sexta-feira, 7 de maio de 2021

Morreu o Padre Aulagnier, conselheiro de Mons. Lefebvre e um dos fundadores do IBP

É com grande tristeza que anunciamos o falecimento do Rev. Pe. Paul Aulagnier. Braço direito de Mons. Lefebvre, superior do Distrito Francês da FSSPX durante muitos anos, cofundador do IBP e assistente do superior-geral do Instituto, o Pe. Aulagnier foi um grande guerreiro do Rito Romano Tradicional.

Rezemos por sua alma. Que Deus recompense tão fiel e aguerrido sacerdócio. RIP.

Instituto Bom Pastor - Brasil


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quarta-feira, 5 de maio de 2021

Apelo contra a destruição do Matrimónio por parte da Igreja Alemã


- APELO -
Contra a tentativa de destruição do Matrimónio
por parte do caminho sinodal alemão

5 de Maio de 2021
S. Pii V PapæetConf.

1.      O caminho sinodal alemão, apresentado em 2019, tem-se constituído, ao longo destes dois anos, um terreno fértil para a planificação e a consequente massificação de ideias e teorias claramente contrárias ao Magistério imutável e contínuo da Santa Igreja Católica, fundada pelo Divino Salvador sobre a rocha firme dos Apóstolos (Mt 16, 18). Entre os erros difundidos, constam o ataque declarado ao Sacerdócio, tanto por meio da tentativa de abolição do celibato eclesiástico quanto pela imposição da ordenação de mulheres, e ao Matrimónio, concretamente querendo atacar a união indissolúvel entre um homem e uma mulher, e impondo e equiparando as uniões sodomitas àquele amor que Nosso Senhor Jesus Cristo elevou a sacramento.     

2.      A esse respeito, oCatecismo da Igreja Católicaapresenta«o pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado pela sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole»[1].    

3.      Pelo contrário, o clero alemão, a começar pela hierarquia, salvo raras excepções, afastando-se escandalosamente do ensinamento constante da Igreja, sugere, entre outras coisas, a demolição do Matrimónio, tendo sido convocado, para10 de Maio, um dia de “bênção” para todos os apaixonados, incluindo, como seria de esperar, as parelhas homossexuais, em claro desrespeito do responsumda Congregação para a Doutrina da Fé, de 22 de Fevereiro de 2021, a um dubium sobre a bênção de uniões de pessoas do mesmo sexo. No documento vaticano, tornado público em várias línguas, lê-se que «não é lícito conceder uma bênção a relações, ou mesmo a parcerias estáveis, que implicam uma prática sexual fora do matrimónio (ou seja, fora da união indissolúvel de um homem e uma mulher, aberta por si à transmissão da vida), como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo»[2], sendo reiterado que «a Igreja (…) não abençoa nem pode abençoar o pecado»[3]. Segundo consta, são já mais de 2.500 os sacerdotes, diáconos e demais agentes pastorais associados a esta iniciativa, o que demonstra uma manifesta aversão à Tradição da Igreja e às normas por ela estipuladas.

4.      Segundo o Código de Direito Canónico, o cisma é «a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos»[4], incorrendo, desta forma, em excomunhão latæsententiæ todo aquele que o promover. Tudo leva a crer que o caminho sinodal alemão, a cada dia, tende a converter-se num passo para o cisma e a heresia declarada.   

5.      Preocupados com esta lastimável situação, nós Pastores da Igreja Católica e fiéis leigos empenhados na defesa da Verdade da Fé, apelamos ao Santo Padre que tome as devidas medidas para terminar com o caminho sinodal alemão e, se necessário, aplicar as respectivas sanções canónicas aos impulsionadores deste tremendo desvio doutrinal e de comunhão com as Chaves de Pedro.

6.      Por outro lado, convocamos, para o mesmo dia 10 de Maio, uma jornada internacional de oração e de reparação por todas as ofensas e sacrilégios cometidos pelos Pastores desviados da Igreja alemã, apelando a queseja recitada, em público ou em privado, a ladainha do Sagrado Coração de Jesus e, sempre que possível, que seja oferecidaa Santa Missa pro remissionepeccatorum e a Comunhão reparadora.      

 

PRELADOS      

1. Cardeal Joseph Zen, Bispo emérito de Hong Kong    
2. D. Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar deAstana, Cazaquistão     
3. D. Marian Eleganti, Bispo Auxiliar emérito de Coira, Suíça            

SACERDOTES 

4. P. Miguel Coelho, Arquidiocese de Évora, Portugal             
5. P. José Andrade, Arquidiocese de Braga, Portugal               
6. P. Duarte Sousa Lara, Diocese de Lamego, Portugal           
7. P. Manuel Vaz Patto, Diocese de Coimbra, Portugal           
8. P. Hélder Ruivo, Diocese de Aveiro, Portugal            
9. P. Armin Maria Kümin, Ordem da Santa Cruz, Portugal               
10. P. Manuel de Pina Pedro, Diocese de Leiria-Fátima, Portugal               
11. P. Gerald E. Murray, Arquidiocese de Nova Iorque, EUA  
12. P. Tiago Ribeiro e Pinto, Diocese de Setúbal, Portugal       
13. P. SamueleCecotti, Osservatorio Van ThuansullaDottrinaSocialedella Chiesa, Diocese de Trieste, Itália 
14. P. António Alexandre de Oliveira, Diocese de Campo Limpo, Brasil     
15. P. Alfredo Maria Morselli, Arquidiocese de Bolonha, Itália 

ADVOGADOS

16. Ives Gandra da Silva Martins, Advogado
, São Paulo, Brasil
17. Miguel da Costa Carvalho Vidigal, Advogado, São Paulo, Brasil   
18. Luís Filipe Esquível Freire de Andrade, Advogado, Coimbra, Portugal  
19. Carlos Vitor Santos Valiense, Advogado, Bahia, Brasil       

