quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Frades Dominicanos prostram-se antes de comungar

Missa Solene no Dia dos Fiéis Defuntos, celebrada em Rito Dominicano na Casa de Estudos, em Washington D.C.

Antes de receber a Sagrada Comunhão, os frades dominicanos fazem a chamada 'vénia', que consiste em prostrar-se de lado. É um sinal de humildade antes de receber o próprio Deus que Se encontra presente na Hóstia consagrada.

Fotografia: Father Lawrence Lew O.P.


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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

A multidão que vive em pecado mortal

"São uma legião, por desgraça, os homens que vivem habitualmente em pecado mortal. Absorvidos quase completamente pelas preocupações da vida, envolvidos nos negócios profissionais, devorados por uma sede insaciável de prazeres e diversões e submersos numa ignorância religiosa que chega muitas vezes a extremos incríveis, não se colocam o problema do mais além."

Antonio Royo Marín O.P. in Teología Perfección Cristiana


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A descoberta milagrosa das relíquias de Santo Estevão

Até 1960, a Igreja comemorava neste dia 3 de Agosto a descoberta milagrosa das relíquias de Santo Estevão, o primeiro mártir do cristianismo. 

Depois da morte de Santo Estêvão, por apedrejamento pelos judeus, o seu corpo não foi sepultado, mas foi atirado às bestas e aves. Gamaliel, um fariseu, membro do Grande Conselho, e doutor da lei respeitado por todo o povo, tendo se voltado para a Fé em Jesus Cristo como o Messias, defendendo-O no Sinédrio (At 5, 34-40), na segunda noite após a morte de Estevão enviou pessoas da sua confiança para que encontrassem e lhe trouxessem o corpo do mártir, sepultando-o numa caverna da sua propriedade que se encontrava perto de Jerusalém. 

A Igreja instituiu esta segunda festa do Santo Protomártir Estevão para comemorar a descoberta de suas relíquias junto às de Gamaliel, Habib e Nicodemos. A descoberta foi feita pelo Padre Luciano em Gamala da Palestina, no ano 415. No túmulo constava a inscrição “KEAYEA CELIEL”, que significa “Servo de Deus”. O Bispo de Lidda, avisado pelo Padre Luciano, estava presente na exumação. 

Este é a descrição do sonho em que Gamaliel aparece ao Padre Luciano e lhe explica onde estão as relíquias: 

"Eu dormia, ao cair da noite, na minha cama, no lugar santo do baptistério, onde eu costumava dormir para guardar os objectos úteis para o ministério. Na terceira hora da noite, caí numa espécie de êxtase, meio adormecido, e vi um homem velho de grandes proporções físicas, sacerdote de grande dignidade, com cabelos brancos, barba longa, usando uma grande estola branca adornada com botões d'ouro com uma cruz no meio. Na sua mão segurava um cajado de ouro.

Aproximou-se de mim e, colocando-se à minha direita, tocou-me com o seu bastão d'ouro. De seguida, depois de ter chamado o meu nome três vezes: "Luciano, Luciano, Luciano," ele disse em grego: "Ide à cidade de Aelia, que é Jerusalém, e dizei ao Santo Bispo João estas palavras: «Quanto tempo permaneceremos ainda prisioneiros e sem que nos abram as portas? Devemos ser revelados sob o vosso episcopado. Não demoreis a abrir o túmulo no qual os nossos restos mortais foram depostos sem honras, para que, através de nós, Deus, o Seu Cristo e o Espírito Santo, abra a porta da clemência sobre o Mundo, porque as inúmeras quedas que o Mundo testemunha colocam-no em perigo todos os dias. Além disso, mais do que comigo, eu preocupo-me com aqueles santos realmente dignos de todas as honras.»"

Respondi assim: "Quem sois vós, senhor, e quem são aqueles que estão convosco?" Ele respondeu: "Eu sou Gamaliel, sou o que educou Paulo e lhe ensinou a Lei de Jerusalém. Perto de mim, em direcção ao Oriente, está enterrado Estevão, que os princípes e sacerdotes judeus apedrejaram em Jerusalém por causa da fé em Cristo, fora da cidade, perto do portão norte, na estrada para Cedar. 

