sábado, 11 de fevereiro de 2023

O milagre em Lourdes que levou à conversão do Nobel de Medicina

Aqui fica um pequeno resumo da cura milagrosa de Marie Bailly, a 28 de Maio de 1902, nas águas de Lourdes. Esta cura foi testemunhada pelo Nobel da Medicina, Alexis Carrel (1873-1944), um agnóstico, céptico irredutível, na altura destes acontecimentos, e que viria a morrer católico. Marie Bailly estava às portas da morte devido a uma peritonite tuberculosa.

Eis o testemunho do médico:

«Às 2 da tarde de 28 de Maio, quando Marie Bailly foi levada, contra todas as indicações médicas, do hospital para a gruta [de Lourdes] e para os banhos, estava literalmente a morrer. Depois do seu abdómen enormemente inchado, com protuberâncias duras e quase sem nenhum líquido no seu interior, ter sido lavado por três vezes com a água dos banhos, ela começou a sua espantosa recuperação. Pelas 4 da tarde o seu abdómen estava liso; à noite já se sentava a conversar e podia comer sem vomitar, ao contrário do que acontecera nos cinco meses anteriores.

Na manhã seguinte, vestiu-se e sem a ajuda de ninguém embarcou no comboio de volta para Lyon, melhorando progressivamente durante a viagem de 24 horas. Tendo chegado a Lyon, ao meio-dia de 31 de Maio, ela atravessou a estação sem se apoiar em ninguém, e tomou o eléctrico até casa dos seus familiares, que não podiam acreditar que se tratava de Marie Bailly.»



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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

O rapaz que morreu enquanto gritava: "Viva Cristo Rei"

Aos 13 anos, diante da perseguição que sofria a Igreja, José Sanchez del Río, apresentou-se e disse: "Vim aqui para morrer por Cristo Rei." E isso confirmou-se quando, mesmo preso e torturado, continuou a proclamar: “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!" 

Quem foi esse rapaz tão especial? 

José Luíz Sanchez Del Río nasceu a 28 de Março de 1913, na cidade Sahuayo, província de Michoacan, México. Vivia uma vida comum, como qualquer outro menino do interior do México, até que esta normalidade foi quebrada pela ascensão de Plutarco Elias Calles à chefia do poder daquela nação. 

Este presidente empreendeu em todo o país uma das maiores perseguições que a Igreja Católica sofreu no século XX. Com o pretexto de “livrar a nação do fanatismo religioso", Plutarco Calles iniciou uma investida militar contra sacerdotes, religiosos e fiéis leigos que demonstrassem qualquer sinal da fé católica. Confiscou todas as Igrejas, prendeu e matou padres, bispos, frades e freiras, dentre muitos outros. Após tanta perseguição, um grupo de fiéis católicos viu-se obrigado a pegar em armas para garantir a sua sobrevivência. Este conflito ficou conhecido como Cristiada ou Guerra Cristeira, em homenagem aos soldados cristãos que eram conhecidos como Cristeros. 

Um dia, José viu os soldados comunistas entrarem a cavalo na sua igreja e enforcarem o velho sacerdote. Foi então visitar o túmulo do beato mártir Anacleto González Flores, que havia morrido durante a perseguição de maneira brutal e impiedosa. Rezou a Deus, pedindo para que também ele pudesse morrer em defesa da sua Fé. 

Aos 13 anos de idade foi procurar o general Prudencio Mendoza, que tinha a sua base na vila de Cotija, para que pudesse ingressar no exército cristero. Ao chegar, dirigiu-se ao general que o indagou: 
- O que viste fazer aqui meu rapaz? Ele respondeu: 
- Vim aqui para morrer por Cristo Rei. 

A sinceridade daquelas palavras e o vívido olhar destemido daquele nobre rapaz ressoaram profundamente no coração do general cristero, que autorizou a sua entrada na milícia. Ao longo de um ano, José Sanchez del Río combateu em muitos confrontos ferozes contra o exército do governo comunista e maçom. 

Por ser o menor, José ia à frente dos revolucionários com um estandarte com a imagem da Virgem de Guadalupe. Muitos cristãos morreram em combate. José escreveu à sua Mãe: “Nunca foi tão fácil ganhar o Céu.” 

Numa dessas lutas, o general dos cristeros perdeu o cavalo e ia ser capturado. José disse-lhe: “Meu general, aqui está meu cavalo, salve-se, mesmo que me matem! Eu não faço falta, o senhor sim”. 

