domingo, 17 de dezembro de 2023

Orações da Missa no Segundo e Terceiro Domingos do Advento

Comparação entre as orações da Missa Tradicional e da Missa Nova:

II Domingo do Advento
 
Colecta (Rito Antigo)

Excitai, Senhor, os nossos corações para que preparem os caminhos do vosso Filho Unigénito, de modo que no seu advento mereçamos servi-l’O com as almas purificadas.

Colecta (Rito Novo)

Deus omnipotente e misericordioso, concedei que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória.

Secreta (Rito Antigo)

Senhor, Vos suplicamos, deixai-Vos aplacar com as orações da nossa humildade, juntamente com estas oblatas; e, já que os nossos sufrágios são desprovidos de quaisquer méritos, assisti-nos ao menos com vosso auxílio.

Oração sobre as oblatas (Rito Novo)

Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Cristo nosso Senhor.

Postcommunio (Rito Antigo)

Saciados já com este alimento espiritual, concedei-nos, Senhor, Vos imploramos, que pela participação deste mistério aprendamos a desprezar os bens desta vida e a amar os do Céu. 

Pós-comunhão (Rito Novo)

Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação nestes mistérios, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu.


III Domingo do Advento

Colecta (Rito Antigo)

Ouvi, Senhor, Vos suplicamos, as nossas orações; e, pela graça da vossa visita, esclarecei as trevas da nossa alma.

Colecta (Rito Novo)

Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria.

Secreta (Rito Antigo)

Senhor, Vos suplicamos, fazei que a nossa piedade Vos ofereça continuamente o sacrifício desta hóstia, para que ela nos alcance aquelas graças para que instituístes estes sagrados mistérios, produzindo em nós de uma maneira admirável a salvação que esperamos da vossa bondade.

Oração sobre as oblatas (Rito Novo)

Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação.

Postcommunio (Rito Antigo)

Imploramos, Senhor, a vossa clemência, a fim de que estes divinos mistérios, purificando-nos dos nossos vícios, nos preparem para a solenidade que se aproxima.

Pós-comunhão (Rito Novo)

Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam.


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Domingo Gaudete: Alegrai-vos sempre no Senhor

Gaudete in Domino semper: iterum dico, gaudete. Modestia vestra nota sit omnibus hominibus: Dominus enim prope est. Nihil solliciti sitis: sed in omni oratione petitiones vestrae innotescant apud Deum.

Alegrai-vos sempre no Senhor: repito, alegrai-vos. Seja a vossa modéstia notada por todos os homens: pois o Senhor está próximo. Não temais: mas em todas as orações sejam as vossas petições conhecidas por Deus.

O Introito da Missa de hoje lembra-nos que, enquanto o tempo do Advento é um de penitência e antecipação, também temos de parar e alegrar-nos com a proximidade de Nosso Senhor. Daí que o sacerdote use hoje paramentos cor-de-rosa, e não os roxos, típicos do Advento. 

O seguinte excerto vem do livro 'The Liturgical Year' por Dom Prosper Guéranger, um padre beneditino, Abade da Abadia de Solesmes:

«Hoje, novamente, a Igreja está cheia de alegria e a alegria é maior do que alguma vez foi. É verdade que o Seu Senhor ainda não chegou; mas Ela sente que Ele está mais próximo que antes e portanto pensa-o apenas para diminuir alguma da austeridade deste tempo penitencial através da alegria inocente dos Seus ritos sagrados.

Quão tocantes são todos estes usos e quão admirável é a condescendência da Igreja, na qual Ela mistura tão sublimemente a inalterável rigidez dos dogmas da fé e a graciosa poesia das formas da Sua liturgia.

Entremos no Seu espírito, e alegrar-nos neste terceiro Domingo do Seu Advento, pois o Nosso Senhor está agora tão próximo. Amanhã retornamos à nossa atitude de servos de luto pela ausência do Nosso Senhor e esperando por Ele; pois cada atraso, por mais pequeno que seja, é doloroso e torna o amor triste.»