Naquele lugar, o corpo de Estevão permaneceu um dia e uma noite, deitado no chão, sem sepultura, exposto às feras ferozes, das quais, de acordo com a ordem iníqua dos príncipes dos sacerdotes, deveria tornar-se presa. Mas Deus não quis que Estevão sofresse aquele destino [...]. E eu, Gamaliel, cheio de piedade do destino do ministro de Cristo, [...] enviei durante a noite homens piedosos, que viviam em Jerusalém, dos quais eu conhecia a fé em Cristo, e transmiti-lhes todas as minhas recomendações.
  
Dei-lhes tudo o que precisavam e convenci-os a ir secretamente ao lugar do martírio, levar o corpo e conduzi-lo, com um dos meus carros, até à minha casa de campo chamada Caphargamala, isto é 'Casa de campo de Gamaliel', a vinte milhas da cidade. Ali fiz celebrar o funeral que durou quarenta dias e depositei o corpo na sepultura que tinha construído naquele lugar, na parte situada a Oriente, e dei àquela gente o dinheiro necessário para suportar as despesas do funeral."
  
E eu, o humilde Padre Luciano, dirigi a Gamaliel esta pergunta: "Onde devemos procurar?" Gamaliel respondeu: "No meio do subúrbio", o que poderia ser dito de um campo bastante perto da casa de campo, chamado Delagabria, isto é ‘Campo dos homens de Deus’."

Carta de Luciano, 3 de Dezembro de 415, cap. XXII


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terça-feira, 2 de agosto de 2022

O castigo dos pecados do Padre

Consideremos agora o castigo, que tem de ser proporcionado à gravidade do seu pecado. S. João Crisóstomo tem por condenado o padre que no tempo do seu sacerdócio comete um só pecado mortal: Se pecardes como particular, será menor o vosso castigo; se pecais no sacerdócio, estais perdidos. São em verdade terríveis as ameaças, que o Senhor profere pela boca de Jeremias contra os padres que pecam: Estão manchados o profeta e o sacerdote, e eu encontrei na minha casa a iniquidade deles, diz o Senhor.

Por isso o seu caminho será como um atalho escorregadio e coberto de trevas; hão de impeli-los e cairão. Que esperança de vida poderíeis dar a quem caminhasse à borda dum precipício, em terreno escorregadio e às escuras, sem ver onde punha os pés, e ao mesmo tempo impelido fortemente para o abismo por seus inimigos? Tal é o estado desgraçado a que se encontra reduzido o padre que comete um pecado mortal.

Lubricum in tenebris. Pecando, o padre perde a luz e cai nas trevas. Mais lhes valera, assegura S. Pedro, não ter conhecido o caminho da justiça, do que voltar atrás depois de o haver conhecido. Ó, sem dúvida, mais valia para um padre que peca ser antes um camponês ignorante, que nunca tivesse estudado coisa alguma; porque depois de tantos conhecimentos adquiridos, — pelos livros que leu, pelos oradores sagrados que ouviu, pelos diretores que teve — depois de tantas luzes recebidas de Deus, o desgraçado calca aos pés todas as graças, pecando, e merece que as luzes recebidas só sirvam para o tornar mais cego e impenitente. A maior ciência, diz S. Crisóstomo, dá lugar a mais severo castigo; se o pastor cometer os mesmos pecados que as suas ovelhas, não receberá o mesmo castigo, mas uma pena muito mais dura. Um padre cometerá o mesmo pecado que os seculares; mas sofrerá um castigo muito maior, permanecerá mais profundamente cego que todos os outros; será punido conforme o anúncio do Profeta: Que vendo não o vejam, e ouvindo não compreendam.

É o que a experiência deixa ver, diz o autor da Obra imperfeita: Um secular, depois de pecar, facilmente se arrepende. Se assiste a uma missão, se ouve um sermão enérgico sobre alguma verdade eterna, — malícia do pecado, certeza da morte, rigor do juízo de Deus, penas do inferno, entra facilmente em si e volta-se para Deus; porque estas verdades, como coisas novas, tocam-no e penetram-no de temor. Mas quando um padre há calcado aos pés a graça de Deus, com todas as luzes e conhecimentos recebidos, — que impressão podem fazer ainda nele as verdades eternas e as ameaças das divinas Escrituras? Tudo quanto encerra a Escritura, continua o mesmo autor, é para ele uma coisa sediça de pouco valor; porque as coisas mais terríveis que lá se encontram, por muito lidas, já lhe não fazem impressão. Donde conclui que nada mais impossível que a emenda de quem sabe tudo e peca.