Foi dessa forma corajosa que José foi capturado, pelos sádicos soldados do governo de Plutarco. Na intenção de fazer com que o menino renunciasse à Fé, descamaram a planta dos seus pés até aos nervos e amarraram-no a um cavalo, obrigando-o a andar durante cerca de 14 quilómetros a pé e descalço. Não é necessário referir aqui o nível de dor que esta pobre criança sentiu, mas, mesmo assim, nos momentos em que as dores lhes eram insuportáveis, o menino, cheio da Graça Divina, bradava em voz alta e vigorosa “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!" 

Sem sucesso na tentativa de que José abjurasse da Fé por meio da dor mais causticante e alucinante possível, os soldados tentaram intimidá-lo de outra maneira. Ao chegarem à vila em que nascera, para ser executado no dia seguinte, os soldados fizeram com que a Mãe do menino lhe escrevesse uma carta pedindo para que ele abjurasse da Fé católica, para poder ser libertado. José Sanchez del Río respondeu assim ao bilhete da sua mãe: 

“Minha querida Mãe: Fui feito prisioneiro em combate neste dia. Creio que daqui a pouco tempo vou morrer, mas não importa, nada importa, Mãe. Resigna-te à vontade de Deus; eu morro muito feliz porque no fim de tudo isto, morro ao lado de Nosso Senhor. Não te aflijas pela minha morte, que é o que me mortifica. Antes, diz aos meus outros irmãos que sigam o exemplo do mais pequeno, e tu faz a vontade do nosso Deus. Tem coragem e manda-me a tua bênção juntamente com a do meu Pai. Saúda a todos pela última vez e recebe, por último, o coração do teu filho que tanto te quer e tanto desejava ver-te antes de morrer." 

No dia seguinte, 10 de Fevereiro de 1928, Sexta-Feira, o menino que estava prestes a completar 15 anos ofereceu a sua vida terrena para não perder a vida eterna ao lado de Jesus Cristo, em Quem ele depositou a sua Fé com bravura e fidelidade. 

Quando o Papa Pio XI soube de José e o que os cristãos estavam sofrendo no México, escreveu: “Queridos irmãos, entre aqueles adolescentes e jovens existem alguns – e eu não consigo segurar as lágrimas ao recordá-los – que, levando nas mãos o rosário e aclamando Cristo Rei, sofrem espontaneamente a morte.” 

São José Sanchez del Río, rogai por nós. 

in coisasdesantos.blogspot.com


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Santa Escolástica, irmã de São Bento

Escolástica não é um nome muito comum, mas é o nome da santa de hoje. Era irmã gémea do grande São Bento, e viveram ambos a vida contemplativa, cada um no seu mosteiro. Encontravam-se uma vez por ano para ter santas conversas, como são normalmente as conversas entre irmãos.

Durante uma delas, Santa Escolástica pediu a São Bento que continuassem a falar até ao nascer do sol, mas o irmão deu-lhe um "raspanete" dizendo que isso seria contra a Regra (beneditina), que ambos seguiam. Desconsolada, a irmã fez um momento de oração a Deus para que a ajudasse.

Abateu-se então uma tempestade tão grande que São Bento foi mesmo "obrigado" a ficar a falar com a sua irmã até ao dia seguinte. Santa Escolástica viria a morrer 3 dias depois e São Bento 40 dias depois da sua gémea.

Como seria bom que todos os irmãos fossem tão amigos como estes dois.

São Bento e Santa Escolástica, rogai por nós.


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Resumo do último livro do Papa Bento XVI

O livro póstumo de Bento XVI - O que é o Cristianismo? - recolhe 16 textos escritos após a sua renúncia, a maioria deles escritos em 2018 e o último em 2022. O livro contém algumas passagens 'explosivas':

- "Constatámos um vasto colapso do modo actual de preparação para o ministério sacerdotal nos seminários".

- "Em vários seminários foram formados 'clubes homossexuais' que agiam de forma mais ou menos pública".

- Vários bispos americanos "uniram forças para esconder a situação real" no que diz respeito a abusos por parte de sacerdotes homossexuais.

- Os Bispos "rejeitaram a tradição católica como um todo, visando nas suas dioceses desenvolver uma espécie de catolicidade nova e moderna".

