sexta-feira, 19 de janeiro de 2024
A Paz de Cristo durante a Missa Pontifical
O Bispo beija o altar, símbolo de Cristo. O Bispo recebe deste modo a paz. Não como o mundo a dá, mas dada pelo Príncipe da Paz. De seguida transmite a paz ao padre assistente, como se vê na imagem. O padre assistente leva-a ao diácono, este ao subdiácono e ao resto do clero presente, seguindo a hierarquia dos que servem o altar. Assim é a transmissão da Paz de Cristo durante a Santa Missa.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
Oração para implorar por Papas santos - D. Athanasius Schneider
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Queridos fiéis Católicos, especialmente aqueles que sofrem por causa da crise inédita que aflige a nossa santa Mãe Igreja! Queridos pais e mães de famílias Católicas! Queridos jovens Católicos! Queridas crianças inocentes Católicas! E, especialmente, queridas Irmãs religiosas contemplativas, joias espirituais da Igreja! Queridos seminaristas Católicos! Queridos sacerdotes Católicos, que sois “o amor do Sagrado Coração de Jesus”!
Queridos fiéis Católicos, especialmente aqueles que sofrem por causa da crise inédita que aflige a nossa santa Mãe Igreja! Queridos pais e mães de famílias Católicas! Queridos jovens Católicos! Queridas crianças inocentes Católicas! E, especialmente, queridas Irmãs religiosas contemplativas, joias espirituais da Igreja! Queridos seminaristas Católicos! Queridos sacerdotes Católicos, que sois “o amor do Sagrado Coração de Jesus”!
A confusão dentro da Igreja chegou a tal ponto que temos de rezar ao Senhor com as palavras de Ester: “Não temos outra ajuda senão Vós” (Est 14, 3 Vulg.). Portanto, refugiemo-nos no Coração Imaculado de Maria através da Oração diária para implorar Papas santos. Clamemos com o salmista: “Levantai-Vos, Senhor, por que dormis? Levantai-Vos, Senhor, ajudai-nos e trazei-nos a salvação!” (Sl 43, 23).
18 de Janeiro de 2024, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma
+ Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana
Oração para implorar Papas santos
Kyrie Eleison! Christe Eleison! Kyrie Eleison! Senhor Jesus Cristo, Vós sois o bom Pastor! Com a Vossa mão toda-poderosa guiais a Vossa igreja peregrina através das tempestades de cada época.
Adornai a Santa Sé com Papas santos que não temam os poderosos deste mundo nem se comprometam com o espírito da época, mas preservem, fortaleçam e defendam a Fé Católica até ao derramamento de seu sangue e que observem, protejam e transmitam a venerável liturgia da Igreja Romana.
Ó Senhor, voltai para nós por meio de Papas santos, inflamados com o zelo dos Apóstolos, que proclamem ao mundo inteiro: “A salvação não se encontra em ninguém mais do que Jesus Cristo. Porque debaixo do Céu não nos foi dado outro nome pelo qual devamos ser salvos” (cf. At 4:10-12).
Através de uma era de santos Papas, possa a Santa Sé, que é a pátria de todos os que promovem a Fé Católica e Apostólica, brilhar sempre como a cátedra da verdade para o mundo inteiro. Ouvi-nos, Senhor, e pela intercessão do Imaculado Coração de Maria, Mãe da Igreja, concedei-nos Papas santos, concedei-nos muitos Papas santos! Tende piedade de nós e ouvi-nos! Amém.
18 de Janeiro de 2024, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma
+ Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana
Oração para implorar Papas santos
Kyrie Eleison! Christe Eleison! Kyrie Eleison! Senhor Jesus Cristo, Vós sois o bom Pastor! Com a Vossa mão toda-poderosa guiais a Vossa igreja peregrina através das tempestades de cada época.
Adornai a Santa Sé com Papas santos que não temam os poderosos deste mundo nem se comprometam com o espírito da época, mas preservem, fortaleçam e defendam a Fé Católica até ao derramamento de seu sangue e que observem, protejam e transmitam a venerável liturgia da Igreja Romana.
Ó Senhor, voltai para nós por meio de Papas santos, inflamados com o zelo dos Apóstolos, que proclamem ao mundo inteiro: “A salvação não se encontra em ninguém mais do que Jesus Cristo. Porque debaixo do Céu não nos foi dado outro nome pelo qual devamos ser salvos” (cf. At 4:10-12).
Através de uma era de santos Papas, possa a Santa Sé, que é a pátria de todos os que promovem a Fé Católica e Apostólica, brilhar sempre como a cátedra da verdade para o mundo inteiro. Ouvi-nos, Senhor, e pela intercessão do Imaculado Coração de Maria, Mãe da Igreja, concedei-nos Papas santos, concedei-nos muitos Papas santos! Tende piedade de nós e ouvi-nos! Amém.
18 de Janeiro: Festa da Cátedra de S. Pedro em Roma
Hoje é um dia muito importante para o Rito Romano:
É o dia da Cátedra de S. Pedro em Roma. Esta festa pode encontrar-se em vários documentos dos séculos IV/V, como o martirológio de S. Jerónimo, e.g., que reza "a dedicação da cadeira de S. Pedro o Apóstolo, onde o Apóstolo Pedro primeiro se sentou, em Roma" (ou seja, onde Pedro fundou, tomou posse e pontificou na Sé de Roma), apesar de ter perdido o seu destaque para a posterior (ainda que não muito) festa da Cátedra de S. Pedro a 22 de Fevereiro (hoje dita em Antioquia), dia em que o Papa foi eleito pelo próprio Senhor Jesus.
No séc. XVI, o Papa Paulo IV, embebido pelo espírito da reforma católica (que procurava reforçar a romanidade e combater o luteranismo que dava particular ênfase a S. Paulo), restaurou esta festa, que havia sido perdida nos calendários medievos, à sua data mais antiga, mantendo também a celebração mais popular de 22 de Fevereiro. Curiosamente, ou não, neste dia também se celebra a memória duma antiquíssima mártir romana, S. Prisca (ou Priscila), que, apesar de ser incerto quem fosse (ou quando tenha vivido ou morrido), dá o nome a umas importantes catacumbas romanas onde se guardou, porque naquela zona (na Via Salaria) se usou, a "primeira sé onde Pedro se sentou e baptizou" (dum manuscrito do Abade João, circa 600), em Roma.
Esta cadeira em si, provavelmente foi destruída no século VI, restando apenas alguns documentos alusivos à sua existência e uso.
Curiosamente, de hoje a uma semana (dia 25) celebra-se a festa da Conversão de S. Paulo, pelo que temos uma semana iniciada pela festa de S. Pedro, com a comemoração de S. Paulo (como sempre), e terminada com a festa de S. Paulo, com a comemoração de S. Pedro (como sempre).
