quinta-feira, 10 de outubro de 2024

66 anos da morte do Papa Pio XII, Eugenio Pacelli



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Dia de São Francisco de Borja

Glória da nobreza espanhola e da Companhia de Jesus. Grande de Espanha, Marquês de Lombay, Duque de Gândia, Vice-rei da Catalunha, Geral da Companhia de Jesus, iluminou a sua época com invulgar sabedoria política e altas virtudes.

O pequeno Ducado de Gândia, pertencente ao Reino de Valência, era governado no início do século XVI por Dom João de Borja. A sua mãe, viúva pela segunda vez aos 18 anos, logo que o filho pôde administrar o Ducado, retirou-se aos 33 anos de idade para o mosteiro de las Descalzas, como vulgarmente são denominadas em Espanha as monjas clarissas. Lá já se encontrava a sua filha Isabel, que edificava por causa da sua virtude.

Dom João era casado com Dona Joana de Aragão, neta, por um ramo bastardo, do Rei Fernando de Aragão, esposo de Isabel, a Católica. Expulsando os mouros de Granada, no mesmo ano em que promoviam a descoberta da América, esses soberanos puseram fim a oito séculos de dominação moura em Espanha.

Francisco, primogénito dos Duques de Gândia, nascido a 28 de Outubro de 1510, deveu à mãe a sua precoce piedade. Dona Joana tinha especial predilecção por ele, devido ao seu bom temperamento e natural inclinação à virtude. Não descuidando em que recebesse formação própria ao seu ilustre sangue, escolheu para ele dois preceptores de conhecida erudição e comprovada virtude.

Modelo de virtude na luxuosa Corte

Aos 10 anos Dom Francisco perdeu a mãe. Devido a este falecimento, o menino deixou o convívio do pai e dos sete irmãozinhos, pois a sua educação foi confiada ao tio materno, Arcebispo de Saragoça. Com ele passou alguns anos.

Como o costume exigia então, os filhos dos Grandes de Espanha passavam a juventude como pajens na Corte. Assim, ao cumprir 16 anos, Francisco foi enviado à de Carlos V, jovem rei da Espanha e Imperador do Sacro Império. Este logo se afeiçoou ao adolescente pela nobreza de sangue, seriedade, diligência e piedade.

A Imperatriz Isabel, filha do Rei de Portugal e esposa de Carlos V, tinha tal dilecção por Dom Francisco que, atingindo ele os 20 anos, deu-lhe por esposa Dona Leonor de Castro, a sua melhor dama de companhia, então com 17 anos, em cujas veias corria o mais ilustre sangue luso. Como presente de bodas, o Imperador Carlos V concedeu a Dom Francisco, além do título de Marquês de Lombay, a nomeação como Montero-Mor da sua Casa. E a Imperatriz acrescentou-lhe o de seu Cavalariço-Mor, e à Marquesa, esposa de Francisco, o de sua Camareira-Mor.

A Imperatriz quis ser a madrinha do primeiro filho do casal, que recebeu o nome de Carlos, em honra do Imperador. E também dispôs que seu filho Felipe — o futuro Felipe II — fosse o padrinho.

No meio a todas essas distinções, sendo dos poucos a ter entrada livre na câmara real e vivendo em faustosa Corte, o jovem Marquês de Lombay mostrava-se sempre simples e recatado, impressionando a todos por sua rara virtude. Esta era fruto do hábito salutar que adquirira de domar sempre suas paixões e más inclinações. Para isso, utilizava os métodos mais eficazes, como a oração, confissão e comunhão frequentes, além de penitências voluntárias. Dona Leonor procurava seguir a mesma trilha.

Deus abençoou-os concedendo-lhes cinco filhos e três filhas, uma das quais seguiria a senda da bisavó, entrando também para las Descalzas de Gândia. Após o nascimento do oitavo filho, os Marqueses, de comum acordo, decidiram viver em estado de continência, embora não tivessem atingido ainda os 30 anos de idade…

O ano de 1529 marcou profundamente a vida do Marquês. A Imperatriz Isabel faleceu, após breve doença, no auge do poder e da sua extraordinária beleza. Como prova de estima pelo casal, o Imperador dispôs que apenas a Marquesa amortalhasse a sua esposa e que fosse o Marquês quem acompanhasse os restos mortais dela até ao Panteón Real, em Granada.

Quando, após 15 dias de trasladado, sob um sol abrasador, o Marquês teve que reconhecer ante os notários aquele corpo já em adiantado estado de corrupção, constatou novamente, de maneira pungente, a fragilidade das glórias deste mundo. E renovou seu propósito de, se sobrevivesse à esposa, dedicar-se somente à vida que não tem fim, numa Ordem Religiosa.

São João de Ávila, a quem então abriu a sua alma, aprovou-lhe a decisão.

Vice-rei da Catalunha – “Exílio” em Gândia

Apenas voltou de Granada, Carlos V nomeou-o Vice-rei da Catalunha, cargo de grande confiança e responsabilidade, anteriormente concedido somente a pessoas mais idosas e já experimentadas em funções semelhantes. O Imperador reconhecia assim, naquele vassalo fiel de 30 anos incompletos, a maturidade e prudência necessárias para tal cargo.

Nos três anos do seu vice-reinado, Dom Francisco acabou com o banditismo que infestava a região, robusteceu a fronteira com a França, implementou a marinha e, em tudo, mostrou-se hábil político e grande administrador. Quando, em 1542, ia começar o seu segundo triénio, o Marquês recebeu a notícia do falecimento de seu pai. Pediu então licença ao Imperador para ir pôr as coisas em ordem no Ducado que herdara.

Esta foi-lhe concedida, mas Carlos V já o havia nomeado Mordomo-Mor da Princesa da Espanha, Presidente de seu Conselho e Superintendente de seu Erário. À Duquesa, sua esposa, o Imperador nomeara Camareira-Mor; e às suas duas filhas maiores, damas de honra. Todos entenderam que, nomeando a Dom Francisco Mordomo-Mor de seu filho Felipe, Carlos V tencionava designar assim o primeiro-ministro do próximo reinado.

Entretanto… Deus queria para Dom Francisco não a vida na Corte, mas o governo do pequeno Ducado, a fim de melhor prepará-lo para a grandíssima missão que lhe destinava. E assim sucedeu que, quando Carlos V comunicou à Família Real portuguesa qual a Casa e Servidores que, com diligência, havia escolhido para a futura rainha da Espanha, os soberanos portugueses, por motivos ignorados, rejeitaram o Duque de Gândia.

Dom Francisco, nos sete anos seguintes, dedicou-se inteiramente ao seu novo Estado e à vida de família. Fundou um Colégio da Companhia de Jesus, depois elevado a Universidade, para dar formação verdadeiramente católica não só aos filhos dos seus vassalos, mas principalmente aos dos mouriscos residentes no ducado, que mal aprendiam a verdadeira Religião.

Já se afeiçoara à nova milícia fundada por Inácio de Loyola, devido à amizade que mantinha com Pedro Fabro, Pe. Araoz e um dos jovens jesuítas que foram para o Colégio de Gândia, o futuro São Luís Beltrão, Apóstolo da Colômbia.

Membro da Companhia de Jesus

Em 1546, o Duque teve a dor de ver morrer a sua piedosa esposa. Se, por um lado, com apenas 36 anos, ele se via livre para realizar o seu projecto de consagrar-se a Deus, de outro prendia-o ao mundo a sua numerosa prole, ainda quase toda na infância.

