sexta-feira, 10 de maio de 2019
3 inimigos fortes e encarniçados a vencer em ti
Tens três inimigos fortes e encarniçados a vencer em ti, e só com dificuldade triunfarás sobre eles.
Serás atacado pelo orgulho do espírito: queres ser visto, considerado, escutado. O segundo inimigo é a tua própria carne, que te provoca pela impureza corporal e espiritual. O terceiro inimigo é aquele que te ataca, inspirando-te a malvadez, os pensamentos amargos, as suspeitas, os julgamentos malévolos, a raiva e os desejos de vingança.
Queres tornar-te cada vez mais querido de Deus? Deves renunciar completamente a tais atitudes.
Jean Tauler (dominicano de Estrasburgo) in Sermão n.º 2
O império da Terra pertence às Famílias numerosas
Como é belo o sorriso da infância! Assemelha-se ao raio de sol do nosso lar: quanto mais sorrisos, quanto mais a nossa casa resplandece.
Multiplicai-vos, seres encantadores, enchei de alegre animação e de gritos a casa onde nascestes! Deus gosta de ver-vos e de ouvir-vos. Providência das avezinhas e dos lírios dos prados, Ele quer ser, particularmente, o Deus das famílias numerosas. Reserva-lhes as suas melhores bênçãos, e dá-lhes não sei que especiais encantos que atraem a simpatia, a misericórdia e a liberalidade dos corações bem formados.
Não há aí os silêncios pesados que entristecem os lares desertos; nem o coração dos pais está exposto às idolatrias néscias que não cessam de rodear o filho único: o número não enfraquece o amor, multiplica-o; e não há nesses lares abençoados, nem ausências irreparáveis, nem lutos que não possam ser consolados; a flor ceifada por Deus deixa após ela flores amáveis que passam a amar-se mais, como que para se vingarem das traições da morte; nesses lares, o trabalho, a dedicação e o sacrifício impõem-se e perpetuam-se em tradições santas e gloriosas.
Há neles eleitos para povoarem o céu, soldados para povoarem o país, pioneiros para se apossarem do mundo: o império da terra pertence às famílias numerosas.''
R. P. Monsabré in 'Le Mariage' (Edit. P. Lethielleux, 1893)
quinta-feira, 9 de maio de 2019
A última pergunta de Nossa Senhora à Jacintinha
“Nossa Senhora veio nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito em breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-Lhe que sim. Disse-me que ia para um hospital, que lá sofreria muito. Que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria, e por amor a Jesus.”
Santa Jacinta Marto
quarta-feira, 8 de maio de 2019
Bispo de Coimbra concede capela a Ortodoxos mas rejeita Missa a Católicos
O Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, fez uma visita amigável à comunidade ortodoxa. Esta comunidade reúne-se numa capela cedida pela Diocese de Coimbra.
No entanto, o mesmo Bispo de Coimbra, recusou os pedidos de muitos católicos que tentam há anos ter uma capela, por pequena que seja, onde possa ser celebrada a Missa Tradicional em Rito Romano. E, estando reunidas todas as condições para que essa Missa possa existir, D. Virgílio Antunes não responde aos vários pedidos que lhe foram feitos para que autorize uma Missa que proibiu, contrariamente à Lei da Igreja.
A Igreja Ortodoxa é cismática e herética. Nega o Papa Francisco, não enquanto Francisco mas enquanto Papa. Nega todos os Papas da Igreja porque recusa o Primado Petrino, um dos pilares da Doutrina Católica. São cismáticos porque se separaram da Igreja Católica, fazendo uma Igreja paralela, e são heréticos porque negam várias verdades da Fé católica, como o dogma da Imaculada Conceição.
Convém salientar que em relação a cada fiel ortodoxo em particular só Deus sabe o que vai no seu coração e se alguma vez lhe foram dadas as condições necessárias para perceber que a Igreja Católica é a verdadeira Igreja. E muitos deles são muito mais devotos do que a grande maioria dos católicos de hoje. Mas a Igreja Ortodoxa separou-se formalmente da Igreja Católica, e, não obstante, são-lhe cedidas igrejas e capelas para que os seus sacerdotes possam celebrar a liturgia em paz. Recebem visitas dos Bispos e têm fácil acesso ao Paço, sempre que precisam de alguma coisa. São louvados e elogiados.
Aos católicos que têm todo o direito a assistir à Missa Tradicional é recusado esse direito, o que é uma grave injustiça. E sem cumprir a justiça não vale a pena falar de misericórdia. São sucessivamente desprezados e ofendidos, como se fossem inimigos da Igreja. São-lhes levantados muros, ao mesmo tempo que tanto se fala em construir pontes.
Até quando irá continuar esta perseguição aos católicos dentro da própria Igreja?
João Silveira
Imagens: Correio de Coimbra
terça-feira, 7 de maio de 2019
Qual é a eficácia da Santa Missa?
O santo sacrifício da Missa é o sacrifício pessoal de Cristo, visto que Ele é o sacerdote principal. É, além disso, o sacrifício da Igreja, porque Cristo lhe deu a Eucaristia para que fosse o seu sacrifício e seu sacramento (Dz 938), portanto, estritamente falando, não há "Missas privadas" (Dz 944). A Missa é também o sacrifício do sacerdote celebrante e dos fiéis.
a) Como sacrifício pessoal de Cristo, a Missa é eficaz "ex opere operato", isto é, não depende da condição moral do sacerdote celebrante ou dos fiéis. O Concílio de Trento declarou: "Este é o sacrifício puro (Mal 1, 11) que não pode ser manchado pela indignidade ou malícia daqueles que o oferecem" (Dz 939).
b) Como sacrifício da Igreja, a Missa obra "quase ex opere operato", porque a Igreja, como esposa santa e imaculada de Cristo (Ef 5, 25ss), é sempre agradável a Deus.
c) Como sacrifício do sacerdote celebrante e dos fiéis, a eficácia da Missa, como a de qualquer outro bom trabalho, é "ex opere operandis" e depende do grau de disposição moral de cada pessoa (S.Th. III 82, 6).
