terça-feira, 19 de maio de 2020

Rugby, Terrorismo ou Martírio?

Um texto satírico sobre a placagem e consequente detenção infligidas pela GNR e seguranças privados a um fiel católico que ousou entrar no Santuário de Fátima com uma imagem de Nossa Senhora, no passado dia 12 de Maio.

Entrei na sala da televisão, vi, era de noite e sem iluminação, meia dúzia de homens envergando fatos pretos corriam atrás de um outro que levava alguma coisa nas mãos, um deles faz uma placagem derrubando o portador, os restantes mocharam em cima dele. Interroguei-me, pensando em voz alta, um jogo de rugby, à noite, sem iluminação com gente janota?!

Logo os meus confrades me esclareceram, com a sua caridade proverbial sempre pronta a ensinar os ignorantes, que não se tratava de um desafio desportivo, mas que, aqueles que eu tomava como desportistas eram afinal seguranças e GNRs no Santuário de Fátima que deste modo manso e amigável detiveram um terrorista que queria infectar Nossa Senhora, na Capelinha das Aparições, com o Sars coV 2. De facto, só ali em Fátima se concedia um tratamento tão benigno - sendo assim um exemplo para todo o mundo -, uma vez que em qualquer outro lugar seria imediatamente metralhado e abatido, a tão sacrílego e blasfemo terrorista.

Ora, como todos sabem, a minha cabeça está sempre atarantada e avariada, e a minha insanidade é pública. Daí que me tenha posto a magicar sobre a decisão de usar vários milhares de agentes de segurança - nunca imaginei que a Igreja tivesse tanto poder em Portugal! - para garantir a “distância social”, impedindo todo e qualquer acesso ao Santuário, com excepção dos eleitos. E, claro, como atrasado mental que sou fiquei extremamente perplexo e confuso com a enorme e visível “intimidade social” das forças de segurança com o terrorista. 

Aturdido com este turbilhão de impressões, assarapantado por ideias desencontradas, guerreando-se entre si, resolvi-me a fazer uma vigília pela noite dentro até que o sol despontasse. E foi nessa solidão, nesse deserto, que experimentei algo como se fora uma epifania, uma revelação: aqueles seguranças, pelo seu grande amor a Nossa Senhora de Fátima, deram a vida, ignorando a “distância social”, por Ela para que não fosse contagiada.

Padre Nuno Serras Pereira


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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Papa Francisco celebrou hoje Missa 'ad orientem' no altar de João Paulo II



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Apelo aos Bispos Portugueses sobre a Sagrada Comunhão

Eminências e Excelências Reverendíssimas,             

1. Após dois meses sem se ter podido estar presente na Santa Missa, ficámos a saber, através do comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) de 2 de Maio p. p., que, possivelmente no próximo dia 30 de Maio, véspera de Pentecostes, serão retomadas as celebrações com assistência da Santa Missa. Seis dias após esta notícia que tanto nos alegrou, considerando que, durante dois meses, fomos impedidos de aceder aos Sacramentos, principalmente aos da Eucaristia e da Penitência, foram publicadas as Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa para a celebração do Culto público católico no contexto da pandemia COVID-19, que, tendo merecido a nossa respeitosa atenção, nos causaram profunda mágoa e não pouca perplexidade.

2. Após atenta leitura e reflexão das referidas Orientações da CEP, causa-nos particular consternação  o seu número 27, segundo o qual se determina que «continua a não se ministrar a comunhão na boca» – à semelhança, de resto, do que tinha sido decidido no início da pandemia, tendo-se assistido a sacerdotes recusarem a Sagrada Comunhão a fiéis que, de forma lícita, pretendiam receber a Comunhão na boca, tal como prevê e permite a Santa Igreja e a sua lei universal, além de resultar da salutar reverência  suscitada pela fé na presença real de Nosso Senhor nas sagradas espécies e pelo primeiro mandamento da Lei de Deus.   

3. Por várias vezes, e em conformidade com quanto se acaba de dizer,  a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos reafirmou e sublinhou aquilo que, a este respeito, diz a Instrução Redemptionis Sacramentum, de 25 de Março de 2004, no seu número 92 (remetendo para o n. 161 da Instrução Geral do Missal Romano): «Todo o fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a Sagrada Comunhão na boca», advertindo, no número precedente, que «não é lícito negar a Sagrada Comunhão a um fiel», exceptuando somente aqueles casos em que lhe tenha sido «proibido o direito de receber» a Sagrada Comunhão em geral (n. 91, remetendo para os cânones 843 §1 e 915). Torna-se claro que não é permitido, em circunstância alguma, negar-se a Sagrada Comunhão aos fiéis que a desejem receber na boca, nem mesmo em tempos de epidemia, à semelhança do que aconteceu com o H1N1, altura em que a referida Congregação para o Culto Divino o confirmou em resposta a múltiplas cartas que fiéis de todo o mundo lhe dirigiram. Bem se compreende que assim seja considerando o fundamento do reconhecimento de tal direito, que directamente se liga à fé da Igreja, à virtude da santa religião, com as respectivas implicações em matéria de culto, e, assim, ao primeiro mandamento.        

