domingo, 14 de maio de 2023

13 de Maio do ano 609: os demónios foram expulsos do Panteão

No ano 608, o imperador bizantino Focas entregou o Panteão (templo dos deuses pagãos em Roma) ao Papa Bonifácio IV e foi organizada uma cerimónia evocativa para o consagrar a Deus. No dia 13 de Maio de 609, uma enorme multidão reuniu-se perto do Panteão para testemunhar o acontecimento. 

As crónicas relatam o caos e os gritos arrepiantes que se faziam sentir a partir do interior: os demónios pagãos sabiam o que estava prestes a acontecer. As portas foram abertas e o Papa, diante da entrada, começou a recitar as fórmulas do exorcismo. Os gritos dos ídolos aumentaram de intensidade e a comoção ensurdeceu os ouvidos dos espectadores.  

O medo apoderou-se da multidão e ninguém conseguia manter-se de pé, vendo e ouvindo aquele terrível espectáculo. Só Bonifácio IV resistiu e, destemido, rezou e consagrou o Panteão a Cristo. Diz-se que os demónios abandonaram o antigo templo de forma caótica e com grande estrondo, fugindo pelo "olho" aberto da cúpula e pelas portas principais.  Terminada a cerimónia, o Papa dedicou o edifício a Nossa Senhora dos Mártires, em memória, dos muitos cristãos mortos por causa daqueles ídolos imundos.

in 'Il Settimanale di Padre Pio', n. 48


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Há 13 anos, o Papa Bento disse estas palavras enigmáticas em Fátima

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída
. Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?” (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).

Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade.

Papa Bento XVI, 13 de Maio de 2010


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sexta-feira, 12 de maio de 2023

Vigília no Santuário de Fátima: Procissão das Velas



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Santa Joana Princesa

Santa Joana nasceu no dia 6 de Fevereiro de 1452. Era filha de Dom Afonso V, rei de Portugal e de sua mulher D. Isabel. Ficou órfã de mãe aos 4 anos de idade e, aos 15, tomou os encargos do governo da casa real. 

Levava vida penitente, usando cilício sob as vestes reais e passando as noites em oração. Jejuava frequentemente e como divisa ou insígnia real usava uma coroa de espinhos. Os pobres, os enfermos, os presos, os religiosos viam nela a sua protectora e amparo. 

Conservava um livro onde anotava os nomes de todos os necessitados, o grau de pobreza de cada um e o dia em que deveria ser dada a esmola. Por ocasião da Semana Santa, lavava os pés de doze mulheres pobres e presenteava-as com roupas, alimentos e dinheiro. 

Apesar de pretendida por muitos príncipes, entre eles o filho de Luís XI da França, e para espanto de todos, em 1471 recolheu-se, temporariamente, no mosteiro de Odivelas. Dali foi para o mosteiro de Aveiro, onde viveu despojada de tudo até a morte, no dia 12 de Maio de 1490. Em 1693 foi beatificada pelo papa Inocêncio XII.

in Evangelho Quotidiano


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quinta-feira, 11 de maio de 2023

Católicos protestaram e o Cardeal Roche fugiu

No dia 10 de Maio, os bispos franceses organizaram, em Paris, um encontro sobre Liturgia com a presença do Cardeal Arthur Roche, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

Quando os católicos tomaram conhecimento do evento, e se organizaram para lá aparecer, o Cardeal Roche cancelou a sua presença em cima da hora e enviou em seu lugar o seu secretário, Mons. Viola. Os católicos compareceram de facto, exibindo faixas onde se lia "Não à guerra litúrgica".

Durante a Missa na igreja de Honoré d'Eylau, os bispos fecharam as portas e expulsaram os católicos. No final, os prelados saíram da igreja por uma porta das traseiras. Dois bispos chegaram mesmo a afastar os fiéis que pediam uma bênção.

Por fim, dois sacerdotes, disfarçados com roupas de leigo, disseram aos católicos para os "deixarem em paz".

in gloria.tv


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Confessar em primeiro lugar os piores pecados

"Quando vamos à confissão devemos acusar em primeiro lugar os nossos piores pecados, e das coisas que mais nos envergonhamos. Deste modo confundimos o demónio e recebemos mais frutos da nossa confissão."

São Filipe Néri


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Consagração da maior igreja da FSSPX

Foi consagrada a Imaculada, a maior igreja que a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X tem. Este enorme templo, com capacidade para 1500 lugares sentados, encontra-se em Saint Mary's, no Kansas (Estados Unidos da América).

A consagração de uma igreja em Rito Tradicional é uma cerimónia pouco comum, desde a reforma litúrgica. Dura cerca de 3 horas, sendo celebrada depois a Missa Pontifical, o que eleva o tempo da cerimónia a cerca de 5 horas.