Ludwig Ott in 'Manual de Teología Dogmática'
domingo, 5 de maio de 2019
A importante devoção às mãos dos sacerdotes
A Venerável Catarina Vannini via, em êxtase, os Anjos que, durante a Missa, circundavam as mãos do sacerdote e sustentavam-nas no momento da elevação da Hóstia e do Cálice. Poderemos imaginar com que respeito e afecto a Venerável beijava aquelas mãos?
A Rainha Santa Edwiges, todas as manhãs assistia a todas as Santas Missas que eram celebradas na capela da corte, mostrando-se muito agradecida e reverente com os sacerdotes que tinham celebrado: convidava-os a entrar, beijava as suas mãos com suma devoção, fazia que se alimentassem, tratando-os com as mais distintas honras. Ouvia-se como a Rainha exclamava comovida: "Bendito seja quem fez Jesus descer do céu e O deu a mim".
São Pascoal Bailão era o porteiro do convento. Todas as vezes que chegava um sacerdote, o Santo Fradinho ajoelhava-se e beijava-lhe respeitosamente as duas mãos. Dele foi dito, como de São Francisco, que "era devoto das mãos consagradas dos sacerdotes". Ele julgava-as capazes de deter longe os males e cumular de bens quem nelas tocasse com veneração, porque são as mãos das quais Jesus se serve.
E como era edificante ver São Pio de Pietrelcina procurando beijar com amor as mãos de qualquer sacerdote, às vezes até agarrando-as de surpresa! E que dizer de outro Servo de Deus, Dom Dolindo Ruotolo, que não admitia que um sacerdote pudesse negar-lhe "a caridade" de deixá-lo beijar-lhe as mãos. Enfim, sabemos que este acto de veneração muitas vezes foi premiado por Deus com verdadeiros milagres.
Na vida de Santo Ambrósio lê-se que um dia, logo após a celebração da Santa Missa, o Santo viu aproximar-se dele uma mulher paralítica, que queria beijar suas mãos. A pobre mulher tinha grande fé naquelas mãos que tinham acabado de consagrar a Eucaristia: e ficou curada no mesmo instante.
A mesma coisa aconteceu em Benevento: uma mulher paralítica, há quinze anos, pediu ao Papa Leão lX licença para beber a água por ele usada durante a Santa Missa, quando lavou os dedos. O Santo Papa atendeu aos desejos da enferma no seu pedido humilde, como o pedido da Cananéia, rogando a Jesus que lhe desse "as migalhas que caem da mesa do dono da casa" (Mt 15,27), e ficou imediatamente curada.
Pe. Stefano M. Manelli, FI in 'Jesus, Nosso Amor Eucarístico' (p. 135-138)
Como uma menina de 13 anos deu a vida pela mãe
Azocar, uma freira que tomava conta de Laura, recorda: “Lembro-me que quando lhe expliquei o Sacramento do Matrimónio pela primeira vez, a Laura desfaleceu, provavelmente porque percebeu pelas minhas palavras que a sua mãe vivia em pecado mortal enquanto permanecesse com aquele cavalheiro. Durante aquele tempo em Junín, só uma família vivia de acordo com a vontade de Deus”. Assim, Laura intensificou as suas orações e penitências pela mãe. Recebeu a primeira comunhão a 2 de Junho de 1901 com grande fervor e escreveu os seguintes propósitos:
“1. Quero amar-Vos e servir-Vos com toda a minha vida, ó meu Jesus; para isso, ofereço-Vos a minha alma, o meu coração e todo o meu ser. – 2. Prefiro morrer a ofender-Vos em pecado; quero distanciar-me de tudo o que me separa de Vós. – 3. Prometo fazer o melhor que conseguir, mesmo que tenha de fazer grandes sacrifícios, para que sejais mais conhecido e amado, e para reparar as ofensas feitas contra Vós diariamente pelos homens que não Vos amam, especialmente por aquelas [ofensas] que recebeis dos que me são mais próximos – Oh, meu Deus, concedei-me uma vida de amor, de mortificação e de sacrifício!”.
Mas a sua maior alegria foi perturbada por ver a sua mãe, presente na cerimónia, a não receber a comunhão. Em 1902, a Laura ofereceu a vida pela mãe, que estava a viver com um homem numa união irregular na Argentina. Multiplicou as orações e os sacrifícios pela verdadeira conversão da mãe. Algumas horas antes de morrer, chamou a mãe para ao pé da sua cama e disse: “Mãe, vou morrer. Pedi a Jesus por isso e as minhas orações foram atendidas. Quase dois anos antes, ofereci a minha vida pela graça da sua conversão. Mãe, não terei a felicidade de a ver arrepender-se antes de eu morrer?”.
A mãe, chocada e arrasada, fez a promessa: “Amanhã de manhã vou à igreja e vou confessar-me”. A Laura chamou a atenção do padre que a atendia e disse: “Senhor Padre, a minha mãe acabou de me prometer que ia abandonar esse homem; seja testemunha da sua promessa!”.
Então acrescentou, feliz: “Agora posso morrer alegre!”. Com estas palavras, expirou no dia 22 de janeiro de 1904, em Junín de Los Andes (Argentina), aos 13 anos, nos braços da sua mãe, que re-descobrira a Fé e que pôs fim à união irregular em que vivia.
O admirável exemplo de vida de uma jovem, agora conhecida como Beata Laura Vicuña, é uma demonstração da seriedade com a qual um verdadeiro católico trata o sexto Mandamento de Deus e a sacralidade e indissolubilidade do Matrimónio.
