segunda-feira, 14 de maio de 2018

Oração a Nossa Senhora de Fátima para obter 50 dias de indulgência

Virgem Imaculada, que pelo vosso santo Rosário extinguistes outrora no seio da Igreja a nefasta heresia dos Albigenses, por ele libertastes a cristandade do perigo muçulmano e robustecestes a piedade dos fiéis; extingui também no povo português pela prática mais intensa da vossa devoção os germens de morte que fazem definhar a sua Fé, libertai-o de todos os perigos internos e externos que ameaçam a pureza de seus costumes, fortalecei-o mais e mais, fazendo rejuvenescer nele o genuíno espírito de piedade que no passado o fez um povo cristianíssimo, fidelíssimo e evangelizador.

E já que por uma inefável prova de celestial predileção vos dignastes visitar este povo que se ufana de ser vassalo vosso, mostrando-lhe dos montes da Fátima quão caro é ao vosso Coração, não deixeis nunca, Mãe amorosíssima, de o acalentar com esse mesmo amor de predileção.

Descansai sobre ele olhares de misericórdia, fazei-lhe sentir mais e mais vossa suavíssima proteção e os doces atrativos do vosso Coração que é coração de mãe.

Abençoai, ó Virgem Imaculada, a terra que vos dignastes visitar, atraí a vós todos os portugueses, atenteai-lhes os tesoiros do vosso amor, revelai-lhes os arcanos de vosso Coração materno, fazei de cada coração português um órgão que vibre de amor por vós e de Portugal inteiro um Santuário de amor que corresponda com seu filial afeto ao vosso carinho maternal e assim mereça agora e sempre ser chamado – a Terra de Santa Maria. – Assim seja.

Pode imprimir-se e concedemos 50 dias de indulgência aos fiéis, por cada vez que recitarem esta oração com um Padre Nosso e uma Avé Maria pelas necessidades da Santa Igreja.

Leiria, 20 de Janeiro de 1927
† JOSÉ, BISPO DE LEIRIA


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domingo, 13 de maio de 2018

sábado, 12 de maio de 2018

Bons ventos vêm de África

As vocações estão em crise no nosso meio, mas florescem noutras latitudes. É o caso de África. A Igreja africana sabe o que é sofrer, oprimida por ditaduras, fustigada por guerras e perseguida por terroristas… Mas a fé cristã e as vocações crescem! Enquanto isso, nós, na Europa, por vezes, vamos vivendo um cristianismo medíocre, em vez de nos concentrarmos no essencial.

É precisamente o que assinalam as recentes declarações do Cardeal John Onaiyekan, Arcebispos de Abuja, na Nigéria. À rádio pública austríaca ORF, disse que está admirado com o facto de a Igreja da Europa estar tão obcecada em dar a comunhão aos divorciados recasados, em vez de se preocupar com as suas igrejas que «estão cada vez mais vazias» (ao contrário das da Nigéria) e «muitas pessoas já não vêm».

Também o Cardeal Robert Sarah (natural da Guiné Conacri), no seu livro “Deus ou nada” (ed. Lucerna, Cascais 2016, pág. 333 a 336) diz que a questão dos recasados «não é um desafio urgente para as Igrejas de África ou da Ásia», mas «trata-se de uma obsessão de certas Igrejas ocidentais»; e que a Igreja de África se compromete «a manter inalterado o ensinamento de Deus e da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio».

É assim que Igreja africana permanece fiel à doutrina e fiel à verdade do matrimónio indissolúvel, enquanto nós andamos aqui perdidos em discussões estéreis e confusas. Não vemos os nossos irmãos africanos preocupados com estas questões: estão mais preocupados em manter a fé viva. Aliás, é a fé, constantemente provada pelo fogo, que os mantém firmes nas adversidades. Vozes proféticas dizem que África «é a grande esperança de Igreja».

Pe. Orlando Henriques in 'O Amigo do Povo'


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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Missa Solene com assistência pontifical de Mons. Luigi Negri

Foi celebrada uma Missa Solene para comemorar o 500º aniversário da consagração do altar da Basílica Canonical de Santa Maria in Vado, em Ferrara (Itália). Foi naquele local que se deu o Milagre Eucarístico do Prodigioso Sangue na Páscoa de 1171. 

O milagre aconteceu quando perante Pietro de Verona, um Cónego que duvidada da Presença Real, jorrou um enorme fluxo do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que ainda hoje em dia é visível na parede da Basílica.

A liturgia esteve a cargo da Opera Familia Cristi, um instituto diocesano ligado à Ecclesia Dei. A Santa Missa contou com a assistência pontifical de Mons. Luigi Negri, Bispo emérito de Ferrara. 







Fotografias: Messainlatino.it


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Quando ninguém reconheceu o Padre Américo por não estar de batina

Mandei fazer um fato de sobrecasaca, dos quatro metros de pano que alguém me ofereceu, mas logo houve de me arrepender de não ter antes feito batina, porquanto a malta dos gaiatos, nas esquinas e ruas por onde passei com o dito fato, titubeavam em acenos indecisos e duvidosos um «olha que não é ele». 

Ora, eu quero ser sempre eu - eu Padre vestido de batina - em todo o tempo e lugar sem erros nem ilusões. E fui mostrar a Lisboa a mestria das tesoiras de Coimbra. Resultado? Ninguém me conheceu. Vim derreado e arrependido da minha loucura. Prometi não mais o fazer. O Padre é da batina e a batina é do Padre. Doutra forma ninguém lhe liga. Assim se deu comigo.

Por causa da minha batina, tenho sofrido as do cabo. Tenho sido apupado, escarnecido, apontado com desprezo - ui! Um homem de saias! Isto mesmo tenho ouvido eu muitas vezes, da boca daqueles por quem eu ando e padeço. Não desarmo. A batina é sinal de bênção e de maldição. Se estes me apontam com desprezo, por causa da batina, aqueles não me conhecem sem ela. Visto-a por causa de todos. 

