quinta-feira, 12 de julho de 2018

A Santa Família de Santa Teresinha de Menino Jesus

- Os pais, São Luís e Santa Zélia Martin, ao centro;
- Maria Teresa, mais conhecida por Santa Teresa de Lisieux ou ainda Santa Teresinha do Menino Jesus, carmelita, doutora da Igreja (à direita);
- Maria Luísa, carmelita em Lisieux, chamada "Irmã Maria do Sagrado Coração";
- Maria Paulina, carmelita em Lisieux, chamada "Madre Agnes de Jesus";
- Maria Leónia, visitandina em Caen, chamada "Irmã Françoise-Thérèse";
- Maria Celina, carmelita em Lisieux, chamada "Irmã Geneviève da Santa Face";
- Por último, os 4 irmãos de Santa Teresinha que morreram ainda crianças.


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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Frade Franciscano preso em frente a clínica de aborto

Frei Fidelis Moscinski, C.F.R, foi detido pela polícia do Distrito de Columbia (Estados Unidos da América) por se recusar a deixar as imediações de uma clínica de aborto, enquanto distribuía rosas e tentava pacificamente ajudar as mães a considerar alternativas ao aborto.

Fotografia: American Life League


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terça-feira, 10 de julho de 2018

A Santa Missa, o milagre dos milagres






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A excelência da oração do Pai Nosso segundo S. Tomás de Aquino

I. As cinco qualidades requeridas para todas as orações.

1. — A Oração Dominical (Pai Nosso), entre todas, é a oração por excelência, pois possui as cinco qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, recta, ordenada, devota e humilde.

2. — A oração deve ser confiante, como São Paulo escreve aos Hebreus (4, 16): Aproximemo-nos com confiança do trono da graça, a fim de alcançar a misericórdia e achar graça para sermos socorridos no tempo oportuno. 

A oração deve ser feita com fé e sem hesitação, segundo São Tiago. (Tg 1,6): Se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus... Mas peça-a com fé e sem hesitação.

Por diversas razões, o Pai Nosso é a mais segura e confiante das orações. A Oração Dominical é obra de nosso advogado, do mais sábio dos pedintes, do possuidor de todos os tesouros de sabedoria (cf. Cl 2, 3), daquele de quem diz São João (I, 2, 1): Temos um advogado junto ao pai: Jesus Cristo, o Justo. São Cipriano escreveu em seu Tratado da oração dominical: «Já que temos o Cristo como advogado junto ao Pai, por nossos pecados, em nossos pedidos de perdão, por nossas faltas, apresentemos em nosso favor, as palavras de nosso advogado».

A Oração Dominical parece-nos também que deve ser a mais ouvida porque aquele que, com o Pai, a escuta é o mesmo que no-la ensinou; como afirma o Salmo 90 (15): Ele clamará por mim e eu o escutarei. «É rezar uma prece amiga, familiar e piedosa dirigir-se ao Senhor com suas próprias palavras» diz São Cipriano. Nunca se deixa de tirar algum fruto desta oração que, segundo santo Agostinho, apaga os pecados veniais.

3. — A nossa oração deve, em segundo lugar, ser recta, quer dizer, devemos pedir a Deus os bens que nos sejam convenientes. «A oração, diz São João Damasceno, é o pedido a Deus dos dons que convém pedir». Muitas vezes, a oração não é ouvida por termos implorado bens que verdadeiramente não nos convêm. «Pediste e não recebeste, porque pediste mal», diz São Tiago (4, 3).

É tão difícil saber com certeza o que devemos pedir, como saber o que devemos desejar. O Apóstolo reconhece, quando escreve aos Romanos (8, 26): Não sabemos pedir como convém, mas (acrescenta), o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.

Mas não é o Cristo que é o nosso doutor? Não foi Ele que nos ensinou o que devemos pedir, quando os seus discípulos disseram: Senhor, ensinai-nos a rezar? (Lc 11, 1). Os bens que ele nos ensina a pedir, na oração, são os mais convenientes. «Se rezamos de maneira conveniente e justa, diz Santo Agostinho, quaisquer que sejam os termos que empregamos, não diremos nada mais do que o que está contido na Oração Dominical».

4. — Em terceiro lugar, a oração deve ser ordenada, como o próprio desejo que a prece interpreta.

A ordem conveniente consiste em preferirmos, em nossos desejos e preces, os bens espirituais aos bens materiais, as realidades celestes às realidades terrenas, de acordo com a recomendação do Senhor (Mt 6, 33): Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça e o resto — o comer, o beber e o vestir — ser-vos-á dado por acréscimo. Na Oração Dominical, o Senhor ensina-nos a observar esta ordem: primeiro pedimos as realidades celestes e em seguida os bens terrestres.

5. — Em quarto lugar, a oração deve ser devota.

A excelência da devoção torna o sacrifício da oração agradável a Deus. Em vosso nome, Senhor, elevarei minhas mãos, diz o Salmista, e minha alma é saciada como de fino manjar. A prolixidade da oração, no mais das vezes, enfraquece a devoção; também o Senhor nos ensina a evitar essa prolixidade supérflua: Em vossas orações não multipliqueis as palavras; como fazem os pagãos, (Mt 6, 7). S. Agostinho recomenda, escrevendo a Proba: «Tirai da oração a abundância de palavras; no entanto não deixeis de suplicar, se a vossa atenção continua fervorosa». Esta é a razão pela qual o Senhor instituiu a breve oração do Pai Nosso.

6. — A devoção provém da caridade, que é o amor de Deus e do próximo. O Pai Nosso é uma manifestação destes dois amores.

