terça-feira, 20 de junho de 2023
Colapso da Liturgia e Crise na Igreja segundo Papa Bento
domingo, 18 de junho de 2023
Grande presença de militares na procissão de Corpus Christi em Toledo
O governo anti-cristão de Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, tentou este ano reduzir drasticamente a presença dos militares na famosa procissão de Corpus Christi de Toledo.
Normalmente, participa um grande contingente de militares de diferentes departamentos da academia militar local. Mas este ano, Sánchez queria apenas uma pequena presença de voluntários.
Os militares obedeceram. Assim, apenas um grupo de voluntários foi. Acontece que esse grupo foi constituído por toda a Academia: seis companhias e dois batalhões. Não faltou ninguém.
Indulgências para quem rezar esta oração ao Sagrado Coração
(Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar este
acto de reparação piedosamente, e indulgência plenária se o acto se recitar
publicamente na solenidade do Sagrado Coração de Jesus)
Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é deles tão
ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui
prostrados, diante do vosso altar, para vos desagravarmos, com especiais
homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é
de toda parte alvejado o vosso dulcíssimo Coração.
Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma
vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos
a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, mas também as
daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua
infidelidade não Vos querendo como pastor e guia, ou, faltando às promessas do
baptismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa Lei.
De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje
desagravar-vos, mas particularmente dos costumes e imodéstias do vestir, de
tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias
santificados, das execrandas blasfémias contra Vós e vossos santos, dos insultos
ao vosso vigário e a todo o vosso clero, do desprezo e das horrendas e
sacrílegas profanações do Sacramento do divino Amor, e enfim, dos atentados e
rebeldias oficiais das nações contra os direitos e o magistério da vossa
Igreja.
Oh, se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades!
Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente
com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela
infinita satisfação que Vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não
cessais de renovar todos os dias sobre os nossos altares.
Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é
nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a
fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados
cometidos por nós e pelos nossos próximos, impedir por todos os meios novas
injúrias à vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de
almas possível.
Recebei, oh! benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora,
a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de
perseverarmos constantes até á morte no fiel cumprimento dos nossos deveres e
no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à Pátria bem-aventurada,
onde Vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, por todos os
séculos dos séculos. Assim seja.
Papa Pio XI in Miserentissimus
Redemptor, carta encíclica sobre o dever da reparação ao Sagrado Coração de
Jesus - 8.V.1928
sábado, 17 de junho de 2023
Cardeal Burke: Parem o Sínodo!
"Não há uma ideia clara do que é a sinodalidade", disse o Cardeal Raymond Burke à EWTN, "Não é certamente uma nota da Igreja. As notas da Igreja são: una, santa, católica e apostólica".
Acrescenta que o Sínodo na Alemanha está a promover ensinamentos e práticas anti-católicas: "Isto agora vai tornar-se aparentemente um programa na Igreja universal através do Sínodo".
Burke recorda que o presidente do Sínodo da Sinodalidade, o Cardeal Hollerich, ensinou ideias [pró-homossexuais] claramente contrárias à doutrina católicoa: "A minha oração pessoal todos os dias a Nosso Senhor é que, de alguma forma, Ele faça com que o Sínodo não se realize, porque, francamente, não consigo ver nada de bom a vir dele."
Burke teme que a Igreja seja transformada numa espécie de agência humana ou governamental.
Sobre a recente afirmação do Cardeal Parolin de que não existe qualquer ligação entre homossexualidade e abusos, Burke responde que isso é "completamente falso": "Estudos científicos mostram que a maior parte dos abusos clericais são actos homossexuais cometidos sobretudo com homens jovens".
in gloria.tv
sexta-feira, 16 de junho de 2023
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus em Portugal
A Rainha D. Maria I conheceu a mensagem de Santa Margarida Maria Alacoque e soube que o Senhor desejava "entrar com pompa e magnificência na casa dos príncipes e dos reis, para aí ser honrado tanto quanto foi ultrajado, desprezado e humilhado na sua Paixão". Procurou, pois, empenhadamente, cumprir e fazer cumprir, nos seus Reinos e Domínios, todos os pedidos que o Senhor dirigia, em vão, ao Rei de França. [...]
Mandou erigir em Lisboa uma grandiosa basílica, a primeira do mundo inteiro, dedicada ao culto do Sagrado Coração de Jesus, a fim de propagar em Portugal esta devoção. Colocou, pelas suas próprias mãos, a primeira pedra e inaugurou-a solenemente a 14.11.1789. Fundou pouco depois o primeiro convento português da Ordem da Visitação, a Ordem de Santa Margarida Maria.[...]
Anos antes, e como já se disse na introdução deste livro, a Rainha pedira ao Papa Pio VI que aprovasse para Portugal o Ofício e a Missa do Sagrado Coração, já concedidos à Polónia. O Papa aprovou o pedido, concedendo Ofício e Missa próprios para Portugal, além de particulares indulgências. [...]
Pediu ainda a Piedosa que o dia que a Igreja consagra ao Coração de Jesus fosse considerado santificado no calendário litúrgico português. O Papa também aprovou.
Finalmente, em 7 de Julho de 1779, a soberana obteve do Papa a autorização para consagrar os seus Reinos e Domínios ao Sagrado Coração de Jesus.
Espalhou-se por Portugal inteiro esta devoção. Fundam-se numerosas confrarias, erigem-se capelas, igrejas e santuários. Inicia-se um luminoso percurso, que iria levar a devoção ao Coração divino do Redentor a todas as terras que prosperavam, então, debaixo da sombra bendita da Bandeira das Cinco Chagas.
António Carlos de Azeredo in 'Santa Margarida Maria e a devoção em Portugal ao Sagrado Coração de Jesus'
quinta-feira, 15 de junho de 2023
D. Athanasius Schneider: "A reforma sinodal do Papa Francisco está a minar a Igreja"
O Bispo Athanasius Schneider está a apelar ao Papa Francisco para que anule as novas normas que concedem direitos de voto iguais a bispos e leigos na Assembleia Geral Ordinária de Outubro de 2023 do Sínodo dos Bispos em Roma, afirmando que são uma "novidade radical" que "minam a constituição divina da Igreja, conformando-a mais com um modelo protestante ou mesmo secular".
As normas, emitidas a 26 de Abril pelo Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, o Cardeal maltês Mario Grech, e pelo seu Relator-Geral, o Cardeal luxemburguês Jean-Claude Hollerich, SJ, sublinham que deve ser dada uma prioridade especial às mulheres e aos jovens que, juntamente com outros membros não-bispos, constituirão vinte e cinco por cento dos votos.
As normas, emitidas a 26 de Abril pelo Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, o Cardeal maltês Mario Grech, e pelo seu Relator-Geral, o Cardeal luxemburguês Jean-Claude Hollerich, SJ, sublinham que deve ser dada uma prioridade especial às mulheres e aos jovens que, juntamente com outros membros não-bispos, constituirão vinte e cinco por cento dos votos.
De acordo com D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Santa Maria em Astana, no Cazaquistão, as alterações à composição da assembleia fazem com que o próximo sínodo se assemelhe a "um parlamento democrático ou igualitário em vez de uma hierarquia monárquica estabelecida por Nosso Senhor Jesus Cristo".