- "A Ceia [Protestante] e a Missa são duas formas de culto fundamentalmente diferentes e que se excluem mutuamente. Que aqueles que hoje pregam a intercomunhão se lembrem disto".

- "O pensamento moderno [...] está mais à vontade com a abordagem de Lutero do que com a abordagem católica. Uma explicação da Escritura que vê o Antigo Testamento como um caminho para Jesus Cristo é quase inacessível ao pensamento moderno".

- Os "grandes poderes de tolerância não concedem ao cristianismo a tolerância que propagam" e com a sua "manipulação radical do homem" e "distorção dos sexos através da ideologia do género", opõem-se ao cristianismo.

- "A intolerância desta aparente modernidade para com a fé cristã ainda não se transformou em perseguição aberta, no entanto manifesta-se de uma forma cada vez mais autoritária com o objectivo de alcançar, através de uma legislação apropriada, a erradicação do que é cristão na sua essência".

in gloria.tv


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Frei Yves Congar defende a antiguidade da Missa Tradicional

O frei dominicano Yves Congar foi um dos teólogos mais influentes do Concílio Vaticano II e um dos responsáveis pela chamada 'Nouvelle théologie'. Nesta passagem de um dos seus livros, Congar, que foi feito Cardeal em 1994 pelo Papa João Paulo II, explica que a Missa Tradicional Romana, tal como a conhecemos hoje, vem praticamente desde os tempos do Papa Gregório Magno (540-604 d.C.). É uma boa resposta para os que dizem que a 'Missa Tridentina' começou no Concílio de Trento:

«Basta entrar numa igreja antiga, benzer-se com água benta, como Pascal e Serapione fizeram antes de nós, para acompanhar uma Missa que, desde Gregório Magno, não mudou muito, nem sequer nos seus aspectos exteriores (...). Tudo foi preservado para nós, e nós podemos tomar posse de uma herança que poderemos facilmente transmitir àqueles que virão depois de nós.

O ritual, como meio de comunicação e vitória sobre o tempo devorador, é também um poderoso meio de comunicação da mesma realidade entre os homens separados por séculos de mudanças e sujeitos a influências muito diferentes.»

Yves Congar OP in La tradizione e le tradizioni (Edizioni Paoline, Roma 1965)


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Conferência em Roma sobre a Liturgia rezada 'Ad orientem'

O colóquio do Centro Internacional de Estudos Litúrgicos (CIEL) sobre o tema "O altar e a sua orientação" terá lugar em Roma na Segunda-feira dia 20 de Fevereiro de 2023. Os participantes serão recebidos a partir das 9h30 e os trabalhos terão início às 10h00 e terminarão às 17h30.

Este simpósio terá lugar no Instituto Maria Santissima Bambina, situado em frente ao Santo Ofício, junto à Praça de São Pedro (via Paolo VI, 21).

Sua Eminência o Cardeal Raymond Leo Burke irá honrar-nos com a sua visita e dirigir-se aos participantes.

A participação neste encontro é gratuita. Os participantes devem ter-se registado previamente utilizando o link no fundo desta página.

Programa do Colóquio

10h00 : Christian Marquant : breve história da CIEL

10h15 : Rubén Peretó Rivas : "Apresentação do colóquio".

10h45 : R.P. Roberto Spataro, SDB (Pontificia Università Salesiana, Roma): Quae docuerint Patres Ecclesiae de altaribus.

11h45 : Intervenção do Cardeal Raymond Burke

12h00 : Aperitivo e Buffet

13h30 : Angel Pazos López (Universidade Complutense, Madrid): O altar e os seus elementos na imagem medieval.

14h30 : Apresentação do CIEL. Colecção de estudos publicada nas Actas das conferências do Centro Internacional de Estudos Litúrgicos.

15h00 : Marc Levatois (Paris): "A orientação do altar na construção simbólica do espaço".

16h00 : Apresentação do livro pelo Padre Michael Lang, A Missa Romana : das origens cristãs primitivas à reforma tridentina

16h30 : Abbé Claude Barthe (Paris): "A história do versus populum dos anos 1920s aos 1930s".

17h30 : Fim dos trabalhos.

Inscrição na conferência: https://bit.ly/3UVYgaF


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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Uniões civis sodomitas?

