terça-feira, 24 de março de 2020

Sacerdote italiano morre ao ceder o ventilador a outra pessoa

Um sacerdote de 72 anos, com corona vírus, faleceu há alguns dias na Itália, depois de desistir do ventilador, que precisava para sobreviver, e permitiu que dado a um paciente mais jovem.

Trata-se do Padre Giuseppe Berardelli, de Casnigo, na diocese italiana de Bergamo, a mais atingida pelo COVID-19. O ventilador do qual desistiu havia sido comprado pela comunidade paroquial a que servia.

"Don Giuseppe morreu como padre. E estou profundamente comovido com o facto de ele, Arcipreste de Casnigo, ter renunciado e permitido que o seu ventilador fosse usado para salvar alguém mais novo”, disse trabalhador do lar San Giuseppe, ao jornal 'Araberara'.

O Padre Berardelli faleceu no hospital Lovere.

in aciprensa.com


blogger

segunda-feira, 23 de março de 2020

Viver e morrer pela Missa

Uma meditação sobre a Pandemia

No Ocidente, a Igreja tem sido razoavelmente imune à interferência governamental na prática da Fé. Existem impostos sobre os salários, regulamentos laborais e outros processos do género. Ocasionalmente, há um desafio ao selo sacrossanto da Confissão: litígios que geralmente são resolvidos antes de chegar aos tribunais.

Mas a pandemia actual colocou as autoridades do governo contra as autoridades da Igreja em matéria de celebração da missa, com alguns bispos a renderem-se à pressão do governo. Resultado: Muitos líderes da Igreja acordaram em suspender a celebração pública da Missa.

Às vezes, cancelar a Missa faz sentido: uma ameaça de bomba, um cenário de crime, preocupações com a segurança, equívocos, etc. Os cancelamentos são anomalias, geralmente com a intenção de retomar após um intervalo razoável. Mas a suspensão voluntária de missas públicas por dioceses inteiras é um fenómeno inusitado numa situação que não seja de zonas de guerra nem de estados totalitários.

A pandemia actual é um enigma para os líderes católicos. Como é que poderíamos celebrar a missa em público e evitar o contágio? Obviamente, há uma diferença significativa entre uma resposta razoáveis ​​a ameaças à saúde e reacções histéricas. Os julgamentos prudenciais são subjectivos, e é difícil identificar uma linha clara de distinção. Mas os açambarcadores que esvaziaram as prateleiras dos supermercados de papel higiénico e desinfectantes para as mãos claramente cruzaram essa linha. O egoísmo aumentou o risco de doenças porque a escassez de desinfectantes afecta todos os locais públicos, inclusive as igrejas.

O pânico - alimentado por alguns políticos e por boa parte da media - resultou na emergência desnecessária, a roubos de medicamentos e de farmacêuticos. O frenesim alcançou o que os nazistas e comunistas - e 2000 anos de bispos e padres corruptos (parafraseando uma piada de um assessor de Napoleão) - não foram capazes de realizar: a supressão do culto público da Igreja. Por quanto tempo e a que custo espiritual?

Os líderes da igreja vêem-se apanhados no fogo cruzado da opinião pública. É conveniente satisfazer as autoridades do governo fechando as igrejas e alienando muitos dos fiéis. É mais desafiador manter as igrejas abertas - mesmo com as devidas precauções de saúde nas práticas litúrgicas - do que arriscar acusações de negligência em cuidados de saúde.

Muitas das medidas de saúde definidas são prudentes. Felizmente, os bispos suspenderam a troca do aperto de mão do Sinal de Paz (espera-se que para sempre). Nunca saberemos quantos vírus são trocados com cada aperto de mão não lavado. Sempre foi costume que católicos em risco devido à idade ou à saúde fossem dispensados da missa dominical. E agora há ainda mais tolerância quanto a isso. Talvez estejamos no momento ideal de redescobrir as práticas sanitárias que as mães costumavam ensinar aos filhos. Mas em muitas partes do país, essas práticas razoáveis não satisfazem as autoridades civis.

