quinta-feira, 11 de março de 2021

Apelo à Insurreição

Desde há muito anos que nas minhas orações quotidianas peço por todos aqueles que conheci na minha vida de Padre (e também por todos os que virei a conhecer). Mas confesso que agora, ao celebrar o vigésimo quinto aniversário da minha Ordenação Sacerdotal, tomei uma consciência mais viva de como eram numerosos os que andavam dispersos e perdidos. 

Meditando então nos vários movimentos e grupos com quem estive em contacto e trabalhei recebi a inspiração de apelar a uma sarrafusca, isto é, a uma insurreição (Evangélica), daqueles, que não obstante as suas fragilidades e quedas se levantam, permanecendo assim na Comunhão com Cristo, para que unidos na oração, no jejum ou/e em outros sacrifícios combatam o “bom combate” da Fé em favor dos seus amigos.

Quando ainda jovens lemos no Evangelho a parábola do semeador, embora a compreendamos, de algum modo, temos dela um entendimento incompleto, por abstracto. De facto, não nos passa pela cabeça que aqueles nossos amigos com quem orámos, com quem partilhámos aventuras apostólicas, organizámos retiros, missões populares, experiências de eremitério, passados alguns anos deixem de acreditar em Deus, ou estejam vivendo arredados da lei do Senhor, comportando-se de modo contrário ao Evangelho ou mesmo combatendo-o. Mas infelizmente, como nos advertiu Jesus Cristo, isso acontece.

O facto de isso acontecer provoca em nós, por um lado, uma grande dor, uma enorme tristeza e, por outro, um sentimento de advertência: também nós, que somos feitos da mesma “massa” que os outros, podemos vir a cair e a trair. Por isso, devemos não só agradecer o permanecermos n’ Ele mas temos também de implorar continuamente a Graça da fidelidade, pedindo que o Senhor não permita que d’ Ele nos separemos, antes aumente em nós o Seu amor e o amor a todos os que Ele criou e por quem Se entregou à morte para os salvar. Consequentemente, é impossível ficarmos indiferentes à circunstância e ao destino desses nossos amigos. 

Desde há muito anos que nas minhas orações quotidianas peço por todos aqueles que conheci na minha vida de Padre (e também por todos os que virei a conhecer). Mas confesso que agora, ao celebrar o vigésimo quinto aniversário da minha Ordenação Sacerdotal, tomei uma consciência mais viva de como eram numerosos os que andavam dispersos e perdidos. Meditando então nos vários movimentos e grupos com quem estive em contacto e trabalhei recebi a inspiração de apelar a uma sarrafusca, isto é, a uma insurreição (Evangélica), daqueles, que não obstante as suas fragilidades e quedas se levantam, permanecendo assim na Comunhão com Cristo, para que unidos na oração, no jejum ou/e em outros sacrifícios combatam o “bom combate” da Fé em favor dos seus amigos. 

De facto, o cristão, como dizia o então teólogo J. Ratzinger, não o é para que ele se salve e os outros se condenem, mas para que através da sua Fé os outros também se possam salvar. Isto é, a nossa Fé deve ser vivida com tal generosidade e amor que toque, em Jesus Cristo, a liberdade dos outros de modo a transformá-la em liberdade de tender para Deus, em liberdade de se abrir à Sua Graça, ao Seu amor, e por ele se deixar transfigurar.

É verdade que isto que se refere diz respeito a todos, em geral. Mas podemos dizer que temos uma obrigação particular em relação aos nossos familiares e amigos, aos que nos estão ou estiveram próximos. Por isso o meu apelo à sublevação contra o Maligno e o pecado é um convite muito concreto a que cada grupo ou movimento, com discrição e humildade, se disponha a rezar e sacrificar por aqueles que os fundaram ou por ali passaram e que agora se encontram longe, em terra estrangeira, esbanjando os seus talentos, vivendo com os porcos, tentando alimentar-se de bolotas. Isto, é bom de ver, não deverá ser deixado somente à espontaneidade de cada um, mas importa que seja organizado e em comunidades.

Espero, dentro em pouco, ter notícias vossas sobre como se organizaram e como estão correndo as coisas. Podem contar comigo e com muitos outros Sacerdotes que vos auxiliem neste trabalho esforçado de conversão dos pecadores, como Nossa Senhora pediu tanto em Fátima.

Padre Nuno Serras Pereira



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quarta-feira, 10 de março de 2021

11 remédios de S. Tomás de Aquino contra os pecados veniais

Os pecados veniais são pecados leves, que não cortam a ligação com Deus nem fazem perder o estado de graça, mas podem dificultar o crescimento na graça e na vida espiritual, especialmente se forem obstinados (sem arrependimento). 

S. Tomás de Aquino, no seu comentário às Sentenças de Pedro Lombardo, diz que existem bastantes remédios contra os pecados veniais, por exemplo:

1. Bater com a mão no peito;

2. Benzer-se com água benta;

3. A extrema unção;

4. Unção com qualquer sacramental;

5. Benção de um Bispo; 

6. Pão bento; 

7. Confissão geral; 

8. Ter compaixão; 

9. Perdoar as faltas de outra pessoa; 

10. Assistir à Santa Missa; 

11. Rezar o Pai Nosso. 

(IV Sent. d. 16, q. 2, a. 2, qa. 4, sc 1)

O pecado venial pode ser perdoado através da caridade, que explicita ou implicitamente implica a contrição. Assim sendo, diz-se que aquelas coisas que, pela sua própria natureza, favorecem o fervor da caridade remitem (perdoam) os pecados veniais. 

Referimo-nos às coisas que conferem a graça, como todos os sacramentos, e as coisas através das quais são removidos os impedimentos a fervor e à graça, como água benta - que reprime o poder do Inimigo -, a bênção de um Bispo, ou outro exercício de humildade da nossa parte, como bater com a mão no peito ou rezar o Pai Nosso.

(IV Sent. d. 16, q. 2, a. 2, qa. 4, resp.)


