sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Documento da Santa Sé rejeita seminaristas "homossexuais"

A 'Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis', documento publicado pela Congregação para o Clero, visa legislar e ordenar o modo como é dirigida a preparação para o sacerdócio, nomeadamente nos seminários. O documento, que tem a aprovação do Papa Francisco, e é bastante explícito em relação à impossibilidade de ordenar sacerdote ou até manter no seminário alguém com atracção por pessoas do mesmo sexo.

As pessoas com tendências homossexuais

199. Em relação às pessoas com tendências homossexuais que se aproximam dos Seminários, ou que descobrem tal situação no decurso da formação, em coerência com o próprio Magistério, «a Igreja, embora respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e às Ordens Sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay. Estas pessoas encontram-se, de facto, numa situação que constitui um grave obstáculo a um correto relacionamento com homens e mulheres. De modo algum, se hão de descuidar as consequências negativas que podem derivar da Ordenação de pessoas com tendências homossexuais profundamente radicadas».

200. «[...] no caso de se tratar de tendências homossexuais que sejam apenas expressão de um problema transitório como, por exemplo, o de uma adolescência ainda não completada, elas devem estar claramente superadas, pelo menos três anos antes da Ordenação diaconal».

Além disso, deve recordar-se que, numa relação de diálogo sincero e de recíproca confiança, o seminarista é chamado a manifestar aos formadores – ao Bispo, ao Reitor, ao Director Espiritual e aos outros educadores – eventuais dúvidas ou dificuldades neste âmbito.

Em tal contexto, «se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas, o seu director espiritual, bem como o seu confessor, têm o dever, em consciência, de o dissuadir de prosseguir para a Ordenação». 

Em todo caso, «seria gravemente desonesto que um candidato ocultasse a própria homossexualidade para aceder, não obstante tudo, à Ordenação. Um procedimento tão inautêntico não corresponde ao espírito de verdade, de lealdade e de disponibilidade que deve caracterizar a personalidade daquele que se sente chamado a servir Cristo e a sua Igreja no ministério sacerdotal».


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Igreja em saída




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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Sondagem sobre a Missa Tradicional no Brasil mostra resultados surpreendentes

I – O país de D. António de Castro Mayer

A seguir ao Concílio Vaticano II, apenas um bispo residencial em todo o mundo recusou terminantemente os livros litúrgicos promulgados por Paulo VI: D. António de Castro Mayer, bispo de Campos, uma pequena diocese do Norte do Estado do Rio de Janeiro (houve pelo menos outro, Mons. Laise, consagrado em 1971 em San Luís, na Argentina, que deixou tal liberdade à Missa Tradicional, que, também aí, não se andava longe da rejeição dos novos livros). 

Esta recusa foi posta pelo “leão de Campos” não para si só, mas para toda a diocese. Por isso, até à sua resignação, em 1981, o missal de São Gregório Magno, de São Pio V e de São João XXIII permaneceu, efectiva e legalmente, como o missal a ser usado pelos sacerdotes e pelos fiéis da diocese. Da resistência de D. António de Castro Mayer – que, mais tarde, em 1988, viria a participar da consagração de quatro bispos desprovida de mandato pontifício, em Écône, junto a Mons. Lefebvre – nascerá depois a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, reconhecida por Roma em 2001, e cuja jurisdição se confina ao território da diocese de Campos.

O Brasil é também a terra de Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Partindo de uma oposição solidamente fundada à nova liturgia (*), desde a morte do seu fundador, a TFP conheceu diversas cisões das quais nasceram novas associações que, à imagem da associação Montfort, frequentemente conservaram a liturgia tridentina e constituem, hoje em dia, âmbitos leigos dedicados à sua preservação e transmissão.

No Brasil, pode também encontrar-se uma fundação do Baroux, o mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo: depois de se ter separado do Barroux, em 1988, o seu superior acabou depois por seguir Mons. Williamson, que o consagrou bispo em 2016.

De facto, pode dizer-se que há analogias entre o Brasil e a França sob muitos aspectos: tanto num país como no outro a amplitude dos desvios doutrinais, pastorais e litúrgicos deu lugar a múltiplos focos de resistência em defesa da ortodoxia doutrinal e da tradição litúrgica. A proximidade dos intelectuais brasileiros de antanho com a cultura francesa, especialmente os católicos, mas também o inverso – pensamos, por exemplo, num George Bernanos que, no Brasil, procurava aquele perfume de uma jovem terra cristã que já não revia numa França definhada –, vieram favorecer que se gerasse uma certa semelhança nos respectivos percursos. Assim, é seguramente à personalidade de Gustave Corçao (1896-1978), um dos mestres da escola católica conservadora e colaborador habitual da revista Itinéraires de Jean Madiran, que se ficou a dever a fundação do novo mosteiro por Dom Gérard, em Nova Friburgo.

Por tudo isso, levantar no Brasil a questão relativa à forma extraordinária pareceu-nos algo natural a seguir aos nossos inquéritos europeus.

II – Os resultados

Sondagem realizada pela empresa Conecta entre 2 e 14 de Junho de 2017, segundo a técnica dos painéis em linha, sobre uma amostra de 1032 católicos de entre 3259 internautas brasileiros. (1)

1: Assiste à Missa? 

Aos domingos e dias de festa: 33 %
Todos os meses: 20 %
Nas festas solenes: 9 %
Às vezes: 38 %

2: O Papa Bento XVI, há dez anos, lembrou que a missa podia ser celebrada tanto na forma moderna dita “ordinária” ou “de Paulo VI” – em português, com o sacerdote voltado para os fiéis e a comunhão a ser recebida de pé – como na forma antiga dita “extraordinária” ou “de João XXIII” – em latim, com o sacerdote voltado para o altar e a comunhão a ser recebida de joelhos. Sabia disso? 

