quarta-feira, 20 de julho de 2022
Uma criança é um verdadeiro sinal da liberdade
Uma criança é um verdadeiro sinal da liberdade. Ela é um novo livre-arbítrio que se junta a todas as vontades deste mundo; ela é algo que os seus pais escolheram livremente tornar real; algo que livremente se propuseram proteger.
Eles têm a oportunidade de vivenciar que todo o desfrutar que ela proporciona (o que não é negligenciável) vem realmente dela e deles e de mais ninguém. Nasceu sem a intervenção de qualquer senhor ou aristocrata. Ela é uma criação e uma contribuição; ela é a contribuição deles para a Criação.
Ela também é muito mais bela, maravilhosa, divertida e fascinante do que todas as histórias fastidiosas ou ruídos cíclicos proporcionados pelas máquinas.
Quando os homens deixarem se sentir isto, perderam o seu apreço pelas coisas elementares, e por consequência, todo e qualquer sentido de proporção sobre o mundo. As pessoas que preferem os prazeres mecânicos a um tal milagre, estão entediadas e escravizadas. Preferem a escória às fontes mais elementares da vida.
G.K. Chesterton in 'The first fountains of life (The Well and the Shallows)'
terça-feira, 19 de julho de 2022
segunda-feira, 18 de julho de 2022
domingo, 17 de julho de 2022
As 16 Carmelitas que a Revolução Francesa mandou decapitar
No dia 17 de Julho de 1794 as 16 Carmelitas de Compiègne foram conduzidas ao Tribunal Revolucionário (em Paris) e condenadas à morte. O seu crime? Levar uma vida de oração segunda a Regra de Santa Teresa de Ávila. A "liberdade" instaurada pela Revolução Francesa não era suficiente para que estas pobres mulheres vivessem de maneira pobre, casta e obediente.
Aguardaram a execução com orações e cânticos de louvor a Deus. Aos pés da gilhotina cantaram o "Veni Creator Spiritus" em acção de graças, e renovaram os votos de carmelitas. Depois disso subiram os degraus para demonstrar (mais uma vez) que quem acredita em Jesus Cristo e dá a vida por Ele não teme a morte porque viverá para sempre.
Estas corajosas monjas foram beatificadas por São Pio X em 1906.
sábado, 16 de julho de 2022
As Carmelitas veladas
Antes do Concílio Vaticano II, em certas ocasiões, as Carmelitas usavam véus que lhes tapavam o rosto. Estes véus eram usados sempre que alguma irmã tinha de aparecer em público, por exemplo numa Missa ou numa procissão, ou quando tinha de se deslocar para fora da Clausura.
O objectivo era que a religiosa pudesse manter o espírito contemplativo, mesmo temporariamente no meio do século. Este véu foi usado por Santa Teresa e pelas suas primeiras carmelitas.
As regras de visita no Carmelo eram bastante estrictas. Excepto para as noviças, que poderiam receber em visita - no parlatório atrás das grades - quem quisessem. Santa Teresa queria que se percebesse que as irmãs estavam ali porque queriam e não obrigadas por quem quer fosse.
Como receber e usar o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
No dia 16 de Julho de 1251, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e
disse:
"Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal
distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos
do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz
e de uma protecção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do
fogo eterno."
Qualquer pessoa pode usar o Escapulário, reduzido a um pequeno pedaço de
pano. Deve, no entanto, rezar diariamente orações marianas, como por exemplo 3
Avé Marias antes de dormir, pela santa pureza.
Como receber e usar o Escapulário
1 - Qualquer padre tem poder para benzer e impor na pessoa o Escapulário.
2 - Essa bênção e imposição valem para toda a vida, portanto, basta
recebê-lo uma vez.
3 - Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.
4 - Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante
algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não é necessária outra
bênção.
5 - Uma vez recebido, ele deve ser usado sempre, de preferência no pescoço,
em todas as ocasiões, mesmo enquanto a pessoa dorme.
6 - Em casos de necessidade extrema, como doentes em hospitais, se o
Escapulário lhe for retirado, o fiel não perde os benefícios da promessa de
Nossa Senhora.
7 - Em casos de perigo de morte, mesmo um leigo pode impor o Escapulário.
Basta recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já
bento por algum sacerdote.
