segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Que quis dizer o Cardeal Burke quando afirmou que a FSSPX está em cisma?

Durante uma sessão de perguntas e respostas no fim de uma conferência sobre Liturgia, que aconteceu em Medford (Estado Unidos), o Cardeal Raymond Leo Burke disse que a Fraternidade de São Pio X (FSSPX) se encontra em cisma. Apesar de ter sido em Julho, esta gravação foi recentemente revelada e rapidamente se tornou "viral". Estas declarações do Cardeal Burke apanharam muitos de surpresa, até porque a própria Santa Sé não diz que a FSSPX é cismática. 

Cardeal Castríllon

Em Agosto de 2005, apenas 4 meses depois de ser eleito, o Papa Bento recebeu o Superior Geral da FSSPX, Mons. Bernard Fellay, em Castel Gandolfo. À direita do Papa estava o Cardeal Darío Castrillón Hoyos, presidente da Pontifícia Commissão “Ecclesia Dei”. Este mesmo Cardeal foi entrevistado 1 mês depois pela revista '30 Giorni', ligada ao movimento Comunhão e Libertação (CL) e disse que a sagração episcopal realizadas pelo Arcebispo Marcel Lefebvre em Écône no ano de 1998 "não se tratou de um cisma formal".

Quando o entrevistador aludiu para a necessidade que a FSSPX reconhecesse a legitimidade do actual Pontífice, responde o Cardeal Castrillón: "A Fraternidade reconheceu sempre João Paulo II, e agora Bento XVI, como o legítimo sucessor de São Pedro."

Bem mais recentemente, em Março de 2017, o Cardeal Castrillón deu uma entrevista à 'Rome Reports' (ligada ao Opus Dei) na qual afirmou:   

"A FSSPX, tecnicamente, nunca caiu em cisma absoluto ou heresia. Por exemplo, eles nunca criaram uma jurisdição separada, porque criar uma jurisdição fora da jurisdição da Igreja significa querer a separação."

D. Athanasius Schneider

Durante uma entrevista ao 'Adelante la Fe', em Agosto de 2015, D. Athanasius Schneider revelou que foi enviado pela Santa Sé como visitador aos seminários da FSSPX para verificar como decorria a formação dos seminaristas. O Bispo auxiliar de Astana é bastante claro ao descrever o que viu:

"Guardo muito boa impressão de minhas visitas. O espírito do 'sentire cum ecclesia' da FSSPX ficou claro quando me receberam como enviado da Santa Sé com verdadeiro respeito e muita cordialidade. Ainda, em ambos os seminários me alegrou ver na entrada a fotografia do Papa Francisco, o Pontífice actualmente reinante. Nas sacristias havia placas com o nome de S.S. Francisco e do ordinário da diocese. Comoveu-me o cântico da oração tradicional pelo Papa (Oremus pro pontifice nostro Francisco) durante a solene exposição do Santíssimo Sacramento. Que eu saiba, não há razões de peso para negar aos sacerdotes e fiéis da FSSPX um reconhecimento canónico oficial, antes, deve-se aceitá-los como são por ora."

Papa Francisco

Em Maio de 2016, o Papa Francisco deu uma entrevista ao 'La Croix'. Quando lhe perguntaram sobre o encontro com Mons. Fellay e o possível acordo com a FSSPX respondeu:

"Conheci-os em Buenos Aires e falava com eles frequentemente. Cumprimentavam-me, ajoelhavam-se e pediam que os abençoasse. Dizem que são católicos. Eles amam a Igreja. (...) Acredito, como disse na Argentina, que são Católicos a caminho da comunhão plena."

Cisma

A palavra 'cisma', quando aplicada no ambiente eclesial tem normalmente o valor de separação completa, ou seja de cisma formal. Este é o caso, por exemplo, dos Ortodoxos, que há cerca de 1000 anos se separaram da Igreja Católica. Os Ortodoxos são cismáticos porque recusam da autoridade do Papa, que dizem ser um Bispo igual ao outros em termos de jurisdição, atribuindo-lhe, no máximo, o título de primus inter pares (primeiro entre iguais). Mas o Papa não é igual aos outros Bispos, é o único que na Igreja possui o poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal. Os Ortodoxos criaram também hierarquias próprias nas dioceses, à margem da hierarquia católica.