JORNALISTAS E EDITORES
    

20. Marco Tosatti, Jornalista, Roma, Itália   
21. FabioScaffardi, Jornalista, Florença, Itália                 
22. Eugene Rosenblum, Editor-Chefe de Trailway, Rússia       
23. António Carlos de Azeredo, Editor, Porto, Portugal 
24. José Barbosa Soares, Conselheiro Editorial, Porto, Portugal 

     

PROFISSIONAIS DE SAÚDE    


25. Teresa Kaufeler, Médica Psiquiatra, Österreich, Áustria      
26. Joana Luísa Nigra de Castro e Sousa de Noronha, Médica, Lisboa, Portugal
27. Nelson Machado da Silva Lima, Médico Neurocirurgião
, Belém do Pará, Brasil
28. Maria Cabral Martins, Enfermeira, Mestre em Saúde Mental e Psiquiátrica pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, Porto, Portugal          
29. ElzbietaAgnieszka, Enfermeira, Roma, Itália   
30. Salvador Olazabal, Psicólogo,
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Porto, Portugal               
31. Maria José Côrte-Real Freire de Andrade, Psicóloga, Coimbra, Portugal

PROFESSORESE PROFISSIONAIS   

32. Armando Alexandre dos Santos, Professor Universitário, Licenciado em História e em Filosofia, Doutor pela Universidad de Alicante, Piracicaba, Brasil
33. Michael Hesemann, Historiador e autor,Neuss, Alemanha           
34. StanislawStrutynski, Presidente da Una Voce Rússia, Rússia         
35. Elena Mancini, Docente, Linz, Áustria  
36. Ricardo Luiz Silveira da Costa, Professor Universitário
, Rio de Janeiro, Brasil  
37. Ibsen José Casas Noronha, Professor Universitário, Coimbra, Portugal
38. Pedro Affonseca, Presidente do Centro Dom Bosco e licenciado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil   
39. Álvaro Mendes, Vice-Presidente do Centro Dom Bosco e Doutorado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Brasil   
40. Bruno Mendes, Director-Geral do Centro Dom Bosco, Doutorado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil    
41. Giuseppe Sorrentino, Professor de Matemática aposentado, Avezzano, Itália  
42. Eduardo Almeida, Licenciado em História pelaFaculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, Portugal    
43. João Augusto Lobato Rodrigues, Economista, Mestre em Desenvolvimento Regional e Doutorando em Gestão Social, Belém do Pará, Brasil    
44. Alexandra de Almeida Tété, Gestora, Licenciada em Relações Internacionais, Porto, Portugal        
45. Amadeu Fernandes, Engenheiro Mecânico, Viseu, Portugal         
46. CorradoGnerre, Guia Nacional do C3S, Benevento, Itália           
47. Diogo de Campos, Tradutor, Viana do Castelo, Portugal   
48. Luís Ferrand d’Almeida, Licenciado em Guia-Intérprete pelo Instituto Superior de Novas Profissões, Viseu, Portugal      
49. Maria da Graça Poças da Cruz Marcelino, Licenciada em História pela Universidade Nova de Lisboa, Viseu, Portugal  
50. Maria do Carmo Olazabal, Engenheira Biomédica, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal        
51. Maria Francisca Gomes, Designer Multimédia, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Porto, Portugal  
52. Paula Andrea Caluff Rodrigues, Arquitecta, Mestre em Património Cultural e Doutoranda em Comunicação, Linguagem e Cultura
, Belém do Pará, Brasil      
53. Pedro Sinde, Bibliotecário, Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto
, Mirandela, Portugal 
54. Miguel Lançós de Sottomayor, Oficial de Marinha
, Lisboa, Portugal      
55. Lara EngeMaggione, Engenheira Agrónoma
, Lisboa, Portugal    
56. Nicolau Pinto Coelho, Licenciado em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Porto, Portugal      
57. Barbara Lambiase, Gráfica, Diplomada no sector dos Media, Munique, Alemanha    
58. Giuseppina Nigro, Aposentada, Roma, Itália            
59. GiovannaRuggeri, Dona de casa, Lumezzane, Itália           
60. Alessandra Perfetti, Desempregada, Licenciada em Filosofia pela UniversitàdegliStudidi Milano e licenciada em Psicologia Clínica pela UniversitàdegliStudidi Torino, Macerata, Itália                
61. Enrico Donà, pai de 4 filhos, Innsbruck, Áustria      
62. Elena Martinz, mãe de 4 filhos, Innsbruck, Áustria   
63. Mauro Reginato, pai de 2 filhos, Innsbruck, Áustria  
64. Martina Pappagallo, mãe de 2 filhos, Innsbruck, Áustria     
65. GüntherHofer, pai de 2 filhos, Innsbruck, Áustria    
66. FedericaSparpaglia, mãe de 2 filhos, Innsbruck, Áustria      
67. MaurizioSeghieri, pai de 2 filhos, Montecatini Terme, Pistoia, Itália                 
68. Irene Ibellani, mãe de 2 filhos, Montecatini Terme, Pistoia, Itália 

ESTUDANTES
 

69. Afonso de Almeida Tété Machado, Estudante de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto, Portugal   
70. Francisco José Ferrand d’Almeida, Estudante Universitário, Viseu, Portugal
71. Henrique José Ferrand d’Almeida, Estudante Universitário, Viseu, Portugal
72. Camila Caluff Rodrigues de Lima, Estudante de Direito, Belém do Pará, Brasil



[1] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1601.

