sexta-feira, 8 de abril de 2022

As 7 promessas de Nossa Senhora das Dores

Esta Sexta-Feira antes da Semana Santa é tradicionalmente dedicada a Nossa Senhora das Dores. Nossa Senhora prometeu a Santa Brígida conceder Sete Graças a quem rezar, todos os dias, Sete Avé Marias em honra das suas Dores e Lágrimas:

1) Porei a paz nas suas Famílias.
2) Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.
3) Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei nas suas aflições.
4) Conceder-lhes-ei tudo o que me peçam contanto que não se oponha à vontade adorável do Meu Divino Filho e à santificação das suas almas.
5) Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
6) Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto da Sua Mãe Santíssima. 
6) Obtive do Meu Filho que, os que propaguem esta devoção (às minhas lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, directamente, pois ser-lhes-ão apagados todos os seus pecados e o Meu Filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria.

Oração das 7 Avé Marias

1ª Dor
Pela dor que sofrestes ao ouvir a profecia de Simeão, de que uma espada trespassaria o vosso Coração, Mãe de Deus, ouvi a nossa prece.
Ave Maria...

2ª Dor
Pela dor que sofrestes quando fugistes para o Egipto, apertando ao peito virginal o Menino Jesus, para salvar das fúrias do ímpio Herodes, Virgem Imaculada, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

3ª Dor
Pela dor que sofrestes quando da perda do Menino Jesus por três dias, Santíssima Senhora, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

4ª Dor
Pela dor que sofrestes quando viste o querido Jesus com a Cruz ao ombro, a caminho do calvário, virgem Mãe das Dores, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

5ª Dor
Pela dor que sofrestes quando assististes à morte de Jesus, crucificado entre dois ladrões, Mãe da Divina graça, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

6ª Dor
Pela dor que sofrestes quando recebestes nos vossos braços o corpo inanimado de Jesus, descido da Cruz, Mãe dos Pecadores, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

7ª Dor
Pela dor que sofrestes quando o Corpo de Jesus foi depositado no sepulcro, ficando vós, na mais triste solidão, Senhora de todos os povos, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...


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quinta-feira, 7 de abril de 2022

Clericalização de leigos e pecados não pregados

De há, talvez, umas décadas a esta parte tem-se verificado, pelo menos nas Dioceses em que estive, uma clara clericalização dos leigos. Muitos, para os considerar empenhados na Igreja, cuidam que teem de assumir tarefas nas paróquias. Esta mentalidade, infelizmente, tem ocupado de uma maneira exagerada os fiéis leigos, chegando ao ponto de desviá-los da missão fundamental a que Deus os chama, a saber, ser fermento no mundo, na família, no trabalho, na vida social, cultural e política, ou seja, em todos os âmbitos da vida temporal. 

Para isso é da maior importância ter uma formação séria e adequada na Doutrina Social da Igreja, tal como é exposta, no compêndio da Doutrina Social da Igreja e na Encíclica O Evangelho da vida.
 
Acresce que há lacunas verdadeiramente graves na formação dos fiéis. De facto, de nada adianta pregar que os fiéis não deverão receber a Sagrada Comunhão em pecado grave, se eles ignoram quais são. Como poderão, aliás, fazer uma boa Confissão Sacramental, se ignoram aquilo que, por amor e justiça verdadeira, lhes devia ter sido ensinado?
 
Há, evidentemente, muitos casos em que poderia exemplificar o que digo; peço licença para vos apresentar somente um que se passou há mais de vinte anos. Sucedeu que um fidelíssimo fiel leigo, membro de há várias décadas de uma eminente associação católica, perguntou-me, aquando de uma consulta popular, se era pecado (grave ou mortal) votar a favor da legalização/liberalização do aborto provocado. Respondi-lhe de imediato que se alguém votasse assim tornar-se-ia moralmente responsável por todos os abortos provocados realizados ao abrigo dessa “lei”. 

Espantou-me, no entanto, a ignorância crassa em matéria de tanta importância. Que importa advertir do púlpito que ninguém deverá comungar se estiver objectivamente em pecado grave, ou mortal, se ninguém sabe ao certo quais eles são?
 
Importa muito pregar sobre os Mandamentos, as virtudes naturais, e as Teologais, bem como os Dons do Espírito Santo. É absolutamente incompreensível essa ausência nas homilias, em particular em relação à virtude da Castidade. De facto, provavelmente, como nos tempos da pastorinha Sta. Jacinta - assim lho revelou Nossa Senhora -, os pecados contra esta virtude serão os que mais almas levam ao Inferno.

Padre Nuno Serras Pereira


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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Arrependamo-nos, convertamo-nos

"Arrependamo-nos; convertamo-nos da ignorância ao verdadeiro conhecimento, da loucura à sabedoria, da injustiça à justiça, da impiedade a Deus."

S. Clemente de Alexandria in 'Protréptico', cap. 10


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Levanto-me neste dia que amanhece

Levanto-me, neste dia que amanhece,

Por uma grande força, a invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da unidade
Do Criador da criação.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do nascimento de Cristo e do Seu baptismo,
Pela força da Sua crucificação e sepultamento,
Pela força da Sua ressurreição e ascensão,
Pela força da Sua descida para o julgamento dos mortos.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do amor dos Querubins,
Em obediência aos Anjos,
A serviço dos Arcanjos,
Pela esperança da ressurreição e do prémio,
Pelas orações dos Patriarcas,
Pelas previsões dos Profetas,
Pela pregação dos Apóstolos
Pela fé dos Confessores,
Pela inocência das Virgens santas,
Pelos actos dos Bem-aventurados.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do céu:
Luz do sol,
Clarão da lua,
Esplendor do fogo,
Pressa do relâmpago,
Presteza do vento,
Profundeza dos mares,
Firmeza da terra,
Solidez da rocha.