A FSSPX não fez nada disto. Sempre reconheceu a autoridade do Papa, como a Igreja defendeu desde o seu início. E além disso, como apontou o Cardeal Castrillón, jamais atribuiu aos 4 Bispos sagrados em Écône uma jurisdição territorial, reconhecendo sempre a jurisdição dos Bispos locais.

O Papa Francisco concedeu a jurisdição universal a todos os sacerdotes da FSSPX para poderem confessar fiéis onde quer que se encontrem. Podem cismáticos ter jurisdição na Igreja? 

Levando tudo isto em conta, parece que o Cardeal Burke terá usado a palavra 'cisma' não em termos de cisma formal mas de cisma material, que implica a falta de intenção em separar-se. A palavra 'cisma' pode ter também um sentido mais coloquial. Diz-se, frequentemente, que alguém que insiste muito num determinado assunto está a "cismar" com aquilo. Não quer dizer com isto que se afastou totalmente das nossas relações ou da comunhão para connosco. A situação jurídica da FSSPX é de facto anómala, ninguém nega essa evidência. Mas disto não decorre que a Fraternidade esteja fora da Igreja ou fora da comunhão com a Igreja.

João Silveira


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A Missa Tradicional em imagens



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domingo, 8 de outubro de 2017

A Caminho - Todos temos uma história

Que estamos no Centenário de Fátima já todos percebemos. Que existam inúmeras iniciativas para assinalar estes 100 anos que nos separam das Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos também é compreensível. Que entre essas iniciativas esteja um musical faz todo o sentido. Esse musical chama-se: "A Caminho - Todos temos uma história".

À primeira vista o nome não deixa a ideia que seja sobre Fátima. E com razão, visto que o que se deseja relatar não são as Aparições propriamente ditas, mas as suas consequências. Há 100 anos a Cova de Iria era um local "perdido no meio do nada". No entanto o que ali se passou, contra todas as probabilidades, mudou completamente aquele lugar e também o mundo. 

O musical "A Caminho" versa exactamente sobre o modo como mudou o mundo. Não através duma análise geopolítica da queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética mas a transformação de vidas de pessoas. Pessoas que viviam longe da Mensagem de Fátima, não só moralmente mas também fisicamente. 

Durante o musical somos conduzidos por um guia, também ele inadvertidamente à procura, através de vários continentes, países e ambientes onde chegou a Mensagem de Fátima, ao longo destes 100 anos. Os testemunhos (reais!) das pessoas que mudaram a vida são impressionantes e põem em causa até a maior incredulidade dos mais cépticos. Milagres, uns atrás dos outros. Curas físicas, curas morais. Famílias separadas que se voltaram a unir. Gente que vivia em continentes longínquos como África, Ásia ou América encontraram a verdadeira felicidade através da "Senhora mais brilhante do que o sol".

À semelhança dessas pessoas, conhecemos muita gente à procura. À procura de uma razão ou de coragem para mudar de vida ou não fugir cobardemente às suas responsabilidade, como era o caso do protagonista principal do "A Caminho", também ele baseado numa história real, em mais uma vida que Nossa Senhora de Fátima tocou e salvou.  


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Mais de 1 milhão de pessoas rezaram o Rosário nas fronteiras da Polónia

O povo da Polónia juntou-se no dia 7 de Outubro, dia de Nossa Senhora do Rosário, para uma demonstração impressionante de Fé. Ao longo da fronteira do País (cerca de 3500 quilómetros) encontraram-se mais de 1 milhão de pessoas que juntas rezaram o Rosário. Esta iniciativa, 'Rosário nas fronteiras', teve como fim pedir à Santíssima Virgem que "abra os corações dos nossos compatriotas à graça de Deus". A organização relembrou ainda o aniversário da Batalha de Lepanto, na qual a Liga Santa derrotou o Império Otomano, impedindo a invasão muçulmana da Europa.



































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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pe. Miguel Almeida SJ pergunta se é adultério ou não. A Igreja diz que sim.

Não tenciono, nem posso, comentar as intenções do Padre Miguel Almeida, S.J., pelo que vou assumir que são as melhores. Mas o seu artigo 'Adúlteros! Mas serão mesmo?', em vez de trazer luz e esclarecimento, parece-me, pelo contrário, ter adensado a confusão já generalizada.