Nesta semana, celebra-se uma santa ligada a S. Pedro: S. Prisca, cuja hagiologia nos indica uma possível relação com S. Paulo também; e um santo ligado a S. Paulo: S. Timóteo, seu discípulo, bispo de Éfeso, no dia 24. Ambos mártires, uma romana, outro oriental. Algo que não deve passar despercebido é que no dia 22 de Fevereiro (o outro dia no qual se celebra a Cátedra de S. Pedro) também se celebra a dedicação da igreja de S. Prisca, onde sabemos que S. Fabiano (ver adiante) residiu e lugar do qual se dizia "o lugar de Fabiano, i.e., o lugar de Pedro".
Ainda pelo meio desta semana, celebram-se várias festas importantes: temos os mártires da Pérsia (dia 19) (um dos antigos extremos do mundo cristão), mas que foram a Roma, e S. Vicente (dia 22) - patrono do Patriarcado de Lisboa -, da Península Ibérica (outro dos extremos do mundo cristão); temos um Papa (a maior autoridade na Igreja), S. Fabiano (que curiosamente era leigo, quando foi eleito, mas essa história fica para outra ocasião), celebrado com S. Sebastião (dia 20) (soldado do império, da importante sé de Milão), ambos mártires (ambos sepultados na Basílica de S. Sebastião) e este último veneradíssimo em Roma; e temos a grande S. Inês (dia 21) (nomeada no Cânon Romano), nativa romana, e aos olhos do mundo a menor autoridade. Tínhamos também a festa de S. Emerenciana (dia 23), irmã de S. Inês e martirizada dois dias depois desta, mas esta festa foi reduzida, perante a festa de S. Raimundo de Penaforte, grande santo da Idade Média.
É uma semana que mostra a catolicidade da Igreja e sobretudo o triunfo da caridade! E é, sobretudo, uma festa em que rezamos por toda a Igreja e pelo sucessor de Pedro. Rezemos então, com a colecta da Missa de hoje:
Deus, que dando ao Vosso Apóstolo S. Pedro as chaves do reino dos Céus, lhe concedestes o poder pontifício de ligar e desligar, concedei-nos, pelo auxílio da sua intercessão, sejamos libertados dos laços dos nossos pecados.
PF
Nota: A festa da Cátedra de S. Pedro em Roma deixou de ser celebrada em 1960, com a reforma do calendário tridentino, levada a cabo pelo Papa João XXIII.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
Santo Atanásio descreve a vida e tentações de Santo Antão
Antão foi egípcio de nascimento. Os seus pais eram de boa linhagem e abastados. Como eram cristãos, também o menino cresceu como cristão. Depois da morte dos seus pais ficou só com a sua única irmã, muito mais jovem. Tinha então uns dezoito a vinte anos, e tomou cuidado da casa e de sua irmã. Menos de seis meses depois da morte de seus pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e reflectia como os apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador (Mt 4,20;19,27); como, segundo se refere nos Actos (4,35-37), os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados, e quão grande é a esperança prometida nos céus para os que assim fazem (Ef 1,18; Col 1,5).
Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico: "Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu " (Mt 19,21). Como se Deus lhe houvera proposto a lembrança dos santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas "aruras", terra muito fértil e formosa.
Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais, os bens móveis que possuía, e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para sua irmã. De novo, porém, entrando na igreja, ouviu aquela palavra do Senhor no evangelho: "Não se preocupem do amanhã" (Mt 6,34). Não pôde suportar maior espera, mas foi e distribuiu aos pobres também este pouco. Colocou sua irmã entre virgens conhecidas e de confiança, entregando-a para que a educassem.
Então dedicou todo o seu tempo à vida ascética, atento a si mesmo e vivendo de renúncia a si mesmo, perto de sua própria casa. Ainda não existiam tantas celas monásticas no Egipto, e nenhum monge conhecia sequer o longínquo deserto. Todo o que desejava enfrentar-se consigo mesmo, servindo a Cristo, praticava sozinho a vida ascética, não longe de sua aldeia. Naquele tempo havia na aldeia vizinha um ancião que desde sua juventude levava na solidão a vida ascética. Quando Antão o viu, "teve zelo pelo bem" (Gl 4,18), e se estabeleceu imediatamente na vizinhança da cidade.
Desde então, quando ouvia que em alguma parte havia uma alma esforçada, ia, como sábia abelha, buscá-la e não voltava sem havê-la visto; só depois de haver recebido, por assim dizer, provisões para sua jornada de virtude, regressava. Aí, pois, passou o tempo de sua iniciação, se afirmou sua determinação de não voltar à casa de seus pais nem de pensar em seus parentes, mas a dedicar todas as suas inclinações e energias à prática contínua da via ascética. Fazia trabalho manual pois tinha ouvido que "o que não quer trabalhar não tem direito de comer" (2 Ts 3,10). Do que recebia guardava algo para sua manutenção e o resto dava-o aos pobres. Orava constantemente, tendo aprendido que devemos orar em privado (Mt 6,6) sem cessar (Lc 18,1; 21,36; 1 Ts 5,17). Além disso, estava tão atento à leitura da Sagrada Escritura, que nada se lhe escapava: retinha tudo, e assim a sua memória lhe servia de livro.
Mas o demónio, que odeia e inveja o bem, não podia ver tal resolução num jovem, e pôs-se a empregar suas velhas tácticas também contra ele. Primeiro tratou de fazê-lo desertar da vida ascética recordando-lhe sua propriedade, o cuidado da sua irmã, os apegos da parentela, o amor do dinheiro, o amor à glória, os inumeráveis prazeres da mesa e todas as demais coisas agradáveis da vida. Finalmente apresentou-lhe a austeridade e tudo o que se segue a essa virtude, sugerindo-lhe que o corpo é fraco e o tempo é longo.
Em resumo, despertou em sua mente toda uma nuvem de argumentos, procurando fazê-lo abandonar seu firme propósito. O inimigo viu, no entanto, que era impotente em face da determinação de Antão, e que antes era ele que estava sendo vencido pela firmeza do homem, derrotado por sua sólida fé e sua constante oração. Pôs então toda a sua confiança nas armas que estão "nos músculos de seu ventre" (Jo 40,16). Jactando-se delas, pois são sua preferida artimanha contra os jovens, atacou o jovem molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que viam Antão podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois.
O inimigo queria sugerir-lhe pensamentos baixos, mas ele os dissipava com orações; procurava incitá-lo ao prazer, mas Antão, envergonhado, cingia seu corpo com sua fé, orações e jejuns. Atreveu-se então o perverso demónio a disfarçar-se em mulher e fazer-se passar por ela em todas as formas possíveis durante a noite, só para enganar a Antão. Mas ele encheu seus pensamentos de Cristo, reflectiu sobre a nobreza da alma criada por Ele, e sua espiritualidade, e assim apagou o carvão ardente da tentação. E quando de novo o inimigo lhe sugeriu o encanto sedutor do prazer, Antão, enfadado com razão, e entristecido, manteve seus propósitos com a ameaça do fogo e dos vermes (cf Jd 16,21; Sir 7,19; Is 66,24; Mc 9,48) (20). Sustentando isto no alto, como escudo, passou por tudo sem se dobrar.