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4 seminaristas portugueses receberam Ordens Menores em Wigratzbad

No Seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro na Alemanha, em Wigratzbad, Mons. Wolfgang Hass, Arcebispo de Vaduz, conferiu as ordens menores de: hostiário, leitor, exorcista e acólito a 14 seminaristas. 3 portugueses receberam as ordens de hostiário e leitor e 1 recebeu as ordens de exorcista e acólito. Rezemos por eles.












Fotografias: fsspwigratzbad.blogspot.com




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terça-feira, 9 de março de 2021

O que é a acídia e como superá-la? S. Tomás de Aquino responde

Os pecados (ou vícios) capitais são os terríveis inimigos da vida espiritual do cristão. O actual Catecismo da Igreja Católica (n. 1866), seguindo a tradição cristã, afirma que esses são: soberba, a avareza, inveja, ira, impureza, gula e preguiça ou acídia. O último na lista – acídia – é um dos mais desconhecidos, e vem identificada com a preguiça. Não são exactamente a mesma coisa, porque a acídia refere-se a um 'estado de alma' mais ou menos estável, enquanto a preguiça se refere a uma das suas formas de manifestação, ou seja, as acções exteriores, principalmente no âmbito do trabalho [1].

S. Tomás trata a acídia em S. Th, II-II, q. 35, e em De Malo, q. 11. Vamos seguir aqui o que diz na Suma Teológica.

O art. 1, afirma que a acídia é um pecado. S. Tomás parte da definição de João Damasceno: “é certa tristeza que causa pesar”. Isso significa que a acídia é uma tristeza que deprime o ânimo do Homem de modo que nada lhe agrada, “assim como se tornam frias as coisas pela acção corrosiva do ácido”. “Acídia” vem, portanto, de “ácido”.

A acídia causa o tédio e uma enorme dificuldade em começar qualquer acção boa. A acídia é o “torpor da mente em começar um acto bom”. Manifesta-se numa falta de iniciativa. Esse tipo de tristeza é sempre mal, porque se dirige ao bem real que é o espiritual. É um mal em si mesmo, por se dirigir ao bem espiritual absoluto; e é um mal também nos seus efeitos, porque afasta o homem de todas as boas obras [2].

S. Tomás esclarece então (a. 1, ad 1) que a tristeza é, em primeiro lugar uma paixão, e, enquanto tal, não é boa nem má. Porém, diante do mal real, e quando permanece moderada, essa paixão é boa. Por outro lado, a tristeza que provém do bem, ou a tristeza excessiva diante do mal é sempre reprovável. Para comprová-lo, S. Tomás cita 2Cor 2, 7: “É melhor que lhe perdoeis e o consoleis para que não sucumba ao peso de demasiada tristeza”. Existe uma boa tristeza pelos pecados, essa é a contrição; e uma má tristeza diante do bem espiritual: essa é a acídia.

Em a. 1, ad. 2, Tomás de Aquino acrescenta que faz parte da humildade que o Homem não se entristeça ao considerar os seus defeitos. Mas não é humildade desprezar os bens recebidos de Deus, mas sim ingratidão.

E como superar a acídia? Encontramos indicações em a. 1, ad. 3. Não há dúvidas de que se deve lutar sempre contra o pecado. Vencemos o pecado às vezes fugindo, outras vezes resistindo. Fugindo quando a persistência do pensamento aumenta o incentivo ao pecado (esse é o caso da luxúria, que é vencida ao desviar o pensamento persistente e se afastando da ocasião de fornicar). Resistindo, por outro lado, através da reflexão profunda que tira todo o incentivo ao pecado.

Para vencer a acídia, portanto, é necessário resistir, ou seja, pensar nos bens espirituais, que dessa forma se tornam para nós mais aprazíveis. E é isso o que se procura fazer na oração. Para superar a acídia, não há outro caminho a não ser o da oração fiel, perseverante e humilde, a qual procura considerar os bens divinos. 

Para isto, pode servir de ajuda a frase de S. João da Cruz: “Meus são os Céus e minha é a Terra, meus são os homens, e os justos são meus; e meus os pecadores. Os Anjos são meus, e a Mãe de Deus, todas as coisas são minhas. O próprio Deus é meu e para mim, pois Cristo é meu e tudo para mim”. 

Padre Anderson Alves in Zenit

[1] J. Pieper disse: “O facto de que a preguiça esteja entre os pecados capitais parece que é, por assim dizer, uma confirmação e sanção religiosa da ordem capitalista de trabalho. Ora, esta ideia é não só uma banalização e esvaziamento do conceito primário teológico-moral da acídia, mas até mesmo sua verdadeira inversão” (Virtudes Fundamentales, Madrid, Rialp, 1976, pp. 393-394). Cfr.: Jean Lauand, O Pecado Capital da Acídia na Análise de Tomás de Aquino. Disponível em: http://www.hottopos.com/videtur28/ljacidia.htm#_ftn8 

[2] “A 'culpa' do assédio da acídia ao meio-dia é do jejum dos monges, pois toda fraqueza corporal predispõe à tristeza, mais aguda nessa hora, pela fome e pelo calor (S. Th., II-II, 35, 1 ad 2). S. Tomás diz nas questões de Quodlibet que o jejum é sem dúvida pecado (absque dubio peccat), quando debilita a natureza a ponto de impedir as acções devidas: que o pregador pregue, que o professor ensine, que o cantor cante... Quem assim se abstém de comer ou de dormir, oferece a Deus um holocausto, fruto de um roubo.” (Quodl. 5, q. 9, a. 2, c)


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III Semana da Quaresma




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quarta-feira, 3 de março de 2021

Bispos do Gana condenam a "ingerência LGBT" feita pela União Europeia no seu País

Enquanto nos Estados Unidos 11 Bispos (incluindo 3 eméritos) e 1 Cardeal assinam uma declaração ambígua que serve como um ponto a favor do lobby LGBT; no Gana, os Bispos católicos escreveram uma carta aberta para condenar inequivocamente "todos os que apoiam a homossexualidade no Gana” e exortar o Governo a tomar uma posição.
 
