domingo, 3 de agosto de 2025

Invenção de Santo Estêvão, Protomártir

A
Igreja instituiu esta segunda festa do Santo Protomártir Estevão para comemorar a descoberta (invenção) das suas relíquias junto às de Gamaliel, Habib e Nicodemos, pelo Padre Luciano, em Gamala da Palestina, em Dezembro do ano 415. No túmulo constava a inscrição “KEAYEA CELIEL”, que significa “Servo de Deus”. O Bispo de Lidda, avisado pelo Padre Luciano, esteve presente na exumação.

Chamamos também "invenção das relíquias", que é o facto do seu descobrimento, assim como também se diz “invenção da Santa Cruz” ou “invenção do Brasil”, significando, neste caso, descobrimento, achado.

Segundo um relato atribuído a Padre Luciano, fora revelado em sonhos, a ele e ao monge Migecio, o lugar onde podiam encontrar as relíquias do Santo Protomártir. Tendo sido descobertas conforme a revelação, foram solenemente trasladadas para Jerusalém pelo Arcebispo João, juntamente com os Bispos Eleutério de Sebaste e Eleutério de Jericó.

No dia 26 de Dezembro desse mesmo ano, as Relíquias foram transladadas para Sião. Naquela época havia uma grande seca e, no exacto momento da transladação do corpo, uma chuva copiosa regou a terra. Grande número de pessoas acompanhou o que podemos considerar a primeira procissão de Santo Estêvão.

No ano de 425, por intervenção do imperador Teodósio, o Jovem (408-450), as relíquias foram levadas para Roma, para a Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, até ao dia 2 de Agosto, quando foram solenemente transferidas para uma igreja construída em honra do Protomártir Santo Estêvão.

Fragmentos destas relíquias foram distribuídos para vários lugares do mundo, o que contribuiu para a propagação da devoção a Santo Estevão.

Incontáveis milagres foram operados por Deus através da sua intercessão. Santo Evódio, bispo de Uzalum, na África, e Santo Agostinho (em A Cidade de Deus), deixaram-nos relatados muitos desses milagres.

Certamente, Deus se fez homem para curar os males temporais, pois, durante a sua vida mortal, curou os enfermos, libertou os possessos e socorreu aos necessitados, dando-nos uma prova sensível do seu poder divino e indicando que veio para nos livrar das enfermidades.

Depois da morte de Santo Estêvão por apedrejamento pelos judeus, o seu corpo não teve um sepultamento, mas foi atirado às bestas e aves, ao tempo. Gamaliel, um fariseu, membro do Grande Conselho, e doutor da lei e respeitado por todo o povo, tendo-se voltado para a Fé em Jesus Cristo como o Messias, aquele mesmo que saiu em defesa dos Apóstolos no Sinédrio (At 5, 34-40), na segunda noite após a morte de Estevão enviou pessoas da sua confiança para que encontrassem e lhe trouxessem o seu corpo, sepultando-o numa caverna - sua propriedade - não muito longe de Jerusalém. Mais tarde, Gamaliel fez-se baptizar com o seu filho Habib.

O segredo do lugar do sepultamento de Estevão foi deixado com Nicodemos, o discípulo que, durante a noite, visitava Jesus (Jo 3, 1-21; 7, 50-52; 19, 38-42). Depois de mortos, os corpos de Gamaliel e do seu filho Habib foram sepultados perto do lugar onde estava sepultado Estevão.

in Pale Ideas


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sábado, 2 de agosto de 2025

FBI espiou repetidamente um sacerdote da FSSPX

A Comissão Judiciária da Câmara dos Representantes divulgou um relatório revelando que o Gabinete de Campo do FBI em Richmond, Virgínia, tinha vigiado um padre da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) em 2023. O relatório foi obtido pelo NationalReview.com.

O sacerdote tinha-se recusado a responder a perguntas do FBI sobre um indivíduo que estava a ser investigado. Essa pessoa estava em vias de se converter ao Catolicismo. O FBI continuou a monitorizar o padre mesmo depois de este ter invocado a sua obrigação religiosa de manter a confidencialidade pastoral.

As comunicações internas também mostram que o FBI procurou coordenar-se com a divisão de contra-terrorismo da Polícia Metropolitana de Londres para recolher mais informações sobre a FSSPX e o padre.

Estas revelações fazem parte de uma investigação mais alargada sobre a forma como o FBI trata os casos que envolvem comunidades católicas tradicionais.

O gabinete de Richmond já tinha sido alvo de críticas generalizadas no início de 2023 por ter sido o autor de um memorando que rotulava os chamados católicos “radicais-tradicionalistas” como potenciais ameaças extremistas domésticas. Esse memorando, entretanto, foi retirado.

O presidente da Câmara dos Representantes, Jim Jordan (R-OH), descreveu as últimas descobertas como “profundamente preocupantes” e acusou o FBI de visar os americanos com base na sua fé.

O FBI recusou-se a comentar.

gloria.tv


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Sobre a Impureza - Santo Afonso Maria de Ligório

São Tomás diz que, devido a todos os vícios, mais especialmente pelo vício da impureza os homens são lançados para longe de Deus. Além disso, os pecados da impureza em virtude do seu grande número são um mal imenso. 

Um blasfemador nem sempre blasfema, mas só quando está bêbado ou quando é provocado pela ira. O assassino cujo trabalho é matar os outros, em geral não comete mais que oito ou dez homicídios, mas os impuros são culpados de uma torrente incessante de pecados, por pensamentos, por palavras, por olhares, por complacências, e por toques, de modo que, quando vão a confissão eles acham impossível dizer o número de pecados que cometeram contra a pureza.

De acordo com São Gregório, a partir da impureza surgem a cegueira do entendimento, a destruição, o ódio a Deus e o desespero quanto à vida eterna. Santo Agostinho diz que, embora os impuros possam envelhecer o vício da impureza não envelhece neles. Por isso Santo Tomás diz que não há pecado em que o diabo se deleite tanto como neste pecado, porque não há outro pecado a que a natureza se apegue com tanta tenacidade. Ela adere ao vício da impureza tão firmemente que o apetite por prazeres carnais se torna insaciável. Vá agora, e diga que o pecado da impureza não é mais que um pequeno mal. Na hora da morte, você não dirá isso, todos os pecados dessa espécie lhe aparecerão como um monstro do inferno.