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sábado, 16 de dezembro de 2023

Exército israelita assassinou duas fiéis Católicas

Por volta do meio-dia de hoje, 16 de Dezembro de 2023, um atirador das IDF (forças militares israelitas) assassinou duas mulheres cristãs no interior da Paróquia da Sagrada Família em Gaza, onde a maioria das famílias cristãs se refugiou desde o início da guerra. 

Nahida e sua filha Samar foram baleadas e mortas quando caminhavam para o Convento das Irmãs. Uma delas foi morta quando tentava levar a outra para um lugar seguro. Mais sete pessoas foram baleadas e feridas quando tentavam proteger outras pessoas dentro do recinto da igreja. Não houve aviso, não houve notificação. Foram baleadas a sangue frio dentro das instalações da paróquia, onde não há combatentes.

No início da manhã, um foguete disparado de um tanque das IDF teve como alvo o Convento das Irmãs de Madre Teresa (Missionárias da Caridade). O convento alberga mais de 54 pessoas deficientes e faz parte do complexo da igreja, que foi assinalado como local de culto desde o início da guerra. 

O gerador do edifício (a única fonte de eletricidade) e os recursos de combustível foram destruídos. A casa foi danificada pela explosão e pelo incêndio de grandes proporções. Dois outros foguetes, disparados por um tanque das IDF, atingiram o mesmo convento e tornaram a casa inabitável. As 54 pessoas com deficiência estão actualmente deslocadas e sem acesso aos respiradores de que algumas delas necessitam para sobreviver.

Além disso, em consequência dos fortes bombardeamentos na zona, três pessoas ficaram feridas no interior do recinto da igreja, ontem à noite. Além disso, os painéis solares e os tanques de água, indispensáveis à sobrevivência da comunidade, foram destruídos.


Em oração com toda a comunidade cristã, expressamos a nossa proximidade e as nossas condolências às famílias afectadas por esta tragédia sem sentido. Ao mesmo tempo, não podemos deixar de exprimir que não compreendemos como é que um tal atentado pôde ser perpetrado, tanto mais que toda a Igreja se prepara para o Natal.

Comunicado do Patriarcado Latino de Jerusalém


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Bons hábitos




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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Visita do Cardeal Burke ao Brasil



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Arcebispo persegue sacerdote por rezar a Missa Tradicional

O Arcebispo de Perth, D. Timothy Costelloe, "proibiu" o famoso Rev. Michael Rowe de celebrar a Missa Tradicional e retirou-o do seu ministério de muito anos como Reitor da igreja de St. Anne, em Perth (Austrália).

Sob a direcção do Padre Rowe, St. Anne passou de 30 paroquianos em 1996 para 850 actualmente.

O Bispo Costelloe usou o Traditionis Custodes como pretexto para obrigar os sacerdote que rezam Missa Tradicional que peçam autorização para continuar a fazê-lo. Costelloe afirmou que o Padre Rowe não tinha alegadamente "cumprido" este pedido.

"Até à data de hoje, o Padre Rowe não pediu a minha autorização para celebrar a Missa utilizando o Missal Romano promulgado por São João XXIII em 1962", escreveu.

De futuro, a Missa na igreja de St Anne será celebrada por um grupo de diferentes padres. O Padre Rowe afirmou numa declaração que o decreto do Bispo equivalia a uma "perseguição pessoal". O Bispo Costelloe tinha tornado "praticamente impossível para mim cumprir as condições para pedir autorização".

O Padre Rowe teria de assinar uma declaração sobre a liturgia, emitida por Costello, que continha "erros factuais" (de doutrina). Afirmava coisas "que eu não acredito que sejam verdade".

St. Anne gastou mais de um milhão de dólares australianos para melhorar o terreno e o edifício da igreja.

in gloria.tv


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quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

11 pensamentos de S. João da Cruz muito úteis para fazer meditação

1. "O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é Ele."

2. "Para buscar a Deus, requer-se um coração despojado e forte, livre de tudo o que não é puramente Deus."

3. "Que felicidade o homem poder libertar-se da sensualidade! Isto não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então verá claramente como era miserável a escravidão em que se estava."

4. "Adquire-se a sabedoria através do amor, do silêncio e da mortificação; grande sabedoria é saber calar e não inserir-se em ditos ou fatos e na vida alheia."