Toda essa experiência levou o inimigo a envergonhar-se. Em verdade, ele, que pensara ser como Deus, fez-se louco ante a resistência de um homem. Ele, que na sua presunção desdenhava carne e sangue, foi agora derrotado por um homem de carne em sua carne. Verdadeiramente o Senhor trabalhava com este homem, Ele que por nós tornou-Se carne e deu ao Seu corpo a vitória sobre o demónio. Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer: "Não eu, mas a graça de Deus comigo" (1 Cor 15,10).
Finalmente, quando o dragão não pôde conquistar Antão nem por estes últimos meios, mas viu-se arrojado de seu coração, rangendo os seus dentes, como diz a Escritura (Mc 9,17), mudou, por assim dizer, sua pessoa. Tal como é seu coração, assim lhe apareceu: como um moço preto; e como inclinando-se diante dele, já não o molestou com pensamentos - pois o impostor tinha sido lançado fora - mas usando voz humana disse-lhe: "A muitos enganei e venci; mas agora que te ataquei a ti e a teus esforços como o fiz com tantos outros, mostrei-me demasiadamente fraco". "Quem és tu que me falas assim?", perguntou-lhe Antão. Apressou-se o outro a replicar com a voz lastimosa: "Sou o amante da fornicação. A minha missão é espreitar a juventude e seduzi-la; chamam-me o espírito de fornicação. A quantos eu enganei, decididos que estavam a cuidar de seus sentidos! A quantas pessoas castas seduzi com minhas lisonjas!
Eu sou aquele por cuja causa o profeta censura os decaídos: "Foram enganados pelos espírito da fornicação" (Os 4,12). Sim, fui eu que os levei à queda. Fui eu que tanto te molestei e tão a miúde fui vencido por ti". Antão deu, pois, graças ao Senhor e armando-se de coragem contra ele, disse: "És então inteiramente desprezível; és negro em tua alma e tão débil como um menino. Doravante já não me causas nenhuma preocupação, porque o Senhor está comigo e me auxilia: verei a derrota de meus adversários" (Sl 117, 7). Ouvindo isto, o negro desapareceu imediatamente, inclinando-se a tais palavras e temendo acercar-se do homem.
Assim dominou-se Antão a si mesmo. Decidiu então mudar-se para os sepulcros que se achavam a certa distância da aldeia. Pediu a um dos seus familiares que lhe levasse pão a longos intervalos. Entrou, pois, em uma das tumbas; o mencionado homem fechou a porta atrás dele, e assim ficou dentro sozinho. Isto era mais do que o inimigo podia suportar, pois em verdade temia que agora fosse encher também o deserto com a vida ascética. Assim chegou uma noite com um grande número de demónios e o açoitou tão implacavelmente que ficou lançado no chão, sem fala pela dor.
Afirmava que a dor era tão forte que os golpes não podiam ter sido infligidos por homem algum para causar semelhante tormento. Pela Providência de Deus - porque o Senhor não abandona os que nele esperam - seu parente chegou no dia seguinte trazendo-lhe pão. Quando abriu a porta e o viu atirado no chão como morto, levantou-o e o levou até a igreja da aldeia e o depositou sobre o solo. Muitos de seus parentes e da gente da aldeia sentaram-se em volta de Antão como para velar um cadáver. Mas pela meia-noite Antão recobrou o conhecimento e despertou. Quando viu que todos estavam dormindo e só seu amigo se achava desperto, fez-lhe sinais para que se aproximasse e pediu-lhe que o levantasse e levasse de novo para os sepulcros, sem despertar ninguém. O homem levou-o de volta, a porta foi trancada como antes e de novo ficou dentro, sozinho.
Pelos golpes recebidos estava demasiado fraco para manter-se de pé; orava então, estendido no solo. Terminada sua oração, gritou: "Aqui estou eu, Antão, que não me acovardei com teus golpes, e ainda que mais me dês, nada me separará do amor de Cristo (Rm 8,35). E começou a cantar: "Se um exército se acampar contra mim, meu coração não temerá" (Sl 26,3). Tais eram os pensamentos e palavras do asceta, mas o que odeia o bem, o inimigo assombrado de que depois de todos os golpes ainda tivesse valor para voltar, chamou seus cães e arrebatado de raiva disse: "Vêem vocês que não pudemos deter esse tipo nem com o espírito de fornicação nem com os golpes; ao contrário, chega até a desafiar-nos. Vamos proceder contra ele de outro modo". A função de malfeitor não é difícil para o demónio.
Essa noite, por isso, fizeram tal estrépito que o lugar parecia sacudido por um terremoto. Era como se os demónios abrissem passagens pelas quatro paredes do recinto, invadindo impetuosamente através delas em forma de bestas ferozes e répteis. De repente todo o lugar se encheu de imagens fantasmagóricas de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos; cada qual se movia segundo o exemplar que havia assumido. O leão rugia, pronto a saltar sobre ele; o touro, quase a atravessá-lo com os chifres; a serpente retorcia-se sem o alcançar completamente; o lobo acometia-o de frente. E a gritaria armada simultaneamente por todas essas aparições era espantosa, e a fúria que mostravam, feroz.
Antão, atormentado e pungido por eles, sentia aumentar a dor em seu corpo; no entanto, permanecia sem medo e com o espírito vigilante. Gemia, é verdade, pela dor que atormentava seu corpo, mas a mente era senhora da situação e, como por debique, dizia-lhes: "Se tivessem poder sobre mim, teria bastado que viesse um só de vocês; mas o Senhor lhes tirou a força e por isso se esforçam em fazer-me perder o juízo com seu número; é sinal de fraqueza terem de imitar animais ferozes". De novo teve a valentia de dizer-lhes: "Se é que podem, se é que receberam poder sobre mim, não se demorem, venham ao ataque! E se nada podem, para que esforçar-se tanto sem nenhum fim? Porque a fé em Nosso Senhor é selo para nós e muro de salvação". Assim, depois de haver intentado muitas argúcias, rangeram os dentes contra ele, porque eram eles próprios que estavam ficando loucos e não ele.
De novo o Senhor não se esqueceu de Antão na sua luta, mas veio ajudá-lo. Quando olhou para cima, viu como se o tecto se abrisse e um raio de luz baixasse até ele. Foram-se os demónios de repente, cessou-lhe a dor do corpo, e o edifício estava restaurado como antes. Notando que a ajuda chegara, Antão respirou livremente e sentiu-se aliviado das suas dores. E perguntou à visão: "onde estavas tu? Por que não aparecestes no começo para deter minhas dores?" E uma voz lhe falou: "Antão, eu estava aqui, mas esperava ver-te enquanto agias. E agora, porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte". Ouvindo isto, levantou-se e orou: e ficou tão fortalecido que sentiu o seu corpo mais vigoroso que antes. Tinha por aquele tempo uns trinta e cinco anos de idade”.
Santo Atanásio in 'Vida de Santo Antão'
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
Noruega: 500 anos depois, os Monges estão de volta
A Noruega, onde o Luteranismo varreu a Igreja no séc. XVI, é actualmente um dos países mais ateus do Mundo. Muitas ruínas de abadias e mosteiros católicos, destruídos durante a revolta protestante, continuam a dar um testemunho silencioso da fé.