Em 1910, São Pio X concedeu a permissão para se usar uma medalha de metal,
devendo ter em uma das faces o Sagrado Coração e na outra a Santíssima Virgem.
Deve ser levada ao pescoço ou de outra maneira conveniente, ganhando-se com o
seu uso quase todas as indulgências e privilégios concedidos aos pequenos
escapulários. O Santo Papa desse modo quis atender aos apelos dos missionários
de zonas tórridas em favor dos nativos, porquanto os pedaços de lã dos
escapulários ficavam logo em condições intoleráveis devido ao intenso calor, às
vezes sendo ninho de vermes.
Porém, para se gozar todos os privilégios, é necessário que se tenha
recebido a bênção e a imposição do escapulário de lã. Ao contrário do que se dá
com o escapulário de lã, no qual basta só o primeiro ser bento, cada
medalha-escapulário que se troca precisa ser benta. A recepção deve ser feita
com o escapulário de tecido.
O Papa Pio XI, por decreto (1925), aprovou o escapulário protegido por
plástico ou outro material qualquer; mas o escapulário tem que ser de lã.
in Pale
Ideas
sexta-feira, 15 de julho de 2022
O sacerdote que fez um pacto com o diabo e se arrependeu
Aconteceu na Sicília, Itália, e deu origem à famosa lenda que inspirou o auto sacramental “O milagre de Teófilo”, um dos mais célebres da literatura medieval. Foi escrito pelo clérigo Eutiquiano de Constantinopla, testemunha ocular do fato, confirmado por São Pedro Damião, São Bernardo, São Boaventura e Santo António, entre outros. E qual foi o caso de Teófilo?
Pároco da igreja de Adanas, na Sicília, Teófilo dirigira durante muito tempo, com dedicação e acerto, os bens eclesiásticos, em nome do seu Bispo. Mas chegou o dia em que este rendeu a alma ao Criador, para grande desconsolo e tristeza dos fiéis.
Quem ocuparia a sede vacante? Não havia dúvida: Teófilo, dizia-se por toda a parte. O povo estimava-o e queria-o para Bispo, dignidade que ele, por humildade, recusou. Por fim, outro Bispo ocupou a sede vacante.
O novo prelado não confiava em Teófilo e, algum tempo depois, removeu-o do seu cargo. A desolação invadiu então a alma do eclesiástico. Enquanto vagueava pela cidade, o demónio sussurrava:
— Perder o cargo! A carreira! Como te foram fazer isso, Teófilo? Isso não pode ficar assim!
Foi nesse estado que o infeliz sacerdote bateu à porta de um feiticeiro. Este, porém, negava-lhe uma solução fácil:
— Há só uma saída: invocar a ajuda dos infernos.
Teófilo vacilou por um instante. Mas o ressentimento corroía o seu coração e acabou por aceitar a proposta. Invocado pelo feiticeiro, o diabo apareceu em todo o seu horror.
Com gritos, blasfémias e palavrões, ditou a Teófilo os termos dos actos a ser escritos em pergaminho com o próprio sangue do ex-pároco e selados com o seu anel. Ele devia renunciar à fé, à Igreja, à Santíssima Virgem e a nosso Senhor Jesus Cristo. Ajoelhando-se, prestou vassalagem ao demónio.
No dia seguinte, o novo bispo reconheceu a falsidade das acusações contra Teófilo e pediu-lhe perdão, restituindo-lhe o cargo que ocupara. A fortuna e o prazer sorriam-lhe, mas um profundo mal-estar atormentava-o. Chorava sem cessar, tendo a consciência dilacerada de remorso pelo enorme pecado que havia cometido. Era como se uma mão o prendesse pelo coração. Além disso, só ao pensar que a sua felicidade haveria um dia de terminar tornava-se sumamente infeliz. Enchia-o de terror, acima de tudo, saber de quem era servo!
Não podendo suportar mais a situação, entrou um dia na igreja e, lançando-se aos pés de uma imagem da Santíssima Virgem, chorou amargamente e disse:
— Ó Mãe de Deus, não quero desesperar-me. Ainda Vós me restais, Vós que sois tão compassiva e poderosa para me ajudar!
Fez a mesma coisa durante quarenta dias, renovando sempre as suas súplicas e pedindo perdão. Uma noite, apareceu-lhe a Mãe de Misericórdia e disse-lhe:
— Que fizeste, Teófilo? Renunciaste à minha amizade e à de Meu Filho e entregaste-te àquele que é teu e meu inimigo!
