sábado, 22 de outubro de 2022

O orgulho é a fonte do mal

Se o orgulho nos fez sair, a humildade far-nos-á voltar a entrar. Tal como o médico, depois de ter feito o diagnóstico, trata a causa do mal, também tu deves tratar a fonte do mal, que é o orgulho; desse modo, deixará de haver mal em ti. 

Foi para tratar o teu orgulho que o Filho de Deus desceu e Se fez humilde. Porque te orgulhes, se Deus Se fez humilde por ti. Talvez te envergonhe imitar a humildade de um homem; pois imita a humildade de Deus. O Filho de Deus fez-Se humilde, vindo sob a forma de homem. A ti, ordena-se que sejas humilde; não se te pede que te tornes um animal. Deus fez-Se homem. Tu, homem, conhece que és homem; a tua humildade consiste simplesmente em te conheceres.

Ouve a Deus que te ensina a humildade: «Não vim fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que Me enviou» (Jo 6,38). Vim, humilde, ensinar a humildade, como mestre de humildade. Aquele que vem a Mim incorpora-se a Mim e torna-se humilde. Aquele que adere a Mim será humilde; esse não faz a minha vontade, mas a vontade de Deus. Desse modo, não será lançado fora (Jo 6, 37), como quando era orgulhoso.

Santo Agostinho in 'Tratado sobre o evangelho de S. João 25'


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sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Imperador Carlos de Áustria, inspiração para os políticos

Nesta fotografia vemos o Beato Carlos de Áustria e a sua mulher, Zita de Bourbon-Parma, ajoelhados durante a Santa Missa. Carlos e Zita casaram há 111 anos, no dia 21 de Outubro de 1911. 

O último Imperador do Império Austro-Húngaro levou uma vida exemplar, tendo a fé católica marcado profundamente a sua conduta, inclusive as suas decisões políticas. Um exemplo para os nossos políticos.

Beato Carlos de Áustria, rogai por nós.  


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Dia do Beato Carlos de Áustria

A Igreja celebra hoje, dia 21 de Outubro, de forma especial no Funchal, cidade do arquipélago da Madeira, Portugal, o Beato Carlos da Áustria (Carlos I de Habsburgo), que contribuiu diligentemente, pela sua condição régia, para o fortalecimento do reino de Deus.

O Beato Carlos I, imperador da Áustria e Rei da Hungria, nasceu a 17 de Agosto de 1887, em Persenbeug (Diocese de St. Pölten). A 21 de outubro de 1911, casou-se com a serva de Deus Zita de Bourbon-Parma. Deste casamento nasceram oito filhos. Com sua esposa e filhos levou uma vida de família exemplar – uma verdadeira Igreja doméstica, forjada pelo seu fervoroso amor ao Santíssimo Sacramento e devoção à Bem-aventurada Virgem Maria.

Em Novembro de 1916, com apenas 29 anos, tornou-se imperador da Áustria e rei da Hungria. Na conjuntura difícil da primeira guerra mundial, trabalhou por uma paz justa e duradoura; promoveu a justiça e a moral. Em 1919, após a revolução da Assembleia Nacional provisória, foi exilado para a Suíça para onde levou a esposa e os filhos.

A 19 de Novembro de 1921, o casal chegou à Madeira. Na Ilha, o Imperador passou os últimos quatro meses de vida, durante os quais deu exemplo de paciência, humildade e simplicidade, bem como sinais de um grande amor a Jesus Cristo.

Em todo este tempo viveu na pobreza e suportou sua doença com profunda confiança em Deus. Adormeceu santamente no Senhor vítima de grave doença respiratória no dia 1 de Abril de 1922, no Funchal, Ilha da Madeira, pronunciando o nome de Jesus.

Foi beatificado no dia 3 de Outubro de 2004 pelo Papa João Paulo II. A sua festa litúrgica é celebrada a 21 de Outubro, dia de aniversário do seu casamento.

ORAÇÃO

Senhor Nosso Deus, Vós que conduzistes o Beato Imperador Carlos, pelas vicissitudes deste mundo, do reinado terrestre à coroa reservada para ele nos céus, concedei-nos, por sua intercessão, que sirvamos ao vosso Filho e a nossos irmãos e, assim, alcancemos a vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

domingo, 16 de outubro de 2022

A Inquisição e as bicicletas infantis

À luz da sua reputação aterradora será por certo uma surpresa, especialmente para quem acredita que milhões de pessoas morreram por causa da Inquisição Espanhola, saber que, durante os séculos XVI e XVII, foram sentenciadas à morte pela Inquisição, em todo o Império Espanhol (que ia da Espanha à Sicília e Perú) menos de 3 pessoas por ano [1]. 

O que significa que ao longo dos seus infames 345 anos [considerando três breves suspensões], a terrível Inquisição Espanhola foi, anualmente, cerca de catorze vezes menos letal do que as bicicletas infantis [2].

Theodore Beale in 'The Irrational Atheist' (pág. 219)

[1] Henry Kamen, The Spanish Inquisition: A Historical Revision. New Haven: Yale University Press, 1997, pág. 203;
[2] Facts About Injuries To Children Riding Bicycles. Safe Kids Worldwide.