4. A juntar-se a esta indicação eclesiástica, são muitos os acreditados profissionais de saúde que têm referido que não existe qualquer particular perigo de contágio ao administrar-se a Comunhão na boca do fiel.           

5. Posto isto, nós, fiéis católicos subscritores deste Apelo, solicitamos a Vossas Eminências e Excelências Reverendíssimas que o ponto 27 das Orientações da CEP seja imediatamente revogado, permitindo-se que o fiel possa livremente escolher receber a Sagrada Comunhão na boca, caso contrário estar-se-á a cometer um gravíssimo atentado contra as normas universais da Santa Madre Igreja, as quais, em conformidade com a reverência devida ao augustíssimo Sacramento, lhes reconhecem um preciso direito.               

Aproveitando a ocasião para assegurarmos as nossas orações a Vossas Excelências, somos, muito dedicados, em Jesus e Maria.  

FORMULÁRIO DE SUBSCRIÇÃO DISPONÍVEL ATÉ 22 DE MAIO



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domingo, 17 de maio de 2020

A esquizofrenia corporal dos nossos dias


A pessoa humana é constituída por corpo e alma. Mais concretamente por uma alma racional, espiritual, que dá forma a um corpo, material. Corpo e alma formam uma unidade. Graças à má filosofia esta unidade tem sido negada. Nos nossos dias isso acontece de duas maneiras.

O corpo como objecto

Segundo esta visão, eu tenho um corpo. Não sou corpo e alma, sou uma alma (algo espiritual ou pelo menos não-corporal) que possui um corpo. O meu corpo é um objecto como outro qualquer, do qual posso pôr e dispor à minha vontade. O corpo não diz nada sobre mim. O corpo pode dizer que sou um um homem, mas se eu me sentir uma mulher então sou uma mulher porque sou eu que defino o que sou. Apenas tenho a certeza do que sinto, e tenho plena liberdade para conformar o meu corpo a como acho que deveria ser, de modo a que me sinta bem, em paz comigo próprio. O corpo enquanto elemento constituinte da pessoa, tão real como o "eu" (entendido pela alma) é negado. 

Esta corrente vem directamente de Descartes. O pai do dualismo moderno põe em causa toda a realidade exterior, toda a matéria (incluindo o corpo) e apenas tem a certeza da existência do "eu" enquanto ser pensante. O que acontece à volta do "eu" pode ser apenas uma ilusão, como acontece durante um sono. Na tese cartesiana o corpo não faz parte do "eu", é exterior à pessoa. 

A pessoa reduzida ao corpo

Segundo esta visão, eu sou um corpo. Não sou corpo e alma, sou apenas um corpo. O "eu" está todo contido no meu cérebro, que através de reacções químicas me faz ser quem sou e dá-me a ilusão da liberdade de escolha. De facto, se tudo se resume ao material, e o espírito não existe, tudo está pré-determinado e todas ninguém escolhe nada, a matéria limita-se a tomar o caminho que deve tomar, tal como uma bola numa descida.

A corrente materialista dá uma prioridade total ao cuidado do corpo e despreza o cuidado do espírito, associado a superstições antigas. A boa alimentação e o exercício físico, ainda que nem sempre seguidos, são louvados; mas a oração é enjeitada porque não tem efeitos visíveis.

Esta corrente é normalmente hedonista, associada ao utilitarismo, dá uma grande importância ao prazer e a "aproveitar a vida" porque depois da morte não existe nada. É uma consequência também do materialismo marxista, que busca a todo o justo a igualdade terrena, quase sempre à conta de injustiças, porque nega a recompensa eterna.

João Silveira


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Rito Romano Tradicional numa igreja Greco-Católica





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quinta-feira, 14 de maio de 2020

quarta-feira, 13 de maio de 2020

D. Athanasius Schneider: "A devoção a Nossa Senhora de Fátima em tempo da tribulação"

A Humanidade e sobretudo os fiéis católicos estão passando actualmente um tempo de tribulações. Para os cristãos se criou uma atmosfera das catacumbas e de perseguição da fé. No entanto, os factos demonstram que, sob o pretexto da epidemia de Covid-19, os direitos inalienáveis dos cidadãos foram violados, limitando desproporcional e injustificadamente as suas liberdades fundamentais, em primeiro lugar o exercício da liberdade de culto. 

