segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Servos ou escravos?

A palavra servo foi muitas vezes mal compreendida porque se confundiu a servidão, própria da Idade Média, com a escravatura que foi a base das sociedades antigas e da qual não se encontra qualquer rasto na sociedade medieval... 

Ora, a condição do servo é totalmente diferente da do escravo antigo: o escravo é uma coisa, não uma pessoa; está sob a dependência absoluta do seu dono que possui sobre ele direito de vida e de morte; qualquer actividade pessoal é-lhe recusada; não conhece nem família, nem casamento, nem propriedade.

O servo, pelo contrário, é uma pessoa, não uma coisa, e tratam-no como tal. Possui uma família, uma casa, um campo e fica desobrigado em relação ao seu senhor logo que pague os censos. Não está submetido a um patrão, está ligado a um domínio: não é uma servidão pessoal, mas uma servidão real. 

A restrição imposta à sua liberdade é que não pode abandonar a terra que cultiva. Mas, notemo-lo, essa restrição não deixa de ter uma vantagem, já que, embora não possa deixar a propriedade, também não podem tirar-lha; esta particularidade não estava longe, na Idade Média, de ser considerada um privilégio... 

O rendeiro livre está submetido a toda a espécie de responsabilidades civis que tornam a sua sorte mais ou menos precária: se se endivida, podem confiscar-lhe a terra; em caso de guerra, pode ser forçado a tomar parte nela, ou o seu domínio pode ser destruído sem compensação possível. O servo, esse, está ao abrigo das vicissitudes da sorte; a terra que trabalha não pode escapar-lhe, da mesma maneira que não pode afastar-se dela.

Esta ligação à gleba é muito reveladora da mentalidade medieval, e, notemo-lo, a este nível, o nobre está submetido às mesmas obrigações que o servo, porque ele tampouco pode em caso algum alienar o seu domínio ou separar-se dele de qualquer forma que seja: nas duas extremidades da hierarquia encontramos essa mesma necessidade de estabilidade, de fixação, inerente à alma medieval, que produziu a França e de uma maneira geral a Europa ocidental. 

Não é um paradoxo dizer que o camponês actual deve a sua prosperidade à servidão dos seus antepassados; nenhuma instituição contribuiu mais para o destino do campesinato francês; mantido durante séculos sobre o mesmo solo, sem responsabilidades civis, sem obrigações militares, o camponês tornou-se o verdadeiro senhor da terra; só a servidão poderia realizar uma ligação tão íntima do homem à gleba e fazer do antigo servo o proprietário do solo. 

Se a condição do camponês na Europa oriental, na Polónia e noutros lugares, permaneceu tão miserável, é porque não houve esse laço protector da servidão; nas épocas de perturbação, o pequeno proprietário, entregue a si próprio, responsável pela sua terra, conheceu as mais terríveis angústias que facilitaram a formação de domínios imensos; donde um flagrante desequilíbrio social, contrastando a riqueza exagerada dos grandes proprietários com a condição lamentável dos seus rendeiros. 

Se o camponês francês pôde desfrutar até aos últimos tempos de uma existência fácil, em relação ao camponês da Europa oriental, não é apenas à riqueza do solo que o deve, mas também e sobretudo à sabedoria das nossas antigas instituições.

Régine Pernoud in 'Lumiére du Moyen Age' (Edit. Grasset et Fasquelle, 1981)


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O prisioneiro e os Franciscanos

No outro dia li a história invulgar de David Catalano, um criminoso italiano nascido na Catânia. Catalano estava a cumprir a pena de prisão no convento 'Santa Maria degli Angeli' (na Catânia, Sicília), sob a responsabilidade de frades franciscanos capuchinhos.
 
Aparentemente estava numa situação privilegiada por poder viver em 'Santa Maria degli Angeli' e não num estabelecimento prisional. Mas, para surpresa de muitos, o recluso fugiu do convento e entregou-se às autoridades dizendo que já não aguentava mais e preferia cumprir a pena na prisão.

Segundo Catalano, no convento deitam-se e levantam-se demasiado cedo; além disso não têm luxos e levam uma vida bastante austera…a vida na prisão é bem mais fácil.

João Silveira


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domingo, 6 de fevereiro de 2022

Bispo do Algarve diz que dificilmente ordenaria sacerdote um não-vacinado

O Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas fez uma apologia à vacinação de todos os católicos, especialmente os ministros da Comunhão (ordinários e extraordinário) de modo a não infectarem os outros. 

Ironicamente, o próprio Bispo que está vacinado confessou ter recuperado recentemente da Covid-19. Sendo ministro ordinário da Comunhão não se percebe como é que o apelo que fez faz algum sentido.

A homilia foi feita durante a Missa de ordenação de dois sacerdotes da diocese do Algarve, no dia 23 de Janeiro. D. Manuel Quintas disse que teria dificuldades em admitir alguém não vacinado ao sacerdócio, introduzindo assim uma discriminação que não encontra justificação na Lei da Igreja. Uma decisão dessa ordem seria arbitrária e poderia constituir uma grave injustiça.

Vídeo: Coro Juvenil de São Pedro do Mar - Quarteira


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sábado, 5 de fevereiro de 2022

A Família foi destruída pelo Capitalismo

Nunca é demais repetir que, quem destruiu a Família, no mundo moderno, foi o capitalismo. Sem dúvida, poderia ter sido o comunismo, se o comunismo tivesse alguma vez tido essa hipótese, fora daquele deserto semi-mongol onde ele realmente floresceu. 

Mas, no que nos diz respeito, o que separou as famílias,  encorajou os divórcios, e tratou as velhas virtudes domésticas com cada vez maior desprezo, foi a época e o poder do capitalismo. 

Foi o capitalismo que forçou uma rivalidade moral e uma competição comercial entre os sexos; que destruiu a influência dos pais em favor da influência do empregador; que expulsou os homens e, por fim, as mulheres, dos seus lares à procura de emprego; que os forçou a viver para a fábrica ou para a empresa, em vez de viver para a sua família; e, acima de tudo, que tem incentivado, por razões comerciais, um desfile contínuo de publicidade e novidades espalhafatosas  que é, por natureza, a morte de tudo o quanto era considerado,  pelas nossas mães e pelos nossos pais, um mínimo de dignidade e modéstia. 