Teófilo, sem deixar de chorar, implorou a misericórdia da Mãe de Deus. Recordando o exemplo de outros pecadores, como o profeta-rei David, Santa Maria Madalena e São Pedro, terminou por dizer:
— Senhora, haveis de me perdoar e de me obter o perdão de Vosso Filho!
Ela respondeu que lhe perdoaria tê-la negado, mas não poderia perdoar a negação de Seu Filho:
— Consola-te, que vou rogar a Deus por ti.
Após ouvir estas palavras, reanimado, redobrou Teófilo as lágrimas, as preces e as penitências, conservando-se sempre aos pés da imagem de Maria. Reapareceu-lhe a Mãe de Deus, que, amavelmente, lhe disse:
— Teófilo, enche-te de consolação. Apresentei a Deus as tuas lágrimas e orações. De hoje em diante, guarda-lhe gratidão e fidelidade.
O infeliz replicou:
— Senhora minha, ainda não estou plenamente consolado. O demónio ainda conserva o ímpio documento em que renunciei a Vós e a vosso Filho. Podeis fazer que o restitua?
Compadecida, Ela mesma ofereceu-se para ir buscar o pergaminho ao inferno. Durante três dias Teófilo aguardou prostrado por terra, até que reapareceu a Virgem com o pacto maldito, que entregou a Teófilo como símbolo do seu perdão.
No dia seguinte, foi Teófilo à igreja, e, ajoelhando-se aos pés do Bispo, que naquele momento oficiava, contou-lhe por entre soluços tudo quanto lhe havia acontecido.
Entregou-lhe o ímpio documento, que o bispo fez queimar imediatamente diante dos fiéis presentes, enquanto choravam todos de alegria, exaltando a bondade de Deus e a misericórdia de Maria para com aquele pobre pecador. Teófilo voltou à igreja de Nossa Senhora e, ao fim de três dias, morreu contente, cheio de gratidão para com Jesus e a sua Mãe Santíssima.
Uma escultura medieval representa este acontecimento na catedral de Notre-Dame: nela, bem se pode ver o auge de bondade de Maria. Enquanto o sacerdote arrependido ora fervorosamente, a Santíssima Virgem obriga, com a espada em mão, o demónio a devolver-lhe o pergaminho. Três fisionomias marcam a cena: confiança e calma em Teófilo; protecção maternal e força em Nossa Senhora; cinismo e desespero no demónio.
Revista Catolicismo, nº 320, Setembro de 1977
quinta-feira, 14 de julho de 2022
França desviou-se do seu caminho
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| Basílica do Sagrado Coração de Jesus - Paris |
Eis a que havia chegado a nação franceza tão nobre e generosa; essa velha raça dos francos que fizera com Jesus Christo tão bella aliança, cujos monarchas se honravam com o título de filhos primogenitos da Igreja, que tendo recebido do Céu dons incomparaveis, magnifica em sua gratidão, dera à religião de Christo a maior glória humana, que ella jamais recebeu de povo algum.
Ei-la caindo primeiramente d'estas alturas em um meio amor, pouco depois, como quase sempre sucede, d'este meio amor na sua total extincção, até que enfim, odiando-se a si mesma e a Deus, viam-na rasgar as entranhas e expulsa-lo com furibundos gritos. Memoravel exemplo d'uma nação que se devia do recto caminho e desconhece a sua missão!
Padre Émile Bougaud (1823-1888) in Origem da Devoção ao Coração de Jesus
Somos todos servos inúteis
Parecem ter alcançado o grau mais elevado esses que, com todo o coração e
sem fingimento, são de tal maneira senhores de si, que nada mais procuram do
que ser desprezados, não ser tidos em conta e viver na humildade.
Enquanto não chegardes aí, pensai que nada fizestes. Com efeito, como somos
todos «servos inúteis», nas palavras do Senhor (Lc 17, 10), mesmo que façamos
tudo bem, enquanto não alcançarmos este grau de humildade não estaremos na
verdade, mas estaremos e caminharemos na vaidade.
Sabes também que o Senhor Jesus começou por fazer antes de ensinar. Mais
tarde, haveria de dizer: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração»
(Mt 11, 29). E quis praticá-lo realmente, sem fingimento. Fê-lo de todo o
coração, como era manso e humilde de todo o coração e em verdade. N'Ele não
havia dissimulação (cf. 2Cor 1, 19).
