quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um coração puro consegue ver Cristo nos que mais precisam de Cristo



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Apelo de 3 Bispos para que o Papa Francisco defenda o Matrimónio

No dia 18 de Janeiro, dia da antiga festa da Cátedra de São Pedro, Tomash Peta, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Maria Santissima em Astana; Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda e Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santissima em Astana lançaram um Apelo à oração: para que o Papa Francisco confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio. Ao acolher este pedido, publicamos aqui o texto completo.

Apelo à oração:
para que o Papa Francisco confirme a imutável prática da Igreja
relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio


Após a publicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, em algumas igrejas particulares, foram publicadas normas aplicativas e interpretações, segundo as quais os divorciados que atentaram o matrimónio com um novo parceiro apesar do vínculo sacramental com o qual estão unidos aos seus legítimos cônjuges, são admitidos aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem cumprirem o dever divinamente estabelecido de cessarem a violação do seu vínculo matrimonial sacramental.

A convivência more uxorio com uma pessoa que não seja o legítimo cônjuge é ao mesmo tempo uma ofensa à Aliança da salvação, da qual o matrimónio sacramental é sinal (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2384), e uma ofensa ao carácter esponsal do próprio mistério eucarístico. O Papa Bento XVI pôs em relevo essa mesma correlação: «A Igreja corrobora de forma inexaurível a unidade e o amor indissolúveis de cada matrimónio cristão. Neste, em virtude do sacramento, o vínculo conjugal está intrinsecamente ligado com a união eucarística entre Cristo esposo e a Igreja esposa (Ef 5, 31-32)» – Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 27.

Pastores da Igreja que toleram ou até autorizam – mesmo que em casos singulares ou excepcionais – que divorciados assim chamados "recasados" possam receber o sacramento da Eucaristia sem que tenham a "veste nupcial", a despeito de que o próprio Deus na Sagrada Escritura (cf. Mt 22, 11 e 1 Cor 11, 28-29) o tenha prescrito com vista a uma participação digna no banquete nupcial eucarístico, colaboram, desta forma, com uma ofensa contínua contra o vínculo do sacramento do matrimónio, contra o vínculo nupcial entre Cristo e a Igreja e contra o vínculo nupcial entre Cristo e a alma que recebe o Seu Corpo eucarístico.

Diversas igrejas particulares emanaram ou recomendaram as seguintes orientações pastorais formuladas assim ou de modo similar: «Assim, se esta escolha [viver em continência] for difícil de pôr em prática para a estabilidade do casal, a Amoris laetitia não exclui a possibilidade de ter acesso à Penitência e à Eucaristia. Isto significa uma certa abertura, como no caso em que há a certeza moral de que o primeiro matrimónio foi nulo, mas sem que haja qualquer prova para o demonstrar em sede judicial [...] Portanto, não pode ser outro senão o confessor que, a um certo ponto, em consciência, depois de muita reflexão e oração, assume a responsabilidade diante de Deus e do penitente, e solicita que o acesso aos sacramentos aconteça de forma reservada.»

As mencionadas orientações pastorais contradizem a tradição universal da Igreja Católica, que através do ininterrupto ministério Petrino dos Sumos Pontífices sempre guardou fielmente e sem sombra de dúvida ou ambiguidade, tanto na doutrina como na prática, tudo o que diz respeito à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio.

As referidas normas e orientações pastorais contradizem também na prática as seguintes verdades e doutrinas que a Igreja Católica tem continuamente e de forma segura ensinado.

·  A observância dos Dez Mandamentos de Deus, e em particular do Sexto Mandamento, é obrigatória para qualquer pessoa humana sem excepção, sempre e em qualquer situação. Nestas matérias, não podem ser aceites casos ou situações excepcionais ​​ou que se fale em termos de um ideal mais pleno. São Tomás de Aquino diz: «Os preceitos do Decálogo contêm a própria intenção do legislador, isto é, de Deus. Portanto, os preceitos do Decálogo não admitem dispensa alguma» (Summa theol., 1-2, q. 100, a. 8c).

· As exigências morais e práticas decorrentes da observância dos Dez Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não são simples normas ou leis positivas da Igreja, mas a expressão da vontade santa de Deus. Sendo assim, não se pode falar, neste contexto, do primado da pessoa sobre a norma ou a lei, mas deve falar-se, em vez disso, do primado da vontade de Deus sobre a vontade da pessoa humana pecadora, para que esta seja salva, cumprindo com a ajuda da graça a vontade de Deus.

· Acreditar na indissolubilidade do matrimónio e contradizê-la com os próprios actos, considerando-se, ao mesmo tempo, livre de pecado grave, de modo a tranquilizar a própria consciência apenas pela fé na misericórdia Divina, é um auto-engano, contra o qual avisou Tertuliano, uma testemunha da fé e da prática da Igreja nos primeiros séculos: «Alguns dizem que para Deus é suficiente que se aceite a Sua vontade com o coração e com a alma, mesmo que as acções não correspondam: pensam, deste modo, poder pecar mantendo íntegro o princípio da fé e do temor a Deus: isto é exactamente como se alguém pretendesse manter um princípio de castidade, violando e corrompendo a santidade e a integridade do vínculo matrimonial» (Tertuliano, De paenitentia 5, 10).

·  A observância dos Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não pode ser apresentada como um ideal mais pleno a ser alcançado de acordo com o critério do bem possível ou factível. Trata-se sim de um dever ordenado inequivocamente pelo próprio Deus, cujo desrespeito implica, de acordo com a Sua palavra, a condenação eterna. Dizer aos fiéis o contrário seria enganá-los e empurrá-los para desobedecerem à vontade de Deus, colocando desta forma em risco a sua salvação eterna.