Sim: 41 %
Não: 59 %

3: Acharia normal ou não normal que as duas formas litúrgicas – aquela moderna, dita “ordinária”, em português, e aquela tradicional, dita “extraordinária”, em latim e com gregoriano – fossem celebradas na SUA paróquia? 

Normal: 49 %
Não normal: 35 %
Não se pronunciam: 16 %

4: Se a Missa na forma extraordinária fosse celebrada na SUA paróquia, sem que substituísse a missa na forma ordinária, assistiria?

Todas as semanas: 27 %
Todos os meses: 22 %
Nas festas solenes: 13 %
Às vezes (casamentos, baptismos...): 29 %
Nunca: 9 %

(1) As pessoas inquiridas pertencem àquela parte da população brasileira que tem acesso à internet, o que corresponde a 62% da população.

III – Uma abertura extraordinária

Neste país que é o berço da teologia da libertação, onde o grau de ideologização do catolicismo é sem dúvida comparável ao do catolicismo alemão, seria de esperar uma oposição marcada à liturgia latina e gregoriana: nada disso! Como acontece sempre, a ideologização pertence mais às elites do que ao povo dos fiéis. Se 6 católicos brasileiros em cada 10 ainda não ouviram falar do motu proprio de Bento XVI, já 1 em cada 2 acha normal a coexistência das duas formas do rito romano na sua paróquia, e apenas 1 em cada 10 em caso algum pensa vir a assistir.

O pormenor dos resultados, por grupo etário, categoria social e região de origem, revela-se homogéneo, e entre 21% (da classe social A, isto é, a elite económica do país) e 31% (dos católicos compreendidos entre os 35 e os 54 anos) dos católicos dizem-se dispostos a fazer da forma extraordinária da missa a sua forma litúrgica semanal de preferência. No total, 49% do conjunto dos católicos assistiriam pelo menos uma vez por mês à forma extraordinária, se a mesma fosse celebrada na respectiva paróquia.

IV – Comentário na especialidade

1) 35 % de católicos ?

A sondagem indica 35% de católicos, apesar de o recenseamento de 2010 indicar a cifra de 64%. Como nos foi explicado pela encarregada de estudos do instituto de sondagens, a percentagem de católicos praticantes medida em linha é inferior à da população global em virtude da especificidade daqueles (sobretudo citadinos, mais instruídos, mais abastados). Uma tal cifra não deixa, porém, de ser um sinal de que a grande agressividade das seitas protestantes continua a arrebatar sempre mais fiéis ao catolicismo.

Em todo o caso, isso em nada estorva o nosso propósito, na medida em que a grande homogeneidade das respostas presente nos resultados específicos por grupo etário, região e classe social, permite inferir que o resultado de um inquérito “fora de linha” não teria divergido do que se obteve. 

2) Um catolicismo em busca do sagrado

O jornal francês La Croix eccrevia o seguinte, por ocasião das JMJ do Rio, em 2013: «Numerosos católicos vão à casa dos católicos para comer e à dos evangélicos para rezar.» Esta frase resume dramaticamente a falência do catolicismo no país da teologia da libertação e das comunidades eclesiais de base.

De acordo com os recenseamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil contava em 1970 com 92 % de católicos, 84 % em 1991, 74 % em 2000, e acima de 64 % em 2010. Tendo presente que os católicos no país eram 99 % em 1872, data do primeiro recenseamento nacional, isto significa que a proporção dos fiéis se manteve estável ao longo de um século, até começar a desabar depois de uma data que coincide precisamente com o advento da reforma litúrgica e dos erros pós-conciliares. No entanto, com mais de 270 dioceses e mais de 300 bispos, o Brasil ergue-se ainda como uma praça forte do catolicismo mundial.

O que a nossa sondagem ilustra é que o que resta do catolicismo neste país se mostra aberto ao enriquecimento litúrgico permitido e desejado por Bento XVI. Depois de os católicos mais socialistas se terem passado para o campo político e sindical, os mais emotivos apostataram numa ou noutra das numerosas seitas evangélicas que pululam pelo país e os mais superficiais mergulharam na indiferença relativista. Os que ainda subsistem continuam a procurar no seio da Igreja um modo de saciar as necessidades das suas almas. E como em todos os lados no mundo inteiro, esta demanda identitária passa por um regresso ao sagrado, ao silêncio, à adoração.

3) Os católicos brasileiros, como todos os demais católicos no mundo inteiro...

… são, pois, favoráveis a um alargamento do acesso à liturgia latina e gregoriana. A metade dos praticantes acharia normal que esta missa fosse celebrada na respectiva paróquia. E se isso viesse a acontecer, 27 % assistiria à missa tradicional todas as semanas, o que coloca o Brasil entre a Alemanha (25 % em 2010) e a Espanha (27,4 % em 2011). No Brasil, como em todos os lados no mundo inteiro, cinquenta anos após a reforma litúrgica, a grande procura da forma extraordinária marca o fracasso da nova liturgia.

(*) Vide Arnaldo Xavier da Silveira, Considerações sobre o Ordo Missæ de Paulo VI.