5. "O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado."

6. "Quem não busca a cruz de Cristo não busca a glória de Cristo."

7. "Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala-te."

8. "A alma que busca a Deus e permanece nos seus desejos e comodismo, procura-O de noite, e, portanto, não o encontrará. Mas quem o busca através das obras e exercícios da virtude, deixando de lado os seus gostos e prazeres, certamente o encontrará, pois procura-O de dia."

9. "A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer sente-se impedida em sua liberdade e contemplação."

10. "Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos."

11. "Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo bom cristão."


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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

5 virtudes de São José para o Advento

São José pode ajudar-nos a viver um Advento mais frutuoso. Meditamos sobre cinco virtudes extraordinárias deste maior grande santo para que possamos viver um resto de Advento mais sério e um Natal mais profundo

1. Silêncio. Nem uma única vez na Sagrada Escritura ouvimos uma palavra do grande São José. Este silêncio de São José é muito eloquente. Ensina-nos uma atitude fundamental para entrar em oração profunda: o silêncio. Se somos constantemente bombardeados por barulho é impossível ouvir a Palavra de Deus, o Espírito Santo que fala connosco na suave brisa do silêncio. O silêncio de São José ensina-nos também a importância do exemplo. Devemos provar a nossa autenticidade por palavras, mas também pelas nossas acções. São José ensinou o mundo pelo modo santo como viveu. Que ele seja um exemplo para nós.

2. Oração. São José era um homem de oração. Que papel extraordinário desempenhou na história da salvação. Ele era o esposo de Maria, a Mãe de Deus, e também o pai adoptivo de Jesus, o Filho do Deus vivo. São José ensinou, realmente, Jesus a falar e a dirigir-Se a Deus como “Abba” - o que significa “Papá”. Em certo sentido, São José ensinou Jesus a usar palavras humanas para falar com o Pai Celestial - isso é oração. Portanto, se São José ensinou Jesus a orar, quão mais poderia ensinar-nos a rezar se pedissemos a sua ajuda. Comecemos agora: São José, ensina-nos a rezar!

3. Coragem e masculinidade. Numa sociedade em que muitos homens fogem das obrigações para com as mulheres, filhos e família e se voltam para os vícios e a vida fácil quando confrontados com as dificuldades, São José brilha como modelo de coragem e fortaleza. Ele viajou muitos quilómetros com frio e vento, para encontrar apenas rejeição. Ele encontrou refúgio num abrigo de animais para o nascimento de Jesus. Ele levantou-se cedo para fugir para o Egipto, salvando o Menino Jesus das ameaças cruéis e assassinas do Rei Herodes. Diante de tantas dificuldades, São José ergueu-se e enfrentou os obstáculos com coragem viril. Que os homens da geração actual ergam o olhar para o homem de Deus amável e corajoso: o bom São José.

4. Fornecer e proteger. São José protegeu e proveu a Sagrada Família. Ele era um trabalhador esforçado - exercendo o ofício de carpinteiro. Ele ganhou o pão através do suor da sua testa. Pensava não em si mesmo, mas em como poderia prover e proteger da melhor forma a família que Deus confiou aos seus cuidados. Ao nos aproximarmos do Natal, imploremos ao bom São José que providencie e proteja a nossa vida espiritual. Materialismo, consumismo, hedonismo são os deuses da cultura actual. Tudo isso sufoca a espiritualidade. As orações de São José podem ajudar-nos a olhar além do comprar, ter e possuir. Ele pode ajudar-nos a perceber que a verdadeira alegria e felicidade não vêm de ter coisas mas de possuir Deus. Ter o Menino Jesus em nossos braços e em nossos corações vale mais do que todo o dinheiro e bens do mundo inteiro. O bom São José pode-nos ensinar esta lição simples mas profunda!