Quanto maior é a dignidade dos padres, diz S. Jerónimo, tanto maior é a sua ruína, se num tal estado chegam a abandonar a Deus. Quanto mais alto é o posto em que Deus os colocou, diz S. Bernardo, tanto mais funesta será a sua queda. Quando se cai em plano, diz S. Ambrósio, raro se experimenta grande mal; mas cair de alto não é só cair, é precipitar-se, e a queda será mortal.

Nós os padres regozijamo-nos, diz S. Jerónimo, por nos vermos erguidos a tão alta dignidade; mas seja igual o nosso temor de cair. Parece que é aos padres que Deus fala, quando diz pela boca de Ezequiel: Coloquei-vos sobre o monte santo de Deus… e vós pecastes; e eu vos expulsei do monte de Deus, e vos entreguei à ruína. Vós que sois padres, diz o Senhor, eu vos estabeleci sobre a montanha santa, para serdes os faróis do universo: Sois vós a luz do mundo. Uma cidade assente no cimo duma montanha não pode estar escondida.

Tem pois razão S. Lourenço Justiniano em dizer que quanto maior é graça concedida por Deus aos padres, tanto mais digno de castigo é o seu pecado, e quanto mais alto o seu estado, mais mortal a sua queda. Quem cai num rio, diz Pedro de Blois, mergulha tanto mais fundo, quanto de mais alto tiver caído.

Compreende bem, ó padre: Deus, elevando-te ao sacerdócio, ergueu-te até ao Céu, e fez de ti, já não um homem da terra, mas um homem celeste, pensa pois quanto te será funesta uma queda, segundo o aviso de S. Pedro Crisólogo. A tua queda, diz S. Bernardo, será semelhante à do raio que se precipita com impetuosidade. Quer dizer que a tua perda será irreparável. Assim, ó desgraçado, cairá sobre ti a ameaça que o Senhor lançou sobre Cafarnaum: E tu, ó Cafarnaum, erguida até ao Céu, serás abatida até ao inferno.

Um padre que peca merece tal castigo, por causa da sua ingratidão para com Deus, a quem deve um reconhecimento tanto maior quanto recebeu dele os maiores benefícios, como nota S. Gregório. Merece o ingrato ser privado de todos os bens que recebera, como observa um sábio autor. Jesus Cristo disse: Ao que já possui, dar-se-á, e ele estará na abundância; mas o que nada possui, ver-se-á despojado até do que parecia ter. Quem é grato para com Deus obterá maior abundância de graças; mas um padre que, depois de tantas luzes, depois de tantas comunhões, volta as costas a Deus, e desprezando todos os favores recebidos, renuncia à sua graça, — este padre será com justiça privado de tudo. É o Senhor liberal com todas as suas criaturas, mas nunca com os ingratos. A ingratidão, diz S. Bernardo, faz estancar a fonte da bondade divina.

Por isso S. Jerónimo pôde dizer: Nenhuma besta há no mundo mais feroz que um mau padre, porque esse não se quer deixar corrigir. E o autor da Obra imperfeita: Os leigos facilmente se emendam, mas um mau eclesiástico é incorrigível. Segundo S. Damião, é de preferência aos padres pecadores que se aplicam estas palavras do Apóstolo: Porque os que foram alumiados, os que saborearam o dom celeste, e receberam o Espírito Santo… depois caíram, é impossível que se renovem pela penitência. 

Com efeito, quem mais que o padre recebeu de Deus graças abundantes? Quem mais do que ele gozou dos favores do Céu e participou dos dons do Espírito Santo? Segundo S. Tomás, permaneceram obstinados no pecado os anjos rebeldes, porque pecaram em face da luz; é assim, escreve S. Bernardo, que o padre será tratado por Deus: tornado anjo do Senhor, ou há de ser eleito como anjo, ou réprobo como o anjo. Eis o que o Senhor revelou a S. Brígida: Olho os pagãos e os judeus, mas não vejo ninguém pior que os padres: o seu pecado é como o que precipitou Lúcifer. E notemos aqui o que diz Inocêncio III: Muitas coisas que nos leigos são pecados veniais, nos eclesiásticos são mortais.

