domingo, 13 de dezembro de 2015

Médico recomenda uma noite por semana à luz da vela

Entrevista ao Psiquiatra Pedro Afonso sobre o seu livro 'Quando a mente adoece', no qual olha com preocupação para “o endeusamento do trabalho” e defende que as escolas deveriam ter nos seus programas horas dedicadas ao voluntariado, para ensinar a empatia desde cedo. 

Tudo começou num dia em que a electricidade faltou. Nessa noite não houve Internet, televisão, Playstation. Pais e filhos passaram o serão em redor de uma vela. Conversaram, contaram histórias e o tempo passou. A partir desse dia, a família passou a ter uma vez por semana uma noite sem luz. O psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa Pedro Afonso ouviu contar esta experiência a um conhecido e, no seu livro 'Quando a mente adoece', transforma "uma noite por semana à luz da vela” em "prescrição médica".

Prescrever a abstinência tecnológica durante uma noite por semana pode ser visto como “uma provocação”, ou um conselho literal, mas o que Pedro Afonso pretende é que seja sobretudo uma chamada de atenção contra o que chama hora do “(des)encontro” familiar, com os “jantares de tabuleiro” ou “jantares self service”, em que os vários membros das famílias terminam os seus dias “sequestrados pelos vários ecrãs”.

No capítulo onde inclui dicas para “melhorar a saúde mental”, convida “a uma espécie de autodisciplina”, em que, em família, se deve fazer por criar regularmente um ambiente de diálogo que potencie a partilha dos “pequenos acontecimentos do dia, os momentos maus, bons, as dúvidas, os desejos e as frustrações que aconteceram num espaço de um dia". "Assim se constrói intimidade”, diz.

Em sua casa, com os seus filhos, há um cestinho onde todos os telemóveis são colocados a seguir ao jantar, porque se constata que, até de luz apagada, os mais novos ficavam a trocar mensagens até altas horas da noite. "O cérebro precisa de descansar. Há uma altura a partir da qual é preciso desligar”, avisa.

O livro 'Quando a Mente Adoece' - uma introdução à psiquiatria e à saúde mental (editado pela Principia) - pretende explicar, com linguagem simples, quais os vários tipos de perturbações mentais que existem. O último capítulo é dedicado a mapear as muitas mudanças que as novas tecnologias trouxeram à vida social e como estas representam, muitas vezes, ameaças à saúde mental.

“Temos de nos encontrar um dia destes”. É uma frase costumeira que se ouve cada vez mais, nota o psiquiatra, normalmente no final de um telefonema, mas o encontro vai sendo uma promessa adiada. “Aceitamos amizades por telemóvel. Raramente nos visitamos e tendemos a aceitar isso com condescendência (...) Nada substitui a presença (...) O telemóvel é pobre. Esquecemo-nos das chamadas que fizemos durante a semana, lembramo-nos dos encontros, que envolvem a comunicação não verbal, que fica mais tempo na memória e tem mais impacto”.

“Há pessoas que comunicam quase exclusivamente por via electrónica, o presencial vai desaparecendo, para se tornar residual”, repara ainda Pedro Afonso acrescentando que "telefonar ou mandar um sms quando algum amigo está a passar por um momento difícil" alivia a consciência. "Racionalizamos assim as nossas ausências com a falta de tempo”. Ora, defende o psiquiatra, este tipo de amizades apenas à distância têm “pouca vitalidade e por vezes parecem estar em estado de coma, uma vez que só se mantêm vivas por estar ligadas à máquina: ou seja, permanecem ligadas ao computador ou ao telemóvel.”

Pedro Afonso aborda também a questão das redes sociais e a necessidade do seu uso “com equilíbrio e parcimónia”. Chama-lhe um mundo onde se pratica “uma comunicação pouco espessa”. Como psiquiatra conhece os dois lados da moeda, do mundo rosa do que se posta na Internet, e dos problemas e fracassos que ficam de fora. “O Facebook é uma fábrica de ilusões. Como psiquiatra tenho oportunidade de conhecer dois lados que não se conjugam. Há pessoas com depressões e problemas sociais graves escondidos numa vida de aparência”, nota. “Há uma busca da auto-valorização e uma necessidade exibicionista de atenção e admiração”, escreve.

A advogada que saía cedo

Outra das ameaças à saúde mental vem do que chama “o endeusamento do trabalho” e, no livro, conta a história de uma competente jovem advogada que começou a sair do escritório às 19h, para estar com o filho mais pequeno, que ia para cama às 21h30. Foi chamada à chefia por se ter criado desconforto por andar a sair “tão cedo”. A advogada tinha quebrado a regra de estar no escritório 12 horas por dia. Ela respondeu que tinha a mesma produtividade que os colegas, mas que queria estar com o filho e vê-lo crescer. O chefe respondeu: “tem razão, mas para acabar com os falatórios envie de vez em quando um email para o escritório por volta das 22h-23h, assim pelo menos dá a ideia de que continua a trabalhar a partir de casa.”

Pedro Afonso diz que é recorrente ouvir a ideia de que não interessa a quantidade mas a qualidade do tempo que se passa com os filhos mas alerta que isso não é verdade. “Torna-se impossível estabelecer uma relação equilibrada entre o trabalho e a família quando se trabalha 10 a 12 horas”. Depois, preconiza, é preciso combater a ideia de que “presença prolongada no local de trabalho é igual a produtividade e compromisso laboral”, uma vez que “a produtividade cai com o cansaço, pois a nossa capacidade de concentração é limitada”.

E que é preciso que os empregadores percebam que esta sobrevalorização do trabalho, que é transversal aos vários níveis nas empresas, ainda mais quando paira “o fantasma do desemprego”, “tem um impacto enorme na vida das pessoas, conduzindo a alterações depressivas”. “A nossa energia e tempo é limitado, se alocamos tudo ao trabalho não resta mais nada. Nós temos de ter lazer, tempo de não fazer nada”. “Um dos erros é considerar normal trabalhar durante 10 a 12 horas”. “Se o trabalho impede a conciliação com a vida familiar, não devemos mudar de família mas de emprego.”

Do psiquiatra para o Sacerdote

Para os mais novos, o médico defende no seu livro que o voluntariado – ressalvando que não deve ser confundido com "um acto isolado, com contornos folclóricos ou um gesto de caridade" – devia ser ensinado nas escolas através de acções concretas. Na opinião do psiquiatra, “seria importante incluir nos programas escolares um número de horas dedicadas ao trabalho de voluntariado em instituições de solidariedade social”.