Uma delas é a antiga abadia cisterciense de Munkeby, a norte de Trondheim, onde os monges regressaram, 500 anos depois. A abadia foi originalmente fundada por monges ingleses que viajaram até à Noruega para rezar no túmulo de São Olavo.
Em 2007, a abadia trapista de Cîteaux, em França, decidiu construir um novo mosteiro trapista em Munkeby, conhecido localmente como Munkeby Mariakloster, perto das ruínas da antiga abadia.
Em 2009, a abadia enviou quatro monges para Munkeby, incluindo os seus dois irmãos professos mais jovens. O novo mosteiro não poderia ser construído sobre as ruínas da antiga abadia por razões práticas e históricas, mas os monges encontraram um local adequado a uma curta distância. A igreja do mosteiro foi consagrada no dia 5 de Dezembro.
in gloria.tv
Dia dos Mártires de Marrocos
Berardo, Otão, Pedro, Acúrsio e Adjuto foram os primeiros missionários enviados por São Francisco às terras dos sarracenos. Naturais de Narni (Itália), abraçaram o exemplo de vida de Francisco de Assis e ingressaram na Ordem dos Frades Menores. Partindo de Assis em 1219, passaram por Coimbra, onde tiveram a possibilidade de conhecer o Cónego Regrante Fernando de Bulhões (o futuro Santo António).
De passagem por Sevilha, desprezando o perigo, começaram a pregar a fé de Cristo nas mesquitas. Conduzidos perante o sultão, foram encarcerados e, depois, transferidos para Marrocos com a ordem de não pregar mais o nome de Cristo.Eles, porém, continuaram com grande coragem a anunciar o Evangelho. Por isso, foram presos e cruelmente torturados e, finalmente, decapitados em Marraquexe, a 16 de Janeiro de 1220.
Os restos mortais (as relíquias) dos Santos Mártires trazidos pelo Infante D. Pedro para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, foram acolhidos por grande multidão de fiéis, que lhes atribuiu uma singela veneração. Foi o corajoso exemplo de fé destes irmãos que motivou Santo António a mudar de vida e a ingressar na nascente Ordem franciscana.
Ao receber o anúncio do glorioso martírio, São Francisco exclamou: “Agora posso dizer com certeza que tenho cinco verdadeiros frades menores”. Os mártires foram canonizados pelo Papa Sisto IV, em 1481.
Franciscanos em Coimbra
Seis anos após a sua conversão, São Francisco obteve, do Papa Inocêncio IX, a aprovação verbal da fraternidade dos Frades Menores. Inflamado pelo desejo de dar a vida pelo Evangelho, decidiu ir à Síria para pregar a fé e a penitência aos muçulmanos, mas as primeiras tentativas não tiveram êxito. Entretanto, em 1217, enviou os seus frades em missão para todas as principais nações europeias. No Pentecostes de 1219, Francisco enviou também os frades Vidal, Berardo, Otão, Pedro, Acúrsio e Adjuto, para pregar o Evangelho aos sarracenos marroquinos, enquanto ele optou por se juntar aos cruzados que se dirigiam à Palestina, a fim de visitar os lugares sagrados e pregar o Evangelho ao Sultão do Egipto.
Os seis missionários chegaram a Espanha. Entrados no reino de Aragão, Vidal, líder da expedição, ficou doente e teve que interromper a sua viagem. Todavia os outros, chefiados agora por frei Berardo, prosseguiram a viagem. Chegados a Coimbra, a rainha D. Urraca, esposa de D. Afonso II, recebeu-os com carinho. Nesta cidade, tiveram a oportunidade de visitar o Mosteiro de Santa Cruz e de conhecer Santo António, então cónego Regrante de nome Fernando Martins de Bulhões.
A caminho de Marrocos
Prosseguindo a viagem, ficaram hospedados no convento de Alenquer, beneficiando da ajuda da Infanta Sancha, irmã do rei, que lhes forneceu roupas para facilitar o seu trabalho apostólico entre os muçulmanos.
Assim vestidos, eles embarcaram para a cidade de Sevilha, na época a capital dos reis mouros. Destemidos, eles foram logo para a mesquita principal e começaram a pregar o Evangelho e a conversão das pessoas. Tidos por tolos, foram presos, espancados e conduzidos ao palácio do Sultão que os escutou com relutância; mas, quando ouviu falar de Maomé como um falso profeta, ficou furioso e ordenou que fossem metidos na prisão. Depois de alguns dias, o Sultão mandou-os chamar e, ouvindo que eles queriam ir para Marrocos, satisfez o seu pedido e fê-los embarcar para lá.
Pregação e Martírio
Chegados a Marrocos, menosprezando os conselhos do Infante D. Pedro, os frades começaram logo a pregar a fé cristã e a criticar Maomé e o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. O rei Miramolim expulsou-os da cidade, ordenando que fossem enviados de volta às terras cristãs. Mas os frades, assim que foram libertados, voltaram prontamente à cidade e retomaram a pregação na praça pública. O rei ficou enfurecido e mandou-os lançar numa cela escura para perecerem de fome e sofrimento. Aconteceu, porém, que, após três semanas de jejum, eles foram soltos em melhores condições do que antes. O próprio Miramolim ficou deveras surpreendido. Entretanto, providenciou, pela segunda vez, para que fossem enviados de volta para Espanha, mas eles conseguiram novamente escapar e voltaram a pregar, até que o Infante português os deteve na sua residência sob vigilância, temendo que o seu zelo excessivo pudesse afetar os outros membros cristãos da sua comitiva.
Porém, apesar da proibição do rei, os frades continuaram a pregar o Evangelho. Então, foram novamente presos e açoitados. Depois, foram entregues à populaça, para vingar os insultos que tinham proferido contra Maomé; em seguida, foram flagelados nas encruzilhadas das ruas e arrastados sobre pedaços de vidro e cacos de vasos partidos. Nas feridas abertas, foram deitados sal e vinagre misturados com óleo a ferver; mas eles suportaram todos esses suplícios com tanta força de ânimo, que pareciam impassíveis. Então, Miramolim, admirado por tanta paciência e resignação, tentou convencê-los a abraçar o Islão, prometendo riquezas, honras e prazeres. Mas os cinco frades rejeitaram também as cinco raparigas, oferecidas como esposas, e continuaram destemidos a exaltar a religião cristã.
A este ponto, Miramolim não aguentou mais tanta aversão e, cheio de raiva, puxou da sua cimitarra e decapitou os cinco intrépidos confessores da fé: era o dia 16 de Janeiro de 1220.
As relíquias são trazidas para Santa Cruz, em Coimbra
Os corpos e as cabeças dos mártires foram arrastados pelas ruas da cidade e finalmente lançados nomonturo da cidade, presa de cães e pássaros. Uma tempestade providencial, no entanto, levou os animais a fugir e permitiu que os cristãos recuperassem os restos dos frades e os transportassem para a residência do Infante D. Pedro. De regresso a Portugal, o Infante trouxe consigo as preciosas relíquias destinadas ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
Ao ouvir a notícia do martírio de seus cinco confrades, São Francisco exclamou: “Agora posso dizer que tenho verdadeiramente cinco frades menores”.