D. Athanasius Schneider in Comentário à Exortação Amoris Lætitia.
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Novena a Nossa Senhora de Fátima
Em cada um dos 9 dias começar por rezar o que se segue e depois juntar a oração do dia:
(†) Pelo sinal da Santa Cruz, (†) livrai-nos Deus, Nosso Senhor, (†) dos nossos inimigos, (†) em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Oração do Anjo (rezar três vezes):
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
Concedei-nos, Mãe Santíssima, as graças de que necessitamos para cumprir fielmente a vontade de Deus, Vossos pedidos em Fátima e, em particular, a graça que vos pedimos nesta Novena (fazer o pedido), se for para maior glória de Deus, honra Vossa e proveito das nossas almas. Assim seja.
Oração para o primeiro dia (4 de Maio)
Ó Virgem Mãe, que Vos dignastes aparecer sobre as solitárias montanhas de Fátima a três pastorinhos, ensinando-nos que é em recolhimento que devemos nos entreter com Deus na oração pelo bem de nossas almas; obtende-nos o amor à oração e ao recolhimento, para que possamos ouvir a voz do Senhor e cumprir fielmente a Sua Santíssima Vontade.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o segundo dia (5 de Maio)
Ó Virgem Mãe puríssima, que envolta em níveo candor aparecestes a simples e inocente pastores, ensinando-nos o quando devemos amar a inocência do corpo e da alma, ajudai-nos a apreciar este dom sobrenatural, hoje tão negligenciado, e a não permitir que escandalizemos o nosso próximo com palavras ou acções; ao contrário, que ajudemos as almas inocentes a conservar este tesouro divino.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o terceiro dia (6 de Maio)
Ó Maria, Mãe dos pecadores, que, aparecendo em Fátima, deixastes ver uma leve sombra de tristeza em Vosso rosto celestial, prova da dor que Vos dão as ofensas que fazemos continuamente ao Vosso divino Filho, obtende-nos a graça de uma perfeita contrição para que confessemos com toda sinceridade os nossos pecados no santo tribunal da penitência.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o quarto dia (7 de Maio)
Ó Rainha do Santo Rosário que trouxestes em vossas mãos uma coroa de cândidos grãos e tanto insististes para que rezássemos o Santo Rosário para obter as graças de que precisamos, infundi-nos um grande amor à oração, especialmente ao Vosso Rosário, modelo de oração vocal e mental, para que não deixemos passar nem um dia sem recitá-lo com o devido cuidado e devoção.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o quinto dia (8 de Maio)
Ó Rainha da Paz e Mãe nossa piedosa, enquanto sobre a Europa ameaçava a iminente desgraça da guerra mundial, indicastes aos pastorinhos de Fátima o modo de nos livrar de tantas calamidades com a recitação do Rosário e a prática da penitência, obtende-nos de Deus que floresçam entre nós, com a fé e as virtudes cristãs, a paz e a prosperidade pública, pela honra Vossa e de Vosso divino Filho.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o sexto dia (9 de Maio)
Ó Refúgio dos pecadores, que exortastes os pastorinhos de Fátima a rogar a Deus para que aqueles pobres infelizes que rejeitam a lei de Deus não caíam no inferno, e disseste a um deles que o vício da carne precipita um grande número de almas nas chamas infernais, concedei-nos, junto a um grande horror pelo pecado, especialmente o de impureza, a graça da compaixão e do zelo pela salvação das almas que vivem em grande perigo de se danar eternamente e que por elas ardentemente rezemos.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o sétimo dia (10 de Maio)
Ó Saúde dos enfermos, quando os pastorinhos Vos pediram para curar alguns doentes respondestes que devolveria a saúde a alguns, mas não a outros, nos ensinastes que a doença é um dom precioso de Deus e um meio de salvação. Dai-nos uma conformidade à vontade de Deus em oposição à vida de tal forma que não apenas não nos lamentemos, mas bendigamos o Senhor que nos oferece um meio de satisfazer dessa forma as penas temporais merecidas pelos nossos pecados.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o oitavo dia (11 de Maio)
Ó Virgem Santíssima que manifestastes aos pastorinhos o desejo de que fosse erguido, em Fátima, um santuário em honra do Vosso Santíssimo Rosário, dai-nos um profundo amor pelos mistérios de nossa Redenção que comemoramos na recitação do Rosário, para viver de modo a gozar dos seus preciosos frutos, o mais excelsos que a Santíssima Trindade tenha concedido à família humana.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
Oração para o nono dia (12 de Maio)
Ó Virgem Dolorosa que manifestastes em Fátima o Vosso Coração cercado de espinhos pedindo consolação e prometendo, em troca, a graça de uma boa morte, a conversão da Rússia e o triunfo final do Vosso Coração Imaculado, fazei que, seguindo o desejo do Coração de Jesus, sejamos fiéis em Vos oferecer o tributo de reparação e de amor por Vós pedido nos primeiros Sábados do mês, a fim de participarmos das graças prometidas.
- Ave Maria...
- Virgem do Rosário de Fátima, rogai por nós.
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Ambiente aterrador durante manifestação pró-vida na Alemanha
Friburgo, Alemanha. Ano 2019. No dia 26 de Abril, alguns sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, juntamente com cerca de 100 fiéis, percorrem as ruas da cidade para se manifestarem contra o aborto, com cânticos e orações. Além de ter sido necessário um cordão policial, o ambiente que os rodeava era verdadeiramente assustador.
quarta-feira, 1 de maio de 2019
São José Artesão
Nos Evangelhos, Jesus é chamado de "o filho do carpinteiro". De modo iminente, se reconhece nesta memória de São José a dignidade do trabalho humano, como dever e aperfeiçoamento do homem, exercício benéfico do seu domínio sobre a Criação, prolongamento da obra do Criador e contribuição ao plano da Salvação.
Pio XII (1955) instituiu a Festa de "São José Artesão", para dar um protector aos trabalhadores e um sentido cristão à Festa do Trabalho, de criação marxista.
