quarta-feira, 8 de abril de 2020
terça-feira, 7 de abril de 2020
Mensagem do Cardeal Burke para a Semana Santa
Caros
amigos,
Desde que iniciei o meu ministério como bispo de uma diocese, parecia que, a cada ano, à medida que as celebrações do Natal e da Páscoa se aproximavam, acontecia algo profundamente triste na diocese ou uma crise difícil de enfrentar para o bem da diocese. Precisamente quando começava a preparar com alegria as celebrações dos grandes mistérios da nossa salvação, acontecia algo que, do ponto de vista humano, lançava uma nuvem negra sobre as celebrações e colocava em questão a alegria que estas inspiravam. Certa vez, contei a um irmão bispo esta experiência angustiante e excessivamente regular. Ele simplesmente respondeu: “É Satanás a tentar roubar-te a alegria”.
Faz sentido que Satanás, a quem Nosso Senhor descreve como «assassino desde o princípio […] mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), queira esconder dos nossos olhos as grandes realidades da Encarnação e da Redenção, queira distrair-nos dos ritos litúrgicos, através dos quais não apenas celebramos essas verdades, mas também recebemos as imensuráveis e incessantes graças que elas nos alcançaram. Satanás quer-nos convencer de que as perdas e a morte, com a tristeza e o medo que, naturalmente, as acompanham, mostram que Cristo é falso, negando, assim, a Sua Encarnação redentora e tentando apresentar as nossas fé e alegria como uma mentira.
Mas Satanás é o falso. É o mentiroso. Cristo, Deus-Filho, de facto, fez-Se homem, sofreu a mais cruel Paixão e Morte para redimir a nossa natureza humana, restaurar-nos a verdadeira vida, a vida divina que vence os piores sofrimentos e até a própria morte e que nos conduz, com segurança e precisão, ao nosso verdadeiro destino: a vida eterna com Ele.
São Paulo, diante de tantas provações profundamente desanimadoras ao longo do seu ministério apostólico, que culminou no seu martírio em Roma, escreveu aos Colossenses: «Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é a Igreja» (Col 1, 24). Para ele, tal como deveria ser também para nós, sofrer com Cristo pela Igreja, pelo amor de Deus e do próximo, é a fonte inesgotável e infalível da nossa alegria.
Desde que iniciei o meu ministério como bispo de uma diocese, parecia que, a cada ano, à medida que as celebrações do Natal e da Páscoa se aproximavam, acontecia algo profundamente triste na diocese ou uma crise difícil de enfrentar para o bem da diocese. Precisamente quando começava a preparar com alegria as celebrações dos grandes mistérios da nossa salvação, acontecia algo que, do ponto de vista humano, lançava uma nuvem negra sobre as celebrações e colocava em questão a alegria que estas inspiravam. Certa vez, contei a um irmão bispo esta experiência angustiante e excessivamente regular. Ele simplesmente respondeu: “É Satanás a tentar roubar-te a alegria”.
Faz sentido que Satanás, a quem Nosso Senhor descreve como «assassino desde o princípio […] mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), queira esconder dos nossos olhos as grandes realidades da Encarnação e da Redenção, queira distrair-nos dos ritos litúrgicos, através dos quais não apenas celebramos essas verdades, mas também recebemos as imensuráveis e incessantes graças que elas nos alcançaram. Satanás quer-nos convencer de que as perdas e a morte, com a tristeza e o medo que, naturalmente, as acompanham, mostram que Cristo é falso, negando, assim, a Sua Encarnação redentora e tentando apresentar as nossas fé e alegria como uma mentira.
Mas Satanás é o falso. É o mentiroso. Cristo, Deus-Filho, de facto, fez-Se homem, sofreu a mais cruel Paixão e Morte para redimir a nossa natureza humana, restaurar-nos a verdadeira vida, a vida divina que vence os piores sofrimentos e até a própria morte e que nos conduz, com segurança e precisão, ao nosso verdadeiro destino: a vida eterna com Ele.
São Paulo, diante de tantas provações profundamente desanimadoras ao longo do seu ministério apostólico, que culminou no seu martírio em Roma, escreveu aos Colossenses: «Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é a Igreja» (Col 1, 24). Para ele, tal como deveria ser também para nós, sofrer com Cristo pela Igreja, pelo amor de Deus e do próximo, é a fonte inesgotável e infalível da nossa alegria.
É a expressão máxima da nossa
comunhão com Cristo, Deus-Filho Encarnado, partilhando com Ele o mistério do
amor divino de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. A vida de Cristo, a graça do
Espírito Santo derramada do Coração de Cristo para habitar os nossos corações,
inspira-nos e fortalece-nos para que possamos abraçar as perdas e a morte com o
Seu amor, transformando-as em ganho eterno e vida sem fim. A nossa alegria,
portanto, não é um prazer ou emoção superficial, mas o fruto do amor que é «forte
como a morte» e que «as muitas águas não poderiam extinguir, nem os rios
o poderiam submergir» (Cant 8, 6-7).
A nossa alegria não nos dispensa do agudo aguilhão das perdas e da morte, mas, com confiança e coragem, enfrenta-as como parte do combate de amor que somos chamados a travar durante esta vida; afinal, somos, pela graça de Deus, verdadeiros soldados de Cristo (2 Tim 2, 3) que têm conhecimento seguro da vitória da vida eterna. Assim, no fim da sua vida, São Paulo escreveu ao seu filho espiritual e irmão pastor do rebanho, São Timóteo: «Quanto a mim, estou pronto para o sacrifício; e o tempo da minha partida já se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira e guardei a fé. Já nada me resta senão receber a coroa da Justiça que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não só a mim, mas também àqueles que desejam a Sua vinda» (2 Tim, 4.6-8).
Amemos Nosso Senhor, amemos a Encarnação redentora pela qual Ele está vivo, para nós, na Igreja, e, assim, estejamos contentes por combater, com Ele, o bom combate, por nos mantermos em competição, sem nos importarmos com as provações que enfrentamos, e mantenhamos a fé quando o Pai da Mentira nos tentar a duvidar de Cristo e, inclusive, a negá-Lo.
Talvez Satanás nunca tenha tido uma maneira melhor do que o coronavírus para roubar a nossa alegria de celebrar os dias mais sagrados do ano, os dias em que Cristo nos alcançou a vida eterna. Como lhe agradará tirar-nos a santidade daquela semana única do ano, que é simplesmente conhecida como Semana Santa! A actual crise de saúde internacional causada pelo coronavírus, COVID-19, continua a ser uma trágica colheita de perdas e de morte, gerando profunda tristeza e medo no coração humano. Certamente, Satanás está a utilizar o sofrimento que atormenta tantos lares, bairros, cidades e nações, para nos tentar a duvidar de Nosso Senhor e da Fé, da Esperança e da Caridade que são os Seus grandes dons para a nossa vida diária.
A nossa alegria não nos dispensa do agudo aguilhão das perdas e da morte, mas, com confiança e coragem, enfrenta-as como parte do combate de amor que somos chamados a travar durante esta vida; afinal, somos, pela graça de Deus, verdadeiros soldados de Cristo (2 Tim 2, 3) que têm conhecimento seguro da vitória da vida eterna. Assim, no fim da sua vida, São Paulo escreveu ao seu filho espiritual e irmão pastor do rebanho, São Timóteo: «Quanto a mim, estou pronto para o sacrifício; e o tempo da minha partida já se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira e guardei a fé. Já nada me resta senão receber a coroa da Justiça que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não só a mim, mas também àqueles que desejam a Sua vinda» (2 Tim, 4.6-8).
Amemos Nosso Senhor, amemos a Encarnação redentora pela qual Ele está vivo, para nós, na Igreja, e, assim, estejamos contentes por combater, com Ele, o bom combate, por nos mantermos em competição, sem nos importarmos com as provações que enfrentamos, e mantenhamos a fé quando o Pai da Mentira nos tentar a duvidar de Cristo e, inclusive, a negá-Lo.
Talvez Satanás nunca tenha tido uma maneira melhor do que o coronavírus para roubar a nossa alegria de celebrar os dias mais sagrados do ano, os dias em que Cristo nos alcançou a vida eterna. Como lhe agradará tirar-nos a santidade daquela semana única do ano, que é simplesmente conhecida como Semana Santa! A actual crise de saúde internacional causada pelo coronavírus, COVID-19, continua a ser uma trágica colheita de perdas e de morte, gerando profunda tristeza e medo no coração humano. Certamente, Satanás está a utilizar o sofrimento que atormenta tantos lares, bairros, cidades e nações, para nos tentar a duvidar de Nosso Senhor e da Fé, da Esperança e da Caridade que são os Seus grandes dons para a nossa vida diária.
O efeito da intenção assassina de
Satanás e das suas mentiras torna-se ainda maior quando estamos longe do
Senhor, quando tomamos como certa a Sua vida em nós, quando, enfim, O
abandonamos na procura de prazeres mundanos, conveniências ou êxitos.
