica sobre o matrimónio que deriva do Magistério de Jesus, com o propósito que a Igreja se pareça mais com a sociedade.

Todo aquele que permanece fiel à doutrina da Igreja é atacado publicamente e caluniado como adversário do Papa, como se o Papa, juntamente com os bispos em comunhão com ele, não fossem testemunhas da Verdade revelada, a mesma que lhes foi confiada para que a administrassem com fidelidade, a fim que não pudesse ser rebaixada pelos homens à medida humana."


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Atraente e vestida com decoro

A jovem desenhadora inglesa Helena Machin aconselha: "Se queres ser tratada como uma senhora, veste-te como uma senhora"
Helena Machin é uma jovem desenhadora inglesa de 30 anos de idade que trabalha para clientes importantes em Londres. Depois da morte do irmão e no meio de uma cultura que facilmente coisifica a mulher, decidiu ajudá-las a vestir de modo atraente e com decoro.

Machin sofreu a perda do irmão James há 3 anos, vítima de cancro. Essa morte e a aproximação à Igreja motivaram-na a dar um novo rumo à trajectória profissional como desenhadora.

"Quero investir parte do meu tempo na nova geração. Quero ajudá-las a abraçar a feminidade com roupa decorosa e atraente, pois assim podem alcançar todo o potencial que Deus lhes deu", comenta. 

Sobre o irmão, Helena recorda-o como "alguém que serviu outros, mostrando-lhes o caminho para Cristo com o bom exemplo e o bom humor. Conseguiu, além do mais, que muitos voltassem à fé".

Uma das actividades recentes de Helena foi uma conferência em que explicou as diferentes silhuetas do corpo da mulher e a forma de vestir adequada a cada uma.

Na opinião de Amy Mulvenna, de 23 anos, estudante de crítica de arte, "a maneira como Helena se refere à feminidade procura a relação positiva entre o vestir e a personalidade pessoal".

"Acho que estamos tão esmagados pelas revistas mais famosas que é importante não esquecer cada uma de nós deve apresentar-se com respeito. Revalorizar esse equilíbrio dá mais consistência e mais credibilidade à mulher", acrescentou.

Para Emily Green, aluna da escola de gestão do King's College em Londres, o trabalho deHelena "redefine os papéis e a diferença entre homens e mulheres. As mulheres tornaram-se muito masculinas para se integrarem no mundo laboral. Isso confunde os homens e torna-os mais violentos, quando isso é precisamente uma coisa que as mulheres não querem nem esperam".

"Fascina-me o estilo de desenho da Helena", acrescenta e destaca que "todas queremos reconhecimento social e algumas vezes as mulheres vestem-se para agradar, e não se apercebem de que isso infunde menos respeito. Se uma pessoa não se respeita a si mesma não pode esperar respeito dos outros."

"Vim porque queria ter ideias para me vestir melhor", conta Vicky Weissmann, estudante de medicina. "Se estivermos confortáveis com o que usamos então teremos maior confiança. Além disso, acho que é uma cortesia para com os outros o vestir-se bem".

Helena, que se aproximou do Opus Dei e decidiu viver a sua vida cristã santificando o trabalho, começou uma série de projectos, entre os quais um curso intensivo no Baytree Centre de Londres para jovens dos 14 aos 18 anos. Tem programadas também um conjunto de conferências em universidades e escolas.

Helena deixa um conselho final: "Se queres ser tratada como uma senhora, veste-te como uma senhora".

in acidigital



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domingo, 6 de setembro de 2015

A Europa laica e a crise dos refugiados: um comentário

Estás morta, Europa laica? Retiraste o cristianismo da Constituição, não foi?
Já não és cristã, pois não? Andaste ocupada a retirar crucifixos das escolas e dos tribunais. Vigias os políticos que se atrevem a trazer a sua fé cristã para a praça pública. Tens vergonha do teu cristianismo, Europa laica? Pois agora tens crianças cristãs mortas a dar à costa... Crianças que, com os seus pais, fogem de fanáticos assassinos que tu não queres combater, porque não vês vantagem económica em o fazer, nem queres tomar partidos em "guerras religiosas".