A raiz subjacente da histeria é o ateísmo, ou a falta de fé do ateísmo implícito enraizada nos confortos do consumismo. Segundo o credo ateu, o maior mal da vida é o sofrimento ou uma vida interrompida por causa de uma doença catastrófica. Para um ateu crente, o sofrimento pode ser pior que a morte. (O que em si explica o surgimento de legislação que aprova o suicídio assistido em vários países.) Mas uma “morte prematura” também aterroriza. O credo ateu é fácil de entender, simples de viver quando as coisas são boas, mas termina sempre em desespero. O sofrimento humano é um mal insuperável.

Os cristãos acreditam que Deus não é o autor do sofrimento e da morte. "... Deus não fez a morte, nem se alegra com a destruição dos vivos." (Sabedoria 1, 13). A morte é o resultado da inveja do diabo (Sabedoria 2, 24) e do pecado, original e pessoal (cf. Gen 3).

Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, veio ao mundo para nos resgatar dos nossos pecados. Ele enfrentou o mal em obediência ao Pai e suportou a Sua terrível Paixão pela nossa salvação. A Sua poderosa ressurreição revela-nos a Sua vitória final sobre o pecado, o sofrimento e a morte. Ele oferece-nos a Sua nova e eterna aliança para nos libertar da desgraça e horrores eternos. 

Portanto, no baptismo, morremos espiritualmente com Cristo e emergimos das águas em união com Ele, incorporados ao seu corpo místico. Quando morremos em amizade com Jesus ressuscitado, “a vida muda, não acaba” (Prefácio, Missa Funeral).

Todos os confortos da vida, incluindo os melhores cuidados de saúde, não podem substituir o estado de graça santificadora no momento da morte. Por isso, estando nós nesse “vale de lágrimas”, proclamamos alegremente com São Paulo: “Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão? (1Cor 15, 55)

A narrativa cristã, resumida no Credo dos Apóstolos, é realista. Ela confronta o mistério do sofrimento e da morte e oferece a esperança da vida eterna. A nossa batalha é pela vida eterna, e todas as gerações devem escolher o Caminho da Cruz. "Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me." (Mt 16, 24) Viver essa narrativa não é fácil. O Caminho requer a graça, fé, oração, estudo, coragem e esperança em Deus na nossa vitória final em Cristo.

Mas, acima de tudo, para viver, precisamos da reconstituição dominical (e diária) daquele amor da nova e eterna aliança que ocorre na Missa.

Durante as perseguições do imperador romano Diocleciano na Igreja primitiva, os cristãos desobedeciam à ordem do imperador de cancelar as suas reuniões religiosas. E enfrentara a morte, dizendo: 

«Não podemos omitir a celebração dos mistérios divinos. O cristão não pode viver sem a Eucaristia e a Eucaristia sem o Cristão. Vós não sabeis que o cristão existe para a Eucaristia e a Eucaristia para o Cristão? Sim, participei com os irmãos na reunião, celebrei os mistérios do Senhor e tenho aqui comigo, escritos no meu coração, as Escrituras Divinas. A Eucaristia é a esperança e a salvação dos cristãos.»

Desculpe, governador. Lamento, Meritíssimo. A celebração da Missa não é negociável e não é da sua conta. Faremos o nosso melhor - sem garantias - com higiene pessoal e distâncias seguras. Mas nós “procuramos as coisas do alto” (Col 3, 1) e vivemos e morremos pela Missa.

Fr. Jerry Pokorsky in catholicculture.org
Tradução: André Pires


blogger

domingo, 22 de março de 2020

Congruências e incongruências sacramentais em tempos de Covid-19


Nem só de Pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus

Evidentemente que todos devemos atender com toda a seriedade as indicações das autoridades sanitárias e decisões do governo a respeito da pandemia, que nos asseguram que por aí anda. Foi isso que o Episcopado português procurou fazer com a suspensão das Missas públicas e, se interpreto rectamente, com a limitação de outros Sacramentos. 

Convirá, no entanto, saber que essa decisão é disciplinar e prudencial, não podendo por isso vincular absolutamente a consciência dos sacerdotes, que tomando seriamente em consideração as recomendações dos especialistas em saúde salvaguardem com o rigor devido essas indicações.