Levanto-me, neste dia que amanhece:
Que a força de Deus me dirija,
Que o poder de Deus me ampare,
Que a sabedoria de Deus me guie,
Que o olhar de Deus me vigie,
Que o ouvido de Deus me ouça,
Que a palavra de Deus me faça eloquente,
Que a mão de Deus me guarde,
Que o caminho de Deus me esteja à frente,
Que o escudo de Deus me proteja,
Que o exército de Deus me defenda
Das armadilhas do demónio,
Das tentações do vício,
De todos os que me desejam mal,
Longe e perto de mim,
Agindo só ou em grupo.

Conclamo, hoje, essas forças a protegerem-me do mal,
Contra qualquer força cruel que me ameace o corpo e alma,
Contra a encantação de falsos profetas,
Contra as leis negras do paganismo,
Contra as leis falsas dos hereges,
Contra a arte da idolatria,
Contra feitiços de bruxas e magos,
Contra saberes que corrompem o corpo e a alma.

Cristo guarda-me hoje:
Contra o veneno, contra o fogo,
Contra o afogamento, contra o ferimento,
Para que eu possa receber e desfrutar a recompensa.

Cristo comigo,
Cristo à minha frente,
Cristo atrás de mim,
Cristo em mim,
Cristo em baixo de mim,
Cristo acima de mim,
Cristo à minha direita,
Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar,
Cristo ao me sentar,
Cristo ao me levantar,

Cristo no coração de todos a quem eu falar,
Cristo na boca de todos os que me falarem,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da Unidade,
Pelo Criador da Criação.


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terça-feira, 5 de abril de 2022

Ontem como hoje: Clero traidor

Não temo aos perseguidores da religião, não temo aos ímpios, maçons e ateus. O que temo é a ausência de Fé na maior parte do Clero de França. Trata-se da infidelidade à sua vocação, à sua sublime Missão...

Que faz o Clero de nossos dias para lutar contra as torrentes de males que nos rodeiam, que parte assume na guerra que se faz contra Cristo? Nada. Teme com um temor servil e sua preocupação é cuidar de seus bens materiais, salvaguardar sua honra, seus cargos, seus bens.

O Clero acolheu o Segredo [de La Salette] com soberba; pois este Segredo descobre as chagas que tratam de cobrir com o véu da devoção, toda fingida, toda superficial, enquanto o Segredo levantou uma ponta do véu; então o clero grita como outrora o sumo sacerdote: blasfemou...

O Segredo apenas propõe a observância da Lei de Deus, somente lamenta pela inobservância desta mesma Lei... Por outro lado, por acaso não sabemos que Nosso Senhor foi condenado, foi crucificado pelos Sacerdotes? E hoje em dia de novo, sim, sim são os sacerdotes a causa de nossos males, porque eles não são fiéis à sua vocação.

Mélanie Calvat (vidente de La Salette) in 'Carta ao Pe. Le Baillif' (10/07/1882)


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domingo, 3 de abril de 2022

sábado, 2 de abril de 2022

Uma Missa jamais proibida

A eleição de João Paulo II em 1978 marcou um ponto de viragem na tentativa de tomar de novo as rédeas sobre o rumo que estava a tomar o pós-concílio, ainda que de modo extremamente tímido*. A 18 de Novembro de 1978, um mês depois de sua eleição, por iniciativa do Cardeal Siri, João Paulo II recebia o arcebispo Lefebvre na presença do Cardeal Seper.

1981: O Cardeal Ratzinger toma em mãos a questão litúrgica

A mudança que se seguiu deveu-se em grande parte ao facto de João Paulo II ter chamado a Roma, em 1981, o Arcebispo de Munique, o Cardeal Ratzinger, para lhe confiar aquele que era o cargo de confiança por excelência nesses tempos de grande confusão doutrinal: o de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O Relatório sobre a Fé, que o cardeal publicou em 1985, expôs o seu pensamento no campo teológico e disciplinar, resumido pela palavra "restauração", que devia ser entendida - explicou-o claramente - num quadro conciliar e não com um propósito de “involutivo”. Em todo o caso, pelo menos não expressamente involutivo.

Já nas questões litúrgicas, existia claramente na mente do cardeal uma perspectiva de retorno a um estado anterior. Importa não esquecer que Joseph Ratzinger, ex-perito do Cardeal Frings, Arcebispo de Colónia, uma das figuras proeminentes da maioria conciliar, havia lançado o seu primeiro sinal de alarme em matéria litúrgica numa conferência em Münster, em 1966, onde era então professor, seguindo-se depois outro, nesse mesmo ano, em Bamberg, no Katholikentag (o encontro de católicos alemães organizado a cada dois anos). Atacou o “novo ritualismo” dos especialistas litúrgicos, que haviam substituído os velhos costumes pela fabricação de “formas” e “estruturas” suspeitas, entre as quais, a obrigatoriedade do “virado-para-o-povo”, por exemplo. 