Enquanto os refugiados fogem do ISIS na Síria e no Iraque e tentam chegar às tuas praias, tu financias as mesquitas nas quais se radicaliza a nova juventude fanática. Fecham-se igrejas. Abrem-se mesquitas. Treinas o fanático europeu, que depois vai combater para a Síria, e que por sua vez vai empurrar mais refugiados para as tuas praias. E que um dia voltará a casa para matar em casa.
Agora que os refugiados batem à porta, Europa laica, vais-te apressar a construir muros, barricadas, vais fazer reuniões, plenários, debates, leis para evitar que eles entrem. Vais dizer que é da crise. Que não dá para todos...
Pobre Europa laica...
Retiraste o cristianismo da Constituição, não foi? Já não és cristã, pois não? É que se vê bem que já não és cristã!

Pois terás que um dia prestar contas.
Ao ver esta criança morta na praia, vejo que se aplicam a ti, Europa laica, as palavras que o Senhor disse a Caim:

O SENHOR replicou: «Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim. De futuro, serás amaldiçoado pela terra, que, por causa de ti, abriu a boca para beber o sangue do teu irmão. Quando a cultivares, não voltará a dar-te os seus frutos. Serás vagabundo e fugitivo sobre a terra.»

Bernardo Motta 

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sábado, 5 de setembro de 2015

Reclusos constroem trono para o Papa

O trono onde se sentará o Papa Francisco em Filadélfia, durante a viagem apostólica aos Estados Unidos da América que começa no próximo dia 24 de Setembro, foi construído numa das seis prisões estaduais de Filadélfia.

Será nessa cidade que nos dias 26 e 27 de Setembro o Papa participará no Encontro Mundial de Famílias, que juntará muitos milhares de famílias católicas ao Sumo Pontífice. Este encontro decorrerá poucos dias antes de começar o Sínodo sobre a Família, no Vaticano.


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Em Harvard... quando Madre Teresa encontrou Tennessee Williams

Inesperadamente abençoado: Um encontro com Madre Teresa de Calcutá

Tennesse Williams, um dos maiores escritores de teatro americano e autor de Um Eléctrico Chamado Desejo e Gata em Telhado de Zinco Quente, fazia parte de um grupo de 11 pessoas a quem foram atribuídos doutoramentos honoris causa nas cerimónias de graduação em Harvard em 1982.
Tennessee Williams
Entre os distinguidos estava a Madre Teresa de Calcutá, vencedora do Prémio Nobel da paz. Robert Kiely, actualmente professor jubilado de inglês e durante 26 anos, até 1999, superior da Adams House de Harvard, estava encarregue de acompanhar Williams durante as cerimónias académicas.

Na segunda parte das memórias dos seus anos como Master de Adams, recentemente publicadas pela revista online The Gold Coaster dos antigos alunos da casa, Robert Kiely revela este episódio que testemunhou:
«No jantar de gala para os homenageados na véspera das cerimónias de graduação, Williams (um homem baixo e tímido) estava nervoso e um pouco impressionado com a formalidade de Harvard, mas depois da sobremesa e de algum vinho, quando um grupo de estudantes entrou para cantar, ele sorriu e, mais descontraído, pegou na minha mão e na da senhora de idade que estava ao lado dele, dizendo (ao jeito de uma das suas personagens): “Apenas quero estar rodeado de belas pessoas”. 

Na manhã seguinte, quando fui ter com ele à Johnston Gate para o cortejo académico, parecia outra vez ansioso, porque vestia um casaco desportivo, não tinha traje académico e sentia-se deslocado em Harvard. Tentei sossegá-lo mas ele ficou ainda mais tenso quando nos disseram para entrar no Massachusetts Hall onde os homenageados assinariam um livro de honra.

Dentro da sala de recepções, um verdadeiro rodopio de trajes vermelhos e gente “importante” em pé e a conversar, como se num cocktail académico. Pensei que Williams estaria a ponto de bater em retirada quando ele e eu vimos duas freiras muito pequenas (ignoradas por toda a gente) sentadas num sofá do outro lado da sala a rezar o Rosário. “Meu Deus!”, sussurrou Williams, agarrando o meu braço, “é a Madre Teresa!” 