O início do artigo não é feliz, com o argumento de que a “correctio filialis” não teve impacto porque os autores e signatários não são pessoas conhecidas. É pena ouvir mais uma voz a tecer considerações sobre os autores e signatários em vez de comentar o conteúdo da “correctio filialis”. Havendo erros na mesma, seria útil poder-se ler algumas correcções à “correctio”. Em vez disso, comentam-se os autores e signatários e as suas intenções. E neste caso, o Padre Miguel opta por comentar a fama dos mesmos.

Mas entrando no tema, o Padre Miguel escreve:

«Até ao pontificado do Papa João Paulo II, as expressões mais usadas para referir a situação das pessoas “recasadas” eram que viviam em pecado mortal ou que eram adúlteras.»

É que continua a ser assim no Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2384:

“2384. O divórcio é uma ofensa grave à lei natural. Pretende romper o contrato livremente aceite pelos esposos de viverem um com o outro até à morte. O divórcio é uma injúria contra a aliança da salvação, de que o matrimónio sacramental é sinal. O facto de se contrair nova união, embora reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura: o cônjuge casado outra vez encontra-se numa situação de adultério público e permanente:

«Não é lícito ao homem, despedida a esposa, casar com outra; nem é legítimo que outro tome como esposa a que foi repudiada pelo marido»(138).”

(A frase citada é de São Basílio Magno, como podemos ver na nota de rodapé 138.)

E este ensinamento do Catecismo vem da própria boca do Senhor, como lemos em São Mateus 19, 9:

“Ora Eu digo-vos: Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério.”

O Padre Miguel diz mais adiante:

«Esta era a lógica da Igreja até João Paulo II. Uma praxis orientada acima de tudo pela mente canónica que, na melhor das hipóteses, lidava com estas situações como situações de concubinato.»

Pelos vistos, é a lógica de Jesus Cristo, cuja mente canónica é incontestavelmente perfeita porque divina.

Mais adiante, lemos:

«Dá-se aqui um salto coperniciano. A partir deste documento, as expressões “pecado grave” ou “pecado mortal”, bem como o epíteto de “adúlteros” deixam de se aplicar aos recasados. Passou-se a usar a expressão “situação irregular”. Quer dizer, estas pessoas não vivem em comunhão com a regra da Igreja. Apesar de afirmar que vivem “em contradição com a indissolubilidade do matrimónio”, João Paulo II nunca utiliza a palavra “pecado”.»

É incompreensível falar em “salto coperniciano”, pois São João Paulo II escreve a Familiaris Consortio tendo como pano de fundo a doutrina e a moral de sempre. Escreve o Papa no mesmo parágrafo 84 citado pelo Padre Miguel:

“A reconciliação pelo sacramento da penitência - que abriria o caminho ao sacramento eucarístico - pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio.”

Ora, como o Padre Miguel sabe, o caminho para o sacramento eucarístico está sempre aberto para quem está sem pecado, ou em pecado venial. Naturalmente, São João Paulo II fala do arrependimento no contexto do sacramento da penitência, pelo que só pode estar a falar de arrependimento de pecado mortal, arrependimento esse que é condição necessária para se poder voltar a aceder à Eucaristia.

São João Paulo II não precisa de usar a palavra “pecado” quando se baseia na doutrina moral mais elementar, e que está subjacente à sua alusão aos sacramentos da penitência e da Eucaristia.

A Igreja, guardiã dos sacramentos, veda o acesso à eucaristia a quem está em pecado mortal.
É por isso que os “divorciados que contraem nova união”, como se lhes refere o Papa, não podem comungar enquanto não sairem da condição de pecado mortal.

Escreve o Padre Miguel:

«Duas razões, pelo menos, concorrem para que a Igreja não considere adúlteras estas pessoas desde a FC.»

As duas razões que são apresentadas são inconsequentes: a Igreja não deixou de considerar que os divorciados em nova união estão em situação de adultério objectivo, independentemente da avaliação subjectiva da sua culpa. Como vimos, o Catecismo di-lo claramente no parágrafo 2384. Mais importante ainda, Jesus Cristo di-lo claramente.

Surge, depois, uma secção na qual se usa de forma ambígua o termo “adultério” e o termo “adúltero”:

«Isto é, todos nós sabemos o que é o adultério e todos nós sabemos o que é um adúltero. (…)
Uma pessoa adúltera é, além do mais, mentirosa, com vida dupla, que não respeita o marido ou a mulher nem os filhos.»