Pela primeira vez na sua vida, o ex-especialista do grupo maioritário do Vaticano II via-se descrito como “conservador” (pelo Cardeal Döpfner). Nomeado professor da Escola Católica da Universidade de Tübingen no final de 1966, assistiu aí ao Maio de 68 à maneira alemã, ou seja, a marxização de uma universidade (Ernst Bloch era então a figura dominante no corpo docente), na qual a Escola Católica passara a seguir em grande parte a teologia da desmitologização de Bultmann.

Em 1969, aceitou o cargo de professor de teologia dogmática e história dos dogmas em Ratisbona, ao mesmo tempo que era nomeado membro da Comissão Teológica Internacional. Foi também em Ratisbona que se veio a tornar amigo do historiador da liturgia Klaus Gamber, que permanecera fiel à missa tradicional. Ali, nas margens do Danúbio, esperava-o um novo choque após o da primeira etapa da reforma e da revolução de 68: o completar-se da reviravolta litúrgica. É certo que muitos aspectos dessa reforma lhe convinham, mas a sua radicalidade parecia-lhe insustentável, escorado como estava neste seu juízo reprovador pelas longas conversas das caminhadas diárias com o seu colega Gamber. “Destruímos o antigo edifício para construir outro”, viria a escrever mais tarde.

Foi nesse momento que se cristalizou o pensamento complexo de Joseph Ratzinger sobre as coisas litúrgicas, o de um centrista fundamentalmente conciliar, mas atento à voz tradicionalista dos seus amigos da universidade, o Professor Klaus Gamber, e mais tardo o Professor Robert Spæmann e o Professor Heinz-Lothar Barth. Foi também em Ratisbona que, em 1977, foi nomeado por Paulo VI, cada vez mais assustado com "a fumaça de Satanás no interior da Igreja", para uma das sedes mais importantes da Alemanha, a de Munique e Freising. João Paulo II viria depois a tirá-lo de lá para o pôr à cabeça da Congregação para a Doutrina da Fé, em 25 de Novembro de 1981.

1982: a ab-rogação do antigo missal posta em questão

Todos se tinham já apercebido da impossibilidade de reduzir a importância a contestação à reforma, tanto doutrinal como litúrgica, por parte de todo um sector da Igreja, cuja figura mais proeminente era a de Mons. Lefebvre, ex-arcebispo de Dacar. João XXIII e Paulo VI, "príncipes esclarecidos", haviam presidido ao processo que punha fim ao modelo tridentino na Igreja Romana. Mas eis que, de repente, o espartilho disciplinar tridentino já não constringia ninguém, mas também não constringia os defensores de Trento, os tradicionalistas.

Não é irrelevante ter noção de que o próprio Annibale Bugnini, exilado como núncio em Teerão, havia enviado uma carta em 1976 ao Cardeal Villot, Secretário de Estado de Paulo VI, na qual propunha que, permanecendo ressalvada a obrigação de princípio da Missa de Paulo VI, a Missa de São Pio V pudesse ser celebrada, sob certas condições e em igrejas específicas, para grupos com dificuldades com o novo Ordo Missæ.

Foi precisamente o que Joseph Ratzinger propôs, uma vez em Roma. Logo em 16 de Novembro de 1982, organizou uma reunião interdicasterial no Palácio do Santo Ofício sobre a questão litúrgica e a questão lefebvrista, na qual participaram: o Cardeal Sebastiano Baggio, Prefeito da Congregação dos Bispos; o Cardeal William W. Baum, Arcebispo de Washington; o Cardeal Agostino Casaroli, Secretário de Estado; o Cardeal Silvio Oddi, Prefeito da Congregação do Clero; o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; e Dom Giuseppe Casoria, Pró-Prefeito da Congregação para o Culto e os Sacramentos. Todos os participantes deste encontro afirmaram que, uma vez que «se podia duvidar da plena validade jurídica da ab-rogação do antigo missal», o «antigo» missal romano deveria ser «admitido pela Santa Sé em toda a Igreja para as missas celebradas em língua latina». Em 1982, ou seja, 25 anos antes do Summorum Pontificum!

1984: Quattuor abhinc annos

No entanto, foi preciso esperar até 1984 para que esta permissão ganhasse forma. Em 19 de abril de 1984, teve lugar uma nova reunião entre os Cardeais Casaroli, Ratzinger e Casoria.

Numa carta de 18 de março de 1984, o Cardeal Casaroli, Secretário de Estado, pedia ao Cardeal Casoria, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, que preparasse um decreto nesse sentido, invocando como precedente a permissão concedida por Paulo VI para a Inglaterra e o País de Gales em 1971, precisando que «uma proibição absoluta [do missal anterior] não [poderia] ser justificada nem do ponto de vista teológico nem do ponto de vista litúrgico». Isto veio a resultar na carta circular Quattuor abhinc annos, da Congregação para o Culto Divino, de 3 de outubro de 1984, que concedia aos bispos diocesanos a faculdade de usar um indulto pelo qual os fiéis que o solicitassem pudessem beneficiar da missa celebrada segundo missal romano na sua edição típica de 1962.

O Cardeal Stickler revelaria que o Cardeal Ratzinger organizou ainda uma outra reunião com nove cardeais em 1986, para de novo perguntar se, na sua opinião, a missa tridentina havia sido ou não sido juridicamente ab-rogada: 8 em 9 consideraram que não, mas todos convieram unanimemente em que não se podia impedir um sacerdote de a rezar. Em 1986, ou seja, 21 anos antes do Summorum Pontificum!

