terça-feira, 20 de dezembro de 2022

domingo, 18 de dezembro de 2022

Cardeal Sarah reza diante do túmulo de São Filipe Néri (Chiesa Nuova, Roma)





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Intróito do 4º Domingo de Advento: Rorate Caeli

Roráte, cœli, désuper, et nubes pluant iustum: aperiátur terra, et gérminet Salvatórem.

Derramai, ó Céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo: abra-se a terra e germine o Salvador.

Cœli enárrant glóriam Dei: et ópera mánuum eius annúntiat firmaméntum.

Céus narram a glória de Deus: e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.

Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amen.


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sábado, 17 de dezembro de 2022

O valor do Santo Sacrifício da Missa

"Se conhecêssemos o valor do Santo Sacrifício da Missa, com quanto maior fervor nos poríamos a ouvi-la."

São João Maria Vianney, o Cura d'Ars
(citado por Pe. Stefano Manelli in 'Jesus, Nosso Amor Eucarístico')


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Oração, misericórdia e jejum andam sempre de mão dada

Há três actos, meus irmãos, em que a fé se sustenta, a piedade consiste e a virtude se mantém: a oração, o jejum e a misericórdia. A oração bate à porta, o jejum obtém, a misericórdia recebe. Oração, misericórdia e jejum são uma só coisa, dando-se mutuamente a vida. 

Com efeito, o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Que ninguém os divida, pois não podem ser separados. Quem pratica apenas um ou dois deles, esse nada tem. Assim, pois, aquele que reza tem de jejuar, e aquele que jejua tem de ter piedade, escutando o homem que pede e que, ao pedir, deseja ser escutado. Pois aquele que não se recusa a ouvir os outros quando lhe pedem alguma coisa, esse faz-se ouvir por Deus. 

Aquele que pratica o jejum tem de compreender o jejum; isto é, tem de ter compaixão do homem que tem fome, se quer que Deus tenha compaixão da sua própria fome. Aquele que espera obter misericórdia tem de ter misericórdia; aquele que quer beneficiar da bondade tem de praticá-la; aquele que quer que lhe deem tem de dar.

Sê pois a norma da misericórdia a teu respeito: se queres que tenham misericórdia de ti de certa maneira, em certa medida, com tal prontidão, sê tu misericordioso com os outros com a mesma prontidão, a mesma medida e da mesma maneira. 

A oração, a misericórdia e o jejum devem, pois, constituir uma unidade, para nos recomendarem diante de Deus; devem ser a nossa defesa, pois são uma oração a nosso favor com este triplo formato.

São Pedro Crisólogo in 'Homilia sobre a oração, o jejum e a esmola' (Pl 52,320) 


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Cardeal Siri explica a gravidade de omitir pecados na Confissão

O sacrilégio. Um pecado terrível que causa a condenação de muitos. Como se comete e como se repara.

Um pecado que pode conduzir à condenação eterna é o sacrilégio. Desgraçado daquele que caminha por este caminho! Comete sacrilégio quem voluntariamente esconde qualquer pecado mortal na Confissão, quem se confessa sem a vontade de deixar o pecado ou de fugir das ocasiões próximas. Quase sempre que uma pessoas se confessa de modo sacrílego, vem a realizar também o sacrilégio do Sacramento da Eucaristia, porque depois recebe a comunhão em pecado mortal. 

Conta São João Bosco: 

«Encontrava-me com o meu guia (o anjo custodio) à beira de um precipício que terminava num vale escuro. Havia um edifício imenso com uma porta altíssima que estava fechada. Chegámos ao fundo do precipício; oprimia-me um calor sufocante; um fumo denso, quase verde, y as ondas de chamas vermelhas erguiam-se sobre as muralhas do edifício. 

Perguntei: “Donde nos encontramos?” “Lê a inscrição que está sobre a porta” respondeu-me o guia. Virei-me e vi escrito: “Ubi non est redemptio!”, é dizer: “Donde não existe redenção!” Vi entrar naquele lugar, primeiro um jovem, depois outro, e depois muitos outros; todos levam escrito na fronte o próprio pecado. Disse-me o guia: “Esta é a causa principal destas condenações: as más companhias, os maus livros e os hábitos perversos.”

Aqueles pobres rapazes eram jovens que eu conhecia. Perguntei ao meu guia: “Assim é inútil trabalhar entre os jovens se depois tantos chegam a este fim! Como impedir toda esta ruína?” Disse o Anjo: “Aqueles que viste ainda estão em vida; no entanto este é o estado actual das suas almas; se morressem neste momento viriam aqui, inevitavelmente.” 

Depois entramos no edifício; movíamo-nos à velocidade de um raio. Chegamos a uma área vasta e escura. Li esta inscrição: “Ibunt impii in ignem aeternum!”, é dizer: “Os ímpios irão ao fogo eterno!” 

“Vem comigo” disse-me o guia. Agarrou-me de uma mão e conduziu-me até a um portão que se abriu. Vi uma espécie de caverna, imensa e cheia de um fogo terrível que sobrepuja muitíssimo o fogo da terra. Não sou capaz de descrever, com palavras humanas, a realidade do terror que vi.” 

De repente comecei a ver os jovens que caíam na caverna ardente. O guia disse-me: “A impureza é a causa da ruína eterna de tantos jovens!” 

“Mas se pecaram, também se confessaram depois”, disse. “Confessaram-se, mas as culpas contra a virtude da pureza confessaram-nas mal ou foram omitidas de todo. Por exemplo, um deles tinha cometido quatro ou cinco destes pecados, mas disse só dois ou três. Outros cometeram um na infância e por vergonha nunca o confessaram ou confessaram-no mal. Outros não tiveram dor do pecado nem propósito de emenda. Algum, em vez de fazer o exame de consciência, procurava as palavras para enganar o confessor. 

E quem morre neste estado, decide colocar-se entre os culpáveis não arrependidos, e isso durará para toda a eternidade. E agora, queres ver porque é que a misericórdia de Deus te trouxe aqui?” O guia levantou um velo e vi um grupo de jovens deste oratório que eu conhecia bem: todos condenados por esta culpa. Entre eles estavam alguns que aparentemente tinham boa conduta.