Os primeiros hão-de reconhecer o valor do homem que a veste e hão-de correr atrás dele para chorarem seus pecados de encontro à batina que odeiam. Os segundos, conhecendo-me por causa dela, correm para mim e louvam o Pai Celeste. A minha batina!

Quantos anos, e lutas e encontradelas e apertos, e desilusões e lágrimas e dores para a comprar?! Quantas?"

in 'O pai Américo era assim' - Coimbra, 1958 - Biografia do Padre Américo Monteiro de Aguiar (fundador da Obra da Rua, Casa do Gaiato)


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quarta-feira, 9 de maio de 2018

França: Centenas de muçulmanos convertidos ao Catolicismo

Mais de 4258 adultos – um aumento de cerca de 40% em relação ao ano passado – receberam o baptismo na Igreja Católica, em França, este ano na vigília da Páscoa. 

Entre esses havia 280 pessoas que renunciaram ao islamismo, um número que vem crescendo nos últimos anos, segundo a Conferência Episcopal da França (CEF) citada pelo “Times of Israel”. 

Na vigília da Páscoa é celebrada a Missa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, durante a qual tradicionalmente é dado o baptismo aos catecúmenos.

Perto de 60% dos adultos tinha entre 18 e 35 anos. 53% e provinha de famílias de tradição cristã. 22% até à conversão diziam-se “sem religião”, ou ateus. O número dessas conversões aumentou 35% nos últimos dez anos.

Os dados foram comunicados à agência France Press pelo Pe. Vincent Feroldi, director do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos da CEF, que destacou que “até 2016, o número desses casos estava sempre abaixo de 200.”

A renúncia do Islão é problemática, pois o Corão condena-a como apostasia intolerável, merecedora da morte aplicável imediatamente e sem julgamento pelo primeiro que o puder fazer. 

Muitos pedem que o baptismo seja recebido “com certa discrição” e fora das festas da Páscoa para não serem vistos. Por isso o número anual total de baptismos de ex-maometanos pode ser bastante superior.

Via 'Valores inegociáveis: respeito à vida, à família e à religião'


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segunda-feira, 7 de maio de 2018

A pílula quase me matou

Fico sempre espantado quando sei de pessoas que praticam yoga e são vegetarianas, mas não têm pejo nenhum em ingerir diariamente um produto cancerígeno: a pílula anticonceptiva.

Veja-se a história desta mulher, que afirma que esteve quase a morrer por causa da pílula – e deixou de a tomar. Este texto foi escrito por uma mulher chamada Colleen Wachob, que conta a sua história em MindBodyGreen.com

«Tudo começou numa típica manhã de sábado: fui à minha aula de Strala Yoga, depois fui com uma amiga petiscar vegetariano ao Hampton Chutney, e a seguir fomos as duas ver montras para o SoHo.

Eu tomava a pílula há uma década e nunca tinha tido problemas. Na verdade, agradava-me tomar anticonceptivos e achava que me fazia bem: não tinha de me preocupar com a acne; podia ser eu a marcar o início do período e fazer de maneira que não me calhasse ao fim-de-semana; e tinha até a impressão de ter menor probablidade de vir a contrair cancro dos ovários.

Sabia que a pílula anticonceptiva tinha alguns riscos. Mas sentia-me saudável e cheia de energia. Como nunca tinha fumado, não me ocorreu que corresse riscos. Além disso, tomava a pílula há anos, pelo que presumi que se tivesse de ter problemas já os teria tido.

Mudei radicalmente de perspectiva em Maio, quando fui parar ao banco de um hospital com trombos nos dois pulmões. Os médicos estão convencidos de que estes trombos – que podem ser fatais – foram provocados pela pílula anticonceptiva.»

Mas então por que é que ela tomava a pílula? A questão é essa. Os anticonceptivos são de tal maneira normais e omnipresentes, que as pessoas já nem pensam no assunto. É como ter um micro-ondas: a pessoa desconfia de que talvez faça mal, mas como toda a gente tem, também compra um.

Conclui esta mulher:

«Sei agora que as pílulas anticonceptivas com estrogénios fazem mal, porque podem provocar trombos. Ao longo dos anos, os médicos têm-me falado dos muitos efeitos maravilhosos da pílula para a saúde, mas raramente referem os efeitos secundários.

Olhando para trás, pergunto a mim própria se terei passado por alto algum sinal de que a pílula era tóxica. E parece-me que sim. Sempre tive o sistema circulatório um bocado em baixo: pernas inchadas, em especial quando com o calor e depois de andar de avião; andava sempre com frio e ficava com os dedos roxos quando a temperatura descia, o que deverá ser síndrome de Raynaud.

Daqui para o futuro, vou fazer muito mais perguntas acerca do tipo de comprimidos que tomo. E vou prestar mais atenção ao meu corpo. Sei que o meu corpo fez o que pôde para me dizer que se passava qualquer coisa. Devia ter lido blogues católicos, e ficava a saber que a pílula está a dar cabo dela. A pílula é mesmo uma coisa má. É cancerígena. 

Basta entrar no Google News em qualquer dia da semana, para se lerem notícias de mulheres que abriram processos judiciais contra os fabricantes de anticonceptivos. 

Há muito tempo que a Igreja Católica anda a dizer: "Não façam isso." Mas as pessoas não prestam atenção porque acham que a Igreja é um grupo de velhos misóginos que quer controlar as mulheres. Há muito tempo que a Igreja anda a dizer que a pílula é antinatural e faz mal à vida espiritual. Além disso, pode matar. Talvez porque a relação alma/corpo funcione mesmo.

Quer dizer que neste caso a Igreja tem razão. Mas admitir que a Igreja tem razão neste caso obriga-nos a perguntar: então, e se a Igreja também tiver razão noutros casos?»


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As virtudes são formadas pela oração




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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Deus não gosta de condenar mas sim de salvar

"Deus reserva muitas coisas para o julgamento futuro, mas algumas delas são julgadas agora, para que aqueles cujo julgamento tarda sejam tomados de receio e se convertam. Pois Deus não gosta de condenar mas sim de salvar, e por isso é paciente com os maus para que eles se tornem bons."