Os Bispos da Conferência dos Bispos Católicos de Gana (GCBC) reagiram à controvérsia entre o secretário executivo da "Coligação Nacional Valores da Família", advogado Moses Foa-Amoaning e as autoridades da União Europeia - estas últimas parecem ter resolvido a questão do coronavírus definitivamente e "pediram [através do escritório da UE no Gana] que os ganenses respeitem e tolerem as pessoas LGBTQI no país".

O Arcebispo Philippe Naameh apoiou a posição do advogado Moses Foa-Amoaning, dizendo que "a UE não deveria impor os (supostos) valores e crenças aos ganenses que são contra a homossexualidade [...]. Escrevemos também para apoiar a [sua] posição e da Coligação que há anos defende da homossexualidade [...] porque a Igreja Católica Romana se opõe a esta prática abominável.”

No entanto, alertam: “A dignidade intrínseca de cada pessoa deve ser sempre respeitada na palavra, na acção e na lei. Os homossexuais devem ser aceites com respeito, compaixão e sensibilidade”. No entanto, “de acordo com a concepção de direitos humanos da Igreja, os direitos dos homossexuais não incluem o direito de um homem se casar com um homem ou de uma mulher se casar com uma mulher [o que seria] moralmente errado e contra o plano de Deus para o casamento”.

Por isso, pedem ao "Presidente da República e [do] Parlamento que expressem a sua posição inequivocamente sobre a questão da homossexualidade" e "fechem os escritórios LGBTQI recentemente abertos em Accra, Gana" com o apoio e apoio da UE. 

in riposte-catholique.fr


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terça-feira, 2 de março de 2021

Freira corajosa consegue paz na Birmânia



A situação na Birmânia está bastante complicada, entre manifestações revoltosas nas ruas e a polícia que tenta controlar a situação que poderá escalar até à guerra civil. No meio de toda esta violência e turbulência, a irmã Ann Nu Thawng, que pertence às Missionárias de São Francisco Xavier de Myitkyina ajoelhou-se à frente do cordão policial. 

A religiosa, em lágrimas, pediu à polícia que parasse a repressão violenta e aos manifestantes que se fossem embora. Segundo o testemunho do Bispo local, Mons. Charles Bo, a irmã Ann conseguiu os seus intentos e, graças à sua coragem, houve pelo menos um tempo de paz naquele local. 


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sábado, 27 de fevereiro de 2021

Apenas há repouso em Jesus Cristo Crucificado

Tu que descanso buscas com cuidado
neste mar do mundo tempestuoso
não esperes de achar nenhum repouso
senão em Cristo Jesus Crucificado.

Se por riquezas vives desvelado,
em Deus está o tesouro mais precioso;
se estás de fermosura desejoso,
se olhas este Senhor ficas namorado.

Se tu buscas deleites ou prazeres,
nele está o dulçor dos dulçores
que a todos nos deleita com vitória.

Se porventura glória ou honra queres,
que maior honra pode ser nem glória
que servir ao Senhor grande dos senhores?

Luiz Vaz de Camões in 'Obras de Luiz de Camões' - Vol. II


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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Eu quero morrer!

P. Nuno quer morrer por eutanásia ou por suicídio assistido?
Evidentemente que não, pois isso não seria morrer, mas sim ser assassinado.
 
Tendo em conta, porém, que nesta crise pandémica parece haver um pavor generalizado da morte, quero afirmar peremptoriamente que quero morrer. Mas, confesso, que não quereria morrer de qualquer modo, mas sim com as predisposições necessárias para, pelo menos, ir para o Purgatório; e para isso conto com as vossas preciosas orações e sacrifícios.

De facto, e isto não é uma lamentação nem uma queixa, o meu apostolado sacerdotal, na prática, morreu. É certo que celebro Missa quotidiana para os doentes e enfermos (no nosso convento), mas também é verdade que alguns deles, sacerdotes, poderiam fazer o mesmo com maior proveito e fruto espiritual para todos. Actualmente, e seguramente com toda a razão, sou considerado incapaz de Celebrar, e homiliar em outras Eucaristias, de confessar, de dar assistência Espiritual ou de colaborar em qualquer outra actividade. Ninguém pense, pelas almas, que isto seja algum queixume. Não passa de uma verificação factual, dos desígnios da Providência Divina.
 
Sem pôr de modo nenhum em causa a minha Ordenação Sacerdotal nem o apostolado que exerci, com a Graça de Deus, nos primeiros anos, parece-me justo concluir que aquilo que Nosso Senhor me concedeu foi por tempo limitado e que, por isso, Lhe devo dar muitas Graças, aceitando e acolhendo com muita alegria a radical substituição por outros.
 
Finda, como estou persuadido, a minha missão só peço ao Pai Misericordiosíssimo que por Seu Filho Jesus Cristo, caso eu esteja preparado, me leve o mais depressa possível, purificando-me de todos os pecados, para Si.
 
À honra de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira



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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

As graças do Terço

“Felizes as pessoas que rezam bem o Santo Rosário, porque Maria Santíssima lhes obterá graças na vida, graças na hora da morte e glória no Céu.”

Santo António Maria Claret


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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Dia dos Pastorinhos de Fátima

O texto que passo a citar mudou a minha vida. Trata-se da conversa que Lúcia, na presença dos seus primos Francisco e Jacinta Marto, teve com Nossa Senhora na primeira aparição em Fátima:
– Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.
– De onde é vossemecê? perguntei.
– Sou do Céu.
– E o que é que Vossemecê me quer?
– Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez.
– E eu também vou para o Céu? – Sim, vais.
– E a Jacinta? – Também.
– E o Francisco? – Também, mas tem que rezar muitos Terços.

(Pausa para fazer uma pergunta: Se o Francisco teve que rezar muitos Terços para ir para o Céu o que terei eu que fazer???)

– Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?
– Sim, queremos.
– Ide pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.
Nossa Senhora ainda acrescentou: Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

João Silveira


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Cardeal Sarah deixa a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos

O Cardeal Robert Sarah, até agora Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, vai deixar esse dicastério por decisão do Papa Francisco.

É costume que quem exerce cargos na Cúria Romana apresente a renúncia ao Papa quando celebra o 75º aniversário, como acontece com os Bispos Diocesanos (Cân. 401). O Cardeal Sarah assim fez no dia 15 de Junho de 2020. O Papa Francisco não aceitou imediatamente a renúncia, mas fê-lo agora.

O Cardeal Sarah, natural da Guiné-Conacri, é considerado um dos mais "conservadores" do Colégio Cardinalício. Em 2016, como Prefeito da Congregação para o Culto Divino, fez 5 recomendações aos sacerdotes:

1 - Missas ad orientem a partir do Advento desse ano
2 - Maior uso do latim
3 - Ajoelhar para a Comunhão
4 - O silêncio dentro da Liturgia
5 - Música na Sagrada Liturgia

Infelizmente, a grande maioria dos sacerdotes não quis saber dessas boas recomendações. E estas causaram um certo mal-estar no Vaticano.

Em 2019, imediatamente antes do Sínodo da Amazónia - no qual estaria em causa o celibato sacerdotal - o Cardeal Sarah lançou um livro escrito conjuntamente com o Papa Bento XVI a defender o celibato sacerdotal. Mais uma vez, a questão criou alguma celeuma dentro da Cúria e não só.

O Cardeal Sarah é autor de best-sellers como "Deus ou nada" ou "A força do silêncio: contra a ditadura do barulho".


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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Penitência, Jejum e Abstinência na Igreja: em 1962 e agora




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Arrependimento e Reparação

Sem uma intervenção de Deus, sem a Sua Graça, somos incapazes de nos arrepender, quando o fazemos é sempre uma resposta a esse maravilhoso e gratuito Dom que Ele nos concede. Esta é uma das razões que nos deve levar a evitar a todo o custo qualquer tipo de pecado, principalmente o grave, mas também o leve ou venial, posto que, como diz a Sagrada Escritura. “quem descuida as pequenas coisas cai insensivelmente nas grandes”. 


De facto, podemos tornar-nos insensíveis à Graça do arrependimento verdadeiro. E não sabemos até quando Deus na Sua infinita Misericórdia e Justiça suportará a nossa dureza de Coração. Estas e outras coisas que a seguir se dirão foram durante séculos objecto de pregação, ensino e meditação. Nos tempos que correm acha-se que a Salvação está no papo e que Deus é um avozinho ternurento incapaz de castigar. Mas esse não é o Deus Bíblico.

 

O arrependimento, a conversão, não consiste somente na dor de ter ofendido a Majestade Divina, mas requer uma mudança de vida disposta a reparar o mal feito (pensamentos, palavras e obras) ou o bem por fazer (omissões). Reparação a Deus, pela falta de correspondência ao Seu Amor, e reparação ao(s) próximo(s). A Deus repara-se pela confissão e Comunhão/adoração Eucarística, e demais orações. Mas em relação ao próximo, exceptuando, casos de impossibilidade, as orações, evidentemente, não bastam.

 

Se eu roubo dinheiro ou preciosidades a outrem, podem dar-me todas as absolvições, que se eu, podendo (e sem necessidade de me denunciar), não restituir o que furtei não sou perdoado. Nem o poder do Vigário de Cristo, como ensina o P. António Vieira, me poderá dispensar da restituição.

 

Do mesmo modo, quem comete actos carnais de impureza com outrem ou o/a tenta nessa mesma matéria, terá de pedir perdão e fazer tudo ao seu alcance para os persuadir à Pureza. A oração e o jejum rigoroso muito podem ajudar nesta purificação e reparação.

 

Alguns dos pecados, às vezes veniais e frequentemente graves, mais cometidos, nos dias de hoje, com uma leviandade assustadora, são os pecados da língua. A intriga, a murmuração, a maledicência, a inconfidencialidade, a insinuação, a difamação, a calúnia, reinam soberanas e impunes. Alguém, nos tempos que correm, ainda se confessará destes pecados? E, no entanto, os seus efeitos são devastadores.

 

Aqui lembro tão só alguns princípios gerais, deixando para outro texto um aprofundamento.

 

1. As conversas privadas são exclusivamente de âmbito privado. Delas não se pode fazer uso com outros.

2. Toda e qualquer pessoa tem direito à honra, ao bom nome e à boa fama.

3. Quem revela um pecado grave oculto (que não é público) comete um pecado grave.

4. Há circunstâncias em que se pode ou mesmo deve declarar algo sobre outrem, a saber, a quem, pelo cargo que exerce, pode e deve ajudar a resolver a situação, ou quando se dá um crime que exige intervenção imediata, ou em caso de aconselhamento espiritual, ou numa necessidade de desabafo urgente, com pessoa que saiba guardar sigilo.

5. A difamação e a calúnia são infames.

6. A intriga e a murmuração são péssimas.

7. O segredo da Confissão é absolutamente inviolável.

8. O que é dito em direcção espiritual é de si mesmo sigilosa, não admitindo comentários nem revelações.

 

Poderia continuar, mas não me quero alongar. Chamo somente a atenção para a necessidade imprescritível de reparação. Por exemplo, repondo o bom nome das pessoas, etc.

 

À honra de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira



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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Por que razão Sócrates odiava a Democracia?