Eu tinha feito parte da comissão dos graus honorários e sabia que ela viria, apesar de não ter estado presente no jantar. Tennesse (naquela fase já era “Tennessee” para mim) pediu-me: “Pode apresentar-nos?” Respondi-lhe que não a conhecia, mas “Sim, claro” isso é o que é suposto os Masters fazerem: apresentarem toda a gente a todos os outros. E assim atravessámos a multidão de cor encarnada e eu – na mais insólita apresentação que jamais fiz – disse respeitosamente à minúscula e enrugada freira, “Madre Teresa, este é Tennessee Williams”. Ela ergueu o olhar amavelmente, obviamente sem fazer ideia de quem fosse Tennessee Williams. E então algo extraordinário aconteceu que eu tenho quase a certeza absoluta de que mais ninguém naquela sala se apercebeu. Tennessee caíu de joelhos e pôs a cabeça no colo dela. E ela acariciou a cabeça dele e abençoou-o. Depois disso e durante todo o resto do dia, ele resplandecia.

Durante o cortejo, disse-me, “Agora sei por que vim a Harvard”. (E eu tenho para mim que isso foi um factor decisivo para ele deixar parte do seu espólio à Houghton Library)»

in Harvard Magazine


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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Alguém transexual pode ser padrinho ou madrinha de baptismo?

O Bispo espanhol de Cádiz e Ceuta, Msgr. Rafael Zornoza, foi muito perseguido por ter caridosamente dito que uma mulher transexual, que agora se afirma homem, não podia ser 'padrinho' do seu sobrinho.
Na verdade, a meio de Agosto, os próprios meios de comunicação social começaram a dizer que Msgr. Zornoza tinha mudado a sua opinião e iria aceitar tal pedido. Para esclarecer tudo, o Bispo de Cádiz consultou a Congregação para a Doutrina da Fé e, uma vez recebida a resposta, encerrou o assunto com um comunicado escrito para a diocese há três dias. Apresentamos em baixo o comunicado do senhor Bispo Rafael Zornoza traduzido para português. Os negritos são do blog Senza.

Comunicado de Msgr. Rafael Zornoza
Relativamente às declarações que apareceram em diferente meios sobre a negação ou aceitação como padrinho de baptismo de uma pessoa que se apresente como transexual, tenho o dever pastoral de manifestar pública e definitivamente o seguinte: os padrinhos do Sacramento do Baptismo assumem, diante de Deus e da sua Igreja e em relação ao baptizado, o dever de cooperar com os pais na sua formação cristã, procurando que leve uma vida em coerência com a fé baptismal e cumpra fielmente as obrigações inerentes.
Tendo em conta este responsabilidade, o Catecismo da Igreja Católica pede que os padrinhos sejam "fiéis sólidos, capazes e disponíveis para ajudar o novo neófito ... no seu caminho de vida cristã" (CIC, n.1225). Por tudo isso, a lei da Igreja, por ser uma função eclesial, exige, entre outras condições, que só seja admitido como padrinho ou madrinha quem tenha capacidade para assumir seriamente estas responsabilidade e leve um comportamento coerente com elas. (cf. can. 874 §1, 3).
Se não for possível encontrar uma pessoa que reúna as qualidades necessárias, o pároco pode conferir o Baptismo sem padrinhos, que não são necessários para celebrar este Sacramento. Perante a confusão provocada entre alguns fiéis, ao terem-me sido atribuídas palavras que não pronunciei, e pela complexidade e relevância mediática alcançada por este assunto, tendo em conta as possíveis consequências pastorais de qualquer decisão a este respeito, efectuei uma consulta formal à Congregação para a Doutrina da Fé, cuja resposta foi:
"Sobre esta questão particular comunico-lhe a impossibilidade de que seja admitido. O próprio comportamento transexual revela de maneira pública uma atitude oposta à exigência moral de resolver o próprio problema de identidade sexual segundo a verdade do próprio sexo. Por isso, é evidente que esta pessoa não possui o requisito de levar uma vida conforme a fé e o cargo de padrinho (can 874 §3), não podendo portanto ser admitio ao cargo nem de madrinha nem de padrinho. Não se vê nisto uma discriminação, mas somente o reconhecimento de uma falta objectiva dos requisitos que por sua natureza são necessários para assumir a responsabilidade eclesial de ser padrinho."
Com efeito, o Papa Francisco afirmou em várias ocasiões, em continuidade com o Magistério da Igreja, que esta conduta é contrária à natureza do homem. Na sua última encíclica, acaba de escrever: 
"A ecologia humana implica também algo de muito profundo que é indispensável para se poder criar um ambiente mais dignificante: a relação necessária da vida do ser humano com a lei moral inscrita na sua própria natureza. 
Bento XVI dizia que existe uma «ecologia do homem», porque «também o homem possui uma natureza, que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece».[120] Nesta linha, é preciso reconhecer que o nosso corpo nos põe em relação directa com o meio ambiente e com os outros seres vivos. A aceitação do próprio corpo como dom de Deus é necessária para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum; pelo contrário, uma lógica de domínio sobre o próprio corpo transforma-se numa lógica, por vezes subtil, de domínio sobre a criação. Aprender a aceitar o próprio corpo, a cuidar dele e a respeitar os seus significados é essencial para uma verdadeira ecologia humana. Também é necessário ter apreço pelo próprio corpo na sua feminilidade ou masculinidade, para se poder reconhecer a si mesmo no encontro com o outro que é diferente. Assim, é possível aceitar com alegria o dom específico do outro ou da outra, obra de Deus criador, e enriquecer-se mutuamente.
Portanto, não é salutar um comportamento que pretenda «cancelar a diferença sexual, porque já não sabe confrontar-se com ela»." (Laudato si, 155)
Por este motivo, fez-se saber aos interessados que não se pôde aceitar a sua solicitude. A Igreja acolhe todas as pessoas com caridade, querendo ajudar cada um na sua situação com entranhas de misericórdia, mas sem negar a verdade que prega, que propõe a todos como um caminho de fé para ser livremente acolhida.