São Remigio escreve que, excepto as crianças, o número de adultos que são salvos é pequeno, por causa dos pecados da carne. Em conformidade com essa doutrina, foi revelado a uma santa alma que como o orgulho encheu o inferno de demónios da mesma forma a impureza o enche de homens.

Caríssimos irmãos, continuemos a orar a Deus para nos livrar desse vício, senão perderemos nossas almas. O pecado da impureza traz com ela a cegueira e obstinação. Todos os vícios produzem sombras no entendimento, mas a impureza produz em maior grau do que todos os outros pecados."

Santo Afonso de Ligório in Sermão sobre a Impureza (sermão para o 16º Domingo depois do Pentecostes)


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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Indulgência da Porciúncula a 1 e 2 de Agosto

Numa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando, subitamente, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos.

Jesus perguntou-lhe: “Qual o melhor auxílio que desejarias receber, para conseguir a salvação eterna da Humanidade?”

Sem hesitar Francisco respondeu: “Senhor Jesus, peço-Vos que, a todos os arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, lhes concedais um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas.”

“O que pedes Francisco, é um benefício muito grande,”disse-lhe o Senhor, “muito embora sejas digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o teu pedido, com uma condição, deverás solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra.”

No dia seguinte, Francisco, acompanhado pelo Frei Masseu, seguiu para Perúgia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Chegando disse-lhe: “Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de Deus, restaurei uma Igreja em honra a Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Vossa Santidade que concedais, nesta Igreja uma indulgência a quantos a visitarem, sem a obrigação de oferecerem qualquer coisa em pagamento, a partir do dia da dedicação da mesma.”

O Papa ficou surpreendido e comoveu-se com o tal pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos pedes esta indulgência?”

“Santo Padre, não peço anos, mas penso em muitos homens e mulheres que precisam sentir o perdão de Deus”, respondeu Francisco.

“Que pretendes, em concreto, dizer com isto?” retorquiu o Papa.

“Se aprouver a Vossa Santidade, gostava que todas as pessoas que venham a visitar a Porciúncula, contritos dos seus pecados, em “estado de graça”, confessados e tendo recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia do seu baptismo até ao dia em que entre na Porciúncula.”

“Mas não é um costume a Cúria Romana conceder tal indulgência!"

“Senhor, disse o 'Poverello', este pedido não o faço por mim, mas por ordem de Cristo, da parte de quem estou aqui.”

Ouvindo isto, o Papa, cheio de amor, repetiu três vezes:“Em nome de Deus, Francisco, concedo-te a indulgência que em nome de Cristo me pedes.”

Tendo alguns Cardeais, ali presentes, manifestado desacordo, o Papa reafirmou: “Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, sinceramente arrependido das suas faltas e confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá apenas durante um dia, em cada ano, “in perpetuo”, desde as primeiras vésperas, incluída a noite, até às vésperas do dia seguinte.”

A 'consagração' da igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216.

A Indulgência da Porciúncula apenas era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1 Agosto e o pôr-do-sol do dia 2 Agosto. Mas a 9 de Julho de 1910, o Papa São Pio X concedeu autorização aos Bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública das suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). 

Este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, a 26 Março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4).

O que significa que, actualmente, qualquer igreja franciscana ou paroquial de qualquer país, tem o benefício da indulgência que São Francisco conseguiu para toda Humanidade. 

Deste modo ganhará a indulgência, qualquer pessoa que, estando em "estado de graça":

1. Visitar o santuário da Porciúncula em Assis ou qualquer igreja franciscana;
2. Confessar-se (uma semana antes ou uma semana depois);
3. Comungar neste dia;
4. Rezar um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência;
5. Rezar o Credo, um Pai Nosso e uma Avé Maria pelas intenções do Santo Padre.
6. Ter aversão a qualquer pecado, mesmo pecado venial.

Poderão utilizar a indulgência em seu próprio benefício ou em favor de pessoas falecidas.


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quinta-feira, 31 de julho de 2025

Cardeal Newman declarado Doutor da Igreja

Meu Senhor Jesus, Tu cujo amor por mim foi suficientemente grande para Te fazer descer do céu para me salvar, querido Senhor, mostra-me o meu pecado, mostra-me a minha indignidade, ensina-me a arrepender-me sinceramente, perdoa-me na Tua misericórdia. Peço-Te, meu querido Salvador, que tomes posse da minha pessoa. Só o Teu perdão o pode fazer; não posso salvar-me sozinho; não sou capaz de recuperar o que perdi. 

Sem Ti, não posso voltar-me para Ti, nem agradar-Te. Se apenas contar com as minhas forças, irei de mal a pior, vou fraquejar completamente, vou endurecer por negligência. Farei de mim o centro de mim próprio, em vez de o fazer de Ti. Adorarei qualquer ídolo moldado por mim, em vez de Te adorar a Ti, o único verdadeiro Deus, o meu Criador, se não mo impedires com a Tua graça. 

Oh meu querido Senhor, escuta-me! Já vivi o suficiente neste estado: a pairar, indeciso e medíocre; quero ser o Teu fiel servidor, não quero pecar mais. Sê misericordioso para comigo, faz com que me seja possível, pela Tua graça, tornar-me naquilo que sei que devia ser.

São John Henry Newman in Meditações e Devoções, Part 3, IV: Pecado, § 2


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Santo Inácio de Loyola

Hoje é dia do grande Santo Inácio de Loyola. A essência originária dos jesuítas está patente no texto dos Votos da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio, em 1534:

«Que os membros consagrarão suas vidas ao constante serviço de Cristo e do Papa, lutarão sob a bandeira da Cruz e servirão ao Senhor Pontífice romano como o vigário de Deus na Terra, de tal forma que executarão imediatamente e sem vacilação ou escusa tudo o que o Pontífice reinante ou seus sucessores puderem ordenar-lhes para proveito das almas ou para propagação da fé, e assim agirão em toda província aonde forem enviados, entre turcos ou quaisquer outros infiéis, na Índia distante, assim como em região de hereges, cismáticos ou indivíduos de qualquer tipo.»


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quarta-feira, 30 de julho de 2025

Padre Pedro Arrupe SJ protegeu um abusador homossexual

Uma acção judicial apresentada em Louisiana (Estados Unidos da América) revelou que o falecido Padre Pedro Arrupe estava ciente de abusos homossexuais cometidos por Donald Dickerson, mas não impediu a sua ordenação sacerdotal.