Uma pessoa adúltera é, antes de mais, aquela que comete actos sexuais com alguém com quem não está unido pelo sacramento do matrimónio. Tal pessoa pode, ou não, mentir, ter vida dupla, faltar ao respeito ao legítimo cônjuge, aos filhos, etc. Mas esses actos são acidentais ao adultério, e não são essenciais. Por exemplo, se dois casais querem trocar de cônjuges entre si, estamos perante adultério, mesmo que não haja mentira e haja pleno consentimento de todos.

Há, então, uma distorção, admito que involuntária, do sentido da palavra “adultério”, e consequentemente, da palavra “adúltero”, ou seja, aquele que comete adultério. É sempre salutar voltar às palavras de Nosso Senhor em São Mateus 19, 9:

“Ora Eu digo-vos: Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério.”

É uma definição clara, sintética, sem ambiguidade. Mais adiante, continua o Padre Miguel:

«O que aconteceu é que ficámos sem instrumentos conceptuais para lidar com estas situações. Antes eram adúlteros e, como tal, não podiam comungar. Com João Paulo II deixaram de ser considerados adúlteros, mas também não podem comungar.»

Como vimos, os instrumentos conceptuais continuam os mesmos, e vêm de Nosso Senhor.
Com São João Paulo II, a doutrina e a moral de Jesus Cristo continuaram as mesmas, como vimos.

O Padre Miguel diz que “as expressões antigas voltaram”, mas elas nunca se foram embora. Estão no Catecismo. Estão na Patrística, estão no Magistério inteiro da Igreja. Como poderiam ir embora? Nunca foram abrogadas, não podem ser abrogadas, e por isso não perdem validade.

Não existe também novidade, nem escândalo, em querer que pecadores participem na vida da Igreja. Afinal, a missão central da Igreja é tornar pecadores em santos, pelo que é preciso que os pecadores entrem na Igreja e que se deixem levar pelo caminho da santidade. Todos somos pecadores e todos devemos estar a caminho da santidade.

A questão está no significado de “participar na vida da Igreja”. A participação no sacramento da Eucaristia está vedada a quem está em pecado mortal, seja ele qual for. E justamente, pois quando alguém comunga em situação de pecado mortal, sabendo que está em pecado mortal, junta à lista um novo pecado mortal, o do sacrilégio.

Mesmo no final do seu artigo, o Padre Miguel reclama da dualidade de critérios de certos católicos que se focam nos pecados de teor sexual e esquecem outros pecados. Naturalmente, o acesso à Eucaristia está igualmente vedado ao católico que está em situação de pecado mortal por ter enriquecido indevidamente, pecando contra o Sétimo Mandamento. O mesmo acontece com qualquer outra violação grave do Decálogo.

O que é de admirar é que o Padre Miguel, ao reclamar dessa dualidade de critérios, não deixa nesse mesmo parágrafo de confirmar o ensinamento literal de Jesus Cristo sobre o adultério:

«No capítulo 19 do evangelho de Mateus, Jesus fala do adultério. E o versículo 9 deste capítulo é o invocado para defender o não acesso aos sacramentos por parte dos recasados, considerando-os adúlteros, porque Jesus o afirma literalmente.»

Em que ficamos? Se Jesus ensina algo tão claro e de forma tão literal, podemos ignorar? Podemos abandonar essas “expressões antigas”?

Para terminar, lemos:

«Não haveria maior infidelidade a Jesus Cristo e à tradição da Igreja se um Papa se limitasse a repetir o passado.»

E todavia, repetir as palavras “passadas” de Jesus Cristo sobre o adultério, palavras bem difíceis (já diziam na altura os seus discípulos), é obviamente ser fiel a Jesus Cristo e à Tradição da Igreja.

Não há futuro para uma pastoral alheada dos ensinamentos claros de Jesus Cristo. Não há futuro para uma pastoral que parta de uma mentira, que será dizer às pessoas que vivem maritalmente com outro que não o legítimo cônjuge que não estão a pecar gravemente.

A verdade liberta, e só há esperança para uma pastoral cujo primeiro passo seja confrontar o pecador com a franqueza da verdade moral. Saber que estamos em pecado grave é o primeiro passo para sairmos dessa condição. A seguir, tem que vir o arrependimento, no contexto do sacramento da penitência. E então sim, em estado de graça e em coerência, comungar do Corpo do Senhor.

Não há pastoral eficaz sem amor. E não há amor sem verdade. Pelo que não há pastoral eficaz sem verdade.