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sábado, 15 de outubro de 2022

Santa Teresa de Ávila fala sobre a Presença Real de Nosso Senhor

Conheço uma pessoa a quem o Senhor deu uma fé tão forte, que quando ouvia alguém dizer que gostava de ter vivido na época em que Cristo, o nosso Bem, estava neste mundo, se ria consigo mesma. Dado que O possuímos, pensava ela, no Santo Sacramento de um modo tão verdadeiro como naquele tempo, que mais podemos desejar? E deitava-se a Seus pés; aí chorava em companhia de Maria Madalena, como se O tivesse visto com os olhos do corpo em casa do fariseu (Lc 7, 36ss). Mesmo quando não sentia devoção, a fé dizia-lhe que Ele estava verdadeiramente ali.

Com efeito, seria preciso ser-se mais estúpido do que se é e cegar-se voluntariamente para sentir a menor dúvida quanto a isto. Não se trata aqui de um trabalho da imaginação, como quando pensamos no Senhor na cruz ou em qualquer outra circunstância da Sua Paixão; aí representamos a coisa em nós mesmos, tal como ela se passou. Aqui, ela tem realmente lugar; é uma verdade certa, e não é necessário ir procurar o Senhor noutro sítio, bem longe de nós. 

Com efeito, sabemos que enquanto a matéria do pão não for consumida pelo calor natural do corpo, o bom Jesus está em nós; consequentemente, aproximemo-nos d'Ele. Quando Ele estava neste mundo, o simples contacto das Suas vestes curava os doentes; por que duvidar, se temos fé, de que Ele continua a fazer milagres quando está tão intimamente unido a nós? Por que não nos daria Ele aquilo que Lhe pedimos, uma vez que está na nossa própria casa?

in 'O Caminho da perfeição', 34/36


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Dia de Santa Teresa de Ávila

Esta é a igreja de Santa Maria della Scala, em Trastevere, onde se encontra o pé de Santa Teresa de Ávila. Esta grande santa espanhola fez, juntamente com São João da Cruz, a reforma da Ordem Carmelita.

Era mística, levitava muitas vezes em oração e foi atacada pelo demónio. É uma das poucas doutoras da Igreja, o que demonstra o seu contributo para a teologia.

Além disto tudo foi uma notável poetisa, como se pode ver:

Vossa sou, para Vós nasci,
Que quereis fazer de mim?

Soberana Majestade,
Eterna Sabedoria,
Bondade tão boa para a minha alma,
Vós, Deus, Alteza, Ser Único, Bondade,
Olhai para a minha baixeza,
Para mim que hoje Vos canto o meu amor.
Que quereis fazer de mim?

Vossa sou, pois me criastes,
Vossa, pois me resgatastes,
Vossa, pois me suportais,
Vossa, pois me chamastes,
Vossa, pois me esperais,
Vossa pois não estou perdida,
Que quereis fazer de mim?

Que quereis então, Senhor tão bom,
que faça tão vil servidor?
Que missão destes
a este escravo pecador?
Eis-me aqui, meu doce amor,
Meu doce amor, eis-me aqui.
Que quereis fazer de mim?

Eis o meu coração,
que coloco em Vossas mãos,
com o meu corpo, minha vida,
minha alma, minhas entranhas
e todo o meu amor.

Doce Esposo, meu Redentor,
para ser Vossa, me ofereci,
que quereis fazer de mim?
Dai-me a morte, dai-me a vida,
a saúde ou a doença
dai-me honra ou desonra
a guerra, ou a maior paz,
a fraqueza ou a paz plena,
a tudo isso, digo sim:

Que quereis fazer de mim?
Vossa sou, para Vós nasci,
Que quereis fazer de mim?


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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Nossa Senhora do Pilar

Hoje é dia de Nossa Senhora do Pilar. Este é o título mais antigo de Nossa Senhora. A basílica do Pilar, em Saragoça (Espanha), é um Santuário privilegiado.

A tradição cristã traz a narrativa histórica da origem deste nome há mais de 1900 anos. Conta que a cada dia crescia o número de cristãos atraídos pela pregação e pelos milagres dos Apóstolos. Mas alguns judeus, em perseguição à Santa Igreja, maltratavam e matavam muitos cristãos. Os Apóstolos, indignados, começaram a pregar o evangelho a todos, segundo o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nas províncias da Espanha, foi São Tiago (Maior) o incumbido de pregar o Santo Evangelho, mas, antes de partir da Terra Santa, foi pedir a bênção de Maria Santíssima, assim como os outros Apóstolos. Ao abençoar São Tiago, a Virgem disse: ”Vai, meu filho, cumpre a ordem do teu Mestre, e por Ele te rogo que, naquela cidade da Espanha em que maior número de almas converteres à Fé, edifiques uma igreja em minha memória, conforme o que eu te manifestar”.

O apóstolo Tiago pregou, então, em muitas províncias da Espanha, até chegar a Saragoça, à margem do rio Ebro. Por lá, converteu oito varões a Jesus Cristo, com os quais se retirava à noite para as margens do rio, onde oravam e descansavam. Certa noite, ao descansar com os seus discípulos, Tiago ouviu vozes angélicas que cantavam: ”Ave Maria, gratia plena!” Ficando de joelhos, o apóstolo viu a Santíssima Virgem entre um coro de Anjos, sentada num pilar de mármore. Maria, então, com muito carinho, disse ao apóstolo: ”Eis aqui, meu filho, o lugar assinalado e destinado à minha honra, no qual, por teu cuidado e em minha memória, quero que seja edificada uma igreja. Conserva este pilar onde estou sentada, porque o meu Filho e teu Mestre enviou-o do Céu pelas mãos dos Anjos; junto a ele assentarás o altar da capela, e nele obrará a virtude do Altíssimo os portentos e maravilhas de minha intercessão, para com aqueles que, nas suas necessidades, implorarem o meu patrocínio. E este pilar permanecerá aqui até o fim do mundo, e nunca faltarão nesta cidade verdadeiros cristãos que honrem o nome de Jesus Cristo, meu Filho”. 

