quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Cardeal Newman fala sobre o aparente triunfo dos inimigos da Igreja

Outrora, era uma fonte de perplexidade para quem crê, como lemos nos salmos e nos profetas, ver que os maus tinham êxito onde os servos de Deus pareciam fracassar. E o mesmo se passa ao tempo do Evangelho. E no entanto a Igreja possui este privilégio especial, que mais nenhuma outra religião tem, de saber que, tendo sido fundada aquando da primeira vinda de Cristo, não desaparecerá antes do Seu regresso.

Contudo, em cada geração, parece que sucumbe e que os seus inimigos triunfam. O combate entre a Igreja e o mundo tem isto de particular: parece sempre que o mundo a vence, mas é Ela que de facto ganha. Os seus inimigos triunfam constantemente, dizendo-a vencida; os seus membros perdem frequentemente a esperança. Mas a Igreja permanece. […] Os reinos fundam-se e desmoronam; as nações espraiam-se e desaparecem; as dinastias começam e terminam; os príncipes nascem e morrem; as coligações, os partidos, as ligas, os ofícios, as corporações, as instituições, as filosofias, as seitas e as heresias fazem-se e desfazem-se. Elas têm o seu tempo, mas a Igreja é eterna. E contudo, no seu tempo, elas parecerem ter uma grande importância. […]

Neste momento, muitas coisas põem a nossa fé à prova. Não vemos o futuro; não vemos que o que parece agora ter êxito não durará muito tempo. Hoje, vemos filosofias, seitas e clãs alastrarem, florescentes. A Igreja parece pobre e impotente. […] Peçamos a Deus que nos instrua: temos necessidade de ser ensinados por Ele, estamos cegos. Quando as palavras de Cristo puseram os apóstolos à prova, eles pediram-Lhe: «Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5). 

Procuremo-Lo com sinceridade: nós não nos conhecemos; temos necessidade da Sua graça. Qualquer que seja a perplexidade a que o mundo nos induza […], procuremo-Lo com um espírito puro e sincero. Peçamos humildemente que nos mostre o que não compreendemos, que suavize o nosso coração quando ele se obstina, que nos dê a graça de O amarmos e de Lhe obedecermos fielmente na nossa procura.

Cardeal John Henry Newman in 'Sermões sobre os temas do dia', nº 6, «Fé e Experiência», 2.4


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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Uma coisa tão pequena como perdoar - Santa Teresa de Ávila

Vede aqui como os santos se alegravam com as injúrias e perseguições, porque assim tinham alguma coisa a apresentar ao Senhor quando Lhe pediam. Que fará uma tão pobre como eu, que tão pouco tenha tido a perdoar, e tanto que se lhe perdoe? 

Coisa é esta, irmãs, para olharmos muito a ela: uma coisa tão grave e de tanta importância como é o perdoar-nos Nosso Senhor as nossas culpas com coisa tão pequena, como é o nós perdoarmos. E ainda destas pequenezes tenho tão pouco a oferecer, que a troco de nada me haveis de perdoar, Senhor! Aqui tem lugar a vossa misericórdia. Bendito sejais Vós, por me sofrerdes, a mim, tão pobre!

in «Caminho de Perfeição», cap. 36, 1-6 


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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Sínodo da Amazónia vs São Francisco Xavier

A propósito do Sínodo da Amazónia, a Rádio Renascença entrevistou o Padre Joaquim Fonseca, que "passou mais de 40 anos em missão em várias regiões do Brasil, incluindo a Amazónia". Transcrevo aqui uma parte da entrevista:


«Sem padres suficientes para chegar a todo o lado, a Igreja tem de contar mais com a ajuda dos leigos, defende o padre Joaquim. Se há comunidades indígenas onde a figura mais importante é a mulher “isso deve ser tido em conta”. 

Quanto à possibilidade de ordenação de homens casados, que vai ser discutida no sínodo, prefere falar na criação de novos ministérios. “Para fazer uma evangelização nova é necessário encontrar também novos ministérios, novos serviços na Igreja, provavelmente até uma nova maneira de ser sacerdote nessas comunidades. 

E se a Amazónia é uma realidade muito diferente da Europa, ou até de São Paulo ou do Rio de Janeiro, isso significa que o padre, os ministros da Palavra, os ministros das comunidades, também têm de ser diferentes”.»

Depois de 50 anos de Missas mal celebradas, abusos litúrgicos, leigos a fazerem o papel de padres e padres a fazerem o papel de leigos; 50 anos a dizer que isto de ser padre ou ser leigo é tudo a mesma coisa, da debandada de milhares e milhares de sacerdotes e seminaristas, do encerramento de seminários; 50 anos a dizer que não é preciso evangelizar porque Deus é amor e vão todos para o Céu, quer queiram quer não; 50 anos depois de tudo isto, e muito mais, aparecem as queixas que não há padres nem missionários suficientes. E a solução seria criar "novos ministérios" e uma "nova maneira de ser sacerdote".

Não foi essa a abordagem dos grandes missionários. Missionários como São Francisco Xavier, que não precisou de deixar de ser sacerdote como sempre tinha sido nem teve de inventar "ministérios" para evangelizar populações inteiras. Esta passagem da carta que São Francisco escreveu a Santo Inácio no dia 15 de Janeiro de 1544 mostra bem a diferença entre as duas abordagens:

«É tão grande a multidão dos que se convertem à fé de Cristo, nesta terra onde ando, que, muitas vezes, me acontece sentir cansados os braços de baptizar; e não poder falar, de tantas vezes dizer o Credo e os Mandamentos, na sua língua, deles, e as outras orações, com uma exortação que sei na sua língua, na qual lhes declaro o que quer dizer cristão, e que coisa é paraíso, e que coisa inferno, dizendo-lhes quais são os que vão a um e quais a outro. 

Mais que todas as outras orações, digo-lhes muitas vezes o Credo e os Mandamentos. Há dia em que baptizo toda uma povoação e, nesta Costa onde ando, há trinta povoações de cristãos.»