Contém rituais com uma simbologia riquíssima:

- O Bispo asperge as paredes da igreja do lado de fora e depois bate à porta da igreja com o báculo para que se abra, entrando, juntamente com clero, seguido pelos fiéis;
- É desenhado um X com cinza no qual o Bispo escreve o alfabeto grego e depois latino;
- Todas as cruzes são ungidas com óleo e incensadas;
- As relíquias são trazidas em procissão por diáconos e colocadas no altar que é de seguida ungido com óleo;
- São colocados grãos de incenso em 5 locais do altar (4 cantos e em cima do local onde estão colocadas as relíquias e se há-de rezar a Santa Missa) que ardem enquanto se canta de joelhos o Veni Creator Spiritus.











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quarta-feira, 10 de maio de 2023

A devoção perdida ao Santíssimo Sacramento

Quebec (Canadá), 1942. Sacerdote leva a Sagrada Comunhão a um doente e toda a Família se ajoelha para receber Nosso Senhor em sua casa. 


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terça-feira, 9 de maio de 2023

11 faltas que nos privam da ajuda de Deus

Devemos empregar todo o cuidado em nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demónio mais forte contra nós. Tais faltas são:

1. O desejo de passar por sábios ou nobres aos olhos do mundo;
2. Vaidade no vestir;
3. A busca de comodidades supérfluas;
4. O costume de se dar por ofendido com qualquer palavra mais forte ou com uma simples falta de atenção;
5. O desejo de agradar a todos à custa do bem espiritual;
6. A negligência das práticas de piedade por respeitos humanos;
7. As pequenas desobediências;
8. Pequenas aversões contra alguém;
9. Pequenas murmurações;
10. Pequenas mentiras ou gozos;
11. O tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis.

Resumindo: todo o apego à coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar no abismo; estas faltas cometidas com deliberação, roubar-nos-ão, pelo menos, os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma da queda do pecado.

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Escola da Perfeição Cristã'


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Peregrinação de Pentecostes 2023

Peregrinação de 26 a 28 de Maio, Domingo de Pentecostes 🔥

Inscrições: https://tinyurl.com/2wtr3fy3

• Esta peregrinação é um dos capítulos Anjos da Guarda da peregrinação Paris-Chartres, à qual está unida em oração e organização
• Aberta a todas as idades e condições físicas (cerca de 55 kms)
• O percurso está relacionado com a Festa do Espírito Santo em Tomar e em Dornes
• Possibilidade de entrar no dia 26 (sexta-feira) à noite se não puder ir de manhã
• Custo: 55€ para adultos e 35€ para menores de idade (quem não puder pagar fale com os organizadores)
• Vagas limitadas


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domingo, 7 de maio de 2023

As várias igrejas 'sui iuris' dentro da Igreja Católica

Tradição Litúrgica Latina

- Igreja Latina (Romana)

Tradição Litúrgica Bizantina

- Igreja Greco-Católica Ucraniana (1595)
- Igreja Greco-Católica Melquita (1726)
- Igreja Católica Bizantina Grega (1829)
- Igreja Católica Bizantina Rutena (1646)
- Igreja Católica Bizantina Eslovaca (1646)
- Igreja Católica Búlgara (1861)
- Igreja Greco-Católica Croata (1611)
- Igreja Greco-Católica Macedónica (1918)
- Igreja Católica Bizantina Húngara (1646)
- Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma (1697)
- Igreja Católica Ítalo-Albanesa (esteve sempre em comunhão)
- Igreja Católica Bizantina Russa (1905)
- Igreja Católica Bizantina Albanesa (1628)
- Igreja Católica Bizantina Bielorrussa (1596)

Tradição Litúrgica de Alexandria 

- Igreja Católica Copta (1741)
- Igreja Católica Etíope (1846)

Tradição Litúrgica de Antioquia

*Rito litúrgico maronita
- Igreja Maronita (esteve sempre em comunhão)
*Rito litúrgico siríaco
- Igreja Católica Siro-Malancar (1930)
- Igreja Católica Siríaca (1781)

Tradição Litúrgica Arménia

-Igreja Católica Arménia (1742)

Tradição Litúrgica Caldeia

- Igreja Católica Caldeia (1692)
- Igreja Católica Siro-Malabar (1599)



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sábado, 6 de maio de 2023

Nossa Senhora que corre ao encontro de Jesus ressuscitado

Foi mais uma vez cumprida a tradição na cidade de Sulmona (Itália): Nossa Senhora correu ao encontro do Seu Filho quando O viu pela primeira vez depois da Ressurreição.

Este evento foi fotografado pela primeira vez em 1861, existindo ainda essa fotografia na Confraternidade de Santa Maria do Loreto. Mas existem relatos que provam que remonta ao Séc. XVII, há cerca de 400 anos.

Quando Nossa Senhora chega perto de Jesus, os membros da confraternidade abraçam-se jubilosamente, simbolizando a imensa alegria que uniu Mãe e Filho naquele encontro histórico.