[2] Congregação para a Doutrina da Fé, Responsum da Congregação para a Doutrina da Fé a um dubium sobre a bênção de uniões de pessoas do mesmo sexo.

[3]Ibidem.

[4] Cfr. Código de Direito Canónico, cân. 751.


Os interessados em subscrever deverão enviar o nome, a profissão, a área de formação, a cidade e o país para christusvincit2021@protonmail.com



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terça-feira, 4 de maio de 2021

22 milhões de bebés do sexo feminino abortados na Índia

Uma investigação publicada recentemente no The Lancet estima que entre 1987 e 2016 tenham sido abortados mais de 22 milhões de bebés na Índia pelo simples facto de serem do sexo feminino. 

O aborto selectivo de bebés do sexo feminino é considerado aceitável na Índia. E é justificado pelo facto dos pais de uma jovem terem de pagar um dote ao noivo para que se realize o casamento. Um homem é também visto como estando preparado para proteger melhor os pais numa idade mais avançada e pode realizar os ritos hindus pelas almas dos pais e parentes. 

Os exames pre-natais vieram antecipar o conhecimento do sexo do bebé e permitir que mais facilmente aquela vida seja eliminada, caso se confirme que é uma menina.

Steven Mosher, presidente do Population Research Institute, estima que 550 mil bebés sejam abortados todos os anos na Índia por serem do sexo feminino.

Perante esta tragédia não se ouve a voz revoltada das feministas nem sequer dos jornalistas que denunciam agora uma pretensa catástrofe sanitária na Índia por causa da Covid-19. Dois pesos e duas medidas.


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Colóquio "A Beleza da Liturgia" - 7 de Maio, Chiado (Lisboa)

Para quem não puder estar presente, será transmitido nesta página:


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sábado, 1 de maio de 2021

São José, Artesão

Nos Evangelhos, Jesus é chamado de "filho do carpinteiro". De modo iminente, se reconhece nesta memória de São José a dignidade do trabalho humano, como dever e aperfeiçoamento do homem, exercício benéfico de seu domínio sobre a criação, serviço à comunidade, prolongamento da obra do Criador e contribuição ao plano da Salvação.

O Papa Pio XII (1955) instituiu a Festa de "São José Artesão", para dar um protector aos trabalhadores e um sentido cristão à Festa do Trabalho. Mas como nem todas as nações cristãs (EUA, por exemplo) comemoram a festa no dia 1º de Maio, a celebração de hoje é uma memória facultativa.

A figura de São José, o humilde e grande trabalhador de Nazareth, orienta para Cristo, o Salvador do homem, o Filho de Deus que compartilhou completamente a condição humana (cf GS 22; 32). Assim, antes de tudo, deve-se afirmar que o trabalho dá ao homem o maravilhoso poder de participar da obra criadora de Deus e que o trabalho possui um autêntico valor humano. 

O Novo Testamento não atribui a São José uma palavra sequer. Quando começa a vida pública de Jesus, ele, provavelmente, já não mais vivia (de fato, nas núpcias de Canaã ele não é mencionado), mas não se sabe onde ou quando tenha morrido; nada se sabe de seu túmulo, embora seja conhecido o de Abraão, que é muito mais antigo. Os Evangelhos conferem-lhe o título de Justo: na linguagem bíblica, 'justo' é o que ama o espírito e a letra da Lei, como expressão e vontade de Deus. José descende da Casa de Davi, dele sabemos apenas que era um artesão que trabalhava a madeira. 

Não era um velho, como a tradição hagiográfica e certa iconografia o apresentam, segundo o cliché do “bom velho José” que tomou como esposa a Virgem de Nazareth para ser o pai putativo do Filho de Deus. Pelo contrário, era um homem no pleno vigor da idade, de coração generoso e rico de fé, certamente enamorado de Maria. Com ela noivou segundo os costumes da época. 

O noivado para os hebreus equivalia ao matrimónio, durava um ano e não permitia a coabitação nem a vida conjugal entre os dois; após este período, havia uma festa na qual a noiva passava a coabitar com o noivo, iniciando a vida conjugal. Se neste período a noiva concebesse um filho, o noivo dava-lhe seu nome, mas se a noiva era suspeita de infidelidade, podia ser denunciada no tribunal local. O procedimento a seguir era terrível: a adultera morreria apedrejada. 

Eis que no Evangelho de São Mateus lemos que “Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela acção do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo um homem justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente” (Mt 1,18-19). Mas, enquanto ainda pensava em como fazer isto, eis que o Anjos do Senhor veio tranquilizá-lo: “José, Filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, porque O que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus; ele, de fato, vai salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,20-21). 

José pode aceitar ou não o projecto de Deus. Em toda vocação que se respeite, ao mistério do chamado corresponde sempre o exercício da liberdade, pois o Senhor nunca violenta a intimidade de suas criaturas, nem interfere nunca sobre seu livre arbítrio. Então, José pode aceitar ou não. Por amor a Maria, aceita. Nas Escrituras lemos que “fez conforme o Anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa” (Mt 1,24). Ele obedeceu prontamente ao Anjo e, desse modo, disse o seu sim à obra da Redenção. Por isso, quando nós olhamos o sim de Maria devemos também pensar ao sim de José ao projecto de Deus.

Desafiando toda prudência terrena e indo além das convenções sociais e dos costumes da época, ele soube fazer vencer o amor, acolhendo o mistério da Encarnação do Verbo. Na multidão dos devotos de Nossa Senhora, sem dúvida, São José é o primeiro em ordem de tempo. Uma vez tomado conhecimento de sua missão, consagrou-se a Ela com todas as suas forças. Foi esposo, custódio, discípulo, guia e apoio: todo de Maria. (…) O que Maria e José viveram foi um verdadeiro matrimónio? É uma pergunta que se fazem seja os doutos que os simples. Sabemos que a convivência matrimonial deles foi vivida na virgindade (cf. Mt 1,18-25), ou seja, foi um matrimónio virginal, mas, contudo, vivido na comunhão mais verdadeira e completa. 

