segunda-feira, 20 de julho de 2020

76 anos de mais uma tentativa de matar Hitler com envolvimento da Hierarquia Católica

O atentado falhado contra Hitler

Às 12h daquele 20 de julho de 1944, em Rastemburg, o aristocrata coronel Claus Schenk von Stauffenberg se recolheu em oração uns poucos minutos, antes de entrar na “Toca do lobo” e instalar o explosivo que a faria saltar pelos ares. Mas naquele dia, mais uma vez, Adolf Hitler saiu ileso do encontro com a morte. O golpe de Estado, que talvez pudesse ter poupado a vida de milhões de pessoas e resgatado ao menos a honra da Alemanha, havia fracassado. O resto é história conhecida. Naquela mesma noite, Stauffenberg e os outros militares conjurados são fuzilados.

Envolvimento da Hierarquia Católica no atentado

Mas o que sabia a alta hierarquia eclesiástica sobre o atentado? Os prelados alemães tinham ciência do plano dos conspiradores? E qual foi sua atitude? A Gestapo de Colónia, num relatório enviado a Berlim, destacava “que muitos se admiraram com a ausência de comentários por parte dos bispos” e que “a maior parte do clero lamenta em seu coração que o atentado a Hitler tenha fracassado”. A reserva assumida pela Igreja Católica diante do atentado foi comentada assim por um membro da hierarquia nazi: “É uma postura típica do clero o facto de não haver nem ao menos um sacerdote, inclusive bispo, que tenha encontrado uma palavra de desprezo pelo atentado dos traidores contra o Führer, ou que se tenha alegrado por sua salvação”.

Segundo argumentou amplamente o jesuíta Giovanni Sale, historiador e escritor da Civiltà Cattolica, deve-se considerar que o núncio apostólico junto ao Reich, Cesare Orsenigo, “tenha sido mantido completamente às escuras pelos conjurados quanto aos preparativos do atentado a Hitler de 20 de Julho”. “A dinâmica dos fatos que ele expõe na forma de uma nota informativa enviada à Secretaria de Estado vaticana um ano depois do atentado fracassado”, afirma Sale, “evidencia que a tese que ele sustentava a res­peito era a de um falso complot político” e que ele, de qualquer forma, “no dia seguinte ao atentado aceitava ser boa, como todas as chancelarias europeias, a versão dos factos divulgada por Hitler”.

No entanto, já foi evidenciado que nos anos de 1942-1943 o Vaticano não ignorava totalmente a tentativa de derrubar Hitler. A Santa Sé dispunha de outros canais de informação, por meios dos quais o próprio Pio XII se mantinha em contato com a resistência alemã. E não apenas a partir das notícias secretas trazidas pelo advogado, católico praticante, Josef Müller, “o homem de ligação entre os serviços secretos alemães do Abwehr e o Vaticano”. 

Através de um relatório dos serviços secretos americanos (OSS), datado de 20 de Agosto de 1944, baseado numa conversa do agente H. Stuart Hughes com o jesuíta bávaro Georg Leiber, que havia sido secretário de Pacelli na época da nunciatura na Alemanha e estava em contacto com Pio XII, fica claro que as fontes de informação do jesuíta Leiber se encontravam na dissidência que incluía alguns membros do Círculo de Kreisau, o general Hans Oster, líder da resistência junto à contra-espionagem militar, Hans von Dohnanyi, e também o teólogo protestante Dietrich Bonhoeffer. 

Depois da prisão destes e de Müller, o intermediário entre os dissidentes e o Vaticano passou a ser Hans Bernd Gisevius, delegado do Abwehr na Suíça, o qual, em 20 de Julho, estava entre os conjurados presentes no edifício da Bendlerstrasse no qual Stauffenberg e os outros altos oficiais foram fuzilados. Além disso, não é mistério que o próprio Stauffenberg, católico praticante, era amigo de alguns adeptos do Círculo de Kreisau, de influentes jesuítas e de numerosos prelados alemães.

Nesta altura, a pergunta é se alguns desses prelados encorajou com seu conselho e sua tácita aprovação o atentado contra o ditador; atentado que alguns conjurados consideravam, utilizando categorias conceituais próprias da moral católica, um verdadeiro tiranicídio.

A fonte escrita em que se encontram elementos que provam os contactos e intercâmbios entre os ambientes da dissidência activa tanto civil quanto militar e as altas hierarquias eclesiásticas alemãs é representada pelo diário e pelas cartas do conde Von Moltke, fundador do Círculo de Kreisau.

