domingo, 24 de abril de 2016
sábado, 23 de abril de 2016
400 anos depois: Shakespeare era Católico?
William Shakespeare continua a ser um dos escritores mais controversos e desafiantes da literatura inglesa, quatrocentos anos após a sua morte.
A maior parte dos leitores e fãs de teatro ignoram as controvérsias e limitam-se a apaixonar-se com a poesia, a linguagem, os personagens e o drama.
No mundo académico, no entanto, Shakespeare tornou-se uma espécie de espelho negro onde as pessoas vêem o que querem, tornando-o num crítico social marxista, num mulherengo proto-feminista ou num homossexual altamente sensível.
No meio disto, tendo em conta o que sabemos sobre a época e a família de Shakespeare, a resposta mais óbvia foi praticamente ignorada: o seu catolicismo. Graças a uma série de livros e artigos da última década, este tornou-se um dos aspectos mais controversos nos estudos modernos sobre Shakespeare.
Joseph Pearce ficou um especialista a explorar vidas de escritores Católicos em livros como Literary Converts, The Unmasking of Oscar Wilde, Tolkien: Man and Myth e muitos outros. É escritor oficial e professor de literatura na Ave Maria University, na Flórida, co-editor da St. Austin Review, editor das Edições Críticas da Ignatius e editor principal da Sapientia Press da Ave Maria.
No seu último livro, The Quest for Shakespeare: The Bard of Avon and the Church of Rome (Ignatius Press), Pearce coloca o maior escritor de sempre sob o microscópio, desenvolvendo um argumento cuidado para um Shakespeare católico.
No seu novo livro, apresenta toda a evidência disponível e chega à conclusão de que Shakespeare era um fiel católico. O que é que o inspirou a começar este estudo?
A maior parte dos leitores e fãs de teatro ignoram as controvérsias e limitam-se a apaixonar-se com a poesia, a linguagem, os personagens e o drama.
No mundo académico, no entanto, Shakespeare tornou-se uma espécie de espelho negro onde as pessoas vêem o que querem, tornando-o num crítico social marxista, num mulherengo proto-feminista ou num homossexual altamente sensível.
No meio disto, tendo em conta o que sabemos sobre a época e a família de Shakespeare, a resposta mais óbvia foi praticamente ignorada: o seu catolicismo. Graças a uma série de livros e artigos da última década, este tornou-se um dos aspectos mais controversos nos estudos modernos sobre Shakespeare.
Joseph Pearce ficou um especialista a explorar vidas de escritores Católicos em livros como Literary Converts, The Unmasking of Oscar Wilde, Tolkien: Man and Myth e muitos outros. É escritor oficial e professor de literatura na Ave Maria University, na Flórida, co-editor da St. Austin Review, editor das Edições Críticas da Ignatius e editor principal da Sapientia Press da Ave Maria.
No seu último livro, The Quest for Shakespeare: The Bard of Avon and the Church of Rome (Ignatius Press), Pearce coloca o maior escritor de sempre sob o microscópio, desenvolvendo um argumento cuidado para um Shakespeare católico.
No seu novo livro, apresenta toda a evidência disponível e chega à conclusão de que Shakespeare era um fiel católico. O que é que o inspirou a começar este estudo?
Na verdade, comecei como um céptico que pensava que não havia evidência suficiente para mostrar que Shakespeare era católico. Sentia que aqueles que diziam que ele era católico praticante sofriam um pouco de wishful thinking.
No entanto, chegou um ponto em que uma evidência atrás de outra me fizeram reconsiderar a posição céptica. Eram como peças que completavam um puzzle.
No entanto, chegou um ponto em que uma evidência atrás de outra me fizeram reconsiderar a posição céptica. Eram como peças que completavam um puzzle.
Chega uma altura em que já temos peças suficientes para reconhecer a imagem completa, apesar de ainda faltarem algumas peças. Fiquei então suficientemente intrigado com toda a questão ao ponto de entrar num período de investigação intensa sobre o assunto. O meu livro é o fruto dessa investigação.
Apesar de juntar um conjunto de circunstâncias impressionantes, não há nenhuma "prova do crime", tal como o nome de Shakespeare numa lista de católicos suspeitos [NT: os católicos eram perseguidos no tempo de Shakespeare, em Inglaterra]. Acha que estas circunstâncias são suficientes para convencer os cépticos estudiosos de Shakespeare?
Apesar de juntar um conjunto de circunstâncias impressionantes, não há nenhuma "prova do crime", tal como o nome de Shakespeare numa lista de católicos suspeitos [NT: os católicos eram perseguidos no tempo de Shakespeare, em Inglaterra]. Acha que estas circunstâncias são suficientes para convencer os cépticos estudiosos de Shakespeare?
O peso está no lado deles, têm que apresentar outra conclusão tão boa, baseada na abundância de evidência, muita dela documental e não apenas circunstancial. A evidência documental, circunstancial e textual, toda junta, forma uma argumento para o catolicismo de Shakespeare que é efectivamente inegável.
Esta evidência ultrapassa claramente qualquer outra que sugira que Shakespeare era protestante ou ateu.
Veja bem: Se a evidência fosse posta diante de um júri composto por pessoas minimamente inteligentes, o caso seria considerado provado sem qualquer dúvida. Não podemos ter a certeza absoluta, mas podemos ter certeza suficiente para chegar a uma conclusão definitiva.
Porque é que pensa que os académicos estão relutantes em aceitar um Shakespeare católico?
Se os académicos aceitassem o catolicismo de Shakespeare, teriam de admitir que a sua leitura das obras está errada. Shakespeare não é quem eles pensam ou dizem que é; e as peças do puzzle não mostram o que eles julgam. Ou seja, teriam de admitir que estavam errados.
Por outro lado, os académicos honestos vão olhar meticulosamente para as provas e encontrarão lá a verdade. Mas a maior parte dos académicos é escrava do relativismo e de outras ideologias que os impedem de questionar os seus preconceitos dogmáticos.
Citando erroneamente erradamente o próprio Shakespeare, há algo de triste no estado da academia. Parece que não se vê a verdade mesmo quando se olha para ela de frente, só porque não se quer ver.
A academia moderna ficou cega pelos próprios preconceitos. Ainda assim, este argumento não será negado indefinidamente e eventualmente os factos prevalecerão.
Como é que o estudo do Shakespeare católico difere do estudo feminista, marxista ou da tão chamada "teoria do género"? O "texto" não está aberto a uma quantidade de interpretações?
Esta evidência ultrapassa claramente qualquer outra que sugira que Shakespeare era protestante ou ateu.
Veja bem: Se a evidência fosse posta diante de um júri composto por pessoas minimamente inteligentes, o caso seria considerado provado sem qualquer dúvida. Não podemos ter a certeza absoluta, mas podemos ter certeza suficiente para chegar a uma conclusão definitiva.
Porque é que pensa que os académicos estão relutantes em aceitar um Shakespeare católico?