Santo Agostinho in Sermão 18; PL 38, 128


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Bispo português explica a importância da Missa Antiga nos nossos dias

Sobre a Constituição da Sagrada Liturgia, tive a ocasião de escrever este ano, após 50 anos do Concílio, algumas considerações nas Pedras Vivas, no Jornal da Madeira e revi a legislação Pontifícia do Papa João Paulo II sobre a faculdade do uso do Missal Romano editado em 1962 pelo Papa João XXIII, e em 1988 com a carta apostólica Ecclesia Dei. O Papa Bento XVI, com a carta apostólica sob forma de Motu próprio, regularizou o uso do «rito tradicional» ou «missa tridentina», também chamada a «missa de sempre» de S. Pio V. 

Ao ser convidado pelos Cavaleiros de Colombo (Knights of Columbus) para nos Estados Unidos promover a Liga de Orações (Gebetsliga), para a canonização do beato Carlos de Áustria, a organização dos «cavaleiros» procurou informar-se se eu sabia latim, e conhecia o canto gregoriano para a celebração da Eucaristia, devido a terem adaptado o «rito antigo», ou «rito romano clássico», em latim, como fora regulamentado pelos Papas para a Igreja latina. 

A minha resposta foi afirmativa. Durante os dez primeiros anos de sacerdócio celebrei a missa em latim, cantei todas as missas em gregoriano, tanto no Funchal, como em Roma, e nos países onde estudei línguas (França, Inglaterra, Alemanha, Jordânia e Israel). Além disso, como aluno das Universidades Gregoriana e Bíblico, sempre tive aulas e exames em latim. Após o Concílio, já em Roma, celebrei a missa em italiano e português, tendo usado o latim nos grandes santuários internacionais como Lourdes, Roma, Londres, Paris e Jerusalém.

Na visita pastoral aos Estados Unidos às comunidades portuguesas celebrei sempre em português e inglês. Desta maneira o encontro com os Cavaleiros de Colombo proporcionou-me um conhecimento actual da enorme expansão do rito tradicional, ou latim, nos Estados Unidos, o que acontece também em grande escala no Canadá, Brasil, Argentina, França, Suíça e, de forma mais reduzida noutros países católicos do mundo. Portugal é conhecido por não ter celebrações em latim, a não ser algumas partes do Cânone em Fátima, sendo a língua de Cícero cada vez mais desconhecida de padres e bispos portugueses. De facto, na diocese do Funchal durante os 25 anos de ministério episcopal nunca celebrei pontifical ou missa solene em latim e, em relação com o canto gregoriano, procurei que ele não se extinguisse, como recomenda a Congregação para o Culto Divino, ao menos para as melodias simples. 

Quem reabrir os documentos conciliares encontrará na Constituição sobre a Sagrada Liturgia (nº 36, §1): “Deve conservar-se o uso do latim nos Ritos Latinos, salvo o direito particular”, e (nº 101, §1), diz-se que, conforme à tradição secular do rito latino, a língua a usar no Ofício Divino é o latim, contudo o ordinário pode dar a «faculdade de usar uma tradução em vernáculo». Quanto à Música Sacra, (no cap. VI nº 116), «a Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana, o canto gregoriano», não «excluindo todos os outros géneros de música sacra». 


Atmosfera de oração e reverência 


A visita de Outubro aos Estados Unidos apresentou-me um panorama espiritual novo na celebração da Eucaristia que muito me impressionou, tanto na missa em latim, como em grego, nos ritos orientais dos católicos ucranianos. Até alguns jovens acólitos e meninos da catequese, respondiam e cantavam em latim, e em grego no rito oriental de São João Crisóstomo. É certo que os fiéis participam normalmente no culto em inglês, mas um vasto número de jovens padres, leigos e fiéis descobrem na missa tradicional o sentido sagrado ou do celeste que se atenuou na missa em língua vernácula, dizendo que se colocou o homem no centro da celebração e não Cristo Senhor. 

O Concílio Vaticano II privilegiou na liturgia a “acção de Deus” ou “acção de Cristo”. Existe um perigo latente, o sacerdote pode pensar que ele é o centro da liturgia, e o rito pode apresentar o aspeto de teatro ou performance de um apresentador de televisão. O celebrante não é o protagonista da ação litúrgica, não é o ponto de referência, para ter mais sucesso perante o público. Embora não seja para imitar mas os budistas e os muçulmanos demonstram reverência a Deus quando oram, colocando a cabeça por terra.

O uso do latim apoia a universalidade da Igreja e da unidade dos fiéis, mas os missais ao lado do texto latino devem ter uma tradução na própria língua, como encontrei na catedral de Washington e noutras igrejas. É opinião comum dos que optaram pelo latim que a missa mantém melhor o silêncio interior e exterior e uma atmosfera de oração e reverência.

É permitida a missa em latim em todas as circunstâncias? Tudo foi regulamentado pelo Papa Bento XVI que, na Carta Apostólica, afirma que o Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da «lex orandi» (lei de orar) no rito latino; o missal romano, aprovado por São Pio V e reeditado pelo Papa João XXIII, deve ser considerado como expressão extraordinária da mesma «lei de orar» e gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo, são dois usos do único rito romano. Por isso “é licito celebrar o sacrifício da missa segundo a edição típica do missal romano promulgado pelo beato João XXIII em 1962, e nunca abrogado, como forma extraordinária da liturgia da Igreja”. 

Na Missa com ausência de povo, o celebrante pode celebrar tanto num rito como noutro, com excepção do Tríduo Pascal, e não necessita de autorização da Sé Apostólica nem do seu Ordinário. As comunidades ou Institutos de Vida Apostólica, nos conventos ou oratórios próprios, podem usar o missal de Pio V e, se quiserem de um modo frequente ou habitual, precisam da decisão dos seus Superiores Maiores. Nas paróquias, se houver um número notável de fiéis que prefira a missa em latim, aconselha-se o pároco a acolher o seu pedido, sob orientação do bispo diocesano para evitar a discórdia e desunião na Igreja. O bispo pode erigir uma paróquia pessoal para a celebração antiga. 

