segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Em que consiste a virtude da Fortaleza?

Fortaleza é uma virtude pela qual a vontade é de tal modo robustecida que não desiste de fazer o bem, por muito árduo que ele seja, nem por causa das dificuldades, nem pelo perigo de morte. A virtude da fortaleza manifesta-se principalmente na constância em suportar o peso da dor. 

Muito contribuem para conservar a fortaleza, além da oração, a comparação da fragilidade dos bens terrenos com a grandeza dos bens eternos, a previsão dos males a que estamos sujeitos, o costume de agir decididamente nas coisas pequenas, o fervoroso amor de Deus. São virtudes inseparáveis da fortaleza: a magnanimidade, a paciência e a perseverança.

Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica (1945)


blogger

Dominicanos disponibilizam cursos gratuitos sobre ensinamentos de S. Tomás


Washington DC. É de esperar que o nome da capital norte-americana nos sugira todo o tipo de sentimentos, talvez até contraditórios entre si. Há décadas que nos habituámos a tê-la como indisputado centro do mundo porque os Estados Unidos têm sido a única verdadeira super-potência à escala global, aliando à sua supremacia militar, económica e tecnológica – hard power – a sua esmagadora influência cultural – o seu soft power.

Assim, Washington representa e sintetiza tudo o que de melhor e pior os EUA têm para oferecer ao mundo. Se o gender, o progressismo católico mais terminal e a cultura da morte lhe são tributários, a capital do Ocidente tem também sabido gerar – certamente sob o influxo do Espírito do Senhor que vem regenerar todas as coisas – uma contra-cultura que afinal não é mais do que tirar as coisas velhas sempre novas do tesouro da Tradição Católica e de que o Evangelho nos dá conta.

Nesta dinâmica cultural contra-corrente que visa reconstruir a Cidade de Deus acreditamos que se insere, com destaque, o Thomistic Institute da Pontifícia Faculdade da Imaculada Conceição (https://thomisticinstitute.org), regida pelos dominicanos fiéis à tradição tomista da Dominican House of Studies de Washington DC.
           
Este Instituto, que já tem marcado presença entre nós por meio de conferências de grande qualidade de alguns dos seus membros, oferece agora um extraordinário conjunto de conteúdos e cursos formativos gratuitos, disponíveis on-line, sobre o pensamento do Doutor Universal da Igreja. 

De entre os cursos disponíveis, de extensão variável a começar nos 6 vídeos, o Aquinas 101 (https://aquinas101.thomisticinstitute.org) consta de dois vídeos por semana enviados por e-mail, no total de 86 vídeos, e apresenta-se como uma introdução ao pensamento daquele que como nenhum outro sintetizou a verdade da Revelação nas Sagradas Escrituras e na Santa Tradição da Igreja com o produto filosófico mais nobre da razão humana.

Aos nossos amigos, aos curiosos, ao homens cultos e àqueles que procuram a Verdade de coração sincero, aos católicos que desejam aprofundar a tradição intelectual que foi o sustentáculo da Cristandade por tantos séculos, temos muito gosto de recomendar este curso com a chancela do Thomistic Institute de Washington DC.

E atrevemo-nos a dizer: aqui residirá o verdadeiro hard power capaz de transformar o mundo à imagem do seu Divino Criador.


blogger

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Superior dos Jesuítas suspeito de heresia?

A existência do diabo como uma realidade pessoal, e não meramente como um símbolo do mal, é um artigo de fé (Ott, Fundamentals 126-131; Catecismo da Igreja Católica 395, 2851). A negação de um artigo de fé é um elemento do crime canónico de heresia (1983 CIC 751), um acto punível por medidas até, e incluindo, a excomunhão, a demissão do estado clerical e/ou a perda de ofício eclesiástico (1983 CIC 1364, 194).

O Padre Arturo Sosa, sj, superior geral da Companhia de Jesus, nega a realidade pessoal do diabo, descreve-o como um símbolo do mal, e já expressou tais pontos de vista antes. Parece-me que aquelas afirmações justificam uma resposta, não apenas de bloggers e estudiosos, mas daqueles que têm autoridade sobre estes assuntos.

Há, concedo, alguns problemas práticos: o termo “heresia” tem sido usado de modo vago nas últimas décadas (talvez mesmo séculos), as sanções da excomunhão e da remoção do cargo são elas mesmas muito pesadas, e as os procedimentos latae sententiae (automáticos)  pelos quais tais consequências são supostamente aplicadas aos infractores são controversos na teoria e na prática, de tal forma que poucos na liderança eclesiástica (incluindo a maioria dos membros considerados conservadores) desejam “puxar o gatilho” em tais casos e, como resultado, afirmações como as do Padre tais Sosa provocam pouca, ou nenhuma, resposta dos líderes da Igreja, com danos inevitáveis ​​aos fiéis.

O que fazer?

O Código Pio-Beneditino, talvez atento ao dilema de que os cânones penais 'tudo ou nada' punham à autoridade, dispunha de uma disposição interessante que permitia aos Bispos e superiores agir em casos de heresia provável sem invocar os rigores totais de um processo de excomunhão: O cânone 2315 do Código de Direito Canónico de 1917 (ver abaixo) estabeleceu a categoria criminosa de “suspeita de heresia” que permitiu às autoridades da Igreja exigir esclarecimentos formais e/ou retracções, daqueles cujos pronunciamentos cheiravam a heresia, sem exigir imediatamente que se mudasse para um processo completo por heresia. 

Se essas solicitações formais de emenda não fossem atendidas, obviamente poderia ser instaurado um processo de heresia completa. Infelizmente, o cânone 2315 do Código de 1917 não sobreviveu ao Código de 1983. Pena, teria sido útil, penso eu, em casos como o do Padre Sosa.