· Deus dá a cada homem a ajuda necessária para guardar os Seus mandamentos, sempre que ele Lho peça rectamente, como a Igreja infalivelmente ensinou: «Deus jamais nos pede coisas impossíveis, mas quando pede uma coisa, aconselha que apenas façamos aquilo que pudermos, e que peçamos aquilo que não tivermos a possibilidade de fazer, pois Ele sempre nos ajuda com Suas graças para que consigamos fazer aquilo que Ele nos pede» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 11); e «Se alguém disser que é impossível ao homem, ainda que baptizado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 18). Seguindo esta doutrina infalível, São João Paulo II ensinou: «A observância da lei de Deus, em determinadas situações, pode ser difícil, até dificílima: nunca, porém, impossível. Este é um ensinamento constante da tradição da Igreja» (Encíclica Veritatis Splendor, 102) e «Todos os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, à santidade no matrimónio, e esta alta vocação realiza-se na medida em que a pessoa humana está em condições de responder ao comando divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 34).

· O acto sexual fora de um matrimónio válido e, especialmente, o adultério, é sempre objectivamente um pecado grave, e nenhuma circunstância ou fim pode torná-lo admissível e agradável aos olhos de Deus. São Tomás de Aquino diz que o Sexto Mandamento é obrigatório, mesmo no caso em que, com um acto de adultério, se pudesse salvar um país da tirania (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5). São João Paulo II ensinou também esta verdade perene da Igreja: «Os preceitos morais negativos, ou seja, os que proíbem alguns actos ou comportamentos concretos enquanto intrinsecamente maus, não admitem qualquer excepção legítima; eles não deixam nenhum espaço moralmente aceitável para a «criatividade» de qualquer determinação contrária. Uma vez reconhecida, em concreto, a espécie moral de uma acção proibida por uma regra universal, o único acto moralmente bom é o de obedecer à lei moral e abster-se da acção que ela proíbe» (Encíclica Veritatis splendor, 67).

·  Uma união adúltera de divorciados "recasados" civilmente, "consolidada", como se diz, no tempo, e caracterizada por uma assim dita "comprovada fidelidade" no seu pecado de adultério, não pode alterar a qualidade moral do seu acto de violação do vínculo sacramental do matrimónio, ou seja, do seu adultério, que é sempre um acto intrinsecamente mau. Uma pessoa que tem uma verdadeira fé e temor filial a Deus nunca pode ter "compreensão" com actos intrinsecamente maus, como é o caso dos actos sexuais fora do matrimónio válido, uma vez que estes actos ofendem a Deus.

· Uma admissão dos divorciados "recasados" à Sagrada Comunhão constitui, na prática, uma dispensa implícita de cumprimento do Sexto Mandamento. Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder de conceder tal dispensa implícita nem mesmo num só caso ou numa qualquer situação excepcional e complexa, nem que seja com a finalidade de alcançar um bom fim (como por exemplo a educação da prole nascida duma união adúltera), invocando para a concessão de tal dispensa o princípio da misericórdia, da "via caritatis", o cuidado materno da Igreja, ou afirmando, em tal caso, não querer pôr tantas condições à misericórdia. São Tomás de Aquino disse: «por nenhum fim alguém pode cometer adultério; pro nulla enim utilitate debet aliquis adulterium committere» (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5).

·  Uma normativa que permite a violação do Sexto Mandamento de Deus e do vínculo sacramental do matrimónio apenas num único caso ou em casos excepcionais, para evitar, presumivelmente, uma mudança geral das normas canónicas, significa sempre, porém, uma contradição da verdade e da vontade de Deus. Consequentemente, é psicologicamente enganador e teologicamente errado falar, neste caso, de uma normativa restritiva ou de um mal menor em contraste com a normativa de carácter geral.

· Sendo o matrimónio válido entre baptizados um sacramento da Igreja e, pela sua natureza, uma realidade de carácter público, um julgamento subjectivo da consciência sobre a nulidade do próprio matrimónio, por contraposição à respectiva sentença definitiva do tribunal eclesiástico, não pode ter consequências para a disciplina sacramental, que tem sempre um carácter público.

· A Igreja e, especificamente, o ministro do sacramento da Penitência, não têm a faculdade para julgar o estado da consciência dos fiéis ou a rectidão de intenção da consciência, uma vez que «ecclesia de occultis non iudicat» (Concílio de Trento, Sess. 24, cap. 1). O ministro do sacramento da Penitência não é, portanto, o vigário ou o representante do Espírito Santo, de modo que possa entrar com a Sua luz nas dobras da consciência, pois Deus reservou para Si o acesso à consciência: «sacrarium in quo homo solus est cum Deo» (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 16). O confessor não pode arrogar-se a responsabilidade diante de Deus para dispensar implicitamente o penitente da observância do Sexto Mandamento e da indissolubilidade do vínculo matrimonial através da admissão à Santa Comunhão. A Igreja não tem o poder de fazer derivar com base numa pretensa convicção da consciência sobre a invalidade do próprio matrimónio no foro interno, consequências para a disciplina sacramental no foro externo.

·  Uma prática que permite que as pessoas divorciadas civilmente, e assim ditas "recasadas", recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia não obstante a sua intenção de continuar a violar o Sexto Mandamento e o seu vínculo matrimónio sacramental, é contrária à Verdade Divina e alheia ao sentido perene da Igreja Católica e ao comprovado costume recebido e fielmente preservado desde os tempos dos Apóstolos, e recentemente confirmado de modo seguro por São João Paulo II (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84) e pelo Papa Bento XVI (cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 29).

· A prática mencionada seria para todo o homem que raciocina uma ruptura clara e, portanto, não representaria um desenvolvimento em continuidade com a prática apostólica e perene da Igreja, visto que contra um facto evidente não vale qualquer argumento: contra factum non valet argumentum. Uma tal prática pastoral seria um contra-testemunho da indissolubilidade do matrimónio, e uma espécie de cooperação por parte da Igreja na difusão da "praga do divórcio", sobre a qual alertou o Concílio Vaticano II (cf. Gaudium et spes, 47).