É propositado terminar com uma citação da “Lumen Fidei” do Santo Padre acerca da complementaridade entre verdade e amor:

"Se o amor tem necessidade da verdade, também a verdade precisa do amor; amor e verdade não se podem separar. Sem o amor, a verdade torna-se fria, impessoal, gravosa para a vida concreta da pessoa. A verdade que buscamos, a verdade que dá significado aos nossos passos, ilumina-nos quando somos tocados pelo amor. Quem ama, compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com a pessoa amada.” - Papa Francisco, 'Lumen Fidei', 27.

Bernardo Motta


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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

São Francisco e a salvação que nos chega pelas mãos dos sacerdotes

Devíamos também jejuar e abster-nos dos vícios e pecados e da quantidade exagerada de comida e bebida e ser Católicos. Devíamos também ir às Igrejas com mais frequência e reverenciar os sacerdotes não por eles mesmos, se forem pecadores, mas por causa do seu trabalho e administração do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que eles oferecem no altar e recebem e administram a outros.

E saibamos todos também que ninguém pode ser salvo a não ser pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor que os sacerdotes dizem e anunciam e distribuem e que só eles podem administrar e não outros.

São Francisco de Assis in 'Epistola ad Fideles II' (Carta aos Fiéis II)


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Ciclo de catequeses sobre a Missa Tradicional

Programa
19h00 - Santa Missa na Igreja da Conceição Velha (Rua da Alfândega 108, 1100-016 Lisboa) 
21h00 - Formação na Paróquia de São Nicolau (Rua dos Douradores 57, 1100-415 Lisboa)



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Quando São Francisco venceu a repulsa aos leprosos

Certo dia em que passeava a cavalo na planície que fica perto de Assis, Francisco cruzou-se inesperadamente com um leproso. Teve um sentimento de horror intenso mas, lembrando-se da resolução de vida perfeita que tomara, e de que devia, antes de mais, vencer-se a si mesmo, se queria ser «soldado de Cristo» (2Tim 2,3), saltou do cavalo para abraçar o infeliz. Este, que estendia a mão pedindo uma esmola, recebeu um beijo com o dinheiro. Em seguida, Francisco voltou a montar o cavalo. Mas, por muito que olhasse para um lado e para o outro, não viu o leproso. Cheio de admiração e de alegria, pôs-se a cantar louvores ao Senhor e prometeu não se deter neste acto de generosidade. 

Abandonou-se então ao espírito de pobreza, ao gosto da humildade e aos impulsos de uma piedade profunda. Se até então a simples visão de um leproso o fazia estremecer de horror, passou a fazer-lhes todos os favores possíveis, com perfeita despreocupação por si mesmo, sempre humilde e muito humano; fazia-o por causa de Cristo crucificado que, nas palavras do profeta, «foi desprezado como um leproso» (Is 53,3). Ia visitá-los com frequência, dava-lhes esmolas e, emocionado de compaixão, beijava-lhes afectuosamente as mãos e o rosto. E aos mendigos, não se contentando em lhes dar o que tinha, quereria dar-se a si mesmo – de maneira que, quando não levava dinheiro consigo, dava-lhes as suas vestes, descosendo-as ou rasgando-as para as distribuir.

Foi por esta altura que realizou a peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro, em Roma. Quando viu os mendigos que fervilhavam no chão da Basílica, levado pela compaixão e atraído pelo amor da pobreza, escolheu um dos mais miseráveis, propôs-lhe trocar as suas vestes pelos farrapos com que o homem se cobria, e passou todo o dia na companhia dos pobres, com a alma cheia de uma alegria que nunca, até então, conhecera.

São Boaventura in 'Vida de S. Francisco, Legenda Major' 1, 5-6 


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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Correcção filial ao Pe. Gonçalo Portocarrero

Como declaração de interesses começamos por dizer que o Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada é alguém por quem nutrimos uma grande amizade e admiração, pelo que tem escrito desde há longos anos, de tal maneira que já publicámos neste blogue quase uma centena de textos da sua autoria.

O Pe. Gonçalo Portocarrero escreveu um texto intitulado «Os católicos ‘protestantes’» no qual tece várias críticas aos autores da Correcção Filial ao Papa Francisco. O texto foi bastante difundido nas redes sociais, até por quem menos se esperava. Vivemos de facto tempos curiosos. Pessoas que durante décadas se referiam ao Opus Dei de modo violento, sempre recorrendo a adjectivos agressivos e injustos (mostrando total desconhecimento da Obra), partilham agora com todo o vigor um texto de um sacerdote numerário do Opus Dei. É uma situação análoga à dos que sempre atacaram a doutrina católica e os pronunciamentos infalíveis do Papa (como por exemplo a encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI) e agora envolvem numa aura de infalibilidade qualquer coisa que diga ou faça o Papa Francisco. É o chamado passar dos 8 para os 80.