Uniões civis de pessoas homossexuais, gays, sodomitas ou como lhes queiram chamar são profundamente injustas, contrárias à Lei Natural e ao Direito Natural (que exprimem a Ordem da Criação e participam da Lei Eterna de Deus), totalmente incompatíveis com o Bem-Comum, que o estado tem obrigação de garantir e promover. Este pode tolerar alguns comportamentos tais como a prostituição ou a prática homossexual, mas nunca os pode reconhecer legalmente.
 
Quando se afirma ser a favor de uniões civis de homossexuais, objectivamente, está-se a dizer que a razão dessas “uniões” deverem ser legalizadas consiste nas práticas contra a natureza das pessoas que se “unem”. De facto, não se afirma genericamente que tendo em conta as legislações cada pessoa na sua autonomia possa recorrer às leis existentes para garantir os direitos que são comuns a todos os cidadãos.
 
Acresce que estas “uniões” civis sempre foram e continuam a ser um cavalo de Tróia para alcançar o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Todos os países que ‘legalizaram’ esse tipo de “casamento” só o conseguiram depois de admitirem na lei as “uniões civis” de homossexuais. De facto, uma vez admitidas estas, inevitavelmente se segue o “casamento”. E de um modo geral essas mesmas “uniões” civis, antes de se conseguir legalizar o “casamento”, são legalmente equivalentes ao casamento civil. Pelo que, asserir que as “uniões” civis homossexuais são diferentes do casamento civil é puro nominalismo.
 
Alguns contrapõem àquilo que é a Doutrina da Igreja afirmações do Papa Francisco favoráveis, dizem eles, às “uniões civis” de homossexuais. Ora importa afirmar com toda a veemência que o Papa, enquanto Papa, nunca ensinou isso. Quando Jorge Mário Bergoglio dá entrevistas e outras coisas do género não se pronuncia magistralmente como Papa, mas dá somente opiniões de J. M. Bergoglio. As suas palavras e opiniões não são magistério da Igreja. Podem, portanto, e às vezes devem, como é o caso, ser criticadas. Não se entende, de facto, por que é que, enquanto pessoa privada (ou Doutor privado) contraria publicamente a Doutrina do Magistério, que como Papa tem obrigação de defender.
 
A Doutrina da Igreja está muito bem exposta num documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé aprovado pelo Papa João Paulo II. Passo a citar alguns trechos embora valha a pena ser lido na sua totalidade:
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS PROJECTOS DE RECONHECIMENTO LEGAL DAS UNIÕES ENTRE PESSOAS HOMOSSEXUAIS:
 
“Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efectivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui, porém, uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.”
 
“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.”
 
“Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.”

Padre Nuno Serras Pereira


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sábado, 4 de fevereiro de 2023

São João de Brito, missionário jesuíta português e mártir

São João de Brito ficou conhecido é muitas vezes chamado "o São Francisco Xavier Português". Foi canonizado em 22 de Junho de 1947, pelo Papa Pio XII.

Nascido em Lisboa, Portugal, no ano de 1647. Seu pai, Salvador Pereira de Brito; sua mãe, D. Brites Pereira. O seu pai foi enviado pelo rei Dom João IV para ser governador no Brasil, lugar onde faleceu.

Ordenado Padre na Companhia de Jesus em 1675, João de Brito iniciou a sua missão apostólica em Malabar, na Índia. Desde o início procurou fazer igual aos nativos em tudo o que fosse possível. Andava descalço por enormes distâncias, apenas com uma simples manta de algodão e livros cristãos. Um dos maiores missionários portugueses na Índia, chegou a converter várias comunidades hindus à Fé Católica. 

A pedido do Rei Dom Pedro II voltou para Portugal. Aí, recebeu um convite irrecusável para muitos: o de ser conselheiro do Rei o mestre do seu filho. O Padre João de Brito, porém, recusou esta honraria e voltou para a Índia.

Quando São João de Brito pisou em Malabar, voltando de Portugal, deparou-se com um cenário devastador: os cristãos tinham sido mortos; as casas e as igrejas saqueadas e incendiadas. Tratava-se de uma revolta dos líderes religiosos hindus, conhecidos como brâmanes. 

Por isso, São João de Brito foi igualmente preso e decapitado. Aconteceu no dia 4 de Fevereiro de 1693. Antes de ser executado, São João de Brito obteve permissão para rezar. No mesmo local onde foi executado, o seu corpo teve os membros decepados e foi exposto. O Papa Pio XII canonizou-o em 1947 e determinou que a sua festa litúrgica fosse celebrada no dia da sua morte.