O guia disse-me ainda: “Predica sempre e em qualquer lugar contra a impureza!” Depois falamos durante meia hora sobre as condições necessárias para fazer uma boa confissão e conclui-se: “É necessário mudar de vida... É necessário mudar de vida!” 

“Agora que viste os tormentos dos condenados, é necessário que também tu proves um pouco do inferno.” 

Fora daquele edifício, o guia agarrou a minha mão e tocou o último muro externo. Eu dei um grito de dor. Terminada a visão, notei que a minha mão estava muito inchada e por mais de uma semana andei com a mão ligada.» 

O Padre Giovan Battista Ubanni SJ, conta que uma mulher, que se confessou durante muitos anos, tinha calado um pecado de impureza. Chegados a aquele lugar dois sacerdotes dominicanos, ela, que desde há muito tempo esperava um confessor estrangeiro, pediu a um deles que a escutasse em confissão. Saídos da igreja, o companheiro narrou ao confessor ter observado que, enquanto aquela mulher se confessava, muitas serpentes saiam da sua boca; mas uma serpente mais gorda tinha saído só com a cabeça, mas depois entrou de novo. Então, também as serpentes que tinham saído voltaram a entrar novamente. 

O confessor não disse aquilo que tinha escutado na confissão, mas suspeitando do que poderia ter sucedido fez de tudo para encontrar aquela mulher. Quando chegou ao pé da sua casa, veio a saber que tinha morrido nada mais entrar. Sabida a coisa, aquele bom sacerdote entristeceu-se e rezou pela defunta. Esta se lhe apareceu em meio das chamas e disse: “Eu sou aquela mulher que se confessou esta manha; mas fiz um sacrilégio. Tinha um pecado que não queria confessar ao sacerdote da minha paroquia; Deus enviou-me a si, mas ainda assim me deixei vencer pela vergonha, e num momento a Divina Justiça atingiu-me com a morte enquanto entrava em casa. Justamente estou condenada no inferno!” Depois destas palavras abriu-se a terra e foi vista precipitar-se e desaparecer. 

Escreve o Padre Francesco Rivignez (o episodio é também contado por São Afonso Maria de Ligório) que em Inglaterra, quando ainda era católica, o Rei Alfredo, o Grande, (+899 a.D.) tinha uma filha de grande beleza e que tinha sido pedida por diversos príncipes. 

Quando o seu pai lhe perguntava se aceitava casar-se, respondia que não podia porque tinha feito o voto de perpétua virgindade. O Rei obteve do Papa a dispensa do voto, mas ela manteve-se firme no seu propósito. 

A princesa começou a viver uma vida de santidade: orações, jejuns e outras penitencias; recebia os sacramentos e ia com frequência a servir os doentes num hospital. Em tal estado de vida, adoeceu e terminou por morrer. 

Uma mulher que tinha sido sua educadora, encontrando-se uma noite em oração, escutou no seu quarto um grande ruído e, seguidamente, viu uma alma com aspecto de mulher no meio de um grande fogo e encadeada entre muitos demónios. 

- Eu sou a infeliz filha do rei Alfredo. 
- Mas como... tu condenada?... com uma vida de santidade? 
- Estou justamente condenada... por minha culpa. De pequena caí num pecado contra a pureza. Fui confessar-me, mas a vergonha fechou-me a boca: em vez de acusar humildemente o meu pecado, cobri-o de modo a que o confessor não entendesse nada. O sacrilégio repetiu-se muitas vezes. Sobre o leito de morte, disse, vagamente, ao confessor que eu tinha sido uma grande pecadora, mas o confessor, ignorando o verdadeiro estado da minha alma, impôs-me que recusara este pensamento como uma tentação. Poço depois expirei e fui condenada por toda a eternidade às chamas do inferno. 

Dito isto desapareceu, mas com tanto estrépito que parecia que o mundo desabava, deixando naquele quarto um cheiro repugnante que durou vários dias. 

O inferno é o testemunho do respeito que Deus tem pela nossa liberdade. O inferno grita o perigo continuo no qual se encontra a nossa vida; grita de tal modo que exclui qualquer ligeireza, grita de modo a excluir toda a soberba, toda a superficialidade, porque estamos sempre em perigo. Quando me anunciaram o episcopado, a primeira coisa que disse foi: “Mas eu tenho medo de ir para o inferno.” 

Cardeal Giuseppe Siri


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Enterro na Cartuxa





Os monges cartuxos, quando morrem, são enterrados na própria cartuxa. As sepulturas não têm o nome dos defuntos, todas são anónimas e iguais.


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Palavras e frases em Latim que qualquer homem deveria saber