João Silveira


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domingo, 13 de outubro de 2019

"Estar por dentro da História é deixar de ser Protestante" - Cardeal Newman

O Cardeal John Henry Newman foi um teólogo notável que se converteu do Anglicanismo ao Catolicismo em 1845. Foi nomeado Cardeal pelo Papa Leão XIII em 1879. Foi beatificado pelo Papa Bento XVI no dia 19 de Setembro de 2010. Foi canonizado pelo Papa Francisco no dia 13 de Outubro de 2019.


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Testemunho do Milagre Sol e o primeiro automóvel em Fátima

O Engenheiro Mário Godinho, natural de Pé de Cão, no concelho de Torres Novas escreveu um texto sobre as Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, onde esteve em 1917. Mário Godinho levou até Fátima o primeiro automóvel quando ali se dirigiu para assistir às Aparições.

A nossa residência fica a 30 quilómetros da Cova da Iria. Em fins de Maio de 1917, chegou-nos a notícia de que, perto de Fátima, a Virgem Santíssima haveria aparecido no dia 13 desse mês a três pequenos pastores. Dei à notícia o valor de boato popular, sem forma ou consistência, baseada em crendices do burgo, sem foros de verdade. Estava-se no período da 1ª Grande Guerra Mundial, em que os espíritos viviam acabrunhados pelos temores de tão temerosa catástrofe. 

Meu irmão era médico e estava em França, na guerra, incorporado do C.E.P., e eu era oficial miliciano e esperava a mobilização que me enviasse para a guerra também. Minha mãe, fervorosa devota do culto da Virgem Santíssima, ao chegar-lhe a notícia das Aparições na Cova da Iria, não duvidou em acreditar firmemente no facto. Aguardou-se a confirmação do fenómeno; porém minha mãe manifestou o desejo de ir à Cova da Iria presenciar o caso e pediu-me para a conduzir ali, de automóvel. Para isto vim de Lisboa onde me encontrava a fazer o serviço militar. 

Possuíamos então um automóvel «Peugeot» de matrícula S - 2015 e nele fomos à Cova da Iria, no dia 13 de Julho de 1917, por uma estrada má e esburacada, até um local isolado, pleno de cercas muradas com pedra solta, em paisagem triste e erma. ponteada de azinheiras sombrias, com aspecto sedento. Em dada altura vimos, num pequeno vale, uma dezena de pessoas, oriundas certamente de aldeias vizinhas: era ali o falado lugar. 

Lá estavam os três pastores, com velas acesas. Depois das infalíveis perguntas, soubemos que a Virgem havia aparecido sobre uma pequena azinheira, de aspecto arbustivo (na região também se lhe chama carrasqueira). Minha mãe, na sua fé resoluta e robusta, colheu dessa carrasqueira uma haste com algumas folhas (verificado o milagre e aceite pela Igreja, anos depois tive o prazer de enviar a Sua Santidade o Papa Pio XII três destas folhas, por mão de Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca que com Sua Santidade se ia encontrar).

Nesse dia 13 de Julho, interrogámos os Videntes, para o que os trouxemos de automóvel para a Fátima. Aí lhes fiz talvez a primeira fotografia da sua vida. Infelizmente, agora que escrevo esta notícia em 1961, perdi de todo o negativo dessa fotografia e possuo apenas uma má reprodução de ensaio de laboratório e que acompanha este relato. Não refiro aqui o que apurámos nos interrogatórios, o que os Videntes repetiram depois centenas de vezes, a tantas pessoas que lhes pediram esse relato e que é do conhecimento geral. 

Mais tarde a Lúcia chegou a estar em minha casa, onde de novo a interrogámos, pois tinha vindo com um rancho de pessoal para apanhar azeitona nesta minha povoação. Eu porém, sem motivos fortes que me fizessem acreditar na veracidade das Aparições, continuava indiferente ao que não tinha como sobrenatural.

Voltámos à Cova da Iria no dia 13 de Outubro desse mesmo ano de 1917. Nesse dia eu ia muito aborrecido, pois estava na convicção de que íamos contribuir para uma farsa censurável, com as centenas de pessoas que então já ali se encontravam, arrastadas pela força que por vezes domina e sugestiona multidões e é contagiosa. Porém, no momento em que era anunciada a Aparição, e que me encontrava dentro do carro, fui chamado por minha irmã e tendo saído olhei para o sol. 

Então quase que fiquei extasiado com o prodígio de que não podia duvidar: num céu radioso, o sol podia ser encarado de frente e de olhos bem abertos, sem pestanejarmos, como se olhássemos para um disco de vidro despolido, iluminado por detrás, irisado na sua periferia, tendo como que um movimento de rotação e que se aproximava de nós, e tudo à volta ficava irreal, como se a Terra houvesse sido divinizada. 

E o Sol não tinha o fulgor que nos fere a vista em dias normais, pois era um disco majestoso, magnético, que nos atraía e revoluteava no céu imenso, a afirmar-nos que o seu brilho desaparecia em homenagem a maior brilho, que nessa hora iluminava a Terra e que provinha da Virgem Maria. Não posso afirmar quanto tempo durou o fenómeno, mas pelo que me ficou da recordação vivida há 44 anos, julgo que tenha durado cerca de 10 minutos.

Impressionados, voltámos para casa. acreditando, enfim, que qualquer coisa de divino se passara. Porém essa certeza firmou-se definitivamente ao notarmos que minha mãe havia sido miraculada, como passo a relatar:

Havia largos anos, minha mãe sofria de um tumor no saco lacrimal do olho esquerdo, que tinha o volume de um tremoço. Durante anos foi tratada pelos médicos; mas periodicamente avolumava o mal, e no dia 13 de Outubro lá ia bem patente. Porém ao regressar, e já em casa, notou que o tumor havia desaparecido por completo, não voltando mais a aparecer, nem a sentir o mais ligeiro incómodo durante os 35 anos que ainda viveu.