G.K. Chesterton


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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Uma das coisas que este pontificado, estranhamente, ignora

Todos aqueles que recebem estes boletins quotidianos, bem como os artigos que tenho enviado nestes últimos vinte e dois anos sabem muito bem que existem uma série de associações e organizações de pessoas altamente qualificadas que têem com enorme sucesso recuperado para as condições inatas de atração para o outro sexo ou para uma vida em castidade aqueles que seduzidos, enganados e confusos se entregaram à promiscuidade de actos sexo-genitais com pessoas do mesmo sexo.

E, no entanto, nunca ouvimos ou lemos uma palavra de Francisco de elogio ou de encorajamento para com as pessoas que com imensa generosidade, apesar das agressões e ataques ferozes a que têem sido submetidos, se dedicam de alma e coração a esta verdadeira e justa Caridade Evangélica. Também nunca vimos, ouvimos ou lemos que pessoas libertas dessas ilusões e escravidões fossem recebidas por Francisco.

Não será isto tudo muito estranho?

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Sacerdote esfaqueado mortalmente enquanto ouvia confissões

O frade dominicano Joseph Tran Ngoc Thanh, de 40 anos, foi esfaqueado até a morte enquanto ouvia confissões numa igreja em Kontum, Vietname. O assassino impôs-lhe dois golpes na cabeça que foram fatais, morreu no hospital, apesar de ter recebido tratamento imediato. 

O Padre Joseph era o sétimo filho de uma família numerosa. Nasceu a 10 de Agosto de 1981 em Saigão e foi ordenado sacerdote a 4 de Agosto de 2018.

No ano passado, o Padre Tran Van Truyen, de 70 anos, foi também esfaqueado fatalmente na Diocese de Kontum.


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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Dia de Nossa Senhora das Candeias

Hoje é dia de Nossa Senhora das Candeias (também invocada sob os nomes de Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora da Luz ou ainda Nossa Senhora da Purificação). Este é um dos muitos títulos pelos quais a Igreja venera a Virgem Maria, sendo sob essa designação bastante venerada em Portugal, apesar da sua aparição remontar às Ilhas Canárias (Espanha).

História

A origem da devoção à Senhora da Luz tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro).

De acordo com a tradição mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar ao Templo até quarenta dias após o parto; nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacrifício (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e assim purificar-se.

Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, teria-lhes dito:

«Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo.» (Lucas, 2, 29-33)

Com base na festa da Apresentação de Jesus / Purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora das Candeias / da Candelária / da Luz, cujas festas eram geralmente celebradas com uma procissão de velas.

Aparição

A Virgem da Candelária ou Luz apareceu em uma praia na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) em 1400. Os nativos guanches da ilha ficaram com medodela e tentaram atacá-la, mas suas mãos ficaram paralisadas.

A imagem foi guardada em uma caverna, onde, séculos mais tarde, foi construído o Templo e Basílica Real da Candelária (em Candelária). Mais tarde, a devoção se espalhou na América. É santa padroeira das Ilhas Canárias, sob o nome de Nossa Senhora da Candelária.

Oração a Nossa Senhora das Candeias

Virgem Santíssima das Candeias, vós que pelos merecimentos de vosso Filho Omnipotente, tudo alcançais em benefício dos pecadores de quem sois igualmente Senhora e Mãe. Vós que não desprezais as súplicas humanas e nem a elas fechais o vosso coração compassivo e misericordioso.

Iluminai-me, eu vos peço, na estrada da vida, encorajai-me e encaminhai os meus passos e as minhas orações para o verdadeiro bem. Livrai-me de todos os perigos a que está exposta à minha fraqueza. Defendei-me de meus inimigos, como defendeste o vosso amado Filho das perseguições que sofreu sendo menino.

Não consintais que eu seja atingido por ferro, fogo ou peste alguma, e depois de todos estes benefícios da vossa clemência nesta vida, conduzi a minha alma para a morada dos anjos, onde com Jesus Cristo, vosso Filho e Nosso Senhor, viveis e reinais, pelos séculos dos séculos. Ámen

in rezairezairezai.blogspot.com


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Missa Nuptialis




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segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

S. João Bosco e S. Domingos Sávio falam sobre santidade



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São João Bosco adverte: Evitar as más conversas a todo o custo!

Quantos jovens estão no inferno por ter dado ouvidos às más conversas! Esta verdade já a inculcava São Paulo, quando dizia que as conversas inconvenientes nem sequer se devem nomear entre cristãos, porque são a ruína dos bons costumes. Fazei de conta que as conversas são como os alimentos: por muito bom que seja um prato é suficiente que sobre ele caia uma só gota de veneno para dar a morte aos que dele comerem. 

O mesmo acontece com a conversação obscena. Uma palavra, um gesto, um gracejo basta para ensinar a malícia a um ou também a muitos meninos, os quais tendo vivido até então como inocentes cordeirinhos, por causa daquelas conversas e maus exemplos perdem a graça de Deus e se tornam infelizes escravos do demónio.

Poderá alguém dizer: Conheço as funestas consequências das más conversas; mas como se há de fazer? Estou numa casa, numa escola, num serviço, numa casa de negócio, num lugar onde se fazem más conversas. Infelizmente, meus caros jovens, sei que há desses casos; por isso vos indico o modo de sairdes dessa dificuldade sem ofender a Deus. Se são pessoas inferiores a vós, corrigi-as com rigor; dado o caso que sejam pessoas a quem não convenha admoestar , fugi, se vos for possível; não podendo, ficai firmes em não tomar parte nem com palavras, nem com os sorrisos e dizei no vosso coração: Meu Jesus, misericórdia.

E se, apesar destas precauções, vos achardes ainda em perigo de ofender a Deus, dar-vos-ei o conselho de Santo Agostinho, que diz: Apprechénde fugam, si vis reférre victóriam. Foge, abandona o lugar, a escola, a oficina, suporta todos os males deste mundo, ante que a morar num lugar ou tratar com pessoas que põem em perigo a salvação da tua alma. Porque diz o Evangelho, melhor é sermos pobres, desprezados, sofrer que nos cortem os pés e as mãos e até que nos arranquem os olhos e ir assim ao Céu, antes que ter tudo o que desejamos no mundo e depois perder-nos eternamente.