Pelo diário de Von Moltke, sabemos que alguns bispos de destaque estavam próximos da resistência. No diário, os nomes de dois prelados estão entre os mais decididos adversários do nazismo: Konrad von Preysing, bispo de Berlim, e Clemens August von Galen, bispo de Münster; a estes se acrescentam o bispo de Fulda, Johannes Dietz, presidente da Conferência Episcopal, e o cardeal de Munique, Michael von Faulhaber. 

O bispo Von Preysing figura até na lista dos “participantes ocasionais” das reuniões do Círculo que aconteciam em Berlim, normalmente na casa de Peter Yorck. Von Moltke havia estabelecido relação com o bispo em Setembro de 1941 e, a partir dessa data, os encontros entre os dois tornaram-se frequentes: “A tarde de ontem, com Preysing”, anota Von Moltke no seu diário, “foi muito satisfatória. Pareceu-me que ele também estivesse satisfeito. [...] Logo me convidou a voltar, e é o que farei em intervalos regulares de três semanas”. 

A 13 de Novembro, o conde voltou a ver o bispo. O encontro foi confidencial. O bispo falou-lhe, entre outras coisas, do idoso arcipreste da Catedral, Bernhard Lichtenberg, que havia sido preso sob a acusação de “atitude anti-nazi” por ter rezado ao lado dos judeus, e leu a ele o relatório dos interrogadores que lhe fora expedido naquele mesmo dia pela Gestapo. A relação entre “a alma” do Círculo de Kreisau e o bispo de Berlim, como fica claro por diversas outras passagens do diário, tornou-se intensa.

A 1 de agosto de 1942, Von Moltke escreve: “À noite chegaram de Munique o padre Delp e o padre König, que, passando por Fulda, haviam-se encontrado com o bispo daquela cidade. [...] Creio que entre essas pessoas tenha-se criado a base de confiança necessária para continuar em frente, tanto mais que, o que é ainda mais importante, Delp, que veio sob encargo dos bispos Faulhaber, Preysing e Dietz, transmitiu a Karl Miriendorff e a mim o convite para um encontro...”. Em Janeiro de 1943, von Moltke, de passagem por Munique (onde encontrou os seus amigos jesuítas Rösch, König, Delp e o advogado Josef Müller), teve a oportunidade de encontrar o cardeal Von Faulhaber e o pôs a par dos planos que estavam sendo preparados. “Depois de me ouvir”, anota o conde no seu diário, “o cardeal insistiu em que se estipulasse uma concordata entre o Vaticano e o novo Estado alemão”, que deveria se instaurar no dia seguinte ao golpe de Estado.

É certo, além disso, que pouco antes de 20 de Julho o próprio artífice do atentado, Stauffenberg, havia-se encontrado com o bispo Von Preysing. O prelado, todavia, mesmo depois do fim da guerra, não quis revelar o conteúdo daquela conversa. Nem disse uma palavra a res­peito dos seus contactos directos com os membros da dissidência. Sabemos, todavia, como lembra o jesuíta alemão Peter Gumpel, que o bispo de Berlim estava na mira das investigações levadas a cabo pelo Tribunal do Povo, mas Von Preysing escapou das garras do famigerado Roland Freisler graças à morte deste, acontecida em Fevereiro de 1945 durante um bombardeio aéreo.

Stefania Falasca in 30giorni.it


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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Padre Claude Barthe apoia as críticas de Mons. Viganò ao Concílio Vaticano II

Tomo a liberdade de reagir à declaração de Vossa Excelência, “Sobre o Vaticano II e as suas consequências” (Chiesa e post concilio, 9 de Junho de 2020), para sublinhar, modestamente, a importância desta declaração para a Igreja. 

Que me seja permitido resumi-la em cinco pontos:

1 – O Vaticano II contém textos “em oposição directa à doutrina até então expressa no Magistério” 

Vosso ataque ao Vaticano II visa:

A) Aquilo que está em desacordo directo com a doutrina anterior, como a liberdade religiosa, da declaração Dignitatis humanæ, e os fundamentos presente nas declaração Nostra ætate sobre as novas relações com as religiões não-cristãs; ao que poderíamos ainda acrescentar o decreto sobre o ecumenismo, Unitatis redintegratio, que introduziu a inovação da “comunhão imperfeita” que teriam aqueles que estão separados de Cristo e da Igreja;

B) Além de ambiguidades que podem ser utilizadas no sentido tanto da verdade quanto do erro, como o subsistit in do n. 8 da Constituição Lumen gentium: “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, em lugar de: “A Igreja de Cristo é a Igreja Católica”.