Estas permissões foram concedidas a 7 de Julho de 2007 por Bento XVI e permitem compreender a sua expansão em centenas e milhares de igrejas nos EUA e noutros países. Celebrei num mosteiro de carmelitas que escolheu o rito latino e, em New York, no centro de Manhattan, na igreja dos Santos Inocentes celebra-se todos os dias a missa em latim com canto gregoriano às 18h, assim como se reza todas as semanas a missa pelas crianças não nascidas, devido aos abortos. Devo afirmar que nas igrejas onde celebrei em latim nunca faltou o número suficiente de padres e acólitos para o pontifical romano nem uma numerosa participação de fiéis que, algumas vezes, cantavam o gregoriano da própria festa. 

Não o escrevo para ser imitado, mas entre os padres mais novos e alguns mais velhos, há uma natural procura da Missa em latim e canto gregoriano, levando alguns padres a um estudo mais profundo da língua latina. Que posso dizer destes factos? “Admiro-me com as turbas”, como dizia o Padre António Vieira. Afirmo também que não me envergonho de saber latim, nem cantar gregoriano, ou vestir os paramentos que usei nos primeiros anos do meu sacerdócio. O que torna o sacrifício eucarístico impuro, o que mancha e envergonha o espírito não são as vestes, o latim ou o cântico, mas o que São Paulo escreve ao discípulo Tito: “Todas as coisas são puras para os puros, mas para os impuros e infiéis nada é puro, porque o seu espírito e a sua consciência estão contaminados” (Tito 1, 15ss). 

Funchal, 10 de Novembro de 2013 
† Teodoro, Bispo emérito do Funchal


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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Um irmão muito especial que escapou ao aborto

Neste vídeo podemos testemunhar o amor entre dois irmãos. Um deles, por causa da sua deficiência, poderia ter sido abortado como acontece a mais de 90% das crianças com aquela doença. Felizmente não foi. Os outros também não deveriam ter sido.





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sábado, 28 de abril de 2018

Quaeritur: Um frade dominicano pode andar de skate? Pelos vistos sim!

Vídeo filmado pela 'Catholic Community at Stanford'


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Não é só o interior que conta, não podemos esquecer as práticas exteriores

Embora o essencial desta devoção (a Nossa Senhora) consista no interior, ela não deixa de ter várias práticas exteriores que não devemos esquecer: «É preciso fazer isto sem omitir aquilo»; quer porque as práticas exteriores, bem feitas, ajudam as interiores, quer porque elas recordam ao homem, que é conduzido pelos sentidos, aquilo que ele fez ou deve fazer; até porque elas são próprias para edificar o próximo que as vê, o que não acontece com as puramente interiores.

Que nenhum mundano, portanto, critique, ou meta aqui o nariz a dizer que a verdadeira devoção está no coração, que é preciso evitar o que é exterior, onde pode entrar a vaidade, que se deve esconder esta devoção, etc. 

Respondo-lhes com o Mestre: "Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que fazeis e louvem o vosso Pai que está nos Céus"; não queremos dizer, como observa São Gregório, que façamos as nossas devoções e acções exteriores para agradar aos homens e conseguir louvor, o que seria vaidade; mas fazem-se, por vezes, diante dos homens, para agradar a Deus e para que Ele seja glorificado por isso, sem qualquer preocupação com o desprezo ou louvor dos homens. 

São Luís Maria Grignon de Monfort in Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria


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Funcionários da Basílica de São Pedro limpam o baldaquino de Bernini




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quinta-feira, 26 de abril de 2018

Terço nas mãos de Nossa Senhora de Pompeia balança miraculosamente

Centenas de pessoas ficaram espantadas quando o Terço que se encontra nas mãos da estátua de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia começou, de repente, a abanar sem que nada o fizesse prever. 

Estava um dia perfeitamente tranquilo, sem vento nem nenhum fenómeno atmosférico que pudesse fazer com que o objecto baloiçasse. Os habitantes de Pompeia dizem que nem no Inverno, em dias de tempestade, costuma o Terço balançar daquele modo porque é bastante pesado.

Para muitos Nossa Senhora terá feito este milagre a fim que as pessoas prestem atenção aos seus insistentes pedidos para que se reze o Terço todos os dias.






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quarta-feira, 25 de abril de 2018

A Bíblia tão perto e tão longe de nós...

A única forma de compreendermos correctamente a Bíblia e termos acesso à sua verdadeira essência é lendo-a à luz da tradição sagrada.

Quando lemos a Bíblia Sagrada, estamos a ler algo dito ou escrito (inspirado) por Deus? A resposta é: depende! Se abrirmos uma Bíblia em português, inglês, francês, alemão, espanhol etc., certamente encontrar-nos-emos a centenas de quilómetros de distância do que Deus realmente falou ou revelou pelas Escrituras. Fiquemos só com o Novo Testamento. E se soubermos grego? Bem, se formos capazes de dominar o grego bíblico ou koiné, língua na qual foi escrito o Evangelho, então, estaremos apenas a quilómetros de distância do que Deus quis revelar, porque Jesus não se exprimia em grego, mas em aramaico.

Mesmo que soubéssemos perfeitamente o grego e o aramaico antigos, ainda assim, haveria uma distância considerável entre a revelação divina e nosso entendimento dela. Por quê? Porque os hagiógrafos, vale dizer, são Mateus, são Marcos, são Lucas e são João também interpretaram a mensagem soteriológica de Jesus e, segundo o adágio, tradutore traditori (cada tradutor é um traidor).

Como sair desse aparente labirinto? A única forma de compreendermos correctamente a Bíblia e termos acesso à sua verdadeira essência é lendo-a à luz da Sagrada Tradição. Tem de haver uma simbiose perfeita entre essas duas vertentes da palavra de Deus: a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura.

