terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Ligação estreita a Cristo pobre

É a Cristo pobre que deves permanecer ligada. Vê como Ele Se tornou, por ti, objecto de desprezo, e segue-O, tornando-te também tu, por amor a Ele, objeto de desprezo para o mundo. O teu Esposo, o mais belo dos filhos dos homens (cf Sl 44,3), que Se tornou, para te salvar, o último dos seres humanos, desprezado, açoitado, com todo o corpo rasgado pelos golpes do flagelo, morreu finalmente na cruz no meio das piores dores: olha para Ele, medita nele, contempla-O e não tenhas outro desejo que não seja imitá-Lo! 

Se sofreres com Ele, reinarás com Ele; se chorares com Ele, terás parte na sua alegria; se morreres com Ele, no meio das torturas da cruz, tomarás posse da morada celeste no esplendor dos santos, o teu nome será inscrito no livro da vida e tornar-se-á glorioso entre os homens, participarás para sempre e na eternidade na glória do Reino dos Céus, por teres abandonado bens terrenos e efémeros, e viverás pelos séculos dos séculos.

Santa Clara (1193-1252), monja franciscana in  '2.ª carta a Inês de Praga', 18-23 


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Alguns Papas que erraram redondamente

O dogma da Fé não pode falhar, mas as inovações podem falhar-nos. Os homens podem falhar; os leigos podem falhar; os Sacerdotes podem falhar; os Bispos podem falhar; os Cardeais podem falhar; e até o Papa pode falhar em assuntos que não envolvam o Seu carisma de infalibilidade - tal como a História nos demonstra com mais do que um Papa que ensinou, ou pareceu ensinar, alguma inovação. 

Por exemplo, o Papa Honório foi postumamente condenado pelo Terceiro Concílio de Constantinopla, no ano 680, por ser auxiliar e cúmplice de heresia, condenação essa que foi aprovada pelo Papa Leão II e reiterada por Papas subsequentes. No Século XIV (1333), o Papa João XXII proferiu homilias - não definições solenes - em que insistia que as bem-aventuradas almas dos defuntos não gozam da Visão Beatífica antes do dia do Juízo Final. Por causa disto foi denunciado e corrigido por teólogos até que, por fim, retratou a sua opinião herética já no leito de morte. 

Neste último caso, os Católicos bem informados dessa época (que eram os teólogos) sabiam que João XXII estava enganado no seu ensino sobre o Juízo Particular. Sabiam que havia algo de errado no ensinamento de João XXII, por contradizer aquilo em que a Igreja tinha sempre acreditado - mesmo que, a essa altura, ainda não fosse uma definição infalível. Então, os Católicos que no século XIV conheciam a sua Fé, não se ficaram a dizer simplesmente: 'Ora bem, o Papa fez esta homilia a dizer isto…portanto, nós devemos mudar aquilo em que acreditamos'. Olhando ao ensino constante da Igreja de que os defuntos, falecidos na bem-aventurança, gozam da Visão Beatífica imediatamente a seguir ao Purgatório, os teólogos sabiam que João XXII estava enganado - e disseram-Lho. 

E aconteceu que, com o passar do tempo, o carácter imediato da Visão Beatífica foi solene e infalivelmente definido em 1336, pelo sucessor de João XXII, o que arrumou o assunto e o pôs acima de todo e qualquer debate ulterior - ora é precisamente para isso que uma definição infalível foi necessária. O mesmo se pode dizer em relação a todos os outros assuntos infalivelmente definidos pela Igreja. Podemos, e devemos, confiar nestas definições infalíveis com absoluta certeza, e rejeitar todas as opiniões em contrário - mesmo se as opiniões contrárias vierem de um Cardeal ou até de um Papa. (...) 

Outro exemplo é o do Papa Libério que, em 357, errou ao assinar um Credo que lhe fora proposto pelos Arianos e que omitia qualquer referência ao facto de o Filho ser consubstancial ao Pai. Resta esclarecer que o Papa Libério consentiu nisto depois de sofrer dois anos no exílio, e sob ameaça de morte. Falhou também (sob prisão e no exílio) ao condenar e excomungar erradamente - na realidade, dando só a aparência de excomungar - Santo Atanásio, que defendia a Fé neste assunto. 

Libério, o primeiro Papa a não ser proclamado santo pela Igreja, errou, porque Atanásio ensinava a Doutrina Católica - a verdadeira e infalível doutrina - ensinada infalivelmente pelo Concílio de Niceia no ano de 325 d.C. E era essa definição infalível - não o ensino errôneo do Papa Libério - que tinha de ser seguido naquele caso.

Pe. Paul Kramer in 'O Derradeiro Combate do Demónio' - Associação Missionária, pp. 223-224, Coimbra (Portugal), 2003


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O futuro da Igreja




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domingo, 7 de fevereiro de 2021

O que nos trouxe o Protestantismo?

Face à aparente corrupção e má gestão das autoridades eclesiais e do papado, a ideia aparentemente inspirada dos primeiros “reformadores” protestantes, era simplesmente de regressar às Escrituras para encontrar orientação. No Verão de 1519 Martinho Lutero, por exemplo, tinha chegado à conclusão que só nas escrituras é que se podia encontrar a única verdadeira e inquestionável fundação da fé e vivência cristãs. Sola scriptura.

Mas quais escrituras? Devin Rose começou a sua busca com a pressuposição de que a única autoridade infalível é a Bíblia protestante, composta de sessenta e seis livros. Mas poderia ter a certeza de que os restantes sete livros – Tobit, Judite, Sabedoria, Ben Sirá, Baruc, 1 e 2 Macabeus – da Bíblia católica não são fiáveis? Fossem quais fossem as escrituras aceites, nenhuma afirma que deve ser recebida como autoridade final. Na verdade os sessenta e seis livros incluídos na Bíblia Protestante foram inicialmente considerados “canónicos” com base na autoridade da Igreja Católica – uma fonte suspeita, aos olhos dos reformadores.

Mas mesmo partindo do princípio de que a Bíblia protestante é definitiva, qual dos reformadores devemos seguir? Tal como Devin Rose, Brad Gregory deparou-se com inúmeras discussões entre os principais reformadores, precisamente na altura em que procuravam lançar as fundações da restauração do Cristianismo:

«Lutero e Melanchthon discordaram de Zwingli e dos seus aliados sobre a natureza da presença de Cristo na Ceia do Senhor... Perante o testemunho de Zwingli: “Tenho por certo que Deus me ensina, porque o experimentei”, Lutero contrapõe: “Tenham atenção a Zwingly e evitem os seus livros como se fossem o veneno infernal de Satanás...”. Muitos cristãos anti-romanos discordaram suficientemente de Lutero, Zwingly, Bucer, João Calvino e todos os outros líderes luteranos ou da reforma protestante sobre verdade de Deus ao ponto de se recusarem a prestar culto ou estar em comunhão com eles.»