Nos próximos dias 12 e 13 de Maio o recinto da Cova da Iria, no Santuário de Fátima, estará, desde a primeira aparição de Nossa Senhora, pela primeira vez quase vazio. Tal facto revela já um caráter extraordinário e pode ser visto num certo sentido como prenúncio dos tempos de perseguição e do martírio, dos quais Nossa Senhora falou na terceira parte do segredo de Fátima. Lá se diz, que “vários Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subiram uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz. Foram morrendo uns atrás dos outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições”.

Os verdadeiros católicos experimentam nestes dias não tanto um martírio físico, mas psicológico e espiritual, por causa da privação do direito e da possibilidade de celebrar publicamente actos de culto e de devoção. Muito doloroso é sobretudo para os católicos portugueses o facto de serem proibidos de fazer a peregrinação ao Santuário de Fátima a 12 e 13 de maio.

No entanto, todos os devotos de Nossa Senhora de Fátima podem e deveriam organizar-se para fazer uma peregrinação espiritual ao Santuário de Fátima. Uma tal peregrinação espiritual pode ser feita segundo as condições e possibilidades de cada um. A peregrinação podia ser feita individualmente, ou em reunião de família, ou num grupo de fiéis reunidos juntos numa casa, como o foi no tempo das catacumbas ou da perseguição comunista, p.e. na União Soviética ou na China ainda hoje ou em outros países. 

Podia fazer-se uma hora santa de oração em honra de Nossa Senhora de Fátima diante de uma imagem sua, rezando o terço, neste ano especialmente pela intenção que acabe a ditadura mundial sanitária, pela plena liberdade do culto, pela preservação dos males apocalípticos da escravidão da vacinação forçada e da “chipização” obrigatória. Uma intenção especial também seria a consagração perfeita da Rússia assim como a pediu Nossa Senhora, pois somente duma tal consagração perfeita virá a conversão verdadeira da Rússia e à Humanidade será dado um tempo de paz. Uma outra intenção importante seria o desagravo pelos horrendos sacrilégios contra a Santíssima Eucaristia, perpetrados nas últimas décadas dentro da Igreja, por meio de Comunhões indignas e da banalização do rito da Comunhão. A intenção mais importante, no entanto, seria pela vinda do triunfo do Coração Imaculado de Nossa Senhora.

Quanto mais o pecado e as tribulações aumentarem, tanto mais abundantemente Deus, através das mãos de Maria, concederá graças especiais e auxílios eficazes. Que todos os devotos de Nossa Senhora de Fátima se unam espiritualmente no dia 13 de Maio (ou na véspera) e com lágrimas e com confiança filial apresentem a Deus, através da intercessão do Coração Imaculado de Maria, as súplicas, e especialmente a oração do santo Rosário com as intenções mencionadas. “Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por Ele?” (Lc 18, 7).

Nossa Senhora prometeu que em Portugal se conservaria sempre a fé, i.e. a verdadeira fé Católica. A conservação da fé não é uma questão de números e de percentagens. Também nestes dias de tribulação e desolação, do abandono da integridade e pureza da fé e da liturgia, Nossa Senhora tem em Portugal e em outros países os Seus fiéis, os Seus pequeninos. Estes fiéis, estes pequeninos de Nossa Senhora são aqueles membros do clero e do povo Católico, de todas as idades e posições sociais, que têm conservado na alma a fé pura dos santos Pastorinhos de Fátima, o ardente e reverente amor à Santíssima Eucaristia, a filial entrega e devoção à Nossa Senhora e ao Seu Imaculado Coração.

Pela misteriosa permissão Divina, os devotos e peregrinos de Nossa Senhora de Fátima não podem reunir-se em 13 de maio deste ano na Cova da Iria do Santuário de Fátima. No entanto, eles podem reunir-se neste dia espiritualmente, onde quer que eles estejam, e formar um exército dos “pequenos” devotos de Nossa Senhora de Fátima.

Queira Deus que em Portugal e em outros países haja tais pequenos “exércitos” de Nossa Senhora de Fátima e que no dia abençoado da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima estes “exércitos” se tornem mais numerosos e que se forme um grande exército pelo mundo inteiro. Com este exército dos Seus pequenos Nossa Senhora vai vencer os ataques presentes contra a fé e a liberdade do culto.

Que todos os católicos que sofrem por causa da repressão religiosa actual e da desolação espiritual renovem a sua confiança sobrenatural no triunfo do Coração Imaculado de Maria. Que eles peçam a Nossa Senhora de Fátima que mande os Anjos com os regadores de cristal, nos quais recolhiam o sangue dos Mártires, para eles regarem as almas de todos os que se aproximam de Deus, que estão sedentos de Deus e da Santíssima Eucaristia.