Esta é a origem do título Nossa Senhora do Pilar, muito invocado em Espanha. 

A capelinha primitiva foi sendo reconstruída e ampliada com o correr dos séculos, até se transformar na grandiosa basílica que acolhe, como centro vivo e permanente de peregrinações a numerosos fiéis que, de todas as partes do mundo, vão rezar à Virgem e venerar o seu Pilar.

Muito para além dos milagres espetaculares, a Virgem do Pilar é invocada como refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos. A Sua acção é sobretudo espiritual.

Consagração a Nossa Senhora do Pilar

Virgem Imaculada! Minha Mãe! Maria!
Eu vos renovo, hoje e para sempre a consagração de todo o meu ser para que disponhais de mim para o bem de todas as pessoas.
Apenas vos peço, minha Rainha e Mãe da Igreja, força para cooperar fielmente na vossa missão de trazer o reino de Jesus ao mundo.
Ofereço-vos, portanto, Coração Imaculado de Maria, as orações e os sacrifícios deste dia, para que fiel à minha consagração, esteja disponíveis a colaborar convosco na construção de um mundo novo, ó Maria concebida sem pecado! 
Rogai por nós que recorremos a vós e por todos quantos recorrem a vós, de modo particular as famílias de nossa comunidade paroquial, que vos venera com o título de Senhora do Pilar.
Salve Rainha…

in domluizbergonzini.com.br


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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Carta de Santo Inácio a São Francisco de Borja sobre mortificação

São Francisco foi o 3º Superior Geral da Companhia de Jesus. Uns anos antes disso, Santo Inácio de Loyola  escreveu uma carta a São Francisco de Borja, IV Duque de Gândia, a propósito das mortificações que ele andava a fazer:

«A vossa maneira de proceder relativamente às coisas espirituais e corporais para o progresso da vossa alma deu-me uma boa razão para me regozijar em Nosso Senhor e dar-Lhe graças para sempre… Mas sentindo-me como me sinto no mesmo Senhor que os exercícios espirituais e corporais, bons para a nossa salvação em algumas circunstâncias e nem por isso noutras, devo dizer a vossa Senhoria as minhas opiniões sobre a matéria, visto que me pediu.

Primeiro de tudo, quanto ao tempo dedicado aos exercícios exteriores, eu cortá-los-ia em metade… Pelo que sei de vossa Senhoria, penso que seria melhor dedicar a outra metade ao estudo, ao governo das vossas terras e a conversas espirituais, sempre procurando manter a vossa alma calma, em paz, e disposta para o que quer que Nosso Senhor deseje trazer para ela. É, sem dúvida nenhuma, uma virtude e graça maior ser capaz de gozar do vosso Senhor em várias ocupações e lugares do que em apenas um.

Segundo, no que toca ao jejum e abstinência, aconselhar-lhe-ia, por amor de Deus, a cuidar e a fortificar o vosso estômago e os outros órgãos naturais, em vez de os enfraquecer. Quando um homem está de tal forma disposto [para Deus] que escolheria morrer do que cometer sequer a menor ofensa contra a Divina Majestade e quando, mais ainda, não está perturbado por nenhum ataque especial do demónio, do mundo ou da carne, como eu julgo ser o caso de vossa Senhoria, então, e este é um ponto que eu gostaria particularmente de lhe passar, visto que tanto o corpo e a alma pertencem ao seu Criador e Senhor, que vai exigir contas deles, não podeis deixar os vossos poderes naturais enfraquecerem-se. 

Se o corpo estiver doente, a alma não consegue funcionar como devia. Devemos amar e defender o corpo ao ponto de ele ser obediente e cooperador da alma, porque, com tal obediência e ajuda, a alma consegue dispor-se melhor para servir e louvar o nosso Criador e Senhor.

Terceiro, em relação ao castigo do corpo, eu evitaria de uma só vez qualquer forma de castigo que causasse o aparecimento de uma única gota de sangue. Em vez de procurar derramar o nosso sangue, é muito melhor procurar directamente o Senhor de todos nós e os Seus santos dons, tais como as lágrimas pelos nossos pecados, uma intensificação da nossa fé, esperança e caridade, a alegria em Deus e a paz espiritual, tudo com humildade e reverência à nossa santa Mãe, a Igreja, e aos seus líderes escolhidos. 

Cada um destes santos dons devia ser muito preferido a todas as acções corporais, que são boas só quando tendem a obter esses dons para nós. Não estou a dizer que eles [esses dons] deviam  ser procurados pelo contentamento que nos trazem. Mas, visto que sabemos que sem eles todos os nossos pensamentos, palavras e obras são confusos, frios e incómodos, desejamo-los para que essas coisas se tornem ardentes, lúcidas e rectas para o maior serviço de Deus.»

Esta carta foi escrita quando Santo Inácio, sempre vigilante, soube que São Francisco andava com práticas de mortificação muito austeras, que tinha aprendido com alguns amigos em Espanha, também Jesuítas. Só para termos ideia, o tipo de austeridade que São Francisco levava até receber a carta de Santo Inácio era qualquer coisa como acordar à meia-noite e ficar sete horas a rezar, querer sair um mês por ano para fazer retiro, rezar três Missas por dia, ...