Mas é preciso interpretar correctamente a Bíblia. Gregory demonstra como os princípios tradicionais de interpretação foram descartados à medida que os vários reformadores, certos da sua inspiração, deixaram de se considerar obrigados a respeitar a tradição:

«Os reformadores rejeitaram as interpretações e afirmações patrísticas sobre a Escritura, tal como rejeitaram a exegese medieval, os decretos papais, o direito canónico, os decretos conciliares e as práticas eclesiais em tudo quanto contradizia as suas próprias interpretações da Bíblia... Discordaram sobre o significado e a prioridade dos textos bíblicos e da relação entre esses textos e as doutrinas sobre os sacramentos, culto, graça, Igreja e por aí fora. Discordaram sobre os princípios interpretativas que deviam orientar a compreensão das Escrituras, como por exemplo a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, ou a permissibilidade de práticas religiosas que não tinham sido explicitamente proibidas ou sancionadas na Bíblia.»

Sem surpresas, a disseminação de diferentes interpretações por denominações protestantes ao longo dos séculos tem perturbado muitos dos nossos contemporâneos que procuram a mais plena expressão da verdade cristã. Devin Rose comenta:

«O espectro protestante cobre agora uma grande variedade de crenças contraditórias: baptismo infantil contra baptismo de crentes, a presença, de alguma forma ou apenas simbólica, de Cristo na Eucaristia, a indissolubilidade do casamento ou a aceitação do divórcio, a condenação do aborto enquanto homicídio ou a permissibilidade do aborto, a ordenação de mulheres ou só de homens, a trindade enquanto Deus em três Pessoas ou enquanto um Deus com três propósitos. 

Há diferenças sobre a predestinação e o livre arbítrio, sobre se é possível perder-se a salvação, sobre a validade do “casamento” homossexual, e por aí fora... O casamento já foi, em tempos, considerado uma união indissolúvel por todos os cristãos mas, tal como a contracepção, a esterilização e o aborto, a maioria das comunidades protestantes já inverteu os seus ensinamentos sobre a impossibilidade do divórcio e recasamento, permitindo agora aos seus membros que se casem, desde que tenham obtido primeiro do seu anterior esposo um divórcio civil.»

Perante uma disparidade tal de interpretações vem-nos à mente 1 Coríntios 14,8: “E, se a trombeta só emitir sons confusos, quem é que se prepara para a guerra?” A World Christian Encyclopedia afirma que existem mais de 33 mil denominações cristãs. A escolha difícil, enfrentada muitas vezes por protestantes sérios, é entre a Igreja e “igrejas”.

De acordo com Devin Rose, a consequência última e inevitável de se basear a religião num livro, mesmo um livro sagrado e inspirado como a Bíblia, foi uma variedade de interpretações contraditórias, sem que exista qualquer critério fiável de escolha para o crente. Rose foi coerente com a sua própria proposição, “se o Protestantismo é verdade”, e encontrou... a Igreja.

Brad Gregory vai ainda mais longe, traçando a origem da hegemonia actual do secularismo às discórdias incessantes e intratáveis entre protestantes e entre católicos e protestantes. Sem outra solução para harmonizar a dissensão, a Holanda foi pioneira na condução do mundo Ocidental à “liberdade de religião”. Os juízes holandeses:

«Romperam com mais de um milénio de Cristianismo... ao transformar a fé “numa questão privada de preferência individual”. A liberdade de  religião protegeu a sociedade da religião e, por isso, secularizou a sociedade e a religião...»

No meio desta secularização, “os cristãos americanos estão divididos em relação a todas as questões polémicas políticas e morais, do divórcio ao aborto, ao sistema de saúde e à ecologia.”

Como lidamos, então, com as “Questões de Vida” tão prementes? Gregory explica que nos voltámos para as ciências empíricas e o cientismo materialista como fonte de verdade por defeito. Depositamos a nossa confiança em ciências como a física que, depois de oitenta anos, ainda não faz a menor ideia como conciliar a teoria quântica com a teoria da relatividade; ou ciências como a psicologia evolucionária, que nos apresenta uma longa lista de comportamentos contraditórios que alegadamente têm a sua origem na evolução biológica: o Ser Humano enquanto ferozmente competitivo ou naturalmente cooperativo; essencialmente monogâmico ou polígamo; genocida ou pacífico; que cuida dos pobres ou os ignora.

Não obstante aderimos, religiosamente, à ciência como juiz supremo. Deus nos valha.

Howard Kainz in The Catholic Thing via Actualidade Religiosa


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sábado, 6 de fevereiro de 2021

A Hora do Santos Anjos - D. Athanasius Schneider



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Os efeitos devastadores da pílula contraceptiva no organismo da mulher

Na base do crânio existe uma glândula em forma
de pêra chamada hipófise. Na mulher, a hipófise é responsável por lançar no sangue, todos os meses, a hormona folículo-estimulante (FSH), que provoca o amadurecimento de um óvulo no ovário. Sem o FSH, não há ovulação. Durante a gravidez, a mulher não ovula. Por quê? Porque a hipófise deixa de enviar o FSH, uma vez que o organismo está espera o nascimento da criança que já foi concebida.

O que a pílula contraceptiva faz é enganar a hipófise, dando-lhe uma mensagem falsa de gravidez. A droga anticonceptiva é constituída de dumas hormonas: estrógenio e progesterona. Quando são lançadas na corrente sanguínea, vão até a hipófise e informam (falsamente) a essa glândula que a mulher está grávida. Enganada por essa mensagem, a hipófise deixa de produzir o FSH, à espera de que a criança – que não existe – venha a nascer. Assim, a mulher pára de ovular. Deixando de produzir um óvulo, ela deixa de conceber.

De tudo o que foi dito, percebe-se que a pílula contraceptiva não é um remédio, mas um veneno. Ela não cura um organismo doente. Ao contrário, faz com que os ovários – que funcionam bem – parem de funcionar.

Não se poderia chamar remédio a um comprimido que alguém tomasse para fazer com que o coração parasse de bater; nem a uma injeção que alguém tomasse para fazer com que os pulmões deixassem de respirar; nem a uma pomada que alguém aplicasse para que os olhos deixassem de ver. Pelo mesmo motivo, não é coerente que se chame “remédio” a uma combinação de hormonas que se toma para paralisar os ovários. A pílula contraceptiva é um veneno no sentido próprio da palavra.

No entanto, o seu efeito não se limita aos ovários. A ingestão artificial de hormonas desequilibra o sistema endócrino e causa danos em todo o organismo. Alguns desses danos são descritos a seguir.