Esta seria uma forma de “criar empatia e ensinar as crianças a colocarem-se no lugar do outro”. Pedro Afonso diz que quando se ouve na boca dos políticos expressões como “os mais pobres, os mais desfavorecidos, parecem palavras desligadas do real, proferidas mecânicamente”. ”Só conseguimos ajudar se criarmos empatia. Isso aprende-se. Faz parte da formação humana”. E deve começar cedo.

“O que noto é que as pessoas com maior robustez psíquica sãs as que fazem voluntariado e que sempre o fizeram. Dá saúde mental fazer voluntariado”. Assim como se passam horas no ginásio, diz, deve haver um “ginásio de solidariedade desde novos e depois manter esses hábitos”.

O psiquiatra termina o livro abordando as limitações da psiquiatria. Fala de pessoas que vão bater à porta do psiquiatra mas às quais os médicos devem, com humildade, dizer que não podem ajudar. Chegam-lhe com “crises existenciais, às quais não cabe à psiquiatria, nem tão pouco a psicanálise, dar resposta”, pessoas que “vão avançando na sua vida e que não têm sentido para a vida". Há na vida “sofrimento saudável” que não deve ser atenuado com antidepressivos, afirma.

Se nota que já há sacerdotes mais sensibilizados para as questões da saúde mental e que do confessionário encaminham para o psiquiatra, também há questões “existenciais” que pertencem mais ao mundo da religião e da filosofia do que à medicina, porque é muitas vezes “de ajuda espiritual e não psíquica que as pessoas andam à procura”. “Muitos pedidos de ajuda que são dirigidos actualmente ao psiquiatra seriam melhor direccionados a um sacerdote.

in Público


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Aldina conseguiu libertar-se do demónio

Aldina tinha uma vida de luxo e uma carreira sólida, mas sentia-se vazia. Durante 10 anos, procurou respostas e um sentido para a vida em médiuns, terreiros e astrólogos – o que, acredita, abriu as portas ao demónio. Aos 33 anos, viveu um autêntico filme de terror e foi diagnosticada com esquizofrenia, mas só os exorcismos a curaram.

Aldina ficou assustada. Da terceira vez que foi ao terreiro e a seguir a um ritual, os médiuns começaram a incorporar espíritos. Naquele dia, os homens estavam vestidos de dráculas e as mulheres de prostitutas. Fumava-se e bebia-se muito. Tudo diferente da primeira vez, em que os mesmos médiuns apareceram vestidos de branco e o ambiente “parecia encantador”. No momento em que quis ir embora para não voltar mais, uma força sobrenatural empurrou-a contra uma parede. “Voei, não sei como aconteceu.” 

Aldina nunca teve razões para se queixar da vida. Construiu uma carreira sólida como designer de moda e chegou a gerir equipas de design em empresas de renome. Ia a festas, viajava pelo mundo inteiro, tinha amigos em toda a parte, frequentava os melhores ginásios e os melhores restaurantes. Gastava toneladas de dinheiro em roupa e maquilhagem. “Vivia a vida intensamente.” Mas, ao final do dia, depois das festas e dos copos, era o vazio. “Achava ter tudo e, afinal, não tinha nada.” 

Durante 10 anos tentou encontrar-se em todo o tipo de espiritualidades para fugir ao vazio. Fez ioga e reiki e, pelo meio, passou pelo consultório de dezenas de médiuns, astrólogos e cartomantes. Entrou em centros espíritas e terreiros. Era baptizada, dizia-se “católica não praticante”, mas não sabia que a Igreja proíbe essas práticas. Tinha fé e acreditava em Deus. Talvez por isso, e no meio da procura pelo sentido da vida, rejeitou sempre tudo o que estivesse ligado ao satanismo. “Nunca me meti em magia negra porque isso chocava com a minha ideia de bem e de fé, mas o resto achava inofensivo e até considerava que era divino e compatível com o meu catolicismo. Não via mal nenhum nas coisas.” 

A certa altura, frequentou um centro espírita durante meses – um pavilhão onde, uma vez por semana, se reuniam centenas de pessoas e trabalhavam dezenas de médiuns, entre eles médicos, professores e enfermeiros. Gente instruída e de classes sociais elevadas. Ali, misturavam-se imagens católicas, de Jesus e de santos, e elementos “estranhos e supersticiosos”. E não se pagava nada. “A maioria das pessoas considerava-se católica, como eu”, recorda Aldina. 

Com o tempo, foi acumulando livros nas estantes. “Como gosto de ler e de estudar, comprava tudo sobre ocultismo e espiritualidade.” Chegou a ter mais de 70 obras em casa, a maioria sobre filosofias ligadas ao movimento Nova Era – criado nos anos 1960 e que funde teologia, metafísica oriental e crenças espiritualistas. Muitas das videntes que consultou eram charlatãs e isso tornou-se evidente logo na primeira consulta. Outras, porém, conseguiram seduzi-la: “Tocavam em pontos chave da minha vida ou descreviam acontecimentos passados que só eu sabia.” 

A procura pelo sobrenatural acentuou-se com a morte do pai. Queria saber se ele estava em paz. Uma das videntes dizia falar por ele e imitava características da voz e gestos na perfeição. 

Sinais do demónio Em Agosto de 2010, poucos dias depois de fazer 33 anos e a seguir a um curso ligado à Nova Era, Aldina teve a primeira perturbação diabólica: sentiu uma presença constante e forte. De noite, não dormia com medo e, de dia, era perseguida por um peso “extraordinário, como se carregasse o mundo às costas”. Por esses dias, começaram os pesadelos. “Tão fortes, que acordava aos gritos.” 

De regresso de umas férias e à chegada ao Porto, entrou numa igreja. Pediu ajuda a Deus. E o que se seguiu, garante Aldina, foi “uma batalha contra o mal”. As manifestações passaram a ser quase diárias: “Ficava com uma força sobrenatural, falava em línguas estranhas, dava arrotos fortíssimos, o cabelo ficava em pé e todo embaraçado, a barriga inchava ao ponto de parecer grávida de meses, não suportava olhar para a cruz de Cristo.”

