quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Estado pode saber qual a religião verdadeira? Sim, diz Leão XIII

Devem, pois, os chefes de Estado ter por santo o nome de Deus e colocar no número dos seus principais deveres favorecer a religião, protegê-la com a sua benevolência, cobri-la com a autoridade tutelar das leis, e nada estabelecerem ou decidirem que seja contrário à integridade dela. E isso devem-no eles aos cidadãos de que são chefes. 

Todos nós, com efeito, enquanto existimos, somos nascidos e educados em vista de um bem supremo e final ao qual é preciso referir tudo, colocado que está nos céus, além desta frágil e curta existência. Já que disso é que depende a completa e perfeita felicidade dos homens, é do interesse supremo de cada um alcançar esse fim. 

Como, pois, a sociedade civil foi estabelecida para a utilidade de todos, deve, favorecendo a prosperidade pública, prover ao bem dos cidadãos de modo não somente a não opor qualquer obstáculo, mas a assegurar todas as facilidades possíveis à procura e à aquisição desse bem supremo e imutável ao qual eles próprios aspiram. A primeira de todas consiste em fazer respeitar a santa e inviolável observância da religião, cujos deveres unem o homem a Deus.

Quanto a decidir qual religião é a verdadeira, isso não é difícil a quem quiser julgar disso com prudência e sinceridade. Efectivamente, provas numerosíssimas e evidentes, a verdade das profecias, a multidão dos milagres, a prodigiosa celeridade da propagação da fé, mesmo entre os seus inimigos e a despeito dos maiores obstáculos, o testemunho dos mártires e outros argumentos semelhantes, provam claramente que a única religião verdadeira é a que o próprio Jesus Cristo instituiu e deu à sua Igreja a missão de guardar e propagar.

Papa Leão XIII in Carta Encíclia 'Immortale Dei' (§12, §13)


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Porque é que as pessoas dão beijos? Teologia ou evolução?

Eu dou beijos a muitas pessoas. Tenho uma mulher. Tenho sete filhos. Todos recebem beijos meus. Dou beijos aos membros da minha família. Beijo as mãos dos padres. Beijo a Bíblia. Beijo a cruz e as imagens de Cristo, de Maria e dos santos. Beijar é bíblico. Em tempos, os Cristãos falavam-se sempre com um beijo. De facto, a Bíblia ordena-o: "Saudai-vos uns aos outros com um beijo santo." (Rm 16, 16).

Mas o vosso amigo ateu provavelmente tem dificuldades em perceber o sentido de um beijo. De acordo com os evolucionistas [materialistas], o beijo evoluiu desta maneira como o conhecemos... Os antropologistas seculares concluíram que o beijo apareceu quando as mães proto-humanas mastigavam a comida e cuspiam-na para a boca dos seus filhos - boca a boca. Não havia processadores de comida, apenas dentes.

De acordo com os evolucionistas, a ligação boca a boca começou como uma forma de sobrevivência. A criança associava a experiência de boca a boca com o prazer de comer. Durante milhares de anos, o "beijo" tornou-se parte de uma sobrevivência biológica. Tornou-se, dizem eles, uma característica do prazer, alegria e ligação da cultura humana.

Hmmm. A mamã a cuspir comida para a boca do filho de dois anos. Isto é muito feio. Será realmente essa a razão pela qual eu beijo a minha mulher quando regresso a casa do trabalho? Será que vomitar comida é verdadeiramente a origem do beijo? Penso que não.

O primeiro beijo registado na Bíblia é, na verdade, entre pai e filho. Entre Isaac e Jacob.

Isaac disse-lhe: Chega-te para mim, e dá-me um ósculo, filho meu. Chegou-se, e deu-lhe um ósculo. E logo que sentiu a fragrância dos seus vestidos, abençoando-o, disse: eis o cheiro do meu filho bem como o cheiro do campo que o Senhor abençoou.” (Gn 27, 26-27)

O beijo, pelos vistos, não surge de largar comida para a boca dos filhos. O beijo pode ser um sinal romântico entre apaixonados. Pode ser para os filhos ou netos. Pode ser religioso. Os monges beijam-se uns aos outros. Os padres beijam o altar. Nós beijamos o anel de um bispo ou a mão de um padre. Beijamos ícones. Beijamos a avó. Felizmente, nenhuma comida é trocada em nenhum destes encontros!

Então o que é que está num beijo? Porque é que pomos a nossa boca em pessoas e coisas? Como é que isso mostra amor e/ou reverência?

Para descobrir a teologia do beijo, temos que descobrir a teologia da cara e da boca, em particular. Isto daria um livro inteiro, mas vou resumir. Na Sagrada Escritura, a boca é a porta da alma. A boca, mais do que os olhos, revela a natureza da alma. Por exemplo:

Aquele que guarda a sua boca, guarda a sua alma; mas o que é inconsiderado no falar sofrerá males.” (Pv 13, 3)
O coração do sábio instruirá a sua boca, e acrescentará graça aos seus lábios.” (Pv 16, 23)
Ela abriu a sua boca à sabedoria, e a Lei da clemência está na sua língua.” (Pv 31, 26)
Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e estas são as que fazem o homem imundo.” (Mt 15, 18)
"do que está cheio o coração, disso é que fala a boca." (Lc 6, 45)

Os homens são criaturas racionais e intelectuais e a nossa racionalidade expressa-se principalmente através da boca. Deus-Pai revela-se a Si mesmo através da Sua Palavra, a Segunda Pessoa da Trindade. Também nós nos revelamos através das nossas palavras, pela boca. É por isso que São Bernardo disse que a Encarnação de Cristo foi o "beijo" entre Deus e o mundo.