Estava de tal maneira mergulhado na humildade, no desprezo e na abjecção, aniquilara-Se de tal maneira aos olhos de todos, que quando começou a pregar e a anunciar as maravilhas de Deus, e a fazer milagres e coisas admiráveis, ninguém Lhe dava valor, antes O desprezavam e troçavam Dele dizendo: «Não é este o filho do carpinteiro?», e outras coisas parecidas.
Assim se cumpre a
palavra de São Paulo: «Aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo»
(Fil 2, 7), e não apenas de servo comum, pela encarnação, mas de um servo
inútil, através da Sua vida humilde e desprezada.
São Boaventura in 'Meditações sobre a vida de
Cristo'
segunda-feira, 11 de julho de 2022
domingo, 10 de julho de 2022
Alguns aspectos jurídicos do papado
O papado é uma instituição de direito divino (Mt 16, 18). Quando Nosso Senhor Jesus Cristo fundou a Igreja católica, atribuiu a Pedro
o encargo de apascentar o rebanho universal (os fiéis do mundo
inteiro). Para isso, Cristo outorgou ao primeiro Papa o chamado “poder
das chaves”: “Tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo que
desligares na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18). Na concepção
hebraica, os verbos “ligar” e “desligar” possuem valor jurídico,
significando o poder de governo. Assim, observamos que na mente de Jesus
encontravam-se presentes as estruturas jurídicas fundamentais da Igreja Católica.
A evolução do papado ao largo dos séculos manteve intacta
essa estruturação. Se quisermos compreender bem o
relacionamento do Papa, bispo de Roma, com os seus colegas, bispos das
outras dioceses, precisamos estar atentos à relação que havia entre Pedro e os demais apóstolos. Nada mudou
substancialmente! Vejamos cân. 330. Eis a tradução (o
código de direito canónico está escrito em latim): “Assim como, por disposição do
Senhor, S. Pedro e os outros apóstolos constituem um único colégio, de
modo semelhante, o romano pontífice, sucessor de Pedro e os bispos,
sucessores dos apóstolos, estão unidos entre si.”
De facto, Pedro e
os outros onze apóstolos perfaziam um “colégio”, quer dizer, um “corpo
coletivo”, chefiado pelo primeiro. O cânon 331 esclarece este ponto: “O bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o
múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, o primeiro dos
apóstolos, para ser transmitido aos seus sucessores, é a cabeça dos
colégio dos bispos, vigário de Cristo e pastor da Igreja Universal; ele, pois, em virtude de seu múnus, tem na Igreja o poder
ordinário, supremo, pleno, imediato e universal, que pode exercer
livremente.”
Estudando atentamente o papado, principalmente as suas
nuances jurídico-canónicas, reparamos quão bíblica é a conformação
hierárquica da Igreja. As instituições legais que se nos deparam hoje em
dia arrimam-se na tradição sagrada, mas ainda mais nas escrituras
sagradas. Se não, vejamos: o cân. 336 traça o perfil do colégio dos
bispos exatamente nos moldes como a bíblia apresenta o colégio ou grupo
dos apóstolos: “O colégio dos bispos, cuja cabeça é o sumo pontífice e
cujos membros são os bispos, em virtude da consagração sacramental e da
comunhão hierárquica com a cabeça e com os membros do colégio, no qual o
corpo apostólico persevera continuamente, junto com sua cabeça, e nunca
sem essa cabeça, é também sujeito de poder supremo e pleno sobre a
Igreja toda.”
Enquanto Jesus vivia entre os apóstolos era, claramente, o
líder do grupo. Sem embargo, no momento em que Jesus ressuscitou e
ascendeu ao Céu, S. Pedro assumiu a função de vigário de Cristo na Terra. Desde os primórdios da Igreja, os sucessores dos apóstolos, que
se espalharam por todo o mundo, jamais cessaram de agir em sintonia com
os sucessores de Pedro. Constatamos esse facto teológico ao
consultarmos os documentos mais antigos da história do cristianismo. É
óbvio que o Espírito Santo assiste a Igreja diuturnamente,
fornecendo-lhe uma seiva vital, máxime por intermédio da Eucaristia e
dos outros sacramentos.