Se os académicos aceitassem o catolicismo de Shakespeare, teriam de admitir que a sua leitura das obras está errada. Shakespeare não é quem eles pensam ou dizem que é; e as peças do puzzle não mostram o que eles julgam. Ou seja, teriam de admitir que estavam errados.
Por outro lado, os académicos honestos vão olhar meticulosamente para as provas e encontrarão lá a verdade. Mas a maior parte dos académicos é escrava do relativismo e de outras ideologias que os impedem de questionar os seus preconceitos dogmáticos.
Citando erroneamente erradamente o próprio Shakespeare, há algo de triste no estado da academia. Parece que não se vê a verdade mesmo quando se olha para ela de frente, só porque não se quer ver.
A academia moderna ficou cega pelos próprios preconceitos. Ainda assim, este argumento não será negado indefinidamente e eventualmente os factos prevalecerão.
Como é que o estudo do Shakespeare católico difere do estudo feminista, marxista ou da tão chamada "teoria do género"? O "texto" não está aberto a uma quantidade de interpretações?
Um texto não é uma coisa mágica que reflecte os preconceitos de todos os que o lêem, como um espelho narcisista. É antes a encarnação da personalidade do autor.
Quando mais compreendermos a pessoa que criou a obra, melhor compreenderemos a objectividade da verdade que emerge na própria obra. Qualquer pessoa consegue ler uma obra de um modo subjectivo, mas um verdadeiro crítico procura lê-la objectivamente.
Se o Shakespeare era católico então é tão absurdo dizer que era um activista dos direitos homossexuais que odiava o cristianismo, como dizer que os romances da Virginia Woolf são ataques católicos ao feminismo e à homossexualidade. Estudos deste género não deviam ser levados a sério.
Pode dar-nos um exemplo de uma peça que é fundamentalmente alterada por lê-la através de umas lentes católicas?
Quando mais compreendermos a pessoa que criou a obra, melhor compreenderemos a objectividade da verdade que emerge na própria obra. Qualquer pessoa consegue ler uma obra de um modo subjectivo, mas um verdadeiro crítico procura lê-la objectivamente.
Se o Shakespeare era católico então é tão absurdo dizer que era um activista dos direitos homossexuais que odiava o cristianismo, como dizer que os romances da Virginia Woolf são ataques católicos ao feminismo e à homossexualidade. Estudos deste género não deviam ser levados a sério.
Pode dar-nos um exemplo de uma peça que é fundamentalmente alterada por lê-la através de umas lentes católicas?
Para ser muito sincero, saber que Shakespeare era católico obriga-nos a olhar para todas as suas peças com uma perspectiva radicalmente diferente. Se o Bardo de Avon era mesmo católico clandestino em tempos muito anti-católicos, então isso descredibiliza a maior parte das leituras modernas e pós-modernas das suas obras.
Se Shakespeare era católico então ele não era nada, ipso facto, do que a academia moderna queria que ele fosse. Não era nihilista pós-moderno, nem um fundamentalista secular ou um ateu ou iconoclasta ou proto-feminista, nem defensor da homossexualidade.
Era, pelo contrário, um cristão orientado para a tradição e cujos trabalhos representaram uma resposta sublime e muito acertada a aos vários erros modernos e anti-modernos.
Se o Shakespeare era católico, como toda a evidência histórica sugere que é, devemos encontrar expressões do seu catolicismo nas sua obras e devíamos procurá-las.
No meu próximo livro, o volume seguinte ao The Quest for Shakespeare, vou estudar a evidência sólida e fascinante do catolicismo do Shakespeare nos guiões das suas peças. Já estudei peças como o Hamlet, Rei Lear e o Mercador de Veneza com esta perspectiva e estou muitíssimo impressionado pela abundância de filosofia e teologia católica que surge nestas peças.
É difícil resumir esta dimensão católica em poucas palavras. Não é próprio reduzir Shakespeare a pequenos bocados. Mas é suficiente dizer que vemos em personagens como Cordélia, Hamlet e Portia aspectos da verdade católica apresentados de modo sublime e vemos nos dilemas que estas personagens enfrentam um reflexo do drama em que os católicos se encontravam na Inglaterra isabelina e jacobina.
Como é que o trabalho de historiadores como Eamon Duffy, cuja investigação está a mudar radicalmente o modo como vemos a Reforma Inglesa, afecta os estudos de Shakespeare?
O trabalho dos historiadores é crucial para compreender as obras literárias. Temos que saber o que é que as pessoas pensavam e a natureza das culturas em que viviam para perceber as obras que escreviam.
Não se consegue perceber objectivamente Shakespeare sem compreender a Inglaterra isabelina e jacobina. Portanto, quanto mais soubermos sobre este período turbulento da história inglesa, melhor vamos compreender as obras que nele surgiram.
E o que é verdade para o nosso conhecimento da história também é verdade para o conhecimento da teologia e filosofia. Se não sabemos nada sobre os debates teológicos e filosóficos que preenchiam o mundo intelectual no tempo de Shakespeare, não vamos perceber nada da teologia e filosofia manifesta nas obras de Shakespeare.
Ignorância de teologia e filosofia é uma ignorância de Shakespeare.
Em Maio de 2009, o EWTN vai começar a passar o The Quest for Shakespeare. Pode falar-nos um bocado sobre o programa?
Se Shakespeare era católico então ele não era nada, ipso facto, do que a academia moderna queria que ele fosse. Não era nihilista pós-moderno, nem um fundamentalista secular ou um ateu ou iconoclasta ou proto-feminista, nem defensor da homossexualidade.
Era, pelo contrário, um cristão orientado para a tradição e cujos trabalhos representaram uma resposta sublime e muito acertada a aos vários erros modernos e anti-modernos.
Se o Shakespeare era católico, como toda a evidência histórica sugere que é, devemos encontrar expressões do seu catolicismo nas sua obras e devíamos procurá-las.
No meu próximo livro, o volume seguinte ao The Quest for Shakespeare, vou estudar a evidência sólida e fascinante do catolicismo do Shakespeare nos guiões das suas peças. Já estudei peças como o Hamlet, Rei Lear e o Mercador de Veneza com esta perspectiva e estou muitíssimo impressionado pela abundância de filosofia e teologia católica que surge nestas peças.
É difícil resumir esta dimensão católica em poucas palavras. Não é próprio reduzir Shakespeare a pequenos bocados. Mas é suficiente dizer que vemos em personagens como Cordélia, Hamlet e Portia aspectos da verdade católica apresentados de modo sublime e vemos nos dilemas que estas personagens enfrentam um reflexo do drama em que os católicos se encontravam na Inglaterra isabelina e jacobina.
Como é que o trabalho de historiadores como Eamon Duffy, cuja investigação está a mudar radicalmente o modo como vemos a Reforma Inglesa, afecta os estudos de Shakespeare?
O trabalho dos historiadores é crucial para compreender as obras literárias. Temos que saber o que é que as pessoas pensavam e a natureza das culturas em que viviam para perceber as obras que escreviam.