Uma vez que “Importa mais obedecer a Deus do que aos homens” (Act. 5, 29), qualquer Padre poderá Celebrar a Santa Missa com o povo, desde que, evidentemente, tomadas todas a precauções necessárias que garantam a impossibilidade de contágio

Não se entende, por exemplo, que um Sacerdote num funeral possa fazer a encomendação do corpo e dizer algumas palavras, e esteja impedido de Celebrar a Santa Missa Exequial, mesmo que sem a Sagrada Comunhão Sacramental dos presentes - até, infelizmente, parece que a Santa Missa, por si só, não tenha uma eficácia independentemente da Comunhão dos que a ela assistem. O Santo Sacrifício oferecido é, ele mesmo, eficaz em favor da Salvação do mundo.

É, ainda, ininteligível, que com as devidas precauções, não se atenda todo e qualquer penitente ao Sacramento da penitência ou reconciliação. Mais grave seria proibir a absolvição e a Santa Unção dos internados infectados com o Covid-19, pois se os médicos, protegidos apropriadamente, podem e devem tratar deles seria uma cobardia que os Sacerdotes não o pudessem fazer.

Outrossim seria imoral proibir os Sacramentos do Baptismo e do Matrimónio, que respeitassem todas as precauções e cuidados recomendados à restante população.

À Honra de CRISTO. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


blogger

sábado, 21 de março de 2020

Bispos anunciam renovação da Consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria

Nos últimos dias, uma iniciativa de alguns fiéis originou um apelo para pedir a Renovação da Consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria e ao Sagrado Coração de Jesus: https://apeloconsagracao.wixsite.com/apelo

Estando já essa possibilidade a ser ponderada pelos Bispos portugueses, a Conferência Episcopal anunciou para o próximo dia 25 de Março o seguinte programa:

Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa Oração do Rosário e Consagração de Portugal

A Conferência Episcopal Portuguesa comunica que no próximo dia 25, Solenidade da Anunciação do Senhor, todas as Dioceses estarão unidas na oração do Rosário pelas intenções de todo o mundo e em particular de Portugal, nesta situação dramática que estamos a passar devido ao coronavírus Covid-19. 

A oração do Rosário, transmitida por várias plataformas digitais de rádio e televisão, terá início às 18.30 horas na Basílica de Nossa Senhora do Rosário do Santuário de Fátima e será presidida pelo Cardeal António Marto, Bispo de Leiria-Fátima e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. 

A seguir à oração, o Cardeal António Marto fará a renovação da consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. A partir das nossas casas procuremos estar em sintonia espiritual nesta oração do Rosário e consagração de Portugal. 

Lisboa, 20 de Março de 2020


blogger

sexta-feira, 20 de março de 2020

Decreto da Santa Sé sobre as celebrações da Semana Santa 2020

DECRETO
Em tempo de Covid-19

No tempo difícil que estamos a viver, devido à pandemia de Covid-19, considerando o caso de impedimento para celebrar a liturgia comunitariamente na igreja, tal como os bispos o têm indicado para os territórios de sua competência, chegaram a esta Congregação consultas relativas às próximas festividades pascais.

1 – Sobre a data da Páscoa. 

Coração do ano litúrgico, a Páscoa não é uma festa como as outras: celebrada no arco de três dias, o Tríduo Pascal, precedida pela Quaresma e coroada pelo Pentecostes, não pode ser transferida.

2 – A Missa crismal. 

Avaliando o caso concreto nos diversos países, o Bispo tem a faculdade de a adiar para data posterior.

3 – Indicações para o Tríduo Pascal.

Onde a autoridade civil e eclesial impôs restrições, atenda-se ao que se segue em relação ao Tríduo Pascal. Os Bispos darão indicações, de acordo com a Conferência Episcopal, para que na Igreja Catedral e nas Igrejas paroquiais, mesmo sem a participação dos fiéis, o bispo e os párocos celebrem os mistérios litúrgicos do Tríduo Pascal, avisando os fiéis da hora de início de modo a que se possam unir em oração nas respectivas habitações. Neste caso são uma ajuda os meios de comunicação telemática em directo, não gravada.

A Conferência Episcopal e cada Diocese não deixem de oferecer subsídios para ajudar a oração familiar e pessoal.