Eu diria que colocar a boca em alguma coisa (um beijo!) é um acto humano que comunica esta realidade: "Eu submeto a minha natureza intelectual a ti e em serviço a ti." Ao beijar damos a nossa boca à outra pessoa. Damos-lhe a nossa alma, o nosso coração e os nossos pensamentos.

Não podemos remover a nossa alma intelectual e dá-la a alguém. Em vez disso damos-lhe a nossa boca. É como Cristo diz, "do que está cheio o coração, disso é que fala a boca." Como todos sabemos, um beijo diz mais do que palavras. É por isto que os seres humanos se beijam e é por isso que beijar tem sido romântico, filial e especialmente religioso ao longo da história humana. 

Taylor Marshall

PS: É interessante notar que os hereges no passado criticaram o beijar estátuas, Bíblias e ícones pela razão de que isso significa uma alma racional a colocar-se a si mesma sob um objecto inanimado, não-racional. Os teólogos Católicos têm respondido sempre que o beijo passa para uma realidade mais elevada. Assim como quando beijamos a foto de uma pessoa amada que está ausente, esse afecto deve-se à pessoa e não ao papel. Da mesma forma, um beijo à Bíblia passa para o Espírito Santo e um beijo a uma estátua de Jesus passa para Jesus.

Pps: também é por isso que as pessoas gostam imenso de ter os seus bébés beijados por Papas e pessoas famosas. É a maior honra. Muito melhor do que um aperto de mão!


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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Bento XVI: O Papa que sempre renunciou

Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender às 8 da manhã quando te dirigem a palavra para dizer com a maior simplicidade: "Daniel, o Papa demitiu-se". E eu respondi: "Demitiu?" A resposta era mais do que óbvia, "Quer dizer que renunciou, Daniel, o Papa renunciou!"

Eu sou católico. Um entre tantos. Destes católicos que durante a sua infância foi levado à Missa, depois cresceu e foi tomado pelo tédio. Foi então que, a uma certa altura, deitei fora todas as minhas crenças e levei a Igreja junto. Mas a Igreja não é para ser levada nem por mim, nem por ninguém (nem pelo Papa). Depois, a uma certa altura de minha vida, voltei a ter gosto pelo meu lado espiritual, e assim, de forma quase banal e simples, continuei por um caminho pelo qual hoje eu digo: sou católico. Um entre muitos, sim, mesmo assim, católico. Quer se seja um doutor em teologia ou um analfabeto em escrituras (destes como existem milhões por aí), o que todos sabem é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objecto de troça e de orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre como Papa.

Por isto, quando acordei com a notícia, como outros milhões de seres humanos, perguntei-me: porquê? Porque é que renuncia, senhor Ratzinger? Ficou com medo? Foi consumido pela idade? Perdeu a fé? Ganhou a fé? E hoje, depois de 12 horas, acho que encontrei a resposta: Ratzinger renunciou porque foi o que fez a vida inteira.

O Papa renunciou a uma vida normal. Renunciou a ter uma esposa. Renunciou a ter filhos. Renunciou a ganhar um salário. Renunciou à mediocridade. Renunciou às horas de sono, em troca de horas de estudo. Renunciou a ser um padre a mais, porém também renunciou a ser um padre especial. Renunciou a encher a sua cabeça de Mozart, para enchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços dos seus pais. Renunciou a estar reformado aos 85 anos, desfrutando dos seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou a desfrutar do seu País. Renunciou à comodidade de dias livres. Renunciou à vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Pois bem, para mim a coisa é óbvia: o Papa é um sujeito apegado à renúncia.

E agora volta a demonstrá-lo. Um Papa que renuncia ao seu pontificado, quando sabe que a Igreja não está nas suas mãos, mas nas de Alguém muito maior, parece-me um Papa sábio. Ninguém é maior do que a Igreja. Nem o Papa, nem os seus sacerdotes, nem os leigos, nem os casos de pederastia, nem os casos de misericórdia. Ninguém é maior do que ela. Porém, ser Papa a esta altura da História, é um acto de heroísmo. Lembro-me sem dúvida da história do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como é que que morreu? Sim, numa cruz, crucificado como o seu Mestre, só que de cabeça para baixo.

Ratzinger despede-se da mesma maneira. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado por seus próprios irmãos católicos. Crucificado à sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade, essa que custa tanto entender. É um mártir contemporâneo, destes a respeito dos quais inventam histórias, destes que são caluniados, destes que são acusados, e não respondem. E quando respondem, a única coisa que fazem é pedir perdão. "Peço perdão por minhas faltas". Nem mais, nem menos. Que coragem, que ser humano especial. Mesmo se eu fosse um mórmon, ateu, homossexual ou abortista, o facto de ver um sujeito de quem se diz tanta coisa, de quem tanta gente faz chacota e que, mesmo assim, responde desta forma... este tipo de pessoas já não existe no nosso mundo.