O Pe. Gonçalo começa por defender que os autores da Correcção, quando escrevem "propagação de heresias produzida pela Exortação Apostólica Amoris Laetita", acusam directamente o Papa Francisco de heresia. Isto porque é impossível que uma heresia provenha de um texto que não seja explicitamente herético (negue uma verdade de fé que deve ser crida). Mas isto não é verdade. Se um texto for dúbio – tiver mais do que uma interpretação possível – pode propagar uma heresia (um erro) sem que o erro se encontre no texto. Por isso mesmo quem tem na Igreja o dever de ensinar sempre se esforçou para que os seus pronunciamentos, especialmente os que versam verdades tão importantes, fossem o mais claros possível, de modo que só pudessem ser interpretados do modo correcto. Não é isso que se passa com a Amoris Laetitia, que deixa espaço para diferentes interpretações. Daí a propagação de heresias proveniente do texto.  

O Pe. Gonçalo avança depois para a afirmação que nenhum Papa pode ser deposto. Porém, não existe uma única linha na Correcção que verse a possibilidade de depor um Papa ou sobre a deposição do Papa Francisco (basta procurar no documento palavras como “destituir” ou “deposto” e ver que o resultado é zero). Essa intenção não está material nem formalmente expressa no documento, pelo que não se entende esta deriva no texto do Pe. Gonçalo. 

De seguida o Pe. Gonçalo invoca o cân. 1404, que diz que a primeira Sé (isto é o Papa) não pode ser julgada por nenhuma autoridade humana. Mas os autores da Correcção Filial não têm como objectivo a instauração de um processo canónico contra o Papa. Não o querem julgar num tribunal, mas tão só que corrija de algum modo a sua conduta de forma que as heresias e a confusão que vagueiam livremente dentro da Igreja hoje em dia deixem de existir. Canonicamente um Papa é inatacável mas moralmente não. Ao longo dos séculos existiram Papas com condutas morais no mínimo duvidosas e nem a Igreja nem o Papado acabaram por causa disso. E seria absurdo vir justificar aquelas práticas pelo simples facto de terem sido feitas por um Papa. É querer a quadratura do círculo.

De seguida encontra-se a frase mais infeliz de todo o texto, que passamos a citar: 

«Como não há qualquer hipótese legal de destituir o Papa Francisco, os subscritores desta carta apelam à “dúvida” quanto à “validade da renúncia do papa emérito Bento XVI ao papado”.» 

Em primeiro lugar, como já dissemos, os subscritores não querem, com este documento, destituir o Papa Francisco. Em segundo lugar, os subscritores não fizeram esta iniciativa por via jurídica mas por via filial, endereçada directamente ao Papa e não a qualquer tribunal. Em terceiro lugar, os subscritores não apelam à dúvida quanto à validade da renúncia do Papa Bento. Isto é mentira! O documento apenas constata o facto de, perante a confusão instalada, algumas pessoas porem em causa a validade dessa renúncia. Mas não a advoga como sendo provável. Na verdade, os autores expressaram a sua preocupação por essa ideia, rejeitando-a implícita e explicitamente ao referir-se, por diversas vezes ao longo do texto, inclusive nesse parágrafo, ao Papa Francisco como Sua Santidade. De mais a mais, no parágrafo seguinte àquele em que falam da renúncia de Bento XVI, os subscritores afirmam, sem margem para dúvidas, o seu distanciamento em relação à possibilidade do Papa Francisco não ser Papa:

“Acreditamos, porém, que Sua Santidade possui o carisma da infalibilidade e o direito à jurisdição universal sobre os fiéis a Cristo, no sentido definido pela Igreja.”

Sendo isto tão claro parece-nos inconcebível como é que o Pe. Gonçalo faz uma leitura completamente contrária ao que está escrito? É-nos francamente difícil entender como pôde isto acontecer.
  
