sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Sermão na Morte de um Homem Pobre






Gaetano Tinnirello era um sem-abrigo que pedia dinheiro à porta da paróquia Trinità dei Pellegrini, a igreja da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro em Roma. A sua morte repentina, sendo relativamente jovem, deixou consternada a paróquia, que prontamente organizou a Missa de Requiem pela sua alma. Este é o sermão das exéquias, proferido pelo Padre Vilmar Pavesi:
 
"Tenho sede.” Na cruz, durante a sua agonia, Jesus estava com sede. Era uma sede imensa, causada pelas suas feridas. Mas era acima de tudo uma sede espiritual. Jesus tinha, e ainda tem, sede de almas, porque procura almas para as salvar, sem desprezar nenhuma delas.

Caetano também estava com sede. Quando fui ter com ele ao hospital a sua boca estava seca. “Padre, estou com sede, dê-me de beber”, foi a primeira coisa que me pediu. Depois de perguntar se eu poderia fazer isso, comecei a dar-lhe uma bebida com uma palhinha. Ele não conseguia mover-se. Depois de ter bebido meia garrafa de água, disse-lhe: “Caetano, pensa em Jesus Cristo na cruz. Ele também estava com sede, mas ninguém Lhe deu nada para beber. Agora podes entender melhor.” Ele acenou com a cabeça. Então perguntei se ele se queria confessar. Respondeu que sim. Ele estava perfeitamente lúcido. Confessou-se com as melhores disposições da alma, com humildade e sinceridade. E, depois, rezámos a sua penitência juntos. Depois, vendo sinais de sofrimento no seu rosto, por causa das dores, aconselhei-o a oferecer tudo pelo amor de Deus: “Jesus, eu ofereço isto por amor a Vós”. E ele repetia comigo, como uma criança: “Jesus, eu ofereço isso por amor a Vós”.

Então, perguntei-lhe se queria também receber a Extrema Unção, e ele concordou. Depois da Extrema Unção pediu-me mais água, porque ainda estava com sede. O nosso pobre Caetano, que ainda tinha sede, com a sua confissão e com a extrema-unção aliviava a sede que Deus sentia na Sua alma. Antes de deixá-lo, conversamos sobre várias coisas e como seria a sua vida quando saísse do hospital: pediu para que eu encontrasse um lugar onde pudesse morar, e prometi que o faria.

Depois perguntou onde ele estava naquele momento? “No hospital San Camillo”, respondi. “A que distância fica da paróquia?” “10 minutos de tram(transporte público)”, disse-lhe. “Quando vou andar de tram novamente?” “Quando Deus quiser, não precisas de te preocupar com o futuro. Senhor, seja feita a Vossa vontade.” E ele, mais uma vez, como uma criança, repetiu: “Senhor, seja feita a Vossa vontade”. Entreguei a Caetano as saudações de todos os sacerdotes da paróquia, especialmente do pároco, e de todas as pessoas que por ele tinham afecto e piedade. Nessa altura tive que sair. “Ah, o Padre tem que ir. Então, por favor, dê-me um pouco mais de água”. Após a última bênção e saudação, disse-me: “Padre, obrigado. Fez-me muito feliz. ”

A primeira vez que fui vê-lo no hospital foi no Sábado, após a primeira cirurgia. Ele estava em coma e em grave perigo de morte. Normalmente, tenho sempre comigo o óleo dos doentes, mas naquele dia, por acaso, não o tinha. E como era tarde, eles não me deixaram vê-lo. Voltei na Segunda-Feira, desta vez com os óleos sagrados. Caetano estava perfeitamente lúcido. No dia seguinte voltaria ao coma, seria submetido a outra operação e permaneceria em coma até ao dia de sua morte. Ele parece ter voltado ao estado de lucidez apenas durante algumas horas, como aquela criança que ressuscitou diante de São Filipe Néri apenas para poder confessar-se e receber a Extrema Unção, e, depois, morrer novamente.

Falando de São Filipe Néri, Caetano, sem saber,  viveu um de seus conselhos: todos os dias entrava na igreja e cumprimentava todos os santos. Quando se aproximava do altar-mor se prostrava-se no chão, beijava o chão e rezava. Foi exactamente isso que São Filipe Neri ensinou: “Quando tens pouco tempo ou não consegues rezar bem vai a uma igreja e cumprimenta os santos. Terás feito uma oração excelente.” Sempre pensei que o Senhor o salvaria por este acto de piedade, feito com tanta sinceridade, e também pelo rosário e pela medalha milagrosa que ele carregava ao pescoço.

Uma vez encontrei-o na igreja consertando o chão. Sem dizer nada a ninguém, começou a arrumar as placas de mármore, nas quais mais de uma pessoa havia tropeçado. "Caetano, o que fazes?" “Estou a arranjar o chão! Isto assim é perigoso. Não estou a fazer isto por dinheiro, mas sim porque é a casa de Deus e a casa de Deus é minha também.”

Ele queria trabalhar. Ele queria ser útil. Ele limpou a rua porque disse que morava lá e, portanto, queria que ela estivesse limpa. Ele também limpou a escada da igreja. Já o vi mais de uma vez ajudando espontaneamente o lixeiro a recolher o lixo. Ele fez isso sem nenhum interesse pessoal, apenas para ajudar. Quando ele chegou cá usava brincos. Não suporto homens com brincos, por isso um dia pedi-lhe para me vender seus brincos. Quando Caetano entendeu por que razão eu queria comprá-los, tirou-os, deitou-os no esgoto, prometeu-me que nunca mais ia mais usar e não queria o dinheiro. E assim foi.

A morte de Caetano aos 33 anos é uma grande tristeza para todos nós. A sua presença deu um rosto pitoresco à nossa paróquia. A sua presença era boa. Ele sabia como fazer com que todos gostassem dele. A morte de Caetano é uma grande dor para todos, porque, no fundo das nossas almas, todos nos sentimos um pouco responsáveis. Ele foi um dos irmãos menores de Cristo, porque tinha uma necessidade imensa de ser ajudado no corpo e na alma. Mais do que dinheiro, ele precisava de afecto sincero.

Quantas vezes respondemos ao seu espontâneo “Boa tarde” com indiferença, frieza ou pressa? Quantas vezes passamos por ele, sem sequer olhar para ele, quando ele não estava bem? "Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes" (Mt 25, 40).

Senhor, perante este corpo pedimos perdão por todo o bem que poderíamos ter feito a Caetano e não fizemos. Senhor, perante este corpo, te prometemos receber com generosidade e amor os pobres que a tua Providência se dignar enviar-nos.