Não se consegue perceber objectivamente Shakespeare sem compreender a Inglaterra isabelina e jacobina. Portanto, quanto mais soubermos sobre este período turbulento da história inglesa, melhor vamos compreender as obras que nele surgiram.
E o que é verdade para o nosso conhecimento da história também é verdade para o conhecimento da teologia e filosofia. Se não sabemos nada sobre os debates teológicos e filosóficos que preenchiam o mundo intelectual no tempo de Shakespeare, não vamos perceber nada da teologia e filosofia manifesta nas obras de Shakespeare.
Ignorância de teologia e filosofia é uma ignorância de Shakespeare.
Em Maio de 2009, o EWTN vai começar a passar o The Quest for Shakespeare. Pode falar-nos um bocado sobre o programa?
É uma série de 13 episódios baseados no meu livro. Estou ansioso por isso. Já filmámos e inclui grandes actuações por Kevin O'Brien e pelos actores da Theater of the Word Incorporated. Eu sou o narrador, "a voz que fala", para dizer melhor, mas o incrível da série está nas grandes actuações destes actores.
Para os católicos, o que é que significa se William Shakespeare é "um de nós"?
Significa que um dos maiores escritores que alguma vez viveu, talvez o maior escritor que já viveu, está a expressar verdades cristãs intemporais a uma época que muito precisa delas.
Por todo o mundo se ensina e se lê Shakespeare. Se conseguirmos mostrar que as suas obras são católicas, vamos estar a evangelizar o mundo através do testemunho poderoso de um dos maiores dramaturgos da história do Cristianismo.
Para os católicos, o que é que significa se William Shakespeare é "um de nós"?
Significa que um dos maiores escritores que alguma vez viveu, talvez o maior escritor que já viveu, está a expressar verdades cristãs intemporais a uma época que muito precisa delas.
Por todo o mundo se ensina e se lê Shakespeare. Se conseguirmos mostrar que as suas obras são católicas, vamos estar a evangelizar o mundo através do testemunho poderoso de um dos maiores dramaturgos da história do Cristianismo.
in NCRegister.com
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Bela lição do Presidente da Polónia sobre relação Igreja/Estado
É um momento comovente e extraordinariamente sublime este, em que estamos aqui 1050 anos depois dos dias em que, provavelmente num ambiente solene, o soberano destas terras, na altura o conde Mieszko, recebeu o baptismo.
O cronista Gall escreveu mais tarde que a luz iluminou estas terras. A luz iluminou a Polónia. Porque este baptismo, início da realidade da nossa história polaca, teve duas dimensões. Teve uma dimensão espiritual extraordinária, pois trouxe para cá uma nova religião. Uma religião na qual a maioria dos polacos permanece até hoje. Porque deu os fundamentos para a criação de um estado moderno. Certamente moderno para aqueles tempos, pois trouxe algo completamente novo. Mas trouxe uma modernidade que tem um carácter permanente, um carácter universal.
Estes dois elementos, o espiritual e o estatal, entrelaçaram-se e permanecem. Permanecem apesar de ter havido momentos na história em que este elemento estatal desapareceu. Desapareceu como consequência da raiva, desapareceu como consequência da guerra, desapareceu como consequência da agressão que veio para a terra da Polónia, que afectou os polacos. Mas foi precisamente graças àquilo que o baptismo trouxe às almas, às almas das pessoas que aqui vivem, que as gerações não permitiram que lhes fosse arrebatado o ser polacos. Nunca permitiram que lhes tirassem aquilo com que construíram a tradição, a cultura, a comunidade.
E mesmo quando a Polónia desapareceu do mapa, voltou. Voltou pela força dos polacos e voltou pela força do espírito que recebiam da fé e do baptismo, e que os ajudou a proteger a Igreja. E por isso estou imensamente grato a vossas eminências e vossas excelências por podermos iniciar estas comemorações dos 1050 anos do baptismo da minha pátria justamente com este elemento espiritual. Começar com oração, começar dando graças a Deus por 1050 anos de cuidado pela nação polaca. Agradecer pelos santos que surgiram durante estes 1050 anos da nossa nação.
E, ao inclinar a cabeça aqui em Gniezno, no ninho da nossa nação e da nossa pátria, na terra que foi em tempos pisada por Mieszko e depois pelo seu filho, o primeiro rei polaco Bolesław Chrobry, prestar homenagem a todos aqueles que ao longo destes séculos ganharam a nossa pátria.
Prestar homenagem àqueles que morreram com o grito "Viva a Polónia" nos lábios. E agradecer a Deus pelo cuidado com a nossa pátria. E pedir a Sto. Adalberto, aqui, aos pés da sua conversão, onde estão as suas relíquias, pedir a S. Estanislau de Szczepanowo, bispo da minha cidade natal, pedir a Sto. André Bobola, meu padroeiro e padroeiro da nossa pátria, e pedir a Sta. Faustina, apóstola da Misericórdia divina, a bênção e a intercessão junto de Deus pela nossa pátria, pela nossa nação e por tudo aquilo que é importante para nós.
Para que permaneçamos na tradição dos antepassados, na fé, em tudo aquilo que sempre fez e faz com que sejamos fortes. Que o Senhor abençoe a minha pátria, que o Senhor abençoe os polacos, que o Senhor abençoe a Igreja.
Andrzej Duda in Discurso à Assembleia Nacional por ocasião dos 1050 anos de baptismo da Polónia
(Tradução: Mariana Biela)
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Em memória da Irmã Clare Crockett (missionária no Equador)
A Irmã Clare Crockett passou a sua adolescência afastada de Deus e refugiada em festas regadas a álcool. Aos 18 anos deu-se uma reviravolta na sua vida e vai para missionária.
15 anos depois, encontrando-se no Equador, onde era conhecida pela sua alegria e espírito missionário, morreu no terramoto que abalou esse país há uns dias atrás, como contámos aqui: Terramoto no Equador: Religiosa resgatou o Santíssimo
Rezemos pelas 'Siervas del Hogar de la Madre' e rezemos especialmente pela Irmã Clare Crockett, que um dia disse isto:
"Agradeço a Deus pela paciência que teve comigo e que ainda tem. Não lhe pergunto porque é que Ele me escolheu, aceito apenas. Dependo totalmente dele e de Nossa Senhora e peço-lhe que me deem a graça de tudo o que queiram que eu seja."
O estado consegue dar tudo ao homem? - Bento XVI
"O amor — caritas — será sempre necessário, mesmo na sociedade mais justa. Não há qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar supérfluo o serviço do amor. Quem quer desfazer-se do amor, prepara-se para se desfazer do homem enquanto homem.
Sempre haverá sofrimento que necessita de consolação e ajuda. Haverá sempre solidão. Existirão sempre também situações de necessidade material, para as quais é indispensável uma ajuda na linha de um amor concreto ao próximo. [1]
Um Estado, que queira prover a tudo e tudo açambarque, torna-se no fim de contas uma instância burocrática, que não pode assegurar o essencial de que o homem sofredor — todo o homem — tem necessidade: a amorosa dedicação pessoal.