O seu desejo de pertencer à Companhia de Jesus levou-o a enviar a Inácio de Loyola uma carta pedindo-lhe humildemente que o aceitasse entre os seus filhos e expondo-lhe os obstáculos que se antepunham a tal desejo: a saber, a sua condição de pai e Duque. Enquanto isso, fez voto de castidade e obediência ao superior dos jesuítas de Gândia.

A carta de Dom Francisco chegou ao Geral da Companhia de Jesus num momento de grande dor, pois este acabara de perder o seu primeiro e muito amado discípulo, Pedro Fabro, consumido por seu extraordinário zelo. Santo Inácio, que por revelação divina já soubera que o Duque entraria para Companhia, por nova luz sobrenatural teve conhecimento de que ele seria digno substituto do filho perdido.

E, realmente, o fundador da Companhia tinha o Duque em tão alta conta, que passou a consultá-lo sobre problemas que ele enfrentava na Espanha, recomendando ao seu Provincial que fizesse o mesmo.

Certa vez, tratando-se de uma fundação em Sevilha, à qual Santo Inácio não estava muito inclinado, enviou-lhe, a Gândia, uma folha em branco com a sua assinatura e deixando ao Duque o poder de decisão.

Do papel que passou a ter Dom Francisco nos destinos da Companhia, dá prova o Cardeal Cienfuegos ao afirmar que “todas as empresas e dificuldades da Companhia na Espanha e mesmo na Europa passavam por Gandia, buscando a direcção e o juízo de Borja, amparo da sua grandeza e abrigo na sua sombra”.

Profissão secreta na Companhia de Jesus

Carlos V, que nunca esquecia o Duque, pensou em nomeá-lo Presidente do Conselho do novo reinado. Ao convocar as Cortes Gerais do Reino de Aragão, em 1547, escolheu as pessoas que haviam de acompanhar o seu filho Felipe, figurando na cabeça da lista o Duque de Gândia. Nomeou-o também Tratador (um dos quatro intermediários entre o Príncipe regente e os seus Estados). Dom Felipe insistiu então com o Duque para que aceitasse definitivamente o cargo de Mordomo-Mor.

Dom Francisco recorreu a Santo Inácio. Este foi imediatamente ao Vaticano, suplicando ao Santo Padre uma dispensa extraordinária para que um nobre pudesse fazer a profissão solene na Companhia, conservando-a entretanto em segredo, mantendo as aparências de secular, pelo decurso de três anos, a fim de colocar os seus filhos. Assim, esse nobre (cujo nome foi ocultado) ficaria livre de todos os assaltos exteriores.

Obtida a dispensa, o fundador da Companhia enviou-a ao Duque, recomendando-lhe que não se aproximasse de Roma, pois era desejo do Papa conceder-lhe o barrete cardinalício.

O novo professo da Companhia continuou intervindo na reforma dos conventos relaxados. E quando os inimigos da Companhia lançaram uma campanha de calúnias contra seu fundador e os Exercícios Espirituais, por ele redigidos, Santo Inácio escreveu ao Papa pedindo um exame rigoroso dos mesmos, com uma consequente sentença pontifícia. Esta veio mediante o breve Pastoralis officii cura, uma aprovação explícita e honrosa da obra, concedendo indulgências a quem dela se aproveitasse. Isso fez calar e estremecer os seus caluniadores. 

Ao fim de quase três anos, conseguiu o Duque casar os seus filhos maiores. Transferira alguns dos seus privilégios para o seu segundo filho, e encarregara o mais velho de proteger e educar os três menores. Tudo parecia pronto quando, casando-se novamente o Príncipe Felipe, pensou outra vez no Duque para seu Mordomo-Mor.

Encontro de dois Santos

Dom Francisco escreveu a Santo Inácio pedindo-lhe licença para refugiar-se em Roma, uma vez que Paulo III havia falecido e o “perigo” do barrete cardinalício estava momentaneamente afastado. O Geral da Companhia recebeu de braços abertos aquele filho, que conhecia só sobrenaturalmente. Quando o Duque se ajoelhou para pedir-lhe a bênção, Santo Inácio fez o mesmo e reuniram-se os dois santos num longo abraço.

Mas não tardou que o novo Papa, Júlio III, conhecendo melhor o Duque, desejasse cumulá-lo de honras, inclusive a concessão do barrete cardinalício. Santo Inácio mandou-o então afastar-se de Roma e voltar para a Espanha. Aí, recebeu finalmente, como Grande de Espanha que era, a permissão de Carlos V para fazer-se religioso. Já podia deixar os trajes seculares, usar batina e receber a ordenação sacerdotal. Tinha então quarenta anos de idade.

Pode-se imaginar que repercussão tal acontecimento provocou na devota Espanha! De todos os lados choveram pedidos para sermões, visitas e exercícios espirituais. Santo Inácio nomeou o ex-Duque de Gândia, apesar da sua recente ordenação, Comissário Geral da Companhia para toda a Espanha.

Certo dia, ao visitar nessa qualidade os jesuítas de Ávila, estes referiram-se a uma freira, cuja vida estava pontilhada de eventos extraordinários e que era muito perseguida e caluniada. Assim encontraram-se São Francisco de Borja e Santa Teresa de Jesus. O primeiro confirmou que esta era guiada pelo espírito divino, e transformou-se em seu ardente protector.

Mas, novamente, o demónio e seus sequazes humanos recomeçaram a campanha de calúnias contra a Companhia de Jesus. O próprio Arcebispo de Saragoça, tio do Pe. Francisco, pregava contra os jesuítas. Em alguns lugares foram estes apedrejados.

Carlos V, vendo a tempestade que se formara, mandou chamar seu antigo protegido. Em uma conversa de três horas, comprovou toda a santidade do antigo Duque e a malícia dos caluniadores. A protecção do Imperador salvou novamente a Companhia. Pouco depois, Carlos V renunciava ao trono e retirava-se para o mosteiro de Yuste, onde três anos depois terminaria os seus dias, mencionando no seu testamento o Pe. Francisco.

Superior Geral da Companhia de Jesus e glorificação post-mortem

Ao falecer Santo Inácio, o novo Geral, Pe. Laynes, devendo ausentar-se de Roma para participar do Concílio de Trento com o Pe. Salmeron, na qualidade de teólogos do Papa, chamou à Cidade Eterna o Pe. Francisco, nomeando-o Vigário Geral da Companhia. Isso lhe preparava o sucessor, pois, realmente, quando faleceu o Pe. Laynes, Francisco de Borja foi eleito por unanimidade terceiro Geral da Companhia.

No seu governo, enviou os seus filhos ao Novo Continente, inaugurou o noviciado da Ordem, recebendo nele o futuro Santo Estanislau Kostka e muitos outros que morreriam mártires em terras de infiéis.

O Papa São Pio V, preparando a sua cruzada contra os turcos, pediu ao Geral da Companhia, devido ao seu sangue real e grande prestígio que gozava na Corte da Espanha, que fosse pessoalmente tratar com o rei Felipe II sobre a sua ajuda.

Ao voltar para Roma, alquebrado e com a saúde muito abalada, Francisco de Borja entregou a sua alma ao Criador, na noite de 30 de Setembro de 1572. Não só o povo, mas também Bispos e Cardeais acorreram à casa da Companhia para oscular os restos mortais daquele que já consideravam Santo.