Nuno CB


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domingo, 9 de outubro de 2022

Nossa Senhora entrega o Rosário, com os 15 mistérios, a São Domingos




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A Carta de São Francisco de Assis aos Clérigos

1. Reflitamos, todos os clérigos, sobre o grande pecado e sobre a ignorância que alguns têm sobre o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e sobre os Sacratíssimos Nomes e Palavras dele escritos, que santificam o corpo.

2. Sabemos que não pode haver o corpo se não for primeiro santificado pela palavra.

3. Pois nada temos e vemos corporalmente neste século do próprio Altíssimo a não ser o Corpo e o Sangue, os Nomes e as Palavras, pelos quais fomos feitos e remidos da morte para a vida (1Jo 3,14).

4. Portanto, todos os que administram tão santíssimos mistérios, considerem dentro de si, principalmente os que administram indiscretamente, como são vis os cálices, os corporais e panos em que é sacrificado Seu Corpo e Sangue. 

5. E é colocado por muitos em lugares vis, abandonado, é carregado de maneira miserável e é recebido indignamente, e administrado a outros indiscretamente.

6. Também os Seus Nomes e Palavras escritas às vezes são pisados;

7. Porque o homem animal não compreende as coisas que são de Deus (1Cor 2,14).

8. Será que não somos movidos pela piedade de todas essas coisas se o próprio piedoso Senhor se apresenta nas nossas mãos e O tratamos e recebemos todos os dias na nossa boca?

9. Ou ignoramos que devemos cair nas suas mãos?

10. Portanto, emendemo-nos depressa e firmemente disto tudo e de outras coisas;

11. E onde quer que esteja o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo ilicitamente colocado e abandonado, seja removido desse lugar e colocado e confiado num lugar precioso.

12. De maneira semelhante, os nomes e palavras do Senhor escritas, onde quer que se encontrem em lugares imundos, sejam recolhidos e colocados em lugares honestos.

13. E sabemos que temos que observar todas essas coisas acima de tudo, de acordo com os preceitos do Senhor e as constituições da santa mãe Igreja.

14. E quem não fizer isso, saiba que deverá prestar contas no dia do juízo (Mt 12,36) diante de Nosso Senhor Jesus Cristo.


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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

O dia em que Nossa Senhora do Rosário derrotou os muçulmanos em Lepanto

No ano de 1571 tinham os turcos atingido o apogeu do seu poder. Pareciam ter a Cristandade nas mãos. Os seus exércitos inebriavam-se com a vitória. Sentiam-se poderosos, estavam bem equipados e eram conduzidos por generais habilíssimos. A sua armada era superior em tudo à armada que os cristãos tinham para se defender. Estavam já em seu poder províncias das mais belas e tinham agora por objectivo dominar a França e a Itália, apoderar-se de Roma e transformar a Basílica de São Pedro em mesquita. 

São Pio V governava a Igreja; e este santo e grande Pontífice estava aterrorizado com o perigo que ameaçava arruinar a própria civilização cristã. Além de fracos, os governos cristãos estavam, infelizmente, muito divididos entre si. Intrigas, animosidades pessoais, ambições de cargos importantes impediam aquela união perfeita que se tornava tão necessária para resistir ao inimigo comum. Por fim formou-se a Liga Santa, sob o comando de João de Áustria.

São Pio V pôs toda a sua confiança no Rosário, trabalhando, ao mesmo tempo, incansavelmente por unir as, aliás fracas, forças cristãs. Deu ordem para que a armada dos cristãos se fizesse ao largo; e, embora eles fossem inferiores aos turcos em número, equipamento, artilharia e navios, incitou-os a que se batessem sem receio em nome de DEUS e de Nossa Senhora.

As duas esquadras defrontaram-se no dia 7 de Outubro. Para aumentar as dificuldades dos cristãos, o vento era lhes contrário, circunstâncias que, nesses tempos de navegação à vela, podia tornar-se fatal. Mas, obedecendo às ordens do Sumo Pontífice e colocando-os debaixo da protecção de Maria, a armada cristã investiu contra o inimigo com ânimo admirável. E de súbito, o vento, que se mostrava tão adverso, mudou soprou com violência contra os infiéis. A batalha durou umas poucas horas, com fúria encarniçada acabando pela total derrota da armadura turca. Tão completa e esmagadora foi a vitória que o poder do Islão ficou esmagado e salva a Cristandade.

Durante esses terríveis dias, e especialmente no dia da batalha São Pio V orava fervorosamente a Nossa Senhora do Rosário com fervor intenso, juntamente com jejum e penitência, recorrendo assim à Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto decorria a batalha, uma enorme multidão enchia a Praça de São Pedro, em Roma, e realizava-se uma procissão a Nossa Senhora do Rosário pelo sucesso da missão da Liga Santa contra os Turcos.


No momento da vitória entrou em êxtase e teve a revelação de que os cristãos tinham vencido. Voltando-se para os que o rodeavam, São Pio V deu-lhes a boa notícia e todos ajoelharam para dar graças a DEUS e à Nossa Senhora.

Para recordar e agradecer a DEUS pela vitória de Lepanto, alcançada pelas armas cristãs nesse 7 de Outubro de 1571, a Santa Igreja instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário. Prescrita primeiramente por Gregório XIII para certas Igrejas, foi estendida por Clemente XI ao mundo católico, em acção de graças por um novo triunfo alcançado por Carlos VI da Hungria sobre os Turcos em 1716.

adaptado de 'Milagres do Rosário'


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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A sabedoria de um monge cartuxo cego



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São Bruno, fundador da Cartuxa

São Bruno, filho de nobre família de Colónia (Renânia), nasceu no ano de 1035. Desde a infância trazia Bruno o cunho de uma alma eleita, o que se lhe manifestava na aversão a tudo que era leviano, na prudência, modéstia e predilecção para tudo que era de Deus e do seu santo serviço.