Não precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas forças sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de ajuda.
A Igreja é uma destas forças vivas: nela pulsa a dinâmica do amor suscitado pelo Espírito de Cristo. Este amor não oferece aos homens apenas uma ajuda material, mas também refrigério e cuidado para a alma — ajuda esta muitas vezes mais necessária que o apoio material. A afirmação de que as estruturas justas tornariam supérfluas as obras de caridade esconde, de facto, uma concepção materialista do homem: o preconceito segundo o qual o homem viveria « só de pão » (Mt 4, 4; cf. Dt 8, 3) — convicção que humilha o homem e ignora precisamente aquilo que é mais especificamente humano."
Papa Bento XVI, Deus Caritas Est, 28b
[1] Cf. Congregação dos Bispos, Directório para o ministério pastoral dos Bispos Apostolorum Successores (22 de Fevereiro de 2004), 197.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Terramoto no Equador: Religiosa resgatou o Santíssimo
Uma das 'Siervas del Hogar de la Madre' salvou-se de morrer no terramoto do Equador porque, ao sentir o sismo, correu para resgatar o Santíssimo Sacramento na capela da sua comunidade. Estela Morales é espanhola e tem 40 anos. É a superiora da comunidade das 'Siervas del Hogar de la Madre' na localidade equatoriana de Playa Prieta, a 200 quilómetros de Guayaquil.
No dia do terramoto, ela e outras 10 religiosas ficaram subterradas sob os escombros da comunidade, localizada no segundo andar do colégio que administram. Quando as outras comunidades na Espanha, Itália e Estados Unidos souberam desta situação, começaram a rezar diante do Santíssimo continuamente.
Os vizinhos resgataram a Irmã irlandesa Thérese Ryan e ouviram entre os escombros a voz da Irmã Estela, que sofreu uma fractura no pé, contusões e alguns ferimentos.
“Ao sentir o impacto do tremor, a Irmã Estela correu para a capela a fim de resgatar o Santíssimo Sacramento”, relata a página das religiosas. “Quando já tinha o Senhor nas suas mãos, tudo desabou ao seu redor, caiu até o andar inferior. Ela pensou em resgatar o Senhor antes de salvar a sua própria vida, e o Senhor salvou-a, estamos certas disto”, prossegue o relato.
Os voluntários, indica o texto, “ouviram também as Irmãs Merly, Guadalupe e Mercedes. Foi muito difícil chegar até elas. Elas se animavam entre si rezando e cantando ao Senhor, sobretudo quando se sentiam sufocadas pela falta de oxigénio”. Caiu um muro em cima da cabeça da Irmã Merly Alcybar, causando-lhe uma forte contusão, enquanto Guadalupe e Mercedes sofreram golpes leves.
No terramoto faleceram a Irmã Clare Crockett, irlandesa de 33 anos, as candidatas equatorianas Jazmina, Mayra, María Augusta e Valeria, assim como a residente Catalina de apenas 21 anos.
Para ajudar esta comunidade religiosa: Siervas del Hogar de la Madre
in acidigital
terça-feira, 19 de abril de 2016
Hóstia milagrosa na Polónia é um tecido do coração humano
O milagre de Legnica ocorreu durante uma Eucaristia dominical no santuário de S. Jacinto. Num comunicado especial, o bispo Zbigniew Kiernikowski informou os fiéis de que naquele local ocorrera um evento com "sinais de um milagre eucarístico".
Este refere-se a uma hóstia que, no dia 25 de Dezembro de 2013, caiu ao padre no pavimento durante a distribuição da comunhão. Foi recolhida e colocada num recipiente com água. Ao fim de alguns dias apareceu nela uma coloração vermelha.
O então bispo foi informado da ocorrência e nomeou uma comissão com vista à observação do fenómeno. Por fim, foi separado um fragmento de matéria vermelha. Este foi entregue ao departamento de medicina legal.
Um fragmento do coração?
Depois de realizadas as análises, o departamento escreveu que "na imagem histopatológica foram encontrados fragmentos de tecidos contendo partes fragmentadas do músculo esquelético. A totalidade da amostra é mais parecida com o miocárdio" com alterações que "frequentemente acompanham a agonia". Os estudos genéticos apontam para tecidos de origem humana." Em Janeiro de 2016, a descrição do assunto foi apresentada pelo bispo Kiernikowski à Congregação para a Doutrina da Fé.
"De acordo com as recomendações da Santa Sé, recomendo ao pároco Andrzej Ziombra que prepare um local adequado para a exposição da Relíquia de modo a que os fiéis a possam venerar" - pode ler-se no comunicado.
Na conferência de imprensa participaram o pároco da paróquia de S. Jacinto, o Pe. Prof. Andrzej Ziombra, a professora de medicina e cardiologia Barbara Engel, o oficial do Tribunal Eclesiástico Pe. Prof. Tadeusz Dąbski o diretor espiritual do Seminário Maior Pe. Prof. Krzysztof Wiśniewski.
Revelação de pormenores
Pe. Waldemar Wesołowski, relações públicas da diocese de Legnica:
- A presente conferência de imprensa encontra-se relacionada com o evento com características de milagre eucarístico que ocorreu aqui, em Legnica, na paróquia de S. Jacinto. Esta já foi referida no comunicado do bispo lido durante a Missa. Os eventos mais importantes já estão contidos nesse comunicado. Hoje tentaremos apresentar os pormenores, a cronologia dos exames médicos e também tocar as questões espirituais e teológicas.
- O evento ocorreu no dia 25 de Dezembro de 2013, durante a celebração da festa do Nascimento do Senhor, no santuário de S. Jacinto, referiu o pároco.
- O sacerdote que distribuía a comunhão deixou, sem querer, cair uma hóstia consagrada no chão. De acordo com as indicações, colocámos a hóstia consagrada num cálice com água. Um dos sacerdotes, durante a celebração da Eucaristia, reparou numa coloração em um quinto desta hóstia. Informámos o bispo e aguardámos duas semanas. Ao fim desse tempo, reparámos que parte da hóstia não colorida caiu para o fundo e desfez-se totalmente. A parte colorida boiava na água. O bispo convocou uma comissão com vista ao esclarecimento deste acontecimento. A comissão mandou analisar o material no dia 27 de Janeiro de 2014. Foi recolhido o material. Em seguida, retirou-se o fragmento colorido, colocou-se num corporal e guardou-se no sacrário, onde permanece até hoje.
Opinião de um cardiologista
- Foi recolhido material para análise, no total fizeram-se quinze amostras. Eram, entre outros, fragmentos da hóstia consagrada transformada e líquido do cálice onde esta esteve durante um mês - referiu a cardiologista Barbara Engel. - Recebemos os primeiros resultados em meados de Março. O material era difícil de ser analisado, pois durante um mês esteve num ambiente aquático. Fez-se uma análise histoquímica que devia manchar os fungos na amostra. Os sítios que lembravam fibras do miocardio não ficaram manchados. Manchou-se apenas o micélio que o acompanhava. Contudo, a presença de fungos num ambiente aquático é algo natural, a sua falta seria algo estrango.