Bem. Tranquilizemo-nos. Na prática, podemos sim saborear lindos versículos Bíblicos no nosso próprio idioma. Mas temos de contar com edições autorizadas pela Igreja Católica, com o imprimatur e, principalmente, providas de bons comentários.

Ah! Não fosse a Igreja católica, ao ler a Bíblia, sujeitar-nos-íamos aos devaneios da nossa imaginação. O catolicismo encurta a distância quilométrica entre o leitor da Bíblia e a mensagem autêntica de Jesus. Isto acontece porque a Igreja Católica recebeu esta missão do próprio Deus. O Magistério da Igreja apresenta ao Mundo o modo correcto de entender e ler a Bíblia. 

Edson Sampel in Zenit


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terça-feira, 24 de abril de 2018

Discórdias familiares e não só

Quantas discórdias familiares, e também não familiares dependem, sobretudo, da falta de caridade e poderiam ser solucionadas apenas com um sincero acto de amor, no qual poderia desaparecer o orgulho e o egoísmo? 

O verdadeiro servo de Deus é aquele que usa a caridade para com o seu próximo, que está decidido a fazer a vontade de Deus a todo custo, que vive em profunda humildade e simplicidade.

Padre Pio de Pietrelcina


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domingo, 22 de abril de 2018

Fim do “Catolicismo romano”?

Este artigo, assim mesmo intitulado pelo próprio Autor e do qual apresento abaixo a tradução em português, apareceu no blog Settimo Cielo, no dia 13 de Abril passado, sob um outro provocador título dado por Sandro Magister: La riforma di Bergoglio l'ha già scritta Martin Lutero / A reforma de Bergoglio já a escreveu Martinho Lutero [1].

O Autor é Roberto Pertici: tem sessenta e seis anos de idade e é actualmente professor de história contemporânea na Universidade de Bergamo [2]. Um académico exactamente da minha idade; o que, pela contemporaneidade da vida, me ajudou à melhor compreensão deste ensaio.

Este, é de facto notável e algo invulgar pela «agudeza e amplitude de horizonte da análise», como diz Magister, e pela lógica do raciocínio que conjuga os factos examinados, relevando a sua unitária coerência com um “projecto” ou “operação”.

Para quem partilhe de uma visão conservadora ou tradicional da Igreja, parece-me obviamente muito perturbador.... mas há que ter presente que a Fé católica e apostólica não se conjuga jamais com qualquer espécie de desespero!

As notas assinaladas entre […], são todas da minha autoria.

22 de Abril de 2018

João Duarte Bleck, médico e leigo Católico 
***
1. Neste momento do pontificado de Francisco, creio que se possa razoavelmente sustentar que este marca o ocaso dessa imponente realidade histórica definível como “catolicismo romano”.

Isto não significa, bem entendido, que a Igreja Católica esteja no fim, mas que está a chegar ao fim o modo como historicamente se estruturou e se apresentou a si mesma nos últimos séculos.

De facto, parece-me evidente que é este o projecto conscientemente seguido pelo “brain trust” que rodeia Francisco: um projecto que se pretende quer uma resposta extrema / radical à crise das relações entre a Igreja e o mundo moderno, quer como premissa para um renovado percurso ecuménico, comum às outras confissões cristãs, especialmente aquelas Protestantes.

2. Por “catolicismo romano” entendo aquela grande construção histórica, teológica e jurídica que se iniciou com a helenização (para o aspecto filosófico) e com a romanização (para o aspecto político-jurídico) do cristianismo primitivo e que se baseia sobre o primado dos sucessores de Pedro; tal como ela emerge da crise do mundo tardo-antigo e da sistematização teórica da idade gregoriana (“Dictatus Papae”) [3].

Nos séculos sucessivos, a Igreja, do mesmo modo, dotou-se de um Direito interno próprio, o Direito canónico, olhando para o Direito romano como modelo. E este elemento jurídico contribuiu para gradualmente plasmar uma complexa organização hierárquica, com precisas normas internas que regulam a vida, seja da “burocracia dos celibatários” (a expressão é de Carl Schmitt [1888-1985]) que a gere, seja dos leigos que dela fazem parte.

O outro momento decisivo da formação do “catolicismo romano” é, finalmente, a eclesiologia elaborada no Concílio de Trento [1545-1563], que reafirmou a centralidade da mediação eclesiástica em vista da salvação, em contraste com a tese luterana do “sacerdócio universal”, e que assim fixa o carácter hierárquico, unitário e centralizado da Igreja; o seu direito de controlar e, caso ocorra, condenar as posições que contrastem com a formulação ortodoxa das verdades de fé; o seu papel na administração dos sacramentos.

Esta eclesiologia foi selada no dogma da infalibilidade pontifícia proclamado no Concílio Vaticano I [1869-1870], colocado à prova oitenta anos depois, na afirmação dogmática da Assunção de Maria ao Céu (1950), a qual, juntamente com a precedente proclamação dogmática da sua Imaculada Conceição (1854), reafirma a centralidade do culto mariano.

Seria, todavia, redutor se nos limitássemos a quanto dissemos até agora. Porque existe, ou melhor existia, também um difuso “sentir católico”, assim constituído:

- uma atitude cultural que se baseia sobre um realismo, a propósito da natureza humana, por vezes desencantado, mas disposto a “tudo compreender” como premissa do “tudo perdoar”;
- uma espiritualidade não-ascética, compreensiva de certos aspectos materiais da vida e não disposta a desprezá-los;
- empenhado numa caridade quotidiana para com os humildes e os necessitados, sem precisar de os idealizar ou deles fazer quase um ídolo;
- disposto a representar-se também na própria sumptuosidade, portanto não surdo à razão de ser da beleza e das artes, enquanto testemunhos de uma Beleza suprema à qual o cristão deve tender;
- indagador subtil das moções mais recônditas do coração, da luta interior entre o bem e o mal, da dialéctica entre “tentação” e a resposta da consciência.