Pode às vezes acontecer que algum companheiro vos escarneça e se ria de vós, mas não importa: tempo virá em que o riso e o sarcasmo dos malvados se transmudará em pranto no inferno e o desprezo dos bons se converterá na mais consoladora alegria no Céu. Notai contudo que, permanecendo vós fiéis a Deus, acontecerá que os vossos mesmos detractores será obrigados a prezar a vossa virtude, já não se atreverão a molestar-vos com os seus perversos motejos. 

Onde se achava São Luis Gonzaga, ninguém já se atrevia a proferir palavras menos honestas, e si ele chegava na ocasião em que outros as pronunciavam, diziam logo: Silêncio! Aí vem o Luis. 

D. Bosco in 'O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos'


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domingo, 30 de janeiro de 2022

Os 3 bens do Matrimónio

A Igreja adoptou o ensinamento de Santo Agostinho sobre os bens do Matrimónio: Fidelidade, Prole e Sacramento.

«Na fidelidade, tem-se em vista que, fora do vínculo conjugal, não haja união com outro ou com outra. Na prole, que esta se acolha amorosamente, se sustente com solicitude, se eduque religiosamente. Com o sacramento, enfim, que não se rompa a vida comum, e que aquele ou aquela que se separa não se junte a outrem nem mesmo por causa dos filhos. É esta como que a regra das núpcias, na qual se enobrece a fecundidade da incontinência.»

Santo Agostinho in De Gen. ad lit., livro IX., cap. VII; n. 12


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Adoremus in aeternum Sanctissimum Sacramentum



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sábado, 29 de janeiro de 2022

Os lobos são mais perigosos mas as moscas são mais chatas

Ainda que tenhamos que combater contra as grandes tentações com ânimo inquebrantável e a vitória nos seja de suma utilidade, é todavia ainda mais útil combater as pequenas, cuja vitória por causa de seu número pode trazer tanta vantagem como a daqueles que venceram felizmente grandes tentações. 

Os lobos e os ursos são certamente mais para temer do que as moscas; as moscas, porém, são mais importunas e experimentam mais a nossa paciência. É fácil não cometer um homicídio; mas é difícil repelir continuamente os pequenos ímpetos da cólera, que se oferecem em todas as ocasiões. 

É fácil a um homem ou a uma mulher não cometer adultério; mas não há igual facilidade em assim conservar a pureza dos olhos, não dizer ou ouvir com prazer nada daquilo que se chama adulações, galanteios, não dar nem receber amor ou pequeninas provas de amizade. É bem fácil não dar rival ao marido, nem rival à mulher, quanto ao corpo. Mas não é assim fácil não o dar quanto ao coração. É bem fácil não manchar o tálamo nupcial, mas bem difícil manter ileso o amor conjugal. 

É fácil não furtar os bens do próximo; mas dificultoso é não os desejar e cobiçar. É fácil não levantar falsos testemunhos em juízo; mas difícil não mentir em conversa; fácil é não embriagar-se, difícil ser sempre sóbrio; é bem fácil não desejar a morte ao próximo, difícil contudo não desejar a sua incomodidade; fácil é não difamar alguém, mas é difícil não desprezar.

Enfim, essas pequenas tentações de cólera, de suspeitas, de ciúmes, de invejas, de amizades tolas e vãs, de duplicidades, de vaidade, de afectação, de artifícios, de pensamentos maus, tudo isso, digo, forma o exercício cotidiano, mesmo das almas mais devotas e resolvidas a viver santamente. 

Por isso, Filoteia, ao passo que nos devemos mostrar generosos em combater as grandes tentações, quando aparecem, é muito necessário que nos preparemos cuidadosamente para as pequenas tentações, convictos de que as vitórias que obtivermos assim de nossos inimigos ajuntarão outras tantas pedras preciosas à coroa que Deus nos prepara no paraíso.

São Francisco de Sales in 'Filoteia ou Introdução à Vida Devota'


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3 frases de São Francisco de Sales que mudaram muitas vidas

São Francisco de Sales foi um grande Bispo e Doutor da Igreja. Combateu a heresia protestante na Suiça, tendo sido bastante perseguido por isso. É por causa dele que a obra de D. Bosco se chama 'Salesianos'. 

São Francisco de Sales foi um mestre da vida espiritual. O seu livro "Filoteia, Introdução à vida devota" é um dos livros espirituais mais estudados de sempre. Ali encontramos verdadeiras pérolas de sabedoria como as que se seguem: 

1. "A reputação raramente é proporcional à virtude." 

2. "É essencial meia hora de oração, a não ser quando se está muito ocupado, nesse caso é necessário uma hora." 

3. "Deves ter verdadeira dor dos pecados que confessas, por mais leves que sejam, e fazer um firme propósito de emenda para o futuro. Muitos perdem grandes bens e muito aproveitamento espiritual porque, confessando-se dos pecados veniais por costume e mero cumprimento, sem pensar em emendar-se, permanecem durante toda a vida com eles."


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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Pecados frequentemente repetidos, e emenda de vida

 
É verdade que o Concílio de Trento, condenando a proposição contrária, admite que uma pessoa verdadeiramente arrependida e com o consequente propósito de emenda possa, mesmo que pouco depois, recair no mesmo pecado.
 
No entanto, S. João da Cruz e S. Afonso M. de Ligório, padroeiro dos confessores e dos teólogos e filósofos da Moral, que aceitavam plenamente a Doutrina Conciliar, entendiam que quando não havia um esforço verdadeiro e determinado para mudança de comportamentos alguma coisa estava mal. Sto. Afonso Maria de Ligório pensava que o facto de se conceder sempre tão facilmente a absolvição poderia ser um estorvo para o penitente mudar verdadeiramente os seus comportamentos e consequentemente tornar o Confessor um cúmplice do(s) pecado(s); melhor seria segundo ele adiar a absolvição. 

S. João da Cruz, verificando que religiosos e noviços de outros conventos não progrediam na vida Espiritual, tratava de cuidar exigentemente deles, quando chegavam ao seu convento, de modo que mudassem, avançando nessa mesma vida Espiritual. Tanto um Santo como o outro provaram na prática que era verdade o que advogavam.
 
O Sto. Cura de Ars (S. João Maria de Vianney) e o Sto. Padre Pio (S. Pio de Pietrelcina), geralmente falando, isto é, na grandíssima maioria dos casos, não faziam Direcção Espiritual fora do confessionário, mas era no próprio Sacramento da Penitência que davam os seus conselhos e orientações. E não obstante aquele Sacramento, nos seus casos, não ser demorado era muito eficaz - o ponto é a Graça de Deus. Pessoalmente, sempre achei que a Direcção Espiritual devia ser feita com o confessor habitual, mesmo que em alguma ocasião possa ser mais demorada. 