Vivo num mundo onde é divertido zombar do Papa Bento, porém é pecado mortal fazer piadas sobre um homossexual (para depois certamente ser tachado de bruto, intolerante, fascista, direitista e nazi). Vivo num mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um sujeito que, com 85 anos, quer o melhor para a Instituição que representa. Nós, porém, vamos com tudo contra ele porque, "com que direito ele renuncia?" Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Como se ninguém tivesse preguiça de ir à escola. Como se ninguém tivesse preguiça de trabalhar. Como se vivesse num mundo em que todos os senhores de 85 anos estivessem activos e trabalhando (e ainda por cima sem ganhar dinheiro) e ajudando a multidões. Pois é.

Pois agora eu sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que irá achá-lo muito estranho. Num mundo que não leu os seus livros, nem as suas encíclicas, porém que daqui a 50 anos ainda irá recordar como, com um gesto simples de humildade, um homem foi Papa e, quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu afastar-se por amor à Igreja. Morra então tranquilo, senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem o corpo exibido em São Pedro, sem milhares chorando e esperando que a luz do seu quarto seja apagada. Morra então como viveu, embora fosse Papa: humilde. Bento XVI, muito obrigado pelas suas renúncias.

Daniel in oehd.wordpress.com


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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O mito de que os Cristãos recorriam ao 'deus-tapa-buracos'

Muitos dizem que não acreditam em Deus porque não precisam de um Deus para explicar o que não conhecem. Mas qualquer Cristão que saiba o mínimo sobre a sua Fé também não acredita num Deus assim. A fé dos Cristãos em Deus não assenta num deus-tapa-buracos. Pelo contrário, se o desconhecido estiver na própria natureza, um Cristão do século XXI vai procurar explicações na ciência e não na teologia.

O problema é que existe a ideia de que se hoje em dia um Cristão recorre à ciência, no passado nem sempre foi assim. Muitos julgam que, quando a ciência não estava tão avançada, os Cristãos e outros crentes usavam Deus para explicar fenómenos que não compreendiam, como o movimento dos planetas ou o aparecimento do arco-íris.

Mas a história da Ciência mostra que alguns dos principais cientistas da Europa Cristã não pensavam assim. Não só não recorriam a Deus para explicar a natureza, como em plena Idade Média escreveram explicitamente contra essa ideia. 

Vejam o que diz um um dos maiores historiadores de ciência num recente artigo:
Mestres que praticavam filosofia natural, as ciências matemáticas ou medicina, tipicamente tinham um forte sentido da autonomia dos seus métodos. Portanto as suas explicações naturais não desapareciam quando continuavam [os estudos] em teologia. 
Já no século XII, Gilbert de Poitiers [onde era Bispo] chamou a atenção para os diferentes significados de algumas palavras quando usadas em teologia e em filosofia natural. 
No século XIII, tanto o teólogo [Sto.] Alberto Magno e o mestre de artes Siger de Brabant asseguraram para si o direito e o dever de ignorar os milagres e a fé quando raciocinavam como physici (filósofos naturais). [O Bispo inglês] John Blund (d. 1248) não via problema nenhum em discordar com os santos sobre o mundo natural. Em matérias de fé, os santos eram porta-vozes do Espírito Santo, mas em "máterias naturais" (de rebus physicis), falavam apenas como homens, e portanto podiam-se enganar. 
No século XIV, o teólogo [e Bispo] Nicole Oresme discutiu muitas coisas inexplicáveis que, dizia ele, tinham ou eventualmente teriam explicações físicas: 
"Não há razão para recorrer aos céus, o último refúgio dos fracos, ou aos demónios, ou ao nosso glorioso Deus como se ele produzisse estes efeitos directamente, em vez de àqueles efeitos cujas causas nós julgamos serem bem conhecidas por nós." 
Entre os intelectuais, a ideia de que as causas secundárias eram necessariamente naturais era ampla, desde o uso de modelos mecânicos na astronomia ao incrível naturalismo do rabino e astrónomo Levi ben Gerson, que excluía os milagres acima da esfera da lua quando interpretava as escrituras. As conclusões sobre o mundo natural estavam desligadas dos milagres através de expressões como "de acordo com a física", "falando naturalmente", ou "de acordo com a luz da razão natural". O único ponto destas actividades era resolver problemas apenas com critérios acessíveis aos sentidos e ao intelecto.  
Michael Shank, "Natural Knowledge in the Latin Middle Ages" in Wrestling with Nature. The University of Chicago Press, 2011.


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Vale a pena lutar pela santidade




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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Cardeal Muller dá interpretação final da Amoris Lætitia

Na semana passada foi publicada uma entrevista com o Cardeal Gerhard Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Além do Papa, é ele que tem autoridade para interpretar os documentos da Igreja de acordo com o Magistério, como ele próprio diz na entrevista.

Nos últimos meses surgiram entre alguns bispos dúvidas sobre a interpretação correcta da exortação apostólica Amoris Lætitia. Nesta entrevista o Cardeal Muller não disse nenhuma novidade, mas voltou a esclarecer que a única interpretação possível da Amoris Lætitia é a que está de acordo com o Catecismo da Igreja Católica.

Aqui fica parte da entrevista:


Pode haver alguma contradição entre a Tradição e a própria consciência?

Não, é impossível. Por exemplo, não se pode dizer que haja circunstâncias em que um adultério não constitui um pecado mortal. Para a doutrina católica é impossível a coexistência entre o pecado mortal e a graça santificante. Para superar esta absurda contradição, Cristo instituiu para os fiéis o Sacramento da Penitência e Reconciliação com Deus e com a Igreja.

Esta é uma questão que se discute muito a propósito do debate em torno da exortação pós-sinodal Amoris Lætitia.