Daniel Jorge Marques Filho


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

O destino dos mornos, segundo Dante

Logo que entrei ouvi gritos terríveis, suspiros e prantos que ecoavam pela escuridão sem estrelas. Os lamentos eram tão intensos que não me contive e chorei. Gritos de mágoa, lutas, queixas iradas em diversas línguas formavam um tumulto que tinha o som de uma ventania. Eu, com a cabeça já tomada de horror, perguntei:

- Mestre, quem são essas pessoas que sofrem tanto?

- Este é o destino daquelas almas que não procuraram fazer o bem divino, mas também não procuraram fazer o mal. - respondeu o Mestre. - Misturam-se com aquele coro de anjos que não foram nem fiéis nem infiéis ao seu Deus. Tanto o Céu como o inferno os rejeitam.

- Mestre - continuei -, a que pena tão terrível estão esses coitados submetidos para que se lamentem tanto?

- Em poucas palavras: Estes espíritos não têm esperança de morte nem de salvação. O mundo não se lembrará deles, a misericórdia e a justiça ignoram-nos. Deixa-os. Olha, e passa.

E então olhei e vi que as almas formavam uma grande multidão, correndo atrás de uma bandeira que nunca parava. Estavam todas nuas, expostas a picadas de enxames de vespas que as feriam em todo o corpo. O sangue escorria, junto com as lágrimas até os pés, onde vermes doentes ainda os roíam.

Dante Alighieri in Divina Comédia, Canto III


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Procissão de velas em honra de Nossa Senhora



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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Apresentação do Menino Jesus no Templo e Purificação de Nossa Senhora

Hoje a Igreja celebra a festa da Apresentação do Menino Jesus no Templo e da Purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro).

De acordo com a tradição mosaica, as mães, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar o Templo até quarenta dias após o parto; nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacríficio (um cordeiro e uma pomba ou rola; ou se não pudessem levar um cordeiro, dois destes pássaros) e assim purificar-se. A Santíssima Virgem como Imaculada não necessitava de se purificar, mas mesmo assim, cumpriu a lei de Moisés, por humildade e obediência, passando como uma mulher no meio de tantas outras, tal como o seu Filho passou como uma criança no meio de tantas outras.

Na tradicional procissão de Nossa Senhora das Candeias, canta-se a seguinte antífona

"Adornai a vossa câmara nupcial, ó Sião, e acolhei a Cristo Rei: com um abraço amoroso cumprimentai Maria, que é o mesmo portão dos Céus; pois ela trouxe para vós o glorioso Rei da nova luz: permanecendo sempre Virgem e no entanto trazendo em seus braços o Senhor gerado antes do dia da estrela: a mesma Criança, que Simeão trazendo-A para os seus braços, declarou aos povos ser o Senhor da vida e da morte e o Salvador do mundo."

Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, cantou-lhes o Nunc Dimititis, que a Igreja canta na sua oração da noite, as Completas:
Em Latim:
Nunc dimittis servum tuum, Domine, secundum verbum tuum in pace:
Quia viderunt oculi mei salutare tuum
Quod parasti ante faciem omnium populorum:
Lumen ad revelationem gentium, et gloriam plebis tuae Israel.

Em Português:
Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo,
porque meus olhos viram a salvação,
que oferecestes a todos os povos:
luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo.
No cântico de São Simeão, este promete que Jesus será a Luz que irá aclarar os gentios. Assim nasce o culto em torno de Nossa Senhora das Candeias/da Candelária, que se celebra com a bênção das velas e consequente procissão. Estas velas abençoadas iluminar-nos-ão nos três dias de escuridão no fim dos tempos. Este ritual cumpre-se hoje, porque as velas representam o Deus-Menino, que é Luz e para nos lembrar que devemos ir ao encontro desta Luz com a nossa luz da fé e das boas obras.