Passaram-se os anos e o cinema começou a lançar filmes sobre a Fátima, em que também apareceu o falado automóvel, o primeiro que ali havia ido. Felizmente os realizadores nunca tiveram a possibilidade de saber ou descobrir qual o carro e seu condutor. Como eu não desejava o incómodo nem os inconvenientes da publicidade, conservei-me sempre quieto e calado, no meu anonimato; e se faço agora esta revelação, de ter sido eu com o meu «Peugeot» S - 2015, é porque já não corro esse perigo imenso da aborrecida publicidade, tanto mais que os meus quase 70 anos me protegem desses incómodos.

Guardo ainda avaramente uma folha da azinheira verdadeira, sobre a qual assentaram os benditos Pés da Santíssima Virgem. Estou viúvo, desconsolado na ausência temporária de minha saudosa Esposa, e vivo da sua memória, implorando as graças que a Santíssima Virgem tem lançado sobre mim, esperando que Ela um dia me estenda Suas benditas Mãos para a Eterna glória.

25 de Novembro, 1961

Este artigo foi publicado em Fevereiro de 1962 na revista "Stella"


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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Nike vende ténis com "água benta"

A Nike resolveu comercializar os, chamados, "Sapatos de Jesus". Trata-se de uns ténis com um pequeno crucifixo, com uma pinta encarnada na pala (simbolizando o sangue derramado), com uma bolsa na sola que contem "água benta" e com a inscrição Mt 14, 25, que corresponde à passagem do evangelho de São Mateus na qual Jesus caminha sobre as águas.

A edição dos sapatos foi limitada e esgotou em poucos minutos. Cada exemplar custava cerca de 3000€.

Os ténis levantaram bastante polémica. A maior questão prende-se com o uso da água, que a marca diz que é proveniente do Rio Jordão e terá sido depois abençoada por um sacerdote. Se for verdade, e a água for mesmo benzida, essa bênção desaparece assim que é vendida.

Isto porque o valor dos ténis foi inflacionado pelos adereços que lhe foram acrescentados, incluindo o facto da água estar benzida. Isto corresponde ao pecado de simonia- venda de bens sacros - e faz com que o objecto em questão perca a bênção; neste caso a água deixa de estar abençoada.

Quem comprou aqueles sapatos realmente anda sobre a água. Mas não sobre água benta.

João Silveira


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Ave, o Theotokos!

Hoje a Igreja celebra o primeiro dogma mariano: a Divina Maternidade de Maria. Primeiro, como razão de todos os outros. "Bem-aventurado é o ventre da Virgem Maria que carregou o filho do Eterno Pai."

O dogma que declara verdade de fé que Maria é Mãe de Deus foi proclamado pelo Concílio de Éfeso, no ano 431.

A controvérsia era chefiada, de um lado, pelo Patriarca de Constantinopla, Nestório, bispo famoso como orador sacro, como líder e organizador, como conhecedor das Escrituras; por outro lado, o Patriarca de Alexandria, Cirilo, também exímio pregador, teólogo refinado, excelente bispo. Ambos tinham seguidores: bispos, padres e leigos.

Nestório ensinava que Maria era só mãe do Cristo-homem, porque lhe parecia absurdo uma criatura ser mãe do Criador. Cirilo contestava com veemência, afirmando que não podia haver dois Cristos, um homem e outro Deus. E havendo um Cristo só, embora com duas naturezas inseparáveis, Maria era Mãe do Cristo-homem e Mãe do Cristo-Deus, portanto a sua maternidade era tão divina quanto humana, ela era verdadeiramente Theotokos, Mãe de Deus. O Concílio deu razão a Cirilo e declarou herética a posição de Nestório.

Nossa Senhora recebeu todas as graças extraordinárias, o que fez dela única e a mais bela criatura do universo e da economia da salvação. O ponto de partida dessas graças, no entanto, é o facto dela ser mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, a Mãe de Deus.

Reza a oração colecta deste dia: "Deus, que fostes satisfeito que à mensagem do Anjo o Vosso Verbo se fizesse carne no ventre da Beata Virgem Maria, concedei aos Vossos suplicantes, que acreditando que ela seja a verdadeira Mãe de Deus, possamos ser assistidos pelas suas intercessões junto de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo..."

Esta maternidade faz de Maria Mãe de todo o homem, pois todo o homem é filho de Deus.

São Boaventura, em louvor da Virgem compôs este hino à sua Maternidade Divina: "Os coros dos anjos, com vozes incessantes, te proclamam: santa, santa, santa, ó Maria, Mãe de Deus, mãe e virgem ao mesmo tempo! Os céus e a terra estão cheios da majestade vitoriosa do Fruto do teu ventre! O glorioso coro dos apóstolos te aclama Mãe do Criador! Celebram-te todos os profetas, porque deste à luz o próprio Deus! A imensa assembléia dos santos mártires te glorifica como Mãe do Cristo. A multidão triunfante dos confessores prostra-se diante de ti, porque és o Templo da Trindade!"

Maria concebeu Jesus no seu coração antes de O carregar abaixo do coração. Os Seus corações sincronizaram-se nesta concepção e desde então só deixaram de o estar quando Cristo morreu. Sincronizemos os nossos corações com o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.

Maria, Mater Dei, ora pro nobis!

PF


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Membros do Sínodo da Amazónia foram "libertados" das batinas

O Cardeal Lorenzo Baldisseri anunciou, na aula sinodal, que os membros poderiam deixar de usar batina e começar a usar clergyman. O Secretário Geral do Sínodo da Amazónia começou por avisar que seria uma notícia que deixaria os Bispos e sacerdotes "contentes". Mas avisou para que não se apressassem a enviar as batinas de regresso aos seus países, porque ainda serão necessárias no dia 27, dia do encerramento do Sínodo.



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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A Igreja acreditava no modelo heliocêntrico? Com provas, sim.

Quando se fala do caso Galileu muitos acham que a Igreja Católica defendia que a Terra estava no centro do universo. No entanto, como em toda a sua história, a Igreja não toma posições científicas - quando quer falar recorre ao saber científico da altura.

Eram os próprios astrónomos do século XVII que defendiam um modelo astronómico com a Terra no centro do Sistema Solar e não o Sol. Galileu não estava a falar contra a Igreja, estava a falar contra todos os cientistas.