2 – Tais distorções doutrinais são a origem dos erros que se seguiram – de que o “espírito do Concílio” é a prova.

Vossa Excelência explica que os desvios ou elementos muito prejudiciais para a fé cristã, que marcaram o período pós-conciliar (como a Declaração de Abou Dhabi, mas também as jornadas de Assis, a reforma litúrgica, a prática da colegialidade), encontram sua origem nestas distorções.

Além disso, ressalta de vosso texto que o conceito “espírito do Concílio” confirma a especificidade inovadora dessa assembleia, “pois nunca houve um ‘espírito do Concílio de Niceia’, nem ‘espírito do Concílio de Ferrara-Florença’ e muito menos um ‘espírito do Concílio de Trento’, assim como nunca houve um ‘pós-concílio’ depois do Latrão IV ou do Vaticano I”. 

3 – Tais distorções não podem ser corrigidas

As tentativas visando corrigir os excessos do Concílio Vaticano II, escreveis, foram impotentes:

A) Seja porque se enveredou pela via insuficiente da “hermenêutica da continuidade”. Com efeito, isso é tanto mais inviável quando essa hermenêutica é tanto menos um retorno ao magistério anterior, mas representa a busca de uma terceira via entre inovação e tradição. Bento XVI, no seu discurso à Cúria Romana de 22 de Dezembro de 2005, defendia uma “hermenêutica da renovação na continuidade” contra a “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”. Mas esta última, porém, diz respeito tanto aos ‘tradicionalistas’ quanto aos ‘progressistas’, pois uns e outros consideram que o Vaticano II operou algumas rupturas.

B)  Seja porque se incitou o Magistério a “corrigir” os erros do Vaticano II. Justamente vós mostrais que este projecto, “mesmo com a melhor das intenções, mina as fundações do edifício católico”: com efeito, opor o magistério de amanhã ao de hoje, que contradisse o de ontem, levaria a que nenhum acto de Magistério jamais fosse definitivo. Assim, num complemento de 15 de Junho (Chiesa e post concilo), Vossa Excelência sustenta a opinião de que um Papa no futuro “poderia anular todo o Concílio”.

Se me é permitido ampliar a vossa análise, diria que a única solução para contradizer por um acto do Magistério um ato precedente é constatar que o acto em questão não é magisterial na plena força do termo. Por exemplo, Pastor Aeternus, do Concílio Vaticano I, em 1870, anulou de facto o decreto Frequens, do Concílio de Constança, em 1417, que pretendia institucionalizar a superioridade do Concílio sobre o Papa. Essa anulação foi possível porque a Santa Sé nunca reconheceu o valor dogmático de Frequens.

Do mesmo modo, com o Vaticano II, encontramo-nos num cenário como o de Frequens, uma vez que os órgãos do próprio Concílio Vaticano II (Dz 4351) e toda a interpretação posterior assegura que este Concílio foi de natureza simplesmente “pastoral”, isto é, não dogmática. De facto, o grande meio para sair da presente crise do Magistério é deixar aquilo a que se chama “pastoral” para trás, e entrarmos de novo no dogmático: que o Papa sozinho ou o Papa e os Bispos unidos a ele se expressem magisterialmente e não apenas “pastoralmente”.

4 – O presente pontificado é um esclarecimento paradoxal

Vossa Excelência escreve: “Aquilo que, desde há anos, ouvimos enunciado, vagamente e sem clareza, da mais alta Cátedra, encontramo-lo depois elaborado num verdadeiro e propriamente dito manifesto dos partidários do presente pontificado”.

Era o que muitos sentem quando tentam dar uma pia interpretatio (n.t.: interpretação piedosa) dos textos controversos do Vaticano II: eles dizem que (n.t.: a doutrina claramente heterodoxa professada a partir dum magistério ambíguo e sem clareza) não é possível, pois que a aplicação (n.t.: ortodoxa dos textos conciliares), de certo modo autêntica, é feita hoje em dia. Os textos deste pontificado são uma conclusão dos pontos litigiosos do Concílio, como, por exemplo, o reconhecimento errado dos direitos da consciência na Exortação Amoris lætitia, cujo n. 301 declara que em certas circunstâncias o adultério não é pecado.

5 – Um dever de consciência pesa sobre os prelados da Igreja, quais tenham consciência dessa situação

Falando de si mesmo, dizeis: “Eu mesmo, com honestidade e serenidade, obedeci, ao longo de sessenta anos, a ordens questionáveis, acreditando que representassem a voz amorosa da Igreja; e hoje, com igual serenidade e honestidade, reconheço que me deixei enganar”.