Há quem pense de outro modo, o que, não só evidentemente respeito, mas também tenho sempre atendido quem a si o prefere. Por isso, a minha preocupação apostólica no que a isto diz respeito não foi a de atrair pessoas para a Direcção Espiritual separada do Sacramento da Reconciliação, mas sim para a Confissão frequente e periódica. Aliás, olhando para a desproporção enorme entre Fiéis Sacerdotes e Fiéis Leigos imediatamente se dá conta de que é impossível, impraticável, a Direcção Espiritual para todos a não ser no Sacramento da Conversão.
 
Alguns exemplos, de modo nenhum exaustivos, inteiramente imaginários:
 
- “Não tenho tempo para rezar em virtude das solicitações contínuas da pastoral ou da família.” - “quanto tempo dás à oração pessoal, 15 minutos, 30 minutos? Pois põe-te diante do Sacrário e de ali não te arredes durante uma hora, se és Padre, ou durante 30 minutos se tens família que de ti precisa, e verás que terás tempo para tudo e com maior fecundidade”.
 
- “Não tenho tempo para a leitura Espiritual ”. “Não é verdade, deixa muitas coisas acessórias e agarra-te ao essencial. Suporás tu que o Senhor que multiplicou os pães e os peixes não multiplicará o teu tempo? Deixa-te de desculpas, organiza-te melhor, dispensa o que não é verdadeiramente importante, pelo menos no imediato.”
 
- “Mas tenho tanta gente para atender e não posso deixá-los se não perder-se-ão”. “Será caso para dizer: ‘presunção e água benta, cada qual toma a que quer’. Pois não tens tu outros Sacerdotes a que possas recorrer para te auxiliarem?, ou queres ser tu o único que os fiéis devem seguir? ou quererás ser tão ciumento de modo a monopolizar aqueles que pertencem ao Senhor? Desconfias da Providência Divina? De Jesus, que se serve de qualquer um, de um galo, de um ladrão, para nos Salvar?
 
- “Alguém se confessa de preguiça que leva a faltar às aulas: penitência pôr o despertador mais cedo e levantar-se imediatamente mal ele retinte.
 
- “Estou sempre a criticar (injusta e/ou publicamente) os outros”: penitência, todos os dias encontrar qualquer motivo para dizer bem deles e, caso seja possível, pedir perdão aos mesmos. E em relação àqueles que escutaram as minhas críticas repor o bom nome das minhas vítimas verbais.
 
- “Procurei e vi pornografia no meu smarthphone e no computador”.

Com a máxima caridade e gentileza seria bom adiantar o seguinte: Toma consciência de que não se trata somente de um pecado contra a castidade, mas também de uma profunda injustiça que cometeste para com aqueles/as que voluntária ou involuntariamente foram pagos ou mesmo obrigados a degradarem-se para que tivesses uns momentos passageiros de prazer; porque nesses pecados consentiste cada vez ficarás mais indiferente a essas pobres vítimas, e serás submetido a uma escravidão, pior do que a droga, que tende sempre a crescer e intensificar-se cada vez mais. Não são eles/as Imagem de Deus como tu? Como desprezaste as suas eminentíssimas dignidades? Tens consciência de que estás a alimentar uma indústria de muitos milhares de milhões de dólares que te exploram e escravizam, pirateando o teu cérebro, com maior incisividade e perigosidade que o LSD, de modo a tornar-te cada vez mais depende deles, cada vez mais sedento de cenas sempre mais escabrosas, feitas tantíssimas vezes de crueldade sádica e masoquista, de pedofilia, e de sacrifícios humanos nas suas orgias? Não sabes que o teu corpo é templo do Espírito Santo? Que foi resgatado com sobreabundância do Sangue de Cristo que morreu por ti na Cruz?  

Como penitência, rezarás em reparação pelos teus e seus pecados e pelas suas conversões, diariamente, até à próxima Confissão, três Pai-Nossos, três Ave-Marias e três Glórias; acresce que não usarás o computador a não ser em lugares em que a tua família ou outra gente sã possa ver o que consultas; se tens um smart phone que te não seja absolutamente necessário, deita-o fora e adquire um telemóvel que somente possa receber chamadas e SMS. Lembra-te que o teu destino eterno, Salvação ou perdição, Céu ou Inferno para sempre está em jogo. Caso as tuas obrigações estudantis ou profissionais exijam que uses o smart phone recorre imediatamente a um dos vários sites de confiança que têem filtros muito bons e apropriados que impedem esses visionamentos diabolicamente sedutores. 

Terão de ser evidentemente daqueles que não saibas como desmontar. Pede ao teu Confessor que te indique sítios fiáveis, ou, consoante a gravidade do vício, terapeutas que te possam ajudar, pois a Graça não dispensa a natureza, mas nela se assenta. Procura tomar consciência de que o teu futuro, como casado ou como consagrado depende da tua rejeição decidida e irrevogável da tua decisão. Mas caso voltes a cair, apesar dos esforços verdadeiros e sinceros, e de um propósito de emenda verdadeiro não desistas de recorrer uma e outra vez à Confissão Sacramental. Não temas, de modo nenhum, que o Sacerdote fique com má impressão de ti, ou que te desdenhe, pois ele também é fraco e pecador, mesmo que cometa pecados diferentes dos teus, e que continuamente cai e se levanta, em virtude da Infinita Misericórdia de Deus.
 
Diria que para além da Confissão frequente, mensal, semanal ou diária (houve um Santo Franciscano que se confessava três vezes por dia), consoante o Confessor habitual te recomendar, importa muitíssimo entender e assimilar a Doutrina da Igreja sobre a sexualidade. Certamente na tua paróquia ou movimento encontrarás alguém que te possa acompanhar nesta jornada.
 
Cuidarás que por ser jovem não poderás guardar a virgindade até ao casamento, ou que por sentires que tens uma atração por pessoas do mesmo sexo não poderás viver em castidade e continência perfeita? Considera então tantos religiosos e religiosas e tantos Padres que fiéis às suas vocações renunciaram para sempre ao uso de qualquer acto genital. Se a eles lhes foi concedida essa Graça por que duvidas que também te poderá ser concedida a ti, se a implorares, caso sejas solteiro ou viúvo ou separado? Não é a Omnipotência de Deus Infinita?
 