Em 1671, Clemente XI canonizou-o solenemente. Toda a Espanha vibrou, especialmente a nobreza, que o nomeou seu patrono, obtendo ainda o traslado dos seus restos mortais para Madrid.

in lepanto.com.br

Fontes de referência:

Adro Xavier, EL DUQUE DE GANDÍA, El Noble Santo del Primer Imperio – Apuntes históricos, Editora Espasa-Calpe, S. A., Madrid, 1950.
Santos de Cada Dia, tomo III, 3 de Outubro, São Francisco de Borja, Organizado pelo Pe. José Leite, S. J., Editorial A.O., Braga, Portugal, 1987.
Marcelle Auclair, Santa Teresa de Ávila, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1959.



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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Requiem aeternam

Rezar pelos mortos é uma obra de misericórdia espiritual. Rezemos pelo descanso eterno da alma do Bispo Bernard Tissier de Mallerais, que foi ontem chamado por Deus à Sua presença.


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terça-feira, 8 de outubro de 2024

Santa Brígida e as mulheres que iluminam a casa com a luz da Fé

O primeiro período na vida desta santa foi caracterizado pelo seu casamento feliz. O marido chamava-se Ulf e governava um importante território do Reino da Suécia. O casamento durou vinte e oito anos, até à morte de Ulf. Deste casamento nasceram oito filhos, a segunda dos quais, Catarina, é venerada como santa. Eis um sinal eloquente do empenho educativo de Brígida para com os seus filhos.


Brígida, que tinha direcção espiritual com um religioso erudito que a introduziu no estudo das Escrituras, exerceu uma influência muito positiva naquela família que, graças à sua presença, se tornou uma verdadeira «Igreja Doméstica». Juntamente com o marido, adoptou a Regra dos Terciários franciscanos. Praticava generosamente obras de caridade em prol dos pobres, e fundou um hospital. Com a esposa, Ulf aprendeu a melhorar o seu carácter e a progredir na vida cristã. No regresso de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela [...], o casal decidiu viver na abstinência; mas, pouco tempo depois, na paz de um mosteiro para onde se tinha retirado, Ulf terminou a sua vida terrena.

Este primeiro período da vida de Brígida ajuda-nos a apreciar o que poderíamos definir hoje como uma verdadeira «espiritualidade conjugal»: em conjunto, os dois elementos de um casal cristão podem percorrer um caminho de santidade, apoiados na graça do sacramento do matrimónio. Muitas vezes, como foi o caso da vida de Santa Brígida e de Ulf, é a mulher que, com a sua sensibilidade religiosa, a sua delicadeza e a sua doçura, consegue levar o marido a percorrer um caminho de fé. 

Penso reconhecidamente em muitas mulheres que também hoje iluminam, dia após dia, as suas famílias com o seu testemunho de vida cristã. Que o Espírito do Senhor possa suscitar, também nos nossos tempos, a santidade dos casais cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do casamento vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, a ajuda recíproca, a fecundidade na geração e educação dos filhos, a abertura e a solidariedade para com o mundo, a participação na vida da Igreja.

Papa Bento XVI in Audiência Geral (27/10/2010)


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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Lepanto: quando Nossa Senhora derrotou o Império Otomano

A 7 de Outubro de 1571, há 453 anos, a Armada Católica, composta de aproximadamente 200 galeras, concentrou-se no golfo de Lepanto, onde D. João d’Áustria mandou hastear o estandarte enviado pelo Papa e bradou: “Aqui venceremos ou morremos” e deu a ordem de batalha contra os muçulmanos, seguidores de Maomé, os quais, liderados pelo Pachá Ali, pareciam, a princípio, levar a melhor, por serem em maior número e pela estratégia adoptada. 

Após 10 horas de batalha, houve o prodigioso evento: de repente e de maneira inexplicável, tendo em vista a situação de quase vitória dos inimigos de Cristo, da Igreja e do Ocidente, os muçulmanos, apavorados, bateram em retirada... Mais tarde, alguns muçulmanos, prisioneiros de guerra, confessaram que uma brilhante e majestosa Senhora aparecera no céu, ameaçando-os e incutindo-lhes tanto medo, que entraram em pânico e começaram a fugir. Ao verem os muçulmanos em fuga, os Cristão renovaram as forças e reverteram o resultado da batalha.

Enquanto isto, a Cristandade em peso rogava o auxílio da Rainha do Santíssimo Rosário. O Papa São Pio V, em Roma, pedia aos Católicos que redobrassem as preces e foi atendido. Formaram-se Confrarias do Rosário que promoviam procissões e orações nas igrejas, suplicando a vitória da Armada Católica. O Pontífice, grande devoto do Rosário, teve, no momento em que a batalha chegava ao seu desfecho milagroso, uma visão sobrenatural, em que viu a vitória da Armada Católica e, imediatamente, exultando de alegria, voltou-se para quem estava com ele e exclamou: “Vamos agradecer a Jesus Cristo a vitória que acaba de conceder à nossa esquadra”. 

A confirmação da visão chegou apenas na noite do dia 21 de Outubro, quando o aviso escrito chegou a Roma. Em memória da estupenda intervenção de Maria Santíssima, o Papa dirigiu-se em procissão à Basílica de São Pedro, onde cantou o Te Deum e introduziu a invocação 'Auxílio dos Cristãos' na Ladainha de Nossa Senhora. E para perpetuar essa extraordinária vitória da Cristandade, foi instituída a festa de Nossa Senhora da Vitória, que, dois anos mais tarde, tomou a denominação de festa de Nossa Senhora do Rosário. 

Com o objectivo que se recordasse para sempre que a Vitória de Lepanto se deveu à intercessão da Senhora do Rosário, o Senado Veneziano mandou pintar um quadro representando a batalha naval com a seguinte inscrição: “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”. (Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória).

in farfalline.blogspot.pt


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domingo, 6 de outubro de 2024

Morte e enterro na Cartuxa

A Ordem da Cartuxa é uma ordem contemplativa fundada por São Bruno. A Cartuxa é considerada a ordem mais austera do Mundo e quem lá entra, se tudo correr bem, nunca mais de lá sai.

A verdade é que entram no seu Deserto para sempre, para serem enterrados no cemitério da sua Cartuxa, mas sem pressa. Com 80 e 90 anos. Anos à espera não da morte mas da Vida Eterna.

Lucrando "cem vezes mais" do que deixaram. Desfrutando “do gozo e da paz do Espírito Santo”. Morrem repetindo o latim medieval: “Da cella ad cœlum”, da cela ao Céu…

Como símbolo dessa passagem, o corpo vai para a terra tal qual estava na cela, com o hábito branco, sem caixão. E como recebe a “pedrinha branca” do Apocalipse com o seu nome, no túmulo não terá nome.

Viveu numa família de solitários e estes acompanham-no ao seu descanso com um funeral sóbrio mas muito sentido, pois os cantos litúrgicos acompanham o cair da terra sobre um rosto protegido pelo capuz fechado, para que a sua face só veja a Face de Deus.


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sábado, 5 de outubro de 2024

Brasil: 300 homens por ano interessados em Seminário de Missa Tradicional

O seminário sacerdotal da Administração Apostólica de São João Vianney, em Campos, Brasil, recebe 300 (!) e-mails por ano de homens que pensam numa vocação disse o reitor do seminário, Rev. Mateus Mariano Costa, 33 anos.

