segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Entrevista a D. Athanasius Schneider: "Não temos nada a perder quando dizemos a verdade"

Publicamos em seguida a tradução exclusiva duma entrevista a D. Athanasius Schneider, bispo-auxiliar de Astana (Cazaquistão), conduzida por Maike Hickson, do OnePeterFive. Dom Athanasius volta a oferecer-nos esperança no meio da crise e encoraja-nos a guardar e proclamar a verdade, mesmo que ameaçados.

Agradecemos profundamente a D. Athanasius pelo seu serviço à Santa Igreja e asseguramos as nossas orações:


℣. Oremus pro Antistite Athanasio.
℞. Stet et pascat, in fortitudine tua, Domine, in sublimitate nominis tui.

℣. Tu es Sacerdos in æternum.
℞. Secundum ordinem Melchisedech.

Oremus: 
Deus, qui populis tuis indulgentia consulis et amore dominaris Antistite Athanasio cui dedisti regimen disciplinæ, da spiritum sapientiæ, ut de profectu sanctarum ovium fiant gaudia æterna Pastoris. Per Christum Dominum Nostrum. Amen.


Maike Hickson (MH): Assinou, juntamente com o Professor Josef Seifert (entre muitos outros), a Declaração de Fidelidade confirmando o ensinamento tradicional da Igreja relativamente ao casamento. O Professor Seifert foi agora removido pelo seu arcebispo espanhol da sua Cátedra Dietrich von Hildebrand na Academia Internacional de Filosofia em Granada, Espanha – com a explícita referência adversa à sua crítica acerca de certas afirmações contidas na Amoris Laetitia. Podemos pedir a sua resposta a esta medida tão punitiva, que foi justificada com o argumento de que o Professor Seifert estava a enfraquecer a unidade da Igreja Católica e a confundir os fiéis?

Bispo Athanasius Schneider (BAS): O Professor Josef Seifert fez um acto urgente e muito meritoso ao formular publicamente e respeitosamente questões críticas acerca de certas afirmações evidentemente ambíguas no documento papal Amoris Laetitia, visto que estas afirmações estão a causar uma anarquia moral e disciplinar na vida da Igreja, uma anarquia que está à vista de todos e que ninguém que use a razão e tenha verdadeira fé e honestidade pode negar. 

A medida punitiva contra o Professor Seifert da parte de um detentor de um posto eclesiástico é não somente injusta, mas representa ultimamente um desvio da verdade, uma recusa a um debate objectivo e a um diálogo, enquanto ao mesmo tempo a cultura do diálogo é proclamada como de maior prioridade na vida da Igreja dos nossos dias. Tal comportamento clerical contra um verdadeiro intelectual católico, como é o Professor Seifert, faz-me lembrar as palavras com que São Basílio Magno descreveu uma situação análoga no séc. IV, quando clérigos arianos invadiram e ocuparam a maioria das posições episcopais: “Apenas uma ofensa é agora vigorosamente punida – uma observância correcta das tradições dos nossos pais. Por esta causa os devotos são levados dos seus países e transportados para desertos. As pessoas religiosas mantêm silêncio, mas todas as línguas blasfemas são deixadas à solta” (Ep. 243)

MH: Quando falamos acerca da unidade da Igreja: qual é a base da unidade? Temos de sacrificar todo o debate racional e prudente acerca de matéria de Fé e Doutrina – se se estiverem a elevar ensinamentos diferentes e incomensuráveis – com o intuito de não causar possíveis fendas dentro da Igreja?

BAS: A base da autêntica unidade da Igreja é a verdade. A Igreja é na sua natureza “a coluna e o firmamento da verdade” (1Tim 3, 15). Este princípio é válido desde os tempos dos Apóstolos e é um critério objectivo para esta unidade: significa a “verdade do Evangelho” (cf. Gal. 2: 5.14). O Papa João Paulo II disse: “Mais do que unidade no amor, a unidade na verdade é sempre urgente para nós” (dirigido à Terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, Puebla, 28 de janeiro de 1979). Santo Ireneu ensinou: “A Igreja acredita nas verdades da Fé tal como se tivesse apenas uma só alma, e um só coração, e ela proclama-as, ensina-as, e entrega-as, em perfeita harmonia, como se possuísse uma só boca” (Adv. haer., I, 10, 2). 

No começo da Igreja, Deus mostrou-nos a obrigação de defender a verdade, quando se encontra em perigo de ser deformada por parte de quaisquer membros da Igreja, mesmo que seja proclamado da parte do Supremo Pastor da Igreja, como foi o caso com São Pedro em Antioquia (cf. Gal 2, 14). Este princípio de correcção fraterna no interior da Igreja foi válido em todos os tempos, mesmo direccionado ao Papa, e por isso deve ser válido no nosso tempo também. Infelizmente, quem quer que se atreva a dizer a verdade nos nossos dias – mesmo quando o faz com respeito para com os Pastores da Igreja – é classificado como um inimigo da unidade, tal como também sucedeu com São Paulo; pois, ele afirmou: “Tornei-me logo vosso inimigo porque vos disse a verdade” (Gal 4, 16). 

MH: Muitos prelados permaneceram agora, no passado recente, em silêncio devido ao medo de causar um cisma na Igreja por fazer publicamente questões ou levantar objecções ao Papa Francisco em relação aos seus ensinamentos acerca do casamento. O que lhes diria acerca da sua escolha pelo silêncio? 