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sexta-feira, 5 de maio de 2023

A Missa de São Pio V é uma barreira contra a heresia

A Missa de São Pio V é uma barreira contra a heresia: os protestantes diziam e dizem que todos os fiéis são sacerdotes e que o padre não tem nenhum sacerdócio especial. A Missa de São Pio V fixa de modo insofismável a distinção entre o padre que celebra, que sacrifica, e o povo que se junta ao sacerdote em posição subalterna, para participar do sacrifício.

Os protestantes negavam que a Missa fosse um verdadeiro sacrifício. Era apenas uma Ceia. A Missa de São Pio V afirma de modo peremptório que a Missa é um verdadeiro sacrifício.

Os protestantes negavam, e negam, que a Missa seja um sacrifício propiciatório. No máximo aceitam que se diga um sacrifício de acção de graças. A Missa de São Pio V marca indelevelmente o caráter propiciatório da Missa. 

É pois uma barreira a invasão herética. Daí o explicável apego que a ele (ao rito da Missa de S. Pio V) têm fiéis que amam a Igreja e amam a Jesus Cristo, porque o apego e o amor à doutrina e Revelação de Jesus Cristo é sinal de verdadeiro amor ao mesmo Jesus Cristo, segundo a expressão d'Ele mesmo: 'Quem me ama, guarda a minha palavra' (Jo XIV, 23)."

D. António de Castro Mayer


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quinta-feira, 4 de maio de 2023

Latim, língua da Igreja

Em 25 de Março de 1961, L’Osservatore Romano publicava na primeira página um artigo, assinado com três estrelas, intitulado Latino, lingua della Chiesa, onde se defendia vigorosamente a necessidade que a Igreja tinha de uma língua “universal, imutável e não vulgar“. 

O artigo desenvolvia, em termos amplos e articulados, a afirmação de São Pio X, segundo a qual “a língua latina é considerada, por direito, a língua própria da Igreja“, e a passagem de Pio XI na Epístola Officiorum omnium, de 1 de Agosto de 1922, segundo a qual a Igreja “exige, pela sua própria natureza, uma língua que seja universal, imutável e não vulgar“. Vale a pena recuperar as teses de fundo do referido artigo ao qual nunca foi dada uma resposta convincente:

“O primeiro requisito da língua da Igreja, ensina o Pontífice, é ser universal. Esta língua deve servir, na ordem da instituição eclesiástica, para colocar o centro da Igreja em contato rápido, seguro e igual, com todos os raios que se dirigem a este centro. Se, em discursos proferidos em ocasiões solenes perante este ou aquele povo, os Pontífices não hesitam em usar as respectivas línguas nacionais, já quando se devem dirigir à família católica universal, o uso desta ou daquela língua moderna, própria de uma comunidade singular, seria um favorecimento dessa mesma comunidade, em prejuízo das restantes. 

A Igreja, que, com palavras de São Paulo, proclama ‘ubi non est gentilis et iudaeus […] barbarus et Scyta, servus et liber‘ (Col 3, 11; Gal 3,28; Rom 10,12), não tirará nunca do prato da balança, com o objetivo de favorecer os interesses terrenos de um povo em detrimento de outros, o peso dos valores eternos da qual é a guardiã. Nem em caso algum forçará os povos com menor poder político ou cultural a inclinarem-se diante dos mais fortes, como os feixes no sonho profético de José (Gen 37, 6ss). 

Donde o uso do latim que não é uma língua própria de nenhum povo, nem favorece nem desfavorece parcialmente qualquer deles, cumprindo assim uma condição essencial que tem de ter, na ordem cristã, uma língua universal.

O uso do latim por parte da Igreja não tem apenas a função negativa de eliminar parcialidades e ressentimentos. A facilidade que ele proporciona aos sacerdotes de todo o mundo de compreenderem, prontamente e com precisão e uniformidade, os actos de magistério, de legislação, de exortação do Sumo Pontífice; a possibilidade de seguirem, nos Acta Apostolicae Sedis, as disposições dos dicastérios romanos; a possibilidade de acederem directamente, durante o seu tempo de estudo, e depois, às obras dos Padres e dos grandes mestres; o uso de uma terminologia precisa, imutável, universal; a difusa capacidade que é o fundamento da ciência, de aceder às fontes originais; a rápida compreensão dos textos litúrgicos; e, finalmente, a comunhão numa supercultura que enriquece e não diminui as culturas nacionais; tudo isto constitui um feixe de ligações que contribui para ressaltar a unidade de todos os membros da Igreja, da ordem sacerdotal antes de mais, e, mediante ela, também a de todos os fiéis.