Poder-se-ia então dizer que naquilo a que chamo de “catolicismo romano” entrelaçam-se três aspectos, além, obviamente, do religioso: o estético, o jurídico e o político. Trata-se de uma visão racional do mundo que penetra numa instituição visível e compacta e que entra fatalmente em conflito com a ideia de representação que emergiu com a modernidade, baseada no individualismo e numa concepção do poder que, vinda de baixo, acaba por colocar em discussão o princípio da autoridade.

3. Este conflito foi considerado de diversos modos, muitas vezes opostos, por aqueles que o analisaram. Carl Schmitt olhava com admiração para a “resistência” do “catolicismo romano”, considerado como a última força com capacidade de conter as aniquiladoras forças da modernidade. Outros criticaram-no duramente: nesta luta, a Igreja católica teria desastrosamente enfatizado os seus traços jurídico-hierárquicos, autoritários, exteriores.

Para além destas opiniões opostas, certo é que nos últimos séculos o “catolicismo romano” foi constrangido a uma postura defensiva. A colocar progressivamente em discussão a sua presença social, esteve sobretudo o nascimento da sociedade industrial e o consequente processo de modernização, que inaugurou uma serie de mudanças antropológicas ainda agora em curso. Quase como se o “catolicismo romano” fosse “orgânico” (para dizê-lo numa expressão vétero-marxista) a uma sociedade agrária, hierárquica, estática, baseada na penúria e sobre o medo e não encontrasse relevância numa sociedade “afluente”, dinâmica, caracterizada pela mobilidade social.

Uma primeira resposta a esta situação de crise, foi dada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II (1962-1965), o qual, nas intenções do Papa João XXIII [papa de 1958 a 1963] que o tinha convocado [em Janeiro de 1959], devia proceder a um “aggiornamento pastorale”, olhar com novo optimismo para o mundo moderno, em suma baixar finalmente a guarda: não se tratava mais de prosseguir um duelo secular, mas de abrir um diálogo e operar um encontro.

O mundo era percorrido naqueles anos por mudanças extraordinárias e por um inédito desenvolvimento económico: provavelmente a mais sensacional, rápida e profunda revolução da condição humana de que há vestígios na história (Eric J. Hobsbawm [1917-2012]). O evento Concílio contribuiu para esta mudança, mas foi, por sua vez, tomado por ela: o ritmo dos “aggiornamenti” – também favorecido pela vertiginosa transformação ambiental/cultural e pela convicção geral cantada [em 1964] por Bob Dylan, de que “the times they are a-changin’” – foge da mão da hierarquia, ou, pelo menos daquela sua parte que desejava operar uma reforma e não uma revolução.

Assim, entre 1967 e 1968 assiste-se à “viragem” de Paulo VI [papa de 1963 a 1978] a qual se expressa na análise preocupada das turbulências de 68 e, depois da “revolução sexual”, na encíclica “Humanae vitae” de Julho de 1968. Tanto era o pessimismo a que chegava aquele grande Pontífice nos anos 70, que, conversando com o filósofo Jean Guitton [1901-1999], se interrogava e lhe perguntava, ecoando um passo inquietante do evangelho de Lucas: “[Mas] quando o Filho do Homem regressar, encontrará ainda a fé, sobre a terra?” [Lc 18,8]. E acrescentava: “O que me magoa, quando observo o mundo católico, é que no interior do catolicismo parece às vezes predominar um pensamento de tipo não-católico e pode acontecer que este pensamento de tipo não-católico se torne amanhã o mais forte no interior do catolicismo” [4].

4. Sabe-se qual foi a resposta dos sucessores de Paulo VI a esta situação: conjugar mudança e continuidade; realizar – sobre algumas questões – as correcções oportunas (memorável, deste ponto de vista, a condenação da “teologia da libertação”); procurar um diálogo com a modernidade que fosse ao mesmo tempo um desafio: sobre temas da vida, da racionalidade do homem, da liberdade religiosa.

Bento XVI [papa de 2005 a 2013] naquele que foi o verdadeiro texto programático do seu pontificado (o discurso à Cúria romana de 22 de Dezembro de 2005 [5]), reiterou então um princípio firme: que as grandes orientações do Vaticano II deviam ser lidas e interpretadas à luz da tradição precedente da Igreja, portanto também à luz da eclesiologia saída do Concílio de Trento e do Vaticano I. Até mesmo pela simples razão de que não se pode realizar uma negação formal da fé acreditada e vivida desde há gerações e gerações, sem introduzir um “vulnus” [6] irreparável na auto-representação e na percepção pública de uma instituição como a Igreja.

Sabe-se também como esta linha causou uma rejeição generalizada, não apenas “extra ecclesiam”, onde se manifestou através de uma agressão mediática e intelectual contra o Papa Bento absolutamente inédita, mas – com este modo nicodemitico [7] e de murmúrio congénito no mundo eclesial – também no corpo eclesiástico, o qual, substancialmente, deixou sozinho aquele Papa nos momentos mais críticos do seu pontificado. Daqui, creio, a sua renúncia de Fevereiro de 2013, a qual – para além de reconfortantes interpretações – aparece como um evento histórico, do qual as razões e as implicações de longo-prazo permanecem ainda todas por aprofundar.

5. Foi esta a situação herdada pelo Papa Francisco [papa desde 13 de Março de 2013]. Limito-me apenas a mencionar os aspectos biográficos e culturais que tornavam “ab initio” Jorge Mário Bergoglio em parte estranho àquilo que designei de “cattolicesimo romano”:

- o carácter periférico da sua formação, profundamente radicada no mundo latino-americano, que lhe dificulta encarnar a universalidade da Igreja ou, pelo menos, o impele para vivê-la de um modo novo, deixando de lado a civilização europeia e a norte-americana;
- a pertença a uma Ordem, como a Companhia de Jesus, que no último meio século realizou um dos mais clamorosos reposicionamento político-cultural de que se tem notícia na história recente, passando de uma posição “reaccionária” a uma “revolucionária” com variações, dando assim prova de um pragmatismo por muitos aspectos digno de reflexão;
- a estranheza ao elemento estético que é próprio do “cattolicesimo romano”, a sua ostensiva renúncia a toda a representação da dignidade do cargo (os aposentos no Palácio Apostólico, a mozeta vermelha [8] e o costumeiro aparato pontifício, os automóveis de representação, a residência [de Verão] de Castel Gandolfo) e aqueles a que chama “hábitos de príncipe Renascentista” (a começar pelo atraso e depois ausência num concerto de música clássica em sua honra, nos inícios do pontificado).