O fruto mais saboroso do seu martírio foi, porém, a mudança de vida que provocaram no monge Fernando Martins de Bulhões que, animado pelo mesmo zelo, decidiu seguir o seu exemplo, entrando na Ordem dos Frades Menores.
Os mártires foram canonizados pelo Papa Sisto IV em 1481, enquanto frei António (de Lisboa, de Coimbra, de Pádua e de todo o mundo) logo depois da sua morte, ocorrida em Pádua a 13 de Junho de 1231, foi proclamado santo, a 30 de maio de 1232.
in santoantonio.live
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
São Paulo, o primeiro eremita
São Paulo, eremita, foi um dos primeiros a abraçar a vida monástica (séc. IV). A vida deste santo foi escrita pelo grande sábio São Jerónimo, no ano 400. Nasceu no ano 228, em Tebaida (hoje Egipto), uma região que fica junto ao rio Nilo e que tinha por capital a cidade de Tebas. Foi bem educado pelos seus pais, aprendeu grego e bastante cultura egípcia. Mas aos 14 anos ficou órfão. Era bondoso e muito piedoso. E amava enormemente a sua religião.
No ano 250 estalou a perseguição do Imperador Décio. Paulo viu-se ante estes dois perigos: ou negar a sua Fé e conservar suas quintas e casas, ou ser atormentado com tão diabólica astúcia que o conseguissem acobardar e o fizessem passar para o paganismo para não perder seus bens e não ter que sofrer mais torturas.
Como via que muitos cristãos negavam a Fé por medo, e ele não se sentia com a suficiente força de vontade para ser capaz de sofrer toda classe de tormentos sem renunciar à sua crença, dispôs-se a esconder-se. Era prudente. Mas um seu cunhado que desejava ficar com os seus bens denunciou-o às autoridades. Então Paulo fugiu para o deserto. Lá encontrou umas cavernas onde vários séculos antes os escravos da rainha Cleópatra fabricavam moedas. Escolheu por vivenda uma dessas covas, perto da qual havia uma fonte de água e uma palmeira. As folhas da palmeira proporcionavam-lhe vestes. Os seus frutos serviam-lhe de alimento. E a fonte de água acalmava-lhe a sede.
No princípio o pensamento de Paulo era ficar por ali unicamente o tempo que durasse a perseguição, mas logo se deu conta de que na solidão do deserto podia falar tranquilamente a Deus e escutar tão claramente as mensagens que Ele lhe enviava, que decidiu ficar ali para sempre e não voltar jamais à cidade onde tantos perigos havia de ofender a Nosso Senhor.
Propôs-se ajudar o mundo não com negócios e palavras, mas com penitências e oração pela conversão dos pecadores. Disse São Jerónimo que quando a palmeira não tinha fruto, cada dia vinha um corvo e lhe trazia meio pão, e com isso vivia o nosso santo ermitão (a Igreja chama ermitão ao que para sua vida numa "ermida", ou seja numa habitação solitária e retirada do mundo e de outras habitações).
Depois de passar ali no deserto orando, jejuando, meditando, por mais de setenta anos seguidos, já acreditava que morreria sem voltar a ver rosto humano algum, e sem ser conhecido por ninguém, quando Deus dispôs cumprir aquela palavra que disse Cristo: "Todo o que se humilha será exaltado" e sucedeu que naquele deserto havia outro ermitão que fazia penitência. Era Santo António Abade. E uma vez a este santo lhe veio a tentação de crer que ele era o ermitão mais antigo que havia no mundo, e uma noite ouviu em sonhos que lhe diziam: "Há outro penitente mais antigo que tu. Empreende a viagem e o lograrás encontrar."
António madrugou para partir de viagem e depois de caminhar horas e horas chegou à porta da cova onde vivia Paulo. Este, ao ouvir ruído lá fora, acreditou que era uma fera que se acercava, e tapou a entrada com uma pedra. António chamou durante muito longo tempo suplicando-lhe que movesse a pedra para poder saudá-lo. Por fim, Paulo saiu e os dois santos, sem se haverem visto antes, saudaram-se cada um pelo seu respectivo nome. Logo se ajoelharam e deram graças a Deus. E nesse momento chegou o corvo trazendo um pão inteiro.
Então Paulo exclamou: "Vê como Deus é bom. Cada dia me manda meio pão, mas como hoje vieste tu, o Senhor envia um pão inteiro." Puseram-se a discutir quem devia partir o pão, porque esta honra correspondia ao mais digno. E cada um se cria mais indigno que o outro. Por fim decidiram que o partiriam tirando cada um de um extremo do pão. Depois desceram à fonte e beberam água cristalina. Era todo o alimento que tomavam em 24 horas. Meio pão e um pouco de água. E depois de conversarem de coisas espirituais, passaram toda a noite em oração. Na manhã seguinte Paulo anunciou a António que sentia que ia a morrer e lhe disse: "Vai ao teu mosteiro e traz-me o manto que Santo Atanásio, o grande bispo, te deu. Quero que me amortalhem com esse manto".
Santo António admirou-se de que Paulo soubesse que Santo Atanásio lhe havia dado esse manto, e foi buscá-lo. Mas temia que ao voltar o pudesse encontrar já morto. Quando já vinha de volta, contemplou numa visão que a alma de Paulo subia ao céu rodeado de apóstolos e de anjos. E exclamou: "Paulo, Paulo, por que te foste sem me dizer adeus?". (Depois António dirá aos seus monges: "Eu sou um pobre pecador, mas no deserto conheci a um que era tão santo como um João Baptista: era Paulo, o ermitão"). Quando chegou à cova encontrou o cadáver do santo, ajoelhado, com os olhos dirigidos para o Céu e os braços em cruz. Parecia que estivesse rezando, mas ao não ouvi-lo nem sequer respirar, acercou-se e viu que estava morto.
Morreu na ocupação à qual havia dedicado a maior parte das horas da sua vida: orar ao Senhor. António perguntava-se como faria para cavar uma sepultura ali, se não tinha ferramentas. Mas logo ouviu que se acercavam dois leões, como com mostras de tristeza e respeito, e eles, com as suas garras cavaram um túmulo entre a areia e foram embora. E ali depositou Santo António o cadáver do seu amigo Paulo. São Paulo morreu no ano 342 quando tinha 113 anos de idade e quando levava 90 anos orando e fazendo penitência no deserto pela salvação do mundo. É chamado o primeiro ermitão, por haver sido o primeiro que foi para um deserto a viver totalmente retirado do mundo, dedicado à oração e à meditação.