Em Quinta-Feira Santa, nas Igrejas catedrais e paroquiais, na medida da real possibilidade estabelecida por quem de direito, os sacerdotes da paróquia podem concelebrar a Missa na Ceia do Senhor; concede-se a título excepcional a todos os sacerdotes a faculdade de celebrar neste dia, em lugar adequado, a Missa sem o povo. O lava-pés, já facultativo, omite-se. No termo da Missa na Ceia do Senhor omite-se a procissão e o Santíssimo Sacramento guarda-se no Sacrário. Os sacerdotes que não tenham a possibilidade de celebrar a Missa, em vez dela rezarão as Vésperas (cf. Liturgia Horarum).

Em Sexta-Feira Santa, nas igrejas catedrais e paroquiais, na medida da real possibilidade estabelecida por quem de direito, o Bispo / o pároco celebra a Paixão do Senhor. Na oração universal, o Bispo Diocesano terá o cuidado de estabelecer uma intenção especial pelos doentes, pelos defuntos e pelos doridos que sofreram alguma perda (cf. Missal Romano, pág. 253, n. 12).

Domingo de Páscoa. A Vigília Pascal celebra-se apenas nas igrejas catedrais e paroquiais, na medida da real possibilidade estabelecida por quem de direito. Para o “Início da vigília ou Lucernário” omite-se o acender do fogo, acende-se o círio e, omitindo a procissão, segue-se o precónio pascal (Exsultet). Segue-se a “Liturgia da Palavra”. Para a “Liturgia baptismal”, apenas se renovam as promessas batismais (cf. Missal Romano, pág. 320, n. 46). Segue-se a “Liturgia eucarística”.

Aqueles que não podem de modo nenhum unir-se à Vigília Pascal celebrada na igreja, rezam o Ofício de Leituras indicado para o Domingo de Páscoa (cf. Liturgia Horarum).

Para os mosteiros, os seminários e as comunidades religiosas, o Bispo diocesano decidirá.

As expressões de piedade popular e as procissões que enriquecem os dias da Semana Santa e do Tríduo Pascal, a juízo do Bispo diocesano poderão ser transferidas para outros dias convenientes, por ex., 14 e 15 de Setembro.

De mandato Summi Pontifcis pro hoc tantum anno 2020 [Por mandato do Sumo Pontífce apenas para este ano de 2020].

Sede da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 19 de Março de 2020, Solenidade de São José, Padroeiro da Igreja Universal.

Robert Card. Sarah
Prefeito

Arthur Roche
Arcebispo Secretário


blogger

Sacerdote apela aos Bispos que acabem com suspensão das Missas

Nos últimos dias aconteceu na Santa Igreja Católica em Portugal, algo verdadeiramente impensável, altamente lamentável, no mínimo muito triste e sem precedentes em toda a história da Igreja, que foi a suspensão das Santas Missas comunitárias, devido ao coronavírus. E aproxima-se a Páscoa, em que celebramos o centro e ponto alto da nossa fé, e poderá acontecer, que Nosso Senhor Jesus Cristo fique impossibilitado de celebrar com o Seu Povo através dos Seus ministros a Santa Missa, que é a actualização da Sua Páscoa, ou seja da Sua Redenção, Salvação, Libertação e Redenção.

Perante a determinação da suspensão referida, tendo em conta o Código do Direito Canónico da Igreja que diz: «que os fiéis (…) têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja…» (Cân. 212 §3). Por conseguinte, gostaria de apresentar algumas perguntas à reflexão dos amigos e amigas. Mais informo, que estas questões no tempo devido, já foram transmitidas a todos os bispos residenciais de Portugal.

1ª Com a referida suspensão, não se está a manifestar, que a celebração da Eucaristia ou da Santa Missa é algo irrelevante? Ou que o povo de Deus não precisa assim tanto da Santa Missa e esta não é a maior fonte de graças e bênçãos do Céu, quer temporais e espirituais?

2ª Se Jesus Cristo está real e sacramentalmente presente na Eucaristia e actualiza a Sua redenção na Sua celebração, se tem poder para perdoar pecados (por mais graves que sejam), para libertar possessos, curar doentes, ressuscitar mortos etc. Será que não tem poder para nos libertar de uma pequena criatura, o coronavírus?