Isto fica muito claro numa famosa passagem de S. Roberto Bellarmino, o Cardeal Inquisidor que teve várias conversas pessoais e amigáveis com Galileu.

"Se houver alguma prova efectiva de que o Sol se encontra no centro do universo, de que a Terra se encontra no terceiro céu e de que o Sol não gira à volta da Terra, mas a Terra à volta do Sol, teremos de proceder com grande circunspecção na explicação das passagens da Escritura que parecem ensinar o contrário, preferindo admitir que as não compreendemos do que declarar que é falsa uma opinião que se tenha demonstrado ser verdadeira. Por mim, contudo, não acreditarei que tais provas existem enquanto não mas mostrarem."

Carta de S. Roberto Bellarmino a Paolo Foscarini (1615)

O Cardeal Jesuíta S. Roberto Bellarmino foi canonizado e declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI em 1930.


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Libertar-se da Sensualidade

"Que felicidade o homem poder libertar-se da sensualidade! Isto não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então verá claramente como era miserável a escravidão em que se estava."

São João da Cruz


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terça-feira, 8 de outubro de 2019

30 novos Seminaristas em Wigraztbad, incluindo 4 portugueses

Neste ano entraram 30 seminaristas para o Seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro em Wigratzbad (Alemanha): 17 para a parte francesa e 13 para a parte alemã do seminário. 

Entre os 17 que ingressaram na secção francesa estão 4 portugueses: Rodrigo, Duarte, Miguel e João. Estes juntaram-se a outros 5 portugueses que entraram no seminário nos últimos anos. 

Rezemos por estes seminaristas, especialmente pelos portugueses.


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sábado, 5 de outubro de 2019

Não há Paixão sem Pureza




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A Irmã Lúcia pedia que se rezasse esta oração sem cessar

ORAÇÃO POR PORTUGAL

Majestade Divina, Senhor da vida e da morte, dos que Vos amam e dos que Vos perseguem!

Por intercessão da Santíssima Virgem de Fátima, Rainha da Paz e nossa Mãe, Vos pedimos que não deixeis a nossa Pátria onde Maria ergueu o Seu trono, venha a ser dominada e destruída por obra dos Vossos inimigos.

Enviai os Vossos Santos Anjos a todos os locais da nossa terra e permiti que eles possam desenvolver as suas potências em todos os seus recantos, para que o inimigo não venha a triunfar na nossa Pátria.

Nós queremos formar um exército de almas que rezam para que Vós, Deus Uno e Trino, estendais a Vossa Mão poderosa sobre este povo que é de Maria Vossa Mãe.

Permiti, ó Deus, que as nuvens tempestuosas que pairam sobre a humanidade e tendem a espalhar-se e a submergir a nossa Pátria, sejam afastadas. Só Vós podeis salvar-nos!

Pela Vossa graça e especial protecção da nossa Padroeira Maria Imaculada e do Anjo Custódio de Portugal, permiti, ó Deus, que a nossa terra nunca seja aniquilada pelo inimigo.

Deus Santo, Deus Forte, Deus Todo-Poderoso, Deus Imortal, em união com todos os Santos Anjos, pedimo-Vos auxílio e Benção para a nossa Pátria, por Jesus Cristo Nosso Senhor. Ámen.


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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

São Francisco de Assis gritava pelas ruas: "O Amor não é amado"

O camponês perguntou: Que aconteceu, irmão, por que choras? O Irmão (S. Francisco) respondeu: Meu irmão, o meu Senhor está na Cruz e perguntas por que choro? Quisera eu ser neste momento o maior oceano da terra, para ter tudo isso de lágrimas. Quisera que se abrissem ao mesmo tempo todas as comportas do mundo e se soltassem as cataratas e os dilúvios para me emprestarem mais lágrimas. 

Mas ainda que juntemos todos os rios e mares, não haverá lágrimas suficientes para chorar a dor e o amor do meu Senhor crucificado. Quisera ter as asas invencíveis de uma águia para atravessar as cordilheiras e gritar sobre as cidades: o Amor não é amado! O Amor não é amado! Como é que os homens se podem amar uns aos outros se não amam o Amor?

Inácio Larrañaga in Irmão de Assis (Biografia de S. Francisco de Assis)


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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

4 teses do Sínodo da Amazónia que não são Católicas


Numerosos Bispos e Sacerdotes escreveram um curto documento resumindo as mais graves preocupações em relação ao Sínodo da Amazónia que tem lugar durante este mês no Vaticano.

Ao Santo Padre e aos Padres Sinodais

Nós, numerosíssimos prelados, sacerdotes e fiéis católicos de todo o mundo, vimos fazer presente que o Instrumentum laboris preparado para a próxima assembleia do Sínodo levanta interrogações sérias e suscita graves reservas, pela contradição tanto com pontos individuais da doutrina católica, ensinada desde sempre pela Igreja, como com a fé no Senhor Jesus, único Salvador de todos os homens. Extraímos do documento, seguindo o método clássico, quatro proposições em forma de "teses", usando as proprias ideias fundamentais do documento. Em consciência e com toda a sinceridade, o ensinamento por elas transmitido é inaceitável.

1 – A diversidade da região amazónica, sobretudo aquela religiosa, evoca um novo Pentecostes (IL 30): respeitá-la é reconhecer que há outros caminhos de salvação, sem os reservar exclusivamente à própria fé. Aliás, há grupos cristãos não católicos que ensinam outras maneiras de ser Igreja, sem censuras, sem dogmatismos, sem disciplinas rituais, e a Igreja católica deveria integrar alguns destas formas eclesiais (IL 138). Reservar a salvação exclusivamente ao próprio credo é destrutivo para esse mesmo credo (IL 39).

Esta última afirmação contida no n. 39 é particularmente escandalosa.

Contra, entre outros: Dominus Jesus 14 e 16.