Mesmo assim, a eliminação da “suspeita de heresia” como uma categoria penal não isenta os Bispos de hoje do seu dever de “a propor e a ilustrar as verdades da fé, que se devem crer e aplicar aos costumes” e “ preservar com firmeza e com os meios apropriados a integridade e a unidade da fé” (1983 CIC 386). De facto, os Bispos devem “vigiar por que não se introduzam abusos na disciplina eclesiástica, particularmente no concernente ao ministério da palavra” (1983 CIC 392). É comumente reconhecido que a frase “ministério da palavra” significa o ensino da Igreja, incluindo o seu ensino sobre a existência pessoal dos Anjos bons e maus. Uma resposta contraditória, directa e autoritária dos erros directos e pessoais do Padre Sosa é necessária, por parte dos principais responsáveis ​​pelo ministério da palavra nas suas jurisdições. Eles são dois:

O bispo da Diocese de Rimini (onde o Padre Sosa fez suas últimas observações) deveria agora ter “conhecimento, que pelo menos parece verdadeiro, de um delito” a saber, heresia, pelo que “deve inquirir pessoalmente ou outra pessoa adequada sobre os factos ”(1983 CIC 1412, 1717). A falha em actuar tendo tais informações disponíveis no fórum público constituiria, a meu ver, um abandono do dever governamental (ver 1983 CIC 392, 1389). 

Além disso, o Bispo da residência do Padre Sosa também é competente para investigar as declarações do jesuíta que negam a existência pessoal do diabo e, por falar nisso, sobre outros tópicos (1983 CIC 1408). Segundo o meu entendimento, o local de residência do Padre Sosa é Roma.
+ + +

1917 CIC 2315 - Um suspeito de heresia, que, tendo sido avisado, não remove a causa da suspeita, é proibido de actos legítimos, se ele é um clérigo; além disso, se o aviso foi repetido sem efeito, ele é suspenso das coisas divinas (a divinis); mas, se dentro de seis meses a partir da penalidade, o suspeito de heresia não se corrigir completamente, seja considerado herege e sujeito às penas dos hereges. 

Edward Peters in canonlawblog.wordpress.com


blogger

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Pai grava mensagem para a sua filha antes de morrer



blogger

O Matrimónio é bom, mas a vida religiosa é ainda melhor

Como o celibato e a virgindade se encontram constantemente sob ataque não apenas no mundo secular, mas até mesmo dentro da Igreja e da sua própria hierarquia, vale a pena renovar a nossa compreensão da imutável doutrina católica e nossa fidelidade à “fé que, uma vez para sempre, foi transmitida aos santos” (Jd 3).

Na Igreja antiga, Joviniano († ± 400 d.C.) era um herege que ensinava a igualdade entre o Matrimónio sacramental e o celibato pelo Reino de Deus. As suas visões foram severamente refutadas por São Jerónimo e Santo Agostinho, e a Igreja no seu Magistério tem constantemente ensinado o mesmo que eles: quem se casa em Cristo e traz filhos ao mundo faz bem, mas quem renuncia seja ao casamento, seja à própria família, para seguir a Cristo mais de perto, faz ainda melhor.

Não obstante, o jovinianismo tem marcado presença ao longo da história cristã. Os reformadores protestantes desafiaram a doutrina tradicional da Igreja, apesar de ela se basear nas próprias palavras de Cristo e de São Paulo (cf. Mt 19, 11s; 1Cor 7, 25s.38.40). Em tempos mais recentes, vemos entre os católicos uma espécie de jovinianismo prático, que eu descobri em praticamente todos os estudantes a quem lecionei.

Talvez por terem encontrado em suas vidas tão poucos religiosos e religiosas autênticos, eles tendem a pensar que seja errado colocar o estado religioso acima do estado matrimonial como meio para alcançar a perfeição na caridade e a contemplação. Por isso, a maior parte fica surpresa ao descobrir que está em conflito com o ensinamento unânime dos Santos Padres, dos Doutores, dos Papas e dos Concílios [1].

Um estudante expôs o caso da seguinte forma em um exame final: “Se sou uma pessoa casada e faço tudo, inclusive trocar fraldas, ir ao trabalho, amar minha esposa, construir uma casa e um jardim, tudo por amor a Deus, como dizer que eu não faço de mim mesmo e da minha vida um ‘holocausto’, uma oferta total, tão agradável a Deus quanto a oferta de um religioso que renuncia à sua família, às suas propriedades e à própria vontade? De facto, o religioso ainda tem roupas, uma cama, uma casa onde morar, provavelmente um monte de livros, preocupações financeiras na sua comunidade, coisas práticas de que cuidar, os seus irmãos como uma família, e na maior parte das vezes ele faz o que quer dia após dia, mesmo que as grandes decisões pertençam (em parte) a um superior. Então, em que a vida dele é assim tão diferente da minha?”

Soa plausível, não? Com um vago apelo ao “chamamento universal à santidade” e ao “primado da caridade”, alguém pode deduzir que todos os estados de vida cristãos são iguais. Curiosamente, São Tomás de Aquino também ensina que a santidade é para todos e que a caridade ocupa um lugar de honra na tarefa de se tornar santo, mas ele não chega, nem de longe, à mesma conclusão igualitarista.

O estudante declara que “o Matrimónio também é um holocausto total”. Eu pergunto: em que sentido? O homem ou a mulher casado está realmente renunciando a cônjuge, filhos, campos ou à própria vontade? Em certo sentido sim — mas, em um sentido decisivo, não. Quando Jesus disse aos seus discípulos que eles, que deixaram tudo para O seguir, receberiam o cêntuplo, Ele não estava falava metaforicamente, mas em sentido literal. Tampouco dizia que aqueles que renunciaram a essas coisas “de frente” estavam autorizados a reintroduzi-las depois, pela porta dos fundos. A bem-aventurança do cêntuplo cabe tão-somente àqueles que permaneceram pobres, castos e obedientes, e só na medida em que eles verdadeiramente o foram.