Santo Ambrósio diz sobre Simeão [Lib. 2. Comment. in Lucae cap. 2]: "Quem quer ser libertado e esteja com Cristo, deixai-o vir ao Templo, deixai-o vir a Jerusalém, deixai-o esperar pelo Cristo Senhor, deixai-o tomar posse do Verbo de Deus, deixai-o envolvê-Lo com boas obras, como se fosse com os braços da fé e por fim deixai-o partir em paz, pois não deve ver a morte, quem viu a vida. Contemplai como o Natal do Senhor transborda com abundantes graças para todos, e a profecia não é negada ao justo, mas ao descrente."
S. Josemaría Escrivá prega numa homilia sobre a purificação: "Completado o tempo da purificação da Mãe, segundo a Lei de Moisés, é preciso ir com o Menino a Jerusalém para apresentá-Lo ao Senhor. E desta vez serás tu, meu amigo, quem leva a gaiola das rolas. – Estás a ver? Ela – a Imaculada! – submete-se à Lei como se estivesse imunda. Aprenderás com este exemplo, menino tonto, a cumprir a Santa Lei de Deus, apesar de todos os sacrifícios pessoais? Purificação! Tu e eu, sim, é que precisamos de purificação! Expiação, e, acima da expiação, o Amor. – Um amor que seja cautério, que abrase a imundice da nossa alma, e fogo que incendeie com chamas divinas a miséria do nosso coração."

Rezemos, então a Deus, nesta festa da Purificação da Santíssima Virgem Maria, para que como a nossa Mãe do céu possamos purificarmo-nos e sacrificarmo-nos, humilde e obedientemente, para que um dia, como ela e como Simeão, que pediu a libertação e a recebeu ao receber nos braços o Menino Jesus, sejamos recebidos na glória da vida eterna.

Ave Maria!
PF


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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Mais um Sacerdote português ordenado em Rito Tradicional

No passado Domingo, dia de São Francisco de Sales, o Cardeal Raymond Burke ordenou vários sacerdotes do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote. Entre eles está um português. Rezemos por ele e pela sua importante missão na Igreja.

Fotografia: ICRSS España



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O mártir que quis ser devorado por leões

Santo Inácio de Antioquia, um dos maiores bispos de toda a História da Igreja, foi condenado à morte em Antioquia. Foi levado para Roma, para morrer lá, na arena, comido pelas feras. A caminho, já preso, escreveu uma carta aos Cristãos de Roma, falando no seu martírio que se aproximava:

Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas faço saber que morro por Deus com alegria, desde que vós não me impeçais. Suplico-vos: não demonstreis por mim uma benevolência inoportuna. Deixai-me ser alimento das feras; por elas pode-se alcançar a Deus. Sou trigo de Deus, serei triturado pelos dentes das feras para tornar-me o puro pão de Cristo. Rogai a Cristo por mim, para que por este meio me torne sacrifício para Deus. 

Nem as delícias do mundo nem os reinos terrestres são vantagens para mim. Mais me aproveita morrer em Cristo Jesus do que imperar até os confins da terra. Procuro-o, a ele que morreu por nós; quero-o, a ele que por nossa causa ressuscitou. Meu nascimento está iminente. Perdoai-me, irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, eu, que tanto desejo ser de Deus. Não me entregueis ao mundo nem me fascineis com o que é material. Deixai-me contemplar a luz pura; quando lá chegar, serei homem. Concedei-me ser imitador da paixão de meu Deus. Se alguém o possui no coração, entenderá o que quero e terá compaixão de mim, sabendo quais os meus impedimentos. 

O príncipe deste mundo deseja arrebatar-me e corromper meu amor para com Deus. Nenhum de vós, aí presentes, o ajude! Ponde-vos de meu lado, ou melhor, do lado de Deus. Não podeis dizer o nome de Jesus Cristo, enquanto cobiçais o mundo. Que a inveja não more em vós! Mesmo que eu em pessoa vos rogue, não me acrediteis; crede antes no que vos escrevo, desejando morrer. (...) Não quero mais viver segundo os homens. Isto acontecerá se vós quiserdes.

in Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Romanos (107 d.C.)


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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Papa Bento XVI resignou por causa das insónias

Bento XVI escreveu ao seu biógrafo, Peter Seewald, no dia 28 de Outubro a dizer que se demitiu, em Fevereiro de 2013, por ter sofrido de insónias durante todo o seu Pontificado.

A "insónia que me tem acompanhado continuamente desde a Jornada Mundial da Juventude, em Colónia [Agosto de 2005] foi o "motivo central" para a sua demissão. O seu médico pessoal tinha-lhe receitado "medicação forte", mas apenas funcionou durante algum tempo.

Uma manhã, durante a sua viagem ao México e Cuba, em Março de 2012, o Papa pegou no seu lenço, como de costume, mas estava "completamente encharcado em sangue". Bento disse que não se lembrava de nada: "Devo ter esbarrado em algo na casa de banho durante a noite e caído".