BAS: Primeiro que tudo, devemos ter em mente, que o Papa é o primeiro servo da Igreja (servus servorum). Ele é o primeiro a ter de obedecer de modo exemplar a todas as verdades do Magistério inalterável e constante, porque ele é apenas um administrador, e não um possuidor, das verdades católicas, que recebeu de todos os seus predecessores. O Papa nunca se deve ele próprio comportar em relação às verdades e disciplina constantemente transmitidas referindo-as como fosse um monarca absoluto, dizendo “Eu sou a Igreja” (analogamente ao Rei francês Luís XIV: “L’état c’est moi”). O Papa Bento XVI formulou este ponto aptamente: “O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.” (Homilia de 7 de Maio de 2005). 

Os bispos não são trabalhadores do Papa, mas divinamente constituídos colegas do Papa, apesar de juridicamente subordinados a ele, mas mesmo assim colegas e irmãos. Quando o Papa tolera ele próprio uma ampla disseminação de erros óbvios de fé e de graves abusos dos sacramentos (como a admissão de adúlteros não arrependidos aos sacramentos), os bispos não se devem comportar como empregados servis embrulhando-se no silêncio. Tal atitude demonstraria indiferença em relação à grave responsabilidade do ministério Petrino e contradiria a própria natureza colegial do episcopado e o amor autenticado pelo Sucessor de Pedro. Devemo-nos lembrar das palavras de Santo Hilário de Poitiers, proferidas no tempo da confusão doutrinal geral do século IV: “Hoje, sob o pretexto de uma piedade que é falsa, sob a aparência enganadora de um ensinamento do Evangelho, algumas pessoas estão a tentar negar o Senhor Jesus. Eu digo a verdade, para que a causa da confusão que estamos a sofrer possa ser conhecida por todos. Não posso permanecer silencioso” (Contra Auxentium, 1, 4). 

MH: Voltemos à crítica bem-educada do Professor Seifert à Amoris Laetitia. No seu novo artigo de Agosto de 2017, ele levanta a questão de se afirmar que por vezes casais divorciados e “recasados” devem ter de manter relações sexuais para o bem dos filhos desse novo laço não levar na realidade à conclusão de que já não existem absolutos morais; ou seja, que um pecado mortal pode, em certas situações, já não ser pecaminoso aos olhos de Deus. O Professor Seifert vê esta lógica como uma potencial “bomba atómica moral” que levará ao relativismo moral. Concordaria com ele neste aspeto? 

BAS: Estou completamente de acordo com o Professor Seifert neste ponto, e recomendo vivamente que outros também leiam o seu artigo magistral, intitulado “Does Pure Logic Threaten to Destroy the Entire Moral Doctrine of the Catholic Church?” (Será que a Lógica Pura Ameaça Destruir a Doutrina Moral Inteira da Igreja Católica?). No seu livro “Athanasius and the Church of Our Days” (Atanásio e a Igreja dos Nossos Dias), o Bispo Rudolf Graber de Regensburg escreveu em 1973: “O que aconteceu há 1600 anos atrás está a repetir-se hoje, mas com duas ou três diferenças: Alexandria é hoje a Igreja Universal, cuja estabilidade está a ser abalada, e o que estava em questão nessa altura por meios de força física e crueldade está agora a passar para um nível diferente. Exílio é substituído por expulsão para o silêncio de ser ignorado, matando por assassinato de carácter.” Esta descrição também se aplica ao actual caso do Professor Seifert. 

MH: Tendo crescido num país de regime totalitário, quais são as suas próprias considerações acerca da liberdade académica em Espanha, quando um professor internacionalmente reconhecido pode ser removido das suas posições académicas meramente por ter levantado questões, questões educadas, sobre um documento papal e por ter apontado os possíveis perigos de algumas das suas afirmações? 

BAS: Durante décadas tornou-se politicamente correcto e "de bom tom" proclamar e promover praticamente a liberdade de discurso, debate e pesquisa, teológico, na Igreja, tanto que a liberdade de pensamento e de expressão se tornaram um slogan. Em simultâneo, pode agora observar-se o paradoxo desta mesma liberdade ser negada àqueles pertencentes à Igreja que nos nossos dias levantam a voz com respeito e educação na defesa da verdade. Esta situação bizarra lembra-me uma célebre canção que eu tinha de cantar na escola comunista na minha infância, e que dizia: "A União Soviética é a minha pátria amada, e não conheço outro país no mundo onde o homem pode respirar tão livremente." 

MH: Pode dizer-nos algumas palavras que o Cardeal Carlo Caffarra lhe tenha dirigido pessoalmente em relação à actual crise da Igreja, palavras dele que possam constituir, em parte, uma espécie de legado?

BAS: Falei apenas duas vezes com o Cardeal Caffarra. Até mesmo esses encontros e conversas curtas com o Cardeal Caffarra deixaram em mim algumas impressões profundas. Vi nele um verdadeiro homem de Deus, um homem de fé, de visão sobrenatural. Notei nele um amor profundo pela verdade. Quando falei com ele acerca da necessidade dos bispos erguerem a sua voz em relação ao ataque contra a indissolubilidade do matrimónio e a santidade dos laços sacramentais do matrimónio, ele disse: “Quando nós bispos fazemos isto, não devemos temer ninguém nem nada, pois não temos nada a perder.” Uma vez disse a uma senhora católica dos Estados Unidos, com uma fé profunda e grande inteligência, a frase utilizada pelo Cardeal Caffarra, nomeadamente que nós bispos não temos nada a perder quando dizemos a verdade. Em resposta ela disse estas palavras inesquecíveis: “Perderão tudo quando não fizerem isso.”