Quatro anos depois, após a consagração por Mons. Lefebvre, sem mandato apostólico, de quatro bispos, Monsenhores de Galarreta, Tissier de Mallerais, Williamson e Fellay, a 30 de junho de 1988, era publicado um novo texto: o motu proprio Ecclesia Dei adflicta, de 2 de julho de 1988, em que se determinava que os sacerdotes do rito tradicional podiam criar institutos votados à liturgia tradicional. Além disso, constituía-se aí uma Pontifícia Comissão, a Comissão “Ecclesia Dei”, da qual haviam de depender esses institutos, e que também ficaria encarregue de regular as autorizações dadas pelos bispos para usar o missal tridentino nas respectivas dioceses.

A partir desse ano de 1988, foi-se tornando relativamente grande o número de prelados que começaram a celebrar ocasionalmente o Missal Tridentino, e alguns entre eles logo surgiram como uma espécie de protectores desse modo de celebração. Assim, para falar apenas de cardeais da Cúria, podemos evocar os cardeais Oddi, Palazzini, Stickler, e depois, o próprio Cardela Ratzinger, e ainda os Cardeais Medina, Castrillón, e mais tarde, os Cardeais Burke, Rodé, Ranjith, Cañizares, Cordes, Sarah. É de sublinhar muito especialmente que três deles, Medina, Cañizares e Sarah, foram prefeitos da Congregação para o Culto Divino.

***

Seria ainda necessário esperar dezanove anos para se chegar à promulgação do motu proprio Summorum Pontificum de 7 de Julho de 2007. Sob a pressão duma contestação que não podia ser travada, e que agora já se estendia ao mais alto nível, passo a passo, o legislador acabava por reconhecer que se devia interpretar as prescrições do Missale Romanum de 1969 como não obrigatórias.

* Inspirámo-nos aqui no livro do Padre Claude Barthe, La messe de Vatican II. Dossier historique, Via Romana, 2018, e nas observações que dele decorrem.



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sexta-feira, 1 de abril de 2022

Imagens dos êxtases da Beata Alexandrina

Alexandrina de Balasar, apesar de ser tetraplégica, sofria a Paixão de Cristo às Sextas-Feiras às 3 da tarde. Ficam aqui algumas imagens desses fenómenos sobrenaturais e também das peregrinações à sua terra, Balasar, no Norte de Portugal.  



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quinta-feira, 31 de março de 2022

Exame de consciência Beneditino

 
Em geral

- Deixei de amar o Senhor Deus com todo o meu coração, toda a minha alma e todas as minhas forças, e ao meu próximo como a mim mesmo? Em caso afirmativo, de que maneiras específicas?
- Matei, cometi adultério, roubei, cobicei ou dei falso testemunho por acções ou pensamentos?
- Pequei contra a honra de alguém?
- Fiz a outro o que não teria feito a mim?
- Preferi alguma coisa, grande ou pequena, ao amor de Cristo?

Abnegação

- Tenho sido auto-indulgente em vez de negar a mim mesmo para seguir a Cristo?
- Mimei o meu corpo ou busquei uma vida delicada, em vez de castigá-lo?
- Negligenciei o jejum ou a abstinência?
- Exagerei no vinho ou outras bebidas alcóolicas, ou cheguei à gula?
- Tenho estado sonolento ou preguiçoso?
- Mergulhei nos assuntos mundanos em vez de me manter distante deles?
- Realizei os desejos da carne em vez de odiar a minha própria vontade?
- Pequei contra a castidade, modéstia ou pureza?
Caridade para com o próximo
- Deixei, quando era possível, de socorrer os pobres, vestir os nus, visitar os doentes, enterrar os mortos, ajudar nas aflições ou consolar os aflitos?
- Satisfiz a raiva ou nutri por alguém um desejo de vingança?
- Cultivei a astúcia no meu coração ou fiz alguma paz fingida?
- Deixei de dizer a verdade no coração e na boca?
- Retribuí o mal com o mal ou fiz mal a alguém?
- Senti ou demonstrei impaciência quando injustiçado?
- Odiei os meus inimigos ou qualquer homem?
- Deixei de rezar pelos meus inimigos no amor de Cristo?
- Evitei fazer as pazes com alguém?
- Fugi da perseguição por causa da justiça?
- Amaldiçoei em vez de benzer?
- Tenho sido culpado de murmuração ou depreciação?
- Tenho evitado falar muito, palavras vãs e risos desnecessários ou excessivos?
- Disse palavras más e perversas?
- Fui ciumento ou dei lugar à inveja?
- Procurei o conflito?
- Cedi à vaidade?
- Tenho sido orgulhoso?
- Deixei de reverenciar os mais velhos em Cristo?
- Não amei aqueles que são meus irmãos, dependentes ou alunos?
- De alguma ou outra forma abandonei a caridade?