Afirma ainda que "os processos e documentos sinodais, e o próximo Sínodo em Roma, adoptaram um método que é estranho ao espírito dos Apóstolos, dos Padres da Igreja e da genuína tradição da Igreja".
Afirma ainda que "os processos e documentos sinodais, e o próximo Sínodo em Roma, adoptaram um método que é estranho ao espírito dos Apóstolos, dos Padres da Igreja e da genuína tradição da Igreja".
Nesta entrevista exclusiva, Monsenhor Schneider também esclarece a natureza de um Sínodo dos Bispos como previsto pelo Papa Paulo VI, discute o que ele acredita que Paulo VI diria à assembleia de Outubro de 2023, e apela aos Cardeais para agirem e não permanecerem passivos "enquanto a Igreja é prejudicada, e a salvação das almas é posta em risco".
Diane Montagna (DM): No dia 26 de Abril, a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos emitiu um comunicado de imprensa anunciando mudanças na composição da assembleia de Outubro de 2023 em Roma. Dez clérigos consagrados serão substituídos por cinco religiosos e cinco religiosas, enquanto os auditores (peritos) serão substituídos por setenta membros não-bispos escolhidos pelo Papa Francisco. Todos os participantes terão direito de voto. Excelência, o que pensa desta mudança?
Bispo Schneider (AS): Esta mudança representa uma novidade radical na história da Igreja Católica. Um sínodo de bispos é um instrumento através do qual a hierarquia exerce a sua função de ensino e de governo. Embora os leigos possam ser convidados a participar num sínodo para darem o seu parecer, as normas de votação de um sínodo sempre reflectiram a diferença essencial entre o sacerdócio hierárquico/ministerial e o sacerdócio comum. Conceder aos leigos o mesmo direito de voto que aos bispos mina a estrutura hierárquica da Igreja e assemelha-se mais às normas dos sínodos da comunidade anglicana e de outras comunidades protestantes, onde o clero e os leigos têm direitos de voto iguais.
DM: Ao fazer esta alteração, o Secretariado do Sínodo modificou a aplicação da Constituição Apostólica Episcopalis Communio, do Papa Francisco, de 2018. Tais normas podem ser alteradas através de um comunicado de imprensa?
AS: As normas essenciais relativas à estrutura e aos procedimentos do Sínodo dos Bispos, incluindo o direito de voto, devem ser devidamente promulgadas pelo Romano Pontífice ou por um órgão da Santa Sé que tenha recebido um mandato papal específico para o efeito. O facto de estas normas essenciais terem sido alteradas através de um comunicado de imprensa da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos cria uma percepção de arbitrariedade canónica.
Diane Montagna (DM): No dia 26 de Abril, a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos emitiu um comunicado de imprensa anunciando mudanças na composição da assembleia de Outubro de 2023 em Roma. Dez clérigos consagrados serão substituídos por cinco religiosos e cinco religiosas, enquanto os auditores (peritos) serão substituídos por setenta membros não-bispos escolhidos pelo Papa Francisco. Todos os participantes terão direito de voto. Excelência, o que pensa desta mudança?
Bispo Schneider (AS): Esta mudança representa uma novidade radical na história da Igreja Católica. Um sínodo de bispos é um instrumento através do qual a hierarquia exerce a sua função de ensino e de governo. Embora os leigos possam ser convidados a participar num sínodo para darem o seu parecer, as normas de votação de um sínodo sempre reflectiram a diferença essencial entre o sacerdócio hierárquico/ministerial e o sacerdócio comum. Conceder aos leigos o mesmo direito de voto que aos bispos mina a estrutura hierárquica da Igreja e assemelha-se mais às normas dos sínodos da comunidade anglicana e de outras comunidades protestantes, onde o clero e os leigos têm direitos de voto iguais.
DM: Ao fazer esta alteração, o Secretariado do Sínodo modificou a aplicação da Constituição Apostólica Episcopalis Communio, do Papa Francisco, de 2018. Tais normas podem ser alteradas através de um comunicado de imprensa?
AS: As normas essenciais relativas à estrutura e aos procedimentos do Sínodo dos Bispos, incluindo o direito de voto, devem ser devidamente promulgadas pelo Romano Pontífice ou por um órgão da Santa Sé que tenha recebido um mandato papal específico para o efeito. O facto de estas normas essenciais terem sido alteradas através de um comunicado de imprensa da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos cria uma percepção de arbitrariedade canónica.
DM: Na sua declaração, a Secretaria do Sínodo insistiu que esta decisão não muda a natureza episcopal da assembleia, mas antes a "confirma" ao "dar visibilidade à relação circular entre a função profética do Povo de Deus e a função de discernimento dos Pastores".
AS: Estas tentativas de salvamento não são convincentes. O próprio facto de os leigos votarem juntamente com os bispos em questões relativas à fé e à disciplina da Igreja é, por si só, revelador e transmite uma mensagem doutrinal altamente ambígua. Além disso, o facto de a votação na assembleia de Outubro de 2023 em Roma ser meramente consultiva não diminui a verdade de que o próximo sínodo se assemelha a um parlamento democrático ou igualitário, em vez de uma hierarquia monárquica estabelecida por Nosso Senhor Jesus Cristo.
DM: Historicamente, que papel positivo têm desempenhado os leigos em tais assuntos?
AS: Na história da Igreja, houve casos em que os leigos foram consultados sobre questões de fé; no entanto, não foram convidados a votar formalmente com os bispos. Por exemplo, antes de proclamar o dogma da Imaculada Conceição na Ineffabilis Deus, Pio IX pediu a todo o episcopado que lhe dissesse "qual era a piedade e a devoção dos seus fiéis relativamente à Imaculada Conceição da Mãe de Deus".
Houve também momentos, como durante a crise ariana do século IV, em que a pureza da fé católica foi mantida pelos leigos e não pelos bispos. Foi uma época, disse São João Henrique Newman, em que "houve uma suspensão temporária das funções da Ecclesia docens".
Na sua famosa obra, 'On Consulting the Faithful in Matters of Doctrine', Newman escreveu: "Nesse tempo de imensa confusão, o dogma divino da divindade de Nosso Senhor foi proclamado, imposto, mantido e (humanamente falando) preservado, muito mais pela Ecclesia docta do que pela Ecclesia docens; que o corpo do episcopado foi infiel à sua comissão, enquanto o corpo dos leigos foi fiel ao seu baptismo. Num momento o Papa, noutros momentos as sés patriarcais, metropolitanas e outras grandes sés, noutros momentos os concílios gerais, disseram o que não deviam ter dito, ou fizeram o que obscureceu e comprometeu a verdade revelada; enquanto que, por outro lado, foi o povo cristão que, sob a Providência, foi a força eclesiástica de Atanásio, Hilário, Eusébio de Vercelli e outros grandes confessores solitários, que teriam falhado sem eles."
DM: Vê alguma semelhança entre a crise do século IV e os nossos dias?