A figura de São José, o humilde e grande trabalhador de Nazaré, orienta para Cristo, o Salvador do homem, o Filho de Deus, que compartilhou completamente a condição humana. Assim, antes de tudo, deve-se afirmar que o trabalho dá ao homem o maravilhoso poder de participar da obra criadora de Deus e que o trabalho possui um autêntico valor humano.
O Novo Testamento não atribui a São José uma palavra sequer. Quando começa a vida pública de Jesus, ele, provavelmente, já teria morrido, mas não se sabe onde ou quando; nada se sabe do seu túmulo, embora seja conhecido o de Abraão, que é muito mais antigo.
Os Evangelho conferem-lhe o título de Justo: na linguagem bíblica, 'justo' é o que ama o espírito e a letra da Lei, como expressão e vontade de Deus.
José descende da Casa de David, dele sabemos apenas que era um artesão que trabalhava a madeira. Não era um velho, como a tradição hagiográfica e certa iconografia o apresentam, segundo o cliché do “bom velho José” que tomou como esposa a Virgem de Nazaré para ser o pai putativo do Filho de Deus. Pelo contrário, era um homem no pleno vigor da idade, de coração generoso e rico de fé.
O noivado para os hebreus equivalia ao matrimónio, durava um ano e não permitia a coabitação nem a vida conjugal entre os dois; após este período, havia uma festa na qual a noiva passava a coabitar com o noivo, iniciando a vida conjugal. Se neste período a noiva concebesse um filho, o noivo dava-lhe o seu nome, mas se a noiva era suspeita de infidelidade, podia ser denunciada no tribunal local. O procedimento a seguir era terrível: a adúltera morreria apedrejada.
No Evangelho de São Mateus lemos que “Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela acção do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo um homem justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente” (Mt 1, 18-19). Mas, enquanto ainda pensava em como fazer isto, eis que o Anjo do Senhor veio tranquilizá-lo: “José, Filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, porque O que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus; Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 20-21).
José poderia aceitar ou não o projecto de Deus. Em toda vocação, ao mistério do chamado corresponde sempre o exercício da liberdade, pois o Senhor nunca violenta a intimidade de suas criaturas, nem interfere nunca sobre seu livre arbítrio. Então, José poderia aceitar ou não, e ele aceita. Nas Escrituras lemos que “fez conforme o Anjo do Senhor tinha mandado e acolheu a sua esposa” (Mt 1, 24). Ele obedeceu prontamente ao Anjo e, desse modo, disse o seu sim à obra da Redenção. Por isso, quando nós olhamos para o sim de Maria devemos também pensar ao sim de José ao projecto de Deus. Desafiando toda a prudência terrena e indo além das convenções sociais e dos costumes da época, ele acolheu o mistério da Encarnação do Verbo.
Na multidão dos devotos de Nossa Senhora, sem dúvida, São José é o primeiro em ordem de tempo. Uma vez tomado conhecimento da sua missão, consagrou-se a ela com todas as suas forças. Foi esposo, custódio, discípulo, guia e apoio: todo de Maria e de Jesus.
O que Maria e José viveram foi um verdadeiro matrimónio? É uma pergunta que se fazem seja os doutos que os simples. Sabemos que a convivência matrimonial deles foi vivida na virgindade (Mt 1, 18-25), ou seja, foi um matrimónio virginal, mas vivido na comunhão mais verdadeira.
E se Maria vive de fé, São José não deixa por menos. Se Maria é modelo de humildade, nesta humildade espelha-se também a humildade do seu esposo. Maria amava o silêncio, São José também: entre eles havia, nem poderia ser diferente, uma comunhão conjugal que era verdadeira comunhão de corações, cimentada por profundas afinidades espirituais.
“Qualquer graça que se peça a São José será certamente concedida, quem queira crer faça o teste para que se convença”, dizia S. Teresa de Ávila. “Eu tomei como meu advogado e patrono o glorioso São José, e me recomendei a ele com fervor. Este meu pai e protector me ajudou nas necessidades em que me encontrava e em muitas outras mais graves nas quais estava em jogo minha honra e a saúde da minha alma. Vi que a sua ajuda foi sempre maior daquilo que poderia esperar...” (cap. VI da autobiografia).
Difícil duvidar disso, se pensarmos que, entre todos os santos, o humilde carpinteiro de Nazaré é aquele mais próximo de Jesus e de Maria: foi-o nesta Terra, e por maior razão o é no Céu. Porque ele foi o pai de Jesus, mesmo que adoptivo; e de Maria foi o esposo.
São mesmo inúmeras as graças que se obtêm de Deus, por intercessão de São José.
Padroeiro universal da Igreja por vontade de Papa Pio IX, é conhecido também como padroeiro dos trabalhadores (Pio XII) e também dos moribundos e das almas purgantes, mas o seu patrocínio estende-se a todas as necessidades, atende a todos os pedidos.
São José é o padroeiro dos Pais, Carpinteiros, Trabalhadores, Moribundos, Ecónomos, Procuradores legais e da Família, mas em primeiro lugar é o Padroeiro da Igreja. Sob a sua protecção foram colocadas Ordens e Congregações Religiosas, associações e pias uniões, sacerdotes e leigos, doutos e ignorantes.
in Pale Ideas
segunda-feira, 29 de abril de 2019
O Missal Romano, desde as suas origens até ao Summorum Pontificum
O Pe. Claude Barthe é um sacerdote diocesano francês, ordenado no final dos anos 70 em Écône por Mons. Lefebvre e, actualmente, capelão do "Coetus Internationalis Summorum Pontificum". Autor de numerosíssimos artigos e obras sobre liturgia (La messe une forêt de symboles, ed. Via Romana, 2011) e questões teológicas (Penser l'œcuménisme autrement, ed. Via Romana, 2014), acabou agora de lançar um compêndio tão exaustivo e minucioso quanto possível sobre a história do missal romano, tema relativamente ao qual, pelo menos na área de língua francesa, não havia qualquer estudo recente. Este livro, pela bibliografia actualizada e pelos documentos que apresenta, será muito útil para os seminaristas e estudiosos, mas também para o conjunto dos sacerdotes e fiéis que se propõem conhecer adequadamente a história da Santa Missa.