Pio XI (Epístola Officiorum omnium, de 1º de agosto de 1922): ‘É disposição providencial que o latim proporcione aos cristãos mais cultos de cada nação um poderoso vínculo de unidade, permitindo-lhes conhecer mais profundamente aquilo que se refere à Santa Madre Igreja e manter uma coesão mais íntima com o Chefe da família’. E Pio XII resumia e confirmava: ‘A liturgia latina é um vínculo precioso da Igreja Católica.

Além do requisito da aptidão para a universalidade étnica e geográfica, a língua da Igreja deve possuir, afirma o Sumo Pontífice, o atributo da imutabilidade: ‘A Igreja, que está destinada a durar até o fim dos séculos, exige pela sua natureza própria, uma língua que seja imutável.’ É um fato que as línguas vivas estão em permanente mutação; e, quanto mais os povos que as falam participam dos movimentos da história, tanto mais as suas línguas se alteram. […]

O terceiro requisito da língua da Igreja, prossegue o Sumo Pontífice, é que não seja vulgar. Não seria natural que a Igreja, a quem o Senhor pede que ‘olhe propícia para as tribulações da plebe, os perigos dos povos, os gemidos dos prisioneiros, a miséria dos órfãos, as privações dos desterrados, o abandono dos fracos, o desespero dos doentes, a decadência dos velhos, os anseios dos jovens, os votos das virgens, os lamentos das viúvas’ , e que aplica a esta humanidade sofredora as palavras do seu Divino Fundador: ‘Vós sois todos irmãos’, e o comentário de Paulo: ‘Em Cristo, não há judeus nem grego, nem escravo nem homem livre’, a ninguém ocorrerá pensar que a Igreja se deixe tomar por um horaciano desígnio em favor do ‘profanum vulgus‘. 

O vulgus são as massas imensas da vida quotidiana, com os seus interesses e as suas paixões. E a Igreja, se por um lado aprende e usa também o obscuro dialecto de uma pequena tribo do Congo ou da Amazónia, a fim de evangelizar estes filhos que Cristo lhe confiou, por outro lado sente a necessidade e o dever de confiar o sagrado depósito das suas verdades a uma língua que não se identifique com esta ou aquela de um povo singular, nem esteja genericamente ao nível de paixões e de interesses particulares. 

E também estes requisitos de elevação vai encontrá-los no latim, que, por isso, é ‘uma arca de incomparável excelência’ (Pio XII, discurso Magis quam) para as verdades eternas e imutáveis. Se o latim lhe não tivesse sido oferecido pela Providência no começo da sua longa história, ela ter-se-ia visto forçada a procurar uma língua que possuísse os três requisitos que o Papa Pio XI especificou: ‘Dado que o latim realiza plenamente esta tríplice exigência’, conclui o Pontífice, ‘consideramos ter sido disposto pela Divina Providência que ele se tivesse admiravelmente colocado ao serviço da Igreja docente’

Roberto De Mattei in 'O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita'


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Leão XIII contra os socialistas

Ainda que os socialistas, abusando do próprio Evangelho, a fim de enganarem mais facilmente os espíritos incautos, tenham adoptado o costume de o torcerem em proveito da sua opinião, entretanto a divergência entre as suas doutrinas depravadas e a puríssima doutrina de Cristo é tamanha, que maior não podia ser. 

Pois ’que pode haver de comum entre a justiça e a iniquidade? Ou que união entre a luz e as trevas?’ (2 Cor. 6, 14) 

Papa Leão XIII in Encíclica 'Quod Apostolici Muneris'


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Sacerdote Jesuíta destrói ídolos em África

O Padre Peter Ryan SJ visitou o seu irmão William, um sacerdote Fidei Donum de Washington, na sua paróquia missionária no Togo, África Ocidental. Durante a visita, apareceu uma delegação de uma família importante que tinha decidido renunciar ao seu ídolo ancestral e pediu ao Padre William que o destruísse.

Várias outras famílias vizinhas juntaram-se a eles. O grande dia começou com uma Missa, seguida de uma procissão de centenas de pessoas desde a igreja até às casas, onde foi utilizada água benta e sal exorcizado. O Padre Peter esmagou entusiasticamente os ídolos com uma marreta antes de queimar os seus restos.

Os fiéis cantaram "Yesu enye dzidula! (Jesus é o vencedor!). Por fim, o santuário pagão foi demolido e uma grande cruz foi colocada no meio dos escombros.

in gloria.tv


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quarta-feira, 3 de maio de 2023

O milagre que levou à descoberta da Cruz onde Jesus foi crucificado

No dia 3 de Maio do ano 326 d.C., Santa Helena, mãe do Imperador Constantino descobriu a Vera Cruz em Jerusalém e levou-a para Roma. É neste dia que a Igreja celebra a Invenção (descoberta) da Santa Cruz.