Procurar primeiro o Reino de Deus

- Negligenciei a minha oração e confissão de pecados passados?
- Vacilei ao colocar minha esperança em Deus?
- Atribuí, subtil ou abertamente, o bem que vejo em mim a mim mesmo e não a Deus?
- Fugi de reconhecer o mal que fiz ou tentei culpar outra pessoa?
- Demorei a tomar as medidas necessárias para corrigir os meus pecados, negligências e falhas?
- Fui negligente ao acabar com maus pensamentos no instante em que entraram no meu coração?
- Tenho sido negligente em aplicar-me à oração frequente ou à lectio divina?
- Deixei de ter a morte diariamente diante de meus olhos, com medo do Dia do Juízo e pavor do Inferno?
- Não tenho desejado a vida eterna com todo o desejo espiritual?
- Deixei de vigiar as acções da minha vida, tendo em mente que Deus me vê em todos os lugares?
- Não procurei o conselho do meu director espiritual quando deveria?
- Escondi dele os meus maus pensamentos?
- Tenho mostrado pouca obediência aos mandamentos daqueles que são colocados em autoridade sobre mim?
- Procurei uma reputação de santidade em vez da própria santidade?
- Tenho sido negligente em cumprir todos os dias os mandamentos de Deus?
- Já desesperei da misericórdia de Deus?

Peter Kwasniewski in Life Site News


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quarta-feira, 30 de março de 2022

Ajudar os outros em vez de os julgar

Ouvi alguns falarem mal do seu próximo e repreendi-os. Para se defenderem, esses operários do mal replicaram: «É por caridade e por solicitude que falamos assim!» Mas eu respondi-lhes: Deixai de praticar tal caridade, pois estaríeis a chamar mentiroso ao que diz: «Afasto de Mim quem denigre em segredo o seu próximo» (Sl 100,5). 

Se amas essa pessoa como afirmas, reza em segredo por ela e não te rias do que faz. É essa maneira de amar que agrada ao Senhor; não percas isto de vista e esforça-te cuidadosamente por não julgar os pecadores. Judas pertencia ao número dos apóstolos e o ladrão fazia parte dos malfeitores, mas que espantosa mudança se deu nele num só instante! 

Responde, pois, ao que diz mal do seu próximo: «Pára, irmão! Eu próprio caio todos os dias em faltas mais graves; como poderei condenar essa pessoa?» Obterás assim um duplo proveito: curar-te-ás a ti mesmo e curarás o teu próximo. Não julgar é um atalho que conduz ao perdão dos pecados, pois está dito: «Não julgueis e não sereis julgados.» 

Alguns cometeram grandes faltas à vista de todos mas realizaram em segredo os maiores actos de virtude, de tal maneira que os seus acusadores se enganaram, dando atenção ao fumo sem verem o sol. Os críticos diligentes e severos caem nessa ilusão porque não guardam a memória nem a preocupação dos seus próprios pecados. 

Julgar os outros é usurpar sem vergonha uma prerrogativa divina; condená-los é arruinar a nossa própria alma. Tal como um bom vindimador come as uvas maduras e não colhe as verdes, assim também um espírito benevolente e sensato anota cuidadosamente todas as virtudes que vê nos outros; mas o insensato perscruta as faltas e as deficiências.

São João Clímaco (c. 575-c. 650), monge do Monte Sinai in 'A Escada Santa' (10.º degrau) 


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terça-feira, 29 de março de 2022

segunda-feira, 28 de março de 2022

Santa Sé fecha Mosteiro porque as monjas não eram vacinadas

A Abadessa do Mosteiro Beneditino de Santa Catarina não obrigou as suas freiras a serem vacinadas contra a Covid. Portanto, o mosteiro será fechado. Madre Catarina explica o que se passou na inusitada visita apostólica que receberam em Fevereiro:

«O visitador, Cardeal Bassetti, encontrou tudo em ordem, excepto que não estávamos vacinadas. Eu sabia da visita do Bispo mas não sabia os motivos. O decreto denuncia o meu "comportamento inadequado": deveria ter forçado as minhas irmãs a fazer algo que elas não queriam fazer, correndo o risco de uma denúncia?»

O mosteiro de Santa Catarina d'Alexandria, em Perugia, será, portanto, fechado muito em breve. Tudo estava em perfeita ordem. A única falha foi a teimosia das freiras em não serem vacinadas e a recusa da Abadessa em forçá-las a fazê-lo. Isso foi confirmado pela própria superiora:

«A visita apostólica aconteceu em meados de Fevereiro, enviámos logo em seguida o que tínhamos a dizer agora aguardamos a resposta da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada”.

-Mas quem pediu a visita?
- Eles não me disseram. Soube pelo Cardeal Bassetti, Arcebispo de Perugia.

- Quando é que descobriu?

- Fui vê-lo para assinar um documento, mas ele disse-me que não podia assinar porque havia uma visita apostólica em andamento. Fiquei atordoada. "O que é que nós fizemos?", perguntei. 

- Todas as irmãs são idosas?
- Não, não somos todas idosas.

- Tiveram Covid nesses dois anos?
- Não, sempre tivemos uma saúde excelente .

in infoCatolica


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domingo, 27 de março de 2022

Estudo inédito mostra diferenças enormes entre Católicos que vão à Missa Tradicional e à Missa Nova

O autor deste estudo celebrou durante 20 anos tanto a Missa Nova, ou Novus Ordo (NOM), como a Missa Tradicional em Latim (TLM), e observou diferenças entre as pessoas que frequentam as duas Missas. Os católicos norte-americanos que frequentam a Missa Nova foram inquiridos ​​repetidamente em termos de crenças e práticas (Pew Research e Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado da Universidade de Georgetown [CARA]).