Edson Sampel in Zenit
A homossexualidade não é compatível com o sacerdócio
A homossexualidade não é compatível com o sacerdócio. Se não, o celibato como renúncia também não teria sentido. Seria um grande perigo se o celibato se transformasse numa oportunidade para introduzir no sacerdócio pessoas que não se querem casar, já que, por alguma razão, a sua posição perante o homem ou a mulher está modificada, está alterada, não se encontra em todo o caso orientada no sentido da criação de que falámos.
A Congregação do Ensino adoptou há uns anos uma regra segundo a qual não é permitido que candidatos homossexuais sejam ordenados padres, porque a sua orientação sexual os distancia do seu sentido de verdadeira paternidade, da essência do sacerdócio. A selecção dos candidatos ao sacerdócio deve ser muito cuidadosa. Aqui, deve prevalecer a maior atenção, para que um equívoco deste tipo não penetre e, no final, leve identificar o celibato dos padres com a tendência para a homossexualidade.
in Luz do Mundo, entrevista de Peter Seewald a Bento XVI, p.148
sábado, 9 de julho de 2022
sexta-feira, 8 de julho de 2022
6 novos sacerdotes para a Fraternidade de São Pedro
quinta-feira, 7 de julho de 2022
15 anos do motu proprio Summorum Pontificum
“Assisti, pela primeira vez, à Missa Tradicional no Domingo passado. No dia seguinte, enquanto guiava, ao lembrar-me de quão bonita tinha sido a Missa, comecei a chorar. Aconteceu o mesmo hoje, depois de almoçar com uma amiga, enquanto falávamos da beleza da Missa Tradicional. O que é que está a acontecer comigo?????”
Este é o testemunho recente de Abby Johnson: ex-directora de clínica da Planned Parenthood que, ao ver um ultra-som de um bebé prestes a ser abortado lembrou-se da sua filha e percebeu que matar um bebé é um crime e uma grave injustiça, dedicando a sua vida a lutar pelo fim do aborto.
Abby Johnson viu pela primeira vez um tesouro da Igreja Católica que foi escondido nas últimas décadas à grande maioria dos seus fiéis. Essas pessoas têm direito a ter acesso a esse tesouro (Missa Tradicional) e ninguém, nem sequer o seu Bispo, lhes pode retirar esse direito.
Foi exactamente isso que disse o Papa Bento XVI no motu proprio Summorum Pontificum, que foi publicado no dia 7 de Julho de 2007, há 15 anos.
terça-feira, 5 de julho de 2022
A influência de um Sacerdote na vida dos seus paroquianos
Relato de um viajante que passou por Ars, à época de São João Maria Vianney, o Cura d'Ars: Três homens arrastavam com dois cavalos uma árvore cortada. Chegando a um riacho, o Fontblin, um dos cavalos recuou, pisou em falso e caiu, ferindo-se. Os homens acudiram, tirando o animal da penosa situação. Nenhum dos três deu sinal de cólera, nem proferiram imprecações, nem surraram o pobre animal. Tão grande domínio de si era para mim coisa nunca vista!
O Padre Vianney recomendava aos seus paroquianos o "Abençoai, Senhor" e a acção de graças antes e depois das refeições, e a recitação do Angelus, três vezes ao dia, onde quer que se achassem e sem quaisquer respeitos humanos. Assim que as três badaladas soavam pelo vale e transpunham as pequenas colinas, cessava o trabalho. Os homens descobriam a cabeça. As mulheres juntavam as mãos.
Todos rezavam as orações prescritas pelo zeloso pároco. Mas tal proceder merecia zombarias dos aldeões vizinhos. Diziam eles: se fordes atrás de vosso cura ele vos converterá em capuchinhos! Mas essas pilhérias em nada abatiam o bom ânimo dos fiéis paroquianos que respondiam: O nosso Cura é um santo e a ele devemos obedecer.
De 1830 a 1845, chegavam diariamente a Ars entre 300 a 400 pessoas. Durante o último ano em que o santo viveu, segundo afirma Francisco Pertinand, o número de peregrinos chegou a 80 mil, contando só os que usavam carro de serviço. O total dos peregrinos chegaria a cento e vinte mil. Nestes tempos, o abnegado e santo pároco permanecia no Confessionário durante 16 a 18 horas por dia.