Padre Arrupe (1907–1991) foi o 28º Superior Geral dos Jesuítas (1965–1983), conhecido por sobreviver ao bombardeamento atómico de Hiroshima e por um declínio significativo na Ordem enquanto era Superior-Geral.

Em 1977, o Provincial Pe. Thomas Stahel alertou Arrupe para várias alegações de abuso homossexual por parte de Dickerson, incluindo masturbação de dois menores e avanços sobre um rapaz de 14 anos. Apesar destes avisos, de duas rondas de tratamento psiquiátrico por má conduta homossexual e de múltiplas queixas, Arrupe permitiu a ordenação sacerdotal de Dickerson em 1980.

Depois disso, Dickerson foi sucessivamente transferido entre paróquias, apesar de novos relatos de abuso, sendo removido da ordem apenas em 1986 — após pelo menos sete acusações formais. Dickerson, que morreu em 2016, foi incluído numa credível lista de jesuítas acusados de abuso, em 2018.

A causa de beatificação de Arrupe foi oficialmente aberta em 2019. É admirado por sectores anti-católicos como um “guerreiro da justiça social”.

O jesuíta Padre John Armstrong, que participou numa reunião sobre Dickerson em 1976, qualificou a actuação da Companhia na gestão do caso como “horrorizante” e afirmou que o facto de Dickerson ter continuado “é incompreensível”.

in gloria.tv


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Irmãs assistem ao 'Tour de France' em Marselha






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terça-feira, 29 de julho de 2025

A Santa Missa é um verdadeiro sacrifício

O augusto sacrifício do altar não é, pois, uma pura e simples comemoração da paixão e morte de Jesus Cristo, mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz aquilo que fez uma vez sobre a cruz, oferecendo-se todo ao Pai, vítima agradabilíssima.

"Uma... e idêntica é a vítima: aquele mesmo, que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes, se ofereceu então sobre a cruz; é diferente apenas, o modo de fazer a oferta" (Conc. Trid., Sess. XXII. c, 2).


Papa Pio XII in Carta Encíclia 'Mediator Dei', n.61


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sexta-feira, 25 de julho de 2025

Juramento de Ourique - Dom Afonso, Rei de Portugal

Eu Dom Afonso, Rei de Portugal, Filho do ilustre Conde Dom Henrique, Neto do Grande Rei Dom Afonso: sendo presentes Vós o Bispo de Braga, e Bispo de Coimbra, e Teotónio, e os mais Magnates, Oficiais, e Vassalos do meu Reino: juro por esta cruz de metal, e por este Livro dos Santíssimos Evangelhos, em que ponho a mão: que eu mísero pecador, com estes meus olhos indignos, vi a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, posto em uma Cruz nesta forma:

Eu estava com meu Exército nas Terras de Além Tejo, no Campo de Ourique, para pelejar com Ismael, e outros quatro Reis dos mouros, que tinham consigo infinitos milhares de homens.

E a minha gente atemorizada com esta multidão, estava enfadada, e muito triste, em tanto que muitos diziam ser temeridade começar a guerra.

E eu triste por aquilo que ouvia, comecei a cuidar comigo que faria; e tinha um livro na minha Tenda, no qual estava escrito o Testamento Velho, e o Testamento de Jesus Cristo: abri-o, e li nele a vitória de Gedeão, e disse antre mim: Vós sabeis Senhor Jesus Cristo, que por vosso amor faço esta guerra contra vossos inimigos; e que na vossa mão está dar-me a mim e aos meus fortaleza para que vençamos aqueles blasfemadores de Vosso Nome.

E dizendo isto adormeci sobre o Livro, e logo vi um Velho, que se vinha para mim, e me dizia: Afonso, confia, porque viverás e desbaratarás estes Reis, e quebrantarás os seus poderes e o Senhor se te há-de mostrar.

Estando eu vendo isto, chegou-se a mim João Fernandes de Sousa, vassalo de minha Câmara, e disse-me: Senhor, levantai-vos, está aqui um homem velho, que vos quer falar: entre, disse eu, se é fiel.

E entrado ele onde eu estava, conheci ser aquele mesmo, que eu tinha visto na visão. O qual me disse: Senhor, está de bom ânimo: vencerás, vencerás e não serás vencido. És amado do Senhor, porque sobre ti, e sobre teus descendentes depois de ti, tem posto os olhos de sua misericórdia até à décima sexta geração, na qual se diminuirá a descendência, mas na mesma assim diminuída, o mesmo Senhor tornará a pôr os olhos e verá. Ele me manda dizer-te, que tanto que ouvires esta noite que vem, tanto a campainha da minha Ermida, na qual vivi sessenta e seis anos, entre os infiéis, guardado com o favor do Altíssimo, sairás do teu arraial, só e sem companheiros, e mostrar-te-á sua muita piedade.

Obedeci e com reverência posto em terra, venerei o embaixador, e a Quem o mandava. E estando em Oração, esperando pelo som da campainha, já na segunda vigília da noite, a ouvi.

Então armado com a espada, e escudo, saí do arraial, e vi subitamente para a parte direita contra o Oriente um Raio resplandecente, e o resplandecer crescia pouco e pouco em mais, e quando naquela parte pus os olhos com eficácia, logo no mesmo raio mais claro que o Sol, vejo o sinal da Cruz e Jesus Cristo nela crucificado, e de uma outra parte multidão de mancebos alvíssimos, que eu creio eram os Santos Anjos.

A qual visão, tanto que eu vi, posta à parte a espada, e escudo, e deixados os vestidos, e calçado, humilhado me lancei em terra, e aí derramando muita cópia de lágrimas, comecei a rogar pelo esforço dos meus Vassalos.

E nada turbado disse: Vós a mim Senhor? Porque a quem já crê em Vós, quereis acrescentar a Fé? Melhor será que vos vejam os Infiéis e creiam, e não eu que com a água do baptismo vos conheci e conheço pelo verdadeiro filho da Virgem, e do Padre Eterno.

A Cruz era de admirável grandeza, e levantada de terra quase dez côvados.