Numerosos prelados, desde as últimas assembleias do Sínodo, são notoriamente conduzidos a recuar diante das consequências actuais das causas que remontam há meio século. O vosso exemplo e encorajamentos podem ajudá-los a expressar, com consciência, e para o bem da Igreja, os seus desacordos com estas causas: os pontos defeituosos do Vaticano II. 

O Padre Claude Barthe é autor professor de Liturgia e autor de várias obras, como: ‘Trouvera-t-il encore la foi sur la terre? Une crise de l’Église, histoire et questions’ (François-Xavier de Guibert, 2006, 3a edição); La Messe de Vatican II. Dossier historique (Via Romana, 2018).

Tradução: Fratres in Unum



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Comunhão de joelhos e na boca




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sábado, 11 de julho de 2020

Um sacerdote na auto-estrada

No passado dia 8 de Julho, chovia torrencialmente, o que fez com que o trânsito parasse na Interstate 81 - South (Pensilvânia). Um condutor não reparou que os carros estivessem parados e embateu com violência no último da fila, originando um violento acidente de viação. 

No meio da chuva e apesar da impetuosidade do embate, surge caminhando na auto-estrada um sacerdote de batina. Trata-se do Pe. John Killackey, que foi à procura de algum ferido que precisasse de ajuda espiritual e sacramentos. Deu os últimos ritos a uma pessoa mesmo antes que morresse.

O Pe. Killackey é um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, ordenado há apenas um ano. É bastante jovem e conhecido na sua paróquia pela sua devoção.


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sexta-feira, 10 de julho de 2020

7 Erros Fatais do Relativismo Moral


O Relativismo moral é um tipo de subjectivismo que sustenta que as verdades morais são preferências muito parecidas com os nossos gostos em relação aos sabores de gelado, por exemplo. O relativismo moral ensina que quando se trata de moral, do que é eticamente certo ou errado, as pessoas podem e devem fazer o que quer que sintam ser o certo para elas. 

Defendem que as verdades éticas dependem de indivíduos, grupos e culturas que as sustentam. Porque acreditam que a verdade ética é subjectiva, as palavras como devem ou deveriam não fazem sentido porque a moral de todos é igual; ninguém tem a pretensão de ter uma moral objectiva que seja pertinente aos outros. 

O relativismo não exige um determinado padrão de comportamento para todas as pessoas em situações morais semelhantes. Quando confrontadas com exactamente a mesma situação ética, uma pessoa pode escolher uma resposta, enquanto outra pode escolher o oposto. Não há regras universais de conduta que se apliquem a todos.

O relativismo moral, num sentido prático, é completamente inviável. Que tipo de mundo seria o nosso se o relativismo fosse verdade? Seria um mundo em que nada estaria errado – nada seria considerado mau ou bom, nada digno de louvor ou de acusação. A justiça e a equidade seriam conceitos sem sentido, não haveria responsabilização, não haveria possibilidade de melhoria moral, nem discurso moral. Um mundo em que não haveria tolerância. Este é o tipo de mundo que o relativismo moral produz. Vejamos os sete erros fatais do Relativismo:

1. Os relativistas morais não podem acusar outras pessoas de má conduta. O relativismo torna impossível criticar o comportamento dos outros, porque, em última análise, nega a existência de algo como ”má conduta”. Se alguém acredita que a moralidade é uma questão de definição pessoal, então abre mão da possibilidade de fazer juízos morais  objectivos sobre as acções dos outros, não importa quão ofensivas elas sejam para o seu senso intuitivo de certo ou errado. 

Isto significa que um relativista não pode racionalmente opor-se ao homicídio, ao estupro, ao abuso sexual de crianças, ao racismo, ao sexismo ou à destruição ambiental, se essas acções forem consistentes com o entendimento pessoal sobre o que é certo e bom por parte de quem as pratica. Quando o certo e o errado são uma questão de escolha pessoal, nós abdicamos do privilégio de fazer julgamentos morais sobre as acções dos outros. No entanto, se estamos certos de que algumas coisas devem ser erradas e que alguns julgamentos contra a conduta de outros são justificados – então o relativismo é falso.