Santo António conservou sempre com enorme respeito a vestidura de São Paulo feita de folhas de palmeira, e ele mesmo se revestia com ela nas grandes festividades. São Jerónimo dizia: "Se o Senhor me pusesse a escolher, eu preferiria a pobre túnica de folhas de palmeira com a qual se cobria Paulo o ermitão, porque ele era um santo, e não o luxuoso manto com o qual se vestem os reis tão cheios de orgulho". São Paulo com a sua vida de silêncio, oração e meditação no meio do deserto, motivou muitos a afastar-se do mundo e a dedicar-se com mais seriedade na solidão a buscar a satisfação e a eterna salvação.
in Pale Ideas
domingo, 14 de janeiro de 2024
Santo Hilário de Poitiers, o Atanásio do Ocidente
Santo Hilário foi Bispo e é Doutor da Igreja. Lutou tenazmente contra os hereges arianos, que negavam a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi por isso chamado “o Atanásio do Ocidente”.
De nacionalidade francesa, era de família rica e pagã, recebeu educação e instrução privilegiadas. Durante anos tentou encontrar na filosofia as respostas para as suas questões em busca da Verdade. Mas só as encontrou no Evangelho e converteu-se ao Cristianismo.
Foi baptizado aos trinta anos de idade, juntamente com a esposa e a filha, Abrè, a quem amava ternamente. A partir de então passou a levar uma vida familiar guiada pelos preceitos cristãos. Este era um período de paz externa para a Igreja, que precisava de se fortalecer no seu interior. Mas que, no entanto, se apresentava cheia de pequenas rupturas internas, provocadas principalmente pela "heresia ariana", uma doutrina que negava a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Foi justamente pela vida exemplar que levava, assim como pelos conhecimentos intelectuais e espirituais, que o clero e o povo o convidaram para ser Bispo. Era uma decisão difícil, pois um Bispo tinha, obrigatoriamente, que abandonar a família para abraçar a sua missão. Mas não vacilou e aceitou a incumbência e os desafios que lhe trazia. Foi sagrado Bispo de Poitiers e lutou vigorosamente contra o arianismo. Debate após debate com os hereges a sua defesa da Fé foi-se tornando conhecida e o respeito pela sua missão cada vez maior.
Foi por este motivo chamado "o Atanásio do Ocidente". Como ele, Hilário foi perseguido pelos imperadores e sofreu o exílio. Enviado para o Oriente, não se sentiu derrotado e aproveitou para estudar o grego e conhecer as comunidades cristãs mais antigas e os ensinamentos dos maiores sábios da Igreja.
Corajoso, durante o exílio de cinco anos, escreveu livros contra os imperadores Constâncio e Auxêncio. Foi também autor de diversas obras: sobre a Santíssima Trindade, comentários sobre os Salmos e algumas obras cujos textos interpretou. Contribuindo intensamente para o desenvolvimento da teologia da revelação.
Hilário ficou muito impressionado pela liturgia oriental. Compôs hinos litúrgicos para familiarizar os fiéis com a teologia e mantê-los mais intimamente unidos às celebrações. Pastor zeloso, procurou, ao retornar para a sua diocese em França, oferecer ao seu rebanho o que de melhor aprendera neste período de exílio. Mas nem por isso esqueceu a família, tendo oficiado o matrimónio da própria filha. A sua esposa ingressou num mosteiro, com o seu auxílio e aprovação.
Há uma frase sua que demonstra bem a coragem e a valentia com que viveu e actuou, enfrentando hereges e poderosos: "Enganam-se os que acreditam que me farão calar. Falarei pelos escritos e a palavra de Deus, que ninguém pode aprisionar, voará livre".
Faleceu no ano de 367 e passou a ser venerado como santo logo após o seu último suspiro. O Papa Pio IX canonizou-o e honrou-o com o título de "Doutor da Igreja".
in Pale Ideas
sábado, 13 de janeiro de 2024
O diabo não é um deus do mal mas uma criatura limitada
As possessões demoníacas são comuns?
A acção comum é a tentação, a possessão não é comum. A tentação induz-nos ao mal, todos as sofremos e no Pai Nosso dizemos todos os dias “livrai-nos do Mal”, ou seja, do Maligno. A acção normal do demónio é a tentação. Uma acção extraordinária, mas possível, é a possessão.
Esses fenómenos têm aumentado nos últimos anos?
É difícil dizer se os casos têm aumentado nos últimos anos, porque, infelizmente, destes problemas não se fala muito. Poderíamos dizer que o fenómeno é hoje mais reconhecido, enquanto que houve um tempo em que tudo se explicava com causas psicológicas. É necessário distinguir. É verdade que vivemos em uma sociedade muito secularizada, na qual, mais do que antes, se abre a porta ao ocultismo, ao esoterismo, às práticas mágicas: isso pode ter uma influência real com posteriores casos de possessão. Os casos de possessão não aumentaram de modo exagerado, mas, certamente, há uma tendência a aumentar, por causa da distância de Deus e, especialmente, por causa de práticas mágicas e de superstições neo-pagãs, que são uma porta para a acção diabólica.
Quais podem ser as causas de possessão demoníaca?
Às vezes, as causas não são compreensíveis. O diabo também agiu sobre grandes santos, como no caso do Pe. Pio ou do Cura d'Ars, que tiveram fortes lutas físicas com o diabo, mas a causa mais comum é culturar quem não é Deus: os ídolos, os poderes mágicos, Satanás nas seitas satânicas... Ocultismo e magia são as primeiras causas.
A palavra-chave, no entanto, é sempre 'discernimento', saber discernir, como diz o Papa, tentando falar com a pessoa, tentando avaliar a sua história, as possíveis causas de tipo psiquiátrico e psicológico: se estas forem excluídas e a pessoa se sente assediada pelo demónio, então, é bom que faça uma oração de libertação (que não é um exorcismo), ou um exorcismo mesmo, se se vê uma certa violência no ataque maléfico.
Antes de entrar em contacto com os médicos ou os sacerdotes, como é que uma pessoa nota uma influência maligna? Quais são as manifestações e sintomas?
A pessoa às vezes não percebe de imediato a causa porque experimenta um desconforto forte. Diz que se sente habitada por uma pessoa que não é ela própria. No início não é fácil dar-se conta, nem sequer para aqueles que a rodeiam: comportamentos que não são normais, nem sempre se reduzem à acção maléfica, mas, vendo que o problema persiste e não encontra uma solução nos meios normais a disposição, às vezes a pessoa dirige-se a um sacerdote.
O sacerdote, muitas vezes, não sabe o que fazer, mas um sacerdote com uma certa formação neste campo pode intuir que possa tratar-se de uma influência maléfica e, neste caso, aconselhar um exorcista. Pela prática de exorcismo, o exorcista percebe rapidamente se a pessoa está à mercê do poder do diabo, por exemplo, se diante de símbolos sagrados existem reacções violentas, compulsivas, não normais: a angústia diante do sagrado não é normal. A Igreja acrescenta depois outros sinais: a pessoa pode falar línguas que não conhece, ou até sentir-se habitada por uma outra realidade pessoal, apesar de não ter problemas de múltipla personalidade.
Qual é a diferença entre o exorcismo e oração de libertação?