Na própria Igreja, fomos testemunhas da carência de, em primeiro lugar, ensinar Cristo como Senhor. Quantos hoje sofrem profundamente de um medo inútil porque esqueceram ou até rejeitaram o Reino do Coração de Jesus nos seus corações e nos seus lares? Recordemos as palavras de Nosso Senhor a Jairo, que procurava ajuda para a sua filha moribunda: «Não tenhas receio; crê somente» (Mc 5, 36). Quantos, hoje, não têm esperança porque pensam que a vitória sobre o mal do COVID-19 depende totalmente de nós, porque se esqueceram que, embora devamos fazer tudo o que é humanamente possível para combater o grande mal, somente Deus pode abençoar os nossos esforços, dando-nos a vitória sobre as perdas e a morte? É muito triste ler documentos, inclusive documentos da Igreja, que pretendem abordar as dificuldades mais importantes que enfrentamos sem neles encontrar nenhum reconhecimento do Senhorio de Cristo, da verdade de que dependemos completamente de Deus para a nossa existência, dependemos completamente para tudo o que somos e para tudo o que temos, e que, portanto, a oração e a adoração são os nossos primeiros e mais importantes meios para combater qualquer mal.
Há alguns dias, um jovem adulto católico disse-me, como se fosse um facto lógico, que não comemoraria a Páscoa este ano devido ao coronavírus. Se a alegria da nossa celebração da Páscoa fosse simplesmente uma questão de bons sentimentos, entenderia, então, o seu sentimento. Mas a alegria da Páscoa está enraizada numa verdade eterna, a vitória de Cristo sobre o que claramente parecia ser a Sua aniquilação, a vitória conquistada na Sua natureza humana para que triunfemos na nossa natureza humana, independentemente das dificuldades que possamos estar a sofrer. Se cremos em Cristo, se confiamos nas Suas promessas, devemos celebrar com alegria a grande obra da Sua redenção.
Na própria Igreja, fomos testemunhas da carência de, em primeiro lugar, ensinar Cristo como Senhor. Quantos hoje sofrem profundamente de um medo inútil porque esqueceram ou até rejeitaram o Reino do Coração de Jesus nos seus corações e nos seus lares? Recordemos as palavras de Nosso Senhor a Jairo, que procurava ajuda para a sua filha moribunda: «Não tenhas receio; crê somente» (Mc 5, 36). Quantos, hoje, não têm esperança porque pensam que a vitória sobre o mal do COVID-19 depende totalmente de nós, porque se esqueceram que, embora devamos fazer tudo o que é humanamente possível para combater o grande mal, somente Deus pode abençoar os nossos esforços, dando-nos a vitória sobre as perdas e a morte? É muito triste ler documentos, inclusive documentos da Igreja, que pretendem abordar as dificuldades mais importantes que enfrentamos sem neles encontrar nenhum reconhecimento do Senhorio de Cristo, da verdade de que dependemos completamente de Deus para a nossa existência, dependemos completamente para tudo o que somos e para tudo o que temos, e que, portanto, a oração e a adoração são os nossos primeiros e mais importantes meios para combater qualquer mal.
Há alguns dias, um jovem adulto católico disse-me, como se fosse um facto lógico, que não comemoraria a Páscoa este ano devido ao coronavírus. Se a alegria da nossa celebração da Páscoa fosse simplesmente uma questão de bons sentimentos, entenderia, então, o seu sentimento. Mas a alegria da Páscoa está enraizada numa verdade eterna, a vitória de Cristo sobre o que claramente parecia ser a Sua aniquilação, a vitória conquistada na Sua natureza humana para que triunfemos na nossa natureza humana, independentemente das dificuldades que possamos estar a sofrer. Se cremos em Cristo, se confiamos nas Suas promessas, devemos celebrar com alegria a grande obra da Sua redenção.
Celebrar os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo não é
desrespeitar o sofrimento de tantos nestes tempos, mas reconhecer que Cristo
está connosco para vencer os nossos sofrimentos com o Seu amor. A nossa
celebração é um farol de esperança para aqueles cujas vidas foram severamente
provadas, convidando-os a depositar a sua confiança em Nosso
Senhor.
Sim, a Semana Santa este ano é muito diferente para nós. O sofrimento paralelo ao coronavírus leva a uma situação em que muitos católicos, durante a Semana Santa, não terão acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Eucaristia, que são os nossos encontros extraordinários, mas também ordinários, com o Senhor Ressuscitado, a fim de nos renovar e fortalecer na Sua vida.
Mas continua a ser a semana mais santa do ano, pois comemora os acontecimentos pelos quais estamos vivos em Cristo, pelos quais a vida eterna é nossa, mesmo diante de uma pandemia, de uma crise de saúde global. Exorto-vos, portanto, a que não cedais à mentira de Satanás, que vos convencerá de que, este ano, não tendes nada para comemorar durante a Semana Santa. Não, temos tudo para celebrar, porque Cristo nos precedeu em cada sofrimento e, agora, acompanha-nos nos nossos sofrimentos para que possamos permanecer fortes no Seu amor, o amor que vence todo o mal.
Hoje, celebramos o Domingo de Ramos, quando Cristo entrou em Jerusalém com pleno conhecimento da Paixão e da Morte que O esperava. Sabia o quão efémera era a recepção que lhe tinham preparado, uma justa recepção ao Rei do Céu e da Terra, mas superficial porque aqueles que a prestavam tinham somente uma compreensão mundana da salvação que veio a alcançar-nos. Não estavam prontos para ser um com Cristo no estabelecimento do Seu Reino eterno através dos acontecimentos da Sua Paixão e Morte. Após o Domingo de Ramos, cada dia da Semana Santa é justamente chamado santo porque faz parte do firme abraço de Cristo à Sua missão salvadora no seu ponto culminante.
Reservai, hoje, um momento para reflectir sobre a verdadeira e real recepção que oferecestes a Cristo no vosso coração e no vosso lar. Leiam, novamente, o relato da sua entrada em Jerusalém e de como, depois da sua entrada triunfante, chorou sobre Jerusalém com as palavras: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintainhos sob as asas e tu não quiseste! (Mt 23, 37). Se vós ou em vossa casa estão longe de Nosso Senhor, lembrai-vos de como Ele quer estar perto de vós para ser o convidado constante do vosso coração e do vosso lar. Permanecei com Cristo durante a Semana Santa.
Sim, a Semana Santa este ano é muito diferente para nós. O sofrimento paralelo ao coronavírus leva a uma situação em que muitos católicos, durante a Semana Santa, não terão acesso aos Sacramentos da Penitência e da Sagrada Eucaristia, que são os nossos encontros extraordinários, mas também ordinários, com o Senhor Ressuscitado, a fim de nos renovar e fortalecer na Sua vida.
Mas continua a ser a semana mais santa do ano, pois comemora os acontecimentos pelos quais estamos vivos em Cristo, pelos quais a vida eterna é nossa, mesmo diante de uma pandemia, de uma crise de saúde global. Exorto-vos, portanto, a que não cedais à mentira de Satanás, que vos convencerá de que, este ano, não tendes nada para comemorar durante a Semana Santa. Não, temos tudo para celebrar, porque Cristo nos precedeu em cada sofrimento e, agora, acompanha-nos nos nossos sofrimentos para que possamos permanecer fortes no Seu amor, o amor que vence todo o mal.
Hoje, celebramos o Domingo de Ramos, quando Cristo entrou em Jerusalém com pleno conhecimento da Paixão e da Morte que O esperava. Sabia o quão efémera era a recepção que lhe tinham preparado, uma justa recepção ao Rei do Céu e da Terra, mas superficial porque aqueles que a prestavam tinham somente uma compreensão mundana da salvação que veio a alcançar-nos. Não estavam prontos para ser um com Cristo no estabelecimento do Seu Reino eterno através dos acontecimentos da Sua Paixão e Morte. Após o Domingo de Ramos, cada dia da Semana Santa é justamente chamado santo porque faz parte do firme abraço de Cristo à Sua missão salvadora no seu ponto culminante.
Reservai, hoje, um momento para reflectir sobre a verdadeira e real recepção que oferecestes a Cristo no vosso coração e no vosso lar. Leiam, novamente, o relato da sua entrada em Jerusalém e de como, depois da sua entrada triunfante, chorou sobre Jerusalém com as palavras: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintainhos sob as asas e tu não quiseste! (Mt 23, 37). Se vós ou em vossa casa estão longe de Nosso Senhor, lembrai-vos de como Ele quer estar perto de vós para ser o convidado constante do vosso coração e do vosso lar. Permanecei com Cristo durante a Semana Santa.
Em particular, fazei da Quinta-Feira Santa um dia de profunda
acção de graças pelos Sacramentos da Sagrada Eucaristia e do Santo Sacerdócio,
que Nosso Senhor instituiu na Última Ceia. Fazei que a Sexta-Feira Santa seja
um dia tranquilo, durante o qual possais cumprir práticas penitenciais para
aprofundardes o mistério do sofrimento e da morte de Cristo. Na Sexta-Feira
Santa, louvai-O e agradecei-Lhe pelos Sacramentos da Penitência e da Unção dos
Enfermos. No Sábado Santo, vigiai com Nosso Senhor, louvando-O e
agradecendo-Lhe pelo dom da Sua graça nas nossas almas, mediante a efusão do
Espírito Santo através do Seu glorioso Coração trespassado.