· A Igreja ensina através daquilo que faz, e deve fazer aquilo que ensina. Sobre a acção pastoral em relação às pessoas em uniões irregulares dizia São João Paulo II: «A acção pastoral procurará fazer compreender a necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua situação à luz dos princípios cristãos. Tratando-as embora com muita caridade, e interessando-as na vida das respectivas comunidades, os pastores da Igreja não poderão infelizmente admiti-las aos sacramentos» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 82).

· Um acompanhamento autêntico das pessoas que se encontram num estado objetivo de pecado grave, e o correspondente caminho de discernimento pastoral, não podem subtrair-se a anunciar a essas pessoas, com caridade, toda a verdade sobre a vontade de Deus, a fim de que se arrependam de todo o coração dos actos pecaminosos de viver juntos, more uxorio, com uma pessoa que não é o seu legítimo cônjuge. Ao mesmo tempo, um acompanhamento e discernimento pastoral autênticos devem encorajá-las a que, com a ajuda da graça de Deus, parem de cometer tais actos no futuro. Os Apóstolos e toda a Igreja, ao longo destes dois mil anos, anunciaram sempre aos homens toda a verdade de Deus no que diz respeito ao Sexto Mandamento e à indissolubilidade do matrimónio, seguindo o aviso de São Paulo Apóstolo: «Jamais recuei quando era preciso anunciar-vos toda a vontade de Deus» (Act 20, 27).

·  A prática pastoral da Igreja sobre o matrimónio e o sacramento da Eucaristia tem tal importância, e consequências de tal modo decisivas para a fé e para a vida dos fiéis, que a Igreja, para permanecer fiel à palavra revelada por Deus, deve evitar nesta matéria qualquer sombra de dúvida e confusão. São João Paulo II formulou esta verdade perene da Igreja assim: «É minha intenção inculcar em todos o vivo sentido de responsabilidade, que sempre nos deve guiar ao tratar das coisas sagradas; estas não são propriedade nossa, como é o caso dos Sacramentos; ou então têm direito a não serem deixadas na incerteza e na confusão, como são as consciências. Coisas sagradas — repito — são uns e outras: os Sacramentos e as consciências; e exigem da nossa parte serem servidas com verdade. Esta é a razão da lei da Igreja» (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 33).

Não obstante as repetidas declarações a respeito da imutabilidade da doutrina da Igreja em relação ao divórcio, numerosas igrejas particulares aceitam-no agora através da prática sacramental, e esse fenómeno está em crescimento. Apenas a voz do Supremo Pastor da Igreja pode evitar definitivamente que no futuro se venha a caracterizar a situação da Igreja dos nossos dias com a seguinte expressão: "O mundo inteiro gemeu e percebeu com espanto que tinha aceitado o divórcio na prática" (ingemuit totus orbis, et divortium in praxi se accepisse miratus est), recordando um dito análogo com o qual São Jerónimo caracterizou a crise ariana.

Tendo em conta este perigo, que é real, e a ampla disseminação da praga do divórcio dentro da vida da Igreja, que é implicitamente legitimada pelas mencionadas normas e orientações de aplicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, uma vez que essas normas e orientações de algumas igrejas particulares se tornaram, num mundo globalizado, de domínio público, e uma vez que as muitas súplicas feitas em privado e de modo confidencial ao Papa Francisco, por parte de muitos fiéis e Pastores da Igreja, se mostraram ineficazes, somos forçados a fazer este urgente apelo à oração. Como sucessores dos Apóstolos, também nos impele a obrigação de levantar a voz quando se encontram em perigo as coisas mais sagradas da Igreja e a salvação eterna das almas.

As seguintes palavras de São João Paulo II, com as quais ele descreveu os ataques injustos contra a fidelidade do Magistério da Igreja, sejam para todos os Pastores da Igreja, nestes tempos difíceis, uma luz e um impulso para uma acção cada vez mais unida: «Não raro, de facto, o Magistério da Igreja é acusado de estar superado já e fechado às instâncias do espírito dos tempos modernos; de realizar uma acção nociva para a humanidade, e inclusive para a própria Igreja. Ao manter-se obstinadamente nas próprias posições — diz-se —, a Igreja acabará por perder popularidade e os fiéis afastar-se-ão cada vez mais dela» (Carta às Famílias, Gratissimam sane, 12).
  
Considerando que a admissão dos divorciados ditos "recasados" aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, sem que lhes seja pedido o cumprimento da obrigação de viverem em continência, constitui um perigo para a fé e para a salvação das almas, e ainda uma ofensa à santa vontade de Deus, tendo também em conta que tal prática pastoral, por consequência, jamais pode ser uma expressão da misericórdia, da "via caritatis" ou do sentido maternal da Igreja para com as almas pecadoras, fazemos este apelo à oração profunda solicitude pastoral, para que Papa Francisco revogue de forma inequívoca as orientações pastorais já introduzidas em algumas igrejas particulares. Tal acto da Cabeça visível da Igreja confortaria os Pastores e fiéis segundo o mandamento que Cristo, Supremo Pastor das almas, deu ao apóstolo Pedro e, através dele, a todos os seus sucessores: «Confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32).

Que as vozes de um Papa Santo e de uma Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, sirvam para todos, na Igreja dos nossos dias, de luz e fortalecimento:

«O erro ao qual não se resiste, será aprovado. A verdade que não se defende, será oprimida» (Papa São Félix III, † 492). «Santo Padre, Deus escolheu-Vos para coluna da Igreja, de modo que sois o instrumento para extirpar a heresia, confundir as mentiras, exaltar a Verdade, dissipar as trevas e manifestar a luz» (Santa Catarina de Sena, † 1380).

No ano 638, quando o Papa Honório I adoptou uma atitude ambígua diante da difusão da nova heresia do monotelismo, São Sofrónio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo desde a Palestina até Roma dizendo-lhe estas palavras: “Vai à Sé Apostólica, onde estão os fundamentos da santa doutrina, e não cesses de rezar até que a Sé Apostólica condene a nova heresia.” A condenação veio depois, em 649, por obra do Papa santo e mártir Martinho I.