Tendo a idade própria, frequentou a escola de São Cuniberto, na qual fez tão brilhantes progressos que o Arcebispo de Colónia, Santo Hano, não hesitou em recebê-lo entre os clérigos e mais tarde lhe oferecer um canonicato. Morto o Arcebispo, Bruno aceitou um canonicato em Rheims, e é provável que tenha lá ocupado o lugar de instrutor do clero.

Vendo-se perseguido pelo arcebispo simoníaco Manassés, e profundamente aborrecido das vaidades e prazeres do mundo, resolveu abandonar tudo que ao mundo o ligava e procurar a solidão.

Seis amigos acompanharam-no: Landuíno, Estêvam de Lonry, Estêvam de Die, cónegos de São Rufo do Dauphiné, Hugo (sacerdote já idoso) e mais dois leigos, André e Gerin. Bruno, entretanto, fez-lhes ver que pouco adiantaria meterem-se na solidão, se não tivessem um guia ilustrado, competente, mestre da oração e da santidade.

Formaram conselho e resolveram dirigir-se a Hugo, Bispo de Grenoble, homem reconhecidamente santo, em cuja vasta diocese também existiam muitos lugares próprios para se fundar uma ermida.

Hugo recebeu os sete homens, que lhe eram desconhecidos, e, vendo-os, lembrou-se de um curioso sonho que tivera na noite antecedente. Parecia-lhe ver Deus em pessoa, num lugar deserto da Diocese, erigir um templo, chamado Cartuxo; e da terra se elevarem sete estrelas que, formando um círculo, tomaram a dianteira, para lhe indicar o caminho para aquele lugar.

Bastou Bruno e os companheiros falaram-lhe do plano e neles reconheceu os mensageiros divinos, preconizados pelas sete estrelas vistas em sonho. Animou-os a executar o projecto heróico; mais: indicou-lhes o lugar da futura residência e prometeu-lhes todo o apoio. Para que não se embalassem em vãs esperanças e os pusesse ao abrigo contra duras decepções, fez-lhes uma descrição minuciosa daquele lugar, que, além de deserto, era inóspito e pavoroso. Era precisamente o que procuravam: um lugar de acesso difícil, para ficarem livres de relações com o mundo.

Hugo, encantado com o espírito de sacrifício daqueles homens, hospedou-os em casa, até que os raios do sol da primavera tornassem mais viajáveis os caminhos. Ele mesmo queria acompanhá-los e entregar-lhes o sítio da futura residência. Chegados ao lugar escolhido, Bruno e os companheiros começaram a construir uma casa, de oração e pequenas celas, uma regularmente distanciada da outra. Foi esta a origem dos Cartuxos, no ano de 1084.

Difícil tarefa é dar uma descrição minuciosa da vida daqueles santos homens naquela solidão. Obrigaram-se a observar absoluto e permanente silêncio, para tanto mais poder estar em oração com Deus. Grande parte do dia dedicavam à recitação dos salmos. O corpo parecia não ter outro destino que não sofrer mortificação. A ocupação principal e predilecta era copiar bons e piedosos livros, para assim ganhar o sustento.

Em Bruno, iniciador da obra, viam o Superior. Não só era o mais ilustrado, como também na prática das virtudes era o primeiro. Foram estes os motivos também porque Hugo o escolheu para conselheiro particular, a quem visitava diversas vezes por ano, desprezando as fadigas e sacrifícios inerentes à penosíssima viagem.

Inesperadamente recebeu Bruno ordem do Papa Urbano II para se apresentar em Roma. Bruno não era um desconhecido da Santa Sé, pois Urbano tinha sido seu discípulo, e era a veneração ao mestre, a admiração do seu saber e das suas virtudes, que inspiraram ao Papa mostrar-se grato ao benfeitor e, ao mesmo tempo lhe pedir conselhos de que necessitava.

A ordem do Papa causou tanta tristeza na pequena comunidade, que chegou ao completo desânimo. Não podiam os companheiros de Bruno conformar-se com a ida do mestre, e assim resolveram acompanhá-lo na viagem a Roma, para a qual Hugo lhe deu a bênção.

A recepção em Roma não podia ser mais cordial e fidalga. Bruno teve que ficar ao lado do Papa, e os companheiros foram hospedados na cidade, onde continuaram a sua vida de religiosos. Breve, porém, experimentaram a grande diferença entre a cidade e a solidão na Cartuxa. Não foi possível obter do Papa o regresso de Bruno. Para a obra não correr perigo de dissolver-se, nomeou Prior a Landuíno, o qual com os demais companheiros voltou para a França.

Embora separado do rebanho, conservou-se Bruno sempre em contacto com os filhos espirituais, por meio de uma correspondência ininterrupta, ficando assim sempre a par dos acontecimentos, não faltando o conselho e a assistência espiritual aos religiosos, sempre que assim o reclamavam.

A obra de Bruno e dos companheiros era muito santa, para não experimentar as ciladas do inimigo, que servindo-se de homens maus e invejosos, tudo fez para esmorecer o espírito dos santos homens, insinuando-lhes a inutilidade e contraproducência de uma vida tão austera, a inutilidade e desvantagem de tantos sacrifícios acima das forças da natureza e outras coisas mais. Não pequena foi a perplexidade dos religiosos que não cedeu enquanto Deus não lhes mostrasse numa celeste revelação, a futilidade das objecções diabólicas. Assim ficaram consolados e reanimaram-se a seguir fielmente a Regra até a morte.