AS: Sim. A confusão doutrinal generalizada no século IV tem uma semelhança impressionante com os nossos dias. O que S. João Henrique Newman disse sobre esse tempo pode muito bem ser aplicado à actual confusão doutrinal e disciplinar que está a ser criada pelos vários processos sinodais e documentos preparatórios emitidos pela Santa Sé durante o ano passado. O Cardeal Newman escreveu sobre a crise ariana: "O corpo de Bispos falhou na confissão da fé. Falaram de modo diverso, uns contra os outros; não houve nada, depois de Nicéia, de testemunho firme, invariável e consistente, durante quase sessenta anos. Havia Concílios não confiáveis, Bispos infiéis; havia fraqueza, medo das conseqüências, desorientação, ilusão, alucinação, sem fim, sem esperança, estendendo-se por quase todos os cantos da Igreja Católica. Os relativamente poucos que permaneceram fiéis foram desacreditados e levados para o exílio; os restantes ou eram enganadores ou foram enganados".
Os vários documentos emitidos durante o actual processo sinodal representam o tipo de confusão contra a qual o Doutor da Igreja do século IV, Santo Hilário de Poitiers, advertiu, dizendo: "É impossível, não é razoável, misturar o verdadeiro e o falso, confundir a luz e as trevas, e unir, seja qual for o género, a noite e o dia" (In Constantium, 1).
DM: O Sínodo dos Bispos foi instituído pelo Papa Paulo VI em 1965, para "assistir o Romano Pontífice com os seus conselhos na conservação e crescimento da fé e dos costumes e na observância e reforço da disciplina eclesiástica, e para considerar as questões relativas à actividade da Igreja no mundo" (cânone 342). O que é que acha que ele diria à assembleia de 2023?
AS: Durante a Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos em 1971, o Papa Paulo VI insistiu na correcta compreensão de um sínodo. Ao fazê-lo, sublinhou o papel orientador e decisivo da hierarquia, dizendo "A comunhão, da qual a Igreja é o resultado, é orgânica. Diferentes são as funções, diferentes são os órgãos do único corpo místico; e a função que melhor caracteriza esta complexa unidade é a hierárquica; é a apostólica, aquela que o próprio Jesus Cristo distinguiu da multidão, e que Ele confiou para a dirigir pastoralmente em seu nome, para a convocar, e depois para a instruir, santificar e assistir" (Audiência Geral de 6 de Outubro de 1971).
Seria muito benéfico que a seguinte admoestação do Papa Paulo VI fosse lida no início do próximo Sínodo em Roma: "Podemos supor que a hierarquia é livre de ensinar na esfera religiosa o que lhe apetece, ou o que pode agradar a certas correntes doutrinais, ou melhor, anti- doutrinais da opinião moderna? Não. Devemos recordar que o episcopado está investido de um dever primordial: o do testemunho, o da transmissão rigorosa e fiel da mensagem original de Cristo, isto é, do conjunto das verdades reveladas por Ele e confiadas aos Apóstolos, no que diz respeito à salvação. O cristianismo não pode mudar as suas doutrinas constitucionais. Os bispos são, mais do que quaisquer outros, aqueles que devem "guardar o depósito", como diz o Apóstolo [1 Tim. 6:20; 2 Tim. 1:14]. Também não devemos colocar a hipótese de mudanças, evoluções, transformações da Igreja em matéria de fé. O Credo permanece. A este respeito, a Igreja é tenazmente conservadora e, por isso, não envelhece" (Audiência Geral, 6 de Outubro de 1971).
DM: Como diagnosticaria a doença que aflige a Igreja e que nos conduziu a este ponto?
AS: O maior mal e a maior doença espiritual que contagiou a Igreja nos nossos dias é a "conformação com o espírito deste mundo" (Rm 12,2), que é basicamente o espírito do Modernismo. O Papa Paulo VI falou deste perigo já em 1964, dizendo "A própria Igreja está a ser engolida e abalada por esta onda de mudança, porque, por muito que os homens estejam comprometidos com a Igreja, são profundamente afectados pelo clima do mundo. Correm o risco de ficar confusos, desorientados e alarmados, e esta é uma situação que atinge as próprias raízes da Igreja. Leva muitas pessoas a adoptarem as ideias mais estranhas. Imaginam que a Igreja deve abdicar do seu próprio papel e adoptar um modo de existência inteiramente novo e sem precedentes. Podemos citar como exemplo o modernismo. Trata-se de um erro que continua a manifestar-se sob diversas formas, totalmente incompatível com uma verdadeira expressão religiosa. Trata-se, sem dúvida, de uma tentativa de filosofias e correntes seculares para viciar a verdadeira doutrina e disciplina da Igreja de Cristo" (Encíclica Ecclesiam suam, 26).
DM: E qual é o remédio?
AS: À luz da evidente infecção geral do corpo da Igreja de hoje com a heresia do Modernismo, ou seja, com a vontade de se conformar com o espírito incrédulo do mundo - com a sua revolta contra a criação de Deus, a Revelação e os Seus Mandamentos - o Sínodo de 2023 deve, mais do que nunca, alertar para esta infecção e propor remédios eficazes.
Em particular, deveria propor as verdades sempre válidas e as normas eficazes da tradição perene da Igreja. A este propósito, o Papa Paulo VI escreveu "É necessário um remédio eficaz para afastar todos estes perigos, que prevalecem em muitos sectores, e pensamos que tal remédio se encontra numa maior consciência de si por parte da Igreja. A Igreja deve ter uma ideia mais clara do que ela realmente é na mente de Jesus Cristo, tal como está registado e preservado na Sagrada Escritura e na Tradição Apostólica e interpretado e explicado pela tradição da Igreja sob a inspiração e orientação do Espírito Santo" (Encíclica Ecclesiam Suam, 26).
DM: E, no entanto, parece que estão a adoptar uma abordagem diferente.
AS: Em vez disso, os processos e documentos sinodais, e o próximo Sínodo em Roma, adoptaram um método que é estranho ao espírito dos Apóstolos, dos Padres da Igreja e da genuína tradição da Igreja. Ao fazer dos dados psicológicos e sociológicos um critério para decidir questões de fé, moral e disciplina, a Secretaria do Sínodo ignorou Paulo VI, que disse: "As conclusões das investigações [sociológicas] não podem constituir, por si mesmas, um critério decisivo da verdade" (Exortação Apostólica Quinque Iam Anni, 8 de Dezembro de 1970).
O Papa Paulo VI advertiu contra a adopção de uma abordagem tão mundana, quando disse: "Constata-se uma tendência para reconstruir, a partir de dados psicológicos e sociológicos, um cristianismo desligado da Tradição ininterrupta que o liga à fé dos Apóstolos, e para exaltar uma vida cristã desprovida de elementos religiosos" (Exortação Apostólica Quinque Iam Anni, 8 de Dezembro de 1970).
O Papa Francisco e todos os membros do próximo Sínodo em Roma deveriam ouvir seriamente as seguintes advertências proféticas do Papa Paulo VI: "Não somos nós os juízes da palavra de Deus: é ela que nos julga e expõe a nossa conformidade com a moda mundana" (Exortação Apostólica Quinque Iam Anni, 8 de Dezembro de 1970).