Quando o seminário envia um formulário para ser preenchido, “150 voltam”, disse ele, acrescentando: “De 150, conseguimos aceitar 10 seminaristas por ano”. A Administração Apostólica é dirigida por D. Fernando Rifan e dedica-se ao Rito Romano Tradicional.

O reitor sabe que, graças à Internet, as imagens e os vídeos da missa em latim estão a espalhar-se e os católicos estão a interessar-se: “Estamos a chegar a muito mais pessoas do que há dez anos.” A maioria dos candidatos ao seminário vem de fora da Administração e, sobretudo, de igrejas de Missa Tradicional.

Um exemplo é o seminarista Tales Araújo de Freitas Lima é, 24 anos. Ele nasceu e cresceu numa família católica em Ipatinga, a mais de 400 km de Campos. Depois de descobrir a Missa em latim, decidiu entrar para o seminário de Administração Apostólica por causa dessa liturgia: “O que me atraiu foi toda a sacralidade que existe no nosso Rito, o sentido do mistério, do sagrado, o sentido do sacrifício de algo transcendente, do divino que acontece ali, devidamente favorecido pelo Rito”.

in gloria.tv


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Lei da Separação do Estado das Igrejas

A 5 de Outubro de 1910 cai a Monarquia em Portugal e é instaurada a I República. Em 1911, o Governo Provisório aprova a "Lei da Separação do Estado das Igrejas", orquestrada por Afonso Costa, Ministro da Justiça. Esta lei laicista foi uma autêntica declaração de guerra à Igreja Católica e aos católicos, tendo originado o corte de relações da Santa Sé com Portugal. Vejamos alguns dos artigos desta lei de "separação" que na prática subjugava a Igreja ao Estado:

Artigo 17º
Define que os religiosos só podem contribuir para as despesas do seu culto por intermédio das corporações autorizadas pelo Governo.

Artigo 23º
As corporações encarregadas do culto devem submeter a sua contabilidade, orçamentos e inventários à aprovação e controlo do Governo.

Artigo 26º
Proíbe ministros religiosos de serem eleitos para dirigir, administrar ou gerir as corporações encarregadas pelo exercício do culto autorizadas pelo Governo.

Artigo 30º
Novos edifícios usados ou construídos futuramente para culto religioso, passam para domínio do Estado ao fim de 99 anos, contados desde o primeiro dia em que lá se praticar culto religioso, sem indemnização alguma. Durante 99 anos, tais edifícios ( adquiridos ou construídos de futuro para o fim de culto religioso), não podem ser vendidos, hipotecados ou penhorados sem autorização do Governo.

Artigo 40º
Declara extintas as organizações que admitam quaisquer indivíduos anteriormente pertencentes a ordens e congregações religiosos que a I República extinguira. Todos os bens "sem excepção", passam para o Estado.

Artigo 43º
O culto público é limitado aos lugares "habitualmente destinados" e ao período entre o nascer e o pôr do Sol.

Artigo 44º
Define o poder da autoridade administrativa municipal para conceder excepção ao artigo 43.

Artigo 45º
Regula a administração de sacramentos religiosos.

Artigo 46º
Define que o Estado poderá fazer sempre representar-se numa cerimónia religiosa.

Artigo 48º
Proíbe ministros de qualquer religião de colocarem em dúvida os direitos do Estado presentes no decreto da Lei da Separação e na demais legislação sobre as igrejas, ou de criticarem as leis da República ou a forma de governo, em qualquer escrito publicado, discurso verbal público, sermão e culto.

Artigo 50º
Proíbe a realização de reuniões políticas nos locais de culto.

Artigo 55º
Proíbe cerimónias religiosas fora dos locais "destinados", incluindo as fúnebres, sem o consentimento da autoridade administrativa.

Artigo 51º
Define pena agravada para os que transformem uma reunião anunciada como religioso,em reunião política.

Artigo 53º
Determina que crianças em idade escolar não podem assistir ao culto durante o horário das lições.( lembram-se quem podia intervir nos horários dos cultos?)

Artigo 59º
Regula os toques dos sinos durante o dia.

Artigo 60º
Impede a exposição de qualquer símbolo religioso nas fachadas de edifícios particulares e em qualquer outro lugar público, com a excepção das igrejas e dentro dos cemitérios.

Artigo 62º
Todos os bens da Igreja Católica passam à pertença e propriedade do Estado.


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sexta-feira, 4 de outubro de 2024

O inicio da conversão de São Francisco

Certa tarde, após o seu regresso a Assis, os companheiros do jovem Francisco elegeram-no como chefe do seu grupo. E ele, como já fizera muitas outras vezes, preparou um sumptuoso banquete. Terminado o banquete, saíram para a rua e foram percorrendo a cidade a cantar. Os companheiros iam à frente e Francisco, de bastão de chefe na mão, fechava o cortejo, seguindo um pouco atrás, sem cantar e mergulhado nos seus pensamentos. E eis que, subitamente, o Senhor o visitou e lhe encheu o coração de tal doçura que ele deixou de poder falar e se mover.

Quando os companheiros se voltaram e viram que ele tinha ficado para trás, regressaram para junto ele, espantados, e acharam-no como que mudado. «Em que estavas a pensar para te esqueceres de nos seguir?», perguntaram-lhe. «Estarás por acaso a pensar casar-te?». «Tendes razão!», respondeu ele. «Planeio tomar esposa, e é a mais nobre, rica e bela que jamais vistes». Troçaram dele.

A partir de então, começou a esforçar-se por colocar no centro da sua alma a Jesus Cristo e a pérola que desejava comprar depois de ter vendido tudo (cf Mt 13,46). Escondendo-se de quem dele troçava, ia muitas vezes – quase todos os dias – orar em silêncio. Estava, por assim dizer, possuído pelo antegosto da doçura que tantas vezes o visitava, arrastando-o da praça e de outros lugares públicos para a oração.

Há algum tempo que se tornara benfeitor dos pobres, mas prometeu a si mesmo, com mais firmeza que nunca, jamais recusar esmola a um pedinte, mas dar-lha com mais generosidade e abundância. E assim, sempre que encontrava um pobre na rua, se podia, dava-lhe esmola. Se não tinha dinheiro, dava-lhe o barrete ou o cinto, para não o deixar ir embora de mãos vazias. E, se nem isso tinha, retirava-se para um local discreto, despia a camisa e mandava-a em segredo ao pobre, pedindo-lhe que a aceitasse por Deus.

in Narrativa de três companheiros de São Francisco de Assis (c. 1244), § 7-8


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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Dia de Santa Teresinha

Na fotografia: Santa Teresinha do Menino Jesus ‘mascarada’ de Santa Joana d’Arc, a quem tinha uma grande devoção.

"Compreendo, agora, que a caridade perfeita consiste em suportar as faltas dos outros, em não se admirar com as suas fraquezas, em edificar-se com os menores actos de virtude que eles praticam, mas, sobretudo, compreendi que a caridade não deve ficar fechada no fundo do coração: Ninguém, disse Jesus, acende uma lâmpada para pô-lo debaixo da mesa, mas sobre o candelabro, a fim de que ilumine a todos os que estão em casa.

Parece-me que essa lâmpada representa a caridade que deve iluminar, alegrar, não apenas os que me são mais caros, mas todos aqueles que estão em casa."

