sábado, 21 de maio de 2022

De “sacerdote" de Satanás a apóstolo do Rosário

O Beato Bartolo Longo nasceu no ano 1841 em Latiano, na Apúlia (Itália). Foi educado na fé e na oração, até que a saída de casa e da sua cidade o levou a percorrer perigas quimeras.

Após o colégio, mudou-se primeiro para a cidade de Lecce e depois para Nápoles, onde estudou Direito. Eram os anos das guerras de independência, onde o ímpeto idealista contagiava as almas de tantos brilhantes jovens italianos. Difundiam-se, especialmente nas universidades e nos círculos intelectuais, as ideias iluministas e o ódio contra a Igreja, considerada um manto obscurantista que sufocava os sonhos de liberdade.

As modas culturais do momento não pouparam o jovem Longo. Nascido numa Itália fortemente enraizada na fé e nos valores da tradição, foi-lhe irresistível a atracção de uma cidade como Nápoles, propulsora das novas e exuberantes ideias, prenunciando uma mudança cultural que viria a modificar toda a península itálica.

A decepção conduziu-o aos círculos mais fechados e elitistas da cidade. Desceu às profundezas da maçonaria, onde cultivou um sempre maior interesse com relação ao espiritismo. A companhia de intelectuais anticlericais, bem como a descida às práticas mágicas e aos conhecimentos esotéricos, eram-lhe mais uma forma de comportamento para tirar a veste provincial que trazia até aí.

Ele próprio irá dizer que foi tão tragado por esses ambientes que se tornou um verdadeiro “sacerdote de satanás”. A euforia foi-se transformando em desânimo, que o fez cair numa fortíssima depressão e o levou muitas vezes à beira do suicídio.

Em desespero, tentou algo que pudesse aliviar a sua angústia íntima. Conversou com um professor amigo, Vincenzo Pepe, da Puglia como ele, que não lhe poupou reprovações e o convidou a distanciar-se de certos ambientes. “Se continuar com estas práticas, vai terminar num manicómio!”, repetia-lhe com frequência. E convidou-o também a falar com o Pe. Alberto Radente, certo de que este dominicano, excelente director espiritual, teria conseguido ajudar Bartolo Longo a dissipar a escuridão da sua alma.

Após uma série de encontros com esse padre, o jovem Longo confessou-se e começou um caminho de mudança, mas ainda estava cheio de maus pensamentos. Um dia, quando perambulava desesperado pelo Vale de Pompeia, sentiu-se iluminado por uma frase que lhe dizia muitas vezes o Pe. Radente: “Se procura a salvação propague o Rosário. É uma promessa de Maria”. E logo depois sentiu o ressoar de um sino distante. Naquela momento elevou os braços ao Céu e gritou: “Se é verdade que prometestes a São Domingos que quem propagar o Rosário se salva, eu salvar-me-ei porque não sairei desta terra de Pompeia sem ter aqui propagado o teu Rosário!”.

Nas semanas seguintes, uma série de eventos indicaram a Longo que a sua súplica tinha sido ouvida. Estreitou laços com a condessa De Fusco e tornou-se administrador dos seus bens. Começou a frequentar os grupos de oração no Sagrado Coração de Jesus que a condessa guiava, até tornar-se o seu estreito colaborador e depois também marido.

O casal decidiu transformar o Vale de Pompeia, pobre e esquecido, num epicentro da devoção ao Santo Rosário. Escolheram uma velha igreja do lugar, onde colocaram um quadro de Nossa Senhora do Rosário que lhes tinha sido oferecido por uma irmã dominicana amiga do Pe. Radente. Aquele quadro é conhecido hoje em todo o mundo como o ícone da Beata Virgem do Santo Rosário de Pompeia, que surgiu dentro do que se tornou um Santuário entre os mais conhecidos e frequentados do mundo. Tudo graças ao trabalho da condessa De Fusco e do seu marido Bartolo Longo.

Bartolo é também o autor da Súplica à Nossa Senhora de Pompeia, escrita em 1883. Antes de morrer, no dia 5 de Outubro de 1926, mês de Maria, Bartolo Longo suspirou: "O meu único desejo é o de ver Maria, que me salvou e me salvará das garras de Satanás." No dia 26 de Outubro de 1980, foi beatificado pelo Papa João Paulo II.

in Zenit


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sexta-feira, 20 de maio de 2022

Os Bispos Norte-Americanos condenaram o uso do Reiki

1. Têm vindo a surgir questões sobre as diversas formas de terapias alternativas disponíveis nos Estados Unidos. Os Bispos deparam-se muitas vezes com questões como: “Qual a posição da Igreja em relação a estas terapias?”. Por essa razão o Comité Doutrinal da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) preparou este documento para auxiliar os Bispos nas respostas a estas questões.

I. CURA PELA GRAÇA DIVINA E CURA POR RECURSOS NATURAIS

2. A Igreja reconhece dois tipos de cura: a cura pela graça divina e a cura pelos recursos naturais. O primeiro é atribuído ao ministério de Cristo, que realizou muitas curas físicas e que legou aos Seus discípulos a sua continuação. Fiéis a esta função, os Apóstolos da Igreja intercederam pelos doentes através da invocação do nome do Senhor Jesus, pedindo a cura pelo poder do Espírito Santo, quer pela forma sacramental de imposição das mãos e unção com óleo, quer por simples orações para a cura, recorrendo à intercessão dos santos. Quanto ao segundo, a Igreja nunca excluiu o recurso aos meios naturais para a cura através da medicina (1). A Igreja tem uma longa história de recurso a meios naturais para cuidar dos doentes. O sinal mais óbvio é o grande número de hospitais católicos existentes no nosso país.

3. As duas formas de cura não são mutuamente exclusivas. A cura pela cura divina não exclui o uso de recursos naturais. Não cabe a nós decidir se Deus irá curar alguém por meios sobrenaturais. Como o catolicismo da Igreja Católica demonstra, o Espírito Santo por vezes dá a certos humanos “um carisma especial de cura onde se manifesta o poder da Graça de Cristo Ressuscitado” (2). Este poder de cura não depende dos homens.

Contudo, “nem sempre as orações mais intensas alcançam a cura para todas as doenças” (3) sendo os meios de cura natural mais apropriados por se encontrarem ao dispor de todos. Na verdade, a caridade cristã não permite que se negue o acesso aos meios naturais para curar os doentes.

II. REIKI E CURA

A) As Origens e as Características Básicas do Reiki

4. Reiki é uma técnica de cura inventada no Japão em finais de 1800 por Mikao Usui no decurso do estudo de textos budistas (4). Segundo os ensinamentos do Reiki, as doenças são causadas por uma espécie de perturbação ou desequilíbrio na “energia vital universal” do doente. O praticante de Reiki efectua a cura colocando as mãos em certas áreas do corpo do paciente de modo a facilitar o fluir do Reiki, a “energia vital universal”, do praticante para o doente. As mãos podem ser colocadas em inúmeras posições conforme o problema. Os defensores do Reiki garantem que o praticante não é a fonte de cura mas um canal para a mesma (5). Para se tornar um praticante de Reiki, deve-se receber uma “iniciação” ou “sintonização” através de um mestre de Reiki.