À instância de muitos pedidos, obteve Bruno licença para voltar e retomar o lugar na comunidade; mas, nova complicação impossibilitou-lhe o regresso. Os habitantes de Régio, na Calábria, tendo perdido o Arcebispo, ofereceram a Bruno a Mitra, e o Papa deu-lhe a entender que seria muito de seu gosto, se a aceitasse. Bruno, porém, opôs-se às proposições do episcopado, para poder voltar à Ordem. Nesse tempo, resolveu o Papa fazer uma viagem à França e Bruno, receando ficar novamente preso com negócios da Santa Sé, desistiu do seu plano primitivo e, com outros companheiros que ganhou em Roma, fundou uma nova casa da Ordem no deserto de La Torre, na Diocese de Squillace.

Deus deu-lhe um grande amigo e benfeitor na pessoa do Duque Rogério, da Sicília e Calábria, o qual lhe doou terreno e meios para fazer um convento e uma igreja dupla, dedicada à Santíssima Virgem e a Santo Estêvão. Tendo assim garantida a subsistência da Ordem, trabalhou para sua maior organização e solidificação espiritual.

Em 1101, Bruno adoeceu gravemente. Na presença da morte, por assim dizer, diante dos Irmãos da Ordem, fez uma confissão pública de toda a vida. À confissão seguiu-se a profissão de fé, na qual frisou bem o dogma da Santíssima Eucaristia, contra as ideias erradas de Berengário de Tours e acrescentou: “Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica; em particular creio que o pão e o vinho consagrados na santa Missa são o Corpo verdadeiro de Jesus Cristo e o Seu verdadeiro Sangue”.

No dia 6 de Outubro entregou o espírito a Deus. O corpo, enterrado no cemitério de La Torre, em 1515 foi encontrado intacto.

A Ordem dos Cartuchos, além de ser a mais austera de todas as Ordens da Igreja, tem a fama de nunca se ter afastado do espírito primitivo das suas Constituições e nunca precisou de uma reforma. Leão X aprovou, para uso da Ordem, o Ofício do Fundador, e Gregório XV estendeu-o para o uso da Igreja toda.

Reflexões 

A vida de São Bruno recomenda-nos à prática de uma virtude raras vezes encontrada no mundo, e no entanto tão necessária aos que querem salvar a alma: o amor à solidão. Bem poucos poderão, como Bruno, procurar o ermo e lá passar grande parte da vida, em completo retiro do mundo. Mas o que todos podem e devem fazer é, de vez em quando, recolher-se espiritualmente, procurar a solidão do coração, exercer uma vigilância mais rigorosa sobre os sentidos e os movimentos do espírito, “Vigiai e orai” – é a ordem que Nosso Senhor deu, não só aos Apóstolos, como a todos os fiéis. Onde não há vigilância, há dissipação; faltando a oração, seca a fonte das graças. 

Numa vida, como a nossa, tão cheia de perigos e abrolhos, a vigilância e a oração são indispensáveis. Se não conseguirmos domar as nossas paixões, elas nos escravizarão; se não fugirmos do mundo, ele nos absorverá; se não resistirmos ao demónio, ele chegará a nos subjugar. Demónio, mundo e nossa carne, estes três terríveis inimigos são reduzidos à impotência, pelo retiro espiritual, pela vigilância e pela oração.

in filhosdapaixao.org.br


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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Santo Afonso Maria de Ligório sobre a Santa Missa

Uma só Missa presta a Deus maior honra que todas as orações e penitências dos santos, todos os trabalhos dos apóstolos, todos os sofrimentos dos mártires, todo o amor dos serafins e mesmo da Mãe de Deus, porque todas as honras dos homens são de natureza finita, enquanto que a honra que Deus recebe pelo santo sacrifício da missa é infinita, visto que lhe é prestada por uma pessoa divina. 

Devemos por isso reconhecer, com o santo Concílio de Trento, que a Santa Missa é a mais santa e divina de todas as obras. (...) Ainda que se sacrificasse a vida de todos os anjos e santos, mesmo assim, esse sacrifício não prestaria a Deus essa honra infinita, que lhe dá uma única Santa Missa.

Pe. Saint-Omer, C. Ss.R. in 'Obra compilada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório' (Edit. Vozes, Petrópolis, 1955)


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terça-feira, 4 de outubro de 2022

O exemplo de São Francisco

Escreve G. K. Chesterton que na História da Igreja a fé cristã conheceu, no mínimo, cinco vezes uma morte aparente. Um desses períodos dramáticos de «morte lenta da Igreja» foi o tempo de S. Francisco de Assis. Desta imagem particularmente lúgubre da Igreja do século XII dão testemunho as inúmeras bulas do Papa Inocêncio III, que condenavam os abusos mais escandalosos como a usura, a corrupção, a gula, a embriaguez, a libertinagem. 

Tendo como pano de fundo aquela enorme dissolução de costumes surgem na Europa grandes heresias fanáticas e agressivas. Dentre estas conta-se o movimento dos Albigenses e dos Valdenses que quase destruíram o cristianismo. Outro golpe infligido à Igreja foi igualmente o aumento dos pregadores itinerantes, que sistematicamente criticavam os eclesiásticos, frequentemente tomados pela ganância das riquezas, aos quais se contrapunham propagando modelos de pobreza evangélica.