Os poderes humanos deste mundo, tanto civis como eclesiásticos, impedem os devotos de Nossa Senhora de Fátima de se reunirem na Cova da Iria neste 13 de Maio. Porém, eles não têm o poder de lhes proibir de se reunir espiritualmente numa hora santa ao nível local, nacional ou mundial em honra de Nossa Senhora de Fátima. Nossa Senhora recompensará com graças especiais tais actos de amor, veneração e confiança filial para com Ela.

Rezemos neste tempo com os santos Francisco e Jacinta frequentemente esta oração ensinada pelo Anjo: “Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.”

Que estas palavras, que Nossa Senhora disse aos Pastorinhos, consolem e dêem alento e alegria espiritual a todos os devotos de Nossa Senhora de Fátima, especialmente aos que sofrem e aos que estão abatidos nestes dias da tribulação: “O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”

+ Dom Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana

Texto escrito para o blog Semper Idem


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Fiel "invade" Santuário de Fátima e é detido pela Polícia

O Cardeal António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, anunciou, no dia 6 de Abril que o Santuário de Fátima estaria fechado nos dias 12 e 13 de Maio, impedindo assim a presença de peregrinos, algo inédito desde que Nossa Senhora apareceu na Cova da Iria, há 103 anos. Essa decisão foi confirmada desde aí e hoje, vigília do 13 de Maio, a procissão de velas decorreu sem peregrinos.

Excepção feita a um casal de fiéis que "invadiu" o Santuário. No vídeo vemos o homem, que carrega um quadro de Nossa Senhora, ser detido com violência por vários polícias e seguranças do Santuário. Seria aquele homem uma ameaça assim tão séria?



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terça-feira, 12 de maio de 2020

Fátima: visões ou aparições?


Pode haver visões ou aparições? Como se distinguem? E que aconteceu em Fátima? Foram aparições ou simplesmente visões?

O filósofo francês Jean Guitton (1901-1999), num livro intitulado Os misteriosos poderes da fé, escrito em diálogo com o jornalista e escritor Jean-Jacques Antier, (edição francesa de 1997 e tradução portuguesa de 2000), observa que as pessoas com fé tendem a admitir que as visões ou aparições são possíveis e que até já aconteceram muitas vezes, ao passo que os descrentes ou cépticos dirão que não têm qualquer consistência ou realidade, nem sequer podem existir. Para estes, aquilo a que chamamos visão ou aparição não é mais do que um estado doentio em que o protagonista se apercebe de uma sensação sem que esta tenha nenhuma causa real na sua origem. Para os crentes, porém, a aparição ou visão é uma experiência real (p. 283 da edição portuguesa).

Admitindo que possam existir, como se distinguem «visões» de aparições»?

O mesmo filósofo distingue entre visões exteriores e visões interiores. “As visões exteriores, ou visões sensíveis, ou aparições, implicam a representação de uma entidade sobrenatural – por exemplo a Virgem Maria – sob uma forma percetível aos sentidos”. Aqui, “o objeto apresenta-se no espaço real e aqueles que acompanham o vidente podem vê-lo ou não. Pelo contrário, as visões interiores são circunscritas exclusivamente à consciência do vidente, e as eventuais testemunhas não as vêem” (p. 284).

A distinção essencial é, portanto, entre “visão interior, cujo objeto está circunscrito à consciência do sujeito, e a visão exterior (ou aparição), cujo objeto se apresenta sensivelmente no espaço real” (p. 285).

O teólogo francês Louis Bouyer, no seu Dicionário de Teologia, define assim o conceito de aparição: “Chama-se aparição a uma manifestação de Deus, dos anjos ou até de seres humanos que já morreram, (santos ou não), que se apresenta de uma forma que impressiona os sentidos”. E conclui: “Deus, os anjos e os santos podem manifestar-se a nós, se tal for a vontade divina, tanto por uma simples impressão sobrenatural feita sobre a nossa imaginação, como pela apresentação objetiva aos nossos sentidos de uma realidade corporal ou material de origem milagrosa” (trad. espanhola de 1990, p. 84).

E em Fátima, para aqueles que acreditam, houve visões ou aparições?

O filósofo português Carlos Henrique do Carmo Silva, num artigo publicado por ocasião do 80º aniversário dos acontecimentos de Fátima (“Aparições e experiências místicas: reflexão sobre o fenómeno de Fátima e contributo para uma sua renovada meditação espiritual”, Didaskalia, Lisboa 1998), caracteriza o que aqui aconteceu como “um celeste contacto” (p. 21), expressão que, só por si, alude à mesma “realidade objetiva” de que falam os autores anteriormente citados.

Uma aparição é, portanto, “um celeste contacto”, que ali está, “no espaço exterior”, sob a forma de “uma realidade corporal ou material”, mas indubitavelmente – e nem poderia ser de outra maneira – “de origem milagrosa”.