Meditai
especialmente sobre como a Sua graça está em vós através dos Sacramentos do
Baptismo, da Confirmação e da Sagrada Eucaristia. Durante todos esses dias,
reflecti e agradecei a Deus pelo dom do Sacramento do Santo Matrimónio e dos
seus frutos, a família, a “Igreja doméstica” ou pequena Igreja do lar, o
primeiro lugar em que conhecemos a Deus para Lhe oferecermos oração e adoração
e para disciplinamos as nossas vidas de acordo com a Sua
Lei.
Se não puderdes participar nos ritos litúrgicos durante estes dias especialmente santos, o que, de facto, é uma grande privação, porque nada pode substituir o encontro com Cristo através dos Sacramentos, esforçai-vos por, no vosso lar, participar na Sagrada Liturgia através do vosso desejo de estar na companhia de Nosso Senhor, especialmente no mistério da Sua obra salvadora. Nosso Senhor não espera o impossível de nós, mas espera que façamos o possível para estar com Ele durante estes dias da Sua poderosa graça.
Há muitas ajudas maravilhosas para alimentar esse desejo sagrado. Em primeiro lugar, há um rico tesouro de oração na Igreja, nomeadamente: a leitura das Sagradas Escrituras, por exemplo os Salmos Penitenciais, especialmente o Salmo 51 [50], e o relato da Paixão de Nosso Senhor nos quatro Evangelhos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, meditação sobre os mistérios da nossa fé através da oração do Santo Rosário, especialmente os Mistérios Dolorosos, as Litanias do Sagrado Coração de Jesus, da Santíssima Virgem (de Loreto), de São José e dos Santos, a Via-Sacra, que também se pode fazer em casa usando as imagens das Quatorze Estações representadas num livro de orações ou num objecto sagrado, o Terço da Divina Misericórdia, as visitas a santuários, grutas e outros lugares sagrados para Nosso Senhor e para os mistérios da Encarnação redentora, e a devoção aos santos que têm sido poderosos para nos ajudar, especialmente São Roque, patrono contra as pestes.
Também no nosso tempo somos abençoados por ter acesso, através dos meios de comunicação social, aos ritos sagrados e às devoções públicas que se celebram em certas igrejas, especialmente nas igrejas dos mosteiros e conventos em que participam todos os membros da comunidade religiosa. Ver um rito sagrado transmitido não é, certamente, o mesmo que participar nele directamente, mas, se for tudo o que é possível, certamente será agradável para Nosso Senhor, que nunca deixará de nos encher com a Sua graça em resposta ao nosso humilde acto de devoção e de amor.
Em todo o caso, a Semana Santa não pode ser para nós como qualquer outra semana, mas deve ser marcada pelos mais profundos sentimentos de fé em Cristo, a nossa única salvação. Os sentimentos de fé durante estes dias mais santos são, igualmente, os sentimentos mais profundos de gratidão e de amor. Se a vossa gratidão e o vosso amor não puderem ter a sua máxima expressão através da participação na Sagrada Liturgia, deixai que se expressem na devoção dos vossos corações e lares.
Se não puderdes participar nos ritos litúrgicos durante estes dias especialmente santos, o que, de facto, é uma grande privação, porque nada pode substituir o encontro com Cristo através dos Sacramentos, esforçai-vos por, no vosso lar, participar na Sagrada Liturgia através do vosso desejo de estar na companhia de Nosso Senhor, especialmente no mistério da Sua obra salvadora. Nosso Senhor não espera o impossível de nós, mas espera que façamos o possível para estar com Ele durante estes dias da Sua poderosa graça.
Há muitas ajudas maravilhosas para alimentar esse desejo sagrado. Em primeiro lugar, há um rico tesouro de oração na Igreja, nomeadamente: a leitura das Sagradas Escrituras, por exemplo os Salmos Penitenciais, especialmente o Salmo 51 [50], e o relato da Paixão de Nosso Senhor nos quatro Evangelhos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, meditação sobre os mistérios da nossa fé através da oração do Santo Rosário, especialmente os Mistérios Dolorosos, as Litanias do Sagrado Coração de Jesus, da Santíssima Virgem (de Loreto), de São José e dos Santos, a Via-Sacra, que também se pode fazer em casa usando as imagens das Quatorze Estações representadas num livro de orações ou num objecto sagrado, o Terço da Divina Misericórdia, as visitas a santuários, grutas e outros lugares sagrados para Nosso Senhor e para os mistérios da Encarnação redentora, e a devoção aos santos que têm sido poderosos para nos ajudar, especialmente São Roque, patrono contra as pestes.
Também no nosso tempo somos abençoados por ter acesso, através dos meios de comunicação social, aos ritos sagrados e às devoções públicas que se celebram em certas igrejas, especialmente nas igrejas dos mosteiros e conventos em que participam todos os membros da comunidade religiosa. Ver um rito sagrado transmitido não é, certamente, o mesmo que participar nele directamente, mas, se for tudo o que é possível, certamente será agradável para Nosso Senhor, que nunca deixará de nos encher com a Sua graça em resposta ao nosso humilde acto de devoção e de amor.
Em todo o caso, a Semana Santa não pode ser para nós como qualquer outra semana, mas deve ser marcada pelos mais profundos sentimentos de fé em Cristo, a nossa única salvação. Os sentimentos de fé durante estes dias mais santos são, igualmente, os sentimentos mais profundos de gratidão e de amor. Se a vossa gratidão e o vosso amor não puderem ter a sua máxima expressão através da participação na Sagrada Liturgia, deixai que se expressem na devoção dos vossos corações e lares.
Comemorando, com Cristo, com a Sua Mãe Santíssima e com todos
os santos, os acontecimentos do Sagrado Tríduo, contemplamos o mistério da Sua
vida dentro de cada um de nós. Para todos, o tempo dedicado, diariamente, à
oração e à devoção, meditando a Paixão de Nosso Senhor, ajudar-nos-á a estar
com Nosso Senhor durante esses dias mais santos da melhor maneira possível
neste momento. Quanto nos deve ensinar, sobre o dom incomparável da Sagrada
Liturgia e dos Sacramentos, o sofrimento do tempo
presente!
Para terminar, garanto-vos que vós e as vossas intenções estão nas minhas orações de hoje e permanecerão nas minhas orações durante a Semana Santa e, especialmente, durante o Sagrado Tríduo de Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Sábado Santo. Que todos nós possamos estar na companhia de Cristo com as mais profundas fé, esperança e amor, enquanto celebramos estes dias santos em que sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos para nos libertar do pecado e de todo o mal e, assim, alcançar-nos a vida eterna. Possa a nossa observância da Semana Santa deste ano ser a nossa arma forte no combate em curso contra o coronavírus, COVID-19. Em Cristo, a vitória será nossa. «Não tenhas receio; crê somente» (Mc 5, 36).
Para terminar, garanto-vos que vós e as vossas intenções estão nas minhas orações de hoje e permanecerão nas minhas orações durante a Semana Santa e, especialmente, durante o Sagrado Tríduo de Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Sábado Santo. Que todos nós possamos estar na companhia de Cristo com as mais profundas fé, esperança e amor, enquanto celebramos estes dias santos em que sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos para nos libertar do pecado e de todo o mal e, assim, alcançar-nos a vida eterna. Possa a nossa observância da Semana Santa deste ano ser a nossa arma forte no combate em curso contra o coronavírus, COVID-19. Em Cristo, a vitória será nossa. «Não tenhas receio; crê somente» (Mc 5, 36).
Raymond
Leo Cardeal Burke
5 de
Abril de 2020, Domingo de Ramos
Tradução para português: diesiraept.blogspot.com
Carta do Cardeal Pell depois de ter sido libertado da prisão
Finalmente
fez-se justiça e o Cardeal Pell foi considerado inocente, por unanimidade, no
Supremo Tribunal de Justiça australiano. O Prelado havido sido falsamente
acusado de abusos sexuais de menores, condenado e estava preso, em isolamento,
há mais de 1 ano. No entanto, mantinha a boa disposição e continuava a fazer
apostolado através de cartas.
Foi
ontem libertado da prisão e escreveu esta carta que divulgou
publicamente:
Eu
sempre afirmei a minha inocência enquanto sofria uma grave injustiça. Isso foi
corrigido hoje com a decisão unânime do Supremo Tribunal. Estou ansioso para
ler o julgamento e detalhadamente as razões da decisão.
Não
tenho má vontade em relação aos meus acusadores, não quero que a minha
absolvição acrescente ainda mais mágoa e amargura que muitos sentem; há dor e
amargura suficientes.
No
entanto, o meu julgamento não foi um referendo sobre a Igreja Católica; nem um
referendo sobre como as autoridades da Igreja na Austrália lidaram com o crime
de pedofilia na Igreja. A questão era se eu havia cometido aqueles crimes
terríveis e não o fiz.
