sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Pecados e Reparação

Neste texto não abordarei a Reparação, sempre devida, a Deus Pai e Filho e Espírito Santo; e também ao Imaculado Coração de Maria.
 
Tratarei somente, em brevíssimos pontos, da reparação devida pelos pecados cometidos contra os outros. Em relação a estes, frequentemente (poderá haver impossibilidades de o fazer), não basta rezar as Ave-Marias e demais orações que o confessor nos impõe como penitência. Este aliás tem a obrigação Caritativa de exigir essa reparação. Por exemplo, se eu roubo bens dos outros não poderei ser absolvido sem o propósito firme de devolver, caso seja possível, o que furtei - disto, comenta o Pe. António Vieira, nem o Papa pode dispensar. Caso contrário, mesmo que o Sacerdote me concedesse a absolvição ela não será válida.
 
Ora, há muitas formas de furtar, por exemplo:
 
a) despojar o bom-nome ou a boa-fama de outrem pela difamação, a calúnia, a falsidade afirmada por meias-verdades ou por omissões, as acusações baseadas em juízos precipitados ou mesmo em imaginações que deturpam a realidade dos factos, etc.
 
b) Revelar conversas privadas (reconhecidas como tais) para se desculpabilizar e consequentemente atribuir culpas a outros.
 
c) Recusar-se a reconhecer erros, que vieram a ser reconhecidos com tais, em algumas decisões sobre outros.
 
Tudo isto, e muito mais que se poderia acrescentar, me parece ser matéria de reparação, que os confessores poderiam exigir. Afinal, a verdade tem de ser reposta.

Padre Nuno Serras Pereira


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quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

A Sede Gestatória ao longo dos séculos



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Sacerdote mártir por defender a doutrina católica sobre o Matrimónio

O Beato Otto Neururer nasceu a 25 de Março de 1881, em Piller, na zona do Tirol, Áustria. 12.º e último filho de uma família de camponeses, o Beato Otto cresceu numa pequena quinta com um moinho. O seu pai morreu quando ele era novo, e a sua mãe era muito devota, mas sofria de períodos de depressão. Otto era conhecido como um rapaz tímido que também batalhava contra a depressão. Fez o seminário em Brixen, Itália, e depois serviu como sacerdote, pároco e professor de religião em vários lugares da diocese.

Os nazis ocuparam o Tirol em 1938, altura em que o Pe. Otto Neururer era pároco em Gotzens, na Áustria. A ocupação iniciou uma sangrenta perseguição à Igreja na Áustria. Milhares de fiéis foram perseguidos, interrogados pela Gestapo, presos, levados para campos de concentração e assassinados.

Nessa altura, o Beato Otto aconselhou uma rapariga da sua paróquia a não casar com um homem  divorciado, que levava uma vida dissoluta. Esse homem era amigo do Gauleiter, a máxima autoridade nazi na região, o que levou a que a intervenção de Otto o pusesse na mira das autoridades. Acabou por ser detido por “calúnia ao casamento alemão”, sendo preso no campo de Dachau e posteriormente transferido para o campo de Buchenwald.

Nos campos, sofreu o que um prisioneiro normal sofria, sendo torturado frequentemente. Continuou a ministrar, desta feita aos seus colegas prisioneiros, chegando a partilhar as parcas rações com prisioneiros que estavam mais debilitados do que ele. Em Buchenwald, um prisioneiro pediu para ser baptizado. Mesmo suspeitando de que fosse uma armadilha, sentiu que não podia recusar. Dois dias depois foi transferido para o bunker, uma sala de castigos extremos, na qual foi pendurado pelos pés até morrer, a 30 de Maio de 1940. Foi o primeiro sacerdote a morrer num campo de concentração.

O Padre Otto Neururer foi beatificado a 24 de Novembro de 1996 pelo Papa João Paulo II.

Adaptado de catholicsaints.info


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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

A Igreja Católica sempre foi perita em Marketing

Poucos países sofreram tanto as consequências do pós-concílio quanto o Brasil, onde o número de católicos caiu 35% ao longo dos últimos trinta anos. Há alguns anos, preocupados com a hemorragia dos fiéis, os bispos brasileiros contrataram uma importante empresa de marketing (ALMAP), cujo presidente, Alex Periscinoto, é tido como o “melhor gestor de marketing” do Brasil.

Os membros do Comité Executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil esperavam de Periscinoto conselhos sobre como definir uma pastoral para Igreja, oferecendo uma melhor imagem da instituição, a fim de parar a "fuga" de fiéis que, na sua maior parte, estão indo para a comunidade evangélica.

O resultado foi surpreendente. Perissinotto apresentou os resultados do seu estudo a duzentas pessoas, entre bispos e padres ligados à pastoral. Dizer que ficaram chocados com o discurso do especialista em marketing seria pouco. Talvez esperassem ser aconselhados a pintar igrejas com cores vivas, a introduzir mais música pop, mais liturgias modernas e assim por diante. Mas, aos invés disso…

A primeira ferramenta de marketing na história do mundo foi o sino – disse Periscinoto logo de início – e era a melhor. Quando tocava, não só atingia 90% dos habitantes de uma cidade, mas mudava o comportamento pessoal deles. Vocês inventaram uma ferramenta que ainda é usada em marketing comercial. É o chamado display. O ecrã é algo que usamos para enfatizar, propor algo com força para o público. Quando todas as casas eram baixas, vocês construíam igrejas com torres seis vezes maiores. Isso permitia o reconhecimento imediato da igreja: ali está! 

Vocês inventaram o primeiro logotipo da História. O logotipo é um símbolo usado para garantir que uma marca seja facilmente reconhecível. O vossa era o melhor: a Cruz. Este logotipo foi sempre colocado sobre o ponto mais alto e visível do display. Ninguém poderia confundir: aquela era a Igreja Católica! Este logotipo inventado por vocês foi tão eficaz que até mesmo Hitler o utilizou, com pequenas modificações, para mobilizar as massas. E quase ganhou a guerra. 