Para mostrar nosso amor a Deus, chamamo-Lo «Pai» e para mostrar nosso amor ao próximo, pedimos por todos os homens justos, dizendo: «Pai Nosso», e empurrados pelo mesmo amor, acrescentamos: «perdoai as nossas dívidas»,

7. — Em quinto lugar, a nossa oração deve ser humilde, segundo o que diz o Salmista (Sl 101, 18): Deus olhou para a prece dos humildes.

Uma oração humilde é uma oração que certamente será ouvida, como nos mostra o Senhor, no evangelho do Fariseu e do Publicano (Lc 18, 9-15) e Judite, rogando ao Senhor, dizia: Vós sempre tivestes por agradável a súplica dos humildes dos mansos. Esta humildade está presente na Oração Dominical, pois a verdadeira humildade está naquele que não confia nas suas próprias forças, mas tudo espera do poder divino.

II. Os bons efeitos da oração.

8. — Notemos que a oração produz três espécies de bens.

Primeiramente, constitui um remédio eficaz contra todos os males. Livra-nos dos pecados cometidos: «Remistes, Senhor, a iniquidade de meu pecado, diz o Salmista (Sl 31,5-6) por isso todo homem santo dirigirá a Vós sua prece». Assim pediu o ladrão sobre a cruz e obteve o perdão, pois Jesus lhe respondeu: «Em verdade vos digo, hoje mesmo estareis comigo no paraíso». (Lc 23, 43), Do mesmo modo rezou o publicano e voltou para casa justificado (cf. Lc 18, 14).

A oração liberta-nos do medo dos pecados que virão, das tribulações e da tristeza. Alguém está triste entre vós? Reze com a alma tranquila (Tg 5, 3).

A oração livra-nos das perseguições dos inimigos. Está escrito no Salmo 108, 4: Em resposta ao meu afecto me fizeram mal; eu, porém, orava.

9. — Em segundo lugar, a oração é um meio útil e eficaz para a realização de todos os nossos desejos. Tudo o que pedirdes na oração, diz Jesus, crede, recebereis. (Mc 11, 24)

Se não somos atendidos, será porque — ou não pedimos com insistência: é preciso rezar sem descanso (Lc 18, 1) — ou então não pedimos o que é mais útil à nossa salvação. «O Senhor é bom, diz Santo Agostinho, muitas vezes não nos concede o que queremos, para nos dar os bens, que desejaríamos receber, se nossa vontade estivesse bem de acordo com a sua divina vontade». São Paulo é exemplo disso, pois, por três vezes, pediu para ficar livre de um forte sofrimento em sua carne e não foi atendido (cf. II Cor 12, 8).

10. — Em terceiro lugar a oração é útil, porque nos torna familiares de Deus. Que a minha oração suba até vós, como o fumo do incenso, diz o Salmista (Sl 140, 2).

S. Tomás de Aquino in "O Pai Nosso e a Avé Maria" 
Tradução: Permanência


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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Há 18 anos o Papa João Paulo II criticou no Angelus as "marchas de orgulho gay"

Julgo imperioso fazer referência às bem conhecidas manifestações, que se realizaram em Roma nos dias passados.

Em nome da Igreja de Roma, não posso deixar de exprimir profunda tristeza pela afronta ao Grande Jubileu do Ano 2000 e pela ofensa aos valores cristãos de uma Cidade, que é tão querida ao coração dos católicos do mundo inteiro.

A Igreja não pode deixar de falar a verdade, porque faltaria à fidelidade para com Deus Criador e não ajudaria a discernir o que é bem daquilo que é mal.

A respeito disto, desejaria limitar-me a ler quanto diz o Catecismo da Igreja Católica que, depois de ter feito observar que os actos de homossexualidade são contrários à lei natural, assim se exprime: "Um número não desprezível de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza.

Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da Cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição" (n. 2358).

A Mãe celeste nos assista com a sua protecção.

Papa João Paulo II durante o Angelus, na Praça de São Pedro (9 de Julho de 2000)


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sábado, 7 de julho de 2018

Summorum Pontificum: 11 anos para nada?

Há 11 anos, no dia 7 de Julho de 2007, com a publicação do motu proprio Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI vinha explicar que a Missa Tradicional jamais tinha sido proibida e que os fiéis têm direito a tê-la nas suas paróquias. Infelizmente este direito é negado por muitos sacerdotes e bispos, que deixam assim de cumprir o seu papel de pastores. Este texto que se segue descreve a situação em França, que mesmo assim é o país que mais Missas tradicionais tem.

I - Uma triste constatação

"Não temos registros actuais; não há mais pedidos de missas relativas ao motu proprio com problemas nas dioceses francesas", pode-se ouvir hoje em dia nos escritórios da comissão Ecclesia Dei em Roma. Factualmente, isso está perfeitamente exacto.

Contudo, isto quer dizer que não não existem problemas litúrgicos em França? Que tudo vai bem numa Igreja ansiosa por responder às aspirações litúrgicas de todos os seus fiéis? Não, na verdade os fiéis que pedem simplesmente acabaram por cansar-se.

Os meses que se seguiram à entrada em vigor do motu proprio de 2007 viram numerosas esperanças se manifestarem e múltiplos grupos de fiéis se dirigirem filialmente aos seus pastores para se beneficiar do tesouro que lhes oferecia teoricamente o texto pontifício. Foram obtidos excelentes resultados. Algumas paróquias abriram-se honestamente à liturgia tradicional (e continuam a fazê-lo até hoje). Outras, porém, fizeram-no traindo o espírito e a letra do motu proprio. Mas a grande maioria permanece surda aos pedidos formulados pelas famílias. De tal modo que, no correr dos meses e anos, novos pedidos paroquiais tornaram-se mais e mais raros.