É ainda aos padres que se aplicam estas palavras de S. Paulo: Uma terra, que, depois de muito regada pelas chuvas, só produz espinhos e silvas, está reprovada e sujeita a maldição: acabará por ser entregue ao fogo. Que chuva de graças não recebe de Deus continuamente o padre? E contudo, em vez de frutos, só produz silvas e espinhos: Desgraçado! Está prestes a ser reprovado e a receber a maldição final, para ir, depois de tantas graças, que Deus lhe prodigalizou, arder no fogo do inferno! — Mas, que temor pode ter ainda do fogo do inferno um padre, que voltou as costas a Deus? 

Os padres que pecam perdem a luz, como levamos dito, e perdem também o temor de Deus. É o Senhor quem no-lo declara: Se eu sou o Senhor, onde está o meu temor, vos diz o Senhor, a vós, ó padres, que desprezais o meu nome?. Segundo S. Bernardo, os sacerdotes, caindo da altura a que se acham elevados, de tal modo se afundam na malícia, que perdem a lembrança de Deus, e tornam-se surdos a todas as ameaças da justiça divina, a tal ponto que nem o perigo da sua condenação os espanta.

Mas que haverá nisso de admirável? O padre, pecando, cai no fundo do abismo, onde fica privada da luz e despreza tudo. Acontece então o que diz o Sábio: Caído no fundo do abismo do pecado, o ímpio despreza. Este ímpio é o padre que peca por malícia; um só pecado mortal o precipita no fundo das misérias, em que cegamente permanece mergulhado. Nesse estado despreza tudo: castigos, advertências, presença de Jesus Cristo, a quem toca no altar. Não córa de se tornar pior que o traidor Judas, como o próprio Senhor um dia disse a S. Brígida: Tais padres já não são sacerdotes meus, mas verdadeiros traidores. Sim, tais padres são verdadeiros traidores, porque abusam da celebração da Missa, para ultrajarem mais cruelmente a Jesus Cristo pelo sacrílego .

E qual será, depois de tudo, o triste fim do padre mau? Ei-lo: Praticou a iniquidade na terra dos santos, não verá a glória do Senhor. Será, numa palavra, o abandono de Deus, e depois o inferno. — Mas, dirá alguém, essa linguagem é demasiado aterradora: quereis lançar-nos da desesperação? — Respondo com S. Agostinho: Se vos espanto, “é que eu próprio estou espantado”. — Assim, dirá um padre, que tiver tido a desgraça de ofender a Deus no sacerdócio, não haverá para mim esperança de perdão? — Ó, não posso afirmar isso; haverá esperanças, desde que haja arrependimento do mal cometido. 

Que esse padre seja pois extremamente reconhecido para com o Senhor, se ainda se vê ajudado da graça; mas é preciso que se apresse a dar-se a Deus, enquanto o chama, conforme o aviso de S. Agostinho: “Abramos os ouvidos à voz de Deus, enquanto nos chama, com receio de que se recuse a ouvir-nos, quando estiver prestes a julgar-nos”.

Santo Afonso Maria de Ligório


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domingo, 31 de julho de 2022

Santo Inácio de Loyola e as perseguições

Foi com Santo Inácio que fiz uma das mais importantes descobertas que mudou radicalmente a minha vida, e que sintetizo desta forma: “A doutrina da Igreja não é um pesado jugo que temos de carregar sobre os nossos ombros: é um dos dons mais preciosos que Jesus nos deixou para acertarmos caminho”.

Estou profundamente grato a Santo Inácio por esta descoberta que me abriu o caminho da verdadeira felicidade (o caminho da conversão e da santidade). Naturalmente, neste caminho, que segundo as palavras de Jesus, não é uma “estrada larga” mas uma “estrada estreita”, não nos devemos surpreender se aparecem dificuldades e mesmo perseguições, tal como o próprio Cristo previu.

Sobre isto escrevia São Cláudio La Colombière, SJ, meditando na sua própria experiência de vida: “É estranho a quantidade de inimigos que temos que combater desde o momento que tomamos a resolução de nos tornarmos santos. Parece que tudo se desencadeia: o Demónio com as suas astúcias, o mundo com os seus atractivos, a natureza com sua resistência que se opõe aos nossos bons desejos; os louvores dos bons, a crítica dos maus, as pressões dos tíbios”...