Às vezes, é bom que, antes do exorcismo, se façam orações de libertação: são orações não "exorcísticas" na qual se reza para que a pessoa seja libertada do mal e da possível influência do mal. Se isso funciona, o exorcismo é muito mais forte, porque no sacramental se pede pelo poder de Cristo e no nome de Cristo, enviado pelo Pai para derrotar o Maligno, para que a pessoa seja libertada. Alguns exorcistas aplicam directamente o exorcismo, outros preferem fazer antes as orações de libertação. A Igreja pede cautela ao exorcista. Há sempre uma espécie de "intuito espiritual", a graça de estado que o exorcista tem para perceber se a pessoa tem ou não necessidade de um exorcismo.
Por que é que durante muitos anos, até mesmo dentro da própria Igreja, o diabo foi quase esquecido?
Criou-se, talvez, uma espécie de racionalização da teologia: o que não se entendia e o que parecia que não fosse científico, foi deixado de fora: os casos em que se falava no Evangelho de exorcismos de Jesus foram transformados em doenças psicológicas. Tentou-se reduzir os mesmos milagres a causas científicas, a tal ponto que, quando Paulo VI, num famoso discurso em 1972, disse: "Parece que por alguma abertura o demónio entrou no templo de Deus”, foi uma notícia que girou o mundo porque falava do diabo.
Hoje o Papa Francisco fala muitas vezes e ninguém se assusta, mas em 1972 era diferente, porque tinha-se criado uma espécie de “falta de fé” nesse aspecto, o que correspondeu a uma pastoral que não nomeou exorcistas. Os casos de possessão, no entanto, continuavam e as pessoas não sabiam a quem dirigir-se. Agora voltou-se a fazer exorcismos de uma forma mais natural, a Igreja sempre os fez.
Como é necessário apresentar a acção do demónio para um crente?
Do ponto de vista de um crente, não precisa ter medo do demónio, porque Deus é mais forte. Deus permite que o demónio possa agir também de forma extraordinária, tanto é que todos os dias no Pai Nosso rezamos “livrai-nos do Mal”, ou seja, do Maligno. A Igreja sempre acreditou na acção do demónio, que, porém, sempre foi limitada pela acção de Deus: o demónio não é um Deus do mal, é uma criatura limitada: tem um certo poder, mas não tem significado com relação a Deus.
in Zenit
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
Profissão de Fé do Concílio de Trento
994. Eu N. creio firmemente e confesso tudo o que contém o Símbolo da fé usado pela Santa Igreja Romana, a saber: Creio em um só Deus, Pai Omnipotente, ...
995. Aceito e abraço firmemente as tradições apostólicas e eclesiásticas, bem como as demais observâncias e constituições da mesma Igreja. Admito também a Sagrada Escritura naquele sentido em que é interpretada pela Santa Madre Igreja, a quem pertence julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras. E jamais aceitá-la-ei e interpretá-la-ei senão conforme o consenso unânime dos Padres.
996. Confesso também que são sete os verdadeiros e próprios sacramentos da Nova Lei, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, embora nem todos para cada um necessários, porém para a salvação do género humano. São eles: Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimónio, os quais conferem a graça; mas não sem sacrilégio se fará a reiteração do Baptismo, da Confirmação e da Ordem. Da mesma forma aceito e admito os ritos da Igreja Católica recebidos e aprovados para a administração solene de todos os supracitados sacramentos. Abraço e recebo tudo o que foi definido e declarado no Concílio Tridentino sobre o pecado original e a justificação.
997. Confesso outrossim que na Missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro, próprio e propiciatório pelos vivos e defuntos, e que no santo sacramento da Eucaristia estão verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, operando-se a conversão de toda a substância do pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue; conversão esta chamada pela Igreja de transubstanciação. Confesso também que sob uma só espécie se recebe o Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento.
998. Sustento sempre que há um purgatório, e que as almas aí retidas podem ser socorridas pelos sufrágios dos fiéis; que os Santos, que reinam com Cristo, também devem ser invocados; que eles oferecem suas orações por nós, e que suas relíquias devem ser veneradas. Firmemente declaro que se devem ter e conservar as imagens de Cristo, da sempre Virgem Mãe de Deus, como também as dos outros Santos, e a eles se deve honra e veneração. Sustento que o poder de conceder indulgências foi deixado por Cristo à Igreja, e que o seu uso é muito salutar para os fiéis cristãos.
999. Reconheço a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, como Mestra e Mãe de todas as Igrejas. Prometo e Juro prestar verdadeira obediência ao Romano Pontífice, Sucessor de S. Pedro, príncipe dos Apóstolos e Vigário de Jesus Cristo.
1000. Da mesma forma aceito e confesso indubitavelmente tudo o mais que foi determinado, definido e declarado pelos sagrados cânones, pelos Concílios Ecuménicos, especialmente pelo santo Concílio Tridentino (e pelo Concílio Ecuménico do Vaticano, principalmente no que se refere ao Primado do Romano Pontífice e ao Magistério infalível). Condeno ao mesmo tempo, rejeito e anatematizo as doutrinas contrárias e todas as heresias condenadas, rejeitadas e anatematizadas pela Igreja.
Eu mesmo, N., prometo e juro com o auxílio de Deus conservar e professar íntegra e imaculada até ao fim de minha vida esta verdadeira fé católica, fora da qual não pode haver salvação, e que agora livremente professo. E quanto em mim estiver, cuidarei que seja mantida, ensinada e pregada a meus súbditos ou àqueles, cujo cuidado por ofício me foi confiado. Que para isto me ajudem Deus e estes santos Evangelhos!
Eu mesmo, N., prometo e juro com o auxílio de Deus conservar e professar íntegra e imaculada até ao fim de minha vida esta verdadeira fé católica, fora da qual não pode haver salvação, e que agora livremente professo. E quanto em mim estiver, cuidarei que seja mantida, ensinada e pregada a meus súbditos ou àqueles, cujo cuidado por ofício me foi confiado. Que para isto me ajudem Deus e estes santos Evangelhos!
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
"Muitas vezes"
Perguntei ao Cardeal Pell, poucos dias antes que morresse, se ele, e outros membros do Colégio Cardinalício, alguma vez tinham pedido, em privado, ao Papa Francisco para mudar de direcção e defender a doutrina e a tradição apostólica. O Cardeal respondeu, "Duas palavras: Muitas vezes".
(Edward Pentin, Vaticanista)
Franceses preferem ter sucesso na Família do que na profissão
Fundar uma família e viver rodeado de pessoas amadas e que nos amam é a essência da realização pessoal para 26% (primeiro ponto) e 23% (segundo) dos franceses, segundo um inquérito da conceituada empresa Harris, noticiou o jornal “Le Fígaro” de Paris. As percentagens cumulativas são praticamente 50%.
No que é que consiste o sucesso na vida? Em ter uma carreira brilhante? Em encontrar um trabalho apaixonante? Em ter uma conta bancária bem recheada? Nada disso.
A família e os amigos são os principais critérios de uma vida bem sucedida para um francês em cada dois. Fundar uma família e viver rodeado de pessoas amadas e que nos amam é a essência da realização pessoal para mais de 49% dos franceses, segundo o inquérito de numa base de 1501 franceses com 18 anos ou mais.
Ter sucesso mundano como artista de cinema ou desportista da capa dos jornais jamais foi bem visto numa França que, contra todas as aparências, continua subconscientemente impregnada pela mentalidade católica e que desconfia do dinheiro.