Esta falta de expressão de novos pedidos explica-se pela resignação dos fiéis, que compreenderam que a maioria dos bispos e dos padres não desejaria a paz litúrgica e faria tudo para privar de seu efeito o motu proprio de Bento XVI.

Má fé, manipulações grosseiras, calúnias e mentiras, nenhuma arma foi negligenciada por aqueles que deveriam ser os artesãos da unidade litúrgica (cf. SP Art. 5-§ 1).

Segundo os casos, respondem aos fiéis que pedem: "Vocês não são da paróquia" ou "Já existe uma celebração na diocese e o bispo julga que não é necessário criar outra" ou ainda "Falaremos com o conselho paroquial que estudará o pedido de vocês, daremos um retorno em seis meses". Utiliza-se também o argumento do número. Às vezes os fiéis não eram tão numerosos, enquanto noutros lugares, como em Vaucresson na diocese de Nanterre, eram muitos e foram acusados de pôr em perigo o equilíbrio paroquial.

Um sacerdote benevolente, mas em fim de mandato, explicava aos fiéis que pediam, que era melhor "aguardar a chegada do [seu] sucessor", enquanto o que chegava pedia a eles que "deixassem o tempo para ele se instalar", etc, etc.

Resumindo, o essencial das reações eclesiásticas, sob o cajado das autoridades episcopais, foi organizar o freio e a recusa, manter o apartheid litúrgico e desanimar os mais decididos fiéis. Naturalmente, e nossas cartas fornecem provas abundantes (certos leitores criticam-nos dizendo que somos muito otimistas!), existem belas exceções diocesanas e paroquiais. Mas, no passar de uma década, elas constituem sempre exceções a uma regra que permanece sendo a negação.

O povo fiel tem consciência. Já faz um bom tempo que ele compreendeu que a vontade de "chegar às periferias" ou de "acolher a diferença" não passava de um encantamento usado na mídia e que não era linha de conduta para uso intra-eclesial.

II - No entanto...

Nem tudo é negativo no negativo. O motu proprio de 2007 tem pelo menos o mérito de permitir ao motu proprio de 1988 (Ecclesia Dei) começar a ser melhor e mais aplicado. Com efeito, enquanto o artesão do Summorum Pontificum é teoricamente o padre da paróquia, o tratamento dos pedidos tem sido, na prática e contrariando o espírito e a letra do motu proprio de 2007, quase sempre decidido no nível episcopal, como mandava o Ecclesia Dei há uns quase 30 anos atrás. Isto provavelmente é o que os bispos chamam de "viver com o seu tempo"...

Resta que, se os bispos desejassem realmente a paz litúrgica, eles teriam há muito tempo feito com que de alguma forma os fiéis tivesse concretamente acesso a esta forma de celebração pelo menos nas catedrais e nas igrejas mais centrais, num primeiro momento. Eles teriam feito da liturgia tradicional um tesouro acessível a qualquer católico que o quisesse e não mais uma peça de museu reservada aos fiéis que escolheram deixar suas paróquias por lugares de culto próximos a reservas indígenas.

Queremos recordar que segundo as múltiplas sondagens realizadas por organismos profissionais e independentes entre 2008 e 2011, pelo menos 1 a cada 3 católicos franceses praticantes participaria ao menos uma vez por mês da celebração da forma extraordinária do rito romano se fosse proposta em sua paróquia.

Estas estatísticas, verificadas no tempo, no espaço e em diferentes institutos de sondagem solicitados, jamais foram levadas em conta, nem mesmo debatidas pela hierarquia católica. 

A omertà (N.T. termo napolitano que designa o voto de silêncio dos membros da máfia) organizada sobre os estudos científicos e a recusa de toda discussão sobre os dados estatísticos falam muito sobre os preconceitos litúrgicos que continuam a reinar na França. E se as pesquisas de opinião assustam os bispos - que anseiam por elas quando se trata de assuntos políticos -, por que não considerar a realidade das missas dominicais?

Por toda parte em que a experiência Summorum Pontificum tem sido tentada honestamente, a um ritmo dominical/semanal e num horário familiar, por um padre benevolente, ela tem sido um sucesso e em nada esvaziou o lugar de culto vizinho. Não mais que os bancos das capelas da Fraternidade São Pio X.

Fazemos um voto para que a nova geração de sacerdotes que se levanta, que não tem as olheiras ideológicas dos mais velhos, aplique honestamente e com liberdade de espírito o motu proprio de Bento XVI, sob o cuidado de bispos finalmente prontos para dar prova de realismo, se não de benevolência, pastoral. É tempo de aceitar a realidade tal qual é, a saber: que em cada paróquia francesa, uma parte consistente de fiéis participaria de boa vontade na forma extraordinária do rito romano se a ocasião lhe fosse oferecida pelo pároco.



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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Uma igreja sem genuflexórios não é católica

Se abençoar quer dizer adorar, a bênção ou adoração na Escritura está documentada pela prostração e pelo dobrar os joelhos fisicamente e metafisicamente o coração. Só o diabo não se ajoelha, porque – dizem os Padres do deserto – não tem os joelhos. 

Assim, São Paulo vê diante de Jesus a consonância entre história sagrada e o cosmos: todo joelho se dobre, no céu, na terra e debaixo da terra. Consequência concreta: o gesto do ajoelhar-se deve voltar a ter a prioridade no rito da Missa, no desenvolvimento, inspiração e sabor da música sacra, nos objectos sagrados: uma igreja sem genuflexórios não é uma igreja católica. 