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Desde a Idade Média até metade do século XX, o Latim era uma parte central do currículo escolar de um homem do Ocidente. Juntamente com a lógica e a retórica, a gramática (como era conhecido o Latim) estava incluída no Trivium - a base da edução medieval em artes liberais. Foi do Latim que toda a cultura fluiu e o Latim foi verdadeiramente a porta para a vida intelectual, dado que a maior parte da literatura científica, religiosa, legal e filosófica foi escrita nesta linguagem até o século XVI. Para uma pessoa entrar a sério nos estudos clássicos e humanistas, o Latim era obrigatório.
Durante este período, as escolas de gramática na Europa, e especialmente em Inglaterra, eram escolas de Latim, e a primeira escola secundária fundada na América pelos puritanos foi também uma escola de Latim. Mas, a partir do século XIV, os escritores começaram a usar o vernáculo nas suas obras, que começou lentamente a rachar a importância central do Latim na educação. Esta moda pelo ensino em língua inglesa acelerou no século XIX; as escolas pararam de dar futuros padres para dar homens de negócios licenciados que iriam tomar o seu posto numa economia industrializada. O ênfase nas artes liberais começou a dar lugar ao que era considerado como uma educação prática em leitura, escrita e aritmética.
Enquanto recebia uma morte lenta durante centenas de anos, o Latim continuou a ter uma presença forte nas escolas até meados do século XX. A partir dos anos 60, os alunos universitários exigiram que os currículos fossem mais abertos, inclusivos e menos "euro-centrados". Dentro das mudanças que sugeriam estava a eliminação do Latim como um curso obrigatório para todos os estudantes. Para acabar com os protestos estudantis, as universidades começaram lentamente a deixar de lado a obrigatoriedade do Latim e, como as universidades pararam de exigir Latim, muitos liceus na América pararam também de dar aulas de Latim. Mais ou menos na mesma altura a Igreja Católica reviu a sua liturgia e permitiu aos sacerdotes celebrarem a Missa na língua vernácula em vez do Latim, eliminando assim uma das últimas ligações do público à língua antiga.
Apesar de já não ser obrigatório para um homem saber Latim para avançar na vida, ainda é um óptimo assunto para estudar. Eu tive que ter aulas de latim como parte do meu “major em Letras” na Universidade de Oklahoma e gostei imenso. Mesmo que já estejam bem fora da escola, há uma miríade de razões pelas quais deviam considerar obter, pelo menos, um conhecimento rudimentar desta língua:
Saber Latim pode aumentar o vosso vocabulário de inglês. Apesar de o inglês ser uma língua germânica, o Latim influenciou-a fortemente. A maior parte dos nossos prefixos e algumas das raízes do inglês mais comum vêm do Latim. Segundo certas estimativas, 30% das palavras inglesas vêm desta língua antiga. Ao saber o significado destas palavras latinas, se por acaso encontrarem uma palavra que nunca viram antes, podem tentar adivinhar com algumas bases o que significa. De facto, uns estudos mostraram que os alunos de liceu que estudaram Latim tiveram uma média de 647 no exame verbal de SAT, comparando com a média nacional de 505.
Saber Latim pode melhorar o vosso vocabulário de línguas estrangeiras. Muitas das línguas românicas por aí faladas, como o espanhol, o francês e o italiano vêm do Latim vulgar. Vão-se espantar pelo número de palavras românicas que são praticamente iguais aos seus equivalentes latinos.
Muitos termos legais estão em Latim. Nolo contendere. Mens rea. Caveat emptor. Sabem o que isto significa? Na verdade, são frases comuns em direito. Apesar de terem existido avanços para traduzir a linguagem legal para inglês simples, ainda vão encontrar velhas frases em Latim em contractos legais de vez em quando. Para serem cidadãos e consumidores educados, precisam de saber o que significam essas frases. Se estão a planear estudar direito, recomendo muitíssimo que se ponham a pau no Latim. Vão encontrá-lo a toda a hora, especialmente ao ler casos com leis antigas.
Saber Latim pode dar-vos um olhar mais apurado sobre a história e a literatura. O Latim foi a lingua franca do Ocidente durante mais de mil anos. Consequentemente, grande parte da nossa história, ciência e da melhor literatura foi registada em Latim. Ler estes clássicos na língua original pode dar-vos conhecimentos que, caso contrário, teriam perdido se lessem em inglês.
Mais ainda, os escritores modernos (e por moderno quero dizer início do século XVII) normalmente temperam as suas obras com palavras e frases em Latim sem dar uma tradução, porque esperam (razoavelmente) que o leitor esteja familiariazado com elas. Isto é verdade para grandes livros de até mesmo há algumas décadas atrás (hoje em dia parece muito menos comum - o que não é um comentário esperançoso no que toca à direcção da literacia do público, penso). O facto de não terem um conhecimento rudimentar de Latim vai fazer com que não percebam a fundo o que o escritor quis passar.
Em baixo têm uma lista de palavras e frases em Latim para ajudar a espicaçar o vosso interesse em aprender esta língua clássica. Esta lista não é de nenhum modo exaustiva. Incluímos algumas das palavras e frases latinas que se vê mais nos dias de hoje, que são uma boa ajuda para saber e aumentar a vossa cultura literária de todos os lados. Incluímos também alguns ditos viris, aforismos e lemas que podem inspirar-vos para algo maior ou lembrar-nos de verdades importantes. Talvez possam encontrar uma frase em Latim que possam adoptar como o vosso lema pessoal. Semper Virilis!

Palavras e Frases em Latim que qualquer homem devia saber

(mais aqui)
a posteriorido último -- saber ou justificação que depende da experiência
ou de evidência empírica
a priorido que vem antes -- saber ou justificação que é independente
da experiência
faber est suae quisque fortunaecada homem é o responsável do seu próprio futuro --
citação de Ápio Cláudio Cego
acta non verbaobras, não palavras
ad hoca isto -- improvisado ou inventado
ad hominemao homem -- ataque pessoal de baixo nível em vez de
de um argumento razoável
ad honorempela honra
in artofmanliness.com

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São João da Cruz estando preso era livre

3 de Dezembro de 1577. Toledo. Noite fechada. Um frade chamado João da Cruz foi levado à força para o convento carmelita. Ele estava com os olhos vendados e esperam-no oito meses que serão morte e vida para ele. Ali, numa cela de 2,70 por 1,60 metros, sem janela, com duas mantas velhas e o imobiliário reduzido a um banco, pão e água duas vezes ao dia, jejum obrigatório três vezes na semana, açoitado regularmente batido até abrir a carne das costas, nasceu o maior poema de amor de todos os tempos: o Cântico espiritual.

«Na noite do desprezo, da injustiça e do esquecimento de muitos, São João da Cruz comprovou que Deus não está sujeito a nada. O seu corpo estava preso, mas ele estava cheio do Espírito ”, afirma Inmaculada Moreno, doutora em Teologia Espiritual e especialista na mística carmelita. «Na noite da fé poderia ter-se encerrado no ressentimento ou perdido em mil hesitações, mas a sua alma não estava murada como a cidade de Toledo. Na prisão esteve livre, por isso escolheu cantar e amar ”, acrescenta.

Homem de dores à imagem de seu Senhor, Juan de Yepes nasceu em 1542 em Fontiveros (Ávila) no meio de uma grande pobreza. Órfão de pai muito cedo, viveu da caridade durante a infância, mas pôde receber formação dos Jesuítas de Medina del Campo.