DM: Qual seria a vossa recomendação aos Cardeais?
AS: A atribuição de direitos de voto iguais ao episcopado e ao laicado não tem precedentes e mina seriamente a constituição divina da Igreja, conformando-a mais a um modelo protestante ou mesmo secular. A ausência de objectivos claros para o sínodo, que trariam clareza num momento de grande confusão doutrinal, é também muito prejudicial para a Igreja. É, portanto, claro que o próximo sínodo é um veículo para acelerar a protestantização e a secularização da Igreja Católica. Os Cardeais não podem simplesmente permanecer em silêncio enquanto a Igreja é prejudicada e a salvação das almas é posta em risco. Têm a obrigação de apelar ao Papa, com clareza e toda a reverência, como fez o Apóstolo Paulo em relação a Pedro, quando este não andava "rectamente na verdade do Evangelho" (Gal 2, 14).
DM: Excelência, qual é a sua mensagem para o Papa Francisco?
AS: O assunto que temos diante de nós é urgente, e eu apelo fraternalmente ao Papa Francisco para que revogue as novas normas da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, que concedem direitos de voto iguais aos bispos e aos leigos. Apelo também fraternalmente ao Papa Francisco para que estabeleça objectivos claros para o Sínodo que permitam aos bispos professar corajosamente e sem ambiguidades perante toda a Igreja e o mundo, a singularidade de Cristo e a sua obra salvadora, a validade dos mandamentos de Deus e a ordem divinamente estabelecida da Igreja.
Juntamente com tal profissão, o Sínodo deve propor remédios concretos e eficazes contra os vírus e doenças espirituais que afectam severa e quase globalmente o corpo da Igreja hoje. Se as assembleias sinodais de 2023-2024 não o fizerem, a previsão do Cardeal Charles Journet concretizar-se-á: "Um dia os fiéis acordarão e dar-se-ão conta de que foram intoxicados pelo espírito do mundo".
Diane Montagna in Catholic Herald
AS: Estas tentativas de salvamento não são convincentes. O próprio facto de os leigos votarem juntamente com os bispos em questões relativas à fé e à disciplina da Igreja é, por si só, revelador e transmite uma mensagem doutrinal altamente ambígua. Além disso, o facto de a votação na assembleia de Outubro de 2023 em Roma ser meramente consultiva não diminui a verdade de que o próximo sínodo se assemelha a um parlamento democrático ou igualitário, em vez de uma hierarquia monárquica estabelecida por Nosso Senhor Jesus Cristo.
DM: Historicamente, que papel positivo têm desempenhado os leigos em tais assuntos?
AS: Na história da Igreja, houve casos em que os leigos foram consultados sobre questões de fé; no entanto, não foram convidados a votar formalmente com os bispos. Por exemplo, antes de proclamar o dogma da Imaculada Conceição na Ineffabilis Deus, Pio IX pediu a todo o episcopado que lhe dissesse "qual era a piedade e a devoção dos seus fiéis relativamente à Imaculada Conceição da Mãe de Deus".
Houve também momentos, como durante a crise ariana do século IV, em que a pureza da fé católica foi mantida pelos leigos e não pelos bispos. Foi uma época, disse São João Henrique Newman, em que "houve uma suspensão temporária das funções da Ecclesia docens".
Na sua famosa obra, 'On Consulting the Faithful in Matters of Doctrine', Newman escreveu: "Nesse tempo de imensa confusão, o dogma divino da divindade de Nosso Senhor foi proclamado, imposto, mantido e (humanamente falando) preservado, muito mais pela Ecclesia docta do que pela Ecclesia docens; que o corpo do episcopado foi infiel à sua comissão, enquanto o corpo dos leigos foi fiel ao seu baptismo. Num momento o Papa, noutros momentos as sés patriarcais, metropolitanas e outras grandes sés, noutros momentos os concílios gerais, disseram o que não deviam ter dito, ou fizeram o que obscureceu e comprometeu a verdade revelada; enquanto que, por outro lado, foi o povo cristão que, sob a Providência, foi a força eclesiástica de Atanásio, Hilário, Eusébio de Vercelli e outros grandes confessores solitários, que teriam falhado sem eles."
DM: Vê alguma semelhança entre a crise do século IV e os nossos dias?
AS: Sim. A confusão doutrinal generalizada no século IV tem uma semelhança impressionante com os nossos dias. O que S. João Henrique Newman disse sobre esse tempo pode muito bem ser aplicado à actual confusão doutrinal e disciplinar que está a ser criada pelos vários processos sinodais e documentos preparatórios emitidos pela Santa Sé durante o ano passado. O Cardeal Newman escreveu sobre a crise ariana: "O corpo de Bispos falhou na confissão da fé. Falaram de modo diverso, uns contra os outros; não houve nada, depois de Nicéia, de testemunho firme, invariável e consistente, durante quase sessenta anos. Havia Concílios não confiáveis, Bispos infiéis; havia fraqueza, medo das conseqüências, desorientação, ilusão, alucinação, sem fim, sem esperança, estendendo-se por quase todos os cantos da Igreja Católica. Os relativamente poucos que permaneceram fiéis foram desacreditados e levados para o exílio; os restantes ou eram enganadores ou foram enganados".
Os vários documentos emitidos durante o actual processo sinodal representam o tipo de confusão contra a qual o Doutor da Igreja do século IV, Santo Hilário de Poitiers, advertiu, dizendo: "É impossível, não é razoável, misturar o verdadeiro e o falso, confundir a luz e as trevas, e unir, seja qual for o género, a noite e o dia" (In Constantium, 1).
DM: O Sínodo dos Bispos foi instituído pelo Papa Paulo VI em 1965, para "assistir o Romano Pontífice com os seus conselhos na conservação e crescimento da fé e dos costumes e na observância e reforço da disciplina eclesiástica, e para considerar as questões relativas à actividade da Igreja no mundo" (cânone 342). O que é que acha que ele diria à assembleia de 2023?
AS: Durante a Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos em 1971, o Papa Paulo VI insistiu na correcta compreensão de um sínodo. Ao fazê-lo, sublinhou o papel orientador e decisivo da hierarquia, dizendo "A comunhão, da qual a Igreja é o resultado, é orgânica. Diferentes são as funções, diferentes são os órgãos do único corpo místico; e a função que melhor caracteriza esta complexa unidade é a hierárquica; é a apostólica, aquela que o próprio Jesus Cristo distinguiu da multidão, e que Ele confiou para a dirigir pastoralmente em seu nome, para a convocar, e depois para a instruir, santificar e assistir" (Audiência Geral de 6 de Outubro de 1971).