Mons. Nicola Bux in 'A liturgia, obra da Trindade'


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segunda-feira, 2 de julho de 2018

São Tomás de Aquino e a teologia dos Jesuítas

Em 1599, pouco mais de cinquenta anos depois da fundação da Companhia de Jesus, o Superior Geral publicou as regras que os colégios Jesuítas deviam seguir em todo o mundo.

Este documento, conhecido por Ratio studiorum, foi publicado inúmeras vezes em todos os países onde os Jesuítas tinham apostolados até 1773.

Apesar de serem regras que ambicionavam uniformizar os apostolados da Companhia de Jesus, estas regras continham flexibilidade suficiente para serem adaptadas às necessidades de cada país, como era próprio do espírito de Santo. Inácio. 

«Regras para o Provincial. Sobre o curso e os professores de teologia

9. De acordo com as Constituições, o curso de teologia deve ocorrer num período de quatro anos. O curso deve ser coordenado por dois professores do [respectivo] colégio ou, se for demasiado difícil, por tês, de acordo com as diferentes práticas das províncias.

O provincial deve ter especialmente em consideração que ninguém deve ser promovido para as cadeiras de teologia a não ser aqueles professores que estão naturalmente dispostos para S. Tomás [de Aquino]. Aqueles que normalmente discordam de S. Tomás, ou que não são seus grandes entusiastas, devem ser afastados do encargo de ensino.»


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sábado, 30 de junho de 2018

Os 70 anos do Cardeal Burke

O Cardeal Raymond Burke faz hoje 70 anos. Neste dia tivemos a honra de ouvir a Santa Missa na sua capela às 7 da manhã. Depois fomos recebidos pelo Cardeal, que nos garantiu o apoio e entusiasmo em relação ao trabalho desenvolvido pelo nosso blog. Da nossa parte garantimos que poderá contar sempre com as nossas orações.

Os nossos irmãos da Polónia foram mais pró-activos e encomendaram um bolo à medida para comemorar as 70 primaveras do Cardeal Burke.








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terça-feira, 26 de junho de 2018

17 sinais evidentes de falta de humildade

1. Pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou mais bem dito do que o que os outros fazem ou dizem;

2. Querer levar sempre a tua avante;

3. Discutir sem razão ou, quando a tens, insistir com teimosia e de maus modos;

4. Dar a tua opinião sem ta pedirem ou sem a caridade o exigir;

5. Desprezar o ponto de vista dos outros;

6. Não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;

7. Não reconhecer que és indigno de toda a honra e estima, inclusive da terra que pisas e das coisas que possuis;

8. Citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;

9. Falar mal de ti mesmo, para fazerem bom juízo de ti ou te contradizerem;

10. Desculpar-te quando te repreendem;

11. Ocultar ao Director Espiritual algumas faltas humilhantes, para que não perca o conceito que faz de ti;

12. Ouvir com complacência quem te louva, ou alegrar-te por terem falado bem de ti;

13. Doer-te que outros sejam mais estimados do que tu;

14. Negar-te a desempenhar ofícios inferiores;

15. Procurar ou desejar singularizar-te;

16. Insinuar na conversa palavras de louvor próprio, ou que dão a entender a tua honradez, o teu engenho ou destreza, o teu prestígio profissional...;

17. Envergonhar-te por careceres de certos bens.

S. Josemaria Escrivá in Sulco, 263


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Peguemos em nossas armas



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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Padre português ordenado por Cardeal Burke em Rito Tradicional

O Cardeal Raymond Burke foi convidado para realizar as ordenações sacerdotais do Instituto Bom Pastor, um instituto de Rito Tradicional pertencente à Ecclesia Dei. Entre os 4 sacerdotes ordenados encontra-se um português. Este é um motivo de grande alegria para a Igreja em Portugal e no Mundo inteiro, louvado seja Deus! Rezemos pelo ministério do Padre António










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domingo, 24 de junho de 2018

Dois jogadores de joelhos para agradecer a Deus no final da partida

Romelu Lukaku, jogador da Bélgica, e Fidel Escobar, jogador do Panamá, protagonizaram um momento único no Mundial de Futebol, quando se ajoelharam simultaneamente em acção de graças no fim do jogo no qual os seus países se defrontaram.


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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Papa Francisco diz que a Família apenas pode ser constituída por homem e mulher


Vídeo: Rome Reports
Legendas: Padre Augusto Bezerra


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Mons. Gänswein reza Vésperas Solenes e confere Crisma em Rito Tradicional

Mons. Georg Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia e secretário do Papa Bento XVI rezou as Vésperas Solenes e conferiu o sacramento da Confirmação em Rito Tradicional na Igreja da Santissima Trinità dei Pellegrini, em Roma.














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terça-feira, 19 de junho de 2018

10 conselhos do Cardeal Burke para sobreviver à crise de confusão na Igreja

O Cardeal Raymond Leo Burke diz que a desorientação e erro entraram na Igreja "de forma diabólica", mas encoraja os católicos a permanecerem firmes na Fé, bem como corajosos e serenos, sabendo que a vitória de Cristo está já garantida.