Mas, na verdade, se queremos seguir Jesus não há outro caminho. Como disse Jesus: “O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós” (Jo 15, 20). Resta-nos seguir Jesus, imitá-lo e confiar: “Para imitar e parecer-me mais actualmente com Cristo nosso Senhor, eu quero e escolho antes pobreza com Cristo pobre que riqueza; desprezos com Cristo cheio deles que honras; e desejo mais ser tido por insensato e louco por Cristo que primeiro foi tido por tal, que por sábio ou prudente neste mundo” (Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais 167).

Como não há nada de mais belo neste mundo do que ser discípulo de Jesus e "acertar o caminho", eu sou o homem mais feliz e agradecido do mundo! Obrigado Santo Inácio. Guia-me sempre no caminho da vontade de Deus.

Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo; Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo. Tudo é vosso, disponde de tudo, à vossa inteira vontade. Dai-me o vosso amor e graça, que esta me basta.

(Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais 234)

Pe. Fernando António


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Breve biografia de Santo Inácio de Loyola e a relação com os Beneditinos

Nasceu em Loyola, na Espanha do Norte, em 1491. Oitavo filho duma família de 13, entrou o jovem senhor de Loiola como pajem na corte de Fernando V. De natural ardente e belicoso, deixou-se seduzir pela carreira das armas.

Tendo sido gravemente ferido no cerco de Pamplona, deram-lhe na convalescença a ler, por falta de romances de cavalaria, a vida de Jesus Cristo e dos Santos. A leitura destes livros, que nunca lhe prendera os olhos, foi uma revelação para ele. Compreendeu que também a Igreja devia possuir uma milícia para defender, às ordens do representante de Jesus Cristo [o Papa], os interesses invioláveis do Deus dos exércitos. 

Colocou pois a espada aos pés da Virgem na célebre abadia beneditina de Monserrate, e a sua alma generosa que outrora se deixara empolgar pelas glórias do mundo, não aspirou daí por diante senão por trabalhar o mais possível pela glória do Rei dos Céus, a quem só iria doravante servir.

Na noite de 25 de Março, que se celebra o mistério da Anunciação e Incarnação do Verbo, fez a sua velada de armas e a Mãe de Deus armou-o cavaleiro de Cristo e da Igreja militante, sua esposa.

Dentro de pouco tempo, será o General dessa admirável Companhia de Jesus, suscitada por Deus para combater o protestantismo, o jansenismo e o paganismo renascente. Os filhos de S. Bento continuarão no alto da montanha a celebrar os louvores divinos, prelúdio da liturgia do Céu, os quais o Santo recomendava com insistência aos fiéis e a que nunca assistia sem chorar. E ele, sacrificando-se à nova missão de que o Senhor o incumbiu, descerá cá abaixo ao campo para fazer frente aos exércitos do inimigo, cujo embate o seu instituto é o primeiro sempre a experimentar.

Para conservar nos seus filhos aquela vida interior exigida pela actividade militante a que se devotam, Santo Inácio dotou-os duma forte estrutura hierárquica e deixou-lhes, como poderoso guia, um tratado magistral, recomendado altamente pela Santa Igreja, os ‹‹Exercícios Espirituais››, com que se têm santificado milhares de almas. Tem-se dito que foi no ‹‹Exercitatorum›› do abade beneditino Cisneros (1050) de Monserrate que o Santo se inspirou. De qualquer modo que seja, o certo é que os compôs em Manresa de maneira muito diferente e pessoal.

Santo Inácio arma os seus filhos com o escudo do nome de Jesus, dá-lhes por couraça o amor de Deus que o Salvador veio reacender na terra e por espada a palavra e a pena, o apostolado sobre todas as formas. Aos pés da Virgem, na Abadia beneditina de Monserrate, pegou Inácio a primeira vez nas suas novas armas, e em S. Dinis de Paris, dos beneditinos também, na festa da Assunção de 1539, e mais tarde no altar da Virgem da basílica de S. Paulo fora-dos-muros, servida pelos beneditinos, funda a Companhia de Jesus.

Em 1814, Pio VII, monge beneditino da abadia de Nossa Senhora de Cesena, restabelece a Companhia com todos os seus direitos. Foi Deus quem uniu aos pés da Virgem estas duas Ordens que tão poderosamente têm defendido a Igreja, porque Marta e Maria, a acção e a contemplação, contribuem ambas por meios diferentes para a glória de Deus. Por isso é que são tão semelhantes as divisas destas duas famílias religiosas: U.I.O.G.D. ‹‹Que em tudo Deus seja glorificado››. A.M.D.G. ‹‹Para maior glória de Deus››. Fazer tudo para glória de Deus e fazê-lo para a sua maior glória é o acume da santidade. 