O Senhor, com suave órgão de voz, que meus indignos ouvidos receberam, me disse:

Não te apareci desta maneira para te acrescentar a Fé, mas fortalecer o teu coração neste conflito, e para estabelecer e confirmar sobre firme pedra os princípios do teu Reino. Confia, Afonso, porque não somente vencerás esta batalha, mas todas as outras, em que pelejares contra os inimigos da Cruz. Tua gente acharás alegre para a guerra, e forte, pedindo-te que com nome de Rei entres nesta batalha com título de Rei. Não duvides, mas concede-lhe liberalmente o que te pedirem. Porque Eu sou o que faço e desfaço Reinos e Impérios. E minha vontade é edificar sobre ti e sobre tua geração depois de ti, um Império, para que o meu Nome seja levado a gentes estranhas. E porque os teus sucessores conheçam quem te deu o Reino, fabricarás o teu Escudo de armas com a divisa do preço, com que Eu comprei o género humano, e com o que eu fui comprado dos Judeus. E ser-me-á um Reino santificado, puro na Fé e pela piedade amado.

Tanto que eu ouvi estas coisas, prostrado em terra, o adorei, dizendo: Senhor, por que merecimentos me anunciais tanta piedade? Farei o que mandais e vós ponde os olhos de misericórdia em os meus descendentes, como me prometeis; e a gente de Portugal guardai e salvai, e se contra eles algum mal tiverdes determinado, antes o convertei todo em mim; e a meus sucessores e o meu povo, que amo tanto como único filho, absolvei.

Consentindo, o Senhor disse:

Não se apartará deles, nem de ti alguma hora minha misericórdia, porque por eles tenho aparelhado para mim grande sementeira, porque os escolhi por meus semeadores para terras mui apartadas e remotas.

E dizendo isto desapareceu, e eu, cheio de confiança e suavidade, tornei ao exército.

E que tudo passou assim eu el Rei Dom Afonso o juro pelos Santíssimos Evangelhos de Jesus Cristo, em que ponho a mão. Pelo que mando a meus sucessores, que tragam por divisa e insígnia, cinco escudos patidos em cruz, por amor da Cruz e das cinco Chagas de Jesus Cristo, e em cada um trinta dinheiros de prata, e em cima a serpente de Moisés, por ser figura de Cristo. E esta será a divisa da nossa nobreza em toda nossa geração.

E se algum outra coisa intentar, seja maldito do Senhor e com Judas traidor atormentado no Inferno.

Feita em Coimbra a vinte e oito de Outubro, da Era de Cristo mil cento e cinquenta e dois.

Eu Dom Afonso, Rei de Portugal.
Dom João, Bispo de Coimbra.
Dom João, Metropolitano de Braga.
Dom Teotónio, Prior.


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São Tiago, Mata-Mouros

Dia de São Tiago - ou Santiago - o Maior. Foi um dos primeiros a seguir Jesus, juntamente com o seu irmão João. Foi o primeiro dos 12 Apóstolos a dar a vida pelo Divino Mestre, tendo sido degolado, por ordem de Herodes, em Jerusalém, no ano 44. Está sepultado em Compostela (Galiza).

Tem o epíteto de 'Mata-Mouros'. Digamos que não seria um grande adepto do sincretismo religioso actual.

Santiago Mata-Mouros, rogai por nós.


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quinta-feira, 24 de julho de 2025

Quem quer expulsar os cristãos e porquê?

Sandro Magister escreve hoje sobre a questão de Gaza: "Quem quer expulsar os cristãos e porquê?" Um dos episódios que descreve é o dos sucessivos ataques por parte de colonos judeus aos cristãos na cidade de Taybeh (chamada Efraim no capítulo XI do evangelho de São João):

«No dia 7 de Julho, após dias de escalada de violência, alguns colonos incendiaram a antiga Igreja de São Jorge, do século V, e o cemitério próximo. O pároco latino da aldeia, [Bashar Fawadleh], relata: “Mais de vinte jovens correram comigo para o local e conseguiram apagar o fogo, enquanto os atacantes permaneciam a observar.

Eles também bloquearam as estradas com os seus carros, impedindo-nos de as usar, enquanto as principais vias de acesso a Taybeh permaneciam bloqueadas por postos de controlo militar”.»



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Contracepção: Ler a Humanae Vitae à luz da Casti Connubii

O Ocidente conheceu nas últimas décadas uma Revolução anti-familiar sem precedentes na História. Um dos pilares desse processo de desagregação da instituição familiar tem sido a separação dos dois fins primários do matrimónio, o procriativo e o unitivo.

O fim procriativo, separado da união conjugal, levou à fertilização in vitro e ao útero alugado. O fim unitivo, emancipado da procriação, levou à apoteose do amor livre, hetero e homossexual. Um dos resultados dessas aberrações é o recurso das parelhas de pessoas do mesmo sexo ao útero alugado para realizar uma grotesca caricatura da família natural.

A encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, cujo quinquagésimo aniversário será celebrado em 25 de Julho de 2018, teve o mérito de reafirmar a inseparabilidade dos dois significados do casamento e de condenar claramente a contracepção artificial, tornada possível nos anos 60 do século passado pela comercialização da pílula do Dr. Pinkus.

No entanto, até a Humanae Vitae tem culpa no cartório: a de não ter afirmado com igual clareza a hierarquia dos fins, ou seja, a primazia do fim procriativo sobre o unitivo. Dois princípios, ou valores, nunca podem estar num mesmo nível, em condição de igualdade. Um é sempre subordinado ao outro.

Isto acontece nas relações entre a fé e a razão, a graça e a natureza, a Igreja e o Estado, e assim por diante. Essas são realidades inseparáveis, mas distintas e ordenadas hierarquicamente. Se a ordem dessas relações não for definida, as tensões e os conflitos se seguirão, até a inversão da ordem dos princípios. Deste ponto de vista, uma das causas do processo de desintegração moral dentro da Igreja foi a falta de uma definição clara do fim primário do casamento pela encíclica de Paulo VI.

A doutrina da Igreja sobre o casamento foi afirmada como definitiva e obrigatória pelo Papa Pio XI na sua encíclica Casti Connubii, de 31 de Dezembro de 1930. Neste documento, o Papa recorda à Igreja e à Humanidade as verdades fundamentais sobre a natureza do casamento, estabelecido não pelos homens, mas pelo próprio Deus, e sobre as bênçãos e benefícios que advêm daí para a sociedade.

O primeiro objectivo é a procriação: que não significa apenas trazer filhos ao mundo, mas educá-los intelectual e moralmente, e, acima de tudo, espiritualmente, para conduzi-los ao seu destino eterno que é o Céu. O segundo objetivo é a assistência mútua entre os cônjuges, que não é apenas material, nem tampouco sexual ou sentimental, mas antes de tudo uma assistência e uma união espiritual.