E se Maria vive de fé, São José não deixa por menos. Se Maria é modelo de humildade, nesta humildade se espelha também a humildade de seu esposo. Maria amava o silêncio, São José também: entre eles havia, nem poderia ser diferente, uma comunhão conjugal que era verdadeira comunhão de corações, cimentada por profundas afinidades espirituais. 

“Qualquer graça que se peça a São José será certamente concedida, quem queira crer faça o teste para que se convença”, dizia S. Teresa de Ávila. “Eu tomei como meu advogado e patrono o glorioso São José, e me recomendei a ele com fervor. Este meu pai e protector me ajudou nas necessidades em que me encontrava e em muitas outras mais graves nas quais estava em jogo minha honra e a saúde de minha alma. Vi que a sua ajuda foi sempre maior daquilo que poderia esperar...” ( cf. cap. VI da Autobiografia).

É difícil duvidar disso, se pensarmos que entre todos os santos o humilde carpinteiro de Nazareth é aquele mais próximo de Jesus e de Maria: o foi nesta terra, a maior razão o é no Céu. Porque ele foi o pai de Jesus, mesmo que adoptivo; e de Maria foi o esposo. São mesmo inúmeras as graças que se obtêm de Deus, por intercessão de São José. 

Padroeiro universal da Igreja por vontade de Papa Pio IX, é conhecido também como padroeiro dos trabalhadores e também dos moribundos e das almas purgantes, mas o seu patrocínio se estende a todas as necessidades, atende a todos os pedidos. 

São José é o padroeiro dos Pais, Carpinteiros, Trabalhadores, Moribundos, Ecónomos, Procuradores legais e da Família, mas em primeiro lugar é o Padroeiro da Igreja. Sob a sua protecção se colocaram Ordens e Congregações religiosas, associações e pias uniões, sacerdotes e leigos, doutos e ignorantes.

in Pale Ideas


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sexta-feira, 30 de abril de 2021

O problema da Liberdade segundo o Bispo Fulton Sheen

A liberdade está plantada no espírito. Só as criaturas espirituais e racionais são livres. Só o homem tem determinação própria. Porque, dotado de razão, pode assentar os seus próprios projectos e propósitos e escolher os meios de usá-los. Sua suprema liberdade é obtida quando age dentro da lei de seu ser e escolhe dentre as boas coisas com o fim de alcançar o mais completo enriquecimento e a plenitude de sua personalidade em Deus.

A base de nossa liberdade, bem sabemos, é nossa alma racional. Mas existe uma garantia externa de nossa liberdade, já que não somos puramente espirituais, mas porque somos compostos de corpo e alma, matéria e espírito, necessitamos de algum sinal visível e externo de nossa invisível liberdade espiritual. Ou, se o homem é livre porque tem uma alma espiritual, não deverá haver um sinal externo para essa liberdade interna, algo que possa chamar de seu no mundo exterior, assim como chama a sua alma propriedade dentro de si?

Liberdade significa responsabilidade ou domínio de seus actos. Como pode, porém, esta responsabilidade interna melhor revelar-se externamente do que por meio da posse de alguma coisa material sobre a qual se possa exercer controle? O homem é mais livre em seu íntimo, quando possui alguma coisa no mundo exterior que possa chamar de seu, que possa dar cunho a sua personalidade.

Se o homem não possuísse nenhuma coisa que se pudesse tornar responsável, não seria livre nem dentro, nem fora de si. Deem-lhe, porém, alguma coisa que possa afeiçoar à sua própria imagem e semelhança, assim como Deus o fez à sua imagem e semelhança e o homem será economicamente livre. Tal coisa é a propriedade privada.

A propriedade privada, então, é a garantia económica da liberdade, tal como a alma é sua garantia espiritual -- a prova de que é tão livre em seus actos externos quanto em seu foro íntimo; a garantia de que é a fonte da responsabilidade não apenas no que se refere ao que ele é, mas também ao que possui.

O direito à propriedade privada baseia-se na dignidade da pessoa humana e não num privilégio do Estado. O Estado pode confirmar o direito natural, mas em nenhum sentido o cria. O direito à propriedade está, portanto, fundado na natureza humana. Não é o Estado que nos dá este direito. O homem tem esse direito antes do Estado e o Estado não pode destruí-lo sem destruir a natureza do homem.

Pelo facto de a propriedade em suas relações externas ser o sinal da liberdade, é que a Igreja tem feito da larga distribuição da propriedade privada a pedra angular de seu programa social. 'A riqueza, constantemente aumentada pelo progresso económico e social, deve ser distribuída por entre os vários indivíduos e classes de modo tal que seja alcançado o bem comum de todos' (Quadragesimo Anno).

A Igreja, por saber que a propriedade privada é a garantia económica de uma pessoa ou família, luta por ela. Porque renunciar à propriedade é ficar alguém sujeito a outrem. Se renunciar ao meu direito à propriedade, ficarei sujeito, quer:

1 - Ao Estado ou coletividade, como no comunismo;
2 - Ao próximo, como o capitalismo selvagem o quer;
3 - A Deus, como no voto de pobreza (neste caso, ele tudo possui, mas a tudo renuncia, pois nada tem a desejar).

Porque a abolição da propriedade é o começo da escravidão, opõe-se a Igreja ao capitalismo selvagem que encerra a propriedade nas mãos de poucos e ao comunismo, que confisca inteiramente em nome da colectividade.