Com os primeiros sintomas, chegaram acidentes constantes e problemas no trabalho. Os pesadelos pioraram e, de noite, via vultos no quarto: “Os primeiros meses foram terríveis.” Nessa altura, trabalhava como freelancer e já não conseguia segurar as encomendas. Tentava disfarçar, dizia que estava doente. Se contasse o que sentia, o mais certo era as pessoas “não entenderem”. Tudo o que pensava era em recorrer a um exorcista, mas a família insistia que fosse a um psiquiatra, convencida de que poderia ser um caso de esquizofrenia. Tinha a certeza de que não era isso: “Já viu alguém enlouquecer de um dia para o outro? Ainda assim, fui.” O médico receitou-lhe medicação para a doença, mas Aldina diz que nunca a tomou. Ainda a tem, intacta, em casa. “Tomei só algumas vitaminas.” 

Preferiu a ajuda de um padre, mas o primeiro a que recorreu não a “entendeu”, apesar de até ter tido uma “reacção” diabólica mesmo à frente dele. Até que outro padre lhe falou do exorcista de Lamego.  Nessa altura, em 2011, o padre Sousa Lara atendia sem marcação, um dia por semana. Fez-se à estrada e, assim que encarou com ele, teve uma crise. O caso foi imediatamente considerado grave: “Nesse dia, necessitei de várias pessoas a segurarem em mim.” 

A libertação Foram precisos quatro exorcismos iniciais e, passados alguns meses, mais dois. Seis sessões para convencer o demónio a ir-se embora. O exorcista receitou-lhe trabalho de casa: ir à missa, rezar o terço e a oração de libertação todos os dias e confessar-se no mínimo uma vez por mês. “Deveria viver em estado de graça para que Deus pudesse agir totalmente. E se deixarmos brechas, como confissões mal feitas, dificilmente ficamos curados”, explica Aldina. 

Há casos, como contou nas páginas anteriores o padre Sousa Lara, em que os exorcizados ficam completamente inconscientes durante as sessões. Mas os exorcismos de Aldina não foram assim: “Estava consciente, mas não conseguia controlar os meus movimentos e o que dizia.” No fim de cada sessão, experimentava sempre o mesmo: “Sentia-me temporariamente aliviada, mas com o corpo muito dorido, como se tivesse feito exercício físico intenso.”

Para conseguir libertar-se, teve de mudar de vida. Deixou de viver com o namorado, com quem já partilhava casa há anos: “Caso contrário, não me poderia confessar.” Para a Igreja, a coabitação antes do casamento é pecado. “Passei a querer ser obediente e fiel ao meu baptismo e hoje entendo perfeitamente o motivo deste pedido da Igreja. Os planos de Deus são perfeitos, mas nós, infelizmente, nas últimas gerações, achamos que vale tudo. Há cada vez menos casamentos que duram toda a vida porque estamos a viver uma geração egoísta”, diz. Se no início estranhou ser católica praticante, agora a Igreja entranhou-se: “Vivo tudo mais intensamente.

Compreendo a graça de um casamento católico, do que é ser-se um sacerdote ou consagrado, do que são os sacramentos da Igreja na nossa vida. Tem sido uma longa e maravilhosa caminhada. Há males que vêm por bem.”

E, afinal, porque razão o demónio a perseguiu? Aldina está convencida de que “muitas portas espirituais” se abriram ao longo de uma década entre videntes, terreiros, espiritismos e adivinhações. Já passaram mais de três anos desde o fim dos exorcismos e não voltou a ter ataques. “Tive a graça de ser resgatada, mas quantos não se salvarão?”

in ionline


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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A revolução sexual “divorciou-nos” uns dos outros: 5 exemplos

Como podemos entender o casamento e a família hoje, com tantas perspectivas contraditórias? Primeiro, temos que entender como foi que chegamos até este ponto. Quase tudo o que o casamento unia foi separado, como resultado da chamada “revolução sexual”. Vejamos 5 exemplos:

1. O sexo foi “divorciado” dos filhos

A proliferação da pílula anticoncepcional nas décadas de 1950 a 1970 espalhou a mentira de que o sexo pode ser praticado só por prazer e sem quaisquer consequências indesejadas – como filhos, por exemplo. São João Paulo II observou na Evangelium Vitae, porém, que o perigo da contracepção é que ela coloca a satisfação pessoal no centro do sentido da vida e promove um conceito egocêntrico de liberdade: uma liberdade divorciada da verdade.

A liberdade não consiste em fazer o que bem se entende, mas em poder fazer com autonomia o melhor a ser feito. Esta é a diferença entre uma suposta liberdade que nos torna escravos dos instintos e caprichos e a liberdade que nos desata deles através da disciplina e do autodomínio. Ao fingir que o sexo é estéril, não estamos vivendo de acordo com a verdade da pessoa humana, o que nos coloca num caminho de autodestruição. A banalização do aborto e as descabeladas “explicações” para o sofisma de que um ser humano em formação não é um ser humano em formação dão exemplo disso.

2. O sexo foi “divorciado” do amor

O escritor Fulton Sheen comenta: "No sexo, o masculino adora o feminino. No amor, o homem e a mulher, juntos, adoram a Deus. O sexo procura a parte; o amor, a totalidade". Na “cultura do ficar”, o sexo é visto como apenas mais uma atividade recreativa sem nenhum significado mais profundo. Favorece essencialmente os desejos sexuais masculinos, deixando para as mulheres uma sensação maior de desconexão. Essa “cultura” tem produzido mais doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas, aumento da violência sexual e uma série de problemas emocionais e psicológicos que se tornam barreiras para o amor autêntico.

3. O amor foi “divorciado” do compromisso

O amor não é mais visto como uma ação, uma promessa e um compromisso ancorado na vontade. É baseado em uma mentalidade hedonista que o vê como uma emoção, um sentimento intangível construído na mente e apoiado por “borboletas no estômago” e pela atração física. O divórcio fez com que os casais pudessem separar-se por qualquer motivo, baseando-se erroneamente na ideia de que o casamento é um mero tipo de “romance adulto”.

4. O casamento foi “divorciado” dos filhos

Quase a metade dos primeiros filhos que nascem hoje nos Estados Unidos tem mãe solteira. Com a “normalização” das coabitações, diminui a estabilidade familiar, o que, por sua vez, leva à existência de mais famílias monoparentais. As estatísticas norte-americanas sugerem que essas famílias são mais propensas a sofrer a pobreza e que as crianças que crescem sem contar com ambos os pais são mais propensas a usar drogas, a cometer crimes, a ter filhos na adolescência e a ser presas.