Trombose, acidente vascular cerebral (AVC), embolia pulmonar

Carla Simone de Castro, quando tinha 41 anos, procurou uma ginecologista a fim de operar-se de miomas uterinos que lhe causavam cólicas. A médica aconselhou não a cirurgia, mas o uso de um anticonceptivo (Yasmin) como forma de tratamento. Após alguns dias, Carla sofreu fortes dores de cabeça, que foram diagnosticadas como sintoma de sinusite. 

Durante 55 dias ela sofreu diplopia nos dois olhos e via as imagens duplas e embaçadas. Apenas um exame de ressonância magnética revelou que, na verdade, ela sofrera uma trombose venosa cerebral, que lhe causou três AVCs (acidentes vasculares cerebrais ou “derrames”). Suspendeu então o anticonceptivo e começou a fazer um tratamento anticoagulante, para evitar uma embolia cerebral, que poderia levá-la à morte[1]. Como a trombose foi muito extensa, ela foi obrigada a fazer cirurgias de altíssimo risco a fim de minimizar as sequelas.

Carla publicou um vídeo em que aparecia com uma pala num dos olhos, ainda impossibilitada de escrever, e contava a sua dolorosa história. O vídeo teve um sucesso excepcional e Carla criou no Facebook uma página chamada “Vítimas de anticonceptivos – unidas a favor da vida”[2]. Ao relato de Carla associaram-se os depoimentos de inúmeras outras mulheres com reações adversas graves causadas pelo uso de anticonceptivos.

Daniele Medeiros, 33 anos, procurou uma ginecologista para tratar de cistos ovarianos, que causavam fortes cólicas menstruais. Em vez de oferecer à sua cliente o tratamento inofensivo e eficaz da metformina (um remédio para diabete, que ajuda muito no tratamento de ovário policístico), prescreveu-lhe um anticonceptivo (Yasmin) como tratamento. Após três meses de uso, Daniele sofreu uma embolia pulmonar, com consequências gravíssimas: três paradas cardíacas, dois meses de internação, 40 dias em coma e a amputação dos dez dedos dos pés, necrosados por causa dos medicamentos que a mantiveram viva[3].

Daniele apresentava tendência à trombose (trombofilia), o que aumentava o risco trombótico associado ao uso de contraceptivos orais. Além disso, utilizou uma droga (Yasmin) que contém um tipo de progesterona chamado drospirenona, que elevava ainda mais o risco (ver tabela abaixo).

Simone Vasconcelos, 34 anos, fez todos os exames e o seu médico não encontrou nenhum factor que aumentasse o risco do uso de anticonceptivos. Após três meses de uso da pílula Iumi ela sofreu embolia pulmonar, com risco de morte. Passou dois dias nos cuidados intensivos e seis no quarto do hospital. Como o coágulo era pequeno, o tratamento de seis meses com anticoagulante e restrições alimentares foi bem sucedido[4].

Qualquer mulher, mesmo que não tenha trombofilia e mesmo que use pílulas com outro tipo de progesterona, diverso da drospirenona, está sujeita a sofrer tromboses. É o que relata um extenso estudo feito na Holanda entre 1999 e 2004 e publicado em 2009 na revista médica The BMJ. A pesquisa abrangeu 1.524 pacientes e um grupo de controle de 1760 mulheres. Como resultado, “os contraceptivos orais actualmente disponíveis aumentaram em cinco vezes o risco de trombose venosa, comparado com o não uso”. Esse risco variou segundo o tipo de progesterona:

“Confirmou-se ainda – diz o estudo – um alto risco de trombose venosa durante os primeiros meses de uso do contraceptivo oral, independentemente do tipo de contraceptivo oral” [5].

Cancro da mama

Um estudo feito nos Estados Unidos com 1102 mulheres, de 20 a 49 anos, diagnosticadas com cancro de mama invasivo, de 1990 a 2009, usando um grupo de controle de 21952 mulheres, foi publicado em 2014 na revista Cancer Research. A originalidade do estudo é que não se baseou em relatos pessoais, mas em registros eletrónicos de farmácias. Verificou-se um aumento global de 50% na incidência de cancro de mama nas mulheres que tinham usado contraceptivo oral durante o ano anterior[6]. Comentando o resultado, a médica Dra. Denise Hunnell observa que o cancro de mama em mulheres de 20 a 49 anos é mais agressivo e menos sensível à terapia que após a menopausa. O aumento do risco dessa doença em mulheres jovens significa, portanto, um aumento do risco de morte dessas mulheres[7].

Glaucoma

Em 2013, foi apresentado na reunião anual da Academia Americana de Oftalmologia, em Nova Orleans, o resultado de um estudo que envolveu 3406 mulheres de 40 anos ou mais. Os pesquisadores descobriram que as mulheres que haviam usado contraceptivos durante três anos ou mais, eram duas vezes mais propensas a terem tido um diagnóstico de glaucoma. Esse resultado não dependia do tipo de anticonceptivo usado[8]. O glaucoma caracteriza-se pelo aumento da pressão intraocular, que determina o endurecimento do globo e a compressão do nervo óptico, podendo levar à cegueira.

Conclusão

O contraceptivo oral, além de privar o acto conjugal de sua abertura à vida, convertendo-o num ato de egoísmo a dois, traz terríveis malefícios para a saúde da mulher, que podem levá-la à morte. No entanto, quase ninguém se atreve a dizer que as mulheres não devem usar tal droga ou que o Estado deve proibir sua comercialização. Mesmo as vítimas de contraceptivos acima citadas limitam-se a advertir que a pílula deve ser usada “com cuidado” e levando-se em conta os riscos. 

Por quê essa resistência em condenar os anticonceptivos? Por dois motivos: 1º. Porque essa droga livra os cônjuges do fardo dos filhos e não exige qualquer sacrifício (como o exige a continência periódica admitida pela Igreja em casos de real necessidade); 2º. Porque até hoje nenhuma outra droga trouxe tanto lucro para as indústrias farmacêuticas.