A
única base para a cura a longo prazo é a verdade e a única base para a justiça
é a verdade, porque justiça implica verdade para todos.
Um
agradecimento especial por todas as orações e milhares de cartas de apoio.
Quero
agradecer, em particular, à minha família pelo seu amor e apoio e pelo que eles
tiveram de passar; à minha pequena equipa de consultores; aos que me defenderam
publicamente e sofreram como resultado disso; e a todos os meus amigos e que me
apoiaram, aqui e no exterior.
Também
quero demonstrar o meu mais profundo agradecimento e gratidão a toda a equipa
jurídica pela sua determinação inabalável de ver a justiça prevalecer, de
lançar luz sobre a obscuridade fabricada e de revelar a verdade.
Por
último, estou ciente da actual crise de saúde. Rezo por todos os afectados e
pelo pessoal médico que se encontra na linha de frente.
Cardeal
George Pell
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Meditação sobre a morte - São Francisco de Sales
Preparação
1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus que te inspire.
3. Imagina que te achas enfermo, no leito de morte, sem nenhuma
esperança de vida.
Consideração
I. Considera, minha alma, a incerteza do dia da morte. Um dia
sairás do teu corpo. Quando será? Será no Inverno ou no Verão ou em alguma
outra estação do ano? No campo ou na cidade, de noite ou de dia? Será dum modo
súbito ou com alguma preparação? Será por algum acidente violento ou por uma
doença? Terás tempo e um sacerdote para te confessares? Tudo isto é
desconhecido, nada sabemos, a não ser que havemos de morrer indubitavelmente e
sempre mais cedo que pensamos.
II. Considera no teu espírito que então para ti já não haverá
mundo, vê-lo-ás perecer ante os teus olhos; porque então os prazeres, as
vaidades, as honras, as riquezas, as amizades vãs, tudo isso se te afigurará
como um fantasma, que se dissipará ante as tuas vistas. Ah! Então haverás de
dizer: por umas bagatelas, umas quimeras, ofendi a Deus, isto é, perdi o meu
tudo por um nada. Ao contrário, grandes e doces parecer-te-ão então as boas
obras, a devoção e as penitências, e haverás de exclamar: Oh! Por que não segui
eu esta senda feliz? Então, os teus pecados, que agora tens por uns átomos,
parecer-te-ão montanhas e tudo o que crês possuir de grande em devoção será
reduzido a um quase nada.
III. Medita esse adeus grande e triste que a tua alma dirá a este
mundo, às riquezas e às vaidades, aos amigos, aos teus pais, aos teus filhos, a
um marido, a uma mulher, ao teu próprio corpo, que abandonarás imóvel, hediondo
de ver e todo desfeito pela corrupção dos humores.
IV. Prefigura vivamente com que pressa levarão embora este corpo
miserável, para lançá-lo na terra, e considera que, passadas essas cerimónias
lúgubres, já não se pensarão mais de todo em ti, assim como tu não pensas nas
pessoas que já morreram. “Deus o tenha em paz” — há de dizer-se — e com isso
está tudo acabado para ti neste mundo. Ó morte, sem piedade és tu! A ninguém
poupas neste mundo.
V. Adivinhas, se podes, que rumo seguirá tua alma, ao deixar o teu
corpo. Ah! Para que lado se há de voltar? Por que caminho entrará na
eternidade? — É exactamente por aquele que encetou já nesta vida.
São Francisco de Sales in 'Filoteia - Introdução
à Vida Devota', Cap.XIII
A importância educativa de não receber a gratificação imediata
Sabiam que há uma ligação entre a vossa criança esperar pela oração de
bênção antes das refeições e a sua capacidade para evitar sexo antes do
casamento?
Sim, tem tudo a ver com a satisfação em atraso. Quando nos sentamos à mesa,
é justo e correcto que primeiro agradeçamos a Deus e peçamos a Sua
bênção sobre a comida que estamos prestes a desfrutar. Depois, e só
depois, pegamos nos nossos garfos e comemos.
Os meninos pequenos são normalmente tentados a roubar um bocado de comida
dos seus pratos enquanto a mãe está voltada para trazer o último prato para a
mesa. É dever dos pais parar isto. As crianças têm que aprender a esperar.
Porquê?
Bem, um dia os apetites deles não vão só incluir a comida para a
preservação do corpo humano, mas vão ter um apetite intenso para a preservação
da raça humana. Ser-lhes-à permitido mordiscar um bocado aqui e ali antes da
bênção? Para o caso de não estarem a seguir a analogia:
criança com
fome -> benção do jantar -> satisfação do apetite da fome
pessoa jovem
-> bênção matrimonial -> satisfação do apetite sexual
Se o Timmy
aprender que pode comer antes da família estar reunida e antes do pai pedir a
bênção, provavelmente não vai esperar para ter sexo antes da família estar
reunida na igreja e o Padre ter pronunciado a bênção religiosa à noiva do
Timmy e ao Timmy no altar.
E isto não é
só sobre as refeições de família. É sobre tudo. Escola, trabalho,
Advento, Quaresma, jejum Eucarístico, abstinência às Sextas,
penitência, preparação sacramental, gravidez, preparação dos filhos, doença,
morte natural e assim por diante. O Catolicismo é a religião
da satisfação atrasada. Se vivermos apenas para ter prazer no agora, não vamos
ter felicidade no futuro. Cristo instituiu a Sua Igreja Católica para nos
providenciar com mini-desafios todos os dias. O jejum Eucarístico é um exemplo
óbvio. Humilhar-se a si mesmo no confessionário antes de receber a Sagrada
Eucaristia é outro. É aprender a fazer algo difícil ou inconveniente por algum
bem maior.
Regressemos ao
Timmy. Se o Timmy aprender a quebrar o jejum eucarístico ou a fazer batota nos
seus propósitos durante a Quaresma, o que irá fazer noutras áreas da vida?
Irá até aos limites, mas no final vai falhar porque não percebe que todo
o sucesso deriva da satisfação em atraso - tanto temporal como eterno.
O que é que se
está a passar?
Muitos dos
jovens de hoje foram educados para rejeitar a satisfação atrasada. São produtos
das sociedades que glorificam a satisfação imediata. Querem trabalhos
significativos... agora. Querem ser directores de galerias de arte,
professores, CEOs, directores de ONGs, realizadores de cinema, criadores de
Facebook, autores, actores e poetas. O que eles não percebem é que é preciso
mesmo imenso trabalho forçado para chegar a essas profissões, na verdade
para chegar a qualquer profissão.
É por isto que
temos que nos aperceber do valor do Catolicismo para a nossa cultura. O
Catolicismo, neste ponto de vista, ajuda-nos de duas maneiras. A primeira é
sobrenatural e a segunda natural, temporal e social. Primeiro, a teologia
Católica de esperar confirma que as honras e os elogios deste mundo são vaidade
das vaidades A Fé foi o que guiou o Sacro-Imperador Romano Carlos V
a resignar ao seu poder e a viver os seus últimos dias num mosteiros
recôndito. Os pequenos e naturais prazeres da vida não são dignos de ser
trocados por uma felicidade sobrenatural enorme que será ganha na segunda. Esta
vida é em si uma espera prolongada por algo melhor e muito para além disto.
Em segundo
lugar, a teologia de esperar ou a satisfação em atraso não é de passividades.
Vocês estão activos e a esperar. Ao contrário da ideologia
dos hipsters a fumar tabaco de enrolar e a queixar-se daqueles
tipos de camisa sem expressão que pertencem ao "um por cento", a
teologia de esperar pede o sacrifício agora por algo melhor mais tarde.
Portanto, se querem um trabalho significativo, levantem-se e produzam algo.
Contribuam. Ninguém quer saber das vossas ideias e sentimentos, a não ser que
contribuam para alguma coisa. Se são artistas, pode demorar 20 anos até
venderem realmente alguma coisa. Se não conseguem aceitar isso então não atirem
um ataque de mau humor a queixar-se sobre o mundo. Aprendam um pouco de
gratificação atrasada. Escrevam os vossos objectivos e apercebam-se que demora
muito tempo a atingir objectivos importantes.
A contracepção
é o exemplo perfeito do desejo da nossa sociedade para a satisfação
instantânea. A contracepção é a ideia de que podem ter montes e montes de
prazer imediato sem o compromisso com uma pessoa (um acto de sacrifício), sem o
compromisso com uma gravidez (um acto de muito sacrifício) e sem o compromisso
de educar uma pessoa humana durante dezoito anos (um acto de imenso sacrifício)
De volta ao
Timmy por uma última vez. Desde que o Timmy nasceu, ele vai mantendo o seu
"limite de espera". Ele vai observar o "limite de espera"
dos seus pais. Será que vivem numa fantasia? Será que entram em dívidas para se
divertirem agora? Fazem penitência? São hipócritas religiosos? Depois ele vai
começar a ver como o padrão do "limite de espera" se aplica a ele.
É-lhe permitido ter ataques de mau humor quando não é imediatamente satisfeito?