Após aquela insigne vitória que Constantino obteve sobre Maxêncio, quando recebeu de Deus o sinal da Cruz do Senhor ["in hoc signo vinces"], Santa Helena, mãe de Constantino, tendo recebido uma revelação num sonho, foi a Jerusalém para procurar zelosamente a Cruz; aí ela cuidou de destruir a imagem de Vénus de mármore, que os gentios colocaram no lugar da Cruz, para tirar a memória da paixão de Cristo Senhor, e que aí permaneceu por cerca de 180 anos. O mesmo ela fez no presépio do Salvador, onde fôra posto um simulacro de Adónis, e no lugar da ressurreição, onde o fôra um de Júpiter.

Purgado, assim, o local da Cruz, por meio de profundas escavações foram encontradas três cruzes, e, separado delas, a inscrição que fôra colocada sobre a Cruz do Senhor; como não se sabia sobre qual das três ele deveria ser afixado, um milagre sanou a dúvida. Eis que Macário, bispo de Jerusalém, tendo elevado preces a Deus, levou cada uma das cruzes a três mulheres que sofriam de uma grave enfermidade, e, enquanto as demais nada aproveitaram para as mulheres, a terceira Cruz, levada à terceira mulher, curou-a imediatamente. 

Santa Helena, tendo encontrado a Cruz da salvação, construiu aí uma magnificentíssima igreja, na qual depositou parte da Cruz em urnas de prata, e outra parte entregou a seu filho, Constantino, que a levou a Roma, à igreja da santa Cruz de Jerusalém, edificada no palácio Sessoriano. Ela também entregou ao filho os cravos que trespassaram o santíssimo corpo de Jesus Cristo. Naquele tempo, Constantino sancionou uma lei para que, desde então, ninguém fosse condenado ao suplício da cruz, e aquilo que antes era castigo e maldição para os homens, passou a ser glória e objecto de veneração. 

in Breviário Romano


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terça-feira, 2 de maio de 2023

A revolução de D. José Ornelas

Na primeira entrevista depois de ter sido reeleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Ornelas provocou a indignação de muitos fiéis católicos ao pôr a possibilidade de se acabar com o celibato sacerdotal ou de “ordenar” mulheres.

Em relação ao celibato, diz o Bispo de Leiria-Fátima, que foi o Concílio de Trento que acabou com os “padres casados”. Em primeiro lugar, o celibato sacerdotal foi vivido na Igreja desde os primeiros séculos. É uma prática apostólica. Ainda que fossem ordenados homens casados, deixavam as suas mulheres (com a autorização destas) para serem sacerdotes.

Em segundo lugar, o Concílio a partir do qual se deixou de ordenar homens casados foi o II Concílio de Latrão (1139) e não o Concílio de Trento (1545-1563). É uma falha grave que um Bispo demonstre publicamente desconhecer a história do celibato sacerdotal; ainda para mais partindo desse ponto de vista errado para dar a sua opinião que o celibato pode (e deve?) acabar.

D. José Ornelas diz ainda que a ordenação sacerdotal de mulheres é um assunto que está em cima da mesa. Alerta apenas para as questões culturais que podem dificultar a aceitação desta mudança. Mas é doutrina da Igreja que uma mulher nunca poderá ser ordenada sacerdote. O sacerdote tem de ser um homem, tal como Nosso Senhor Jesus Cristo. O próprio Papa João Paulo II, na carta apostólica ‘Mulieris dignitatem’ (1988), diz que a Igreja não tem autoridade para ordenar mulheres.

O presidente da CEP falou ainda sobre as uniões “homossexuais” e sobre os “recasados”. Fê-lo de tal maneira que se fica a ideia que na Igreja nada está garantido, tudo pode mudar. No edifício eclesial não restará pedra sobre pedra, desde que isso signifique que a Igreja se adapte ao “mundo moderno”.


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O grande Santo Atanásio

Hoje é dia de Santo Atanásio. Este grande Bispo lutou contra a heresia ariana, que proclamava Jesus Cristo apenas como a mais perfeita das criaturas, negando que fosse Deus. Este erro crasso chegou a ser defendido por grande parte dos Bispos Católicos.

No Concílio de Niceia (325 d.C.) as duas partes digladiaram-se e Atanásio deu uma coça argumentativa aos arianos, destruindo por completo a sua tese absurda. Os Bispos hereges não mais se esqueceram disso e, 10 anos depois, no Sínodo de Tiro, pagaram a uma mulher para dizer que o Bispo Atanásio a tinha violado quando o recebeu em sua casa.

Diante da acusadora, um sacerdote de seu nome Timóteo, fingiu ser Atanásio e perguntou à suposta vítima: "Mulher, fui eu que fiquei em tua casa e te violei?" Ela, chorando de indignação, respondeu que sim, sob juramento, e pediu aos juízes que o punissem. Foi assim descoberta a mentira e a mulher foi expulsa dali sem demora.