Assim sempre se considerou terem sido os acontecimentos de Fátima: isto é, “aparições”, e não simplesmente “visões” da Virgem Santa Maria.

“Na idílica, porém rústica, paisagem da Cova da Iria, como já nos Valinhos, e no pastoreio a que se dedicavam Lúcia, Francisco e Jacinta, surgem recortes de uma outra Presença que lhes aparece e se torna sensível”. Assim resume Carlos Henrique do Carmo Silva estes acontecimentos, fazendo notar logo de seguida que “se toma aqui a aparição não como uma visão (de diversas «imagens invisíveis», de um magma fantasmático, ou de uma clarividência confusa, semelhante à da consciência onírica...), mas na acepção do aparecer visível de uma figura, um recorte presencial que distintamente se sobrepõe ao regime do mundo da percepção habitual” (p. 37 e nota 82).

As aparições de Fátima são esta presença objetiva e exterior da Virgem, manifestada aos três Videntes, presença tão objetiva como a das árvores ou das casas, ou das próprias ovelhas que pastoreavam, distinta destas ou de quaisquer outras realidades, porém, por ser sobrenatural e de origem miraculosa.

Em sentido contrário, porém, temos um texto assinado pelo Cardeal J. Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, ao tempo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sob o título de Comentário Teológico, e incluído num conjunto de Documentos sobre «A Mensagem de Fátima», com data de 26 de Junho de 2000.

O Comentário começa por recordar a distinção perfeitamente tradicional entre os três tipos de visões:

“A antropologia teológica distingue, neste âmbito, três formas de percepção ou «visão»: a visão pelos sentidos, ou seja, a percepção externa corpórea; a percepção interior; e a visão espiritual”.

Mas, depois de ter reconhecido a existência de três tipos de visão, o Comentário limita consideravelmente o seu alcance, pois, segundo ele, quer a visão seja interna ou externa, o vidente deforma necessariamente o que viu.

O Comentário exclui em seguida categoricamente que os acontecimentos de Fátima (ou de Lourdes) possam ser visões exteriores ou sensíveis, e classifica-as deliberadamente entre as visões interiores:

“É claro que, nas visões de Lourdes, Fátima, etc., não se trata da perceção externa normal dos sentidos: as imagens e as figuras vistas não se encontram fora no espaço circundante, como está lá, por exemplo, uma árvore ou uma casa”.

Para o provar, dá um exemplo que parece incontestável:

“Isto é bem evidente, por exemplo, no caso da visão do inferno (descrita na primeira parte do «segredo» de Fátima) ou então na visão descrita na terceira parte do «segredo».

Mas também não se tratou de uma simples visão espiritual ou intelectual:

“De igual modo, é claro que não se trata duma «visão» intelectual sem imagens, como acontece nos altos graus da mística. Trata-se, portanto, da categoria intermédia, a perceção interior que, para o vidente, tem uma força de presença tal que equivale à manifestação externa sensível”. 

E acrescenta:

“Este ver interiormente não significa que se trata de fantasia, que seria apenas uma expressão da imaginação subjetiva. Significa, antes, que a alma recebe o toque suave de algo real mas que está para além do sensível, tornando-a capaz de ver o não-sensível, o não-visível aos sentidos: uma visão através dos «sentidos internos». Trata-se de verdadeiros «objetos» que tocam a alma, embora não pertençam ao mundo sensível que nos é habitual. (…) A pessoa é levada para além da pura exterioridade, onde é tocada por dimensões mais profundas da realidade que se lhe tornam visíveis”.

E insiste:

(…) As imagens por eles [os pastorinhos de Fátima] delineadas (…) também não se hão de imaginar como se por um instante se tivesse erguido a ponta do véu do Além, aparecendo o Céu na sua essencialidade pura, como esperamos vê-lo um dia na união definitiva com Deus”.

O Comentário nega, portanto, a realidade dos fenómenos exteriores, e não vê, nas visões de Fátima, senão uma percepção interior dos videntes. Para ele, em Fátima como em Lourdes, as figuras vistas pelos videntes não se encontram exteriormente no espaço!

A descrição da Virgem pelas crianças não seria, portanto, mais do que uma imagem daquilo que eles captaram interiormente. Por outras palavras, Nossa Senhora não teria vindo a Fátima: os visitantes não tiveram senão uma percepção interior da sua presença.

Esta leitura do Cardeal Ratzinger pode ser contestada?

Pode, claramente, em primeiro lugar porque, embora seja um texto oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, não é uma “Instrução” nem uma “Notificação”, como tantas que o Cardeal Ratzinger assinou, recebendo depois a aprovação do Papa, que ordena em seguida a sua publicação. Veja-se como termina, por exemplo, uma “Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura”, publicada em 14 de Setembro de 2000: “O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida ao abaixo-assinado Prefeito, aprovou a presente Instrução, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e mandou que fosse publicada”.