3ª Será que não estamos a submeter ou a rebaixar Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Médico Divino por excelência ao medo e a um vírus? Não será isto de modo inconsciente talvez, promover uma espécie de idolatria; em que se submete a Divindade a uma criatura? Não será esta atitude, um mau testemunho de fé? Será que a Igreja neste momento, não está a mostrar mais medo, que o mundo civil?

4ª Porventura não se está a impedir um direito aos fiéis de participar na Santa Missa e de receber a Eucaristia (naturalmente com as devidas disposições interiores) mesmo em caso de pandemia? (Código de Direito Canónico, Conferir Cânone 213)

5ª Não seria menos contundente e menos escandaloso seguir o exemplo dos bispos da Polónia, que favoreceram mais celebrações de Missas com menos concentração de pessoas, ou então até Missas ao ar livre?

6ª Ao longo da história, alguma vez a Igreja se escondeu e não recorreu aos meios de salvação, nomeadamente a oração e os sacramentos, perante epidemias ou guerras? Lembremos de tantos santos e santas da história da Igreja, que face às maiores calamidades, que fizeram mais vítimas que o covid 19, não fugiram, mas estiveram com o povo administrando-lhes os auxílios divinos.

7ª Não será estranho, que na sociedade civil se permita, que trabalhadores estejam no seu local de trabalho durante oito horas ou mais, que restaurantes, pastelarias, supermercados, transportes públicos e outros estejam acessíveis ao povo, mediante determinadas regras, e impede-se que os fiéis estejam nas igrejas apenas uma hora, celebrando a Santa Missa?

A todos que têm fé e estão de boa consciência, faço um apelo, para que rezem e façam o que for possível, naturalmente dentro dos parâmetros racionais e da paz, para que os senhores bispos levantem a referida suspensão.

Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo venha a nós o Vosso Reino, por meio do Coração Imaculado de Maria Santíssima!

Padre Manuel Pina Pedro


blogger

quarta-feira, 18 de março de 2020

Carta do Superior Geral da FSSPX aos fiéis presos em casa

Carta do Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, dirigida a todos os fiéis confinados aos seus lares e que não têm agora acesso à Santa Eucaristia, devido à epidemia do corona vírus.

Caríssimos fiéis,

Neste momento de provação, certamente difícil para todos vós, gostaria de vos dirigir algumas palavras.

Não sabemos quanto tempo durará a situação actual, nem, sobretudo, como as coisas evoluirão nas próximas semanas. Diante dessa incerteza, a tentação mais natural seria procurar desesperadamente garantias e explicações nos comentários e hipóteses dos mais instruídos “especialistas”. Muitas vezes, no entanto, essas hipóteses – abundantes por todos os lados – contradizem-se e aumentam a confusão, em vez de trazer um pouco de serenidade. Sem dúvida que a incerteza é parte integrante desta prova. Cabe-nos saber como tirar proveito disso.

Se a Providência permite uma calamidade ou um mal, sempre o faz para obter um bem maior que, directa ou indirectamente, incide sempre nas nossas almas. Sem essa premissa essencial, corremos o risco de desesperar, porque uma epidemia, uma outra calamidade ou qualquer provação nunca nos encontrarão suficientemente preparados.

Neste ponto, o que Deus quer que entendamos? O que Ele espera de nós nesta Quaresma em particular, quando Ele parece ter decidido quais os sacrifícios devemos fazer?

Um simples micróbio é capaz de colocar a humanidade de joelhos. Na era das grandes conquistas tecnológicas e científicas, é, sobretudo, o orgulho humano que ele coloca de joelhos. O homem moderno, tão orgulhoso das suas realizações, que instala cabos de fibra óptica no fundo dos oceanos, constrói porta-aviões, centrais nucleares, arranha-céus e computadores, que depois de pisar a lua continua a sua conquista até Marte, este homem é impotente diante de um micróbio invisível. 

O alvoroço mediático nos últimos dias e o medo que podemos ter disso não nos devem fazer perder esta lição profunda e fácil de entender, para os corações simples e puros que examinam com fé os dias actuais. A Providência ainda hoje ensina por meio de eventos. A Humanidade – e cada um de nós – tem a oportunidade histórica de retornar à realidade; à realidade e não ao virtual, composto de sonhos, mitos e ilusões.