Pelo contrário, Francisco nunca criticava ninguém. A sua opinião era a de que, se o mal reinava ao seu redor, devia em primeiro lugar converter-se a ele próprio, e não os outros. Se um tal luxo e uma tal libertinagem reinavam à sua volta, era ele quem deveria tornar-se radicalmente pobre e puro, assumindo a responsabilidade de tudo. Os santos distinguem-se dos propagadores de heresias no pormenor destes últimos quererem converter os outros em vez de começarem por si próprios, enquanto os santos dirigem o gume de toda a crítica contra a sua própria pessoa. Para que o mundo se torne melhor esforçam-se por se converter a si mesmos. 

Quanto mais Francisco se apercebia da corrupção e dos escândalos que o rodeavam, mais desejava assemelhar-se a Cristo, puro, humilde e pobre. Se o mundo era assim tão perverso, o culpado era Francisco e, assim sendo, era ele próprio quem devia converter-se radicalmente – e a história deu-lhe razão.

De facto, quando Francisco se converteu, quando se tornou tão «transparente» ao Senhor que o rosto de Cristo podia reflectir-Se nele, a Europa começou a levantar-se da sua queda. Realizou-se, desse modo, o sonho no qual Inocêncio III vira uma figura semelhante a Francisco a amparar as paredes periclitantes da Basílica de Latrão, também chamada a «mãe e a primeira de todas as igrejas» – símbolo de toda a Igreja – e assim salvá-la.

Pe. Tadeusz Dajczer in 'Meditações sobre a Fé'


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Dia de São Francisco de Assis

São Francisco de Assis, nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, no ano de 1182, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone, gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai.

Sonhou com as glórias militares, procurando desta maneira alcançar o "status" que sua condição exigia, e aos vinte anos, alistou-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo Papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo, e em 1206 , aos 24 anos de idade para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa. 

Já inteiramente mudado de coração, e a ponto de mudar de vida, passou um dia pela igreja de São Damião, abandonada e quase em ruínas. Levado pelo Espírito, entrou para rezar e se ajoelhou devotamente diante do crucifixo. Tocado por uma sensação insólita, sentiu-se todo transformado. Pouco depois, coisa inaudita, a imagem do Crucificado mexeu os lábios e falou com ele. Chamando-o pelo nome, disse: "Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está em ruinas". 

Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos, cuja ordem foi aprovada pelo Papa Inocêncio III. Santa Clara, sua dilecta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. 

Em 1221, sob a inspiração de seu estilo de vida nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados. Neste capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, frequentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de Paz e Bem. 

Em 1220, voltou a Assis após ter-se aventurado a viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egipto, redigindo a segunda Regra, aprovada pelo Papa Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de Setembro de 1224.


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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Santa Teresinha queria ser amável com as Irmãs menos amáveis

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja, tem muito para nos ensinar. Por exemplo isto:

Notei (e é muito natural) que as Irmãs mais santas são as mais amadas; procura-se conversar com elas, [e] prestam-se-lhes serviços sem que os peçam. As almas imperfeitas, pelo contrário, não são nada procuradas; as pessoas mantêm-se, sem dúvida, em relação a elas, dentro dos limites da cortesia religiosa, mas, receando talvez dizer-lhes algumas palavras pouco amáveis, evitam a companhia delas. Eis a conclusão que daí tiro: devo procurar, no recreio, nas licenças, a companhia das Irmãs que me são menos agradáveis, [e] exercer junto dessas almas feridas o ofício do Bom Samaritano [Lc 10,30-35]. 

Uma palavra, um sorriso amável, bastam, muitas vezes, para alegrar uma alma triste; mas não é exclusivamente para atingir esse objectivo que quero praticar a caridade, pois sei que bem depressa desanimaria: uma palavra que terei dito com a melhor intenção poderá ser interpretada completamente ao contrário. 

Assim, para não perder o meu tempo, quero ser amável para com todas (e em particular para com as Irmãs menos amáveis) para dar alegria a Jesus e corresponder ao conselho que Ele dá no Evangelho mais ou menos nestes termos: «Quando derdes um banquete, não convideis os vossos parentes nem os vossos amigos, não vão eles também convidar-vos, por sua vez, recebendo [vós] assim a vossa recompensa; mas convidai os pobres, os coxos, os paralíticos, e sereis felizes por eles não vos poderem retribuir, pois o vosso Pai, que vê no segredo, vos recompensará» [Mt 6,4]. Que banquete poderia uma carmelita oferecer às suas Irmãs, senão um banquete espiritual composto de caridade amável e alegre? 

Quanto a mim, não conheço outro, e quero imitar São Paulo, que se alegrava com os que encontrava alegres; é verdade que chorava também com os aflitos [Rm 12,15], e algumas vezes as lágrimas devem aparecer no banquete que quero oferecer, mas procurarei sempre que essas lágrimas se transformem em alegria [Jo 16,20], já que o Senhor ama os que dão com alegria [2Cor 9,7].

in 'Manuscrito autobiográfico C' (28rº-vº)


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Dia de Santa Teresinha do Menino Jesus

"Não espero na terra qualquer retribuição: faço tudo por Deus."


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domingo, 2 de outubro de 2022

Quem são os Anjos da Guarda?

Tenho um anjo da guarda?
Sim, qualquer ser humano tem um anjo da guarda.

Quando é que recebi o meu anjo da guarda? 
No momento da concepção. O vosso anjo foi-vos dado mesmo antes das graças do baptismo! Isto é porque os anjos são dados aos seres humanos em virtude da nossa razão e não da nossa graça baptismal.