Pe. Luiz Lodi in Zenit

[1] Cf. http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/09/professora-diz-que-teve-trombose-apos-usar-pilula-anticoncepcional.html
[2] https://www.facebook.com/pages/Vítimas-de-anticoncepcionais-Unidas-a-favor-da-Vida/279481195591370?fref=photo
[3] Cf. http://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/03/quando-pilula-anticoncepcional-e-pior-escolha.html
[4] Cf. https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Fk-ESFV8_FQ
[5] ROSENDAAL, F.R. et al. The venous thrombotic risk of oral contraceptives, effects of oestrogen dose and progestogen type: results of the MEGA case-control study. BMJ 2009;339:b2921 in: http://www.bmj.com/content/339/bmj.b2921.full
[6] Cf. BEABER, Elizabeth et al. Recent oral contraceptive use by formulation and breast cancer risk among women 20 to 49 years of age. Cancer Research; 74(15) August 1, 2014, p. 4078-4089, in: http://cancerres.aacrjournals.org/content/74/15/4078.full.pdf
[7] HUNNELL, Denise. Link between breast cancer and contraceptives, too big to ignore, in:
http://www.truthandcharityforum.org/link-between-breast-cancer-and-contraceptives-too-big-to-ignore/
[8] THE HUFFINGTON POST. Prolonged Use Of The Contraceptive Pill Double The Risk Of Glaucoma, Study Finds, in: http://www.huffingtonpost.co.uk/2013/11/18/glaucoma-contraceptive-pill-risk_n_4295553.html


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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O Camelo, o Comuna e o Franciscano

1. Devido, em grande parte, a uma catequese deplorável, a constantes abusos litúrgicos e à separação operada entre o Antigo e o Novo Testamento, parece que se perdeu hoje a noção da transcendência de Deus, a seriedade da relação com Ele, o temor, a reverência e a adoração, expressões do verdadeiro amor, que Lhe são devidos. 

O facto de as Verdades Reveladas serem acolhidas ou rejeitadas consoante a disposição subjectiva de cada católico é um claríssimo sinal da corrupção da Fé em Deus que, por sê-Lo, não Se engana nem nos pode enganar. Apesar de só Ele merecer credibilidade absoluta e de, portanto, Lhe ser devido acatamento incondicional opta-se pela mentalidade dominante, o espírito do tempo, as preferências individuais. 

Como se contempla mais a TV e a Internet do que o Senhor Sacramentado a vida é modelada, orientada e dirigida por aquelas e não pela Vida que Se fez Caminho para que praticando a Verdade no Amor alcancemos, na Sua humanidade a Trindade, isto é, o Deus único - Pai, Filho e Espírito Santo. 

Uma ideia distorcida de Deus leva irremediavelmente a uma visão deformada do homem. Não se acredita no fundo que este seja capaz, suposta a graça de Deus, de nobreza, de elevação, de superação de si próprio, de liberdade e de responsabilidade. É visto sempre como uma vítima determinada pelas mais miseráveis das fraquezas, que nunca pode ser culpabilizado ou responsabilizado por nada e a quem o Céu está, haja o que houver, definitivamente garantido por um “Deus” abobalhado, incapaz de qualquer ira contra o mal e de castigar os pecadores.

Como a salvação está no papo, poucos curam de ser santos e ainda menos de converter os outros. Se tudo no final se comporá e remediará para quê dar-se a trabalhos? Assim o amor deixa de ser sinónimo de Cruz, de doação verdadeira de si mesmo aos outros, e passa a ser meramente um estado de bem-estar afectivo e emocional a alcançar a todo o custo, porque todos têm o direito de ser felizes – afinal foi para isso que Deus nos criou. 

2. a) Nesta busca incessante e frenética de si mesmo só conta o que dá prazer e o que é utilitarista. No entanto, a estrutura racional da pessoa humana é dotada de uma estrutura ou identidade inapagável, pelo que quando ela é agredida a pessoa, tarde ou cedo, ressente-se e sofre as consequências. Mesmo naquelas raras ocasiões em que alguém não será levado a Juízo por algum acto mau que cometeu, padecerá, não obstante, os efeitos nefastos do mesmo. 

Seria o caso, por exemplo, de alguém que tomasse cianeto desconhecendo em absoluto que o fazia. Naturalmente não poderá ser julgado por se ter suicidado, mas a verdade é que morrerá na mesma. Assim, do ponto de vista moral, mesmo que não haja culpa formal do mal que se pratica, a verdade é que os efeitos serão nefastos, já na vida presente. De resto, todo o acto livre e consciente será examinado pela Verdade a quem nada escapa e cada um será julgado segundo as suas obras.

b) Antes de avançarmos importa muito relembrar que qualquer acto imoral é mais grave do que todo e qualquer mal físico que nos possa sobrevir. Daí que Santa Teresa d’ Ávila repetisse frequentemente que preferiria sofrer mil mortes a cometer um só pecado venial (leve). Esta doutrina embora encontre a sua expressão perfeita no cristianismo era já conhecida e advogada pelos antigos que tinham a noção de uma lei natural, não escrita. Consideremos, agora, independentemente do pecado como ofensa a Deus, os actos que fazemos. Estes não têm somente uma resultância exterior, mas outrossim uma repercussão interior, pelo que, o que fazemos faz-nos. Ou seja, o nosso carácter é moldado positiva ou negativamente pelas nossas obras. Por isso, S. Gregório dizia que éramos filhos delas. 

De facto, nesse sentido, geramo-nos a nós mesmos. Se roubo, faço-me ladrão; se mato, directa e deliberadamente o inocente, faço-me assassino; se fornico, sendo casado ou com mulher casada, faço-me adúltero; se minto, faço-me aldrabão; se não partilho o que tenho, faço-me avaro. Pelo contrário, se digo a verdade, faço-me veraz; se partilho, faço-me generoso; se ensino o bem, faço-me misericordioso; se guardo castidade, faço-me puro, etc.

c) Uma vez que a lei moral natural é inerente à humanidade do próprio homem, quando este lhe quer escapar, por temor às suas exigências, engana-se a si mesmo de modo a convencer-se, justificando-se perante si mesmo e os outros, de que aquilo que faz é o bem. Isto é, arranja uma maneira supersticiosa, “alquímica”, de “transformar” o mal em bem, como se isso fora possível. Este processo já é descrito no Salmo (36, 2-3) quando diz que o ímpio “a si próprio se ilude para não descobrir nem odiar o seu pecado”.

Talvez uns exemplos caricaturais (sê-lo-ão mesmo?) possam ilustrar a doutrina:

i) Todo o homem sabe, no fundo de si mesmo, que roubar é uma imoralidade. Por isso se quiser assaltar um banco terá de persuadir-se a si mesmo de que não se trata de uma ladroeira. Se for um “comuna” dos quatro costados dirá para si mesmo: os banqueiros são uns exploradores, opressores e sanguessugas do povo. Se eu saltear o cofre, não se trata de uma gatunagem, mas sim de uma restituição. 