Este modo solene de conclusão com a aprovação papal não existe neste caso, o que se compreende, porque o texto em apreço não pretende ser mais do que um “Comentário”, que intencionalmente não se reveste de especial autoridade no âmbito do Magistério da Igreja. Será legítimo, portanto, se houver razões para isso, pensar de modo diferente ou até discordar sobre matérias que nele se abordam, sem prejuízo do grande respeito que nos merecerá sempre o seu Autor.

Julgo, porém, que existem muitas razões para discordar da classificação dos acontecimentos de Fátima neste género intermédio, isto é, como sendo simples visões interiores, ainda que genuínas e de origem sobrenatural.

A verdade é que a Ir. Lúcia era de uma opinião totalmente contrária: ela estava certa de ter visto realmente a Virgem Maria, como esperava um dia vê-la no Céu. Em 1924, na comissão de inquérito canónico, foi-lhe feita esta pergunta: “Tens a certeza de que viste realmente uma Senhora em cima da carrasqueira e de que não te enganaste?”

E Lúcia respondeu: “Tenho a certeza de que a vi e de que não me enganei; ainda que me matassem, ninguém me faria dizer o contrário”.

“E quem era essa Senhora?”

Respondeu: “Antes de ela dizer que era a Senhora do Rosário, não sabia quem era; agora estou convencida de que era Nossa Senhora” (Documentação Crítica de Fátima, doc. 82, p. 324).

No decurso da sua vida, a Ir. Lúcia não teve só visões sensíveis ou aparições, mas foi sujeita aos três tipos de visões acima referidos. As inspirações que receberá do Céu em resposta às suas interrogações serão frequentemente uma perceção interior. Já a visão de Tuy (13 de Junho de 1929) deverá, pelo contrário, integrar-se no segundo tipo, pois a Ir. Lúcia diz que viu, e não há nenhuma razão para duvidar do seu testemunho. Mas as personagens ou objetos desta imagem não estavam presentes fisicamente, em particular Deus Pai: portanto, dificilmente pode tratar-se de uma visão sensível.

A visão do inferno pode igualmente ser inserida nesta categoria, visto que, como nota o Comentário do Cardeal Ratzinger, o fogo não se ateou na Cova da Iria! Claro que o inferno não esteve, fisicamente, diante dos pequenos videntes: eles viram-no graças àquela luz que emanava das mãos da Virgem.

Mas o facto de a visão do inferno ser da categoria das visões imaginativas, não prova que o resto da visão o seja, pois, como diz Adolfo Tanquerey, numa obra clássica sobre o assunto, nada impede que haja diversas percepções diferentes no decurso de uma mesma aparição. Esta dupla percepção já se produziu, aliás, na primeira aparição de 13 de Maio de 1917. Pelo reflexo vindo das mãos da Virgem, os pastorinhos viram-se em Deus: esta visão é muito provavelmente uma visão interior, que vem acrescentar-se à visão sensível da Senhora. Nas aparições de 1917, é fácil discernir as visões interiores, pois elas são precedidas de um gesto de abertura das mãos da Virgem e por um raio de luz que emana das suas mãos, como para materializar a graça da visão dada.

Mas as visões de Nossa Senhora são seguramente visões sensíveis. É seguro que a Virgem Maria apareceu aos pastorinhos sob uma forma exterior sensível. O carácter ofuscante das aparições é também uma prova da realidade do corpo glorioso da Santíssima Virgem. A Lúcia foi muitas vezes obrigada a baixar os olhos, tão viva era a luz que emanava da Virgem. O Cón. Formigão perguntou-lhe:

– Por que razão não raro baixas os olhos deixando de fitar a Senhora?

– É que ela às vezes cega (Documentação Crítica de Fátima, p. 58)

Na narrativa que fez da aparição de 13 de Outubro, disse:

“Veio no meio dum esplendor. Desta vez também cegava. De vez em quando eu tinha de esfregar os olhos” (J. de Marchi, Era uma Senhora mais branca que o sol, p. 177).

Também os fenómenos físicos que acompanharam os acontecimentos de Fátima e foram observados por numerosas testemunhas, não podem ser frutos de uma visão imaginativa. O seu número é impressionante. Esses fenómenos exteriores manifestam sem qualquer dúvida possível a presença efectiva de uma pessoa celeste.

Não só os videntes, mas também muitos daqueles que tiveram a graça de assistir (exteriormente) às aparições observaram esses fenómenos físicos, e isto em todas as aparições e não somente por ocasião do milagre do sol. Em parte nenhuma fora de Fátima, a Virgem rodeou a sua vinda e autenticou a sua presença de tantos sinais tão extraordinários. E essas testemunhas eram particularmente numerosas: cerca de 50 na 2ª aparição, 3 a 4000 na 3ª, 18 a 20.000 na 4ª, 25 a 30.000 na 5ª e cerca de 70.000 na última, estando alguns por vezes a vários quilómetros do lugar das aparições!