5. São José, Nossa Senhora e Jesus. Para chegar a uma devoção verdadeira e autêntica a Maria, o bom São José pode servir de ponte poderosa. Além do próprio Jesus, ninguém na Terra conheceu, compreendeu, acalentou e amou mais a Santíssima Virgem Maria do que o bom São José. Dirijamo-nos ao Bom São José e imploremos-lhe a graça de um maior conhecimento e amor a Maria, sua amada esposa. Depois, dirijamo-nos a São José e imploremos-lhe a graça do conhecimento íntimo de Jesus, para que amemos Jesus com mais fervor e sigamos Jesus mais de perto. Além de Maria, ninguém conhecia Jesus melhor na Terra do que o bom São José. A Sagrada Família só se completa quando os três membros são reconhecidos, honrados e amados. Que as orações do bom São José abram os nossos corações aos imensos tesouros que Deus reservou para nós neste tempo do Advento. 

Sam Guzman in Catholic Exchange 


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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Quod non fecit Dominus fecit baculus

Santo Agostinho conta que um certo homem, não ouvia nem os conselhos nem as súplicas dos que procuravam convencê-lo a abandonar uma casa de má vida que frequentava com grande escândalo. Não quis saber de nada, dizendo que simplesmente não podia. 

Aconteceu que um dia, naquela mesma casa, lhe deram uma carga de pauladas das mais respeitáveis. Aquele homem abandonou no mesmo instante a casa ... a impossibilidade desapareceu subitamente.

Comenta Santo Agostinho: “Quod non fecit Dominus fecit baculus” (aquilo que Deus e o amor da alma não conseguiram conseguiu-o a bengala).

Pe. Luiz Chiavarino in 'Confessai-vos bem'


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As inúmeras conversões pela Virgem de Guadalupe

No dia 12 de Dezembro de 1531, há 492 anos, Nossa Senhora deixou a sua marca no Novo Mundo (a América). Essa marca está hoje visível num grande pedaço de tecido exposto no Santuário de Guadalupe, na Cidade do México. Como Nossa Senhora terá dito noutras aparições privadas, ela em Guadalupe ficou presente, ao contrário das outras aparições em que voltou para o Céu.

Desde a descoberta da América em 1492, que os missionários franciscanos andavam a fazer apostolado no México. Mas estava a ser particularmente difícil. Os mexicanos astecas tinham uma cultura totalmente diferente da cultura ocidental. Faziam sacrifícios humanos, por vezes até de crianças, e retiravam os corações às vítimas quando ainda estavam vivas. Imaginem o horror dos Europeus quando lá chegaram.

Além disso as relações entre os espanhóis e os mexicanos não começaram nada bem. Com ataques violentíssimos de ambas as partes, durante anos reinou uma inimizade entre ocidentais e astecas. Isto dificultou ainda mais as missões franciscanas. Havia conversões, mas muito poucas. Foi a um destes astecas conversos, S. Juan Diego, a quem Nossa Senhora apareceu.  

Também significativo era a situação que a Europa atravessada. Alguns anos antes das aparições de Guadalupe, a Igreja Católica tinha perdido milhares de fiéis por causa da revolta Protestante, iniciada por Lutero em 1517. Parece que para compensar, Nossa Senhora visitou o México.

Nossa Senhora foi de propósito às Américas para aproximar de si o povo Mexicano e, com ele, todos os Americanos. Nos 10 anos a seguir às aparições de Guadalupe mais de 9 milhões de astecas converteram-se ao Catolicismo, como indicam os registos da época. Nas décadas seguintes mais conversões se seguiram.

O próprio desenho da imagem da Virgem é muito sugestivo - é um mapa que só os astecas conseguiam interpretar, tal como se sabe hoje. São muitos detalhes para explicar aqui, mas é suficiente notar que Nossa Senhora aparece com feições mestiças, isto é, como uma descendente de uma família em que o pai ou a mãe eram astecas e o outro europeu.

Nuno CB


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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

O Santo Cura d'Ars e a virtude da Pureza

Santo Ambrósio diz que a pureza nos eleva até ao Céu e nos faz deixar a Terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela eleva-nos por sobre a criatura corrompida e, pelos seus sentimentos e desejos, faz-nos viver da mesma vida dos anjos. Segundo S. João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço aos olhos de Deus maior do que a dos anjos, pois os cristãos só podem adquirir esta virtude pelo combate, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. 

S. Cipriano acrescenta que a castidade nos torna apenas semelhantes aos anjos mas dá-nos ainda um carácter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.

Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele olha-a, considera-a como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objecto das suas mais caras complacências, e fixa nela a sua morada para sempre. 'Bem-aventurados', diz-nos o Salvador, 'os puros de coração, porque eles verão o bom Deus'. 

Segundo S. Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, e irá praticá-las com uma grande facilidade, 'porque para ser casto é preciso impor-se muitos sacrifícios e fazer-se uma grande violência. Mas uma vez que se alcançou tais vitórias sobre o demónio, a carne e o sangue, tudo o resto lhe custará muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude'. 

Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos. Nós vêmo-los reservados nas suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios nas suas refeições, respeitosos nos lugares santos e edificantes em toda a sua conduta. 

Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar o seu coração puro, aos lírios que se elevam directamente ao Céu e que difundem ao seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam... Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!

S. João Maria Vianney (o Santo Cura d'Ars) in Sermão sobre a Pureza


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domingo, 10 de dezembro de 2023

Os impressionantes números do pontificado do Papa Pio XII

Estas são as estatísticas da Igreja nos Estados Unidos durante o Pontificado do Papa Eugenio Pacelli. É impressionante ver o aumento em todas as vertentes eclesiais, sendo de destacar o aumento de 51,5% no número de sacerdotes e 68% no número de católicos.



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A miraculosa trasladação da Casa da Sagrada Família de Nazaré até Loreto

Em Loreto, Itália, venera-se a Santa Casa: quer dizer o edifício onde Nossa Senhora nasceu, viveu e recebeu o anjo São Gabriel na Anunciação, momento em que o 'Sim' da Virgem permitiu a Encarnação do Verbo e o início da Redenção do género humano.

Em Nazaré, Terra Santa, sob a cúpula da igreja da Anunciação também se venera o local onde aconteceu este sublime mistério. Como se explica essa aparente duplicidade de endereços?

Esta contradição comporta maravilhosos acontecimentos que envolvem a translação da Santa Casa de Nazaré até Loreto por obra de Anjos.

Mas, o que diz a ciência a respeito? Não é tarefa da ciência declarar se um facto foi miraculoso ou não, se foram os anjos ou não. Mas, analisar a realidade segundo os seus métodos, instrumentos e objetivos próprios. E a ciência, trabalhando sobre o mistério da Santa Casa de Nossa Senhora, vêm trazendo a lume revelações materiais que explicam o acontecido e reforçam a fé. Eis um apanhado de algumas descobertas feitas nas últimas décadas.

O Altar dos Apóstolos na Santa Casa

O arquitecto Nanni Monelli e o Pe. Giuseppe Santarelli, director-geral da Congregação da Santa Casa de Loreto, constataram que as pedras que se encontram na Gruta da Anunciação, em Nazaré, Terra Santa, têm a mesma origem da pedra do altar dos Santos Apóstolos que está na Santa Casa de Loreto, em Itália. O Altar dos Apóstolos é constituído por uma pedra – hoje coberta por uma grade de metal – trabalhada em estilo nabateano, típico da Palestina. E leva esse nome porque nele os Apóstolos teriam celebrado a Missa quando iam a Nazaré visitar a casa de Nossa Senhora.

O Professor Giorgio Nicolini, especialista na matéria e autor do livro 'La veridicità storica della miracolosa Traslazione della Santa Casa di Nazareth a Loreto' (A veracidade da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré a Loreto), explicou à agência Zenit que “sobre a autenticidade da Santa Casa de Loreto enquanto verdadeira Casa de Nazaré de Maria jamais houve dúvida alguma, a não ser da parte daqueles que não conhecem os estudos científicos a respeito. Isso é tão verdadeiro que todos os Sumos Pontífices, durante sete séculos, confirmaram a autenticidade com solenes actas canónicas de aprovação”.

Nicolini acrescentou que este estudo sobre o Altar dos Apóstolos “é importante porque, além de proporcionar uma ulterior prova da autenticidade da Santa Casa de Loreto como a Casa de Maria em Nazaré, proporciona também uma prova ainda mais espetacular da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré”.