Santa Teresinha do Menino Jesus


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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Oração ao Anjo da Guarda

A oração ao Anjo da Guarda é uma boa oração para rezar antes de dormir, depois do exame de consciência e das 3 Avé-Marias:

Santo Anjo do Senhor,
meu zeloso guardador,
pois que a ti me confiou a Piedade divina,
hoje e sempre
me governa, rege, guarda e ilumina.
Ámen.

Para os mais pequenos existe uma "versão resumida":

Anjo da Guarda,
minha companhia,
guardai a minha alma
de noite e de dia.


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terça-feira, 1 de outubro de 2024

O Santo Padre Cruz

O famoso Padre Cruz morreu há 76 anos, no dia 1 de Outubro de 1948. O Padre Cruz foi um sacerdote que morreu com fama de santidade, sendo ainda em vida conhecido como "Santo Padre Cruz". Neste momento encontra-se a decorrer, lentamente, o seu processo de beatificação. Vale a pena recordar este episódio da vida deste santo sacerdote:

«Caminhava o santo Padre Cruz pela rua do Arsenal em Lisboa. Um marinheiro fixa-o atentamente, aproxima-se e pergunta: – O Senhor é o Padre Cruz?

– Sou, sim, meu irmão.

O marinheiro beija-lhe a mão e diz:

– Fui educado nas Mónicas e lá conheci Vossa Reverência. Até me lembro da oração que me ensinou: “Jesus, Maria e José, alumiai-nos, socorrei-nos e salvai-nos”. Um dia, o meu barco, batido pelas ondas, ia naufragar. Lembrei-me então da igreja das Mónicas, do Padre Cruz e da oraçãozinha que nos ensinou e comecei a rezá-la. Deus ouviu a minha humilde prece. O mar serenou e o barco, por graça de Deus, chegou ao porto, são e salvo.»

in Pagela do Apostolado da Oração (1994)


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segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Dia de São Jerónimo

Doutor da Igreja e autor da Vulgata. São Jerónimo foi viver para a Terra Santa - levando uma vida de grande penitência - de modo a aprender hebraico e traduzir para latim toda a Sagrada Escritura. Esta tradução chama-se Vulgata e continua a ser a tradução mais fidedigna da Santa Escritura.


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domingo, 29 de setembro de 2024

Profissão de Fé publicada por D. Athanasius Schneider no dia de São Miguel Arcanjo

Profissão de Fé em Jesus Cristo e na Sua Igreja como o único caminho para Deus e para a salvação eterna

Cremos e professamos inabalavelmente o que o Magistério ordinário e universal da Igreja tem ensinado, contínua e infalivelmente, desde o tempo dos Apóstolos, a saber,

Que a fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado e único Salvador da Humanidade, é a única religião querida por Deus.

Após a instituição da Nova e Eterna Aliança em Jesus Cristo, ninguém poderá ser salvo pela adesão aos ensinamentos e às práticas das religiões não-cristãs. Porque «a oração, que se dirige a Deus, deve estar ligada a Cristo, Senhor de todos os homens, único Mediador (1Tm 2, 5; Heb 8, 6; 9, 15; 12, 24), o único por quem temos acesso a Deus (Rm 5, 2; Ef 2, 18; 3, 12).» (Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 6)

Cremos firmemente que «sob o céu, nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.» (Act 4, 12), além do nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi crucificado e a quem Deus ressuscitou dos mortos (cf. Act 4, 10).

Cremos que é «contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora, como se diz, convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus.» (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Dominus Iesus, 21)

Acreditamos e guardamos, ademais, que a Revelação Divina, fielmente transmitida pelo Magistério perene da Igreja, proíbe afirmar

Que todas as religiões são caminhos para Deus,
Que a diversidade das identidades religiosas é um dom de Deus e que
A diversidade das religiões é uma expressão da vontade sábia de Deus Criador.

Acreditamos e afirmamos, portanto, que os cristãos não são simplesmente “companheiros de viagem” juntamente com os que aderem a falsas religiões – o que é proibido por Deus.

Imploramos fervorosamente a ajuda da graça divina para todos os clérigos que, hoje em dia, através das suas palavras e acções, contradizem a verdade divinamente revelada sobre Jesus Cristo e a Sua Igreja como o único caminho pelo qual os homens podem alcançar Deus e a salvação eterna. 

Possam, estes clérigos, com a ajuda da graça divina, ser capazes de fazer uma retractação pública, necessária para o bem da sua própria alma e da alma dos outros. Pois «não aceitar Cristo é o maior perigo para o mundo!» (Santo Hilário de Poitiers, In Matth. 18).

Possam os Pastores da Igreja, e principalmente o Papa Francisco, pelas orações, lágrimas e sacrifícios de todos os verdadeiros filhos e filhas da Igreja e especialmente dos “pequeninos” na Igreja, receber a graça de imitar os Apóstolos, inúmeros Mártires, tantos Romanos Pontífices e uma multidão de Santos, especialmente São Francisco de Assis, que «era um homem católico e inteiramente apostólico, que se empenhou pessoalmente e ordenou aos seus discípulos que se
ocupassem antes de tudo com a conversão dos pagãos à Fé e à Lei de Cristo» (Papa Pio XI, Encíclica Rite expiatis, 37).

Cremos e, com a graça de Deus, estamos prontos a dar a vida por esta verdade divina pronunciada por Jesus Cristo: «Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim» (Jo 14, 6).

+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima de Astana
com os participantes da Conferência de Identidade Católica 2024

Pittsburgh, 29 de Setembro de 2024


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Oração a São Miguel Arcanjo

Latim: 

Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio, contra nequitias et insidias diaboli esto praesidium: Imperet illi Deus, supplices deprecamur, tuque, Princeps militiae caelestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.

Português:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demónio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Ámen.


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sábado, 28 de setembro de 2024

Vista aérea do Monte dedicado a São Miguel Arcanjo



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D. Athanasius Schneider: “Papa Francisco contradisse todo o Evangelho"

A afirmação do Papa Francisco em Singapura, de que todas as religiões são um caminho para chegar a Deus, é “claramente contra a revelação divina”, disse o Bispo Athanasius Schneider à EWTN.com.

O Bispo está, neste momento, nos Estados Unidos a promover o seu novo livro “Flee from Heresy”. A declaração de Francisco “contradiz todo o Evangelho, onde Jesus Cristo disse: Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

D. Athanasius repete: “Com esta declaração, infelizmente, o Papa Francisco contradiz claramente o primeiro mandamento de Deus e todo o Evangelho”.

Ele explica que também São Pedro negou Cristo e que já aconteceu na História, embora raramente, que um sucessor de Pedro tenha feito declarações contrárias à verdade divina.

Questionado sobre a nomeação do teólogo pró-homossexual Don Maurizio Chiodi como conselheiro do Dicastério para a Doutrina da Fé, D. Schneider disse: “Como Bispo, não posso criticar as nomeações papais. Essa é uma tarefa do Papa”. Acrescentou que os teólogos que contradizem o ensinamento da Igreja não são certamente uma ajuda para o Papa.

Relativamente ao chamado “pecado contra a sinodalidade”, o Bispo Schneider comentou que este é inventado e não se encontra na revelação divina. D. Athanasius chama-lhe um instrumento para minar a revelação divina.

in gloria.tv


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sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Humildade e sofrimento

A humildade e o sofrimento libertam o homem de todo o pecado; a humildade acaba com as paixões espirituais, o sofrimento com as corporais.