Vocês também inventaram a campanha promocional. O que é uma procissão religiosa? Para uma cidade, ou mesmo para um bairro de uma cidade grande, nada é mais promocional do que uma procissão, por exemplo, em honra de Nossa Senhora. Quando nós, especialistas em marketing, organizamos um evento promocional, usamos muito do que a Igreja inventou. Nós desfraldamos bandeiras e banners, nós vestimos os nossos representantes com trajes especiais de modo que eles possam ser facilmente reconhecidos. Procuramos criar uma mística comercial. Mas a nossa mística nunca será tão rica quanto a vossa. 

Infelizmente, vocês mudaram a maneira como a Missa é celebrada. Hoje em dia a Missa já não é em latim e 'de costas' para o fiel. Vocês pensavam que estavam a fazer algo de bom. Em vez disso, tenho uma má notícia. A minha Mãe nunca pensou que o Padre estava de costas. Sempre pensou que todos, fiel e celebrante, estavam voltados para Deus. Ela gostava do latim, mesmo quando não entendia muito.

Para a minha Mãe, o latim era a língua mística com o qual os ministros da Igreja falavam com Deus. Ela sentia-se privilegiada e recompensada por assistir de joelhos a uma cerimónia tão importante. Na minha opinião, a mudança feita na liturgia da Missa foi um erro terrível. Posso estar errado. Eu não sou um teólogo. Analiso o problema do ponto de vista do marketing. E a partir deste ponto de vista, a mudança foi um desastre. 

Abandonaram o vosso traje particular, a batina, que identificava os vossos representantes comerciais, os sacerdotes. Ao fazê-lo, deitaram fora uma marca. 

Vocês desnaturaram o vosso 'display', tornando as igrejas cada vez mais parecidas com prédios civis. 

Tudo o que se inventa contém uma oferta, algo que se quer vender. O vosso produto é chamado Fé. Mas eu também tenho uma boa notícia: esta, hoje em dia, é uma procura crescente. O mercado, talvez, nunca tenha sido tão favorável para a Fé. Vocês, no entanto, falam mais de política do que Fé. Sendo assim, como se podem queixar que as igrejas estão cada vez mais vazias, enquanto que os salões de grupos evangélicos estão cada vez mais cheios? 

Julio Loredo in atfp.it


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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Beneditinos da Imaculada recusar-se-ão a abandonar a Liturgia Traditional

Os Beneditinos da Imaculada são um Instituto de Vida Consagrada, fundado em 2008. Seguem a vida monástica tradicional, segundo a Regra de São Bento, e a sua vida litúrgica é feita segundo o Rito Romano Tradicional. 

No dia 21 de Dezembro, os Beneditinos publicaram um comunicado comentando a sua fidelidade à Liturgia Tradicional, mesmo depois do motu proprio Traditionis Custodes e da resposta às 'Dubia'. O Superior do Mosteiro, Père Jehan de Belleville, deu uma entrevista ao Présent a propósito dessas questões. Aqui deixamos alguns trechos da mesma:  

P. Jehan de Belleville - Não nos enganemos, tanto o motu proprio quanto a resposta às 'dubia' mostram um desejo de abolir o uso do Rito Antigo mais cedo ou mais tarde. A posição das comunidades não será enfraquecida tanto pelas violentas disposições romanas, mas pela falta de firmeza na fé expressa pela doutrina tradicional e pelo culto da Igreja. Essa constância pode exigir a rejeição de ordens gravemente injustas de membros da hierarquia eclesiástica, porque a fé está em primeiro lugar.

Présent - Pelos seus estatutos, a quem vós deveis obediência - dentro da Igreja militante - no que se refere à Liturgia?

P. Jehan de Belleville - A competência é da Congregação para o Culto Divino, mas não tem um poder absoluto, como Bento XVI declarou: “O que era sagrado para as gerações anteriores continua grande e sagrado para nós, e não pode de repente ser totalmente banido, ou mesmo considerado prejudicial."

Présent - Qual foi a reação do Bispo de sua Diocese?

P. Jehan de Belleville - Todos os nossos amigos dizem que nosso Bispo é o melhor dos bispos italianos, por causa do seu espírito de fé e da sua clemência. Após o motu proprio, reconheceu publicamente o nosso direito de fazer uso do Rito Traditional da Missa.

Présent - Quando dizeis, na vossa mensagem de 21 de Dezembro, que permanecereis fieis à Liturgia Tradicional "custe o que custar", o que pensa que poderá acontecer?

P. Jehan de Belleville - Se - Deus nos livre! - Roma nos obrigar a ir contra nossas Constituições, devemos escolher: ser obedientes a Roma e, portanto, renegados, ou ser fiéis aos nossos votos e ser condenados como "desobedientes"? A resposta é clara!


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Carta do Séc. II já explicava que os Cristãos são iguais aos outros mas diferentes

Os cristãos não são diferentes dos outros homens nem pelo território, nem pela língua, nem pelo modo de viver. Eles não moram numa cidade exclusivamente sua, não usam uma língua própria, nem levam um género de vida especial. A sua doutrina não é conquista do pensamento e do esforço dos homens estudiosos, nem professam, como fazem alguns, um sistema filosófico humano.

Moram em cidades gregas ou bárbaras, como coube em sorte a cada um, e, adaptando-se aos costumes de vestir, de comer e em todo o resto de vida, dão exemplo de uma forma de vida social maravilhosa que, segundo todos confessam, é inacreditável. Habitam na respectiva pátria, mas como estrangeiros; participam em todas as honras como cidadãos e suportam tudo como estrangeiros. 

Todas as terras estrangeiras são uma pátria para eles e todas as pátrias são terras estrangeiras. Vivem da carne, mas não são segundo a carne. Moram na terra, mas são cidadãos do céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas através do seu teor de vida superam as leis.

Amam a todos e por todos são perseguidos. Não os conhecem e condenam-nos; dão-lhes a morte e eles recebem a vida. São mendigos e enriquecem a muitos; encontram-se privados de tudo e tudo têm em abundância.