Seria muito benéfico que a seguinte admoestação do Papa Paulo VI fosse lida no início do próximo Sínodo em Roma: "Podemos supor que a hierarquia é livre de ensinar na esfera religiosa o que lhe apetece, ou o que pode agradar a certas correntes doutrinais, ou melhor, anti- doutrinais da opinião moderna? Não. Devemos recordar que o episcopado está investido de um dever primordial: o do testemunho, o da transmissão rigorosa e fiel da mensagem original de Cristo, isto é, do conjunto das verdades reveladas por Ele e confiadas aos Apóstolos, no que diz respeito à salvação. O cristianismo não pode mudar as suas doutrinas constitucionais. Os bispos são, mais do que quaisquer outros, aqueles que devem "guardar o depósito", como diz o Apóstolo [1 Tim. 6:20; 2 Tim. 1:14]. Também não devemos colocar a hipótese de mudanças, evoluções, transformações da Igreja em matéria de fé. O Credo permanece. A este respeito, a Igreja é tenazmente conservadora e, por isso, não envelhece" (Audiência Geral, 6 de Outubro de 1971).
DM: Como diagnosticaria a doença que aflige a Igreja e que nos conduziu a este ponto?
AS: O maior mal e a maior doença espiritual que contagiou a Igreja nos nossos dias é a "conformação com o espírito deste mundo" (Rm 12,2), que é basicamente o espírito do Modernismo. O Papa Paulo VI falou deste perigo já em 1964, dizendo "A própria Igreja está a ser engolida e abalada por esta onda de mudança, porque, por muito que os homens estejam comprometidos com a Igreja, são profundamente afectados pelo clima do mundo. Correm o risco de ficar confusos, desorientados e alarmados, e esta é uma situação que atinge as próprias raízes da Igreja. Leva muitas pessoas a adoptarem as ideias mais estranhas. Imaginam que a Igreja deve abdicar do seu próprio papel e adoptar um modo de existência inteiramente novo e sem precedentes. Podemos citar como exemplo o modernismo. Trata-se de um erro que continua a manifestar-se sob diversas formas, totalmente incompatível com uma verdadeira expressão religiosa. Trata-se, sem dúvida, de uma tentativa de filosofias e correntes seculares para viciar a verdadeira doutrina e disciplina da Igreja de Cristo" (Encíclica Ecclesiam suam, 26).
DM: E qual é o remédio?
AS: À luz da evidente infecção geral do corpo da Igreja de hoje com a heresia do Modernismo, ou seja, com a vontade de se conformar com o espírito incrédulo do mundo - com a sua revolta contra a criação de Deus, a Revelação e os Seus Mandamentos - o Sínodo de 2023 deve, mais do que nunca, alertar para esta infecção e propor remédios eficazes.
Em particular, deveria propor as verdades sempre válidas e as normas eficazes da tradição perene da Igreja. A este propósito, o Papa Paulo VI escreveu "É necessário um remédio eficaz para afastar todos estes perigos, que prevalecem em muitos sectores, e pensamos que tal remédio se encontra numa maior consciência de si por parte da Igreja. A Igreja deve ter uma ideia mais clara do que ela realmente é na mente de Jesus Cristo, tal como está registado e preservado na Sagrada Escritura e na Tradição Apostólica e interpretado e explicado pela tradição da Igreja sob a inspiração e orientação do Espírito Santo" (Encíclica Ecclesiam Suam, 26).
DM: E, no entanto, parece que estão a adoptar uma abordagem diferente.
AS: Em vez disso, os processos e documentos sinodais, e o próximo Sínodo em Roma, adoptaram um método que é estranho ao espírito dos Apóstolos, dos Padres da Igreja e da genuína tradição da Igreja. Ao fazer dos dados psicológicos e sociológicos um critério para decidir questões de fé, moral e disciplina, a Secretaria do Sínodo ignorou Paulo VI, que disse: "As conclusões das investigações [sociológicas] não podem constituir, por si mesmas, um critério decisivo da verdade" (Exortação Apostólica Quinque Iam Anni, 8 de Dezembro de 1970).
O Papa Paulo VI advertiu contra a adopção de uma abordagem tão mundana, quando disse: "Constata-se uma tendência para reconstruir, a partir de dados psicológicos e sociológicos, um cristianismo desligado da Tradição ininterrupta que o liga à fé dos Apóstolos, e para exaltar uma vida cristã desprovida de elementos religiosos" (Exortação Apostólica Quinque Iam Anni, 8 de Dezembro de 1970).
O Papa Francisco e todos os membros do próximo Sínodo em Roma deveriam ouvir seriamente as seguintes advertências proféticas do Papa Paulo VI: "Não somos nós os juízes da palavra de Deus: é ela que nos julga e expõe a nossa conformidade com a moda mundana" (Exortação Apostólica Quinque Iam Anni, 8 de Dezembro de 1970).
DM: Qual seria a vossa recomendação aos Cardeais?
AS: A atribuição de direitos de voto iguais ao episcopado e ao laicado não tem precedentes e mina seriamente a constituição divina da Igreja, conformando-a mais a um modelo protestante ou mesmo secular. A ausência de objectivos claros para o sínodo, que trariam clareza num momento de grande confusão doutrinal, é também muito prejudicial para a Igreja. É, portanto, claro que o próximo sínodo é um veículo para acelerar a protestantização e a secularização da Igreja Católica. Os Cardeais não podem simplesmente permanecer em silêncio enquanto a Igreja é prejudicada e a salvação das almas é posta em risco. Têm a obrigação de apelar ao Papa, com clareza e toda a reverência, como fez o Apóstolo Paulo em relação a Pedro, quando este não andava "rectamente na verdade do Evangelho" (Gal 2, 14).
DM: Excelência, qual é a sua mensagem para o Papa Francisco?
AS: O assunto que temos diante de nós é urgente, e eu apelo fraternalmente ao Papa Francisco para que revogue as novas normas da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, que concedem direitos de voto iguais aos bispos e aos leigos. Apelo também fraternalmente ao Papa Francisco para que estabeleça objectivos claros para o Sínodo que permitam aos bispos professar corajosamente e sem ambiguidades perante toda a Igreja e o mundo, a singularidade de Cristo e a sua obra salvadora, a validade dos mandamentos de Deus e a ordem divinamente estabelecida da Igreja.
Juntamente com tal profissão, o Sínodo deve propor remédios concretos e eficazes contra os vírus e doenças espirituais que afectam severa e quase globalmente o corpo da Igreja hoje. Se as assembleias sinodais de 2023-2024 não o fizerem, a previsão do Cardeal Charles Journet concretizar-se-á: "Um dia os fiéis acordarão e dar-se-ão conta de que foram intoxicados pelo espírito do mundo".
Diane Montagna in Catholic Herald
O amor de Tolkien ao Santíssimo Sacramento
Da escuridão da minha vida, com todas as frustrações, coloco diante de vocês a maior coisa a ser amada nesta terra: o Santíssimo Sacramento. Aí encontrarão romance, glória, honra, fidelidade e o verdadeiro caminho para todos os seus amores nesta terra.