Vai perseverar nas tarefas da casa? Vai acabar os trabalhos de casa? Vai manter
o jejum Eucarístico antes da Missa ou vai roubar uma bolacha antes da Missa?
Vai manter os costumes simples tais como não comer antes da bênção?
Se o Timmy não
aprender este princípio Católico da satisfação em atraso, no que é que se vai
tornar? Vai-se tornar num hipster contraceptivo com um
bacharelato à espera um trabalho de 60 mil dólares lhe caia no colo.
Infelizmente, ele vai ser um nada. Pior de tudo, não vai viver a vida abundante
de Cristo prometida àqueles que tomarem a sua cruz e O seguirem.
Claro, não é
fácil assumir esta teologia de esperar. É o ensinamento mais difícil do
Catolicismo. Tal como a Bem-Aventurada Virgem Maria disse a Santa Bernadette,
"Prometo que vou fazer-se feliz, não neste mundo, mas no próximo."
Estas palavras assustam-me. No entanto, é uma promessa concreta. Nenhum de nós
vai ser perfeitamente feliz nesta vida. Simplesmente não vai acontecer. O C. S.
Lewis uma vez especulou que se Deus nos desse a felicidade perfeita nesta vida,
seria injusto , dado que pararíamos de procurar o próprio Deus. S. Tomás de
Aquino diria que é impossível encontrar felicidade em mais lado nenhum dado que
o nosso Summum Bonum não é outro a além do próprio Deus.
Por isso não
se calem sobre a satisfação em atraso. A vida não vai ser perfeita. Abracem
esta verdade. Há liberdade nela. Há alegria ao realizá-la. Aqui está o
versículo que resume tudo muito bem:
"Pelo
contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que
vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada a sua glória."
(1Pedro 4, 13)
E outra:
"Entretanto aquele que perseverar até ao fim será salvo." (Mateus 24,
13)
Taylor Marshall
domingo, 5 de abril de 2020
O ritual de bater na porta durante a procissão de Domingo de Ramos
A procissão de Domingo de Ramos, no Missal pre-55, tem algumas
particularidades. Uma delas é o bater na porta três vezes com a cruz, antes da
procissão voltar a entrar na igreja. As portas fechadas simbolizam as
portas do Céu, que ficaram fechadas à Humanidade depois do pecado dos nossos
primeiros pais, Adão e Eva.
O
único capaz de abrir essa porta seria Jesus Cristo, Deus feito Homem. A cruz
bate três vezes na porta porque foi através da cruz que fomos salvos e é por
causa da morte de Cristo na Cruz que as portas do Céu se abriram, tal como se
abrem as portas da igreja para que a procissão, que simboliza os justos, possa
entrar.
sábado, 4 de abril de 2020
101 anos do 'dies natalis' de São Francisco Marto
Faz hoje (4 de Abril) 101
anos que São Francisco Marto - um dos três Pastorinhos de Fátima - foi
para o Céu. Morreu vítima da pandemia da pneumónica (gripe espanhola), tal como
a Jacinta, que adoeceu primeiro, em Outubro de 1918, e morreu a 20 de Fevereiro
de 1920.
«Na doença, o Francisco
mostrou-se sempre alegre e contente. Às vezes, [Lúcia] perguntava-lhe:– Sofres
muito, Francisco?– Bastante; mas não importa. Sofro para consolar a Nosso
Senhor; e depois, daqui a pouco, vou para o Céu!– Lá, não te esqueças de pedir
a Nossa Senhora que me leve para lá também depressa.– Isso não peço! Tu bem
sabes que Ela não te quer lá ainda.
Nas vésperas de morrer,
[disse à Lúcia]:– Olha: estou muito mal; já me falta pouco para ir para o Céu.–
Então vê lá: não te esqueças de lá pedir muito por os pecadores, por o Santo
Padre, por mim e pela Jacinta.– Sim, eu peço. Mas olha: essas coisas pede-as à
Jacinta, que eu tenho medo de me esquecer, quando vir a Nosso Senhor! E depois
antes O quero consolar.»
in Memórias da Irmã Lúcia
Monges Beneditinos de Núrcia contam como vivem estes tempos
No meio da pandemia de Coronavírus, a vida dos monges em Núrcia (todos
saudáveis até agora) continua quase
normal, com algumas excepções. Todas as manhãs, durante a Missa Solene conventual, acrescentamos algumas orações contra a pestilência. À tarde, fazemos uma procissão
através da propriedade com relíquias da Verdadeira Cruz, orando pela libertação
de 'pragas, fomes e guerras', como fizeram os antigos, que sabiam que essas
tribulações frequentemente acontecem em conjunto.
As medidas adoptadas pelo governo italiano fizeram com que a maioria dos
italianos agora viva num claustro imposto nas suas casas e que os nossos amigos
nos outros países não possam viajar (para nos visitar). A ocultação do mundo
assume um simbolismo quase sacramental durante esta crise extraordinária.
Durante séculos, não foi possível ver de perto os mistérios do altar. Em
certos períodos, as cortinas eram fechadas nos momentos mais importantes da
Missa. Ainda hoje, as orações solenes de consagração são ditas em vez baixa -
com um sussurro - à medida que o drama da liturgia se desenrola.
A ocultação intrínseca na Missa (como uma iconostase no rito bizantino) foi
comum a todos, de alguma forma, durante muitas centenas de anos; proporcionava
uma atmosfera de mistério. No mundo de hoje, que exige ver para crer, Deus
oferece-nos esta oportunidade de redescobrir o mistério - o mistério da
eficácia invisível da Missa (2Cor 4, 18). Temos de confiar num remédio
invisível para a nossa salvação diante desta ameaça invisível.
quinta-feira, 2 de abril de 2020
terça-feira, 31 de março de 2020
O Coronavírus e a mão de Deus – Entrevista ao Arcebispo Carlo Maria Viganò
Excelência,
com que olhar deve o cristão avaliar a pandemia do
COVID-19?
A pandemia do Coronavírus, como todas as doenças e a própria morte, são uma consequência do Pecado Original. A culpa de Adão, cabeça da humanidade, privou-o a ele e aos seus descendentes não apenas da Graça, mas também de todos os dons que Deus lhe tinha dado na Criação. A partir desse momento, a doença e a morte entraram no mundo, qual punição por ter desobedecido a Deus. A Redenção anunciada no Protoevangelho (Gn 3), profetizada no Antigo Testamento e concretizada com a Encarnação, a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor, redimiu da condenação eterna Adão e a sua descendência, mas permitiu que as suas consequências permanecessem como marca da antiga queda e fossem definitivamente readmitidas apenas à Ressurreição da Carne, que professamos no Credo, e que ocorrerá antes do Juízo final. Isso deve ser recordado, especialmente num momento em que os princípios basilares do Catecismo são ignorados ou negados.
O católico sabe que a doença e, portanto, também as epidemias, o sofrimento, a privação dos entes queridos, devem ser aceites com Fé e Humildade também em expiação dos nossos próprios pecados. Graças à Comunhão dos Santos – através da qual os méritos de cada baptizado se transmitem também aos outros membros da Igreja –, podemos oferecer tais provas também para o perdão dos pecados dos outros, para a conversão daqueles que não crêem, para abreviar a purificação das almas santas do Purgatório. Um infortúnio como o COVID-19 também pode ser uma preciosa oportunidade para crescer na Fé e na Caridade operosa.
Como se pode ver, limitar-se ao aspecto meramente clínico da doença – que obviamente deve ser combatida e curada – tira qualquer dimensão transcendente à nossa vida, privando-a daquele olhar sobrenatural sem o qual é inevitável fechar-se num egoísmo surdo e sem esperança.
Alguns membros da Hierarquia e sacerdotes afirmaram que «Deus não pune» e que considerar o Coronavírus como um flagelo «é uma ideia pagã». Está de acordo?
A primeira punição, como dizia há pouco, foi infligida ao nosso Progenitor. Mas, como diz o Exultet que entoaremos na noite de Sábado Santo: O felix culpa, qui talem ac tantum meruit habere Redemptorem! Oh ditosa culpa, que nos mereceu tão grande Redentor!
Um pai que não pune demonstra não amar o filho, mas desinteressar-se por ele; um médico que observa indiferente o paciente piorando até à gangrena não quer a sua cura. O Senhor é um Pai muito amoroso porque nos ensina como nos devemos comportar para merecer a eterna beatitude do Céu, e quando, com o pecado, desobedecemos aos Seus preceitos, Ele não nos deixa morrer, mas vem-nos procurar, envia-nos muitos sinais – por vezes vezes severos, como é justo – para que nos arrependamos, façamos penitência e recuperemos a amizade com Ele. Vós sereis Meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando (Jo 15, 14). Parece-me que as palavras do Senhor não dão origem a mal-entendidos.
Gostaria também de acrescentar que a verdade de um Deus justo que recompensa os bons e pune os iníquos faz parte da herança comum à lei natural que o Senhor incutiu em todos os homens de todas as épocas: um chamamento irreprimível do Paraíso terrestre, que também permite que os pagãos compreendam como a Fé Católica é o necessário cumprimento daquilo que sugere um coração sincero e bem-disposto. Surpreende-me que hoje, em vez de se evidenciar esta verdade profundamente inscrita no coração de cada homem, aqueles que parecem ter tanta simpatia pelos cultos pagãos não aceitem a única coisa que, desde sempre, a Igreja considerou importante para atraí-los para Cristo.