No entanto, eu seria injusto se apenas tivesse reprovações perante este corpo. A morte de Caetano já começou a dar frutos. Muitos se sentiram tocados no coração e se abriram mais à caridade. É muito edificante o número de pessoas que continuamente pedem Missas pela sua alma. Esta é uma grande obra de caridade. Outros ofereceram-se para lhe dar um enterro decente. Esta também é uma obra de misericórdia, agradável ao Senhor. Alguns jovens cuidaram de Caetano com amor verdadeiro durante as suas últimas semanas. Foram eles que me levaram e acompanharam até ao hospital. Que o Senhor vos abençoe.

Caetano tem uma grande missão entre nós. Na verdade, a sua missão ainda agora começou. Ele, pobre, mas abençoado pelo Senhor, deve ensinar-nos a ser caridosos. Ele deve-nos ensinar a ter grande esperança em Deus. O Senhor aproximou-o desta paróquia. Ele fez com que Caetano encontrasse o afecto cristão dos seus fiéis e sacerdotes, porque queria dar-lhe a felicidade eterna no Céu. Gaetano também tem a missão de dar à Arquiconfraria da Santíssima Trindade um novo impulso nas suas obras de caridade espiritual e corporal.

São Filipe Neri, rogai por ele.
São Bento José Labre, rogai por ele.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por ele.


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São Francisco Xavier, Apóstolo do Oriente e Taumaturgo

Abrasado pelo amor a Deus, Francisco Xavier inflamou os lugares por ele evangelizados com o fogo do amor divino e o brilho dos seus milagres

Para Santo Inácio de Loyola não havia dúvida. O Papa, para atender ao Rei João III de Portugal, pedia-lhe membros da sua recém-fundada Companhia para evangelizar os domínios portugueses do ultramar. Como Francisco Xavier era o único de seus discípulos disponível no momento para acompanhar Simão Rodríguez, teria que ir. No entanto, dos seus primeiros filhos espirituais, Xavier era o predilecto, aquele que planeara ter consigo como conselheiro e provável sucessor. Mas Inácio de Loyola havia escolhido como lema de sua milícia Ad Majorem Dei Gloriam (Tudo para a maior glória de Deus). Se bem que tivesse sentimentos muito profundos, não era um sentimental. Chamou logo Francisco. Sempre pronto a obedecer, o futuro Apóstolo das Índias exclamou: “Pues! Heme aqui!” (Estou pronto! Vamos!).

No dia 16 de Março de 1540, provido dos títulos de Núncio Papal e Embaixador de Portugal para os países do Oriente, Francisco Xavier foi despedir-se do seu pai espiritual. Santo Inácio, pondo-lhe as mãos sobre os ombros, percebeu que a batina era muito rala. “Como, meu caro Francisco! Ides cruzar as neves dos Alpes com roupa tão leve?” O discípulo sorriu timidamente. "Depressa, tirando a sua própria batina, o Fundador da Companhia de Jesus tirou uma veste de flanela que usava e fê-la vestir a Xavier. Era como se, com essa parte da sua vestimenta, desse uma parte de si mesmo ao filho que partia.”(1) “Ide: acendei e inflamai todo o mundo”, foram as últimas palavras do antigo capitão de Pamplona ao ex-mestre do Colégio de Beauvais.

Essas palavras tornaram-se proféticas, pois o que esse fidalgo espanhol fez o resto da sua vida não foi senão inflamar tudo com o ardente fogo de seu amor de Deus.

Reforma da “Goa dourada, a Roma do Oriente”

Francisco Xavier tinha 35 anos quando cruzou o oceano para chegar a Goa em 6 de Maio de 1542. Essa cidade, capital das possessões portuguesas no Oriente, atraíra toda sorte de soldados de fortuna e aventureiros, os quais, longe de sua pátria, família, parentes e conhecidos, tinham caído numa vida licenciosa que escandalizava não só os seus correligionários, mas até os pagãos.

Dom João de Castro, um dos maiores vice-reis das Índias, descreve assim a situação de Goa à sua chegada: “As cobiças e os vícios têm cobrado tamanha posse e autoridade, que nenhuma cousa já se pode fazer por feia e torpe, que dos homens seja estranha.”(2)

Impelido “pela necessidade de perder a vida temporal para socorrer a espiritual de seu próximo”(3) São Francisco Xavier atirou-se ao trabalho, começando pelas crianças e doentes. Aos poucos a sua fama no confessionário e no púlpito atingiu outras áreas, e gente de todas categorias passou a procurá-lo para purificar sua alma. “Aqui em Goa eu moro no hospital, onde confesso e dou a comunhão para os enfermos. Mesmo assim, é tão grande o número dos que vêm pedir-me para ouvir confissões que, se eu estivesse em dez lugares ao mesmo tempo, não teria falta de penitentes”(4) escreveu ele a Santo Inácio apenas um mês depois da sua chegada.

Goa, a “dourada” ou a “Roma do Oriente”, era uma cidade cosmopolita e tinha atraído gente de todas as partes do mundo. São Francisco Xavier viu a necessidade de criar uma escola de para ajudar a evangelização. Menos de um ano depois da sua chegada, tinha já fundado o Colégio da Santa Fé. A sua finalidade, como ele explica, era “para que os nativos destas terras e os de diferentes nações e raças possam ser instruídos na fé. E para que, quando tiverem sido bem instruídos, sejam enviados às suas pátrias, de modo que ganhem fruto com o ensinamento que receberam.”(5)

Os “filhos de São Francisco Xavier”

A sua presença era requisitada também em outras partes: “Num reino longe daqui (Travancore, sudoeste da Índia), Deus moveu muitas pessoas a fazerem-se cristãs. De tal modo que, num só mês, baptizei mais de dez mil, homens, mulheres e crianças”(6). Nessa nova área ele foi recebido pelo marajá “com honras, e tratado com gentileza”. o Rei deu-lhe “permissão para pregar o Evangelho em todo o seu reino, e para baptizar aqueles dos seus súditos que quisessem tornar-se cristãos”(7).