MH: Considera justificável que outros cardeais – tais como o Cardeal Christoph Schönborn ou o Cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga – tenham censurado os quatro cardeais por terem publicado os dubia?

BAS: A formulação e publicação dos dubia por parte dos quatro cardeais foi altamente meritória e, de certa forma, também um acto histórico, honrando verdadeiramente o Colégio Sagrado dos Cardeais. Na presente situação, a indissolubilidade e a santidade do matrimónio sacramental estão a ser enfraquecidas e, na prática, negadas através da admissão normativa de adúlteros impenitentes aos sacramentos, banalizando e profanando assim também os sacramentos do Matrimónio, Confissão, e da Eucaristia. Em última instância está em causa a validade dos Divinos Mandamentos e toda a lei moral, tal como o Professor Seifert correctamente afirmou no seu artigo acima mencionado, e pelo qual foi severamente punido. 

Podemos comparar esta situação a um navio num mar turbulento, no qual o capitão ignora os perigos óbvios, enquanto a maioria dos seus oficiais se envolvem em silêncio, dizendo: “Tudo está bem no navio a afundar.” Quando perante tal situação, uma pequena parte dos oficiais do navio levantam a voz pela segurança de todos os passageiros, são grotesca assim como injustamente criticados pelos seus colegas, como amotinadores ou como desmancha-prazeres. Mesmo que o capitão julgue as vozes dos poucos oficiais perturbadoras no momento, ele irá reconhecer agradecidamente a sua ajuda posteriormente, quando tiver de confrontar o perigo, olhando-o nos olhos, e quando estiver diante do Divino Juiz. Também ficarão agradecidos, tanto os passageiros como a História, quando o perigo tiver passado. O acto corajoso e os nomes daqueles poucos oficiais serão lembrados como verdadeiramente altruístas e heroicos; mas certamente não aqueles oficiais, que por ignorância, ou por oportunismo, ou por servilismo, se envolveram em silêncio ou até absurdamente criticaram aqueles que tomaram medidas de salvação naquele navio a afundar. De certa forma, isto corresponde à actual situação ao redor dos dubia dos quatro cardeais. 

Temos de nos relembrar do que Santo Basílio observou durante a crise Ariana: “Os homens com autoridade têm medo de falar, pois os que alcançaram o poder através de interesses humanos são os escravos daqueles a quem devem a sua subida. E agora a própria defesa da ortodoxia é olhada em alguns lugares como uma oportunidade para o ataque mútuo; e homens escondem a sua própria vontade doente e fingem que a sua hostilidade é toda para o bem da verdade. Entretanto os não-crentes riem; homens de pouca fé vacilam; a fé é incerta; almas são submersas na ignorância, porque os adulteradores da palavra imitam a verdade. Os melhores dos leigos evitam as igrejas como escolas de impiedade e levantam as mãos nos desertos com suspiros e lágrimas ao Senhor no céu. A fé dos Padres da Igreja que recebemos; essa fé que sabemos ter o selo com as marcas dos Apóstolos; para aquela fé à qual assentimos, bem como para tudo o que no passado foi canonicamente e legalmente promulgado”. (Ep. 92,2)

MH: Agora que restam apenas dois cardeais dos dubia – depois da morte do Cardeal Carlo Caffarra e do Cardeal Joachim Meisner – quais são as suas próprias esperanças em relação a outros cardeais que possam agora surgir para colmatar este vazio? 

BAS: Espero e desejo que mais cardeais, à semelhança dos oficiais daquele navio num mar turbulento juntem agora as suas vozes às vozes dos quatro cardeais, independentemente de louvor ou culpa. 

MH: Em geral, o que é que os católicos – leigos ou clérigos – fazem agora se estiverem a ser pressionados para aceitar alguns aspectos controversos da Amoris Leatitia, por exemplo em relação aos divorciados “recasados” e à possível permissão do acesso aos Sacramentos? E em relação àqueles padres que se recusam a distribuir a Sagrada Comunhão a esses casais “recasados”? E em relação aos professores católicos leigos que estão a ser ameaçados com o afastamento das suas posições de ensino devido ao seu criticismo, patente ou latente, face à Amoris Leatitia? O que é que podemos todos fazer quando confrontados, na nossa consciência, com as alternativas de trair os ensinamentos de Nosso Senhor, ou seguir em firme desobediência aos nossos superiores? 

BAS: Quando padres ou leigos se mantém fiéis ao imutável e constante ensinamento e prática de toda a Igreja estão em comunhão com todos os papas, bispos ortodoxos e Santos de dois mil anos, estando em especial comunhão com São João Baptista, São Thomas More, São John Fisher e com os inumeráveis esposos abandonados que se mantiveram fiéis aos seus votos, aceitando a vida de continência de maneira a não ofender Deus. A voz constante no mesmo sentido e significado (eodem sensu eademque sentencia) e a respectiva prática de dois mil anos é mais poderosa e segura do que a voz discordante e a prática de admitir adúlteros impenitentes à Sagrada Comunhão, mesmo que esta prática seja promovida por um único Papa ou bispos diocesanos. Neste caso temos de seguir o ensinamento constante e prática da Igreja, pois aqui entra a verdadeira tradição, a “democracia dos mortos”, o que significa a voz maioritária daqueles que nos precederam. 