J.R.R. Tolkien in 'Carta a Michael Tolkien' (6-9 Março 1941)
quarta-feira, 14 de junho de 2023
A devastação na Igreja Norte Americana durante os anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II
Número de sacerdotes:
1930-1965 duplicou para 58.000
2000: 45.000
Paróquias sem sacerdotes:
1965: 1%
2002: 15%
Ordenações sacerdotais:
1965: 1.575
2002: 450
Seminaristas:
1965: 49.000
2002: 4.700 (-90%)
Seminários:
1930-1965 duplicou para 58.000
2000: 45.000
Paróquias sem sacerdotes:
1965: 1%
2002: 15%
Ordenações sacerdotais:
1965: 1.575
2002: 450
Seminaristas:
1965: 49.000
2002: 4.700 (-90%)
Seminários:
1965: 600
2002: 200
Freiras:
1965: 180.000
2002: 75.000 (idade média: 68 anos)
Freiras no ensino:
1965: 104.000
2002: 8.200 (-94%)
Jesuítas:
2002: 200
Freiras:
1965: 180.000
2002: 75.000 (idade média: 68 anos)
Freiras no ensino:
1965: 104.000
2002: 8.200 (-94%)
Jesuítas:
1965: 3.559
2000: 389
Franciscanos:
1965: 3.379
2000: 84
Declarações de nulidade matrimonial:
1968: 338
2002: 50.000
Participação na Missa:
1958: 3 católicos em cada 4
2002: 1 católico em cada 4
Escolas Católicas de ensino médio: -50%
Escolas Paroquiais Católicas: -4.000
Casamentos católicos: -33%
Professores de católicos (leigos) que concordam com:
contracepção: 90%
aborto: 53%
divórcio e novo casamento: 65%
não ir à Missa: 77%
Católicos entre 18 a 44 anos que não acreditam na transubstanciação: 70%
Kenneth C. Jones in 'Index of Leading Catholic Indicators: The Church since Vatican II'
2000: 389
Franciscanos:
1965: 3.379
2000: 84
Declarações de nulidade matrimonial:
1968: 338
2002: 50.000
Participação na Missa:
1958: 3 católicos em cada 4
2002: 1 católico em cada 4
Escolas Católicas de ensino médio: -50%
Escolas Paroquiais Católicas: -4.000
Casamentos católicos: -33%
Professores de católicos (leigos) que concordam com:
contracepção: 90%
aborto: 53%
divórcio e novo casamento: 65%
não ir à Missa: 77%
Católicos entre 18 a 44 anos que não acreditam na transubstanciação: 70%
Kenneth C. Jones in 'Index of Leading Catholic Indicators: The Church since Vatican II'
Dia de São Basílio Magno
Nosso Senhor Jesus Cristo disse a todos, por várias vezes e apresentando diversas provas: «Se alguém quiser vir após Mim, que renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga»; e também: «Aquele de entre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo». Parece, pois, exigir a renúncia mais completa. «Onde estiver o teu tesouro», diz noutra altura, «aí estará o teu coração» (Mt 6,21).
Portanto, se reservamos para nós bens terrenos ou qualquer provisão fugaz, o nosso espírito permanece aí atolado, como que na lama. É então inevitável que a nossa alma seja incapaz de contemplar a Deus e se torne insensível ao desejo dos esplendores do céu e dos bens que nos foram prometidos. Só poderemos obter esses bens se os pedirmos sem cessar, com um desejo ardente, que, de resto, nos tornará leve o esforço para os atingir.
Renunciar a nós mesmos é, pois, soltar os laços que nos prendem a esta vida terrena e passageira, libertar-nos das contingências humanas, a fim de sermos mais capazes de caminhar na via que conduz a Deus. É libertar-nos dos entraves, a fim de possuirmos e usarmos bens que são «muito mais preciosos do que o ouro e a prata» (Sl 18,11).
Em suma, renunciar a nós mesmos é transportar o coração humano para a vida no céu, de tal forma que possamos dizer: «A nossa pátria está nos céus» (Fil 3,20). E, sobretudo, é começarmos a tornar-nos semelhantes a Cristo, que Se fez pobre por nós, Ele que era rico (2Cor 8,9). Temos de nos assemelhar a Ele se quisermos viver em conformidade com o Evangelho.
São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja in 'Grandes Regras Monásticas' (questão 8)
terça-feira, 13 de junho de 2023
Ajoelhar perante o Criador
Um dos milagres mais conhecidos de Santo António de Lisboa foi fazer com que uma mula se ajoelhasse perante o Santíssimo Sacramento. O animal, mesmo depois de estar 3 dias sem comer e enquanto estava sendo aliciado com alimento, prostrou-se diante do seu Criador e ali esteve em gesto de adoração durante bastante tempo.
Se até uma mula se ajoelha perante o Senhor, por que não nós?
Santo António, o santo casamenteiro
Há três tipos de núpcias: de união, de justificação e de glorificação. As primeiras foram celebradas no templo da Virgem Maria; as segundas são celebradas diariamente no templo da alma fiel; as terceiras serão celebradas no templo da glória celeste.
Aquilo que é próprio das núpcias é unir duas pessoas: o esposo e a esposa. Quando duas famílias estão em conflito, em geral, o casamento une-as, porque o homem de uma delas toma uma mulher pertencente à outra. Entre nós e Deus, havia uma grande discórdia; para a eliminar e estabelecer a paz, foi necessário que o Filho de Deus tomasse esposa na nossa parentela. Este casamento foi consumado por meio de vários intermediários e pacificadores, que, com orações insistentes, o obtiveram a grande custo.
Finalmente, o Pai deu o seu consentimento e enviou o Filho, que Se uniu à nossa natureza na câmara nupcial da Virgem Maria. Deste modo, o Pai «preparou um banquete nupcial para o seu Filho».
As segundas núpcias são celebradas quando a graça do Espírito Santo desce sobre a alma e esta se converte. [...] O esposo da alma é a graça do Espírito Santo. Quando Ele chama à penitência pela inspiração interior, o fascínio do vício perde o seu efeito.
Finalmente, as terceiras núpcias serão celebradas no dia do juízo, à vinda do Esposo, Jesus Cristo, sobre o qual está escrito: «Chegou o esposo! Vinde ao seu encontro» (Mt 25,6). Com efeito, Ele tomará a Igreja como esposa, como João afirma no Apocalipse: «Eis que vem a esposa, a Jerusalém que desce do Céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus» (cf Ap 21,9-11).
A Igreja dos fiéis desce do Céu porque obteve de Deus que a sua morada fosse nos Céus. Assim, no presente, ela vive pela fé e a esperança, mas dentro em breve celebrará as núpcias com o Esposo : «Bem-aventurados os que foram convidados para o festim das núpcias do Cordeiro!» (Ap 19,9).
Santo António de Lisboa in 'Sermão do 20.º Domingo depois do Pentecostes'
segunda-feira, 12 de junho de 2023
O pequeno exorcismo de Santo António
Um dia, Santo António de Lisboa deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demónio.
O Papa Sisto V mandou esculpir essa oração – também conhecida por “Lema de Santo António” – na base do obelisco que se encontra no centro da Praça de São Pedro, em Roma, no qual se encontra também uma relíquia do Santo Lenho.
Em Latim:
Ecce Crucem Domini! +
Fugite partes adversae! +
Vicit Leo de tribu Juda, +
Radix David! Alleluia!