Por ocasião dos acontecimentos de Fátima, as testemunhas mais próximas puderam observar diversos fenómenos dificilmente atribuíveis a visões interiores. Mas outros fenómenos puderam ser observados por um grande número de testemunhas exteriores.

Foram eles os seguintes:

        I – Relâmpagos, que sempre antecedem as Aparições. Trovões, no momento preciso da Aparição, ou no seu termo, e cuja origem parecia provir da azinheira.

       II – Curvatura do arbusto, como se tivesse estado coberto por um manto, e com as folhas todas inclinadas na mesma direcção (na segunda Aparição).

    III – Perfume, de essência nova e desconhecida, evolando-se do ramo da azinheira cortado dos Valinhos, e sentido pela senhora Maria Rosa e circunstantes, após a quarta Aparição.

   IV – Nubescente globo luminoso, avançado de Este para Oeste, e deslizando majestosamente através do espaço, até tocar a azinheira (na quinta Aparição).

        V – Nuvem branca ou matizada, e de vista agradabilíssima, que várias vezes se formou em torno dos Videntes, com vaporizações de fumo ascendente até cinco ou seis metros de altura. E, isto, por três vezes bem distintas, na mesma Aparição.

        VI – Chuva evanescente de rosas, com rosinhas brancas, maiores vistas de longe, e que, pouco a pouco, se vão tornando mais pequenas, com o aproximarem-se do chão, até desaparecendo de todo.

        VII – Diminuição da luz solar em pleno meio-dia, sem nuvens nem eclipses. Viam-se a Lua e as estrelas. Este fenómeno verificou-se em todas as Aparições, à excepção da última. Quanto à primeira Aparição, não se sabe.

        VIII – Milagre do Sol, que, segundo os testemunhos, consta de três fases:

a) O Sol torna-se opaco, com reflexos de madrepérola; pode-se fixar sem dificuldade, havendo ausência absoluta de nuvens e de eclipse;

b) Irradiações de cores, com rotação em feixes irisados que se difundem por todo o céu, semelhantes a fogo-de-artifício,

c) Movimento do disco solar, como que aumentando, ao princípio e dando a sensação de se precipitar sobre a terra; em seguida, movimento de translação do disco sobre o firmamento, de relance, tanto em linha rectilínea, como quebrada.

“Em geral, podemos dividir, em duas classes, todos estes fenómenos: a primeira consta de fenómenos instantâneos; a segunda, de fenómenos estáveis. Os primeiros foram os relâmpagos e os trovões; os segundos, todos os outros. Compreende-se desta forma que Fátima se tenha imposto e triunfado..." (Sebastião Martins dos Reis, “Síntese crítica de Fátima”, Junta Distrital de Lisboa, Boletim Cultural, 1987/68. p. 86-88).  

O Cardeal J. Ratzinger foi eleito Papa em 2005. O seu pensamento sobre Fátima mudou?

Os seguintes pronunciamentos falam por si:

1. “Decorre hoje o nonagésimo aniversário das APARIÇÕES de Nossa Senhora em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das APARIÇÕES modernas. Vamos pedir à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades”. (Papa Bento XVI, 13/5/2007)
2. "Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira VISITA feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana." (Papa Bento XVI, 13/5/2010)

3. "Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, VEIO DO CÉU a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das APARIÇÕES apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade. (Papa Bento XVI, 13/5/2010)

4. «O meu pensamento vai para Nossa Senhora de Fátima, de quem hoje recordamos a última APARIÇÃO. À Celeste Mãe de Deus vos confio, caros jovens, para que possais generosamente responder à chamada do Senhor.» (Papa Bento XVI, 13/10/2010).

Cónego José Manuel dos Santos Ferreira in 
Ad te levavi


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A tolerância não é uma virtude cristã

«A tolerância não é uma virtude cristã. Caridade, justiça, misericórdia, prudência, honestidade...essas são virtudes cristãs!»

Mons. Charles Chaput, O.F.M.


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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Apelo aos Lusitanos em relação ao 13 de Maio

Lusitanos:

No dia 25 de Abril e no dia 1 de Maio a geringonça celebrou ou permitiu celebrar os dias da “liberdade” e do “trabalhador”. Porém, neste país já não existe liberdade.

Foi possível comemorar essas datas com muita gente, e com pessoas na idade de maior perigo em relação ao vírus. Devido a isso, a Ministra da Saúde não pôde proibir a celebração do 13 de Maio, graças a Deus, e deu liberdade ao Santuário de decidir se fariam as celebrações. Porém, o Santuário e o Senhor Cardeal não quiseram celebrar o 13 de Maio com peregrinos devido à “prudência”.