Santo Agostinho respondeu à errada e não tradicional prática Donatista de re-baptizar e de re-ordenar, afirmando que a constante e imutável prática da Igreja desde o tempo dos Apóstolos corresponde ao juízo seguro do mundo inteiro: “O mundo inteiro julga acertadamente”, i.e., “Securus judicat orbis terrarum” (Contra Parmenianum III, 24). O que significa que toda a tradição Católica julga seguramente e com certeza contra a prática fabricada e de curta-duração que, num ponto importante, contradiz todo o Magistério de todos os tempos. Esses padres, que seriam agora forçados pelos seus superiores a distribuir a Sagrada Comunhão a públicos e impenitentes adúlteros, ou a outros conhecidos e públicos pecadores, devem responder com uma santa convicção: “O nosso comportamento é o comportamento de todo o mundo Católico ao longo de dois mil anos”: “O mundo inteiro julga acertadamente”, “Securus judicat orbis terrarum”! 

O Beato John Henry Newman disse na Apologia pro sua vita: “O juízo intencional, em que toda a Igreja repousa e concorda, é uma prescrição infalível e uma sentença final contra uma novidade temporal.” Neste nosso contexto histórico esses padres e fiéis devem dizer aos seus superiores eclesiásticos, e bispos, tal como devem dizer com caridade e respeitosamente ao Papa o que São Paulo uma vez disse: “Porque, nada podemos contra a verdade, senão pela verdade. Porque nos alegramos de ser fracos, enquanto vós sois fortes. E ainda rogamos pela vossa perfeição.” (2Cor 13, 8-9)


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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Saborear a Cruz

A cruz de Cristo! Que mais posso dizer? Não sei orar, não sei o que é ser bom, não tenho espírito religioso, pois estou cheio do mundo. Só sei uma coisa, uma coisa que enche a minha alma de alegria, apesar de me ver tão pobre de virtudes e tão rico em misérias; sei apenas que tenho um tesouro que não trocaria por nada nem por ninguém: a minha cruz, a cruz de Jesus, essa cruz que é o meu único repouso. Como explicar isto? Quem não experimentou, não pode sequer suspeitar do que se trata.

Ah, se todos os homens amassem a cruz de Cristo! Se o mundo soubesse o que é abraçar plenamente, verdadeiramente, sem reservas, em loucura de amor, a cruz de Cristo! Tanto tempo perdido em conversas, devoções e exercícios que são santos e bons, mas que não são a cruz de Jesus, não são o que há de melhor.

Pobre homem que não prestas para nada, que não serves para nada, que arrastas a tua vida, seguindo como podes as austeridades da regra, contentando-te em esconder no silêncio os teus ardores: ama até à loucura o que o mundo despreza por não conhecer, adora em silêncio essa cruz, que é o teu tesouro, sem que ninguém se aperceba. Medita em silêncio diante dela nas grandezas de Deus, nas maravilhas de Maria, nas misérias do homem. Prossegue a tua vida sempre em silêncio, amando, adorando e unindo-te à cruz. Que queres mais? Saboreia a cruz. Saborear a cruz!

S. Rafael Arnaiz Baron (monge trapista) in Escritos espirituais, 03/IV/1938 


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sábado, 9 de setembro de 2017

Cardeal Arinze celebra Missa Pontifical em Rito Antigo nos Estados Unidos

O Cardeal Francis Arinze celebrou uma Missa Pontifical, com assistência em coro de Mons. Anthony M. Pilla, bispo emérito de Cleveland. A Missa foi celebrada em South Euclid (Ohio). O Cardeal Arinze trabalhou no Vaticano como Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Já como emérito, tornou-se bastante popular devido aos vídeos nos quais explica verdades básicas da doutrina católica e da lei moral natural










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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Nossa Senhora do Bom Sucesso: Quando tudo parecer perdido será o início do triunfo da Santa Igreja

Como em Fátima, após a previsão de catástrofes para a Igreja e a civilização cristã, é prevista uma vitória. Assim, ao tratar da propagação das heresias nos séculos XIX e XX, Nossa Senhora do Bom Sucesso revela a Madre Mariana de Jesus Torres:

"O pequeno número de almas que guardará o tesouro da Fé e das virtudes sofrerá um cruel, indizível e prolongado martírio. Muitas delas descerão ao túmulo pela violência do sofrimento e serão contadas como mártires que se sacrificaram pela Igreja e pela Pátria."

"Para a libertação da escravidão dessas heresias, aqueles a quem o amor misericordioso de meu Filho Santíssimo destinará para esta restauração, necessitarão de grande força de vontade, constância, valor e muita confiança em Deus. Para pôr à prova esta fé e confiança dos justos, haverá ocasiões em que tudo parecerá perdido e paralisado. Será, então, o feliz princípio da restauração completa" (II, 134).