São desprezados e no desprezo encontram glória; difamam-nos e é reconhecida a sua inocência. São injuriados e abençoam; são tratados de modo insolente e eles tratam com reverência. Fazem o bem e são punidos como malfeitores; e, embora punidos, alegram-se quase como se lhes dessem a vida.

Mas os que odeiam não sabem dizer o motivo do seu ódio. Numa palavra, os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. 

in Carta a Diogneto 5, 1-17; 6,1


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Missa Solene com paramentos típicos de Espanha



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sábado, 8 de janeiro de 2022

17 alterações que o Concílio Vaticano II não recomendou

Quando se questiona as "invenções litúrgicas" que acontecem na grande maioria das paróquias a resposta aparece inevitavelmente: «Foi o Concílio que ordenou estas mudanças». Deixamos aqui 17 alterações (para pior) que o Concílio não pediu:

1. Receber a Sagrada Comunhão na mão

2. Missa celebrada de frente para o povo

3. Meninas no altar

4. Sagrada Comunhão distribuída por leigos

5. Remover o Sacrário do centro da Igreja 

6. Substituição da Música Sacra por música mundana

7. Desaparecimento do Canto Gregoriano

8. Acabar com o Latim na Missa

9. Destruir a balaustrada

10. Remoção da Arte e Arquitectura Sacras

11. Quase total ausência da promoção da vida devocional

12. Abandono do uso do confessionário

13. Sacerdotes sem os devidos paramentos para a liturgia

14. "Proibir" que as mulheres usassem o véu na Missa

15. Sacerdotes vestidos como leigos

16. Improviso na celebração litúrgica

17. Fazer um novo rito da Missa para substituir o rito Tradicional


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Nascimento de Jesus segundo as visões da Beata Anna Catherine Emmerich

Maria tinha dito a São José que naquela noite, à meia-noite, iria nascer a criança, pois os nove meses desde a Anunciação estariam completos. Pediu-lhe para fazer todo o possível de sua parte de modo que pudessem mostrar, à criança prometida por Deus e concebida sobrenaturalmente, tanta honra quanto estava ao seu alcance. Pediu-lhe também que se juntasse a ela em orações pelas pessoas de coração endurecido que lhes tinham recusado abrigo.
 
José sugeriu à Santa Virgem que poderia chamar algumas mulheres piedosas que conhecia em Belém, para que viessem auxiliá-la. Ela recusou, dizendo que não precisava de ajuda humana. Pouco antes do fim do Sabbath, José foi a Belém, e tão logo o Sol se pôs comprou rapidamente algumas coisas necessárias — um banco, uma mesinha baixa, algumas vasilhas pequenas e algumas frutas secas e uvas passas. Munido de tais coisas, apressou-se a voltar à gruta e então ao túmulo de Maraha, e levou a Santa Virgem de volta à Gruta de Natal, onde se deitou no seu leito, no canto leste. 

José preparou mais comida e eles comeram e rezaram juntos. Depois separou completamente o seu local de dormir do resto da caverna, cercando-o com estacas e pendurando nelas tapetes que encontrara na gruta. Alimentou o burro, que estava à esquerda da entrada da Gruta, perto da parede; encheu a manjedoura com juncos e relva ou limo e estendeu por cima uma coberta, que pendia das bordas.

Ao ter-lhe a Santa Virgem dito que a hora se aproximava e que devia ir para seu quarto e rezar, José pendurou mais algumas lâmpadas incandescentes na Gruta e foi para fora, já que tinha ouvido um barulho. Lá, encontrou a jumenta, que até então tinha estado andando livremente pelo vale dos pastores. Ele amarrou-a sob a cobertura em frente à Gruta e lhe serviu forragem.
 
Quando José voltou para dentro e se deteve à entrada do seu local de dormir olhando para a Santa Virgem, viu-a com o rosto voltado para leste, ajoelhada no leito, de costas para ele. Viu-a como que rodeada por chamas — toda a gruta estava como que cheia de luz sobrenatural. José contemplou-a como Moisés fizera com a Sarça Ardente; e entrou na sua pequena cela cheio de santo temor e prostrou-se, o rosto na terra, em oração.
 
Eu vi a luz em torno de Nossa Senhora tornar-se cada vez maior. A luz das lâmpadas que José acendera já não era visível. Nossa Senhora ajoelhou-se no seu tapete, num amplo manto ali estendido, o rosto voltado para leste. À meia-noite, estava tomada num êxtase de oração. As suas mãos estavam cruzadas sobre o peito. A luz à sua volta aumentou; tudo, mesmo coisas sem vida, estavam num alegre movimento interior — as rochas do tecto, das paredes e do solo da gruta tornaram-se como vivas com aquela luz. 

Então já não se via o tecto da gruta; um caminho de luz abriu-se acima de Maria, subindo com glória sempre maior em direcção às alturas do céu. Nesse caminho de luz, havia um maravilhoso movimento de glórias interpenetrando-se umas às outras, e, conforme se aproximaram, pareciam mais claramente sob a forma de coros de espíritos celestes. 

Enquanto isso, a Santa Virgem, tomada em êxtase, olhando para baixo, adorando o seu Deus. Vi o nosso Redentor como uma criança pequenina, brilhando com uma luz que superava toda a radiação circundante, e jazendo no tapete, junto aos joelhos da Santa Virgem. A Santa Virgem permaneceu por algum tempo envolta em êxtase. Vi-a cobrir o Menino com um pano, mas a princípio ela não Lhe tocou ou pegou nos braços. Após algum tempo vi o Menino Jesus mover-Se e depois chorar. 

Então pareceu que Maria voltava a si: pegou no Menino envolvendo-O no pano que O cobria, e com Ele nos braços trouxe-O para si. Ficou ali, sentada, completamente envolvida, ela e o Menino, com o seu véu e penso que amamentou o Redentor. Vi anjos à sua volta em forma humana, prostrando-se e adorando o Menino. 