O meu anjo foi anjo da guarda de alguém antes de mim?
Provavelmente não. Cada ser humano recebe um anjo. No entanto, é teoricamente possível (apesar de muito improvável) que um anjo possa ser reposicionado se o seu primeiro humano for condenado ao inferno.

O meu anjo da guarda vai estar comigo na próxima vida?
Se forem para o Céu, o vosso anjo estará convosco na glória como companheiro e amigo eterno. Se forem para o inferno, o anjo vai deixar-vos e, em vez dele, receberão um demónio que vos vai atormentar para sempre.

O meu anjo da guarda já me conhecia antes de nascer?
Sim. Não só pelo conhecimento natural dos anjos, mas também por um conhecimento especial dado por Deus - o vosso anjo conheceu-vos desde o momento da sua entrada no Céu, depois da sua criação.

O meu anjo da guarda é um arcanjo?
Quase de certeza que não. Parece que os anjos da guarda são todos escolhidos do coro mais baixo de anjos, que se chama "Anjos". Os Arcanjos estão sobre este coro e não parecem ter a função dos anjos da guarda. É possível que um anjo da guarda possa receber ajuda e conselhos dos arcanjos, ou mesmo de um serafim.

O meu anjo está sempre comigo?
Sim, o vosso anjo vigia-vos sempre porque Deus vos guia sempre com a Sua providência. Um anjo está localmente presente quando actua como causa completa e imediata num corpo; assim, o anjo até pode estar localmente presente ao pé de vocês. Em qualquer dos casos, o vosso anjo está espiritualmente presente na vossa alma; a não ser que sejam condenados ao inferno depois da morte.

Os meus pecados fazem o meu anjo ficar triste?
Nem por isso. O vosso anjo goza da visão perfeita de Deus e, portanto, não pode estar triste, pois todos aqueles que vêem Deus estão felizes com perfeição. Tal como Deus permite que pequem, também o vosso anjo permite que caiam - isso não o faz ficar triste, porque ele tem sempre alegria ao olhar para o plano de Deus. Ainda assim, é provável que o vosso anjo experimente um desgosto geral com os vossos pecados.

O meu anjo da guarda luta contra demónios em meu nome?
Claro! Lembrem-se do livro de Tobias, Rafael salvou Tobias dos demónios a atormentar Sara.

O meu anjo da guarda pode trabalhar com outros anjos da guarda para obter algo muito bom?
Sim, de facto. O Padre Pio enviava regularmente o seu anjo da guarda para trabalhar com outros anjos. Os anjos regozijam-se em trabalhar juntos para o nosso maior bem.

O meu anjo da guarda discute com outros anjos da guarda?
Sim, num certo sentido. Os vários anjos da guarda trabalham a um nível mais imediato quando guiam a espécie humana. Assim, apesar de todos os anjos da guarda estarem totalmente dedicados ao plano de Deus, é possível que existam movimentos contrários parciais ou temporários na forma como este plano é concretizado. S. Tomás usa isto como uma interpretação da divisão entre Gabriel e o anjo da Pérsia no livro de Daniel. Como diz o Doutor Angélico, "Diz-se que os anjos se resistem uns aos outros; não que as suas vontades estejam em oposição, visto que são uma só mente no que toca ao cumprimento dos decretos Divinos, mas sim que as coisas sobre as quais procuram conhecimento estão em oposição" (ST I, q.113, a.8)

O meu anjo da guarda pode afectar a realidade física à minha volta?
Sim. Sta. Gemma Galgani pedia regularmente ao seu anjo da guarda para enviar cartas por ela - muitas cartas foram e vieram para o seu director espiritual, enquanto ele estava em Roma.

Posso dar um nome ao meu anjo da guarda?
Talvez, mas temos que ter em conta que normalmente compete é ao superior nomear o inferior. Assim, não parece próprio que um ser humano possa dar nome a um anjo.

O meu anjo tem um nome?
Quase de certeza, Deus nomeou todos os seus anjos - ou talvez os anjos superiores deram nomes aos inferiores.

Como é que eu descubro o nome do meu anjo da guarda?
Podem experimentar perguntar. Mas também é possível que não vos seja revelado imediatamente. Penso que no Céu todos saberemos os nomes dos anjos da guarda.

É possível ter uma devoção exagerada ao nosso anjo?
Desde que tenham em mente que o vosso anjo é uma expressão do amor e da providência de Deus (e não um ser para ser considerado sozinho), não há perigo deter uma devoção demasiado forte ao vosso anjo da guarda.

Jesus tinha um anjo da guarda?
Sim, como qualquer outro ser humano, Cristo tinha um anjo da guarda. É provável que o seu anjo da guarda fosse o maior de todos os anjos do coro inferior de anjos. 

O anti-Cristo vai ter um anjo da guarda?
Se for um ser humano vai ter um anjo da guarda. Mesmo que ele venha a ser um grande inimigo de Deus, o Senhor vai continuar a amá-lo - a expressão deste amor é o dom de um anjo da guarda.

Quantos anjos existem e poderiam ser potenciais guardas?
Existem incomparavelmente mais anjos que seres humanos. Assim, apesar de os anjos da guarda só serem escolhidos do coro mais baixo dos anjos, é provável que o coro tenha bem mais anjos que o número de humanos que já existiram, existem e vão existir. O único limite ao número de anjos da guarda é o número de humanos e não o número de anjos.

Todos os santos anjos da guarda, roguem por nós!

in New Theological Movement


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