Depois de terminar os seus estudos, decidiu ir ter com os Carmelitas de Medina. Apenas 100 anos antes, a regra dos Carmelitas havia sido mitigada pelo Papa Eugénio IV, suspendendo o jejum rigoroso e a observância do silêncio, mas quando ele entrou no convento, o novo frade pediu permissão para viver segundo a regra dos primeiros eremitas do Monte Carmelo.

Em 1564 começou a estudar na Universidade de Salamanca e três anos depois foi ordenado sacerdote. Na busca do silêncio e da intimidade com Deus, chegou a pensar em entrar na Cartuxa, mas naquele Outono teve lugar um encontro decisivo com Santa Teresa de Jesus, que o convenceu a ajudá-la na reforma da ordem carmelita.

Frade João seguiu os seus passos e, em 28 de Novembro de 1568, fundou o primeiro convento masculino carmelita de acordo com a regra primitiva, mudando o seu nome para João da Cruz. O que se seguiu foram 10 anos de sofrimento devido à resistência dos carmelitas calçados na divisão da ordem.

O episódio da sua prisão em Toledo dá-se neste contexto. Oito meses depois, ele conseguiu escapar para retomar a unidade na reforma do Carmelo. No entanto, os seus últimos anos foram marcados pela incompreensão do próprio Carmelo, que até o enviou como simples frade a um convento remoto, distanciando-o de qualquer responsabilidade do novo ramo carmelita.

Finalmente, doente e abandonado por todos, no dia 14 de dezembro de 1591, aquele que um dia pediu ao Senhor que "sofresse e fosse desprezado por Ti" morreu em Úbeda. Uma testemunha da sua morte escreveu que “o seu rosto estava muito sereno, bonito e alegre que parecia estar a dormir, causando alegria e felicidade”.

São João da Cruz é o testemunho de que “tudo é vaidade em relação a Deus”, afirma Inmaculada Moreno, que faz alusão ao símbolo da noite escura cunhado pelo santo para indicar como "ele nos convida a experimentar o desprezo como uma purificação de todas as coisas, como forma de o Senhor nos aproximar d'Ele".

Moreno cita aqui a principal experiência do santo: “a união com o Amado, um casamento espiritual para se unir a Deus em qualquer circunstância, na alegria do Cântico dos Cânticos”. E assim, como o santo experimentou, "esvaziemo-nos de tudo para que Deus seja o nosso tudo e abandonemo-nos somente a Ele".

in alfayomega.es


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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

O sacrifício da Missa sempre foi oferecido de frente para Deus

O sacerdote coloca-se diante do altar do sacrifício, não atrás. O mesmo fazia o sacerdote entre os pagãos. No santuário, o seu olhar se dirigia para a representação da divindade a quem se oferecia o sacrifício. 

O mesmo se fazia no Templo de Jerusalém, onde o sacerdote encarregado de oferecer a vítima se colocava diante da “mesa do Senhor” (cf. Ml 1,12), como se chamava o grande altar dos holocaustos situado no centro do Templo, de frente para o templo interior, que guardava a arca da aliança no Santos dos Santos, lugar onde habita o Altíssimo (cf. Sl 16,15). 

O celebrante está separado da multidão e põe-se diante desta, diante do altar e voltado para a divindade. Sempre as pessoas que oferecem um sacrifício estão voltadas para aquele a quem se destina o sacrifício e, nunca, para os que participam na cerimónia.

Klaus Gamber in 'Voltados para o Senhor' (pág. 27 - tradução de Luís A. R. Domingues, ARS)


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domingo, 11 de dezembro de 2022

Quem quer ser santo faça estes exercícios piedosos ao longo dia

Um bom cristão, pela manhã, assim que desperta, deve fazer o sinal da Cruz, e oferecer o coração a Deus, dizendo estas ou outras palavras semelhantes: "Meu Deus, eu vos dou o meu coração e a minha alma".

Ao levantar da cama e enquanto nos vestimos, deveríamos pensar que Deus está presente, que este dia pode ser o último da nossa vida; ademais, devíamos levantar-nos e vestir-nos com toda a modéstia possível.

A um bom cristão, apenas se tenha levantado e vestido, convém pôr-se na presença de Deus e ajoelhar-se, se pode, diante de alguma devota imagem, dizendo com devoção: "Eu adoro-vos, meu Deus, e amo-vos de todo o coração; dou-Vos graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite; ofereço-Vos todas as minhas acções, e peço-Vos que neste dia me preserveis do pecado, e me livreis de todo o mal. Ámen". 

E rezar depois o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Credo, e os Actos de Fé, de Esperança e de Caridade, acompanhando-os com um vivo afecto do coração.

O cristão, podendo, deveria todos os dias:

1º. Assistir com devoção à Santa Missa;
2º. Fazer uma visita, por breve que fosse, ao Santíssimo Sacramento;
3º. Rezar o terço do Santo Rosário.

Antes do trabalho, convém oferecê-lo a Deus, dizendo do coração: "Senhor, eu Vos ofereço este trabalho, dai-me a vossa bênção". Deve-se trabalhar para glória de Deus e para fazer a sua vontade.

Antes da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, estando de pé, e depois dizer com devoção: "Senhor, abençoai-nos a nós e ao alimento que vamos tomar, para nos conservarmos no vosso santo serviço".

Depois da refeição, convém fazer o sinal da Cruz, e dizer: "Senhor, eu Vos dou graças pelo alimento que me destes; fazei-me digno de participar da mesa celeste".

Quando nos vemos atormentados por alguma tentação, devemos invocar com fé o Santíssimo Nome de Jesus ou de Maria, ou recitar fervorosamente alguma oração jaculatória, como, por exemplo: "Dai-me a graça, Senhor, de que eu nunca Vos ofenda"; ou então fazer o sinal da Cruz, evitando porém que as outras pessoas, pelos sinais externos, suspeitem da tentação.

Quando uma pessoa reconhece ou receia ter cometido algum pecado, convém fazer imediatamente um acto de contrição, e procurar confessar-se quanto antes.

[Quando fora da igreja se ouve o sinal de elevação da Hóstia na Missa solene, ou da bênção do Santíssimo Sacramento] é bom fazer, ao menos com o coração, um acto de adoração, dizendo, por exemplo: "Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento".