Como escreveu para os membros da Companhia, em Goa “eu tenho estado ocupado baptizando todos os infantes. [...] Os mais velhos deles não me dão paz, pedindo-me sempre para ensinar-lhes novas orações. Eles não me dão tempo para rezar o meu breviário nem para comer.”(8)

São Francisco Xavier desceu até o extremo sul da Índia para evangelizar os Paravas, quase todos pescadores de pérolas. “Padre Francisco fala desses Paravas como de uma nobre raça, inteligente, trabalhadora e perseverante, a única tribo na Índia que se tornou inteiramente católica. [...] Eles orgulham-se de se chamarem a si próprios ‘os filhos de São Francisco Xavier’”, escreve um Prelado no início do século passado(9).

Foi nessa Costa da Pescaria que o “Padre Francisco” realizou muitos dos seus mais espectaculares milagres. Foram tantos e tão notáveis, que fica difícil a escolha.

Uma vez os ferozes Badagas cruzaram as montanhas, devastando o Travancore. O marajá, mal preparado para fazer face a esse perigo, apelou a São Francisco Xavier. O apóstolo juntou-se ao improvisado exército, colocando-se na primeira fila. Tão logo a sua voz pôde ser ouvida do outro lado, “o Padre Francisco, segurando o seu Crucifixo, caminhou para o inimigo [...] e gritou em alta voz: ‘Em nome de Deus, o terrível, eu vos ordeno que pareis’”.(10) Os badagas das filas dianteiras, aterrorizados, pararam e começaram a recuar. A debandada foi total.

“Eu te ordeno, levanta-te dos mortos!”

A cidade de Quilon, entretanto, não se impressionava com esses milagres, e as palavras de fogo do apóstolo não penetravam nos corações endurecidos dos seus habitantes. Um dia, quando estava rodeado por uma multidão a que não era capaz de tocar, o Santo ajoelhou-se e pediu fervorosamente a Deus que mudasse o coração e a vontade daquele povo obstinado. 

Depois de um instante, dirigiu-se ao local onde um jovem havia sido enterrado na véspera. Pediu que o desenterrassem. “Verifiquem todos se ele está mesmo morto”, disse à multidão. Alguns, ao abrirem o caixão, recuaram exclamando: “Ele não só está morto, mas cheira mal”. Xavier então ajoelhou-se e, com potente voz para que todos ouvissem, disse: “Em nome de Deus e em testemunho da fé que eu prego, eu te ordeno: levanta-te dos mortos”. Um tremor sacudiu o cadáver e a vida retornou plenamente a ele. O número das conversões foi grande, e a fama do milagre acompanhou Francisco Xavier através das Índias(11).

Para formar um clero nativo capaz de trabalhar entre seus irmãos, ele fundou mais quatro seminários: Cranganor, Baçaim, Coghim e Quilon.

Qual era o segredo da eficácia apostólica de São Francisco Xavier? Era uma heróica observância do maior mandamento de Cristo: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu entendimento” (Mt 22, 37). “Tenho tão grande confiança em Deus, cujo amor somente me move, que, sem hesitar, com o único bafejo do Espírito Santo, afrontei todas as tempestades do oceano na mais débil barca.”(12)

O segundo apóstolo da Índia recorre ao primeiro

Para saber se deveria avançar mais para o Oriente em sua evangelização, Francisco resolve fazer um recolhimento junto ao túmulo de São Tomé, em Meliapor.

O segundo apóstolo da Índia, em contato com o primeiro, recebeu muitas graças: “Aqui Deus lembrou-se de mim segundo sua costumeira misericórdia; Ele tem consolado infinitamente minha alma, e me fez saber que é sua vontade que eu vá para Málaca, e de lá às outras ilhas da região”.(13)

O resto da história é muito conhecido. Com o mesmo zelo, São Francisco evangelizou não somente Málaca e as Molucas, mas também muitas outras ilhas vizinhas, e chegou até o Japão, do qual foi o primeiro e mais importante apóstolo. Ele morreu só e desconhecido nas costas da China, com os olhos postos nas suas misteriosas terras, cuja antiga e rica civilização queria conquistar para Cristo.

No processo de canonização do grande Apóstolo do Oriente, a Santa Sé “reconheceu 24 ressurreições juridicamente provadas e 88 milagres admiráveis operados em vida pelo ilustre Santo”(14). Na bula de canonização são mencionados muitos milagres ocorridos em vida e depois da morte de São Francisco Xavier. Um deles foi que as lamparinas colocadas diante da imagem do Santo, em Colate, ardiam muitas vezes tanto com óleo como com água benta.

O seu corpo, incorrupto há séculos, pode ainda ser visto em Goa, coroando um dos mais notáveis exemplos do Evangelho posto em prática.

Plinio Maria Solimeo in catolicismo.com.br

Notas:

1. Mary Purcell, Don Francisco - the story of St. Francis Xavier, The Newman Press, Westminster, Maryland, 1954, p. 108.
2. Cónego Arsénio Tomaz Dias, da Sé Patriarcal de Goa, Memória Histórico-Eclesiástica da Arquidiocese de Goa, Tip. A Voz de S. Francisco Xavier, Nova Goa, Índia, 1933, p. 344.
3. G. Schurhammer - I. Wicki, S.I., Epistolae S. Francisco Xaverii, Romae, 1944, - Epist. 55, t. I., p. 325), citada pelo Papa Pio XII em sua mensagem aos católicos da Índia, in "Boletim do Instituto Vasco da Gama", Bastora, Goa, Índia, Dez. 1952, p. VIII.
4. Mary Purcell, op. cit., p. 147.
5. P. Rayanna, S.J., St. Francis Xavier and his shrine, 2nd ed., Bom Jesus, Old Goa, Índia, 1982, p. 72.
6. In Dr. E. P. Antony –– The History of Latin Catholics in Kerala, I.S. Press, Ernakulan, Índia, 1992, p. 44.
7. D. Ladislau Miguel Zaleski, Saint François Xavier, Missionaire et son Apostolat en Inde, Ensieldeln, Germany, 1910, p.102.
8. Mary Purcell, op. cit., p. 165.
9. D. Ladislau Zaleski, op. cit., p. 204.
10. D. Ladislau Zaleski, op. cit., pp. 115-116. Ver também “Memória…”, p. 344, Antony, pp. 45-46, P. Thomas, Christians And Christianity In India And Pakistan, London, George Allen & Unwin Ltd., 1954, p. 56 e J.M.S. Daurignac, São Francisco Xavier, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 5ª ed., pp. 183-184.
11. Cfr. D. Ladislau Zaleski, op. cit., pp. 114-115.
12. Carta de 8 de maio de 1845 para os membros da Companhia, em Goa. In J.M.S. Daurignac, op. cit., p. 215.
13. Mary Purcell, op. cit., p. 182.
14. J.M.S. Daurignac, op. cit., p. 482.