Análise do ADN
- Enviámos amostras também para o Departamento de Medicina Legal da Universidade de Medicina da Pomerânia - continuou Engel. - Não era uma amostra fácil para eles, mas inclinam-se para identificá-la como tecido do miocárdio. Fizeram-se, entre outras, análises ao ADN. A conclusão dos investigadores é a seguinte: trata-se de tecido do miocárdio de origem humana. Todas as análises feitas não esclareceram o fenómeno e como este se deu. Muitas das questões dadas pelos cientistas permaneceram sem resposta.
- Tratava-se da obtenção da certeza moral. Esta obtém-se com base em provas e factos. A comissão começou a procurar diferentes pistas e e provas. Tal como a professora referiu, os nossos primeiros passos foram em direção à Universidade de Medicina de Wroclaw - referiu o Pe. Prof. Tadeusz Dąbski, oficial do Tribunal Eclesiástico.
Não são bactérias
- Recolheram o material e realizaram as análises. Estas análises deram-nos a certeza de que não se trata de uma ação de bactérias que provocou a coloração desta hóstia - disse o padre oficial. - Na opinião do Departamento de Medicina Legal de Wroclaw aparece duas vezes a afirmação de que esta imagem não permite tirar as conclusões adequadas. Esta resposta não foi para nós satisfatória. Decidimos perguntar a mais pessoas, a patomorfologistas e morfologistas. Isto deu-nos mais trabalho, tivemos de nos dirigir a outros peritos, da Universidade da Pomerânia, em Szczecin. As análises dos professores de lá deram a certeza de que estas fibras são mais parecidas com tecidos do miocárdio. E aquilo que as envolve é tecido conjuntivo. Esta opinião estará disponível na Cúria Diocesana de Szczecin.
Um coração num momento de agonia
- A imagem nas lâminas histopatológicas e em seguida o tecido analisado com microscópio UV não deixam dúvidas de que temos em mãos tecido do miocárdio num momento de agonia - disse o Pe. Prof. Dąbski. - Continuamos à procura de mais provas e factos. Acabaram de ver há pouco, atrás de mim, fotografias que são muito comoventes. Queremos ler os sinais que nos são dados. É a primeira prova e o primeiro facto com que nos deparámos ao ir de encontro à certeza moral. Não nos esqueçamos de que não se trata de uma hóstia qualquer. É uma hóstia consagrada. Hoje não estamos aqui como cientistas, mas como testemunhas do que foi feito, do que ocorreu. Todos os factos recolhidos dão nos a possibilidade de afirmar que este evento tem características de milagre eucarístico. Mas aguardemos ainda uma decisão da Santa Sé. Não fomos nós que criámos isto. Fizemos as análise necessárias para obter a certeza moral. Sei porque motivo isto durou dois anos: estamos a viver o Ano da Misericórdia. O bispo obteve a certeza moral no Ano da Misericórdia.
"Intervenção divina"
Pe. Krzysztof Wiśniewski:
- Mais do que o aspeto espiritual destaco o aspeto teológico. Para um teólogo, o ponto de partida são os factos. Um teólogo coloca a questão: isto que agora ocorreu, esta mudança, pode ser explicada de outra forma que não uma intervenção sobrenatural? Como a medicina e as ciências exatas estão impotentes, é lógico procurar uma intervenção divina. Outro aspeto de um milagre é a surpresa, as perguntas. A vossa presença hoje aqui é testemunho disso. Todos os milagres são um sinal que quer transmitir a mensagem da salvação. Definimo-lo deste modo, olhando para a Sagrada Escritura. Para afirmar que um evento é um milagre não basta ter a certeza moral de que ocorreu um facto. É necessário ver mais além no evento. Há tantos milagres na Igreja que não se trata de querer mostrar mais um à força. No entanto, se temos este facto, queremos falar sobre ele.
Que frutos?
Os jornalistas fizeram perguntas sobre o comunicado do bispo, a utilização das palavras "sinal extraordinário" e "relíquia". - "Sinal extraordinário", pois iremos analisar o modo como este acontecimento irá influenciar as pessoas - explicou o Pe. Wiśniewski. - Se vai aproximar as pessoas de Cristo, da fé na Eucaristia, se haverá frutos espirituais de mudança, reflexão.
Perguntas da sala: - Os cientistas sabiam o que estavam a analisar?
Pe. oficial: - A professora e o histopatologista que vieram recolher as amostras obviamente sabiam. Os outros que as analisaram não. Mais tarde, a professora foi sozinha com as amostras fazer outras análises, para não sugerir nada aos pesquisadores. Sem a presença do padres.
Porque é que a hóstia caiu?
Mais perguntas dos jornalistas: - Como ocorreu a situação da queda da hóstia?
Pároco: - O sacerdote tinha um certo problema com os dedos, por isso a comunhão caiu sem tocar na língua do fiel. Guardámo-la no sacrário num cálice com água, à espera que se desintegrasse. É surpreendente que a hóstia não se tenha desintegrado totalmente. Normalmente desintegra-se ao fim de dois dias.
No fim da conferência de imprensa, o pároco agradeceu a todos os que se tomaram parte no desenrolar deste acontecimento.
Texto completo em polaco: Milagre Eucarístico na Polónia
(Tradução: Mariana Biela)
Dois leões revelam os problemas de qualquer ideologia
A sociedade em que vivemos está dominada por ideologias: a ideologia feminista, a ideologia de género, a ideologia socialista, etc.
Mas o que é que significa uma pessoa seguir uma ideologia? Significa que não está aberta à verdade. Isto é, o seu olhar sobre o mundo é filtrado por aquilo em que acredita. Por isso é que os defensores da ideologia de género tentam ver problemas de identidade sexual em todas as personalidades da história. É também assim que os socialistas resolvem os problemas da história, ao recorrer apenas a factores socio-económicos.
Mas então é errado defender certas ideias? Claro que não. É preciso é estar disposto a deixá-las quando nos apercebemos que estão erradas. Por honestidade intelectual. Não ser capaz de largar uma ideia e até forçar a evidência para bater certo com a nossa ideia é o que a torna numa ideologia.
Há imensos exemplos disto a toda a hora, uns mais subtis que outros. Fica aqui um exemplo muito recente e demasiado óbvio.
Na semana passada, uma fotografia da National Geographic de dois leões a acasalar correu as redes sociais. Diziam que eram dois leões machos. A imagem ficou famosa porque mostrava que as relações homossexuais são naturais e acontecem noutras espécies. (Se bem que fica por explicar a relação entre os leões e os homens.)
O interesse pela imagem chegou a tal ponto que o Huffington Post até lhe juntou num artigo uma citação de Yale sobre a possibilidade de quase 10% dos animais terem comportamentos homossexuais.
Ontem a National Geographic veio desmentir a situação. Kathleen Alexander é especialista em leões e professora universitária no Virginia Polytechnic Institute dos USA. Disse ela que há 20 anos que observa leões e nunca viu um acasalamento homossexual entre leões. Também não foi agora. Estes dois machos afinal são macho e fémea.