E, logo após o trecho sobre a prevaricação verificada nas fileiras do Clero, Nossa Senhora afirma:

"Ora com instância, clama sem cansar-te e chora com lágrimas amargas, pedindo ao Pai Celeste que Se compadeça de seus Ministros e ponha termo quanto antes a tempos tão nefastos, enviando a esta Igreja o Prelado que deverá restaurar o espírito de seus sacerdotes."

"A esse filho meu muito querido, amamos meu Filho Santíssimo e Eu com amor de predilecção, pois o dotaremos de uma capacidade rara, de humildade de coração, de docilidade às divinas inspirações, de fortaleza para defender os direitos da Igreja e de um coração terno e compassivo."

"Em sua mão será posta a balança do Santuário para que tudo se faça com peso e medida, e Deus seja glorificado."~

Para retardar a vinda desse Prelado, o demónio e seus asseclas provocarão, com os seus vícios, "toda sorte de castigos como a peste, a fome, disputas internas e com outras nações e a apostasia, causa de perdição de um considerável número de almas. .... Haverá uma guerra formidável e espantosa... Esta noite será horrorosíssima, porque humanamente o mal parecerá triunfante."

"Será chegada então a minha hora, em que eu, de forma maravilhosa, destronarei o soberbo e maldito satanás, calcando-o debaixo dos meus pés e acorrentando-o no abismo infernal. Assim, a Igreja e a pátria estarão, por fim, livres da sua cruel tirania".

Noutra aparição Nossa Senhora também fala do triunfo da Igreja, e menciona um filho eleito. Mas não se refere a um Prelado, como também não diz se é a mesma pessoa. O que é certo é que ele surgirá quando o mal parecer triunfante e a autoridade prevaricar:

"Mas quando parecerem triunfantes e quando a autoridade abusar de seu poder cometendo injustiças e oprimindo os débeis, próxima está sua ruína, cairão por terra estatelados."

"E a Igreja, qual terna menina, ressurgirá alegre e triunfante, e adormecerá brandamente, embalada em mãos de hábil coração maternal do meu filho eleito, muito querido, daqueles tempos. Fá-lo-emos grande na Terra e muito maior no Céu, onde lhe temos reservado um assento muito precioso. Porque, sem temor dos homens, combateu pela verdade e defendeu impertérrito os direitos de sua Igreja, pelo que bem o poderão chamar mártir."

in catolicismo.com.br


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Sermão do Nascimento da Mãe de Deus - Padre António Vieira

Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina. Dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.

Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
os discordes: para Senhora da Paz;
os desencaminhados: para Senhora da Guia;
os cativos: para Senhora do Livramento;
os cercados: para Senhora da Vitória.

Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes: para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna: para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida: para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos: para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos: para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (…), dirão que nasce (…) para ser Maria e Mãe de Jesus”.


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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Missa Pontifical celebrada pelo Cardeal Burke na Escócia

O Cardeal Raymond Leo Burke celebrou uma Missa Pontifical na paróquia 'Immaculate Heart of Mary Balornock', no nordeste de Glasgow. A igreja estava sobrelotada de clero, famílias numerosas e jovens, neste dia de grande alegria para a Tradição da Igreja na Escócia.


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Quem pensa que vai destruir a Igreja é melhor pensar outra vez




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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A merecida homenagem ao grande Cardeal Caffara

In memoriam Cardeal Carlo Caffarra (1938-2017)

«Non toccate il matrimonio di Cristo!»
Um dia, quem quiser historiar o tempo por que passa a Igreja tropeçará nesta frase proferida pelo Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo emérito de Bolonha.

O grito de alarme foi dado em 2014, quando se perfilavam no horizonte as tendências teológicas e doutrinais que, nos dois sínodos da família, haveriam de pôr em causa, de forma mais ou menos velada, a indissolubilidade do matrimónio declarada por Jesus e constantemente ensinada pela Igreja.

Muito haverá a dizer – e será certamente dito, nestes dias – acerca da vida e do combate deste mestre de fé e de vida, que morreu hoje aos 79 anos. Da notável carreira académica, dividida por Milão, onde ensina teologia moral fundamental, e Roma, onde ensina bioética, ao governo da Arquidiocese de Bolonha, para o qual é nomeado em Dezembro de 2003, quem com ele conviveu testemunha «a sua figura paterna, consumida no amor pela Igreja e por Cristo» (Riccardo Cascioli, La nuova Bussola quotidiana).

De todos os episódios que conheço, escolho sublinhar um, pelo seu conteúdo profético. Merecedor da estima e confiança do Papa João Paulo II, em 1981 o então Padre Caffarra foi chamado a fundar e a presidir ao Pontifício Instituto João Paulo II para estudos sobre o Matrimónio e Família. Por essa altura, escreveu à Irmã Lúcia pedindo as suas orações para a missão que iniciava. Sem esperar uma resposta, ela chegou, longa e assinada. Na carta pode ler-se:

«A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o casamento e a família. Não tenha medo, Padre, porque qualquer pessoa que trabalhe para a santidade do casamento e da família será combatida e enfrentada, sob todas as formas, já que esta é a questão decisiva. Entretanto, Nossa Senhora já esmagou a sua [de Satanás] cabeça.»

Caffarra não abandonou o trabalho, antes o intensificou. Dirigiu o Instituto até 1995, vigiando para que a verdade sobre o casamento e a família fosse ensinada na sua integridade.