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quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

São Francisco Xavier tinha dores nos braços de tanto baptizar

O braço direito do grande missionário São Francisco Xavier encontra-se na belíssima Chiesa di Gesù, em Roma. Este enorme santo deu a vida para levar a boa-nova de Jesus Cristo ao outro lado do Mundo. Muitos, hoje em dia, pensam que não vale a pena falar de Jesus a ninguém porque ja estamos todos salvos. São Francisco Xavier discordaria:

«É tão grande a multidão dos que se convertem à fé de Cristo, nesta terra onde ando, que, muitas vezes, me acontece sentir cansados os braços de baptizar; e não poder falar, de tantas vezes dizer o Credo e os Mandamentos, na sua língua, deles, e as outras orações, com uma exortação que sei na sua língua, na qual lhes declaro o que quer dizer cristão, e que coisa é paraíso, e que coisa inferno, dizendo-lhes quais são os que vão a um e quais a outro. Mais que todas as outras orações, digo-lhes muitas vezes o Credo e os Mandamentos. Há dias em que baptizo toda uma povoação e, nesta costa onde ando, há, agora, trinta povoações de cristãos.»

São Francisco Xavier em carta a Santo Inácio de Loyola


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Quem são os Padres da Igreja?

Os Padres da Igreja são os santos que durante os primeiros séculos da Igreja, iluminados como um todo pelo Espírito Santo, ajudaram a definir pontos essenciais da doutrina católica, que foram sendo desenvolvidos pelos teólogos subsequentes. Foi um período bastante fértil em heresias, que estes santos varões se apressaram a rebater, através da genialidade dos escritos e prédicas e também da santidade de vida.

Os quatro requisitos para ser considerado Padre da Igreja são:

1. Antiguidade: ter vivido nos primeiros oito séculos depois de Cristo;
2. Ortodoxia: recta doutrina, aprovada pela Igreja;
3. Santidade de vida: ter vivido as virtudes, teologais e morais, de modo heróico;
4. Aprovação: ter contribuído para o desenvolvimento dogmático, a ponto de ser reconhecido pela Igreja como Padre.


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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Ex-Mestre de Yoga garante que não há Yoga cristão

“Não há Yoga cristão mas sim cristãos que praticam o Yoga” – esta é a voz de quem foi mestre desta disciplina que, conforme diz o próprio, é um caminho de vida. Hoje, o belga Joseph Marie Verlinde é sacerdote e Prior de um mosteiro em França. A sua reflexão, sustentada pela experiência, questiona os argumentos que apresentam o yoga como simples e bom, como um exercício de bem-estar físico e psíquico.

No seu livro “A Experiência Proibida”, resumo de passagens de uma entrevista emitida pelo “Net For God Productions” e do qual apresentaremos alguns extractos, transparece a verdade e a paixão pela sua resposta fiel a Deus, Aquele que, finalmente, conquistou a sua alma.

Apenas com vinte anos, era já um reconhecido cientista no Fundo Nacional de Investigação Científica da Bélgica, e tomou parte na grande revolução cultural de 1968. “Era investigador de Química Nuclear, e os meios científicos e de investigação encontravam-se em plena efervescência. Nesse momento, deixei-me levar por essa onda. Focalizei-me nas experiências do Oriente, que invadiam o horizonte da cultura ocidental.”

A Revolução das estruturas e da consciência

Nem a sua sólida educação cristã, nem a apurada qualificação crítica do seu ser científico impediram que o movimento de estruturas na sociedade e na sua época lhe causassem impacto. Num certo dia, (Joseph Marie Verlinde) ficou absorto perante um anúncio publicitário que convidava à prática da Meditação Transcendental. Como refere, aquilo de ser um “caminho simples, fácil e eficaz” para chegar a estados superiores de consciência e uma auto-realização plena, era irresistível. “Entreguei-me completamente a esta prática – pormenoriza- chegando ao ponto de me ver completamente egocêntrico, como se estivesse fora da realidade e incapaz de assumir o meu trabalho no laboratório onde trabalhava."

O “guru” e a sedução do Yoga

É então que (o agora sacerdote e Prior) conhece um afamado seguidor de Yoga chamado Maharishi Mahesh Yogi. “Como dedicava uma especial atenção aos homens da ciência, recebeu-me cordialmente. Começou por me levar à prática de uma técnica ainda mais intensa, pois, segundo ele, as dificuldades por que passava deviam-se à falta de um relaxamento de tensões profundas. Após esse tempo de purificação, propôs-me tornar-me eu mesmo um mestre de meditação, e formou-me para o fazer.

Durante quase três anos (Joseph Marie) explorou os afamados efeitos benéficos do Yoga, permanecendo numa comunidade espiritual (Ashram), na Índia. Desde cedo foi treinado, ali mesmo, na prática do Yoga, descobrindo assim, como o refere, que aquela prática era “uma grande liturgia. Enquanto que os ocidentais faziam e fazem Yoga como exercício de relaxamento. Numa viagem à Alemanha comentei com o guru que os europeus praticavam Yoga como exercício de relaxamento e ele teve um ataque de riso. Reflectiu em breves momentos e disse que “isso não impediria que o Yoga fizesse os seus efeitos.” (O Autor) Continuou preso a este problema e reflectiu-o no seu livro “A Experiência proibida” e recorda que, apesar de ter experimentado a beleza, a harmonia e a serenidade, durante as suas práticas, “toda a minha natureza poderia exultar com uma sobriedade indiscritível, excepto mais fina parte da minha alam que continuava insatisfeita, desejando o Amado.”

Joseph Marie assinala nos eu livro que o Yoga é-nos um caminho estranho que conduz à Fé. No horizonte cristão, afirma (o autor) que é “a elevação de que se ouve falar, é uma saída de si mesmo rumo a Deus e aos outros, numa entrega caritativa aos mesmos.” Acrescenta, no entanto, que isto não é o horizonte do Yoga que em si mesmo é “uma imersão em nós próprios, para desfrutarmos da forma narcisista do próprio acto de ser, num estado solitário (…) o que pratica o Yoga põe-se a caminho da sua própria realidade absoluta, a qual quer gozar sem nenhuma companhia”, termina (o autor.) 