Fizemos este apelo à oração, cientes de que teríamos cometido um acto de omissão caso não o tivéssemos feito. É Cristo, Verdade e Supremo Pastor, Quem nos julgará quando vier. A Ele pedimos com humildade e confiança que retribua todos os pastores e todas as ovelhas com a coroa imperecível da glória (cf. 1 Pe 5, 4).

Em espírito de fé e com afecto filial e devoto, elevamos a nossa oração pelo Papa Francisco: "Oremus pro Pontifice nostro Francisco: Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam Meam, et portae inferi non praevalebunt adversus eam".

Como meio concreto, recomendamos rezar todos os dias esta antiga oração da Igreja ou uma parte do santo rosário com a intenção de que o Papa Francisco revogue de modo inequívoco aquelas orientações pastorais que permitem que os, assim chamados, divorciados “recasados” recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem que cumpram a obrigação de viver em continência.

18 de Janeiro de 2017, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma.

+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana
+ Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana


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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Roma Æterna, às portas do Kremlin

'Lamentação sobre Cristo morto' - Giovanni Bellini (séc. XV)
Nos tempos do império romano, falava-se da Roma Eterna, mas foi com o cristianismo que Roma conseguiu verdadeiramente sobreviver à caducidade dos séculos. Sobreviveu e tornou-se presente, com esta vitalidade nova, de uma ponta à outra do orbe terrestre.

Inclusivamente, alguns quiseram que, como centro da Igreja, Roma se libertasse da referência geográfica e começasse a vaguear pelo mundo. A dada altura, Constantinopla proclamou-se a Segunda Roma e, séculos depois, Moscovo declarou-se a Terceira Roma. O urbanismo de Moscovo e a arquitectura do Kremlin correspondiam à miragem dessa Terceira Roma, também ela com aspirações a ser Eterna. Muitas capitais que acalentaram sonhos de grandeza num mundo globalizado, como Lisboa, Moscovo, etc., descobriram que tinham sete colinas. Exactamente sete colinas, como a Primeira Roma nas margens do rio Tibre.

Agora, Moscovo alberga realmente uma extraordinária «Roma Æterna» – assim se chama, com o título em latim, a exposição de 42 peças do Museu Vaticano patentes na Galeria Tretyakov. As filas de visitantes dão a volta aos quarteirões para admirar obras-primas de Raffaello, Caravaggio, Bellini, Guercino, Perugino, Poussin, Reni, Forli... Além de que o Vaticano disponibilizou um elenco notável de obras-primas, que não costumam sair, sobretudo em tão grande número, a exposição celebra a ligação espiritual da Rússia à Igreja católica. O curador russo, Arkady Ippolitov, associa a arte à fé: «o conceito dos Museus Vaticanos expressa o que Roma é». A Roma Eterna «não é apenas uma cidade, não é uma capital, mas o núcleo da história europeia e a quintessência, o que há de melhor, no espírito europeu».

A sala principal da exposição reproduz a planta da praça de S. Pedro. A primeira peça é a «Bênção de Cristo», do século XII. Outras peças importantes são as «Lamentações de Cristo Morto», de Bellini e de Crivelli: aconselho uma visita aos comentários da Maria Zarco (http://adeus-ate-ao-meu-regresso.blogspot.pt/2016/12/vai-um-gin-do-peters_27.html). O último quadro da exposição é «As observações astronómicas», de Creti, pintado para convencer o Papa Clemente XI a financiar a construção de um observatório astronómico em Bolonha (a manobra promocional surtiu efeito!).

A iniciativa da exposição «Roma Æterna» partiu do encontro do Papa Francisco com Vladimir Putin, em 2013, e completar-se-á quando, no final de 2017, uma colecção de obras da Galeria Tretyakov visitar o Vaticano, «como testemunho de amizade entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica».

Dentro de Itália, além dos bombeiros vaticanos que acorreram a socorrer as vítimas dos recentes terramotos, a Directora do Museu Vaticano, Barbara Jatta, anunciou que uma vintena dos 65 restauradores do Museu se voluntariou para se deslocar às cidades afectadas, para ajudar a recuperar o património artístico no local. Ao mesmo tempo, o Governo italiano enviou para as oficinas de restauro do Vaticano as peças de maior valor.

Colaborando em todas as direcções, o Museu Vaticano quer fazer destas palavras do Papa Francisco, uma espécie de lema: «a beleza une-nos». Um dos projectos internacionais anunciados pelo Museu Vaticano é trazer uma exposição a Lisboa por ocasião da visita do Papa Francisco a Fátima, em Maio. Já marquei na agenda.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores,  15-I-2017


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sábado, 14 de janeiro de 2017

Oração para pedir a Beatificação da Irmã Lúcia

Oração para pedir a Beatificação da Serva de Deus Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e Vos agradeço as aparições da Santíssima Virgem em Fátima para manifestar ao mundo as riquezas do seu Coração Imaculado. Pelos méritos infinitos do Santíssimo Coração de Jesus e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos que, se for para vossa maior glória e bem das nossas almas, Vos digneis glorificar, diante da Santa Igreja, a Irmã Lúcia, pastorinha de Fátima, concedendo-nos, por sua intercessão, a graça que vos pedimos (fazer o pedido). Ámen.

Pai-nosso. Avé Maria. Glória.

Com autorização eclesiástica




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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"O Ocidente tornou-se o túmulo de Deus", denuncia o Cardeal Sarah

"A verdadeira crise que enfrenta o nosso mundo agora não é essencialmente económica ou política, mas uma crise de Deus e ao mesmo tempo uma crise antropológica", escreve o Cardeal Robert Sarah prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, numa reflexão publicada na última edição da revista 'Vita e Pensiero', divulgada hoje. "Claro, hoje falamos apenas da crise económica: no desenvolvimento do poder da Europa - depois das suas orientações religiosas e éticas originárias - o interesse económico tornou-se determinante e cada vez mais exclusivo."