5. Os filhos foram “divorciados” do sexo

O contrário da contracepção e do aborto é a ideia de que os filhos são um “direito”. Com as tecnologias reprodutivas, como a doação de óvulos e de esperma, a fertilização in vitro e a barriga de aluguel, não é mais a relação sexual que gera os bebês, e sim as clínicas de fertilização. Filhos podem ser um “empreendimento comercial”, legalmente autorizado a satisfazer desejos de adultos.

Este é o mundo em que vivemos. Os casais católicos que eu preparo para o casamento não estão imunes a esta realidade. Muitos deles já coabitam. Entre os católicos em geral, apenas 3% a 5% praticam o planejamento familiar natural.

Cabe a nós restaurar o que foi destruído e isto começa com a resposta para esta pergunta: "O que é o casamento?".

Nas palavras do escritor Ryan T. Anderson, o casamento sempre existiu para unir um homem e uma mulher como marido e esposa abertos a se tornarem pai e mãe dos filhos que essa união pode gerar de forma natural.

O casamento se baseia na verdade antropológica de que homens e mulheres são diferentes e complementares; no fato biológico de que a reprodução requer um homem e uma mulher; na realidade sociológica de que as crianças merecem uma mãe e um pai e se desenvolvem melhor quando são criadas pelos seus pais biológicos. Para nós, católicos, o casamento também foi elevado a sacramento, tornando-se, além de tudo isso, uma verdade teológica.

O casamento é um símbolo do amor de Cristo pela sua esposa, a Igreja. A graça do Espírito Santo nos capacita a nos doar uns aos outros como Cristo se doa à Igreja: livremente, fielmente, frutuosamente, completamente.

Tenhamos orgulho da beleza e da verdade do matrimónio!

in Aleteia


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A caridade sem verdade é falsa

"A caridade que não tem por base a verdade é diabólica." 

S. Pio de Pietrelcina (Padre Pio)


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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A porta

Diante de uns milhares de padres, em Roma, o Papa Francisco reconheceu que era difícil acompanhar todo o magistério eclesiástico e que importa sobretudo captar os grandes temas de cada época. E, nos nossos dias – explicou-lhes Francisco –, sobressai o anúncio da misericórdia de Deus. Sempre foi central, mas agora mais.


Em Outubro de 1937, Deus confiou esta mensagem à freira Maria Faustina Kowalska. João Paulo II assumiu o conteúdo dessas revelações, canonizou esta freira, transformou o Domingo a seguir à Pascoa no Domingo da Misericórdia e deu um cunho especial ao pontificado, que se nota particularmente na Encíclica «Dives in misericordia» ([Deus] Rico em misericórdia). Bento XVI prosseguiu na mesma linha, logo desde a sua Encíclica programática «Deus caritas est» (Deus é amor) e Francisco comentou que se limita a seguir os seus predecessores.

Contrariando um pouco a humildade do Papa, parece-me que há mais do que uma herança maravilhosa recebida dos antecessores. Quando Deus foi buscar o Cardeal Bergoglio à longínqua cidade de Buenos Aires, ele já trazia este lema, como chave do seu ministério de bispo e agora de Papa: «Miserando atque eligendo». A frase (que se traduz por «olhando com misericórdia e escolhendo-o») significa que a vocação é um olhar de misericórdia. É um convite à conversão, a ser perdoado. Quatro dias depois da eleição, numa homilia sobre a conversão e o sacramento da Confissão, Francisco declarou: «A mensagem de Jesus é a misericórdia. Na minha opinião, digo-o humildemente, é a mensagem mais forte do Senhor».

Estas observações não se excluem. As revelações de Santa Faustina Kowalska são para levar a sério, os ensinamentos de João Paulo II e de Bento XVI têm grande valor e é evidente que a sensibilidade de Francisco joga um papel importante no programa da Igreja para o próximo ano: «Pensei muito em como a Igreja poderia tornar mais evidente a sua missão de testemunhar a misericórdia. Este caminho começa com a conversão espiritual. Por isso quis instituir um Jubileu extraordinário, centrado na misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia».

Antiquado? Francisco encolhe os ombros: «Com convicção, ponhamos novamente o sacramento da Reconciliação no centro, porque permite tocar sensivelmente a grandeza da misericórdia».

João XXIII e Paulo VI confiaram o Concílio Vaticano II a Nossa Senhora e Francisco quer fazer exactamente o mesmo. O Concílio concluiu-se propositadamente na festa da Imaculada Conceição e o Ano da Misericórdia abrirá nessa mesma festa.

A Imaculada é o projecto inicial de Deus, que nos sonhou imaculados, puros, cheios de beleza, no corpo e na alma. O pecado de Adão e Eva e os nossos pecados mancharam essa beleza, mas o pecado nunca tem a última palavra. Ao escolher a festa da Imaculada Conceição, Francisco quer mostrar que cada um de nós tem de ir, como Nossa Senhora, ao encontro do sonho original de Deus. Ela leva-nos a ser perdoados, a recuperar a beleza.

Explica o Papa: «O Ano Santo abrir-se-á no dia 8 de Dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição. Deus não quis abandonar a humanidade à mercê do mal. Por isso, pensou e quis Maria santa e imaculada no amor, para que se tornasse a Mãe do Redentor do homem. Perante a gravidade do pecado, Deus responde com a plenitude do perdão».

Este ano vai ser a festa do perdão. Perdoar e ser perdoados. «Bem-aventurados os misericordiosos – disse Jesus –, porque alcançarão misericórdia». Cada um a alcança na medida em que perdoar e acompanhar os que precisam de apoio.

A partir desta terça-feira, 8 de Dezembro, na basílica de S. Pedro e em todo o mundo, a porta da misericórdia ficará escancarada o ano inteiro, convidando os homens a abrirem o coração. Nossa Senhora está nesse caminho, porque ela é a «porta do céu», como lhe chama a liturgia. 

José Maria C.S. André in Correio dos Açores


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sábado, 5 de dezembro de 2015

Conferência de D. Athanasius Schneider em Lisboa (Parte II)

Nota - A primeira parte deste resumo encontra-se aqui: Conferência de D. Athanasius Schneider em Lisboa (Parte I)
Depois de tratar algumas questões relativas à Santa Missa e à Celebração Litúrgica, D. Athanasius Schneider debruçou-se sobre a temática específica da reverência devida à Eucaristia, sobre a qual tem dois livros publicados, Dominus Est e Corpus Christi. Defende que não há renovação da Igreja sem um maior respeito por este Sacramento.