Talvez fosse uma hora após o nascimento quando Maria chamou São José, que ainda estava prostrado em oração. Quando se aproximou, lançou-se com o rosto ao chão, em devota alegria e humildade. Foi só quando Maria lhe pediu que carregasse, junto ao coração, em alegria e gratidão, o santo presente de Deus Altíssimo, que ele se ergueu, pegou nos braços o Menino Jesus, e louvou a Deus com lágrimas de felicidade.”

Anna Catharina Emmerich - Visões da vida da Virgem Maria


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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Abusos litúrgicos insuportáveis em Chicago

O Padre Michael Pfleger, pároco da igreja de Santa Sabina em Chicago (Estados Unidos), é conhecido pelas Missas que mais parecem concertos ou musicais onde se repetem graves abusos litúrgicos.

Neste video chocante o sacerdote é cumprimentado efusivamente por um leigo durante a "Paz de Cristo". Isto faz com que seja derrubado um recipiente de madeira onde se encontram dezenas de Hóstias consagradas. Tudo é resolvido com toda a calma, como se nada fosse.

A Fé católica ensina-nos que ali está Deus. Em cada uma daquelas partículas está a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como é possível que Deus seja tratado assim pelos seus ministros? Como é possível que isto continue a acontecer sem que ninguém o impeça.

O Arcebispo de Chicago, Cardeal Blase Cupich, publicou recentemente um documento no qual persegue ferozmente a Missa Tradicional, celebrada com todo o cuidado e reverência que é possível dar a Deus.

Enquanto isso, permite que sacerdotes como aquele continuem a tratar Jesus Eucarístico com total desprezo e incúria. Algo está errado aqui.


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Dia da Beata Lindalva Justo de Oliveira

Lindalva nasceu em 20 de Outubro de 1953, no pequeno povoado Sítio Malhada da Areia, município de Açu, Rio Grande do Norte. Filha do segundo matrimonio de João Justo da Fé (viúvo) e Maria Lúcia da Fé, de cujas núpcias nasceram 12 filhos.

Lindalva, a sexta filha do casal, já dava sinais de uma especial predestinação divina, pois entregava-se com naturalidade às práticas de piedade. Cresceu como menina normal, de aspecto gracioso, piedosa e muito sensível para com os pobres, de tal forma que ainda jovem surpreendeu a família doando as próprias roupas aos necessitados. Transferindo-se para Natal, estudava e trabalhava para se manter e ajudar a família, e todos os dias visitava os idosos do Instituto Juvino Barreto.

Após concluir o segundo grau passou a cuidar do pai, idoso e doente, com todo carinho e paciência. Quando este faleceu, Lindalva, aos 33 anos, entrou para a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo: queria servir a Cristo nos pobres. Não foi fácil adaptar-se à nova vida, mas com a graça de Deus foi progredindo na sua caminhada espiritual, passo a passo, renúncia após renúncia. Dizia sempre: “Amo mais a Jesus Cristo do que à minha família”.

Foi superando as etapas da sua formação religiosa na prática das virtudes, no amor à oração, à obediência alegre, sincera e compreensiva. Lutava para corrigir seus próprios defeitos e crescer no caminho da perfeição. Suas superioras estavam muito contentes com ela, notando sua disponibilidade e grande amor aos pobres.

Terminado o período do noviciado foi enviada para o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador, BA, recebendo o ofício de coordenar uma enfermaria com 40 idosos, sendo responsável pela ala do pavilhão masculino. Fez curso de Enfermagem para poder dedicar-se melhor aos seus doentes e idosos. À caridade unia o zelo espiritual por seus assistidos, procurando levá-los para Cristo pela boa palavra. A sua conduta era impecável, alegre, pura, modesta e caridosa para com todos. Encontrava ainda tempo para visitar os pobres no domicílio, e procurava meios para suprir suas necessidades materiais. Lindalva sentia-se feliz e realizada no seu trabalho.

Toda a santidade passa pelo crisol do sofrimento. Em 1993, devido a uma recomendação, o abrigo acolheu entre os anciãos Augusto da Silva Peixoto, homem de 46 anos. Ele passou a assediar Ir. Lindalva, e chegou até mesmo a manifestar-lhe as suas intenções. Ela começou a ter medo, e procurou afastar-se o mais que pôde. Confidenciou-se com outras irmãs e refugiava-se na oração. Seu amor aos velhinhos a mantiveram no abrigo, e chegou a dizer a uma irmã: “prefiro que o meu sangue seja derramado do que afastar-me daqui”.

Por não ser correspondido, Augusto foi à Feira de São Joaquim na Segunda-feira Santa e comprou uma faca, que amolou ao chegar ao abrigo. Não dormiu na noite de Quinta para Sexta-feira santa. De manhã, a Irmã Lindalva havia participado da Via-Sacra, ao raiar da aurora, na paróquia da Boa Viagem. 

Ao regressar, foi servir o café da manhã aos idosos. Subiu as escadarias da enfermaria, como se estivesse subindo para o calvário, e pôs-se a servir pão com café e leite para os internos da ala masculina. Todos eles estavam em fila, esperando a vez. A irmã, compenetrada com o café, tinha a cabeça baixa quando sentiu um toque no ombro: virou-se e teve tempo apenas de ver o rosto enraivecido do homem que conhecera havia poucos meses... Em seguida, foram dezenas de facadas, pontilhadas por todo o corpo. 

Tudo diante do semblante horrorizado dos velhinhos que assistiam à cena bem em frente à mesa de café. Um senhor ainda tentou evitar a tragédia, avançando sobre o assassino. Mas Augusto Peixoto estava decidido e, ameaçou de morte quem ousasse se aproximar. Terminado o crime, foi esperar a polícia sentado num banco na frente da casa. Do abrigo, ele foi para Casa de Detenção e, posteriormente, parou no Manicómio Judiciário. 

in EAQ


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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Acabar com a 'joelhofobia'

"A prática de se ajoelhar para a Santa Comunhão tem em seu favor uma tradição já antiga, e é um sinal particularmente expressivo de adoração, completamente apropriado, à luz da presença verdadeira, real e substancial de Nosso Senhor Jesus Cristo sob as espécies consagradas."