Recuperando o sentido

Algum tempo depois, sentido uma permanente, ainda que vaga, nostalgia de Deus, Joseph Marie recebeu a visita de um médico naturista que o marcaria. Refere: «os nossos corpos estavam algo maltratados, por causa do exercício que realizávamos, e aquele naturista era cristão. E eu, como era uma espécie de secretário pessoal do guru, recebi-o. Conversámos e, durante essa conversa, perguntou-me: “É cristão? É Baptizado?” e eu respondi-lhe: “Claro”. Ele devolveu-me uma nova questão: “Quem é Jesus para si?” É difícil de expressar, mas naquele momento percebi que Jesus me dizia: “Meu Filho! Quanto tempo me farás esperar?” Ali apercebi-me do quão era amado incondicionalmente, que não havia nenhuma sombra de juízo no olhar, não havia penitência, mas sim compaixão. Uma ternura infinita, um mar de misericórdia que se derramava sobre mim e eu chorava, chorava toas as lágrimas do meu arrependimento…» Não passou muito tempo para que Joseph Marie se visse revestido com a força necessária para abandonar Ashram e as práticas de guru. 

Um recomeço atribulado

(O Prior) Tomou um avião de regresso à Bélgica. Com muito pouco chegou a Bruxelas. No entanto, sentindo-se cheio de temor e confuso, em vez de buscar ajuda em pessoas da Igreja, recorreu a algumas pessoas que lhe pareciam ser mais idóneas, para lhe esclarecerem as suas inquietações. “Estavam adaptados à corrente das tradições transmitidas pelo hinduísmo, mas tinham também como referência os Evangelhos. Depositei a minha confiança neste grupo, que se dizia cristão, mas na verdade misturavam energia e reencarnação. E não me apercebi, mas entrei numa escola esotérica.”

Começou a naufragar nesse ambiente e cedo experimentou uma reviravolta radical naquela comunidade. «Voltei ao ocultismo. Vi-me envolvido em práticas ocultistas, no âmbito do que hoje se designa de “Terapias energéticas”. Isto é, manipular as energias ocultas com objectivo de obter curas. Tornei-me amigo de um naturista e ele admirou-se das minhas “habilidades” como médium, usando as forças ocultas sem dificuldade, para penetrar a mente dos outros. Estas sessões de cura ocupavam todo o meu tempo livre. Mas, na realidade, o que acontecia era um surgir de sintomas e não a cura.»

Diz o autor: “Ainda assim, comecei a participar na Eucaristia, apesar de que não conseguia confiar nos representantes da igreja e prolongava os meus tempos de oração com o Santo Rosário. Paulatinamente tomei consciência da alienação subtil que padecia a raiz do trabalho com estas entidades. Sobretudo, quando um dia se manifestarem.”

Honesto, Joseph Marie, confidencia que, no seu trabalho, escutou vozes estranhas. «Tinha um grupo de manipulações a que designávamos “colectividade magnética”. E, num profundo silêncio, ouvia alguém que dizia alguma coisa, mas na realidade, nada me chamava. Estava muito preocupado, pois isto repetia-se com frequência. Então, comentei-o com os dirigentes do grupo, que se rirem e me disseram: “Isso não é nada! Não to dissemos, mas é evidente que exerces os teus poderes sem a ajuda dos espíritos. São anjos curandeiros!” 

Porém, continuou escravo por estes “anjos curandeiros”, chegando ao extremo de, numa viagem a Paris, enquanto participava na Eucaristia do meio-dia, no momento da consagração «quando o sacerdote disse “por Cristo, com Cristo e em Cristo” ouvi estes seres blasfemar vergonhosamente de Cristo. Fiquei petrificado. Nesse instante compreendi que tinha sido enganado e abusado. No fim da celebração, procurei o sacerdote e contei-lhe a minha história. Respondeu-me: “Isso não me admira. Sou o exorcista da Diocese.” Após este primeiro encontro de libertação – este detalhe é bastante importante – passou a ir todos os dias à missa e não acontecia nada, os espíritos ou entidades desapareciam. Sabiam que era melhor ficarem quietos. A autoridade do sacerdote, porém, obrigou-os a revelarem-se para se proceder à grande purificação. E, finalmente, através de orações intensas, vi-me liberto.» - confidencia.

O chamamento ao sacerdócio ia amadurecendo-se no coração de Joseph – Marie, desde que regressara da Índia. “Desta vez- assinala- decidi entregar-me à Igreja, fazendo uso do tempo necessário para compreender a minha história à luz do Evangelho.” Foi assim que após dez anos de formação, foi ordenado sacerdote em 1983, integrando-se na Comunidade Monástica de São José, na qual é Prior de um Mosteiro, em França. 

in religionenlibertad


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Quarta-Feira, dia dedicado a São José

 
Ladainha a São José

Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós. Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos. Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos. Jesus Cristo atendei-nos.


Pai do Céu que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.


S. José, rogai por nós.
Honra da família de David, rogai por nós.
Glória dos Patriarcas, rogai por nós.
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.
Castíssimo guardião da Virgem, rogai por nós.
Amparo do Filho de Deus, rogai por nós.
Vigilante defensor de Cristo, rogai por nós.
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.
José justíssimo, rogai por nós.
José castíssimo, rogai por nós.
José prudentíssimo, rogai por nós.
José fortíssimo, rogai por nós.
José fidelíssimo, rogai por nós.
Espelho de paciência, rogai por nós.
Amante da pobreza, rogai por nós.
Modelo dos trabalhadores, rogai por nós.
Glória dos lares, rogai por nós.
Guardião das virgens, rogai por nós.
Sustentáculo das famílias, rogai por nós.
Consolo dos infelizes, rogai por nós.
Esperança dos enfermos, rogai por nós.
Advogado dos moribundos, rogai por nós.
Terror dos demónios, rogai por nós.
Protector da Santa Igreja, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós Senhor!

V/ Ele constituiu-o Senhor da sua casa.
R/ E fê-lo príncipe de todos os seus bens. 

Oremos

Ó Deus, cuja inegável providência se dignou escolher o bem-aventurado S. José para esposo de Vossa Mãe Santíssima, fazei que venerando-o como protector na terra, mereçamos tê-lo como nosso intercessor no Céu. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Ámen.


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terça-feira, 30 de novembro de 2021

Morreu o homem que construiu sozinho uma "Catedral"

Justo Gallego Martinez, o criador da "Catedral" Nuestra Señora del Pilar, em Mejorada del Campo, Espanha, morreu neste Domingo, aos 96 anos.

Justo começou a construção em 1961 sem planos e sem guindaste. Trabalhava sozinho, usava apenas sucata do complexo industrial próximo. O seu dia de trabalho começava todos os dias às 6h00 da manhã, excepto aos Domingo.