Mesmo tendo Atanásio sido ilibado da falsa acusação, foi nesse Sínodo deposto enquanto Bispo de Alexandria e expulso da sua diocese. Foi o primeiro dos três desterros impostos a Santo Atanásio, dentro da própria Igreja, por defender a doutrina católica. É uma referência essencial nos dias que correm.

Santo Atanásio, rogai por nós.


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segunda-feira, 1 de maio de 2023

Diácono italiano ordenado no Gabão pelo Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote




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Festa de São Filipe e São Tiago, Apóstolos

Até 1955, quando o Papa Pio XII instituiu a festa de São José Artesão, este dia 1 de Maio era dedicado a São Filipe e São Tiago (menor).

São Filipe era natural de Betsaida, na Galileia. Nosso Senhor chamou-o aos apostolado no mesmo dia em que São Pedro e Santo André. Segundo Clemente de Alexandria, teria sido Filipe aquele Apóstolo que pediu ao Divino Mestre licença para sepultar o pai, e de Nosso Senhor recebeu a resposta: "Segue-me e deixa os mortos sepultarem os mortos".  

São Crisóstomo diz de São Felipe que fora casado e tivera algumas filhas. Obedecendo à voz do Divino Mestre, tornou-se Apóstolo. Tendo conhecido de perto a Jesus, convidou também Natanael a associar-se ao Messias. Três dias depois, acompanhou Nosso Senhor às bodas de Caná. Decorrido um ano, foi recebido entre os Apóstolos.  

Foi Filipe a quem, no dia da multiplicação dos pães, perguntou Jesus onde havia de arranjar comida para tanta gente. Certa ocasião, em que vieram alguns pagãos para ver Jesus, foram Filipe e André que os apresentaram ao Divino Mestre.  

Quando Jesus, no discurso da despedida, repetidas vezes se referiu ao nome do Eterno Pai, pediu-lhe Felipe que lhes mostrasse o Pai, e Jesus respondeu-lhe: "Felipe, quem vê a mim, vê ao Pai".

São estas as únicas referências que as Escrituras fazem a São Filipe. Escritores competentes entendem que algumas filhas de São Felipe se casaram e que o pai, depois de ter pregado na Judeia, se dirigiu à Cesareia. Reza mais a história, que Filipe foi crucificado em Hirápolis, lapidado e sepultado com duas filhas. A morte deste Apóstolo não deve ter acontecido antes do ano 80, porque foi neste ano que o seu discípulo, São Policarpo, se converteu à religião de Cristo.

As relíquias de São Filipe estão guardadas numa igreja de Roma que é consagrada a São Felipe e São Tiago. Um braço, que existia em Constantinopla, foi, no ano de 1204, transportado para Florença.  

São Tiago, cognominado o Menor, recebeu, devido à grande santidade, o título de Justo. São Paulo chama-o "irmão de Nosso Senhor", por causa do parentesco próximo com Jesus Cristo. Era filho de Alfeu e Maria. Era irmão do Apóstolo Judas Tadeu e de Simão, o Zelador. Chamado por Jesus, no segundo ano da sua vida pública, Tiago com o irmão Tadeu, foi incorporado ao Colégio dos Apóstolos. Bem poucas vezes encontramos o nome deste Apóstolo nas narrações evangélicas.

De quão alta estima gozava da parte de Nosso Senhor prova é ter Jesus Cristo distinguido a São Tiago com uma aparição particular depois da gloriosa Ressurreição. Antes de subir ao Céu, Jesus Cristo deu ao Apóstolo o dom da ciência, como recompensa de sua santidade.

Segundo São Jerónimo e Epifânio, Nosso Senhor, antes de subir ao Céu, teria recomendado a São Tiago a Igreja de Jerusalém. Certamente por esse motivo, os Apóstolos, antes da separação, deixaram São Tiago como primeiro Bispo de Jerusalém. Santo Epifânio elogia em São Tiago a grande pureza, vivendo extraordinariamente uma vida santa e austera.

A após a morte do governador Festo e o do Sumo Sacerdote Anás, os cristãos foram duramente perseguidos pelos Judeus, tendo São Tiago sido martirizado pelo Conselho após testemunhar a verdadeira Fé. Tal aconteceu em 10 de Abril do ano 62, quando tinha 96 anos. 

As suas últimas palavras foram: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". O corpo foi sepultado no lugar do martírio e, após oito anos, Jerusalém foi destruída. Os Judeus reconheceram nisso o castigo de Deus, tendo o corpo em 572 sido transferido para Constantinopla, e hoje encontra-se na Igreja dos Doze Apóstolos, em Roma, juntamente com o corpo de São Filipe. 

in Página do Oriente


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domingo, 30 de abril de 2023

9 sugestões de D. Athanasius Schneider para guardar a Fé nos dias de hoje

1. É preciso encorajar os Católicos que nos rodeiam a serem fiéis ao Catecismo que aprenderam, a serem fiéis às claras palavras de Jesus Cristo no Evangelho, a serem fiéis à Fé confiada aos seus Pais e antepassados.