2 – Um ensino da teologia pan-amazónica que tenha especialmente em conta os mitos, ritos e celebrações das culturas originais, é necessário para todas as instituições educativas (IL 98 c 3). Os ritos e as celebrações não cristãs são propostos como «essenciais para a saúde integral» (IL n. 87), e pede-se que «adaptem o ritual eucarístico às suas culturas» (IL n. 126, d). Sobre os ritos, ainda: IL nn. 87, 126.

Contra: Dominus Iesus 21.

3 – Entre os lugares teológicos (isto é, fontes da teologia, como a Sagrada Escritura, os Concílios, os Padres), encontramos o território [da Amazónia] e o grito dos seus povos (IL, nn. 18, 19, 94, 98 c 3, 98. d 2, 144).

Contra, entre outros: Dei Verbum 4, 7, 10.

4 – Sugere-se que se confira a ordenação a pessoas idosas com família e que se confira «ministérios oficiais» a mulheres. Propõe-se assim uma nova visão do sacramento da Ordem que não provém da Revelação, mas dos usos culturais dos povos amazónicos (que prevêem uma rotação na autoridade). Dever-se-ia então proceder a uma separação entre o sacerdócio e o munus regendi (IL 129 a 2, 129 a 3, 129 c 2).

Esta separação entre sacerdócio e munus regendi mina as bases eucarísticas do ministério da autoridade na Igreja.

Contra: Lumen gentium 21; Presbyterorum Ordinis 13.
Contra também: Sacerdotalis cælibatus, na totalidade e, em especial, 21 e 26; Odinatio sacerdotalis 1, 3 e 4; Pastores dabo vobis 26 e 29.

Grupo de trabalho Coetus Internationalis Patrum


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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Durante a Missa Deus desce dos Céus

A Santa Missa não é um "serviço religioso" nem uma aula de Bíblia, é o Céu na Terra: é onde Deus vem ter connosco.


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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Católicos pedem aos Anjos que expulsem os Demónios do Sínodo da Amazónia

Flanqueada por estandartes dos quatro evangelistas, e reunida sob o patrocínio da Bem-aventurada Virgem Maria, uma coligação internacional de 200 leigos católicos reuniu-se em silêncio, perto da Praça de São Pedro, para orar "como um exército unido contra os inimigos de Deus e da Igreja".

Aos pés do Castel Sant'Angelo, na véspera da festa litúrgica de São Miguel Arcanjo, a coligação internacional de leigos lançou um “apelo aos anjos contra os maus espíritos”, antes do Sínodo Amazónico, que terá lugar no Vaticano entre 6 e 27 de Outubro.

Outro acto de guerra espiritual estava ocorrendo em Roma, simultaneamente à Acies Ordinata. Às 15h30, os Padres rezavam em particular a Oração do Exorcismo do Papa Leão XIII (a oração mais longa a São Miguel) numa igreja perto do Castel Sant'Angelo, com a intenção de expulsar a “influência diabólica do Vaticano, especialmente em vista do Sínodo da Amazónia."


Acies Ordinata


A coligação internacional chama-se Acies Ordinata. Seu nome, que a tradição católica reserva para Maria Santíssima, que reúne um exército de fiéis para derrotar os seus inimigos - ordenada terribilis ut castrorum acies - é retirada do cântico do Antigo Testamento, o Cântico dos Cânticos (6, 3 ; 6, 10) 

A coligação, organizada pela Fundação Lepanto, com sede em Roma, foi composta por alguns dos movimentos católicos mais influentes e incluía homens e mulheres, jovens e idosos, silenciosamente posicionados na Praça João XXIII, ordenados em fileiras de 20 x 10.

Durante uma hora, ficaram em silêncio, recitando o Rosário e lendo textos clássicos da tradição católica, como os Evangelhos, o Catecismo e os escritos dos santos. Na conclusão do evento Acies Ordinata, os participantes cantaram o Credo.

O evento foi realizado uma semana antes da abertura do Sínodo da Amazónia. Os documentos preparatórios para o Sínodo suscitaram controvérsia e críticas de Cardeais e Bispos da Igreja Católica. O Cardeal alemão Walter Brandmüller disse abertamente que contêm "heresia" e aproxima-se da "apostasia".

O Acies Ordinata de 28 de Setembro foi o segundo encontro a ser realizado em Roma. O primeiro foi realizado antes do encontro sobre os abusos sexuais no Clero, que aconteceu no Vaticano em Fevereiro, para "se opor à política de silêncio do Vaticano sobre homossexualidade".


Participantes com laços históricos com o Papado


O valor simbólico da Acies Ordinata foi aumentado pela presença de participantes cujas famílias têm profundos laços históricos e religiosos com a Santa Sé e o Papado.

Um dos participantes foi o Conde Giovanni Piccolomini, cujos antepassados incluem dois Papas - Pio II e Pio III - um Superior Geraldos Jesuítas, vários Bispos e Cardeais, líderes militares e cientistas. O Conde Piccolomini disse que o motivou a participar foi o seu "desejo de reiterar a minha e nossa fidelidade ao Papa, à Igreja Romana Apostólica Católica e ao seu ensino eterno".

Questionado sobre o significado simbólico de orar aos pés de Castel Sant'Angelo, ele disse que “este castelo salvou a vida de mais de um Papa no passado, e o seu nome indica nosso desejo de invocar toda a milícia celeste para defender a Igreja Católica. A nossa e a minha esperança é que as nossas orações sejam ouvidas no Céu e que muitos ao redor do Mundo demonstrem a sua firme crença e amor pela Igreja Católica".

Outro participante cuja presença deu grande peso simbólico ao evento foi Rodolphe Pfyffer von Altishofen de Luzern, da Suíça. A sua família deu origem a 11 comandantes da Guarda Suíça Pontifícia, a força armada encarregada de proteger o Papa.

"Durante os séculos XVII a XIX, apenas os Pfyffers foram comandantes da Guarda Suíça". Mas, acrescentou, “independentemente disso, sempre fomos ensinados pelos nossos pais a ter grande respeito por nossa religião sagrada. Portanto, posso garantir que a história da minha família não é essencial para o compromisso que temos com a Igreja.”