A encíclica contém uma condenação clara e vigorosa do uso de meios contraceptivos, definidos como “uma acção torpe e intrinsecamente desonesta”. Portanto: “Qualquer uso do casamento em que pela maldade humana o acto seja destituído da sua virtude procriadora natural, vai contra a Lei de Deus e da natureza e aqueles que ousam cometer tais acções se tornam responsáveis de culpa grave.”

Pio XII confirmou em muitos discursos o ensinamento do seu antecessor. O esquema original sobre a família e o casamento do Concílio Vaticano II, aprovado por João XXIII em Julho de 1962, mas rejeitado no início dos trabalhos pelos Padres Conciliares, reafirmou essa doutrina, condenando explicitamente “teorias que invertem a ordem correcta dos valores, colocam o fim primordial do matrimónio no segundo plano em relação aos valores biológicos e pessoais dos cônjuges e que, na mesma ordem objectiva, indicam o amor conjugal como fim primário” (nº 14).

O fim procriativo, objectivo e enraizado na natureza cumpre-se espontaneamente. O objectivo unitivo, subjectivo e baseado na vontade dos cônjuges pode desaparecer. A primazia do fim procriativo salva o casamento, a primazia do fim unitivo o expõe a sérios riscos.

Além disso, não devemos esquecer que os fins do casamento não são dois, mas três, porque subsidiariamente existe também o remédio para a concupiscência. Ninguém fala deste terceiro fim, porque se perdeu o significado da noção de concupiscência, confundido muitas vezes com o pecado, à maneira luterana.

A concupiscência, presente em todos os homens, excepto na Santíssima Virgem, imune do pecado original, recorda-nos que a vida na Terra é uma luta incessante, porque, como diz São João, “no mundo não existe se não concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e orgulho da vida” (1 Jo 2, 16).

A exaltação dos instintos sexuais, inoculados na cultura dominante pelo marxismo-freudismo, não é senão a glorificação da concupiscência e, consequentemente, do pecado original.

Essa inversão dos fins matrimoniais, que conduz inevitavelmente à explosão da concupiscência na sociedade, aflora na exortação do Papa Francisco Amoris Laetitia, de 8 de Abril de 2016, em cujo o número 36 se lê: “Com frequência apresentamos o casamento de modo tal que o fim unitivo, o convite a crescer no amor e o ideal de ajuda mútua permanecem à sombra de uma nota quase exclusiva sobre o dever de procriar.”

Estas palavras repetem quase literalmente aquelas pronunciadas pelo cardeal Leo-Joseph Suenens na aula conciliar, em 29 de Outubro de 1964, num discurso que escandalizou Paulo VI. “Pode ser – disse o cardeal arcebispo de Bruxelas – que tenhamos acentuado a palavra da Escritura: ‘Crescei e multiplicai’ a ponto de deixar a outra palavra divina nas sombras: ‘Os dois serão uma só carne’. (…) Caberá à Comissão dizer se não enfatizámos muito o primeiro objectivo, que é a procriação, em detrimento de um fim igualmente imperativo, que é o crescimento da unidade conjugal”.

O cardeal Suenens insinua que a finalidade principal do casamento não é crescer e multiplicar, mas que “os dois sejam uma só carne”. Passamos de uma definição teológica e filosófica para uma descrição psicológica do casamento, apresentada não como um vínculo enraizado na natureza e dedicado à propagação da humanidade, mas como uma comunhão íntima, voltada para o amor recíproco dos cônjuges.

O casamento é reduzido mais uma vez a uma comunhão de amor, enquanto o controle de natalidade – natural ou artificial – é visto como um bem que merece ser encorajado sob o nome de “paternidade responsável”, pois ajuda a fortalecer o bem primário da união conjugal. A consequência inevitável é que, no momento em que essa comunhão íntima vier a fracassar, o casamento pode se dissolver.

A inversão dos fins é acompanhada pela inversão dos papéis dentro da união conjugal. O bem-estar psicofísico da mulher substitui a sua missão de mãe. O nascimento de uma criança é visto como um elemento que pode perturbar a íntima comunhão de amor do casal. A criança pode ser considerada como um injusto agressor do equilíbrio familiar, da qual o casal se defende com a contracepção e, em casos extremos, com o aborto.

A interpretação que demos das palavras do cardeal Suenens não é forçada. Em coerência com aquele discurso, o cardeal primaz da Bélgica liderou em 1968 a revolta dos bispos e teólogos contra a Humanae Vitae. A Declaração do episcopado belga, de 30 de Agosto de 1968, contra a encíclica de Paulo VI, foi, com a do episcopado alemão, uma das primeiras elaboradas por uma Conferência Episcopal e serviu de modelo de protesto a outros episcopados.

Aos herdeiros dessa contestação, que se propõem reinterpretar a Humanae Vitae à luz da Amoris Laetitia, respondemos com firmeza que continuaremos a ler a encíclica de Paulo VI à luz da Casti Connubii e do Magistério perene da Igreja.

Roberto de Mattei in Corrispondenza Romana
(Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com)


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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Oração pública, jejum e protesto contra expulsão da Fraternidade de São Pedro

Tensões surgiram devido à decisão do Bispo François Durand (51), de Valence, na região de Drôme, sudeste de França, de encerrar o apostolado da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP). Este apostolado foi fundado em Setembro de 1988.

Católicos em Valence e em Montélimar iniciaram um jejum rigoroso e vigília de oração junto à Igreja de Notre Dame, em Valence. Alguns dormem em tendas no parque de estacionamento.

Cerca de 400 paroquianos assinaram uma carta aberta em LeDauphine.com, apelando ao bispo para reconsiderar. As Missas e todo o apostolado, incluindo 13 grupos de catequese, deverão terminar em 1 de Setembro.

A diocese justificou a repressão alegando “reiterada desobediência às orientações diocesanas”. No entanto, o ponto principal de discórdia tem sido apenas a recusa da FSSP em concelebrar a Missa Crismal no Novus Ordo.

No dia 15 de Maio, o Bispo Durand anunciou que a celebração da Missa dominical no rito romano seria confiada ao clero diocesano. Todos os outros sacramentos serão suprimidos. Um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro poderá continuar a celebrar missa uma vez por semana em Montélimar.

Numa segunda carta datada de 23 de Maio, o Bispo Durand criticou iniciativas pastorais da FSSP por carecerem de “orientações diocesanas”.