2. É preciso organizar círculos de estudos e conferências sobre o perene ensinamento da Igreja em temas como o casamento e a castidade, convidando a participar especialmente os jovens e os casais.

3. É preciso mostrar a enorme beleza de uma vida levada em castidade, a beleza do casamento Cristão e da família, como também o valor tremendo da Cruz e do sacrifício nas nossas vidas.

4. É preciso apresentar cada vez mais o exemplo da vida dos santos e de pessoas exemplares que apesar de terem sofrido as mesmas tentações da carne, a mesma hostilidade e o mesmo desdém do mundo, mostraram que com a graça de Cristo é possível levar uma vida feliz em castidade, num casamento Cristão e em Família.

5. É preciso fundar e promover grupos de jovens com corações puros, grupos de famílias e de esposos Católicos, que se comprometam com a fidelidade dos seus votos matrimoniais.

6. É preciso organizar grupos de ajuda moral e material a famílias carenciadas, Mães solteiras, grupos que darão assistência com oração e bom conselho a casais separados, grupos e pessoas que ajudem pessoas “divorciadas e recasadas” a começarem um processo sério de conversão, reconhecendo com humildade a sua situação pecaminosa e abandonando com a ajuda da graça de Deus os pecados que violam os mandamentos de Deus e a santidade do sacramento do matrimónio.

7. Temos de criar grupos que irão cuidadosamente ajudar pessoas com tendências homossexuais a entrar no caminho da conversão Cristã, a reconhecerem o caminho feliz e bonito da vida casta e a oferecer-lhes, eventualmente, de uma forma discreta uma cura psicológica.

8. É preciso mostrar e apregoar aos nossos contemporâneos, que vivem no mundo do neo-paganismo, a Boa Nova dos ensinamentos de Cristo: que os mandamentos de Deus, mesmo o sexto mandamento é sábio, é de uma grande beleza: “A lei do Senhor é perfeita, reconforta o espírito; as ordens do Senhor são firmes, dão sabedoria ao homem simples. Os mandamentos do Senhor são rectos, alegram o coração; os preceitos do Senhor são claros, iluminam os olhos.” (Salmo 19, 8-9)

9. Cardeais, Bispos, Sacerdotes, Famílias Católicas, Jovens Católicos têm que se dizer a si mesmos: Recuso conformar-me com o espirito do neo-paganismo que vivemos neste mundo, mesmo quando o espírito é espalhado por alguns Bispos e Cardeais; Não aceitarei o seu uso falacioso e perverso da Divina Misericórdia e do “novo Pentecostes”; Recuso-me a atirar grãos de incenso à estátua do ídolo da ideologia de género, dos segundos casamentos, do concubinato. Ainda que o meu Bispo o faça eu não o farei, com a graça de Deus escolherei antes sofrer invés de trair a verdade integral de Cristo referente à sexualidade humana e ao casamento. 

in 'Life Site News'


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sexta-feira, 28 de abril de 2023

A Missa é uma coisa grande




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São Paulo da Cruz, fundador dos Passionistas

Paulo Francisco Danei, piemontês, nascido em Ovala em 1694, é o fundador da Congregação dos Clérigos descalços da Santa Cruz e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tão longo era o título que foi imediatamente simplificado pelo povo cristão no nome 'passionista', que traduz o caráter e a própria essência da nova instituição, cujos membros vivem, meditam e pregam a Paixão do Senhor. 

Paulo Francisco Danei, aos 19 anos, ouvindo um sermão sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, decidiu dedicar-se ao Seu serviço e pensou em executar imediatamente o seu programa alistando-se como voluntário no exército que os venezianos estavam montando para uma expedição contra os turcos. Mas a pretensa cruzada tinha em mira só interesses materiais.

Amadureceu a sua verdadeira vocação dedicando-se à oração e à penitência. Alma eminentemente contemplativa, passava até sete horas consecutivas imerso em profunda meditação. Aos 26 anos recebeu do bispo de Alexandria, Gattinara, o hábito preto de penitente com os sinais da Paixão de Cristo: um coração com uma cruz em cima, com três pregos e o monograma de Cristo. Convenceu o irmão João Baptista a unir-se a ele e juntos se retiraram para um ermo no monte Argentauro, próximo a Orbetello. Viveram aí vida eremítica, em duras penitências corporais. Aos Domingos desciam às cidades próximas para pregar a Paixão de Cristo.