Questionado sobre o que o motivou a participar da Acies Ordinata, Pfyffer disse que "a Igreja está sendo ameaçada por todos os lados e nós, como simples leigos, temos de reagir". Este evento é excelente. Estamos desarmados e, no entanto, sentimos que é extremamente importante responder. Caso contrário, os inimigos da Igreja acreditarão que eles podem fazer tudo o que querem. Existem meios espirituais de se engajar na batalha. São Miguel é o responsável por proteger a santa Igreja e ajudará, se for solicitado. Quando os apóstolos estavam no barco sendo lançados pelas ondas, eles clamaram ao Senhor: 'Senhor, estamos perecemos'. Jesus Cristo ajudar-nos-á, não há dúvida. Mas temos de fazer nossa parte, mesmo que não seja fácil ”.

Importância de Castel Sant'Angelo

O Castel Sant'Angelo, localizado em frente à Via della Conciliazione que leva ao Vaticano, também tem um significado histórico profundo, tornando-o um local adequado para o Acies Ordinata.

O Castel Sant'Angelo foi o mausoléu pagão do imperador pagão Adriano que destruiu a cidade de Jerusalém em 135 d.C. e a substituiu pela cidade pagã de Aelia Capitolina.

Em 590 d.C., segundo a tradição, O Papa Gregório Magno carregava o ícone do Salus Populi Romani em procissão na manhã de Domingo de Páscoa, implorando a misericórdia de Deus sobre Roma, que estava sendo devastada por uma praga maciça. Quando se aproximou do mausoléu de Adriano, pisando a ponte que ainda hoje se une ao mausoléu da cidade de Roma, ele teve uma visão do Arcanjo Miguel em pé no edifício com uma espada de vingança empunhada. O Arcanjo olhou para o ícone de Nossa Senhora e exclamou: “Regina caeli, Laetare, aleluia; Quia quem meruisti portare, aleluia; Resurrexit, sicut dixit, aleluia.”E Gregório Magno gritou: “Ora pro nobis, Deum, aleluia.”O anjo embainhou a sua espada de vingança, e a praga terminou.

Na Idade Média, o mausoléu, rebaptizado de Castel Sant'Angelo, tornou-se um local de refúgio preferido dos pontífices romanos diante de tumultos frequentes e invasões alemãs que irritavam os Papas medievais. O Acies Ordinata, realizado na vigília da festa litúrgica de São Miguel Arcanjo, em 29 de Setembro, combina todos esses elementos: uma procissão penitencial, uma demonstração de romanos indignados (e outros católicos de todo o mundo) e oposição a uma invasão alemã no próximo Sínodo da Amazónia.

Num comunicado divulgado hoje, os organizadores do evento disseram: “A nossa manifestação é composta por católicos leigos vindos de muitas nações diferentes, que estão acima de tudo pedindo ao Senhor para reunir todos aqueles que estão lutando por uma boa causa, com o propósito de formar um exército unido contra os inimigos de Deus e da Igreja.”

“Aqui no sopé do Castel Sant'Angelo, a fortaleza que tantas vezes defendeu o Papado ao longo da história, pedimos a ajuda dos anjos e, acima de tudo, São Miguel, o príncipe da hoste celestial, pedindo que protejam os defensores da Igreja e da civilização cristã e dispersem os seus inimigos. ”

“A confusão, que é o fumo de Satanás, envolve o campo de batalha. Para derrotar as forças do caos, o que é necessário é pureza de doutrina, clareza de palavras, firmeza de exemplo, acordo de alma e de obras ”, continuou a declaração.

“Para que isso aconteça, apelemos à Mãe Santíssima, Rainha dos Anjos, pedindo-lhe que nos transforme à sua imagem, hoje e sempre, numa Acies Ordinata, exército pronto para lutar, com aquela tranquilidade que nasce da paz de Cristo que está nos nossos corações e que desejamos estender ao Mundo inteiro.”

Diane Montagna in Life Site News


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sábado, 28 de setembro de 2019

Tesouro dos Fiéis: novo site de oração

Nasce um novo espaço de oração tradicional, Tesouro dos Fiéis: https://tesourofieis.com 

Contém um Saltério, Pequeno Ofício da Nossa Senhora, Devocionário, Ritual Romano, Missal, Missa Diária e muito mais.

O projecto nasce de uma pequena semente, da vontade de um pai dar à sua família as tradições da Igreja, a forma de rezar correcta, o rito romano, a beleza guardada num tesouro escondido.

É um projecto em desenvolvimento, aberto a colaboração através do GitHub. Tem muito texto e a intenção é crescer ainda mais. Para já a página que está em constante produção é a da Santa Missa Diária ( https://tesourofieis.com/missa ), onde os textos do dia aparecem automaticamente.

As traduções do Missal são do Monsenhor Freitas Barros, mas também do D. Crisóstomo Aguiar. O Saltério tem como base as versões do Padre António de Pereira Figueiredo e do Padre Matos Soares.

É um espaço dedicado à oração, exposição e preservação das santas tradições da Igreja.

Erratas, mas também ideias e sugestões podem ser feitas por e-mail ( info@tesourofieis.com ) ou no GitHub ( https://github.com/ofrades/tesourofieis ), onde é possível ver o texto e alterar ficheiros.


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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Conselhos do Catecismo de São Pio X

Que deve fazer um bom cristão, pela manhã, apenas acorda? 

Um bom cristão, pela manhã, apenas acorda, deve fazer o sinal da Cruz, e oferecer o coração a Deus, dizendo estas ou outras palavras semelhantes: Meu Deus, eu vos dou o meu coração e a minha alma.

À noite, antes de deitar, que devemos fazer? 

À noite, antes de deitar, convém pôr-nos, como pela manhã, na presença de Deus, recitar devotamente as mesmas orações, fazer um breve exame de consciência, e pedir perdão a Deus dos pecados cometidos durante o dia.