Percurso da Santa Casa desde a Palestina até Loreto

A tradição sempre afirmou que entre 1291 e 1296 três paredes da Santa Casa de Nazaré foram miraculosamente transportadas por anjos a “vários lugares”.

Isto está registrado em documentos antigos nos quais se fala da presença desse Altar unido às três paredes. Por exemplo, em Tersatto, Dalmácia (hoje Trsat, Croácia), onde a Santa Casa esteve entre 10 de Maio de 1291 e 10 de Dezembro de 1294.

Por isso pode-se afirmar que houve um duplo milagre: o transporte milagroso das três santas paredes na sua integridade e, em segundo lugar, junto com elas, mas como um objecto distinto da casa, o Altar dos Apóstolos.

No seu livro Nicolini demonstra que, do ponto de vista histórico e arqueológico, pelo menos cinco translações milagrosas ficaram constatadas de modo indiscutível entre 1291 e 1296.

A primeira levou a Santa Casa até Tersatto (Croácia); a segunda até Posatora (província de Ancona, Itália); a terceira até a floresta da senhora Loreta, na planície que está sob a actual cidade de Loreto (cujo nome deriva precisamente do nome dessa senhora); a quarta até a roça de dois irmãos sobre o morro lauretano (conhecido também como Monte Prodo); e a quinta até uma estrada pública, onde ainda se encontra sob a cúpula da magnífica basílica posteriormente construída em volta.

Todas estas mudanças foram registradas nos diversos lugares por testemunhas oculares contemporâneas. As mudanças foram rigorosamente controladas pelos Bispos diocesanos da época, que emitiram pronunciamentos canónicos sobre a veracidade dos factos e dos testemunhos. Tal é confirmado pelas igrejas construídas nos diversos locais na época das mudanças e consagradas pelos Bispos de Fiume, Ancona, Recanati, Macerata e Nápoles, entre outros.

Nicolini esclareceu que em Loreto se encontram apenas as três paredes que constituíam o quarto de Nossa Senhora, geralmente chamado de Santa Casa, local onde aconteceu a Anunciação. A quarta parede do quarto é a gruta, a qual pode ser visitada na igreja da Anunciação em Nazaré, Terra Santa. Ali ficaram apenas a gruta e os alicerces da Casa. Enquanto em Loreto se venera a Casa desprovida dos seus alicerces, em Nazaré ficaram a gruta e os alicerces sem a casa.

Análise de pedras, tijolos e argamassa

Ao mesmo tempo em que a análise química da massa que une as pedras apresenta características típicas da zona de Nazaré, a sua homogeneidade exclui qualquer possibilidade de uma hipotética desmontagem e remontagem das pedras. A massa foi feita com sulfato de cálcio hidratado (gesso) engrossado com pó de carvão de madeira, segundo uma técnica utilizada na Palestina há 2000 anos, mas jamais empregada na Itália.

Portanto, a Santa Casa chegou a Loreto com as pedras e os tijolos unidos pela mesma massa usada para uni-los há 2000 anos em Nazaré, assim se encontrando até hoje.

Ensinamento dos Papas sobre a Santa Casa de Loreto

O Bem-aventurado Papa Pio IX escreveu na 'Bula Inter Omnia', de 26 de Agosto de 1852:

Entre todos os santuários consagrados à Mãe de Deus, a Imaculada Virgem Maria, um encontra-se no primeiro lugar e brilha com incomparável fulgor: a venerável e augustíssima casa de Loreto. consagrada pelos mistérios divinos, ilustrada por inumeráveis milagres, honrada pelo concurso e afluência dos povos, a glória do seu nome atinge toda a Igreja universal, e constitui muito justamente objecto de culto para todas as nações e para todas as raças humanas. Em Loreto venera-se aquela casa de Nazaré, tão querida ao coração de Deus, e que, fabricada na Galileia, foi mais tarde separada das suas bases e, pela força divina, trasladada além do mar, primeiro à Dalmácia e logo à Itália.