"A cultura ocidental - escreve Sarah - foi gradualmente sendo organizada como se Deus não existisse: muitos hoje decidiram prescindir de Deus. Como diz Nietzsche, para muitos no Ocidente, Deus está morto E fomos nós que O matámos, nós somos os seus assassinos e as nossas igrejas são as criptas e os túmulos de Deus. 

Um grande número de fiéis já não as frequentam, já não vão mais à igreja, para evitar sentir a putrefacção de Deus; mas ao fazê-lo, o homem já não sabe quem é nem para onde deve ir: há uma espécie de retorno ao paganismo e idolatria; a ciência, a tecnologia, o dinheiro, o poder, o sucesso, a liberdade até o amargo fim, os prazeres sem limites são, hoje, os nossos deuses."

É, então, necessário alterar a perspectiva, explica o cardeal guineense: "Devemos recordar que é em Deus que vivemos, nos movemos e existimos (At 17, 28). É n'Ele que tudo subsiste. Ele é o Princípio, n'Ele habita toda a Plenitude, diz-nos São Paulo; fora d'Ele nada existe: tudo encontra o seu próprio ser em Deus e a sua própria verdade, ou Deus ou nada. 

Certo, existem problemas enormes, situações muitas vezes dolorosas, uma existência humana difícil e angustiante; ainda assim, devemos reconhecer que é Deus que dá sentido a tudo. As nossas preocupações, os nossos problemas, os nossos sofrimentos existem e preocupamo-nos, mas nós sabemos que se resolvido n'Ele, sabemos que é Deus ou nada, e percebemo-lo como uma evidência que se nos impõe não a partir do exterior, mas do interior da alma, porque o amor não se impõe pela força, mas seduzindo o coração com uma luz interior."

Matteo Matzuzzi in Il Foglio


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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Papa Francisco celebrou Missa 'ad orientem' na Capela Sistina




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Deus protege e liberta o humilde, ama-o e consola-o

Não te preocupes muito se alguém é por ti ou contra ti, mas procede e ocupa-te de modo a que Deus esteja contigo em tudo quanto faças. Consegue uma consciência pura, que Deus te defenderá bem. 

Se souberes calar-te e sofrer, verás sem dúvida o auxílio do Senhor. Ele conhece o tempo e o modo de te libertar, e por isso a Ele te deves submeter. É próprio de Deus ajudar e libertar de toda a confusão.

Muitas vezes, é mais útil para a conservação da nossa humildade que os outros conheçam os nossos defeitos e os censurem. Quando um homem se humilha por causa dos seus defeitos, acalma os outros facilmente e satisfaz sem custo os que com ele se iravam.

Deus protege e liberta o humilde, ama-o e consola-o. Inclina-Se para ele e dá-lhe grande graça; e, depois do seu abatimento, eleva-o à glória. Revela os seus segredos ao humilde, arrasta-o e convida-o docemente para Si. E ele, mesmo na confusão, vive em paz, porque se firma em Deus e não no mundo. Não julgues ter adiantado em qualquer coisa se não te sentires inferior a todos.

in Imitação de Cristo (tratado espiritual do século XV); II, 2: «Da humilde submissão» 


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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Famílias numerosas, famílias felizes

A consequência da mentalidade contraceptiva não poderia ser outra: famílias cada vez menores e dilaceradas pelo divórcio. 

Quando o Papa João XXIII recebeu no Palácio Apostólico a visita de dez irmãos, sendo nove religiosos e um bispo, logo perguntou: "Uma Mãe? Sim, Santidade, uma Mãe". A cena é belíssima e, de certo modo, nostálgica, uma vez que famílias com muitos filhos têm-se tornado numa espécie rara, ano após ano, mesmo entre os católicos. 


"Não, eu não quero mais um filho, porque não poderemos viajar de férias, não poderemos ir a tal lugar, não poderemos comprar uma casa". É o que costumam dizer aqueles que vêem com pavor a ideia de ter uma família numerosa, critica o Papa Francisco num desafio à cultura do "bem-estar à qualquer custo". Com isso, o Santo Padre assevera um ensinamento do seu predecessor, Paulo VI, há muito esquecido: "O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias"(Cf. Humanae Vitae, n. 1). 

A geração e o cuidado da prole não são apenas um direito natural da família, mas algo que se enquadra no próprio projecto de Deus e, por isso, um dever. Com efeito, mesmo que em algumas circunstâncias surjam dificuldades, a graça de poder transmitir a vida não pode ser sobreposta por questões banais e de ordem materialista.

Os 12 filhos da Família Schwandt
A defesa dos contraceptivos, feita muitas vezes por católicos, demonstra a incapacidade de compreender a beleza do dom da paternidade e o vazio espiritual que assolam a sociedade moderna. "Quer-se seguir Jesus, mas até certo ponto", diz o Papa. Ora, não espanta a quantidade de divórcios realizados desde a sua trágica aprovação, já que são consequência lógica da forma como os casais passaram a relacionar-se após o aparecimento da contracepção artificial: como objectos de prazer.

As famílias numerosas, por outro lado, agem conforme a regra única do amor e, obviamente, da paternidade responsável - aquela que opera dentro dos limites do bom senso e da recta conduta cristã - abrindo-se generosamente ao dom da criação. Testemunha a favor disso a própria história recente, cheia de exemplos boníssimos de casais, desde os mais ricos aos mais pobres, que abandonaram-se à providência divina e contribuíram, assim, para o desenvolvimento saudável dos seus filhos, dentro de um lar agraciado pela presença do Pai, da Mãe e dos primeiros amigos: os irmãos. Quando existe a confiança no auxílio da graça, existe também a confiança mútua do marido e da mulher, a busca pela unidade e a consumação dessa união numa só carne. União indissolúvel que nenhuma lei pode cancelar.