Ao toque das Ave-Marias [pela manhã, ao meio-dia e à noite], o bom cristão recita o Anjo do Senhor ["Angelus"] com três Ave-Marias.

À noite, antes de se deitar, convém pôr-se, como de manhã, na presença de Deus, recitar devotamente as mesmas orações, fazer um breve exame de consciência, e pedir perdão a Deus dos pecados cometidos durante o dia.

Antes de adormecer, farei o sinal da Cruz, pensarei que posso morrer esta noite, e oferecerei o coração a Deus, dizendo: "Meu Senhor e meu Deus, eu Vos dou todo o meu coração. Trindade Santíssima, concedei-me a graça de bem viver e de bem morrer. Jesus, Maria e José, eu Vos encomendo a minha alma’.

No decurso do dia pode-se invocar a Deus frequentemente com as orações breves que se chamam "jaculatórias". [Eis algumas:]

"Senhor, valei-me";
"Senhor, seja feita a vossa santíssima vontade";
"Meu Jesus, eu quero ser todo vosso";
"Meu Jesus, misericórdia";
"Sagrado Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que eu Vos ame sempre e cada vez mais";
"Doce Coração de Maria, sede a minha salvação";

É muito útil recitar, durante o dia, muitas jaculatórias, e podem recitar-se também com o coração, ser preferir palavras, caminhando, trabalhando, etc.

Além das orações jaculatórias, o cristão deveria exercitar-se na "mortificação cristã". Mortificar-se quer dizer privar-se, por amor a Deus, daquilo que agrada, e aceitar o que desagrada aos sentidos ou ao amor-próprio.

Quando é o Santíssimo Sacramento levado a um enfermo, devemos, sendo possível, acompanhá-Lo com modéstia e recolhimento; e, se não é possível acompanhá-Lo, fazer um ato de adoração em qualquer lugar que nos encontremos, e dizer: "Consolai, Senhor, este enfermo, e concedei-lhe a graça de se conformar com a vossa Santíssima vontade e de conseguir a sua salvação".

Ouvindo tocar o sino pela agonia de algum moribundo, irei, se puder, à igreja orar por ele; e, não podendo, encomendarei a Nosso Senhor a sua alma, pensando que dentro em breve hei de encontrar-me também eu nesse estado.

Ao ouvir sinais pela morte de alguém, procurarei rezar um "De profundis" ou um "Requiem", ou um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, pela alma desse defunto, e renovarei o pensamento da morte.  

in Catecismo Maior de São Pio X


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sábado, 10 de dezembro de 2022

Novo Carmelo está a ser construído para durar 1000 anos

As irmãs carmelitas de Fairfield (Estados Unidos) estão a construir um novo convento inspirado no antigo modelo carmelita. Vivem a liturgia de acordo com o Rito Carmelita, que nas últimas décadas esteve praticamente extincto. Saiba mais sobre o projecto e sobre a vida destas religiosas: https://www.fairfieldcarmelites.org


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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Quem salvará a nossa Igreja?

Quem salvará a nossa Igreja? Não serão os Bispos nem os Sacerdotes nem os Religiosos. Serão vocês, os fiéis. Vocês têm a inteligência, os olhos e os ouvidos para salvar a Igreja.

A vossa missão é garantir que os Sacerdotes ajam como Sacerdotes, os Bispos como Bispos e os Religiosos como Religiosos.

Venerável Fulton J. Sheen - Santuário de Nossa Senhora de Czestochowa, 28 de Maio de 1972


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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Santo Ambrósio sobre a morte do seu irmão: "Por que choras?"

Que chorem os que não têm a esperança da ressurreição; não é a vontade de Deus que lhes tira essa esperança, mas a dureza daquilo em que acreditam. Tem de haver uma diferença entre os servos de Cristo e os pagãos. E essa diferença é a seguinte: estes choram os seus julgando-os mortos para sempre; desse modo, não conseguem pôr fim às suas lágrimas, não encontram descanso para a tristeza. 

Mas para nós, servos de Deus, a morte não é o fim da existência, mas apenas o fim da nossa vida. Dado que a nossa existência será restaurada por uma condição melhor, que a chegada da morte varra portanto todas as lágrimas.

A nossa consolação será tanto maior quanto acreditamos que as boas ações que fazemos terão grandes recompensas depois da morte. Os pagãos têm a sua consolação: para eles a morte é um repouso para todos os males. Como pensam que os seus mortos estão privados de fruir da vida, pensam também que ficam privados da faculdade de sentir e libertos da dor das duras e contínuas tribulações que se sofrem nesta vida. Nós, porém, assim como devemos ter um espírito mais elevado por causa da recompensa esperada, devemos também suportar melhor a dor graças a essa consolação.

Os nossos mortos não foram enviados para longe de nós, mas apenas antes de nós; a morte não os tragará, a eternidade recebê-los-á.


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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Ratzinger explica os problemas do Missal do Papa Paulo VI

O problema do novo Missal está no abandono de um processo histórico sempre contínuo, antes e depois de São Pio V, e na criação de um livro completamente novo, embora compilado de material antigo, cuja publicação foi acompanhada por uma proibição de tudo o que veio antes dele, o que, além disso, é inédito na história do direito e da liturgia. 

E posso dizer com certeza, com base no meu conhecimento dos debates conciliares e na minha leitura repetida dos discursos dos Padres Conciliares, que isso não corresponde às intenções do Concílio Vaticano II. 

Padre Joseph Ratzinger em carta ao Professor Wolfgang Waldstein (1976)

(Wolfgang Waldstein: “Zum motuproprio Summorum Pontificum” in Una Voce Korrespondenz 38/3 [2008], 201–214)


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A história invulgar de São Nicolau, o verdadeiro Pai Natal

São Nicolau nasceu na cidade de Patras, de pais santos e ricos. O pai, Epifânio, e a mãe, Joana, geraram-no na primeira flor da juventude e viveram a partir de então em continência, levando uma vida de celibatários.