É esta a finalidade da criação e da elevação do homem ao estado sobrenatural e dos conselhos evangélicos que arrastam do mundo as almas religiosas que se querem consagrar de modo mais perfeito ao serviço de Deus. Bento encheu a Europa de monges missionários, cujo múnus principal consiste na condigna celebração dos louvores divinos; Inácio, com os seus sacerdotes apóstolos, manifestam a sua vida interior na operosa actividade a que indefesamente se consagram. É a mesma árvore do amor de Deus, produzindo os mesmos frutos em ramos diferentes.

Quando Santo Inácio morreu em 31 de Julho de 1556, a Companhia contava já 12 províncias e 100 colégios. Peçamos a este grande Santo a graça de nos alcançar que os mistérios sacrossantos da Missa, fonte de toda a santidade, nos santifiquem no amor da verdade para que, combatendo na Terra a seu exemplo e com o auxílio da sua intercessão, mereçamos ser com ele coroados no Céu.

in Missal Quotidiano e Vesperal, Desclée de Brouwer, Bruges (1957)


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sábado, 30 de julho de 2022

A evidência racional do sobrenatural

É por motivos racionais, embora não seja por razões simples, que adiro ao cristianismo. Consistem esses motivos numa acumulação de factos diversos, que é também aquilo que justifica a atitude do agnóstico comum. Acontece, porém, que o agnóstico percebeu tudo mal. Ele é descrente por uma série de razões - todas elas falsas. 

Ele duvida porque a Idade Média foi uma idade bárbara, quando a verdade é que não foi; porque o darwinismo está provado, quando a verdade é que não está; porque não há milagres, quando a verdade é que há; porque os monges eram preguiçosos, quando a verdade é que eram diligentes; porque as freiras são infelizes, quando a verdade é que são particularmente alegres; porque a arte cristã era triste e apagada, quando a verdade é que era feita de cores berrantes e recoberta a ouro.

Contudo, no meio destes milhões de factos, todos orientados para o mesmo ponto, há naturalmente uma questão que se coloca, uma questão suficientemente sólida e distinta para ser tratada de forma breve, mas independente; refiro-me à ocorrência objectiva do sobrenatural. Dispomos de uma quantidade imensa de testemunhos humanos a favor do sobrenatural. 

Se as pessoas os rejeitam, só pode ser por uma de duas razões: rejeitam a história que o camponês conta acerca do fantasma, ou porque o homem é um camponês, ou porque se trata de uma história de fantasmas; isto é, ou negam o princípio de base da democracia, ou afirmam o princípio de base do materialismo, que consiste na impossibilidade abstracta de haver milagres. Têm todo o direito de o fazer; mas, em ambos os casos, essas pessoas é que estão a ser dogmáticas. Nós, os cristãos, aceitamos os indícios de facto; os racionalistas é que se recusam a aceitar as provas, e são constrangidos a fazê-lo em virtude do credo que professam. 

Por mim, não estou constrangido por credo algum relativo a esta matéria; de maneira que, analisando de forma imparcial determinados milagres dos tempos medievais e modernos, cheguei à conclusão de que eles de facto de se deram. Todos os argumentos contra estes factos são circulares. 

Se eu disser: "Os documentos medievais atestam determinados milagres como atestam determinadas batalhas", respondem-me: "É que os medievais eram supersticiosos"; mas, se eu quiser saber em que medida é que eles eram supersticiosos, a resposta será, em última análise, que o eram porque acreditavam em milagres. Se eu disser: "Um camponês viu um fantasma", respondem-me: "É que os camponeses são muito crédulos"; mas, se eu perguntar: "Mas porque é que eles são crédulos?", a única resposta que recebo é: "Porque vêem fantasmas." 

G.K. Chesterton in Orthodoxia


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sexta-feira, 29 de julho de 2022

Quem disse que os homens não gostam de Missa?



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Marta e Maria vistas por Santa Teresinha do Menino Jesus

Uma alma abrasada de amor não pode ficar inactiva. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a sua palavra doce e inflamada. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse. Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir. 

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica. Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores génios? 

Houve um sábio que disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.» O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderosos deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca a oração, que abrasa com fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

Santa Teresa de Lisieux in Manuscrito autobiográfico C, 36 r° - v°


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quinta-feira, 28 de julho de 2022

Ainda o Congresso 'Ars Celebrandi' 2022



















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Rezar de joelhos faz sentido?