A fim de entender melhor o ensinamento de Nosso Senhor, levemos em consideração que os conselhos evangélicos de pobreza, castidade (no sentido de continência perpétua) e obediência são meios de atingir a meta da perfeição na caridade, que é a santidade.

Os conselhos afastam aqueles bens materiais e temporais que tendem a distrair ou enfraquecer o nosso foco em Deus, ou que nos fazem confiar nessas coisas mais do que n'Ele. Diferentemente dos Mandamentos, os conselhos não nos separam de coisas más que são incompatíveis com o amor de Deus. Ao contrário, separam-nos de coisas que são em si mesmas boas, muito boas até, mas que não são o bem maior, e que podem impedir, portanto, um foco directo nos bens mais elevados, bem como no Doador de todos os bens, que é o próprio Deus.

A razão por que é útil nos separarmos das coisas boas para nos focarmos em bens mais elevados e na Fonte de todos eles é que todos nós somos seres finitos com capacidades finitas de atenção e de amor. Portanto, ao remover a nossa atenção e nosso amor dos bens mundanos e temporais, os conselhos evangélicos ajudam a concentrá-los mais inteiramente nos bens espirituais e eternos, no que é divino. São Tomás explica-o muito bem da seguinte forma:

É manifesto que o coração humano é atraído a uma coisa tanto mais intensamente quanto mais se afasta de muitas. Assim, a mente do homem é atraída ao amor de Deus tanto mais perfeitamente quanto mais diminui nele o afecto pelas coisas temporais. […] Todos os conselhos evangélicos, portanto, pelos quais somos convidados à perfeição, têm como propósito que a mente do homem seja desviada do afecto pelas coisas temporais, a fim de que, deste modo, a sua mente seja atraída mais livremente a Deus, contemplando-O, amando-O e cumprindo a Sua vontade. [2]

«No clima presente, é importante enfatizar que os conselhos não são propostos como bons porque as coisas que se renunciam ao segui-los sejam más, mas porque existe um caminho melhor para crescer no amor do que pelo uso dessas coisas. A renúncia ao Matrimónio permite que uma pessoa cresça mais no amor de Deus e ao próximo simplesmente porque a dedicação directa do nosso coração e mente a Deus é um meio melhor para crescer no amor do que o Matrimónio, seja considerado em si mesmo, seja como um sacramento.» [3]. 

O Papa João Paulo II ensinou isso com muita clareza:

«A referência à união nupcial de Cristo e da Igreja confere ao casamento a sua máxima dignidade: em particular, o sacramento do Matrimónio faz os esposos entrarem no mistério da união de Cristo e da Igreja. Mas a profissão da virgindade ou do celibato faz os consagrados participarem no mistério dessas núpcias de uma maneira mais directa.

Enquanto o amor conjugal se dirige ao Cristo Esposo mediante uma união humana, o amor virginal vai directamente à pessoa de Cristo através de uma união imediata com Ele, sem intermediários: um esponsório espiritual verdadeiramente completo e decisivo. Assim, nas pessoas daqueles que professam e vivem a castidade consagrada, a Igreja exprime no mais alto grau a sua união de Esposa com Cristo Esposo.» [4]

Implicado nessas palavras está, no entanto, um alerta salutar. Uma pessoa que renuncia ao casamento — um monge ou religiosa, um padre, um bispo — não será melhor por isso se não usar a liberdade do seu coração para se dedicar mais completamente a Deus e ao serviço da Igreja. De facto, ele será pior, visto que lhe faltará o grande bem do Matrimónio assim como o bem superior da virgindade ou do celibato “por causa do Reino” — justamente a orientação que torna essa escolha um bem tão elevado.

Além disso, a intensidade e a firmeza no propósito de perseguir a meta da santidade, seja qual for o meio que se escolha para tanto, são muito mais importantes que os meios enquanto tais. Para ser mais concreto, é melhor procurar a santidade no Matrimónio de todo o coração, do que procurá-la na vida religiosa com o coração dividido ao meio.

Nosso Senhor providenciou para nós dois nobres caminhos, um bom e um melhor, para entrarmos no mistério da sua união nupcial indissolúvel com a Igreja: através de uma imagem sacramental dessa união, no Matrimónio, e através de uma participação mística nessa mesma união, na vida consagrada.

Peter Kwasniewski in Life Site News
Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere


Referências

1. Cf. Concílio de Trento, 24.ª Sessão, Doutrina e cânones sobre o sacramento do Matrimónio, 11 Nov. 1563, cân. 10 (DH 1810): “Se alguém disser que o estado conjugal deve ser preferido ao estado de virgindade ou celibato, e que não é melhor e mais valioso permanecer na virgindade ou celibato do que unir-se em matrimónio: seja anátema”.
2. São Tomás de Aquino, Liber de perfectione spiritualis vitae, c. 6.
3. Cf. Papa Pio XII, Carta Encíclica Sacra Virginitas, 25 de Março de 1954, nn. 37-39 (DH 3911-3912).
4. Papa João Paulo II, Audiência Geral, 23 de Novembro de 1994, n. 4.

Recomendações

1. Pe. Antonio Royo Marín, La vida religiosa, 2.ª ed., Madrid: BAC, 1968.
2. São Tomás de Aquino, Do em que principalmente consiste o estado de religião. Em: Suma Teológica, II-II, q. 186.


blogger

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Quais são os deveres dos políticos?