Após este acidente, o novo médico do Papa prescreveu uma redução nos comprimidos para dormir e recomendou apenas audiências de manhã, quando viajava para o estrangeiro.

Bento XVI sabia que não seria capaz de enfrentar a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em Julho de 2013. Por conseguinte, planeou a sua demissão para que o seu sucessor pudesse viajar para o Brasil.

in gloria.tv


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Confissão: o grande segredo de D. Bosco

No ano 1855, D. Bosco tinha pregado durante três dias os Exercícios Espirituais aos jovens da "Generala", de Turim, um instituto correcional para os indisciplinados. Tendo-os confessado todos, pediu e obteve depois de muita insistência, do próprio ministro Urbano Rattazzi, a licença para os levar, ao todo 350 rapazes, a um passeio até o parque real de Stupinigi, nos arredores de Turim. 

A mais espontânea alegria durou até ao fim da tarde e, na hora de voltar para casa, ninguém deixou de responder à chamada. É impossível descrever a surpresa de todos, que não podiam explicar como é que um pobre Padre sozinho, sem guardas nem soldados, tinha podido manter em ordem e submissos tão grande número de internados. Não sabiam que o grande segredo de D. Bosco era a confissão.

Pe. Luiz Chiavarino in 'Confessai-vos bem'


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D. Bosco e as vocações sacerdotais

"Conheço bem os jovens; um terço deles tem em si um germe de vocação."
São João Bosco


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segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Quem rezar salva-se, quem não reza não se salva

Quem reza salva-se, quem não reza não se salva. Todos os santos, excepto as crianças (antes da idade da razão), se salvaram com a oração. Todos os que se condenaram condenaram-se por não rezar, se tivessem rezado não se teriam perdido. E este é, e será, o seu maior desespero no inferno: que poderiam ter-se salvado com tanta facilidade; bastava pedir a Deus as graças, e agora já não é possível pedi-las.

Resumindo, salvar-se sem rezar é dificílimo, diria até impossível; mas rezando, a salvação é segura e facílima.

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Del Gran Mezzo della Preghiera'


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Entrevista de D. Athanasius Schneider no Líbano



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domingo, 29 de janeiro de 2023

Exame de consciência antes de dormir - São Francisco de Sales

Escolhe alguns minutos antes de dormir e prostra-te diante do teu Deus aos pés do crucifixo, lembrando-te contigo mesmo da dissipação do dia. Reacende no teu coração o fogo da meditação da manhã por actos de profunda humilhação, por suspiros de ardente amor a Deus, e aprofunda-te, abrasado deste amor, nas chagas do amantíssimo Salvador, ou então vai repassando em teu espírito e no fundo do teu coração tudo quanto saboreaste na oração, a não ser que prefiras ocupar-te de um novo objeto.

Quanto ao exame de consciência, que devemos fazer antes de nos deitarmos, não há ninguém que ignore.

1. Devemos agradecer a Deus de nos ter conservado durante o dia.

2. Examinam-se todas as acções, uma a uma, e as suas circunstâncias.

3. Achando-se alguma coisa de bom, feita nesse dia, dá-se graças a Deus; se, ao contrário, se lhe tem ofendido por palavras, por pensamentos e por obras; pede-se-lhe perdão por um acto de contrição, que deve abranger a dor dos pecados cometidos, o bom propósito de corrigi-los e boa vontade de confessá-los na primeira ocasião.

4. Depois disso, recomenda-se a divina Providência o corpo e a alma, a Igreja, os parentes e amigos; invoca-se a Santíssima Virgem, os Santos e os Anjos da Guarda, pedindo-lhes de velar sobre nós. Feito isso, com a bênção de Deus, vamos tomar o repouso que ele quer que tomemos.

Nunca se deve omitir esta oração da noite, assim como a da manhã; pois como, pela oração da manhã se abrem as janelas da alma para o Sol da justiça, assim pela oração da noite elas se fecham para as trevas do inferno.

São Francisco de Sales in 'Filoteia ou a Introdução à Vida Devota'


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sábado, 28 de janeiro de 2023

Jovens Católicos rezam o Terço durante encontro ecuménico

Cerca de 15 jovens católicos de rito tradicional ajoelharam-se na igreja de Belle-Beille (França) para rezar o terço durante uma cerimónia ecuménica.