No entanto, o corpo de pesquisa não parece incluir uma descrição dos católicos que frequentam a Missa Tradicional. Esses católicos participam de, pelo menos, 489 Missas dominicais, em todo o país (latinmassdir.org, 2019). Todos os Domingos, estima-se que 100 mil católicos (pouco mais de 200 fiéis por Missa) nos Estados Unidos assistem à Missa Tradicional que, antes da reforma litúrgica dos anos 70, foi celebrada na Igreja Latina durante mais de 1500 anos.

O número crescente de paróquias destinadas apenas à Missa Tradicional permite pesquisas que vão além das observações de um indivíduo. O objectivo deste estudo piloto foi medir o fruto das duas Missas, comparando directamente as respostas dos participantes da TLM e da NOM às mesmas perguntas.

Método

A pesquisa consistiu em 7 perguntas sobre as crenças e atitudes dos entrevistados. Os dados foram recolhidos entre Março de 2018 e Novembro de 2018. As pesquisas foram anónimas e só se podia responder uma vez. Em pesquisas nas igrejas foram inquiridas 1322 pessoas. O número de respostas variou (entre 1.251 e 1.322) conforme a questão em causa. A mesma pesquisa, feita online, recebeu 451 respostas.

Os inquiridos nas igrejas eram dos seguintes Estados: Arizona, Califórnia, Colorado, New Hampshire, Texas.

Os inquiridos online eram dos seguintes Estados: Connecticut, Flórida, Idaho, Kansas, Minnesota, Missouri, Pensilvânia, Nova York, Virgínia, Washington, Virgínia Ocidental.

O inquérito a pessoas que vão à Missa Tradicional foi preparado de tal modo que as perguntas feitas correspondesses a pesquisas já feitas para os católicos que vão à Missa Nova. Estes foram os tópicos:

1. Aprovação de contracepção
2. Aprovação do aborto
3. Frequência semanal da Missa
4. Aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo
5. Percentagem do rendimento doado à Igreja
6. Confissão anual entre os que vão à Missa semanal
7. Taxa de fertilidade
Análise

A sociedade moderna, segundo muitos, é a causa da diminuição da participação sacramental na Igreja Católica. No entanto, a presente pesquisa, comparada com outros dados, revela uma impressionante variação entre os católicos que frequentam a Missa Tradicional e aqueles que frequentam o Missa Nova. Estas diferenças são dramáticas ao comparar crenças, frequência à igreja, generosidade monetária e taxas de fertilidade.

É importante ressaltar que as famílias que vão à Missa Tradicional têm um tamanho de família quase 60% maior. Isto traduzir-se-á numa mudança demográfica dentro da Igreja. Os participantes da Missa Tradicional doam 5 vezes mais à Igreja, indicando que estão mais comprometidos do que os participantes da Missa Nova. A frequência da Missa dominical 4,5 vezes maior quando comparada com a percentagem dos que vão à Missa Nova, 99% daqueles e 22% destes. Isto implica um profundo compromisso com a Fé. A adesão quase universal à Missa dominical retrata os católicos que estão profundamente apaixonados pela sua Fé e não lhes passa pela cabeça faltar à Missa ao Domingo.

Pesquisa futura

Será que os jovens adultos que frequentam a Missa Tradicional têm uma maior probabilidade de se comprometerem com uma vida na Igreja? Esta questão nunca foi estudada desde o início da Missa Nova, em 1970. A pesquisa é necessária para perceber os números das vocações dos participantes da Missa Tradicional. Estudos preliminares deste autor indicam que a Missa Tradicional produz 7 a 8 vezes o número de vocações Sacerdotais e Religiosas comparando com o que vão à Missa Nova. O sacramento do Santo Matrimónio também parece ser mais popular entre os participantes da Missa Tradicional. Por fim, até que ponto a Missa Tradicional entusiasma os jovens adultos depois de terem saído de casa dos pais? Um estudo rigoroso sobre esses tópicos está planeado para 2019.

Bibliografia

1. CARA Annual Conf/Weekly Mass Feb 16, 2014 
2. CARA 2017 Mass attendance April 11, 2018 Huffington Post quoting Dr. Mark Gray
3. Catholic Philly.com Donation % May 17, 2013
4. Pew Research Catholic Fertility Rate May 12, 2015
5. Pew Research Contraception Sept 28, 2016
6. Pew Research Abortion Oct 15, 2018 
7. Relevant Magazine Donation % March 8, 2016
8. Daily Wire Same sex marriage July 2, 2017

Autor do Estudo

Fr. Donald Kloster - St. Mary’s Catholic Church, Norwalk, Connecticut, USA.
revfrkloster@yahoo.com

in liturgyguy
Tradução: Senza Pagare


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sábado, 26 de março de 2022

Apostolado Courage: Fé Católica e "homossexualidade"



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Como se Matam Anjos

 
1. Quando cursava Teologia na Universidade Católica Portuguesa (UCP) assisti a um ciclo de conferências sobre a oração. Uma das palestras foi proferida pelo padre Bragança, um ilustre Professor de Liturgia e de Patrologia. A determinada altura como estivesse citando uma oração de Orígenes que continha uma referência aos Anjos, interrompeu a leitura da mesma, abrindo um parêntesis, para dizer: “bem, os Anjos já não existem; ou melhor mataram-nos…”. Como estalasse uma gargalhada geral provocada pela ironia evidente, dirigida a alguns exegetas e teólogos modernos, o padre Bragança continuou: “os senhores riem-se, mas eu tenho pena. Escusávamos de mentir na Missa quando rezamos ‘os Anjos e os santos proclamam a Vossa glória, etc.’”. E prosseguiu imperturbável a sua exposição. A circunstância de aquela admonição ter sido feita em forma de zombaria não obstou, porém, a que a seriedade da advertência fosse compreendida.