Só 12% dos inquiridos põe na frente ganhar bem e só 5% acha que o amor pela profissão seja uma medida da realização. A vida profissional só é citada para dizer que deve estar a serviço da vida familiar. O equilíbrio entre as duas é muito importante para 18% dos consultados.
São muitos os franceses que acham que seus ordenados não são equitativos em relação ao seu esforço e que não recebem o reconhecimento que merecem.
Porém, a família é o refúgio tranquilizador nos tempos de crise, malgrado aos investigadores nunca lhes ter ocorrido “considerá-la como um critério de realização pessoal”, registrou Jean-Daniel Lévy, director da secção política e opinião de Harris Interactive.
“Fazer carreira” é fonte de ansiedade e de críticas à vida profissional. “Isso explica o desejo de passar para empregos aparentemente menos prometedores e menos remuneradores”. Essa tendência põe em primeiro lugar a felicidade familiar, sobretudo entre aqueles que já conseguiram reunir algum dinheiro.
A propriedade privada vem logo a seguir, sobretudo do lar. “O trabalho não é o ambiente onde as pessoas se sentem mais bem compreendidas”, explica o sociólogo François de Singly.
“Após a ruptura de Maio de 68, achava-se que a família tinha perdido a sua centralidade, mas, de facto, ela continuar a ser o lugar privilegiado para as pessoas se expressarem como lhes apraz”.
Do ponto de vista econômico, a preocupação dominante é ganhar o necessário para viver, segundo 80% dos inquiridos. Mas, do ponto de vista das posses, o mais prezado é possuir o próprio lar. Essa posse é valorizada como o símbolo de ter atingido um patrimônio financeiro importante, muito mais do que qualquer outro.
in 'Valores inegociáveis: respeito à vida, à família e à religião' |
quarta-feira, 10 de janeiro de 2024
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
Descoberto livro pornográfico escrito pelo agora Cardeal Fernandez
Mais um escândalo a envolver o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), Cardeal 'Tucho' Fernandez. Soube-se agora que, em 1998, escreveu um livro com conteúdo pornográfico.
Fernandez era já conhecido como o "Teólogo do beijo", porque em 1995, já sacerdote (há 9 anos), escreveu um livro sobre a arte de beijar, um livro de teor erótico. Isto só por si já teria sido razão para ser expulso da CDF (ou nunca ter sido nomeado). Mas o livro agora revelado, chamado "La Pasíon Mística" é ainda mais imoral e especialmente grave por ter sido escrito por um sacerdote.
A obra debruça-se com bastante detalhe sobre "a estrada para o orgasmo" (masculino e feminino), não se eximindo de falar de pornografia violenta.
A dada altura, o autor descreve uma cena em que uma jovem (menor de idade) se envolve com Nosso Senhor, quando O encontra à beira de um lago, O beija (na boca), acaricia, etc.
Alguém acha que um homem destes tem condições para continuar a ser o Prefeita da CDF?
segunda-feira, 8 de janeiro de 2024
Só odeia a Igreja quem não a conhece
Bispos escrevem carta pastoral a dizer que Missa Nova é algo diferente
O Bispo da diocese norte-americana de Great Falls-Billings, Jeffrey Fleming, que tomou posse em Agosto de 2023, e o seu antecessor Michael Warfal, que assinou uma declaração de 2022 contra os Bispos alemães, escreveram uma carta pastoral conjunta de 28 páginas, insinuando que a Missa Nova (imposta em 1970) é algo diferente do que se afirma nos livros litúrgicos. A carta afirma que:
- Na Missa Nova, a Comunhão deve ser recebida de pé e "não se devem colocar genuflexórios";
- A Missa (Nova) deve ser celebrada de frente para os homens e não de frente para Deus;
- O latim deve ser evitado, embora os documentos do Concílio Vaticano II digam o contrário.
Além disso, a carta nunca usa o termo "Sacrifício da Missa" e evita o termo "sacerdote", falando antes de "Liturgia Eucarística" [que é apenas um aspecto limitado da Missa] e de "presidente", sublinhando assim que o Rito Romano Tradicional e o Novus Ordo são duas coisas diferentes.
Nos últimos 7 anos, apenas 2 padres foram ordenados na diocese de Great Falls.
domingo, 7 de janeiro de 2024
Domingo depois da Epifania é o dia da Sagrada Família
Foi o Papa Leão XIII quem instituiu esta festa, para, diz ele, ao desregramento dos costumes criado pelo Liberalismo, opor a austeridade do lar de Nazaré.
Nessa risonha cidadezinha da Galileia, viviam do trabalho honesto de S. José, o Deus Menino e a mais pura das criaturas saídas das mãos de Deus, Maria Santíssima. Viviam todos de dedicações e renúncias, obedecendo à ordem normal estabelecida por Deus na primeira sociedade oriunda da própria natureza, a Família.
Jesus obedecia a Maria e a José, e aquela seguia a orientação deste, o chefe da casa. E nesta ordem, nesta renúncia, neste amor mantinha-se a coesão do lar e a felicidade de todos. Família modelar feita por Deus como protótipo de todos os lares bem formados.
Oxalá fossem as intenções do Papa atendidas! Não teríamos progredido no egoísmo liberal até aos seus mais lídimos frutos.
Estamos cansados de ouvir dizer que a Família é a célula da sociedade. De onde aprendemos que a defesa da sociedade está na defesa da Família. E ao Estado nada mais interessa do que amparar e fomentar os laços que tornem mais sólidos os vínculos familiares, e impedir ou destruir ou dificultar o mais possível as causas que enfraquecem ou destroem a união dos membros da família.
Trata-se de uma autodefesa, pois a morte da família acarreta a morte do Estado, melhor da sociedade civil que mereça esse nome. Pois que a destruição da família deixa o indivíduo inerme diante do alvedrio tirânico de um Estado absorvente. Segundo a ordem natural das coisas, é a família o alicerce da sociedade maior, a sociedade civil, enquanto ela se distingue especialmente de uma aglomerado de animais, ou seja, enquanto ela é civil, isto é humana. De onde destruída a família, não se mantém mais a sociedade civil. Os laços que unirão os homens num mesmo lugar perderão aquela unção humana própria da nossa espécie.
O que quer dizer que todos devemos nos empenhar por defender a família. Infelizmente não é ao que assistimos. Por toda parte fomentam-se os factores desagregadores da família. Em todo lugar alimenta-se de todos os modos a paixão que exacerba o egoísmo, inimigo de toda dedicação, ou seja da união familiar, feita de renúncias e dedicações.
E como se isso não bastasse uma instabilidade económica que deixa as classes menos favorecidas na incerteza do dia de amanhã. Desde que o momento é denominado pela preocupação económica, ao menos que se firmem salários e custo de vida, de maneira que, sarado este mal, se possa cuidar dos outros factores da estabilidade do lar, ou melhor de expurgar a sociedade dos factores dissolventes da vida familiar.
D. António de Castro Mayer (+1991), Bispo de Campos (Brasil)
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