O Bispo de Angers, Mons. Emmanuel Delmas, tinha reunido várias "denominações" cristãs, durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, a fim de promover a "abertura" e a "tolerância". Mas, quando os católicos começaram a rezar, o diácono Joël Caillé chamou a polícia.

O Bispo Delmas disse aos activistas dos meios de comunicação social que condenou "veementemente" a oração. Segundo ele, os jovens mostraram uma "falta de respeito pela oração" e pelo "carácter sagrado da igreja como lugar de unidade, paz e comunhão", o que, pelos vistos, exclui os católicos que rezam o terço.

Uma imagem reveladora publicada em Ouest-France.fr mostra os jovens católicos ajoelhados na igreja, no meio de pessoas secularizadas e envelhecidas.

in gloria.tv


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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Dominus Vobiscum




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São João Crisóstomo explica quais são os 5 caminhos de conversão

Dou-te a conhecer os cinco caminhos da conversão: o primeiro é o arrependimento pelos nossos pecados; depois, o perdão concedido às ofensas do próximo; o terceiro consiste na oração; o quarto, na esmola; o quinto, na humildade. Não fiques, pois, inativo, mas toma cada dia todos estes caminhos. São caminhos fáceis e não podes apresentar como pretexto a tua miséria.

Pois, mesmo que vivas na maior pobreza, podes abandonar a cólera, praticar a humildade, rezar assiduamente e arrepender-te dos teus pecados [...]. Uma vez que estejas no caminho da conversão, dá o que possuis. Nem a pobreza nos impede de cumprir este mandamento: vemo-lo na viúva que deu as duas moedas que tinha.

Esta é a maneira de curarmos as nossas feridas: apliquemos, pois, estes remédios. Tendo retomado a saúde da alma, aproximar-nos-emos da mesa santa e, com muita glória, iremos ao encontro do Rei da glória, Cristo. Ganhemos os bens eternos pela graça, a misericórdia e a bondade de Jesus Cristo Nosso Senhor.

in 'Sermão sobre o diabo tentador' 


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Oração de São Policarpo antes de morrer mártir

Senhor Deus omnipotente, Pai do vosso amado e bendito Filho Jesus Cristo, por meio do qual Vos conhecemos, Deus dos anjos, das potestades, de toda a criação e de todos os justos que vivem na vossa presença, eu Vos bendigo porque Vos dignastes, neste dia e nesta hora, incluir-me no número dos vossos mártires, fazer-me tomar parte no cálice do vosso Ungido e, pelo Espírito Santo, alcançar a ressurreição na vida eterna, na incorruptibilidade da alma e do corpo. 

No meio dos vossos mártires Vos peço que eu seja hoje recebido na vossa presença, como sacrifício abundante e agradável, tal como Vós o tínheis preparado e mo destes a conhecer, e agora o realizais, ó Deus verdadeiro e sem falsidade. 

Por todas as coisas Vos louvo, Vos bendigo, Vos glorifico por meio do eterno e celeste Pontífice, Jesus Cristo, vosso amado Filho. Por Ele seja dada toda a glória a Vós, em união com Ele e com o Espírito Santo, agora e nos séculos que hão-de vir, Ámen.

in Carta da Igreja de Esmirna sobre o martírio de São Policarpo (69-155)


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Conversão do Apóstolo São Paulo

Hoje é dia da conversão de São Paulo: de perseguidor cruel dos cristãos passou, de um dia para o outro, a ser o maior dos apóstolos. Graças a essa conversão providencial temos o belíssimo hino da caridade (1Cor 13), que é lido na maioria dos casamentos. Infelizmente poucos percebem a mensagem deste texto.

Basicamente, São Paulo diz que podemos fazer coisas muito boas, mas se não forem feitas por amor a Deus nada valem para a vida eterna. O que não quer dizer que não possam ser uma ajuda para querer amar a Deus acima de todas as coisas, e aos outros por causa do amor a Deus, i.e. conseguir a mais importante de todas as virtudes: a caridade.

«Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou como um bronze que soa
ou um címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas,
se não tiver amor, nada sou.

Ainda que eu distribua todos os meus bens
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor, de nada me aproveita.

O amor é paciente,
o amor é prestável,
não é invejoso,
não é arrogante nem orgulhoso,
nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita nem guarda ressentimento.

Não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.

Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.

Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.

Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.
Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.

Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor;
mas a maior de todas é o amor.»


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