2. A primeira vez a que assisti à matança dos Anjos foi numa aula de Sagrada Escritura sobre o Antigo Testamento. Dos cumes da sua ciência e erudição o professor, um sacerdote, explicava, a nós ignaros, que os Anjos não existiam porque havia referências aos mesmos em textos religiosos do médio oriente anteriores à Bíblia. Foi nessa altura que eu compreendi, com a evidência de uma revelação, que as árvores, as montanhas e o mar também não existiam, pois todas essas realidades eram descritas nos mesmos ou semelhantes textos sagrados.

Mais tarde, um outro sacerdote (daqueles que já leram várias toneladas de livros) que nos ensinava Sinópticos (os Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas) decretou que os Anjos eram géneros literários ou recursos da retórica. De modo que, a partir daquele dia alguns seminaristas, cépticos, chalaceavam entre si modificando as palavras do Anjo, no Evangelho de Lucas, “não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus” em “não temas, Maria, pois sou uma figura de estilo”. Os Anjos não seriam pois mais do que uma Fada Boa ou Bruxa Má dos contos dos tempos antigos, sendo que a primeira figura os Anjos bons e a segunda os demónios, anjos caídos.

Já ordenado padre assisti também a prelecções de outros presbíteros que afirmavam peremptoriamente que os Anjos não eram mais do que estados da nossa consciência, projecções fantasmáticas da nossa subjectividade, subtilezas do nosso mundo interior e outras abstrusões semelhantes. Teríamos, portanto, o Anjo reduzido ao superego de Freud.

3. De onde virá esta sanha persecutória aos Anjos é para mim não só um enigma, mas mesmo um mistério, um mistério incluído no Mistério da Iniquidade.

4. S. Francisco de Assis teve sempre uma grande devoção aos Anjos e fundou a sua Ordem precisamente na Igreja da Santa Maria dos Anjos. Esta veneração ardente dos franciscanos pelos mesmos perdurou através dos séculos até há bem pouco tempo. Eu, ainda, tive a graça de ter feito os meus votos solenes no dia dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael (29 de Setembro) e desde a minha meninice me foi ensinada a devoção ao Anjo da Guarda.

Ora a existência dos Anjos e dos demónios, como pessoas puramente espirituais, foi declarada solenemente como uma Verdade de Fé (um Dogma) no Concílio Latrão IV, em 1215. A Igreja Mestra da Verdade (Concílio Vaticano II, Dignitatis humanae, 14) raramente recorre a estas declarações solenes. Percebe-se porquê, a relação da Igreja com os seus fiéis é como a de uma mãe com os seus filhos. E seria absurdo um filho sempre que a mãe lhe ensina alguma coisa perguntar insistentemente se jura que é verdade (a comparação é do, então, Cardeal Ratzinger). O normal é acreditar na mãe e aceitar o que ela diz. No entanto, por vezes há circunstâncias em que pela sua importância ou pelos perigos para a Fé que podem advir se torna conveniente ou necessário sublinhar solenemente uma verdade para que termine toda e qualquer querela ou logomaquia. A não-aceitação ou rejeição, a sabendas, por parte de um católico de um Dogma de Fé é um crime de heresia, o qual implica a excomunhão do mesmo.

4. O Catecismo da Igreja Católica ensina: «A existência dos seres espirituais, não corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição. Santo Agostinho diz a respeito deles: “… Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito; pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)”. Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. … Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais. Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta.». (Catecismo da Igreja Católica, 328-330).

Padre Nuno Serras Pereira


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terça-feira, 22 de março de 2022

A mística portuguesa a quem Jesus pediu a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria

ALEXANDRINA MARIA DA COSTA nasceu em Balasar, Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga, no dia 30 de Março de 1904, e foi baptizada no dia 2 de Abril, Sábado Santo. Foi educada cristãmente pela mãe, junto com a irmã Deolinda. Alexandrina viveu em casa até aos 7 anos. Depois foi para uma pensão dum marceneiro na Póvoa de Varzim a fim de frequentar a escola primária que não existia em Balasar. Fez a primeira comunhão na sua terra natal em 1911 e no ano seguinte recebeu o sacramento da Crisma pelo Bispo do Porto.

Passados 18 meses, voltou a Balasar e foi morar com a mãe e a irmã na localidade do “Calvário”, onde irá permanecer até à morte.

Robusta de constituição física, começou a trabalhar nos campos, equiparando-se aos homens e a ganhar o mesmo que eles. A sua infância foi muito viva: dotada de temperamento feliz e comunicativo, era muito querida pelas colegas. Aos 12 anos, porém, adoeceu: uma grave infecção (uma febre tifóide, talvez) colocou-a quase à morte. Superou a doença, mas a sua saúde ficou abalada para sempre.

Aos 14 anos aconteceu um facto que seria decisivo para a sua vida.