 São Máximo o Confessor



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quinta-feira, 26 de setembro de 2024

A insensatez diante da morte dos outros

"Enterramos os nossos parentes e amigos, vemos funerais todos os dias, e, não obstante, continuamos prometer-nos longos anos de vida. Insensata promessa que ninguém pode fazer a si próprio!" 

Santo Agostinho


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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

15 sacerdotes que também foram cientistas

Qual a relação entre a ciência e a fé? Serão opostas? Não. Ciência e fé são totalmente compatíveis e a vida destes homens é prova irrefutável disso. Aqui está uma lista de 15 sacerdotes que também foram cientistas:

1) São Silvestre II, Papa (945-1003)

Foi o primeiro Papa francês da história. Foi um grande matemático e introduziu na França o sistema decimal islâmico e o uso do zero, facilitando assim os cálculos.

2) Robert Grosseteste (1175-1253)

Sendo bispo da diocese de Lincoln (Inglaterra), foi um estudioso em quase todas as áreas de conhecimento da sua época. Também foi precursor da filosofia moderna, introduzindo o pensamento aristotélico na Universidade de Oxford.

3) Santo Alberto Magno (1193-1280)

Renomado sacerdote dominicano, bispo e Doutor da Igreja. Também foi filósofo, geógrafo e um químico famoso, descobriu o arsénio.

4) Roger Bacon (1214-1294)

Franciscano conhecido como Doutor Admirável. É um dos precursores do método científico moderno. Já no seu tempo ele dizia “a matemática é a porta e a chave de toda ciência”.

5) Jean Buridan (1300-1375)

Clérigo secular francês e precursor da mecânica de Newton por meio da sua noção de ímpeto que explicava o movimento de projécteis e objectos em queda livre. Essa teoria pavimentou o caminho para a dinâmica de Galileu e para o famoso princípio da inércia, de Isaac Newton.

6) Nicolau Oresme (1323-1382)

Foi teólogo e bispo de Lisieux e também um génio intelectual. Talvez seja o pensador mais original do século XIV, por sua actividade como economista, matemático, físico, astrónomo, filósofo, psicólogo e musicólogo. Descobriu a refracção atmosférica da luz.

7) Nicolau Copérnico (1475-1543)

Este sacerdote oriundo da Polónia é o pai da astronomia moderna por meio da sua teoria heliocêntrica. Também foi matemático, astrónomo, jurista, físico, político, líder militar, diplomata e economista.

8) Francesco Maria Grimaldi (1618-1663)

Sendo jesuíta, construiu e usou os instrumentos para medir características geológicas na lua e desenhou um mapa que foi publicado por Giovanni Battista Riccioli. Também descobriu a difracção da luz.

9) Giovanni Battista Riccioli (1598-1671)

Astrónomo jesuíta italiano considerado como um pioneiro da astronomia lunar. Foi a primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre.

10) Athanasius Kircher (1602-1680)

Este sacerdote jesuíta foi um dos cientistas mais importantes do período barroco. Era poliglota, erudito e estudioso orientalista. Usando um microscópio rudimentar, examinou doentes com peste e observou de forma pioneira os vermes, construiu um aparelho para projectar imagens, conhecido como lanterna mágica (1646) e relacionou peste bubónica com putrefacção.

11) Nicolau Steno (1638-1686)

É considerado o pai da geologia. Era um polímata, médico, e anatomista dinamarquês. Aderiu ao catolicismo na vida adulta, morreu como bispo missionário. Após converter-se ao catolicismo, foi ordenado padre em 1675, tendo sido ordenado bispo dois anos depois. Veio a falecer em 1686, tendo sido beatificado pelo Papa João Paulo II em 1988.

12) Ruder Boskovic (1711-1787)

Físico, astrónomo, matemático, filósofo, poeta e sacerdote jesuíta da República de Ragusa (hoje Croácia). Influenciou nas obras de Faraday, Kelvin, Einstein, etc.

13) Gregor Mendel (1822-1884)

Agostiniano austríaco, pai da genética por descobrir a origem da herança genética, através de pesquisas que conduziu com diferentes ervilhas. As chamadas “Leis de Mendel” falam da transmissão dos caracteres hereditários.

14) Georges Lemaitre (1894-1966)

Sacerdote belga, astrónomo e professor de física. Lemaitre propôs o que ficou conhecido como teoria da origem do Universo do Big Bang, que ele chamava de “hipótese do átomo primordial“, ou também conhecido como “ovo cósmico”, que posteriormente foi desenvolvida por George Gamow.

15) Manuel Carreira (1931)

Sacerdote jesuíta, teólogo, filósofo e astrofísico espanhol. É membro do Observatório Vaticano e ele tem trabalhado em numerosos projectos para a NASA. É um firme defensor da compatibilidade entre ciência e fé.

in pt.churchpop


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terça-feira, 24 de setembro de 2024

Nossa Senhora das Mercês, padroeira dos escravos

Nossa Senhora das Mercês é um dos títulos da Virgem Maria. A devoção originou-se na Espanha, daí também ser conhecida por Nossa Senhora das Mercedes. A Virgem é a protectora dos cristãos cativos dos mouros (muçulmanos) em África, principalmente os marinheiros e mercadores subjugados no Mar Mediterrâneo.  

A Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos foi fundada por S. Pedro Nolasco e S. Raimundo de Peñafort, em 1223, por ocasião da libertação dos escravos cristãos, tendo a Igreja generalizado a festa em 1696.

A 1 de Agosto de 1223, São Pedro Nolasco foi agraciado com uma Aparição de Nossa Senhora, a qual lhe indicou os meios para libertar os cristãos das mãos dos mouros. Investiu toda a sua fortuna, e arrecadou somas avultadas com pessoas caridosas, a fim de resgatar cristãos escravos que tiveram a infelicidade de cair em poder dos muçulmanos.

Maria Santíssima, mostrando grande satisfação pelo bem que fizera aos cristãos, deu-lhe a ordem de fundar uma congregação como fim determinado da Redenção dos cativos. Pedro comunicou isso a São Raimundo de Peñafort, seu confessor e ao Rei Jaime, e grande surpresa teve, quando deles soube, que ambos, na mesma noite, haviam tido a mesma aparição. foi criada a Ordem de Nossa Senhora das Mercês, e Pedro foi nomeado o grão-mestre da Ordem, sendo depois canonizado com o nome de São Pedro Nolasco. Foi elaborada a constituição da regra da nova Ordem, que teve gratíssimo acolhimento do povo e dos nobres. Já em 1235, uma nova regra obteve aprovação da Santa Sé. Deste modo, a devoção à Virgem das Mercês foi-se espalhando por toda a Europa.  

A devoção chegou a Portugal, onde se difundiu de Alenquer para Santarém e para Lisboa, e foi levada pelos frades mercedários para o Brasil, onde floresceram diversas confrarias, formadas principalmente por escravos, os quais consideravam Nossa Senhora das Mercês padroeira da sua libertação.

in Pale Ideas 


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segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Santa Missa celebrada por Padre Pio



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Dia do Padre Pio

Hoje é dia de S. Pio de Pietrelcina, mais conhecido por Padre Pio. Este grande santo do século XX tinha multidões à sua procura, mas apesar disso foi sempre muito humilde. Foi incompreendido e injustamente perseguido pelos próprios superiores, mas apesar disso foi sempre muito obediente.