Equipa Christo Nihil Praeponere in padrepauloricardo.org



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domingo, 8 de janeiro de 2017

O colapso da liturgia e a crise da Igreja segundo Bento XVI

“Estou convencido de que a crise eclesial em que nos encontramos hoje depende em grande parte do colapso da liturgia.” 

Papa Bento XVI (Joseph Ratzinger) in “La mia vita”, p. 112


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sábado, 7 de janeiro de 2017

Que a glória de Deus cresça em nós e que a nossa diminua

Que a glória de Deus cresça em nós e que a nossa diminua a fim de que, em Deus, a nossa cresça também. Efectivamente, é o que diz o Apóstolo: «Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor» (1 Cor 1,30). Queres gloriar-te a ti mesmo? Isso significa que queres crescer mas, para tua desgraça, cresces mal. E aquele que cresce mal na realidade fica diminuído.

Portanto, cresça Deus, que é sempre perfeito: que Ele cresça em ti. Porque quanto mais conheces a Deus e O compreendes, tanto mais Ele parece crescer em ti, se bem que Ele não cresça, pois é sempre perfeito. Ontem conhecia-Lo um pouco, hoje conhece-Lo melhor, amanhã conhece-Lo-ás melhor ainda: é a própria luz de Deus que cresce em ti, e Deus parece assim crescer, Ele que é sempre perfeito.

Um homem que era cego e fica curado começa por ver um pouco de luz, no dia seguinte vê mais, e no outro dia mais ainda. A luz parece-lhe aumentar, e no entanto a luz é perfeita, quer ele a veja ou não. O mesmo acontece com o homem interior: progride em Deus e Deus parece crescer nele, enquanto ele mesmo diminui para cair da sua glória e se erguer na glória de Deus.

Santo Agostinho in Tratado sobre S. João 14, 5; CL 36, 143-144


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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

D. Athanasius Schneider: ''Temos de amar o Papa sobrenaturalmente rezando por ele, e não praticar uma espécie de papolatria"

Apresentamos uma entrevista recente a D. Athanasius Schneider feita em Sevilha, pelo site Adelante la Fe, e um conjunto de frases da entrevista, recolhido pela Equipa do Instituto Bento XVI.

Situação Geral

"Existem muitos lugares onde os padres católicos se comportam mais como ministros protestantes"
"Há famílias que precisam de viajar mais de 100 km para assistir a uma Missa com a Doutrina correcta"
"Os fiéis devem pedir aos sacerdotes para usar o genuflexório"
"Nós temos uma doença no Coração Eucarístico da Igreja, e, enquanto não for curada, todo o corpo permanecerá doente e sem produzir frutos"
"No ambiente actual é um verdadeiro milagre que haja vocações"
"A ideologia de género é uma perversão, a forma final do marxismo"
"Os pais devem retirar os seus filhos das escolas onde ensinam a ideologia de género"
"Dentro da igreja há uma mentalidade de relativismo radical"
"Com o relativismo moral, especialmente na comunhão aos divorciados novamente casados, queremos que Deus faça a nossa vontade, e não fazer a d'Ele"
"O diaconato feminino contradiz a própria natureza da Igreja"
''Temos de amar o Papa sobrenaturalmente rezando por ele, e não praticar uma espécie de papolatria"

FSSPX - D. Marcel Lefebvre

"Estou convencido de que, nas actuais circunstâncias D. Marcel Lefebvre aceitaria sem hesitar a proposta canónica de uma Prelatura Pessoal"
"D. Marcel Lefebvre era um homem com um profundo Sensus Ecclesiae"
"As Ordenações episcopais de 1988 foram feitas porque em boa consciência ele pensou que era necessário fazer um acto extremo. Mas também disse que a situação não duraria muito tempo"
"Ao permanecer muito tempo em situação canonicamente autónoma corre-se o risco de perder uma característica da Igreja Católica, que é a sujeição ao Papa"
"Nós não podemos confiar nessa sujeição ao Vigário de Cristo pela pessoa do Papa. Não podemos dizer que, porque não confiamos neste Papa, não nos vamos submeter a ele, e que vamos esperar até que venha um que gostamos. Isto não é católico, não é sobrenatural, é humano, é uma falta de confiança na Divina Providência... Pois é Deus quem guia a Igreja. Isto é um perigo para a FSSPX"
"Eu disse a D. Fellay para não demorar a aceitar a proposta de Roma e ter confiança na Providência, mesmo que não tenha 100% de certeza"
"Eu tenho um grande desejo de que a FSSPX seja reconhecida e estabelecida o mais rápido possível na estrutura normal da Igreja. Seria para o benefício de todos, seria realmente uma nova força nesta grande batalha pela pureza da Fé"
"Eu disse a D. Fellay: Monsenhor, precisamos da vossa presença para juntos com todas as forças boas da Igreja, alcançarmos essa união"

Missa Tradicional

"O movimento pela restauração da Missa tradicional é obra do Espírito Santo, e é imparável"
"Se os padres do Vaticano II testemunhassem a Missa como a conhecemos hoje, e uma Missa tradicional, a maioria diria que a tradicional é o que eles queriam e não a outra"
"A liturgia tradicional é, de certa forma, a liturgia do Vaticano II, talvez com pequenas modificações"


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Missa Tradicional em Lisboa - Novos horários




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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Como o Vale de Acór mudou completamente a vida deste homem (e de muitos outros)

Caros amigos,

A história que tenho para vos contar tem como objectivo despertar consciências e abrir os corações para a realidade. Nada tem a ver com números ou estatísticas e nem sequer é de carácter informativo. Esta história visa, antes de tudo, as pessoas: os pobres e aqueles que trabalham para os salvar; aqueles que acompanham o dia-a-dia dos que nada têm e lhes trazem esperança, contribuindo para que se testemunhem verdadeiros milagres na vida dos que por aqui passam.