Rescrito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (01/07/2002)


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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Tradição é passar aos outros o que nos foi entregue



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A Igreja Católica condenou o "desumano mercado dos negros"

Elevados à suprema dignidade do apostolado e representando, ainda que sem nenhum mérito, a pessoa de Jesus Cristo Filho de Deus, que por sua desmedida caridade se fez homem e se dignou morrer pela redenção do mundo, sentimos que pertence à nossa solicitude pastoral esforçar-nos para dissuadir completamente os fiéis do desumano mercado dos negros e de quaisquer outros homens. 

Por essa razão nós, querendo fazer desaparecer o mencionado crime de todos os territórios cristãos, após madura consideração, recorrendo também ao conselho de nossos veneráveis irmãos cardeais da santa Igreja de Roma, seguindo as pegadas de nossos predecessores, com a nossa apostólica autoridade, admoestamos e esconjuramos energicamente no Senhor todos os fiéis cristãos de qualquer condição que, doravante, ninguém ouse fazer violência, desapropriar de seus bens ou reduzir seja quem for à condição de escravo, ou prestar ajuda ou favorecer àqueles que cometem tal delito ou querem exercitar o indigno comércio por meio do qual os negros são reduzidos a escravos – como se não fossem seres humanos, mas pura e simplesmente animais, sem nenhuma distinção, contra todos os direitos de justiça e humanidade -, são comprados, vendidos e constrangidos a trabalhos duríssimos. 

Nós, julgando as mencionadas acções indignas do nome cristão, condenamo-las com nossa apostólica autoridade. Proibimos e vetamos com a mesma autoridade a qualquer eclesiástico ou leigo defender como lícito o tráfico dos negros, qualquer seja o escopo ou pretexto, e de presumir ensinar de outro modo, pública e privadamente, contra aquilo que com a presente carta apostólica expressamos.

Papa Gregório XVI in Carta Apostólica 'In Supremo Apostolatus' (03.XII.1839)


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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

domingo, 2 de janeiro de 2022

"Devemos resistir às leis ilegítimas contra o Rito Tradicional" Padre Claude Barthe

O Padre Claude Barthe é um dos liturgistas mais respeitados do Mundo. Em entrevista ao 'Le Salon Beige' falou sobre a perseguição crescente das autoridades romanas à Liturgia Tradicional 

Le Salon Beige: Padre, a ofensiva contra a liturgia tradicional parece intensificar-se consideravelmente, a julgar pela publicação no dia 18 de Dezembro das respostas a perguntas feitas, ou supostamente feitas, à Congregação para o Culto Divino.

Padre Barthe: Os extremistas de Roma estão bastante determinados, como demostra plano que foi posto em acção: o desaparecimento da Comissão Ecclesia Dei; o questionário aos Bispos; o motu proprio; a carta do Cardeal Vigário de Roma; e as respostas que explicitam o Traditionis Custodes. Eles querem claramente criar uma situação irreversível. Essas respostas eram conhecidas essencialmente através da carta do Cardeal De Donatis, de 7 de Outubro, dirigida à diocese de Roma.

Le Salon Beige: É possível que simples respostas da Congregação tornem mais amplo um motu proprio?

Padre Barthe: Do ponto de vista técnico-jurídico, sim: a Igreja é uma monarquia absoluta e os ministros do Papa podem, em seu nome e por mandato, determinar a lei. Neste caso, especificam a intenção do legislador. Dificilmente se poderá argumentar que o Papa aprovou estas respostas de forma genérica (uma aprovação fraca) e não de forma específica (a aprovação máxima). Mas, do ponto de vista jurídico-teológico, não: se o Summorum Pontificum constatou que a Missa Antiga não foi revogada e era uma das expressões da lex orandi, estendendo esta constatação pelas suas disposições aos demais livros litúrgicos (breviário, pontifical, etc.), foi com base num julgamento doutrinal substantivo. Qualquer “lei” em contrário não tem força.

Le Salon Beige: Uma constatação do motu proprio Summorum Pontificum que, no entanto, é anulada pelo Traditionis Custodes.

Padre Barthe: E que as responsa explicitam e enfatizam: Traditionis Custodes postula que os novos livros litúrgicos são a única expressão da lex orandi; no entanto, o uso mais restrito do missal antigo foi tolerado, provisoriamente, a fim de “facilitar a comunhão eclesial”. Mas os outros livros litúrgicos tradicionais (ritual, pontifical) não estão incluídos nesta tolerância provisória e, portanto, são proibidos (excepto para o Rituale nas paróquias pessoais, caso o Bispo o permita).

Todo o sistema se baseia, portanto, na afirmação de Traditionis Custodes, que reivindica invalidar a afirmação feita pelo Summorum Pontificum, mas que se relativiza, assim como a liberdade religiosa pretendia invalidar o magistério até Pio XII.

Le Salon Beige: Em termos concretos, o que é que será proibido?

Padre Barthe: As consequências mais visíveis destas medidas, se fossem aceites pelos visados, seriam: a proibição, excepto nas paróquias pessoais, dos casamentos tradicionais (no entanto creio que muitos párocos fechará os olhos a essa proibição); a proibição dos Crismas em rito tradicional (certamente muitos pais de crianças a serem confirmadas recorrerão aos bispos da FSSPX); e, acima de tudo, a proibição das ordenações sacerdotais em rito tradicional. 

Este é de longe o mais sério de todos, porque visa a própria especificidade dos seminários tradicionais. Os institutos Ecclesia Dei não aceitarão, assim como não aceitarão a introdução da Missa nova ao lado da Missa tradicional nos seus seminários, que as visitas canónicas organizadas pela Congregação para os Religiosos gostariam de lhes impor. Isso seria suicídio: os candidatos abandonariam os seminários e as vocações acabariam.

Le Salon Beige: Devemos, portanto, resistir a essa lei injusta?