- “Furtei uma tela preciosa no museu de arte antiga”: penitência, embora não precises de te incriminar terás de a devolver e para além disso as orações que te recomendarei; poderá ser por interposta pessoa, poderá ser por mim, caso queiras.
 
- “Espanquei uma pessoa, deixando-a moribunda, e embora esteja em franca recuperação, foi dado como suspeito outra pessoa que acabou por ser presa”: penitência, tens de te entregar às autoridades de modo a libertar o inocente, e encontrar meios de reparar as vítimas assim como as suas famílias. Posso ajudar-te na escolha os melhores e mais justos meios.
 
- “Forniquei com mulheres que eu sabia que usavam “contraceptivos”, isto é, abortivos precoces”: penitência, afirmar a verdade: isso não é somente um pecado contra o 6º Mandamento, mas também contra o 5º (não matarás). Pelo que, para teu bem e Salvação terás de ter uma penitência mais gravosa. Etc.
  
É claro que tudo isto que aqui é dito de modo muito sintético precisaria de outro tratamento bem mais largo e desenvolvido.
 
Etc., etc.,
 
À Honra de Cristo! Ámen!

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Conselhos de São João Crisóstomo sobre como escolher uma esposa

1) Portanto, quando fordes escolher uma esposa, não examineis somente as leis do Estado, mas, antes, examineis as leis da Igreja. Deus não vos julgará no último dia segundo as leis do Estado, mas segundo as Suas leis.

2) Não é mesmo uma tolice? Quando estamos sob ameaça de perder dinheiro, tomamos todos os cuidados possíveis, mas quando a nossa alma está sob risco de ser eternamente punida, nem ao menos prestamos atenção.

3) Tu sabes que tem duas escolhas. Se tu escolheres uma má esposa, terás de enfrentar aborrecimentos. Se não aceitares enfrentá-los, serás culpado de adultério por te divorciares dela. Se tivesses investigado as leis do Senhor e as conhecesse bem antes de te casares, terias tomado muito cuidado e escolhido uma esposa decente e compatível com teu carácter desde o início. Se te  tivesses casado com uma esposa assim, terias ganho não apenas o bem de não te divorciares dela como o benefício de amá-la intensamente, conforme Paulo ordenou. Pois quando ele diz: "Maridos, amem vossas esposas", ele não pára por aí, mas fornece a medida deste amor, "como Cristo amou a Igreja".

4) Vejamos, porém, se a beleza e a virtude da alma da noiva atraiu o Noivo. Não, ela não era atraente nem pura, conforme estas palavras de Paulo: Ele se entregou por ela para a santificar, purificando-a com a lavagem da água (Efésios 5,25-26). [...] Apesar disso, Ele não abominou a sua feiúra, mas neutralizou sua repulsividade, remoldando-a, reformando-a e remindo os seus pecados. Tu deves imitá-Lo. Mesmo que a tua esposa peque contra ti mais vezes do que possas contar, tu deves perdoá-la em tudo.

5) Quando surge uma infecção nos nossos corpos, não cortamos o membro, mas tentamos curar a doença. Devemos fazer o mesmo com uma esposa.

6) Mesmo que ela não apresente melhoras em função dos nossos ensinamentos, ainda assim receberemos uma grande recompensa de Deus pela nossa paciência e por termos mostrado tanto auto-domínio em temor a Ele. Nós conseguimos suportar as maldades dela com nobreza, sem cortar o membro fora. Pois uma esposa é como se fosse um membro nosso, e por causa disso devemos amá-la. É precisamente isto que ensina Paulo: Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos…Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Cristo à Igreja; porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos (Efésios 5,28-30).

7) Devemos amar a nossa esposa também porque Deus estabeleceu uma lei a esse respeito quando disse: Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão os dois numa carne (Génesis 2,24; Efésios 5,31).

8) Assim como o noivo deixa a casa de seu pai e junta-se à noiva, assim também Cristo deixou o trono de Seu Pai e juntou-se à Sua noiva.

9) De maneira geral, a vida é composta de duas esferas de actividade: a pública e a privada. Quando Deus a dividiu assim, Ele designou a administração da vida doméstica à mulher, mas ao homem designou todas as tarefas relativas à cidade, às questões comerciais, judiciais, políticas, militares e assim por diante. [...] De facto, o que quer que o marido pense sobre questões domésticas, a esposa o saberá melhor que ele. Ela é incapaz de administrar as questões públicas competentemente, mas ela é capaz de cuidar bem dos filhos, que é o maior dos tesouros. [...] Se Deus tivesse dotado o homem para administrar ambas as esferas de actividade, teria sido fácil aos homens dispensar o género feminino. [...] 

10) Assim sendo, eis o que tu deves buscar em uma esposa: virtude de alma e nobreza de caráter, para que desfrutes de tranquilidade, para que luxuries em harmonia e amor duradouro.

11) O homem que se casa com uma mulher rica casa-se com um chefe, e não com uma esposa. Porém, o homem que se casa com uma esposa em iguais condições ou mais pobre se casa com uma ajudante e aliada, trazendo inúmeras bênçãos para dentro de casa. A sua pobreza força-a a cuidar do seu marido com muito cuidado, obedecendo-lhe em tudo. [...] Portanto, o dinheiro é inútil quando se trata de encontrar um parceiro de boa alma.

12) Assim sendo, deixemos de lado as riquezas da esposa, mas examinenos o seu caráter e a sua piedade e recato. A esposa recatada, gentil e moderada, mesmo que seja pobre, irá transformar a pobreza em algo muito melhor do que a riqueza.

13) Antes de mais nada, tu deves aprender qual o propósito do casamento, e por que ele foi introduzido em nossas vidas. Não te perguntes mais nada. Qual seria, então, o objectivo do casamento, e por que Deus o criou? Ouve o que Paulo diz: Mas, por causa da tentação à imoralidade, cada um tenha a sua própria mulher (I Coríntios 7,2). [...] Portanto, não despreza o maior nem busca o menor. A riqueza é muitíssimo inferior ao recato. É somente por este motivo que devemos buscar uma esposa: para evitarmos o pecado, para nos libertarmos de toda imoralidade.