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Apelo aos Bispos de Portugal pelo reinício das celebrações públicas

Naturalmente, o primeiro apelo que se pode fazer é o apelo à oração contínua e generosa por parte dos Católicos que, de modo absolutamente legítimo, anseiam pela reabertura das igrejas encerradas, pelo reinício das celebrações públicas e pela administração dos Santos Sacramentos. Por outro lado, urge tomar uma acção concreta, sugerindo-se, assim, que o presente apelo seja enviado, por e-mail, para a Conferência Episcopal Portuguesa e para os respectivos Bispos diocesanos e Párocos.
15 de Fevereiro de 2021
95.º aniversário da aparição do Menino Jesus à Ir. Lúcia

Ex.mo e Rev.mo Sr. Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa,
Eminências e Excelências Reverendíssimas,

Com os olhos postos em Pontevedra, local bendito em que, há pouco menos de um século, o Menino Jesus apareceu à Ir. Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, saudosa vidente de Fátima, para reforçar a necessidade da propagação da devoção dos Cinco Primeiros Sábados, com o fim de desagravar o tão ofendido Imaculado Coração de Maria, que é o próprio Coração da Santa Madre Igreja, da qual somos membros na qualidade de militantes, dirigimos este filial apelo a Vossas Eminências e Excelências Reverendíssimas.          

Portugal e o mundo estão imersos, há um ano, no caos. Mediaticamente falando, por causa do coronavírus, que tanta distância tem criado, tantas relações tem dificultado, tantos medos, muitas vezes infundados, nos tem incutido e, até mesmo, afastado do centro das nossas vidas: Deus Nosso Senhor! A cada dia, acentua-se sempre mais o antropocentrismo que caracteriza as sociedades contemporâneas: o Homem é o centro do cosmos. Querem que nos tornemos “homens vitruvianos”, deixando de parte o fim para que fomos criados, isto é, dar glória a Deus por tudo aquilo que d’Ele recebemos e em tudo aquilo que nos é permitido operar!  

Precisamente há um mês, a 15 de Janeiro, iniciou-se o “novo confinamento”. Dois dias antes, o Governo socialista, o mesmo que se regozija com a aprovação da lei da eutanásia, para espanto comum, não instituiu qualquer limitação à liberdade de circulação para os cidadãos que pretendessem ir à igreja, tanto para a oração pessoal como para a celebração da Santa Missa. Imediatamente no dia sucessivo, a Conferência Episcopal Portuguesa abalou o mais íntimo dos fiéis com um comunicado a anunciar a suspensão ou o adiamento, «para momento mais oportuno, quando a situação sanitária o permitir», dos Baptismos, dos Crismas e dos Matrimónios. Uma semana depois, a 21 de Janeiro, uma nova nota da Conferência Episcopal «determina a suspensão da celebração “pública” da Eucaristia a partir de 23 de janeiro de 2021», excepção feita para as Dioceses de Angra e do Funchal.  Por tudo isto, para além do caos psicológico, político, económico e social, estamos a passar por uma catastrófica orfandade espiritual generalizada. Num momento em que precisamos, mais do que nunca, da solicitude dos nossos Pastores e da intensificação da oração, tanto pessoal quanto comunitária, somos privados da Santa Missa, fecham-se as portas aos Baptismos e, deste modo, à salvação de tantas almas, tal como aos Matrimónios, potenciando as ocasiões de pecado mortal. Instalou-se um caos espiritual, que queremos combater com todas as forças disponíveis, nomeadamente com a arma da oração, a mesma que, no início do turbulento século XX, animou os Pastorinhos de Fátima, que se entregaram até ao último suspiro. Não nos acomodamos diante do coma induzido em que se encontra a Igreja em Portugal!       

Assistindo-se à suspensão das celebrações e, em muitos casos, ao encerramento das igrejas, está-se a boicotar uma oportunidade privilegiada de conversão a tantas almas, considerando que o acesso aos Sacramentos é praticamente inexistente. Não podemos receber a Comunhão, os nossos filhos não podem receber o Baptismo, muitos de nós não podemos celebrar o Matrimónio, os nossos doentes, muitas vezes, morrem sozinhos e sem a absolvição sacramental. Enfim, assiste-se a tudo menos a um apelo à penitência, à conversão e à mudança de vida.

Eminências e Excelências Reverendíssimas, e se os hospitais decidissem encerrar? Se tanto elogiamos, e com justiça, a abnegação dos profissionais de saúde, porquê que, pelo contrário, temos de assistir à passividade de tantos “médicos das almas”? Será o corpo mais importante do que a alma? Esta é uma situação sem precedentes, nunca na história da Igreja Católica se assistiu a um abandono das almas por parte do clero. Se nesta situação, incomparavelmente menos grave do que epidemias passadas, acontece algo assim, o que poderá acontecer, no futuro, em situações análogas ou mais violentas? «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28). Estarão estas palavras, proferidas pelo nosso Salvador, desactualizadas?                   

Não se iludam, Eminências e Excelências Reverendíssimas, tal conduta não beneficia em nada a saúde das almas, a principal causa da vossa vocação e do vosso ministério ordenado. Pode, isso sim, agradar ao mundo hodierno, mas nunca ao Criador! Afinal, somos criaturas, mas tendemos a comportar-nos como criadores.    

Aproximando-se a quarta-feira de Cinzas e o tempo penitencial da Quaresma, que nos conduzirá à Páscoa gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, apelamos a Vossas Eminências e Excelências Reverendíssimas que as igrejas sejam reabertas, que sejam retomadas as celebrações públicas e sejam administrados os Sacramentos, nomeadamente os do Baptismo, da Eucaristia, da Confissão, do Matrimónio e da Unção dos Enfermos. Assim agindo, não se aplicarão a nós as palavras que, em Pontevedra, o Divino Infante disse, a respeito dos Cinco Primeiros Sábados, à Ir. Lúcia: «É verdade, minha filha, que muitas almas os começam, mas poucas os acabam». E tantas são almas que inúmeras acções começam, mas muito poucas as que as terminam!     

Assegurando a nossa filial oração, é este o apelo que fazemos a todos e a cada um de vós, Pastores da Igreja Católica, na certeza de que «as portas do Abismo nada poderão contra ela» (Mt 16, 18).