Este ritual permite ao aprendiz “sintonizar-se" com a “energia vital universal” tornando-o um condutor dessa energia. Diz-se que existem três níveis diferentes de sintonização (há quem ensine quatro). Num nível mais superior pode-se canalizar a energia Reiki e realizar curas à distância, sem contacto físico.

B) O Reiki Enquanto Meio de Cura Natural

5. Embora os defensores do Reiki pareçam concordar que o Reiki não é uma religião por si só, mas uma técnica que pode ser utilizada por pessoas de diversas religiões, a verdade é que este tem vários aspectos de uma religião. O Reiki é muitas vezes descrito como uma espécie de “cura” espiritual, sendo uma alternativa aos procedimentos médicos comuns. Grande parte da literatura sobre Reiki é repleto de referências a Deus, a deusa, ao "poder de cura divina” e à mente "divina”. A energia vital é descrita como sendo dirigida por Deus, a "Inteligência Maior", ou a “consciência divina”. "Da mesma forma, as várias“ sintonizações "que o praticante de Reiki recebe de um mestre de Reiki são realizados através de “cerimónias sagradas” que envolvem a manifestação de certos símbolos sagrados (que são mantidos tradicionalmente em segredo pelos Mestres de Reiki).

Além disso, o Reiki é frequentemente descrito como um "Modo de vida", em concordância com uma lista onde se encontram os cinco "Preceitos do Reiki" que estipulam a ética adequada.

6. Não obstante, existem praticantes de Reiki, nomeadamente enfermeiros, que tentam abordar o Reiki simplesmente como um meio de cura natural. O  Reiki  está,  no  entanto,  sujeito  às  normas  da  ciência   natural. Apesar de existirem meios de cura natural que ainda não foram compreendidos ou reconhecidos pela ciência, é a ela que cabe julgar se deve ou não confiar-se num determinado meio de cura. Ao ser denominado como método de cura natural, o Reiki está sujeito às normas da ciência natural.

7. De acordo com essas normas, o Reiki não tem credibilidade científica. Não foi aceite pelas comunidade científicas e médicas como uma terapia eficaz. Não existem estudos científicos que comprovem a eficácia do Reiki , assim como uma explicação científica plausível que prove a sua eficácia. A explicação para o Reiki depende inteiramente de uma visão particular do mundo permeada por esta “energia vital universal"(Reiki), que está sujeita à manipulação do pensamento e da vontade humana. Os praticantes de Reiki afirmam que a sua formação permite-os canalizar essa "energia vital universal", que está presente em todas as coisas.  Mas esta "energia vital universal" é desconhecida para a ciência natural. Como a presença desse tipo de energia  não  foi  observada por meio da ciência natural, a justificação para estas terapias, deve vir de algo que se encontra além da ciência.

C) Reiki e o Poder de Cura de Cristo

8. Têm havido tentativas erradas de comparar o Reiki à Cura Divina conhecida pelos cristãos (6). A diferença é evidente: para o praticante de Reiki o poder da cura encontra-se à disposição do homem (alguns professores querem evitar esta implicação argumentando que não é o praticante de Reiki que efectua a cura por si mesmo, mas consciência divina). Para os cristãos a cura divina é irrefutavelmente realizada pela oração a Cristo como Senhor e Salvador. A essência do Reiki não é uma oração, mas uma técnica que o “mestre de Reiki” transmite ao aluno, uma técnica que, depois de dominada produzirá os resultados (7). Alguns praticantes tentaram cristianizar o Reiki adicionando uma oração a Cristo.

8. Por estas razões, o Reiki, assim como outras técnicas terapêuticas semelhantes, não podem ser englobadas no que os cristãos denominam por cura pela Graça.

9. A diferença entre o que os cristãos reconhecem como cura pela Graça Divina e a terapia do Reiki é também clara e baseia-se nos termos que os proponentes do Reiki utilizam para descrever o que acontece durante a terapia do Reiki, particularmente a "energia vital universal”. Nem as Escrituras nem a tradição cristã falam do mundo natural com base na "energia vital universal", que está sujeita à manipulação do pensamento e da vontade humana. Na verdade, essa visão de mundo tem suas origens nas religiões orientais e tem um certo carácter monoteísta e panteísta, nos quais não existem distinções entre mundo, eu e Deus (8). É certo que os profissionais Reiki não são capazes de diferenciar claramente entre poder da Cura Divina e o poder que está à disposição do homem.

III. CONCLUSÃO

10. A terapia Reiki não conta com o apoio das descobertas da ciência natural nem na religião cristã. Acreditar na terapia Reiki apresenta problemas insolúveis para os católicos. No que diz respeito aos cuidados de saúde física, quer do praticante quer do paciente, não é prudente empregar uma técnica que não tem comprovação científica (nem é plausível).

11. O Reiki é perigoso para a saúde espiritual. Ao usar o Reiki aceita-se, pelo menos de forma implícita, os elementos básicos em que se fundamenta, elementos esses que não pertencem nem ao cristianismo nem à ciência natural. Sem justificação quer da Fé Cristã ou da ciência natural, um Católico que coloca a sua confiança no Reiki, estará a operar no reino da superstição, a terra de ninguém que não pertence à fé nem à ciência (9). A superstição corrompe a adoração a Deus ao desviar o sentimento e a prática religiosa para uma direcção falsa (10). Por vezes as pessoas caem no domínio da superstição devido à ignorância, como tal, é da responsabilidade Igreja combater essa ignorância peremptoriamente.

12. Estando comprovado que a terapia Reiki não é compatível com qualquer doutrina cristã ou científica, é inadequado para as instituições se saúde católicas ou para as pessoas que representam a igreja, tais como capelães, promover ou fornecer suporte para a mesma.

Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos da América (2009)

Notas:

(1) Cf. Congregation for the Doctrine of the Faith, Instruction on Prayers for Healing (14 Setembro 2000), I, 3: “É óbvio que o recurso à oração não exclui, mas antes encoraja o uso de recursos naturais eficientes para preservação e cuidado da saúde assim como encoraja os discípulos e discípulas a cuidarem dos doentes, a assisti-los em corpo e em mente e a procurar curá-los”.
(2) Catecismo, n.1508.
(3) Catecismo, n. 1508.
(4) Também se diz que ele apenas redescobriu uma antiga técnica tibetana, mas não essa afirmação não está fundamentada.
(5) Como veremos abaixo as distinções entre o mundo, eu e Deus tendem a entrar em colapso no pensamento Reiki. Alguns professores de Reiki argumentam que se atinge a percepção de que o eu e a “energia vital universal" são apenas     um,     uma     “energia     vital     universal”,     tudo     é      energia,      incluindo      nós      mesmos.    
(6) Por exemplo, ver "Reiki e o cristianismo" no http://iarp.org/articles/Reiki_and_Christianity.htm e “Reiki Cristão” http://areikihealer.tripod.com/christianreiki.html
(7) Os mestres de Reiki oferecem cursos de formação com vários níveis de progresso, serviços para os quais exigem significativas remunerações financeiras. O aluno tem a expectativa e o Mestre dá-lhe a garantia de que o investimento de tempo e dinheiro permitir-lhe dominar uma técnica que irá previsivelmente produzir resultados.
(8) Isto está implícito no ensino de Reiki. Alguns proponentes afirmam explicitamente que não há nenhuma distinção, em última instância entre e o eu e o Reiki. Diane Stein resume o significado de alguns “simbolos sagrados” usados no ritual de “sintonização” do Reiki como: “A deusa em mim saúda a deusa em si”; "Homem e Deus tornam-se um” (Essential Reiki Teaching Manual: A Companion Guide for Reiki Healers [Berkeley, Cal.: Crossing Press, 2007], pp. 129-31). Anne Charlish and Angela Robertshaw explicam que a sintonização mais elevada do reiki “marca a transição do ego e do eu para um sentimento de união com a energia vital universal”.(Secrets of Reiki [New York, N.Y.: DK Publishing, 2001], p. 84).
(9) Alguns métodos de ensino do Reiki incentivam a apelar a seres angélicos ou "guias espirituais Reiki", o que introduz o perigo de exposição a forças ou poderes malévolos.
(10) Cf. Catecismo, n. 2111; São Tomás de Aquino Summa Theologiae II-II, q. 92, a. 1.