No FamilleChretienne.fr, o Vigário-Geral Padre Éric Lorinet usou como argumento o facto de a FSSP estar a agir “como uma paróquia dentro da paróquia”, causando atritos com o clero local.

in gloria.tv



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Santo Apolinário, Bispo e Mártir do primeiro século

Santo Apolinário nasceu em Antioquia, na Síria, no século I, numa família pagã. O seu trajecto cristão começou ao escutar a pregação de São Pedro, que então evangelizava aquela região. Profundamente tocado pelas palavras do Apóstolo, Apolinário decidiu seguir Pedro até Roma, onde recebeu o baptismo, tornando-se um dos seus mais próximos discípulos. São Pedro nomeou-o então como bispo e enviou-o para evangelizar a cidade de Ravena, em Itália, tornando-se o seu primeiro bispo e padroeiro. 

Evangelização e Primeiros Anos em Ravena
 
Em Ravena, Apolinário enfrentou feroz oposição dos pagãos. Não obstante, converteu diversas pessoas, incluindo famílias da elite local. Era conhecido como sacerdote astuto, eloquente e profundamente dedicado ao bem dos seus fiéis, o que rapidamente lhe granjeou fama de confessor exemplar.
 
Milagres e Pormenores Interessantes
 
Diversas tradições relatam numerosos milagres atribuídos a Santo Apolinário:
  • Curas Extraordinárias: Uma das mais emblemáticas histórias relata que curou a esposa e a filha de um tribuno romano. Num episódio, essa filha, dada como morta, foi ressuscitada por Apolinário após fervorosa oração, levando à conversão de toda a família e de numerosos presentes ao milagre.
  • Expulsão de Demónios e Libertação: Conta-se que Apolinário expelia espíritos malignos, inclusive de uma jovem nobre local, conquistando assim ainda mais fiéis para o cristianismo.
  • Milagres Públicos: Também se diz que restituiu a fala a um mudo e a visão a um cego, limpou leprosos e fez com que uma estátua de um ídolo pagão se desmoronasse, depois de a amaldiçoar diante dos pontífices pagãos.
  • Resistência ao Martírio: Durante as perseguições, Apolinário suportou torturas brutais: foi descalçado e forçado a andar sobre brasas, espancado várias vezes, teve água a ferver lançada sobre as feridas e foi perseguido múltiplas vezes, permanecendo sempre perseverante na fé.
  • Aconselhamento dos Pobres: Quando foi forçado a oferecer sacrifícios aos ídolos, Apolinário negou-se, sugerindo que o ouro e a prata dos templos fossem dados aos necessitados, provocando indignação entre os poderosos locais.
Martírio e Culto Posterior
 
A reacção aos seus milagres e à rápida difusão do cristianismo levou, enfim, ao seu martírio. Apolinário foi severamente espancado e, após vários dias de sofrimento em consequência das torturas, acabou por falecer. A sua morte ocorreu por volta do ano 79, durante o reinado do imperador Vespasiano. Em sua memória foi erguida a Basílica de Santo Apolinário em Classe, local do seu martírio, e mais tarde as suas relíquias foram preservadas em igrejas de Ravena, cimentando o seu culto como mártir e exemplo entre os cristãos.
 
Legado
 
A festa de Santo Apolinário celebra-se a 23 de Julho. É lembrado como pastor dedicado, mártir corajoso e santo de prodígios, sinais de profundidade da fé. A sua história continua a inspirar fiéis até aos nossos dias, tanto em Itália como noutras regiões da Europa, onde o seu culto foi difundido por mosteiros e tradições locais.
Os principais milagres associam-no à cura, à libertação, à ressurreição de mortos e à resistência invencível diante da perseguição, consolidando a sua reputação como exemplo de fé e santidade para toda a Igreja.



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terça-feira, 22 de julho de 2025

Perspectiva jus-histórica das migrações

Será acerca do problema das migrações no Ocidente que irei dar um brevíssimo panorama jus-histórico, tendo como objecto o pensamento jurídico. Para tanto é importante fixar a matriz cultural da Civilização Ocidental. A Filosofia grega, o Direito Romano e a Revelação Cristã são, iniludivelmente, o fundamento da cultura Ocidental. E será sobre este fundamento que irei tecer algumas considerações.

Nas Cidades-Estado gregas os estrangeiros não gozavam, assim como hoje, de determinados direitos do cidadão. Em Atenas existiam três categorias de estrangeiros, cujas situações jurídicas eram diferentes: Os isótelos, os metoikos, e os xénos. Os isótelos eram os pertencentes a unidades políticas com que Atenas celebrara acordos e por isso podiam exercer os poucos direitos neles previstos. Os metoikos eram aqueles que Atenas permitira que fixassem residência. Eram obrigados a pagar uma contribuição à cidade e defendê-la em caso de guerra. Não podiam contrair casamentos com cidadãos. O terceiro grupo é o dos xénos, aqueles estrangeiros de passagem, que não possuíam qualquer proteção legal. Decorrido determinado tempo de permanência na cidade, o xénos devia fazer-se reconhecer como metoiko, ou deixar Atenas.

Aristóteles era um meteco, aliás tratado assim algumas vezes, nas fontes, pelo seu mestre Platão. Na sua Política afirmou que há duas maneiras de possuir a cidadania, a absoluta – quando pode tomar parte em todos os negócios que tocam os cidadãos, como conselhos e tribunais – e de forma parcial, nomeadamente por viverem na Cidade, mas sem a capacidade de exercer funções de cidadania. Portanto, para o Estagirita, as distinções são inerentes ao problema dos estrangeiros.

Em Roma a ideia de cidadania também estava vinculada ao exercício de direitos políticos e civis. Distinguia-se o cidadão romano, pelo status civitatis. E o Direito Romano concedeu especial proteção aos estrangeiros. A latinidade foi a primeira forma de proteção, devido aos vínculos étnico-culturais entre Roma e os povos do Latio, vínculo fundado sobre questões territoriais e culturais. A comunhão cultural existente entre Roma e as demais cidades latinas permitiu a construção de uma comunhão também jurídica, na qual se reconhece aos latinos um conjunto de direitos que os diferenciam das pessoas oriundas de outras cidades, ou seja, que os diferenciam dos demais estrangeiros. E a língua latina cimentou esta proximidade, criando a unidade desejada.