14) A beleza do corpo, se não estiver aliada à virtude da alma, será capaz de atrair o marido somente por uns vinte ou trinta dias, mas não conseguirá ir além disto antes que a perversidade da esposa destrua toda sua atractividade. Quanto àquelas que irradiam beleza de alma, quanto mais o tempo passa e sua nobreza se evidencia, tanto mais aquecido será o amor do marido e tanto mais ele sentirá afeição por ela.

15) É por meio do recato que o marido conseguirá atrair à sua família a boa vontade e a protecção de Deus. É assim que os homens de bem dos velhos tempos se casavam: buscando nobreza de alma em vez de riqueza monetária.

16) Quando te decidires por uma esposa, não corras atrás de ajuda humana. Volta-te para Deus, pois Ele não se envergonhará de ser vosso casamenteiro. Foi Ele mesmo quem prometeu: Buscai primeiro o Reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mateus 6,33). Não te perguntes: “Como posso ver a Deus? Afinal, Ele não falará nem conversará comigo de maneira explícita, e portanto não conseguirei Lhe fazer perguntas”. Estas são palavras de uma alma de pouca fé. Deus pode facilmente organizar tudo da maneira que Ele quiser, sem o uso da voz.

17) A castidade é algo maravilhoso, mas é mais maravilhoso ainda quando está aliada à beleza física. As Escrituras falam-nos sobre José e a sua castidade, mas antes mencionam a beleza de seu corpo: José era formoso de porte, e de semblante (Génesis 39,6). Em seguida, as Escrituras versam sobre sua castidade, deixando claro, assim, que a beleza não levou José à licenciosidade. Pois nem sempre a beleza causa imoralidade ou a feiura causa recato. Muitas mulheres que resplandecem em beleza física resplandecem ainda mais em recato. Outras que são feias em aparência são ainda mais feias de alma, manchada por inúmeras imoralidades. Não é a natureza do corpo mas a inclinação da alma que produz recato ou imoralidade.

Trechos da homilia: 'Como escolher uma esposa' de São João Crisóstomo (347-407 d.C.)


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Cristo deu a Sua vida por ti e tu continuas a detestar aquele que é um servo como tu?

São João Crisóstomo (c. 345-407) foi Arcebispo de Constantinopla (hoje Istambul). Χρυσόστομος, em grego, significa 'boca d'ouro'. São João ganhou este epíteto devido aos seus magníficos ensinamentos e dotes de retórica. Vale a pena ler esta sua homilia sobre a nossa obrigação de perdoar quem nos ofendeu: 

Cristo deu a Sua vida por ti e tu continuas a detestar aquele que é um servo como tu? Como podes avançar em direcção à mesa da paz? O teu Mestre não hesitou em suportar por ti todos os sofrimentos, e tu recusas-te a renunciar sequer à tua cólera? «Aquele ofendeu-me com gravidade, dizes tu, foi tantas vezes injusto para comigo, chegou mesmo a ameaçar-me de morte!» O que é isto? Ele ainda não te crucificou, como os inimigos do Senhor O crucificaram.

Se não perdoas as ofensas do teu próximo, o teu Pai que está nos céus também não te perdoará as tuas faltas (Mt 6, 15). O que te diz a tua consciência quando pronuncias estas palavras: «Pai Nosso, que estás nos Céus, santificado seja o Vosso nome» e o que se segue? Cristo não fez diferenças: Ele derramou o Seu sangue por aqueles que derramaram o Dele. Serias capaz de fazer algo semelhante? Quando te recusas a perdoar ao teu inimigo, é a ti que causas mal, não a ele ; o que tu preparas é o teu próprio castigo no dia do julgamento.

Escuta o que diz o Senhor: «Quando fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e depois volta para apresentar a tua oferta». Porque o Filho do homem veio ao mundo para reconciliar a humanidade com o Pai. Como diz São Paulo: «Agora Deus reconciliou consigo todas as coisas» (Col 1, 22); «pela cruz, levando em Si próprio a morte à inimizade» (Ef 2, 16).

São João Crisóstomo in 'Homilia sobre a traição de Judas'


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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Ratzinger explica que criticar os pronunciamentos do Papa é possível e por vezes necessário

Em 1969, o futuro Papa Bento XVI, então Pe. Joseph Ratzinger, escreveu que criticar as declarações papais era não só possível mas até necessário, sempre que o Papa pudesse desviar-se do depósito da fé e da tradição apostólica. O Papa Bento XVI incluiu estas observações na antologia dos seus escritos, 'Fede, ragione, verità e amore' de 2009:

«Devemos evitar especialmente a impressão de que o Papa (ou o ofício em geral) só pode reunir e expressar, de tempos em tempos, a média estatística da fé viva, para a qual não é possível uma decisão contrária a esses valores estatísticos médios (os quais, para além do mais, são problemáticos em sua verificabilidade).

A fé baseia-se nos dados objectivos da Escritura e do dogma, que nos tempos obscuros também podem desaparecer assustadoramente da consciência da maior parte do cristianismo (em termos estatísticos), sem perder de qualquer forma, contudo, o seu carácter obrigatório e vinculativo.

Neste caso, a palavra do Papa pode e deve certamente ir contra as estatísticas e contra o poder de uma opinião que pretende fortemente ser a única válida; e isso deve ser feito de forma tão decisiva quanto o testemunho da tradição é claro (como no caso apresentado). Pelo contrário, a crítica dos pronunciamentos papais será possível e até necessária quando carecem de fundamentação na Escritura e no Credo, isto é, na fé de toda a Igreja.

Quando não se tem o consenso de toda a Igreja, nem existem evidências claras das fontes, não é possível uma decisão vinculativa e definitiva. Se tal acontecesse formalmente, faltariam as condições para tal ato e, portanto, teria de ser levantada a questão quanto à sua legitimidade.» 

Das neue Volk Gottes: Entwürfe zur Ekklesiologie, (Düsseldorf: Patmos, 1972) p. 144. Fede, ragione, verità e amore, (Lindau 2009), p. 400.

Como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e mais tarde como o Papa Bento XVI, Ratzinger continuou as suas reflexões sobre os limites do poder do Pontífice Romano para contrariar a imutável doutrina.