Fosse classificando o aborto de «delito abominável», fosse defendendo o ensino infalível da encíclica “Humanae Vitae” (1968) – defesa em que chegara a estar praticamente sozinho –, fosse proclamando, contra ventos e marés, que a masculinidade e a feminilidade, a dualidade do modo humano de ser, constituem um pilar da criação, a sua voz foi sendo autoridade certa e orientação segura para quem o escutou.

Sabia que «uma Igreja com pouca atenção à doutrina não é mais pastoral, é apenas mais ignorante».

Por isso, na tempestade que atravessa a Igreja, o Cardeal Caffarra não fez silêncio, nem desertou. Era chegada a hora do descanso? Para outros, talvez. Para ele, foi a de afirmar, com coragem e rigor intelectual, a doutrina tradicional sobre a lei natural inscrita no coração do homem e a universalidade e a permanente validade dos seus preceitos.

Em Setembro de 2016, com três outros cardeais (Walter Brandmüller, Joachim Meisner e Raymond Burke), dirigiu cinco “dubia” ao Papa Francisco, tendo em vista o esclarecimento de proposições problemáticas da exortação apostólica “Amoris Laetitia” (2016). Em Abril de 2017, ante a falta de resposta, voltou a escrever ao Santo Padre, em nome dos quatro cardeais, pedindo uma audiência que permitisse dissipar a desorientação acerca dos sacramentos do Matrimónio, da Confissão e da Eucaristia.

Dias depois, em Maio, participou na quarta edição do Rome Life Forum, oferecendo uma lição magistral. Disse então:

«São dois os pilares da criação: a pessoa humana na sua irredutibilidade ao universo material e a união conjugal entre homem e mulher, o lugar onde Deus cria novos seres humanos “à Sua imagem e semelhança”. A elevação axiológica do aborto a direito subjectivo é a demolição do primeiro pilar. O enobrecimento da relação homossexual, com a sua equiparação ao casamento, configura a destruição do segundo pilar.

Na raiz disto está a obra de Satanás, que pretende construir uma verdadeira anti-criação. Este é o último e terrível desafio que Satanás está a lançar a Deus. “Demonstrar-te-ei que sou capaz de construir uma alternativa à tua criação. E o homem dirá: sou melhor na criação alternativa do que na tua criação”.

Trata-se de uma terrível estratégia de mentira, construída em torno de um profundo desprezo pelo homem. O homem não é capaz de elevar-se ao esplendor da Verdade; não é capaz de viver dentro do paradoxo de um desejo infinito de felicidade; não é capaz de se encontrar no dom sincero de si mesmo. E como tal – continua o discurso satânico – dizemos-lhe banalidades sobre o homem. Convencemo-lo de que a Verdade não existe e de que sua busca é, assim, uma paixão triste e fútil. Persuadimo-lo a encurtar a medida do seu desejo de acordo com a medida do instante transitório. Colocamos no seu coração a suspeita de que o amor é apenas uma máscara de prazer.»

A vida de Caffarra testemunha o contrário: a Verdade existe e a sua busca é, não uma paixão triste e fútil, mas a grande aventura da vida humana.

Alguém terá sublinhado que morreu sem conhecer a resposta às “dubia”. Um detalhe de pequena importância, se pensarmos que é bem provável que contemple agora, em todo o Seu esplendor, o Senhor que amou e serviu com galhardia exemplar.
Luís Froes








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Novena a Nossa Senhora das Dores

Esta novena reza-se nos 9 dias antes do dia de Nossa Senhora das Dores, isto é de 6 a 14 de Setembro. Em cada um desses dias meditam-se nas 7 dores de Nossa Senhora, juntamente com 7 Avé Marias e uma oração final. 

1 - Eu me compadeço de Vós, ó Virgem Dolorosa, por aquela aflição que o Vosso terno Coração sofreu na profecia do santo velho Simeão.
Minha querida mãe, por Vosso Coração tão magoado, alcançai-me a virtude da humildade e o dom do santo temor de Deus.

Avé Maria...

2 - Eu me compadeço de Vós, ó Virgem Dolorosa, por aquelas angústias que o Vosso sensibilíssimo Coração sofreu na fuga e permanência no Egipto.
Minha querida mãe, por Vosso angustiado Coração alcançai-me a virtude da liberalidade, especialmente para com os pobres, e o dom da piedade.

Avé Maria...

3 - Eu me compadeço de Vós, ó Virgem Dolorosa, por aquela agonia que o Vosso solícito Coração sentiu na perda do Vosso Jesus.
Minha querida mãe, por Vosso Coração tão vivamente comovido, alcançai-me a virtude da castidade e o dom da ciência.

Avé Maria...

4 - Eu me compadeço de Vós, ó Virgem Dolorosa, por aquela consternação que o Vosso materno Coração sentiu ao encontrardes o Vosso filho com a cruz às costas.
Minha querida mãe, pelo Vosso amoroso Coração de tal modo atormentado, alcançai-me a virtude da paciência e o dom da fortaleza.

Avé Maria...

5 - Eu me compadeço de Vós, ó Virgem Dolorosa, por aquele martírio que o Vosso generoso Coração padeceu ao assistirdes Jesus agonizante.
Minha querida mãe, pelo Vosso Coração a tal extremo martirizado, alcançai-me a virtude da temperança e o dom do conselho.