Chamamos-lhes (os soberanos) felizes:

— se governarem com justiça;
— se, no meio das palavras dos que os põem nas alturas e das homenagens dos que os saúdam com demasiada humildade, eles se não orgulharem, mas se lembrarem de que são homens;
— se submeterem o seu poder à majestade de Deus a fim de dilatarem ao máximo o seu culto;
— se temerem a Deus, O amarem e O adorarem;
— se mais amarem esse reino onde não temerão terem rivais;

— se forem lentos a punir e prontos a perdoar;
— se exercerem a sua vindicta pela obrigação de governarem e de protegerem a República, e não para cevarem os seus ódios contra os inimigos;
— se concederem o perdão, não para deixarem o crime impune, mas na esperança de uma emenda;
— se, muitas vezes constrangidos a tomarem medidas severas, as compensarem com a brandura da misericórdia e a largueza dos benefícios;

— se neles a luxúria for tanto mais castigada quanto mais livre possa ela ser;
— se preferirem dominar as suas paixões depravadas, a dominar quaisquer povos;
— se tudo isto fizerem, não pelo ardente desejo de vanglória mas por amor à felicidade eterna;
— se não forem negligentes em oferecer pelos seus pecados, ao seu verdadeiro Deus, um sacrifício de humildade, de propiciação e de oração.

Tais imperadores cristãos dizemos nós que são felizes, por ora, na esperança, e depois, na realidade, quando chegar o reino que aguardamos. 

Santo Agostinho in 'A Cidade de Deus', livro V, capítulo XXIV


blogger

"Deus das surpresas"




blogger

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

5º Encontro "Summorum Pontificum" em Roma e Peregrinação ao túmulo de São Pedro

Como tem acontecido todos os anos, terá lugar em Roma, no último fim de semana de Outubro, a peregrinação “Summorum Pontificum”. Também este ano, ela será precedida pelo “Encontro Summorum Pontificum”, que terá lugar – o que já se vem tornando tradicional – no “Augustinianum”, bem perto da Praça de São Pedro. Pedimos a Christian Marquant que nos falasse de todos estes eventos.

Paix Liturgique – Antes de mais, poderia falar-nos do 5º “Encontro Summorum Pontificum”, que terá lugar a 25 de Outubro?

Christian Marquant – Como o nome indica, este Encontro é, em primeiro lugar, uma ocasião de encontro para os fiéis e religiosos do povo “Summorum Pontificum”, que, aproveitando que estão em Roma todos juntos para esta peregrinação do povo “Summorum Pontificum”, com católicos ligados à missa tradicional vindos de todo o mundo, procuram aqui confrontar as próprias experiências e as dificuldades encontradas.

Paix Liturgique – No entanto, o programa dos colóquios parece ser tão preenchido, que os participantes terão talvez pouco tempo para poderem trocar ideias entre eles com tranquilidade…

Christian Marquant – É precisamente por isso que não organizamos um colóquio, mas antes um encontro! E, baseados na experiência dos anos passados, quisemos deixar o maior tempo possível aos participantes para que seja mais fácil terem espaço para essa troca de ideias. É por isso que o dia será intercalado por pausas que permitirão a todos encontrarem-se na área do “buffet”, para aí se poderem encontrar e trocar ideias entre si.

Paix Liturgique – Um « buffet »?

Christian Marquant – Isso mesmo; tivemos a ideia de montar uma espécie de buffet permanente, aberto durante ao longo de todo o dia, como sucedeu com os dois famosos bares do Concílio, lugares adaptados para facilitar a troca de ideias. Por exemplo, os participantes serão acolhidos a partir das 9 horas com um pequeno-almoço, e as conferências apenas terão início às 10 horas. Depois, entre cada intervenção, este buffet ficará aberto durante meia hora, e claro, durante todo o tempo do almoço…

Paix Liturgique – E no meio de tudo isso, ainda haverá tempo para se poder trabalhar?

Christian Marquant – Claro que sim! Se é verdade que as trocas de ideias entre os participantes nos parecem ser uma coisa essencial, é também verdade que este encontro é uma ocasião para se poder estar com personalidades militantes que vivem e trabalham segundo o espírito “Summorum Pontificum”. Por isso mesmo, convidamos este ano quatro personalidades de primeiro plano, que todavia não são ainda bem conhecidas de todos os nossos amigos.

Paix Liturgique – Ou seja?

Christian Marquant – Desde logo, Natalia Sanmartin, de quem alguns terão lido o romance “O despertar da Menina Prim”, uma espécie de conto iniciático que narra a evolução da autora, desde a sua vida moderna ordinária até chegar ao mundo tradicional que defendemos. O seu testemunho promete ser um momento alto do encontro.

Podemos ainda falar do Father Z, que anima um dos mais célebres e activos blogs católicos e tradicionais nos Estados Unidos.

E também João Silveira, criador e principal animador do blog lusófono “Senza Pagare”, ao qual já dedicámos uma carta da PL. O que não havíamos revelado é que João se tornou agora o principal animador das viagens missionárias – e faço questão deste título das viagens – que temos organizado para todas as regiões do planeta a fim de fazer com que aí se descubra a liturgia tradicional. A sua experiência tornou-se preciosíssima para todos quantos, cada um no seu âmbito, tentam levar a cabo uma acção com o mesmo objectivo.

E, por fim, Nicola Bux, um promotor infatigável do usus antiquor, em especial nas regiões meridionais da Itália, mas também em toda a Itália.

Paix Liturgique – Pelo que vejo, o que propõe não é um colóquio para especialistas, mas antes um encontro”sobre o terreno”?...

Christian Marquant – De facto, há já eventos de qualidade organizados por estudiosos e colóquios sábios, como é o caso da “Sacra Liturgia”. Aliás, nem nos coibimos de vir a organizar reuniões desse género, como foi outrora o caso das promovidas pelo CIEL. Já pelo contrário, o que há pouco ou não há de todo são lugares onde as testemunhas do povo “Summorum Pontificum” possam apresentar o próprio trabalho, as suas experiências e projectos, encontros para ajudar de maneira concreta os defensores da liturgia tradicional que se encontram nas respectivas paróquias e dioceses e aí se vêem a braços com as duras realidades do imobilismo de clérigos por demais numerosos e mesmo, bem o podemos dizer, do seu “negocianismo” no que toca à sorte da missa tradicional.