2. Os relativistas não podem reclamar do problema do mal. A realidade do mal no mundo é uma das primeiras objecções levantadas contra a existência de Deus. Esta objecção está fundamentada na observação de que existe mal verdadeiro. Mas o mal objectivo não pode existir se os valores morais são relativos ao observador. O relativismo é inconsistente com o conceito de que o mal moral verdadeiro existe, porque nega que qualquer coisa possa ser objectivamente errada. Se não existe um padrão moral, então não pode haver desvio do padrão. Assim, os relativistas devem abandonar o conceito de verdadeiro mal e, ironicamente, também abandonar o problema do mal como um argumento contra a existência de Deus.

3. Os relativistas não podem condenar alguém ou aceitar elogios. O relativismo torna os conceitos de louvor e condenação sem sentido, porque nenhum padrão externo de medição define o que deve ser aplaudido ou condenado. Sem absolutos, nada é, em última análise, mau, deplorável, trágico ou digno de condenação. Nem uma coisa pode ser boa, honrada, nobre ou digna de louvor. Os relativistas são quase sempre inconsistentes nesse ponto, porque eles procuram evitar a condenação, mas prontamente aceitam elogios. Se a moralidade é uma ficção, então os relativistas também devem remover as palavras aprovação e condenação dos seus vocabulários. Mas, se as noções de elogio e crítica são válidas, então o relativismo é falso.

4. Os relativistas não podem fazer acusações de parcialidade ou injustiça. De acordo com o relativismo, as noções de equidade e justiça são incoerentes, já que ambos os conceitos ditam que as pessoas devem receber igualdade de tratamento com base em alguma norma externa acordada. No entanto, o relativismo acaba com qualquer noção de normas vinculativas externas. Justiça implica punir aqueles que são culpados de um delito. Mas, sob o relativismo, a culpa e a condenação não existem – se nada for finalmente imoral, não há acusação e, portanto, nenhuma culpa digna de punição. Se o relativismo é verdadeiro, então não há tal coisa como justiça ou equidade, porque ambos os conceitos dependem de um padrão objectivo do que é certo. Se, porém, as noções de justiça e equidade fazem sentido, então o relativismo é refutado.

5. Os relativistas não podem melhorar a sua moralidade. Os relativistas podem mudar a sua ética pessoal, mas nunca se podem tornar pessoas melhores. De acordo com o relativismo, a ética de uma pessoa nunca se pode tornar mais ‘moral’. A ética e a moral podem mudar, mas nunca podem melhorar, já que não existe um padrão objectivo pelo qual medir essa melhoria. Se, no entanto, o avanço moral parece ser um conceito que faz sentido, então o relativismo é falso.

6. Os relativistas não conseguem manter discussões morais significativas. O que há para falar? Se a moral é totalmente relativa e todas as opiniões são iguais, então não há uma maneira de pensar melhor do que outra. Não há uma posição moral  que possa ser considerada como adequada ou deficiente, razoável, aceitável, ou até mesmo bárbara. Se as disputas éticas só fazem sentido quando a moral é objectiva, então o relativismo só pode ser vivido de forma consistente se os seus defensores ficarem em silêncio. 

Por esta razão, é raro encontrar um relativista racional e consistente, já que a maioria deles são rápidos para impor suas próprias regras morais, como, por exemplo, ”é errado forçar sua própria moralidade nos outros”. Isso coloca os relativistas em uma posição insustentável: se falam sobre questões morais, abandonam o relativismo; se não falam, abrem mão da sua humanidade. Se a noção de discurso moral faz sentido intuitivamente, então o relativismo moral é falso.

7. Os relativistas não podem promover a obrigação de tolerância. A obrigação moral relativista de ser tolerante é auto-refutante. Ironicamente, o princípio da tolerância é considerado uma das virtudes principais do relativismo. A moral é individual, assim o dizem, e, portanto, devemos tolerar os pontos de vista dos outros e não julgar o seu comportamento e atitudes. No entanto, se não existem regras morais objectivas, não pode haver nenhuma regra que exija a tolerância como um princípio moral que se aplica igualmente a todos. 

De facto, se não há absolutos morais, por quê ser tolerante? Os relativistas violam o seu próprio princípio de tolerância quando não conseguem tolerar as opiniões daqueles que acreditam em padrões objectivos morais. Eles são, portanto, tão intolerantes quanto frequentemente acusam os que defendem a moral objectiva de ser. O princípio de tolerância é estranho ao relativismo. 

O relativismo moral está falido. Não é um verdadeiro sistema moral. É auto-refutante. E hipócrita. É logicamente inconsistente e irracional. É seriamente abalado com simples exemplos práticos. Torna ininteligível a moralidade. 

Roger Morris


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São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demónio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. 
E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. 
Ámen.