Avé Maria...

6 - Eu me compadeço de Vós, ó Virgem Dolorosa, por aquela ferida que o Vosso piedoso Coração sofreu na lançada que rasgou o lado do Vosso filho e abriu o seu amabilíssimo Coração.
Minha querida mãe, pelo Vosso Coração de tal maneira trespassado, alcançai-me a virtude da caridade e o dom do entendimento.

Avé Maria...

7 - Eu me compadeço de Vós, ó Virgem Dolorosa, por aquela amargura que o Vosso Coração amantíssimo sofreu na sepultura do Vosso Jesus.
Minha querida mãe, pelo Vosso santo Coração tão aflito, alcançai-me a virtude da diligência e o dom da sabedoria.

Avé Maria...

Rogai por nós, virgem dolorosíssima,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos:
Interceda por nós, ante a vossa clemência, Senhor Jesus Cristo, agora e na hora da nossa morte, a bem aventurada Virgem Maria, Vossa mãe, cuja Sacratíssima Alma foi trespassada por uma espada de dor na hora da vossa Paixão, por Vós mesmo, Jesus Cristo, Salvador do mundo, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Ámen.


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terça-feira, 5 de setembro de 2017

"Sem Deus somos demasiado pobres para ajudar os pobres"

Lembro-me das palavras fortes e avassaladoras que a Madre Teresa dirigiu a um jovem sacerdote, Angelo Comastri, que é hoje Cardeal arcipreste da Basílica de São Pedro, em Roma. No seu livro 'Dio scrive dritto', diz coisas magníficas. Eis o relato desse encontro impressionante com a santa, que transcrevo com grande emoção:

"Telefonei para a casa-mãe das Irmãs Missionárias da Caridade, para marcar um encontro com a Madre Teresa de Calcutá, mas a resposta foi categórica: 
- Não é possível encontrar-se com a Madre, por causa dos compromissos que ela já tem.
Ainda assim, fui até lá. A irmã que me abriu a porta perguntou-me educadamente:
- O que deseja?
- Gostaria apenas de me encontrar durante uns instantes com a Madre Teresa. Surpreendida, a irmã respondeu: 
- Lamento, não é possível...

Não arredei pé, dando a entender à irmã que não me iria embora sem ver a Madre Teresa. A irmã afastou-se e voltou na companhia da Madre... Tive um sobressalto e fiquei sem palavras.

A Madre levou-me a sentar numa pequena sala perto da capela. Entretanto, recompus-me um pouco e consegui dizer:
- Madre, sou um padre muito novo; estou a dar os primeiros passos. Vim pedir-lhe que me acompanhe com a sua oração.
A Madre olhou para mim com doçura e ternura e depois, sorrindo, respondeu:
- Rezo sempre pelos sacerdotes. Rezarei também por ti.
Depois deu-me uma medalha de "Maria Imaculada"; colocou-a na minha mão e disse:
- Durante quanto tempo rezas, por dia?
Fiquei espantado, um pouco embaraçado. Depois, procurando lembrar-me, respondi:
- Madre, celebro todos os dias a Santa Missa, e rezo todos os dias o breviário; sabe, na nossa época, é uma prova heróica [corria o ano de 1969]! Também rezo todos os dias o terço e faço-o de boa vontade, porque aprendi a fazê-lo com a minha mãe.

A Madre Teresa apertou com as suas mãos rugosas o terço que trazia sempre consigo. Depois, fixando em mim os seus olhos cheios de luz e de amor, disse-me: 
- Isso não chega, meu filho! Não chega, porque o amor não pode limitar-se ao mínimo indispensável; o amor exige o máximo!
Não compreendi logo aquelas palavras da Madre Teresa e, como que para me justificar, repliquei:
- Madre, estava à espera que me perguntasse que actos de caridade faço.
De repente, o rosto da Madre tornou-se muito sério e ela disse com voz firme: 
- Achas que eu conseguiria praticar a caridade se não pedisse todos os dias a Jesus que enchesse o meu coração com o seu amor? Achas que poderia percorrer as ruas à procura dos pobres se Jesus não comunicasse à minha alma o fogo da sua caridade?

Senti-me então muito pequenino... E olhei para a Madre Teresa com admiração profunda e o desejo sincero de entrar no mistério da sua alma tão cheia de presença de Deus. Destacando cada palavra, ela acrescentou:
- Lê atentamente o Evangelho, e verás que Jesus, pela oração, também sacrificava a caridade. E sabes porquê? Para nos ensinar que, sem Deus, somos demasiado pobres para ajudar os pobres!
Nessa altura, víamos tantos sacerdotes e religiosos a abandonarem a oração para mergulharem - como eles diziam - no domínio social. As palavras da Madre Teresa pareceram-me um raio de sol e repeti lentamente cá dentro: Sem Deus somos demasiado pobres para ajudar os pobres!
Cardeal Sarah in 'A Força do Silêncio'


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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Peregrinação de Nossa Senhora da Cristandade

Peregrinação de jovens católicos durante 3 dias até Luján (Argentina).





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O catolicismo está certo mesmo quando estamos errados


"Nós não queremos uma religião que esteja certa quando estamos certos. Queremos uma religião que esteja certa quando estamos errados." 