Paix Liturgique – Mas isso implica um orçamento considerável?...

Christian Marquant – É um facto, e isso permite aos doadores da Paix Liturgique verem o que concretamente fazemos com os seus dons. E permite também esclarecer aos que hoje ainda não são doadores, para que se apercebam de que se queremos fazer avançar o estado de coisas actual no sentido da Paz – isto é, o ameno exercício da liturgia tradicional – é mister que possamos ter à disposição um certo número de meios. Neste domínio, como noutros, e como se diz hoje em dia, a comunicação é fundamental.

Paix Liturgique – É necessário inscrever-se para participar nestes Encontros?

Christian Marquant – Sim, porque isso ajuda-nos a poder organizar as jornadas. Assim, podendo inscrever-se antecipadamente, isso facilita-nos o trabalho, mas os participantes que apreçam à última hora também serão muito bem-vindos!

Todos os leitores se podem inscrever clicando neste link.

Paix Liturgique – A inscrição faz-se contra pagamento?

Christian Marquant – Como não queremos que os nossos amigos que amiúde vêm de longe deixem de participar por razões económicas, decidimos que a participação no nosso encontro fosse gratuita, como o é a relativa à peregrinação que se lhe seguirá, para a qual nem se requer qualquer inscrição. Apenas pediremos a quantos puderem que contribuam com a módica quantia de 10 € para ajudar a pagar as despesas com o buffet e aos mais generosos que façam o que puderem para nos ajudar a organizar estes encontros.

Paix Liturgique – Um último ponto: em que língua se farão as intervenções?

Christian Marquant – Na própria língua, e cada um dos assistentes ouvi-las-á na sua própria língua, à maneira do Pentecostes, por assim dizer! Mas, neste caso, sem qualquer milagre: está previsto um serviço de tradução simultânea que a cada um permitirá seguir as intervenções na própria língua!

Paix Liturgique – Pedia-lhe agora que nos falasse um pouco sobre a peregrinação…

Christian Marquant – A Peregrinação do povo “Summorum Pontificum” faz-se desde 2012, isto é, desde há sete anos. Ainda era Papa Bento XVI, e a peregrinação tinha também uma intenção de acção de graças. Estamos agora na 8ª edição. Uma peregrinação é antes de mais um acto de piedade: os representantes do Povo “Summorum Pontificum” vêm rezar pelo desenvolvimento da liturgia com que a Igreja viveu por tantíssimo tempo, e que se quis fazer desaparecer. Tratou-se desde o início de tentar mostrar ao Santo Padre e aos homens da Cúria que estamos presentes em Itália, na Europa e em todo o mundo. Diante do sucesso da primeira peregrinação, claro está que decidimos continuar até chegarmos a este ano em que a procissão rumo a São Pedro terá lugar pela oitava vez no sábado dia 26 de Outubro.

Paix Liturgique – Trata-se de uma grande procissão?

Christian Marquant – Comparada com a de Chartres, é uma peregrinação modesta – mas também não se pretende reproduzir em Itália esse tipo de organização – e não junta mais do que alguns milhares de pessoas. Todavia, tem uma extrema importância pelo facto de reunir católicos ligados à forma extraordinária  vindos do mundo inteiro, que, com a sua presença, atestam a dimensão universal da liturgia tradicional.

Paix Liturgique – Os participantes franceses são numerosos?

Christian Marquant – Não são os mais numerosos. O que me permite contar-lhe um episódio significativo. Há dois, no final da procissão, Mons. Guido Pozzo, que era então secretário da Comissão “Ecclesia Dei” e que presidira esse ano à procissão, virou-se para mim e disse: «Acho que não há muitos franceses.» Respondi que não eram, de facto, maioritários, mas que isso mostrava que a ligação à liturgia tradicional não é meramente uma coisa franco-francesa, e que, à volta dele, havia peregrinos vindos de todo o mundo, e que entre eles, muitos não tinham sequer aquele “look tradi”, de que ás vezes nos sorrimos. Este ano, a presença de Mons. Rey, que presidirá à peregrinação, deverá atrair mais franceses.

Paix Liturgique – Quais são as actividades envolvidas na peregrinação?

Christian Marquant – O coração da peregrinação é o sábado, com uma adoração eucarística, às 10h00, na igreja de San Lorenzo in Damaso, Piazza della Cancelleria, 1, seguida da procissão pelas ruas de Roma, presidida este ano por Mons. Dominique Ry, bispo de Fréjus-Toulon, terminando enfim com uma missa pontifical na Basílica de São Pedro às 12h00, no altar da Cátedra, celebrada também por Mons. Rey.

Além disso, há ainda missas e exercícios ao longo da sexta-feira anterior e, a seguir, no domingo, como veremos no programa.

No entanto, desde há muito que as associações membros ou próximas da peregrinação propõem outras actividades em ligação com as actividades principais. Por exemplo, em 2016, o Instituo do Bom Pastor aproveitou esta ocasião para festejar os seus dez anos. Em 2017 (por ocasião dos dez anos do motu proprio), o Padre Nuara juntou a sua contribuição organizando na véspera da procissão um elevado colóquio “Summorum Pontificum”, junto com a sua associação “Giovani e Tradizione”. Nesse mesmo ano, o Instituto de Cristo-Rei Sumo Sacerdote organizou a celebração de uma missa solene na igreja de Santa Maria sopra Minerva. 

A associação “Una Voce” também organiza regularmente a sua assembleia geral bienal por esta altura. E nós, como dissemos agora, pela quinta vez organizamos – e vamos aperfeiçoando – o Encontro Summorum Pontificum. Tudo para dizer que a modesta peregrinação “Summorum Pontificum” se vai tornando o ponto de encontro, muito aberto e muito livre, sem qualquer intenção de as confederar, de numerosas entidades componentes do mundo tradicional de todo o mundo.