A Amoris Lætitia deve ser interpretada claramente à luz de toda a doutrina da Igreja. (...) Eu não gosto disto, não está certo que tantos bispos estejam a interpretar a Amoris Lætitia de acordo com a sua maneira de entender o ensinamento do Papa. Isto não está de acordo com a doutrina Católica. O magistério do Papa é interpretado apenas por ele ou pela Congregação para a Doutrina da Fé. O Papa interpreta os bispos, não são os bispos que interpretam o Papa, isto é uma inversão da estrutura da Igreja Católica. Eu insisto com todos os que estão a falar demais para estudarem a doutrina sobre o papado e o episcopado. O bispo, como mestre da Palavra, tem que ser primeiro bem formado para não cair no risco do cego a guiar os cegos. (...)

A exortação Familiaris Consortio de São João Paulo II estipula que os casais divorciados e recasados que não se podem separar, para receberem os sacramentos, têm que decidir viver em continência. Este requisito ainda é válido?

Claro, não é dispensável. Porque isto não é apenas uma lei positiva de João Paulo II. Ele expressou um ensinamento essencial da teologia moral Cristã e da teologia dos sacramentos. A confusão neste ponto também tem a ver com a incapacidade de aceitar a encíclica Veritatis Splendor, com a doutrina clara sobre o "intrinsece malum." (...) Para nós o matrimónio é a expressão da participação na união entre o noivo, Cristo, e a Igreja, sua noiva. Isto não é, como alguns diziam durante o Sínodo, uma analogia simples e vaga. Não! É a substância do sacramento, e nenhuma autoridade no céu ou na terra, nem um anjo, nem o Papa, nem um concílio, nem a lei dos bispos, tem o poder para mudar isso.

Como é que se pode resolver o caos que se está a gerar por causa das diferentes interpretações que estão a ser dadas a esta passagem da Amoris Lætitia?

Eu insisto para que todos reflitam, estudando primeiro a doutrina da Igreja. Começando pela Palavra de Deus na Sagrada Escritura, que é muito clara sobre o matrimónio. Recomendo também não entrar numa casuística que pode facilmente originar mal-entendidos, especialmente aquele de que se o amor desaparece a ligação matrimonial morre. Isso são sofismas: a Palavra de Deus é muito clara e a Igreja não aceita a secularização do matrimónio. A tarefa dos sacerdotes e dos bispos não é criar confusão, mas trazer claridade. Uma pessoa não pode apenas olhar para as pequenas passagens na Amoris Lætitia mas tem que a ler como um todo, com o propósito de tornar o Evangelho do matrimónio e da família mais atractivo para as pessoas. Não foi a Amoris Lætitia que provocou a interpretação confusa, mas alguns intérpretes confusos. Todos temos de perceber e aceitar a doutrina de Cristo e da sua Igreja e ao mesmo tempo estar prontos para ajudar os outros a percebê-la e a pô-la em prática, mesmo em situações difíceis.

in Settimo Cielo


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Da escravidão à conversão, a fabulosa história de Santa Bakhita

Nascida em 1869 numa pequena aldeia do Sudão, Bakhita foi sequestrada aos 7 anos de idade por mercadores de escravos árabes. O nome "Bakhita", aliás, que em árabe significa "Afortunada", foi-lhe dado pelos captores, porque a futura santa, devido ao trauma sofrido com o rapto, esqueceu o próprio nome e o dos pais.

A pequena Bakhita passou anos de inferno, vendida várias vezes, maltratada, agredida e humilhada por seus "patrões". No manuscrito que contém a autobiografia da santa, guardado pelas Irmãs Canossianas de Roma, são narrados todos os sofrimentos físicos e morais que ela enfrentou durante o longo período de cativeiro, tais como as cruentas tatuagens infligidas por um general turco, que gravou mais de uma centena de símbolos no seu peito, abdómen e braço direito com uma navalha e depois os cobriu com sal, de modo que ficasse marcada para o resto da vida.

Depois de muitas vicissitudes e muitas torturas, ela acabou comprada, no mercado de Cartum, pelo cônsul italiano Calisto Legnani, que a levou consigo para a Itália em 1885 e a entregou à família Michieli, no Veneto, em cujo lar Bakhita se tornou a ama-seca da filha do casal.

Como precisava viajar para a África a família hospedou Bakhita e a filha no convento das Irmãs Canossianas de Veneza, até ao seu retorno. Bakhita teve assim a oportunidade de conhecer a doutrina católica. Nove meses depois, a família Michieli retornou para buscar a filha, mas Bakhita recusou-se a ir embora com eles e decidiu ficar no convento. D. Domenico Agostini, Patriarca de Veneza, interveio na questão, ressaltando que em Itália "não se comercializam escravos". 

Em 1890, Bakhita recebeu o baptismo, a confirmação e a comunhão, bem como o nome de Giuseppina Margherita Fortunata. Em 1893, depois de conhecer e experimentar o amor de Deus, ela entrou para o noviciado das Irmãs Canossianas e, três anos mais tarde, fez os votos perpétuos na presença do Patriarca Giuseppe Sarto, futuro Papa Pio X. No mesmo ano, foi declarada legalmente livre.

É oportuno reconhecer a importância que a Igreja Católica teve na história para a abolição da escravatura no mundo, desde os tempos antigos, quando já combatia os abusos e corajosamente lutava pela liberdade dos homens, e até hoje continua a fazê-lo.