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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Ordenações 2019 no Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote



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Concílio de Vienna contra a invocação pública do sacrílego nome de Maomé

É um insulto ao nome santo e uma desgraça para a fé cristã que em certas partes do mundo, sob o governo de príncipes cristãos, em que vivem os sarracenos, às vezes separadamente, às vezes em união com os cristãos, os sacerdotes sarracenos, comumente chamados zabazala, nos seus templos ou mesquitas, onde os sarracenos se reúnem para adorar o infiel Maomé, com veemência invoquem e exaltem o seu nome a cada dia e em determinadas horas do alto de um lugar. 

Isto traz descrédito à nossa fé e causa grande escândalo aos fiéis. Estas práticas não podem ser toleradas sem que desagrademos à Majestade Divina. Portanto, com a aprovação do sagrado Concílio, Nós proibimos estritamente a partir de agora essas práticas em terras cristãs. 

Ordenamos aos príncipes católicos, a todos e a cada um: Devem erradicar essa ofensa de uma vez por todas dos seus territórios e assegurarem-se que os seus súbditos façam o mesmo, para que assim obtenham a recompensa da felicidade eterna. Eles devem proibir expressamente a invocação pública do sacrílego nome de Maomé. Aqueles que presumem actuar de outra maneira devem ser castigados pelos príncipes por sua irreverência, para que os outros possam sentir-se desalentados a tal atrevimento.


Papa Clemente V - Concílio de Vienna (1311-1312)


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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Prudência com os amigos

Não abandones um velho amigo, porque o novo não será como ele.
Vinho novo, amigo novo; se o deixares envelhecer, bebê-lo-ás com prazer.
Não invejes o êxito do pecador, pois não sabes qual será a sua ruína.
Não te alegres com a satisfação dos ímpios; lembra-te de que serão punidos antes de irem para a morada dos mortos.

Afasta-te do homem que tem o poder de matar e assim não saberás o que é temer a morte.
Mas, se te aproximares dele, não cometas falta, não aconteça que ele te tire a vida.
Fica sabendo que caminhas entre armadilhas, e andas no alto das muralhas da cidade.
Tanto quanto possível, procura o teu próximo, e aconselha-te com os sábios.

A tua conversação seja com os sensatos, e todo o teu discurso seja conforme à lei do Altíssimo.
Homens virtuosos sejam os teus comensais, e a tua glória, o temor do Senhor. 
O artista é louvado pela obra das suas mãos, o príncipe do povo, pela sabedoria dos seus discursos.
É coisa terrível na cidade o homem linguareiro, e o homem precipitado no falar, torna-se odioso.

in Livro de Ben Sira 9, 10-18


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Cardeal Burke e D. Athanasius publicam texto sobre o que significa ser fiel ao Papa

Nenhuma pessoa honesta pode continuar a negar a confusão doutrinária quase geral que reina hoje em dia na vida da Igreja. Isto deve-se, em particular, às ambiguidades acerca da indissolubilidade do matrimónio, que tem vindo a ser relativizada pela prática da admissão à Santa Comunhão de pessoas que coabitam em uniões irregulares; deve-se à crescente aprovação de actos homossexuais, intrinsecamente contrários à natureza e à vontade revelada de Deus; deve-se a erros a respeito do carácter único de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Sua obra redentora, que vem sendo relativizado através de afirmações errada sobre a diversidade das religiões; e, em especial, deve-se ao reconhecimento de diversas formas de paganismo e das respectivas práticas rituais em virtude do Instrumentum Laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazónica.


Tendo em conta esta realidade, a nossa consciência não nos permite ficarmos em silêncio. Nós, como irmãos no Colégio dos Bispos, falamos com respeito e amor, a fim de que o Santo Padre possa rejeitar inequivocamente os evidentes erros doutrinários do Instrumentum Laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazónica e não consinta a abolição na prática do celibato sacerdotal na Igreja Latina, mediante a aprovação da ordenação dos - assim chamados - “viri probati”.

Com a nossa intervenção, como pastores do rebanho, expressamos o nosso grande amor pelas almas, pela pessoa do próprio Papa Francisco e pelo dom divino do Ofício Petrino. Se não o fizéssemos, cometeríamos um grande pecado de omissão e de egoísmo. Pois, se ficássemos calados, teríamos uma vida mais tranquila e, quiçá, receberíamos até honras e reconhecimentos. No entanto, se ficássemos calados, violaríamos a nossa consciência. 

Neste contexto, vêm-nos à mente as palavras sobejamente conhecidas do futuro santo, o Cardeal John Henry Newman (que será canonizado no dia 13 de Outubro de 2019): «Brindarei – ao Papa, com a sua licença –, mas, ainda assim, brindarei primeiro à Consciência, e só depois ao Papa» (Uma carta endereçada ao duque de Norfolk por ocasião da recente repreensão do Sr. Gladstone). Vêm-nos outrossim à mente estas outras palavras memoráveis e pertinentes de Melchior Cano, um dos bispos mais doutos do Concílio de Trento: “Pedro não precisa da nossa adulação. Aqueles que defendem cega e indiscriminadamente cada decisão do Sumo Pontífice são os que mais prejudicam a autoridade da Santa Sé: em vez de fortalecerem, eles destroem os seus fundamentos”.

Nos últimos tempos, criou-se uma atmosfera de quase total infalibilização das declarações do Romano Pontífice, ou seja, de cada uma das palavras do Papa, de cada um dos seus pronunciamentos e de documentos meramente pastorais da Santa Sé. Na prática, já não se observa a regra tradicional de distinguir os diferentes níveis dos pronunciamentos do Papa e dos seus serviços com as respectivas notas teológicas e o correspondente grau da obrigação de adesão por parte dos fiéis.

Apesar do diálogo e dos debates teológicos terem sido incentivados e promovidos na vida da Igreja nas últimas décadas após o Concílio Vaticano II, em nossos dias, parece não haver mais qualquer possibilidade de um debate intelectual e teológico honesto ou da expressão de dúvidas sobre afirmações e práticas que ofuscam e prejudicam seriamente a integridade do Depósito da Fé e da Tradição Apostólica. Uma tal situação conduz à desconsideração da razão e, portanto, da própria verdade.

Aqueles que criticam as nossas expressões de preocupação recorrem apenas a argumentos sentimentais ou de poder. Tudo indica que eles não querem entrar numa discussão teológica séria sobre o assunto. A respeito disto, parece que, muitas vezes, a razão é simplesmente ignorada e o raciocínio suprimido.