Era Sábado Santo de 1918. Nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma mocinha aprendiz, estavam a trabalhar de costura, quando perceberam que três homens tentavam a entrar na sala onde se encontravam. Embora estivessem fechadas, os três homens forçaram as portas e conseguiram entrar. Alexandrina, para salvar a sua pureza ameaçada, não hesitou em atirar-se pela janela, de uma altura de quatro metros. As consequências foram terríveis, embora não imediatas. De facto, as várias visitas médicas a que foi sucessivamente submetida diagnosticaram, cada vez com maior clareza, um facto irreversível.

Até aos 19 anos pôde ainda arrastar-se até a igreja, onde gostava de ficar recolhida, com grande admiração das pessoas. A paralisia foi avançando cada vez mais, até que as dores se tornaram insuportáveis; as articulações perderam qualquer movimento; e ela ficou completamente paralisada. Era o dia 14 de abril de 1925 quando Alexandrina ficou definitivamente de cama. Ali haveria de passar os restantes 30 anos de sua vida.

Até 1928 não deixou de pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura, prometendo que se sarasse partiria para as missões. Depois compreendeu que a sua vocação era o sofrimento. Abraçou-a prontamente. Dizia: “Nossa Senhora concedeu-me uma graça ainda maior. Depois da resignação deu-me a conformidade completa à vontade de Deus e, por fim, o desejo de sofrer”.

São desse período os primeiros fenómenos místicos: Alexandrina iniciou uma vida de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. 

Um dia em que estava só, veio-lhe improvisamente este pensamento: “Jesus, tu és prisioneiro no Tabernáculo. E eu por tua vontade prisioneira na minha cama. Far-nos-emos companhia”. Desde então começou a primeira missão: ser como a lâmpada do Tabernáculo. Passava as noites como em peregrinação de Tabernáculo em Tabernáculo. Em cada Missa oferecia-se ao Eterno Pai como vítima pelos pecadores, junto com Jesus e segundo as suas intenções.

Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima tanto mais crescia nela o amor ao sofrimento. Comprometeu-se com voto a fazer sempre o que fosse mais perfeito.

De sexta-feira, 3 de Outubro de 1938 a 24 de Março de 1942, ou seja por 182 vezes, viveu, em todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão: Alexandrina, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da Via Crucis.

“Amar, sofrer, reparar” foi o programa que o Senhor lhe indicou. Desde 1934, a convite do padre jesuíta Mariano Pinho, que a dirigiu espiritualmente até 1941, Alexandrina punha por escrito tudo quanto, vez por vez, lhe dizia Jesus.

Em 1936, por ordem de Jesus, pediu ao Santo Padre, através do P. Pinho, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Este pedido foi renovado várias vezes até 1941, pelo que a Santa Sé interrogou três vezes o Arcebispo de Braga a respeito de Alexandrina. No dia 31 de Outubro de 1942, Pio XII consagrou o mundo ao Coração Imaculado de Maria com uma mensagem transmitida de Fátima em língua portuguesa. Este acto foi repetido em Roma na Basílica de São Pedro no dia 8 de Dezembro do mesmo ano de 1942.

Depois de 27 de Março de 1942, Alexandrina deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da Eucaristia. Em 1943, por quarenta dias e quarenta noites, foram rigorosamente controlados por médicos o jejum absoluto e a anúria, no hospital da Foz do Douro, no Porto.

Em 1944, o novo director espiritual, P. Umberto Pasquale, salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a continuar a ditar o seu diário; fê-lo com espírito de obediência até à morte. No mesmo ano de 1944 Alexandrina inscreveu-se na União dos Cooperadores Salesianos. E quis pôr o seu diploma de Cooperadora «em lugar bem visível a fim de o ter sempre debaixo dos olhos» e colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo juvenis. Rezou e sofreu pela santificação dos Cooperadores Salesianos de todo o mundo.

Apesar dos sofrimentos, continuava a dedicar-se aos problemas dos pobres, do bem espiritual dos paroquianos e de muitas outras pessoas que a ela recorriam. Promoveu em sua paróquia tríduos e horas de adoração.

Especialmente nos últimos anos de vida, muitas pessoas, vindas de longe, atraídas pela fama de santidade, visitavam-na; muitas atribuíam a própria conversão aos seus conselhos.

Em 1950, Alexandrina festejou o 25º ano de sua imobilidade. E em 7 de Janeiro de 1955 foi-lhe preanunciado que aquele seria o ano da sua morte. De facto, dia 12 de Outubro quis receber a unção dos enfermos. E dia 13, aniversário da última aparição de N. Sra. de Fátima, ouviram-na exclamar: “Sou feliz porque vou para o céu”. Às 19h30 expirou.

Sobre a sua campa podem ler-se estas palavras por ela tão desejadas:
“Pecadores, se as cinzas do meu corpo puderem ser úteis para a vossa salvação, aproximai-vos: passai todos por cima delas, pisai-as até desaparecerem, mas não pequeis mais! Não ofendais mais o nosso Jesus! Pecadores, queria dizer-vos tantas coisas. Não bastaria este grande cemitério para escrevê-las todas! Convertei-vos! Não queirais perder a Jesus por toda a eternidade! Ele é tão bom!... Amai-O! Amai-O! Basta de pecar!”.

É a síntese da sua vida gasta exclusivamente para salvar as almas. No Porto, na tarde do dia 15 de Outubro, os vendedores de flores viram-se sem nenhuma flor branca: todas tinham sido vendidas para a homenagem floral a Alexandrina, que tinha sido a rosa branca de Jesus. 

in vatican.va


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