Carta 84 de 'Paix Liturgique'


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Facebook censura imagem de Pai Natal ajoelhado diante do Menino Jesus

O Facebook decidiu censurar esta imagem do Pai Natal ajoelhado diante do Menino Jesus deitado na manjedoura. Segundo a rede social, trata-se de conteúdo violento ou explícito. No entanto, não é claro o que é que esta imagem tem de violento ou explícito, nada disso parece evidente. Além do mais, a imagem vinha acompanhada desta oração, que explica a cena: 

Meu querido precioso Jesus, eu não quis tomar o teu lugar,
Eu só trago brinquedos e coisas e tu trazes amor e graça.
As pessoas dão-me listas de desejos e esperam que eles se realizem;
Mas tu ouves as orações do coração e prometes a vontade de o fazer.
As crianças tentam ser boas e não chorar quando eu vou a caminho;
Mas tu amas incondicionalmente e esse amor será sempre abundante.
Deixo apenas um saco de brinquedos e alegria temporária durante uma época;
Mas tu deixas um coração de amor, cheio de sentido e razões.
Eu tenho muitos que acreditam em mim e o que se pode chamar fama;
Mas eu nunca curei o cego ou tentei ajudar o coxo.
Tenho bochechas rosadas e uma voz cheia de riso;
Mas nenhum cravo, mãos com cicatrizes ou uma promessa do há-de vir.
Podes encontrar vários como eu na cidade ou no centro comercial;
Mas há apenas um único Omnipotente para responder à chamada de um pecador.
E assim, meu querido precioso Jesus, ajoelho-me aqui para orar;
Para adorar e adorar-Te neste teu santo aniversário.


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

“Em nome de Deus, eu não tirarei as minhas roupas” - A história de uma mártir dos nossos dias

No passado dia 19 de Novembro, a meio da tarde, tudo parecia calmo na filial da Manchester Road do principal fornecedor de artigos religiosos de St. Louis, a Catholic Supply. Um homem corpulento de meia-idade entrou e reparou que estavam apenas três pessoas na loja - todas mulheres. Duas eram funcionárias, uma na casa dos cinquenta, e outra na casa dos vinte anos, e a terceira era uma cliente que acabara de entrar. 

Depois de trocar algumas palavras com uma funcionária, o homem disse que iria ao carro para buscar um cartão de crédito e de voltaria para fazer uma compra. Mas quando voltou, não tinha nas mãos um cartão mas um revólver. Em seguida, levou as três mulheres aterrorizadas para um canto isolado da loja, e insistiu que elas se submetessem a actos de abuso sexual.

Duas das mulheres obedeceram e submeteram-se ao criminoso armado. Depois disso ele chegou até à sua terceira vítima, que, de acordo com amigos, provavelmente teria ido comprar alguns materiais para o seu apostolado do Rosário. Era Jamie Schmidt, 53 anos, uma mãe de três filhos que trabalhava como assistente de secretariado no St. Louis Community College, e ajudava na sua igreja paroquial, Santo António. Não havia nada de extraordinário em relação àquela essa senhora. Mas ela fez algo muito extraordinário. 

Tendo acabado de ser forçada a testemunhar com horror o assalto sexual às duas mulheres ao seu lado, a Sra. Schmidt foi obrigada a submeter-se a abusos semelhantes. Mas a Sra. Schmidt - chocada, indefesa e com o cano de uma arma apontada para a cabeça - disse apenas: não.

Encarando a morte de frente, Jamie recusou-se a permitir que a sua pureza, a sua dignidade pessoal e o seu casamento fossem ultrajados. Ela olhou-o directamente nos olhos e disse: “Em nome de Deus, eu não tirarei minhas roupas.” Enfurecido por esta inesperada rejeição às suas exigências, o agressor respondeu com um tiro à queima-roupa na cabeça de da vítima.  

Uma das sobreviventes, que deu este testemunho, acrescentou que, quando Jamie ficou gravemente ferida, ouviu-a sussurrando as palavras do Pai Nosso. A corajosa mãe de família foi declarada morta umas horas depois.

adaptado de Life Site News


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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O que é a genuflexão e quantos modos existem de genuflectir?


Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica


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sábado, 1 de dezembro de 2018

Professor de Oxford: "Quanto mais compreendo a ciência mais creio em Deus"

Os ateus querem fazer-nos crer que não somos mais do que uma colecção aleatória de moléculas, um produto final de um processo sem uma orientação. Se esta concepção fosse verdadeira, colocaria em causa a racionalidade de que necessitamos para fazer ciência. Se o cérebro fosse, na realidade, apenas o resultado de um processo sem orientação, então não existiriam razões para acreditar na sua capacidade de nos revelar a verdade.

Para mim, a beleza das leis científicas só reforça a minha fé de uma maneira inteligente. Quanto mais compreendo a ciência, mais creio em Deus pela maravilha da sua amplitude, sofisticação e integridade da Sua criação. Longe de estar em desacordo com a ciência, a fé cristã tem um sentido científico perfeito. 

John Lennox, matemático e filósofo das ciências na Universidade de Oxford


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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cardeal Müller estabelece uma relação estreita entre abusos sexuais e homossexualidade no clero

A entrevista que se segue é de leitura obrigatória porque vem esclarecer muita coisa que esteve escondida nas últimas décadas. Entrevista do Cardeal Gerhard L. Müller, 71 anos, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 a 2017, ao 'LifeSite News'.

Entrevistador - Uma parte importante da discussão durante a assembleia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos foi dedicada ao escândalo do Cardeal McCarrick e como foi possível que alguém como McCarrick pudesse subir até os graus mais altos da Igreja Católica. Qual é a sua opinião sobre o caso McCarrick e o que a Igreja deve aprender com a existência desta rede de silêncio que cercou um homem que, praticando a homossexualidade, seduzindo seminaristas que dependiam da sua autoridade, levando-os para o pecado, e abusando de menores levou uma vida constantemente oposta às leis da Igreja?