Diz depois o Pe. Gonçalo que os autores da Correcção se esqueceram que a Amoris Laetitia «não pretende ser um texto dogmático, nem normativo, mas pastoral e, por isso, a sua exegese deve ser feita em sintonia com o magistério e a tradição da Igreja e não contradizendo-os.» A questão que se coloca é: Pode um texto pastoral apresentar contradições em relação à doutrina? Pode um texto pastoral deixar em aberto possíveis interpretações contra o que o Magistério sempre ensinou e contra a praxis seguida na pastoral da Igreja ao longo de 2000 anos?

Usando a Amoris Laetitia como fonte de autoridade existem hoje em dia conferências episcopais inteiras que defendem publicamente, e na prática, disciplinas contrárias ao que a Igreja sempre defendeu e condenadas explicitamente, ainda há poucos anos, em documentos do Papa João Paulo II e do Papa Bento XVI. Como constatou o Cardeal Caffarra na carta que escreveu ao Papa Francisco em Abril deste ano: “O que é pecado na Polónia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta.” Poderíamos ainda acrescentar que existem diferentes doutrinas dentro de outras conferências episcopais: por ex. em Roma, diocese do Papa, a interpretação que se encontra no site do Vicariato de Roma é de mudança depois da Amoris Laetitia, enquanto que em Florença a interpretação é a de que nada mudou. Quem tem razão afinal? Um acto que sempre foi considerado intrinsecamente mau depende agora da geografia? Pode ser pecado aqui mas já não ser acolá? Onde está a unidade da fé que é a causa da unidade da Igreja? 

O Pe. Gonçalo explica depois, dando o exemplo da samaritana junto ao poço e dos seus 5 maridos, que também no Evangelho existem “expressões que não são susceptíveis de uma exegese literal”. Tem toda a razão. Por isso mesmo a Igreja sempre disse que deveria ser o Magistério a explicar o sentido das Sagradas Escrituras e não cada um por si, como fazem os protestantes. Foi para evitar o problema de “cada cabeça sua sentença” que a Igreja sempre esclareceu o significado das Escrituras e sempre o fez de maneira clara, sem margem para dúvidas de fé e moral.  

Segue depois o Pe. Gonçalo para o exemplo de São João que apesar de ter sido o primeiro a chegar ao sepulcro vazio esperou por São Pedro para entrar, confirmando a autoridade deste em relação aos Apóstolos, mesmo tendo negado Jesus 3 vezes. Mais uma vez tem razão. Mas ocorre dizer que Pedro se arrependeu dessa negação cobarde chorando amargamente (Lc 22, 62) e, mais tarde, corrigiu a sua tríplice negação com uma tríplice confissão da fé, diante do Divino Mestre (Jo 21, 15-17).

Os autores da Correcção Filial não se consideram uma autoridade acima do Papa, antes têm a perfeita noção que é o Papa que tem a jurisdição sobre eles e sobre toda a Igreja. Por isso mesmo dirigem-se ao Santo Padre enquanto filhos e reconhecendo a sua autoridade, como está bem explícito no documento. E se o que escrevem tem alguma autoridade é a autoridade que vem da Revelação de Deus e de 2000 anos de Magistério ininterrupto da Igreja em relação à doutrina do matrimónio e às condições necessárias para receber os sacramentos. 

Não existe qualquer infidelidade ao Papa nesta iniciativa, existe exactamente o contrário: uma fidelidade acompanhada duma preocupação pela salvação das almas. Infidelidade ao Papa, e a Nosso Senhor, seria enfiar a cabeça na areia sem se preocupar com a confusão reinante neste momento na nossa querida Igreja. 

O Pe. Gonçalo tem uma boa intenção aparente: defender o Papa. Mas o que faz na prática é colocar o Papa num pedestal juntando-lhe super-poderes de infalibilidade em tudo o que diz e faz. Isto não é doutrina católica, é uma papolatria que deturpa o que a Igreja Católica sempre disse sobre o papado. O Papa é infalível em certos pronunciamentos e em determinadas situações, não é infalível em toda a sua conduta. O Papa Paulo IV explica isso de forma bastante clara na Bula ‘Cum ex apostolatus officio’:

“O Romano Pontífice, que é o representante na terra do nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, que detém a totalidade do poder sobre povos e reinos, que pode a todos julgar e por nenhum ser julgado neste mundo, pode, no entanto, ser contradito, se se verificar que se desviou da fé."