A figura da Irmã Bakhita, recordada pelo Papa Bento XVI na sua segunda encíclica, Spe Salvi, é essencial para a vida de todos os cristãos. Cozinheira, auxiliar de enfermagem durante a Primeira Guerra Mundial, sacristã e porteira do convento, ela desempenhou essas tarefas com amor, zelo e humildade, vendo sempre no próximo a figura de Cristo.

A Irmã Bakhita encarnou ao longo de toda a sua vida o lema de não ceder ao mal, e a quem quer que lhe perguntasse o que ela diria aos seus captores respondia: "Se eu encontrasse aqueles traficantes de escravos que me sequestraram e aqueles que me torturaram, ajoelhar-me-ia para beijar as suas mãos, porque se aquilo não tivesse me acontecido, eu não seria agora uma cristã e uma religiosa".

Palavras eloquentes sobre a espessura moral desta santa, um exemplo que deve permanecer constante na vida de todos nós, especialmente nos tempos mais difíceis da vida, diante do sofrimento, dos abusos e das injustiças.

in Zenit


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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Terá sido aprovado o milagre para a Canonização dos Pastorinhos de Fátima

Segundo Mons. Agostinho Borges, Reitor do Instituto Português de Santo António em Roma, o milagre necessário para a canonização dos pastorinhos, Francisco e Jacinta, já foi aprovado pela Congregação para a Causa dos Santos e por isso o processo entra na sua fase conclusiva.

Mons. Borges fez este anúncio no fim da Missa dominical na Igreja de Santo António dos Portugueses, adiantando que a notícia deverá ser oficializada nos próximos dias. O dito milagre terá acontecido com uma criança brasileira. Quanto a datas possíveis para a canonização fica a possibilidade de 12 ou 13 de Maio, com o Papa Francisco presente em Fátima. No entanto não é comum que as canonizações aconteçam fora de Roma pelo que se pode esperar também que seja escolhido outro dia, neste ano de centenário das Aparições de Fátima.


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sábado, 4 de fevereiro de 2017

S. João de Brito, missionário jesuíta e mártir

Nasceu em Lisboa, Portugal, no ano de 1647. Filho de D. Salvador Pereira de Brito e Dona Brites Pereira. No ano de 1640, o seu pai foi enviado pelo rei Dom João IV para ser governador no Brasil, lugar onde faleceu. João de Brito, com a sua mãe e os seus irmãos, ficaram na corte. Desde cedo, João dava testemunho da procura de viver em Deus.

Com a sua saúde fragilizada, certa vez os médicos chegaram a perder as esperanças, mas a sua mãe, voltando-se para o céu em oração e intercessão, fez uma promessa a São Francisco Xavier e o pequeno João recuperou a saúde milagrosamente. João passou um ano com uma batina, porque isso fazia parte do cumprimento da promessa; mas mais do que isso, Deus foi trabalhando a vocação no seu coração até que, apenas, com 15 anos entrou para a Companhia de Jesus.

Em 1673, foi ordenado sacerdote e enviado para evangelizar a Índia. Viveu em Goa, depois no Sul da Índia, onde aprofundou os estudos e todo aquele lugar, toda aquela região, conheceu o ardor deste apóstolo. Comunicava o Evangelho com a vida, vivia a inculturação para que muitos se rendessem ao amor de Deus num diálogo constante com as culturas, o que não quer dizer que sempre tenha sido bem acolhido. 

Junto dos povos de Maravá, ele evangelizou bastante e muitos foram baptizados; mas, ao retornar desta missão, ele e outros catequistas acabaram sendo presos por soldados pagãos e anticristãos, que fizeram de tudo para que este sacerdote santo renunciasse a Fé, mas ele renunciou à própria vida e estava pronto para o martírio, se fosse preciso. 

O rei chegou a condená-lo, mas um príncipe quis ouvir a doutrina que ele espalhava e muitos mudavam de vida: abandonavam os deuses e a conclusão daquele príncipe pagão foi que aquela doutrina era justa e santa. João foi libertado, juntamente com os outros. Não demorou muito, por obediência, voltou para Portugal, mas o seu coração queria, de novo, voltar para a Índia e até mesmo ser mártir. Foi o que aconteceu. 

Passado um tempo, após dar o seu testemunho em vários colégios dos jesuítas, ser sinal para Portugal do quanto o amor a Cristo e à Igreja não pode ter medidas, tornou à Índia. Evangelizando novamente em Maravá, foi preso. Desta vez, até um príncipe pagão chegou a converter-se. Mas o rei revoltou-se, mandou prender aquele padre. Em foi degolado. Sofreu muito antes disso, mas tudo ofereceu por amor a Cristo e pela salvação das almas. 

Algumas das suas corajosas palavras ficaram célebres:

“Não há perseguição que me possa roubar a alegria que sinto em pregar, mais uma vez, o Evangelho aos gentios."

“A culpa de que me acusam vem de ser que ensino a lei de Nosso Senhor, e de nenhuma maneira hão-de ser adorados os ídolos. Quando a culpa é virtude, o padecer é glória.”

São João de Brito, rogai por nós!

adaptado de cancaonova.com


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O segredo de Roma

Este é o chamado "Segredo de Roma", que se consegue ver através do buraco da fechadura de um portão, que se encontra no Monte Aventino. Além da belíssima vista, e da inconfundível cúpula da Basílica de S. Pedro, esta paisagem tem a peculiaridade de incluir 3 Estados independentes: O Estado italiano, o Estado do Vaticano e a Ordem Soberana e Militar de Malta. 