Cardeal Müller - Eu não o conheço e por isso prefiro abster-me de julgar. Espero que em breve haja um processo canónico na Congregação para a Doutrina da Fé que traga luz sobre os crimes sexuais cometidos com jovens seminaristas. Quando eu era Prefeito da Congregação (2012-2017) nunca ninguém me disse nada sobre esse caso, provavelmente por causa do medo de uma reacção excessivamente "rígida" da minha parte. O facto de que McCarrick, junto com o seu círculo e uma rede homossexual, ter sido capaz de trazer estragos na Igreja com métodos semelhantes aos da máfia está ligado à subestimação do grau de depravação moral dos actos homossexuais entre os adultos. Se alguém em Roma tivesse ouvido algum rumor de acusações teria que investigar e verificar a veracidade dessas acusações, evitando que McCarrick fosse promovido ao episcopado de uma importante diocese como Washington, e também evitando que fosse nomeado cardeal da Santa Igreja Romana. E já que foram pagas indemnizações por baixo da mesa - com isso admitindo a responsabilidade por crimes sexuais com homens jovens - qualquer pessoa razoável pergunta como tal pessoa pode ter sido conselheira do Papa nas nomeações de bispos. Não sei se isso corresponde à verdade, certamente seria necessário esclarecer. Que um mercenário ajude a procurar bons pastores para o rebanho de Deus é algo incompreensível para qualquer um. Nesse caso, deve haver uma explicação pública sobre factos semelhantes e os vínculos entre as pessoas envolvidas, assim como o quanto é que as autoridades da Igreja envolvidas sabiam sobre cada nível da história.

Entrevistador - Durante os últimos 5 anos ouviu falar de casos em que o então Cardeal McCarrick recebeu ampla confiança, e lhe foram confiadas missões específicas pelo Papa ou pela Santa Sé?

Cardeal Müller - Como eu disse, não fui informado de nada. Dizia-se que a Congregação para a Doutrina da Fé era responsável apenas pelo abuso sexual de menores, não de adultos, como se as ofensas sexuais cometidas por um padre com outra pessoa consagrada ou com um leigo não fossem também uma violação grave da fé e da santidade dos sacramentos. Tenho repetidamente insistido que mesmo os actos homossexuais realizados pelos sacerdotes nunca foram tolerados e que a moralidade sexual da Igreja não foi relativizada pela ampla aceitação secular da homossexualidade. Também é necessário distinguir entre conduta pecaminosa em um caso isolado e uma vida passada em estado contínuo de pecado.

Entrevistador - Um dos aspectos problemáticos do caso McCarrick é que já em 2005 e 2007 houve acordos legais com algumas das suas vítimas, mas a Arquidiocese de Newark - então sob o arcebispo John J. Myers - não informou o público sobre isso e nem mesmo os seus próprios sacerdotes. Reteve, portanto, informações essenciais para aqueles que ainda trabalhavam com McCarrick e confiavam nele. O cardeal Joseph Tobin fez o mesmo quando, em 2017, se tornou arcebispo de Newark. Tanto quanto sei, nem Myers nem Tobin se desculparam por essas omissões e por traírem a confiança dos seus padres. Acha que a arquidiocese deveria ter tornado público esses acordos legais, especialmente depois que o "Acordo de Dallas" exigiu maior transparência em 2002?

Cardeal Müller - Noutras ocasiões acreditava-se que poderíamos resolver esses casos difíceis de maneira discreta e silenciosa. Mas desta forma o culpado foi colocado em posição de continuar a abusar da confiança do seu bispo. Na situação de hoje, os católicos e o público em geral têm o direito moral de conhecer esses factos. Não se trata de acusar alguém, mas de aprender com esses erros.

Entrevistador - Pode um problema moral desta magnitude ser resolvido adoptando novas directrizes ou uma profunda conversão de corações é necessária na Igreja?

Cardeal Müller - A origem de toda esta crise deve ser identificada na secularização da Igreja e na redução do padre ao papel de oficial. Em última análise, é o ateísmo que se espalhou para a Igreja. Esse espírito maligno diz que o Revelação (de Deus) sobre a fé e a moral deve ser adaptada ao mundo, independentemente de Deus, de modo que Ele não possa mais interferir numa vida conduzida por seus próprios desejos e necessidades. Apenas 5% dos perpetradores foram avaliados como pedófilos patológicos. A grande parte deles, por outro lado, deliberadamente espezinhou o sexto mandamento por causa de sua própria imoralidade, desafiando a santa vontade de Deus de maneira blasfema.

Entrevistador - O que lhe parece a ideia de instituir novas normas canónicas que prevejam a excomunhão de padres que sejam culpados de abuso?

Cardeal Müller - A excomunhão é uma sanção coerciva que é removida assim que o gerente se arrepende. Mas, no caso de sérios abusos e ofensas à fé e à unidade da Igreja, deve ser imposta a renúncia permanente do estado sacerdotal, isto é, a proibição permanente de agirem como sacerdotes.

Entrevistador - O antigo código de direito canónico de 1917 previa sentenças claras contra os padres envolvidos em abusos e até mesmo padres homossexuais activos. Essas sanções precisas foram amplamente removidas no código de 1983, que é mais vago e nem sequer menciona explicitamente os actos homossexuais. À luz da grave crise de abuso, acha que a Igreja deveria voltar a um sistema mais rigoroso de penalidades para tais casos?

Cardeal Müller - Foi um erro desastroso. As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo contradizem completamente e directamente o significado e propósito da sexualidade estabelecido desde a criação. Eles são a expressão de instintos e desejos desordenados, da relação fragmentada entre o homem e o seu Criador, depois da queda do pecado original. O sacerdote celibatário, e o sacerdote casado no rito oriental devem ser modelos para o rebanho e, ao mesmo tempo, devem mostrar pelo seu exemplo como a redenção envolve o corpo e as paixões físicas. A doação física e espiritual, em "ágape", em relação à pessoa do sexo oposto, e não o desejo selvagem de satisfação, é esse o significado e propósito da sexualidade. Isso conduz a responsabilidades para com a família e filhos que Deus nos dá.