Vossa Excelência acredita que existem pecados que provocaram, de modo particular, a ira de Deus?
Os crimes com que cada um de nós se mancha diante de Deus são um golpe de martelo nos pregos que perfuraram as Mãos do nosso Redentor, uma chicotada que rasgou a carne do Seu santíssimo Corpo, um escarro no Seu Rosto amoroso. Se tivéssemos este pensamento diante de nós, nenhum de nós ousaria pecar. E quem pecou, não pararia de chorar até ao fim dos seus dias. No entanto, esta é a realidade: na Sua Paixão, o nosso divino Salvador assumiu sobre Si não apenas o Pecado Original, mas também todos os nossos pecados, de todos os tempos e de todos os homens. E o mais maravilhoso é que Nosso Senhor quis enfrentar a morte na Cruz, quando uma única gota do Seu preciosíssimo Sangue seria suficiente para nos redimir: Cujus una stilla salvum facere totum mundum abit ab omni sclere, como nos ensina São Tomás.
Mas, para além dos pecados cometidos individualmente, também existem os pecados cometidos pelas sociedades, pelas Nações. O aborto, que também durante a pandemia continua a matar crianças inocentes; o divórcio, a eutanásia, o horror do chamado casamento homossexual, a celebração da sodomia e das piores perversões, a pornografia, a corrupção dos pequenos, a especulação das elites financeiras, a profanação do domingo...
Posso perguntar-lhe porquê que faz uma distinção entre culpas individuais e culpas das Nações?
São Tomás de Aquino ensina-nos que, tal como é dever do indivíduo reconhecer, adorar e obedecer ao verdadeiro Deus, também a sociedade – que é precisamente composta por indivíduos – não pode deixar de reconhecer Deus e garantir que as próprias leis permitam aos seus membros alcançar o bem espiritual a que se destinam. Nações que não apenas ignoram Deus, mas que O negam abertamente; que exigem que os seus súbditos aceitem leis contrárias à Moral natural e à Fé católica, como o reconhecimento dos direitos ao aborto, à eutanásia e à sodomia; que se esforçam pela corrupção das crianças, profanando a sua inocência; que permitem o direito a blasfemar contra a divina Majestade, não podem considerar-se isentas da punição de Deus. Assim, se quiserem obter perdão público, os pecados públicos requerem confissão pública e pública expiação. Não esqueçamos que a comunidade eclesial, também enquanto sociedade, onde os seus líderes sejam responsáveis por ofensas colectivas, não está isenta das punições celestiais.
Isso significa que também existem culpas da Igreja?
A Igreja é sempre em si mesma infalivelmente santa, uma vez que é o Corpo Místico de Nosso Senhor, e seria não só imprudente, mas também blasfemo só pensar que a divina instituição que a Providência colocou na terra como dispensadora da Graça e única arca de salvação possa, mesmo que minimamente, ser imperfeita. Os louvores que atribuímos à Santíssima Virgem – que é, de facto, Mater Ecclesiae – também se aplicam à Igreja: é mediadora das graças, através dos Sacramentos; é Mãe de Cristo, de Quem gera os membros; Arca da Aliança, ou seja, guardiã do Pão celestial e dos Mandamentos; a Igreja é refúgio dos pecadores, a quem concede o perdão na Confissão; saúde dos enfermos, a quem dispensa sempre os próprios cuidados; rainha da paz, que promove entre os povos pregando o Evangelho.
Mas também é terribilis ut castrorum acies ordinata,
porque o Senhor deu aos seus Ministros o poder de expulsar os demónios e a
autoridade das Sagradas Chaves, graças às quais abre ou fecha as portas do Céu.
E não esqueçamos que a Igreja não é apenas a Igreja Militante na terra, mas que
também há a Igreja Triunfante e a Purgante, cujos membros são todos Santos.
Mas é verdade que, se a Igreja de Cristo é santa, também pode ser pecadora nos seus membros aqui na terra e também na sua Hierarquia. Nestes tempos difíceis, temos, infelizmente, numerosos exemplos de clérigos indignos, como os escândalos dos abusos por parte de clérigos e até mesmo de altos Prelados. A infidelidade dos Pastores Sagrados é um escândalo para os seus irmãos e para muitos fiéis, não apenas quando se trata da luxúria ou do desejo de poder, mas também – e eu diria acima de tudo – quando afecta a integridade da Fé, a pureza da doutrina e a santidade da moral, culminando mesmo em episódios de inaudita gravidade, como, por exemplo, no caso da adoração do ídolo da pachamama no Vaticano. De facto, creio que o Senhor está particularmente indignado com a multidão de pecados e escândalos daqueles que deveriam servir de exemplo e modelo, enquanto Pastores, para o rebanho que lhes foi confiado.
Não esqueçamos, para além disso, que o exemplo dado por grande parte da Hierarquia não é escandaloso apenas para os Católicos, mas também para muitas pessoas que, embora não tenham a graça de lhes pertencer, olham para eles como um farol e um ponto de referência. E não só: esse flagelo não pode eximir a Igreja, na sua própria Hierarquia, de realizar um severo exame de consciência por se ter rendido ao mundo; não pode fugir ao dever de condenar firmemente os erros que deixou desenfrear no seu seio a partir do Vaticano II e que atraíram, para a própria Igreja para o mundo, justas punições porque precisamos de nos arrepender e voltar a Deus.
Dói-me notar que ainda hoje, quando todos nós somos testemunhas da cólera divina que atinge o mundo, se continua a ofender a Majestade de Deus ao falar da «vingança da mãe terra que reclama respeito», como afirmou o Papa Bergoglio, há alguns dias, na sua enésima entrevista. Urge, em vez disso, pedir perdão pelo sacrilégio perpetrado na Basílica de São Pedro, reconsagrando-a, de acordo com as normas canónicas, antes de se celebrar novamente o Santo Sacrifício. E também se deveria realizar uma solene procissão penitencial, mesmo só de Prelados, conduzidos pelo Papa, para implorarem a misericórdia de Deus sobre si e sobre o povo. Seria um gesto de autêntica humildade, que muitos fiéis esperam, em reparação dos pecados cometidos.
Como conter a perplexidade pelas palavras proferidas, em Santa Marta, durante a homilia da Missa de 26 de Março, pelo Papa Bergoglio? O Papa disse: «Que o Senhor não nos encontre, no fim da vida, e diga de cada um de nós: “Deixaste-te perverter. Afastaste-te do caminho que Eu indiquei. Prostraste-te diante de um ídolo”». Ficamos completamente chocados e indignados ao ouvir estas palavras, considerando que ele mesmo consumou um verdadeiro sacrilégio diante de todo o Mundo, mesmo no Altar da Confissão de São Pedro, uma profanação, um acto de apostasia com o ídolo imundo e demoníaco da pachamama.
No dia da Anunciação de Maria Santíssima, os Bispos de Portugal e de Espanha consagraram as suas Nações ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. A Irlanda e a Grã-Bretanha fizeram o mesmo. Muitas Dioceses e cidades, na pessoa dos seus Bispos e das Autoridades públicas, colocaram as suas comunidades sob a protecção da Virgem. Como avalia estes acontecimentos?
Mas é verdade que, se a Igreja de Cristo é santa, também pode ser pecadora nos seus membros aqui na terra e também na sua Hierarquia. Nestes tempos difíceis, temos, infelizmente, numerosos exemplos de clérigos indignos, como os escândalos dos abusos por parte de clérigos e até mesmo de altos Prelados. A infidelidade dos Pastores Sagrados é um escândalo para os seus irmãos e para muitos fiéis, não apenas quando se trata da luxúria ou do desejo de poder, mas também – e eu diria acima de tudo – quando afecta a integridade da Fé, a pureza da doutrina e a santidade da moral, culminando mesmo em episódios de inaudita gravidade, como, por exemplo, no caso da adoração do ídolo da pachamama no Vaticano. De facto, creio que o Senhor está particularmente indignado com a multidão de pecados e escândalos daqueles que deveriam servir de exemplo e modelo, enquanto Pastores, para o rebanho que lhes foi confiado.
Não esqueçamos, para além disso, que o exemplo dado por grande parte da Hierarquia não é escandaloso apenas para os Católicos, mas também para muitas pessoas que, embora não tenham a graça de lhes pertencer, olham para eles como um farol e um ponto de referência. E não só: esse flagelo não pode eximir a Igreja, na sua própria Hierarquia, de realizar um severo exame de consciência por se ter rendido ao mundo; não pode fugir ao dever de condenar firmemente os erros que deixou desenfrear no seu seio a partir do Vaticano II e que atraíram, para a própria Igreja para o mundo, justas punições porque precisamos de nos arrepender e voltar a Deus.