Neste momento está programado: o encerramento do Santuário de Fátima nos dias doze e treze, a ida de aproximadamente 3500 polícias e militares para cercar Fátima e o Santuário, ...

Por que não nos deixam entrar e rezar com a mesma “prudência” das celebrações parlamentares e sindicais acima referidas? Porque seria mais fácil o contágio do vírus em Fátima, em que o recinto é maior que a Alameda? Para as celebrações do 1º de Maio veio gente de todo o país… Não poderiam fazer um plano em que pudesse haver celebrações em Fátima com peregrinos, em que deixassem entrar as pessoas no Santuário de um modo organizado e pré-estabelecido? Ou acharão que o 1º de Maio é mais importante do que o treze? 

Até dá a parecer que querem de uma vez por todas acabar com a religião Católica e a esperança das pessoas! Estão a tirar-nos as Liberdades FUNDAMENTAIS! Nós temos o Direito e o DEVER de ir a Fátima celebrar o Aniversário da vinda da nossa Mãe Santíssima aqui a Portugal! Ela veio para estar connosco! E agora o povo português vai deixá-La de lado? Que desonra! Não têm vergonha disto os Reverendíssimos Bispos e os nossos Governantes? E porque geram esta confusão da presença em Fátima de tanta polícia, tratando os cristãos peregrinos como gente perigosa, desordeira e imprudente?

Porquê o desbaratar dos peregrinos? Porquê criar esta violência e proibições? Até leva a parecer que pretendem terminar com a devoção das pessoas e com Fátima. Se não têm Fé ou se estão com medo, não vão, mas deixem ir aqueles que têm Fé e amor a Nossa Senhora. «O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus.»

RECLAMA OS TEUS DIREITOS E LIBERDADE! Vê os exemplos dos teus antepassados! Quão fortes, valorosos e destemidos eram os Lusitanos!

         “As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram."

E vemos o exemplo dos primeiros peregrinos de Fátima, que, no dia 13 de Outubro de 1917, sabendo que iria estar a polícia e por mais que fossem os obstáculos, foram a Fátima na mesma. Sê um verdadeiro português! Visita a tua Mãe e confia-Lhe o teu amor e os teus problemas!

Maria salvou a nossa Pátria de grandes males, e agora não deixam ir o povo português a Fátima, no aniversário histórico da primeira Aparição, a pedir ajuda para esta pandemia a Maria? Nossa Senhora, em 13 de Maio de 1917, na Cova da Iria, não pediu aos Pastorinhos para irem àquele lugar sempre no dia 13 até Outubro? E o Povo Português tem-no feito sem cessar desde então, nos dias 13 de Maio a Outubro, sem ficar defraudado nos milagres que recebeu.

Não será melhor ter a prudência de não perder a seriedade e de não privar o povo português de ir ter com a sua amada Mãe? Sejamos fiéis à Fé que ditou estas estrofes de cânticos tão tradicionais da nossa terra:

         “Ó glória da nossa terra,
Que tens salvado mil vezes!
Enquanto houver Portugueses,
Tu serás o seu amor!

Portugal, qual outra Fénix,
À vida torne outra vez:
Não se chame português
Quem cristão de fé não for.”

         “Aqui vimos, Mãe querida,
Consagrar-te o nosso amor.
Aqui vimos, Mãe querida,
Consagrar-te o nosso amor.”

         “Eia avante, Portugueses!
Eia avante, não temer!
Pela santa Liberdade,
Triunfar ou perecer.

Segue, ó Povo, o belo exemplo
De tamanha heroicidade:
Nunca mais deixes tiranos
Ameaçar a Liberdade.

Fugi, déspotas! Fugi,
Vis algozes da Nação!
Livre, a Pátria vos repulsa,
Terminou a escravidão!”

Ex.cias Rev.mas Senhores Bispos e Ex.mos Senhores Governantes, as atitudes de alguns de Vossas Ex.cias levam-nos a temer que se estejam para cumprir em breve as palavras da Sagrada Escritura: “Quando vier o Filho do Homem, encontrará Fé sobre a Terra?”.

ACORDA PORTUGAL!!!!!!!!!!!!! Saibamos distinguir o que é Sobrenatural do que é apenas natural. Demos a Deus o que é de Deus e a César o que é de César! Porque ir a Fátima não é como ir a um campo de futebol… Citando de novo:

         “Acode-nos, Mãe piedosa,
Nestes dias desgraçados,
Em que vivemos lançados
No pranto, no dissabor.”

         “Achou logo a Pátria
Remédio ao seu mal;
E a Virgem bendita
Salvou Portugal.”

João de Santa Maria


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