Entrevistador - Durante a recente assembleia de Baltimore, o cardeal Blase Cupich disse que é necessário "diferenciar" entre actos sexuais entre adultos consensuais e abuso infantil, implicando assim que as relações homossexuais de um padre com outros adultos não seriam um problema importante. O que esse tipo de configuração responde?

Cardeal Müller - É possível diferenciar qualquer coisa - até para considerar a si mesmo um grande intelectual - mas não um pecado grave que exclui uma pessoa do Reino de Deus, pelo menos não um bispo que tem como dever defender a verdade do Evangelho e não limitar-se a saborear o espírito do tempo. Parece ser chegada a hora "que não suportarão a sã doutrina, mas tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores para atender os seus próprios desejos, recusando-se a ouvir a verdade e voltando às fábulas." (2 Tim 4, 3ss)

Entrevistador - No seu trabalho como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a oportunidade de ver numerosos casos de abuso por parte dos sacerdotes examinados pela congregação. É verdade que a maioria das vítimas desses casos eram adolescentes do sexo masculino?

Cardeal Müller - Mais de 80% das vítimas desses abusadores sexuais são adolescentes do sexo masculino. No entanto, não se pode concluir que a maioria dos sacerdotes são propensas a prostituição homossexual, mas sim que a maioria dos abusadores procuraram, segundo a desordem profunda das suas paixões, vítimas masculinas. A partir das estatísticas abrangentes do crime, sabemos que a maioria dos autores de abuso sexual são parentes das vítimas e até pais com os seus filhos. Mas a partir disso, não podemos inferir que a maioria dos pais é propensa a tais crimes. Devemos sempre ter cuidado para não fazer generalizações a partir de casos concretos, para não cair em slogans e preconceitos anticlericais.

Entrevistador - Se esta é a situação - e o estudo do abuso sexual conduzido pelos bispos alemães ou o Relatório John Jay dão números semelhantes - a Igreja não deveria abordar directamente o problema da presença de padres homossexuais?

Cardeal Müller - Na minha opinião não há homens homossexuais ou padres. Deus criou o homem e a mulher seres humanos. Mas pode haver homens e mulheres com paixões desordenadas. A união sexual tem o seu lugar apenas no casamento entre um homem e uma mulher. Fora disso só há fornicação e abuso da sexualidade, tanto com pessoas do sexo oposto quanto com o agravamento anti-natural do pecado com pessoas do mesmo sexo. Apenas aqueles que aprenderam a controlar-se satisfazem as condições prévias para receber a ordenação ao sacerdócio (cf. 1 Tm 3, 1-7).

Entrevistador - No momento, parece haver uma situação na Igreja em que não há consenso em reconhecer que os padres homossexualmente activos têm uma grande parcela de responsabilidade na crise do abuso. Mesmo alguns documentos do Vaticano falam de "pedofilia" ou "clericalismo" como problemas principais. O jornalista italiano Andrea Tornielli chegou a argumentar que McCarrick não tinha relações homossexuais, mas exercia o seu poder sobre os outros. Ao mesmo tempo, há aqueles, como o jesuíta James Martin, que viaja pelo mundo (mesmo convidado para o encontro mundial de famílias na Irlanda) para promover a ideia de "católicos LGBT" e até afirma que alguns santos eram provavelmente homossexuais. . Isso quer dizer que hoje há uma forte tendência na Igreja que leva à minimização do carácter pecaminoso das relações entre pessoas do mesmo sexo. Acha que é assim? E se sim, como poderia - e deveria - remediar?

Cardeal Müller - É parte da crise que não querer ver as causas reais e escondê-las com a ajuda das frases de propaganda do lobby homossexual. A fornicação com adolescentes e adultos é um pecado mortal e nenhum poder na Terra pode declarar isso moralmente neutro. É a obra do diabo - contra a qual o Papa Francisco frequentemente adverte - declarar que o pecado é bom. De facto é absurdo que, de repente, as autoridades eclesiásticas considerem slogans anticlericais, nazistas e comunistas anticlericais contra os padres sacramentalmente ordenados. 

Os sacerdotes estão investidos da autoridade para proclamar o Evangelho e administrar os sacramentos da graça. Se alguém abusa da sua jurisdição para alcançar objectivos egoístas ele não é clericalista, mas sim anti-clerical, porque nega que Cristo quer trabalhar através dele. O abuso sexual pelo clero deve, portanto, ser chamado de anticlerical no mais alto grau. Mas é óbvio - e poderia ser negado apenas por aqueles que querem ser cegos - que o pecado contra o sexto mandamento do Decálogo têm origem em inclinações desordenadas e por isso são pecados de fornicação que excluem do Reino de Deus, pelo menos até que haja arrependimento e expiação, e intenção firme de evitar tais pecados no futuro. Essa tentativa de ofuscar as coisas é um mau sinal de secularização da Igreja. Isso é pensar como o mundo, não de acordo com a vontade de Deus.

Entrevistador - Rumores do mesmo teor poderiam ser ouvidos no recente Sínodo sobre os jovens em Roma. O documento de trabalho utilizados pela primeira vez a fórmula "LGBT", enquanto o documento final enfatizou a necessidade de boas-vindas nos homossexuais da Igreja, rejeitando "todas as formas de discriminação" contra eles. Não seria esse tipo de afirmação realmente prejudicial à prática constante da Igreja de não empregar homossexuais activos, por exemplo, como professores em escolas católicas?