No centro deste trabalho do Pe. Barthe, está a obra litúrgica empreendida pelo concílio de Trento e pelos Papas que se lhe seguiram, enquanto esta obra constitui a canonização do culto romano tal como fora definitivamente estabilizado na Idade Média. O autor concentra a sua atenção sobre o período que se abre após esta canonização, cobrindo um panorama que vai de São Pio V a São João XXIII, isto é, quatro séculos de liturgia, que começam com a bula Quo primum, de 1570, e vão até à última edição típica do missal tridentino, de 1962.
Em primeiro lugar, o Pe. Barthe trata largamente a história da missa romana desde as suas origens, concentrando-se sobre as ligações entre o culto cristão e o culto da sinagoga, o seu "gémeo falso"; o nascimento do cânone romano; o enriquecimento franco-romano; e, em seguida, sobre a difusão do missal na Cúria romana segundo o uso que dele fizeram os Papas tanto em Avinhão como em São Lourenço in Palatio. Lembra, além disso, que o missal romano, tal como hoje o conhecemos e usamos, foi fixado no seu conjunto já no século XI.
Na parte final da obra, o Autor interessa-se pela espantosa (auto-)sobrevivência do missal tridentino após o concílio Vaticano II, até que, de novo, foi en fim plenamente reconhecido pela autoridade romana com o motu proprio Summorum Pontificum. Observa, por fim, que a história do missal tridentino está longe de se poder considerar concluída, uma vez que ele representa, hoje mais do que nunca, a garantia da transmissão da lex orandi em toda a sua riqueza e sem corrupção alguma. Neste sentido, este estudo revela-se também como uma espécie de história para o futuro.
Esta obra é intitulada "História do missal tridentino e das suas origens" (Histoire du missel tridentin et de ses origines - ed. Via Romana). Fiel ao seu título, este livro dedica-se ao estudo do tema que se propôs em três partes. Partindo do desenvolvimento, por vezes paralelo, da liturgia da Igreja e da sinagoga, a primeira parte, que compreende uma centena de páginas, examina a origem tanto do novo culto, consumação do antigo, como dos sacramentários, dos missais e do ordo, e ainda do venerável cânone romano em si mesmo, sem esquecer os abundantes comentários alegóricos que o Autor tanto aprecia: «Este comentário espiritual da liturgia tem o seu início no próprio Novo Testamento. Já o evocámos a propósito do livro do Apocalipse, que precisa que as sete lâmpadas são os sete espíritos de Deus, que as taças de ouro, repletas de perfumes, representam a oração dos santos, que o fino linho, de que está revestido o Esposo, significa a virtude pura dos santos» (p. 99).
Com dimensão semelhante, a segunda parte - ultrapassando, por vezes, o estrito quadro do missal, a fim de considerar as tendências musicais e arquitectónicas, o jejum eucarístico e o desaparecimento das Vésperas dominicais - traça em pormenor a história do missal desde aquele «herdado pela Cúria no século XI» até à edição típica publicada alguns meses antes da abertura do concílio Vaticano II. Acerca das últimas edições: «É surpreendente que tenham sobrevindo estas publicações, e em especial a do missal, na medida em que havia já uma comissão que preparava activamente o projecto de texto conciliar sobre a liturgia, anunciando uma reforma muito profunda. Pode ser que os dois prefeitos que se sucederam na Congregação dos Ritos e que procederam a estas publicações de 1960-1962 […] tenham querido deixar um marco limite como testemunha. Era aliás lógico que se reunisse todo o trabalho realizado pela Comissão de Pio XII, para assim se chegar a uma mais clara codificação» (p. 201).
A última parte do livro, muito mais breve (e que fornece talvez a chave de leitura para a imagem que adorna a capa: a celebração de uma missa solene entre as ruínas da catedral de Münster em 1946), trata do motu proprio Summorum Pontificum e da curiosa situação que estamos a viver, em que «esta legislação condiz muito mais com uma situação de facto, formalizando-a e racionalizando-a, mais do que disciplinando-a. Na verdade, o missal tridentino tal como nos é hoje restituído, porque o foi apesar de, e mesmo contra uma reforma litúrgica que estava destinada a substituí-lo, encontra-se por isso mesmo numa espécie de estado de autogestão». «Assim, realizar-se-ia agora, a favor da liturgia pré-conciliar, e de maneira algo cómica, a famosa "inversão da pirâmide hierárquica", tão cara, por exemplo, a Yves Congar» (p. 220).
Hoje, uma fatia crescente dos católicos, reconhecem que a liturgia, como a própria vida, é transmitida e recebida, e não inventada ex nihilo por cada geração. Donde muitas questões litúrgicas reclamarem não apenas repostas literais ou alegóricas, mas também respostas históricas, sobretudo quando se tem presente que uma resposta histórica não consiste em indicar somente o período ou o autor de uma certa inovação (seja ela retida pela posteridade ou não), mas também as circunstâncias que presidiram à respectiva introdução.