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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Cardeais e Bispos fazem um importante Apelo à Igreja e ao Mundo

Chama-se "Apelo para a Igreja e para o Mundo aos fiéis Católicos e aos homens de boa vontade" e tem como primeiros signatários Prelados da Igreja Católica, como os Cardeais Gerhard Müller, Janis Pujats, Joseph Zen e os Bispos Carlo Viganò, Luigi Negri, Tomasz Peta, Athanasius Schneider, etc. O texto é um importante alerta sobre a grave crise que o Mundo atravessa e pode ser assinado aqui: Apelo para a Igreja e para o Mundo.

Num momento de grave crise, nós, Pastores da Igreja Católica, em virtude do nosso mandato, consideramos que é nosso dever sagrado dirigir um Apelo aos Nossos Irmãos no Episcopado, ao Clero, aos Religiosos, ao Povo santo de Deus e a todos os homens de boa vontade. Este Apelo é subscrito também por intelectuais, médicos, advogados, jornalistas e profissionais que concordam com o seu conteúdo, e é aberto à subscrição de quantos desejem fazê-lo.

Os factos demonstraram que, com o pretexto da epidemia do COVID-19, se chegou, em muitos casos, a violar os direitos inalienáveis ​​dos cidadãos, limitando, de modo desproporcional e injustificado, as suas liberdades fundamentais, entre as quais o exercício da liberdade de culto, de expressão e de movimento. 

A saúde pública não deve e não pode tornar-se um álibi para desprezar os direitos de milhões de pessoas em todo o mundo, e muito menos para que a Autoridade civil negligencie o seu dever de agir com sabedoria para o bem comum; isto é ainda mais verdadeiro à medida que crescem as dúvidas, levantadas por diversas partes, sobre a efectiva contagiosidade, perigosidade e resistência do vírus: muitas vozes autorizadas do mundo da ciência e da medicina confirmam que o alarmismo sobre o COVID-19, por parte dos media, não parece absolutamente justificado.

Temos razões para crer, com base nos dados oficiais relativos à incidência da epidemia no número de mortes, que existem poderes interessados ​​em criar pânico entre a população com o único objectivo de impor permanentemente formas de inaceitável limitação das liberdades, de controlo de pessoas, de rastreamento das suas deslocações. Estes métodos de imposição arbitrária são um prelúdio perturbador da criação de um Governo Mundial isento de qualquer controlo.

Acreditamos também que, em algumas situações, as medidas de contenção adoptadas, incluindo o encerramento das actividades comerciais, determinaram uma crise que prostrou sectores inteiros da economia, favorecendo a interferência de poderes estrangeiros, com graves repercussões sociais e políticas.

Estas formas de engenharia social devem ser impedidas por aqueles que têm responsabilidades governamentais, adoptando as medidas destinadas a proteger os seus cidadãos, de quem são representantes e em cujo interesse têm uma séria obrigação de agir. Da mesma forma, ajude-se a família, célula da sociedade, evitando penalizar injustificadamente as pessoas débeis e os idosos, forçando-os a dolorosas separações dos seus entes queridos. A criminalização dos relacionamentos pessoais e sociais também deve ser julgada como parte inaceitável do plano daqueles que promovem o isolamento dos indivíduos, a fim de melhor manipulá-los e controlá-los.

Pedimos à comunidade científica que esteja atenta para que os tratamentos para o COVID-19 sejam promovidos com honestidade para o bem comum, evitando escrupulosamente que interesses iníquos influenciem as escolhas dos governantes e dos organismos internacionais.

Não é razoável penalizar medicamentos que se mostraram eficazes, geralmente baratos, apenas porque se pretendem privilegiar tratamentos ou vacinas que não são igualmente válidas, mas que garantem às empresas farmacêuticas lucros muito maiores, agravando as despesas da saúde pública. Recordamos igualmente, como Pastores, que, para os Católicos, é moralmente inaceitável tomar vacinas nas quais seja usado material proveniente de fetos abortados.

Do mesmo modo, pedimos aos Governantes que estejam vigilantes para que sejam rigorosamente evitadas as formas de controlo dos cidadãos, seja através de sistemas de rastreamento, seja com qualquer outra forma de localização: a luta contra o COVID-19, por mais grave que seja, não deve ser o pretexto para favorecer intenções pouco claras de entidades supranacionais que têm fortíssimos interesses comerciais e políticos neste plano.