O artigo da National Geographic termina com os comentários de Luke Hunter, presidente do grupo Panthera, para a conservação de felinos. Também ele confirma que são um macho e fémea. Diz ainda que esta é uma fémea que apresenta algumas características próprias de um macho, daí a juba. Não deixa de ser interessante que no mundo dos leões, mesmo aqueles que poderiam ter problemas de identidade sexual, continuam a ser heterossexuais. Se calhar as pressões psicológicas para que as pessoas "se assumam" homossexuais é que são anti-naturais, pelo menos de acordo com os leões.
Isto fez lembrar quando o famoso ateu Richard Dawkins promoveu uma campanha para impedir o ensino de religião às crianças. Para os cartazes, as crianças mais felizes que encontrou eram de uma família Cristã, mostrou o The Telegraph.
Como Cristãos, a nossa postura também não pode ser ideológica. Por amor à verdade, devemos estar dispostos a abandonar o Cristianismo se reconhecermos que é contra a razão. Mas a beleza do Cristianismo está nisso mesmo - o nosso Deus é a própria razão encarnada. É por isso que constantemente nos chegam histórias de pessoas muito diferentes a converterem-se. Isto é assim desde há 2000 anos.
Nuno CB
Nuno CB
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Coisas que não podem mudar - George Weigel
Quando o Concílio do Vaticano II estava a fazer os últimos retoques num dos
seus documentos-chave, a Constituição Dogmática sobre a Igreja (Lumen Gentium),
o Papa Paulo VI propôs a inclusão de uma declaração que afirmava que o Papa “só
é responsável perante Deus”.
A sugestão submetida à Comissão Teológica do Concílio, para surpresa do
Papa, foi rejeitada: o Pontífice Romano, afirmou a Comissão Teológica, “está
sujeito à Revelação em si, à estrutura fundamental da Igreja, aos sacramentos,
às definições dadas por Concílios anteriores, e a outras obrigações demasiado
numerosas para mencionar”. O Papa não pode, por outras palavras, mudar a base da
fé da qual é guardião e não mestre. O Papa não pode decidir que a Igreja
funciona sem Bispos, que há onze sacramentos ou que Ário tinha razão ao
negar a divindade de Cristo.
Quanto às “outras obrigações demasiado numerosas pra mencionar”, estas
incluem a responsabilização do Papa no que concerne à maneira como as coisas
são, outro limite à autoridade do Papa. Lembro-me bem de uma conferência
académica na qual um filósofo sério (que se considerava um católico
extremamente ortodoxo e que se apresentou à nossa assembleia ecuménica dizendo:
“Sou o tipo de Católico que ainda se pode odiar”) anunciou, “Se o Papa dissesse
que ‘2+2=5’ eu acreditaria nele.” Outro filósofo, ainda mais distinto, deu a
resposta própria e católica a este ultramontanismo exagerado: “Se o Papa
dissesse que ‘2+2=5’, eu diria, publicamente, ‘Talvez não tenha compreendido o
que Sua Santidade pretendia dizer’. Em privado, eu rezaria pela sua sanidade.”
Estas duas vinhetas vieram-me à cabeça quando várias “máquinas” católicas
entraram em alta velocidade, cada uma tentando fazer interpretações sobre a
exortação apostólica do Papa Francisco para completar o trabalho
feito no Sínodo de 2014 e 2015.
Como de costume, o Cardeal Walter Kasper esteve no início, anunciando que a exortação apostólica seria um primeiro passo para defender a sua proposta para um “caminho penitencial” no qual o divórcio e a possibilidade de voltar a casar civilmente seriam aceites na santa comunhão, apesar do facto de a sua proposta ter sido criticada e rejeitada em ambos os Sínodos e em vários artigos académicos e livros.
A reviravolta de Kasper foi então aproveitada pelos habituais suspeitos da comunicação social que perguntaram aos típicos católicos que estão ao lado da Barca de Pedro, aqueles que falam dos assuntos mais por especulação do que por exortação apostólica abrindo caminhos revolucionários, envolvendo a Igreja numa eventual aceitação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e de outros assuntos de interesse do lobby LGBT.
Isto, claro, iniciou uma contrarreação nos sectores tradicionais e
conservadores da blogosfera Católica, onde o isco foi mordido e começou um rol
de todas as maneiras de especulação obscura sobre
o que aconteceria se o Cardeal Kasper fosse seguido.
O que foi marcante sobre estes relações públicas no presente caso foi que
ambos, progressistas os conservadores/tradicionalistas, parecem ter um
entendimento errado sobre o que o Papa pode fazer.
Ao rejeitar a proposta do Papa Paulo VI sobre um pontificado “só
responsável perante Deus” o Vaticano II tornou claro que há limites à actuação
dos Papas. No que ficou decidido relativamente às matérias de fundo tratadas
nos dois Sínodos recentes, por exemplo, foi que nenhum Papa pode mudar o
ensinamento constante da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento ou sobre
o grave perigo de receber a Santa comunhão indignamente porque estas são as
questões às quais a Comissão Teológica do Concílio chama “própria revelação”:
para ser específico, 'Mateus 19, 6' e '1Coríntios 11, 27-29'. O Papa Francisco também
nunca indicou, em nenhuma declaração pública, que pretende um desvio do que está
escrito por revelação para a constituição da Igreja.
Parece-me inevitável, infelizmente, a continuação da reviravolta
independentemente da forma como o Papa faça o seu apelo para o acompanhamento
pastoral dos divorciados e dos que voltaram a casar civilmente. Podemos esperar
que a articulação não seja tão ambígua que a batalha dos reformistas continue ad infinitum e ad nauseum. Mas, em toda esta tinta derramada e nestes pixéis
todos, lembremo-nos que há coisas na Igreja que não mudam, simplesmente porque não
podem.
in First Things
in First Things
domingo, 17 de abril de 2016
Domingo do Bom Pastor - Lembrar os sacerdotes
Ego sum pastor bonus et cognosco oves meas et cognoscunt me.
Eu sou o Bom Pastor e conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-me. Jo 10, 14
Hoje foi o Domingo do Bom Pastor - um dia dedicado à oração pelas vocações.
É também um dia para nos lembrarmos dos sacerdotes que marcaram a nossa vida e nos aproximaram e nos aproximam de Deus.
Em particular, claro, pelo Papa Francisco, sucessor de Pedro.
sábado, 16 de abril de 2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Video inédito do Papa Bento depois de celebrar Missa no Vaticano
O Papa Bento XVI faz 89 anos! Para comemorar, a 'Fundação Vaticana Joseph Raztinger - Bento XVI' divulgou um vídeo inédito do Papa Bento na procissão de saída de uma Missa celebrada no Campo Santo Teutónico, um colégio alemão situado no Vaticano. Visivelmente bem-disposto, o Papa mostra alguma dificuldade em caminhar, e por isso usa um andarilho.