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domingo, 14 de fevereiro de 2021

Santa Verónica Giuliani, uma das maiores místicas de sempre

Dela disse o Papa Leão XIII: "A nenhuma criatura humana, com excepção da Mãe de Deus, foram concedidos tantos dons sobrenaturais". Grande mística, participou dos sofrimentos de Nosso Senhor na Paixão, tendo os cinco estigmas de Cristo sido impressos no seu corpo.

Modelo de obediência e humildade

O noviciado da Irmã Verónica foi muito difícil devido aos esforços do demónio para desencorajá-la. As paredes do convento pareciam-lhe muito austeras, do mesmo modo que os rostos das freiras. Nenhuma delas atraía a sua simpatia. Mas ela venceu todas essas repugnâncias.

Em quase todos os conventos, a noviça era designada para os afazeres mais modestos, a fim de praticar as virtudes da obediência e da humildade. Assim aconteceu com Verónica. Foi sucessivamente faxineira, cozinheira, enfermeira, porteira e sacristã, trabalhando sempre com espírito sobrenatural e unida à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. De tal maneira conquistou as outras religiosas, que foi depois escolhida para a delicada função de Mestra de Noviças. Durante os 22 anos em que exerceu esse cargo, Verónica formou muitas religiosas que chegaram a altos graus de perfeição. Foi então escolhida como Abadessa, cargo que exerceu durante os últimos 11 anos de sua vida.

Às voltas com o Santo Ofício

"Parecia que o Senhor plantava a Sua cruz no meu coração e que assim me fazia compreender o preço dos sofrimentos". Desde o tempo do noviciado, a união de Verónica à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo crescia a cada dia. De tal modo começou a participar da Paixão, que a si mesma chamava “Filha da Cruz”. Ela descreve a experiência mística que teve nesse tempo: “Pareceu-me ver Nosso Senhor que levava a Cruz sobre os ombros, e me convidava a partilhar com Ele essa carga preciosa. Experimentei ardente desejo de sofrer, e parecia que o Senhor plantava a Sua cruz no meu coração e que assim me fazia compreender o preço dos sofrimentos.”

Tais sofrimentos foram terríveis. Dolorosas e intermináveis enfermidades, tentações violentas, aridezes e desolações interiores. Santa Verónica afirmou então que a cruz e os instrumentos da Paixão foram impressos de maneira sensível no seu coração. E desenhou num cartão em forma de coração o lugar em que estava cada um. Quando, depois da sua morte - na presença do Bispo, do governador da cidade, de professores de medicina e de sete outras testemunhas dignas de fé - abriram o seu coração, constatou-se com estupor que nele estavam desenhados os símbolos da Paixão tal e qual ela havia descrito.

Um dia, Verónica pediu a Nosso Senhor para participar da sua coroa de espinhos. O Divino Mestre colocou a coroa na sua cabeça. Verónica experimentou uma tão inaudita dor, como jamais tinha sentido. E essa coroa permaneceu na sua cabeça até o fim de sua vida. Ao intervirem, os médicos aumentaram ainda mais os seus padecimentos, aplicando um bastão de fogo na sua cabeça e furando-lhe a pele do pescoço com uma agulha incandescida. Nada conseguindo, foram obrigados a reconhecer que aquela “enfermidade” lhes era desconhecida.

Verônica recebeu também os estigmas, os quais eram visíveis às outras irmãs. O seu confessor ficou assustado. Tantos fenómenos místicos deixaram-no desnorteado. Foi falar com o Bispo. Este consultou então o Santo Ofício, que o encarregou de pôr à prova a obediência, a humildade e a resignação de Verónica, pois estas constituem a base de toda santidade.

Começaram por destituí-la do cargo de Mestra de Noviças. Ela foi também separada da comunidade e encerrada num quarto da enfermaria com a proibição de ir ao coro, excepto nos dias de preceito para ouvir Missa. Não podia ir ao locutório nem escrever cartas, a não ser para as suas irmãs também religiosas. Pior ainda, foi designada uma irmã conversa para dirigi-la, com ordem de tratá-la com toda severidade. E o que mais a fez sofrer: proibiram-na de receber a Sagrada Comunhão.

Pode-se dizer que no caso de Verónica Giuliani todas as precauções inspiradas pela prudência humana para bem conhecer a verdade foram então empregadas pelo bispo de Città di Castello orientado pelo Santo Ofício.

Depois de um período de prova, o Bispo, Mons. Lucas Antonio Eustachi, escreveu ao Santo Ofício uma carta no dia 26 de Setembro de 1697: “A Irmã Verónica pratica ainda uma exacta obediência, profunda humildade e abstinência surpreendente, sem dar o menor sinal de tristeza. Pelo contrário, aparece com uma paz e uma tranquilidade inalteráveis. É objecto da admiração das suas companheiras, as quais, incapazes de ocultar a grata impressão que lhes produz, falam disso a outras pessoas. Apesar de eu impor penitência às que mais falam, para que não alimentem a curiosidade do povo, que nas suas conversações não tratam de outra coisa, custa-me grande trabalho lograr uma moderação.”

Mística dotada de muito senso prático

Santa Verónica tinha uma caridade ardorosa pela conversão dos pecadores e libertação das almas do purgatório. Foi-lhe revelado que, por causa das suas penitências e orações, converteu ao bom caminho inúmeros pecadores e libertou muitas almas das chamas do Purgatório, as quais lhe apareciam para agradecer por essa caridade.

Tendo passado por todas essas provas, Santa Verónica foi eleita Abadessa do mosteiro em 1716, começando então uma época de grande prosperidade. Pois, apesar de acentuadamente mística e espiritual, Santa Verónica possuía um senso prático muito desenvolvido, a exemplo de outra grande mística, Santa Teresa de Ávila. Mandou fazer todo um sistema de encanamentos para que o convento tivesse água própria, construiu um grande dormitório e uma capela interior, e procurou para a comunidade todas as comodidades compatíveis com o espírito da sua Regra.