Se for, um franciscano como eu, reflexionará do seguinte teor: o Senhor diz nos Santos Evangelhos que é humanamente impossível um rico entrar no Reino dos Céus. Acrescenta que é mais fácil um camelo, um elefante, uma torre Eiffel passar no fundo de uma agulha de que um adinheirado penetrar no Reino de Deus. Os banqueiros são abastados, milionários! Coitados dos abonados! Se acometer o banco, não empalmo nada, faço sim uma obra de grande caridade, despojando ourudo daquilo que o impede de chegar ao Céu.

ii) Toda a gente sabe que assassinar é uma imoralidade e uma injustiça tremenda. Porém, quem o quer fazer pode enganar-se a si mesmo de muitas e variadas maneiras: “aquilo” não é um ser humano, é um acidente que aconteceu, e que se pode desfazer de modo a fazer com que nunca tenha acontecido; este que me calhou em sorte é um intruso que se alojou dentro de mim, sem minha autorização, tenho todo o direito de expulsá-lo como a um inimigo que se meteu em minha casa impedindo-me de ter a vida que eu quero; as crianças abortadas vão direitinhas para o Céu. Sorte a delas!, não têm que permanecer neste vale de lágrimas… Aqui nunca seriam felizes. 

Afinal é um grande um grande favor que se lhes fez!, maior gesto de amor não pode haver… ; As pessoas que assassinam pessoas humanas inocentes e indefesas são uns monstros. Eu não sou um malvado. Pelo contrário, sou uma pessoa boa. Se decidi abortar ou favorecer o aborto é claro que não se trata de um ser humano, de uma pessoa, pois eu não sou nenhum monstro!

d) Hoje em muitos meios católicos é comum pensar e dizer-se algo de muito semelhante ao que alguns teólogos advogavam, a seguir à segunda grande guerra mundial. Os abortófilos coitadinhos, pois se eles julgam que estão a fazer bem que culpa poderão ter? Irão direitinhos para o Céu, têm a salvação garantida, pois agem de acordo com a sua consciência. Ora era isto mesmo que os ditos teólogos diziam acerca dos membros das SS nazis…

O problema com esta posição é que ela não tem em conta toda a verdade, mas só parte da mesma. Pois se é certo dizer que devemos agir de acordo com a nossa consciência, não é menos verdadeiro que podemos culposamente ofuscar aquele fundo da mesma, constituído pelo hábito natural dos primeiros princípios da moral, a que os antigos chamavam sindérese, que indica luminosamente à consciência como deve agir para praticar o bem e evitar o mal.

Padre Nuno Serras Pereira


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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Ordenações diaconais no dia de São Francisco de Sales

O Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote conta com dois novos diáconos ordenados no passado dia 29 de Janeiro - dia de São Francisco de Sales, padroeiro do Instituto. O Bispo ordenante foi Mons. Guido Pozzo, ex-Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.



Fotografias: Institutum Christi Regis Summi Sacerdotis



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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

As Verdadeiras Amizades - São Francisco de Sales

Ah! quanto é bom amar já na Terra o que se amará no Céu e aprender a amar aqui estas coisas como as amaremos eternamente na vida futura. Não falo simplesmente do amor cristão, que devemos ao nosso próximo, todo e qualquer que seja, mas aludo à amizade espiritual, pela qual duas, três ou mais pessoas comunicam mutuamente as suas devoções, bons desejos e resoluções por amor de Deus, tornando-se um só coração e uma só alma.

Com toda a razão podem cantar então as palavras de David: "Oh! quão bom e agradável é habitarem juntamente os irmãos!" Sim, Filoteia, porque o bálsamo precioso da devoção está sempre a passar dum coração para o outro através duma contínua e mútua participação; de tal modo que se pode dizer que Deus lançou sobre esta amizade a sua bênção, por todos os séculos dos séculos.

Todas as outras amizades são como as sombras desta e os seus laços são frágeis como o vidro, ao passo que estes corações ditosos, unidos em espírito de devoção, estão presos por uma corrente toda de ouro. Filoteia, todas as tuas amizades sejam desta natureza, isto é, todas aquelas que dependem da tua livre escolha, porque não deves romper nem negligenciar as que a natureza e outros deveres te obrigam a manter, como em relação aos teus pais, parentes, benfeitores e vizinhos.
Hás de ouvir que não se deve consagrar afecto particular ou amizade a ninguém, porque isto ocupa demais o coração, distrai o espírito e causa ciúmes; mas é um mau conselho, porque, se muitos autores sábios e santos ensinam que as amizades particulares são muito nocivas aos religiosos, não podemos, no entanto, aplicar o mesmo princípio a pessoas que vivem no meio do mundo — e há aqui uma grande diferença.

Num mosteiro onde há fervor, todos visam o mesmo fim, que é a perfeição do seu estado, e por isso a manutenção das amizades particulares não pode ser tolerada ai, para precaver que, procurando alguns em particular o que é comum a todos, passem das particularidades aos partidos.

Mas no mundo é necessário que aqueles que se entregam à prática da virtude se unam por uma santa amizade, para mutuamente se animarem e conservarem nesses santos exercícios. Na religião os caminhos de Deus são fáceis e planos e os que ai vivem se assemelham a viajantes que caminham numa bela planície, sem necessitar de pedir a mão em auxílio. Mas os que vivem no meio do mundo, onde há tantas dificuldades a vencer para ir a Deus, parecem-se com os viajantes que andam por caminhos difíceis, escabrosos e escorregadios, precisando sustentar-se uns nos outros para caminhar com mais segurança.

Não, no mundo nem todos têm o mesmo fim e o mesmo espírito e dai vem a necessidade desses laços particulares que o Espírito Santo forma e conserva nos corações que lhe querem ser fiéis. Concedo que esta particularidade forme um partido, mas é um partido santo, que somente separa o bem do mal: as ovelhas das cabras, as abelhas dos zangões, separação esta que é absolutamente necessária.

Em verdade não se pode negar que Nosso Senhor amava com um amor mais terno e especial a S. João, a Marta, a Madalena e a Lázaro, seu irmão, pois o Evangelho o dá a entender claramente. Sabe-se que S. Pedro amava ternamente a S. Marcos e a Santa Petronila, como S. Paulo ao seu querido Timóteo e a Santa Tecla.

S. Gregório Nazianzeno, amigo de São Basílio, fala com muito prazer e ufania da sua íntima amizade, descrevendo-a do modo seguinte: "Parecia que em nós havia uma só alma, para animar os nossos corpos, e que não se devia mais crer nos que dizem que uma coisa é em si mesma tudo quanto é e não numa outra; estávamos, pois, ambos em um de nós e um no outro. Uma única e a mesma vontade unia-nos nos nossos propósitos de cultivar a virtude, de conformar toda a nossa vida com a esperança do Céu, trabalhando ambos unidos como uma só pessoa, para sair, já antes de morrer, desta Terra perecedora."

Santo Agostinho testemunha que Santo Ambrósio amava a Santa Mónica unicamente devido às raras virtudes que via nela e que ela mesma estimava este santo prelado como um anjo de Deus.