O jardim que se vê em primeiro plano pertence ao Grão-Priorado da Ordem de Malta em Roma. Essa propriedade começou por ser um mosteiro beneditino (séc. X), passando depois para a Ordem dos Templários, e, com a extinção desta (1312), ficou na posse da Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém e de Rodes (Ordem de Malta).



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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Como se explica que tantos Bispos sejam contra a Missa Antiga?



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Eutanásia

Quando se diz que uma sociedade tolerante deve proporcionar o homicídio assistido a quem o pedir, invertem-se os dados da questão, porque isso não é um pedido de tolerância mas de colaboração: os defensores da eutanásia pretendem obrigar-nos a satisfazer o desejo de quem quer ser morto. Seria mais razoável que, em nome da tolerância, nos deixassem em paz.
 
Nos artigos referidos há uma objecção interessante, que aceito, à parte um pequeno sofisma: defender a inviolabilidade da vida humana equivale a impor uma determinada perspectiva sobre a verdade, excluindo outras. De facto, quando a sociedade toma posição em defesa da dignidade humana assume como verdade que o ser humano tem um valor intrínseco, não sujeito a transacção. No entanto, isso não é uma «determinada perspectiva sobre a verdade», é a própria verdade. Aliás, é um elemento de verdade absolutamente fundamental, sobre o qual assenta uma sociedade que se queira justa, livre e tolerante.

Uma sociedade tolerante não é aquela que aceita tudo. Não pode aceitar a guerra da Líbia, a instabilidade do Iraque, ou a violência da China... não aceita o inaceitável. Não derruba os pilares-base da vida social, nomeadamente o princípio de que a vida humana é inviolável. Esta verdade não é negociável, numa sociedade digna. Não é uma perspectiva acerca da verdade, que estejamos dispostos a trocar por qualquer outra.

Colaborar num homicídio, a pedido da vítima ou com qualquer outro pretexto, é contradizer a verdade fundacional de uma sociedade democrática e solidária. Por isso, introduzir a eutanásia é uma subversão tão grave da ordem social, em linha com aquelas contradições do slogando Ministério da Verdade do inferno orwelliano: «Guerra é paz; liberdade é escravidão; ignorância é força».
 
Qualquer ordenamento jurídico, por mais bárbaro que seja, reconhece o valor de algumas vidas humanas, por razões de família, de dinheiro, ou de poder. A inovação característica da democracia é proclamar de que todasas pessoas, sem excepção, merecem esse respeito e de modo absoluto. A democracia não se fundamenta na afirmação de que todos têm êxito nos negócios, ou de que todos são saudáveis, ou têm notoriedade social. Nem sequer importa o que «têm», mas o que «são». A verdade fundacional da democracia é que o ser humano, pelo simples facto de o ser, possui uma respeitabilidade intocável.

O ponto de partida da democracia é que esta verdade ética não é uma opinião entre outras, mas uma verdade absoluta. No dia em que uma vida humana seja dispensável, quebrou-se o princípio e a vida humana passou a ser um valor relativo. Se uma sociedade aceitar que algumas pessoas sejam mortas (com um critério ou outro, o critério pouco importa), ninguém está a salvo, porque nenhum critério resvaladiço subsiste depois de se derrubar o princípio de que a vida humana é inviolável. Quem revogar este princípio intransponível não espere encontrar noutro lugar a justificação ética para uma democracia solidária.

José Maria André in Público


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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

São João Bosco aconselha a evitar os maus amigos

Há três espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem contrair nenhuma familiaridade. Quanto aos maus, esses devemos absolutamente evitar. Mas quais são esses maus companheiros? Prestai atenção e ficareis sabendo quais sejam.

Todos os jovens que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras, juramentos vãos, imprecações, blasfêmias, ou então procuram afastar-vos das coisas da igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus companheiros, ministros de satanás, dos quais deveis fugir mais do que da peste e do diabo em pessoa.

Ah! meus caros, com as lágrimas nos olhos eu vos suplico que eviteis e aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mau companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a facie colubri (Eccl. XXI, 22).

Em suma, se andardes com os bons, eu vos afianço que ireis com os bons ao Paraíso. Pelo contrário, estando com companheiros perversos, vos pervertereis também vós, com perigo de perder irremediavelmente a vossa alma. Dirá alguém: São tantos os maus companheiros, que seria preciso sair deste mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais deles.

E se, para não tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós, porque teríeis em vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e o vosso Anjo da Guarda. Poderemos encontrar companheiros melhores do que esses?

Contudo pode-se também ter bons companheiros e serão os que frequentam os Santíssimos Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que frequentam a igreja, os que com as palavras e com exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos deveres e vos afastam da ofensa a Deus.

A estes deveis acompanhar e tirareis muito proveito. Desde que David, quando jovem, começou a ter um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava o outro na prática da virtude. 

in O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos


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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"Digam o que disserem só interessa o que sou perante Deus" Dom Bosco

Achando-se São João Bosco com várias pessoas, durante o jantar, mandou ler uma carta do Bispo de Spoleto, que lhe fazia grandes elogios. O Pe. Francesia perguntou:

— Dom Bosco, não fica envaidecido com tantos elogios?