Sublinhando que os ensinamentos de Cristo não podem mudar, o Cardeal sugeriu estas 10 ideias para ultrapassar a crise na Igreja: 

1 - Estudar o Catecismo com mais atenção e estar preparado para defender os ensinamentos da Igreja;

2 - Lembrar-se dos muitos sinais edificantes de fidelidade a Cristo por parte de muitos e bons fiéis, sacerdotes e bispos;

3 - Recorrer à Santíssima Virgem Maria, imitando a união do seu coração com Jesus;

4 - Invocar com frequência, ao longo do dia, a intercessão de São Miguel Arcanjo, porque existe um envolvimento diabólico na disseminação da confusão, divisão e erro dentro da Igreja;

5 - Rezar a São José diariamente para que proteja a Igreja da "confusão e divisão que são sempre obra de Satanás;

6 - Rezar aos grandes Papas santos que guiaram a Igreja em tempos difíceis;

7 - Rezar pelos Cardeais da Igreja para que tenham grande clareza e coragem;

8 - Estar sereno, sabendo que a nossa confiança está em Cristo, que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, e evitar um desespero mundano que se expressa em maneiras agressivas e não caridosas.

9 - Estar pronto para aceitar ser considerado ridículo, a incompreensão, a perseguição, o exílio e até a morte para permanecer unido com Cristo na Igreja, seguindo o exemplo de Santo Atanásio e outros grandes santos.

10 - Preservar o amor ao Papa Francisco, rezando fervorosamente por ele e pedindo a intercessão de São Pedro em seu nome.

Edward Pentin in National Catholic Register


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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Quando alguém se humilha por causa dos seus defeitos acalma os outros

Quando um homem se humilha por causa dos seus defeitos, acalma os outros facilmente e satisfaz sem custo os que consigo se iravam. Deus protege e liberta o humilde, ama-o e consola-o. 

Inclina-Se para ele e dá-lhe grande graça; e, depois do seu abatimento, eleva-o à glória. Revela os seus segredos ao humilde, arrasta-o e convida-o docemente para Si. E ele, mesmo na confusão, vive em paz, porque se firma em Deus e não no mundo. [...]

Mantém-te tu em paz; e só então poderás pacificar os outros. O homem pacífico é mais útil do que o muito instruído. O apaixonado, porém, converte o bem em mal e acredita facilmente neste. O homem bom e pacífico converte todas as coisas em bem.

Aquele que está verdadeiramente em paz não suspeita mal de ninguém. Mas o que é descontente e inquieto é agitado por várias suspeitas. Nem descansa, nem deixa descansar os outros. Diz muitas vezes o que não devia dizer e omite fazer o que devia.

Preocupa-se com o que os outros têm de fazer, mas desleixa o que lhe compete. Tem, antes de tudo, cuidado contigo, e poderás então zelar pelo teu próximo.

in Imitação de Cristo (Tratado espiritual do século XV), Livro II - Caps. 2 e 3 


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sábado, 16 de junho de 2018

De "gay" a fundador de uma comunidade de vida religiosa

Querida Igreja, vós não me deveis nenhum pedido de desculpas, vós não me deveis nada. Sou eu que vos devo tudo.

Querida Igreja Católica,

Como um ex-homossexual que voltou para vós à procura de Deus, gostaria que soubésseis que não, vós não me deveis nenhum pedido de desculpas. Nunca, em nenhum momento, ao longos dos meus 43 anos levando um estilo de vida homossexual, eu me senti marginalizado pela Igreja. A Igreja nunca me abandonou. Jamais me senti como tivesse sido desamparado. Fui eu que me desamparei a mim mesmo. Nem por uma vez sequer eu me senti rejeitado pela Igreja, como se não tivesse lugar nela. Vossas portas sempre estiveram abertas para mim. Fui eu quem as atravessei e fui embora.

Vós tendes de saber que não houve um só dia, ao longo dos meus 43 anos, em que eu não reconhecesse o quão ofensivo a Deus era o meu comportamento. Olhando para trás, posso dizer honestamente que o obstáculo entre Deus e eu, posto por mim mesmo, constituiu um dos meus maiores sofrimentos. O que me manteve afastado da Igreja foi a minha estupidez e o meu sentimento de culpa. Vós me destes a verdade e eu a rejeitei.

Como isso pôde ter acontecido? Muito simples. Eu usava desculpas. Insistia em que não detinha nenhum autocontrole sobre o meu pecado. Entrei numa mentalidade de que talvez, por acaso, um Deus de Amor estivesse bem com tudo o que eu fazia. Qualquer que fosse a verdadeira razão para isto, achei muito mais fácil ocultar toda a minha culpa no recanto mais escondido da minha consciência. E, então, durante 43 anos, todo aquele pecado e toda aquela culpa permaneceram empoeirados e sem arrependimento algum.

Obrigado por me dar a coragem de proclamar o que me tendes ensinado há tanto tempo. Vós não me deveis nada. Sou eu que vos devo tudo.

Vós não me deveis nenhum pedido de desculpas. Fui eu quem ofendi a Deus, a Sua Igreja e os Seus ensinamentos. Fizestes a vossa parte. Proclamastes a verdade na caridade, mas eu ignorei-a. Eu tenho e assumo a total responsabilidade por meus caminhos pecaminosos. Fui eu quem rejeitei as muitas cruzes que o Senhor me deu. Fui eu quem enfrentei meus demónios. Fui eu quem rejeitei a salvação que vós me oferecestes.

Ao longo de meus 43 anos afastado da Igreja, Deus concedeu-me uma cruz após a outra e eu as rejeitei todas. Foi só em 2008, quando contraí o vírus da SIDA, que se abriram as portas da minha consciência. Foi naquele dia que eu percebi o quanto precisava de vós. Era chegada a hora de eu arrastar os meus pecados empoeirados e atravessar aquela porta que sempre esteve aberta para mim durante tantos anos.

Obrigado por me terdes acolhido de volta. Obrigado por me dar a coragem de proclamar o que me tendes ensinado há tanto tempo. Vós não me deveis nada. Sou eu que vos devo tudo.