Mas para quê deter-te tanto tempo numa coisa tão clara? S. Jerónimo, Santo Agostinho, S. Gregório, S. Bernardo e todos os grandes servos de Deus tiveram amizades particulares, sem dano algum para a sua santidade.

S. Paulo, repreendendo os pagãos pela corrupção de suas vidas, acusa-os de gente sem afecto, isto é, sem amizade de qualidade alguma. S. Tomás de Aquino reconhecia, com todos os bons filósofos, que a amizade é uma virtude e entende a amizade particular, porque diz expressamente que a verdadeira amizade não pode se estender a muitas pessoas.

A perfeição, portanto, não consiste em não ter nenhuma amizade, mas em não ter nenhuma que não seja boa e santa.

in Filoteia, Introdução à Vida Devota (Cap. XIX)


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Tentações sacerdotais

Os Padres, Bispos, Cardeais e Papas, são vasos de barro, que trazem em si um tesouro Imenso, Infinito. Como vasos de argila são frágeis, facilmente quebradiços e sujeitos a muitas e tremendas tentações. Estas, como se sabe não são pecado, aliás, no Pai-nosso não pedimos a Deus que nos livre das tentações (embora todos têm a estricta obrigação moral de não se colocar em ocasião delas), imploramos sim que não nos deixe cair nelas, isto é, que nos conceda o Seu auxílio, a Sua Graça, para as vencermos, e não pecarmos.
 
Há tentações claras, diria evidentes, que de tão manifestas poderão ser repudiadas prontamente e com veemência. Outras, porém, são mais subtis, como que disfarçadas, seduzindo com grandes aparências de bem.
 
Uma muita perigosa é a do narcisismo. O narcisismo pode encontrar-se em muitos tipos de sacerdotes, quer nos impropriamente chamados avançados ou progressistas quer nos inadequadamente apelidados de tradicionalistas. Os primeiros, procurarão sobressair pelas celebrações litúrgicas criativas, por homilias fantasiosas, de mentalidade secularista, e declarações bombásticas desenquadradas, ou mesmo à margem, da Doutrina da Igreja, da Sagrada Escritura e da Tradição. 

Os segundos, que gostam muito de ser vistos, pelo contrário, buscam distinguir-se por celebrações cuidadas e devotas, regozijando-se com a admiração e elogios dos fiéis. Como os primeiros, embora de forma oposta, preocupam-se em fazer homilias que possam ser apreciadas, como que aplaudidas. Em vez de procurarem que as pessoas depois do sermão saiam insatisfeitas consigo próprias - arrependidas de seus pecados e empenhando-se por uma conversão cada vez maior -, esforçam-se para que os fiéis saiam muito satisfeitos e contentes com o pregador.
 
Todos os que padecem de narcisismo, embora de modos contraditórios, procuram a singularidade, não suportando passar despercebidos.
 
Outras tentações muito insidiosas, e que frequentemente vão juntas, são a do medo e a do “carreirismo” eclesiástico. Não poucos Padres e Párocos receosos de perderem as Paróquias ou os títulos que adquiriram querem fazer figura diante dos seus Bispos independentemente de se eles estão certos ou errados nas questões Doutrinais-Disciplinares. 

Assim, são capazes de escrever artigos ou fazer homilias advogando aquilo em que não acreditam e contra as suas consciências, por exemplo, darem a Comunhão a Pecadores públicos obstinados, com a desculpa esfarrapada de que não veem as pessoas a quem A distribuem. Não contentes com a desfaçatez hipócrita barram, recorrendo a falsas razões, a Celebração Eucarística a outros Padres, que seguindo o Magistério perene da Igreja e a Sua Sagrada Tradição se recusam a ser cúmplices facilitando os sacrilégios.
 
E o Padre ou Padres que são sistematicamente excluídos por estas razões e outras semelhantes, que deve fazer? Evidentemente, dar Graças a Deus e agradecer-lhe muito do fundo do coração que a Sua Providência Bendita lhe tenha concedido esta Graça da de poder viver e experimentar a humilhação. De facto, ninguém se torna humilde de não padecer humilhações.
 
À honra de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Sacrifício Infantil ao longo da História



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Gens Cornelia

Desde há muitos séculos, a Igreja continua a celebrar no dia 26 de Janeiro a memória de uma mulher que morreu nessa data em Belém no ano 404. Chamava-se Paula, nascida em Roma 57 anos antes (5 de Maio de 347), da estirpe dos Cornelia, uma família da mais alta nobreza romana, que deu ao Império romano mais homens de Estado que qualquer outra na história de Roma. Com 16 anos, Paula casou-se com Toxotius, um senador ilustre, com quem teve cinco filhos: quatro filhas (Blesila, Paulina, Eustóquia, Rufina) e um filho, Toxotius, com o mesmo nome do pai.

Paula e o marido possuíam uma cultura invulgar. Ele descendia de gerações de jurisconsultos célebres e ela, no meio do luxo em que foi educada, teve oportunidade de estudar. Sabemos da história com algum pormenor porque S. Jerónimo, que a conheceu bem, escreveu a sua biografia («Epitaphium sanctae Paulae»).

O palácio onde viviam, no centro de Roma, situava-se onde existem hoje a igreja e os edifícios de San Girolamo della Carità. No antigo palácio se hospedou S. Jerónimo quando esteve em Roma e, na construção actual, viveu S. Filipe de Neri no século XVI, funcionaram durante vários séculos uma obra assistencial e um importante centro cultural (célebre sobretudo no âmbito da música) e encontram-se hoje a igreja de S. Jerónimo da Caridade e a biblioteca central da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, confiadas ao Opus Dei.

No seu enorme palácio, por onde passava meia Roma, Paula conheceu alguns cristãos e ainda mais nas suas viagens, refastelada num trono carregado em ombros por uma comitiva de escravos. Em particular, conheceu Marcela, também de ascendência nobre, uma mulher de qualidades extraordinárias, em cuja casa se reuniam muitas senhoras, em obras de assistência, de estudo e de oração. Paula, cada vez mais amiga de Marcela e de todo o grupo, decide converter-se. Quando o marido morre, tinha Paula 32 anos, muda-se praticamente para o palácio de Marcela, onde o grupo vivia com grande austeridade, que surpreendia a cidade de Roma. Que umas nobres romanas fossem viver naquelas condições causou furor e escândalo violento.

Foi Marcela quem apresentou Paula a S. Jerónimo, chegado a Roma em 382, com os bispos de Salamina e de Antioquia, chamado pelo Papa S. Dâmaso, para rever a tradução latina da Bíblia, participar num concílio e o ajudar nalgumas tarefas. Paula compreendeu o alcance do trabalho de revisão das traduções e foi essa a razão de S. Jerónimo e os dois companheiros se terem hospedado em casa de Paula nos três anos que viveram em Roma.