A pregação deles, apaixonada e dramática (às vezes flagelavam-se em público para tornar mais viva a imagem de Cristo sofredor), comovia o povo e convertia até os mais refratários. As suas missões, marcadas por uma cruz de madeira, obtiveram resultados surpreendentes. O Papa Bento XIII concedeu-lhes a licença de erigir a congregação e ordenou presbíteros os dois irmãos. A Regra inicial, escrita por Paulo da Cruz, era muito rígida. Paulo, que tinha bastante prestígio junto de Bispos e Papas (em particular por Clemente XIV, que se incluía entre os seus filhos espirituais), teve de mitigar um pouco a antiga Regra dos passionistas para obter a aprovação eclesiástica definitiva.

À congregação masculina logo se agregou a feminina. Paulo morreu com 81 anos, a 18 de Outubro de 1775, no convento romano anexo à igreja dos santos João e Paulo, no monte Célio. Pio IX incluiu-o no elenco dos santos a 28 de Junho de 1867.

in Missal Quotidiano Completo (editado e impresso nas oficinas tipográficas do Mosteiro de São Bento na Bahia a 23 de Dezembro de 1957)


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quinta-feira, 27 de abril de 2023

Os Papas sempre condenaram a separação entre a Igreja e o Estado

Separar o Estado da Igreja é um erro pernicioso

6. Que seja preciso separar o Estado da Igreja é esta uma tese absolutamente falsa, um erro perniciosíssimo. Com efeito, baseada nesse princípio de que o Estado não deve reconhecer nenhum culto religioso ela é, em primeiro lugar, em alto grau injuriosa para com Deus; porquanto o Criador do homem também é o Fundador das sociedades humanas, e conserva-as na existência como nos sustenta nelas. Devemos-lhe, pois, não somente um culto privado, mas um culto público e social para honrá-lo.

7. Além disto, essa tese é a negação claríssima da ordem sobrenatural. De feito, ela limita a acção do Estado à simples demanda da prosperidade pública durante esta vida, a qual não passa da razão próxima das sociedades políticas; e, como que lhe sendo estranha, de maneira alguma se ocupa da razão última delas, que é a beatitude eterna proposta ao homem quando esta vida, tão curta, houver findado. E, no entanto, achando-se a ordem presente das coisas, que se desenrola no tempo, subordinada à conquista desse bem supremo e absoluto, não somente o poder civil não deve obstar a essa conquista, mas deve ainda ajudar-nos nela.

8. Essa tese subverte igualmente a ordem muito sabiamente estabelecida por Deus no mundo, ordem que exige uma harmoniosa concórdia entre as duas sociedades. Essa duas sociedades, a sociedade religiosa e a sociedade civil, têm, com efeito, os mesmos súbditos, embora cada uma delas exerça na sua esfera própria a sua autoridade sobre eles. Daí resulta forçosamente que haverá muitas matérias que elas ambas deverão conhecer, como sendo da alçada de ambas. Ora, venha a desaparecer o acordo entre o Estado e a Igreja, e dessas matérias comuns pulularão facilmente os germes de contendas, que se tornarão agudíssimos dos dois lados; a noção da verdade será, com isso, perturbada, e as almas ficarão cheias de grande ansiedade.

9. Finalmente, essa tese inflige graves danos à própria sociedade civil, pois esta não pode prosperar nem durar muito tempo quando não se dá nela o seu lugar à religião, regra suprema e soberana senhora quando se trata dos direitos do homem e dos seus deveres.

Os Pontífices sempre condenaram a separação entre a Igreja e o Estado

10. Por isto, não têm os Pontífices romanos, segundo as circunstâncias e segundo os tempos, cessado de refutar e de condenar a doutrina da separação entre a Igreja e o Estado. Notadamente o Nosso ilustre Predecessor Leão XIII várias vezes e magnificamente expôs o que, consoante a doutrina católica, deveriam ser as relações entre as duas sociedades. Entre elas, disse ele, "cumpre necessariamente que uma sábia união intervenha, união que se pode, não sem justeza, comparar à que reúne no homem a alma e o corpo." (Quaedam intercedat necesse est ordinata colligatio inter illas, quae quidem conjunctioni non immerito comparatur, per quam anima et corpus in homine copulantur)

E acrescenta ainda: "As sociedades humanas não podem, sem se tornarem criminosas, comportar-se como se Deus não existisse, ou recusar preocupar-se com a religião, como se esta lhes fosse coisa estranha ou que de nada lhes pudesse servir... Quanto à Igreja, que tem por autor o próprio Deus, excluí-la da vida activa da nação, das leis, da educação da juventude, da sociedade doméstica, é cometer um grande e pernicioso erro." (Civitates non possunt, citra scelus, gerere se tanquam si Deus omnio non esset, aut curam religionis velut alienam nihilque profuturam, abjicere... Ecclesiam vero, quam Deus ipse constituit, ab actione vitae excludere, a legibus, ab institutione adolescentium, a societate domestica, magnus et perniciosus est error) - Immortale Dei, 1. XI. 1885. D. P. 14, n. 19, 11 e 39)

São Pio X, Papa in Carta Encíclica 'Vehementer Nos'


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