E o santo pontífice acrescentou: 

Naquela casa, a Santíssima Virgem, que por eterna e divina disposição ficou perfeitamente isenta da culpa original, foi concebida, nasceu e cresceu, e o celestial mensageiro a saudou ‘cheia de graça’ e ‘bendita tu és entre todas as mulheres’. Naquela casa, Nossa Senhora, repleta de Deus e sob a acção fecunda do Espírito Santo, sem perder nada da sua inviolável virgindade, tornou-se a mãe do filho unigénito de Deus.

Também o Sumo Pontífice Leão XIII escreveu, na sua 'Encíclica Felix Lauretana Cives', de 23 de Janeiro de 1894: 

Compreendam todos, e em primeiro lugar os italianos, quão especial dom lhes foi concedido por Deus que, com suma providência, subtraiu prodigiosamente a Casa a um poder indigno [N.: refere-se aos muçulmanos ] e com um expressivo acto de amor a ofereceu a eles. Naquela beatíssima moradia foi sancionado o início da salvação humana, com o grande e prodigioso mistério de Deus que Se fez homem, e que reconcilia a humanidade perdida com o Pai eterno e renova todas as coisas.” 

E ainda: 

Deus quis de tal maneira exaltar o Nome de Maria para tornar realidade neste lugar (Loreto), aquela famosa profecia: ‘Todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada.’”

Numerosos Papas aprovaram ininterruptamente desde o início a veracidade histórica do milagroso traslado da Santa Casa, desde Nicolau IV em 1292 até João Paulo II em 2005 e o Papa Bento XVI em 2007.

in cienciaconfirmaigreja.blogspot.com


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sábado, 9 de dezembro de 2023

D. Athanasius Schneider convoca uma Cruzada Mundial de Oração

Cruzada Mundial de Oração em honra do Imaculado Coração de Maria, implorando uma intervenção Divina para a crise da Igreja

Nossa Senhora em Fátima deu-nos, para o nosso tempo, como meio espiritual eficiente para obter favores Divinos especiais a oração do Rosário e a prática dos Cinco Primeiros Sábados.

A prática dos Cinco Primeiros Sábados consiste no seguinte: no primeiro Sábado de cinco meses consecutivos, receber o sacramento da Confissão e a Sagrada Comunhão, rezar o Terço e meditar durante quinze minutos pelo menos sobre um dos quinze mistérios do Rosário, com a intenção de reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Face à tremenda crise que actualmente aflige a Igreja Católica, a Confraria de Nossa Senhora de Fátima lança uma cruzada espiritual mundial que consiste na oração diária do Santo Terço e na prática dos Cinco Primeiros Sábados, para implorar, através do Imaculado Coração de Maria, a ajuda e intervenção de Deus, especialmente na Santa Sé em Roma.

Esta cruzada espiritual começará no primeiro Sábado de janeiro de 2024 (6 de Janeiro) e terminará no primeiro Sábado de Dezembro de 2024 (7 de Dezembro).

8 de Dezembro de 2023, Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria

Christopher P. Wendt, Diretor Internacional da Confraria de Nossa Senhora de Fátima
+ Dom Athanasius Schneider, Assistente Espiritual da Confraria de Nossa Senhora de Fátima, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana


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Bombeiro presta continência à imagem da Imaculada Conceição coroada na 'Piazza di Spagna' (em Roma)



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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A doutrina da Imaculada Conceição revelada e glorificada até por um demónio

A devoção à Imaculada Conceição de Nossa Senhora vem dos tempos apostólicos. Na Idade Média, porém, adquiriu enorme força e extensão. Por fim, no século XIX foi proclamada dogma da Igreja Católica. Nenhum católico pode negá-la ou pô-la sequer em dúvida, sem cair em heresia e ficar fora da Igreja. O que passamos a descrever passou-se no século XIX.

No dia 8 de Dezembro de 1854, o Bem-aventurado Papa Pio IX promulgou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo. E no dia 25 de Março de 1858, festa da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e da Encarnação do Verbo, a Santíssima Virgem apareceu, em Lourdes, a Santa Bernadette. Nesse dia Ela confirmou o dogma, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. E inaugurou uma torrente de milagres que não cessa até hoje!