“O sítio mais concreto onde vemos o Céu na terra é no Corpo Eucarístico de Cristo”

Jesus na Hóstia consagrada é onde temos concretamente contacto directo com Ele. É de facto onde vemos o Céu na Terra. No entanto, muitas vezes não damos a isto a devida importância. Muitas vezes o Sacrário não é o centro das nossas igrejas, mas está antes colocado a um canto. Muitas vezes olhamos para o Corpo Eucarístico de Cristo de uma forma simplesmente trivial. A causa, diz D. Athanasius é a comunhão na mão, que banaliza o Sacramento. D. Athanasius apresentou três argumentos pelos quais a comunhão na mão deverá acabar. 

“Parem! Pensem! Como tratamos o Céu aqui na Terra, escondido na Hóstia consagrada?” 

1 - Faltam gestos claros de adoração


Em primeiro lugar, ao comungar com a mão faltam gestos claros de adoração para com Nosso Senhor. É totalmente diferente a atitude de deixar-se alimentar do Pão dos Céus como uma criança, recebendo-O de joelhos - que é o gesto de maior reverência que podemos ter - ou dar-me a mim próprio a Eucaristia com os dedos. Nós não somos Anjos, que não têm corpo. Somos alma e corpo, o corpo também tem valor. Mostremos reverência também com o corpo!

2 - Quase sempre há perda de fragmentos da Eucaristia


Os Padres sabem que, ao fazerem a purificação dos vasos sagrados depois da comunhão, a patena onde esteve Jesus Eucarístico tem quase sempre partículas que são o Corpo de Cristo. Vejam então o que não será quando se coloca a Eucaristia na palma da mão. A maioria das pessoas não presta atenção se ficaram partículas na palma da mão depois de comungarem. Em quase todas as igrejas hoje em dia não se usa patena no momento da comunhão para evitar a queda dessas partículas no chão. Essas mesmas partículas são depois pisadas e espezinhadas pelas mesmas pessoas que comungaram, sem sequer se aperceberem! Note-se que não se tratam de casos esporádicos, mas de um fenómeno que se dá em massa, regularmente, em quase todas as igrejas.

3 - Fenómeno crescente de furto de Hóstias consagradas


A comunhão na mão potencia grandemente a possibilidade de serem furtadas hóstias consagradas. D. Athanasius atesta que, em alguns lugares, há até quem o faça de modo sistemático. “Isto é gravíssimo! Um horror! Devemos defender Aquele que se fez, por amor a nós, o mais indefeso, o mais periférico e o mais pobre, que é Nosso Senhor Sacramentado na Hóstia Sagrada, que é pisado no chão e roubado!”

“Se continuamos a pisar Jesus e a recebê-Lo da mesma maneira que recebemos uma bolacha, não há renovação da Igreja”

O coração da Igreja é Jesus, e o coração está fraco, pois tratamo-Lo mal. “Se o coração da Igreja está fraco, como pode o corpo estar bem?” Tratar o corpo sem tratar primeiro o coração não passará de cosmética que se faz num corpo doente, que não irá melhorar sem o seu órgão vital. 

D. Athanasius sublinha a importância fundamental do cuidado que devemos ter com a Eucaristia. Se a Eucaristia é simplesmente um símbolo, sem que Jesus esteja aí realmente presente, então não me preciso de preocupar. Agora, se é um dogma de Fé que Cristo está verdadeiramente presente na Eucaristia, trata-se de algo absolutamente fundamental. Devo assim defendê-Lo, amá-Lo e adorá-Lo, estando mesmo disposto a dar a minha vida por Ele.

O exemplo dos pastorinhos de Fátima

Temos aqui em Portugal um exemplo que nos mostra como Deus quer que O adoremos. Em 1916, um ano antes das aparições de Nossa Senhora em Fátima, apareceu aos pastorinhos o Anjo de Portugal. O Anjo trazia diante de si, suspenso no ar, um cálix e sobre este uma Hóstia da qual jorravam algumas gotas de Sangue dentro do cálix. Aos pastorinhos, o Anjo ensinou como devemos adorar a Deus: ajoelhou-se e prostrou-se em terra, levando a cabeça ao chão, repetindo por três vezes a seguinte oração: 

“Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, (adoro-Vos profundamente e) ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”. 

 Temos um exemplo do Céu da maneira que Deus quer que O adoremos! 

“Consolai o vosso Deus que é tão horrivelmente ultrajado neste Sacramento” 

O Anjo disse ainda estas palavras aos pastorinhos. Que ultrajes seriam esses que o Anjo falava, no início do século XX? Olhando agora em retrospectiva podemos ver, por exemplo, a perseguição que sofria a Igreja no México, com tantos massacres e sacrilégios feitos pelos Maçons. 

Na guerra civil Espanhola, também era comum a dessacralização do Santíssimo Sacramento na perseguição que a Igreja sofria, também aqui com tantos outros mártires. Acrescentando os horrores dos regimes comunistas de Estaline, Mao e Lenine, falando D. Athanasius da sua experiência de viver sob o regime comunista, durante o qual tempos havia que só via um sacerdote uma vez por ano, que vinha clandestinamente administrar os Sacramentos.

Acabadas as perseguições políticas à Igreja, não acabaram, no entanto, os sacrilégios para com a Santa Eucaristia: Hoje em dia continuam e temo-los dentro da própria Igreja. 

D. Athanasius acaba a sua exposição com um apelo ao renovar da fé e esperança. Temos assim de mais uma vez renovar a nossa fé, intensificar a nossa oração e ter coração para a tribulação. Desagravemos e expiemos pelos ultrajes cometidos contra o Santíssimo Sacramento da Eucaristia. “Tornemo-nos amantes de Jesus Eucarístico!”

Nota - A terceira parte deste resumo encontra-se aqui: Conferência de D. Athanasius Schneider em Lisboa (Parte III)


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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O mundo caminha para uma oligarquia judiciária

O mundo caminha para uma oligarquia judiciária. A tripartição dos Poderes, proposta por Montesquieu e aplicada em praticamente todos os países, vai sendo paulatinamente substituída por uma judicialização do processo decisório. 