Rezemos pelo Papa Bento
China: "Ouvi dizer que querias ser padre"
Nasci há 26 anos na China. A minha mãe baptizou-me quando era pequenino e pôs-me o nome de João, segundo me contou, porque era um dos discípulos amados do Senhor. Os meus pais são cristãos e também os meus avôs maternos, que são camponeses. Eles transmitiram-me a fé.
No meu país é difícil assistir à santa Missa pela falta de sacerdotes, e um cristão pode assistir normalmente 10 ou 12 vezes por ano. Todos os Domingos uma das famílias cristãs da comunidade põe à disposição a sua casa e ali se encontram as outras famílias para rezar e escutar a Palavra de Deus. Lembro-me bem da minha mãe ensinar as crianças a rezar o Terço.
Desde cedo me preparei para estudar e ir para a universidade. Um dia convidaram-me para celebrar o «Dia das vocações sacerdotais e religiosas». Nesse mesmo dia, um amigo enviou-me a seguinte mensagem para o meu telemóvel: «é verdade que tu queres ser sacerdote?». A resposta natural teria sido um «não», porque não era para mim, nem estava preparado, nem sequer tinha pensado nisso, mas a minha resposta foi «sim». A partir desse momento a minha vida mudou.
O Bispo sugeriu-me que continuasse a estudar e que pensasse bem. Um ano depois escrevi-lhe a pedir que me admitisse para estudar para ser sacerdote. Ora isso era um problema porque no meu país não existem seminários na forma tradicional. A sua resposta foi «já verei como fazer»; e perguntou-me como estava o meu Inglês, ao que respondi: «péssimo».
Um mês depois, através de um sacerdote, chegou-me a resposta oficial de que estudaria em Roma. Tinham conseguido uma bolsa para que me formasse no Seminário “Sedes Sapientiae” e que estudasse na Universidade Pontifícia da Santa Cruz. Dois meses antes de partir fui a Pequim para estudar Italiano, e reforcei esse estudo em Roma, outros dois meses antes de começar as aulas.
A minha mãe, que é uma boa cristã, ficou com o coração partido como todas as mães: por um lado, estava feliz com a minha decisão, mas, por outro, sabia das dificuldades dos sacerdotes chineses e propunha-me que continuasse com os estudos e esquecesse o sacerdócio. Eu respondi-lhe: «Mamã, não digas isso que o demónio está a falar por ti». Há cinco anos que não vejo os meus pais, nem a minha família. Sigo os acontecimentos familiares – o casamento do meu irmão, o nascimento da minha sobrinha – pela internet.
Neste ano de 2015 terminei os estudos de Teologia e estava à espera da decisão do meu Bispo para me ordenar como diácono. Mas ele aconselhou-me a não regressar enquanto não termine todos os meus estudos, porque é menos arriscado. Conheço um sacerdote a quem tiraram o passaporte e os outros documentos e nunca mais lhos devolveram. Esta é uma forma de tortura moderna porque uma pessoa perde a sua própria identidade; sem documentação passa-se a não ser nada na sociedade civil. O meu Bispo propôs-me que continuasse os estudos de Direito Canónico porque no futuro a nossa região vai necessitar de um tribunal e de três canonistas. Por agora só temos um e eu seria o segundo.
Graças aos benfeitores vou continuar os meus estudos e depois regressarei para servir os cristãos do meu país. Na minha Província, andam a tirar as cruzes das igrejas; alegam que a religião é uma coisa do âmbito privado e que não se devem tornar públicos os seus sinais porque, além disso, seria uma desigualdade com outras religiões.
Numa paróquia da minha diocese, há uma cruz que não está muito visível. Há um camponês do lugar que diz aos mais novos: «só sei que a Cruz é a minha vida; se quiserem tirar a Cruz, antes têm que tirar-me a vida». E abraça-a todos os dias.
Dezembro de 2015
quarta-feira, 13 de abril de 2016
D. Athanasius Schneider em Inglaterra
D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar da diocese de Astana (Cazaquistão), visitou Inglaterra. Este bispo é um dos maiores defensores da comunhão de joelhos e na boca. No livro 'Dominus Est' conta a sua experiência e da sua família como cristãos perseguidos na ex-União Soviética, e o valor que aquelas pessoas davam ao Santíssimo Sacramento. Aqui ficam algumas fotografias da Missa que celebrou na paróquia de Santa Maria em Warrington.
Mais fotografias aqui: D. Athanasius Schneider em Inglaterra
Ateu baptiza-se aos 80 anos
Comovente fotografia do baptismo de Alexei. Este russo viveu toda a sua vida como ateu, mas aos 80 anos descobriu a fé em Jesus Cristo e foi baptizado, no lar onde vive. O sacerdote que o baptizou chama-se Fr. Sean Ogle e é prior da paróquia de Nossa Senhora do Monte Carmelo em Astoria (Nova Iorque). A madrinha é uma paroquiana de seu nome Charmaine. Louvado seja Deus!
Imagem e informações retiradas da página de facebook da referida paróquia
Imagem e informações retiradas da página de facebook da referida paróquia
terça-feira, 12 de abril de 2016
Família numerosa, emigração e pobreza... mas sempre felizes
A nossa família não é um romance, é uma realidade
Deveria ter uns catorze anos quando uma amiga me aconselhou a recorrer ao Arcanjo S. Rafael pedindo-lhe que mostrasse o seu poder e me arranjasse um bom marido. Naquele tempo a sua festa celebrava-se no dia 24 de Outubro, que é também o dia do meu aniversário. Não imaginava onde me levaria esse conselho, e muito menos como S. Rafael mostraria o seu poder.
Passaram alguns anos: A minha irmã mais velha estava a estudar Medicina em Frankfurt (Alemanha) onde vivia com o marido. Quando nasceu o primeiro filho, pediram-me para sair da Costa Rica e ir ajudá-los a cuidar do bebé. Quando cheguei, inscrevi-me num curso de dança e conheci Norbert, um rapaz que me ajudava a aprender alemão. Trabalhava para a Lufthansa e fazia parte de uma brigada especial de polícias antiterroristas que, vestidos com o uniforme da tripulação, viajavam incógnitos para garantir a segurança dos passageiros. Viajava vários dias na semana para diferentes lugares do mundo mas, quando regressava a Frankfurt encontrávamo-nos, conversávamos, riamos.
Quando Norbert fez 20 anos levou-me pela primeira vez a casa dos pais; a uma localidade a três horas de distância de Frankfurt. Ao visitar a Igreja da terra, reparei num dos frescos que representava o Arcanjo S. Rafael com Tobias. Seria esse o sinal? Mas o tempo ia passando, e chegou o dia de regresso à Costa Rica
Como ultrapassaram a separação? É possível um namoro à distância?
Não sei como descrever a dor que significa separarmo-nos da pessoa de quem mais gostamos. Talvez por isso tenha entendido muito bem a passagem de S. Josemaria no livro “Cristo que passa" quando referindo-se à Eucaristia fala da separação dos que se amam.