Francis Trochu in 'O Santo Cura d'Ars'
segunda-feira, 4 de julho de 2022
As inúmeras vítimas da Revolução Francesa
domingo, 3 de julho de 2022
Carta de J.R.R. Tolkien para o seu filho Michael sobre as dúvidas de Fé
Falas de Fé esmorecida. Em última análise, a fé é um acto de vontade inspirado pelo amor. O nosso amor pode estar esfriado e a nossa vontade corroída pelo espectáculo das deficiências, loucura e até pecados da Igreja e os seus ministros, mas não acho que alguém que tenha Fé volte atrás por essas razões (pelo menos alguém com algum conhecimento histórico).
“Escândalo” no máximo é uma ocasião de tentação – como a indecência está para a luxúria, que não faz mas desperta. É conveniente porque tende a desviar os nossos olhos de nós mesmos e das nossas próprias falhas para encontrar um bode expiatório. Mas o acto da vontade da Fé não é um único momento de decisão final: é um acto/estado permanente e indefinidamente repetido que deve continuar – por isso rezamos por “perseverança final”. A tentação da “incredulidade” (que realmente significa rejeição de Nosso Senhor e dos Seus ensinamentos) está sempre presente dentro de nós. Parte de nós anseia encontrar uma desculpa para isso fora de nós. Quanto mais forte a tentação interior, mais prontamente e severamente seremos “escandalizados” pelos outros.
Acho que sou tão sensível quanto tu (ou qualquer outro cristão) aos “escândalos”, tanto do clero quanto dos leigos. Sofri terrivelmente durante a minha vida com padres estúpidos, cansados, esmorecidos e até maus. Mas eu sei o suficiente para saber que não devo deixar a Igreja (o que para mim significaria deixar a fidelidade de Nosso Senhor) por quaisquer dessas razões. Eu estaria a negar o Santíssimo Sacramento, isto é: chamar Nosso Senhor de fraude na Sua cara.
É preciso uma vontade fantástica de incredulidade para supor que Jesus nunca “aconteceu” e mais ainda para supor que Ele não disse as coisas que dizem que Ele disse – tão incapazes de serem “inventadas” por qualquer pessoa no mundo naquela época. Devemos, portanto, crer Nele, no que Ele disse e assumir as consequências; ou rejeitá-lo e assumir as consequências. Acho difícil acreditar que alguém que tenha recebido a Comunhão, ainda que só uma vez, pelo menos com a intenção correcta, possa rejeitá-Lo novamente sem culpa grave.
A única cura para o esmorecimento da Fé fraca é a Comunhão. Embora seja sempre Ele perfeito, completo e inviolável, o Santíssimo Sacramento não opera completamente e de uma vez por todas em nenhum de nós. Como o acto de Fé, deve ser contínuo e crescer pelo exercício. A frequência é da mais alta importância.
Sete vezes por semana é mais nutritivo do que sete vezes com intervalos. Também posso recomendar isso como um exercício: comunga em circunstâncias que afectem o teu gosto. Escolhe um padre a fungar do nariz e tagarela ou um frade orgulhoso e vulgar; e uma igreja cheia da habitual multidão burguesa, crianças mal-comportadas – desde os que gritam até aos produtos das escolas católicas que no momento em que o tabernáculo é aberto se sentam e bocejam – jovens de pescoço sujo, mulheres de calças e muitas vezes com cabelos tanto desleixados quanto descobertos. Vai à comunhão com eles (e ora por eles). Será exactamente igual (ou melhor do que) a uma missa lindamente rezada por um homem visivelmente santo e compartilhada por algumas pessoas devotas e decorosas.
Estou convencido das afirmações petrinas; e parece haver pouca dúvida de qual é a Igreja Verdadeira, o templo do Espírito morrendo, mas vivo, corrupto, mas santo, auto-reformado e ressuscitado. Aquela Igreja da qual o Papa é o chefe reconhecido na Terra tem a principal reivindicação de que é aquela que sempre defendeu o Santíssimo Sacramento; e deu-Lhe a maior honra; e O colocou (como Cristo claramente pretendeu) no local privilegiado. “Apascenta as minhas ovelhas” foi o seu último encargo a São Pedro; e como as Suas palavras são para serem entendidas em primeiro lugar literalmente, suponho que elas se refiram principalmente ao Pão da Vida.