Paix Liturgique – E, neste quadro, qual é o papel da Paix Liturgique?

Christian Marquant – Enquanto membro do “Cœtus Internationalis Summorum Pontificum”, tentamos participar o melhor que podemos no bom desenvolvimento desta peregrinação, a qual – e insisto nisto – está aberta a todos com grande liberdade: pode-se tomar parte nela, na totalidade ou em parte, sem qualquer inscrição, individualmente ou como parte de uma associação, comunidade ou paróquia a que pertençamos. Além disso, organizamos nós na sexta-feira o Encontro que antes apresentei, e, por fim, desde há vários anos que organizamos no Palácio Cesi, a dois passos de São Pedro, um buffet para o clero à saída da missa de sábado.

Paix Liturgique – Poderia explicar melhor?

Christian Marquant – Trata-se, ao mesmo tempo, de um momento para relaxar um pouco oferecido ao clero, após a procissão e a cerimónia pontificar dessa manhã, mas também um momento para uma troca de ideias entre sacerdotes e prelados vindos de todo o mundo. A propósito, para isto é necessário inscrever-se, a fim de se saber com quantas pessoas se conta e poder providenciar: os sacerdotes que assim desejem participar deverão inscrever-se neste link.

Paix Liturgique – Necessita de ajuda para a animação de todas estas actividades?

Christian Marquant – Certamente que sim! Os voluntários são muito bem-vindos e ficamos-lhes muitíssimo gratos pela ajuda que possam prestar-nos. Poderão fazer-nos saber da sua disponibilidade escrevendo para contact@paix-liturgique.org

5º Encontro “Summorum Pontificum”

Sexta-feira, 25 de Outubro, às 10h00, na aula magna do “Augustinianum”, Via Paolo VI, 25,  com Natalia Sanmartin Fenollera (Espanha), Padre John Zuhlsdorf (EUA), Pe. Nicola Bux (Itália), Ruben Peretó Rivas (Argentina) e João Silveira (Portugal).

Inscrição gratuita: clique aqui

Programa  8ª Peregrinação “Summorum Pontificum”

Sexta-feira, 25 de Outubro

Missa solene, às 17h 15, a cargo dos cónegos premonstratenses de Godollo (Hungria) e cantada pela schola da igreja de São Miguel de Budapeste (Juventutem), na igreja de Santa Maria ad Martyres do Panthéon, Piazza della Rotonda.

Sábado, 26 de Outubro 

Adoração eucarística (e confissões), às 10h00, na igreja de San Lorenzo in Damaso, Piazza della Cancelleria, 1.
Procissão, presidida por Mons. Dominique Rey, bispo de Fréjus-Toulon.
Missa pontifical na Basílica de São Pedro, às 12h00, celebrada por Mons. Rey, no altar da cátedra.

Domingo, 27 de Outubro

Missa pontifical de Cristo-Rei, às 11h00, na igreja da Trinità dei Pellegrini, Piazza della Trinità dei Pellegrini, 1, celebrada por Mons. Dominique Rey.
Missa de Cristo-Rei, às 9h30, na igreja de Gesù e Maria, Via del Corso, 45 – presença de peregrinos na Praça de São Pedro, às 12h00.

Pode-se participar da totalidade ou de parte da peregrinação. Não é necessária qualquer inscrição.



blogger

domingo, 1 de setembro de 2019

A Ordem Beneditina



blogger

Bispo mexicano relembra que os fiéis não podem receber a Comunhão na mão

Mons. Gustavo Rodríguez Vega, Bispo da diocese de Yucatán (México), veio publicamente explicar que no México nunca foi pedido o indulto para que a Sagrada Comunhão possa ser recebida na mão; e portanto deve ser obrigatoriamente recebida na boca. Eis o comunicado do Prelado mexicano:

«A Santa Sé a partir de 1969, embora mantenha em vigor para toda a Igreja a maneira tradicional de distribuir a Comunhão, concorda que as Conferências Episcopais que o solicitam e, em certas condições, possam distribuir a Comunhão colocando a Hóstia na mão dos fiéis. Essa faculdade é regulamentada pelas Instruções Memoriale Domini (29 de Maio de 1968) e Immensae caritatis (29 de Janeiro de 1973), bem como pelo Ritual de Santa Comunhão e Culto Eucarístico Fora da Missa (21 de Junho de 1973), que diz: 

"Ao distribuir a Sagrada Comunhão, mantenha-se o costume de depositar a partícula do Pão consagrado na língua dos que recebem a Comunhão, que se baseia no modo tradicional de muitos séculos" (n. 21).

A Conferência Episcopal Mexicana, até o momento, NÃO SOLICITOU e, portanto, NÃO OBTEVE da Santa Sé tal faculdade, o que significa que a regra de distribuir (unicamente) a Comunhão na boca a quem se aproxima para comungar continua em vigor.»


blogger

sábado, 31 de agosto de 2019

Concílio Vaticano II: Os dogmas que não proclamou e erros que não condenou

Os Bispos italianos, que eram os mais numerosos, queriam que o Concílio proclamasse o dogma da «Mediação Universal da Bem-Aventurada Virgem Maria»; o segundo dogma cuja definição pediam era o da Realeza de Cristo, para ser contraposto ao laicismo dominante. 

Muitos pediam ainda ao Concílio a condenação de erros doutrinais: 

91 queriam ver reiterada a condenação do comunismo; 
57 exprimiam-se contra o existencialismo ateu; 
47 contra o relativismo moral; 
31 contra o materialismo;
24 contra o modernismo. 