Profundamente interessada na liberdade do homem, recorre a Igreja a um meio eficaz: sugere-lhe aquilo que o fará livre, isto é, dá-lhe alguma coisa que ele possa chamar de seu.''

Bispo Fulton Sheen in 'O Problema da Liberdade'


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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Os namorados devem viver juntos? Não é boa ideia!

Devem ir morar com o vosso namorado? Parece uma boa ideia porque querem conhecer mesmo bem a pessoa antes de lhe entregar a vossa vida. A maior parte dos namorados que vivem juntos e pensam casar vêem este esquema como uma boa maneira de experimentar, uma forma de terem a certeza de que são compatíveis antes de darem o nó. Afinal de contas, quem é que quer passar por um divórcio?

Pondo de parte todos os factores espirituais relacionados com o sexo antes do casamento, devíamos dar uma olhadela ao que os investigadores descobriram sobre viver juntos antes do casamento. Dois investigadores resumiram os seus resultados de muitos estudos ao dizer que "a expectativa de uma relação positiva entre a união de facto e a estabilidade do matrimónio foi destruída nos últimos anos por estudos feitos em vários países do Ocidente."[1] O que os estudos descobriram é isto: se não se querem divorciar, não vivam juntos até se casarem.

Porque é que é assim? Pensem nos seguintes factos sobre viver juntos antes do casamento: a maior parte dos casais que vivem juntos acabam por nunca se casar, mas os que realmente se casam têm uma taxa de divórcio de quase 80% mais alta do que os que esperaram até ao casamento para viverem juntos.[2] 

Os casais que viveram juntos antes do casamento também têm mais conflitos no matrimónio e pior comunicação, e vão mais frequentemente aos conselheiros de matrimónios.[3] 

As mulheres que viveram com outra pessoa antes do casamento têm uma probabilidade três vezes maior para enganar os seus maridos dentro do casamento.[4] O Departamento de Justiça dos EUA descobriu que as mulheres que vivem com o namorado antes do casamento têm sessenta e duas vezes mais probabilidade de serem agredidas pelo namorado-lá-de-casa do que por um marido.[5] 

Além disso têm três vezes mais probabilidade de ficarem deprimidas do que as mulheres casadas,[6] e os casais têm menor satisfação sexual do que os que esperaram por casar.[7]

Do ponto de vista da duração do matrimónio, paz no matrimónio, fidelidade no matrimónio, segurança física, bem-estar emocional e satisfação sexual, a união de facto não é bem a receita para a felicidade. Até o USA Today diz: "Poderá isto ser verdadeiro amor? Façam o teste no namoro, não a viver juntos antes do casamento."[8] Mesmo que não pensem que o vosso namorado vai ser um abusador ou que vão ficar deprimidas, as taxas de divórcio falam por si mesmas.

Como todos nós, vocês sonham com um amor que dura. Se querem mesmo fazer essa relação durar, salvem o vosso casamento antes dele começar e não vão viver com o vosso namorado antes do casamento.

in ChastityProject.com

[1]. William G. Axinn and Arland Thornton, “The Relation Between Cohabitation and Divorce: Selectivity or Casual Influence?” Demography 29 (1992), 357–374.
[2]. Cf. Bennett, et al., “Commitment and the Modern Union: Assessing the Link Between Premarital Cohabitation and Subsequent Marital Stability,” American Sociological Review 53:1 (February 1988), 127–138.
[3]. Elizabeth Thompson and Ugo Colella, “Cohabitation and Marital Stability: Quality or Commitment?” Journal of Marriage and the Family 54 (1992), 263; John D. Cunningham and John K. Antill, “Cohabitation and Marriage: Retrospective and Predictive Consequences,” Journal of Social and Personal Relationships 11 (1994), 90.
[4]. Koray Tanfer and Renata Forste, “Sexual Exclusivity Among Dating, Cohabiting, and Married Women,” Journal of Marriage and Family (February 1996), 33–47.
[5]. Chuck Colson, “Trial Marriages on Trial: Why They Don’t Work,” Breakpoint, March 20, 1995.
[6]. Lee Robins and Darrell Regier, Psychiatric Disorders in America: The Epidemiologic Catchment Area Study (New York: Free Press, 1991), 64.
[7]. Marianne K. Hering, “Believe Well, Live Well,” Focus on the Family, September 1994, 4.
[8]. William Mattox, Jr., “Could This be True Love? Test It with Courtship, Not Cohabitation,” USA Today, February 10, 2000, 15A (usatoday.com).


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Traje tradicional dos noivos na Polónia




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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Muita paciência para os animais e pouca para as pessoas

O mundo moderno encontra-se cheio de diversas formas de adoração dos animais; uma religião geralmente acompanhada com o sacrifício humano.

No entanto, ouve-se falar muito pouco sobre os reais predicados dos animais. Um deles é, seguramente, essa inocência de ser privado da monotonia. Talvez essa simplicidade resulte da inexistência de pecado.

Eu próprio possuo a necessidade da surpresa, embora eu aprecie a nova estrada bem como a velha estrada. Mas tenho muito mais cansaço do que o meu cão pois encontro monotonia na repetição de brincadeiras e não desato a saltar de alegria à volta das pessoas.

Eu seria incapaz de crueldade para com os animais mas receio dizer que muitos de nós, sob o argumento de detestar a crueldade para com os animais, têm uma excessiva paciência para com os animais.

Muita paciência, sobretudo comparada com a falta de paciência que demonstram para com os seres humanos.

G.K. Chesterton in 'A Nova Jerusalém'


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A Presença de Deus

A santificação através da consciência permanente da Presença de Deus nas nossas vidas, mais ainda nas nossas almas, quando estamos na Sua Graça, é uma prática, ou melhor, uma espiritualidade cujas raízes se encontram nos Evangelhos.
 