Em 385, um mês depois de S. Jerónimo regressar à Terra Santa, Paula parte com a filha Eustóquia para seguirem lá uma vida monástica austera. Em Belém, fundam dois mosteiros, um de homens e outro de mulheres, que deixaram uma grande marca espiritual e cultural e foram centros de acolhimento de gente necessitada.

O convento foi completamente destruído pelas hordas de assaltantes que aterrorizavam a Terra Santa, tiveram de fugir, mas voltaram e recomeçaram.

Paula e a filha, além de dominarem o grego e o latim, estudaram hebraico a fundo para colaborarem com S. Jerónimo na tradução e no comentário teológico da Bíblia. Trabalhavam também na execução de cópias manuscritas dos textos, que eram enviadas de Belém para todo o mundo. Ao mesmo tempo, tiveram êxito numa tarefa difícil: embora santo, o grande Jerónimo era um pessimista inveterado, de trato muito azedo com todos, e o conselho delas foi providencial para lhe corrigir o mau génio.

A amiga Marcela continuou em Roma, trocando cartas com Paula, que lhe contava notícias dos conventos de Belém e não desistia de a tentar convencer a ir ter com elas à Terra Santa.

A filha Blesila casou-se com um nobre, enviuvou passados 7 meses e levou uma vida desleixada até que, pela oração da mãe, se converteu e se juntou ao grupo de cristãs em casa de Marcela. Paulina casou-se com Pamáquio, um senador da estirpe dos Camilli, modelo de patrício cristão. Eustóquia acompanhou a mãe, como se disse, e sucedeu-lhe como abadessa do convento feminino. Rufina morreu de parto, muito nova. O filho Toxotius também se converteu e uma das suas filhas juntou-se ao convento de Belém e acompanhou S. Jerónimo no leito de morte.

Quando Paula morreu, no tal dia 26 de Janeiro de 404, colocaram o corpo na basílica da Natividade, em Belém. Participou no funeral todo o episcopado da Palestina, juntamente com os monges e as monjas dos conventos, muitos cristãos e uma multidão imensa de pobres; contam os relatos que a afluência foi impressionante. Anos depois, a filha Eustóquia foi sepultada ao lado da mãe e, ao lado delas, sepultaram S. Jerónimo, o antigo sábio irrascível mudado em sábio simpático.

A Igreja canonizou Marcela, Paula, Eustóquia, Blesila e Jerónimo. Tão diferentes, tão amigos.

José Maria C.S. André


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Padre Brancos em Cartago



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domingo, 24 de janeiro de 2021

O mais santo acto de religião

"Sabe, cristão, que a Missa é o mais santo acto de religião. Tu não consegues fazer nada que glorifique mais a Deus, não há nada pelo qual a tua alma lucre mais do que pela tua devoção a assistir à Missa e assistir à mesma o maior numero de vezes possível."

São Pedro Julião Eymard (1868) é conhecido hoje como o Apóstolo da Eucaristia devido ao seu grande amor por Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Como fundador de um instituto religioso na sua terra natal, França, e um proponente da Comunhão e da adoração Eucarística frequentes, devemos refletir nas suas palavras sobre a Santa Missa. 

Em todas as missas nós somos participantes no mesmo acto da nossa própria redenção. Pensemos sobre isto por um momento. O Bispo Fulton Sheen relembrou-nos que a Missa é o “acto de coroação do culto cristão” e que, no altar, é reencontrada a memória da Sua Paixão. Nós estamos lá, no Calvário, sempre que vamos à Missa. Quando o sacerdote oferece o Santo Sacrifício do Filho ao Pai, nós participamos unindo as nossas orações com as dele, oferecendo-as também a Deus. 

É óbvio pelo declínio geral visto nas presenças na Missa durante as últimas quatro décadas que poucos compreendem esta dimensão sobrenatural da sagrada liturgia. Demasiados católicos simplesmente não percebem o que está a acontecer na Missa. Aqueles de nós que escrevem sobre o assunto com regularidade fazem-no com esta verdade infeliz em mente. 

Restaurar a ideia do sagrado, instigando uma compreensão do sentido sobrenatural da Missa e reconhecendo que a Missa é, de facto, a “coroação do culto cristão” e “o mais santo acto de religião” não é somente um problema intelectual. A catequese é mais do que transmitir uma ideia; é também experienciar conhecimento. A ignorância sobre a Missa é uma falha litúrgica e de catequese. Lex orandi, lex credendi. 

Como podemos imaginar, outros famosos santos da Santa Madre Igreja, escreveram sobre a verdade e o poder da Missa. São Francisco de Assis disse uma vez: "Os Homens deviam tremer, o mundo devia abanar, todo o Céu devia ser profundamente movido quando o Filho de Deus aparece no altar nas mãos do padre."

Mas há uma pergunta que nos devemos fazer: Nós trememos? Vemos com o olhar da fé que o Filho de Deus está mesmo ali nas mãos do padre? Ou a verdade sobrenatural da Santa Missa está muitas vezes escondida dos nossos olhos, obstruída por inovações profanas e minimalismos puritanos?

A aversão pós-conciliar à beleza, ao tiro, à música sagrada, ao espaço sagrado e até à reverência formou uma geração de Católicos. Infelizmente a lição aprendida por muitos destas liturgias banais e antropocêntricas, foi a de que a Missa, longe de ser o mais santo acto de religião, era algo que fazemos mais por nós do que por Deus. 

Isto leva-nos ao ressurgimento da Missa tradicional durante os últimos anos, a qual é muitas vezes chamada Missa em latim ou Forma Extraordinária do Rito Romano. Ela permanece na modernidade, trazendo beleza e tradição quando tantos dentro e fora da Igreja não a têm. Muito dos fiéis têm descoberto uma maneira de adorar a Deus que transcende uma era específica, uma cultura ou preconceitos culturais. Beleza, silencio, consistência, confiança, universalidade… Tudo o que tantas vezes está ausente da sociedade é exatamente aquilo que encontramos na Missa antiga. 

É importante relembrar que o Sacrifício da Missa é oferecido para quatro fins: adoração, reparação, acção de graças e súplica. Quando assistimos devotamente à sagrada liturgia nós estamos a preencher cada um destes quatro fins. Redescobrir este entendimento mais profundo da nossa participação na Missa, a ideia de assistir verdadeiramente à Missa, deve ser levada em consideração. 

“Tu não consegues fazer nada que glorifique mais a Deus, não há nada pelo qual a tua alma lucre mais do que pela tua devoção a assistir à Missa e assistir à mesma o maior numero de vezes possível.” 