Já não seremos governados por Leis votadas pelo legislativo, emanadas de um processo que, ao menos em sua aparência, mantinha um verniz democrático, mas pelos juízes encarregados de interpretar essas leis segundo os princípios subjectivos que adoptam.

Serão eles que decidirão os rumos dos países. Com a autoridade de um Estado abstracto e impessoal, amparados no "monopólio da violência" pela força policial, essa nova Oligarquia irá impor o que consideram ser "Direito Humano", não apenas como uma lei ordinária ou até mesmo constitucional, mas como um princípio de justiça universal supranacional, contra o qual nem mesmo a Constituição poderá dispor.

Assim, o que antes a Revolução impôs como democracia liberal (nascida do sangue do "Antigo Regime" francês), agora será substituída por uma Oligarquia abstracta, escondida no silêncio dos tribunais.

Os que tanto falam de liberdade estão sempre a preparar o caminho para a tirania.

Frederico Viotti


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Hóstia consagrada sangra na igreja de S. Francisco Xavier


A diocese de Salt Lake City, no Estado de Utah (EUA), está a investigar um possível milagre ocorrido na igreja de S. Francisco Xavier.

Segundo a imprensa local, a Hóstia consagrada, Corpo de Cristo, foi recebida por um menino que, ao que parece, não havia feito a Primeira Comunhão. Ao perceber isso, alguém da família do rapaz devolveu a Hóstia ao sacerdote, que a colocou num copo d'água para que se dissolvesse, como se costuma fazer em casos semelhantes. Normalmente, em casos assim, a Hóstia dissolve-se em poucos minutos.

Três dias depois, a Hóstia consagrada não só continuava a flutuar,mas apresentava pequenas manchas de sangue, como se estivesse a sangrar. Os paroquianos, ao saber do ocorrido, foram conferir o possível milagre e rezar diante da "Hóstia Sangrante".

A diocese criou um comité para investigar o possível milagre eucarístico. Esse grupo é formado por dois sacerdotes, um diácono e um leigo, bem como um professor de neurobiologia. A diocese assumiu a custódia da "Hóstia Sangrante" e esta não será exposta à adoração pública enquanto a investigação estiver em andamento.

D. Francis Manion, presidente do comité de investigação, declarou: “Recentemente, a diocese recebeu a informação de uma Hóstia que sangrou na igreja de S. Francisco Xavier. D. Colin F. Bircumshaw, administrador diocesano, nomeou um comité ad hoc de especialistas para investigar o assunto”.

E completou: “O trabalho da comissão já está a decorrer. Os resultados serão divulgados publicamente. A Hóstia encontra-se neste momento sob custódia do administrador diocesano. Ao contrário dos rumores, não há planos, por enquanto, de expô-la publicamente para adoração”.

D. Manion concluiu: “Seja qual for o resultado da investigação, podemos aproveitar este momento para renovar a nossa Fé e devoção no milagre maior: a presença real de Jesus Cristo em cada Missa”.

in Aleteia


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Qual é o segredo? - Madalena Fontoura

A Mãe tem um cargo directivo de grande responsabilidade e intensidade. O Pai tem um trabalho que, com frequência, invade fins-de-semana e férias. A filha tem sete anos. São os Avós que a vão buscar à escola porque a Mãe trabalha até tarde. E o Pai também.

Este é o filme da vida de uma boa parte das famílias portuguesas. Dá pano para mangas para conversas sobre conciliação entre o trabalho e a família. E dá também sustento a muitos psicólogos e outros profissionais da saúde mental das pessoas.

Mas na casa desta família nada disto é dramático. Os Pais espalham alegria, vitalidade e disponibilidade para os outros. A filha, além de alegre, é duma esperteza e duma perspicácia que impressionam e fazem sorrir. Qual é o segredo?

Aqui há tempos a Mãe contava-me, divertida, uns palpites que a filha tinha dado sobre a equipa que a Mãe dirige e como aproveitá-la melhor. E o mais engraçado é que as observações eram pertinentes! Semanas depois, a Mãe tinha que preparar uma apresentação pública no seu trabalho. Falou disso em casa. Estava à procura de uma maneira criativa de ilustrar uma determinada ideia. De repente, ouve-se a voz da filha: “podia ser ‘As Crónicas de Narnia’, ficava mesmo bem!” Era o livro preferido dela, lido e relido em família. A Mãe olhou-a espantada. É que a ideia era mesmo boa. Pegou nela, tratou-a, usou-a e foi um sucesso!

Fiquei a pensar nesta história e em tudo o que ela tem dentro. Primeiro, uma Mãe que fala do seu trabalho em casa, como uma coisa boa e interessante. Sobretudo como uma coisa real, que não se deixa à porta porque faz parte da vida. Não só da sua, mas da dos seus.

Depois um Pai que está sempre pronto a ajudar toda a gente, para quem os problemas dos outros não são um peso, mas sim uma provocação. Lembrei-me das crianças e jovens em dificuldades graves que esta família já acolheu no seu pequeno apartamento. E também das Avós e Tias velhinhas que nesta casa têm sempre lugar e carinho.

Uma criança, que cresce assim, vê o trabalho da Mãe como parte da sua vida e aprende com o Pai a tomar cada dificuldade alheia como um desafio a encontrar uma solução. Nada é estranho, nada é inimigo, nada é inconciliável. Além disso conhece C. S. Lewis pela voz dos Pais, ainda antes de saber ler. Porque lá em casa contar histórias não é um soporífero, é um acontecimento. E por isso não serve qualquer uma, tem que ser bonita e ter dentro um mistério.

Enfrento esta semana desejando para mim esta unidade de vida, em que cada parte não brigue com as outras como uma guerra civil, que destrói e enfraquece. Desejo o mesmo para a família de cada um dos meus alunos. E tomo como desafio ajudar a construir uma escola, onde se aprenda a viver assim.

Madalena Fontoura in fundacaomariaulrich.blogspot.pt


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O cristianismo é a religião mais perseguida do mundo



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Porque é que a liturgia é importante? Ordenações 2015

A cerimónia de ordenação de Diáconos este Domingo foi de um grande esplendor.