Traduzida em termos evangélicos, esta mensagem corresponde às palavras de Jesus que nos pede para permanecermos unidos, o mais próximo possível, a Ele, porque sem Ele nada podemos fazer ou resolver, seja qual for o problema (cf. Jo 15, 5). Os nossos tempos incertos, a expectativa de uma solução, o sentimento do nosso desamparo e da nossa fragilidade devem encorajar-nos a procurar Nosso Senhor, implorar-Lhe, pedir o Seu perdão, rezar-Lhe com mais fervor e, acima de tudo, abandonarmo-nos à Sua Providência.

A isto acresce a dificuldade, ou mesmo, a impossibilidade de participar livremente da Santa Missa, o que aumenta a dureza desta provação. Mas resta, nas nossas mãos, um meio privilegiado e uma arma mais poderosa do que a ansiedade, a incerteza ou o pânico que podem causar a crise do corona vírus: trata-se do Santo Rosário, que nos liga à Santíssima Virgem e ao Céu.

Chegou a hora de rezar o rosário nas nossas casas de forma mais sistemática e com mais fervor do que o habitual. Não percamos o nosso tempo diante dos ecrãs e não nos deixemos dominar pela febre mediática. Se tivermos que observar o confinamento, aproveitemos a oportunidade para transformar a nossa “prisão domiciliar” numa espécie de feliz retiro familiar, durante o qual a oração encontre o seu lugar, o seu tempo e a importância que merece. Leiamos os Evangelhos por completo, meditemo-los calmamente, escutemo-los em paz: as palavras do Mestre são as mais eficazes, porque alcançam facilmente a inteligência e o coração.

Agora não é o momento de deixar o mundo entrar nos nossos lares, agora que as circunstâncias e as acções das autoridades nos separam do mundo! Tiremos proveito dessa situação. Demos prioridade aos bens espirituais que nenhum germe pode atacar: acumulemos tesouros no Céu, onde nem os vermes nem a ferrugem o destroem. Pois onde está o nosso tesouro, ali está também o nosso coração (cf. Mt 6, 20-21).

Aproveitemos a oportunidade de mudar as nossas vidas, conscientes de como nos abandonar à Providência Divina. E não nos esqueçamos de rezar por aqueles que estão a sofrer neste momento. Devemos recomendar ao Senhor todos aqueles para quem se aproxima o dia do julgamento, e pedir-Lhe que tenha misericórdia de tantos contemporâneos nossos que permanecem incapazes de tirar boas lições dos acontecimentos actuais para as suas almas. 

Rezemos para que, uma vez superadas as provações, eles não voltem à sua vida anterior, sem mudar nada. As epidemias sempre serviram para trazer os tíbios à prática religiosa, ao pensamento de Deus, à detestação do pecado. Temos o dever de pedir essa graça a cada um de nossos conterrâneos, sem excepção, incluindo – e acima de tudo – aos pastores que não têm espírito de fé e que já não sabem discernir a vontade de Deus.

Não desanimemos: Deus nunca nos abandona. Saibamos meditar nas palavras cheias de confiança que a nossa Santa Madre Igreja coloca nos lábios do sacerdote em tempos de epidemia: “Ó Deus que não quereis a morte, mas a conversão dos pecadores, volvei com bondade ao vosso povo que se volta para Vós e, enquanto fiel a Vós, livrai-o com misericórdia do flagelo da Vossa cólera”.

Confio-vos diante do Altar e à paternal protecção de São José. 
Que Deus vos abençoe!

Pe. Davide Pagliarani +


blogger

terça-feira, 17 de março de 2020

Em plena epidemia, Veneza consagrada ao Imaculado Coração de Maria

Com Itália assolada de forma grave pela epidemia do corona vírus, o Presidente da Câmara de Veneza rezou e pediu a protecção de Nossa Senhora da Saúde para Veneza e toda a região de Veneto. Luigi Brugnaro deslocou-se a Basílica da Madonna della Salute onde consagrou Veneza e as terras de Veneto ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora da Saúde, rogai por nós.


blogger

Secretário do Papa avisa: As pessoas abandonarão a Igreja se a Igreja as abandonar durante a epidemia

Foi divulgada uma carta que o Padre Yoannis Lahzi Gadi, secretário do Papa Francisco, enviou a um grupo de sacerdotes. A carta, que foi aprovada pelo Papa, é um apelo a que todos os sacerdotes abandonem a epidemia do medo e comecem a agir segundo a lógica de Deus e não segundo a lógica dos homens: 

Quo vadis, Domine? (Senhor, para onde vais?)