Cardeal Müller - A ideologia LGBT é baseada em uma falsa antropologia que nega a Deus como Criador. Como é essencialmente ateu ou, pelo menos, coloca o conceito cristão de Deus à margem, não pode ter lugar nos documentos da Igreja. Este é um exemplo da influência insidiosa do ateísmo na Igreja, responsável por mais de meio século da crise da Igreja. Infelizmente, essa ideologia está presente mente de alguns pastores que, na sua ingénua convicção de serem modernos, não percebem o veneno que bebem todos os dias e acabam por o dar de beber aos outros.

Tradução Senza Pagare



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Cardeal Sarah encontrou-se com o Papa Bento XVI

Na passada Quarta-Feira, dia 28 de Novembro, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, visitou o Papa Bento XVI no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. Um dos propósitos do encontro foi oferecer ao Papa Bento uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, feita para comemorar os 50 anos da sua ordenação sacerdotal do Cardeal.




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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Reportagem do "Messa in Latino" sobre a Missa Tradicional em Lisboa

Portugal, Lisboa: a Missa Tradicional está a ter bastante sucesso!

Como é facilmente constatável, viajando por aqui e por ali, os maiores obstáculos à Missa Tridentina encontram-se, ironicamente, nos países de língua latina: França, Itália, Espanha...Assim sendo, perguntámo-nos: e em Portugal como estão as coisas? A este respeito, propomos este breve resumo que nos foi enviado pelo nosso correspondente, que viajou até à capital de Portugal há poucos dias.

Boas notícias: a Missa Tradicional, que começou a ser celebrada recentemente de maneira estável na cidade, está a ter muito sucesso, especialmente entre jovens e famílias. Em Lisboa, até 2017, não existiam celebrações estáveis (NT: diariamente). Bem, por ocasião dos 10 anos do Motu Proprio (NT: Summorum Pontificum), algo mudou.

De facto, há cerca de um ano e meio, um jovem padre diocesano, vigário paroquial da Paróquia São Nicolau (na Baixa de Lisboa), decidiu começar a celebrar de maneira permanente. E assim, a partir de Julho de 2017, a Santa Missa Tridentina é celebrada todos os dias da semana às 19h (e no Sábado às 11h) na igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha (na Rua da Alfândega), a poucos passos da Catedral. 

A iniciativa foi imediatamente um grande sucesso! Embora seja uma mera celebração ferial (de Segunda a Sábado) são muitos jovens e, em geral, os fiéis que nela participam.

Posteriormente, a partir do último mês de Julho de 2018, o vigário paroquial, apoiado por vários fiéis começou a celebrar regularmente aos Domingos de manhã, às 11 horas, na igreja paroquial de São Nicolau. 

Falando da Missa de Domingo, pode-se notar que, embora só tenha começado em Julho passado, a participação é muito significativa!  E, mais uma vez, são principalmente os jovens e as famílias com crianças que acorrem à celebração. 

Em última análise, para aqueles que visitam Lisboa, aqui estão as horas das Missas (atualizadas em Novembro de 2018):

Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha: Segunda a Sexta-Feira às 19h00; Sábado às 11 horas. 
Igreja Paroquial de São Nicolau: Domingo às 11 horas.

Por fim, deve acrescentar-se que estas não são as únicas Missas Tradicionais celebradas na cidade. No passado Sábado, 17 de Novembro, visitando (casualmente!) a impressionante igreja do mosteiro de São Vicente de Fora, deparámo-nos com uma Missa ocasional, celebrada por um aniversário, que não pudemos identificar, referente a um dos últimos Reis lusitanos (NT: Tratava-se de uma Missa pela alma do Rei D. Miguel, por ocasião dos 152 anos da sua morte).

in blog.messainlatino.it


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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Morreu o Bispo Robert Morlino

Morreu o Bispo de Madison, Robert Morlino. Tinha 71 anos e era Bispo de Madison há 15 anos. Morreu 3 dias depois de ter tido uma crise cardíaca. 

O Bispo Morlino era um grande apoiante da Missa Tradicional e das vocações sacerdotais. Quando o Bispo chegou à diocese, em 2003, o seminário contava apenas com 6 seminaristas. Hoje em dia existem cerca de 50 seminaristas naquela diocese.

Roberto Morlino foi também dos Bispos mais activos contra a crise dos abusos sexuais na Igreja americana, tendo escrito recentemente uma dura carta em relação a esse assunto: http://www.madisoncatholicherald.org/bishopsletters/7730-letter-scandal.html

Rezemos pelo descanso eterno deste corajoso Sucessor dos Apóstolos:

Da nobis, Dómine, ut ánimam fámuli tui Roberti Epíscopi, quam de hujus sáeculi eduxisti laborióso certámine, Sanctórum tuórum tríbuas esse consortem. Per Christum, Dóminum nostrum. R. Amen.


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domingo, 25 de novembro de 2018

O Mito da Superpopulação e a Nova Moralidade

Muitos dos que viveram os anos 60 recordam claramente a publicação de “A Bomba Populacional”, de Paul Ehrlich, em 1968, que assustou o público e influenciou os media no que diz respeito à percepção da demografia. Ehrlich reavivou a já desacreditada teoria de Thomas Malthus, do século dezoito, que defendia que a população mundial iria sobrepor-se sempre aos recursos alimentares a não ser que fosse drasticamente reduzida. Ehrlich avisou que na década de 70 se iriam fazer sentir grandes fomes e que até ao fim do século XX centenas de milhões morreriam de subnutrição, a Índia ia colapsar e a Inglaterra desapareceria.