A Santa Isabel da Trindade[1][2], uma carmelita, foi-lhe concedida a enorme Graça do reconhecimento interior da Presença de Deus Uno e Trino na sua alma. Vivia, por isso, quotidianamente, mergulhada no Mistério de Deus em si. Por isso, afirmava que já vivia o Céu na terra. De facto, o Céu, ultimamente, é Deus: a plena Comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

Evidentemente que nestes textos telegráficos que vou enviando, não irei desenvolver esta espiritualidade, verdadeiramente infundida pelo Espírito Santo[3].


E, assim, enunciarei somente breves tópicos:


a) Quem assim vive ou aprende a viver estará praticamente imune aos ataques do Maligno (suposta, é claro, a vida Sacramental habitual).


b) Um confrade Sacerdote contou-me que a partir, não da confissão sacramental, mas somente de algumas conversas espirituais entendeu que a pessoa que o consultava experimentava uma grande dificuldade em vencer-se num pecado sexual. Este Padre, com uma audácia temerária, um dia disse-lhe. Faz então isso que costumas fazer aqui à frente de mim. A pessoa sentiu-se chocada, envergonhada e incapaz do acto, como era de esperar. Pelo que o Sacerdote lhe disse, se tu só pelo facto da minha presença, ultrapassas-te a tentação e o pecado, muito mais alcançarás fazê-lo se tiveres consciência da Presença de Deus que a tudo e a todos está presente.


c) Quanta gente, talvez em especial jovens, que usa uma linguagem indecorosa e que se comporta muito inadequadamente, estando na presença de adultos ou, pelo menos de pessoas que respeitam, se comportam como pessoas muito bem-educadas? Pois, com maior razão o farão se praticarem este exercício da consciência da Presença de Cristo e da Trindade.


d) É triste que esta Espiritualidade não seja pregada e ensinada habitualmente, uma vez que se perdem muitas Graças e se evitariam muitos pecados.

 

À honra de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira

[2] Isabel Catez nasceu, no campo militar de Avor, perto de Bourges, França. O seu pai era capitão do exército francês. Desde muito cedo que Isabel mostrou ser uma criança turbulenta, muito viva, faladora, precoce e de temperamento colérico. A sua mãe quando fala dela nalgumas cartas chama-a «autêntico diabinho». E a sua irmã não hesita em escrever que era «um verdadeiro diabo». Chega mesmo a dizer que era tão violenta que os familiares a ameaçaram enviar para uma casa de correcção. 


No entanto, a sua mãe, atenta, soube modelar a fúria de Isabel e fazer sobressair nela a ternura e docilidade. E de tal maneira a ternura ganhou terreno que o maior castigo de Isabel acontecia quando a sua mãe, à noite, se despedia dela sem lhe dar um beijo. Então, Isabel compreendia que não se tinha portado bem, e, meditando fazia exame de consciência e corrigia-se. Isabel era ainda uma criança quando a sua família se mudou para a cidade de Dijon. Aqui Isabel perdeu o pai tão querido que a morte lhe roubou. O dia da primeira comunhão, a 19 de Abril de 1891, foi «o grande dia» da vida de Isabel. 


Tinha então 10 anos, pois nascera no dia 18 de Julho de 1880. Estudou piano desde os 8 anos de idade no Conservatório, vindo a tornar-se uma «excelente pianista», segundo expressão do seu professor de música. Participou em concertos organizados, e, os jornais falaram do seu grande talento ainda mal a menina Catez chegava aos pedais do piano. Entre músicas e festivais, bailes, férias e diversões foram decorrendo os anos de Isabel. 


Aos catorze anos sentiu-se irresistivelmente atraída por Jesus. Aos 18 a sua mãe pretendeu casá-la com um esplêndido noivo, mas Isabel respondeu: «o meu coração já não está livre, dei-o ao Rei dos reis, já dele não posso dispor». O desgosto da mãe foi grande. Mas foi mais amargo quando soube que Isabel queria entrar no Carmelo, que tantas vezes tinham visitado, pois ficava ali a dois passos. A mãe apenas consentiu a entrada da filha no Carmelo quando alcançou a maioridade, aos 21 anos. No dia 2 de Agosto de 1901, Isabel entra definitivamente nessa bela montanha do Carmo que pela sua solidão e beleza a atraiu irresistivelmente. A partir de então o seu nome será Irmã Isabel da Santíssima Trindade. «Gosto tanto do mistério da Santíssima Trindade! É um abismo no qual me perco. Deus em mim, eu n’Ele. É o grande sonho da minha vida. Para uma carmelita viver é estar em comunhão com Deus desde a manhã até à noite, e desde a noite até de manhã. Se Deus não enchesse as nossas celas e os nossos claustros, oh!, como tudo seria vazio! Mas é Ele que enche toda a nossa vida fazendo dela um céu antecipado». 

A irmã Isabel tomou o hábito a 8 de Dezembro de 1901. Iniciada a vida de noviciado a paz e a felicidade mudou-se em noite escura; foi o momento da purificação interior. Com a profissão religiosa, que fez a 11 de Janeiro de 1903, recuperou a paz e a serenidade interior. Depressa a Irmã Isabel descobriu a sua vocação. Lendo S. Paulo descobriu que ela devia ser o «louvor da glória de Deus». Esta ideia e esta vocação serão o rumo e o norte de Isabel da Santíssima Trindade: «louvor de glória» é uma alma que mora em Deus e O ama com amor puro, amante do silêncio qual lira mantida sob o toque misterioso do Espírito Santo, fazendo sair de si harmonias divinas. 