11 grandes citações do Papa Bento XVI sobre a Liturgia e a Missa
«A
reforma litúrgica, na sua realização concreta, distanciou-se a si mesma
ainda mais da sua origem. O resultado tem sido não uma reanimação, mas
devastação. Em vez da liturgia, fruto dum desenvolvimento contínuo,
puseram uma liturgia fabricada. Esvaziaram um processo vital de
crescimento para o substituir por uma fabricação. Não quiseram continuar
o desenvolvimento, a maturação orgânica de algo vivo através dos
séculos, e substituíram-na, à maneira da produção técnica, por uma
fabricação, um produto banal do momento.»
(Revue Theologisches, Vol. 20, Fev. 1990, pgs. 103-104)
(Revue Theologisches, Vol. 20, Fev. 1990, pgs. 103-104)
2. Sobre aqueles que apreciam a [antiga] Missa em Latim serem tratados erradamente como "leprosos":
«Para promover uma verdadeira
consciência em matérias litúrgicas, é também muito importante que a
proibição contra a forma da liturgia em uso válido até 1970 (a antiga Missa em Latim) seja levantada. Qualquer pessoa que hoje em dia defenda a
existência contínua desta liturgia ou que participe nela é tratada como
um leproso; toda a tolerância acaba aqui. Nunca houve nada como isto na
história; ao fazer isto estamos a desprezar e a proibir o passado
inteiro da Igreja. Como é que uma pessoa pode confiar nela no presente
se as coisas são assim?»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, 2000)
(Introdução ao Espírito da Liturgia, 2000)
3. Sobre a degeneração da liturgia e os "fabricantes litúrgicos":
«Temos
uma liturgia que degenerou a ponto de se tornar num espectáculo que,
com sucesso momentâneo para o grupo de fabricantes litúrgicos, se
esforça para tornar a religião interessante na sequência das
frivolidades da moda e das máximas sedutoras da moral. Consequentemente,
a tendência é a cada vez maior diminuição do mercado daqueles que não
procuram a liturgia para um espectáculo espiritual mas para um encontro
com o Deus vivo diante do Qual todo o 'fazer' se torna insignificante,
visto que apenas este encontro é capaz de nos garantir acesso à
verdadeira riqueza do ser.»
(Prefácio do Cardeal Ratzinger à tradução francesa de Reform of the Roman Liturgy por Monsignor Klaus Gamber, 1992).
(Prefácio do Cardeal Ratzinger à tradução francesa de Reform of the Roman Liturgy por Monsignor Klaus Gamber, 1992).
4. Sobre a "desintegração da liturgia":
«Estou convencido que a crise que a Igreja está a experimentar hoje é, em grande parte, devida à desintegração da liturgia.»
(Autobiografia)
(Autobiografia)
5. Contra a "liturgia caseira":
«Também
vale a pena observar aqui que a 'criatividade' envolvida nas liturgias
fabricadas tem um alcance muito restrito. É pobre em comparação com a
riqueza da liturgia recebida nas centenas e milhares de anos de
história. Infelizmente, os autores das liturgias caseiras são mais
lentos a aperceber-se disto do que os seus participantes...»
(The Feast of Faith, p. 67-68)
(The Feast of Faith, p. 67-68)
6. Sobre a [antiga] Missa em Latim como a "mais Santa e Elevada posse":
«Sou
da opinião, para ser sincero, que o Rito Antigo devia ser concedido
muito mais generosamente a todos aqueles que o desejam. É impossível ver
o que poderia ser perigoso ou inaceitável nisso. Uma comunidade está a
pôr o seu próprio ser em questão quando subitamente declara aquilo que
até era a sua mais santa e elevada posse como estritamente proibida, e
quando declara os desejos por ela absolutamente indecentes.»