Em Português:
Eis a cruz do Senhor! +
Fugi forças inimigas! +
Venceu o Leão de Judá, +
A raiz de David! Aleluia!
Esta breve oração é considerada um pequeno exorcismo e pode ser usada para afugentar o demónio, especialmente nas tentações.
domingo, 11 de junho de 2023
sábado, 10 de junho de 2023
Mulheres torturadas em casa? - G.K. Chesterton
Em sua casa, uma mulher pode ser decoradora, contadora-de-histórias, desenhadora de moda, expert em cozinha, professora... Mais que uma profissão, o que ela desenvolve são vinte passatempos e todos os seus talentos. Por isso não se faz estagnada e estreita mentalmente, mas sim criativa e livre.
Esta é a substância do que foi o papel histórico da mulher. Não nego que muitas foram maltratadas e inclusive torturadas, mas duvido que tenham sido torturadas tanto como agora, quando se pretende que levem as rédeas da família e ao mesmo tempo triunfem profissionalmente. Não nego que antes a vida era mais dura para as mulheres que para os homens. Por isso nos vemos ante elas.
É a mesma Natureza que rodeia a mulher de filhos muito pequenos que requerem que se lhes ensine não qualquer coisa, mas sim todas as coisas. Os bebés não necessitam aprender um ofício, mas sim que se lhes introduza a um mundo inteiro. A criança é um ser humano capaz de fazer todas as perguntas possíveis, e muitas das impossíveis. Se alguém diz que responder a essa criança insaciável é uma tarefa exaustiva, tem razão. Se diz que é uma tarefa desagradável, admito que pode ser tão desagradável como a de um cirurgião ou bombeiro.
Em contrapartida, quando alguém diz que essa tarefa feminina não é apenas cansativa, mas também trivial e odiosa, é-me impossível entender o que querem dizer. Se odioso quer dizer insignificante, descolorido e intranscedente, confesso que não o entendo. Porque decidir e organizar quase tudo; ser ministra da economia que investe e compra roupas, livros, materiais e comidas; ser Aristóteles que ensina lógica, ética, bons costumes e higiene... Tudo isto pode deixar a uma pessoa exausta, mas o que não posso imaginar é como poderia fazê-la estreita e limitada.
A maneira mais breve de resumir a minha postura é afirmar que a mulher representa a ideia de saúde mental, é o lar intelectual à que a mente regressará depois de cada excursão pela extravagância. Corrigir cada aventura e extravagância com o seu antídoto de senso comum não é - como parecem pensar muitos - ter a posição de um escravo. É estar na posição de um Aristóteles ou de um Spencer, isto é, possuir uma moral universal, um sistema completo de pensamento.
Uma mulher assim tem que saber equilibrar muito para consertar e resolver quase tudo, para adaptar-se ao que faz falta. E equilibrar pode ser próprio de pessoas cobardes, que se aconchegam ao mais forte. Mas também define as pessoas de carácter nobre, que se colocam sempre ao lado do mais fraco, como o marinheiro que equilibra um barco sentando-se onde há necessidade do seu peso. Assim é a mulher, o seu trabalho é generoso, perigoso e romântico. A sua carga é pesada, mas a humanidade pensou que valia a pena colocar esse peso nas mulheres para manter o senso comum no mundo.
in “La mujer y la familia”, Editorial Styria
Dia de Portugal
Neste dia de Camões, de Portugal e da Raça não vou citar os Lusíadas, nem qualquer poema a gloriar os feitos da nossa grande Nação. Em vez disso, vou citar este simpático Cardeal, de seu nome: Malcolm Ranjith, Arcebispo de Colombo (não na segunda circular, mas na terra a que os portugueses chamaram Ceilão).
Quando me cruzei com o Cardeal Ranjith, em Roma, mostrou-se infinitamente grato a Portugal, e dizia: "Se não fossem os portugueses eu não seria Católico, porque foram vocês que evangelizaram a minha terra."
Isto é um resumo, numa frase, de todas as odes às aventuras lusitanas por esses mares afora. Atravessámos meio mundo para levar a Cruz de Cristo e o Evangelho a quem não o conhecia. E, por causa disso, o Mundo mudou...até aos nossos dias.
É importante saber-se que a Fé e coragem dos nossos antepassados influenciam pessoas ainda hoje. Pessoas agradecidas e orgulhosas da presença portuguesa nas suas terras há séculos. E também pessoas que se consideravam portuguesas - e eram de facto - mas os interesses político-económicos roubaram-lhes essa identidade. Ou pelo menos tentaram.
Viva Portugal!
Padre João Silveira
sexta-feira, 9 de junho de 2023
O jovem 'herói' Católico que protegeu crianças da morte certa
Num parque em Annecy (França) aconteceu um ataque horrível: um refugiado sírio esfaqueou 6 pessoas, incluindo 4 crianças, que ficaram feridas. As consequências poderiam ter sido bem mais graves caso não estivesse ali Henri d’Anselme, que se defendeu das facadas com uma mochila e depois perseguiu o delinquente. Por isto, há quem lhe chame 'herói'.
Este jovem de 24 anos pertence a uma família numerosa francesa. Como fosse Católico fervoroso, resolveu, há dois meses e meio, pôr-se a caminho e fazer uma peregrinação percorrendo as Catedrais do seu país. Foi isso que fez com que estivesse naquele dia em Annecy. No dia 15 de Abril, publicou este texto:
«Há exactamente três semanas ando de Catedral em Catedral por toda a França. A razão pela qual embarquei nesta aventura é que, algures no meu íntimo, um fogo poderoso se acendeu sobre as brasas de uma Catedral desmoronada.
Há exactamente 4 anos, a Notre-Dame de Paris perdeu a sua torre e o seu telhado num incêndio devastador. Há exactamente 4 anos, fiquei firmemente convencido de que a reconstrução era possível. Não a reconstrução material das abóbadas e da estrutura do tecto, mas a reconstrução espiritual dos corações dos franceses.
As catedrais pontuam as nossas paisagens. Irrigam as nossas cidades e os nossos campos e dão ritmo à vida dos seus habitantes. Durante demasiado tempo, esquecemo-las. Ou, mais precisamente, esquecemo-nos da razão da sua existência. Deixámos de ouvir o que têm para dizer, negligenciámos o tesouro que protegem.
Durante 9 meses, percorrerei a França para acordar estes gigantes adormecidos. Eles chamam-me, eles chamam-nos. É isso que me leva todas as manhãs a pegar na pesada mochila de 17 kg e a acumular quilómetros. Todos os franceses têm um encontro com o seu destino, ao pé da sua Catedral.»
quinta-feira, 8 de junho de 2023
Um Papa ajoelhado diante do Santíssimo Sacramento
João Paulo II nunca se sentou na presença da Eucaristia. Sempre se impôs
ajoelhar-se. Ele precisava da ajuda de outras pessoas para dobrar os joelhos e,
depois, para se levantar. Até aos seus últimos dias, quis dar-nos um grande
testemunho de reverência diante do Santíssimo Sacramento.