Diz-se que no primeiro dia em que o lavavam se pôs de pé na bacia; além disso, às Quartas e Sextas-Feiras só mamava uma vez. Chegando à juventude, evitava as lascívias dos outros jovens, preferindo entrar nas igrejas e decorar o que lá podia ouvir acerca da Sagrada Escritura. Quando os seus pais morreram, começou a pensar em como haveria de gastar as suas enormes riquezas, não para os louvores dos homens, mas para a glória de Deus.

Então, certo nobre, seu vizinho, pensou prostituir as suas três filhas virgens por falta de recursos, para, com o infame comércio delas, se poder sustentar. Quando o santo homem soube, ficou horrorizado com o crime e atirou uma quantidade de ouro envolvida num pano através de uma das janelas da casa onde ele morava e regressou à sua às escondidas.

Quando chegou a manhã, o homem encontrou aquela quantidade de ouro e, dando graças a Deus, celebrou o casamento da filha mais velha. Não muito tempo depois, o servo de Deus voltou a realizar obra semelhante. Voltando a encontrar o ouro e dando muitas graças, aquele homem decidiu vigiar para saber quem socorria a sua miséria. Passados alguns dias, Nicolau atirou o dobro do ouro para a casa do vizinho, que acordou com o barulho e seguiu São Nicolau que fugia, dizendo-lhe em alta voz:

‒ Pára, por favor, e não escondas o teu rosto do meu!

E, correndo mais depressa que Nicolau, reconheceu-o. Logo se prostrou e queria beijar-lhe os pés, mas ele, evitando-o, exigiu que nunca tornasse público aquele acontecimento.

Depois disto, tendo morrido o Bispo da cidade de Mira, combinaram os bispos nomeá-lo para aquela igreja. Havia entre eles um de grande autoridade de quem todos dependiam para aquela eleição. Depois de ter aconselhado todos a fazerem jejum e orarem, ouviu naquela noite uma voz a dizer-lhe que de manhã cedo observasse as portas da igreja e quando visse chegar o primeiro homem cujo nome fosse Nicolau, olhasse bem para ele, para consagrá-lo bispo.

Revelou isto aos outros, aconselhando-os a insistirem na oração enquanto ia observar as portas da igreja. Admirou-se muito ao ver que, àquela hora matinal, o homem enviado por Deus antes de todos os outros era Nicolau; chamando-o a si, o bispo disse-lhe:

‒ Como te chamas?

Ele, com uma simplicidade de pomba, respondeu, de cabeça inclinada:

‒ Nicolau, servo de vossa santidade.

Levaram-no para a igreja e, embora ele a isso muito se opusesse, colocaram-no na cátedra episcopal.

Mas ele em tudo continuava a observar a humildade e a seriedade da sua conduta anterior: passava as noites em oração, mortificava o corpo, fugia do convívio com mulheres; era humilde com quantos recebia, eficaz no falar, entusiasta no exortar e severo no corrigir. 

Bem-aventurado Jacques de Voragine in 'Légende Dorée'


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A Beleza importa

Entre 1750 e 1930, se pedisse a qualquer pessoa educada para descrever o objectivo da Poesia, da Arte e da Música, eles teriam respondido: a Beleza. E se perguntasse o motivo disto, aprenderia que a Beleza é um valor tão importante quanto a Verdade e a Bondade.
 
Mas, no Séc. XX, a Beleza deixou de ser importante. A Arte, gradualmente, focou-se em perturbar e quebrar tabus morais. Não era Beleza, mas originalidade, atingida por quaisquer meios e a qualquer custo moral, que ganhava os prémios. Não apenas a Arte fez um culto ao feio, mas também a Arquitectura se tornou desalmada e estéril.
 
E não foi apenas a nossa envolvente física que se tornou feia: a nossa linguagem, música e maneiras, estão cada vez mais rudes, auto-centradas e ofensivas, como se a Beleza e o bom gosto já não tivessem lugar nas nossas vidas.

Roger Scruton in 'Por que a Beleza importa?'


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7 razões que me levaram a frequentar uma paróquia de Missa Tradicional

1 - Existem sacerdotes a confessar todos os dias, pelo menos uma hora, e os padres desafiam-nos constantemente a ir à confissão, pelo menos semanalmente. A Confissão é oferecida antes, durante e depois da Santa Missa. Depois da Missa diária, o padre regressa da sacristia, reza aos pés do altar, vira-se para as pessoas e diz "Vou estar no confessionário." Para mim, este é um sinal de profunda dedicação sacerdotal. Ele não quer apertar as nossas mãos ou receber cumprimentos, ele quer que nos reconciliemos com Deus. Deixem-me acrescentar que não estou a dizer que os padres que não são da FSSP não fazem isto. Conheci muitos bons padres paroquianos que estão no confessionário todos os dias. Só estou a dizer que os padres da FSSP têm esta dedicação consistentemente.

2 - As homilias são boas e não há penugem. É straight forward: Céu/inferno, graça/pecado, virtude/vício, ser santo no mundo, remover o pecado da vossa vida, etc...

3 - A Comunhão é recebida de joelhos e na língua e da mão do padre. Quando eu era um Anglicano recebíamos de joelhos e eu nunca me ajustei a estar de pé para a Sagrada Comunhão como Católico. O momento da Sagrada Comunhão torna-se mais reverente e mostra honra a Cristo.

4 - A paróquia promove devoções como Adoração Eucarística, Bençãos, Santo Rosário, Novenas, Escapulários, Devoções marianas, etc...

5 - Visto que a confissão é oferecida com tanta frequência, a nossa família está a ir à confissão quase semanalmente. Estou a descobrir que este é o segredo para um vida de família feliz. Os padres também me deram algumas dicas e sugestões sobre como estabelecer uma noite do Terço em família.

6 - A música é bem preparada e bonita. As nossas vozes não são sufocadas por alguém à frente com um microfone. Só este facto é um incentivo a cantar e a cantar alto.

7 - Sempre que a Missa em Latim aparece, algumas vezes ouvimos Católicos a dizer: "Bem, eu gosto muito da Missa em Latim, só não consigo é aguentar as pessoas da Missa em Latim! Estão sempre a julgar!"