Este estudo histórico, escrito num estilo de fácil leitura e encorajando a uma reflexão quase alegórica sobre o seu tema, aparece apetrechado de amplas referências em nota de rodapé dando acompanhamento à meditação aí contida, o que bem testemunha não apenas o domínio do Autor sobre o tema, mas também o amor evidente que nutre pela Santa Missa.
in Paix Liturgique - Carta 76 em português
domingo, 28 de abril de 2019
Cardeal Mauro Piacenza sobre a Misericórdia
Entrevista com Cardeal Mauro Piacenza, penitenciário-mor do Tribunal da Penitenciária Apostólica
Conversão e confissão, justiça e pastoralidade, liberdade e verdade. Conceitos da Doutrina da Igreja, que correm o risco de permanecer abstractos se não forem aplicados à realidade concreta das pessoas, às suas feridas, aos seus pecados. A questão de todos os tempos: a Igreja deve adaptar-se às necessidades dos tempos? "Recasados" que procuram a absolvição no confessionário, "duas mães" que querem baptizar a filha... É preciso dar ouvidos à opinião pública? Ou continuar a missão de ser luz do mundo, proclamar a verdade, mesmo que, muitas vezes, “incomodando”? Aparentemente perguntas retóricas para um católico, ao mesmo tempo, o centro de muitas polémicas, às vezes, dentro da própria Igreja.
Uma análise lúcida sobre tudo isto é dada pelo cardeal Mauro Piacenza, penitenciário-mor da Santa Sé, "ministro da misericórdia" do Papa Francisco, que explica como a Igreja "administra" a misericórdia e como esta "lei suprema” governa, além da lei e da justiça "humana”.
Conversão e confissão, justiça e pastoralidade, liberdade e verdade. Conceitos da Doutrina da Igreja, que correm o risco de permanecer abstractos se não forem aplicados à realidade concreta das pessoas, às suas feridas, aos seus pecados. A questão de todos os tempos: a Igreja deve adaptar-se às necessidades dos tempos? "Recasados" que procuram a absolvição no confessionário, "duas mães" que querem baptizar a filha... É preciso dar ouvidos à opinião pública? Ou continuar a missão de ser luz do mundo, proclamar a verdade, mesmo que, muitas vezes, “incomodando”? Aparentemente perguntas retóricas para um católico, ao mesmo tempo, o centro de muitas polémicas, às vezes, dentro da própria Igreja.
Uma análise lúcida sobre tudo isto é dada pelo cardeal Mauro Piacenza, penitenciário-mor da Santa Sé, "ministro da misericórdia" do Papa Francisco, que explica como a Igreja "administra" a misericórdia e como esta "lei suprema” governa, além da lei e da justiça "humana”.
Qual o significado da devoção da Divina Lisericória e a razão desta forte expressão de fé?
Cardeal Piacenza: O impulso dado por João Paulo II e a origem sobrenatural da devoção. Provavelmente, essa acolhe e expressa a necessidade de confiar em Jesus, própria do coração humano. O mundo e os homens têm necessidade infinita da misericórdia, e o Sagrado Coração ferido e aberto é um ícone maravilhoso. Todos nós precisamos daquele abraço e ninguém que se abre a isso é excluído.
Sobre S. João Paulo II, como era o relacionamento dele com a Divina Misericórdia?
Cardeal Piacenza: Temos de reconhecer uma relação muito especial com Deus. O Santo Papa era um místico e qualquer um podia contemplar isso, era completamente imerso na oração, mesmo em momentos públicos. João Paulo II foi capaz de manter em equilíbrio a relação entre a Divina Misericórdia e a responsabilidade humana.
A Igreja nos últimos tempos, graças ao Papa Francisco, fala bastante de misericórdia. Mas, na realidade, governa por direito. Será uma contradição?
Cardeal Piacenza: Para aqueles não familiarizados com a lei ou que se detêm em ‘clichês’. Não é como no sistema civil, fundamentado numa suposta justiça humana, a complicação é desnecessária. O direito, no mistério da Igreja, é garantia de liberdade e moderação no exercício do poder que, devido aos limites e paixões humanas, corre o risco de corromper-se até a arbitrariedade. O Código diz: "A salvação das almas deve ser sempre a lei suprema na Igreja”. Mais misericórdia do que isso!
Mas como podem estar juntas a justiça e a misericórdia? O que significa então a pastoralidade?
Cardeal Piacenza: Não é cancelar o Evangelho, ou a Doutrina ou a Tradição da Igreja, autenticamente interpretada pelo Magistério. A pastoralidade é, sobretudo, não iludir os homens deixando-os na sua condição de pecado. Mas eu acho que é profundamente pastoral "descer" às feridas da vida de qualquer um, como fez o Senhor, levando a luz da verdade. A Igreja realmente tem certeza de que “a verdade nos liberta”. A Verdade é o único verdadeiro critério de autenticidade para a justiça, a misericórdia e a autentica pastoral. No fundo, todo mundo deseja a liberdade, mas, sem a verdade, não é mais do que a escravidão de sua arbitrariedade subjetiva, que não tem nada a ver com a consciência formada e informada mencionada no Magistério.
Os seus primeiros colaboradores são os penitenciários das basílicas romanas. Qual é a mensagem “confessional”?
Cardeal Piacenza: Roma é a cidade escolhida pela providência para ser a Sé de Pedro, chamado a confirmar os seus irmãos na fé. A fé autêntica sempre traz consigo o dom da consciência das suas próprias limitações e pecados. Por esta razão, Pedro exerce particularmente a sua misericórdia através das penitenciárias apostólicos das basílicas papais. É uma porta sempre aberta para receber de Deus o perdão e a paz, para realizar sacramentalmente o convite de Jesus à conversão. Nos reconcilia também com a Igreja reforçando a comunhão fraterna. O que acontece no silêncio dos confessionários também tem um aspecto social, benéfico para todo o corpo da Igreja.
O que é necessário para uma boa confissão?
Cardeal Piacenza: Um penitente convicto é um bom confessor! É necessário que o penitente, tendo feito o exame de consciência, seja realmente humilde para confessar todos os pecados graves cometidos desde a última confissão, olhando para si próprio na transparência de Cristo. A acusação deve ser acompanhada pela dor dos pecados e por uma resoluta vontade de não os cometer novamente, de se afastar do pecado. O sereno confronto com o confessor, médico e juiz, mestre e pai, irmão e amigo, será de fundamental importância para uma adequada iluminação da consciência pessoal, também através da penitência, que é expressão histórica visível da conversão e ligada ao dom da graça.