Em particular, deve ser dada a possibilidade aos cidadãos de recusarem estas limitações da liberdade pessoal, sem impor qualquer forma de penalização para aqueles que não pretendem fazer uso de vacinas, métodos de rastreamento e de qualquer outro instrumento análogo. Considere-se também a óbvia contradição em que se encontram aqueles que adoptam políticas de redução drástica da população e, ao mesmo tempo, se apresentam como salvadores da humanidade sem terem legitimidade alguma, seja política ou social. Finalmente, a responsabilidade política de quem representa o povo não pode absolutamente ser confiada a técnicos que até reivindicam para si mesmos formas de imunidade penal no mínimo inquietantes.

Apelamos energicamente a que os meios de comunicação se empenhem activamente para uma exacta informação que não penalize a discordância, recorrendo a formas de censura, como está a acontecer amplamente nas redes sociais, na imprensa e na televisão. A exactidão da informação exige que seja dado espaço a vozes que não estejam alinhadas com o pensamento único, permitindo aos cidadãos que avaliem conscientemente a realidade, sem serem fortemente influenciados por intervenções parciais.

Um confronto democrático e honesto é o melhor antídoto para o risco de impor subtis formas de ditadura, presumivelmente piores do que aquelas que a nossa sociedade viu nascer e morrer no passado recente.

Recordamos, por último, como Pastores responsáveis ​​pelo Rebanho de Cristo, que a Igreja reivindica firmemente a própria autonomia no governo, no culto, na pregação. Estas autonomia e liberdade são um direito inato que Nosso Senhor Jesus Cristo lhe concedeu para a prossecução das finalidades que lhe são próprias. Por este motivo, como Pastores, reivindicamos firmemente o direito de decidir autonomamente sobre a celebração da Missa e dos Sacramentos, assim como pretendemos absoluta autonomia nos assuntos que sejam da nossa imediata jurisdição, como as normas litúrgicas e os métodos de administração da Comunhão e dos Sacramentos.

O Estado não tem direito algum de interferir, por qualquer motivo, na soberania da Igreja. A colaboração da Autoridade Eclesiástica, que nunca foi negada, não pode implicar, por parte da Autoridade Civil, formas de proibição ou de limitação do culto público ou do ministério sacerdotal. Os direitos de Deus e dos fiéis são a lei suprema da Igreja, que esta não pretende, nem pode, derrogar. Pedimos que sejam eliminadas as limitações à celebração pública dos serviços religiosos.

Convidamos as pessoas de boa vontade a não se esquivarem do seu dever de cooperarem para o bem comum, cada um segundo o próprio estado e as próprias possibilidades e em espírito de fraterna Caridade. Tal cooperação, desejada pela Igreja, não pode, contudo, prescindir nem do respeito pela Lei natural, nem da garantia das liberdades dos indivíduos. Os deveres civis, aos quais os cidadãos estão vinculados, implicam o reconhecimento, por parte do Estado, dos seus direitos.

Somos todos chamados a uma avaliação, coerente com o ensinamento do Evangelho, dos factos presentes. Isto implica uma escolha de campo: ou com Cristo ou contra Cristo. Não nos deixemos intimidar nem assustar por aqueles que nos fazem crer que somos uma minoria: o Bem é muito mais difundido e poderoso do que aquilo que o mundo nos quer fazer crer. Estamos a lutar contra um inimigo invisível, que separa os cidadãos entre si, os filhos dos pais, os netos dos avós, os fiéis dos seus pastores, os estudantes dos professores, os clientes dos vendedores.

Não permitamos que, com o pretexto de um vírus, se apaguem séculos de civilização cristã, instaurando uma odiosa tirania tecnológica na qual pessoas sem nome e sem rosto possam decidir o destino do mundo, confinando-nos a uma realidade virtual. Se este é o plano a que se pretendem curvar os poderosos da terra, saibam que Jesus Cristo, Rei e Senhor da História, prometeu que «as portas do Abismo nada poderão» (Mt 16, 18).

Confiamos os Governantes e aqueles que regem o destino das Nações a Deus Omnipotente, para que os ilumine e os guie nestes momentos de grande crise. Lembrem-se de que, tal como a Nós, Pastores, o Senhor julgará pelo rebanho que nos confiou, também julgará os Governantes pelos povos de que têm o dever de defender e governar. Peçamos com fé ao Senhor para proteger a Igreja e o mundo. A Virgem Santíssima, Auxílio dos Cristãos, possa esmagar a cabeça da antiga Serpente e derrotar os planos dos filhos das trevas.