Eu próprio já disse isto antes. No entanto não observámos mais "julgamentos" lá do que noutro lado qualquer. Não há dúvida, recebemos alguns olhares de pessoas porque as nossas crianças fazem barulho. Mas também tínhamos isso na paróquia de Missa Nova.

Até agora ninguém veio falar comigo depois da Santa Missa e começou a falar sobre a conspiração do Terceiro Segredo de Fátima, ou porque é que o Latim é a língua de Deus, ou porque é que o Vaticano II é mau ou que João XXIII era maçom. Tem sido bastante normal. De facto, atrevo-me a dizer, as pessoas da Missa em Latim são geralmente mais simpáticas em relação às crianças. Eles gostam de ver famílias grandes e a crescer.

Taylor Marshall


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sábado, 3 de dezembro de 2022

São Francisco Xavier explica os riscos e recompensas de ser missionário

Este país é muito perigoso, porque os seus habitantes, cheios de perfídia, misturam muitas vezes veneno na comida e na bebida. É por isso que não há ninguém disposto a ir para lá cuidar dos cristãos. Mas estes têm necessidade de ensinamentos espirituais e de alguém que os baptize para lhes salvar a alma; é por isso que eu sinto a obrigação de perder a minha vida corporal para ir socorrer a vida espiritual do próximo. 

Coloco a minha esperança e a minha confiança em Deus Nosso Senhor, com o desejo de me conformar, segundo os meus pobres meios, à palavra de Cristo, nosso Redentor e Senhor: «Quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; quem a perder por minha causa há de salvá-la».

É fácil, evidentemente, compreender os termos e o sentido geral destas palavras do Senhor; mas, quando a pessoa quer levá-la à prática e dispor-se a perder a própria vida por Deus, a fim de a reencontrar nele, quando a pessoa se expõe aos perigos nos quais pressente a possibilidade de deixar a vida, tudo se torna tão obscuro, que as palavras, não deixando de ser perfeitamente claras, acabam também por se obscurecer. 

Nesses casos, parece-me, só consegue compreendê-las aquele - por muito sábio que seja - a quem Deus Nosso Senhor, na sua infinita misericórdia, Se digna explicar-lhas nas suas circunstâncias específicas. É então que conhecemos a condição da nossa carne, isto é, que somos fracos e enfermos.

São Francisco Xavier in 'Carta de 10 de Maio de 1546' (escrita aos seus companheiros europeus desde a ilha de Amboina, Arquipélago das Molucas)


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O Pequeno Catecismo de São Francisco Xavier

São Francisco Xavier, padre jesuíta, chegou a Goa a 6 de Maio de 1542 e logo começou a ensinar a doutrina cristã. Este catecismo breve, de que se servia, é quase igual ao que em 1539–1540 publicou em Lisboa o célebre cronista da Índia João de Barros. 

1. Senhor Deus, tende misericórdia de nós. Jesus Cristo, Filho de Deus, tende misericórdia de nós. Espírito Santo, tende misericórdia de nós.

2. Creio em Deus Pai todo poderoso, criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo seu Filho único, Nosso Senhor. Creio que foi concebido do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria. Creio que padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Creio que desceu aos infernos; ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. Creio que subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso. Creio que dos céus há-de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo. Creio na santa Igreja católica. Creio no ajuntamento dos santos e na remissão dos pecados. Creio na ressurreição da carne. Creio na vida eterna. Ámen.

3. Verdadeiro Deus, eu confesso de vontade e coração, como bom e leal cristão, a Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, três pessoas, um só Deus. Eu creio firmemente, sem duvidar, tudo o que crê a santa mãe Igreja de Roma; e bem assim eu prometo, como fiel cristão, viver e morrer na santa fé católica de meu Senhor Jesus Cristo. E quando à hora da minha morte não puder falar, agora, para quando eu morrer, confesso ao meu Senhor Jesus Cristo com todo o meu coração.

4. Pai nosso que estás nos Céus; santificado seja o teu nome; venha a nós o teu reino; seja feita a tua vontade, assim como nos céus, na terra. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje, e perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos tragas em tentação, mas livra-nos de todo o mal.

5. Deus te salve, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres e bento é o fruto do teu ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, roga por nós pecadores, agora e à hora da minha morte. Ámen.

6. Os mandamentos da lei do Senhor Deus são dez. O primeiro é amar a Deus sobre todas as coisas. O segundo é não jurar o nome de Deus em vão. O terceiro é guardar os domingos e festas. O quarto é honrar teu pai e tua mãe, e viverás muitos anos. O quinto, não matarás. O sexto, não fornicarás. O sétimo é não furtarás. O oitavo é: não levantarás falso testemunho. O nono é: não desejarás as mulheres alheias. O décimo: não cobiçarás as coisas alheias.

7. Diz Deus: os que guardarem estes dez mandamentos irão para o paraíso. Diz Deus: os que não guardarem estes dez mandamentos irão para o inferno.

8. Rogo-vos, meu Senhor Jesus Cristo, que me deis graça hoje, neste dia, em todo o tempo da minha vida, para guardar estes dez mandamentos.

9. Rogo-vos, minha Senhora Santa Maria, que queirais rogar por mim ao vosso bento Filho, Jesus Cristo, que me dê graça hoje, neste dia, todo o tempo da minha vida, para guardar estes dez mandamentos.

10. Rogo-vos, meu Senhor Jesus Cristo, que me perdoeis os meus pecados que fiz hoje, neste dia, em todo o tempo da minha vida, em não guardar estes dez mandamentos.

11. Rogo-vos, minha Senhora Santa Maria, Rainha dos Anjos, que me alcanceis perdão do vosso bento Filho, Jesus Cristo, dos pecados que fiz hoje, neste dia, em todo o tempo da minha vida, em não guardar estes dez mandamentos.

12. Os mandamentos da Igreja são cinco. O primeiro é ouvir missa inteira aos domingos e festas de guardar. O segundo é confessar-se o cristão uma vez na Quaresma ou antes, ou se espera entrar nalgum perigo de morte. O terceiro é tomar comunhão, por obrigação, em dia de Páscoa, ou antes ou depois, segundo o costume do bispado. O quarto é jejuar quando manda a santa Igreja, a saber, Vigílias, Quatro Têmporas e a Quaresma. O quinto é pagar dízimo e primícias.