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O Rosário é a melhor arma contra o inimigo




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quinta-feira, 19 de maio de 2022

Carta de uma ex-actriz do mundo da pornografia

Caro utilizador de pornografia,

Quero que saibas que não escrevo isto com qualquer hostilidade em relação a ti. Talvez vejas pornografia sem que o queiras fazer. Talvez a vejas e não queres parar de o fazer. De qualquer maneira, obrigado por leres.

Fui uma “porn star” durante apenas seis meses, mas participei em mais de vinte filmes. Estive lá, fi-lo e vi a realidade da industria pornográfica. Penso que muita gente acredita em falsidades acerca da pornografia. Falsidades que, se soubessem que o eram, os levariam provavelmente a esforçar-se mais (ou esforçar-se de todo) para parar de ver pornografia!

Nesta carta, quero partilhar contigo cinco desses mitos e a verdade por detrás deles:

Mito #1 – As actrizes gostam de fazer os vídeos

Nada poderia estar mais longe da verdade. O que as pessoas que se agarram a esta mentira não entendem é que estas miúdas estão a representar, ponto. Nada daquilo é real. Em toda a minha experiência, nunca conheci uma única que gostasse daquilo que fazia!

Tendo estado na indústria da pornografia, posso dizer-te que não é uma experiência agradável. O sexo em si é doloroso, e as raparigas estão expostas a todos os tipos de abusos, quer por parte dos restantes actores, quer de toda a gente no estúdio. É uma experiência degradante e, para muitas de nós, a única maneira que tínhamos para aguentar as filmagens era enchendo-nos de drogas ou álcool, enquanto repetíamos para nós mesmas que daí a umas horas tudo teria passado, e apagando-nos completamente, como se nos desligássemos de tudo aquilo que estava a acontecer à nossa volta.

A maioria das miúdas que entra na indústria pornográfica faz um ou dois vídeos e depois sai. Se as actrizes gostam tanto de fazer pornografia, porque é que há uma taxa de desistência tão elevada? Luke Ford disse, numa entrevista ao 60 Minutos: A maioria das raparigas que entra nesta indústria faz um vídeo e sai. A experiência é tão dolorosa, tão horrenda, tão incómoda e humilhante para elas que nunca mais querem voltar a fazê-lo.

Mito #2 – As raparigas que fazem filmes pornográficos devem gostar imenso de sexo

Bem, são várias as motivações que podem levar as miúdas a entrar nesta indústria, mas o desejo sexual não é uma delas. Eu sei, porque era o que eu costumava dizer às pessoas nas entrevistas. Contava sempre aos meus fãs acerca do meu apetite sexual voraz, de quão insaciável era. Dizia-lhes que era tudo aquilo em que pensava!

A triste verdade, no entanto, é que eu detestava sexo! Não significava nada para mim, tal como não significa nada para qualquer pessoa envolvida em pornografia. É apenas algo que tu suportas para receberes o teu dinheiro. Não estou a dizer que é assim com todas as raparigas nesta indústria, mas estou a dizer que é a regra e não a excepção. Com todas as que conheci e com quem falei, a história é a mesma!

Mito #3 – Elas estão lá por vontade própria

Isto não é inteiramente verdade. Muitas vezes, as raparigas são ameaçadas ou manipuladas pelos produtores. Aconteceu-me e vi acontecer também com outras miúdas! É lhes dito que irão fazer uma determinada coisa mas, quando chegam ao estúdio, dizem-lhes que afinal farão outra totalmente diferente e que, se recusarem, é-lhes retirado o pagamento.

Muitas raparigas são novas e inexperientes e sentem que são obrigadas a participar nessa cena... uma cena com a qual não concordaram, e a qual não querem fazer. Muitas vezes têm medo dos produtores, muitas medo de nunca mais voltar a trabalhar. Sentem-se encurraladas. Mesmo se não forem manipuladas, a verdade é que nenhuma rapariga quer estar ali!

Ainda que possam ter concordado em fazê-lo, não significa que gostam de o fazer e qualquer uma que te diga o contrário está ou a mentir descaradamente, ou a contar apenas parte da história.

Mito #4 – Se estão a ser pagas pelo que estão a fazer, qual é o mal?

Embora seja verdade que os actores recebem muito - geralmente centenas de dólares por cena – a ironia é que, quando acabam por abandonar a indústria, saem falidos e sem nada de que se orgulhar. Há diversos motivos para isto. Um deles é a droga. As drogas estão por todo o lado na indústria pornográfica. É raro encontrar uma filmagem que não tenha drogas ou álcool, ou em que grande parte das pessoas não seja viciada.

As drogas são algo que usas para aguentar a humilhação e a dureza do sexo e, em muitos casos, o que usas para entrar num estado de dormência. O dinheiro que recebes da pornografia, gastas a tentar desligar-te do estilo de vida que levas.

Outra razão é que grande parte do dinheiro volta de imediato para a indústria pornográfica, com maquilhagem, roupas e todos os custos de manutenção. Elas gastam o que for necessário para manterem a sua aparência impecável. Assim, mesmo com as centenas de dólares que ganham por filmagem, no fim, não lhes resta nada... estão emocionalmente, espiritualmente e financeiramente falidas. 

Mito #5 – Não há (ou são, pelo menos, mínimos) riscos de saúde na pornografia

Isto é absolutamente errado! Somos testados em relação ao HIV, mas não em relação a todas as doenças sexualmente transmissíveis. A maioria dos actores pornográficos tem uma ou mais DST, e muitas raparigas contaram ter contraído cancro cervical e VPH após o seu tempo na indústria pornográfica.

As raparigas que chegam à pornografia não estão conscientes destes ricos. Este ano, o Departamento de Saúde de L.A. proibiu a produção de mainstream porn após serem reportados diversos casos de SIDA. A indústria pornográfica tinha conhecimento do problema, mas nunca o reportou, porque não queria abandonar a produção.