Quando tinha 10 anos, durante a Guerra Civil Espanhola, testemunhou como os comunistas, lutando contra o General Franco, assassinaram sacerdotes e pegaram fogo à igreja em Mejorada. Isso deixou-o com pouco respeito pela administração socialista da cidade.

Justo tornou-se trapista, mas contraiu tuberculose, pelo que foi incapaz de seguir a vida trapista ascética e saiu pouco antes de fazer os votos finais. Ele prometeu a Nossa Senhora do Pilar que construiria um santuário se recuperasse a saúde. Quando isso aconteceu, começou a construir a igreja num terreno herdado dos seus pais.

A imponente construção (55x25x35m) apresenta uma série de torres semi-acabadas, enquanto as paredes internas são decoradas com frescos.

Quando Justo começou, as pessoas chamavam-lhe "padre maluco", mas ele não ligava. “O que fiz, fi-lo por Nosso Senhor”, disse Gallego, “nunca estive com uma mulher. Para mim, a Igreja é a minha vida, a minha esposa, os meus filhos”.

Os bispos espanhóis recusaram-se a aceitar a Catedral como igreja.

in gloria.tv


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Dia do Apóstolo Santo André, irmão de São Pedro

Hoje é dia de Santo André, o primeiro Apóstolo a ser chamado por Jesus Cristo para O seguir. Dos 12 Apóstolos, 10 morreram mártires. Santo André foi morto numa cruz em forma de X, na região de Patras (Grécia), para onde tinha ido evangelizar. Enquanto se encaminhava para a dita cruz, rezou deste modo:

"Salve Cruz, santificada pelo Corpo de Jesus e enriquecida pelas gemas preciosas de Seu Sangue... Venho a ti cheio de segurança e alegria, para que tu recebas o discípulo d'Aquele que sobre ti morreu. Cruz boa, há tempos desejada, que os membros do Senhor revestiram de tanta beleza! Desde sempre te amei e desejei abraçar-te... Acolhe-me e leva-me até o meu Mestre."

Um homem que enfrenta assim a morte, com a certeza que nada acaba ali - antes, o que vem depois é incomparavelmente melhor do que qualquer coisa que se possa ter ou viver nesta vida - é um homem verdadeiramente livre. Fazem falta homens livres.

João Silveira


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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Como começar a rezar o Terço em Família durante o Advento

Para a nossa família o Terço diário começou um ano, durante o Advento. A Joy e eu sabíamos que deveríamos rezar o Terço em família todos os dias. Afinal de contas, Nossa Senhora de Fátima pediu se rezar o Terço todos os dias. 

Mais ainda, os Papas têm pedido repetidas vezes o Terço em família, concedendo mesmo uma indulgência plenária a quem o faz. Por isso nós queríamos rezá-lo, mas não sabíamos como começar. Sem sabermos, o Advento viria a tornar-se o modo para o Terço diário se tornar consagrado na nossa vida doméstica de cada dia. Aconteceu assim:

Todos os anos a nossa família acende uma coroa de advento muito bonita, com velas altas e largas - não só nos Domingos do Advento mas em cada do dia do Avento (i.e. acendemos um vela roxa todas noites na primeira semana - duas velas na segunda semana, etc.). Normalmente eu lia um versículo da Sagrada Escritura, falávamos sobre isso e depois rezámos em família. Quando as crianças começaram a crescer  faziam o que fosse preciso para acender as velas porque as crianças gostam mesmo do fogo.

Se disserem a uma criança: "Podes acender as velas do Advento se comeres as ervilhas todas", a criança vai comer todas as ervilhas. Isto também funciona na Missa. Já acalmei o meu filho de 3 anos a dizer baixinho: "Se queres acender uma vela no fundo da igreja, é melhor parares de andar às voltas!"

Assim, o Advento foi a única altura consistente em que nos juntávamos como uma família à noite para rezar. Rezávamos com as crianças antes de dormir. As crianças gostavam das nossas noites de Advento porque podiam acender as velas e depois soprá-las quando acabava. Naturalmente, o Advento foi a altura ideal para inserir o Terço de família e foi isso que aconteceu.

As crianças, dos 3 aos 7 de idade, vão tentar rezar e seguir as contas se puderem "brincar com o fogo". As velas do Advento foram o meio de conseguir isto.

Por isso, quando o Advento acabou, continuámos a rezar o Terço durante os 12 dias de Natal e continuámos a acender essas velas. Depois veio a Epifania e tínhamos de guardar as velas. Isto foi um problema porque as crianças queriam acender as velas! Mas nós não podíamos manter a Coroa de Advento o ano inteiro...

Assim, fizemos um altar de família permanente, acrescentámos um crucifixo e...claro: velas. E o Terço em família simplesmente continuou e tem continuado sem interrupções até hoje. Mesmo com babysitters, as crianças vão rezar o Terço. É como lavar os dentes ou pôr desodorizante. Rezar o Terço é uma coisa que se faz todos os dias.

Ainda estamos na primeira semana do Advento. Se não rezam o Terço em família não é tarde. Deixem os miúdos acender as velas e arranjem uma imagem bonita de Nossa Senhora ou um crucifixo para ter por perto. Quando o Advento acabar, tirem a coroa, e repitam o processo.

Tenham um feliz e santo Advento e façam dele um tempo para crescer mais perto de Maria e Jesus - através do Santo Terço. 

Taylor Marshall


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Liturgia para a bênção de uma mãe após dar à luz (França, 1930)




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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Nossa Senhora encarregou um menino de dizer a Pio XII que deveria proclamar o dogma da Assunção

Gilles Bouhours nasceu a 27 de Novembro de 1944, em Bergerac, sul de França. Quando tinha apenas 1 ano foi curado milagrosamente, graças à intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus. Aos 4 anos foi portador de uma mensagem de Maria Santíssima, na qual se lhe ordenava que a sua missão era ir até ao Papa Pio XII para lhe transmitir o que a Virgem lhe tinha comunicado. 

Nada se sabe da entrevista do Papa com o menino, que teve lugar em Maio de 1950, excepto o que o Pontífice deu a conhecer: o menino comunicou-lhe, da parte da Mãe de Deus, que esta Senhora, depois da sua vida mortal, subiu ao Céu em corpo e alma.
 