Era um grande místico, foi muitas vezes atacado pelo demónio. Tinha os estigmas (as chagas do crucificado), que sangravam constantemente. Tinha também o dom da ubiquidade (ou bilocação), sendo visto por testemunhas em sítios diferentes à mesma hora. Além disso tinha o dom de saber os pecados das pessoas, alertando quando se esqueciam de confessar algum pecado e tendo confessado o próprio Pai no leito de morte dizendo os seus pecados quando este já não o conseguia fazer.

Passava horas a fio no confessionário e vinham pessoas de muito longe para se confessarem ao Santo, cuja fama ultrapassara há muito as fronteiras italianas. Um dia foi lá o próprio demónio, e eis como o Padre Pio conta o episódio:

"Um dia, estava eu a ouvir confissões, um homem veio para o confessionário onde eu estava. Ele era alto, esbelto, vestido com refinamento, era cortês e amável. Começou a confessar os seus pecados, que eram de todo tipo: contra Deus, contra os homens e contra a moral. Todos os pecados eram aberrantes!

Por cada acusação, depois da minha correcção fazendo uso da Palavra de Deus, o Magistério da Igreja e a moral dos santos, este enigmático penitente opunha-se às minhas palavras justificando, com habilidade extrema e cortesia, todo o tipo de pecado. E isto não só para os pecados contra Deus, Nossa Senhora e os santos, que indicava de forma irreverente sem nunca dizer os seus nomes, mas também para os pecados que eram os mais sujos que é possível imaginar.

As respostas que este desconhecido dava à minha argumentação, com hábil subtileza e fina malícia impressionaram-me. Comecei a perguntar-me “Quem é este? De que mundo vem? Quem será? E tentei olhar bem para ele, ler alguma coisa na sua face; ao mesmo tempo concentrei-me em cada palavra para dar-lhe o juízo correcto que merecia.

Mas de repente através de uma luz interna vívida e brilhante eu reconheci claramente quem ali estava. Com voz forte e imperiosa ordenei-lhe: "Diga Viva Jesus, Viva Maria" Assim que pronunciei estes doces e poderosos nomes, Satanás desapareceu imediatamente numa nuvem de fogo, deixando um fedor insuportável."


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Servir à Santa Missa é uma escola de vocações




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sábado, 21 de setembro de 2024

Porta Pia: ainda por resolver a questão Igreja-Estado 150 anos depois

O Estado que ocupou Roma a 20 de Setembro de 1870 é o estado liberal moderno que rompeu os laços com a lei natural e divina como fontes de legitimidade. Surge de um acto de força, portanto não tem legitimidade, que é sempre um facto moral: o que respeita a ordem natural e finalística das coisas é legítimo, o que não o respeita é violência ilegítima, mesmo que tenha o sufrágio da maioria . Uma questão que até a Igreja evita esclarecer.

A questão da captura de Roma a 20 de setembro de 1870 não deve ser descartada, nem mesmo na sua versão de facto providencial que finalmente teria libertado a Igreja do lastro do poder temporal. Deve ser examinado em todos os seus aspectos que, no entanto, não são apenas históricos, mas também de princípio, digamos teóricos.

Isso colocava e ainda levanta o problema da legitimidade do Estado. Pio IX excomungou, então, o Estado italiano e o rei Vittorio Emanuele II e, assim, reafirmou os critérios correctos para considerar um Estado como legítimo, começando com o critério mais combatido e tenazmente negado então e agora, que é: dar legitimidade a um Estado (ou removê-la como no caso da Porta Pia) fica a cargo da Igreja. A posição de Pio IX também apresenta outros aspectos, mas este parece-me o fundamental e altamente actual, porque com o passar do tempo parece não ter sido resolvido, aliás a questão da legitimidade do Estado foi abandonada e quase ninguém o apresenta: os Estados existem e o simples facto de existirem também os legitima.

O estatuto (a constituição diríamos hoje) do Estado italiano proclamado em 1861 ainda continha a referência a Deus e considerava que o Rei de Itália o era por vontade de Deus, termo que foi retomado pelo Estatuto do Reino de Sabóia, posteriormente estendido a quase toda a península. No entanto, sabemos que essa expressão legal era agora letra morta, porque tanto o estado piemontês, primeiro, como o estado italiano, de então, foram inspirados, como todos os estados liberais do século XIX, pelo modelo do estado napoleónico. Este tipo de Estado - Homem-animal-máquina-Deus como disse Hobbes - que quer reduzir a si mesma toda a sociedade, padronizando-a às suas próprias necessidades, exclui o próprio problema da legitimidade, fazendo-o coincidir com a sua própria vontade.

O Estado que ocupou Roma a 20 de setembro de 1870 é o estado liberal moderno que rompeu os laços com a lei natural e, mais ainda, com a lei divina como fontes últimas de legitimidade. Não que tenha procurado em outro lugar outros critérios de legitimação, na verdade eliminou o problema: o Estado nasce de um acto de força, seja expresso por uma Vontade geral (Rousseau) ou por um Leviatã (Hobbes). Portanto, não tem legitimidade, porque um acto de força não pode ter legitimidade moral, nem a busca: sua legitimidade consiste na actualidade, isto é, em impô-la.

Portanto, ainda que o estatuto se referisse explicitamente a uma legitimidade derivada do direito natural e divino, os estados piemontês e italiano mantiveram essas afirmações por conveniência de imagem, mas esvaziaram-nas de qualquer significado. A política cavouriana e, depois, dos governos italianos com respeito ao casamento e à família, a destruição ope legis das ordens religiosas, as mãos postas na educação dos futuros cidadãos, a imposição de uma religião civil ateísta inspirada no materialismo positivista eliminam qualquer dúvida em mérito. Tudo isso havia sido contestado por Gregório XVI e Pio IX no plano doutrinário, após a brecha da Porta Pia o acto de excomunhão do Estado foi aprovado com o convite aos católicos para considerá-lo alheio a eles. Estranho porque é deslegitimado, portanto ilegítimo.

Podemos perguntar: a República Italiana é hoje um Estado legítimo? E a França ateia e anticlerical? E a Holanda com as suas leis desumanas? Ou a Alemanha que Peter Hahne disse ser agora um grande bordel? Hoje ninguém questiona se esses (e outros) estados são legítimos. O tema foi posto de lado, mas a lembrança de Porta Pia e a encíclica Rescipientes de Pio IX de 1 de Novembro de 1870 trazem-no de volta à vida. Em rigor, devemos dizer que nenhum estado actual é legítimo?

Normalmente, hoje acredita-se que o voto popular legitima o estado. Acima de tudo, o voto popular expresso na fase constituinte. Mas o voto popular não legitima nada porque é uma contagem quantitativa pura de opiniões desmotivadas. O voto popular também pede para ser legitimado, pois é apenas uma forma de tomar decisões e não o seu fundamento. A legitimação é sempre um facto moral, o que respeita a ordem natural e finalística das coisas é legítimo, o que não o respeita é a violência ilegítima, ainda que tenha o sufrágio da maioria. A constituição italiana não é legitimada porque é aprovada por maioria em assembleia e depois por referendo, é o contrário. Se o voto fosse para legitimar uma constituição que não respeita a lei natural, seria - o voto - deslegitimado. Entre outras coisas, a tomada de Roma em 1870 nem sequer foi decidida dessa forma, portanto, nem sequer tem a desculpa do formalismo processual democrático.