Padre Barthe: Sim, com a graça de Deus e a poderosa ajuda da oração. Mesmo que signifique ganhar tempo, tanto nos seminários como no campo do apostolado. Claro, conferir ordenações pressupõe que os bispos estejam dispostos a considerar que as disposições proibitivas não têm força de lei.

Le Salon Beige: E que aceitam os riscos que podem estar envolvidos em prosseguir com as ordenações?

Padre Barthe: Todos eles: bispos, superiores, sacerdotes e seminaristas que adoptarem uma atitude de não aceitação em relação ao Traditionis Custodes deverão assumir os riscos. O pior cenário – o cenário de 1976 para o Arcebispo Lefebvre – teria esta ordem: antes de uma ordenação planeada, o prelado que vai ordenar seria notificado da proibição do mandato especiali Summi Pontificis, seguido de uma pena de suspensão a divinis (proibição de celebrar os sacramentos). 

Por outro lado, todos os tipos de medidas são concebíveis contra as comunidades recalcitrantes, sendo o pior a sua supressão. Mas também se pode pensar, por que não? Se a diplomacia das partes interessadas mistura habilidade na forma e firmeza na substância, haverá apenas reações de princípio. No entanto, não se deve contar com isso, pois seria subestimar a determinação dos autores destes textos.

Le Salon Beige: Encontramo-nos num caso clássico de equilíbrio de forças?

Padre Barthe: Sim, e felizmente para nós pequeninos, o principal é o de Cristo que sustenta a sua Igreja. Em todo caso, o equilíbrio de forças hoje é muito mais favorável ao mundo tradicional do que parece, especialmente na França, onde não se deixará dominar. 

Além disso, as dioceses não têm interesse que as comunidades se acomodem a uma semi-independência temporária (como o IBP em Paris, no Centre Saint Paul). Continuo convencido de que, com o Traditionis Custodes, os extremistas romanos começaram uma guerra que só podem perder. Mas uma guerra que pode causar grandes danos, não podemos negá-lo. Devemos, portanto, rezar intensamente para apoiar aqueles que terão de tomar decisões difíceis.



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sábado, 1 de janeiro de 2022

Cristo nasceu há 2021 anos! A cronologia de Flávio Josefo estava errada

Como sabem, a.C. refere-se a "antes de Cristo" e portanto é confuso ouvir os académicos dizer que Cristo nasceu a 4 a.C. Isto significaria que Cristo nascera quatro anos antes de Cristo. No entanto, estudos cronológicos recentes e mais precisos validaram a data tradicional do nascimento de Cristo a 25 Dezembro do ano 1 a.C. [i]

Revendo os fundamentos, a datação de a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) vem dos cálculos de Dionísio 'Exiguus'. 'Exiguus' significa pequeno, por isso ele é muitas vezes chamado de Dionísio o pequeno. Dionísio era um monge que vivia em Roma. Morreu por volta de 544 d.C. 

Em Roma, Dionísio trabalhava com os melhores registos romanos e documentos da Igreja para calcular o nascimento de Cristo. Este novo cálculo dividia o tempo em antes e depois de Cristo. Dionísio não incluía um ano zero. 31 de Dezembro do ano 1 a.C. devia passar para 1 Janeiro do ano 1 d.C. 

Dionísio identificou a Anunciação de Gabriel à Virgem e a Encarnação de Cristo no ventre da Santíssima Virgem Maria a 25 de Março do mesmo ano 1 a.C. Ele reconheceu o nascimento de Cristo a 25 de Dezembro do ano 1 a.C. A circuncisão de Cristo, oito dias depois do Seu nascimento, foi a 1 de Janeiro de 1 d.C. A Sua crucifixão foi no ano 33 d.C. 

Beda, o Venerável, pegou no esquema de datas de Dionísio, o pequeno, na sua Ecclesiastical History of the English People, e o resto é história. Continuamos a usar o seu sistema de datação até hoje: a.C. e d.C.

Dúvidas sobre o ano de nascimento de Cristo surgiram nos anos 1600. Os académicos souberam da cronologia feita pelo historiador judeu Flávio Josefo. Josefo coloca a data do Rei Herodes, o Grande, onde Dionísio chamou 4 a.C. Visto que Herodes tentou matar Cristo menino, seria necessário que Cristo já tivesse nascido antes da morte de Herodes. Se Herodes morreu em 4 a.C., então Cristo teria que ter nascido antes de 4 a.C. Assim, desde o século XVII, as pessoas têm dito que Dionísio se enganou e que Cristo nasceu quatro anos antes de Cristo.

O que é que podemos dizer disto? Bem, ou Josefo está certo ou Dionísio está certo. Não podem estar ambos. Até recentemente a maior parte dos académicos concordava com Josefo porque: A) Josefo viveu no século de Cristo, B) Josefo era judeu, e C) Josefo era um historiador profissional. Dionísio era apenas um monge que vivia em Roma mais de quinhentos anos mais tarde.

No entanto, existem agora boas razões para acreditar que Josefo se enganou. Vários estudos sobre Josefo revelam que ele de certeza que não era consistente ou preciso a datar variados acontecimentos chave na história judaica e romana. De facto, Josefo contradiz história confirmada, a Bíblia, e mesmo a sua própria cronologia cerca de uma centena de vezes. As suas datas não são muito precisas. O arqueólogo, jurista e historiador francês Theodore Reinarch foi um dos primeiros a documentar os muitos erros factuais e cronológicos de Josefo. A tradução de Reinarch de Josefo é constantemente interrompida por comentários tais como "isto é um erro" ou "noutro livro as suas personagens são diferentes." [ii]

De seguida está um exemplo da má cronologia de Josefo. Josefo regista na sua Guerra judaica que Hyrcanus reinou durante trinta e três anos. No entanto, na sua Antiguidades dos judeus, que Hyrcanus reinou trinta e dois anos. [iii] Ainda assim noutro local da sua Antiguidades, Josefo diz que Hyrcanus reinou apenas trinta anos. Isto são três alegações contraditórias - duas no mesmo livro!