O Papa Pio XII havia pedido a Nosso Senhor um sinal sobrenatural para decidir-se a proclamar o dogma da Assunção de Maria. O pequeno Gilles foi o sinal que o Céu outorgou ao Pontífice, e assim, em 1 de Novembro de 1950, foi proclamado o Dogma da Assunção da Nossa Senhora
 
A partir dos seus quatro anos, o pequeno Gilles teve autorização para comungar. A sua devoção a Jesus Sacramentado era extraordinária. Também desde a mais tenra idade manifestou o seu desejo de ser sacerdote e missionário. A 12 de Junho de 1949 fez a Primeira Comunhão e dois meses depois manteve o seguinte diálogo com um missionário conhecido:

– Que queres ser quando fores grande?
– Sacerdote.
– E porquê queres ser sacerdote?
– Para pôr Jesus na Hóstia Sagrada.
– Não gostavas também de ser missionário?
– Que quer dizer missionário?
– É um sacerdote que faz com que se amem muito a Jesus e a Maria.
– Sim, sim, claro que gostaria de ser missionário.
 
Este desejo chegou a ser nele como uma obsessão, traduzindo-se numa fome insaciável do Pão dos Anjos. Não temia a frio, nem nada deste mundo, quando ia comungar. O seu recolhimento era algo insólito e nada usual. Inclusivamente chegou – nunca como um jogo, ou para se divertir – a celebrar “Missas Brancas”, o que significava recitar num altar, disposto num compartimento de sua casa, todas as orações da Missa, tais como as diz o sacerdote, do princípio ao fim, sem que se produzisse a Consagração, como é lógico, mas revestido com os paramentos que previamente lhe tinham confeccionado para esse efeito, tendo em conta a sua estatura. 

Os sermões que pregava às pessoas que presenciavam estas cerimónias, dignas de um Anjo, eram cheios de profundidade e fervor, sem erro algum. É preciso dizer-se que, quando se entrevistou com Sua Santidade o Papa Pio XII, cantou a antífona litúrgica “Parce Domine”, com os braços em cruz e como o ensinou a Santíssima Virgem.

Certo dia protestou durante a refeição, porque não gostava muito da sopa. Tinha 5 anos. O seu pai disse-lhe que isso não agradava à Santíssima Virgem, porque era um capricho tolo. O menino, então, comeu a sopa toda sem recalcitrar e quando acabou, disse: «Papá, dá-me um pouco mais. Está tão boa esta sopa!»
 
Seguidamente, transcreve-se uma pequena parte de um sermão que Gilles pronunciou em 13 de Setembro de 1952:
 
«Hoje vamos falar da Paixão de Jesus. Estava no Jardim das Oliveiras com três dos seus Apóstolos. Sabia muito bem que havia um que O ia atraiçoar e que se acercava d’Ele com má intenção. Era em plena noite, e Jesus encontrava-se sob o peso dos pecados dos homens. E orava a seu Pai, dizendo: Que este cálice… Então, dirigindo-se aos seus Apóstolos, que dormiam, disse-lhes: “Não podeis velar uma hora coMigo? Vigiai e orai, porque vão entregar o Filho do Homem”.»
 
Admiráveis expressões na boca de uma criança. Poucos anos depois, Nosso Senhor levá-lo-á para o Céu.
 
A 24 de Fevereiro de 1960 Gilles cai doente, com um misterioso torpor que nenhum médico conseguiu diagnosticar. Ao cabo de 48 horas, e após receber os últimos Sacramentos, o adolescente (15 anos) morre. Antes de expirar, disse: «Vou morrer, mas não choreis. Estou bem e contente.» Seguidamente, juntou as mãos e orou assim: «Meu Deus, peço-Vos perdão de todos os meus pecados… Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro…»
 
Entregou a sua alma a Deus no dia 26 de Fevereiro de 1960, às 6 horas da manhã. No seu túmulo estão gravadas estas palavras, que ele mesmo disse:
 
“Amai a Deus e a Santíssima Virgem. 
Oferecei-Lhes todos os vossos sofrimentos
e assim recuperareis a paz da alma.” 


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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Cardeal Müller volta a celebrar a Missa Tradicional

O Cardeal Gerhard Ludwig Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, nunca foi um defensor da Missa Tradicional. Antes era visto como um Bispo hostil à celebração dessa liturgia.

Nos últimos tempos pareceu aproximar-se e melhor perceber o movimento tradicional. De tal maneira que no dia 11 de Julho celebrou a primeira Missa pública em Rito Tradicional, durante a ordenação sacerdotal de um monge na Abadia Beneditina de Le Barroux (França). 

Alguns dias depois foi publicado o motu proprio Traditionis Custodes, que veio tentar limitar o uso do Rito Antigo da Liturgia Romana. O Cardeal deu então uma entrevista na qual criticou a rigidez do documento e a rudeza com que foram tratados os fiéis ligados a esse Rito.

Foram agora publicadas imagens de mais uma Missa Pontifical celebrada pelo Cardeal Müller, desta vez na Abadia Beneditina de Clear Creek em Oklahoma (Estados Unidos). 










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quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Poema de São João da Cruz cantado pelas Carmelitas de Fátima

Embora seja noite 
(uma referência à noite espiritual)

Bem eu sei a fonte que mana e corre
Embora seja noite.

Aquela eterna fonte está escondida
mas sei bem d’onde é suprida
Embora seja noite.

A sua origem desconheço, pois não a tem
mas sei que toda origem dela vem,
Embora seja noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela
e que céus e terra bebem dela,
Embora seja noite.

Sei bem que fundo nela não se acha,
e que ninguém pode atravessá-la,
Embora seja noite.

A sua claridade não é nunca escurecida
e sei que a sua luz toda já é vinda,
Embora seja noite.

Sei ser tão caudalosas suas correntes
que regam céus, infernos e as gentes,
Embora seja noite.

A corrente que nasce desta fonte
sei que é forte e omnipotente,
Embora seja noite.

E das duas a corrente que procede
sei que nenhuma delas a precede,
Embora seja noite.

E esta eterna fonte está escondida
neste vivo Pão para dar-nos vida,
Embora seja noite.

Aqui ela está chamando as criaturas
e se fartam desta água, ainda que às escuras
porque é de noite.

Esta viva fonte que desejo
neste Pão de vida a vejo,
Embora seja noite.

São João da Cruz, doutor da Igreja e reformador carmelita


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terça-feira, 23 de novembro de 2021

Morreu o último Trapista que tinha sobrevivido ao massacre de Tibhirine

O Padre Jean Pierre Schumacher morreu Domingo passado no mosteiro de Midelt (Marrocos), aos 97 anos. Foi um dos dois monges que sobreviveram ao massacre no mosteiro trapista de Tibhirine, na Argélia em 1996.