— Ora essa! Habituei-me a ouvir de tudo. Para mim tanto faz ler uma carta repleta de louvores como uma cheia de insultos. Quando me vem uma dessas cartas elogiosas, eu gosto de confrontá-la com as outras, e repito comigo mesmo: "Como são desencontrados os juízos dos homens! Digam eles o que disserem só interessa o que sou perante Deus." 

Marquês Felipe Crispolti in 'Dom Bosco' 


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Imagens das Missas celebradas pelo novo Prelado do Opus Dei

Mons. Fernando Ocáriz foi recentemente escolhido como Prelado do Opus Dei. Mostramos algumas imagens da Missa do Congresso Electivo que o elegeu e também da Missa da sua tomada de posse como Prelado. De notar que nesta última, já depois de ter sido confirmado no cargo de Prelado pelo Papa Francisco, Mons. Ocáriz já usa insígnias episcopais, como a mitra e o báculo ou o anel e a cruz episcopal. Apesar de não ser bispo, se bem que poderá vir a sê-lo caso o Papa assim decida, o ofício que ocupa tem poder de jurisdição na prelatura pessoal, e portanto é equiparado a um ofício episcopal.








Imagens retiradas de: institutobentoxvi.blogspot.com


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domingo, 29 de janeiro de 2017

O discurso histórico de Mike Pence na "Marcha pela Vida"

Pela primeira vez na História, um vice-presidente dos Estados Unidos da América esteve presente e falou à multidão na "March for Life". O discurso de Mike Pence foi muito forte, pela positiva, e poderá representar um momento-chave na luta contra o aborto naquele país e no mundo.

Desejo a todos as boas vindas a Washington DC para a 44ª marcha anual pela vida. É um dia bom. É o melhor dia que já vi para a marcha pela vida em vários sentidos. Sinto-me profundamente honrado em encontrar-me perante vós hoje. Sinto-me profundamente honrado por ser o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos na história a ter o privilégio de participar neste evento histórico. Há mais de 240 anos, os pais fundadores da nossa nação escreveram palavras que ecoaram através dos tempos. Eles declararam como verdades auto-evidentes o facto de todos nós sermos dotados pelo nosso Criador de certos direitos inalienáveis, como a vida, a liberdade e a procura da felicidade. 

Há 44 anos o nosso Supremo Tribunal afastou-se do primeiro de todos estes ideais intemporais. Hoje, três gerações desde então, graças a todos vós e a muitos outros milhares, que estão connosco em marchas como esta em todo o país, a vida está a ganhar, de novo, na América. Isto é evidente ao olharmos para a eleição de maiorias pró-vida e para o Congresso dos Estados Unidos da América. Mas nada é tão evidente quanto a eleição histórica de um presidente que se bate por uma América mais forte, mais próspera e de um presidente – digo-o com orgulho – defende o direito à vida: o Presidente Donald Trump.

Na verdade foi o Presidente Trump que me pediu para estar aqui convosco hoje. Ele pediu-me que vos agradecesse o vosso apoio, pela vossa defesa da vida e pela vossa compaixão pelas mulheres e crianças da América. Há uma semana atrás, nos degraus do Capitólio vimos a inauguração do 45º Presidente dos Estados Unidos da América. Digo-vos em primeira mão que o nosso presidente é um homem de ombros largos e de um grande coração. O seu horizonte, a sua energia e o seu optimismo não têm fronteiras e eu sei que ele fará a América grande outra vez. 

Desde o seu primeiro dia no cargo tem mantido as suas promessas para com o povo americano. Gosto de dizer que ali, no nº 1600 da Avenida da Pensilvânia, estamos no negócio do cumprimento de promessas. É por isso que na Segunda-feira o Presidente Trump reestabeleceu a “política da Cidade do México” para prevenir que ajudas internacionais cheguem a organizações que promovem ou façam abortos mundialmente. É por isso que esta administração trabalhará com o Congresso que acabe o financiamento do aborto e de prestadores de aborto com dinheiro dos contribuintes, transferindo esses recursos para prestadores de serviços de saúde para mulheres na América. É por este motivo que na próxima semana o presidente Donald Trump vai anunciar quem nomeará para o Supremo Tribunal, que defenderá as liberdades – de origem divina – espelhadas na nossa Constituição e na tradição do grande Juiz recém-falecido Antonin Scalia.

A vida está a vencer na América. Hoje é uma celebração do progresso que temos feito por esta causa. Desde há muito que acredito que uma sociedade pode ser julgada de acordo com a maneira como cuida dos seus membros mais vulneráveis, os idosos, os doentes, os incapacitados e os não nascidos. Chegámos a um momento histórico na causa pela vida e temos de viver este momento com respeito e compaixão por todos os americanos. A vida está a vencer na América por várias razões. A vida está a vencer pelo avanço sólido da ciência, que cada vez mais, de dia para dia ilumina-nos quanto ao momento em que a vida começa

A vida está a vencer pela generosidade de milhões de famílias de acolhimento que abrem os seus corações e casas para as crianças que precisam. A vida está a vencer pela compaixão das obras caritativas e voluntários nos centros de crise na gravidez assim como por organizações fundamentadas na fé que servem as mulheres nas cidades em toda a América. A vida está ainda a vencer nos conselhos silenciosos que são passados entre mães e filhas, entre avós e netas e entre amigas nas universidades, nos cafés e nas cozinhas. A verdade está a ser dita. A compaixão está a sobrepor-se à conveniência e a esperança está a vencer o desespero. Numa palavra, a vida está a vencer na América por causa de todos vós.