«Louvor de glória» é uma alma que contempla a Deus em fé simples e permanece como um eco perene do eterno cântico celeste. O segredo da felicidade é não se preocupar consigo mesmo, é negar-se em todo o momento». 

Seguindo o Caminho que é Cristo, a Irmã Isabel entrou no mistério de Deus através de Maria a quem gosta de chamar a Porta do céu. Seguindo os nossos pais e mestres~, Teresa de Jesus e, sobretudo, João da Cruz, de quem constantemente fala nos seus escritos, Isabel mergulha no mistério das Três Pessoas Divinas, nesse Oceano sem fundo que é a Santíssima Trindade e que ela se sente envolvida por dentro e por fora. Tal como S. João da Cruz se sentiu fascinado pela formosura de Deus, também Isabel da Trindade se sente atraída pela beleza de Deus. Isabel gostava de ver o sol penetrar nos claustros e recordar aquela comparação de Santa Teresa que dizia que a alma é como um cristal que reflecte a Deus. A nossa irmã deixou-nos este testemunho: «cada dia na minha vida de esposa me parece mais belo, mais luminoso, mais envolto em paz e amor». 


Mas foi a vivência total daquela frase de S. João da Cruz: «a alma perfeita e unida a Deus em tudo encontra alegria e motivo de deleite até naquilo que entristece os outros, e sobretudo alegra-se na cruz» que levou a Irmã Isabel a perder-se em Deus como uma gota de água no Oceano, segundo a sua própria expressão. Foi o perfeito louvor da glória de Deus, por isso, apenas com 26 anos se encontrava preparada para voar para a paz: «tudo é calma, tudo fica tranquilo e é tão bom, a paz do Senhor». 

Nos finais de Março de 1906, a Irmã Isabel foi colocada na enfermaria. Sentia-se feliz por morrer carmelita e escreve esta frase que é uma cópia do verso de S. João da Cruz: «sem outro ofício senão o de amar, estou na enfermaria». As Irmãs rezavam pela sua cura e Isabel juntou o seu pedido às orações da comunidade, mas sentiu que Jesus lhe dizia que os ofícios da terra já não eram para ela. No dia 1 de Novembro comungou pela última vez e dois dias antes da sua morte disse ao seu médico: «é provável que dentro de dois dias esteja no seio da Santíssima Trindade. É a Virgem Maria, aquele ser tão luminoso, tão puro, com a pureza do mesmo Deus, quem me levará pela mão e me introduzirá no céu tão deslumbrante». Pouco antes da sua morte, Isabel disse às suas Irmãs esta frase tão bela e que ficou célebre: «Tudo passa! No entardecer da vida só o amor permanece». Frase que se parece com aquela outra de S. João da Cruz, também muito bela e conhecida: «à tarde serás examinado no amor». A sua última noite foi terrivelmente penosa, pois às suas horríveis dores juntou-se-lhe também a falta de ar, mas ao amanhecer Isabel sossegou, e inclinando a cabeça abriu os olhos, e exclamou: «vou para a Luz, para o Amor, para a Vida», e adormeceu para sempre. Era a madrugada do dia 9 de Novembro de 1906. 

[3] “Ó meu Deus, Trindade que eu adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente, para me estabelecer em vós, imóvel e pacífica como se já a minha alma estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar a minha paz, nem fazer-me sair de vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me leve mais longe na profundeza do vosso Mistério. Pacificai a minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada amada e o lugar de vosso repouso. Que nunca aí eu vos deixe só, mas que esteja lá inteiramente, toda acordada em minha fé, perfeita adoradora, toda entregue à vossa Acção criadora. 

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quereria ser uma esposa para o vosso Coração, quereria cobrir-vos de glória, quereria amar-vos… até morrer de amor! Mas sinto a minha incapacidade e peço-vos para me «revestirdes de vós mesmo», para identificar a minha alma com todos os movimentos de vossa alma, me submergir, me invadir, e vos substituir a mim, a fim que a minha vida não seja senão uma irradiação da vossa Vida. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra do meu Deus, quero passar a minha vida a escutar-vos, quero tornar-me inteiramente dócil ao vosso ensino, a fim de tudo aprender de vós.”



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terça-feira, 27 de abril de 2021

Revolução sexual: Tolos ou Mentirosos

Os actuais defensores da Revolução Sexual – esse grande pântano de esgoto, miséria humana, famílias disfuncionais, entretenimento decadente e advogados – garantem que a ruptura antropológica mais radical que a humanidade alguma vez conheceu, a desvinculação entre o casamento, a procriação e os simples factos da vida, não terá qualquer efeito (nenhum, não se preocupem) sobre o casamento, a procriação, a família e a vida comunitária.

Ao que eu respondo: “Não foi isso que disseram das outras vezes?” Precisamente qual das previsões dos revolucionários sexuais é que se confirmou?

Disseram-nos que a liberalização das leis de divórcio não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem, sobre as taxas de divórcio. A nova lei apenas tornaria o divórcio menos doloroso para o casal e, por isso, menos doloroso para os filhos. Porque aparentemente existem “bons” divórcios.

Através de uma demonstração milagrosa de simpatia e maturidade fora do alcance da sua idade, as crianças ficariam felizes por ver os seus pais felizes. Aliás, de outra forma a sua felicidade não seria possível. Ninguém se deu ao trabalho de perguntar como é que os pais poderiam ser felizes perante a infelicidade dos seus filhos. Mas os revolucionários enganaram-se em relação a isso. Ou então estavam a mentir, das duas, uma.