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quarta-feira, 8 de julho de 2020

Início da Peregrinação Paris-Chartres 2019

Após a Santa Missa, assim começou a caminhada para 12 mil pessoas, a larga maioria jovens, de Paris até Catedral de Nossa Senhora de Chartres. Esta Peregrinação é um dos maiores eventos da Tradição Católica no Mundo inteiro. Em 2020, infelizmente, foi cancelada por causa das medidas do Governo francês para tentar combater o coronavírus. 


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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Ennio Morricone (1928-2020)

Morreu hoje, aos 91 anos, Ennio Morricone, um famoso compositor italiano. Morricone compôs centenas de músicas usadas em filmes, por exemplo n'A Missão, que trata das missões jesuítas na América do Sul, no séc. XVIII. Em 2009, o compositor católico deu uma entrevista a Edward Pentin, na qual defendeu com unhas e dentes o canto Gregoriano: 

«Eu tenho uma opinião bastante boa do Papa Bento XVI. Parece ser um Papa de espírito muito elevado, com uma grande cultura e também uma grande força. Ele quer muito corrigir os erros [litúrgicos] que existiram e continuam a existir, e tentou corrigi-los logo uns dias após ser eleito. 

Hoje, a Igreja cometeu um grande erro, atrasando o relógio 500 anos com guitarras e músicas populares. Eu não gosto nada disso. O canto Gregoriano é uma tradição vital e importante da Igreja, e desperdiçá-lo para ter gente que mistura palavras religiosas com músicas profanas Ocidentais é muito grave, muito grave. O mesmo aconteceu antes do Concílio de Trento, quando os cantores cantavam cânticos profanos com melodias e palavras sagradas. (...)

Apoio tanto a Missa em latim como na língua nacional de um país. Mas sou frontalmente contra e não concordo com misturar música profana e secular com palavras religiosas na Igreja ou misturar música religiosa com um texto profano e secular.

Depois do Concílio Vaticano II, fui convidado para ser consultor do Vicariato de Roma, para produzir duas peças de música cantada de Igreja, e recusei. A Igreja e os Cristãos têm o canto Gregoriano mas disseram-me que agora tínhamos que ter outra música, e então recusei. Todos os músicos em Roma também se recusaram a trabalhar nisso.»


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Dr. Xavier Dor, uma vida a lutar contra o aborto

Esta fotografia foi tirada por mim em Roma. O Bispo é D. Athanasius Schneider, acompanhado por um sacerdote. O fiel que se encontra ajoelhado, cuja cara não se vê, é o Dr. Xavier Dor. Trata-se de um médico francês, embriologista, que devotou a sua vida a lutar contra o aborto, desde que este foi liberalizado em França, na década de 70.

A sua dedicação a defender o direito à vida fez com que fosse várias vezes detido pela polícia, tanto por manifestações à frente de clínicas de aborto como por ter falado com mães que iam abortar os seus filhos.

Na fotografia, o bom médico tinha quase 90 anos e, ainda assim, ajoelhou-se para beijar o anel e receber a bênção do Bispo. Morreu em Abril de 2020, aos 91 anos. Que Nosso Senhor lhe dê a justa recompensa.

João Silveira


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domingo, 5 de julho de 2020

Jornada Summorum Pontificum a 23 de Outubro em Roma

Caros amigos,

Temos o prazer de apresentar as primeiras notícias sobre o nosso próximo Encontro Summorum Pontificum, que acontecerá, como sempre, em Roma, no grande anfiteatro do Augustinianum, perto da Praça de São Pedro, na Sexta-Feira dia 23 de Outubro entre as 10h e as 17h.

Este novo Encontro, organizado sob os auspícios do Abbé Claude Barthe, capelão da peregrinação Summorum Pontificum (que ocorrerá no dia seguinte, 24 de Outubro), acolherá as intervenções de uma série de oradores, incluindo a de Sua Eminência Cardeal Raymond Leo Burke.

Tendo como tema geral "A vitalidade missionária da Missa tradicional", intervirão também Joseph Shaw, Chairman da famosa Latin Mass Society, Jean de Tauriers, Presidente do ND de Chrétienté e Antony Ike, seminarista nigeriano especialista na África católica e Trinidad Dufourq da Argentina.

O nosso Encontro terminará no mesmo dia, às 18 horas, na Igreja de Santa Maria dos Mártires (Panteão), com o canto das Vésperas Pontificais, presidido por Mons. Janfranco Girotti, bispo titular de Meta e Regente emérito da Penitenciaria Apostólica.

Tudo isto nos preparará para participar no dia seguinte, 24 de Outubro, na 10ª peregrinação Summorum Pontificum.

Christian Marquant
Presidente de Oremus - Paix Liturgique 


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