A liturgia tinha uma beleza e imponência próprias: novos rapazes entregavam a sua vida a Deus e à Igreja como Diáconos, para daqui a seis meses serem Sacerdotes. Tudo apontava para isto. Os próprios diálogos da liturgia o mostravam, quando o Cardeal Patriarca perguntava aos futuros Diáconos se estavam decididos a obedecer-lhe, a guardar a Fé conforme a tradição da Igreja, a abraçar o  celibato, a aumentar o espírito de oração. Ou quando no início se apresentaram os que iam ser ordenados, elencando as paróquias onde foram baptizados, muitas desconhecidas. Quanta organização e quanto trabalho há por trás disto, na Igreja.

Mas o que mais me surpreendia era ter conhecido alguns dos seminaristas muito antes de perceberem a sua vocação, como o Tiago e o Marcos. Eram pessoas normais. Porque é que foram escolhidos para esta vocação? E o que é que isso significa mesmo? Eram perguntas que a liturgia fazia ao coração dos que participavam.

E a resposta não tardava em aparecer. Diácono é aquele que serve. O próprio Sacerdócio é um serviço ao povo de Deus, aos Cristãos que vivem no mundo e que o santificam. Precisamos de alguém que nos confesse, que nos dê a Sagrada Comunhão, que nos conforte com palavras de Deus. Estes novos Diáconos, futuros Padres, davam a vida para que os Cristãos em todas profissões do mundo possam ser Santos e ajudem outros a sê-lo.

Alterar a liturgia da Missa corre o risco de ofuscar isto. A beleza e imponência da liturgia é apenas um louvor ao serviço. Todo o esplendor da liturgia da Igreja ao longo dos séculos (pensamos também na liturgia de ordenações da Forma Extraordinária) é a forma que a Igreja tem de mostrar aos homens que o mais importante na vida é servir.

Nuno CB


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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Só é preciso querer amar - Beato Charles de Foucauld

O amor não consiste em sentirmos que amamos, mas em querermos amar. Quando queremos amar, amamos; quando queremos amar acima de tudo, amamos acima de tudo. Se acontecer sucumbirmos a uma tentação, é porque o amor é demasiado fraco, não é porque ele não exista. É preciso chorar, como São Pedro, arrependermo-nos como São Pedro mas, também como ele, dizer três vezes: «Amo-Vos, amo-Vos, amo-Vos, Vós sabeis que, apesar das minhas fragilidades e pecados, eu Vos amo» (Jo 21,15ss).

Quanto ao amor que Jesus tem por nós, Ele provou-o à abundância para que nele acreditemos sem o sentirmos. Sentir que O amamos e que Ele nos ama seria o céu; mas o céu, salvo em raros momentos e excepções, não é aqui em baixo. 

Lembremos sempre uns aos outros esta história dupla: a das graças que Deus nos deu pessoalmente desde o nascimento e a das nossas infidelidades ; e aí acharemos motivos infinitos para nos perdermos, com ilimitada confiança, no Seu amor. Ele ama-nos porque é bom, não porque somos bons; não amam as mães os filhos desencaminhados? 

E muitas razões havemos de encontrar para nos enterrarmos na humildade e na falta de confiança em nós próprios. Procuremos resgatar um pouco os nossos pecados pelo amor ao próximo, pelo bem feito ao próximo. A caridade para com o próximo, os esforços para fazer bem aos outros são um excelente remédio a opor às tentações: é passar da simples defesa ao contra-ataque. 

in Carta de 15/07/1916


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Direito e Leis - D. Nuno Brás

Há já muito tempo que nos tentam vender a ideia de que as leis fazem o Direito. Ou seja, que as leis, fruto da vontade do “legislador”, fazem com que um acto seja bom. Como se a dignidade do ser humano mudasse consoante as leis que estão em vigor. No entanto, creio que parece evidente que a dignidade do ser humano e o Direito que dela dimana não mudam consoante a vontade daqueles que fazem as leis. É mesmo independente da vontade humana, está acima dela.

É claro que não podemos deixar de fazer aqui a distinção entre leis aprovadas por uma maioria representativa dos cidadãos e aquelas que são impostas por um qualquer ditador. Contudo, não devemos também esquecer a possibilidade de uma “ditadura da maioria”. É que nem sempre uma maioria parlamentar que aprova um conjunto de leis as elabora de modo a corresponderem à dignidade da pessoa humana. O mesmo é dizer: de modo a que essas leis expressem o Direito e ajudem os seus cidadãos a praticar o bem.

É que não são as leis que determinam o que é bom e o que é mau. Quando muito, estabelecem a fronteira entre aquilo que, num determinado Estado, é permitido ou proibido. A dignidade humana (e o Direito que dela dimana) está muito acima das leis (por exemplo, não é porque num país é permitido matar por causa da religião que isso se torna numa coisa boa).

As leis deveriam expressar o Direito. Mas nem sempre isso acontece. Existem leis más, que permitem aos cidadãos fazer o mal. Podem não ser sujeitos a multas; podem não ser olhados como tendo praticado uma ação má – mas nem por isso aquilo que fazem a coberto dessas leis é bom.

O Parlamento português, com votos de todos os quadrantes políticos, apressou-se, logo no início desta legislatura, a aprovar leis más, que colocam em causa a dignidade do ser humano e das realidades primeiras que são a sua vida e a sua família, e que deveriam ser respeitadas acima de qualquer lei. Se isto for um indicativo do que vai ser esta legislatura, mal irá o Direito no nosso país e, com ele, a dignidade da pessoa humana.

in Voz da Verdade


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domingo, 29 de novembro de 2015

Um dos Senzas foi hoje ordenado Diácono: Parabéns Tiago!

O neo-diácono com a sua neo-batina

O neo-diácono com a Mariana, também dos Senzas


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sábado, 28 de novembro de 2015

Conferência de D. Athanasius Schneider em Lisboa (Parte I)

Neste último Sábado, Lisboa teve a graça de receber D. Athanasius Schneider, Bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão. Desde o berço, D. Athanasius viveu num contexto de Igreja perseguida, onde não havia nem Missa regular nem a presença de sacerdotes, pois estes eram vistos como “potenciais inimigos do regime” soviético sob o qual cresceu. 