É importante perceber o que São Pedro Julião Eymard, um padre do século XIX, poderia querer dizer quando se referiu a assistir à Missa de forma devota. Não se trata de participar como hoje se entende o sentido da palavra. Nem é o movimento e a ocupação tão frequentemente encontrados na liturgia pós-conciliar. Mais do que isso, o santo está a falar da acção interior por parte dos fiéis; uma coisa muito mais fácil de discernir quando mais reverente e tradicional for a Missa. É a diferença entre estar e fazer. 

Abordando este mesmo assunto em 2008, o Cardeal Malcom Ranjith da Congregação Para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos disse: “Este tipo de participação na cação de Cristo, o Sumo Sacerdote, requere de nós nada menos do que uma atitude de total absorção n’Ele… Participação ativa, portanto, não é dar lugar a qualquer activismo mas a uma assimilação integral e total na pessoa de Cristo, que é verdadeiramente o Sumo Sacerdote daquela eterna e ininterrupta celebração da liturgia celestial.” 

Para entrarmos verdadeiramente na Missa devemos reconhecer a profundidade sobrenatural da sagrada liturgia. Para assistir devotamente não podemos ter medo das implicações. Isto não é uma questão de ver quais as funções litúrgicas que podem ser ampliadas para envolver os leigos; temos de transcender essa compreensão correctiva da participação. Em vez disso, a discussão deve ser sobre a melhor maneira de glorificar a Deus e lucrar almas. 

Brian Williams in Liturgy Guy 


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sábado, 23 de janeiro de 2021

Bispos americanos criticam veementemente Biden por defender o aborto

A Conferência Episcopal dos Bispos Norte-Americanos emitiu um comunicado como resposta à defesa que o Presidente, Joe Biden, tinha feito do "direito" ao aborto, no dia em que se comemoravam 48 anos do julgamento 'Roe vs Wade':

«É profundamente perturbador e trágico que qualquer Presidente elogie e se comprometa a consagrar uma decisão do Supremo Tribunal que nega aos nascituros o seu direito humano e civil mais básico, o direito à vida, sob o disfarce eufemístico de um serviço de saúde. 

Aproveitamos esta oportunidade para lembrar a todos os católicos que o Catecismo afirma: 

"Desde o primeiro século, a Igreja tem afirmado o mal moral de cada aborto voluntário. Este ensino não mudou e permanece imutável." 

Os funcionários públicos são responsáveis ​​não apenas pelas suas crenças pessoais, mas também pelos efeitos de suas acções públicas. A elevação do aborto, com o Roe vs Wade, ao estatuto de direito protegido, e a sua eliminação das restrições estaduais, pavimentou o caminho para a morte violenta de mais de 62 milhões de crianças inocentes por nascer e para o facto de inúmeras mulheres passarem pela dor da perda, abandono e violência.

Instamos veementemente o Presidente a rejeitar o aborto e a promover uma ajuda que defenda a vida às mulheres e às comunidades necessitadas.»


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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Comunicado da Conferência Pessoal de um Padre Normal

Uma vez que o actual Código de Direito Canónico finaliza com a afirmação de que a lei suprema da Igreja é a Salvação das Almas, esta Conferência, em virtude da actual situação pandémica, urge, em nome da Santa Obediência que não se posponha, de modo nenhum, o Santo Baptismo. Este, sendo possível administre-se, no máximo, no dia seguinte ao nascimento. 


De facto, a Doutrina da Igreja sempre afirmou que o Baptismo é necessário à Salvação (Eterna e Sobrenatural). Apesar de nos dias de hoje vários teólogos problematizarem S. Tomás no que diz respeito ao Limbo, o Magistério da Igreja limita-se a dizer que as crianças que não são baptizadas devem ser entregues à Misericórdia Divina. Por outras palavras, não existe no Ensinamento da Igreja nenhuma afirmação de que as crianças não baptizadas poderão ir para o Céu.

 

Sendo assim seria de uma temeridade monstruosa negar ou procrastinar o Baptismo de qualquer criança, ainda para mais em tempos de uma pandemia considerada de extrema gravidade.

 

O Baptismo essencialmente é um mergulho na Morte de Cristo para com Ele Ressuscitar como Filho de Deus, Templo vivo do Espírito Santo, membro do Corpo Místico de Cristo e incorporado à Sua Igreja. Ora para que este Milagre prodigioso aconteça basta a presença de um Padre ou de um Diácono, os pais, ou pelo menos um deles (ou o pai ou a mãe) e, sendo possível, um padrinho ou uma madrinha.

 

A festa com a família os amigos poderá ser feita em qualquer outra altura. Seria bom que ela iniciasse com uma Missa de Acção de Graças que implorasse também todas as Graças para a criança e sua família.

 

À honra de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira



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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Concílio de Trento definiu dogmaticamente que na Igreja Católica há 7 Ordens

Sessão XXIII
Celebrada no tempo do Sumo Pontífice Pio IV, em 15 de Julho de 1563

Cap. II - Das sete Ordens

Sendo o ministério tão santo do sacerdócio, uma coisa divina, foi oportuno para que se pudesse exercer com maior dignidade e veneração que, na constituição ajustada e perfeita da Igreja, houvessem muitas e diversas graduações de ministros, que servissem por ofícios ao sacerdócio, distribuídos de modo que os que estivessem distinguidos com a tonsura clerical, fossem ascendendo das menores para as maiores ordens, pois não somente menciona a Sagrada Escritura claramente os sacerdotes, e também os diáconos, ensinando com gravíssimas palavras que coisas especiais se haverão de ter presentes para que sejam ordenados, e a partir do mesmo princípio da Igreja, se sabe que estiveram em uso, ainda que não em igual graduação, os nomes das ordens seguintes e os ministérios peculiares de cada uma delas a saber: do subdiácono, acólito, exorcista, leitor e ostiário ou porteiro, pois os Padres e sagrados concílios enumeram o subdiácono entre as ordens maiores, e achamos também neles com grande frequência, menção das ordens inferiores.

Cân. II - Se alguém disser que não existe na Igreja Católica, além do sacerdócio, outras ordens maiores e menores, pelas quais, como por certos graus, se ascenda ao sacerdócio, seja excomungado.


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Espanha: Crucifixo removido da via pública e colocado no lixo

Este foi o triste que fim dado hoje à "Cruz de las Descalzas de Aguilar de la Frontera". Este crucifixo encontrava-se à porta do Convento das Carmelitas Descalças desde 1939, ano em que acabou a Guerra Civil Espanhola.

A decisão foi do 'Ayuntamento de Aguilar', que disser ser necessário remodelar aquele espaço e o crucifixo não seria compatível com a nova disposição daquela praça. Obviamente uma desculpa para retirar dali o maior dos símbolos cristãos - ainda para mais com um tamanho considerável - e colocá-lo no lixo, como se pode ver na segunda imagem.
"In hoc signo vinces"





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