Uma expressão sincera e respeitosa de preocupação em relação a assuntos de grande importância teológica e pastoral na vida actual da Igreja, dirigida também ao Sumo Pontífice, é imediatamente esmagada e vista sob uma luz negativa com reprovações difamatórias dizendo que “semeia dúvidas”, que é “contra o Papa”, ou até que é “cismática”.

A Palavra de Deus ensina-nos, por meio dos Apóstolos, a mantermos a certeza, a sermos firmes e inabaláveis acerca das verdades universais e imutáveis da nossa Fé e a guardarmos e protegermos a Fé diante dos erros, na senda do que escreveu São Pedro, o primeiro Papa: «Tomai cuidado para que não caiais da vossa firmeza, levados pelo erro de homens ímpios» (2Pd 3, 17). São Paulo, por seu lado, também escreveu: «Não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e dos seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo» (Ef 4, 14-15).

É preciso ter em mente o facto de que o Apóstolo Paulo reprovou publicamente o primeiro Papa em Antioquia numa questão de menor gravidade, se comparamos com os erros que hoje em dia se espalham na vida da Igreja. São Paulo advertiu publicamente o primeiro Papa por causa do seu comportamento hipócrita e do consequente perigo de questionar a verdade que diz que as prescrições da lei mosaica não são obrigatórias para os cristãos. 

Como reagiria hoje o apóstolo Paulo se lesse a frase do documento de Abu Dhabi que diz que Deus, na sua sabedoria, quer igualmente a diversidade de sexos, nações e religiões (entre as quais existem religiões que praticam a idolatria e blasfemam Jesus Cristo)! Tal afirmação representa uma relativização do carácter único de Jesus Cristo e da sua obra redentora! O que diriam São Paulo, Santo Atanásio e as outras grandes figuras do cristianismo ao ler essa frase e os erros expressos no Instrumentum laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazónia? É impossível pensar que essas figuras permaneceriam em silêncio ou se deixariam intimidar com censuras e acusações de falar “contra o Papa”.

Quando, no século VII, o Papa Honório I mostrou uma atitude ambígua e perigosa em relação à propagação da heresia do monotelismo – que negava que Cristo tivesse uma vontade humana –, Santo Sofrónio, Patriarca de Jerusalém, enviou um Bispo da Palestina a Roma, pedindo-lhe que falasse, rezasse e não ficasse em silêncio até que o Papa condenasse a heresia. Se Santo Sofrónio vivesse hoje, ele certamente seria acusado de falar “contra o Papa”.

A afirmação sobre a diversidade de religiões no documento de Abu Dhabi e, especialmente, os erros no Instrumentum Laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazónia contribuem para uma traição da singularidade incomparável da Pessoa de Jesus Cristo e da integridade da Fé Católica. E isto acontece diante dos olhos de toda a Igreja e do mundo. 

Situação semelhante existia no século IV, quando, com o silêncio de quase todo o episcopado, a consubstancialidade do Filho de Deus foi traída em favor de afirmações doutrinárias ambíguas de semi-arianismo, uma traição na qual até o Papa Libério participou durante um breve tempo. Santo Atanásio nunca se cansou de denunciar publicamente tal ambiguidade. Foi excomungado pelo Papa Libério no ano 357 “pro bono pacis”, isto é, “para o bem da paz”, para ter paz com o imperador Constâncio e os bispos semi-arianos do Oriente. Santo Hilário de Poitiers relatou esse facto e repreendeu o Papa Libério pela sua atitude ambígua. É significativo que o Papa Libério, ao contrário de todos os seus antecessores, tenha sido o primeiro Papa cujo nome não foi incluído no Martirológio Romano.

A nossa declaração pública segue estas palavras do Santo Padre, o Papa Francisco: «Uma condição geral de base é a seguinte: falar claro. Que ninguém diga: “Isto não se pode dizer; pensará de mim assim ou assim…”. É necessário dizer tudo o que se sente com parrésia. Depois do ultimo Consistório (Fevereiro de 2014), no qual se falou sobre a família, um Cardeal escreveu-me dizendo: é uma lástima que alguns Purpurados não tenham tido a coragem de dizer certas coisas por respeito ao Papa, julgando talvez que o Papa pensasse de outra maneira. Isto não está bem, isto não é sinodalidade, porque é necessário dizer tudo aquilo que, no Senhor, sentimos que devemos dizer: sem hesitações, sem medo» (Saudação aos Padres do Sínodo durante a Primeira Congregação Geral da Terceira Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, 6 de Outubro de 2014).

Afirmamos na presença de Deus que nos julgará: somos amigos verdadeiros do Papa Francisco. Temos uma estima sobrenatural pela sua pessoa e pelo supremo múnus pastoral do Sucessor de Pedro. Rezamos muito pelo Papa Francisco e incentivamos os fiéis a fazer o mesmo. Com a graça de Deus, estamos prontos para dar a vida pela verdade da fé católica sobre o primado de São Pedro e dos seus sucessores, se os perseguidores da Igreja nos pedirem para negar essa verdade. Temos os olhos postos nos grandes exemplos de fidelidade à verdade católica do primado Petrino, como o foram São João Fisher, Bispo e Cardeal da Igreja, e São Tomás More, leigo, e muitos outros santos e confessores, e invocamos a sua intercessão.

Quanto mais os fiéis leigos, os sacerdotes e os bispos mantêm e defendem a integridade do depósito da fé, mais eles apoiam o Papa no seu ministério Petrino. Pois, na Igreja, o Papa é o primeiro a quem se aplica esta advertência da Sagrada Escritura: «Mantém a forma das sãs palavras que recebeste de mim, na fé e no amor a Jesus Cristo. Guarda o bom depósito que te foi confiado, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós» (2Tim 1, 13-14).

24 de Setembro de 2019. Festa de Nossa Senhora das Mercês.

Raymond Leo Cardeal Burke
Dom Athanasius Schneider

in Fratres in unum


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