Disseram-nos que toda a gente fazia “aquilo”, sendo que “aquilo” se tornou gradualmente mais imoral e antinatural, e basearam as suas afirmações em investigação levada a cabo pelo pedófilo e fraude Alfred Kinsey. Ver com bons olhos a fornicação, disseram, não mudava nada, apenas libertava as pessoas da censura e permitia-lhes fazer aberta e honestamente aquilo que até então tinham feito desonestamente e em segredo. 

Em apenas uma geração a relação entre os sexos transformou-se completamente até que as raparigas e os rapazes que queriam praticar a normal virtude da prudência, e até a mais difícil virtude da castidade, se viram isolados e sós. Antigamente o coração de um rapaz entraria em sobressalto se a rapariga lhe desse um beijo. Agora, mal consegue fingir um bocado de afecto se ela não o levar ao clímax. Também aqui os revolucionários se enganaram. Ou então estavam a mentir.

Disseram-nos que a pornografia era um passatempo inocente para uma minoria que gostava. Não tinha nada a ver com violência, não seria prejudicial para a cultura. Seria possível proteger os nossos filhos dela. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem. Vale a pena sequer comentar esta? Enganaram-se, ou então estavam a mentir.

Disseram-nos que com a pílula ia haver menos crianças concebidas fora do casamento, e que a liberalização das leis do aborto não afectaria, de todo, não se preocupem, o número de mulheres que o procuram. O Papa Paulo VI, na Humanae Vitae, previu o contrário. Actualmente 40% das crianças na América nascem fora de casamentos, a maior parte cresce sem um lar estável. Segundo o próprio Supremo Tribunal, o aborto tornou-se uma parte tão intrínseca da vida de uma mulher, como uma protecção de último recurso contra fazer um filho quando se faz a coisa que faz filhos, que não pode ser limitado. Mais uma vez, os revolucionários enganaram-se, ou estavam a mentir.

Talvez deva dizer que estavam a mentir outra vez, porque as provas que levaram até ao tribunal tinham sido sempre um monte de mentiras.

Disseram-nos que o facto de pequenas crianças serem introduzidas ao prazer sexual por pessoas queridas e mais velhas não tinha grande mal, a não ser que os pais reagissem de forma exagerada. Durante algum tempo tiveram de se esquecer que o tinham dito, mas agora que a Igreja Católica pôs a casa em ordem outra vez estão a esquecer-se de que se tinham esquecido e começam a cantar novamente a mesma melodia: não tem qualquer mal, nenhum, não se preocupem. Estavam, e estão, enganados, ou estavam e estão a mentir.

Não se preocupem... 

Disseram-nos que as leis de igualdade de género não resultariam em consequências absurdas, como o envio de mulheres para as frentes de combate, casas de banho unissexo e a normalização da homossexualidade. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem. Enganaram-se, ou estavam a mentir.

Em que é que acertaram? Alguma vez as relações entre homens e mulheres estiveram mais marcadas pela suspeita, raiva e vergonha? De acordo com os seus próprios testemunhos, as nossas faculdades são agora selvas incontroláveis de assédio e violação. Não era assim antes de os revolucionários meterem mãos à obra.

Disseram-nos que o aborto não conduziria à eutanásia. Agora dizem ainda bem que o aborto conduziu à eutanásia mas dizem que a eutanásia, a morte medicamente assistida, não levará à matança de idosos sem o seu consentimento. Mas por acaso isso já aconteceu. Todos os dias há idosos a serem sujeitos a asfixia lenta e supostamente indolor, em todos os hospitais do país. Não terá qualquer efeito, nenhum, não se preocupem.

Disseram-nos que o alargamento da noção (não a realidade, que é impossível, mas a pretensão) de casamento a pessoas do mesmo sexo não teria qualquer efeito, nenhum, sobre qualquer outra coisa no país. Não afectará o que os nossos filhos aprendem na escola, não afectará o número de jovens a experimentarem coisas antinaturais, não afectará a liberdade religiosa, não afectará a liberdade de expressão.

Não poderia ter qualquer efeito sobre essas coisas porque, garantiram-nos, o comportamento em questão é perfeitamente natural, levado a cabo por pessoas perfeitamente saudáveis. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem, agora concordem ou sejam destruídos.

Alguma vez as previsões desta gente se confirmaram? Porque é que havemos de confiar neles agora?

Anthony Esolen in 'Catholic Thing' (Traduzido no blog 'Actualidade Religiosa')


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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Um cristão pode utilizar o eneagrama? Pe. Duarte Sousa Lara responde

Um cristão pode utilizar o eneagrama? É melhor não. O eneagrama é um modelo de estudo da personalidade que agrupa os diferentes caráteres em nove (εννέα) tipos. Do ponto de vista científico, ainda não existe nenhum consenso acerca da sua validade entre os vários estudiosos. 

Do ponto de vista da fé, apresenta-se como uma prática que induz ao gnosticismo, ou seja, a procurar a salvação no conhecimento, e nesta linha foi criticado abertamente num documento do Pontifício Conselho para a Cultura, em que se afirmava que: 

"[A] gnose nunca se retirou completamente do terreno do cristianismo, mas sempre conviveu com este, às vezes sob a forma de corrente filosófica, mais frequentemente com modalidades religiosas ou pararreligiosas, em convicto, se não mesmo em declarado, contraste com aquilo que é essencialmente cristão. Pode ver-se um exemplo disto no eneagrama, o instrumento para a análise do caráter segundo nove tipos, o qual, quando vem utilizado como meio de crescimento espiritual, introduz ambiguidade na doutrina e na vida da fé cristã." (1)

Padre Duarte Sousa Lara in 'Demónio, exorcismo e oração de libertação em 40 questões'

(1) O documento do Pontifício Conselho para a Cultura pode ser lido aqui (em inglês): Uma reflexão cristã sobre o 'New Age'


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