Dói-me notar que ainda hoje, quando todos nós somos testemunhas da cólera divina que atinge o mundo, se continua a ofender a Majestade de Deus ao falar da «vingança da mãe terra que reclama respeito», como afirmou o Papa Bergoglio, há alguns dias, na sua enésima entrevista. Urge, em vez disso, pedir perdão pelo sacrilégio perpetrado na Basílica de São Pedro, reconsagrando-a, de acordo com as normas canónicas, antes de se celebrar novamente o Santo Sacrifício. E também se deveria realizar uma solene procissão penitencial, mesmo só de Prelados, conduzidos pelo Papa, para implorarem a misericórdia de Deus sobre si e sobre o povo. Seria um gesto de autêntica humildade, que muitos fiéis esperam, em reparação dos pecados cometidos.
Como conter a perplexidade pelas palavras proferidas, em Santa Marta, durante a homilia da Missa de 26 de Março, pelo Papa Bergoglio? O Papa disse: «Que o Senhor não nos encontre, no fim da vida, e diga de cada um de nós: “Deixaste-te perverter. Afastaste-te do caminho que Eu indiquei. Prostraste-te diante de um ídolo”». Ficamos completamente chocados e indignados ao ouvir estas palavras, considerando que ele mesmo consumou um verdadeiro sacrilégio diante de todo o Mundo, mesmo no Altar da Confissão de São Pedro, uma profanação, um acto de apostasia com o ídolo imundo e demoníaco da pachamama.
No dia da Anunciação de Maria Santíssima, os Bispos de Portugal e de Espanha consagraram as suas Nações ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. A Irlanda e a Grã-Bretanha fizeram o mesmo. Muitas Dioceses e cidades, na pessoa dos seus Bispos e das Autoridades públicas, colocaram as suas comunidades sob a protecção da Virgem. Como avalia estes acontecimentos?
Estes são gestos que constituem um bom presságio, embora insuficientes para reparar as nossas culpas e até agora ignorados pelos líderes da Igreja, enquanto o povo cristão clama aos seus Pastores, em voz alta, por um gesto solene e colectivo. Nossa Senhora, em Fátima, pediu que o Papa e todos os Bispos consagrassem a Rússia ao Seu Imaculado Coração, anunciando infortúnios e guerras até que isso não acontecesse. Os Seus apelos continuam por ser atendidos. Os Pastores arrependam-se e obedeçam à Santíssima Virgem! É vergonhoso e escandaloso que a Igreja em Itália não se tenha unido a esta iniciativa!
Como vê a suspensão das celebrações que envolveu quase todo o mundo?
Este é um grande sofrimento, mais, eu diria o maior que se impôs aos nossos fiéis, especialmente aos moribundos, privando-os de recorrer aos Sacramentos.
Nestas situações, parecia que a Hierarquia, à excepção de raros casos, não tinha escrúpulos ao fechar as igrejas e impedir a participação dos fiéis no Santo Sacrifício da Missa. Mas esta atitude de burocratas frios, de executores da vontade do Príncipe, agora é compreendida pela maioria dos fiéis como um inquietante sinal da falta de Fé. E como podemos culpá-los?
Questiono-me – e tremo ao dizê-lo – se o encerramento das igrejas e a suspensão das celebrações não é uma punição que Deus acrescentou à pandemia. Ut scirent quia per quae peccat quis, para haec et torquetur. A fim de que compreendessem que por onde cada um peca, por aí será atormentado (Sab 11, 16). Ofendido pela negligência e desrespeito de tantos dos Seus Ministros; ultrajado pelas profanações do Santíssimo Sacramento, que se perpetuam diariamente com o sacrílego hábito de administrar a Comunhão na mão; cansado de suportar canções vulgares e sermões heréticos, o Senhor ainda hoje se compraz – no silêncio de muitos altares – em ouvir ser-Lhe elevado o louvor austero e composto de tantos sacerdotes que celebram a Missa de sempre, aquela Missa que remonta aos tempos apostólicos e que ao longo da história representa o coração palpitante da Igreja. Levemos muito a sério este aviso: Deus non irridetur.
Compreendo e partilho, evidentemente, o devido respeito pelos princípios básicos de proteção e segurança que a Autoridade civil estabelece para a saúde pública. Mas, assim como esta tem o direito de intervir em questões concernentes ao corpo, a Autoridade eclesiástica tem o direito e o dever de se ocupar da saúde das almas e não pode privar os seus fiéis do nutrimento da Santíssima Eucaristia, nem tampouco da Confissão, da Missa e do Sagrado Viático.
No entanto, quando as lojas e os restaurantes ainda estavam abertos, muitas Conferências Episcopais já tinham ordenado a suspensão das celebrações sem que as Autoridades civis o tivessem solicitado. Esta atitude revela a dolorosa situação em que se encontra a Hierarquia, disposta a sacrificar o bem das almas para agradar o poder do Estado ou a ditadura do pensamento único.
A propósito de restaurantes abertos: como é que vê os almoços para os pobres que foram realizados, nos últimos meses, em locais de culto?
Para o Católico, a assistência aos necessitados tem o próprio motor na virtude da Caridade, isto é, no próprio Deus: Deus caritas est. Ele ama o Senhor acima de todas as coisas, e o próximo como a si mesmo, porque nos permite – de acordo com as Bem-Aventuranças evangélicas – ver Cristo no pobre, no enfermo, no preso, no órfão. A Igreja sempre foi, desde o início, um brilhante exemplo neste sentido, a ponto de os próprios pagãos se sentirem edificados. A História atesta as impressionantes obras de assistência estabelecidas graças à munificência dos seus fiéis, mesmo em tempos de aberta hostilidade do Estado, que apreendeu os bens das fundações pelo ódio que a Maçonaria tinha em relação a um testemunho tão claro dos Católicos. A atenção aos pobres e marginalizados, portanto, não é nova no novo caminho bergogliano, apanágio de organizações ideologicamente alinhadas.
Mas é significativo que a ênfase em ajudar os pobres se revele não apenas privada de qualquer referência sobrenatural, mas que se limite às obras da misericórdia corporal, evitando meticulosamente as de misericórdia espiritual. E não só: este último Pontificado ratificou definitivamente a renúncia ao apostolado, à missionariedade da Igreja também neste contexto, liquidando-a com o termo depreciativo de proselitismo. Pensa-se em oferecer alimentos, hospitalidade e assistência médica, mas não nos preocupamos em alimentar, acolher e curar na alma aqueles que precisam, reduzindo, assim, a Igreja a uma ONG com propósitos filantrópicos.
Mas a Caridade não é uma
variação da filantropia de inspiração maçónica, apenas encoberta por uma vaga
espiritualidade, mas o seu exacto oposto; porque a solidariedade hoje praticada
nega que exista apenas uma Religião verdadeira e que a sua mensagem salvadora
deva, portanto, ser pregada àqueles que ainda não fazem parte dela. E não só:
devido aos desvios que entraram na Igreja com o Concílio em matéria de
liberdade religiosa e ecumenismo, os órgãos de assistência social acabam por
confirmar as pessoas que lhes foram confiadas no erro do paganismo ou do
ateísmo, chegando ao ponto de oferecer locais de culto onde possam rezar. Também
vimos casos deploráveis de Missas durante as quais, a pedido do sacerdote, em vez do Evangelho foi
proclamado o Alcorão ou, para retomar casos recentes, foi dada a oportunidade
de praticar rituais idólatras numa igreja
católica.
Acredito que a decisão de destinar as igrejas para refeitórios ou dormitórios para acolher pessoas necessitadas é um fenómeno revelador dessa hipocrisia subjacente que, como no caso do ecumenismo, usa um pretexto aparentemente louvável – ajudar os necessitados, acolher os refugiados etc. – como instrumento para realizar progressivamente o sonho maçónico de uma grande religião universal sem dogmas, sem ritos, sem Deus. Usar uma igreja como taberna, na presença de Prelados satisfeitos que servem pizzas ou costeletas com roupas e avental riscados, significa profaná-la; especialmente quando os que sorriem para os fotógrafos tomam cuidado para não abrir as portas do Palácio Episcopal àqueles que, no fundo, consideram úteis para a prossecução de outros propósitos. Regressando ao que disse anteriormente, parece-me que mesmo estes sacrilégios estão na origem da pandemia e no encerramento das igrejas.
Parece-me também que, com muita frequência, se tenta fazer um espectáculo com a pobreza ou o estado de necessidade de tantas pessoas infelizes – como no caso dos desembarques de imigrantes ilegais transportados por organizações de verdadeiros esclavagistas – com o único objectivo de pôr em movimento a indústria da hospitalidade, por trás da qual se escondem não apenas mesquinhos interesses económicos, mas também uma não confessada cumplicidade com aqueles que querem a destruição da Europa cristã a começar pela Itália.
Em alguns casos – por exemplo em Itália, em Cerveteri – as forças policiais interromperam a celebração de uma Missa. Como se coloca a Autoridade Eclesiástica diante destes episódios?