Poucas pessoas sabem que em 1823, trinta anos antes da proclamação desse magnífico dogma, dois sacerdotes exorcistas obrigaram um demónio, que possuía um rapaz, a cantar o louvor dessa santa verdade. E o demónio teve que fazê-lo, obviamente a contragosto, mas com uma rima poética que reverenciou a glória de Nossa Senhora.

O demónio é “espírito de mentira”, mas o exorcismo pode obrigá-lo a dizer a verdade, inclusive sobre matérias de Fé, como a divindade de Jesus Cristo, as virtudes da Imaculada Virgem, a existência do Paraíso, do inferno, etc. Foi o que aconteceu com o demónio que tinha entrado num jovem analfabeto de apenas doze anos, residente em Adriano di Puglia, Itália, hoje Ariano Irpino, na província e diocese de Avellino.

Os exorcistas foram dois religiosos dominicanos, o Pe. Gassiti e o Pe. Pignataro, que estavam na cidade pregando uma missão. Eles haviam recebido o “placet”, ou autorização do bispo, para fazer o exorcismo. E obrigaram então aquele demónio a responder a muitas perguntas, entre as quais, uma sobre a Imaculada Conceição.

Apesar de o diabo dar sinais de máxima contrariedade, os exorcistas impuseram-lhe que falasse sobre o especialíssimo privilégio concedido por Deus a Maria Santíssima. Assim sendo, o demónio então confessou que a Virgem de Nazaré jamais esteve sob seu poder, nem mesmo durante um só instante. Pelo contrário, confessou que desde o primeiro instante da sua vida Ela sempre esteve “cheia de graça” e foi toda de Deus.

Os dois exorcistas obrigaram o espírito das trevas a testemunhar a Imaculada Conceição sob a forma de versos poéticos. E o demónio, que se perdeu por culpa própria e conhecendo perfeitamente as coisas, compôs na língua italiana um soneto impecável, perfeito como construção poética e como teologia.

Como a tradução para o português prejudica a rima, nós reproduzimo-lo em italiano no fim do post*:

Eu sou Mãe verdadeira de um Deus que é Filho
e sou filha d'Ele, embora seja sua Mãe;
Ele nasceu ab aeterno e é meu Filho,
Eu nasci no tempo e, entretanto, sou Sua Mãe.

Ele é meu criador, porém é meu Filho,
Eu sou Sua criatura, porém sou Sua Mãe;
Foi um prodígio divino Ele ser meu Filho
Um Deus eterno me ter por Mãe.

A vida é comum entre a Mãe e o Filho
Porque o Filho recebe o ser da Mãe,
E a Mãe recebeu o ser do Filho.

Ora, se o Filho recebeu o ser da Mãe,
Ou se diz que o Filho nasceu com mancha,
Ou foi a Mãe que foi concebida sem mancha.

Se não formos piores que esse demónio do inferno, ajoelhemo-nos diante da Imaculada Virgem e veneremo-la pelos séculos dos séculos, dizendo:


“Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

*Vera Madre son Io d’un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui, benché sua Madre;
ab aeterno nacqu’Egli ed è mio Figlio,
in tempo Io nacqui e pur gli sono Madre.

Egli è mio creator ed è mio Figlio,
son Io sua creatura e gli son Madre;
fu prodigo divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e Me d’aver per Madre.

L’esser quasi è comun tra Madre e Figlio
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.

Or, se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio,
o senza macchia s’ha da dir la Madre 

Luis Dufaur in Ciência confirma a Igreja


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A Imaculada Conceição e a História de Portugal

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.

Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Alvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Alvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.

A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o condestável D. Nuno Alvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Contestável reconhece que a mística que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.

Esta espiritualidade "imaculista" foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de Dezembro transcende o "Dia Santo" dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa é acompanhada pela história do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula "Ineffabilis Deus", Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Alvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria, e D. João IV isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

A Conceição Imaculada da Virgem é um dogma de fé segundo o qual Maria é considerada a primeira redimida pela Páscoa de Cristo.

Pe. Francisco Couto,
Reitor do Santuário de Vila Viçosa, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora
Pe. Senra Coelho, professor do Instituto Superior de Teologia de Évora, Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa. (O Pe. Senra Coelho é actualmente Arcebispo de Évora)


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