Cardeal Robert Sarah, in Congresso Internacional Sacra
Liturgia, Milão, 6 de Junho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2023
Como começou a comunhão na mão - D. Athanasius Schneider
Nas primeiras comunidades luteranas, recebia-se a Comunhão na boca e de
joelhos, uma vez que Lutero não negava a presença real. Pelo contrário,
Zwingli, Calvino e os seus sucessores, que negavam a presença real,
introduziram, ainda no século XVI, a comunhão na mão e de pé: “Estar de pé e
movendo-se, para receber a Comunhão, era hábito”.
Uma prática semelhante observava-se na comunidade de Calvino em Genebra:
“Era hábito mover-se e estar de pé, para receber a Comunhão. A gente estava de
pé diante da mesa e recebia as espécies com as suas próprias mãos”. Alguns
sínodos da Igreja calvinista da Holanda, nos séculos XVI a XVII, estabeleceram
formais proibições de receber a Comunhão de joelhos: “Nos primeiros tempos, a
gente ajoelhava-se durante a oração e recebia a Comunhão ainda ajoelhada, mas
alguns sínodos proibiram-no, para evitar toda a hipótese de que o pão pudesse
ser venerado”.
D. Athanasius Schneider in Dominus Est
terça-feira, 6 de junho de 2023
Países Baixos aprovam Eutanásia para menores de 12 anos
Os legisladores holandeses aprovaram a eutanásia para crianças entre os 1 e os 12 anos, fechando assim a última lacuna que faltava.
Agora, os cidadãos holandeses podem ser "legalmente" assassinados em qualquer fase das suas vidas.
Desde 2002, os Países Baixos "autorizam" o assassínio de crianças entre os 12 e os 16 anos com o consentimento dos pais. Os maiores de 16 anos podem tomar as suas próprias decisões.
Desde 2004, as crianças com menos de 1 ano de idade podem ser "legalmente" assassinadas. Em 2013, cerca de 40% dos casos foram por razões de "qualidade de vida".
O aborto até ao nascimento também está disponível.
in gloria.tv
segunda-feira, 5 de junho de 2023
A grandeza de sofrer pelo amor de Deus
São Filipe Néri deu o seguinte conselho a uma pessoa que se queixava da sua cruz: "Meu filho, a grandeza do amor que se tem a Deus é medida pela grandeza do desejo de sofrer muito por amor de Deus; quem se impacienta com a cruz, achará uma outra mais pesada"; convém fazer da necessidade uma virtude. Os sofrimentos deste mundo são a melhor escola do desprezo do mundo; quem não se matricular nesta escola merece dó porque é um infeliz.
domingo, 4 de junho de 2023
Santíssima Trindade adoro-vos profundamente
Na sua terceira aparição, em Outubro de 1916, o Anjo de Portugal ensinou os Pastorinhos de Fátima a rezar esta oração à Santíssima Trindade:
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, pevo-Vos a conversão dos pobres pecadores.
Domingo da Santíssima Trindade
Santíssima Trindade: três Pessoas em um Deus. Isto quer dizer que há só uma natureza divina e que nessa única natureza há três Pessoas, de sorte que a unidade de natureza não impede a pluralidade de Pessoas.
A primeira Pessoa chama-se Pai, a segunda chama-se Filho, a terceira chama-se Espírito Santo. A mesma natureza divina no Pai e no Filho e no Espírito Santo; três pessoas divinas distintas, não à maneira das pessoas humanas que são distintas porque separadas, mas distintas enquanto às relações próprias de cada uma a respeito das outras.
Assim o Pai gera o Filho, como semelhantemente a nossa alma gera o pensamento; o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, como semelhantemente da nossa alma e do nosso pensamento procede o amor com que amamos a nossa alma e o nosso pensamento. A alma, o pensamento e o amor são coisas distintas, têm a mesma natureza espiritual e são inseparáveis. A nossa fé na Trindade divina é fundada na Sagrada Escritura.
Jesus Cristo mandou baptizar, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em nome de um Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, três Pessoas divinas (Ev. S. Mat. XXVIII, 19). São João na sua l.a Ep. V, 7, escreve: «três são os que dão testemunho no céu: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estes três são uma só coisa».
Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica (1945)
sábado, 3 de junho de 2023
A inveja: uma blasfémia contra o Espírito Santo
"É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios". O que é próprio das pessoas maldizentes e animadas pela inveja é fechar, tanto quanto possível, os olhos aos méritos de outrem; e quando, vencidos pelas evidências, já não o conseguem fazer, depreciá-los e desvirtuá-los. Assim, quando a multidão exulta de devoção e se maravilha com as obras de Cristo, os escribas e os fariseus, ou fecham os olhos ao que sabem ser verdade, ou rebaixam o que é grande, ou desvirtuam o que é bom.
Uma vez, por exemplo, fingindo-se ignorantes, disseram Àquele que tinha feito tantos sinais maravilhosos: "Que sinal realizas Tu, pois, para nós vermos e crermos em ti?" (Jo 6,30). Aqui, não podendo negar os factos com cinismo, depreciam-nos maldosamente e desvalorizam-nos dizendo: "Ele tem Belzebu! É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios".
Eis, queridos irmãos, a blasfémia contra o Espírito, que prende aqueles que envolveu nas cadeias dum pecado eterno. Não é que seja de todo impossível ao penitente receber o perdão de tudo, se produzir "frutos de sincero arrependimento" (Lc 3,8).
Só que, esmagado por um tal peso de malícia, ele não tem força para aspirar a essa honrosa penitência merecedora de perdão. Aquele que, vendo à evidência no seu irmão a graça e a obra do Espírito Santo, não teme desvirtuar e caluniar, e atribuir insolentemente aos maus espíritos o que sabe pertinentemente ser do Espírito Santo, esse está de tal modo abandonado por esse Espírito de graça, que já não quer a penitência que lhe traria o perdão. Está completamente obscurecido, cego pela sua própria malícia.
Com efeito, que poderá haver de mais grave do que ousar, por inveja para com um irmão a quem tínhamos recebido ordem de amar como a nós próprios (cf. Mt 19,19), blasfemar contra a bondade de Deus e insultar a Sua majestade, querendo desacreditar um homem?
sexta-feira, 2 de junho de 2023
Graça de uma Boa Morte
Se é verdade que não se pode ter a certeza de obter a graça de uma boa morte, há, no entanto, sinais de predestinação, sobretudo os seguintes: preocupação em não cair no pecado mortal, espírito de oração, humildade que atrai graça, paciência nas adversidades, amor ao próximo, ajuda aos aflitos, uma devoção sincera a Nosso Senhor e sua Santíssima Mãe.
Em outro sentido, e de acordo com a promessa feita a Santa Margarida Maria, a quem recebeu a Comunhão em homenagem do Sagrado Coração nove vezes seguidas na primeira Sexta-Feira do mês, pode ter, senão a certeza absoluta, pelo menos a confiança de obter de Deus a graça de uma boa morte, que está subordinada, com toda a certeza, à necessidade das boas obras e a prática dos nossos deveres como cristãos. Ainda assim é, mesmo com tais condições, uma grande promessa.
Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P. in 'Vida eterna e a profundidade da alma'
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