Assim, quero incentivar-vos a continuar. Está escrito: “deixai a vossa mansidão ser evidente para todos”. Deixem que este movimento seja conhecido pelo amor, não pela raiva. Deixem que este movimento seja conhecido pela compaixão, não pelo confronto. No que respeita questões do coração, nada há mais forte do que a mansidão. Acredito que continuaremos a vencer os corações e as mentes da geração vindoura se os nossos corações se compadecerem das jovens mães e dos seus filhos nascituros e se cada um de nós fizer tudo o que puder para ir ao seu encontro onde estiverem com generosidade e não com julgamento

Para curar o nosso país e restaurar a cultura da vida temos de continuar a ser um movimento que envolve todos, preocupa-se por todos e mostra respeito pela dignidade e valor de cada pessoa. Espelhadas nos muros do Jefferson Memorial estão as palavras do nosso terceiro presidente, que há tantos anos advertiu para que lembrássemos que Deus nos deu a vida e nos deu a liberdade.

Da parte do Presidente dos Estados Unidos e da minha pequena família agradecemos-vos pela vossa defesa da vida. Agradecemos-vos pela vossa compaixão. Agradecemos-vos pelo vosso amor pelas mulheres e crianças americanas. Tenham a certeza – tenham a certeza –que assim como vós também nós não nos cansaremos nem descansaremos até restaurarmos uma cultura de vida na América para nós e para os nossos descendentes. Obrigado e que Deus vos abençoe. 

Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos da América - Washington, 27/I/2017



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O surrealismo e a confissão

Muitos meios de comunicação social têm dificuldade em perceber a Igreja, porque parece que ela não fala do dia-a-dia real. Faz lembrar aqueles artistas dos anos 20 que rejeitavam a chamada «ditadura da razão» e lhe contrapunham o sonho, a falta de lógica. A inconsistência dos surrealistas dos anos 20 gerava momentos de humor e, realmente, nada daquilo era para ser levado a sério ainda que, frequentemente, fosse muito divertido.

Hoje em dia, muitos jornalistas estão convencidos de que a Igreja também vive numa nuvem de sonhos, irrealista, «acima da realidade», como proclamavam os surrealistas com o seu humor muito especial. O discurso da Igreja tem alguma coisa a ver com os problemas do mundo em que vivemos?

No meio de tantas convulsões, o Papa Francisco está focado no sacramento da Confissão!
Das primeiras vezes, as pessoas estranharam. Com a insistência, muitos estão perplexos. Neste momento, os jornalistas já não sabem se devem dar a notícia ou se é a brincar.

Na Carta Apostólica com que encerrou o Ano da Misericórdia, o Papa Francisco estabelece que «o sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã». Em cada parágrafo, aparece uma referência a este «caminho que somos chamados a percorrer». «A misericórdia constitui a própria existência da Igreja. Tudo se revela na misericórdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai». «O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida». «Nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode ficar sem o abraço do seu perdão». «Agora, concluído este Jubileu, é tempo de olhar para diante e compreender como se pode continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina». «Não limitemos a força renovadora da misericórdia; não entristeçamos o Espírito». «Mantenhamos o coração aberto à confiança de ser amados por Deus. O seu amor sempre nos precede, acompanha e permanece connosco, não obstante o nosso pecado». «O sacramento da Reconciliação é o momento em que sentimos o abraço do Pai, que vem ao nosso encontro para nos restituir a graça de voltarmos a ser seus filhos».
«Recebi muitos testemunhos de alegria pelo renovado encontro com o Senhor no sacramento da Confissão. Não percamos a oportunidade de viver a fé, inclusive como experiência da reconciliação. “Reconciliai-vos com Deus”: é o convite que ainda hoje dirige o Apóstolo a cada crente».

Nesta carta e nas homilias do Santo Padre, vejam-se as da última semana, há um apelo muito forte aos padres para que dediquem horas ao confessionário: «Aos sacerdotes, renovo o convite para se prepararem com grande cuidado para o ministério da Confissão, que é uma verdadeira missão sacerdotal». «O sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã; para isso requerem-se sacerdotes que ponham a sua vida ao serviço do “ministério da reconciliação”». «Agradeço-vos vivamente (...) e peço-vos para serdes acolhedores com todos, testemunhas da ternura paterna não obstante a gravidade do pecado, solícitos em ajudar a reflectir sobre o mal cometido, claros ao apresentar os princípios morais, disponíveis para acompanhar os fiéis no caminho penitencial (...), generosos na concessão do perdão de Deus». «Nós, confessores, temos experiência de muitas conversões que ocorrem diante dos nossos olhos. Sintamos, portanto, a responsabilidade de gestos e palavras que possam chegar ao fundo do coração do penitente».

Seria impossível enunciar todas as vezes em que o Papa pede aos católicos para se confessarem e aos padres para estarem disponíveis.


Que Deus continua a ser o mais importante parece tão fora da realidade comum que os próprios católicos se surpreendem. Não admira que muitos jornais não saibam informar sobre um discurso tão surrealista. Resta saber se os católicos também olham para o Papa como se fosse um surrealista.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 29-I-2017


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Este 'time-lapse' revela a enorme multidão em Washington para lutar contra o aborto



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sábado, 28 de janeiro de 2017

As imagens da "Marcha pela Vida" que os 'media' não mostraram

Aconteceu ontem em Washington a "March for Life". Consta que terá sido a maior marcha de sempre mas o silêncio nos meios de comunicação social é quase total.









  










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