Não, a Igreja não deve aos homossexuais um pedido de desculpas. As portas estão abertas. Aceite a verdade na caridade e saiba que Deus sempre o ajudará a carregar a sua cruz. Tome a sua cruz como eu tomei. Deus espera. Não tenha medo. A Igreja não é sua inimiga.

Eu estou velho agora e bastante afectado por problemas de saúde. Mal sou capaz de carregar a minha cruz. Mas eu estou onde quero estar. Perto de Deus, próximo da Sua Igreja e adorando a verdade que eu rejeitei durante tantos anos.

A Igreja deve pedir desculpas, no entanto, pelos seus Padres e Bispos favoráveis à homossexualidade, os quais estão colocando as almas dos homossexuais em grande perigo, por não lhes dar a verdade do Evangelho.

Em Cristo,
Ir. Christopher Sale - Fundador dos Irmãos do Padre Pio

(Via Padre Paulo Ricardo)


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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Cardeal Sarah visita um grande amigo antes de morrer

Cardeal Robert Sarah visita o Fr. Vincent-Marie de la Résurrection, Cónego Regular da Mãe de Deus, no seu leito de morte. O religioso sofria de uma doença degenerativa, esclerose múltipla, e o Cardeal tinha com ele uma relação bastante próxima, a ponto de lhe ter dedicado o seu livro "Deus ou nada". 

Os Cónegos Regulares da Mãe de Deus vivem na Abadia de Sainte-Marie de Lagrasse desde 2004, vivem a vida em comum, vida contemplativa e vida apostólica, e celebram exclusivamente a Missa Traditional.


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terça-feira, 12 de junho de 2018

A homilia do Cardeal Sarah que se tornou viral

Peregrinação de Nossa Senhora da Cristandade 2018. Homilia da Missa de Segunda-feira de Pentecostes. Catedral Nossa Senhora de Chartres.

Queridos peregrinos de Chartres,

“A luz veio ao mundo,” diz-nos hoje o evangelho, “e os homens preferiram as trevas.”

E vocês, queridos peregrinos, acolheram a única luz que não engana? Acolheram a luz de Deus? Vocês caminharam durante três dias. Rezaram, cantaram, sofreram debaixo do sol e da chuva… Acolheram a luz em vossos corações? Renunciaram realmente às trevas? Escolheram seguir o Caminho, seguindo Jesus que é a luz do mundo?

Queridos amigos, permitam-me fazer essa pergunta radical, porque se Deus não é a nossa luz, tudo o resto se torna inútil. Sem Deus tudo é escuridão. Deus veio até nós, e se fez homem. Revelou-nos a única verdade que salva, foi morto para nos resgatar do pecado, e no Pentecostes, deu-nos o Espírito Santo e ofereceu-nos a luz da fé… mas nós preferimos as trevas!

Olhemos ao nosso redor! A sociedade ocidental decidiu organizar-se sem Deus. Ela está agora entregue às luzes cintilantes e enganadoras da sociedade do consumismo, do lucro a qualquer preço, do individualismo sem medida. Um mundo sem Deus é um mundo de trevas, de mentiras, e de egoísmo.

Sem a luz de Deus a sociedade ocidental tornou-se como um barco sem rumo na noite! Ela já não tem amor para receber os filhos, para os proteger desde o seio materno, para os preservar da agressão da pornografia. Privada da luz de Deus, a sociedade ocidental já não sabe respeitar os seus idosos, nem acompanhar no caminho da morte os seus doentes, nem dar lugar aos mais pobres e aos mais fracos. Ela foi entregue às trevas do medo, da tristeza e do isolamento. Não tem mais do que um vazio e um nada para oferecer. Deixa proliferar as ideologias mais loucas.

Uma sociedade ocidental sem Deus pode tornar-se o berço de um terrorismo ético e moral mais viral e mais destrutivo do que o terrorismo dos islâmicos. Lembrem-se que Jesus nos disse: “Não temais aqueles que matam o corpo e não podem matar a alma, antes temei Aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno.” (Mt 10, 28)

Queridos amigos, perdoem-me esta descrição, mas é preciso ser claro e realista. Se eu vos falo assim, é porque no meu coração de padre, de pastor, eu sinto muito por tantas almas perdidas, tristes, inquietas e sozinhas! Quem as conduzirá à luz? Quem lhes mostrará o caminho da verdade, o verdadeiro caminho da liberdade que é o caminho da Cruz? Vamos deixá-las entregar-se ao erro, ao niilismo sem esperança ou ao islamismo agressivo sem fazer nada?

Nós devemos gritar ao mundo que a nossa esperança tem um nome: Jesus Cristo, o único Salvador do mundo e da humanidade! Queridos peregrinos da França, vejam esta catedral! Os vossos antepassados construíram-na para proclamar a sua fé! Tudo, desde a sua arquitetura, a sua escultura, os seus vitrais, proclama a alegria de ser salvo e amado por Deus. Os vossos antepassados não eram perfeitos, eles não estavam livres de pecado. Mas eles queriam deixar a luz da fé iluminar as suas trevas!

Hoje também vós, povo da França, acordai! Escolham a luz! Renunciem às trevas! Como?

O evangelho responde: “Aquele que agir segundo a verdade vem para a luz”. Deixemos a luz do Espírito Santo iluminar as nossas vidas concretamente, simplesmente, e até às regiões mais íntimas de nosso ser profundo. Agir segundo a verdade é em primeiro lugar colocar Deus no centro da nossa vida, como a Cruz é o centro desta catedral.