Se tivesse que confessar uma pessoa divorciada que mora com outra pessoa, daria a absolvição?
Cardeal Piacenza: Se quiser ouvir de maneira integral os ensinamentos de Jesus, se compreende que não há pecado que não possa ser revertido quando o pecador ouve a palavra de Jesus que diz: "nem eu te condeno, vai e não peques mais". O "não peques mais" está indissoluvelmente ligado à "nem eu te condeno". Clara é a palavra do Senhor e, consequentemente, claro é o Catecismo da Igreja. Para com essas pessoas, no entanto, reserva-se cuidadosa solicitude, ajudando-os a levar uma vida de fé, sustentada pela oração, animada pelas obras de caridade e empenho na educação cristã dos filhos.
Mas tudo pode mudar. Actualmente é impossível não levar em conta a opinião pública...
Cardeal Piacenza: Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. A opinião pública é outra coisa se comparada ao senso comum da fé. É facilmente condicionada através dos meis de comunicação social, pelo poder dominante, que, no século passado, se tornou uma ferramenta para impor uma ideologia. A Igreja, em dois mil anos, guiada pelo Espírito Santo, evitou sempre identificar-se ou submeter-se a qualquer ideologia ou poder. A Igreja obedece a Cristo e não ao homem, e não podia fazer outra coisa senão ser Lumen Gentium.
Soube do baptismo, na Argentina, de uma criança filha de "duas mães"?
Cardeal Piacenza: O baptismo jamais é negado a uma criança! Um bebé é sempre uma criatura de Deus, amado por Ele, e ainda é inocente. Quando eu era vigário paroquial, muitas vezes, recebi casais irregulares, que pediam o baptismo; eu simplesmente pedia-lhes a garantia de, pelo menos, uma abertura para a educação cristã dos filhos e também para escolher uma madrinha ou padrinho que cuidasse. É triste que se instrumentalize um Sacramento a tal ponto. Eu acho que devemos rezar muito pelo futuro da criança.
in Zenit
in Zenit
sábado, 27 de abril de 2019
A Santa Missa descrita por São Francisco de Assis
Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência do pão.
São Francisco de Assis in Escritos
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Noli me tangere

«Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.»
«Dicit ei Jesus noli me tangere nondum enim ascendi ad Patrem meum vade autem ad fratres meos et dic eis ascendo ad Patrem meum et Patrem vestrum et Deum meum et Deum vestrum.»
Jo 20, 17
Palavras de Jesus sobre o Casamento no Evangelho de São Marcos
Evangelho segundo S. Marcos 10, 1-12
Tradução Portuguesa: Difusora Bíblica
Latim: Nova Vulgata
quarta-feira, 24 de abril de 2019
Santo Sudário, o negativo resplandecente
Há 121 anos, o advogado Secondo Pia fotografou um extenso lençol, de 4,5 por 1,5 metros, guardado na catedral de Turim como uma relíquia. Ao cabo de atribuladas vicissitudes históricas, o lençol ficou na posse da Casa de Sabóia e, quando a capital desse ducado se transferiu para Turim, no século XVI, a peça foi também levada para lá.
Secondo Pia instalou a sua caixa fotográfica diante do lençol e focou as lentes. Trabalhando no escuro, colocou na caixa uma placa de vidro coberta com uma emulsão fotoquímica e, depois de tudo preparado, destapou as lentes. A luz reflectida pelo lençol irrompeu através do conjunto das lentes, focou-se na lâmina de vidro e queimou a emulsão. Ao fim do tempo de exposição adequado para a emulsão ficar queimada nas zonas de luz, a lâmina foi retirada, de novo às escuras, para ser lavada com produtos químicos e se tornar a partir daí insensível à luz.
Até há poucos anos, as fotografias faziam-se assim, em duas fases. Primeiro, a película fotográfica escurecia por efeito da luz e dava um «negativo», isto é, uma imagem com as cores invertidas: as partes luminosas escuras e as partes negras claras. Na segunda etapa, produzia-se o «negativo do negativo», recuperando a imagem que se pretendia captar. O resultado da dupla inversão era o «positivo» e a película usada na etapa intermédia era o «negativo».
Quando Secondo Pia observou o resultado da primeira etapa, descobriu, para sua surpresa, que já tinha diante de si a imagem natural, o «positivo»! Isso significava que a imagem do lençol era um «negativo».
Até à invenção da fotografia, ninguém tivera a ideia de pintar a luz ao contrário, tornando as imagens irreconhecíveis. A técnica fotográfica primitiva é que criou a essa etapa instrumental para se obter a imagem correcta. Como é que se formou, num lençol de linho com quase dois mil anos de história, guardado e disputado com tanto empenho ao longo dos séculos, uma imagem negativa que só a fotografia dos nossos dias consegue revelar?
A figura deste lençol é o cadáver de um homem forte, com 1,83 m de altura, coberto de feridas. A cabeça marcada por agulhas, os joelhos e o nariz ensanguentados, como quem sofreu uma queda violenta. Uma ferida enorme rasgada no peito, os pulsos e os pés trespassados por pregos, as costas flageladas por vergastadas e os ombros macerados, como quem transportou a trave pesada de uma cruz. Esta fotografia faz-nos recuar dois mil anos, ao momento em que José de Arimateia e outros pediram a Pilatos o Corpo morto de Jesus e, tendo-O despregado da Cruz, O envolveram num lençol de linho fino e depuseram num sepulcro novo, escavado na rocha. Os judeus montaram guarda mas, três dias depois, no Domingo, muito de madrugada, quando os primeiros chegaram ao sepulcro, o corpo já não estava.