A maioria das raparigas que se vêm em filmes pornográficos são mulheres prostituídas, o que significa que muitas são infectadas pelos seus clientes com SIDA ou qualquer outra doença, passando-a posteriormente para os actores com quem trabalham. Os produtores dirão que os actores usam sempre preservativo, mas isso é mentira! É muito fácil apanhar DST’s na indústria pornográfica, ainda que produtores e actores te digam que é completamente seguro.

Espero que guardes algum tempo para pensar no que te disse, e que saibas que te amo e rezo por todos vocês,

April

in The Porn Effect


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O que é a Alma?

Alma é um espírito imortal, incorruptível, dotado de inteligência e de vontade, criado por Deus para forma do corpo humano. É criada para cada corpo humano depois de concebido, e contrai o pecado original no momento da sua união com o corpo. É operação própria da alma entender o que abstrai das coisas sensíveis por meio dos sentidos. 

É pela alma que conhecemos e queremos. Está toda em todo o corpo e em cada parte do corpo, dando-lhe unidade e vida. Após a morte, vai imediatamente ou para o Céu, ou para o Purgatório, ou para o Inferno, segundo a sentença que Deus lhe der, e conserva os conhecimentos adquiridos
neste mundo. 

Pode conhecer as acções dos vivos pelas almas que vão entrando na eternidade, ou pelos Anjos, ou pelos demónios, ou por revelação de Deus, e pode aparecer aos vivos, mas tal aparição é miraculosa. A alma, porque é puramente espiritual, não tem forma, nem peso, nem cor; é invisível, mas todos
vêem os seus efeitos, actos que nenhum corpo é capaz de produzir: entender, querer, amar, raciocinar. 

Devemos querer-lhe mais do que ao corpo. A salvação da nossa alma é o negócio mais importante da nossa vida, pois disse Jesus: «Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma?». Ev. S. Mat. XVI. 26. É também um negócio absolutamente pessoal, pois ninguém pode substituir outrem no trabalho da sua santificação. Ao mesmo tempo é um negócio urgente, porque a vida é breve e a morte pode chegar repentinamente. Por isso Jesus preveniu: «Estai preparados». 

Há quem diga que a alma não existe, que o homem é apenas um animal aperfeiçoado. Isto é uma
afirmação falsa. Com efeito, se o homem fosse apenas um animal aperfeiçoado, não haveria entre ele e os outros animais senão uma diferença de grau, isto é, as faculdades que existem nos animais seriam mais perfeitas no homem, e nele não haveria mais faculdades que nos animais. Mas sucede o contrário: o homem é menos forte que o boi, menos ligeiro que o cão, etc. 

Há no homem faculdades que nenhum animal possui: a faculdade de pensar, a de compreender, a de julgar, a de falar, a de progredir, a de prestar culto. Estas faculdades são absolutamente distintas das faculdades do corpo, são de natureza mais elevada, mais nobre, são de natureza espiritual. Os animais têm o instinto preciso para se conservarem e se reproduzirem. Só o homem tem a inteligência indispensável para progredir. As faculdades que são só do homem existem na alma humana.

Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica


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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Benigna preferiu morrer do que pecar contra a castidade

Será beatificada no dia 24 de Outubro, dia em que foi assassinada, Benigna Cardoso da Silva. Nascida em Santana do Cariri (Ceará, Brasil), no dia 15 de Outubro de 1928, filha de José Cardoso da Silva e Thereza Maria da Silva, ficou órfã de pai e mãe muito cedo, tendo sido adoptada juntamente com seus irmãos mais velhos pela família “Sisnando Leite”, proprietária do Oiti dos Cirineus, no Distrito de Inhumas.

Era uma jovem muito simples e cheia de humildade. De estatura média, Benigna era magra, de cabelos e olhos castanhos meio ondulados, morena clara, rosto arredondado e queixo afinado. Tinha um leve estrabismo em um dos olhos.

Modesta por natureza, tímida e reservada, não usava vestidos sem mangas, curtos nem com decotes. A sua generosidade, carisma e simpatia a fazia querida e cativada por todos. Em casa, desenvolvia bem todas as tarefas domésticas, com intuito de ajudar a sua família adoptiva. Era boa filha, sempre obediente e prestável.

Extremamente religiosa e temente a Deus, nutria um grande desejo de fazer a Primeira Comunhão, e depois desse sonho realizado, seguia à risca os seus mandamentos. Não perdia as Missas e fazia penitência nas primeiras sextas-feiras em devoção ao Sagrado Coração de Jesus; sempre na companhia da sua “madrinha Ozinha” e da “Tia Bezinha". Era assídua na participação eucarística.

Aos 12 anos de idade, já lendo e escrevendo, Benigna começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves com propostas de namoro, rejeitadas de forma categórica por ela, que nada queria com ele a esse respeito. Procurou imediatamente o Pe. Cristiano Coêlho, vigário da época, para pedir conselhos sobre o assunto da perseguição de Raul, e este lhe aconselhou a ir estudar para Santana, oferecendo-lhe uma Bíblia, que se tornou o seu livro de cabeceira, que guardava com esmero e carinho. Encantava-se com as gravuras e as histórias do Antigo e do Novo Testamento. Ela encontrou apoio na palavra de Deus para resistir às tentações de Raul.

A caminho da escola, mostrava-se sempre uma defensora da natureza, não deixando que os seus colegas maltratassem as plantinhas nem tirassem as suas flores ou galhos. Na sala de aula, era uma aluna exemplar; muito estudiosa, cuidadosa, pontual e colaboradora. Gostava sempre de ajudar os seus colegas para não vê-los punidos com a palmatória ou de joelhos nos caroços de milho, facto que a deixava bastante triste, e às vezes até chorava com os castigos aplicados aos outros.

Depois de várias tentativas sem sucesso, numa tarde fatídica de Sexta-Feira, dia 24 de Outubro de 1941, sabendo que Benigna ia buscar água numa cacimba próxima à sua casa, Raul ficou à espreita atrás do mato, observando-a, com os seus recém-completados 13 anos. Ao aproximar-se, abordou-a sexualmente. Ela recusou, ele insistiu tentando violentá-la. Ela disse “não” com veemência e lutou heroicamente para se defender do acto pecaminoso, que no seu entender cristão ofenderia o seu corpo .

Raul, ao perceber que Benigna nada aceitaria, foi tomado por um ódio feroz; sacou de um facão atroz e golpeou-a cortando-lhe os dedos da mão. Ela relutou de forma sobrehumana contra o seu algoz, preferindo morrer a pecar contra a castidade. Depois disso, foi atingida na testa, nas costas e por fim no pescoço, cujo golpe lhe deixou a cabeça quase decepada.

Ao vê-la morta, com o corpo estendido sobre as pedras e o sangue inocente se esvaindo pelo chão, Raul foge, sendo o corpo da vítima encontrado logo em seguida já sem vida.