Meus irmãos, escolhamos voltarmo-nos para Ele todos os dias! Agora, assumimos o compromisso de reservar todos os dias alguns minutos de silêncio para nos voltarmos a Deus, para lhe dizer: “Senhor reina em mim! Eu Te entrego a minha vida!”

Queridos peregrinos, sem silêncio não há luz. As trevas alimentam-se do barulho incessante do mundo, que impede-nos de nos voltarmos para Deus. Tomemos como exemplo a liturgia de hoje. Ela leva à adoração, ao temor filial e amoroso perante a grandeza de Deus. Ela culmina na consagração, onde todos juntos, voltados para o altar, o olhar fixo na Eucaristia, na cruz, comunicamos em silêncio, no recolhimento e na adoração. Queridos irmãos, amemos essas celebrações litúrgicas que nos fazem saborear a presença silenciosa e transcendente de Deus e nos fazem voltar para o Senhor.

Queridos irmãos padres, eu quero dirigir-me especialmente a vós. O Santo Sacrifício da Missa é o lugar onde vocês encontrarão a luz para o vosso ministério. O mundo em que vivemos pede a nossa atenção sem cessar. Nós estamos constantemente em movimento, sem nos preocuparmos de parar para tomar o tempo de procurar um lugar deserto e descansar um pouco, na solidão e no silêncio, na companhia do Senhor. Grande seria o perigo de nos encontramos somente como “trabalhadores sociais”. Então, nós não daríamos mais a luz de Deus mas a nossa própria luz, que não é aquela que os Homens esperam. Aquilo que o mundo espera dos padres é Deus e a Luz da sua Palavra proclamada sem ambiguidade nem falsificação.

Saibamos voltar-nos para Deus numa celebração litúrgica recolhida, cheia de respeito, de silêncio e marcada pela sacralidade. Não inventemos nada na liturgia, recebamos tudo de Deus e da Igreja. Não procuremos nela o espectáculo ou o sucesso. A liturgia ensina-nos: Ser sacerdote não é, em primeiro lugar, fazer muito, mas sim estar com o Senhor na cruz!

A liturgia é o lugar onde o homem encontra Deus cara a cara. A liturgia é o momento mais sublime onde Deus nos ensina a “reproduzir em nós a imagem do seu filho Jesus Cristo para que ele seja o primogénito de uma multidão de irmãos” (Rm 8, 29). Ela não é nem deve ser uma ocasião de ruptura, de luta ou de disputa.

Queridos irmãos sacerdotes, guardem sempre esta certeza: estar com Cristo na cruz, é isso que o celibato sacerdotal proclama ao mundo! O projecto, de novo proposto por alguns, de desamarrar o celibato do sacerdócio conferindo o sacramento da ordem aos homens casados (os viri probati) por, dizem eles, “razões ou necessidades pastorais” teria graves consequências, na verdade, de romper com a tradição apostólica. Nós fabricaríamos um sacerdócio à nossa medida humana, mas não perpetuaríamos, não prolongaríamos o sacerdócio de Cristo, obediente, pobre e casto. De facto, o sacerdote não é somente um “alter Christus” mas ele é verdadeiramente “Ipse Christus”, ele é o próprio Cristo! E é por isso que o caminho para seguir a Cristo e a Igreja será sempre um sinal de contradição!

A vocês queridos cristãos leigos, comprometidos na vida da Cidade, eu quero dirigir-me com força: “não tenham medo! Não tenham medo de levar a esse mundo a luz de Cristo!” O vosso primeiro testemunho deve ser sempre o vosso exemplo: Ajam segundo a verdade! Nas vossas famílias, na vossa profissão, nas vossas realidades sociais, económicas, políticas, que seja Cristo a vossa Luz!

Não tenham medo de testemunhar que a vossa alegria vem de Cristo! Eu peço-vos, não escondam a fonte da vossa esperança! Pelo contrário, proclamem, testemunhem, Evangelizem! A Igreja precisa de vós! Lembrem a todos que somente “Cristo crucificado revela o sentido autêntico da liberdade!” (Papa João Paulo II - Veritatis Splendor, 85). Com Cristo, libertem a liberdade hoje acorrentada pelos falsos direitos humanos, todos orientados para a autodestruição do Homem.

A vós, queridos pais, quero dirigir uma mensagem bem particular. Ser pai e mãe de família no mundo de hoje é uma aventura cheia de sofrimentos, de obstáculos e preocupações.  A Igreja vos diz: obrigada! Sim, obrigada pela doação generosa de vós mesmos! Tenham a coragem de educar o vossos filhos na luz de Cristo. Terão às vezes que lutar contra os ventos dominantes, suportar a zombaria e o desprezo do mundo. “Nós proclamamos um Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos.” (1 Cor 1, 23-23)

Não tenham medo! Não renunciem! A Igreja, pela voz dos Papas – especialmente todos desde a Encíclica Humanae Vitae, vos  confia uma missão profética: testemunhar perante todos a nossa alegria e confiança em Deus que fez de nós Guardiões Inteligentes da ordem natural. Vocês anunciam aquilo que Jesus nos revelou com a sua própria vida: “a liberdade realiza-se no amor, isto é, na doação de si mesmo.”

Queridos pais e mães de família, a Igreja ama-vos! Amem também vós a Igreja! Ela é a vossa Mãe. Não se misturem com quem dela faz troça porque eles somente vêm as rugas do seu rosto envelhecido pelos séculos de sofrimentos e provas. Ainda hoje, Ela é bela e brilha de santidade.