É um episódio atribuído ao apóstolo Pedro que, segundo a tradição, fugiu de Roma para escapar das perseguições de Nero, teria encontrado Cristo, que carregava uma cruz nos ombros e ia na direcção de Roma. Pedro perguntou a Jesus: "Domine, quo vadis?" (Senhor, para onde vais?) E à resposta de Jesus: "Eo Romam iterum crucifigi." (Vou a Roma para ser crucificado novamente.) Pedro compreendeu que tinha de voltar para Roma para enfrentar o martírio.

Pedro tinha, humanamente falando, todo o direito de escapar para salvar a sua vida da perseguição e talvez fundar outras comunidades e outras igrejas, mas, na realidade, de acordo com a lógica do mundo, as pessoas agiam como Satanás, ou seja, pensando como homens e não segundo Deus. Jesus, voltando-se, disse a Pedro:

"Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens." (Mc 8, 33).

Cristo, no Evangelho de João, ao falar do "Bom Pastor" e do mercenário, chama a Si mesmo "Bom Pastor", que não apenas cuida das ovelhas, mas conhece-as pessoalmente e dá, até, a vida por elas. Jesus é o "guia" seguro das pessoas que procuram o caminho que conduz a Deus e aos irmãos.

Na epidemia do medo que todos estamos enfrentando, por causa da pandemia de corona vírus, todos corremos o risco de nos comportarmos como mercenários e não como pastores.

Não podemos e não devemos julgar, mas vem-nos à mente a imagem de Cristo, que encontra Pedro assustado e iludido, não para o censurar mas para ir morrer em seu lugar. Pensamos em todas as almas amedrontadas e abandonadas porque nós, pastores, seguimos as instruções civis - o que é correcto e certamente necessário neste momento para evitar o contágio - mas corremos o risco de deixar de lado as instruções divinas - o que é um pecado. 

Pensamos como homens e não segundo Deus, colocamo-nos entre os assustados e não entre os médicos, enfermeiros, voluntários, trabalhadores e pais da família que estão na linha de frente. Penso nas pessoas que vivem alimentando-se da Eucaristia, porque acreditam na Presença Real de Cristo na Sagrada Comunhão. Penso nas pessoas que agora devem ser contentar-se com seguir a transmissão da Missa em streaming. Penso nas almas que precisam de conforto espiritual e de se confessar. Penso nas pessoas que certamente abandonarão a Igreja, quando esse pesadelo acabar, porque a Igreja as abandonou quando precisavam.

É bom que as igrejas permaneçam abertas. Os padres devem estar na linha de frente. Os fiéis devem encontrar coragem e conforto olhando para os pastores. Os fiéis devem saber que, a qualquer momento, podem correr a refugiar-se nas igrejas e paróquias e encontrá-las abertas e prontas para os acolher. A Igreja deve ser chegar às pessoas também através de um "número verde" para o qual a pessoa possa ligar para ser consolada, pedir combinar uma confissão, para receber a Sagrada Comunhão comunicado ou para que seja dada a entes queridos.

Devemos aumentar as visitas às casas, casa por casa, usando todas as precauções necessárias para evitar o contágio; nunca nos fechando mas sim vigiando. Caso contrário, acontece que são entregues nas casas as refeições, as pizzas, mas não a Comunhão, especialmente a pessoas idosas, doentes e carentes. Acontece que supermercados, quiosques e tabacarias permanecem abertos, mas não as igrejas.

O Governo tem o dever de garantir cuidado e apoio material às pessoas, mas nós temos o dever de fazer o mesmo com as almas. Que nunca se diga: "Eu não vou a uma igreja que não me veio visitar quando eu precisava".

Portanto, aplicamos todas as medidas necessárias, mas não nos deixamos condicionar pelo medo. Peçamos a Graça e a coragem de nos comportarmos segundo Deus e não segundo os homens!