Acredito que a decisão de destinar as igrejas para refeitórios ou dormitórios para acolher pessoas necessitadas é um fenómeno revelador dessa hipocrisia subjacente que, como no caso do ecumenismo, usa um pretexto aparentemente louvável – ajudar os necessitados, acolher os refugiados etc. – como instrumento para realizar progressivamente o sonho maçónico de uma grande religião universal sem dogmas, sem ritos, sem Deus. Usar uma igreja como taberna, na presença de Prelados satisfeitos que servem pizzas ou costeletas com roupas e avental riscados, significa profaná-la; especialmente quando os que sorriem para os fotógrafos tomam cuidado para não abrir as portas do Palácio Episcopal àqueles que, no fundo, consideram úteis para a prossecução de outros propósitos. Regressando ao que disse anteriormente, parece-me que mesmo estes sacrilégios estão na origem da pandemia e no encerramento das igrejas.
Parece-me também que, com muita frequência, se tenta fazer um espectáculo com a pobreza ou o estado de necessidade de tantas pessoas infelizes – como no caso dos desembarques de imigrantes ilegais transportados por organizações de verdadeiros esclavagistas – com o único objectivo de pôr em movimento a indústria da hospitalidade, por trás da qual se escondem não apenas mesquinhos interesses económicos, mas também uma não confessada cumplicidade com aqueles que querem a destruição da Europa cristã a começar pela Itália.
Em alguns casos – por exemplo em Itália, em Cerveteri – as forças policiais interromperam a celebração de uma Missa. Como se coloca a Autoridade Eclesiástica diante destes episódios?
O caso de Cerveteri foi provavelmente um excesso de zelo por parte de dois polícias municipais, certamente stressados pelo clima alarmante que surgiu no início da epidemia. Mas deve ficar claro que, especialmente numa nação como Itália – em que existe uma Concordata entre a Igreja Católica e o Estado –, a autoridade em locais de culto é exclusivamente reconhecida à Autoridade eclesiástica e, portanto, teria sido mais do que necessário que a Santa Sé e o Ordinário local protestassem firmemente por uma violação do Pacto de Latrão, confirmado em 1984 e ainda válido. Mais uma vez, o exercício da autoridade por parte dos Pastores – que deriva directamente de Deus – dissolve-se como neve ao sol, demonstrando uma pusilanimidade que poderia um dia autorizar abusos muito piores. Aproveito esta ocasião para solicitar uma condenação muito firme destas interferências intoleráveis por parte da Autoridade civil em questões de imediata e directa competência da Autoridade Eclesiástica.
O Papa Francisco convidou, a 25 de Março, todos os Cristãos, independentemente de serem ou não Católicos, a rezarem o Pater noster, pedindo a Deus o fim da pandemia, e deu a entender que mesmo aqueles que professam outras religiões poderiam unir-se à sua oração.
O relativismo religioso insinuado pelo Concílio eliminou a persuasão de que a Fé Católica é o único caminho de salvação e que o Deus Uno e Trino que adoramos é o único Deus verdadeiro.
O Papa Bergoglio declarou, na Declaração de Abu Dhabi, que todas as religiões são desejadas por Deus: esta não é apenas uma heresia, mas uma forma de gravíssima apostasia e uma blasfémia. Porque dizer que Deus aceita ser adorado, independentemente de como se tenha revelado, significa frustrar a Encarnação, a Paixão, a Morte e a Ressurreição do nosso Salvador. Significa inutilizar o propósito pelo qual existe a Igreja, a razão pela qual milhões de Mártires deram as suas vidas, por que existem os Sacramentos, o Sacerdócio e o próprio Papado.
Infelizmente, justamente quando se deveria expiar o ultraje à Majestade de Deus, há quem peça para Lhe rezar juntamente com aqueles que se recusam a honrar a Sua Santíssima Mãe no dia da sua festa. É este o modo mais apropriado para obter o fim da peste?
Contudo, também é verdade que a Penitenciária Apostólica concedeu particulares Indulgências para os afectados pelo contágio e para os que assistem física e espiritualmente os doentes.
Antes de mais, é necessário reafirmar vigorosamente que não é possível substituir com as Indulgências os Sacramentos. É necessário opor-se com a máxima firmeza às más decisões de alguns Pastores que recentemente proibiram os seus sacerdotes de ouvir as Confissões ou de administrar o Baptismo. Estas disposições – juntamente com a proibição de celebrar Missa e a suspensão das Comunhões – são contra o direito divino e demonstram que Satanás está por trás de tudo isto. Somente o Inimigo pode inspirar medidas que provocam a perda espiritual de tantas almas. É como se os médicos tivessem ordens de não dar os tratamentos vitais aos pacientes em perigo de vida.
O exemplo do Episcopado polaco, que ordenou multiplicar as Missas para permitir a participação dos fiéis sem risco de contágio, deve ser assumido por toda a Igreja, caso a sua Hierarquia ainda tenha no coração o desejo da eterna salvação do povo cristão. E é significativo que, precisamente na Polónia, o impacto da pandemia seja inferior ao de outras nações.
A doutrina das Indulgências sobrevive aos ataques dos modernistas e essa é uma boa coisa. Mas se o Romano Pontífice tem o poder de tirar pleno proveito do inesgotável tesouro da Graça, também é verdade que as Indulgências não podem ser banalizadas, nem consideradas como se fossem saldos de fim de estação. Os fiéis também tiveram uma impressão semelhante por ocasião do último Jubileu da Misericórdia, para o qual a Indulgência Plenária foi concedida em tais condições, de modo a atenuar a consciência da sua importância naqueles que dela lucravam.
Também se coloca o problema da Confissão sacramental e da Comunhão eucarística exigidas para se beneficiar das Indulgências, mas que nas normas emitidas pela Sagrada Penitenciária aparecem sine die com um genérico «assim que lhes seja possível».
Acredita que as dispensas específicas relativas à Absolvição geral em vez da Absolvição individual possam aplicar-se à epidemia presente?
A iminência da morte legitima o recurso a soluções que a Igreja, no seu zelo pela salvação eterna das almas que lhe foram confiadas, sempre concedeu generosamente, como no caso da Absolvição geral que é dada aos militares antes de um ataque ou, por exemplo, a quem se encontra num navio a afundar. Se a emergência de uma unidade de cuidados intensivos não permite a entrada do Sacerdote, a não ser em momentos limitados, e nestas situações não é possível ouvir as Confissões individuais dos moribundos, acredito que a solução proposta seja legítima.
Mas se esta norma quer criar um perigoso precedente para posteriormente alargá-lo ao uso comum, sem que haja perigo iminente para a vida do penitente, será necessário vigiar com a máxima atenção para que o que a Igreja concede magnanimemente para casos extremos não se torne uma norma.
Recordo também que as Missas transmitidas in streaming ou pela televisão não cumprem o preceito festivo. São uma maneira louvável de santificar o dia do Senhor quando é impossível ir à igreja. Mas deve ficar claro que a prática sacramental não pode ser substituída pela virtualização do sagrado, assim como é evidente que na ordem natural não se pode nutrir o corpo observando a imagem de um alimento.
Qual é a mensagem de Vossa Excelência para aqueles que hoje têm a responsabilidade de defender e guiar o rebanho de Cristo?
É indispensável e inadiável uma real conversão do Papa, da Hierarquia, dos Bispos e de todo o clero, bem como dos Religiosos. Os leigos reivindicam-na enquanto sofrem à mercê da confusão pela falta de guias fiéis e seguros. Não podemos permitir que o rebanho que o divino Pastor nos confiou para governar, proteger e conduzir à salvação eterna seja dispersado por mercenários infiéis. Devemos converter-nos, voltar a ser totalmente de Deus, sem compromissos com o mundo.
Os Bispos devem recuperar a consciência da própria Autoridade Apostólica, que é pessoal, que não pode ser delegada a sujeitos intermediários, como as Conferências Episcopais ou os Sínodos, que distorceram o exercício do ministério apostólico, causando graves danos à constituição divina da Igreja como Cristo a quis.
Basta de caminhos sinodais, basta de uma incompreendida colegialidade, basta deste absurdo sentido de inferioridade e cortesia em relação ao mundo; basta do uso hipócrita do diálogo em vez do intrépido anúncio do Evangelho; basta de ensinamentos de falsas doutrinas e do medo de pregar a pureza e a santidade de vida; basta dos terríveis silêncios diante da arrogância do Mal. Chega de cobertura de ignóbeis escândalos: chega de mentiras, de decepções e de vinganças!
A vida cristã é uma milícia, não um passeio despreocupado em direcção ao abismo. A cada um de nós, em virtude da Ordem Sagrada que recebemos, Cristo pede contas das almas que salvamos e das que perdemos por não as termos avisado e ajudado. Voltemos à integridade da Fé, à santidade dos costumes, ao verdadeiro Culto agradável a Deus.
Conversão e penitência, portanto, como nos exorta a Santíssima Virgem, Mãe da Igreja. A Ela, tabernáculo do Altíssimo, peçamos que inspire nos Pastores esse ímpeto heróico pela salvação da Igreja e pelo triunfo do Seu Imaculado Coração.
I Domingo da Paixão de 2020
Tradução para português: diesiraept.blogspot.com
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