(Sal da Terra, 1997)
(Sal da Terra, 1997)
7. Sobre o perigo dos criativos que "presidem" à Missa:
«Na
realidade o que se passou foi que uma clericalização sem precedentes
entrou em cena. Agora o sacerdote - o que 'preside', como agora o preferem chamar - torna-se o verdadeiro ponto de referência para toda a
Liturgia. Tudo depende dele. Temos que o ver a ele, responder-lhe a
ele, estar envolvidos naquilo que ele está a fazer. A sua criatividade
sustém a coisa toda.»(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
8. Sobre o perigo do "planeamento criativo da liturgia":
«De forma não surpreendente, as pessoas tentam reduzir este novo papel criado ao
atribuir todos os tipos de funções litúrgicas a indivíduos diferentes e
confiando o planeamento 'criativo' da Liturgia a grupos de pessoas que
gostam de o fazer, e que devem 'dar a sua própria opinião'. Cada vez menos e menos
Deus é o centro. Cada vez é mais e mais importante o que é feito pelos
seres humanos que se encontram aqui e não gostam de se sujeitar a um padrão pré-determinado.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
9. Sobre porque é que o sacerdote não devia estar voltado para o povo durante a Missa:
«O
facto de o sacerdote se ter virado para o povo tornou a comunidade num
círculo fechado sobre si próprio. Na sua forma exterior já não se abre
ao que está à frente e por cima, mas está fechado para si mesmo. O comum
voltar-se para Oriente não era uma celebração virada para a parede;
não significava que o sacerdote tinha as suas costas voltadas para o
povo: o próprio sacerdote não era visto como tão importante. Porque tal
como a assembleia na sinagoga olhava junta para Jerusalém, também na
liturgia cristã a assembleia olhava junta para o Senhor.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
10. Sobre o sacerdote e o povo voltados para a mesma direcção:
«Por
outro lado, o comum voltar-se para o Oriente durante a Oração
Eucarística continua a ser essencial. Isto não é uma questão de
acidentes mas de essências. Olhar para o sacerdote não tem importância
nenhuma. O que importa é olhar juntos para o Senhor.»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
11. Sobre o "fenómeno absurdo" de substituir o crucifixo pelo sacerdote:
«Mover
a cruz do centro do altar para o lado do altar, para dar uma visão sem obstáculos do
sacerdote é algo que eu vejo como um dos fenómenos mais absurdos das décadas recentes. A cruz é um obstáculo durante a Missa? O sacerdote é
mais importante que Nosso Senhor?»
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
Taylor Marshall
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)
Taylor Marshall
Temas:
Liturgia,
Papa Bento XVI,
Santa Missa,
Taylor Marshall
sábado, 2 de julho de 2022
Os 4 dogmas sobre Nossa Senhora
Os dogmas de Maria (verdades de fé declaradas por um Concílio ou por um Papa, nas quais o fiel deve crer) foram enunciados em momentos importantes para a história da Igreja e tocam em pontos sensíveis relativos à doutrina.
Maternidade divina
Jesus Cristo é uma pessoa divina (que assumiu a natureza humana) e Maria é a Sua mãe. Foi declarado no Concílio de Éfeso, em 431. Na época a Igreja vivia uma profunda polémica interna causada pelos nestorianos, corrente muito popular entre as comunidades cristãs do Oriente. Segundo eles, Jesus tinha duas naturezas, uma humana e outra divina, mas pouco ligadas. Maria seria mãe apenas de Cristo. Para combater esse pensamento, a Igreja outorgou-lhe o título de Theotokos, expressão grega que significa Mãe de Deus
Virgindade perpétua
Maria foi virgem antes, durante e depois do parto. Foi declarado no segundo Concílio de Constantinopla, em 553. A virgindade de Maria é uma ideia tradicional, que remonta às origens do cristianismo, mas gerou bastante polémica ao longo da história da Igreja. Foi questionada pelos pagãos, que não compreendiam como uma virgem poderia dar à luz. Já as tendências gnósticas dentro do cristianismo achavam que Jesus era filho de José
Imaculada Conceição
Maria foi durante a sua vida isenta de pecado. Todo o resto da Humanidade está ligado ao pecado original, daí a necessidade da Salvação. Proclamado pelo papa Pio IX, teve como pano de fundo a luta que na época a Igreja travava contra o racionalismo. A corrente negava a possibilidade de forças sobrenaturais agirem no mundo. Este dogma realça justamente a intervenção directa de Deus no mundo, ao excluir Maria do pecado
Assunção
Após a morte, Maria subiu ao Céu em corpo e alma. Depois de Cristo, foi a única criatura que teve esta distinção. Foi declarado por Pio XII no pós-guerra, em 1950. Após a maciça mortantade da Segunda Guerra, o dogma fala da santidade da vida e da dignidade dos corpos humanos, ao lembrar que eles também estão destinados à Ressurreição.
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