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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Papa Francisco disse que abortar vai deixar de ser pecado?

Não. Ao contrário do que muitos jornalistas, e não só, afirmaram nas últimas 24 horas, o Papa Francisco não vai mudar rigorosamente nada na condenação justa que a Igreja faz, e sempre fez, ao crime hediondo do aborto.

A Igreja considera o aborto um acto tão grave que quem o faça por vontade própria, e quem nele colabore formalmente, fica automaticamente excomungado (latae sententiae). A excomunhão implica que a pessoa fica fora da Igreja, proibida de frequentar os Sacramentos, e acontece para que tenha consciência da gravidade do acto que cometeu, que se arrependa e peça perdão a Deus e à Igreja, voltando assim à comunhão.

O aborto tem como consequência a excomunhão, o que não acontece com outro tipo de homicídio, porque a vítima se encontra na fase mais frágil da sua vida, totalmente dependente da sua Mãe (directamente) e do seu Pai (indirectamente). Além disso o homicídio encontra-se condenado na legislação da esmagadora maioria dos países, ao passo que o aborto é livre em muitos deles.

Como a pessoa que abortou, ou colaborou no aborto, está excomungada não pode receber nenhum sacramento. Por isso, mesmo que se arrependa, não basta confessar-se para que o pecado lhe seja perdoado. É preciso que a pena de excomunhão lhe seja levantada e isso só pode ser feito pelo Bispo local ou pelos sacerdotes aos quais o Bispo conferir essa faculdade.

Além desses sacerdotes com mandato do Bispo, alguns sacerdotes religiosos (por exemplo franciscanos e jesuítas) têm a possibilidade permanente de perdoar o pecado do aborto.

O que o Papa Francisco fez foi conceder essa faculdade a todos os sacerdotes, durante o Ano da Misericórdia, que começa no próximo dia 8 de Dezembro. Sendo assim, durante esse ano, qualquer sacerdote poderá perdoar uma pessoa que, depois de fazer um aborto, se tenha arrependido e se comprometa a não voltar a pecar, como acontece quando se confessa qualquer outro pecado.

Como se pode ver não existe nenhuma mudança na doutrina, nem redução da condenação do aborto nem indulgências sem necessidade de arrependimento para quem abortar.

Vale a pena ler o que realmente diz o Papa sobre a falta da sensibilidade em relação ao que é abortar e as feridas profundas que o aborto provoca nas almas das mulheres que o fazem.

“Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. 

Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança. 

O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai. Também por este motivo, não obstante qualquer disposição em contrário, decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado.” (Carta do Papa Francisco com a qual se concede indulgência por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia)

João Silveira


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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cardeal Sarah: Confio que a África salvará a Igreja e a família