Cardeal Joseph Ratzinger, 1998:

«O Romano Pontífice está como todos os fiéis submetido à Palavra de Deus, à fé católica e é garante da obediência da Igreja e, neste sentido, servus servorum. Ele não decide segundo o próprio arbítrio, mas dá voz à vontade do Senhor, que fala ao homem na Escritura vivida e interpretada pela Tradição; noutros termos, a episkopè do Primado tem os limites que procedem da lei divina e da inviolável constituição divina da Igreja, contida na Revelação. O Sucessor de Pedro é a rocha que, contra a arbitrariedade e o conformismo, garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus: daí resulta também o carácter martirológico do seu Primado.»

Papa Bento XVI, 2005:

«O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.»

Andrew Guernsey in 'Rorate Caeli' 
(Tradução: odogmadafe.wordpress.com)


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Reforma Católica vs Reforma Protestante

Não podemos combater a heresia criando novas heresias. Por exemplo, de muitos modos a heresia monofisita (i.e. "Cristo tem uma natureza") foi uma reacção exagerada à heresia nestoriana (i.e. "Cristo são duas pessoas"). A Igreja Católica sempre procurou indicar a verdade e não a mera destruição do erro. A refutação do erro passa demasiadas vezes para outro erro pior.

Do mesmo modo, Lutero e Calvino procuraram acabar com as confusões relacionadas com a graça e o mérito (i.e. o defeituoso nominalismo iniciado por William de Ockham) criando uma visão alternativa da graça e do mérito (que ironicamente abraçava o nominalismo de Ockham e reembalava-o). A solução de Lutero era de facto herética. Um pequeno arranjo é várias vezes defeituoso. A fita cola consegue "resolver" quase tudo - mas acaba por ceder a outros problemas.

Os passos da história da Igreja estão cheios de reformadores Católicos: Paulo, Atanásio, João Crisóstomo, Máximo, João Damasceno, Papa Gregório VII, Francisco, Domingos, Catarina de Sena, Inácio, Teresa de Ávila, etc. Cada um destes reformadores Católicos manteve a unidade da Igreja de Cristo, submetia-se à liderança da Igreja e trazia a sua renovação com paciência. Em muitos casos, cada um experimentou perseguição activa de outros cristãos e caíram mesmo sob suspeita de heresia. No entanto, a sua humildade e silêncio eventualmente reforçaram a sua causa como advogados da verdade evangélica da doutrina da Igreja.

São Francisco de Assis é talvez um dos melhores exemplos de paciência nisto das reformas. Quando S. Francisco foi a Roma procurar reconhecimento do Papa, o Papa dispensou-o impacientemente e disse-lhe para ir "deitar-se com os porcos."

Um bocado depois, Francisco regressou sujo com fezes de porco com cheiro até aos altos céus. Quando o Papa se opôs, Francisco respondeu, "Eu obedeci às suas palavras e fiz simplesmente como disse. Deitei-me com os porcos." De repente o Papa percebeu que este era um homem santo que estava disposto a obedecer mesmo na face de humilhação. O Papa ouviu a visão de Francisco para a reforma e o resto é história.

Quando foi rejeitado pelo Papa, São Francisco podia ter recorrido à Sagrada Escritura, mostrando que o seu modo de vida era pobre e humilde como o de Cristo. Ele até podia ter contrastado a sua "vida bíblica" contra a extravagância da corte Papal. Francisco até podia ter repreendido com razão os abades, bispos e cardeais por lhes faltar o testemunho evangélico. Em vez disso, Francisco seguiu o caminho de Cristo. Permitiu-se a si mesmo ser incompreendido e caluniado, sabendo que Deus traria ao de cima a sua justificação... e Deus traz sempre.

Comparem São Francisco com Martinho Lutero. Lutero não visitou Roma para confirmar a sua causa, nem respeitou as estruturas da Igreja. De facto, o Cardeal Cajetan encontrou-se em privado com Lutero e explicou-lhe como podia modificar a sua mensagem de modo a que o próprio Cardeal conseguisse tê-la aprovada pela Cúria Romana. Se Lutero tivesse sido mais calmo e caridoso, podia ter-se tornado "São" Martinho Lutero.

Infelizmente, Lutero foi inflexível e obstinado. Não ia tentar o compromisso. Se o Papa não concordava com ele, então iria rejeitar o papado. Ponto. Lutero não tolerava nenhuma autoridade que não o suportasse imediatamente e sem o questionar. Consequentemente, quando a bula papal chegou, Lutero queimou-a publicamente e começou a amaldiçoar o Papa como o Anticristo.

Reparem na diferença entre Francisco e Lutero. O primeiro moveu-se com mansidão e humildade. O último agiu independentemente e de modo rude. Consequentemente, a história do Protestantismo é marcada por divisões rudes e precipitadas - existem agora 36 mil denominações protestantes.

Como escreveu o Apóstolo Tiago: "a ira do homem não produz a justiça de Deus" (Tiago 1, 20). A História mostra que Deus não usa "grandes cérebros" para guiar a Sua Igreja para a justiça. Deus escolhe aqueles que são pequenos, mansos e humildes - deles é o Reino dos Céus. Eis onde jaz o mistério da Reforma Católica.

Taylor Marshall


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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Dia da Conversão do grande São Paulo

Saulo, cidadão romano por privilégio da sua cidade natal, Tarso, era um judeu convicto, formado na escola de Gamaliel, em Jerusalém. Opôs-se decididamente à nova fé que começava a propagar-se na Palestina e arredores. Clamou pela morte de Estêvão, e tomou parte nela, guardando as capas dos que apedrejavam o protomártir. Perseguiu violentamente os crentes em Jesus Cristo. O seu nome causava terror nas comunidades cristãs. Ao dirigir-se para Damasco para prender os cristãos que lá encontrasse e conduzi-los a Jerusalém, encontrou Jesus ressuscitado. 

Esse encontro mudou-lhe para sempre a vida, com a sua forma de crer e de pensar. Jesus ressuscitado, que ele perseguia, tornou-se o centro da sua espiritualidade e da sua teologia. Em Antioquia, Saulo faz a sua primeira experiência de vida cristã. Tornado apóstolo do Evangelho, com o nome de Paulo, Antioquia será também o ponto de partida para as suas viagens missionárias. Funda diversas comunidades na Ásia e na Europa. Escreve-lhes cartas que testemunham o seu amor a Jesus Cristo e à Igreja, e nos dão elementos importantes da sua teologia. Como apóstolo verdadeiro e autêntico, Paulo tem sempre o cuidado de voltar a Jerusalém para se confrontar com os outros apóstolos e não correr em vão.