Veio à Paróquia de São Nicolau, na Baixa de Lisboa, falar sobre a arte de celebrar. Deixamos aqui algumas notas sobre o conteúdo da sua conferência para posterior reflexão, através de uma série de três artigos, cobrindo as duas temáticas centrais – A liturgia e a reverência a Jesus Eucarístico – e uma série de perguntas e respostas colocadas a D. Athanasius.
A Arte de Celebrar – Como se diz o Céu na Terra

Parte I - Sobre a Santa Missa e a celebração litúrgica

“É Necessário reflectir sobre aquilo que é mais central na nossa Fé”

D. Athanasius sublinha que pelo facto da Santa Missa ser o acto central da nossa fé – participamos desta diariamente ou todos os Domingos – é necessária uma reflecção sobre aquilo que fazemos quando vamos à Missa. 

O que é a Eucaristia? Jesus dá-nos a resposta quando fala à Samaritana da água viva da vida Eterna: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te pede: ‘dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e Ele te daria água viva” (Jo 4,10). Esta água viva é o maior dom que Deus nos poderia dar, que é a oferta de Si próprio, Corpo e Sangue, oferecido, imolado por nós e para nós. Não há maior dom do que o dom do próprio Deus! 

Quando Jesus encarnou, trouxe consigo todo o Céu para a terra e consigo o cântico que nos Céus se canta eternamente: daí o facto de nos ajoelharmos quando ouvimos o início do evangelho de João, proclamado no final de cada Missa na Forma Extraordinária: “et verbum caro factum est et habitavit in nobis”, pois assim estamos a reconhecer o Dom divino que nos foi dado.

“Não somos Anjos: também devemos ver uma certa forma de Glória de Deus Encarnado”

Se é verdade que é pela fé que vemos a Glória de Deus, também não podemos esquecer que não somos Anjos, pelo que devemos ver pelos olhos do corpo uma certa forma de Glória do Deus Encarnado. Deveríamos ver a Glória de Deus na Luz, na Santidade, na Beleza da Santa Missa. A verdade da liturgia é este “ver a Glória de Deus” e assim foi ao longo dos 2000 anos de existência da Igreja. 

Com esse fim, o livro do Apocalipse e a restante Sagrada Escritura estão cheios de indicações sobre como adorar a Deus: desde o “prostrar-se diante de Deus”, o “ajoelhar diante do cordeiro”, os anciãos que “desceram dos tronos e se prostraram”, o “cantar um hino novo” a Deus, as ofertas de incenso. Assim como a Sagrada Escritura está cheia de indicações, assim estão também os documentos da Santa Sé sobre a liturgia. 

O objectivo de tudo isto é ter um modelo para celebrar a liturgia celeste na terra. O próprio Cristo nos mostrou como adorar a Deus na terra: Cristo ofereceu a Deus orações e súplicas, com grande temor e reverência (Heb 12,28). Tal vemos na Carta aos Hebreus, 12,28, devemos servir a Deus com temor e reverência. Não um temor servil, antes filial – mas um temor!

Tal foi a atitude que sempre marcou os tempos da Igreja ao longo da sua história. Logo desde o início, ao ler os padres da Igreja vemos este espírito de temor e reverência. É através deste espírito que o Espírito Santo “deixa crescer organicamente esta árvore bela da liturgia”, que se desenvolve num reconhecer cada vez mais profundo daquilo que celebramos. 

O que muda na liturgia é sempre através de um processo orgânico: é este o princípio da renovação litúrgica, pois a liturgia é algo que cresce como uma flor, como um corpo... sem ruptura com as suas fases anteriores de crescimento. Aliás, este princípio está exposto nos documentos do Concílio Vaticano II, especialmente na Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, número 23, onde explicitamente se proíbem inovações na liturgia: apenas é admitido este processo orgânico de enriquecimento, sem rupturas. 

As reformas que se dão são dentro deste processo orgânico. Os padres conciliares são muito cautelosos quanto à admissão de reformas, admitindo-as apenas quando estas têm garantia de utilidade certa para a Igreja.

Quanto a esta questão, não nos podemos iludir, devemos reconhecer que muito do que foi feito na Santa Missa não corresponde aos princípios estabelecidos pelo Concílio Vaticano II. O próprio Cardeal Ratzinger, enquanto era perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, reconheceu que muitas coisas na nossa Missa de hoje não correspondem ao princípio do Concílio Vaticano II. Houve ruptura.

Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam

O salmo 113 lembra-nos algo muito importante: Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam. Não a nós, senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória. Tudo o que fazemos na liturgia e o que nela damos de melhor é para Deus, não para nós. Como Não é algo para nossa honra, mas para a Glória de Deus. 

É para glorificar a Deus que se eleva o esplendor da Santa Missa. No número 2 da constituição Sacrosanctum Concilium lemos o seguinte: na liturgia, o que é humano deve orientar-se ao divino, a acção deve ser subordinada e ordenada à contemplação, o que é temporal subordinado e ordenado ao eterno e o que é terreno subordinado e ordenado ao celeste. 

Estamos a seguir este princípio? Façamos um exame de consciência: nas nossas paróquias está Deus ou o homem em primeiro lugar? Valorizamos mais a acção ou a contemplação? O Sacerdote, que é um homem e não Deus, tem a liturgia centrada em si ou apaga-se, para dar relevo a Cristo? Nós não fazemos um culto protestante onde tudo é simplesmente simbólico: de facto podemos ver a Deus na Eucaristia, na hóstia consagrada!

Nota - A segunda parte deste resumo encontra-se aqui: Conferência de D. Athanasius Schneider em Lisboa (Parte II)


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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Entretanto no Quénia...


"Obedecendo à Palavra de Deus, somos chamados também a resistir a práticas que favorecem a arrogância nos homens, ferem ou desprezam as mulheres e ameaçam a vida dos inocentes nascituros”

Papa Francisco, homilia da Missa em Nairobi


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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Para quem diz que a Igreja sempre foi contra o sexo


Concílio Toledo (400) e Concílio Braga (563) - Condenam as afirmações maniqueias e priscilianas que negavam a bondade da sexualidade e do matrimónio, e defendiam a origem não-divina (satânica) do corpo.

Concílio de Gangra (341) - Condena dos seguazes de Eustáquio de Sebaste, que rejeitavam o matrimónio e ensinavam que as pessoas casadas não se salvam.

Concílio Lateranense IV (1215) - Contra os cátaros e albigenses, afirma que não apenas os virgens e continentes, mas também os esposos merecem atingir a felicidade eterna.

Concílio de Viena (1311-1312) - Condena as teses da seita dos begardos e das beguinas que consideravam pecado mortal o beijo, e indiferente a relação sexual.


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