13. Deus te salve, Rainha, Mãe de misericórdia, doçura da vida, esperança nossa, Deus te salve! A ti bradamos, desterrados filhos de Eva. A ti suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, volve a nós aqueles teus olhos misericordiosos. E, depois deste desterro, amostra-nos Jesus, bento fruto do teu ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Ámen. Roga por nós, que sejamos merecedores dos prometimentos de Jesus Cristo. Ámen Jesus.

14. Eu pecador, muito errado, me confesso ao Senhor Deus e a Santa Maria, a São Miguel, o anjo, a João Baptista, e a São Pedro e São Paulo e São Tomé, e a todos os santos e santas da corte dos céus.

E a vós, Padre, digo a minha culpa, que pequei grandemente por pensamento e por palavra e por obra, de muito bem que pudera fazer, que não fiz, e de muito mal de que me pudera apartar e não me apartei: de tudo me arrependo e digo a Deus minha culpa, minha grande culpa, Senhor, minha culpa. Peço e rogo, a minha Senhora Santa Maria e a todos os santos e santas, que por mim queiram rogar ao meu Senhor Jesus Cristo, que me queira perdoar os meus pecados presentes, confessados, passados e esquecidos, e daqui para diante me dê a sua graça, que me guarde de pecar e me leve a gozar a glória do paraíso. Ámen.

15. Os pecados mortais são sete. O primeiro é soberba. O segundo é avareza. O terceiro é luxúria. O quarto é ira. O quinto é gula. O sexto é inveja. O sétimo preguiça.

16. As virtudes morais contra os pecados mortais são sete. A primeira é humildade contra a soberba. A segunda é largueza contra avareza. A terceira é castidade contra a luxúria. A quarta é paciência contra a ira. A quinta é temperança contra a gula. A sexta é caridade contra a inveja. A sétima é diligência contra a preguiça.

17. As virtudes teologais são três. A primeira, fé; a segunda, esperança; a terceira, caridade.

18. As virtudes cardeais são quatro. A primeira, prudência; a segunda, fortaleza; a terceira, temperança; a quarta, justiça.

19. As obras de misericórdia corporais são sete. A primeira é visitar os enfermos. A segunda, dar de comer a quem tem fome. A terceira, dar de beber a quem tem sede. A quarta, é remir os cativos. A quinta, é vestir os nus. A sexta, é dar pousada aos peregrinos. A sétima, é enterrar os finados.

20. As obras de misericórdia espirituais são sete. A primeira, é ensinar os simples sem doutrina. A segunda, dar bom conselho a quem o precisa. A terceira, é castigar quem precisa de castigo. A quarta, é consolar os tristes desconsolados. A quinta, é perdoar ao que errou. A sexta, é sofrer as injúrias com paciência. A sétima, é rogar a Deus, pelos vivos, que os guarde de pecados mortais; e, pelos mortos, que os tire das penas do purgatório e os leve para o paraíso.

21. Os sentidos corporais são cinco. O primeiro é ver. O segundo é ouvir. O terceiro é cheirar. O quarto é gostar. O quinto é palpar.

22. As potências da alma são três. A primeira, memória. A segunda, entendimento. A terceira, vontade.

23. Os inimigos da alma são três. O primeiro é o mundo. O segundo é a carne. O terceiro é o diabo.

24. Oração à Hóstia. Adoro-te, meu Senhor Jesus Cristo, bendigo-te a ti, pois pela tua santa Cruz remiste o mundo e a mim. Ámen.

25. Oração ao Cálice. Adoro-te, sangue do meu Senhor Jesus Cristo, que foste derramado na cruz para salvar os pecadores e a mim. Ámen.

26. Ó meu Deus poderoso e Pai piedoso, Criador de todas as coisas do mundo, em vós, meu Deus e Senhor, pois sois todo o meu bem, creio firmemente sem poder duvidar que me tenho de salvar pelos méritos infinitos da morte e paixão de vosso Filho Jesus Cristo, meu Senhor, ainda que os pecados de quando era pequeno sejam muito grandes, com todos os demais que tenho feito até esta hora presente, pois é maior a vossa misericórdia que a maldade dos meus pecados. Vós, Senhor, me criastes, e não meu pai nem minha mãe, e me destes alma e corpo e quanto tenho. E vós, meu Deus, me fizestes à vossa semelhança, e não os pagodes, que são deuses dos gentios em figura de bestas e alimárias do diabo. Eu renego de todos os pagodes, feiticeiros, adivinhadores, pois são escravos e amigos do diabo. Ó gentios, que cegueira de pecado é a vossa tão grande, que fazeis de Deus bestas e demónio, pois o adorais em suas figuras! Ó cristãos, demos graças e louvores a Deus trino e uno, que nos deu a conhecer a fé e a lei verdadeira de seu Filho, Jesus Cristo.

27. Ó Senhora Santa Maria, Esperança dos cristãos, Rainha dos anjos e de todos os santos e santas que estão com Deus nos céus, a vós, Senhora, e a todos os santos, me encomendo, agora e para a hora da minha morte, [para] que me guardeis do mundo, da carne e do diabo, que são meus inimigos desejosos de levar a minha alma para os infernos.

28. Ó senhor São Miguel, defendei-me do diabo à hora da minha morte, quando estiver dando conta a Deus da minha vida passada. Pesai, Senhor, os meus pecados com os méritos da morte e paixão do meu Senhor Jesus Cristo, e não com os meus poucos merecimentos, assim serei livre do poder do inimigo e irei a gozar para sempre sem fim dos fins.

29. A bênção da mesa. V. Bendizei. R. O Senhor. V. A nós e aos alimentos que vamos tomar, Deus trino e uno nos abençoe. Bendigamos ao Senhor. R. Graças a Deus. V. Louvor a Deus, paz aos vivos, descanso aos defuntos. Amen.

Deus nos ajunte no paraíso. Amen.

in Obras Completas – São Francisco Xavier – Editorial A.O. – Braga e Edições Loyola – São Paulo, Brasil


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