«Nos milhares de cartas chegadas a Roma e enviadas de todo o mundo, o comunismo era referido como o erro mais grave que o Concilio deveria condenar. Eram 286 os bispos que a ele se referiam. Para além das numerosas referências ao socialismo, ao materialismo e ao ateísmo», refere Giovanni Turbanti. 

No Relatório sintetico, que enuncia os votos dos Bispos por nações, elaborado pela Secretaria-Geral das Comissões Preparatórias, o comunismo também figura como o primeiro erro que o Concilio deveria condenar.

Roberto de Mattei in 'Concílio Vaticano II - Uma história nunca escrita'


blogger

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Divórcio e quantidade de "parceiros" sexuais

Este estudo conduzido pela National Survey of Family Growth, nos Estados Unidos, demonstra a unidade da família após os primeiros cinco anos de casamento - dado o número de "parceiros" sexuais dos cônjuges que tiveram durante a sua vida. 

Usando números arredondados: 95% dos que são monogâmicos, que tiveram apenas um parceiro sexual na vida - ou seja, apenas o cônjuge - estão juntos após os primeiros cinco anos de casamento. Mas quando a mulher teve um "parceiro" sexual extra que não o marido (quase sempre antes do casamento) a percentagem cai para 62% e com dois "parceiros" cai quase para 50%. Para os homens, são necessárias cinco "parceiras" sexuais para atingir o mesmo nível de separação.

Este estudo demonstra o que ensina a doutrina católica: a virtude da castidade prepara as pessoas para o casamento e ajuda a que as pessoas se mantenham juntas depois de casarem, formando famílias unidas e estáveis.


blogger

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Martírio de São João Baptista

Caravaggio (1607)
São João Baptista foi decapitado por defender a indissolubilidade do matrimónio, que é de direito divino, revelado por Deus aos homens. Esta doutrina perene e imutável foi sendo combatida na sociedade ocidental e hoje existe quem combata contra ela dentro da própria Igreja. Mas Deus não Se engana nem nos engana. João não pode ter morrido em vão.


blogger

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Será possível amar os inimigos?

Ao amares o teu inimigo, desejas que ele seja para ti um irmão. Não amas o que ele é, mas aquilo em que queres que ele se torne. Imaginemos um pedaço de madeira de carvalho em bruto. Um artesão hábil vê essa madeira, cortada na floresta; a madeira agrada-lhe; não sei o que quer fazer dela, mas não é para a deixar como está que o artista gosta dela. A sua arte faz com que pense em que é que se pode transformar essa madeira; o seu amor não é dirigido à madeira em bruto: ele ama o que fará com ela e não a madeira em bruto. 


Foi assim que Deus nos amou quando éramos pecadores. Na verdade, Ele disse: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes». Ter-nos-á Ele amado pecadores para que permaneçamos pecadores? O Artesão viu-nos como um pedaço de madeira em bruto, vindo da floresta; porém, o que Ele tinha em vista era a obra que nela faria e não a madeira em si, nem a floresta. 

Contigo passa-se a mesma coisa: vês o teu inimigo opor-se a ti, encher-te de palavras mordazes, tornar-se rude nas afrontas que te faz, perseguir-te com o seu ódio. Mas tu sabes que ele é um homem. Vês tudo o que esse homem fez contra ti, mas também vês nele aquilo que foi feito por Deus. Aquilo que ele é, enquanto homem, é obra de Deus; o ódio que te tem é obra dele. 


E que dizes tu para contigo? «Senhor sê benevolente para com ele, perdoa-lhe os pecados, inspira-lhe o teu temor, converte-o.» Não amas nesse homem aquilo que ele é, mas aquilo que queres que ele venha a ser. Assim, quando amas um inimigo, amas nele um irmão.


Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja in 'Comentário sobre a primeira carta de João' (§ 8,10)


blogger

3 tiradas de bom humor do Papa Bento XIV (Prospero Lambertini)

1. Ao superior dos jesuítas: "É de fé que terei um sucessor, sobre vocês isso não foi dito."

2. Falando sobre a graça de ser o Vigário de Cristo: "Apesar de ter toda a verdade no meu peito, devo confessar que não encontro a chave." 

3. No seu leito de morte: "Padeci sob Pôncio" (era o nome do médico que o assistia)


blogger

terça-feira, 27 de agosto de 2019

A Inquisição exterminou 30 milhões de pessoas?

É comum vermos na literatura secular, em filmes e documentários, e pior ainda, nas escolas do ensino fundamental e médio e até em faculdades e universidades, a afirmação de que a Igreja “torturou e matou milhares”. Alguns dizem milhões de pessoas aniquiladas pela Inquisição. Há também diversos ambientes académicos em que é visível tal interpretação; são muitos autores e professores universitários a partilhar dessas objecções.

É inegável a actuação da Inquisição, assim como os julgamentos, qualquer contraposição é uma aberração, um erro grotesco de história. A crítica veiculada neste texto é dirigida aos números de mortes e incidentes referentes aos cerca de 386 anos de actuação deste tribunal eclesiástico.

Muitos podem até dizer que os números não importam, que o que importa é que ela “matou e torturou”. Mas a questão é que nesta situação os números representam o maior pretexto e fonte de contradições sobre esta temática, pois tendem a alimentar e propagar a ideia de uma tragédia histórica, sem controle, um crime, um perverso e criminoso acto, perpetrado pela Igreja contra a humanidade. Não levando em conta os factores, o contexto e as posições religiosas da época seria correcto colaborar com estas argumentações e afirmações? Teria sido uma ferramenta de perseguição e extermínio de quem ousava pensar diferente? Ou trata-se de posições subjectivas oriundas do homem contemporâneo?