O livro de Ehrlich não foi o primeiro passo no pânico geral sobre a superpopulação, tendo sido antecedida por medidas da administração Johnson. Num discurso nas Nações Unidas em 1965 Johnson disse que “cinco dólares investidos no controlo da população valem cem dólares investidos no crescimento económico”. O Presidente insistiu ainda que fossem implementados programas de esterilização na Índia como condição para apoio alimentar americano.

O controlo populacional tornou-se finalmente um dogma político quando o Memorando de Estudo da Segurança Nacional sobre as “Implicações do Crescimento Populacional Mundial para os Interesses Externos e Segurança dos Estados Unidos”, foi formalmente adoptado como política externa americana. Em 1976 um memorando pedia aos Estados Unidos que “usassem o apoio alimentar para impor o controlo populacional à escala global”.

Esta política mantém-se. Os fundos designados para apoio externo dependem do controlo populacional. Contraceptivos, e não comida ou medicamentos, são frequentemente os principais produtos entregues em áreas estratégicas. Stephen Mosher, autor de Population Control: Real Costs, Illusory Benefits, [Controlo Populacional: Custos Reais, Benefícios Imaginários] cita esta queixa de um obstetra queniano:

“O nosso sistema de saúde está em ruptura. Milhares de quenianos vão morrer de Malária, cujo tratamento custa poucos cêntimos, em clínicas cujas prateleiras estão repletas de comprimidos [contraceptivos], DIU, Norplant, Depo-Provera e por aí fora, no valor de milhões de dólares, a maioria dos quais fornecidos com dinheiro americano.”

Este desejo alargado de diminuir a população mundial é, à primeira vista, algo estranho. É que o mundo não está propriamente a ficar sem espaço. Em 2007 o site www.populationmyth.compublicou um mapa dos Estados Unidos que mostrava como os 6,5 mil milhões de pessoas então vivas no planeta conseguiam caber em cada um dos Estados do país. É verdade que em Rhode Island só se ficava com pouco mais de um metro quadrado por pessoa, mas no Texas dá quase 350 metros quadrados.

Mais recentemente o Instituto de Pesquisa Populacional (www.pop.org) deu seguimento ao exemplo do Texas e publicou no YouTube um cartoon que mostra que se todas as sete mil milhões de pessoas pudessem ser transportadas para o Texas, cada família teria espaço para ter uma casa com jardim (presumivelmente a construção de prédios daria para melhorar a média de metros quadrados por pessoa). Um engenheiro foi ainda mais longe e mostrou no seu blog www.simplyshrug.com que seria possível fornecer água e comida pelo Rio Columbia e terreno agrícola para sustentar esta migração hipotética.


O problema, portanto, não é de falta de espaço. Então o que se quer dizer por superpopulação? Evidentemente o problema é o excesso de pobres, associado à ideia de que se de alguma maneira fosse possível evitar que os pobres se reproduzissem, seriam capazes de escapar à pobreza.

Mas digamos que conseguíamos diminuir a população mundial num terço. Isso significaria a diminuição automática da percentagem de pobres? Não necessariamente. A percentagem poderia até crescer de forma astronómica. Pais envelhecidos, sem a ajuda de um número cada vez menor de filhos e parentes, dependendo do Estado; economias em ruínas devido à falta de trabalhadores, rebeldes a tomar o poder e a criar novas versões de escravatura, líderes políticos a atribuírem mais poder a si mesmos sem quaisquer restrições constitucionais, e por aí fora.

Por outras palavras, aquilo a que se chama “superpopulação” no fundo não passa do problema milenar económico-político de uma justa administração dos recursos mundiais. Trata-se de um problema político e geopolítico complexo que nunca se pode resolver com soluções simplistas como reduzir o número de pessoas no mundo. De facto, a aplicação desta “solução” levou ao perigo de um “Inverno demográfico” entre europeus, russos, japoneses e outras comunidades políticas que, por causa da descida do número de nascimentos, caminham para a “não-renovação” e possibilidade de deixarem de existir dentro de algumas gerações.

A encíclica Humane Vitae, de Paulo VI, sobre a contracepção, surgiu no mesmo ano que o livro de Ehrlich e deu lugar imediatamente a uma tempestade de protestos entre os católicos, começando por uma declaração assinada por 200 teólogos católicos e publicado no New York Times no dia 30 de Julho de 1968, que assegurava todas as pessoas com dúvidas de consciência de que se podia discordar legitimamente do Magistério quando este entrava em conflito com o “sentido dos Fiéis”. As consciências católicas, já formadas pela ortodoxia “científica” de que o mundo já estava muito sobrepovoado, passaram a justificar a sua dissensão no tema da contracepção nesta base.

Surgiram então novos conceitos de virtude. Os casais que usavam contraceptivos podiam-se orgulhar do facto de não estar a contribuir para um problema mundialmente conhecido. Não ter filhos podia ser entendido como a mais alta medida de preocupação social! Os educadores e políticos que ensinavam “sexo seguro” podiam respirar fundo, aliviados pelo facto de estarem a cumprir o seu papel em limitar o número de pobres nas cidades.

Mesmo os pró-vida podiam promover os contraceptivos como forma de diminuir o número de abortos. Governos ditatoriais, como a China, podiam impor políticas do “filho único”, enquanto os Governos de tradição mais democrática, como os Estados Unidos, podiam simplesmente exigir às seguradoras que cobrissem os custos de contraceptivos e processos de esterilização, na esperança de poder chegar a algo do género da política do “filho único” eventualmente, quando se tornasse mais aceitável para os cidadãos.