Há muitos séculos que a festa da conversão de S. Paulo foi fixada no dia 25 de Janeiro, talvez por causa da data da transladação do seu corpo, que atualmente repousa na Basílica de S. Paulo Fora dos Muros, em Roma.

Meditatio

Em S. Paulo revela-se verdadeiramente o poder de Deus. Inimigo acérrimo do nome de Cristo, Saulo encontra-se com o Senhor no caminho de Damasco, acolhe-o na fé e torna-se seu Apóstolo entusiasta, com uma fecundidade extraordinária, que ainda não terminou. O seu itinerário de fé é símbolo do nosso.

Acreditar implica, antes de mais, encontrar pessoalmente Jesus de Nazaré, Deus feito homem. O cristão não se acredita numa doutrina, num sistema, mas numa pessoa, a pessoa humano-divina de Jesus. Ter fé é aderir vitalmente a Jesus, de tal modo que já não se pode viver sem Ele.

Realizado o encontro, passa-se ao diálogo, uma vez que a fé é encontro e adesão entre pessoas inteligentes e livres. A quem se dispõe ao diálogo, Deus revela a Si mesmo, revela a sua vontade e os seus projetos. Este diálogo vital leva aqueles que o realizam a uma forma de vida cada vez mais elevada.

Mas a fé cristã também é obediência, submissão, abandono total da criatura ao Criador. Obedecer não significa abdicar da própria liberdade ou dos próprios direitos. Significa, sim, perceber a imensa distância que existe entre si o interlocutor e, ao mesmo tempo, intuir que a adesão à vontade divina leva à total satisfação e realização de si mesmo.

Finalmente, a fé cristã é também missão. Não se pode privatizar um bem que, por sua natureza, é comunitário. Quem recebeu de Cristo o dom da salvação em Cristo, sente-se intimamente obrigado a fazer dele um dom para os outros.

O Apóstolo Paulo é nosso guia em tempos de aprofundamento espiritual e de renovação apostólica. Como ele, o apóstolo dos tempos novos deve procurar, em primeiro lugar, a inteligência do Mistério de Cristo num apego inquebrantável ao seu Amor (cf. Ef 3, 4; Rm 8, 35; Fl 3, 8-10). É apóstolo, em primeiro lugar, pelo testemunho da visão de Cristo (At 26, 1) e tornando-se no Espírito imagem viva do Salvador morto e ressuscitado. É a caridade do Senhor que vive nele e que o impele em direção aos homens para lhes anunciar o Evangelho de Deus, o Evangelho que todos podem ler na sua vida e nos seus escritos. Ensina-nos o serviço ardente e inteligente em favor do Reino. Vivendo de Cristo, a ponto de ser identificado com Ele pela graça (Gl 2, 20), lembra-nos que o serviço apostólico enraíza numa verdadeira consagração a Deus e dá à nossa oblação capacidade para se manifestar e aprofundar no trabalho generoso para que a humanidade se torne «uma oblação agradável santificada pelo Espírito Santo (XV Capítulo Geral, DOC VII, n. 167).

Oratio

Apóstolo S. Paulo, na tua juventude, deixaste-te levar por um zelo ardente mas errado em favor da unidade do povo de Deus. Por isso, perseguiste duramente os cristãos. Deus converteu-te e introduziu-te na Igreja, Corpo de Cristo, onde deve integrar-se quem quiser viver na verdadeira fé. Mas a tua adesão a Cristo e a tua integração na Igreja não te fizerem esquecer o teu povo, pelo qual sentias uma dor profunda e permanente. Que a minha alegria de estar em Cristo não me faça esquecer a situação do antigo Povo de Deus, nem a dos cristãos divididos, que tardam em chegar à unidade que Deus quer. Ámen.

Contemplatio

S. Paulo recolhe-se alguns dias, depois começa a pregar a divindade de Jesus Cristo. Será um dos mais poderosos apóstolos pela palavra e pelo sofrimento. «Escolhi-o, dizia Nosso Senhor, para levar o meu nome diante das nações e dos reis e dos filhos de Israel, e hei de mostrar-lhe quanto terá de sofrer pelo meu nome». A sua conversão e a sua vocação são devidas à misericórdia do Coração de Jesus. O Coração de Jesus ama as almas ardentes, zelosas, dedicadas. Mas a oração de Santo Estêvão contribuiu para estas grandes graças. Santo Estêvão rezava pelos seus perseguidores, entre os quais S. Paulo era o mais ardente. Se soubermos rezar e sofrer pelas almas, obteremos grandes graças, ilustres conversões, vocações poderosas. Ofereçamos as nossas orações, as nossas cruzes, os nossos sofrimentos ao Coração de Jesus para que envie à sua Igreja, nestes tempos difíceis, apóstolos poderosos em palavras e em obras (L. Dehon, OSP 3, p. 90s.).

Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a palavra: “Que hei de fazer, Senhor?” (At 22, 10).  

in dehonianos.org


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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Afinal não foram assassinadas crianças em escolas Católicas no Canadá

No Verão de 2021, os jornalistas, ao serviço dos oligarcas, noticiaram o escândalo das crianças “desaparecidas”, “assassinadas” e “enterradas secretamente” em escolas católicas no Canadá.

Isso levou a ataques incendiários contra igrejas católicas no país. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, endossou as notícias falsas. O Canadá pôs a meia-haste as bandeiras em todos os prédios do Governo. A Amnistia Internacional, que defende o assassinato de crianças através do aborto, exigiu processar os responsáveis ​​pelos “restos mortais” que foram “encontrados” em Kamloops. O Papa Francisco expressou a sua dor pela “chocante descoberta no Canadá dos restos mortais de 215 crianças” em Kamloops.

Sete meses depois, o historiador Jacques Rouillard desmantelou a teia de mentiras. Escrevendo um texto no DorchesterReview.ca - no dia 11 de Janeiro - demonstrou que “nenhum corpo” foi encontrado fora de um cemitério normal na Kamloops Indian Residential School.

A campanha de mentiras começou com resultados de radares subterrâneos que foram interpretados como "cadáveres", embora fossem raízes de árvores, metal e pedras. Os cemitérios foram chamados “valas comuns”.

Rouillard descobriu que 51 crianças morreram na escola residencial de Kamloops entre 1915 a 1964. Para 35 delas existem ainda hoje documentos que comprovam que morreram de doença ou em acidentes.

in gloria.tv


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