O seu corpo foi sepultado na manhã do sábado, acompanhado de comoção geral. Os requintes de crueldade do bárbaro crime abalou todo a população. Desde essa data, começaram as visitas ao túmulo e ao local do martírio até o tempo presente. As rogativas feitas à “Santa de Inhumas”, assim como as promessas são geradoras de graças alcançadas por intercessão dessa memorável Jovem , que é tida por todos como “santa” e “Heroína da Castidade”.

O assassino foi preso, pagou pelo seu crime e, arrependido, voltou ao local 50 anos depois para chorar, elevar preces e pedir perdão a Benigna. Neste retorno, relatou a sua mudança de vida, e a sua conversão ao cristianismo. Fez penitências para salvar a sua alma, e pedindo a intercessão de Benigna, alcançou graças recorrendo sempre à sua inocente vítima, a quem sempre rogava nas horas de aflição. Segundo ele, o seu acto foi de loucura e “ela se mostrou virtuosa, quando resistiu para não pecar e não apenas para ver se escaparia.”

Sobre Benigna o Padre Cristiano deixou escrito ao lado do seu baptistério: ”Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de Outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que a sua santa alma converta a freguesia e sirva de protecção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha.”


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Absolvição sob condição






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terça-feira, 17 de maio de 2022

Católico e maçon, será possível? - Entrevista a Maurice Caillet

Quais as razões que levaram o Padre Michel Riquet, jesuíta, a defender a maçonaria?

R. O Padre Riquet deu-se com maçons no período da Resistência (1940-1945) ; alguns deles tornaram-se seus amigos; nada mais natural. Mais tarde, ele aceitou, com toda a ingenuidade, um convite de uma loja, em Laval, em 1961, e ficou seduzido pela parte do ritual que aceitaram revelar-lhe, pois os maçons nunca mostram a totalidade do ritual a um profano. Não sei se ele tinha autorização dos superiores da Companhia de Jesus, mas o seu caso não foi único. Há outros jesuítas, ainda hoje, a defender a ideia de que é possível ser católico e maçon. Por exemplo, o Padre José António Ferrer Benimelli, historiador em Saragoça. O Padre Jean-Marie Glé, do serviço Incroyance et foi. O Padre Étienne Perrot, em Genebra (cf. o seu artigo em Croire aujourd'hui, de 15-4-2006), e outros. 

Confundem tolerância e sincretismo — uma « açorda » espiritual! O diálogo é sempre desejável, mas não deve levar a abalar os fundamentos da Fé. Aliás, houve reuniões, nos anos 1970/1980, entre a Igreja Católica e as Grandes Lojas Unidas da Alemanha, e chegaram à conclusão, em ambos os lados, que não é possível, razoavelmente, pertencer, simultaneamente, à Igreja e à maçonaria. E o debate incidia apenas sobre os três primeiros graus da iniciação, por os maçons se terem recusado a abordar os graus superiores…

Já sofreu pressões ou ameaças por parte de maçons?

R. Sim. Mais precisamente depois da minha conversão e quando tinha ainda responsabilidades na Segurança Social. Recebi, até, uma ameaça de morte por parte de um responsável da Grande Loge de France, quando manifestei a minha intenção de apresentar queixa nos Prud'hommes [tribunal profissional]. Devo confessar que há, no entanto, idealistas incorrigíveis entre os maçons, como, por exemplo, este irmão 33.º grau que, depois de ler o meu primeiro livro, me escreveu : « Congratulo-me por teres encontrado a Luz que eu próprio procuro há tanto tempo!»

Já participou em missas negras?

R. Não, nunca. Mas sabe-se que tem havido profanações desse género, sobretudo no início do século XX. Basta ler os testemunhos da Madre Yvonne-Aimée de Jesus, prioresa-geral das agostinhas hospitaleiras de Malestroit, na Bretanha, a quem o próprio Jesus informava da presença de hóstias consagradas em casas de certos profanadores. Ela ia buscá-las, para grande espanto dos culpados. 

Por outro lado, fiquei bastante impressionado com o ritual da minha última iniciação, 18.º grau, Cavaleiro Rosa-Cruz: esta, com o nome de «Ceia», tem lugar na noite de Quinta-Feira Santa, com partilha de pão e de vinho, sem consagração felizmente! O Senhor preservou-me de conhecer directamente os rituais dos graus superiores ; mas sei que no 30.º (Grande Eleito Cavaleiro Kadosh) — e isto foi também confirmado por D. Joseph Stimpfle, bispo de Augsburgo, que participou nas já referidas reuniões, na Alemanha —, o iniciado lança no chão a tiara do Papa.

Será possível definir a maçonaria como uma seita?

R. É a designação que lhe dá o Papa Leão XIII, na sua encíclica Humanum Genus (1884). No que diz respeito às lojas de base, não se pode falar em seita, porque o seu funcionamento é democrático, em todos os níveis da pirâmide hierárquica. Agora, os altos graus funcionam por cooptação e com progressivo secretismo. A influência intelectual e psicológica dos graus superiores sobre os inferiores induz um «efeito Janis» , ou pensamento gregário, em que cada um tende a conformar-se com o «espírito da casa» para aceder aos escalões superiores. Seja como for, é pouco provável que a maçonaria venha a ser catalogada como seita, pois, em França, a UNADFI (Union Nationale des Associations de Défense des Familles et de l'Individu Victimes des Sectes), que combate as seitas, é presidida por Catherine Picard, filiada na maçonaria!

É possível deixar de ser maçon?

R. As Constituições e Regulamentos prevêem a possibilidade de abandonar as lojas de base, e também os altos graus, mas, na realidade, o maçon que se demite volta a ser constantemente contactado; os responsáveis da loja vêm dizer-lhe que as iniciações o marcaram de maneira indelével — o que é falso —, e que poderá, a todo o momento, retomar o seu lugar «sobre as colunas», sem ser obrigado a recomeçar as iniciações — o que é verdade. Eu próprio, fui contactado por ex-amigos e irmãos, que me diziam que a minha conversão não impedia o meu regresso à loja. 

A minha resposta deixava-os sem voz : «O que é que havia de encontrar agora na loja, eu que encontrei Jesus Cristo ?» Mas os maçons comprometidos em casos políticos ou financeiros podem ser sujeitos a chantagem por parte dos seus «irmãos» e hesitar em deixá-los por medo das represálias. Em todo o caso, são raros os que ousam dizer publicamente que abandonaram as lojas. Conhece-se o caso do Reverendo Michel Viot, protestante, que se tornou padre da Igreja Católica depois de abandonar a maçonaria.

A este propósito, porque é que as relações entre o protestantismo e a maçonaria não são conflituosas?

R. Primeiro, porque a maçonaria moderna foi fundada por dois pastores protestantes, um anglicano e o outro presbiteriano, e porque, durante muito tempo, os dignitários das comunidades anglicanas tiveram responsabilidades na maçonaria anglo-saxónica. Assim, o rei de Inglaterra é, de direito, Grão-Mestre da maçonaria (a actual rainha faz-se representar pelo duque de Kent, pois a maçonaria inglesa não admite mulheres sobre as suas «colunas»). 