Na sua Guerra judaica, Josefo regista que Aristobulus colocou o diadema na sua cabeça 471 anos depois do exílio. No entanto na sua Antiguidades, ele diz que foi 481 anos, uma diferença de dez anos. Já agora, os historiadores modernos agora sabem que foram 490 anos. Josefo está errado em todas as contas.

Podiam ser dados mais exemplos. O facto é que Josefo era desleixado com as datas, especialmente no que tocava a reis. Por isso vejamos as datas que ele dá para o Rei Herodes. Descobrimos que Josefo na verdade dá duas datas contraditórias para a morte de Herodes - 4 a.C. e 7 ou 8 d.C.

Josefo escreve que Herodes capturou Jerusalém e começou a reinar naquilo que Dionísio chama 37 a.C., e que Herodes viveu mais 34 anos depois disto. Se fizerem as contas, isto significa que Herodes morreu no ano 4 ou 3 a.C. Os académicos citam isto como a prova de autoridade de que Jesus nasceu antes de 4-3 a.C.

Ainda assim, Josefo regista uma datação diferente para a morte de Herodes noutro lado. Na sua Antiguidades, Josefo escreve que Herodes tinha quinze anos naquilo que chamaríamos 47 a.C., quando César escolheu Hyrcanus como etnarca.[iv] Mas, duas vezes noutros sítios, Josefo diz que Herodes tinha setenta anos quando morreu. Portanto se Herodes tinha 15 em 47 a.C., isso significa que morreu aos 70 de idade em 7 ou 8 d.C.

Temos uma discrepância séria nas datas de Josefo - um janela de mais de dez anos. Mais ainda, quem é que sabe realmente se ambos os números são precisos dados os seus erros noutras datas históricas?

Porque é que isto é tão importante? Revela que não devíamos deixar Josefo ter a última palavra na cronologia de Cristo. A datação de Josefo da morte de Herodes a 4 a.C. é verdadeiramente só uma versão dos seus cálculos. Porque não usar a sua data de 7 ou 8 d.C.? É um pouco arbitrário os historiadores modernos defenderem a data de 4 a.C.

A melhor maneira de datar a morte de Herodes é concentrando-nos no testemunho de que Herodes morreu poucos meses depois de um eclipse da lua bem observado. Com modelos astronómicos modernos, sabemos que um eclipse da lua como este ocorreu em Jerusalém antes do pôr do Sol de 29 de Dezembro de 1 a.C. Isto significaria que Herodes morreu pouco tempo depois de 1 d.C. Isto alinha-se perfeitamente com a cronologia de Dionísio, o pequeno. Isto significa que Cristo nasceu a 25 de Dezembro de 1 a.C. e que foi circuncidado a 1 de Janeiro de 1 d.C. 

O nosso calendário é perfeitamente preciso! 

Taylor Marshall

[i] Hugues de Nanteuil, Sur les dates de naissance et de mort de Jésus, Paris: Téqui editions, 1988. Translated by J.S. Daly and F. Egregyi. Paris, 2008.
[ii] de Nanteuil, 2008.
[iii] Josephus, Antiquities, 12.
[iv] Josephus, Antiquities, 14.


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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Missa de Natal à porta da igreja

Os fiéis de Saint-Germain-en-Laye (diocese de Versalhes, França) tiveram a Missa de meia-noite, no Natal, à porta da igreja. Nem o frio nem a chuva os demoveu de ouvir a Santa Missa no meio da rua. O Bispos não lhes permite o acesso à igreja, que permanece fechada, por quererem a Missa Tradicional.





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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Como irão contar o Natal aos vossos filhos e netos

Estava Jerusalém inundada de luminárias que faziam da noite, dia, quando sobre ela se abateu uma escuridão sombria, trevas tremendas e pavorosas, das quais se arrancavam guinchos lúgubres, gritos lancinantes, sonoras iras raivosas entoando: glória a lúcifer nas profunduras e prazer irrestrito aos homens de vontade autónoma; anunciamos-vos uma grande dor, nasceu-vos hoje um desprotegedor, que o será para todo o povo; isto vos servirá de sinal, encontrareis um menino, adorado por um homem e pela mulher.
 
Imediatamente, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas acorreram aos campos até encontrarem num estábulo tudo como lhes tinha sido dito. Os géneristas escandalizados com aquela discriminação claramente homofóbica, logo substituíram o homem por uma mulher, mas ao saberem que a primeira era Virgem, prontamente a vituperaram e expulsaram por constituir um péssimo e devastador exemplo para toda a gente ao renegar tão obstinadamente os ensinamentos dos doutores do género –havia a máxima urgência em retirar a criança àqueles pais, uma vez que era óbvia a sua incapacidade de lhe assegurarem uma formação sexual adequada, livre de preconceitos e discriminações. 
 
Os príncipes dos ambientalistas, por seu turno, ao repararem na vaca, cuja emissão de gazes intestinais constituía um factor alarmante para o aquecimento global e consequente iminente fim do nosso planeta, logo dela se apoderaram para a matar ali mesmo, oferecendo-a como um sacrifício propício à mãe terra, intentando aplacar assim a sua ira – é certo que houve uma grande disputa até tomarem a resolução, pois alguns advogavam que se não se podia matar cães (dentro ou fora de canis), muito menos uma vaca, uma vez que era muito maior pois, de facto, argumentavam, se todos podemos fulminar melgas por serem pequenas, então não se pode aniquilar um bovino por ser muito maior; os sectários da matança do boi (pois, uma vez que a identidade de género não passa de uma construção social, tanto monta uma nomeação feminil como masculina) convenceram, no entanto, os seus adversários, provando que o impacto ambiental do cão era insignificante em comparação com a vaca. 
 