A oração de joelhos torna-se necessária sempre que acusamos os nossos pecados diante de Deus, e Lhe suplicamos que deles nos cure e nos absolva. Essa atitude é o símbolo da humilhação e da submissão de que fala Paulo, quando escreve: «É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, do qual recebe o nome toda a paternidade nos céus e na terra» (Ef 3,14-15). 

Trata-se da genuflexão espiritual, assim chamada porque todas as criaturas adoram a Deus no nome de Jesus e a Ele se submetem humildemente. O apóstolo Paulo parece fazer uma alusão a isso quando diz: «Para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra» (Fil 2,10).

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo, A Oração, 31


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quarta-feira, 27 de julho de 2022

Sacerdote detido mais de 70 vezes por lutar contra o aborto

Vídeo em memória do Padre Norman Wesley, que foi preso mais de 70 vezes por rezar de joelhos à frente de clínicas de aborto nos Estados Unidos da América. Um verdadeiro herói pró-vida.


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terça-feira, 26 de julho de 2022

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Deus ama-me!

Em nome do Deus santo, tomo hoje a pena para que as minhas palavras, que se imprimem sobre a folha branca, sirvam de louvor perpétuo ao Deus bendito, autor da minha vida, da minha alma, do meu coração. Gostaria que o universo inteiro, com os planetas, todos os astros e os inúmeros sistemas estelares, fosse uma imensa extensão, polida e brilhante, onde eu pudesse escrever o nome de Deus. 

Gostaria que a minha voz fosse mais potente que mil trovões, mais forte que o estrépito do mar, e mais terrível que o bramido dos vulcões, para dizer apenas: Deus! Gostaria que o meu coração fosse tão grande como o céu, puro como o dos anjos, simples como o da pomba (Mt 10,16), para nele pôr Deus! Mas, dado que toda esta grandeza com que sonhaste não se pode tornar realidade, contenta-te com pouco e contigo, que não és nada, Irmão Rafael, porque o nada deve bastar-te. 

Por quê calar? Por que escondê-lO? Por que não gritar ao mundo inteiro e bradar aos quatro ventos as maravilhas de Deus? Por que não dizer às pessoas e a todos os que quiserem entender: vêem o que sou? Vêem o que fui? Vêem a minha miséria que se arrasta na lama? Pouco importa: maravilhem-se; apesar de tudo, possuo Deus. Deus é meu amigo! 

Deus ama-me, a mim, com tal amor que, se o mundo inteiro o compreendesse, todas as criaturas ficariam loucas e bramiriam de assombro. Mas isso ainda é pouco. Deus ama-me tanto, que nem os próprios anjos o compreendem! (cf 1P 1,12) A misericórdia de Deus é grande! Amar-me, a mim, ser meu Amigo, meu Irmão, meu Pai, meu Senhor, sendo Ele Deus, e eu o que sou! Ah, meu Jesus, não tenho nem papel, nem pena. Que posso dizer! Como não enlouquecer?

São Rafael Arnaiz Baron (monge trapista) in 'Escritos espirituais' (04/03/1938)


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São Tiago Maior

De São Tiago podemos aprender muitas coisas: a abertura para aceitar a chamada do Senhor também quando nos pede que deixemos a "barca" das nossas seguranças humanas, o entusiasmo em segui-lo pelos caminhos que Ele nos indica além de qualquer presunção ilusória, a disponibilidade a testemunhá-lo com coragem, se for necessário, até ao sacrifício supremo da vida. 

Assim, Tiago o Maior, apresenta-se diante de nós como exemplo eloquente de adesão generosa a Cristo. Ele, que inicialmente tinha pedido, através de sua mãe, para se sentar com o irmão ao lado do Mestre no seu Reino, foi precisamente o primeiro a beber o cálice da paixão, a partilhar com os Apóstolos o martírio.