G.K. Chesterton in 'The Catholic Church and Conversion' (1926)


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domingo, 3 de setembro de 2017

Cardeal Sarah responde ao Pe. James Martin na questão da 'homossexualidade'

O, cada vez mais popular, Cardeal Robert Sarah escreveu um artigo no Wall Street Journal sobre o modo como a Igreja olha para quem tem atracção por pessoas do mesmo sexo. O texto começa por criticar a abordagem do Padre jesuíta James Martin, que tem sido promovido nos meios de comunicação social por apresentar uma visão desviada da doutrina da Igreja em relação à 'homossexualidade'. O Cardeal africano explica, de forma muito breve e bastante clara, o que a Igreja ensina sobre este assunto e os inúmeros frutos que já produziu na vida dos que acolhem essas verdades sobre a natureza humana. 

Como os católicos podem acolher os fiéis LGBT
por Cardeal Robert Sarah

A Igreja Católica tem sido criticada por muitos, incluindo alguns dos seus seguidores, pela sua resposta pastoral à comunidade LGBT. [...] Entre os padres católicos, um dos críticos mais famosos da mensagem da Igreja sobre a sexualidade é o Padre James Martin, um jesuíta dos Estados Unidos. 

No seu livro "Building a Bridge" (Construindo uma ponte), publicado no início deste ano, ele repete a crítica comum de que os católicos têm sido críticos severos da 'homossexualidade', enquanto negligenciam a importância da integridade sexual entre todos os seus seguidores.

O Padre Martin está certo ao afirmar que não deveria existir uma dupla medida em relação à virtude da castidade, que, embora desafiadora, é parte da boa nova de Jesus Cristo para todos os cristãos. Para os não casados – independentemente das suas atracções – a castidade fiel requer a abstinência do sexo.

Isso pode parecer uma fasquia demasiado alta, especialmente hoje. No entanto, seria contrário à sabedoria e à bondade de Cristo exigir algo que fosse impossível. Jesus chama-nos a essa virtude porque ele fez os nossos corações para a pureza, assim como ele fez as nossas mentes para a verdade. Com a graça de Deus e a nossa perseverança, a castidade não apenas é possível, mas também se tornará a fonte da verdadeira liberdade.

Não precisamos de muito para ver as tristes consequências da rejeição do plano de Deus para a intimidade e o amor humanos. A libertação sexual que o mundo promove não cumpre o que promete. Antes, a promiscuidade é a causa de tantos sofrimentos desnecessários, de tantos corações partidos, solidão e de tratar os outros apenas como meio de gratificação sexual. Como Mãe, a Igreja tenta proteger os seus filhos do mal do pecado, como uma expressão da sua caridade pastoral.

No seu ensinamento sobre a 'homossexualidade', a Igreja guia os seus seguidores distinguindo as suas identidades das suas atracções e acções. Em primeiro lugar, há as pessoas em si mesmas, que são sempre boas porque são filhas de Deus. Depois, há a atracção por pessoas mesmo sexo, que não é pecaminosa se não for desejada ou realizada, mas, mesmo assim, está em contraste com a natureza humana. E, finalmente, existem as relações entre pessoas do mesmo sexo, que são gravemente pecaminosas e prejudiciais para o bem-estar dos que as praticam.

As pessoas que se identificam como membros da comunidade LGBT devem ser chamadas a esta verdade com caridade, especialmente por parte do clero que fala em nome da Igreja sobre esse assunto complexo e difícil.

Rezo para que o mundo escute finalmente as vozes dos Cristãos que experimentam a atracção por pessoas do mesmo sexo e que encontraram paz e alegria ao viverem a verdade do Evangelho. Tenho sido abençoado pelos meus encontros com eles, e o seu testemunho comove-me profundamente. Escrevi o prefácio de um desses testemunhos, no livro de Daniel Mattson: Why I Don’t Call Myself Gay: How I Reclaimed My Sexual Reality and Found Peace (Por que não me chamo gay: Com resgatei a minha realidade sexual e encontrei paz), com a esperança de fazer com que a voz dele e outras semelhantes possam ser mais bem ouvidas.

Esses homens e mulheres testemunham o poder da graça, a nobreza e a resiliência do coração humano, e a verdade do ensino da Igreja sobre a homossexualidade. Em muitos casos, viveram longe do Evangelho por um período das suas vidas, mas reconciliaram-se com Cristo e com a Sua Igreja.

As suas vidas não são fáceis ou sem sacrifícios. As suas inclinações não foram completamente vencidas. Mas eles descobriram a beleza da castidade e das amizades castas. O seu exemplo merece respeito e atenção, porque eles têm muito a ensinar a todos nós sobre como acolher e acompanhar melhor os nossos irmãos e irmãs com uma verdadeira caridade pastoral.


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sábado, 2 de setembro de 2017

A peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Walsingham

Nossa Senhora apareceu a uma jovem chamada Richeldis em Walshingham (Inglaterra) no ano de 1061. Durante estes mais de 9 séculos esse local tem recebido inúmeras peregrinações. Walshingham é considerado o Santuário Católico Nacional. Por tradição, os peregrinos fazem 1 milha (cerca de 1km e meio) descalços durante a peregrinação. Estas imagens são da peregrinação deste ano organizada pela 'Latin Mass Society'. 



















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