Os latinos gozavam do ius conubii e do ius comercii, e poderiam tornar-se romanos fixando domicílio em Roma. Tal os distinguia dos peregrinos – estrangeiros com quem não havia necessariamente uma comunhão cultural, estes eram a maioria dos povos conquistados.

As primeiras formas de regular as relações entre Roma e outros povos, tinha carácter essencialmente jurídico-religioso e promanava do ius fetiale. Os sacerdotes feciais sempre por meio de rituais, tratavam da guerra (declaração, procedimento) e da paz (tratados – foedera). À guisa de exemplo refira-se os conceitos, no ius fetiale, de reparação pelas agressões sofridas e a inviolabilidade dos embaixadores.

A expansão do império romano fez com que houvesse a incorporação de diversos povos com diferentes costumes e tradições jurídicas. À medida que o império se expandia, para a sua coesão e desenvolvimento, fazia-se necessário conceder certos direitos aos povos vencidos. Ao passo que o Império Romano se alargava para além das fronteiras da Península Itálica, o antigo e tradicional ius civilis reservado, a priori, aos romanos, aos poucos se foi adaptando, de maneira a alcançar os outros povos incorporados ao império. E desenvolveu-se, assim, o ius gentium a partir do século II a.C., com normas extremamente plásticas – e menos ritualizado – cujos destinatários principais eram os peregrini.

Com o correr dos séculos o processo de romanização deu grande unidade aos povos que constituíram o Império Romano. A cidadania foi estendida e consolidou-se o Império. Mais uma vez o a língua latina foi elemento precioso para a integração dos povos.

Mas surgira dentro do Império um novo fenômeno, uma força nova dotada de potência, proveniente de uma província a Oriente. Trata-se da religião Cristã.

São Paulo representa esta nova força: homem de cultura grega, cidadania romana e doutor da Lei Antiga, converte-se ao Cristianismo. Na sua Carta aos Gálatas afirma: não há, pois, judeu, nem grego, escravo ou livre, varão ou fêmea, pois sois todos um em Jesus Cristo.

Na Idade Média ergueu-se a res publica Christiana na Europa, fundada na unidade da Fé e do Direito. A ideia de organização política diluiu-se numa nova concepção: a de Cristandade, ou seja, uma associação de homens unidos em torno da fé em Cristo e que se subordinavam a dois distintos poderes: o poder espiritual e o poder temporal.

A Universidade, instituição basilar, criada na Idade Média, reunia estudantes das mais diversas regiões da Cristandade, servindo-se de uma língua sagrada que era o meio para a busca da Verdade. O princípio da unidade na diversidade se apresentou limpidamente nesta corporação na qual os membros formavam uma grande família de almas, fruto dos grandes princípios que a enformavam. Muitos luzeiros dedicaram as suas vidas à Universidade, dentre os inúmeros doutores destaca-se em especial aquele que construiu uma verdadeira Catedral teológica. Na Divina Comédia este Doutor guia Dante ao Paraíso. No Canto X o poeta encontra 12 Doutores da sabedoria liderados pelo Doutor Angélico.

Santo Tomás de Aquino, no século XIII alcançou o ápice do pensamento cristão. E na sua obra tratou do problema das migrações. Afirmou que o povo pode ter dois tipos de relações com os estrangeiros: na paz ou na guerra. Desenvolve o seu pensamento na Suma Teológica I-II, q. 105, a. 3.

Distingue, assim, os imigrantes, considerando não serem todos iguais. Logo, as relações com os estrangeiros não são todas iguais: algumas são pacíficas outras são bélicas. Cada povo deverá decidir que tipo de imigração será considerada pacífica. Esta, evidentemente, será benéfica, servindo o Bem comum. Porém, com extremo realismo assevera existir uma imigração que será hostil e, desta forma, prejudicial. A rejeição de certos fluxos migratórios, na construção tomista seria a manifestação de Direito Natural à legítima defesa contra o que possa ser prejudicial ao Bem comum, ou seja, à Salus publica.

Referindo-se à imigração pacífica invoca duas passagens do Êxodo: “Não usarás de violência contra o estrangeiro residente nem o oprimirás” (22, 20); e “Não oprimirás um estrangeiro residente” (23, 9).

Está, pois, claramente reconhecida a possibilidade de os estrangeiros viverem pacificamente e o contributo benéfico que podem ter para o Bem comum. Devem ser tratados com caridade, respeito e cortesia – dever de todas as pessoas de boa vontade. A lei deverá proteger o estrangeiro de qualquer violência.

Citando Aristóteles, Santo Tomás afirma que os estrangeiros que queiram ser recebidos em plena comunidade de vida e culto, integrando-se com o povo que os acolheu, contudo, devem observar determinadas formalidades, e a sua admissão não deve ser imediata. E condicionava, assim a migração pacífica. Para aqueles que pretendiam instalar-se a condição seria: a vontade de integrar-se de forma perfeita na vida e na cultura daqueles que acolhiam.

Para além disso o acolhimento não devia ser imediato. A integração é um processo que demanda tempo. Os recém-chegados precisam se adaptar à nova cultura; e Santo Tomás cita novamente Aristóteles, que afirma que este processo pode levar de duas a três gerações.

E explica por quê: “O que se compreende, devido aos múltiplos inconvenientes ocasionados pela participação prematura dos estrangeiros na gestão dos assuntos públicos; com efeito, antes de se terem firmado no amor pelo povo, poderão empreender alguma coisa contra ele.”

Parece perfeitamente lógico o ensinamento tomista. A vida num país desconhecido é marcada por descobertas que são obrigatoriamente lentas. Os costumes e tradições precisam ser conhecidos, respeitados e até defendidos e, idealmente, amados por aqueles que chegam. Isto demanda Tempo – este grande mestre que régle bien les choses…

A ação do tempo se exerce de mil maneiras, todos os anos as estações se sucedem; nos séculos conduz ao desenvolvimento, grandeza e decadência das nações, ascensão e queda dos povos, e nas nossas vidas dá-se o mesmo. Devemos obedecer ao tempo como a natureza o faz…

Ao refletir brevemente sobre o problema das migrações, sob a perspectiva jus-histórica, surgirá primeiramente uma suspeita: a especulação sobre o Direito e a Justiça, alicerce da nossa Civilização, não terá oferecido uma solução sábia ao problema? Talvez daí surja a convicção de que o abandono, ou a negação, senão a apostasia civilizacional seja o verdadeiro e principal obstáculo a ser vencido para a edificação da Cidade.