Prefiro tentar sublinhar o que me parece poder constituir o elemento unificante das múltiplas mudanças que o Papa Francisco está introduzindo na tradição católica.

Faço-o baseando-me num pequeno livro de um eminente homem de Igreja, que vem geralmente considerado como o teólogo de referência do actual pontificado, citado eloquentemente por Francisco logo no seu primeiro Angelus, de 17 de Março de 2013, quando disse: “Nestes dias, pude ler o livro de um Cardeal – o Cardeal Kasper, um teólogo estupendo, um bom teólogo – sobre a misericórdia. Aquele livro fez-me muito bem. (Não julgueis que estou a fazer publicidade dos livros dos meus Cardeais, porque não é isso…!) É que [o livro] me fez mesmo bem, muito bem...” [9].

O livro de Walter Kasper a que me refiro tem por título: “Martinho Lutero. Uma perspectiva ecuménica” [10] e é a versão reelaborada e ampliada de uma conferência feita pelo Cardeal no dia 18 de Janeiro de 2016, em Berlim. O capítulo sobre o qual quero chamar a atenção é o sexto: “Actualidade ecuménica de Martinho Lutero”.

Todo o capítulo é construído sobre uma argumentação binária, segundo a qual Lutero foi induzido a aprofundar a rotura com Roma principalmente devido à recusa do Papa e dos bispos de proceder a uma reforma. Foi apenas perante a surdez de Roma – escreve Kasper – que o reformador alemão “com base na sua compreensão do sacerdócio universal, se viu obrigado a contentar-se com uma organização [ou sistema] de emergência. Ele, porém, continuou a confiar no facto de que a verdade do Evangelho se imporia por si só e assim deixou a porta fundamental aberta para um possível futuro entendimento”.

Mas também da parte católica, nos inícios do século XVI, muitas portas permaneciam abertas; a situação era, por assim dizer, fluida. Escreve Kasper: “não havia uma eclesiologia católica harmonicamente estruturada, mas unicamente aproximações, que eram mais uma doutrina sobre a hierarquia do que uma verdadeira e própria eclesiologia. A elaboração sistemática da eclesiologia terá lugar somente na teologia da contra-Reforma como antítese à polémica da Reforma contra o papado. O papado torna-se assim, de uma maneira até então desconhecida, o sinal distintivo do catolicismo. As respectivas teses e antíteses confessionais condicionaram-se e bloquearam-se mutuamente”.

Portanto, hoje é preciso – se considerarmos o sentido global da argumentação de Kasper – proceder a uma “desconfessionalização” seja das Confissões reformadas, seja da Igreja Católica, não obstante esta jamais se tenha sentido uma “Confissão”, mas sim como a Igreja universal. É preciso regressar a qualquer coisa de semelhante à situação que precedeu o eclodir dos conflitos religiosos do século XVI.

Enquanto que no campo luterano esta “desconfessionalização” esteja, hoje, já amplamente cumprida (com a secularização forçosa daquelas sociedades, para as quais os problemas que estavam na base das controvérsias confessionais se tornaram irrelevantes para a esmagadora maioria dos cristãos “reformados”), no campo católico, ao invés, há ainda muito por realizar, precisamente por causa da supervivência [ou permanência] de aspectos e estruturas daquilo a que chamei o “catolicismo romano”. É, portanto, sobretudo ao mundo católico que é dirigido o convite à “desconfessionalização”. Kasper invoca-a como “uma redescoberta da catolicidade originária, não limitada por um ponto de vista confessional”.

Para tal finalidade, é assim necessário levar a bom termo, uma vez por todas, a superação da eclesiologia tridentina e a do Vaticano I. Segundo Kasper o Concílio Vaticano II abriu a estrada, mas a sua recepção foi controversa e nada linear. Daqui o papel do actual Pontífice: “o Papa Francisco inaugurou uma nova fase no referido processo de recepção. Ele sublinha a eclesiologia do povo de Deus, o povo de Deus em caminho, o sentido da fé do povo de Deus, a estrutura sinodal da Igreja, e para a compreensão da unidade coloca em jogo uma abordagem nova, interessante. Descreve a unidade ecuménica não mais com a imagem de círculos concêntricos ao redor do centro, mas com a imagem do poliedro, ou seja, de uma realidade com muitas faces, não um puzzle unificado do exterior, mas um todo e, tal como uma pedra preciosa, um todo que reflecte a luz que a atinge de modo maravilhosamente múltiplo. Referindo-se a Oscar Cullman [1902-1999] [11], o Papa Francisco retoma o conceito da diversidade reconciliada”.

6. Se relermos brevemente a esta luz as atitudes de Francisco que suscitaram mais celeuma, compreendemos melhor a sua lógica comum:

- o acentuar, desde o dia da eleição, da sua função de bispo de Roma, mais que de Pontífice da Igreja universal;
- a destruturação da figura canónica do Pontífice Romano (o celebérrimo “quem sou eu para julgar?”), a base da qual - no seu âmago - não se explica apenas por motivos da seu temperamento a que se aludiu primeiramente, mas por um motivo mais profundo, de carácter teológico;
- o enfraquecimento prático de alguns sacramentos, entre os mais característicos do “sentir católico” (a confissão auricular, o matrimónio indissolúvel, a eucaristia), realizado por razões pastorais de “misericórdia” e “acolhimento”;
- a exaltação da “parrésia” [12] dentro da Igreja, da confusão presumivelmente criativa, à qual se liga uma visão da Igreja quase como uma federação de Igrejas locais, dotadas de amplos poderes disciplinares, litúrgicos e até doutrinais.