Convém, no entanto, referir que, ultimamente, a High Church tem desaconselhado a dupla filiação, a exemplo da Igreja Romana. Por outro lado, a independência de consciência do maçon em relação a Deus coaduna-se muito bem com o livre exame do protestante, de maneira que estes são bastante numerosos nas lojas. Os judeus também.

Existe alguma aliança entre o judaísmo e a maçonaria?

R. Católicos integristas defendem a ideia de uma conspiração judeo-maçónica para a conquista do mundo ; não acredito nisto, nem no famoso Protocolo dos Sábios de Sião, que não passa de uma falsificação escrita por um russo mais que iluminado. Tão-pouco se deve dar crédito às Instruções da maçonaria aos bispos maçons: a pobreza do texto basta para o desacreditar ; não é digno nem dos bispos nem dos maçons. 

O facto de a maçonaria estar a ser frequentemente instrumentalizada por Satanás não nos deve levar a diabolizá-la exageradamente, pois o que é excessivo é insignificante ; basta recomendar aos católicos que não entrem na maçonaria, pois nela não há qualquer espécie de vantagem espiritual que se possa encontrar… A não ser que se procurem vantagens materiais… mas com prejuízo da sua alma.

Haverá ligações entre a maçonaria e clubes como o Rotary Club e o Lion's Club?

R. Não se pode negar que estes clubes foram criados nos Estados Unidos da América por maçons dos altos graus (que encontramos também na origem dos Mormons e das Testemunhas de Jeová). Nestes clubes, de fachada mundana e aparência inócua, existe um certo número de maçons encarregados de aliciar discretamente as individualidades «interessantes».

Como é que os maçons se reconhecem uns aos outros?

R. Conforme os graus, o iniciado aprende « sinais e toques » que lhe permitem reconhecer os irmãos numa assembleia de profanos. São saudações especiais, apertos de mão significativos… Por outro lado, na maioria das cidades francesas, os mestres dispõem de um pequeno guia com os nomes e os endereços dos irmãos que podem servir de albergue. Podem também inserir na sua assinatura pequenos sinais que o iniciado reconhece facilmente.

Quais são as relações entre a maçonaria e o Islão?

R. Tirando alguns intelectuais árabes a viver nos países ocidentais, os muçulmanos não têm a ingenuidade, ou a inconsideração, de quererem entrar na maçonaria… Os únicos países muçulmanos onde houve lojas maçónicas foram o Líbano, devido ao seu cosmopolitismo, o Egipto, no tempo da ocupação inglesa, e a Turquia, mais ocidentalizada do que os seus vizinhos.

Qual foi a situação da maçonaria durante a ocupação da França pelos nazis?

R. O governo de Vichy proibiu a maçonaria e ordenou perquisições nas lojas ; os arquivos viriam a ser encontrados, mais tarde, na Alemanha… Maçons foram presos e deportados. Isso explica a animosidade dos maçons em relação ao regime de Vichy e o seu acentuado secretismo depois da Libertação.

Os rituais da maçonaria comportam elementos de magia, de ocultismo?

R. Sim, e, muitas vezes, os próprios maçons não têm consciência disso. É assim que a «cadeia de união», que reúne os irmãos no fim de cada reunião ou sessão branca, visa, na realidade, a reforçar a egrégore, isto é, a força mental do grupo com vista à transformação do mundo profano à sua volta. Além disso, venera-se nas lojas a serpente Uroboros, instigadora da desobediência. Já falei dos rituais « pouco católicos » dos graus superiores ao 18.º.

Qual é a influência da maçonaria na política francesa?

R. Esta influência tem variado consoante as épocas. Foi muito forte durante a III República (1871-1940), com inúmeros Presidentes da República e Presidentes do Conselho oriundos das lojas. Maçons como Jules Ferry e Émile Combes estiveram na origem das leis de separação da Igreja e do Estado, em 1905. Durante a IV República (1946-1958) e a V (a actual), a influência não se tem feito sentir tão fortemente como dantes, sendo porém talvez mais perniciosa, chegando a perverter o sistema democrático. 

Houve alturas em que, no Parlamento, os maçons eram tão numerosos à direita como à esquerda (exceptuando o Partido Comunista e a Frente Nacional). A lei Veil sobre o aborto foi adoptada por um voto maciço dos maçons de esquerda e de direita, independentemente das suas divergências ideológicas no plano político. Foi por isso que preconizei, em 2005, a separação da maçonaria e do Estado (cf. L'Homme Nouveau, n.o 1356).

in Do Portugal Profundo


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Peregrinação de Pentecostes a Fátima 2022

Peregrinação a Fátima: 3 a 5 de Junho, Domingo de Pentecostes.

- Missa Solene em Rito Tradicional;
- Sacerdote e três seminaristas portugueses da Fraternidade de São Pedro;
- Esta peregrinação é um dos capítulos Anjos da Guarda da peregrinação Paris-Chartres, à qual está unida em oração e organização;
- Aberta a todas as idades e condições físicas (cerca de 70 kms);
- Possibilidade de entrar no dia 3 à noite se não puder ir de manhã;
- Custo: 55€ para adultos e 35€ para menores de idade (quem não puder pagar fale com os organizadores);
- Vagas limitadas.


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sábado, 14 de maio de 2022

Carta de um Diabo ao seu Aprendiz

[Nota introdutória: Esta carta foi transcrita do livro "Vorazmente teu" (The Screwtape Letters), de C.S. Lewis. Trata-se duma troca de correspondência entre o experiente diabo, Escritorpe, e o seu sobrinho Absintox. Lewis dá-nos uma aula de como são as armadilhas e artimanhas e utilizadas pelo diabo para nos confundir]

Querido Absintox,

Espero que a minha última carta te tenha convencido de que a tribulação, o ponto baixo de "aridez" e embotamento que o teu paciente enfrenta no momento, não irá, por si só, dar-te a sua alma, mas sim que é algo que precisa ser devidamente explorado. A seguir discorrerei sobre como explorar essa fase.

Em primeiro lugar, sempre fui da opinião de que os períodos de baixa da ondulação humana nos dão uma excelente oportunidade para todas as tentações de cunho sensual, principalmente as do sexo. Talvez isso seja uma surpresa para ti, porque, afinal de contas, é nas fases de pico que existe mais energia física e, portanto, mais apetite em potencial; mas tens que te lembrar que o poder da resistência também está no seu nível máximo. A saúde e a disposição que queres usar para produzir a luxúria também podem — ai de nós — ser facilmente usadas para a labuta, a diversão, o pensamento ou a alegria inócua. 

O ataque será mais bem-sucedido quando todo o mundo interior de um homem estiver frio, vazio, triste. Também é importante notar que a sexualidade nas fases de baixa difere subtilmente em qualidade da sexualidade nas fases de pico — está bem menos propensa àquele fenómeno insípido que os humanos chamam "apaixonar-se", mais propensa a ser atraída para as perversões e bem menos contaminada por aqueles acrescentos generosos, cheios de imaginação e até mesmo espirituais, que geralmente fazem com que a sexualidade humana seja tão decepcionante.