Ibsen Noronha in atrevimentos.pt 


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Dia de Santa Maria Madalena, apóstola dos Apóstolos

Maria Madalena, Maria de Betânia e Maria pecadora, citadas no Evangelho, são a mesma pessoa, segundo o Papa São Gregório Magno, grande estudioso dos santos e criador do Calendário Gregoriano. Também os Padres latinos, desde Tertuliano, Santo Ambrósio, São Jerónimo, Santo Agostinho, até São Bernardo e São Tomás de Aquino, reconhecem nas três uma e a mesma pessoa: a Santa Maria Madalena penitente, que seguiu Nosso Senhor durante a Paixão.

Maria Madalena teria nascido em Betânia, cidade da Judeia, de pais muito ricos, tendo por irmãos Marta e Lázaro. Como parte da sua herança recebera o castelo de Magdala, de onde lhe veio o nome.

Uma lenda fala da sua esplêndida formosura, cabeleira famosa, do seu engenho, e relata ser ela casada com um doutor da Lei que a trancava em casa quando saía. Altiva e impetuosa, Maria teria fugido com um oficial das tropas do César e se estabelecido no castelo de Magdala, perto de Cafarnaum. As suas desordens e escândalos logo se espalharam pela região.

Enquanto isso, Nosso Senhor iniciara a sua peregrinação: a fama dos seus milagres e a santidade de vida estendia-se pelas terras da Palestina. Atormentada por demónios, e pelos remorsos da sua consciência culpada, Maria foi procurar Aquele que alguns apontavam como sendo o Messias prometido. O Senhor apiedou-se dela e livrou-a de sete demónios (Mc 16, 9), tocando-lhe também profundamente o coração.

A partir de então, começou para Madalena a completa conversão. Horrorizada ante os seus inúmeros pecados, cativada pela bondade e mansidão de Jesus, ela procurava uma ocasião em que pudesse mostrar-Lhe o seu reconhecimento e profundo arrependimento.

Essa ocasião surgiu na casa de Simão — um fariseu, provavelmente de Cafarnaum —, que havia convidado o Mestre para uma refeição. Durante um banquete ao qual Jesus participava, inesperadamente Madalena irrompeu na sala, foi diretamente até Jesus, rompeu um vaso de alabastro que levava apertado ao peito, e “começando a banhar-Lhe os pés com lágrimas, enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os e os ungia com o bálsamo” (Lc 7, 38).

Perdoada, convertida, Maria Madalena foi viver com os seus irmãos em Betânia. Uma vez, as duas irmãs receberam a visita do Messias. Maria sentou-se junto ao Salvador para absorver as suas palavras divinas, enquanto Marta se afanava nos afazeres domésticos para bem receber o seu divino Hóspede. E julgou que a sua irmã fazia mal, pois em vez de ajudá-la, estava ali sentada esquecida da vida. Disse Jesus: “Marta, Marta, afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas. Entretanto uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (Lc 10, 38-42).

Em outra visita do divino Mestre a Betânia, Maria Madalena, já não mais “a pecadora”, ungiu novamente os pés do Redentor com precioso perfume, o que levou Judas a reclamar do “desperdício”, pois podiam vender o perfume e “dar o dinheiro aos pobres”. Nosso Senhor interveio: “Deixai-a; ela reservou isso para o dia da minha sepultura; porque sempre tendes os pobres convosco, mas a mim não tendes sempre” (Jo 12, 1-8).

Chegou o momento da Paixão. Aos pés da cruz, Maria Madalena acompanhava Nossa Senhora e São João Evangelista. Depois do sepultamento, Maria também estava junto ao túmulo, de fora, chorando. Enquanto chorava, se inclinou para o interior do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus havia sido colocado, um na cabeceira e outro aos pés.

Disseram então "Mulher por que choras?" Ela respondeu: "Levaram meu Senhor e não sei onde o colocaram". Dizendo isto se voltou e viu Jesus de pé. Mas não podia imaginar que era Jesus. E Jesus lhe disse: "Mulher por que choras? A quem procuras?" Pensando ser Ele o jardineiro ela respondeu: "Senhor se foste tu que O levaste me diga onde O puseste que eu irei busca-LO" Jesus responde: "Maria". Ela então reconhece-O e grita em hebraico "Raboni!" (que quer dizer Mestre!).

De acordo com uma antiga tradição do Oriente, Maria Madalena acompanhou São João Evangelista e a Virgem Maria a Éfeso onde morreu e foi sepultada.

No Ocidente, a tradição diz que ela viajou para Provença, França com Santa Marta e São Lázaro. A tradição conta que São Maximino, um dos 72 discípulos do Senhor, e São Sidónio (o cego de nascença de que fala o Evangelho, e que foi curado por Nosso Senhor) e mesmo José de Arimatéia estão entre os que os acompanharam na conversão da Gália.

São Maximino foi bispo de Aix, e São Lázaro encarregou-se da igreja de Marselha. Santa Marta reuniu em Tarascão uma comunidade de virgens, e Maria Madalena, depois de ter trabalhado na conversão dos marselheses, retirou-se para viver na solidão numa montanha entre Aix, Marselha e Toulon, “La Sainte Baume” (a Santa Montanha ou Santa Gruta), como dizem os habitantes do lugar. Lá permaneceu cerca de trinta anos, levando vida contemplativa e penitencial.

Ela foi milagrosamente transportada, pouco antes da sua morte, para junto de São Maximino, que lhe ministrou os últimos sacramentos. Segundo a tradição, o seu corpo foi levado para um povoado vizinho –– a Villa Lata, depois chamada São Maximino –– onde esse bispo havia construído uma capela.

No século VIII, por temor dos sarracenos, as suas relíquias foram trasladadas para um lugar seguro, tendo ficado esquecidas até que Carlos II, Rei da Sicília e Conde da Provença, as encontrou em 1272. São Vilibaldo diz que viu a sua tumba em Éfeso (hoje Turquia) no século VIII. A comuna francesa Vezelay diz ter as suas relíquias desde o século XI.

É a padroeira das cabeleireiras, estilistas de cabelos, podólogos, pecadoras penitentes, perfumistas, manicuras, fabricantes de perfumes e de óleos para o corpo.

Na arte litúrgica da Igreja é representada segurando um alabastro de óleo.

in heroinasdacristandade.blogspot.com


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