Durante todo esse tempo escrevíamo-nos… Nos anos 80 não havia internet, nem skype, nem nada. Telefonar era muito caro e a única opção era o correio normal. Uma carta minha durava aproximadamente uma semana a chegar à Alemanha e tinha de esperar, pelo menos, outra semana para receber a resposta, isto na melhor das hipóteses, porque às vezes tinha que esperar mais tempo.
Durante seis anos fomos trocando correspondência mas, a certa altura, comecei a pensar se na verdade teria sentido continuar a esperar e a escrever. E se não o voltasse a ver? E se era tudo uma ilusão? Era uma loucura com o Oceano Atlântico pelo meio.
1985, foi o ano decisivo. Apresentou-se a oportunidade de ir a Roma, em Março, com a minha mãe e irmãs. Ao pousar em solo europeu reacendeu-se o desejo de o voltar a ver. Em Roma, quando lhe telefonei e disse que estava na Europa limitou-se a perguntar: Queres que vá ter contigo? Duvidei por uns momentos, não sabia que responder e finalmente disse que sim. Chegou dois dias depois e ficou outros dois. Disse-me que iria à Costa Rica no início de Agosto e que tínhamos que decidir se nos casávamos, se não deixávamos de nos escrever. Tínhamos juntado um “montão" de cartas.
Recordo-me que regressei à Costa Rica com o “coração na boca": uma decisão tão importante e com tantas consequências. Lembrei-me de outro conselho que me ajudou muito naquele problema: recorrer à ajuda de Nossa Senhora: “Coração dulcíssimo de Maria prepara-me um caminho seguro". Repeti-o milhares de vezes e pedi-lhe muito que me fizesse ver com clareza pois se dissesse que sim teria, seguramente, de ir para a Alemanha com as consequências daí decorrentes. Exactamente no dia 15 de Agosto recebi o sinal de que precisava e nesse dia disse que sim.
Norbert e eu, depois de tanto tempo de espera, casámo-nos e vivemos felizes. Mas a nossa vida não é um romance, é a vida, e a vida implica também dificuldades, problemas e sofrimento.
Fale-nos um pouco dessa “vida" cheia de alegrias mas também de pequenos e grandes sofrimentos.
Como eu não queria viver na Alemanha decidimos instalar-nos na Costa Rica onde vivemos os primeiros 4 anos e nasceram os nossos três primeiros filhos. Foi pela Providência divina que se tornasse difícil ficar a viver aí. Agora, com o passar do tempo, compreendo-o, mas resisti quanto pude à ideia de irmos viver para a Alemanha. A mudança implicaria que teríamos de viver algum tempo em casa dos meus sogros enquanto construíamos a nossa... E com isto passaram mais 4 anos… Anos, em que não tínhamos nada, e era preciso começar do zero.
Com a ajuda de Deus e os esforços de Norbert conseguimos comprar (com empréstimo bancário, claro) um terreno e começar a construir. Norbert fez ele mesmo os projetos da casa e, a par do seu trabalho habitual, aos fins-de-semana, trabalha na sua construção.
Uma vez ouvi dizer que os arquitetos nunca conseguiram inventar uma cozinha onde caibam duas mulheres e o ditado tem toda a razão: é indispensável que uma jovem família tenha “as suas próprias paredes".
Essa época foi muito intensa e extenuante. Havia dias em que me sentia como um “zombie" porque os nossos primeiros cinco filhos dormiam muito mal de noite
Falando de filhos e do namoro, falaram sobre a família que queriam constituir?
Antes de casar, tínhamos combinado ter os filhos que viessem mas, enquanto ele estava na Alemanha e eu na Costa Rica, fizeram-me uns exames médicos e disseram que não poderia ter filhos. Escrevi-lhe e disse que, se não quisesse casar comigo, o entenderia perfeitamente. Norbert respondeu-me que não tinha importância, adoptaríamos.
Depois, graças a Deus, chegaram os nossos próprios filhos. Norbert e eu combinámos que eu ficaria em casa a cuidar das crianças; ele ganharia o sustento. Ainda que durante algum tempo tenha renunciado a trabalhar fora de casa, estou convencida que esse não foi tempo perdido, mas sim o tempo mais valioso da minha vida: ter a oportunidade de acompanhar os primeiros passos dos meus filhos na aventura da vida, procurar formá-los cristãmente, inculcar-lhes valores.
Agora, enquanto escrevo, penso nos nossos cinco filhos mais velhos que já “deixaram o ninho" e agradeço a Deus que, quase onze anos depois de nascer o quinto, tenha tido a felicidade de ter a Eva Maria que agora tem onze anos. Nasceu quando tinha 44 anos e naturalmente, no início, tive medo mas, felizmente, tudo correu normalmente e, por fim, Stefanie (a mais velha) teve a sua tão desejada irmã.
Norbert, tão trabalhador como sempre, ajuda a sustentar os filhos que ainda estão na Universidade, se bem que continuemos a pagar empréstimos ao banco, mas já falta pouco para terminar… Deus ajuda sempre mas, como diz o refrão “Deus ajuda quem se ajuda".
O casamento, a família, como nos disse, apresenta desafios que nunca tínhamos imaginado. Como enfrentou as dificuldades resultantes de viver num país novo sem conhecer bem a língua e os costumes?
Adaptar-me ao meu novo país foi difícil, outros costumes e outra mentalidade, e muitas vezes sentia desejos de regressar. A sorte foi que dispunha de um bom “arrimo espiritual" que me ajudava a olhar as coisas de outra perspectiva e me dava coragem para superar as dificuldades económicas, os mal-entendidos com a sogra e a saudade (do meu país e da minha gente), etc. E fazia-me ver que todos esses sacrifícios valiam a pena. E na verdade valeram a pena.
Vivo na Alemanha há 25 anos. Tive que aprender muitíssimo entre outras coisas o modo de ser das pessoas: Enquanto na América Latina somos, em geral, muito comunicativos e emotivos e quando falamos usamos todo o tipo de pormenores, aqui, as pessoas são mais reservadas e moderadas, mas têm uma riqueza interior muito grande. Se temos a sorte de fazer um(a) amigo (a) tê-lo-emos para toda a vida. No início não os conhecia e essas diferenças de caráter faziam-me sofrer muito. Tive que aprender a conhecê-los e entretanto a passar por alto coisas que não percebia e me magoavam, procurar perdoar e esquecer… Valeu e vale a pena e, ao recordar estes anos, só posso agradecer a Deus tantos cuidados e bênçãos!
Já estamos casados há quase 30 anos, temos 6 filhos e, de vez em quando, passo pela pequena igreja da terra do meu marido para cumprimentar o meu querido S. Rafael.
"Formaria um pobre conceito do matrimónio e do amor humano quem pensasse que ao tropeçar com essas dificuldades, o carinho e o contentamento se acabam. É precisamente então que (…) a doação e a ternura se enraízam e se manifestam com um afecto autêntico e profundo, mais poderoso que a morte." S. Josemaria
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