O falecido monge servia como porteiro noturno do mosteiro de Tibhirine no dia 27 de março de 1996, quando membros do Grupo Islâmico Armado sequestraram e posteriormente decapitaram sete dos seus confrades.

Os sequestradores, que entraram pelo porão, não passaram pela porta da frente onde o Padre Schumacher estava naquela noite. O único outro sobrevivente da comunidade, o Padre Amédée Noto, morreu em 2008.

Os sete monges mártires da sua comunidade foram beatificados no dia 8 de Dezembro de 2018, juntamente com 12 outros cristãos mortos durante a guerra civil argelina na década de 1990. O Padre Schumacher esteve presente na beatificação, que decorreu no Santuário de Nossa Senhora da Santa Cruz em Oran.

A história dos monges de Tibhirine foi dramatizada no filme francês de 2010, "Dos Homens e dos Deuses", que ganhou o grande prémio do júri no Festival de Cannes.

O Papa Francisco cumprimentou Schumacher e beijou a sua mão durante a visita apostólica a Marrocos, em Março de 2019.

Jean Pierre Schumacher nasceu em Lorraine, França, em 1924. Depois da Alemanha ter assumido o controle da Alsácia-Lorena, durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi alistado à força na Wehrmacht, mas nunca foi enviado para a frente de guerra devido a uma tuberculose. Depois da guerra, ingressou no seminário dirigido pelos padres maristas e foi ordenado sacerdote em 1953. Alguns anos depois, ingressou no mosteiro trapista na Bretanha, França.

Foi enviado à Argélia para ingressar no mosteiro de Tibhirine em 1964, a pedido do arcebispo de Argel. Ele fazia parte da comunidade há 30 anos, quando os seus irmãos foram martirizados. Após o massacre, o Padre Schumacher restabeleceu o Mosteiro Notre Dame de L'Atlas, em Marrocos, juntamente com o Padre Noto.

O monge disse, numa entrevista em 2011, que rezou continuamente pelos extremistas muçulmanos que mataram os outros membros da sua comunidade, lembrando que o Prior da sua comunidade, o Padre Christian, perdoou os seus assassinos antes d seu martírio.

“Temos de perdoar. Deus pede para nos amarmos uns aos outros ”, disse o Padre Schumacher.



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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

9 citações do Papa João XXIII em defesa do Latim

1 - "Não sem a disposição da Divina Providência, aconteceu que a língua (latina), que por muitos séculos unira tantos povos sob o Império Romano, se tornasse a própria língua da Sé Apostólica e, preservada para a posteridade, reuniu num estreito vínculo, uns com os outros, os povos cristãos da Europa."

2 - "De facto, pela sua própria natureza, a língua latina está apta a promover junto a qualquer povo toda a forma de cultura; pois que ela não suscita invejas, apresenta-se imparcial a todos os povos, não se constitui em privilégio de ninguém, em fim é totalmente aceita e amiga."

3 -"Não podemos esquecer que a língua latina tem nobreza de estrutura léxica, visto que oferece a possibilidade de «um estilo conciso, rico, harmonioso, cheio de majestade e de dignidade» (Pio XI, Epist. Ap. Officiorum omnium, 01/08/1922: A.A .S. 14), que de modo especial consegue clareza e gravidade."

4 - "Por estes motivos a Santa Sé tem cuidadosamente zelado na conservação e progresso da língua latina e a considera digna de ser utilizada como « magnífica vestimenta da doutrina celeste e das santíssimas leis» (Pio XI, Motu Proprio Litterarum Latinarum, 20/10/1924), no exercício do seu magistério, e quer ainda que seus ministros a utilizem."

5 - «O pleno conhecimento e uso dessa língua, tão ligada à vida da Igreja, não interessa tanto à cultura e às letras quanto à Religião» (Pio XI, Epist. Ap. Officiorum omnium, 01/08/1922), "como disse nosso Predecessor...; o qual, ocupando-se cientificamente do assunto, reuniu três dons desta língua, de modo admirável conforme a própria natureza da Igreja: «De fato, a Igreja, como mantém unidos na sua amplitude todos os povos e durará até a consumação dos séculos... requer, pela sua natureza, uma língua universal, imutável, não vulgar» (Ibidem).

6 - "É necessário que a Igreja utilize uma língua não só universal, mas também imutável. Se, de facto, a verdade da Igreja Católica fosse confiada a algumas ou a muitas das línguas modernas, sujeitas a uma contínua mudança, as quais nenhuma tem maior autoridade e prestígio sobre as outras, resultaria sem dúvida que, devido à sua variedade, não ficaria manifesto para muitos com suficiente precisão e clareza o sentido de tais verdades, nem, por outro lado, se disporia de alguma língua comum e estável, para confrontar o sentido das outras."

7 - "Enfim, visto que a Igreja Católica, por ter sido fundada por Cristo Nosso Senhor, excede sem medida em dignidade sobre todas as sociedades humanas, é sumamente conveniente que ela use uma língua não popular, mas rica de majestade e de nobreza."

8 - "Além disso, a língua latina, que «justamente podemos chamar de católica» (ibidem), pois que é própria da Sede Apostólica, mãe e mestra de todas as Igrejas, e consagrada pelo uso perene, deve ser mantida como « tesouro de incomparável valor» (Pio XII, Alloc. Magis quam, 23/11/1951) e como porta pela qual se abre a todos o acesso às mesmas verdades cristãs, vindas dos tempos antigos, para interpretar o testemunho da doutrina da Igreja (Leão XIII, Epist. Encicl. Depuis le jour, 08/09/1899) e, finalmente, como vínculo mais que idóneo, mediante o qual a época actual da Igreja se mantém unida com os tempos passados e com os tempos futuros de modo admirável».

9 - "Nos nossos dias, o uso do latim é objecto de controvérsia em muitos lugares e, consequentemente, muitos perguntam qual é o pensamento da Sé apostólica sobre este ponto. Por isso nós decidimos tomar medidas oportunas, enunciadas neste solene documento, para que o uso antigo e ininterrupto do latim seja plenamente mantido e restabelecido onde ele quase caiu em desuso."

Todas as citações foram retiradas da Constituição Apostólica 'Veterum Sapientiae' (sobre o uso do latim) e escolhidas pelo site Monfort


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