Don Yoannis Lahzi Gadi


blogger

segunda-feira, 16 de março de 2020

sexta-feira, 13 de março de 2020

Stella Cœli: oração poderosa contra as epidemias, escrita em Coimbra

Na praga que ocorreu em Coimbra, no ano de 1317, as Irmãs do Mosteiro de Santa Clara estavam com muito medo porque as suas celas estavam perto da infecção e, pensando em fugir, ouvem a porta bater, correm até ela e encontram um peregrino que, segundo a descrição, era São Bartolomeu. Sentiram-se consoladas e instadas a recitar frequentemente à Mãe de Deus o que estava escrito num papel que ele lhes deu antes de ir embora. Rezaram todos os dias em coro e em privado esta oração e não foram tocadas pela doença, embora, à sua volta, o fogo tudo queimasse. 

(Tommaso Auriemma SJ, Afectos trocados entre a Santíssima Virgem e os seus devotos, Veneza, 1712)

Latim:

Stella Cœli extirpavit
Quæ lactavit Dominum
Mortis pestem quam plantavit
Primus parens hominum.

Ipsa Stella nunc dignetur
Sidera compescere,
Quorum bella plebem cædunt
Diræ mortis ulcere.

O piissima Stella Maris
A peste succurre nobis;
Audi nos, Domina
Nam Filius tuus nihil negans
Te honorat.

Salva nos Jesu
pro quibus Virgo
Mater te orat.

. Ora pro nobis, Sancta Dei Genitrix.
. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.


Oremus.
Deus misericordiae, Deus pietatis, Deus indulgentiae, qui misertus es super afflictione Populi tui, et dixisti Angelo percutienti Populum tuum: contine manum tuam ob amorem illius Stellae gloriosae, cujus ubera pretiosa contra venenum nostrorum delictorum quam dulciter suxisti: praesta auxilium gratiae tuae, ab omni peste, et improvisa morte secure liberemur, et a totius perditionis incursu misericorditer liberemur. Per te Jesu Christi Rex Gloriae, Salvator Mundi: Qui vivis, et regnas in saecula saeculorum. Amen.


Português: 

A Estrela do Céu extirpou,
A que amamentou o Senhor,
A peste da morte que plantou
O primeiro pai dos homens.

A mesma estrela se digne agora
fazer cessar a noite,
cujos exércitos abatem o povo
com a úlcera da temível morte.

Ó piíssima Estrela do Mar
Socorre-nos da peste
Ouve-nos, Senhora
Pois o teu Filho, que nada nega,
Te honra.

Salva-nos Jesus,
por aqueles que a Virgem
Mãe te ora.

. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.
Deus de misericórdia, Deus de piedade, Deus de indulgência, que tendes compaixão das aflições do Vosso povo, e disseste ao Anjo que o trespassava que contivesse a sua mão por amor daquela Estrela gloriosa, de cujo peito precioso contra o veneno dos nossos pecados docemente bebestes, prestai-nos o auxílio da Vossa graça, para que sejamos libertados e seguros de toda a peste, da morte improvisa e livres misericordiosamente de todo o embate da perdição. Por Vós, Jesus Cristo, Rei da Glória, Salvador do mundo, que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amén.




blogger

quinta-feira, 12 de março de 2020

9 conselhos para ultrapassar a crise do Corona


1. "Mantenham a calma e não percam a cabeça" (São João Baptista)

2. "Isto não é o apocalipse" (São João, Evangelista)

3.  "Lavem as mãos" (Pôncio Pilatos)

4.  "Evitem cumprimentar uma pessoa com abraços e beijos" (Judas Iscariotes)

5. "Não toquem nos olhos, nariz, boca ou qualquer ferida aberta" (São Tomé, Apóstolo)

6. "Cães e outros animais não transmitem a doença" (São Francisco de Assis)

7. "Evitem ir para o Oriente " (São Francisco Xavier) 

8. "Evitem ir para Itália" (Santo António de Lisboa)

9. E não esqueçam, se alguém vindo da China tentar forçosamente apertar-vos a mão, chamem o Papa Francisco!

Robert Mickens, La Croix International


blogger