Há quem se escandalize pelo facto de que na Polónia acabará por vigorar uma interpretação da [Exortação Apostólica] “Amoris Laetitia” diversa da que se fará na Alemanha ou na Argentina, relativamente à comunhão dos divorciados recasados. Mas Francisco podia responder que se trata de facetas diversas daquele poliedro que é a Igreja Católica, ao qual se poderia juntar, tarde ou cedo – porque não? – também as Igrejas reformadas pós-luteranas, num espírito justamente de “diversidade reconciliada”.

Por este caminho, é fácil de prever que os próximos passos serão uma nova concepção da catequese e da liturgia, num sentido ecuménico, também aqui com o caminho a percorrer pela parte católica muito mais exigente que o da parte protestante, considerando os diversos pontos de partida, bem como um enfraquecimento do sacramento da Ordem nos seus aspectos mais “católicos”, isto é, no celibato eclesiástico, com o que a hierarquia católica cessará também de ser a “burocracia dos celibatários”, da expressão de Carl Schmitt.

Compreende-se então melhor, a verdadeira e própria exaltação da figura e da obra de Lutero que se produziu nos vértices da Igreja Católica por ocasião do quinto centenário de 1517, até ao discutido selo comemorativo que lhe foi dedicado pelos correios do Vaticano, com ele e Melanchthon [1497-1560] aos pés de Jesus crucificado.

Pessoalmente não tenho dúvidas que Lutero seja um dos gigantes da “história universal”, como antes se gostava de dizer, mas «est modus in rebus» [13]: sobretudo as instituições devem ter uma espécie de moderação ao realizarem viragens desta dimensão, sob pena de cair no ridículo: o mesmo ridículo que o século vinte nos infligiu, quando os comunistas reabilitavam em uníssono e de volta ao poder os “heréticos” condenados e encarniçadamente combatidos até à véspera: a “contra-ordem, camaradas!” dos [famosos] cartoons de Giovannino Guareschi [1908-1968] [14].

7. Se, portanto, ontem o “catolicismo romano” era considerado como um corpo estranho da modernidade, estranheza que não lhe era perdoada, é natural que o seu ocaso [ou declínio] seja hoje saudado com alegria pelo “mundo moderno” nas suas instituições políticas, mediáticas e culturais e que o Pontífice actual seja visto como aquele que cura aquela ruptura entre os vértices eclesiásticos e o mundo da informação, das organizações e dos “think tank” internacionais, ruptura essa que – aberta em 1968 com a [Encíclica] “Humanae Vitae” – se aprofundou nos pontificados seguintes.

E é também natural que grupos e ambientes eclesiásticos que já nos anos sessenta auspiciavam a ultrapassagem da Igreja tridentina e que, nesta perspectiva, leram o Vaticano II, depois de terem vivido na sombra estes últimos quarenta anos, tenham hoje saído à luz do dia e se reencontrem, com os seus herdeiros leigos e eclesiásticos, entre os que constituem aquele “brain trust” que referi no início [cf. terceiro parágrafo do nº 1].

No entanto permanecem em aberto algumas questões que mereceriam ulteriores e não-fáceis reflexões.

A operação levada avante pelo Papa Francisco e pela sua “entourage” conhecerá um sucesso duradouro ou acabará por encontrar resistências, no interior da hierarquia e do que resta do povo católico, maiores do que aquelas, definitivamente marginais, que já emergiram no seio da hierarquia?

A que tipo de nova realidade “católica” na sociedade ocidental, dará vida a referida operação?

E em termos mais gerais: que consequências essa operação poderá ter sobre o património cultural global, político e religioso do mundo ocidental, o qual, embora tenha atingido um nível de secularização generalizado, repousa em parte sobre o “catolicismo romano”?

Mas é preferível que os historiadores não façam profecias e se contentem por compreenderem qualquer coisa, se conseguirem, dos processos em curso.
  
Notas do tradutor:

1. Pode ler-se em italiano, inglês, espanhol e francês, em:

2. Para saber quem é, pode ler-se, por exemplo:

3. Ver em:

4. Da última conversa que o referido filósofo francês teve com Paulo VI, dia 8 de Setembro de 1977. Cf. J. Guitton, Paolo VI segreto, 1977.

5. Pode ler-se em:

6. Vulnus: ferida, ofensa.

7. Nicodemitico, no original italiano: em referência a Nicodemos, o fariseu membro do Sinédrio que se aproximava de Jesus, pela noite. Cf.: Jo 3,1-21; Jo 7,50-52; e Jo 19,39.

8. «Capa curta e com pequeno capuz, aberta ou abotoada à frente, usada, durante o Inverno, nos ofícios de coro, sobre a sotaina ou, eventualmente sobre a sobrepeliz ou o roquete, por determinados clérigos (Papa, cardeais, bispos, abades, cónegos) como sinal de jurisdição» (Thesaurus, vocabulário de objectos do culto católico, edição da Fundação da Casa de Bragança, Vila Viçosa, 2004, entrada nº 860, p. 174).

9. A alocução do Papa Francisco neste Angelus, pode ler-se em:

10. Para saber mais sobre o desenvolvido deste tema pelo Cardeal Walter Kasper, pode ler-se, em português do Brasil, a seguinte transcrição, em:
ou, melhor ainda, o artigo subscrito pelo próprio Cardeal Kasper, sob o título Una prospettiva ecuménica. Sguardo su Lutero alla vigilia del quinto centenario della Riforma, publicado no L’Osservatore Romano, dia 18 de Maio de 2016, em:

11. Sobre este teólogo luterano, pode ler-se em:

12. Parrésia: liberdade oratória; afirmação corajosa; liberdade de linguagem, franqueza; confissão, espécie de confissão (Cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

13. Est modus in rebus: há um limite nas coisas. Frase com que Horácio aconselha a moderação em tudo.

14. O célebre criador da figura de Don Camillo; ver em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Giovannino_Guareschi


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