O mesmo acontece com os outros prazeres da carne. Terás mais probabilidade de tornar o teu homem um legítimo alcoólatra se lhe empurrares a bebida como solução para sua apatia e exaustão do que ao encorajá-lo a usar a bebida como forma de diversão entre amigos quando ele estiver feliz e expansivo. Nunca te esqueças que quando lidamos com qualquer prazer, na sua forma normal e gratificante, estamos, de certo modo, no campo do Inimigo. Eu sei que já ganhámos várias almas através do prazer. Ainda assim, o prazer é invenção d'Ele, não nossa. Ele concebeu os prazeres. A nossa pesquisa, até o momento, não permitiu que produzíssemos nem sequer um deles. 

Tudo o que podemos fazer é encorajar os humanos a abordar os prazeres que o nosso Inimigo criou e usá-los de certas formas, ou em certos momentos, ou em certo grau que Ele tenha proibido. Sempre tentamos, portanto, trabalhar longe das condições naturais de qualquer prazer, e sim naquelas em que ele é menos natural, em que menos sugira o seu Criador, e menos gratificante. A fórmula, portanto, resume-se a uma ânsia cada vez maior por um prazer cada vez menor. É mais seguro e é mais elegante. Possuir a alma de um homem e não lhe dar nada em troca — é isso o que realmente alegra o coração do nosso pai. E as fases de baixa são a época em que devemos dar início a esse processo.

Mas existe um método ainda melhor para explorar os momentos de baixa, que é através dos próprios pensamentos do paciente sobre eles. Como sempre, o primeiro passo é afastá-lo do conhecimento. Não o deixes sequer suspeitar da existência da lei da ondulação. Deixa-o pensar que seria natural que o entusiasmo inicial da sua conversão durasse e que deveria ter durado para sempre, e que o seu actual estado de aridez é um estado igualmente permanente. Uma vez que essa crença errada estiver bem arraigada dentro dele, poderás avançar de diversas maneiras. 

Tudo dependerá do seu homem ser do tipo fácil de desencorajar, aquele que pode ser tentado a cair em desespero, ou de ser do tipo adepto do auto-engano, aquele que pode ser levado a acreditar que está tudo bem. É cada vez mais raro o primeiro tipo entre os humanos. Se o teu paciente for desse tipo, tudo será mais fácil. Deverás apenas afastá-lo da influência dos Cristãos mais experientes (o que é fácil de conseguir nos dias de hoje), voltar s sua atenção para as passagens apropriadas nas Escrituras e guiá-lo para que fique totalmente determinado a recobrar os seus sentimentos anteriores através da pura força de vontade. Se fizeres isso, ele será nosso. 

Se ele for do tipo mais esperançoso, o teu trabalho consistirá em fazê-lo resignar-se à actual frieza de sua alma e gradualmente contentar-se com ela, tentando convencer-se de que, afinal de contas, ela não está tão fria assim. Dentro de uma ou duas semanas, ele ficará em dúvida se os primeiros dias do seu Cristianismo não foram talvez um tanto exagerados. Converse com ele sobre "moderação em todas as coisas". Se conseguires fazê-lo chegar ao ponto de pensar que "a religião é benéfica só até certa medida", poderás então soltar fogos de artifício, pois a alma dele estará prestes a ser tua. Uma religião moderada é tão proveitosa para nós quanto religião nenhuma - e ainda mais divertida.

Existe também a possibilidade de atacar a sua fé directamente. Quando conseguires fazê-lo imaginar que o período de baixa é permanente, será que não poderias também persuadi-lo que a "sua fase religiosa" irá acabar, como todas as suas fases anteriores? É claro que não existe um modo concebível de ir, através da lógica, da afirmação "Estou gradualmente a perder o interesse por este assunto" até a afirmação "Tudo isso é falso". Mas, como eu disse anteriormente, deves contar com o jargão, não com a razão. A simples palavra "fase" certamente fará magia. 

Suponho que a criatura já tenha passado por várias fases antes — todos eles passam — e que se sinta superior a todas as fases más das quais conseguiu sair; não porque as tenha realmente avaliado, mas apenas porque estão no passado. (Imagino que o alimentes sempre com ideias nebulosas sobre Progresso, Desenvolvimento e o Ponto de Vista Histórico, e que lhe dás muitas biografias modernas para ler, não é? Nesses livros, todas as pessoas estão sempre a sair de fases, não é mesmo?)

Percebeste a ideia? Distrai a atenção dele da simples antítese entre Verdadeiro e Falso. Põe na sua mente algumas expressões bem vagas - "foi só uma fase", "já passei por isso" — e nunca te esqueças desta bendita palavra: "adolescente".

Afectuosamente, o teu tio,
Escritorpe


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Nossa Senhora de Fátima pediu o Terço todos os dias mas...e a Missa diária?

A Irmã Lúcia responde a uma pergunta que lhe foi feita muitas vezes desde que Nossa Senhora lhe apareceu em Fátima: 

Qual terá sido o motivo por que Nossa Senhora nos mandou rezar o Terço todos os dias, e não mandou ir todos os dias assistir e tomar parte na Santa Missa?

Trata-se de uma pergunta que me tem sido feita muitas vezes, e à qual gostava de dar resposta agora. Certeza absoluta do porquê não a tenho, porque Nossa Senhora não o explicou e a mim também não me ocorreu de Lho perguntar. Digo, por isso, simplesmente o que me parece e me é dado compreender a este respeito. Na verdade, a interpretação do sentido da Mensagem deixo-a inteiramente livre à Santa Igreja, porque é a Ela que pertence e compete; por isso, humildemente e de boa vontade me submeto a tudo o que Ela disser e quiser corrigir, emendar ou declarar.

A respeito da pergunta acima feita, penso que Deus é Pai; e como Pai acomoda-se às necessidades e possibilidades dos Seus filhos. Ora, se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, por certo haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível. Uns, por causa da distância que os separa da igreja mais próxima onde se celebra a Eucaristia; outros, porque não lho permitem as suas ocupações, os seus deveres de estado, o emprego, o seu estado de saúde, etc. Ao contrário, a oração do Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos.

Todas as pessoas de boa vontade podem e devem, diariamente, rezar o seu Terço. E para quê? Para nos pormos em contacto com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-Lhe as graças de que temos necessidade. É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção.

Dado que todos temos necessidade de orar, Deus pede-nos, digamos como medida diária, uma oração que está ao nosso alcance: a oração do Terço, que tanto se pode fazer em comum como em particular, tanto na igreja diante do Santíssimo como no lar em família ou a sós, tanto pelo caminho quando de viagem como num tranqüilo passeio pelos campos. A mãe de família pode rezar enquanto embala o berço do filho pequenino ou trata do arranjo de casa. O nosso dia tem vinte e quatro horas...não será muito se reservarmos um quarto de hora para a vida espiritual, para o nosso trato íntimo e familiar com Deus!

Por outro lado, eu creio que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência.

Ao dizer Rosário ou Terço, não quero significar que Deus necessite que contemos as vezes que Lhe dirigimos as nossas súplicas, os nossos louvores ou agradecimentos. Certamente Deus não precisa que os contemos: n''Ele tudo está presente! Mas nós precisamos de os contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos actos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de directa convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade.