Papa Bento XVI in 'Audiência Geral' (21.VI.2006)


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domingo, 24 de julho de 2022

Continuação do Congresso 'Ars Celebrandi' 2022



















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Os instrumentos das boas obras de acordo com a Regra de São Bento

[1] Primeiramente, amar ao Senhor Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças. 
[2] Depois, amar ao próximo como a si mesmo. 
[3] Em seguida, não matar. 
[4] Não cometer adultério. 
[5] Não furtar. 
[6] Não cobiçar. 
[7] Não levantar falso testemunho. 
[8] Honrar todos os homens. 
[9] E não fazer a outrem o que não quer que lhe seja feito. 
[10] Abnegar-se a si mesmo para seguir o Cristo. 
[11] Castigar o corpo. 
[12] Não abraçar as delícias. 
[13] Amar o jejum. 
[14] Reconfortar os pobres. 
[15] Vestir os nus. 
[16] Visitar os enfermos. 
[17] Sepultar os mortos. 
[18] Socorrer na tribulação. 
[19] Consolar o que sofre. 
[20] Fazer-se alheio às coisas do mundo. 
[21] Nada antepor ao amor de Cristo. 
[22] Não satisfazer a ira. 
[23] Não reservar tempo para a cólera. 
[24] Não conservar a falsidade no coração. 
[25] Não conceder paz simulada. 
[26] Não se afastar da caridade. 
[27] Não jurar para não vir a perjurar. 
[28] Proferir a verdade de coração e de boca. 
[29] Não retribuir o mal com o mal. 
[30] Não fazer injustiça, mas suportar pacientemente as que lhe são feitas. 
[31] Amar os inimigos. 
[32] Não retribuir com maldição aos que o amaldiçoam, mas antes abençoá-los. 
[33] Suportar perseguição pela justiça. 
[34] Não ser soberbo. 
[35] Não ser dado ao vinho. 
[36] Não ser guloso. 
[37] Não ser apegado ao sono. 
[38] Não ser preguiçoso. 
[39] Não ser murmurador. 
[40] Não ser detrator. 
[41] Colocar toda a esperança em Deus. 
[42] O que achar de bem em si, atribuí-lo a Deus e não a si mesmo. 
[43] Mas, quanto ao mal, saber que é sempre obra sua e a si mesmo atribuí-lo. 
[44] Temer o dia do juízo. 
[45] Ter pavor do inferno. 
[46] Desejar a vida eterna com toda a cobiça espiritual. 
[47] Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo. 
[48] Vigiar a toda hora os actos de sua vida. 
[49] Saber como certo que Deus o vê em todo lugar. 
[50] Quebrar imediatamente de encontro ao Cristo os maus pensamentos que lhe advêm ao coração e revelá-los a um conselheiro espiritual. 
[51] Guardar a sua boca da palavra má ou perversa. 
[52] Não gostar de falar muito. 
[53] Não falar palavras vãs ou que só sirvam para provocar riso. 
[54] Não gostar do riso excessivo ou ruidoso. 
[55] Ouvir de boa vontade as santas leituras. 
[56] Dar-se frequentemente à oração. 
[57] Confessar todos os dias a Deus na oração, com lágrimas e gemidos, as faltas passadas e 
[58] daí por diante emendar-se delas. 
[59] Não satisfazer os desejos da carne. 
[60] Odiar a própria vontade. 
[61] Obedecer em tudo às ordens do Abade, mesmo que este, o que não aconteça, proceda de outra forma, lembrando-se do preceito do Senhor: "Fazei o que dizem, mas não o que fazem". 
[62] Não querer ser tido como santo antes que o seja, mas primeiramente sê-lo para que como tal o tenham com mais fundamento. 
[63] Pôr em prática diariamente os preceitos de Deus. 
[64] Amar a castidade. 
[65] Não odiar a ninguém. 
[66] Não ter ciúmes. 
[67] Não exercer a inveja. 
[68] Não amar a rixa. 
[69] Fugir da vanglória. 
[70] Venerar os mais velhos. 
[71] Amar os mais moços. 
[72] Orar, no amor de Cristo, pelos inimigos. 
[73] Voltar à paz, antes do pôr-do-sol, com aqueles com quem teve desavença. 
[74] E nunca desesperar da misericórdia de Deus. 
[75] Eis aí os instrumentos da arte espiritual: 
[76] se forem postos em ação por nós, dia e noite, sem cessar, e devolvidos no dia do juízo, seremos recompensados pelo Senhor com aquele prêmio que Ele mesmo prometeu: 
[77] "O que olhos não viram nem ouvidos ouviram preparou Deus para aqueles que o amam". 
[78] São, porém, os claustros do mosteiro e a estabilidade na comunidade a oficina onde executaremos diligentemente tudo isso.


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