O mesmo clarifica o insuspeito Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI): 

“Doutra parte, é possível e até necessário criticar os pronunciamentos do Papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja universal. Onde não houver nem a unanimidade da Igreja universal, nem o claro testemunho das fontes, não pode também haver uma definição que obrigue a crer. Faltando as condições, poder-se-á também suspeitar da legitimidade [de um pronunciamento papal].” (Das Neue Volk Gottes - Enwürfe zur Ekkleseologie, Düsseldorf: Patmos-Verlag, 1969, trad. por Clemente Raphael Mahl: O Novo Povo de Deus , São Paulo: Paulinas, 1974, p. 140)

São Paulo corrigiu São Pedro:

“Mas, quando Cefas (Pedro) veio para Antioquia, opus-me frontalmente a ele, porque estava a comportar-se de modo condenável.” (Gal 2, 11)

São Paulo, que era apenas um Bispo, corrigiu o Papa. São Tomás de Aquino resolve esta questão em Summa Theologiae, IIa, IIae, Q. 33, A.4. Será que Paulo julgou Pedro? Não. "Prima sedes a nemine iudicatur." Paulo corrigiu Pedro filialmente, tal como o Cardeal Jacques Fournier e outros bons homens fizeram ao Papa João XXII, que, felizmente, no seu leito de morte se retractou e converteu.

Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, corrigiu o Papa exortando-o com bastante veemência para que deixasse Avinhão e voltasse para Roma.

Durante o cisma do Ocidente (1378-1417) quando existiam dois Papas (na prática só um podia ser legítimo) reclamando ambos o título de Sucessor de Pedro havia santos a apoiar cada um deles. Como é possível que um santo tenha estado contra e em desobediência ao Papa verdadeiro?

A história da Igreja ajuda a desmontar o romance e a utopia que envolvem hoje em dia o papado, transformando o Papa no que não é nem pode ser. A constituição dogmática Pastor Aeternus, sobre o primado e infalibilidade do Papa, promulgada pelo Concílio Vaticano I ajuda a perceber melhor e a purificar-nos destas ideias de infalibilidade absoluta do Papa em tudo o que diz e faz, que são um absurdo olhando para o passado e um perigo para o futuro se forem tidas como verdadeiras.

O Santo Padre é o garante da unidade da Igreja porque é seu dever confirmar os seus irmãos na fé. A unidade da Igreja é a unidade da fé. A obediência ao Papa é obrigatória sempre que essa obediência não implique uma desobediência aos mandamentos de Deus. A figura do Sucessor de Pedro é tão importante para a Igreja que qualquer crítica que seja feita ao seu governo deve ser justificada por motivos gravíssimos e feita com o maior respeito possível. Quer-nos parecer que a Correcção Filial goza desses dois pressupostos.

O Pe. Gonçalo é um homem inteligentíssimo, brilhante jurista, grande orador e escreve muitíssimo bem. Custa-nos que tenha perdido esta oportunidade para fazer uma crítica ao documento em questão, especialmente nas partes em que o mesmo pudesse ter-se afastado da doutrina católica. Poderia também ter demonstrado que de facto aquelas 7 heresias não são hoje ditas abertamente por vários membros da hierarquia da Igreja com o silêncio conivente da Santa Sé. Se o tivesse feito esta iniciativa teria perdido todo o seu sentido. Infelizmente o Pe. Gonçalo desperdiçou energias com investidas contra o que o documento não diz, nem quer dizer (a célebre falácia do espantalho) e a defender o Papa de ataques que não lhe foram de modo algum dirigidos. Agindo deste modo não prestou um bom serviço à verdade nem à salvação das almas.

Rezemos pelo Papa Francisco e pela unidade da Igreja em torno das verdades reveladas por Deus, que são imutáveis, tal como nos garantiu Nosso Senhor: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar.” (Mt 24, 35)

João Silveira
Pedro Froes


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sábado, 30 de setembro de 2017

Se Deus aparecesse nos noticiários

Se Deus aparecesse nos noticiários que lugar restaria à liberdade humana, ao livre arbítrio e à Fé? Como poderíamos duvidar de uma evidência?

Como faria o homem o caminho da confiança, de volta a uma relação entretanto traída? Não! A maior razão da Fé reside na salvaguarda da liberdade humana; em reganhar uma confiança entretanto perdida pela Queda. 

É preciso viver a revolução permanente, contra o espírito da época, contra a heresia da moda. Só assim se obtém o perdão e o regresso a casa.

G.K. Chesterton


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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Oração a São Miguel Arcanjo (pequeno exorcismo)

Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen. 

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demónio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Ámen.


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