Plinio Maria Solimeo in catolicismo.com.br


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A Primeira Comunhão da Irmã Lúcia

16 anos depois da morte da Irmã Lúcia, a 13 de Fevereiro de 2005, vamos conhecer um pouco mais da vida dessa pastorinha de Fátima. Vamos hoje conhecer melhor como foi vivida, por ela e pela sua família, o dia da sua primeira Comunhão. 

Dizia a Ir.ª Lúcia que uma das suas características mais marcante na sua infância era a curiosidade. Não podia ficar na dúvida ou sem ver esclarecidas as suas questões. A sua mãe era a catequista da aldeia; não guardava as dúvidas para si e quando a mãe, na catequese não as esclarecia, à hora de jantar bombardeava o seu pai com todas as suas perguntas até ficar esclarecida. E o seu pai com toda a calma procurava responder-lhe e confirmar o que a mãe já havia dito.

Foi neste ambiente que a pastorinha de Fátima chegou ao dia da sua primeira Comunhão. Como era costume do prior da aldeia, só recebia a Comunhão quem já tivesse 7 anos, facto que desgostou Lúcia, porque ainda só tinha 6. Como tivesse vindo um padre de fora para ajudar o prior na festa, e vendo-a tão chorosa perguntou-lhe o que se passava, ao que ela lhe respondeu. Chamou-a e fez-lhe o pequeno exame que era costume fazer e percebeu que era uma criança preparada e consciente para a situação. Perante o facto fala com o prior e assume a responsabilidade relativamente à pequena Lúcia, a qual se enche de alegria e entusiasmo. 

Nessa tarde de sábado vai fazer a sua primeira confissão preparada pela mãe. Confessa-se a este padre de fora. Conta a Ir.ª Lúcia este relato com alguma piada; eis apenas o que lhe diz a sua mãe no final da sua confissão: "-Minha filha, não sabes que a confissão se faz baixinho, que é um segredo? Toda a gente te ouviu! Só no fim disseste uma coisa que ninguém soube o que foi". 

Este é um pequeno relato da candura e inocência vivida por esta criança simples e humilde. Conta um pouco mais à frente, o que lhe disse o padre no final da confissão: "-Minha filha, a sua alma é um templo do Espírito Santo. Guarde-a para sempre pura, para que Ele possa continuar nela a Sua acção divina". estas foram palavras que caíram fundo no seu coração e sempre procurou ser-lhe fiel ao longo da sua vida. A noite que antecedia o grande dia foi passada em vigília, sem conseguir dormir pelo entusiasmo e a prepararem-lhe o vestido branco; nesta noite, diz, fez a sua primeira consagração a Maria. A missa da sua comunhão é assim relatada pela própria pastorinha: 

"Começou a missa cantada e à maneira que o momento se aproximava, o coração batia mais apressado, na expectativa da visita de um grande Deus que ia descer do Céu para se unir à minha pobre alma. O Senhor Prior desceu por entre as filas a distribuir o Pão dos Anjos. Tive a sorte de ser a primeira. Quando o Sacerdote descia os degraus do altar, o coração parecia querer sair-me do peito. Mas logo que pousou em meus lábios a Hóstia Divina, senti uma serenidade e uma paz inalterável; senti que me invadia uma atmosfera tão sobrenatural, que a presença do nosso bom Deus se me tornava tao sensível, como se O visse e ouvisse com os sentidos corporais. Dirigi-Lhe então as minhas súplicas: 

- Senhor, fazei-me uma santa, guardai o meu coração sempre puro, para Ti só". 

Como vemos, o dia da sua primeira Comunhão foi extremamente marcante para a sua vida. Neste dia começa-se a definir muito daquela que seria futuramente uma das pastorinhas e videntes de Fátima. É a própria Lúcia que o afirma e que diz: uma primeira Comunhão bem preparada e vivida marca para o resto da vida. Para concluir diz-nos ela, em primeira pessoa, que neste dia, começa a desenhar-se nela um movimento de entrega a Maria e à vontade do Senhor. O resto da história vamos conhecendo aos poucos; ou, pelo menos, julgamos nós. 

in obichodasenda.blogspot.pt


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sábado, 13 de fevereiro de 2021

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Tenente-Coronel Marcelino da Mata: um herói português

Morreu o Tenente-Coronel Marcelino da Mata, Comando da Província Ultramarina da Guiné, herói da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito (1969) e o militar mais condecorado das Forças Armadas Portuguesas com Medalha de Cruz de Guerra de 2.ª classe (1966), Medalha de Cruz de Guerra de 1.ª classe (1967), duas Medalhas de Cruz de Guerra de 1.ª classe (1971 e 1973) e outra Medalha de Cruz de Guerra de 3.ª classe (1973). 

Depois da Guerra do Ultramar, o Tenente-Coronel Marcelino da Mata foi preso injustamente e torturado pelos que se auto-proclamavam pela liberdade e democracia. O mais bravo militar da História recente de Portugal viveu o resto da vida com uma reforma miserável e foi votado ao esquecimento.

Dai-lhe Senhor o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua.
Que a sua alma descanse em Paz. Amem.

Fica aqui o relato da prisão e tortura do Tenente-Coronel Marcelino da Mata, escrito pelo próprio:

No dia 17/5/75, quando me encontrava em Queluz Ocidental, ouvi pela rádio ser comunicado que me encontrava preso, no RALIS. Perante tal absurdo, dirigi-me ao Regimento de Comandos na Amadora, Unidade onde estava colocado, e falei com o Oficial de Serviço, capitão Ribeiro da Fonseca, ao qual contei o que acabara de ouvir e pedi que esclarecesse a situação.