Por fim, quero agora dirigir-me a vocês, os mais jovens, que estão aqui em tão grande número! No entanto, peço-vos que escutem um “velho” que tem mais autoridade do que eu: o evangelista São João. Para além do exemplo da sua vida, São João deixou também uma mensagem escrita aos mais jovens. Na sua primeira carta, nós encontramos estas palavras emocionantes de um velho aos jovens das igrejas que ele tinha fundado, escutem a sua voz cheia de vigor, de sabedoria e de calor: “Eu escrevi para vós, jovens: vocês são fortes, a palavra de Deus permanece em vós, vocês venceram o Mal. Não amem o mundo, nem aquilo que está no mundo”  (1 Jo 2, 14-15).

O mundo que nós não devemos amar, comentava o padre Raniero Cantalamessa na sua homilia da Sexta-Feira Santa de 2018, é aquele ao qual não nos devemos conformar; não é, como sabemos, o mundo criado e amado por Deus, não são as pessoas do mundo para quem, pelo contrário, devemos sempre ir, especialmente aos pobres e aos últimos dos pobres para amá-los e servi-los humildemente… Não! O mundo que não devemos amar é outro: o mundo tal como ele se tornou sob o domínio de Satanás e do pecado. O mundo das ideologias que negam a natureza humana e destroem as famílias… as estruturas como a das Nações Unidas, que impõem uma nova ética mundial têm um papel decisivo e tornaram-se hoje um poder avassalador que chega às massas através das possibilidades ilimitadas da tecnologia.  

Em muitos países ocidentais, hoje é um crime rejeitar submeter-se a essas ideologias horríveis. É a isso que chamamos a adaptação ao espírito do tempo, o conformismo. Um grande poeta britânico, crente do século passado, Thomas Stearnus Eliot escreveu três versos que dizem muito mais do que livros inteiros: “Num mundo fugitivo, aquele que vai na direcção oposta terá sido visto como um desertor.”

Queridos jovens cristãos, se é permitido a um “velho”, como o foi São João, dirigir-se directamente a vocês, também eu vos exorto, e digo-vos: vocês venceram o Mal. Combatam toda a lei contrária à natureza que hoje querem impor, oponham-se a toda lei contra a vida, contra a familia. Sejam aqueles que tomam a direcção contrária! Atrevam-se a ir contra a corrente! Para nós cristãos, a direcção contrária não é um lugar, é uma Pessoa, é Jesus Cristo nosso Amigo e nosso Redentor. Uma tarefa é confiada muito particularmente a vocês: salvar o amor humano da trágica deriva na qual ele caiu. O amor que já não é a doação de si mesmo, mas possuir o outro quase sempre violenta e tiranicamente. Na cruz, Deus revelou-se como «agape» isto é, como amor que se entrega a si mesmo até a morte. Amar verdadeiramente é morrer pelo outro, como esse jovem policia francês Coronel Arnaud Beltrame!

Queridos jovens, vocês experimentam sem dúvida, nas vossas almas, a luta das trevas e da luz. Vocês são às vezes seduzidos pelos prazeres fáceis do mundo. De todo o meu coração de padre, eu digo-vos, não estejam divididos! Jesus vos dará tudo! Seguindo-o para serem Santos, vocês não perdem nada! Vocês ganham a única alegria que não decepciona nunca!

Queridos jovens, se hoje Cristo vos chama a segui-l’O como sacerdote, religioso ou religiosa, não hesitem! Digam «Fiat»! Um “Sim” entusiasta e sem condições. Deus quer precisar de vocês! Que graça, que alegria!

O Ocidente foi evangelizado pelos Santos e pelos Mártires. Vocês, jovens de hoje, vocês serão os santos e os mártires que as nações esperam para uma nova evangelização! As vossas pátrias têm sede de Cristo , não as decepcionem! A Igreja confia em vocês!

Eu rezo para que muitos de vocês respondam, hoje, nesta missa ao chamamento de Deus para segui-l’O, a deixar tudo por Ele, pela sua Luz.

Queridos jovens, não tenham medo, Deus é o único amigo que não faltará nunca. Quando Deus chama ele é radical, isso quer dizer que ele vai até o fim, até à raiz. Queridos amigos, nós não somos chamados a ser cristãos medíocres! Não, Deus chama-nos inteiramente até ao fim, à doação total, até ao martírio do corpo ou do coração.

Querido povo da França, foram os mosteiros que fizeram a civilização do vosso país! Foram os homens e mulheres que aceitaram seguir Jesus radicalmente até o fim que construíram uma civilização bela e pacífica, como esta catedral.

Povo da França, povos do Ocidente, vocês não encontrarão a paz e a alegria se não procurarem apenas a Deus! Voltem à Fonte! Voltem aos mosteiros! Sim, vocês todos atrevam-se a passar alguns dias num mosteiro! Neste mundo de tumulto, fealdade e tristeza, os mosteiros são oásis de beleza e alegria. Verão que é possível colocar Deus no centro de toda a nossa vida. Experimentarão a alegria que não passa!

Queridos peregrinos, renunciemos às trevas. Escolhamos a luz!

Peçamos à Santíssima Virgem Maria que nos ensine a dizer «Fiat», a dizer Sim plenamente como ela, que saibamos acolher a luz do Espírito Santo como ela. Neste dia em que graças às disposições do Santo Padre, o Papa Francisco, nós festejamos Maria Mãe da Igreja, pedimos a essa Mãe Santíssima que tenhamos um coração ardente para anunciar aos homens a Boa Nova, um coração generoso, um coração grande como o de Maria, com as dimensões da Igreja, com as dimensões do Coração de Jesus! Que assim seja.

Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos

(Tradução adaptada de Fratres in Unum)


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