Quanto ao burro, que tinha suportado tão grandes humilhações, sendo compelido violentamente, como se fora uma mísera besta, a percorrer tão longo caminho suportando a intolerável carga daqueles humanos – os terríveis predadores da natureza –, a mãe grávida e seu filho, era absolutamente imperativo reconhecer a sua eminente dignidade divina, para reparar uma injúria tão blasfema e sacrílega. Por isso, encaminhando-o para fora daquele reles presépio, de pronto lhe construíram um altar, adorando-o e ofertando-lhe oblações e sacrifícios dignos de tão magnificente divindade, a qual correspondia aos louvores e adorações com jubilosos zurros. 

Exaustos da cerimónia orgiástica, o frenesim foi diminuindo até que se dirigiram de novo ao presépio onde depararam com gentes esfarrapadas entoando, diante da criança envolta em paninhos, uma estranha antífona: Baixíssimo, impotente, grosseiro escravo,  a ti todo o aviltamento, o desprezo, a desonra e toda a maldição. A ti só, baixíssimo, se hão de prestar e todo o ser humano é digníssimo de te nomear.
 
De súbito, um estardalhaço de trovão ribombante atroou os campos articulando palavras retumbantes: Sou o vosso Deus, o vosso Pai, que vos tem conduzido através da história operando prodígios de amor e Este é o Meu Filho humanado que vos enviei para vos resgatar.
 
Imediatamente, à uma, os sacerdotes do género e os príncipes dos ambientalistas desataram numa gritaria estridente enquanto tapavam os ouvidos, não fossem escutar blasfémias maiores.
 
Espumando raivas incontidas e ódios viscerais desenfaixaram a criança e enquanto o faziam os príncipes dos ambientalistas logo pontificaram que a ser verdade ou ao menos que houvesse uma suspeita razoável da criança ser deus incarnado seria então necessário condená-lo, sem demora, à morte, uma vez que esse deus era malvado, um perigo extremo para o desenvolvimento sustentável.  Não tinha ele arrasado as fertilíssimas terras de Sodoma e de Gomorra, tornando-as totalmente estéreis e matando toda a fauna marítima no mar, que por isso mesmo se chama morto? A esta indignação se ajuntou a ira descontrolada dos sacerdotes do género, acusando esse deus de homofobia, de discriminação, de coração duro, mente fechada, alheio a qualquer tipo de misericórdia. 
 
Entretanto, desenfaixada a criança, verificaram se tratava de um varão, de um menino. Este horror veio irritar e transtornar ainda mais os sacerdotes do género, que, imediatamente, em cóleras desenfreadas acusaram a divindade de ser uma fraude, um resquício de uma projecção patriarcal, pois era evidente que o verdadeiro deus, caso se fizesse homem traria no seu corpo simultaneamente todas as características da sua identidade, a saber, lgbtqi. Aliás, a única divindade era a terra e os que naquela diversidade a habitavam.
 
Sem mais hesitações, num arrebatamento de indignação, desfizeram a manjedoura, e aproveitando os pregos e as tábuas da mesma, com ela formaram uma pequena cruz. Unanimemente o consideraram culpado, um engano do maligno, e todos concordaram que deveria ser crucificado. Como os pregos se mostraram demasiado grossos para prender os pulsos e os pés do Menino, arranjaram uns alfinetes especiais que serviam o propósito. Alguns dos que o escarneciam, impacientes com a demora da sua morte, recorreram a um canivete suíço para lhe trespassar o coração, do qual brotou sangue e água.
 
Verificada a sua morte, todos se regozijaram e a celebraram com um grande banquete, pois tinham conseguido salvar o planeta e o prazer promíscuo sem freio.

Padre Nuno Serras Pereira


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domingo, 26 de dezembro de 2021

A árdua tarefa de iluminar a Basílica de São Pedro para o Natal

Nestas imagens dos anos 30, percebemos a dificuldade, e os perigos, que os "sanpietrini" corriam para acender as 900 tochas e 5000 lanternas no exterior da Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Faziam-no por devoção.


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quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Evitar a malícia nos juízos e suspeitas

Certas pessoas convertem em maus humores todos os alimentos que absorvem, mesmo que sejam alimentos de boa qualidade. A responsabilidade não é dos alimentos, mas do temperamento dessas pessoas, que altera os alimentos. 

Da mesma maneira, se a nossa alma tiver uma disposição má, tudo lhe fará mal; até as coisas vantajosas serão por ela transformadas em coisas prejudiciais. Não é verdade que, se deitarmos umas ervas amargas num pote de mel, as ervas alteram todo o conteúdo do pote, tornando amargo o mel? É isso que nós fazemos: espalhamos um pouco do nosso azedume e destruímos o bem do próximo, olhando para ele a partir da nossa má disposição. 

Há outras pessoas que têm um temperamento que transforma tudo em bons humores, incluindo os alimentos nocivos. Os porcos têm uma excelente constituição. Comem cascas, caroços de tâmaras e lixo. Contudo, transformam estes alimentos em viandas suculentas. Também nós, se tivermos bons hábitos e um bom estado de alma, tudo poderemos aproveitar, incluindo aquilo que não é aproveitável. Muito bem diz o Livro dos Provérbios: «Quem olha com doçura obterá misericórdia» (12, 13). Mas também: «Todas as coisas são contrárias ao homem insensato» (14, 7). 

Ouvi dizer de um irmão que, quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela descuidada e desordenada, pensava: «Que feliz que é este irmão, que está completamente desprendido das coisas terrenas, elevando totalmente o seu espírito para o alto, de tal maneira que nem tem tempo para arrumar a cela!» 

Quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela arrumada e em boa ordem, pensava: «A cela deste irmão está tão arrumada como a sua alma. Tal como a sua alma, assim é a sua cela.» E nunca dizia de nenhum deles: «Este é desordenado», ou: «Este é frívolo.» 

Graças ao seu excelente estado de alma, de tudo tirava proveito. Que Deus, na sua bondade, nos dê também um estado bom para que possamos tudo aproveitar, sem nunca pensarmos mal do próximo. Se a nossa malícia nos inspirar juízos e suspeitas, transformemo-os rapidamente. Pois não ver o mal do próximo engendra, com a ajuda de Deus, a bondade.

Doroteu de Gaza in Carta 1 


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À espera






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