Tenho 45 anos, sou casado, tenho 4 filhos, sou empresário e fui um destes pobres que estamos habituados a ver nos parques de estacionamento, à espera que “caiam” os primeiros trocos para mais uma dose. Digo “fui pobre” porque não há dinheiro nenhum que pague a riqueza do que tenho hoje e que em tudo se deve ao encontro que fiz em Janeiro de 2001 com a Associação Vale de Acór, numa altura em que nada mais tinha a perder. 

Na verdade, o Vale de Acór foi mesmo a porta de esperança que me abriu novos caminhos para a vida. Aprendi aqui, com estas pessoas, o auto-conhecimento, a relacionar-me com os outros, a reconstruir as relações familiares, a encontrar soluções para os problemas do dia à dia, enfim, aprendi uma forma totalmente renovada de enfrentar a vida sem a necessidade de adictivos (álcool, drogas, etc.), que me deu a segurança e a confiança necessária para construir tudo o que tenho hoje.

Passados 20 meses de programa, comecei a trabalhar e pude começar assim a pagar as dívidas que tinha acumulado ao longo de 15 anos, créditos, fianças, empréstimos pessoais, entre outros. Demorei 4 anos a pagar tudo, ao mesmo tempo que pagava também algumas “dívidas morais”; os meus pais que tanto tinham sofrido, podiam finalmente sentir-se ajudados por mim, (que milagre!). 

Pude reatar a relação com as minhas duas filhas, fruto de duas relações fortuitas num período muito negativo da minha vida. A mais velha, visitava-me quando ainda estava na comunidade, e a mais nova, que vive com a mãe no estrangeiro, viria eu a visitá-la durante o período de reinserção, e mais tarde começou ela a vir a Portugal regularmente nas férias.

Com o Vale de Acór tornei-me cristão e fui baptizado aos 34 anos de idade. Com a segurança necessária e a vida encaminhada, fui graduado (final do programa terapêutico) a 4 de Março de 2004. Como Deus não se esgota em generosidade, pouco tempo depois, aconteceu o que há muito desejava: conheci a mulher da minha vida, com quem pude construir a minha própria família. Casei e tive 2 filhos, sendo que o mais pequenino é autista. O que poderia ter sido para nós um drama, tem sido uma Graça nas nossas vidas. Hoje com apenas 4 anos, o nosso filho ensina-nos muito: na perseverança, na paciência, na caridade, na esperança, enfim, o Amor. Ele é o elo mais forte que nos liga à vida. 

Nunca deixei de ir “beber água” a este Vale de Esperança que me devolveu à vida e onde mantenho os amigos, os padrinhos, os conselheiros e todos aqueles de quem preciso para me lembrar de onde vim, onde estou e para onde desejo ir. Embora seja mais cómoda a “discrição”, conto a minha história porque é urgente acreditar que é possível a mudança e a recuperação. Mas sozinhos não somos capazes. É preciso ajuda. Ajuda de quem o saiba fazer com profissionalismo e dedicação, mas sobretudo com amor. E é assim que se trabalha no Vale de Acór. O Vale de Acór precisa do seu apoio. Ajude-o a ajudar quem mais precisa! Obrigado.

Pedro R. in www.a-valedeacor.pt


Para ajudar clique aqui: Ajudar o Vale de Acór


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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

3 ideias a não perder em Star Wars Rogue One

O novo Star Wars já estreou. Vale muito a pena verem o filme com amigos. Vão-se divertir imenso, mas também porque há ideias boas para retirar do filme. 

(Atenção: no fim há spoilers que contam o fim do filme)

1. Divina Providência

Chirrut, um dos personagens mais importantes, é um guardião das minas de cristais de sabres de luz. Apesar de não ser Jedi, Chirrut tem uma relação muito próxima com a Força que lhe dá grande agilidade em combate e uma enorme segurança. Chirrut é cego mas, pela confiança que tem na Força, consegue ver muito mais do que qualquer outro personagem.

Isto lembra a confiança dos Cristãos na Divina Providência. Os Cristãos sabem que Deus sustenta continuamente o Universo e que os protege mesmo nas piores adversidades. Por isso é que, mesmo numa situação difícil, é possível viver em paz, sabendo que Deus está a ver. Os Cristãos que vivem assim, como foi o caso dos Santos, vêem muito mais longe do que os outros, pois vêem o mundo com um olhar sobrenatural. 

É verdade que há momentos de muita dor e que não passam, ao ponto de quem sofre pensar que Deus não existe. Mas confiar em Deus não é fácil, apesar de simples. Na verdade, no filme, Chirrut também sabe que confiar na Força não é fácil, por isso é que ele está constantemente a repetir para si que confia na Força (“I am one with the Force, the Force is with me.”) Ele repete isto não para se unir mais à Força mas para confiar mais, para se convencer a si mesmo disso. Os Cristãos também usam há séculos truques não para que Deus os proteja, mas para se lembrarem da presença de Deus. Os Santos repetiam continuamente jaculatórias (como “Jesus, eu confio em Vós”) para confiarem mais em Deus. Como mostra a história de Chirrut neste Star Wars, a repetição vocal e contínua de uma pequena oração é útil para a vida espiritual e tem grandes efeitos na vida real.

2. Coisas pequenas

Este novo Star Wars, ao contrário dos outros, não pertence a uma trilogia. É um filme sobre uma história secundária que conta como a Aliança Rebelde roubou os planos da Estrela da Morte, essenciais para o episódio IV. Sem esta história, nunca o Luke Skywalker, a Princesa Leia e o Han Solo se teriam tornado amigos e mudado a história do universo (e do cinema). Este filme dá voz a membros da Aliança Rebelde que nem sequer sabíamos que existiam. Estas pessoas tinham vidas valiosas que ganharam forma através de decisões complicadas que tiveram de tomar ao longo do filme. 