O capitão Ribeiro da Fonseca, na minha presença, telefonou para o RALIS e falou com o tenente Coronel Leal de Almeida, tendo o mesmo respondido que me deviam levar imediatamente escoltado para esta Unidade. Telefonou ainda o capitão Fonseca para o COPCON falando directamente com o brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho, o qual confirmou que me devia entregar ao RALIS pois estavam concentradas todas as operações nesta Unidade. Foi assim que escoltado por tenente-comando e duas praças fui levado para o RALIS. Uma vez chegado à Unidade referida e enquanto o tenente que me escoltava se dirigia ao oficial de serviço, aproximou-se de mim um furriel armado que me disse ter ordens para me levar para a casa da guarda e manter-me aí incomunicável. Apareceu entretanto um aspirante que me levou para uma sala do edifício do Comando onde permaneci sozinho até às 24.00.

Apareceu depois das 24.00 um indivíduo alto, forte e de cabelo e barba compridos que, intitulando-se segundo comandante do RALIS, mas que depois vim a saber que se tratava de um militante do MRPP conhecido por "RIBEIRO", me estendeu um papel para aí eu escrever tudo o que sabia sobre o ELP.

Mais tarde apareceu um aspirante e um furriel chamado DUARTE e o capitão QUINHONES que tornaram a fazer a mesma pergunta. Uma vez que jamais tinha ligação com o ELP ou qualquer organização outra, respondi-lhe negativamente. Entrou então o capitão QUINHONES MAGALHÃES, disse-me que me ia fazer o mesmo que se fazia na Guiné aos "turras" quando não queriam falar e puxou do seu cinturão no que foi secundado pelo furriel Duarte. Saíu o capitão QUINHONES e regressou acompanhado de outro indivíduo, baixo e forte, que também vim a saber ser do MRPP e conhecido por "JORGE", e mais outro furriel, aos quais o capitão QUINHONES ordenou que me fossem batendo à bruta até que eu confessasse. Apareceu então o tenente coronel LEAL DE ALMEIDA que me disse que os pretos só falavam quando levavam porrada e eram torturados e que não tinha outra solução senão ordenar que me fizessem isso.

Ordenou o capitão QUINHONES que me encostassem à parede e despisse a camisa, o que tive de fazer. Após isto, fui agredido sete vezes com uma cadeira de ferro nas costas o que me provocou vários ferimentos. Não resistindo caí, mas o capitão QUINHONES disse que me pusesse de joelhos e um outro indivíduo que entrou, intitulando-se oficial de marinha agrediu-me mais duas vezes com a cadeira. Após isto o capitão QUINHONES e furriel DUARTE, um de cada lado, agrediram-me com o cinturão por todo o corpo, e eu, que já sentia dores na coluna, senti dores nas costelas e caí novamente no chão.

O capitão QUINHONES ria-se e dizia que o tenente-coronel LEAL DE ALMEIDA queria que eu falasse nem que eu ficasse todo partido e que ele ia mesmo fazer-me falar.

Passados uns momentos, quando me encontrava novamente sentado, e como fizesse tenção de reagir às agressões, algemaram-me e perguntaram-me se eu conhecia uns indivíduos, os quais haviam entrado mais ou menos quando me começaram a agredir com a cadeira de ferro. Como eu dissesse que conhecia alguns deles e outros não foram-me dizendo os nomes apontando para eles e enunciaram um COELHO DA SILVA, um Doutor MAURÍCIO, que não conhecia, e o JOÃO VAZ, ALVARENGA AUGUSTO FERNANDES (BATICAN) e o ARTUR, todos africanos, os quais já conhecia da Guiné. Então o capitão QUINHONES ordenou ao tal "JORGE" que pegasse num fio eléctrico e me torturasse, tendo-me este dado choques nos ouvidos, sexo e no nariz. Pela terceira vez que me fizeram isto desmaiei, pois não aguentei.

Quando recuperei tornaram, o capitão QUINHONES e o furriel DUARTE, a agredir-me com os cinturões e a cadeira de ferro, sentindo eu nessa altura que devia estar com fractura da coluna e costelas e tinha vários ferimentos grandes em todo o corpo. Mais uma vez não aguentei e desmaiei.

Ao recuperar os sentidos encontrava-me todo molhado e ensanguentado, não tinha movimentos nas pernas e quase não podia respirar além de fortes dores por todo o corpo.

Por volta das 6h do dia 18 trouxeram para junto de mim e dos outros indivíduos que estavam ali presos e já mencionados, o FERNANDO FIGUEIREDO ROSA, também da Guiné, ao qual agrediram com a cadeira de ferro e arrastaram para fora da sala. Entretanto entrou também uma senhora que dizia ser mulher do COELHO DA SILVA à qual o furriel apalpou as nádegas e seios e outras partes do corpo, frente ao marido. Fui algemado, logo a seguir à entrada da senhora, e conduzido à prisão onde um furriel encheu com água, até ao nível dos tornozelos a cela.

Por volta das 23.00 fui retirado da prisão e vi o tenente fuzileiro CORTE REAL e o ex-tenente fuzileiro FALCÃO LUCAS cá fora, os quais ao ver o meu estado me disseram que a eles também lhes tinham dado um "bom tratamento" mas não tanto como o meu. Fui metido, a seguir, numa Chaimite e levado para Caxias onde cheguei já pelas 01.00 ou 02.00 do dia 19/5/75. Chegado a Caxias o capitão tenente XAVIER, e o qual conhecia da Guiné, tratou-me com termos ordinários e obscenos e mandou-me levar para uma cela, apesar de ver o estado em que me encontrava e de me ter queixado e afirmado que necessitava ser assistido clinicamente. Só no dia 21/5/75 e depois de muito insistir com pedidos ao oficial de serviço, aspirante de Marinha, FERNANDES, fui levado à enfermaria de Caxias onde me fizeram os primeiros tratamentos, mas quando era necessário ser radiografado faziam-no sempre às zonas do corpo que não eram aquelas de que me queixava.

Permaneci 150 dias em Caxias e só quando fui libertado e colocado com residência fixa consegui ser tratado convenientemente e soube ter tido fractura de duas costelas e da coluna.

Lisboa, 24 de Janeiro de 1976

MARCELINO DA MATA
ALF. COMANDO


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