Direi ainda que, mesmo aquelas pessoas que têm possibilidade de tomar parte diariamente na Santa Missa, não devem, por isso, descuidar-se de rezar diariamente o seu Terço. Bem entendido que o tempo apropriado para a oração do Terço não é aquele em que toma parte na Santa Missa. Para estas pessoas, a oração do Terço pode considerar-se uma preparação para melhor participarem da Eucaristia, ou então como uma ação de graças pelo dia afora.

Não sei bem, mas do pouco conhecimento que tenho do trato directo com as pessoas em geral, vejo que é muito limitado o número das almas verdadeiramente contemplativas que mantêm e conservam um trato de íntima familiaridade com Deus que as prepare dignamente para a recepção de Cristo, na Eucaristia. Assim, também para estas, se torna necessária a oração vocal, o mais possível meditada, ponderada e reflectida, como o deve ser o Terço.

Há muitas e belas orações que bem podem servir de preparação para receber Cristo na Eucaristia e para manter o nosso trato familiar de íntima união com Deus. Mas não me parece que encontremos alguma mais que se possa indicar e que melhor sirva para todos em geral, como a oração do Terço ou Rosário. Por exemplo, a oração da Liturgia das Horas é maravilhosa, mas não creio que possa ser acessível a todos, nem que alguns dos salmos recitados possam ser bem compreendidos por todos em geral. É que requer uma certa instrução e preparação que a muitos não se pode pedir.

Talvez por todos estes motivos e outros que nós não conhecemos, Deus, que é Pai e compreende melhor do que nós as necessidades dos Seus filhos, quis pedir a reza diária do Terço condescendendo até ao nível simples e comum de todos nós para nos facilitar o caminho do acesso a Ele.

Enfim, tendo presente o que nos tem dito, sobre a oração do Rosário ou Terço, o Magistério da Igreja ao longo dos anos - alguma coisa vos recordarei mais adiante -, e o que Deus, por meio da Sua Mensagem, tanto nos recomenda, podemos pensar que aquela é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.

Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples ato de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.

Pelo contrário, os que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena.

Assim, o Rosário ou Terço é a oração que Deus, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência para todos em geral, como caminho e porta de salvação: «Rezem o Terço todos os dias» (Nossa Senhora, 13 de Maio de 1917).

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado in 'Apelos da Mensagem de Fátima' (Edição: Secretariado dos Pastorinhos, Fátima - Portugal - 2000, págs. 115-124


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sexta-feira, 13 de maio de 2022

São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja

Roberto Francisco Romulo Bellarmino veio ao mundo no dia 4 de Outubro de 1542, em Montepulciano, Itália. Terceiro de cinco filhos, nasceu de uma família de origens nobres, seja por parte do pai que da mãe, mas na época do nascimento de Roberto estavam em via de declínio económico. O pai, Vincenzo Bellarmino, foi gonfaloneiro¹ de Montepulciano, e sua mãe, Cinzia Cervini, muito pia e religiosa, era irmã do Papa Marcelo II. Foi baptizado pelo cardeal Roberto Pucci, a quem, certamente, deve a honra do primeiro nome, enquanto o segundo é em honra de São Francisco de Assis, o santo honrado no dia do seu nascimento; Rómulo era um antepassado da família.

O menino Roberto nasceu franzino e doente. Talvez por ter tido tantos problemas de saúde nos primeiros anos de existência, dedicou atenção especial aos doentes durante toda a vida. 

Embora constantemente enfermo, Roberto demonstrou desde muito cedo uma inteligência surpreendente, que o levou ao magistério, e uma profunda inclinação religiosa, que o conduziu à vida religiosa e a uma carreira eclesiástica vertiginosa. Em 1563, foi nomeado professor do Colégio de Florença e, um ano depois, passou a lecionar retórica em Piemonte. Em 1566, foi para o Colégio de Pádua, onde também estudou teologia e, em 1567, mudou para a Escola de Louvain, sendo, então, já muito conhecido em todo o país como excelente pregador.

Apesar do parentesco com um Papa, sempre lhe foi reconhecida uma grande humildade e grande empenho nos estudos; a sua vida conformava-se aos ensinamentos de um dos seus livros espirituais preferidos: a Imitação de Cristo.

Desde muito jovem mostrou dotes literários e, inspirando-se em autores latinos como Virgílio, compôs vários pequenos poemas, tanto em latim quanto em língua vulgar. Um dos seus hinos, dedicado à figura de Maria Madalena, foi inserido, depois, no Breviário. 

Em 1571, tendo concluído todos os estudos, recebeu a ordenação sacerdotal e entrou para a Companhia de Jesus. Unindo a sabedoria das ciências terrenas, o conhecimento espiritual e a fé, escreveu os três volumes de uma das obras teológicas mais consultadas de todos os tempos: "As controvérsias cristãs sobre a fé", um tratado sobre todas as heresias. 

Mais tarde, em 1592, Belarmino foi nomeado director do Colégio Romano, que contava com duzentos e dois professores e dois mil estudantes, entre os quais duzentos jesuítas. Teve a dita de guiar os últimos anos de São Luís Gonzaga, de pureza exímia, que faleceu em 1591. Por lá, realizou um trabalho de tamanha importância que, algum tempo depois, foi nomeado para o cargo de superior provincial napolitano, função em que ficou apenas por dois anos, pois o Papa Clemente VIII reclamava a sua presença em Roma, para auxiliá-lo como consultor no seu Pontificado. Nesse período, produziu outra obra famosa: "Catecismo", que teve dezenas de edições e foi traduzido para mais de cinquenta idiomas, tornando-se um dos três Catecismos oficiais da Igreja Católica, até a publicação do Catecismo Maior de São Pio X. Os outros eram: a Declaração mais copiosa da Doutrina Cristã e o Catecismo de Trento.

Com a morte do Papa Clemente VIII, o seu sucessor, Papa Leão XI, governou a Igreja apenas por vinte e sete dias, vindo a falecer também. Foi assim que o nome de Roberto Belarmino recebeu muitos votos nos dois conclaves para a eleição do novo Sumo Pontífice. Mas, no segundo, surgiu o nome do novo Papa, Paulo V, que imediatamente o chamou para trabalharem juntos no Vaticano. Esse trabalho ocupou Belarmino durante os vinte e dois anos seguintes. 

Morreu aos setenta e nove anos de idade, a 17 de Setembro de 1621, apresentando graves problemas físicos e de surdez, consequência dos males que o acompanharam durante toda a vida. Com fama de santidade ainda em vida, as suas virtudes foram reconhecidas pela Igreja, sendo depois beatificado, em 1923. A canonização de São Roberto Belarmino foi proclamada em 1930, no dia 13 de Maio. 

O seu corpo descansa, desde 21 de Junho de 1923, na 3ª capela da direita da Igreja de Santo Inácio de Loyola, no Colégio Romano, em Roma. Os ossos do seu esqueleto foram recompostos e unidos com fios de prata e revestidos com o hábito cardinalício, enquanto o seu rosto e mãos foram cobertos de prata, como se vê na tumba de vidro, sob o altar a ele dedicado.

in Pale Ideas


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