150 anos se passaram desde a Brecha da Porta Pia. A Igreja foi a primeira a perder a memória deste acontecimento. Mas como pode a Igreja hoje falar na esfera pública sem ter ideias claras sobre o que legitima o poder político? E se o problema da legitimidade é resolvido através da realidade (o que é necessário é legítimo) toda a estrutura da sociedade justa se desmorona, em todos os aspectos da vida comunitária e falar sobre o bem comum torna-se impossível.

Stefano Fontana in La Nuova Bussola Quotidiana


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Dia São Mateus: Apóstolo e Evangelista

Banhada pelas águas do lago Genesaré, cortada pelas principais estradas do país, sede das casas comerciais as mais importantes, assim era Cafarnaum,  uma das cidades mais florescentes da Palestina. No tempo de Jesus Cristo a Palestina era uma província romana, e onerosos eram os impostos e direitos aduaneiros que pesavam sobre os judeus.  A cobrança destas contribuições obrigatórias era feita geralmente por rendeiros públicos, homens especuladores, verdadeiros esfoladores e sanguessugas do povo, e por isto mal vistos e odiados. Já o nome de Publicano, isto é, pecador público, excomungado, que se lhes dava, não deixava dúvida sobre a má fama de que tais homens gozavam.

Vivia em Cafarnaum Levi, filho de Alfeu, que mais tarde mudou o nome em Mateus, dom de Deus. Cafarnaum era a cidade pela qual Jesus Cristo mostrava grande simpatia, tanto que os santos Evangelhos chamam-na a Sua cidade. Na sinagoga ou na praia do lago, doutrinou frequentemente e curou muitos doentes.

Foi numa dessas ocasiões que Jesus, tendo pregado na praia, passou perto do telónio de Levi, parou e disse: "Segue-me". Levi levantou-se imediatamente, abandonou o rendoso negócio, mudou de nome e de vida. Não é provável que esta mudança tão radical tenha sido fruto de um entusiasmo espontâneo. É antes, de se supor, que Levi tenha tomado essa resolução devido ao que vira e ouvira, de modo que o convite positivo do divino Mestre lhe tenha pôsto têrmo às últimas dúvidas sobre a orientação da sua vida futura. Diz São Jerónimo que Levi,  vendo Nosso Senhor, ficou atraído pela divina majestade que fulgurava nos olhos de Jesus Cristo. Converteu-se Levi, diz Beda o Venerável,  porque Aquele que o chamou pela palavra, lhe dispôs o coração pela graça divina.

Mateus deu em seguida um grande banquete de despedida aos amigos e colegas, e convidou também Jesus e os discípulos. Os fariseus e escribas que, com olhos de lince observavam todos os gestos do Mestre, vendo que este aceitara o convite, acusaram-no dizendo: "Este homem anda com publicanos e pecadores e banqueteia-se com eles!". Também os discípulos de Jesus tiveram de ouvir repreensões: "Como é que o vosso Mestre se senta à mesa com os pecadores?".  Jesus, porém, respondeu-lhes:  "Não são os sãos, mas sim os doentes, que necessitam do médico. Não vim para chamar os justos, senão os pecadores".  Daí em diante Mateus foi um dos discípulos mais dedicados ao divino Mestre, e seguiu-o por toda a parte. 

Logo depois da Ascensão de Jesus Cristo e da vinda do Espírito Santo, Mateus, junto com os outros Apóstolos, pregou o Santo Evangelho nas províncias da Palestina e, com os demais Apóstolos, julgou-se feliz em poder sofrer injúria por amor de Jesus. Foi São Mateus, de entre os Apóstolos, o primeiro que escreveu um relatório da vida e morte de Jesus Cristo, dando a este livro o título de "Evangelho", que significa: "boa nova". Este Evangelho foi escrito em sírio-caldaico, para o uso dos primeiros cristãos da Palestina. São Bartolomeu levou consigo uma cópia para as Índias.

Quando os Apóstolos se espalharam por todo o mundo, São Mateus dirigiu-se para a Arábia e Pérsia, onde sofreu cruéis perseguições pelos sacerdotes indígenas. São Clemente de Alexandria diz que São Mateus era homem de mortificação e penitência, e alimentava-se só de ervas, raízes e frutas. Sofreu maus tratos na cidade de Mirmene.

Os pagãos arrancaram-lhe os olhos e, preso com algemas, esperou no cárcere o dia em que devia ser sacrificado aos deuses, por ocasião da grande festa idólatra. Deus, porém,  não abandonou o seu servo;  mandou-lhe um Anjo que lhe curou a vista e o libertou da prisão. São Mateus seguiu então para a Etiópia. Também lá o demónio quis tolher-lhe os passos.  Dois feiticeiros de grande fama opuseram-se-lhe,  mas São Mateus venceu-os pela força esmagadora dos argumentos e pelos milagres que fazia, em nome de Jesus Cristo.  Removido este obstáculo,  o povo aceitou a religião de Deus humanado.

Foi por intermédio do eunuco da rainha Candace, o mesmo que São Filipe baptizou, que São Mateus obteve entrada no palácio real. Lá havia grande luto pela morte do jovem príncipe herdeiro Eufranon. São Mateus, tendo sido chamado ao palácio, fez o defunto ressurgir, milagre este que encheu a todos de admiração.  O Rei, em sinal de alegria e gratidão, mandou arautos por todo o país deitarem pregão da seguinte ordem: "Súbditos! Vinde todos à capital ver um deus, que apareceu entre nós, em forma humana!"

Afluíram aos milhares os súbditos de todas as partes do reino, trazendo perfumes e incenso, para serem oferecidos ao deus que tinha aparecido. Mateus, porém, esclareceu-os dizendo:"Eu não sou Deus, como julgais que seja, mas servo de Jesus Cristo, Filho de Deus vivo;  foi em Seu Nome que fiz o filho do vosso Rei ressuscitar; foi Ele que me enviou a vós, para vos pregar a Sua doutrina e vos trazer a Sua graça e salvação".  Essas palavras tiveram bom acolhimento e a maior parte do povo converteu-se à religião de Jesus Cristo.  A Igreja da Etiópia chegou a ser uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. O rei Egipto e família eram cristãos fervorosíssimos, tanto que Efigénia, a filha mais velha, fez voto de castidade perpétua e a seu exemplo, muitas filhas das famílias mais ilustres consagraram-se a Deus, numa vida de perfeição cristã.

Com a morte do Rei subiu ao trono o seu sobrinho Hírtaco, o qual, para estabelecer o governo sobre bases mais sólidas, pediu Efigénia em casamento. Esta recusou, alegando o voto feito a Deus. Hírtaco, não se conformando com esta resposta, exigiu que São Mateus fizesse valer a autoridade de Bispo, para que se realizasse o enlace desejado. São Mateus declarou ao Príncipe não ter competência Para envolver-se no caso. 

Vendo-se assim profundamente contrariado nos seus planos, Hírtaco deu ordem aos soldados de fazer desaparecer o Apóstolo. Esta ordem foi executada na igreja onde São Mateus celebrava a Missa. Pondo de lado o respeito devido ao lugar e à pessoa do santo Apóstolo, os sicários do Rei mataram-no no próprio altar. 

O corpo do Santo Mártir foi durante muito tempo objecto de grata veneração do povo cristão da capital. No ano de 930, foi transportado para Salerno (Itália) onde São Mateus até hoje é festejado como padroeiro da cidade.      

in Página do Oriente


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