Todas os grandes sucessos têm sempre coisas aparentemente pequenas, mas muito valiosas, por trás. Uma grande construção torna o arquitecto famoso, mas por trás há imensas pessoas envolvidas: engenheiros, construtores, empresas de materiais, os professores que ensinaram todas estas pessoas, ... Isto é especialmente verdade na vida Cristã. Quando Jesus diz em Lc 16, 10 que “quem é fiel no pouco, também é fiel no muito”, está a demonstrar a importância das coisas pequenas para uma vida grande. O caminho de santidade ensinado por Santa Teresinha é inteiramente feito de coisas pequenas. E São Josemaria ensinou que quem não souber viver os pequenos sacrifícios do dia-a-dia, nunca conseguirá ser verdadeiramente Santo e vencer os grandes obstáculos que a vida lhe porá à frente. Como Cristãos gostamos de ver o louvor das coisas pequenas precisamente porque isso nos mostra que mesmo as coisas que parecem mais pequenas têm um fruto muito grande. E este novo Star Wars mostra isso. 

3. Esperança

O filme acaba de uma forma totalmente inesperada. Todos os heróis do filme morrem, mas nenhuma das suas mortes foi em vão. No filme, cada personagem morre imediatamente depois de completar a sua missão. Mas o interessante é que nenhum deles sabe se o que fez foi bem sucedido ou não. Todos os Rebeldes que foram roubar os planos da Estrela da Morte morrem sem nunca saber se a Aliança Rebelde recebeu os planos. Pior ainda, o que eles viam era que tudo parecia falhar. Mas, ainda assim, eles fizeram o que tinham a fazer. Porquê? Porque estavam alimentados pela esperança de que iam conseguir.

A Igreja Católica ensina que a Esperança é a virtude pela qual temos a certeza da Ressurreição. Tal como disse Nossa Senhora em Fátima, no fim, “o meu Imaculado Coração Triunfará.” Todas as acções dos Cristãos devem ser animadas pela certeza de que, se forem fiéis, no fim da vida vão para o Céu. Vemos isso na ousadia dos Santos que fizeram coisas impensáveis aos olhos do mundo e que mesmo assim sucederam. Um Cristão fiel é um verdadeiro rebelde contra as modas do mundo. Como diz Jyn Erso, a personagem principal do filme, “we have hope. Rebellions are built on hope.” E o filme a seguir a este chama-se “Uma Nova Esperança.” Também pelos mártires e pelos santos, vê-se que a esperança de um Cristão, dá esperança a muitos outros por gerações fora.

Nuno CB

English Version (via Google Translator):

The new Star Wars: Rogue One is already out. You should watch the movie with friends. Not only you will have lots of fun, but there are also great ideas to take from the film.

(Warning: there are some spoilers in the end)

1. Divine Providence

Chirrut, one of the most important characters, is a guardian of the mines of lightsaber crystals. Although not a Jedi, Chirrut has a close relationship with the Force that gives him a great agility in combat and an enormous sense of security. Chirrut is blind but, due to his trust in the Force, he can see more than any other character.

This reminds us of the trust that Christians have in Divine Providence. Christians know that God continually sustains the Universe and protects them, even before the worst adversities. That is why, even in a difficult situation, it is possible to live in peace, knowing that God is watching. The Christians who live like this, as the Saints did, see beyond what others see, for they see the world with a supernatural look.

It is true that there are times of much pain that take long to go away. They so hard to the point of thinking that God does not even exist. But trusting in God is not easy, although it is simple. In fact, in the film, Chirrut also knows that relying on the Force is not easy, that is why he is constantly repeating to himself that he trusts the Force. "I am one with the Force, the Force is with me," he says. He repeats this not to join the Force more but to trust more, to convince himself of it. Christians have also used these tricks for centuries, not for God to protect them, but to remember the presence of God. The Saints continually repeated their aspirations (like "Jesus, I trust in You") to trust God more. As Chirrut's story in this Star Wars episode shows, the vocal and continuous repetition of a little prayer is useful for the spiritual life and has great effects in real life.

2. Small things

This new Star Wars, unlike the others, does not belong to a trilogy. It is a film about a secondary story that tells how the Rebel Alliance stole the Death Star plans, leading up to Episode IV. Without this story, Luke Skywalker, Princess Leia and Han Solo would never have become friends and changed the history of the universe (and of cinema). This film gives voice to members of the Rebel Alliance that we did not even know existed. These people had valuable lives that took shape through the complicated decisions they had to make throughout the film.

All great successes always have seemingly small things behind, that are at the same time very valuable. A great building makes the architect famous, but behind  it there are many people involved: engineers, builders, material companies, teachers who taught all these people, ... This is especially true in the Christian life. When Jesus says in Luke 16:10 that "he who is faithful in the least is also faithful in much," he is demonstrating the importance of small things to a great life. The path of holiness taught by St. Theresa is entirely made up of small things. And Saint Josemaría taught that anyone who does not know how to live the small sacrifices of everyday life will never be truly holy and overcome the great obstacles that life will put before him. As Christians, we like to see the praise of small things precisely because it shows us that even things that look smaller have a large fruit. And this new Star Wars shows it.

3. Hope

The film ends in a completely unexpected way. All the heroes in the movie die, but none of these deaths were in vain. In the movie, each character dies immediately after completing his or her mission. But the interesting thing is that none of them knew if what they did was successful or not. All the Rebels who were stealing the Death Star's plans die without ever knowing whether the Rebel Alliance received the plans. Even worse, what they saw made it seem that everything was failing. And yet, they did what they had to do. Why? Because they were moved by the hope that they would succeed.


The Catholic Church teaches that Hope is the virtue by which we are assured of the Resurrection. As Our Lady at Fatima said: in the end, "my Immaculate Heart will triumph." All the actions of Christians should be moved by the certainty that, if they are faithful, they will go to Heaven at the end of their lives. We see that in the audacity of the Saints, who did unthinkable things in the eyes of the world and yet succeeded. A faithful Christian is a true rebel against the trends of this world. As Jyn Erso, the lead character in the film, says, "we have hope. Rebellions are built on hope." And so the film following this is "A New Hope. From the martyrs and saints, we see that the hope of one Christian gives hope to many others, for generations to come.


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