A desgraça dos grandes problemas é a tentação de recorrer a soluções simplistas para os ultrapassar. A preocupação com o acesso a, refinação ou cultivo de, e distribuição de, recursos humanos é um problema global e político interminável e perene. Mas é um problema que não pode ser resolvido, e até pode ser piorado, pelos movimentos que tentam combater a superpopulação com contraceptivos.

Howard Kainz in 'The Catholic Thing' via 'Actualidade Religiosa'


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domingo, 18 de novembro de 2018

Novena da 'Medalha Milagrosa'

Quando Nossa Senhora das Graças apareceu a Santa Catarina Labouré pediu-lhe que fizesse uma medalha, através da qual teria muitas graças para dar a quem a usasse com devoção. Foram tantos os milagres que hoje em dia é conhecida como "Medalha Milagrosa".

Quem quiser fazer a Novena a Nossa Senhora da Graças e da Medalha Milagrosa terá que rezar as seguintes orações em cada um dos próximos 9 dias: 

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa das nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expôr, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem das nossas almas. E,  para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. Ámen.

Rezar 3 Avé-Marias e 3 vezes a jaculatória: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós."


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Missa Tradicional regressa a Huelva, 50 anos depois

Os católicos de Huelva (e arredores) voltaram a ver a Missa Tradicional na sua cidade, 50 anos depois da reforma litúrgica do Papa Paulo VI. Huelva fica localizada no sul de Espanha, a cerca de 60 quilómetros da fronteira com Portugal (Vila Real de Santo António). 

A Missa Tradicional tem vindo a ser celebrada em cada mais cidades espanholas, sempre com grande afluência de pessoas. Em Portugal, infelizmente, o assunto é quase sempre alvo de desprezo e escárnio por parte da hierarquia da Igreja, sem qualquer justa causa. Rezemos para que os direitos dos fiéis nesta matéria comecem a ser respeitados.





Fotografias: Una Voce Sevilla


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sábado, 17 de novembro de 2018

As duas formas conhecidas de discutir com um Comunista - G.K. Chesterton

Há duas formas conhecidas de discutir com um comunista; e ambas estão erradas. Há também uma terceira forma que é correta mas que não é conhecida. Agora tenho a noção de que, por um motivo ou outro, uma parte considerável do nosso tempo cedo ou tarde será consumida discutindo com comunistas. E vou descrever em poucas palavras o que considero ser a forma certa de fazê-lo. 

Curiosamente, as duas maneiras mais comuns de contradizer o comunismo também se contradizem entre si. A primeira consiste em acusar o bolchevista de todos os vícios. A segunda, curiosamente, consiste em acusá-lo de todas as virtudes. Consiste realmente em contrapor os nossos vícios às virtudes, ou supostas virtudes, dele.

Este é o truque mais perigoso e até suicida dos dois, e a sua natureza exige uma pequena explicação. O primeiro método, ou método convencional, é bastante simples. O capitalista diz ao comunista, “Não permito que entres em minha casa porque sei que a irias destruir; não permito que fales com a minha família porque sei que a irias explodir; és um ladrão e um assassino, eu sou uma pessoa moral e respeitável. Não somos como os russos.” Eu não gostaria de falar assim com um bolchevista, porque eu não falaria assim nem com um ladrão. É portar-se como um fariseu; e o fariseu é um inimigo do cristão mais antigo que o marxista.

Eu prefiriria o outro método, o qual me parece extremamente comum entre aqueles que afirmam defender a propriedade ou o individualismo contra a heresia marxista. Consiste em dizer ao comunista que ele é um idealista, ou, em outras palavras, que ele está errado porque tem ideais. Neste segundo caso, o capitalista diz ao comunista, “Tu acreditas num monte de disparates sobre a irmandade entre os homens; mas eu digo, como um homem prático, que cada um quer obter o máximo possível para si, e agrediria o próprio irmão por um negócio se pudesse. Cada homem deve obedecer ao seu instinto aquisitivo.” (Eu li exatamente estas palavras num ataque à teoria bolchevista.) “Não se pode manter as coisas funcionando sem empresas privadas; e não se pode produzir empresas privadas sem suborná-las ou recompensá-las com os louros oriundos da propriedade privada.” As pessoas usam estes argumentos contra o comunismo como se estes fossem argumentos somente contra o comunismo, e depois se surpreendem porque um grande número de jovens entusiasmados se tornam comunistas.

Eles não percebem que, para os jovens, o capitalista em questão parece que diz simplesmente: “Eu sou um patife ganancioso, e proíbo-te de ser qualquer coisa diferente disso.”

Mas o verdadeiro argumento final e completo contra o comunismo é que a propriedade privada é muito mais importante que a empresa privada. Um ladrão de carteiras realiza um empreendimento privado, mas não se pode dizer que ele apoia a propriedade privada. A propriedade privada não é uma recompensa que existe para manter a empresa privada. 

Pelo contrário, a empresa privada é somente uma ferramenta ou uma arma, que pode às vezes ser útil para preservar a propriedade privada. E é necessário preservar a propriedade privada simplesmente porque ela é um outro nome para a liberdade. Não é meramente um respeito convencional. 

Pelo contrário, é somente o homem com alguma propriedade e privacidade que pode viver sua própria vida livremente. E tampouco é uma simples licença comercial, e menos ainda uma licença para a fraude. 

Pelo contrário, toda a questão da propriedade gira em torno do fato de que ela somente pode ser nutrida com o sentimento da honra. Seria necessário mais espaço aqui para expor esta tese, e levaria mais tempo ainda para expô-la a um comunista. Mas um comunista certamente a escutaria por mais tempo do que a um homem meramente gabando-se da sua própria rectidão ou a um homem que se gaba da própria avareza.”

G. K. Chesterton in 'How Not To Do It'


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