A Ressurreição de Jesus revela-nos o que a sua Morte não nos permitia ainda ver. Como um negativo resplandecente, como o triunfo da verdade.
José Maria C.S. André in Correio dos Açores - 21-IV-2019
segunda-feira, 22 de abril de 2019
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Herói de Paris pertencia à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro
O capelão dos bombeiros de Paris, o Padre Jean-Marc Fournier, arriscou a vida ao entrar na Catedral de Notre-Dame, enquanto esta ardia, para salvar o Santíssimo Sacramento e a Coroa de Espinhos com a qual Nosso Senhor Jesus Cristo foi coroado, uma das relíquias mais importantes do Mundo.
O Padre Fournier é um ex-membro da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP). De 2000 a 2006 foi Assistente do Superior Geral da FSSP.
Em 2006, tornou-se capelão militar em Sissonne, França, trabalhando durante vários anos para a diocese militar francesa. Durante a sua primeira missão no Afeganistão a sua companhia foi emboscada e 10 militares foram mortos, mas o Padre Fournier escapou incólume.
Não é a primeira vez que o sacerdote demonstra a sua coragem na cidade de Paris. Em 2015, após o ataque terrorista contra o Bataclan no qual 89 pessoas foram mortas, ele correu para dentro da sala de espectáculos para dar uma absolvição geral, permitida pela Igreja em situações limite como essa.
adaptado de Gloria Tv
Não é Notre-Dame que arde, é a Igreja Católica
Diante do horror
de ver a Catedral de Notre-Dame ser devorada pelas chamas surge um sinal de
esperança: um grupo que diante da tragédia reza o terço cantado,
muitos deles de joelhos.
O incêndio que
destruiu parte da Catedral de Paris é uma imagem quase perfeita do estado da
Igreja em França e no Ocidente. No período pós-Concílio Vaticano II grande parte dos Bispos e sacerdotes traíram a sua missão. Deveriam
ter entregado o que tinham recebido: um tesouro inestimável; a maior
história de amor que o mundo alguma vez viu. Em vez disso fizeram da sua missão
destruir o que podiam e ocultar o resto desse tesouro.
Aos fiéis que
deles esperavam a verdade entregaram-lhes apenas meias-verdades, nada mais do
que um presente envenenado. Em lugar de ser a Igreja a mudar o mundo, um dos
três inimigos da nossa alma, passou a ser o mundo a mudar a Igreja, deformando-a.
Muitos dos fiéis deixaram de o ser, porque a salvação passou a ser tão fácil
como o pecado. Outros continuaram a ser “fiéis” mas de outra "fé"; não a que tinha sido
guardada religiosamente durante vinte séculos depois do próprio Jesus Cristo,
Deus feito homem, ter dito que sem aquela Fé ninguém se poderia salvar. E o
propósito da nossa existência é a salvação da nossa alma, é ficar para sempre
na presença de Deus, nosso Criador e Redentor. Nisso consiste a felicidade, e
não em algo que o mundo nos possa prometer.
Com as portas
escancaradas ao mundo, o Maio de 68 entrou e fez muitos estragos. A “homossexualidade”
e a libertinagem sexual começaram a fazer parte da vida de muitos que deveriam
viver como anjos. Não satisfeitos com a própria corrupção foram corromper os
mais fracos, os que não se podiam defender. O escândalo dos abusos sexuais nas
últimas décadas foi um dos maiores contra testemunhos que o Clero poderia dar.
Os rapazes adolescentes deveriam olhar para um sacerdote e ver um homem, um
exemplo a seguir, não um cobarde luxurioso pronto a aproveitar-se do seu corpo
para ter um prazer efémero que na eternidade se vai traduzir em sofrimentos inenarráveis.
Hoje em dia muitas
dioceses e muitas paróquias continuam a ser guiadas por pessoas com vergonha (e
até ódio) do passado da Igreja. Muitos deles falam da História como se a Igreja
tivesse começado verdadeiramente há 50 anos, e antes disso fosse apenas um bando
de malfeitores. Uns fazem-no por ignorância, outros por má-fé. Os pecados que
Deus nos disse que eram especialmente graves como a sodomia, o adultério e o
aborto são nas suas igrejas tolerados, quando não incentivados.
Mas a Igreja não
é deles, é de Jesus Cristo. E por isso vemos jovens como aqueles que ali
rezaram - cheios de fé, esperança e caridade - o rosário enquanto o mal parecia
vencer. Eles são a imagem dos jovens que muitos bispos e sacerdotes consideram tradicionalistas,
fundamentalistas, extremistas. Constroem muros para se afastarem deles,
enquanto se dedicam a construir pontes com os inimigos da Igreja, com os que a
querem destruir. A estes tudo é permitido, àqueles tudo é proibido. A estes
tudo é concedido, àqueles tudo é recusado. Fecham-lhes portas, declinam
recebê-los, traem a cultura de diálogo que propagam a plenos pulmões à frente
de qualquer microfone.
A Igreja está a
arder. Arde como ardeu ontem Notre-Dame. Somos muito menos do que éramos. Os
fiéis são muito mais ignorantes em relação à Fé. Há uma apostasia silenciosa. As
pessoas estão confusas. Já nada é certo, nada é garantido. Uma coisa é verdade
hoje mas amanhã pode ser mentira. Uma Igreja sem Fé não pode ter caridade,
ninguém pode amar o que não conhece.
Mas diante das
chamas que parecem tudo destruir eis que aparece um sinal de esperança, uma
nova geração que quer levar as coisas a sério. Esta geração quer aprender o que
a Igreja sempre disse para poder ensinar o mundo, para poder salvar o mundo, e
não perder-se no meio dele. Este “pequeno rebanho” estará disposto a dar a vida
para que a Igreja volte a ser o que sempre foi. Deus vult!
João Silveira
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