O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos esteve em Benin, na peregrinação anual a Nossa Senhora de Arigbo, uma cópia da gruta de Lourdes onde vão também milhares de cidadãos de Togo, Nigéria e Burkina Faso.
No aeroporto, o Cardeal Sarah, em resposta a jornalistas locais, declarou:
«Confio absolutamente na cultura africana; confio absolutamente na fé de África e estou certo de que a África vai salvar a família, que a África salvará a Igreja. Assim como África salvou a Sagrada Família também agora, nesta época moderna, salvará a família humana.»
Notem que ele não está apenas a falar ao seu povo, pois é Cardeal de toda a Igreja.
Estas declarções contrastam com outras do Cardeal Kasper, que no ano passado chegou a sugerir que o melhor católico africano é o africano calado. Os discípulos de Kasper têm tanto medo que já passaram ao ataque. O Fundo Católico Suíço Quaresmal (Fasternopfer) aliou-se à associação homossexual Fundação Arcus para tentar silenciar os bispos africanos durante a segunda parte do Sínodo da Família de Outubro.
Dizem expressamente que querem reagir:
«à influência extremamente negativa dos bispos da África Ocidental no documento final do Sínodo da Família 2014, considerando importante apresentar as vozes dos católicos LGBT desta região para ganhar uma maior atenção.»
Para isso utilizaram o European Forum of LGBT Christian Groups  – um fórum europeu de grupos cristãos LGBT - para onde estão enviando fundos para a produção de um documentário contra os bispos africanos e o ensinamento da Igreja e documentos de apoio e actividades de lobby.

Se calhar é por acaso, mas o presidente do conselho do Fasternopfer é o bispo de Basileia, Msgr. Gmur, que foi um dos participantes do tão falado «Sínodo Sombra».
Talvez seja melhor seguir o conselho do Primado da Irlanda, Msgr. Martin, que na novena nacional de Nossa Senhora de Knock convidou a rezar o Terço todos os dias nos 50 dias que faltam para o Sínodo.

adaptado de De Lapsis (blog de Info Catolica)


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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

sábado, 29 de agosto de 2015

O Summorum Pontificum nos Estados Unidos

Mons. Slattery visita a paróquia do Pe. Davison

1 – É difícil encontrar melhores palavras do que as do Pe. Timothy Davison para expressar a atracção que a missa tradicional exerce sobre um tão grande número de sacerdotes: “feitos” para celebrarem o santo sacrifício, os sacerdotes, no seio da liturgia nova, acabam por se sentir sem rito – no sentido mais nobre do termo, segundo o qual ele é expressão visível e invisível desse acontecimento sagrado de que, no altar, eles são ministros. O Pe. Tim diz-nos ainda, como o faz um grande número de sacerdotes diocesanos que começaram a celebrar segundo o rito tradicional, que a atracão da forma extraordinária é contagiosa: os outros sacerdotes vêem a alegria de quem a celebra e os frutos que daí se retira, e vem-lhes a vontade de os imitar.


2 – De acordo com o Pe. Tim, desde 2007 e da publicação do Summorum Pontificum, houve já 2000 sacerdotes americanos que antes só celebravam na forma ordinária, entretanto também já aprenderam a celebrar na forma extraordinária. Não é possível louvar o suficiente a importância do Motu Proprio de Bento XVI no que diz respeito ao lento mas profundo movimento que ele pôs em marcha. Cabe também sublinhar o papel notável desempenhado pelas comunidades com capacidade de levarem a cabo uma pedagogia litúrgica, neste caso a dos Cónegos da São João de Câncio e da Fraternidade de S. Pedro (mas nos Estados Unidos, podíamos ainda citar o Instituto de Cristo-Rei e os mosteiros tradicionais). É bem sabido como são importantes, em todo o processo de educação restauradora, este tipo de apoios.

3 – O bispo do Pe. Davison, Mons. Edward Slattery, mostrou ser particularmente acolhedor. Convém lembrar que a situação nos Estados Unidos é bem diferente da que se vive no velho continente, e em especial da que se vive em França e em Portugal, já que nos Estados Unidos não é a ideologia que impera. Enquanto que na Europa – descrita há pouco tempo pelo Papa Francisco como uma periferia envelhecida já sem sacerdotes e sem religiosas (2) –, muitos bispos preferem ver diminuir, cada ano que passa, o número de vocações e o número de fiéis, em vez de abrirem o seu coração e as suas igrejas à forma extraordinária, já do outro lado do Atlântico, a maioria dos bispos, mesmo os que não são ligados à tradição, mostram uma atitude pragmática, e por isso, vendo que a liturgia tradicional atrai os fiéis e gera novas vocações, não hesitam em dar-lhe um espaço adequado para que se possa desenvolver, e nem sequer o fazem de má cara. Que bom exemplo!