Vale a pena salientar que estas sociedades estavam claramente ligadas ao bem e ‘alegria social’ (Pernoud, 1997) e à religião “em função da fé cristã” (Daniel Rops, Vol. III. p. 43). Tinham como ferramentas de prevenção a condenação de grupo ou do individuo, para evitar a contaminação de confusões e divisões que ruíam ‘todo o sistema e ordem social da época’ (Gonzaga, 1994) além de evitar a propagação de heresias e divisões entre os fieis na Cristandade. Sendo assim, os códigos penais abraçavam e previam comumente a tortura e a morte do réu. E o povo entendia que estes eram os princípios jurídicos e inquisidores (cf. Mt 18,6-7) que evitavam a expansão de cismas e heresias.

Mas seriam verdadeiros estes dados sobre a Inquisição? Ou é maquinação vinda dos inimigos da religião que tiram proveito não só da Inquisição ou das Cruzadas, centrando-se também nos erros e falhas morais de alguns filhos da Igreja e fazer disso um “cavalo de batalha na sua guerra contra a religião e para perpetuamente as lançar à cara da Igreja” como disse o historiador W. Devivier, S.J. Um facto é que "é da natureza da Igreja provocar ira e ataque do mundo" segundo Hilaire Belloc.

A principal finalidade do artigo não é amenizar os efeitos da Instituição ou fazê-la mais branda, mas trazer à tona os factos e verdadeiros números da referida instituição, cujos estudiosos sérios testemunham para que possamos construir uma justa interpretação do tema, sem nos veicularmos a nenhuma propaganda anti-católica.

Vamos tomar como referência as Actas do grande Simpósio Internacional sobre a Inquisição, em que participaram 30 grandes historiadores vindos de diversas confissões religiosas, para tratar historicamente da Inquisição, proposta motivada pela Igreja. O Papa João Paulo II afirmou certa vez: “Na opinião do público, a imagem da Inquisição representa praticamente o símbolo do escândalo”. E perguntou “Até que ponto essa imagem é fiel à realidade?”

O encontro realizou-se entre os dias 29 e 31 de Outubro de 1998. Com total abertura dos arquivos da Congregação do Santo Oficio e da Congregação do Índice. As Actas deste Simpósio, foram anos depois reunidas e apresentadas ao público, sob forma de livro contendo 783 paginas, intitulado originalmente de “L’Inquisione” pelo historiador Agostinho Borromeo, professor da Universidade de La Sapienza de Roma.

As actas documentais do Simpósio já foram utilizadas em várias obras de historiadores, e continuam a ser pois tais documentos resultaram duma profunda pesquisa sobre os dados de processos inquisitórias. As afirmações seguintes foram feitas pelo historiador Agostinho Borromeo.

Sobre a “famigerada e terrível” Inquisição Espanhola

“A Inquisição na Espanha emitiu, entre 1540 e 1700, 44.674 juízos. Os acusados condenados à morte foram apenas 1,8% (804) e, destes, 1,7% (13) foram condenados em “contumácia”, ou seja, pessoas de paradeiro desconhecido ou mortos que em seu lugar se queimavam ou enforcavam bonecos.”

Sobre as famosas “caças as bruxas”

“Dos 125.000 processos da sua história [tribunais eclesiásticos], a Inquisição espanhola condenou à morte 59 “bruxas”. Em Itália, 36 e em Portugal 4.”

E a propaganda de que “foram milhões”

Constatou-se que os tribunais religiosos eram mais brandos do que os tribunais civis, tiveram poucas participações nestes casos, o que não aconteceu com os tribunais civis que mataram milhares de pessoas.

Sentenças de uma famoso inquisidor

“Em 930 sentenças que o Inquisidor Bernardo Guy pronunciou em 15 anos, houve 139 absolvições, 132 penitências canónicas, 152 obrigações de peregrinações, 307 prisões e 42 “entregas ao braço secular” ([citado em] AQUINO, Felipe. Para entender a Inquisição. 1 ed. Cleofas. Lorena. 2009, p. 23).

O Simpósio conclui que as penas de morte e os processos em que se usava a tortura, representam números pouco expressivos, ao contrario do se imaginava e foi propagado. Os dados são uma verdadeira demolição e extirpação de muitas ideias falsas e fantasiosas sobre a Inquisição.

“Hoje em dia, os historiadores já não utilizam o tema da Inquisição como instrumento para defender ou atacar a Igreja. Diferentemente do que antes sucedia, o debate encaminhou-se para o ambiente histórico com estatísticas sérias.” (Historiador Agostinho Borromeo, presidente do Instituto Italiano de Estudos Ibéricos: AS, 1998).

É bom que tudo isto tenha mudado a forma de olhar para a Inquisição  é sinal de esperança. Tomara que haja uma nova reconstrução “hermenêutica”, é um necessidade histórica. Que com uma justa crítica acurada, se superem as ambiguidades historiográficas.

É pena que as correntes históricas se pendurem aos teóricos antigos. Os "conceituados” continuam a ser as referencias “fidelíssimas” na prática pedagógica e histórica; seja superior (académica) ou média e fundamental (ensinos públicos), continua a ritualista tradição a-histórica, não transparente sobre os acontecimentos e de tom alienado, incluindo dentre destes, muitos estudiosos, professores, e jornalistas. “Há milhões de pessoas que odeiam o que erradamente supõem que seja a Igreja Católica.” (John Fulton Sheen, Bispo americano).

Referências:

AQUINO, Felipe. Para entender a Inquisição. 1º ed. Cleofas. Lorena. 2009.

DEVEVIER, W. A Historia da Inquisição, curso de apologética cristã. Melhoramentos, São Paulo, 1925.

L’INQUISIONI. Atas do Simpósio sobre a Inquisição, 1998.

PERNOUD, Régine. A Idade Média: Que não nos ensinaram. Ed. Agir, SP, 1964.

ROPS. Henri-Daniel. A Igreja das Catedrais e das Cruzadas. Vol. III. Ed. Quadrante, São Paulo. 1993.

adaptado de veritatis.com.br


blogger