4 – A respeito dessa paz paroquial que nos é descrita pelo Pe. Tim, fica claro que ela vem, em primeiro lugar, da paz litúrgica que enche o coração deste pároco. Sem dúvida que, estando assim as coisas, não tem de lidar com esses comités de leigos transformados em “clérigos substitutos” que se encontram em redor da nova liturgia. Resta pois sublinhar a naturalidade com que, desta maneira, a forma tradicional readquire o seu lugar próprio na vida da Igreja, da qual, em certo sentido, esta pequena paróquia do Oklahoma constitui um microcosmos.

(1) Dom Mark Kirby é o prior do mosteiro de Nossa Senhora do Cenáculo, que se dedica à adoração perpétua do Santíssimo Sacramento. Erigido a princípio na Diocese de Tulsa logo depois do Ano da Eucaristia instituído por João Paulo II (2004-2005), ele encontra-se agora em Silverstream, no condado de Meath, na Irlanda. A liturgia ordinária do mosteiro segue a forma extraordinária.

(2) Por ocasião do encontro com os novos bispos de Propaganda Fide, a 20 de Setembro de 2014.

in Paix Liturgique


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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Todos os homens querem ser felizes - Santo Agostinho

Todos os homens querem ser felizes; não há ninguém que não o queira, e com tanta intensidade que o deseja acima de tudo. Melhor ainda: tudo o que querem para além disso querem-no para isso. Os homens perseguem paixões diferentes, um esta, outro aquela; também existem muitas maneiras de ganhar a vida neste mundo: cada um escolhe a sua profissão e exerce-a. Mas quer adoptem este ou aquele género de vida, todos os homens agem nesta vida para serem felizes. O que há então nesta vida capaz de nos fazer felizes, que todos desejam mas que nem todos alcançam? Procuremo-lo.

Se eu perguntar a alguém: «Queres viver?», ninguém se sentiria tentado a responder-me: «Não quero». Do mesmo modo, se eu perguntar: «Queres ser saudável?», ninguém me responderá: «Não quero». A saúde é um bem precioso aos olhos do rico e, para o pobre, ela é muitas vezes o único bem que ele possui. Todos concordam no amor pela vida e pela saúde. Ora quando o homem desfruta da vida e é saudável, poderá contentar-se com isso?

Um homem rico perguntou ao Senhor: «Mestre, que devo fazer para ter a vida eterna?» (Mc 10, 17) Ele temia morrer e era forçado a morrer. Ele sabia que uma vida de dor e de tormentos não é vida, e que se lhe deveria antes dar o nome de morte. Apenas a vida eterna pode ser feliz. A saúde e a vida neste mundo não a garantem, tememos demasiado perdê-las: chamai a isto «temer sempre» e não «viver sempre». Se a nossa vida não é eterna, se não satisfaz eternamente os nossos desejos, não pode ser feliz, nem sequer é vida. Quando entrarmos nessa vida, teremos a certeza de aí ficar para sempre. Teremos a certeza de possuir eternamente a verdadeira vida sem qualquer temor, pois encontrar-nos-emos naquele Reino sobre o qual se diz: «E o Seu reino não terá fim» (Lc 1, 33).

in Sermão 306


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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Aprenderemos a servir - Beata Teresa de Calcutá

Seja o que for que fizeres, nem que seja ajudar alguém a atravessar a rua, é a Jesus que o fazes. Dás um copo de água, e é a Jesus que o dás (Mt 25, 35) – pequeno preceito de nada, mas crucial, sempre mais esclarecedor. Não devemos temer o amor de Cristo, amar como Ele amou. Pouco importa que o nosso trabalho seja modesto, humilde; façamo-lo com o amor do próprio Cristo.

Por mais belo que possa ser o teu trabalho, permanece desapegado, sempre pronto a renunciares a ele. O que tu fazes não é teu. Os talentos que Deus te deu não são teus; foram-te dados para os usares para a glória de Deus. Sê generoso e leva a efeito tudo o que tens em ti para agradar ao bom Mestre.

Que temos de aprender? A ser mansos e humildes (Mt 11,29); se nos tornarmos mansos e humildes, aprenderemos a rezar; e aprendendo-o, pertenceremos a Jesus; e pertencendo-Lhe, aprenderemos a acreditar; e acreditando, aprenderemos a amar; e amando, aprenderemos a servir.

in Não há amor maior ('No Greater Love')


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